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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE SAÚDE DE NOVA FRIBURGO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS MICROBIOLOGIA X - Provas Bioquímicas As colorações, apesar de exercerem função importante na visualização e diferenciação das bactérias quanto à morfologia, arranjo e diferenças estruturais, não são capazes de identificar cepas bacterianas. Os testes bioquímicos, ou provas bioquímicas, são utilizados em associação com os resultados obtidos através dos cultivos e colorações para a identificação mais precisa dos micro-organismos, uma vez que suas propriedades metabólicas são específicas em cada gênero ou espécie, como as vias de obtenção de energia (fermentação, oxidação), ou através da produção de enzimas, responsáveis pela metabolização dos substratos presentes no meio de cultura. Os testes realizados neste item estão relacionados aos micro- organismos Gram negativos fermentadores, mais precisamente as enterobactérias, e às suas atividades enzimáticas. (Para os Gram positivos, ver item VII). Objetivo: obter a identificação microbiana, após observação do perfil bioquímico. 1- Fermentação de carboidratos A fermentação é um processo metabólico onde os carboidratos são degradados e metabolizados em compostos menores, tendo como produto final ácidos, que variam de acordo com a espécie bacteriana (no caso da fermentação da glicose também poderá haver produção de gás). Normalmente para esse teste utiliza-se um meio de cultura básico com indicador de pH, sendo o vermelho de fenol o mais utilizado. O meio TSI (Triple Sugar Iron) apresenta três fontes de carboidratos (glicose, sacarose e lactose) que, quando fermentados, realizam a viragem do meio de vermelho para amarelo, e ferro (sulfato ferroso de amônio), utilizado para indicar a presença de H2S. UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE SAÚDE DE NOVA FRIBURGO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS MICROBIOLOGIA Materiais utilizados: - Bico de Bunsen - Agulha bacteriológica - Placa de Petri já semeada - Tubo com TSI estéril Roteiro: - Prenda o cabelo, retire relógio, pulseira, anéis, brincos ou cordões grandes. Coloque o jaleco e feche-o; - Faça a desinfecção da bancada com álcool 70% e lave corretamente as mãos. Coloque as luvas; - Certifique-se de que todo o material necessário esteja sobre a bancada; - Flambe a agulha e espere esfriar. - Na placa de Petri com crescimento bacteriano, pegue uma pequena quantidade de micro-organismos da colônia que estiver isolada; - Pegue o tubo com TSI, abra-o da forma correta, flame a boca e introduza a agulha, de modo a fazer a semeadura em profundidade (em apenas 2/3 do meio); - Ao retirar a agulha do meio, não retire-a do tudo. Faça a semeadura também no bizel, em estria sinuosa; - Retire a agulha, flambe o tubo e feche; - Flambe a agulha; - Feche o bico de Bunsen, limpe a bancada, retire as luvas e lave as mãos. Após o período de incubação, poderão ser observadas as seguintes leituras: - Fermentação apenas da glicose: ocorre acidificação na base do meio, virando para amarelo, e a região próxima ao bizel permanecerá vermelha (reações de oxidação); - Fermentação de dois ou três carboidratos: ocorre a acidificação de todo o meio, tornando-o inteiramente amarelo. - Produção de H2S: de fácil visualização, pois caracteriza-se pela presença de partes pretas no meio de cultura, ou todo ele enegrecido. UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE SAÚDE DE NOVA FRIBURGO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS MICROBIOLOGIA - Produção de outro gás (que não o H2S): ocorre a quebra do meio, seu descolamento do fundo do tubo, ou poderá ser observado pela presença de bolhas. Ilustração dos possíveis resultados: Figura 15.1: Em A houve fermentação da glicose, sem produção de gás; Em