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22 
 
Formas clínicas 
1) Paracoccidioidomicose-infecção 
a. Ausência de sinais e sintomas clínicos, paracoccidioidina positiva 
2) Paracoccidioidomicose-doença: 
a. Forma aguda-subaguda(grave): indivíduos jovens e com tropismo do 
fungo para o sistema monocítico-fagocitário: linfonodos, fígado, baço e 
medula óssea 
b. Forma crônica: adulto, principalmente homens: 
i. Unifocal: único órgão ou sistema é o pulmão 
ii. Multifocal(mista): tegumento/pulmonar: Clássico 
c. Associada à imunossupressão: HIV/AIDS, pós transplante, dçs auto-
imunes, imunossupressores 
3) Sequelar: DPOC, estenose e obstrução de VAS 
 
Formas clínicas 
Na maioria dos pacientes: a doença pulmonar primária é subclínica ou 
oligossintomática 
Envolvimento mucocutâneo: 
Comum na forma crônica do adulto 
lesões são frequentemente dolorosas e ulcerativas ou verrucosas; 
normalmente encontradas na face e nas mucosas nasal e oral 
Raro na forma aguda/subaguda/juvenil ******* 
Origem das lesões cutâneas: 
1) Contiguidade: à lesões de cavidade bucal, linfonodos abscedados, 
lesão óssea fistulizando 
2) Disseminação hematogênica: a partir do foco pulmonar adquirido 
por inalação do fungo 
3) Excepcionalmente, por inoculação direta na pele 
 
Paracoccidioidomicose 
“Locus minoris resistentiae”: fixação de um fungo já em disseminação hematogênica, 
em área de trauma. Portanto não seria fruto de inoculação direta do agente. 
 
Paracoccidioidomicose Doença 
Forma aguda-subaguda: Th2 
“Tipo juvenil”: crianças e jovens 
1) Linfadenomegalias: 
a. Superficial: cervical, axilares e inguinais 
b. Profunda: mediastinal, para-ilíacos, mesentérica, para-hilar 
hepática e para-aórticos 
c. Linfonodos inicialmente firmes que coalescem, fistulizam, sem tendência a 
cicatrização(ao contrário do escrofuloderma) 
2) Hepato e esplenomegalia, Icterícia 
Suboclusão intestinal, retenção biliar ou pancreática: compressão 
Comprometimento cutâneo por disseminação hematogênica 
*** Raro comprometimento pulmonar*** 
Comprometimento ósteoarticular não é comum: se ocorrer, as lesões ósseas 
são líticas e comprometem preferencialmento o gradeado costal, a clavícula e os 
ossos longos. 
 
 
 
 
23 
 
Forma Crônica: Th1 
Forma clássica 
Paciente adulto, lavrador 
Reativação de foco quiescente pulmonar ou metastático, ou de reinfeccção exógena 
História clínica mais longa, recaídas mais freqüentes 
Associado a etilismo e tabagismo 
Clássica: Lesão mucosa + quadro pulmonar 
Lesão oral: ulcera rasa com microgranulações e pontilhado hemorrágico: 
Estomatite Moriforme 
Ordem de frequência***: 
Lábio inferior > mucosa jugal > gengivas > palato > pilar amigdaliano > 
língua 
Lesões são dolorosas, há sialorréia 
Lesões laringofaríngeas: não são raras, dificuldade de deglutição e rouquidão 
 
Acometimento pulmonar - 85,7% são do tipo intersticial difuso e pobres em sinais 
Diagnóstico 
Cultura: padrão ouro, SE POSITIVA (MAS É POUCO SENSÍVEL) 
Histopatologia: “na prática” é o padrão ouro, coloração: Prata ou PAS 
Exame micológico direto(KOH20%): escarro, fragmento de pele ou pus 
Sorologia: Sensib: 65%; Especificidade 95% 
Úteis no acompanhamento terapêutico, negativam no final do 1º ano de 
tratamento 
ELISA é o método sorológico mais sensível 
RX Tórax, Paracoccidioidina 
 
Histopatologia 
Hiperplasia pseudoepiteliomatosa, inflamação supurativa granulomatosa. Formas 
leveduriformes são encontradas dentro de células gigantes. São observados mais 
de um brotamento de base estreita, lembrando “roda de leme”. 
 
Exame direto 
Células de parede espessa esverdeada birrefringente, arredondadas a ovóides. Mais de 
um broto de base estreita são observados. 
 
Cultura em Ágar Sabouraud 
 25°C: após 20-30dias – Colônia branca aderida ao meio, radiada, com aspecto 
central de “pipoca estourada”. Micromorfologia: micélios hialinos com 
abaulamentos terminais ou a longo da hifa (clamidósporos) 
 A 37°C: colônia leveduriforme de cor creme e aspecto cerebriforme. 
Micromorfologia: células redondas de diâmetros variáveis, reproduzindo-se por 
gemulação com células filhas conectadas por pontes estreitas (diferencia do 
Blastomyces dermatitidis: Blastomicose, pontes largas). 
 
