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DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL 
 
BIOLOGIA APLICADA – 2015/1 
 
 
F U N G O S 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 Os fungos são seres vivos convencionalmente 
tratados como pertencentes ao reino vegetal. Podem 
ser unicelulares, coloniais, formas filamentosas, 
ramificadas ou não e formas maciças bastantes 
desenvolvidas como os cogumelos. São heterotróficos. 
 Apresentam várias qualidades que de encontro se 
comparadas com os demais representantes do reino 
vegetal: 
 a)- Não apresentam clorofila ou outro pigmento 
fotossintético; 
 b)- Não tem tecido verdadeiro;, 
 c)- Não tem celulose (com exceção de alguns 
fungos inferiores aquáticos; 
 d)- Não armazenam amido. 
 
Por outro lado, apresentam duas características 
marcantes do reino animal: 
 a)- Presença de substância quitinosa nas suas 
paredes celulares; 
 b)- Armazenam glicogênio, substância de reserva 
do mundo animal. 
 
 
 
 
Diferenciam-se de todos os demais seres vivos em dois 
pontos básicos: 
 a) Estrutura somática representada por hifas; 
b) Dicariófase – Condição dos fungos superiores 
em que a plasmogamia (fusão do citoplasma) não 
se segue imediatamente a cariogamia (fusão de 
núcleos), mas sim uma prolongada fase 
dicariótica, em que a frutificação, durante um 
período mais ou menos longo, é toda constituída 
por hifas binucleadas, com a presença simultânea 
de dois núcleos haplóides sexualmente opostos. 
 
Podem habitar o solo, o ar, a água e até o interior de 
outros vegetais e animais. Sua distribuição é universal. 
 
 
2. CARACTERÍSTICAS CITOLÓGICAS 
 
 Tem a membrana celular mais resistente do reino 
vegetal. É constituída por Calose + Celulose, recebendo 
o nome particular de Mico-celulose, semelhante a 
quitina dos animais. 
 O citoplasma possui outros pigmentos que dão 
coloração diferente da clorofila, não sendo 
fotodinâmicos. 
 O núcleo é organizado, com 2 tipos de estruturas: 
- Uma cenocítica e outra haplocítica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. MORFOLOGIA 
 
Sistema Vegetativo 
 
O sistema vegetativo é a parte encarregada do 
desenvolvimento e absorção dos alimentos. 
- É constituído pelo Micélio que é uma massa de 
filamentos ou Hifas (simples ou ramificadas), 
resultantes da germinação do esporo. Em alguns casos, 
o corpo vegetativo é reduzido a uma simples célula ou 
grupos de células, geralmente redondas ou ovais. (Ex. 
Saccharomicetaceae). 
As hifas podem ser: 
a) Hifas Septadas – são aquelas em que a 
determinados intervalos são cortados por uma 
parede denominada de Septo ou Tabique. 
b) Hifas Contínuas – São desprovidas de septos ou 
tabiques; O micélio é formado por uma célula 
grandemente ramificada. 
 
 
Segundo o tipo de hifa que constitui o micélio, que é 
uma característica importante, podemos agrupar os 
fungos em 2 grandes grupos: 
- Micélio Contínuo (Phycomycetes) (Ficomicetos) 
- Micélio Septado (Ascomycetes, Deuteromycetes 
e Basidiomycetes). 
O Micélio, de acordo com o entrelaçamento de hifas 
pode ser: 
a) Plectênquima – Quando as hifas estão 
frouxamente entrelaçadas. 
b) Prosoplectênquima – Quando as hifas estão 
individualizdas. 
c) Pseudoplectêquima – (Ou falso parênquima) – é 
um conjunto de entrelaçado e denso de hifas, 
lembrando um tecido. 
 
Sistema Reprodutivo 
 
 É o sistema responsável pela perpetuação da 
espécie. As hifas vegetativas sofrem uma diferenciação, 
transformando-se em órgãos de reprodução. 
É constituído por: 
a) Esporo – é o termo genérico com que se denomina 
uma célula ou conjunto de células, de cuja germinação 
se origina a Hifa. Pode ser endógeno ou exógeno. 
- Quando é endógeno (Endósporo) é formado no 
interior de uma cavidade ou célula e aí permanece até a 
maturação. (Phycomycetes e Ascomycetes). 
- Quando é exógeno (Exósporos) é formado pelo 
intumescimento da extremidade de uma hifa e, separada 
deste, na sua maturidade, por um septo. (Deuteromycetes 
e Basidomycetes). 
b) esporóforo – é qualquer estrutura que sustenta 
o esporo. Hifa especializada de um micélio que 
produz e sustenta temporariamente os esporos. 
 
 
 
 
 
4. REPRODUÇÃO 
 
Normalmente pela produção de esporos. Pode ser: 
 
I) Sexuada – Quando envolve a participação de 
gametas. Pouco encontrada entre os fungos. Pode ser: 
 
a) Por Isogamia – os gametas são morfo-
fisiologicamente iguais. Ex.: Mucor mucedo 
(Phycomycetes). 
 
b) Por Anisogamia – Gameta masculino é menor e 
móvel. O gamenta feminino é maior e imóvel. Ex.: 
Oomycetes. 
 
 
II) Assexuada – Não há participação de gametas. Pode 
ser: 
 
a) Gemiparidade ou Brotamento – Ex.: Saccharomycetaceae. 
b) Esporulação – em que há produção de esporos. 
 