B houve fermentação de dois ou três dos carboidratos, com produção de gás, não sendo H2S; Em C houve a fermentação de dois ou três carboidratos, sem produção de gás; Em D e em F podemos observar a fermentação da glicose com produção de H2S em diferentes proporções; Em E, a cor original do meio, indicando que não houve fermentação de nenhum carboidrato; Em G houve fermentação da glicose com produção de gás, não sendo H2S. 2- Teste de Oxidação-Fermentação (OF) Diferencia as bactérias de acordo com sua capacidade em oxidar (aeróbias) ou fermentar (anaeróbias) o meio em que estão inseridas. Este teste permite a diferenciação, dentre os Gram negativos, em aeróbios estritos (Pseudomonas aeruginosa) e os anaeróbios facultativos (Escherichia coli), por exemplo, pois o meio de cultura utilizado será sempre em par, ou seja, dois tubos, um contendo óleo na sua superfície, criando um ambiente anaeróbio, e outro sem óleo, permitindo a passagem de oxigênio, sendo, portanto, um meio aeróbio. Isso se torna possível, pois nas duas vias metabólicas ocorre a produção de ácido a partir da quebra do carboidrato. O meio mais utilizado, o OF, é semi-sólido e apresenta baixa concentração de peptona para limitar a produção de produtos alcalinos, que poderiam neutralizar o ácido produzido a partir do metabolismo microbiano. A glicose é UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE SAÚDE DE NOVA FRIBURGO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS MICROBIOLOGIA normalmente o carboidrato de escolha, sendo incorporada em altas concentrações, o que permite sua utilização e, com isso, a acidificação do meio, que contem um indicador de pH, dessa vez o azul de bromotimol, que inicialmente é verde em pH neutro e se torna amarelo em pH ácido. Materiais utilizados: - Bico de Bunsen - Agulha bacteriológica - Placa de Petri com crescimento bacteriano - Dois tubos com meio OF estéreis, um deles contendo de 2 a 3 mL de óleo mineral Roteiro: - Prenda o cabelo, retire relógio, pulseira, anéis, brincos ou cordões grandes. Coloque o jaleco e feche-o; - Faça a desinfecção da bancada com álcool 70% e lave corretamente as mãos. Coloque as luvas; - Certifique-se de que todo o material necessário esteja sobre a bancada; - Flambe a agulha. Pegue a placa de Petri e retire uma pequena porção da colônia que estiver isolada; - Pegue primeiro o tubo sem óleo, abra-o e flambe. Introduza a agulha e faça semeadura em profundidade (2/3 do meio), flambe e feche; - Pegue a placa de Petri novamente e retire um pouco mais de bactérias (a mesma semeada no primeiro tubo); - Agora use o tubo com óleo. Abra-o, flambe e faça a semeadura em profundidade (2/3 do meio). Retire a agulha, flambe o tubo novamente e feche; - Flambe a agulha (é normal que faça barulho, devido a presença do óleo); - Feche o bico de Bunsen, limpe a bancada, tire as luvas e lave as mãos. UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE SAÚDE DE NOVA FRIBURGO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS MICROBIOLOGIA Após o período de incubação, poderão ser observadas as seguintes leituras: - Meio com óleo (fermentação) amarelo e sem óleo (oxidação) verde: a bactéria é capaz de fermentar, mas não de oxidar a glicose presente no meio (anaeróbia); - Meios com e sem óleo amarelos: a bactéria é capaz tanto de fermentar quanto de oxidar (anaeróbia facultativa); - Meio com óleo verde e sem óleo amarelo: a bactéria não é capaz de fermentar, mas é capaz de oxidar (aeróbia). - Meios com e sem óleo verdes: não houve nem fermentação, nem oxidação (bactérias inertes). Ilustração dos possíveis resultados: A BFigura 15.2: (A) Primeiro conjunto de tubos: a bactéria foi capaz de oxidar, mas não de fermentar (basta a viragem de uma pequena parte do meio para caracterizá-lo como positivo); (B) Segundo conjunto de tubos: a bactéria foi capaz tanto de oxidar quanto