Prévia do material em texto
GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS AV1 1. Introdução à Gestão de Cadeias de Suprimentos (cap 1) LOGÍSTICA: Em sua concepção inicial, consistia no simples ato de entregar o produto certo, no lugar solicitado, dentro de um determinado intervalo de tempo. ( Porém esse conceito EVOLUIU). A Logística pode ser definida como a parte da Cadeia de Suprimentos que gerencia, planeja e controla os fluxos de materiais e informações. Podemos também dizer que a Logística é a União dos 4 elementos básicos da Cadeia de Suprimentos: Aquisição Movimentação (interna/externa) Armazenagem (espaço físico p/ armazenar os produtos) Entrega A Logística auxilia as empresas a aumentar continuamente o nível de serviço ao cliente e a reduzir os custos. Isso só é possível através de um gerenciamento correto da Cadeia de Suprimentos, onde todas as ações estão interligadas e daí verifica-se quais as atividades ou processos que estão gerando custo desnecessários, para redefini-los ou até elimina-los. A Logística tem que ter um Olhar Sistêmico. Fornecedores Clientes (parceria) 2. Evolução Histórica da Logística ( 5 FASES) • Logística no local de trabalho: o enfoque era a otimização do fluxo de materiais nos locais de trabalho. O objetivo era definir formas de trabalho que harmonizassem os movimentos das unidades de trabalho ao longo das linhas de montagem; • Logística nas instalações: a ênfase está na otimização do fluxo de materiais entre os locais de trabalho, dentro de instalações como fábricas, armazéns e centros de distribuição. Também conhecida como Administração de Materiais, nesta fase surgiram diversas técnicas de dimensionamento de lotes e de controle de estoques; • Logística corporativa: com a criação de novos métodos de gestão inspirados na visão sistêmica, em conjunto com o desenvolvimento das tecnologias de informação, as empresas passaram a se reestruturar em funções, em vez de departamentos. A logística passou a ser vista como um processo que tem como objetivo gerir o fluxo de materiais e informações ao longo das instalações da organização para atender seus clientes; • Cadeias de suprimento: nesta fase, a ênfase deixa de ser a integração dos processos internos da empresa e passa a ser a integração dos processos interorganizacionais. As empresas perceberam que a integração de processos entre fornecedores, fabricantes, distribuidores e até mesmo clientes pode oferecer uma grande oportunidade de diferenciação; • Logística Global: a globalização, em conjunto com as novas tecnologias de comunicação, sobretudo a internet, permitiram às empresas conectar fornecedores, fabricantes e clientes em uma rede mundial. Isso trouxe novos desafios relacionados à localização de instalações, planejamento global de operações e distribuição internacional de produtos. Novaes (2007) analisa a evolução histórica da logística a partir de uma perspectiva de processos. Para o autor, são 4 fases que caracterizam a evolução do processo logístico nas empresas: • Primeira fase: Atuação segmentada; Origem na segunda guerra mundial, não havia sofisticados sistemas de comunicação e informática, o estoque era elemento chave para o balanceamento da cadeia de suprimentos (eram geradas grandes quantidades, com frequentes revisões), não havia preocupação com estoques e sim com lotes econômicos para transporte, redução de custo: Guerra de Fretes de cada empresa • Segunda fase: Integração rígida; Iniciou-se na década 70, com a utilização do MRP e MRP II, Os processos produtivos tornaram-se mais flexíveis, com maior variedade Marketing de Produto. Crise do Petróleo o que encareceu a movimentação + Mão de Obra, fazendo-se necessário a racionalização da cadeia de suprimentos, diminuição de custos e aumento da eficiência, Iniciou-se o emprego da multimodalidade no transporte de mercadorias e a introdução da informática. • Terceira fase: Integração flexível; Início nos anos 80, com os recursos tecnológicos permitindo a integração dinâmica e flexível entre os componentes da cadeia de abastecimento, mas somente em dois níveis, par a par, ou seja, dentro da empresa entre cliente e fornecedor. Utilização do EDI (eletronic data interchance) para intercâmbio eletrônico de dados. Inaugurando um canal que permitia ajustes no processo de fabricação e maior preocupação com a satisfação do cliente. Busca permanente na redução de estoque como elemento de redução de custos. • Quarta fase: Integração estratégica (SCM) Busca da diferenciação - integração de forma abrangente e cobrindo toda a cadeia de suprimentos. O tratamento das questões logísticas passa a ser estratégico, de fundamental importância para a competitividade. Surgimento de empresas virtuais, utilização da internet e TI. SCM (Supply Chain Management) Obs: Qual a diferença entre Logística e Cadeia de Suprimentos? Logística é o processo de planejar, implementar e controlar procedimentos para o transporte e armazenagem efetivos e eficientes de bens e serviços, assim como informações relacionadas, do ponto de origem ao ponto de consumo, com o propósito de atender os requisitos de clientes. Tal definição engloba movimentos internos e externos. Exemplos de atividades logísticas: gestão do transporte, gestão de frotas, armazenagem, administração de materiais, atendimento de pedidos, gestão de estoques e planejamento da demanda. Cadeias de suprimentos se iniciam nas matérias primas ainda não processadas e terminam no cliente final usando os produtos oferecidos pela cadeia. Uma cadeia liga diversas empresas pelas quais fluem materiais e informações. Todos os distribuidores, prestadores de serviços e até mesmo os clientes são considerados elos da cadeia de suprimentos. A Figura deixa claro que uma cadeia de suprimentos é uma grande rede de empresas, que são ligadas por fluxos de informações e materiais. Uma cadeia de suprimentos se inicia nos fornecedores de matérias primas, peças e insumos, que podem atender as necessidades de diversos fabricantes. Estes, acionam distribuidores que entregam produtos aos varejistas e que ultimamente vendem os produtos aos clientes finais. 3. Objetivos da Logística • Reduzir o custo de produtos e serviços; • Gerar integração interna na empresa; • Oferecer preços transparentes ao cliente; • Obter altos giros de estoque; • Estabelecer integração com fornecedores; • Alcançar a qualidade desejada pelo cliente; • Definir e cumprir prazos; • Receber, monitorar e transmitir dados instantâneos e confiáveis. 4. Nível de Serviço Logístico É o nível alcançado por uma determinada organização na qualidade, eficiência e eficácia de seus processos e atividades logísticas. Ballou (2006) argumenta que os aspectos de serviço ao cliente podem ser subdivididos em três grupos: • Elementos de pré-transação: são aspectos avaliados antes da realização da transação de compra, propiciando segurança e compromisso total com o cliente quanto aos prazos de entrega, serviços, etc; • Elementos de transação: são os aspectos que possibilitam a entrega do produto ao cliente, tais como níveis de estoque, seleção de modais de transporte e método de processamento de pedidos. Um bom desempenho nesses aspectos reflete no tempo de entrega, assim como na exatidão das especificações encomendadas; • Elementos de pós-transação: englobam serviços e facilidades oferecidas pelo fornecedor após a entrega do produto, tais como manutenção, facilidade de devolução, realização de trocas e processamento de reclamações. O nível de serviço do cliente pode ser resumido em 7 categorias: Tempo de Resposta ( Lead Time): tempo transcorrido entre a realização da compra e sua entrega. Variedade de Produtos: corresponde ao número de diferentes produtos ou configurações de produtos que a rede de distribuição consegue oferecer. Disponibilidade de produtos: à probabilidade de haver o produto em estoque no momento em que um pedido é feito. Experiência do cliente: à facilidade com que um pedido pode serfeito, além da extensão à qual essa experiência pode ser customizada. Tempo de lançamento ao mercado: também conhecido como time to market, mede o tempo que a cadeia de suprimentos leva para disponibilizar um novo produto ao mercado. Visibilidade do pedido: é a capacidade de os clientes acompanharem seus pedidos, desde sua realização até a sua entrega. Facilidade de devolução: também chamado de returnability, corresponde à possibilidade de o cliente devolver mercadorias insatisfatórias e a capacidade da rede lidar com devoluções. 5. Principais atividades Logísticas Ballou (2006) considera que as estratégias de estoques, transporte e localização são as principais áreas da logística que influenciam o serviço ao cliente. De forma mais simples, a logística existe para posicionar e movimentar estoques de forma a atingir resultados desejados de tempo, local e posse dos estoques a um custo total mínimo. Para satisfazer integralmente a estratégia logística, as empresas precisam integrar cinco atividades: (1) processamento de pedidos, (2) estoque, (3) transporte, (4) armazenagem, manuseio de materiais e embalagem e (5) rede de instalações. Processamento de Pedidos: é onde começa o processo logístico. Por isso, a precisão das informações é essencial para que o pedido seja atendido de acordo com os requisitos do cliente. Estoques: A quantidade de estoques está ligada diretamente à configuração da rede de distribuição e os níveis desejados de serviço ao cliente. Segundo Bowersox, Closs e Cooper (2012), uma boa estratégia de estoques deve ser baseada em cinco aspectos: (1) segmentação de clientes; (2) rentabilidade