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Artigo de Revisão 
 
O CUIDAR DE ENFERMAGEM NA IMUNIZAÇÃO: OS MITOS E A 
VERDADE 
 
NURSING CARE IN IMMUNIZATION: TRUTHS AND MYTHS 
 
 
Resumo 
 
É de responsabilidade da equipe de enfermagem, a 
capacitação do profissional da sala de vacina no que diz 
respeito ao acolhimento da criança desde a vacina a ser 
administrada, as suas condições de uso (mantidas na 
temperatura de +2ºc a +8ºc), a administração dessa vacina 
realizada dentro das normas e técnicas preconizadas pelo 
PNI (Programa Nacional de Imunizações) e as orientações 
pertinentes a possíveis contra-indicações e reações adversas. 
O enfoque da imunização deve estar centrado neste tipo de 
orientação e despertar no profissional envolvido nesta área o 
interesse pela dinâmica de ações centralizadas nesta 
assistência. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica através 
de um levantamento de dados de artigos científicos referentes 
ao Programa Nacional de Imunizações. O Programa Nacional 
de Imunizações (PNI) foi criado em 1973, por determinação 
do Ministério da Saúde, como parte de um conjunto de 
medidas que se destinavam a redirecionar a atuação 
governamental do setor. A enfermagem exerce papel 
fundamental em todas as ações de execução do Programa 
Nacional de Imunizações, sendo de sua responsabilidade 
orientar e prestar assistência à clientela com segurança, 
responsabilidade e respeito, prover periodicamente as 
necessidades de material e imunobiológicos, manter as 
condições ideais de conservação de imunobiológicos, manter 
os equipamentos em boas condições de funcionamento, 
acompanhar as doses de vacinas administradas de acordo 
com a meta, buscar faltosos, avaliação e acompanhamento 
sistemático das coberturas vacinais e buscar periodicamente 
atualização técnico-científica. 
Palavras-chave: cuidar da enfermagem, imunização, PNI 
 
Abstract 
 
It is nursing team responsibility the capacitating process for 
the professional in the vaccination room, not only in terms of 
children sheltering since the vaccination itself to the use 
conditions (it should be kept from +2ºc a +8ºc) and the 
vaccine administration should proceeded under rules and 
techniques established by PNI (Immunization National 
Program) and the pertinent orientation for counter indication 
diverse reactions. The focus of immunization must be 
centered on this kind of orientation and awake the interest in 
the involved professional for actions dynamics related to this 
Maria Aparecida Diniz Pereira 
Sandra R. de Souza Barbosa 
 
Faculdade do Futuro 
 
Pereira, MAD e Barbosa, SRdeS 77 
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assistance. A bibliographical research was accomplished 
through a survey of scientific articles data referent to PNI. The 
PNI was created in 1973 by Health Ministry determination, as 
part of a conjunct of legislative measures aiming to redirect 
the governmental action in this sector. Nursing plays a 
fundamental rule in all action of PNI, and has responsibility to 
orientate and give assistance to the clients with safety, 
responsibility and respect, offering periodically the material 
and immunological needs, keeping the ideal conditions for 
immunobiological conservation, maintaining the equipments in 
good conditions and verifying the managed vaccines doses 
according to the goal, evaluation and systemic observation of 
vaccination cover and seeking periodically for technical- 
scientific up-to-dating. 
Key-words: Nursing care, immunization, PNI 
 
Introdução 
 
É de responsabilidade da equipe de enfermagem, a capacitação do 
profissional da sala de vacina no que diz respeito ao acolhimento da criança desde 
a vacina a ser administrada, as suas condições de uso (mantidas na temperatura 
de +2ºc a +8ºc), a administração dessa vacina realizada dentro das normas e 
técnicas preconizadas pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações) e as 
orientações pertinentes a possíveis contra-indicações e reações adversas3. Logo, o 
pensar em imunização nos remete ao fato de realizar um cuidado de enfermagem 
com a criança, prevenindo doenças e assumindo o compromisso da execução 
correta do preconizado pelo PNI e conseqüentemente pelas diretrizes do SUS 
(Sistema Único de Saúde). Colocar isto em prática é o verdadeiro saber-fazer-
cuidar da enfermagem. O enfoque da imunização deve estar centrado neste tipo de 
orientação e despertar no profissional envolvido nesta área o interesse pela 
dinâmica de ações centralizadas nesta assistência. 
Uma observação constante nos setores de imunização é o não 
comparecimento dos adultos responsáveis conduzindo os menores como de sua 
obrigação. São inúmeras as situações apresentadas como desculpas pelo não 
comparecimento ao retorno agendado percebendo-se assim, que é necessária uma 
capacitação efetiva do profissional a essas diversas situações. 
 Fica claro que num passado histórico de adoção de falsas contra-indicações 
à vacinação, apoiada em conceitos desatualizados criou-se um mito de que muitas 
vezes, a vacina não faz tão bem assim. A enfermagem desenvolve papel 
fundamental para a mudança dessa história, através da capacitação dos 
 