Paracoccidiodina 
 Intradermoreação: geralmente utilizada em inquéritos epidemiológicos 
 Reações falso positivas em pacientes previamente infectados por H. Capsulatum 
 
Paracoccidioidomicose associada a Imunossupressão 
Associações: neoplasias, HIV, transplantes, imunossupressão e doenças 
linfoproliferativas 
 
24 
 
Tendência á doença disseminada: 
Lesões pulmonares, linfonodais, cutâneas e ósseas 
Lesões cerebrais: geralmente parenquimatosas 
Localização em genitália externa é extremamente rara e pouco descrita 
Reação intradérmica de Paracoccidioidina negativa 
Sorologia negativa ou fracamente positiva 
Respondem de maneira semelhante ao tratamento, porém apresentam maior taxa de 
recidiva e mortalidade 
 
Tratamento 
Gerais: tratar verminoses, melhora nutricional, diminuir alcoolismo e tabagismo 
Casos graves: 
Anfotericina B 0,5-0,75mg/kg 1xdia ou dias alternados (Anfotericina B 
lipossomal não se mostrou eficaz) 
EC: reação pirogênica, nefrotoxicidade, hipopotassemia 
Manutenção com sulfa reduz recaídas 
Leves ou moderados: 
Sulfa-trimetoprima: 2400mg 12-24 meses. Crianças 50mg/kg/dia 24 meses. 
EC: hipersensibilidade, hepatotoxicidade. 
Itraconazol: 200mg/dia 6-12 meses.EC: hepatotoxicidade 
 
Tratamento – Casos especiais 
Gestantes: Anfotericina B 
Insuficiência renal: Itraconazol ou outro azólico; 
Hepatopatas: Anfotericina B 
Infância: Sulfamídicos ou o Itraconazol 
Formas cerebrais: Fluconazol 200-400mg/dia 
 
Paracoccidioidomicose 
Acompanhamento: 
Mensal por 3 meses 
Bimestral por 12 meses 
Trimestral por longo prazo. 
Critérios de cura: 
1) Clínico: desaparecimento dos sinais e sintomas 
2) Radiológico: estabilização das imagens radiológicas pulmonares 
3) Sorológico: negativação da reação ou persistência de títulos baixos por no 
mínimo 2 anos após interrupção do tratamento 
 
Prognóstico 
Se tratada: 
1) 95% tem evolução favorável 
2) Imunodeprimidos: mortalidade 30% mesmo com tratamento 
3) Recaída: quando ocorre, em 75% dos casos será dentro dos 3 
primeiros anos pós tratamento 
 
TED 2017 
Com relação à paracoccidioidomicose, assinale a alternativa CORRETA. 
Na parede celular do fungo, o polissacarídeo α1-3 glucana ocorre na fase miceliana. 
A forma clínica aguda-subaguda ocorre em jovens, sendo o quadro mucoso frequente. 
A colônia do P. brasiliensis em temperatura ambiente é de cor creme e de aspecto 
cerebriforme. 
 
28 
 
a) Muito raramente, e em imunodeprimidos, pode haver transmissão de pessoa 
para pessoa 
b) A localização pulmonar, apesar de muito comum, não é considerada a principal 
porta de entrada 
c) A lesão da pele pode se iniciar na junção muco-cutânea por extensão direta da 
lesão mucosa 
d) Nas lesões bucais a língua não é comprometida 
 
TED 2002 
40. A droga de eleição para o tratamento da paracoccidioidomicose com acometimento 
cerebral é: 
a) sulfa de eliminação lenta 
b) cetoconazol, em doses mínimas de 600mg/dia 
c) fluconazol, em doses de 200 a 400mg/dia 
d) cetoconazol associado às sulfas de eliminação lenta 
e) anfotericina B, endovenosa em doses de 2 a 3 mg/kg de peso por dia 
 
TED 2000 
A Paracoccidioidomicose infanto-juvenil difere da do adulto por: 
a) Não apresentar forma linfonodular 
b) Ter comprometimento frequnte da mucosa 
c) Comprometer muito raramente os pulmões 
d) Não comprometer intestino delgado 
e) Não comprometer medula óssea 
 
Esporotricose 
É a micose subcutânea mais comum na América Latina 
Causada pelos fungos dimórficos: Sporothrix schenckii, S. albicans, S. 
inflata, S. luriei, S. brasiliensis, S.globosa e outros 
Atinge na maioria das vezes pele e subctâneo: 
Em imunodeprimidos pode atingir outros órgãos: Esporotricose sistêmica 
Ocorre em meio rural e urbano 
Pode ocorrer em qualquer idade: mais comum em adultos, em membros 
superiores, membros inferiores e face (esta mais comum nas crianças) 
Distribuição universal, sobretudo em regiões tropicais e subtropicais, com altas 
temperaturas e alta umidade 
Fungo encontrado no solo, plantas, gatos, cachorros, tatus, chimpanzés, iguanas, 
roedores, pássaros: 
Profissões: Agricultores, jardineiros, veterinários, caçadores, tratadores 
Aquisição: inoculação cutânea/traumática, especialmente através da vegetação, 
espinhos e madeiras 
Casos após a inalação já foram descritos, com disseminação sistêmica e cutânea 
(similar a histoplasmose outras infecções fúngicas dimórficas) 
Transmissão animal-homem é rara, mais comumente adquirida de gatos 
Nestes animais,o grande número de parasitas torna a transmissão 
possível até mesmo sem história de trauma 
 
Formas clínicas 
1) Cutâneo-linfática: 69% dos casos 
2) Cutânea-localizada: 27% 
3) Cutânea-disseminada: rara 
4) Extracutânea/Sistêmica: 4% 
 
29 
 
Forma Cutâneo-linfática: 69% dos casos 
Lesão inicial no ponto de inoculação >>>> após semanas a meses dissemina-se por 
linfáticos que drenam a área formando cordões e nódulos, alguns fistulizantes 
Membros: trajeto ascendente 
Face: trajeto descendente 
A lesão geralmente é indolor, se ulcera e há drenagem de pus 
Indivíduos não previamente inoculados? 
 
