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Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com DIREITO PENAL ELEMENTOS DO CRIME DO FATO TÍPICO O fato típico é o comportamento humano, positivo ou negativo, que provoca resultado previsto em lei como infração penal. O fato típico é formado pelos seguintes elementos: OBSERVAÇÃO IMPORTANTE! A depender da classificação do crime, não estarão presentes todos esses elementos. Em outros, estarão presentes outros elementos característicos do tipo de crime. Vejamos: FATO TÍPICO ILICITUDE CULPABILIDADE PUNIBILIDADE CRIME FATO TÍPICO Conduta Resultado Nexo causal Tipicidade Imputação objetiva Elemento subjetivo do crime Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com CLASSIFICAÇÃO DO CRIME ELEMENTOS DO FATO TÍPICO CRIMES MATERIAIS – DE RESULTADO Resultado, nexo causal, conduta, tipicidade CRIMES FORMAIS – MERA CONDUTA Conduta, nexo causal, tipicidade CRIMES DOLODOS Conduta dolosa, tipicidade, nexo causal CRIMES CULPOSOS Conduta voluntária, resultado involuntário, nexo causal, tipicidade, quebra do dever de cuidado, previsibilidade do resultado. CONDUTA A conduta pode ser analisada sob dois primas – teoria finalista ou teoria causalista. TEORIA FINALISTA Conduta é a ação ou omissão humana, consciente e voluntária, dirigida a um fim. TEORIA CAUSALISTA Conduta é o movimento corporal voluntário que produz um resultado no mundo exterior. A ação, neste caso, é mera exteriorização do pensamento. São elementos da conduta: → A exteriorização do pensamento; → A consciência; → A voluntariedade. Não se censura o ato de pensar. Não serão punidos os atos realizados sem consciência. A conduta punível será sempre reflexo da vontade do agente. Sem a presença de uma vontade consciente, não há ação penalmente relevante. Devem ser excluídas do Direito Penal as ações que não mostram relevância penal. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com A conduta pode ser omissiva, comissiva ou mista. → A ação é conduta positiva (comissiva), que se manifesta por um movimento corpóreo. Viola uma proibição. A norma penal nesses crimes é proibitiva. → A omissão é conduta negativa (omissiva), que consiste na indevida abstenção de um movimento. Descumpre uma ordem. Nestes tipos de ação, a norma penal é mandamental, ou seja, a norma determina que, em determinadas circunstâncias, tal conduta deve ser tomada. → A conduta mista é aquela em que o tipo penal descreve uma conduta positiva, mas a consumação do crime se da por omissão, como o crime do art. 169, parágrafo único, II, do CP). SOBRE A CONDUTA OMISSIVA: TEORIAS DA OMISSÃO TEORIA NATURALÍSTICA -> A omissão será punível sempre que o resultado se deu em razão dela. TEORIA NORMATIVA -> A omissão será punível quando o agente tinha a obrigação de agir mas não o fez. ESPÉCIES DE CRIMES OMISSIVOS CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS -> O próprio tipo penal descreve uma conduta omissiva. O verbo nuclear contém um não fazer. São crimes de mera conduta. CRIMES OMISSIVOS IMPRÓPRIOS -> São crimes comissivos por omissão. Ou seja, o tipo penal descreve uma conduta positiva, mas o sujeito responde pelo crime porque estava juridicamente obrigado a impedir a ocorrência do resultado e, mesmo podendo fazê-lo, omitiu-se. Os crimes omissivos impróprios apenas ocorrem quando existe dever legal de agir (art. 13,§2º, CP). As hipóteses em que existe tal dever são: ❖ Dever legal ou imposição legal; ❖ Dever de garantidor; ❖ Ingerência da norma. