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VERMINOSES 
- considerações gerais - 
Parte II.a 
 
PLATELMINTOS 
 
PLATELMINTOS ( do grego platos = plano, achatado, e helmins = verme) 
 
Compreendem os animais de corpo comprido e achatado, geralmente em 
forma de fita.. 
Alguns deles têm vida livre, enquanto outros são parasitas. 
 
Entre as espécies de vida livre encontra-se a planária (habitante de água 
doce e lugares bem úmidos). 
Entre os parasitas destacam-se o esquistossomo e a solitária. 
 
Dividem em três classes: 
 
Tuberlários – planárias 
Trematódeos – Schistosoma mansoni ( hospedeiro: caramujo 
Biomphalaria sp)... cercária 
Cestódeos – Taenia solium (hospedeiro: porco); Taenia saginata 
(hospedeiro: boi) ... cisticercos 
ESQUITOSSOMOSE 
A esquistosomose é uma doença que acomete, em grande parte, 
regiões sertanejas e periféricas, visto que a incidência da doença 
nesses locais muitas vezes dá-se graças a ausência de medidas de 
saneamento básico e falta de informação. 
Infecção causada por verme parasita da classe Trematoda. 
 
Ocorre em diversas partes do mundo de forma não controlada 
(endêmica). 
 
Nestes locais o número de pessoas com esta parasitose se mantém 
mais ou menos constante. 
O esquistossomo é um platelminto pertencente à classe trematoda. 
 
Esse parasita digenético habita o sistema porta-hepático de seres 
humanos infestados, onde se nutre de substâncias presentes no sangue 
e se reproduz. 
 
A reprodução ocorre com a cópula, e consequente liberação de ovos 
dotados de pequenos espinhos. 
 
Os ovos perfuram os capilares sanguíneos entéricos e ganham o 
intestino, onde permanecem até serem eliminados junto às fezes do 
hospedeiro. 
Os parasitas desta classe são cinco, e variam como agente causador da 
infecção conforme a região do mundo. 
 
No nosso país a esquistossomose é causada pelo Schistossoma 
mansoni. 
 
O principal hospedeiro e reservatório do parasita é o homem sendo a 
partir de suas excretas (fezes e urina) que os ovos são disseminados na 
natureza. 
Possui ainda um hospedeiro intermediário que são os caramujos, 
caracóis ou lesmas, onde os ovos passam a forma larvária (cercária). 
 
Esta última dispersa principalmente em águas não tratadas, como 
lagos, infecta o homem pela pele causando uma inflamação da mesma. 
Schistosoma Mansoni 
Forma de contágio: penetração ativa na pele de cercárias. 
 
Profilaxia da esquistossomose: pode ser feita tratando-se os esgotos, 
evitando-se o contato com águas infestadas e tentando-se eliminar 
oscaramujos transmissores. 
Esquistossomose / barriga d'água 
Agente causador: Schistosoma mansoni 
 
Hospedeiro intermediário: caramujo Biomphalaria glabrata 
 
Hospedeiro definitivo: homem 
 
São animais dióicos, isto é, possuem sexo masculino e feminino 
separados 
 
Causa a doença conhecida como barriga d’água . 
Os sexos do Schistossoma mansoni são separados. 
 
O macho mede de 6 a 10 mm de comprimento. 
É robusto e possui um sulco ventral, o canal ginecóforo, que 
abriga a fêmea durante o acasalamento. 
A fêmea é mais comprida e delgada que o macho. 
Ambos possuem ventosas de fixação, localizadas na extremidade 
anterior do corpo e que facilitam a adesão dos vermes às paredes 
dos vasos sanguíneos. 
Maneira que se adquire a doença 
Os ovos eliminados pela urina e fezes dos homens contaminados evoluem 
para larvas na água, estas se alojam e desenvolvem em caramujos. 
 
Estes últimos liberam a larva adulta, que ao permanecer na água 
contaminam o homem. 
 
No sistema venoso humano os parasitas se desenvolvem até atingir de 1 a 
2 cm de comprimento, se reproduzem e eliminam ovos. 
 
O desenvolvimento do parasita no homem leva aproximadamente 6 
semanas (período de incubação), quando atinge a forma adulta e 
reprodutora já no seu habitat final, o sistema venoso. 
 
