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17/09/2018 Disciplina Portal
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Direito Penal Aplicado I
Aula 4 - Fato Típico. Conduta
17/09/2018 Disciplina Portal
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INTRODUÇÃO
Nesta aula analisaremos os preceitos principais do fato típico, levando em conta o conceito analítico de crime. Abordaremos os componentes do fato típico, em
especial a conduta.
Além disso, estudaremos a conduta e as teorias que explicam a sua existência e conheceremos as teorias de conduta de cunho naturalístico, �nalístico e social, as
causas de exclusão da conduta e as espécies de condutas.
OBJETIVOS
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Identi�car os elementos que compõem o fato típico;
Analisar as condutas e de�nir as teorias dotadas;
Reconhecer como a conduta ou a ausência re�ete na con�guração do crime;
Listar os principais aspectos das condutas dolosas e culposas.
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FATO TÍPICO E SEUS ELEMENTOS
17/09/2018 Disciplina Portal
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Dentre os elementos que a compõe, vamos aprofundar nossos estudos no fato típico.
Inicialmente é importante conceituar o que venha a ser fato típico e a melhor de�nição é a que aponta se tratar de um comportamento humano que se amolda
perfeitamente aos elementos constantes do modelo previsto na lei penal.
A primeira característica do crime é ser um fato típico, descrito, como tal, em uma lei penal. Um acontecimento da vida que corresponde exatamente a um modelo de
fato contido em uma norma penal incriminadora, ou seja, a um tipo. 
Entretanto, antes de a�rmar que estamos diante de um fato típico, devemos analisá-lo e decompô-lo em suas faces mais simples, para veri�car, com certeza, se entre o
fato e o tipo existe relação de adequação exata, �el, perfeita, completa, total e absoluta. 
Essa relação é a tipicidade (subsunção do fato à norma penal incriminadora). 
Os elementos do fato típico são:
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Só haverá fato típico se existir todos os elementos que o
compõe. Do contrário, estaremos diante de um fato atípico e,
portanto, irrelevante ao direito penal.
CONDUTA
Considera-se conduta a ação ou omissão humana consciente e voluntária dirigida a uma �nalidade.
Teoria causalista, clássica ou naturalística
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QUAL A DIFERENÇA ENTRE ESSAS DUAS TEORIAS?
A teoria causalista ou naturalista da ação, de Beling e Vonliszt, incorpora ao conceito de conduta as leis da natureza. Por isso, o seu nome. 
Os adeptos da teoria causalista ou naturalista entendem que a conduta é um puro fator de causalidade. 
Para o causalismo, a conduta é um comportamento humano voluntário que se exterioriza e consiste em um movimento ou na abstenção de um movimento corporal, simplesmente. A
vontade é a causa da conduta e esta é a causa do resultado. 
Essa teoria considera imprescindível que a conduta típica seja um comportamento voluntário, impulsionado pela vontade do homem, que se concretiza, torna-se real, material, por meio
de uma ação positiva ou negativa. 
Para saber mais sobre a Teoria causalista, clique aqui (galeria/aula4/docs/teoria_causalista.pdf).
Teoria �nalista
O causalismo sofreu fortes críticas, onde se apontava importantes erros, falhas cruciais, pois, como não diferencia o conteúdo da vontade (a intenção do agente), não tem como de�nir,
por exemplo, com exatidão qual crime deveria ser atribuído a três pessoas que esfaqueassem outra no braço, sendo que nas três hipóteses (vamos considerar assim) só resultou em
lesão corporal leve. 
Nesse caso, como de�nir quem deveria responder por tentativa de homicídio, ou lesão corporal dolosa, ou até mesmo culposa, se o resultado (em que pese a intenção poder ser
diferente) foi o mesmo de lesão leve? 
Não teria como o causalismo responder a essa pergunta, pois, seguindo essa teoria, que se utiliza apenas da relação de ação e consequência, todos deveriam responder pelo resultado
que causaram, ou seja, lesão leve. 
Para saber mais sobre a Teoria �nalista, clique aqui (galeria/aula4/docs/teoria_�nalista.pdf).
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Não importa, nesse primeiro momento, qual seja a �nalidade,
mas que ela exista sempre.
Em algumas situações, essa �nalidade é dirigida à produção de um dano a algum bem jurídico, em outras o �m pode ser a obtenção de um resultado permitido ou não
proibido. Mas, sempre, haverá uma �nalidade, sempre a vontade humana terá um conteúdo, não importa com qual natureza.
Teoria social da ação
Alguns importantes estudiosos do Direito Penal, como Jeschek e Wessels, entenderam que o �nalismo de Welzel seria insu�ciente
para conceituar a conduta, porque esquecia uma característica essencial de todo comportamento humano, que é seu lado social. 
 