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profissionais de saúde que atuam no setor, tanto nos aspectos técnicos como na 
comunicação social. E ainda compreendendo o passado, entendendo o presente e 
almejando projetar o futuro é que em decorrência desses fatos procuramos 
aprofundar na exigência do cumprimento do PNI para crianças até 05 anos de 
idade, tendo como propósito a reflexão crítica da enfermagem nesse cuidado. 
 É relevante a atuação do enfermeiro em todas as ações de uma sala de 
vacina, onde é de sua responsabilidade a conservação das vacinas, manutenção 
do estoque, administração das vacinas, capacitação do profissional e elaboração 
do arquivo de cartão espelho, o qual tem o controle das doses administradas na 
rotina diária, garantindo assim a eficácia de uma possível busca ativa aos faltosos. 
Também é de competência do enfermeiro através do seu conhecimento 
científico capacitar para a vacinação e destacar que não serão só aplicadores de 
vacinas, mas sim profissionais conscientes de que estão cuidando da saúde, da 
sobrevivência de milhões e milhões de cidadãos. 
Motivadas por este cenário apresentado, despertamos para a busca através 
de uma revisão bibliográfica o conhecimento sobre as vacinas que fazem parte do 
PNI, suas contra-indicações e falsas contra-indicações, gerando assim um produto 
final de esclarecimentos sobre mito e verdade acerca das vacinas e proporcionando 
um entendimento melhor e esclarecedor sobre o assunto, com o intuito de 
respaldar esse profissional na qualidade de sua orientação. 
 Durante a nossa prática na sala de vacinação, procuramos desenvolver junto 
aos clientes atendidos, a educação em saúde, algo corroborado por Silva et al.16 
“entendemos a educação em saúde como um dos processos particulares a serem 
realizados pela Enfermagem de forma articulada aos objetivos gerais da 
assistência”. 
Segundo Barreira1 “a construção de uma memória coletiva é o que possibilita 
a tomada de consciência daquilo que somos realmente, enquanto produto 
histórico”. 
O presente trabalho teve como objetivos: 
- Destacar a produção científica nas ações da prática da enfermagem no cuidar em 
Imunização de acordo com o PNI; 
- Verificar as possíveis causas do não comparecimento ao retorno agendado no 
cartão de vacinação. 
 
 
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Metodologia 
 
 Foi realizada uma pesquisa bibliográfica através de um levantamento de 
dados de artigos científicos referentes ao Programa Nacional de Imunizações. 
Abordando os eventos adversos de vacinas, sala de vacinas, manuais de 
Vacinação e capacitação de Pessoal para Sala de Vacina, recorrendo a meios 
eletrônicos como Biblioteca Regional de Medicina (BIREME), cujas bases de dados 
pesquisadas foram Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde 
(LILACS) e Scientific Eletronic Librany Online (SCIELO). Foi destacado o período 
de 2000 a 2007. 
 Foi realizada a leitura exploratória de vários artigos científicos. E a análise 
das informações coletadas sobre a importância do PNI e as contra-indicações 
gerais e específicas das vacinas, sendo muitas vezes o motivo para o não 
comparecimento à sala de vacina no retorno agendado. O fato do atraso das 
vacinas ser comum por vários motivos, que são, por vezes, mitos criados acerca da 
própria história da vacinação. 
 
Revisão de Literatura 
 
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) foi criado em 1973, por 
determinação do Ministério da Saúde9, 18, como parte de um conjunto de medidas 
que se destinavam a redirecionar a atuação governamental do setor. 
A institucionalização do PNI foi resultante de um somatório de fatores, de 
âmbito nacional e internacional que convergiam para estimular e expandir a 
utilização de agentes imunizantes no país, o que aconteceu através da Lei 62594 e 
pelo Decreto 782312. Assim, o PNI passou a coordenar as atividades de 
imunização desenvolvidas rotineiramente na rede de serviços de saúde. 
As ações de vacinação se constituem nos procedimentos de melhor relação 
custo e efetividade no setor saúde. O declínio acelerado da morbimortalidade por 
doenças imunopreveníveis nas décadas recentes, em nosso país e em escala 
mundial, serve de prova inconteste do enorme benefício que é oferecido às 
populações através de vacinas. 
 