Forma Cutânea-localizada: 27% dos casos 
Lesão no ponto de inoculação 
Hospedeiro com alto grau de imunidade 
Exposição prévia? 
Clínica variada: nódulos, verrucosa, ulcerosa, gomosa, etc 
Pode haver cura espontânea 
 
Forma Cutânea-disseminada 
Rara, deficiência da resposta imune celular 
Inoculação, Inalação ou ingestão do fungo >>>> disseminação hematogênica >>>>> 
múltiplas lesões: gomosas, abcessos, pápulas, nódulos, molusco-símiles 
Condições: imunodepressão, AIDS, 
 
Forma Extracutânea/Sistêmica: 4% dos casos 
Disseminação de esporos via hematogênica após inalação ou ingestão 
Tropismo osteo-articular (monoartrite crônica progressiva) e lesões úlcero-
necróticas, boca, faringe, nariz, olhos, pulmões, SNC, orqui-epididimite 
Imunodeprimidos, alcoolismo, AIDS, Diabetes, corticosteróides, 
imunossupressores 
Febre, queda estado geral 
 
Esporotricose Sistêmica 
Ossos, articulações, mucosas, olho, pulmão, orqui-epidimite 
 
Diagnóstico: cultura: padrão ouro! 
Micro-organismos não são facilmente visualizados pelo EMD ou HP 
Cultura (do pus ou tecidos) é o melhor exame para o diagnóstico definitivo da 
esporotricose 
Crescimento rápido: 3-5dias em Agar Sabouraud 
Microcultivo: conídios ovais ou piriformes formam um arranjo em grupos, no final do 
conidióforo como "margaridas" . 
 
 Coloração a princípio branca, formando halo preto que progride até total 
escurecimento da colônia, reverso de coloração escura. 
 
Cultura 
Fungo dimórfico: 
• Fungos filamentosos ou mofos (com hifas septadas e conídeos) na natureza, 
• Leveduras nos tecidos vivos e a 37°C. 
 
 
 
 
30 
 
Histopatologia: Colorações de PAS, Gomori 
Raro encontrar o agente, sobretudo nas formas cutâneo-linfática e cutâneo-localizadas 
Inflamação supurativa e granulomatosa na derme e subcutâneo, inespecífica 
Quando associada ao corpúsculo asteróide é muito sugestiva de 
esporotricose. 
Corpúsculo asteróide: Aglomerados de proteínas filamentosas eosinofílicas, ao redor 
do antígeno (fungo) 
Não patognomônicos: Podem ser encontrados também na: 
Lobomicose, 
Esquistossomose 
Sarcoidose 
 
Histopatologia 
Inflamação supurativa e granulomatosa na derme e subcutâneo, inespecífica. Quando 
associada ao corpúsculo asteróide é muito sugestiva de esporotricose 
 
Histopatologia da Esporotricose em imunodeprimidos 
Numerosos fungos presentes, brotamentos de leveduras em formato de “cigarro”, 
“charuto” ou “naveta” 
PAS ou colorações de prata 
 
Diagnóstico laboratorial 
Exame direto: Raro encontrar o fungo 
Quando vistos: corpos ovais, redondos, em forma de charuto, quase 
sempre cercados por halo claro 
Reação intradérmica de Esporotriquina: 
Obtida da cultura de céls leveduriformes 
Leitura após 48h 
Alta sensibilidade 
Positiva nas formas localizadas, permanece positiva após a cura, positiva 
também em locais endêmicos 
Positiva ou negativa nas formas disseminadas/extracutâneas 
Em formas atípicas e extracutâneas: 
Imunofluorescência 
ELISA 
PCR 
 
Tratamento 
Solução saturada de iodeto de potássio VO 
Eficaz e de baixo custo 
Nem fungistática e nem fungicida, acredita-se que atue na melhora 
imunológica, efeito antiinflamatório. 
Inicia-se com 0,5-1g/dia(10-20gts) até atingir 20gts 3xdia: 3g/dia 
Tempo: até 2semanas após cicatrização (em média 6 semanas) 
Crianças máx 1,5g/dia 
Ingerir com leite ou suco de frutas 
Não deve ser administrado a gestantes e lactantes. 
EC: gosto amargo, iododerma, transtornos gastrointestinais e supressão da 
tireóide. 
Iodeto de potássio creme 10%: 1xdia nas formas cutâneas e cutâneo-linfáticas: 
eficaz, segura, sem E.C. e barato 
 