dos produtos; (3) integração dos transportes; (4) desempenho baseado em tempo e (5) desempenho competitivo. Transporte: O objetivo do transporte é mover os produtos para os mercados consumidores, que se encontram geograficamente separados, agregando valor aos clientes quando chegam no momento desejado. Armazenagem, Manuseio e Embalagem: Esta atividade deve ser desenvolvida em conjunto com as áreas de transporte, estoque e processamento de pedido. Por exemplo, quando um pedido é recebido, este precisa ser enviado ao armazém que realizará a separação dos produtos e envio para a área de expedição. Tais produtos deverão ser colocados em embalagens apropriadas, que serão adequadas ao modo de transporte escolhido. Rede de Instalações: As decisões relacionadas ao projeto da rede de instalações têm impacto direto no serviço ao cliente, bem como nos custos logísticos. Essas decisões estão relacionadas não só a quantas instalações serão necessárias, mas também em que locais elas devem ser posicionadas. No caso de uma mineradora, por exemplo, há grande necessidade de se instalar próximo às matérias primas. Por outro lado, empresas como lojas de varejo e supermercados devem estar próximas aos clientes. Manter Estoques é uma coisa BOA ou RUIM? Manter estoques é uma das formas de oferecer melhor nível de serviço logístico, pois reduz a probabilidade de faltas de produtos para os clientes. No entanto, os custos de estoques devem ser cuidadosamente analisados, para evitar que a empresa sofra prejuízos em seu negócio. Empresas mantêm estoques que atuam como pulmões, ou seja, para absorver variações inesperadas na demanda. Segundo Taylor: Uma cadeia de suprimentos é basicamente um conjunto de instalações conectadas por fluxos de materiais e informações. Podemos destacar em nosso exemplo dois tipos de instalações – instalações de produção e de armazenagem. No caso dos LIVROS: Estoques de matérias primas: consistem em materiais e insumos que são utilizados na produção. Em nosso exemplo, destacamos o papel, tinta de impressão e materiais necessários para a encadernação; Estoque em processo: também chamado de WIP (work in process), inclui todos os materiais sendo processados pela empresa. Em nosso exemplo, inclui todos os livros que estão sendo processados, mas não estão finalizados. Estoque de produtos acabados: inclui todos os produtos que estão prontos e aguardando embarque. GESTÃO DE PROCESSOS NA CADEIA DE SUPRIMENTOS Processos são conjuntos de atividades inter-relacionadas com uma ou mais espécies de entradas que gera um resultado para um cliente, que pode ser interno ou externo. De acordo com Ballard et al. (2006), um processo de negócio possui os seguintes elementos: • Entradas: materiais e informações necessárias para completar as atividades do processo; • Saídas: informações e produtos gerados pelo processo; • Eventos: notificações de ocorrências que tenham alguma importância. Os eventos podem causar o início ou o término de outras atividades inter-relacionadas; • Subprocessos: um subprocesso possui os mesmos elementos de um processo. No entanto, quando processos se tornam muito complexos, é comum que eles sejam divididos em subprocessos. • Atividades: trata-se do menor nível de trabalho em um processo; • Recursos: representa as pessoas, equipamentos ou sistemas que executam o trabalho de um processo; • Medidas de desempenho: indicadores e atributos que ajudam a controlar o processo e determinar seu grau de eficiência. Correa (2010) descreve o modelo SCOR (Supply Chain Operations Reference), que tem sido utilizado como referência no desenvolvimento de processos para o gerenciamento de cadeias de suprimentos. O manual do SCOR traz uma série de indicadores de desempenho padronizados, descrições de processos e suas relações, um banco de melhores práticas de gestão, assim como as necessidades e treinamento necessários para que os colaboradores estejam alinhados aos processos, métricas e melhores práticas Segundo o Supply Chain Council, o modelo SCOR é baseado em cinco processos principais: Processos de Planejamento Processos de Fornecimento Processos de Realização Processos de Entrega Processos de Retorno 2. Integração das Atividades Logísticas (cap 2) Ciclos de Atividades Logísticas: Em uma cadeia de suprimentos, diversas atividades ocorrem de forma cíclica. Ao mesmo tempo em que clientes finais estão fazendo pedidos para os distribuidores, os fabricantes estão emitindo ordens de produção e fazendo compras de matérias primas e componentes de fornecedores. Podemos perceber na Figura que o fluxo de materiais ocorre a jusante, no sentido do cliente final, sendo cada elo da cadeia ligado por atividades de transporte. Novaes (2007) faz uma síntese das principais atividades da cadeia de suprimentos: • Suprimento da manufatura: para que as atividades de manufatura possam ser realizadas, são necessárias matérias primas, componentes e até mesmo submontagens que serão incorporadas no produto final. Esses materiais precisam ser transportados até o ponto de manufatura; • Manufatura: consiste na fabricação propriamente dita e envolve várias outras etapas, cuja complexidade depende do produto sendo industrializado. Na etapa de manufatura é possível observar estoques de entrada, formado por matérias primas e componentes. Ao final da fabricação, os produtos prontos são armazenados e aguardam a distribuição; • Distribuição física: os produtos prontos são despachados para distribuidores ou depósitos localizados mais próximos dos pontos de consumo que, por sua vez, são responsáveis por atender às demandas das lojas de varejo; • Varejo: as lojas de varejo geralmente não são de propriedade do fabricante e são responsáveis pela comercialização dos produtos para os clientes finais; • Consumo: trata-se da fase final da cadeia de suprimentos, sendo responsável por gerar os sinais de demanda; • Transporte: as atividades de transporte aparecem em várias etapas da cadeia de suprimentos, tendo como objetivo movimentar materiais de maneira eficiente entre os elos da cadeia. Ciclo dos Suprimentos: o objetivo do ciclo de suprimentos é garantir que os materiais necessários serão adquiridos de maneira eficiente, estando disponíveis para a manufatura sempre que preciso. O planejamento das necessidades de materiais (MRP – MaterialsRequirements Planning) é o método tradicionalmente empregado para assegurar que as necessidades de produção serão atendidas. Uma das formas de otimizar o canal de suprimentos é a adoção de estratégias Just-in-Time (JIT). Essas estratégias têm como objetivo reduzir as necessidades de estoques de matérias primas, porém sem comprometer a disponibilidade de materiais para a produção. As principais características da filosofia JIT são: • Relações privilegiadas com poucos fornecedores e transportadores • Informação compartilhada entre compradores e fornecedores • Produção, compra e transporte de mercadorias em pequenas quantidades, resultando em baixos níveis de estoque • Eliminação das incertezas, sempre que possível, ao longo do canal de suprimentos • Metas de alta qualidade Ciclos de Produção: O ciclo de produção, também chamado de ciclo de manufatura, é iniciado com a chegada do pedido, que pode ser originado diretamente de um cliente ou de um distribuidor. Os pedidos que não podem ser atendidos pelo estoque de produtos acabados precisam ser incorporados ao planejamento de produção da empresa. Assim, quando todos os materiais necessários estiverem disponíveis e a ordem de produção for executada, os produtos acabados podem ser finalmente transportados aos clientes. Guerrini, Belhot e Azzolini (2014) classificam os sistemas de produção em cinco grandes grupos: • Fabricação para Estoque (MTS – Make to Stock): empresas que adotam a estratégia MTS produzem antes do cliente pedir. Assim, elas trabalham com base em previsões de vendas para determinar previamente qual será a demanda futura pelo produto. O risco dessa estratégia é a variabilidade da demanda, que pode levar a previsões errôneas; • Montagem por Encomenda (ATO – Assembly to Order): ao adotar a estratégia ATO, as empresas formam estoques de partes e submontagens de seus produtos, porém sem estoques de produtos acabados. A montagem final do produto ocorre apenas após a chegada do pedido. Dessa forma, há certa flexibilidade na customização dos produtos finais de acordo com o pedido do cliente; • Fabricação sob Encomenta (MTO – Make to Order): essa estratégia requer que a fabricação do produto final se inicie após a chegada do pedido firme. Algumas peças padronizadas podem estar prontas previamente, mas o objetivo desta estratégia é permitir um alto grau de personalização; • Projeto por Encomenda (ETO – Engineer to Order): neste caso, tudo é feito sob encomenda, até mesmo o projeto do produto. Isso ocorre quando os custos de cada item são muito elevados, além de possuírem características muito específicas do cliente. Por exemplo, grandes equipamentos usados na indústria são projetados e construídos especificamente para cada cliente. • Sistema de Grandes Projetos: trata-se de uma ampliação do conceito de ETO, porém aplicado a grandes projetos de engenharia civil. A construção de rodovias, edifícios e pontes, por exemplo, requerem projetos específicos e o emprego de uma grande quantidade de recursos, fornecedores e parceiros em sua execução. Ciclo de Distribuição Física: Este ciclo de atividades corresponde à logística de saída (outbound) e tem como objetivo deslocar os produtos acabados a partir do ponto de manufatura até o cliente final. Pag 59