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Permitiram a erradicação mundial da varíola e da poliomielite no hemisfério 
ocidental. No Brasil, as doenças evitáveis por vacina estão em franco declínio, com 
diminuição drástica dos casos de sarampo, difteria, tétano e coqueluche. 
Esta situação é decorrente do grande avanço tecnológico na produção de 
vacinas, associadas a um sistema de conservação desses imunobiológicos e o 
cumprimento de amplas coberturas vacinais. Acresce-se o fato de que a vacinação 
contempla a população brasileira, abrangendo não somente crianças, mas 
adolescentes, jovens, adultos e idosos. A vacinação, pela sua importância, assume 
um espaço privilegiado no modelo de gestão e de atenção à saúde explicitada na 
Norma Operacional Básica do SUS14, que tem como modelo de atenção o enfoque 
epidemiológico, centralizado na qualidade de vida das pessoas e do seu meio 
ambiente, e nas relações entre equipe de saúde e comunidade, em que Estados e 
Municípios assumem efetivamente o seu papel, responsabilizando-se pela 
estruturação e organização do sistema de saúde estadual e municipal. 
O Programa Nacional de Imunizações tem como objetivo, em primeira 
instância, a ampla extensão da cobertura vacinal de forma homogênea, para que a 
população possa ser provida de adequada proteção imunológica. A meta 
operacional básica é a vacinação de 100% das crianças menores de um ano, com 
todas as vacinas indicadas no Esquema de Vacinação e também a outros grupos 
populacionais conforme a priorização, objetivando o controle, eliminação e 
erradicação de doenças evitáveis pela vacinação (Tabela 1). 
 
Tabela 1. Esquema de vacinação: Calendário Básico de Vacinação da Criança 
(Fonte: Ministério da Saúde13). 
 
IDADE VACINAS DOSES DOENÇAS EVITADAS 
BCG – ID dose única Formas graves de tuberculose Ao nascer 
Vacina contra 
hepatite B (1) 
1ª dose Hepatite B 
1 mês Vacina contra 
hepatite B 
2ª dose Hepatite B 
 Vacina tetravalente 
(DTP + Hib) (2) 
 1ª dose Difteria, tétano, coqueluche, 
meningite e outras infecções 
causadas pelo Haemophilus 
influenzae tipo b 
VOP (vacina oral 
contra pólio) 
1ª dose Poliomielite (paralisia infantil) 
2 meses 
VORH (Vacina Oral 1ª dose Diarréia por Rotavírus 
 
Pereira, MAD e Barbosa, SRdeS 81 
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de Rotavírus 
Humano) (3) 
 Vacina tetravalente 
(DTP + Hib) 
2ª dose Difteria, tétano, coqueluche, 
meningite e outras infecções 
causadas pelo Haemophilus 
influenzae tipo b 
VOP (vacina oral 
contra pólio) 
2ª dose Poliomielite (paralisia infantil) 4 meses 
VORH (Vacina Oral 
de Rotavírus 
Humano) (4) 
2ª dose Diarréia por Rotavírus 
Vacina tetravalente 
(DTP + Hib) 
3ª dose Difteria, tétano, coqueluche, 
meningite e outras infecções 
causadas pelo Haemophilus 
influenzae tipo b 
VOP (vacina oral 
contra pólio) 
3ª dose Poliomielite (paralisia infantil) 
6 meses 
Vacina contra 
hepatite B 
3ª dose Hepatite B 
9 meses Vacina contra febre 
amarela (5) 
dose inicial Febre amarela 
12 meses SRC (tríplice viral) dose única Sarampo, rubéola e caxumba 
VOP (vacina oral 
contra pólio) 
reforço Poliomielite (paralisia infantil) 15 meses 
DTP (tríplice 
bacteriana) 
1º reforço Difteria, tétano e coqueluche 
DTP (tríplice 
bacteriana 
2º reforço Difteria, tétano e coqueluche 4 - 6 anos 
SRC (tríplice viral) reforço Sarampo, rubéola e caxumba 
10 anos Vacina contra febre 
amarela 
reforço Febre amarela 
 