 
31 
 
Tratamento – Outras opções 
Itraconazol: 
Alta eficiência e fácil administração. Aumenta custo 
Imunossuprimidos, formas extensas e sistêmicas 
Fungistático 
100-200 mg/dia, em casos graves 400mg/dia, mantido até 1 mês após cura 
clínica 
Crianças 3-6mg/kg/dia 
Não recomendado na gestação 
EC: Gastrintestinais, disfunção hepática 
Terbinafina: 
Fungicida, 250-1000mg/dia até 1 mês após cura. Não usar gestação. EC: 
gastrintestinal, neutropenia 
Tratamento – outras opções 
Fluconazol: 
Casos de sucesso na forma cutânea-localizada: 200-400mg/dia. 
Anfotericina B: 
Imunodeprimidos, falha com outras medicações, casos graves ou de 
doença disseminada 
Fungicida, altamente eficaz 
0,25mg/kg-1mg/kg 1xdia ou dias alternados 
EC: nefro e cardiotoxicidade, hipertermia, flebite 
Cetoconazol: Descrito como opção, com resultados variáveis, baixo custo. 
Termoterapia: banhos controlados á temp de 45ºC, por 20minutos, 3xdia, 3-6meses. 
Boa opção para gestantes. 
Não se esquecer: 
Diagnóstico e tratamento dos animais contaminados: Fontes 
 
TED 2017 
Assinale a alternativa que contém substâncias que não são utilizadas no tratamento da 
esporotricose. 
a) Iodeto de potássio, itraconazol, anfotericina B 
b) Fluconazol, iodeto de potássio, terbinafina 
c) Miltefosine, terbinafina, sulfametoxazol + trimetropim 
d) Anfotericina B, fluconazol, cetoconazol 
 
 
33 
 
a) O achado de estruturas leveduriformes no exame direto é frequente e auxilia o 
diagnóstico 
b) A reação de esporotriquina positiva indica doença ativa, porém não diferencia a 
forma clínica 
c) A cultura é o método mais importante no diagnóstico dessa doença 
d) Os corpúsculos asteróides, quando encontrados no exame histológico, são 
patognomônicos da doença 
 
TED 2012 
Q18 – Uma das características, clínica ou laboratorial, da esporotricose sistêmica em 
paciente imunossuprimido é: 
a) Tropismo pelo sistema osteoarticular 
b) Fungos com multibrotamento na histopatologia 
c) Tropismo pelo sistema nervoso central 
d) Hipercalcemia e hiperuricemia 
 
 
TED 2010 
Questão 20 
Em relação à esporotricose, é CORRETO afirmar que 
a) se admite a participação de espécies outras que não o Sporothrix schenckii. 
b) o pulmão não faz parte da história natural. 
c) há tropismo pelo sistema reticuloendotelial nos pacientes imunossuprimidos. 
d) a forma linfangítica associa-se à imunossupressão. 
 
TED 2009 
Na esporotricose associada a imunossupressão, é correto afirmar que: 
a) O comprometimento sistêmico é excepcional 
b) O tropismo para o sistema osteo-articular é inexistentec) As lesões de padrão úlcero-necrótico são predominantes 
d) Os fungos estão ausentes ao exame anatomopatológico 
 
TED 2007 
Em relação à esporotricose zoonótica, pode-se afirmar que 
a) Os cães, tatus, roedores e pássaros não fazem parte da cadeia de transmissão da 
esporotricose 
b) A esporotricose zoonótica ocorre preferencialmente no meio rural 
c) O gato doméstico é a principal causa de transmissão humana no Brasil 
d) A terapêutica da esporotricose zoonótica é dificultada pela maior virulência do 
agente 
 
 
35 
 
a. “Fonsecaea compacta”: variante do F. Pedrosoi. Não deve ser mais 
considerada como espécie independente 
2) Phialophora verrucosa 
3) Cladosporium carrionii 
4) Fonsecaea nubica 
5) Fonsecaea monophora 
6) Rhinocladiella aquaspera 
7) Exophiala spinifera 
 
Cromomicose 
Fungos são encontrados no solo, vegetais, madeiras e frutos do babaçu(tipo de 
palmeira) em decomposição 
Apresentação clínica e morfologia das colônias muito similares 
Diferenciação baseada nas características microscópicas dos conídeos (tipos de 
esporulação/frutificação) 
 
Clínica: “Dermatite verrucosa” 
Pápula ou nódulo que progride para uma placa verrucosa ou granulomatosa, crônica 
Pontos enegrecidos/“blackdots”: crostas sero-hemáticas, em que os 
microorganismos seriam preferencialemente encontrados. 
Lesão pode ser anular: porção central evolui para a cura com cicatrização 
Podem coalescer e formar uma massa com múltiplos nódulos 
Múltiplas lesões podem existir entremeadas por pele normal 
Não invade tecidos profundos, respeita a fáscia muscular e músculos 
(diferentemente dos micetomas) 
 
Clínica 
Podem se disseminar por via linfática gerando lesões satélites 
Pode gerar incapacidade funcional: aumento de volume do membro, linfedema, 
elefantíase, acometer todo o membro 
Podem ocorrer lesões osteolíticas por contiguidade 
Predispôe a CEC: 
Diagnóstico diferencial: PLECT + CEC 
 
Investigação 
Exame direto: coleta deve privilegiar áreas com “blackdots”, corar com koh 20% 
Corpos escleróticos (muriformes ou fumagóides): 
Considerados uma forma intermediária entre a miceliana e 
leveduriforme, aspecto em “Grão de café” 
 
Cultura: Agar Sabouraud com cloranfenicol 
Cresce 2-4semanas 
Gêneros diferentes produzem colônias morfologicamente similares: 
Colônia cinza a negro, de crescimento filamentoso curto, aveludado com discreta 
elevação central 
 