A liberação de ovos pelo homem pode permanecer por muitos anos. 
As fezes de pessoas infectadas contaminam os rios e 
lagos com os ovos do Schistossoma mansoni. 
• Ovo 
• Miracídio (larva ciliada) 
• Larva cercária natante 
• Adulto dióicos 
 
FASES 
macho e fêmea 
ovo 
Ciclo de vida 
Ciclo de vida 
Transmissor 
Caramujo do gênero Biomphalaria 
Caramujo Planorbideo 
Cercária 
 Ovo do Schistosoma mansoni 
1 - Miracídio 2 - Cercaria 
casal de schistosoma 
Representação esquemática do ciclo de vida do esquistossomo 
CICLO DA ESQUISTOSSOMOSE 
1. Os vermes adultos vivem no interior das veias do interior do fígado. Durante 
o acasalamento, encaminham-se para as veias da parede intestinal executando, 
portanto, o caminho inverso ao do fluxo sanguíneo. 
 
2. Lá chegando, separam-se e a fêmea inicia a postura de ovos (mais de 1.000 
por dia) em veias de pequeno calibre que ficam próximas a parede do intestino 
grosso. Os ovos ficam enfileirados e cada um possui um pequeno espinho 
lateral. Cada um deles produz enzimas que perfuram a parede intestinal e um a 
um vão sendo liberados na luz do intestino. 
 
3. Misturados com as fezes, alcançam o meio externo. Caindo em meio 
apropriado, como lagoas, açudes e represas de água parada, cada ovo se 
rompe e libera uma larva ciliada, o miracídio, que permanece vivo por apenas 
algumas horas. 
 
4. Para continuar o seu ciclo vital, cada miracídio precisa penetrar em um 
caramujo do gênero Biomphalaria. Dentro do caramujo, perde os cílios e passa 
por um ciclo de reprodução assexuada que gera, depois de 30 dias, numerosas 
larvas de cauda bifurcada, as cercárias. 
 
5. Cada cercária permanece viva de 1 a 3 dias. Nesse período, precisa penetrar 
através da pele de alguém, por meio de movimentos ativos e utilizando enzimas 
digestivas que abrem caminho entre as células da pele humana. No local de 
ingresso, é comum haver coseira. Atingindo o sangue, são encaminhadas ao 
seu local de vida. 
Representação esquemática do sistema porta-hepático 
Ao serem eliminados, os ovos maduros, em contato com a água, eclodem e 
liberam larvas ciliadas, denominadas miracídios. 
 
O fato é que para que o ciclo de vida do parasita se complete, é necessário que 
o miracídio encontre em menos de 24 horas o hospedeiro intermediário, um 
caramujo do gênero biomphalaria. 
 
Ao entrar em contato com o caramujo, o miracídio realiza pedogênese, sendo 
que cada larva origina cerca de 200 mil larvas denominadas cercarias. 
 
As cercarias são altamente adaptadas à vida aquática, além de serem dotadas 
de espinhos, estrutura auxiliadora na penetração ativa, forma na qual a larva 
atinge o hospedeiro definitivo. 
 
Ao entrar na corrente sanguínea dos seres humanos, o parasita passa a ser 
chamado de esquistossomo e tem como destino final o fígado. 
 
O ciclo termina com a migração do esquistossomo para os vasos mesentéricos, 
onde ocorre a cópula e a postura dos ovos. 
 
Em locais em que o saneamento básico é escasso e o esgoto doméstico é 
despejado em rios e lagos, há grande probabilidade do ciclo se concluir. 
 
Lagoas em que há alto número de cercarias são denominadas “lagoas de 
coceira”. 
Os principais sintomas dessa parasitose são: 
Fase aguda: 
 
 Vermelhidão e conceira cutânea 
 Febre e fraqueza 
 Vômito 
 Diarréia 
Fase crônica: 
 
 Hepato e esplenomegalia 
 Hemorragias, com sangue presente no vômito e na diarreia 
 Edema abdominal (Barriga d'água) 
Sintomas 
Aumento do volume do fígado e do baço 
Aumento da região abdominal 
Maneira pelo qual se faz o diagnóstico 
 
Exames de fezes e urina com ovosdo parasita ou mesmo de pequenas 
amostras de tecidos de alguns órgãos (biópsias da mucosa do final do 
intestino) são definitivas. 
Mais recentemente se dispõe de exames que detectam, no sangue, a 
presença de anticorpos contra o parasita que são úteis naqueles 
casos de infecção leve ou sem sintomas. 
Tratamento 
 
O tratamento de escolha com antiparasitários, substâncias químicas 
que são tóxicas ao parasita. 
Algumas medidas profiláticas – prevenção: 
Basicamente as estratégias para controle da doença baseiam-se 
em: 
 
• Identificação e tratamento de portadores. 
• Saneamento básico (esgoto e tratamento das águas) além de 
combate do molusco hospedeiro intermediário. 
• Evitar banhar-se em “lagoas de coceira”. 
• Educação em saúde. 
 