Dependendo da mobilidade do esporo, temos: 
 
b.1) Por Zoósporos – Esporos móveis. Ocorre 
freqüentemente em Oomycetes (Peronosporales e 
Saprolegniales). 
 
b.2) Por Aplanósporos – Esporos imóveis. È o 
processo mais comum de reprodução nos Fungos. 
 
 
 
Pode ser: 
 
1) Talósporos ou Clamidósporos – Esporos de 
resistência que aparecem quando as condições do meio 
ambiente são desfavoráveis a sobrevivência. Quando as 
condições melhoram, eles germinam, originando um 
novo fungo, começando por uma estrutura 
quadricelular. Ex.: Determinados Basidiomycetes e 
alguns Deuteromycetes. 
 
 
 
2) Esporangiósporos – São esporos endógenos 
(Endósporos), formados no interior de elementos esféricos 
chamados esporângios, os quais se originam nas 
extremidades das hifas. Essas hifas que formam os 
esporângios recebem o nome de Esporangióforos. Depois 
de formados, os esporangiósporos são libertados, caem em 
local apropriado, originando um novo fungo. O 
esporangióforo emite para o interior do esporângio uma 
expansão denominada de Columela. 
 
 
3) Ascósporos – É um processo característico dos 
Ascomycetes. Os ascósporos são esporos endógenos, os 
quais são formados no interior de formações 
tubuliformes chamadas de ascos, que por divisão 
endógena dão origem aos ascósporos em número de 4 a 
8. 
 Entre os ascos encontram-se hifas estéreis 
denominadas de Paráfises cuja função é de proteger os 
ascos.ou ascas. 
 
O corpo de frutificação ou ascocarpo de que dá origem 
as ascas podem ser: 
 
Apotécio - Quando o ascocarpo é totalmente aberto. 
 
Peritécio – Quando o ascocarpo ou corpo de 
frutificação é fechado, mas com abertura especial 
denominada de ostíolo (Para liberação das ascas com 
os ascoporos). 
 
 
 
 
Cleistotécio – Corpo de frutificação totalmente 
fechado. 
O conjunto de ascos e paráfises forma uma membrana 
denominada de Himênio. 
 
 
 
4) Basidiosporos – São exósporos formados a 
partir de uma célula chamada basídio. 
 A célula primitiva emite 4 prolongamentos cujas 
extremidades se dilatam, dando os basidiósporos, os 
quais permanecem ligados ao basídio por meio das 
Esterigmas. Processo típico dos Basidiomycetes. 
Também há paráfises e himênio. 
 
 
 
5. Conidiosporos – São esporos exógenos 
(exósporos) que constituem um processo de reprodução 
característico de Fungos da Família Aspergillaceae 
(Aspergillum e Penicillium). 
 No Aspergillum, os conidiosporos são formados 
por uma dilatação que surge na extremidade da hifa, 
depois de formada, emite prolongamentos em toda a 
sua periferia. Cada prolongamento recebe o nome de 
Fiálide. Cada fiálide, ao se desenvolver, fragmenta a 
sua extremidade livre, formando pequenos esporos, os 
Conidiosporos. 
 No Penicillium, o processo difere do anterior pelo 
fato da hifa não apresentardilatação. Acontece apenas 
a ramificação da hifa (Esterigma), com posterior 
formação de conidiosporos. Nos 2 casos, as hifas que 
dão, indiretamente, os conidiosporos são chamadas de 
Conidióforos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5. CLASSIFICAÇÃO 
 
EUMYCETES – Constituído por 04 grandes grupos: 
 
1. PHYCOMYCETES 
 
 Aqui estão incluídos os mais primitivos dos 
fungos; uns poucos são unicelulares, mas a maioria é 
filamentosa, com hifas não septadas. Septos presentes 
apenas para separar estruturas como: Esporangióforo 
e Esporângio. 
É constituído em sua grande maioria por fungos 
aquáticos, incluindo espécies saprófitas, parasitas de 
plantas, animais e também do homem. 
 
Comuns em esgotos e águas poluídas: 
 
- Leptomitus, Apodachlya, Achlya, Blastocladia, 
Gonapodia. 
- 
Em águas limpas: 
 
 - Mucor, Absidia, Dictiochus e Pythium. 
 
2. ASCOMYCETES 
 
 Pequeno grupo apresenta micélio gemulante, mas 
a grande maioria apresenta micélio filamentoso com 
hifas septadas. Esporos endógenos formados dentro de 
Ascos. 
 Exs.: Allescheria, Chaetomium. 
 
 
 
3. BASIDIOMYCETES 
 
 Micélio filamentoso com septos simples; esporos 
exógenos formados sobre Basídios. Exs.: Cogumelos. 
 
4. DEUTEROMYCETES 
 
 Fase sexual desconhecida. Reproduz-se 
assexuadamente por conídios. Micélio rudimentar 
constituído por hifas septadas, geralmente ramificadas. 
Nunca formam corpo visível a olho nu. 
 
 = Águas Limpas 
 
- Fusarium, Aspergillus, Penicillium, 
Cephalosporium. 
- 
= Águas Poluídas 
 
- Pullularia, Acremonium, Fusarium, Botrytis, 
Geotrichum e Alternaria.

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