Microcultivo: 
Útil para visualizar o tipo de esporulação/frutificação do fungo, o que auxilia na 
identificação da espécie 
Importante identificar a espécie em estudos e por particularidades no 
tratamento: 
F. Pedrosoi é menos suceptível ao Itraconazol 
 
36 
 
C. Carrioni: Itraconazol é a droga de escolha. 
 
Frutificação tipo Cladosporium: Esporulação acrógena e catenulada, esporos elípticos 
em cadeia. É o predominante na F. pedrosoi 
 
Frutificação do tipo Phialophora: O conidióforo tem a forma de vaso. Os esporos 
dispostos ao redor do conidióforo lembram um vaso de flores. Predominante na 
Phialophora verrucosa 
 
Frutificação do tipo Rinocladiela: Esporos dispostos na extremidade e ao longo do 
conidióforo. Predominante na Rinocladiella aquaspersa 
 
F. pedrosoi: podem ser encontrados os 3 tipos de frutificação. No exemplo: 
Cladosporum e Phialophora. 
 
Investigação - Histopatologia 
Hiperplasia pseudoepiteliomatosa, células gigantes, corpos escleróticos (fumagóides) 
acastanhados dentro de um infiltrado dérmico misto granulomatoso e neutrofílico. Os 
fungos podem ser vistos no HE devido á pimentação da parede. PAS ou Grocot Gomori 
(Prata) não aumentam a sensibilidade diagnóstica hitológica. 
 
Tratamento 
1. Melhores resultados: Itraconazol 200-400mg/dia + crioterapia ou 
termoterapia 
2. Crioterapia: lesões pequenas e isoladas: 30seg-4min vários ciclos 
3. Termoterapia: difícil implementação pois a fonte de calor deve ser mantida 
entre 40-42graus. Bons resultados 
4. Excisão cirúrgica com margem (devido disseminação linfática), 
cirurgia micrográfica, amputação: associada ou não a tratamento 
antifúngico sistêmico, Laser de CO2, Eletrocirurgia 
5. Outros: 
a) Itraconazol 5-Flucitosina 
b) 5-flucitosina + Anfotericina B: superior á mototerapia 
****Casos de resistência do F. Pedrosoi ao itraconazol 
Recidivas podem ocorrer 
 
 
40 
 
Estado imune: efeito significativo na gravidade da doença e na 
probabilidade da doença de disseminar. 
Incidência levemente maior nos homens: aumento da exposição ambiental e 
ocupacional 
Fungos encontrados nas plantas, solo e matéria em decomposição 
 
Clínica 
1. Subcutâneas: “Cisto micótico”: Apresentação mais comum: decorrentes de 
traumas: nódulo ou cisto subcutâneo, assintomático, de cerca de 2 cm, mais 
comum em extremidades. Pode necrosar, abscedar ou ulcerar. Evolução crônica 
2. Invasivas: derivada de foco pulmonar primário: SNC, Olhos, Coração, Ossos 
e articulações. Wangiella dermatitidis pode causar doenças cutâneas, 
neurológias e sistêmicas com mortalidade de 50% 
3. Superficiais: infecções das mãos, pés e unhas, que mimetizam 
dermatofitoses tipo tinha, nas mesmas localizações (p. ex., Scitalidium 
hyalinum, S. dimidiatum) 
4. Alérgicas: nariz, seios paranasais, sinusites e asma: Bipolaris spp., Curvularia 
spp. 
 
Histopatologia do cisto micótico 
Granuloma supurativo com estruturas fúngicas no interior da cavidade cística: hifas, 
pseudo-hifas pigmentadas, cél. de brotamento, leveduras 
Ocasionalmente, um corpo estranho (p. ex.,farpa), também pode ser observado 
Colorações: HE, PAS, Prata 
 
Granuloma supurativo com estruturas fúngicas no interior da cavidade cística (hifas, 
pseudo-hifas pigmentadas, cél. de brotamento, leveduras) 
 
Feohifomicose 
Cultura: idem cromomicose: Colônias marrom-pretas algodonosas 
Microcultivo: distingue o agente 
Exame direto: 
 
Tratamento 
Excisão cirúrgica: cistos, sinusite crônica invasiva 
Disseminada: Anfotericina B 
Outros: 
Calor local: “TERMOTERAPIA” 
Itraconazol 200-600mg/dia: lesões não acessíveis a cirurgia. 
 
Feohifomicose Sistêmica 
Imunocomprometido: infecção oportunista 
Evolução a partir de : 
Infecção cutânea/subcutânea/foco pulmonar 
Seios da face 
Contaminação cirúrgica 
Infusão venosa contaminada 
Clínica: Comprometimento do SNC, invasiva, grave 
Tratamento: 
Correção da imunodepressão, drenagem de abcessos 
Itraconazol 
Anfotericina B + 5-flucitosina 
 
43 
 
TED 2003 
Na feo-hifomicose, quando as hifas se mostram despigmentadas na coloração pela 
hematoxilina/eosina, a técnica de coloração mais adequada para evidenciar o pigmento 
fúngico é denominada: 
a) Fontana-Masson 
b) Giemsa 
c) Pearls 
d) Periodic acid-Schiff (PAS) 
 