Não evacue próximo a lagoas, rios ou represas. Utilize um banheiro com rede de esgoto 
A saúde começa na sala de aula 
Nome Científico: Achatina fulica 
 Nomes Populares: Acatina, Caracol-africano, Caracol-gigante, 
Caracol-gigante-africano, Caramujo-africano, Caramujo-gigante, 
Caramujo-gigante-africano, Falso-escargot, Rainha-da-áfrica 
Ordem: Stylommatophora 
Classe: Gastropoda 
Filo: Mollusca 
Reino: Animalia 
Partes Afetadas: Caule, Flores, Folhas, Frutos 
Sintomas: Partes das plantas roídas, rastros de secreção sobre as 
plantas e vasos 
OBSERVAÇÃO: não confundir o caramujo transmissor da 
Esquistossomose / barriga d'água com o caramujo africano. 
Informações básicas sobre o caramujo africano 
Nota: O Instituto Oswaldo Cruz disponibiliza atendimento e informações 
sobre o caramujo-africano pelo telefone (21) 2598-4380 ramal 124. 
O caramujo-africano é uma espécie considerada praga em diversos 
países no mundo todo. 
 
Foi introduzido ilegalmente no Brasil na década de 80, com o intuito 
de oferecer um susbtituto mais interessante economicamente e de 
maior peso que o escargot verdadeiro (Helix aspersa). 
 
Em pouco tempo de criação se verificou que o animal não tinha boa 
aceitação pelo mercado consumidor brasileiro, o que provocou a 
desistência da maioria dos criadores, que se desfizeram dos animais 
de forma errônea: liberando os caramujos em jardins, matas ou 
simplesmente colocando-os no lixo. 
A ingestão ou a simples manipulação dos caramujos vivos pode causar 
a contaminação, pois os vermes são encontrados no muco (secreção) 
dos caramujos 
 
Dois tipos de microorganismos perigosos são encontrados em sua 
secreção. 
 
Um deles é o Angiostrongytus costaricensis, causador da 
angiostrongilíase abdominal, doença que pode resultar em morte por 
perfuração intestinal, peritonite e hemorragia abdominal. Os sintomas 
são dor abdominal, febre prolongada, anorexia e vômito. 
 
O outro é o Angiostrongylos cantonensis, causador da 
angiostrongilíase meningoencefálica humana, que tem como sintomas 
dor de cabeça forte e constante, rigidez na nuca e distúrbios do 
sistema nervoso. 
 
A ingestão ou a simples manipulação dos caramujos vivos pode causar 
a contaminação, pois os vermes são encontrados no muco (secreção) 
dos caramujos. 
O controle do caramujo-africano consiste na catação e destruição dos caramujos. 
Jamais coloque-os no lixo, pois estará disseminando o problema. Também não 
coloque sal nos animais pois assim contaminará o solo. 
 
O preconizado é o seguinte: 
Utilize luvas descartáveis para pegar e manusear os animais. 
Proteja a pele e as mucosas: não coma, fume ou beba durante o manuseio do 
caramujo. 
Coloque os caramujos em dois sacos plásticos e quebre suas conchas, pisando 
em cima. 
Enterre-os em valas com pelo menos 80 cm de profundidade, longe de cisternas, 
poços artesianos ou do lençol freático. 
Aplique cal virgem sobre os caramujos quebrados (cuidado, a cal queima a pele). 
Feche a vala com terra. 
Retire as luvas e lave muito bem as mãos após isso. 
É possível também utilizar iscas atrativas, que facilitam a catação. Papas de farelo 
de trigo com cerveja atraem caramujos a metros de distânica. Cascas de frutas e 
legumes, estopas embebidas em cerveja ou leite, assim como simples pedaços 
podres de madeira que lhes servem de abrigo.

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