Segundo Martins6, 7 O Report of the Committee on Control of Infectious 
Diseases, o famoso livro vermelho da Academia Americana de Pediatria, na edição 
de 1957 (Committee on Infectious Diseases, 1957), recomendava que apenas 
crianças saudáveis fossem vacinadas. Nos postos de saúde do Brasil, para que a 
vacinação pudesse ser feita, a consulta com o pediatra era obrigatória. Durante as 
décadas de 1960 a 1970, uma das principais causas de não-vacinação eram as 
contra-indicações, a maioria delas por problemas irrelevantes, como tosse sem 
febre, parasitoses, alergias passadas, presentes ou supostas etc. 
 
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Devido a estes casos, o Ministério da Saúde através do Programa Nacional 
de Imunizações10, 11, 12 passou a apresentar as contra-indicações gerais e 
específicas para a aplicação de vacinas, conforme descrito abaixo. 
 
Contra-Indicações Gerais10, 11, 12 
 As vacinas de bactérias ou vírus vivos atenuados não devem ser 
administradas a princípio, em pessoas: 
- com imunodeficiência congênita ou adquirida; 
- acometidas por neoplasia maligna; 
- em tratamento com corticosteróides em esquemas imunodepressores (por 
exemplo, 2mg/kg/dia de prednisona, por mais de 14 dias) ou submetidas a outras 
terapêuticas imunodepressoras (quimioterapia antineoplásica, radioterapia), 
transfusão de sangue ou plasma; 
- em mulheres grávidas, devido ao risco teórico de danos ao feto, salvo situações 
de alto risco de exposição a algumas doenças virais imunopreveníveis, como febre 
amarela, por exemplo. 
Deve ser adiada a aplicação de qualquer tipo de vacina em pessoas com 
doenças agudas graves, sobretudo para que seus sintomas e sinais, assim como 
eventuais complicações, não sejam atribuídos à vacina administrada. 
 
Contra-Indicações Específicas17 
Vacina contra a tuberculose (BCG). 
 Imunodeficiência ou adquirida, incluindo crianças infectadas pelo vírus da 
imunodeficiência humana (VIH) que apresentam sintomas da doença. 
 Embora não apresentem contra-indicações absolutas,recomenda-se adiar a 
vacinação com BCG em recém-nascidos com peso inferior a 2.000g ou com 
afecções dermatológicas extensas em atividade. Contra-indicações gerais 
estabelecidas para vacinas de bactérias vivas atenuadas. 
Vacina contra hepatite B. 
 A única contra-indicação é o relato, muito raro, de reação anafilática após a 
aplicação da dose anterior, que ocorre nos primeiros 30 minutos e até duas horas 
pós-vacinação. 
Vacina contra a poliomielite. 
 
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Apenas as estabelecidas nas contra-indicações gerais para vacinas de vírus 
vivos atenuados. Na rotina, recomenda-se adiar a sua aplicação nos casos de 
diarréia grave e/ ou vômitos intensos. Crianças HIV sintomático não tomar. 
Vacina contra difteria, coqueluche e tétano (DTP). 
A aplicação da vacina tríplice (DTP) é contra-indicada a crianças com 
doença neurológica em atividade ou que tenham apresentado, após a aplicação de 
dose anterior, alguns dos seguintes eventos: 
- convulsão nas primeiras 72 horas; 
- episódio hipotônico-hiporresponsivo, nas primeiras 48 horas; 
- reação anafilática, que ocorre nos primeiros 30 minutos e máximo de 2 horas pós-
vacinação; 
- Crianças de sete anos ou mais deverão receber a vacina dupla tipo adulto (dT). 
Vacina contra-rotavírus. 
 As estabelecidas nas contra-indicações gerais para vacinas de vírus vivos 
atenuados e mais as seguintes situações: 
 - Crianças < de 1 mês e 14 dias para administração da 1ª dose. 
 - Crianças > de 5 meses e 15 dias para administração da 2ª dose. 
Vacina tetravalente. 
 Vide DTP. 
Vacina contra febre amarela. 
As estabelecidas nas contra-indicações gerais para as vacinas de vírus vivos 
atenuados e mais as seguintes situações: 
- antecedente de anafilaxia após a ingestão de ovo de galinha; 
- reações graves após a aplicação de dose anterior; 
- aplicação das vacinas de vírus vivos atenuados nos 15 dias anteriores. 
Vacina tríplice viral. 
As estabelecidas nas contra-indicações gerais para vacinas de vírus vivos e 
mais as seguintes situações: 
- gravidez: orientar as mulheres em idade fértil para evitar a gravidez nos próximos 
30 dias, após a vacinação; 
- reações graves após a aplicação de dose anterior; 
- aplicação das vacinas de vírus vivos atenuados nos 15 dias anteriores. 
 