TED 2001 
70. T06 - A feohifomicose é: 
a) relativamente freqüente, principalmente em adultos jovens portadores 
de leucoses 
b) é observada com maior freqüência em áreas sujeitas a traumas e 
caracteriza-se, quase sempre, por placas que simulam a cromomicose 
c) pelo fato de o agente etiológico ser idêntico ao da cromicose, os aspectos 
cLínicos são similares e, portanto, a maioria dos casos não é 
diagnosticado 
d) caracteriza-se em geral por lesão cística ou simulando abscesso 
e) caracteriza-se, na maioria das vezes, por lesões atípicas 
 
Micetomas e Botriomicose 
Micetomas 
(“Pé-de-Madura”, Maduromicose) 
Infecção crônica granulomatosa da derme e subcutâneo, geralmente assintomática, que 
pode se estender para fáscia, tendões, músculos e ossos 
Endêmica em zonas de clima tropical e subtropical 
Homens, 20-45 anos, ativ. Rural: 
Adquiridos do solo via inoculação direta na pele: pés são os locais mais comuns, 
seguidos pelas mãos, pernas e joelhos. 
Tríade: 
1) Aumento de volume 
2) Fístulas 
3) Eliminação de grãos: colônias de micro-organismosfirmemente 
agrupados por substância cimentante. Variam de tamanho: milímetros 
até quase um centímetro 
Subtipos 
1) Micetomas 
a. Actinomicetoma ou Micetoma actinomicótico: causado por 
bactérias filamentosas aeróbias da classe actinomycetales 
i. Mais prevalente nas Américas: no Brasil 75% dos casos 
ii. Evolução mais rápida e melhor resposta terapêutica 
b. Eumicetoma ou Micetoma eumicótico: causado por fungos 
verdadeiros 
i. Mais comum na África e Índia 
ii. Evolução mais lenta e maiores dificuldades terapêuticas 
 
2) Botriomicose: Causada por bactérias verdadeiras, por exemplo: 
Staphylococcus aureus, P. aeruginosa, E.coli, Streptococcus sp, Proteus 
 
 
 
 
45 
 
Tratamento será diferente ao tratamento do Micetoma 
actinomicótico 
Formam tumefação tecidual quando invadem a pele e estruturas subcutâneas, 
vísceras e ossos 
Podem fistulizar e produzir grãos á semelhança dos micetomas mas exibem 
localização topográfica, etiopatogenia, tratamento e prognóstico que os distinguem dos 
actinomicetomas 
Pode ser Cervical, torácica, abdominal 
 
Actinomicose Endógena 
Associado à traumas na mucosa, cáries, extração dentária, aspiração 
ou deglutição da bactéria, metástase ou contiguidade 
Agente mais comum: Actinomyces israelli, que é parte da flora normal da 
boca 
Outros: Actinomyces naeslundii; Actinomyces viscosus; Actinomyces meyeri; 
Actinomyces odontolyticus 
 
Actinomicose endógena 
Cérvico-facial: 
Rara, mais comum em homens 
Infecção após manipulação dentária, gengivas, amigdalas, cáries, 
fraturas de face, má higiene bucal 
Torácica: 
Inicia-se com lesão pulmonar, abcessos, pacientes com doença pulmonar 
prévia, enfisema, asma, etc. 
Pode evoluir para mediastino, pleura, parede torácica, pele 
Abdominal: contiguidade por foco pulmonar, pélvico, trauma abdominal perfurante 
HP: infiltrado granulomatoso, microabcessos, grão actinomicótico 
 
Micetomas - Diagnóstico 
Exame direto do grão: KOH 10-20%: 
1. Actinomicetomas: filamentos finos, agrupados, sem septos, com clavas 
na periferia 
2. Eumicetomas: filamentos micelianos entrelaçados, com clamidósporos, 
sem clavas 
3. Botriomicose: grão com células cocóides ou bacilos em meio a 
substância amorfa 
Cultura do grão ou secreção ou fragmento do tecido 
Microcultivo 
Anatomopatológico: 
Processo granulomatoso crônico, microabscessos, grãos conforme a etiologia 
Fenômeno de Splendore-Hoeppli* presente em Actinomicetomas e na 
Botriomicose 
Outros: RX, TC, RNM, USG: definir a presença e extensão do acometimento ósseo e 
partes moles. 
*Deposição de material amorfo, eosinofílico e hialino ao redor de organismos patogênicos, visto 
em algumas doenças fúngicas e parasitárias como reação antígeno-anticorpo local. 
 
Actinomicetomas 
Grão amorfo, filamentos finos e clavas na periferia 
Eumicetomas 
Grão grande, sem clavas na periferia, filamentos micelianos e clamidósporos. 
 