Nem o causalismo, nem o �nalismo, segundo eles, conseguem explicar a ação, pelo que acresceram ao conceito de conduta a ideia de
relevância social. Assim, ação é um comportamento humano socialmente relevante, questionado pelos requisitos do Direito e não
pelas leis naturais. 
 
Segundo essa teoria, para se veri�car a tipicidade de uma conduta é indispensável conhecer não apenas seus
aspectos causais e �nalísticos, mas também sua vertente social. 
 
Seria relevante do ponto de vista social a conduta que fosse capaz de afetar o relacionamento do indivíduo com o meio social. De
acordo com essa teoria, para que o agente pratique uma infração penal, é necessário que, além de realizar todos os elementos
previstos no tipo penal, tenha também a intenção de produzir um resultado socialmente relevante.
Teoria adotada no Brasil
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A teoria adotada pelo código penal é a �nalista. Ela é que melhor atende aos interesses do Direito Penal, até porque é a teoria que
consegue explicar a conduta com base no próprio direito positivo. 
 
Em síntese, a conduta é o comportamento voluntário do homem dirigido a um �m, proibido ou não. 
 
Só constituem condutas os comportamentos corporais voluntários externos dos humanos, consistentes em fazer alguma coisa ou emdeixar de fazer alguma coisa.
ELEMENTOS DA CONDUTA
VONTADE
A conduta, ademais, deve re�etir um ato voluntário, isto é, algo que seja o produto de sua vontade consciente. 
Nos chamados “atos re�exos” (como o re�exo rotuliano (http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/atos-re�exos.htm)) e na coação física irresistível
(“vis absoluta”), ocorrem atos involuntários e, por isso mesmo, penalmente irrelevantes. 
Quando se trata de “atos instintivos”, o agente responde pelo crime, pois são atos conscientes e voluntários — neles há sempre um querer, ainda que primitivo e ímpeto.
FINALIDADE
Pressupõe um agir destinado a um �m, seja ele de ordem lícita ou ilícita.
EXTERIORIZAÇÃO
Só haverá conduta se ocorrer a exteriorização do pensamento, mediante um movimento corpóreo ou abstenção indevida de um movimento que era exigível. 
A�nal, vale dizer, o Direito Penal não pune o pensamento, por mais imoral, pecaminoso ou “criminoso” que seja. O Direito Penal pune condutas. 
Signi�ca que, enquanto a ideia delituosa não ultrapassar a esfera do pensamento, por pior que seja, não se poderá censurar criminalmente o ato. 
Se uma pessoa, em momento de ira, deseja conscientemente matar seu desafeto, mas nada faz nesse sentido, acalmando-se após, para o direito penal a idealização será considerada
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irrelevante. 
Pode-se falar, obviamente, em reprovar o ato do ponto de vista moral ou religioso, nunca porém à luz do Direito Penal.
CONSCIÊNCIA
Só entram no campo da ilicitude penal os atos conscientes. Se alguém pratica uma conduta sem ter consciência do que faz, o ato é penalmente irrelevante. 
Exemplo: fato praticado em estado de sonambulismo ou sob efeito de hipnose.
EXCLUSÃO DA CONDUTA
Só existe conduta quando houver vontade do agente. 
A experiência da vida mostra algumas situações em que o homem, sem vontade, movimenta-se ou abstém-se de movimento, dando causa, com uma dessas atitudes, a
alguma lesão a um bem jurídico penalmente protegido. 
São hipóteses em que se pode até ter movimento humano, mas não se tem fato típico. 
São elas:
• Caso fortuito ou força maior 
• Coação física irresistível 
• Movimentos re�exos 
• Estado de inconsciência
CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR
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São acontecimentos imprevisíveis e inevitáveis, que fogem da vontade do ser humano. 
Se não há vontade, não há dolo nem culpa. 
Pode ocorrer por fato de terceiros, como greve de ônibus, ou por fato da natureza, como inundação.
COAÇÃO FÍSICA IRRESISTÍVEL
Igualmente ocorre a ausência de vontade quando incide sobre alguém uma força física externa irresistível, a qual, atuando materialmente sobre a pessoa, não pode ser
vencida, de modo a não lhe deixar qualquer opção de movimento corporal. Trata-se de uma força absoluta, a que não se pode resistir. 
Essa tem que ser tão forte a ponto de eliminar totalmente a possibilidade de resistência da pessoa. 
A força deve ser física e absoluta. Deve atuar materialmente, concretamente, sobre o corpo do homem e não apenas sobre sua mente, e deve ser de tal intensidade, que
seja impossível a ele contrapor-se, de modo a, pelo menos, neutralizá-la ou diminuí-la, tornando-a resistível. 
A doutrina chama essa circunstância de vis absoluta, pois não há vontade, não há conduta e, consequentemente, não há fato típico, e, por isso, o fato não é crime.
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MOVIMENTOS REFLEXOS
Movimento re�exo é uma reação motora em consequência da excitação dos sentidos. 
O movimento corpóreo não se deve ao elemento volitivo, mas ao �siológico. 
Em movimentos do corpo ditados pelos re�exos naturais, também não se pode falar na existência de vontade. 
Conforme já foi analisado ao abordarmos o conceito de “vontade”.
ESTADO DE INCONSCIÊNCIA
Fonte da Imagem: Shutterstock
Dois exemplos de ausência de consciência são sonambulismo e a hipnose, onde também não há conduta, por falta de vontade nos comportamentos praticados em
completo estado de inconsciência.
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O agente encontra-se absolutamente privado da possibilidade de saber qualquer coisa. É como se ele estivesse cego, surdo, mudo e em sono profundo. Logo, não pode
querer nada. 
Durante o sono, no sonambulismo não se pode a�rmar que o agente tenha agido, porque, em qualquer dessas hipóteses, não se pode concluir pela existência de mínima
vontade.
Ausente, pois, a consciência, ausente a vontade e, de
consequência, a conduta, ainda que dessa situação decorra
qualquer lesão a qualquer bem jurídico. Não havendo conduta,
não há fato típico, e sem este não há o crime.
ESPÉCIES DE CONDUTAS
Existem duas espécies de condutas: ação e omissão.
AÇÃO
Ação é a conduta positiva, que se manifesta por um movimento corpóreo, ou seja, traduz uma norma de “não fazer”. A maioria dos tipos penais descreve condutas positivas (“matar”,
“subtrair”, “constranger”, “falsi�car”, “apropriar-se” etc.). Entretanto, nesses crimes, chamados comissivos, a norma é de cunho proibitiva. 
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Exemplo: “não matarás”, “não furtarás” etc.
OMISSÃO
Omissão é a conduta negativa, que consiste na indevida abstenção de um movimento. Nos crimes omissivos, a norma penal é mandamental ou imperativa: em vez de proibir alguma
conduta, ela determina uma ação, punindo aquele que se omite, ou seja, exige um “fazer”.
OMISSÃO PENALMENTE RELEVANTE
Teorias da omissão 
Para explicar a relação da omissão com o resultado surgem duas teorias:
Naturalística ou causal
A teoria naturalística a�rma que se deverá imputar um resultado a um omitente sempre que sua inação lhe der causa. 
 