Falsas Contra-Indicações11, 12 
 
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 Não constituem contra-indicação à vacinação: 
 - doenças benignas comuns, tais como afecções recorrentes infecciosas ou 
alérgicas das vias respiratórias superiores, com tosse e/ ou coriza, diarréia leve ou 
moderada, doença de pele (impetigo, escabiose, etc.); 
 - desnutrição; 
 - aplicação de vacina contra raiva, em andamento; 
 - doença neurológica estável (síndrome convulsiva controlada, por exemplo) 
ou pregressa com seqüela presente; 
 - antecedente familiar de convulsão; 
 - tratamento sistêmico com corticosteróide em doses diárias não elevadas 
durante curto período (inferior a 14 dias), ou tratamento prolongado com doses 
baixas ou moderadas em dias alternados; 
 - alergias (exceto anafilaxia relacionada com componentes de determinadas 
vacinas); 
 - prematuridade ou baixo peso no nascimento (as vacinas devem ser 
administradas na idade cronológica recomendada, não justificando adiar o início da 
vacinação); 
 - internação hospitalar (crianças hospitalizadas podem ser vacinadas antes 
da alta e, em alguns casos, imediatamente depois da admissão, particularmente 
para prevenir a infecção pelo vírus do sarampo durante o período de permanência 
no hospital); 
 - gravidez da mãe ou de outro contato familiar; 
Deve-se ressaltar que história e/ ou diagnóstico clínico pregressos de coqueluche, 
difteria, poliomielite, sarampo, tétano, tuberculose e qualquer doença 
imunoprevenível não constituem contra-indicação ao uso das respectivas vacinas. 
É importante também dar ênfase ao fato de que, havendo indicação, não existe 
limite superior de idade para aplicação de vacinas, com exceção da vacina contra a 
coqueluche, não indicada para os indivíduos com sete anos ou mais. 
 
Análise dos Dados 
 
 Foi possível observar na faixa estabelecida de 2000 a 2007 que não existe 
um grande número de produções específicas da enfermagem. O que não significa 
que não estejam sendo produzidos conhecimentos nesta área, porém existe a 
 
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necessidade de enfatizar a grandeza desta temática na saúde do nosso país, já 
que, criança vacinada significa padrão de excelência em saúde da criança. Assim, 
produzir mais nesta temática reflete também valorizar o cuidado e a orientação de 
enfermagem. 
 A experiência nos traz algumas situações que serviram de base para 
fundamentar este estudo. Como exemplo, podemos citar o fato que a mãe trazia 
um prematuro que havia nascido com 1780g e retornou com 03 meses e 07 dias, 
quando pesava 3100g para receber a vacina BCG sendo que, ainda não havia 
recebido a 2ª dose da Hepatite B com 1 mês, a vacina Tetravalente + Sabin + 
Rotavírus com 2 meses e a BCG (que seria contra indicada no prematuro pelo 
baixo peso 1780g.) Orientada quanto ao atraso das vacinas acima citadas, e 
esclarecendo à mãe a necessidade de estar atualizando o cartão de vacina do seu 
filho, realizou-se a administração de todas as vacinas que fazem parte do PNI e 
sendo informada da nova data de retorno. A partir deste exemplo, percebe-se que 
ela simplesmente foi orientada a não vacinar devido ao baixo peso, porém não foi 
informada quando seria adequado retornar à unidade de saúde. E isso sem 
questionar que esse bebê de baixo peso deveria ter sido acompanhado com Follow 
up (Seguimento do recém-nascido de risco)5 e se isto ocorreu, não foi enfatizada a 
questão da imunização adequada a ele. 
Outra situação vivenciada em nossa realidade é o da mãe que por motivo da 
criança estar tomando remédio para alergia havia deixado de comparecer ao 
retorno da vacina, pois estava esperando o remédio acabar. Além disso, segundo a 
mãe “quando a criança é vacinada ela fica muito “enjoadinha”, tem febre e precisa 
tomar remédio, pois a vacina não faz muito bem para o bebê”. Neste caso, a vacina 
é vista como um problema e não como um fator de proteção, uma prevenção. 
 