46 
 
Tratamento 
Actinomicetomas 
Formas leves: Sufa-Trimetoprim 1600-320mg/dia 6 meses ou Sulfa-
trimetoprim 800-320mg/dia + Dapsona 100mg/dia 6 meses. 
Formas moderadas e graves: acrescentar amicacina 1g/dia 21 dias 3 ciclos 
com intervalo de 15 dias. Outros: Imipenem + amicacina 
Associar cirurgia + curetagem óssea 
Prognóstico melhor se diagnóstico precoce 
Eumicetomas 
Desapontador 
Anfot B, Ceto 400mg/dia, Itraconazol 400mg/dia 
Melhor opção: Cirurgia + associação do tratamento clínico 
Lesões crônicas: pouco responsivas, ás vezes amputação 
Outros: Voriconazol, Posaconazol 
Botriomicose: 
Cirurgia + tratamento orientado pelo antibiograma 
Sulfa-Trimetoprim, cefalosporinas, doxiciclina 
Se Gran – ou anaeróbios: clindamicina, metronidazol, cefalosporina de 3ª, 
aminoglicosídeos 
Semanas a meses 
Actinomicose endógena 
Penicilina cristalina 18-24milhões de unidades/dia EV 30 dias, seguida de 
penicilina oral ou amoxacilina 6-12 meses 
Outra opção: Penicilina cristalina + metronidazol 1500mg/dia e manutenção 
com amoxicilina 
Ou Amoxicilina + Ác. Clavulínico 1200mg/dia 4 semanas e manutenção com 
amoxicilina 
Abordagem cirúrgica pode ser necessária 
 
TED 2017 
Quanto às características clínicas e epidemiológicas dos micetomas, assinale a 
alternativa CORRETA. 
a) Os locais anatômicos mais comuns de infecção são os pés, seguidos de mãos, 
tórax, abdômen, região cervicofacial e couro cabeludo. 
b) O envolvimento cutâneo é quase sempre bilateral, começando com uma pápula 
indolor. 
c) Na invasão de tecidos mais profundos, podem se formar cavidades nos ossos 
envolvidos, sendo esse quadro, desde o início, sempre muito doloroso. 
d) Os micetomas actinomicóticos são causados por bactérias aeróbicas e 
anaeróbicas, entre elas Acremonium falciforme e Pseudomonas aeruginosa. 
 
TED 2015 
Quanto à actinomicose, é CORRETO afirmar: 
a) Actinomyces podem ser fungos filamentosos ou leveduriformes, dependendo 
do meio de cultura. 
b) A forma cervicofacial é a mais frequente e ocorre preferencialmente no paciente 
do gênero masculino com higiene dental precária. 
c) A infecção respeita o sistema nervoso central porque o agente etiológico não 
ultrapassa a barreira hematoencefálica. 
d) A droga de escolha é a anfotericina B intravenosa por 2 a 6 semanas, seguida de 
itraconazol oral por 6 a 8 meses. 
 
47 
 
TED 2006 - Os Micetomas podem ser causados por várias espécies de fungos 
(eumicetomas) e actinomicetos aeróbios (actinomicetomas). Classifique os agentes de 
micetomas listados na coluna da esquerda de acordo com a coluna da direita e escolha 
a sequencia correta: 
( )Madurella micetomatis (1)eumicetoma 
( )Curvularia lunata (2)actinomicetoma 
( )Acremonium sp 
( )Actinomadura madurae 
( )Streptomyces somaliensis 
( )Nocardia braziliensis 
a) 1,1,1,2,2,2 
b) 1,2,1,2,1,2 
c) 2,2,2,1,1,1 
d) 2,1,2,1,2,1 
 
TED 2004 
22. No micetoma actinomicótico, a cor dos grãos da infecção causada por Nocardia 
braziliensis é: 
a) acastanhada 
b) esbranquiçada 
c) enegrecida 
d) avermelhada 
 
TED 2003 
Na botriomicose, considera-se que: 
a) Actinomicetos são os agentes mais frequentes 
b) Clinicamente confunde-se com sicose 
c) O tratamento de escolha são os triazólicos 
d) O agente etiológico se organiza em grãos 
 
TED 2001 
A botriomicose se caracteriza por: 
a) Pápulas ou pápulo-pústulas no ponto de inoculação do microorganismo 
b) Lesões eczematosas, piogênicas evoluindo para ulcerações recobertas por 
membrana fibrino-purulenta 
c) Tumoração vegetante e fistulosa com eliminação de pus 
d) Nódulos que se ulceram e podem atingir grandes dimensões, deixando 
cicatrizes deformantes quando regridem 
e) Placas ulceradas necróticas onde desenvolvem lesões papilomatosas vegetantes 
ou verrucosas que se recobre de crostas 
 
TED 2001 - Os eumicetomas: 
a) respondem bem ao tratamento com imidazólicos, particularmente 
quando o agente etiológico for a Nocardia braziliensis 
b) podem ser ocasionados por fungos do gênero Acremonium e respondem 
de modo irregular aos tratamentos com imidazólicos 
c) podem ser ocasionados por fungos do gênero Actinomyces e respondem 
bem à anfotericina B 
d) são ocasionados por fungos do gênero Nocardia ou Actinomyces e 
respondem bem às penicilinas na fase inicial do seu aparecimento 
e) apresentam excelente resposta terapêutica com o fluconazol 
 
 
48 
 
TED 2000 
Na actinomicose endógena o tratamento de escolha é: 
a) Penicilina G 
b) Ampicilina em altas doses 
c) Sulfametoxazol/trimetoprima 
d) Cefalexina em doses muito baixas 
e) Cloranfenicol em altas doses 
 
Zigomicoses 
Entomoftoromicoses e mucormicoses 
Causada por fungos da classe dos Zigomicetos caracterizados por hifas cenocíticas 
(sem ou com raros septos) no tecido 
Ordem Mucorales 
Lichtheimia spp 
(Absidiaspp) 
Mucor spp 
Rhizopus spp 
Ordem Entomophthorales 
 Conidiobolus spp 
 Basidiobolus spp 
 
