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Art. 8º - Pena cumprida no estrangeiro A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. Trata-se da extraterritorialidade, ela surge para evitar a dupla punição do agente, para que ele não seja punido lá fora e novamente seja punido aqui no Brasil pelo mesmo fato. No direito é conhecido como o princípio “ne bis in idem”, ou seja, não há uma dupla punição. É a proibição da dupla punição. Este se aplica em dois casos: Em que os crimes cometidos fora do Brasil, ainda que já julgados no estrangeiro, serão novamente processados no Poder Judiciário brasileiro. Essa é a regra da extraterritorialidade incondicionada, das hipóteses do art. 7.º, I, a, b, c e d do Código Penal. O termo atenuar se vincula as penas de natureza diversa e o termo computar se vincula as penas de natureza idêntica. Se elas forem diversas - aquela cumprida no estrangeiro deve atenuar (diminuir) a pena imposta no Brasil, a critério a ser adotado pelo juiz (ex. uma pena restritiva de direitos e outra privativa de liberdade). Ex: Um sujeito comete um crime de dano na França, contra uma sociedade de economia mista, lá ele foi condenado a uma pena de multa (equivalente a R$ 10.000,00) pelo delito praticado. Resolveu vir espontaneamente para o Brasil, aqui chegando foi condenado a uma pena privativa de liberdade, que tem natureza diversa da pena de multa. Desta forma, R$ 10.000,00 de multa lá fora não equivaleria a dez dias de reclusão aqui no Brasil, obviamente isso não pode ser feito. Dessa forma, a pena privativa de liberdade a ser cumpria no Brasil deve ser atenuada (diminuída), e isso é feito de forma discricionária pelo magistrado. O único limite a que se restringe ao magistrado é que ele não pode diminuir tanto a pena ao ponto de esta ficar inferior ao mínimo previsto em lei. Nestes casos, quando houver nova condenação, agora pela lei brasileira por crime ao qual já foi processado no exterior (nas hipóteses de extraterritorialidade do art. 7.º do CP), e forem idênticas as penas - a pena cumprida no estrangeiro será computada (abatida) na que restar fixada no Brasil (ex. duas privativas de liberdade), na forma deste artigo. Ex: Na França, o sujeito matou o Presidente da República Federativa do Brasil, lá, foi condenado a uma pena de dez anos de reclusão. Depois de cumprida a pena resolve vir espontaneamente para o Brasil, chegando aqui, foi condenado a uma pena de doze anos de reclusão. As penas têm natureza idêntica (reclusão com reclusão). Desta forma, a pena a ser cumprida no Brasil deverá ser computada (diminuída). Portanto o sujeito cumprirá aqui uma pena de dois anos de reclusão, dado ao fato de as penas terem a mesma natureza. Para que tenha validade, esse artigo exige alguns critérios, são eles: a condenação tem que ser pelo mesmo crime; o crime cometido no exterior; e lá, ter o sujeito cumprido à pena estabelecida. Se o sujeito foi condenado a dez anos de reclusão, mas não cumpriu a pena, fugiu para o Brasil, e aqui também foi condenado a quinze anos de reclusão, ele cumprirá integralmente a pena aqui estabelecida. Art. 9º - Eficácia de sentença estrangeira A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil para: I – Obrigar o condenado a reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis; II – Sujeita-lo a medida de segurança. Parágrafo Único. A homologação depende: a) para os efeitos previstos no inciso 1º, de pedido da parte interessada; b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministério da Justiça. São limitados os efeitos da sentença penal estrangeira no Brasil, pois a execução de pena é ato de soberania. Da mesma forma que não se aplicam em nosso Território as leis estrangeiras, aqui seus julgados não podem ser executados, como se nacionais fossem. Somente em duas finalidades restritas poderá ser executada no Brasil a sentença penal estrangeira: Apenas quando a lei penal brasileira produza, as mesmas consequências, a sentença penal estrangeira, e de acordo com a Súmula 420 do STF que exige que tenha transitado em julgado a sentença estrangeira no país de origem. Podemos homologar, no Brasil, essa lei em duas hipóteses; A primeira, para efeitos civis (art. 9º, I), como por exemplo; uma reparação de danos, sempre a pedido da parte interessada (art. 9º, § Ú, “a”). A segunda, a aplicação de medida de segurança (art. 9º, II), podendo ser aplicada se tiver o tratado de extradição ou requisição do Ministro da Justiça. Até 2004 era competência do STF julgar essas homologações, após a EC 45/04 essa competência passou a ser do STJ conforme dispõe a CF/88 no seu art. 105, I. Essa sentença estrangeira homologada no Brasil tem força de Título Executivo Judicial, que está previsto no CPC, art. 475N, VII.