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com Importante ressaltar que, em relação aos crimes omissivos, o CP adotou a teoria normativa, a qual indica que a omissão consiste em deixar de fazer algo imposto pela lei que fosse feito, independentemente se for omissão própria ou imprópria. SOBRE A CONDUTA COMISSIVA: A conduta comissiva ocorre quando há uma ação. TEORIA NATURALISTA DA AÇÃO → Beling → A ação é uma modificação causal no mundo exterior produzida por uma manifestação da vontade, seja por ação ou omissão → O conteúdo da vontade constitui a culpabilidade → Ocorre uma separação entre os aspectos objetivos (movimento corporal e resultado e subjetivos (conteúdo da vontade – culpabilidade) da ação TEORIA FINALISTA DA AÇÃO → Welzel → A ação é o exercício da atividade final, com a antecipação de um resultado e a escolha dos meios para isso. → A vontade integra a ação final → Não se adequa aos crimes culposos TEORIA SOCIAL DA AÇÃO → Eb Schmidt → A ação deve ser analisada de forma objetivamente genérica → Apenas será uma ação punível aquela relevante socialmente TEORIA DA AÇÃO SIGNIFICATIVA → Wittgenstein → A ação é o significado do que as pessoas fazem, devendo ser interpretadas de acordo com as normas e as regras. → Não existe um conceito concreto de ação, devendo ela ser analisada de acordo com o caso concreto. TEORIAS DA AÇÃO – RESUMO TEORIA NATUALISTA – A ação é uma exteriorização do pensamento, uma movimentação que produz efeitos no mundo exterior. TEORIA FINALISTA – A ação é uma conduta humana consciente e voluntária dirigida a uma finalidade. TEORIA SOCIAL – A ação é uma conduta socialmente relevante. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com OBSERVAÇÃO: O Brasil adotou a teoria finalista da ação. TIPICIDADE Entende-se por tipicidade a relação de subsunção entre um fato concreto e um tipo penal (tipicidade formal) e a lesão ou o perigo de lesão ao bem penalmente tutelado (tipicidade material). É a perfeita adequação do fato ao modelo normativo. → Segundo Beling, a tipicidade se distingue da culpabilidade e da juridicidade. → O tipo penal é o conjunto de elementos do fato típico descrito na lei penal. É a previsão normativa. É um modelo abstrato que descreve as ações consideradas delitivas. → Em razão do princípio da legalidade, para que seja considerado um crime, a conduta necessariamente deve ser tipificada. Assim, a falta de correspondência entre uma conduta e um tipo não pode ser suprida por analogia ou interpretação extensiva. ADEQUAÇÃO TÍPICA -> Em alguns momentos, confunde-se a adequação típica com tipicidade, mas é importante fazer algumas ressalvas. Há duas modalidades de adequação típica: ADEQUAÇÃO TÍPICA POR SUBORDINAÇÃO IMEDIATA OU DIRETA Dá-se quando a adequação entre o fato e a norma penal é imediata, sem necessidade de norma extensiva do tipo. ADEQUAÇÃO TÍPICA POR SUBORDINAÇÃO MEDIATA OU INDIRETA O enquadramento do fato à norma ocorre apenas com o recurso a uma norma de extensão, como ocorre no caso dos crimes tentados. TIPICIDADE CONGLOBANTE -> Trata-se de um dos aspectos da tipicidade penal de acordo com Zaffaroni. Por meio dela, deve-se verificar se o fato, que aparentemente viola uma norma penal proibitiva, é permitido ou incentivado por outra norma jurídica. Se existir referida autorização ou incentivo em norma extrapenal, o fato será penalmente atípico. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com Exemplo: Cirurgias plásticas. Apesar de existir norma proibitiva de lesão corporal, é permitido que os cirurgiões realizem cirurgias plásticas. IMPORTANTE! A jurisprudência do STF vem aceitando a aplicação dessa teoria. RESULTADO RESULTADO NATURALÍSTICO Consiste na modificação no mundo exterior causada pela conduta, apenas necessários em crimes materiais. RESULTADO JURÍDICO Reside na ameaça de lesão ao bem jurídico tutelado pela norma penal. Trata- se de elemento implícito a todo fato penalmente típico. De acordo com o resultado naturalístico, os crimes podem ser classificados em: MATERIAIS O tipo penal descreve a conduta e um resultado.FORMAIS O tipo penal descreve a conduta e o resultado, mas não é necessário qualquer resultado para que o crime seja consumado. MERA CONDUTA O tipo penal apenas descreve a conduta e é desnecessária a ocorrência de qualquer resultado. Já de acordo com o resultado jurídico, os crimes podem ser classificados em: DE DANO Quando a consumação exige a efetiva lesão ao bem tutelado. DE PERIGO Quando a consumação se dê apenas com a exposição do bem jurídico a uma situação de risco. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com RELAÇÃO DE CAUSALIDADE A relação de causalidade é o vínculo que une a causa, enquanto fator propulsor, a seu efeito, como consequência derivada. Trata-se do liame que une a causa ao resultado que produziu. Art. 13, CP: O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera- se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. O Código Penal Brasileiro adotou a teoria da equivalência dos antecedentes. Por meio dessa teoria, admite-se que todos os antecedentes do resultado, ainda que sobre ele tenham exercido a mínima influência, serão considerados como sua causa. Causa, para essa teoria, seira a soma de todas as condições, consideradas no seu conjunto produtoras de um resultado. Para que se possa verificar se determinado antecedente é causa do resultado, deve-se fazer o juízo hipotético de eliminação. Para que se faça isso, segue-se o seguinte esquema, inicialmente: Ocorre que a utilização de tal teoria poderia fazer com que fosse levada ad infinitum a pesquisa do que seja a causa: todos os agentes das condições anteriores responderiam pelo crime. Essa teoria não é capaz de oferecer critérios valorativos que auxiliem na delimitação das condutas realmente relevantes sob a perspectiva jurídico-penal. Assim, procura-se limitar o alcance de tal teoria, a partir dos critérios; A relação de causalidade limita-se aos crimes de resultado TEORIA DA EQUIVALÊNCIA DAS CONDIÇÕES O comportamento não ocorreu: O resultado teria surgido mesmo assim? Se sim, não há relação de causa e efeito O resultado desapareceria? Se sim, há nexo de causalidade. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com a) Elementos subjetivos do tipo; b) Considerações valorativas acerca da causalidade; c) Postulados das teorias da imputação objetiva. SOBRE AS CONCAUSAS -> As concausas se tratam de outras causas que podem concorrer para que seja obtido determinado resultado. Elas podem ser dependentes ou independentes. Vejamos: CONCAUSAS ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES - São condições preexistentes, concomitantes ou supervenientes à conduta que podem auxiliar na produção do evento ou produzi-lo de maneira total independentemente da conduta que se examina. - Sempre excluem o nexo causal, de modo que o agente não responderá pelo resultado, mas apenas por seus atos. EXEMPLO: Vítima faz ingestão voluntária de veneno antes de ser atingida por tiros. Nesse caso, mesmo se não tivesse sido atingida por tiros, a vítima morreria. CONCAUSAS RELATIVAMENTE INDEPENDENTES As concausas atuam de tal forma que auxiliam ou reforçam o processo causal iniciado com o comportamento do sujeito ocorrendo uma soma de energias. - Não excluem o nexo causal, motivo por que o agente, se as conhecia ou podia prevê-la, responde pelo resultado. EXEMPLO: Um hemofílico toma um tiro no pé e, devido a sua condição, desenvolve um quadro hemorrágico e morre. Nesse caso, apenas um tiro no pé não o mataria, mas sua condição de hemofílico fez com que tiro fosse fatal. CONCAUSA SUPERVENINETE RELATIVAMENTE INDEPENDENTE QUE, POR SI SÓ, PRODUZ O RESULTADO Quando alguém coloca em andamento determinado processo causal, pode ocorrer que sobrevenha, no decurso deste, uma nova condição que, em vez de inserir no fulcro aberto pela conduta anterior, provoca um novo nexo de causalidade. - Neste caso, existe nexo de causalidade, mas o agente apenas responde pelo resultado que produziu diretamente. EXEMPLO: Uma pessoa é esfaqueada e é submetida a tratamentos médicos. No hospital, desenvolve uma infecção e morre. Nesse caso, a infecção foi um fluxo inesperado, não podendo ser de responsabilidade do agente. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com IMPORTANTE!!! Quando a questão trouxer algumas dessas situações como causa da morte da vítima: Por sua vez, se a questão trouxer como causa da morte da vítima: B Broncopneumonia I Infecção hospitalar P Parada cardiorrespiratória E Erro médico I Incêndio D Desabamento A Acidente com ambulância CAUSAS SUPERVENIENTES RELATIVAMENTE INDEPENDENTES O agente deve responder pelo resultado morte. CAUSAS INDEPENDENTES O agente responde pela tentativa. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com IMPUTAÇÃO OBJETIVA Trata-se de um complemento à relação de causalidade. Por meio dela, agregam-se outros requisitos que irão atuar em conjunto com a relação de causalidade, de modo a permitir que a atribuição de um resultado a uma conduta não seja um procedimento meramente lógico, mas se constitua também de um procedimento justo. A teoria da imputação objetiva é o conjunto de pressupostos que fazem de uma causação uma causação típica, a saber, a criação e realização de um risco não permitido em resultado. São tais elementos: → A produção de um risco juridicamente proibido e relevante; → A produção do risco no resultado; → Que o resultado provocado se encontre na esfera de proteção do tipo penal violado. ELEMENTO SUBJETIVO São elementos subjetivos do crime o dolo e a culpa. DOLO -> É a vontade de concretizar os elementos objetivos e normativos do tipo. É composto por: ELEMENTO COGNITIVO: consciência ELEMENTO VOLITIVO: vontade A vontade deve abranger a conduta, o resultado e o nexo causal. Ou seja, o agente realiza uma conduta com o fim específico de gerar o resultado. A consciência abrange a realização dos elementos descritivos e normativos do nexo causal e do evento, a lesão ao bem jurídico, dos elementos da autoria e da participação, dos elementos subjetivos das circunstâncias agravantes e atenuantes dos elementos acidentais. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com Art. 18, CP - Diz-se o crime: I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo; Nosso código adotou duas teorias para conceituar o dolo: → Teoria da vontade: O dolo é a vontade dirigida a um resultado. → Teoria do consentimento: O dolo é o consentimento com a produção do resultado. Ou seja, aquele que, prevendo o resultado, assume o risco de produzi-lo, age dolosamente. O dolo abrange tanto o objetivo perseguido quanto os meios escolhidos para a consecução de determinado fim. Podemos classificar o dolo em: TEORIA DA VONTADE TEORIA DO ASSENTIMENTO CLASSIFICAÇÃO DO DOLO DOLO DIRETO DIREITO DE 1º GRAU O agente quis produzir o resultado DIREITO DE 2º GRAU Os meios utilizados pelo agente geram consequências além das queridas. Contudo, a utilização de tais meios gera o consentimento com a possibildiade de eventuais efeitos coleterais. DOLO INDIRETO A vontade do agente não é dirigida ao resultado final ocorrido, mas assume-se o risco. Neste caso, o agente não quer o fim ocorrido, mas o assume quando o prevê e age aceitando o risco produzido. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com CULPA -> A culpa é configurada quando o agente age com a inobservância do dever objetivo de cuidado, manifestada através de conduta que enseja em resultado não querido, mas previsível. Nos crimes culposos, a quebra do dever de cuidado constitui elemento do fato típico. Art.18, CP- Diz-se o crime: II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. Culpa imprópria -> O agente supõe, por incidir em erro de tipo inescusável, estar diante de causa de exclusão de ilicitude que justifica a prática de uma conduta típica. DEVER DE CUIDADO -> Imposição de atuar com cautela no dia a dia, de modo a não lesar bens alheios. A violação do dever de cuidado será externada por meio da imprudência, negligência ou imperícia. A culpa também pode ser classificada da seguinte forma: CLASSIFICAÇÃO DA CULPA CULPA CONSCIENTE É a culpa com a previsão do resultado. Neste caso, o agente confia na sua habilidade e produz o resultado por imprudência, negligência ou imperícia. CULPA INCONSCIENTE É a culpa sem previsão. Neste caso, o agente age sem prever que o resultado possa ocorrer. CULPA CONSCIENTE DOLO EVENTUAL X Neste caso, o agente tenta evitar o resultado. Quando age com dolo eventual, o agente é indiferente ao resultado. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com → Para fins de Direito Penal, não se admite compensação de culpas entre o agente e a vítima. → A exclusão da culpa apenas ocorrerá nos casos de caso fortuito ou de força maior. OBSERVAÇÃO: A teoria finalista, adotada pelo direito brasileiro, retirou o dolo e a culpa da culpabilidade e os colocou na tipicidade. Assim, o elemento subjetivo do tipo será analisado na esfera da tipicidade e não da culpabilidade. ELEMENTOS IMPORTANTES SOBRE O FATO TÍPICO – O ERRO JURÍDICO-PENAL Algumas situações particulares dizem respeito ao fato típico e exigem um tratamento especial. ➔ ERRO DE TIPO: O erro de tipo ocorre quando existe uma falsa percepção da realidade ou desconhecimento desta. Quando age com erro de tipo, o agente não capta de forma clara o que está acontecendo, trocando um fato por outro. Art. 20, CP: O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. • O agente realiza todos os elementos de um tipo penal incriminador sem o perceber. • Pode ser classificado em: ERRO DE TIPO ESSENCIAL - As circunstâncias retiram a capacidade do agente perceber que está cometendo um crime; - Exclui o dolo (art. 20, CP) sempre e exclui a culpa quando se trata de erro escusável. - Pode ser classificado como erro escusável ou como erro inescusável, sendo essa análise apenas relevante quando a lei a prevê. ERRO DE TIPO ACIDENTAL - O agente sabe que está cometendo um crime, mas o erro incide sobre o objeto material/pessoa, o erro na execução e o erro sobre o nexo causal. ERRO DE TIPO INCRIMINADOR O erro recai sobre a situação fática prevista como elementar ou circunstância de tipo penal incriminador. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com ERRO DE TIPO PERMISSIVO O erro recai sobre os pressupostos fáticos de uma causa de justificação. EXEMPLOS COMUNS EM CONCURSO Aluno coloca em sua pasta livro de um colega achando que é seu – ERRO DE TIPO ESSENCIAL Caçador mata pessoa achando se tratar de um urso. Uma pessoa pretende matar seu desafeto e encontra seu sósia, matando-o. – ERRO DE TIPO ACIDENTAL IMPORTANTE – DELITO PUTATVO POR ERRO DE TIPO: O delito putativo por erro de tipo ocorre quando o comportamento do agente é criminoso, mas o ato não se enquadra em nenhum tipo penal. Ou seja, não há crime por faltar elementos objetivos do tipo penal na conduta do agente, mas este jura que está cometendo um crime. ➔ ERRO DE PROIBIÇÃO: No erro de proibição, todavia, a pessoa tem plena noção da realidade que se passa ao seu redor. Entretanto, o engano recai sobre uma regra de conduta, vez que o agente, com seu comportamento, viola alguma regra de proibição contida em norma penal que desconhece por absoluto. O erro de validade é um tipo de erro de proibição, cometido quando o agente crê que a norma a qual prevê o comportamento típico está amparada em lei que é nula ou inconstitucional. DA ANTIJURIDICIDADE – ILICITUDE Cuida-se a antijuridicidade ou ilicitude da contrariedade do fato com o ordenamento jurídico por meio da exposição a perigo de dano ou da lesão a um bem jurídico tutelado. ❖ É perquirida independentemente da consciência do sujeito. Por isso, age ilicitamente o inimputável que comete um crime, ainda que ele não tenha consciência da ilicitude do ato cometido. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com IICITUDE GENÉRICA Corresponde à contradição do fato com a norma abstrata, por meio da afetação a algum bem jurídico. ILICITUDE ESPECÍFICA Consiste na ilicitude presente em determinados tipos penais, os quais empregam termos como “sem justa causa”, “indevidamente”, “sem autorização”. EXCLUDENTES DE ILICITUDE As excludentes de ilicitude estão previstas pelo art. 23 do CP. São elas o estado de necessidade, a legítima defesa, o exercício regular de um direito e estrito cumprimento de um dever legal1. IMPORTANTE!! A teoria da imputação objetiva analisa o crime a partir da antijuridicidade, em especial no que diz respeito ao exercício regular de um direito. Por exemplo, não haverá crime caso o cirurgião realize uma cirurgia em um desportista, tendo em vista se tratar tal cirurgia de risco permitido e, portanto, lícito. ❖ ESTADO DE NECESSIDADE: Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se (art. 24, CP). Há um conflito entre dois ou mais bens ou interesses legítimos, sendo todos protegidos pelo Direito. E a situação extrema exige que o agente tente salvar ao menos uma delas. Nosso Código Penal adota a teoria unitária, de forma que, independentemente do valor do bem jurídico protegido, há a exclusão da ilicitude. ❖ LEGÍTIMA DEFESA: Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. OBSERVAÇÃO: Não cabe legítima defesa contra ataque de animais. Em regra, contra esses ataques cabe estado de necessidade. Apenas cabe legítima defesa nos casos em que o dono do animal incentiva a prática da ação. ❖ EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO E ESTRITO CUMPRIMENTO DE DEVER LEGAL: Todo aquele que exerce um direito assegurado por lei não pratica ato ilícito. Da mesma forma, não comete ato ilícito quem apenas atende um dever a ele imputado legalmente. 1 A doutrina admite, em algumas situações, o emprego de causas supralegais de exclusão de ilicitude, fundadas no emprego da analogia in bonam partem, suprindo eventuais situações não compreendidas no texto legal. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com Existem algumas causas supralegais de exclusão da ilicitude, quais sejam: ❖ OFENDÍCULOS: São aparatos utilizados em residências com o fim de dar a esta maior segurança, como é o caso das cercas elétricas. Existe uma discussão doutrinária a respeito de em qual categoria se encontra a utilização de ofendículos, se se trata de legítima defesa, de exercício regular de direito, etc. Contudo, é pacífico que se trata de excludente de ilicitude. Entretanto, o uso de ofendículos exige que haja moderação, sendo, portanto, vedados os excessos. Por isso, devem existir avisos nas cercas e nos casos de existir cães ferozes na residência, e nem existir excesso dos meios aplicados para repelir a agressão. Neste caso, o excesso descaracteriza a discriminante, fazendo com que o agente responda pelas lesões causadas. ❖ CONSENTIMENTO DO OFENDIDO❖ INTERVENÇÃO MÉDICA ❖ CORREÇÃO DOS PAIS ❖ VIOLÊNCIA DESPORTIVA DA CULPABILIDADE Trata-se do juízo de reprovação que recai sobre o autor culpado por um fato típico e antijurídico. Em nosso Código Penal, a culpabilidade resulta das somas dos seguintes elementos: ❖ Imputabilidade (art. 26 a 28)) ❖ Potencial consciência da ilicitude (art. 21) ❖ Exigibilidade de outra conduta (art. 22) SISTEMA CLÁSSICO • Não existia crime sem culpabilidade. O dolo e a culpa estavam inseridos na culpabilidade. • A culoabilidade era vista como vínculo psicológico entre autor e fato. SISTEMA NEOCLÁSSICO • Agregou-se à culpabilidade a noção de reprovabilidade. • Apenas era reconhecida quando o agente fosse imputável, agisse dolosa ou culposamente e se pudesse dele exigir comportamento diferente. SISTEMA FINALISTA • A culpabilidade ainda como reprovabilidade do ato. • A culpabilidade como elemento normativo. SISTEMA NORMATIVO • Para Roxin, a culpabilidade era vinculada á responsabilidade do agente. • Para Jakob, a culpabilidade era vista sob o ponto de vista funcional, se a aplicação da pena seria necessária à manutenção da segurança da norma. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com PRINCÍPIO DA COINCIDÊNCIA: Para que o crime exista, é preciso que todos os elementos do crime se encontrem presentes. Assim, é necessária a presença da antijuridicidade e da culpabilidade para que o crime seja configurado. IMPUTABILIDADE Trata-se da capacidade mental de compreender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de acordo com esse entendimento. São causas legais de exclusão da imputabilidade: → Doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (art. 26, CP) → Embriaguez completa e involuntária (art. 28, §1º, CP) → Dependência ou intoxicação involuntária decorrente do consumo de drogas ilícitas → Menoridade IMPORTANTE! TEORIA DA ACTIO LIBERA IN CAUSA: Entende-se a situação em que o sujeito se autocoloca voluntariamente em situação de inimputabilidade ou incapacidade de agir, de tal modo que, posteriormente, ao cometer um comportamento criminoso, padecerá da capacidade de entender a ilicitude do ato ou de se autocontrolar. São exemplos de aplicação da teoria: → O agente se embriaga visando perder a inibição para importunar ofensivamente o pudor de uma mulher; → O segurança bebe sonífero para não ter que proteger a empresa de um furto. → Um motorista de caminhão, tendo que efetuar a entrega da mercadoria em curto período de tempo, decide fazer a viagem ininterruptamente, ingerindo para tanto remédio estimulante. SISTEMA BIOPSICOLÓGICO DE AFERIÇÃO DA INIMPUTABILIDADE SISTEMA BIOLÓGICO DE AFERIÇÃO DA INIMPUTABILIDADE Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE O sujeito deve ter consciência do caráter ilícito de sua conduta. Deve, portanto, tem certa compreensão acerca do texto legal, o desconhecimento de seus detalhes. Não apenas isso, como é necessária a falta de possibilidade de conhecer a ilicitude do ato praticado. Isso implica na necessidade de se fazer uma análise cultural, e não biológica ou psíquica sobre o agente. → O conhecimento da ilicitude se presume, devendo o réu comprovar que agiu desprovido acerca do caráter ilícito do fato. EXIGIBILIDADE DE OUTRA CONDUTA Para dizer que alguém praticou uma conduta reprovável, é preciso que se possa exigir dessa pessoa, na situação em que ele se encontrava, uma conduta diversa. Se, por outro lado, verificar-se que as condições exteriores não lhe davam outra saída senão agir daquela maneira, seu ato não poderá ser tido como censurável. Existem algumas causas legais de exclusão da exigibilidade de conduta diversa. Vejamos: COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL (art. 22, CP): Se o fato é cometido sob coação irresistível, só é punível o autor da coação ou da ordem. → Dá-se quando uma pessoa for alvo da ameaça de inflição de um mal grave e injusto, com seriedade. → A irresistibilidade da coação deve ser medida pela gravidade do mal ameaçado. IMPORTANTE -> A coação física irresistível exclui o fato típico enquanto a coação moral irresistível exclui a culpabilidade. OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA: Dá-se quando alguém cumpre ordem de autoridade superior, revestida de caráter criminoso, desconhecendo a ilicitude de tal comando que, ademais, não pode ser manifestamente ilegal. A possibilidade de admissão de causa supralegal de inexigibilidade de conduta diversa é discutida. Erika Cerri dos Santos erikacerridossantos@hotmail.com ELEMENTOS DO CRIME FATO TÍPICO Conduta Resultado Nexo causal Tipicidade Dolo ou culpa ILICITUDE Antijuridicidade do ato CULPABILIDADE Imputabilidade Potencial consciência da ilicitude Exigibilidade de outra conduta Exteriorização do pensamento Consciência Voluntariedade O fato deve se adequar ao modelo normativo. TEORIA DA TIPICIDADE CONGLOBANTE Não será típico se o fato é permitido ou incentivado por norma jurídica. Naturalístico ou Jurídico O comportamento ocorreu: O resultado teria surgido mesmo assim? Se sim, não há relação de causa e efeito O resultado desapareceria? Se sim, há nexo de causalidade.