Prévia do material em texto
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 2° VARA CÍVEL DE BENTO GONÇALVES/RS Processo n° 000/0.00.0000000-0 ALINE ARAUJO, já devidamente qualificada, por sua advogada, nos autos da Ação de Indenização por Danos Morais e Materiais, movida por RODRIGO ZIMELLO ME, vem, respeitosamente à presença de V. Exa., apresentar CONTESTAÇÃO Nos moldes do art. 35 do Código de Processo Civil, pelas razões que passa a expor: Dos Fatos No dia 09 de dezembro de 2016 o autor procurou o escritório da ré para que ela verificasse e analisasse a possibilidade de atuar em sua defesa na ação n° 029/3.09.0003002-0 que foi executada contra o autor. Porém em momento algum houve a contratação dos serviços da ré, visto que não há nenhum contrato realizado e assinado entre as partes; apenas foi solicitado que a ré orientasse o autor quanto a processo, que inclusive já havia esgotado o prazo para realizar a defesa. A ré, como é de praxe, ficou com os autos do processo, para realizar a análise solicitada pelo réu, que foi realizada logo no dia seguinte. Quando verificou que o prazo para a defesa de Rodrigo havia se esgotado, entrou em contato com o autor para que ele comparecesse no seu escritório, e o mesmo não compareceu. Havendo um desinteresse do autor em solucionar a questão. A ré não ficou com mais de seis meses com os autos do processo, com o autor alega, visto que tentou entrar em contato com o mesmo mais de uma vez. Diante do exposto, não há o que se falar em indenização, visto que não houve em momento algum a ré causou algum tipo de prejuízo ao autor, já que de fato não ocorreu a contratação efetiva de seus serviços, e que não há de se saber se ele obter algum êxito na ação que lhe foi executada. Do direito O autor requer indenização por dano moral e material da ré em face da “perda de uma chance” da ação em que foi executada contra ele, porém não há como alegar que existiria a possibilidade dele sair vitorioso, pois para isso ele deveria provar tal alegação, o que não ocorreu, diante disso, pode-se verificar que a jurisprudência não acolhe tal pedido: RESPONSABILIDADE CIVIL - Indenização - Advogado contratado pelo autor para interposição de ação trabalhista- Ação extinta sem julgamento do mérito - Erro inescusável não caracterizado - Interposição de recurso que não garantiria sucesso da demanda - Perda da chance não configurada - Dever de indenizar não caracterizado -Obrigação de devolver o valor pago a titulo de preparo reconhecida - Alegação de que o montante foi convertido em honorários - Ajuste de vontade de que não foi comprovado - Sentença mantida - Recursos improvidos. (TJ-SP - APL: 992080207986 SP, Relator: José Augusto Genofre Martins, Data de Julgamento: 06/04/2010, 31ª Câmara de Direito Privado E, Data de Publicação: 14/04/2010) APELAÇÃO - INDENIZAÇÃO – SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS – PERDA DE CHANCE - DEFESA DEFICIENTE - DANO MATERIAL NÃO CONFIGURADO. APELO IMPROVIDO. - “O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito” (art. 333, I, CPC). Logo, em se tratando de ação de indenização por dano material, como no caso, deixando ele de juntar os cálculos do que não ganhou ou do que gastou com a demanda judicial durante o período da sua tramitação, seu pedido não procede. (TJ-TO - AC: 50057383720128270000, Relator: JOÃO RIGO GUIMARÃES) . AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR PERDAS E DANOS. TEORIA DA PERDA DE UMA CHANCE. RESPONSABILIDADE CIVIL. ADVOGADO. NÃO INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. NEGLIGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. ATO ILÍCITO NÃO DEMONSTRADO. O advogado é obrigado a defender os interesses de seus clientes da melhor forma possível, não configurando a ausência de insurgência recursal, por si só, negligência profissional do causídico. A teoria denominada "perda de uma chance", em que se faz exame de probabilidade sobre a existência de eventual êxito do recurso não interposto e que retirou a possibilidade do jurisdicionado de exame da matéria pelos órgãos recursais, somente pode ser aplicada se houver elementos para que se exerça o juízo de probabilidade, com a demonstração de que a eventual tese recursal teria possibilidade de ser acolhida. (TJ-MG - AC: 10024110822244001 MG, Relator: Moacyr Lobato, Data de Julgamento: 03/12/2013, Câmaras Cíveis / 9ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 09/12/2013) Do Pedido Ante o exposto, requer: 1) A improcedência total da inicial, com a condenação do autor ao ônus sucumbenciais; 2) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos especialmente a prova documental e testemunhal. Nestes termos, pede indeferimento. Bento Gonçalves, 19 de maio de 2018. Suéli Müller OAB/RS XXXXX