Aqui, a omissão é um fenômeno causal que pode ser constatado no mundo fático. 
 
Esse nexo de causalidade entre a omissão e o resultado veri�car-se-ia quando o sujeito pudesse agir para evitá-lo, deixando de fazê-lo.
Normativa ou jurídica
A segunda teoria denominada normativa estabelece que a omissão é um nada e do nada, nada vem (exemplo, nihilo, nihil
(https://pt.wiktionary.org/wiki/nihil)). 
 
Contudo, essa teoria aceita a responsabilização pelo resultado do omitente em decorrência da existência de uma norma que lhe
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atribua o dever jurídico de agir. 
 
Por isso, essa teoria recebe o nome de normativa, pois há a exigência de uma norma que obrigue o omitente a agir. Entretanto, ele
voluntariamente opta por não fazer o que a lei determine que ele faça. 
 
Dessa forma, a omissão é não fazer o que a lei determina que se �zesse, sendo essa a teoria adotada pelo Código Penal.
VOCÊ SABIA?
Uma questão interessante repousa no caso da omissão imprópria (ou comissivo por omissão), pois o tipo penal descreve uma ação, mas a omissão do agente acarreta
a sua responsabilidadepenal pela produção do resultado. Essa regra está contida no art. 13, § 2º, do CP. 
Para que alguém responda por um crime comissivo por omissão, é necessário que, nos termos do art. 13, § 2º, do CP, tenha o dever jurídico de evitar o resultado.
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As hipóteses em que há o citado dever jurídico são as seguintes:
Dever legal ou imposição legal 
Quando o agente tiver, por lei, obrigação de proteção, cuidado e vigilância. 
Exemplo: Pai com relação aos �lhos; diretor do presídio no tocante aos presos etc.
Dever de garantidor ou “garante” 
Quando o agente, de qualquer forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado (não apenas contratualmente). 
É o caso do médico plantonista; do guia de alpinistas; do salva-vidas, com relação aos banhistas; da babá, para com a criança.
Ingerência na norma 
Quando o agente criou, com seu comportamento anterior, o risco da ocorrência do resultado. 
Exemplo: O nadador exímio que convida para a travessia de um rio uma pessoa que não sabe nadar torna-se obrigado a evitar seu afogamento. A pessoa que joga um
cigarro aceso em matagal obriga-se a evitar eventual incêndio.
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