de fermentar a glicose presente no meio. 3- Teste de utilização do citrato Algumas bactérias são capazes de obter energia a partir da utilização do citrato como única fonte de carbono. O citrato é uma molécula orgânica, presente no ciclo de Krebs (ela permite que o Acetil-CoA entre no ciclo e, por isso, pode ser utilizada como molécula doadora de energia). UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE SAÚDE DE NOVA FRIBURGO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS MICROBIOLOGIA Essa utilização ocorre quando o meio não possui nenhuma fonte de carboidrato presente, sendo o mais utilizado o ágar Citrato de Simmons. Ele é um meio sólido em tubo que apresenta o indicador de pH azul de bromotimol. Porém, não ficará amarelo, pois não ocorrerá a acidificação do meio, mas sim, alcalinização. As bactérias, ao utilizarem o citrato, liberam grandes quantidades de gás carbônico (CO2), que reagem com o sódio (Na+) e a água (H2O), formando compostos alcalinos, como o carbonato de sódio (Na2CO3), aumentando o pH do meio, tornando-o azul. Uma vez que a utilização do citrato é um processo aeróbico, o inóculo deverá ser semeado apenas na superfície do bizel. Devemos observar ainda que, grandes quantidades de inóculo fazem com que ocorra acúmulo de compostos orgânicos proveniente da parede celular de bactérias mortas, que podem liberar carbono e nitrogênio suficientes para alcalinizar o meio e produzir um resultado falso-positivo. Portanto, é imprescindível que se inocule pouca quantidade de micro-organismos, através de semeadura por estria reta. Materiais utilizados: - Bico de Bunsen - Agulha bacteriológica (pode ser feito com alça, porém tomando cuidado para que não seja colhido grande quantidade de bactérias) - Placa de Petri com crescimento bacteriano - Meio Citrato de Simmons Roteiro: - Prenda o cabelo, retire relógio, pulseira, anéis, brincos ou cordões grandes. Coloque o jaleco e feche-o; - Faça a desinfecção da bancada com álcool 70% e lave corretamente as mãos. Coloque as luvas; - Certifique-se de que todo o material necessário esteja sobre a bancada; UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE SAÚDE DE NOVA FRIBURGO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS MICROBIOLOGIA - Flambe a agulha e espere esfriar. Pegue a placa de Petri e encoste levemente em uma colônia isolada; - Pegue o tubo com o meio Citrato de Simmons, abra-o e flambe. Introduza a agulha e faça uma estria reta na superfície do bizel, com cautela para que o ágar não seja rasgado; - Retire a agulha, flambe o tubo e feche; - Flambe a agulha; - Feche o bico de Bunsen, limpe a bancada, retire as luvas e lave as mãos. Após o período de incubação, poderão ser observadas as seguintes leituras: - As bactérias que utilizarem o citrato irão alcalinizar o meio, tornando-o azul. Todo o ágar poderá se tornar azul, ou apenas parte dele (a superfície), mas já será o suficiente para constatar a positividade do teste. - Caso o ágar mantenha sua coloração original (verde), significa que a bactéria não foi capaz de metabolizar o citrato, portanto, não houve produção de compostos nitrogenados, não havendo a viragem do meio. Ilustração dos possíveis resultados: A B Figura 15.3: Meio Citrato de Simmons, positivo em azul (A) e negativo em sua cor original, verde (B). UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE SAÚDE DE NOVA FRIBURGO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS MICROBIOLOGIA 4- Teste de motilidade e produção de indol Apesar da motilidade não ser uma prova bioquímica, nos permite identificar e diferenciar bactérias flageladas e não flageladas. Um meio muito utilizado para essa finalidade é o SIM, pois como se trata de um meio semi-sólido, permite que bactérias consigam se movimentar. Já o teste do indol é utilizado para caracterizar, ou identificar, bactérias entéricas