Considerações Finais 
 
A enfermagem exerce papel fundamental em todas as ações de execução 
do Programa Nacional de Imunizações, sendo de sua responsabilidade orientar e 
prestar assistência à clientela com segurança, responsabilidade e respeito, prover 
periodicamente as necessidades de material e imunobiológicos, manter as 
condições ideais de conservação de imunobiológicos, manter os equipamentos em 
boas condições de funcionamento, acompanhar as doses de vacinas administradas 
 
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de acordo com a meta, buscar faltosos, avaliação e acompanhamento sistemático 
das coberturas vacinais e buscar periodicamente atualização técnico-científica. 
Hoje é uma realidade de sucesso no serviço público, em que o enfermeiro 
em todo esse contexto é comprometido e envolve a utilização do conhecimento 
técnico-científico, alcançando os objetivos propostos pela OMS e pelo próprio PNI. 
O que realmente importa é que o enfermeiro deve estar ciente da 
importância de sua participação na equipe multiprofissional, em que cada um tem o 
seu papel e sua importância, sendo que o objetivo maior é o ser humano, a criança 
que necessita e tem o direito a todas as vacinasdo PNI, contribuindo para o 
controle das doenças imunopreveníveis15. 
Cabe aos enfermeiros buscar sempre uma conscientização de suas 
atribuições, criando novos processos de trabalho, não esquecendo que são “gente 
que cuida de gente”, devendo o seu trabalho ser humanizado nos aspectos éticos, 
dentre outros. 
Não é fácil mudar o que está enraizado há décadas, porém faz-se 
necessária a realização de um trabalho sério de conscientização da população. 
Este deve ser iniciado junto às unidades de saúde, demonstrando a importância e a 
necessidade do esquema de imunização, com atuação direta e primordial do 
profissional da enfermagem. 
Medeiros et al.8 afirmam que “desenvolver processos de produção de 
conhecimentos, especialmente pesquisas que ofereçam subsídios ao ensino e a 
novas formas de atuação, e alterar de acordo com referenciais novos parecem ser 
indispensáveis, quando o objetivo é propor competências profissionais significativas 
que o enfermeiro precisa apresentar para atuar em prevenção aos problemas de 
saúde”. 
 
Referências Bibliográficas 
 
1. Barreira IAA. Contribuição da história da enfermagem brasileira para o 
desenvolvimento da profissão. Revista de Enfermagem da EEAN, Rio de 
Janeiro 1999; 8(1):125-141. 
2. Decreto 78231. Regulamenta a Lei 5259. 13 de Agosto de 1976. 
3. FUNASA, Ministério da Saúde. Capacitação de pessoal em sala de 
vacinação- manual do treinando. 2ª ed. rev. e ampl. – Brasília; 2001. 
 
Pereira, MAD e Barbosa, SRdeS 87 
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4. Lei 6259. Dispõe sobre a organização das ações de vigilância 
epidemiológica, sobre o Programa Nacional de Imunização, estabelece 
normas relativas à notificação compulsória de doenças e dá outras 
providências. 30 de Outubro de 1975. 
5. Lopes SMB, Lopes JMA. Follow up do recém-nascido de alto risco. Rio de 
Janeiro: MEDSI; 1999. 
6. Martins RM. Oportunidades perdidas de imunização. Jornal de Pediatria 
1996; 72:3-4. 
7. Martins RM, Maia MLS. Eventos adversos pós-vacinais e resposta social. 
Hist.cienc.saude-Manguinhos 2003; 10(supl. 2):807-825. 
8. Medeiros RM, Stédile NLR, Claus SMC. Construção de competências em 
enfermagem. Caxias do Sul: EDUCS; 2001. 
9. Ministério da Saúde. Centro Nacional de Epidemiologia. Retrospectiva das 
ações do programa nacional de imunizações- PNI. Brasília, 2001. 
10. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Imunizações. Brasília, 2003. 
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O Cuidar na Imunização 
 
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Endereço para correspondência 
Rua Duarte Peixoto, 259 
Manhuaçu, MG 
CEP 36900-000 
 
Recebido em 04/05/2007 
Revidado em 28/05/2007 
Aprovado em 28/06/2007

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