que são capazes de produzir o Indol a partir da oxidação do triptofano. Quando os micro-organismos possuem a enzima triptofanase, metabolizam o triptofano presente no meio, convertendo-o em indol, amônia e ácido pirúvico, sendo esses dois últimos utilizados pela bactéria para a obtenção de energia. Isso nos permite diferenciar os micro-organismos indol positivos (Escherichia coli e Proteus spp.) dos indol negativos (Enterobacter spp. e Klebsiella spp.). Para a detecção do indol, utiliza-se o reagente de Kovacs, pingando de 2-3 gotas sobre a superfície do meio. Em alguns instantes, caso haja presença de indol, haverá a formação de um halo corado (rosa ou vermelho) no lugar do reativo. Se não houver, o reagente continuará com sua cor de origem, tratando- se, portanto, de um organismo indol negativo. A B Figura 15.4: Representação da dição do reagente de Kovacs para visualização da produção de indol, sendo positivo em A e negativo em B. UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE SAÚDE DE NOVA FRIBURGO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS MICROBIOLOGIA O meio SIM também indica a produção de H2S, pois possui o citrato ferroso de amônio e o tiossulfato de sódio, que reagem com o gás formando um composto enegrecido. Materiais utilizados: - Bico de Bunsen - Agulha bacteriológica - Placa de Petri com crescimento bacteriano - Meio SIM - Reagente de Kovacs Roteiro: - Prenda o cabelo, retire relógio, pulseira, anéis, brincos ou cordões grandes. Coloque o jaleco e feche-o; - Faça a desinfecção da bancada com álcool 70% e lave corretamente as mãos. Coloque as luvas; - Certifique-se de que todo o material necessário esteja sobre a bancada; - Flambe a agulha de inoculação até que chegue ao rubro. Espere esfriar; - Pegue a placa de Petri e retire uma pequena parte da colônia que estiver isolada; - Pegue o tubo com o meio SIM, abra-o da maneira correta, utilizando o dedo mínimo, flambe a boca e introduza a agulha, fazendo semeadura em profundidade (2/3 do ágar). Flambe novamente e feche; - Flambe a agulha, desligue o gás, limpe a bancada e lave as mãos. Após o período de incubação, poderão ser observadas as seguintes leituras: - Caso o meio apresente turbidez ao redor do inóculo, ou em todo o ágar, significa que a bactéria possui motilidade. Caso esteja com indicação de crescimento apenas na área de inoculação, não houve motilidade, portanto, a bactéria não possui flagelos; UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE SAÚDE DE NOVA FRIBURGO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS MICROBIOLOGIA - Caso alguma parte do meio esteja enegrecida, ou todo ele, significa que a bactéria produziu H2S como produto de seu metabolismo. Caso contrário, não houve produção de sulfeto; - Após a adição do reagente de Kovacs, caso o líquido se torne rosado após alguns segundos, indica que o micro-organismo produziu indol. Se permanecer em sua cor original, não houve a produção de indol. Ilustração dos possíveis resultados: A B C D Figura 15.5: Alguns dos possíveis resultados obtidos com o meio SIM. Em (A) e (B) micro- organismoimóvel, não produtor de H2S, sendo o (A) indol positivo e o (B) indol negativo. Em (C) micro-organismo móvel, produtor de indol e H2S e em (D) micro-organismo móvel, não produtor de indol e nem de H2S (Mot: motilidade). UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE SAÚDE DE NOVA FRIBURGO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS MICROBIOLOGIA Exercícios para fixação: 1- Como devemos proceder com a semeadura no meio Citrato de Simmons? Por quais motivos? 2- O meio OF possui apenas uma fonte de nutriente. Cite qual é e diga quais testes são revelados com a utilização desse meio de cultura. 3- Quais são os possíveis resultados obtidos a partir do ágar TSI? 4- De qual maneira é revelado a produção de indol no meio SIM? Anotações