Mucormicose 
Micose profunda sistêmica, fungo oportunista 
Imunodepressão e Diabetes mal controlado/Cetoacidose: fatores de risco 
Ordem Mucorales: Gêneros principais: 
1) Rhizopus spp. (60%) 
2) Absidia spp. 
3) Mucor spp. 
4) Rhyzomucor spp. 
Outros: Rhizomucor e Cunninghamella 
Patogênese: 
Inalação de esporos > infecção respiratória (pneumonia ou sinusite) 
Ingestão de alimentos contaminados 
Lesões cutâneas necróticas: natureza angiocêntrica do patógeno, invasão 
vascular 
 
Epidemiologia 
Distribuição universal 
Fungos saprófitas de vegetais em decomposição, solo, frutas e pão 
Baixa virulência  infecção relacionada a fatores predisponentes do hospedeiro. 
Prognóstico ruim: mortalidade de 75-80% em pacientes neutropênicos 
 
Quadro clínico 
Rinocerebral: inalação > estruturas nasais e paranasais > olhos, palato, faringe, pele, 
cérebro e meninges > edema facial, eritema e áreas de necrose, alterações visuais e 
proptose, alteração do nível de consciência 
Pulmonar: simula pneumonia, bronquite, pleurite > tosse, hemoptise 
Cutânea primária: úlceras, pústulas, lesões nodulares, necróticas 
Gastrintestinal: úlceras, perfurações, dor adominal, diarréia, melena, febre 
Disseminada 
 
 
50 
 
Entomoftoromicoses 
Basidiobolomicose E Conidiobolomicose 
 
Entomoftoromicose 
Micose subcutânea que engloba duas entidades histopatologicamente semelhantes, 
porém clínica e micologicamente distintas: 
Basidiobolomicose: 66% dos casos 
Conidiobolomicose: 34% dos casos 
Afetam hospedeiros imunocompetentes 
Mortalidade baixa (2%) mas recidivas elevadas 
Distribuição: 
Climas quentes e úmidos: no Brasil, região Nordeste 
Predominam em homens 
Fungos sapróbios do solo, detritos de vegetais, trato intestinal de peixes, répteis e 
anfíbios e no caso do Conidiobolus spp de insetos 
 Portas de entrada: 
Inoculação direta: Picadas de insetos/Traumas 
Inalação e ingestão 
 
Basidiobolomicose 
 Infecção subcutânea crônica causada pelo Basidiobolus ranarum 
 Mais comum crianças, sexo masculino, 1ª década (80% < de 20anos) 
Clínica 
Nódulo subcutâneo solitário, indolor e indurado >>> evolui com edema das coxas 
ou nádegas e acometimento muscular 
Geralmente unilateral, membro superior ou inferior, pode atingir o tronco 
 
Conidiobolomicose 
Causada pelo Conidiobolus spp 
Mais comum: Conidiobolus coronatus 
Mais comum em homens de 15-45anos 
Clínica: lesões infiltradas em mucosa nasal e tecido subcutâneo adjacente 
Sinusite, epistaxe, coriza. Posterior invasão de subcutâneo e muscular. Bilateral 
e assintomática. Casos avançados com deformidade intensa 
 
Entomoftoromicoses - diagnóstico 
Exame direto: hifas largas, sem ou com raros septos, com angulação de 45-90°: 
AMBAS 
Cultura: Ágar sabouraud-dextrose com cloranfenicol 
Cultivo em lâmina: individualização/zigósporos típicos 
Anatomopatológico: Reação supurativa rica em eosinófilos. Hifas cenocíticas (sem ou 
raros septos) com angulação de 45-90°, envoltas por reação eosinofílica: Fenômeno de 
Splendore-Hoeppli 
 
Anatomopatológico- PAS 
Hifas cenocíticas (sem ou raros septos) com angulação de 90°, envoltas por reação 
eosinofílica: Fenômeno de Splendore-Hoeppli 
 
Anatomopatológico- Prata 
Hifas cenocíticas (sem ou raros septos) com angulação de 90° 
 
 
 
51 
 
Tratamento 
Basidiobolomicose e Conidiobolomicose 
Droga de escolha: Solução saturada de iodeto de potássio VO 40mg/kg/dia 
mantido por 4-6 semanas após a cura 
Tem ação antifúngica direta. 
Outros: Sulfa-trimetoprim, Itraconazol ou Anfot B. 
 
Lacaziose 
Doença de Jorge Lobo, Blastomicose Queloidiana, Lobomicose 
 
Lacaziose 
Infecção cutânea profunda, crônica, restrita á pele e subcutâneo, de evolução benigna e 
bom prognóstico, caracterizada predominantemente por nódulos cutâneos que 
lembram quelóides 
Predominância na região Amazônica, regiões tropicais e subtropicais, de clima 
quente e úmido, florestas densas, rios e igarapés 
Descrita também em golfinhos 
Predomina em adultos, 20-40anos 
H:M 10:1, atividades rurais, lavradores, seringueiros 
Causador: Lacazia loboi (sinônimos: Loboa loboi e Paracoccidioides loboi) 
 
Lacazia loboi 
Saprófita do solo, vegetais e água 
Apresenta-se abundantemente nos tecidos sob a forma de células leveduriformes 
arredondadas ou ovalados, dupla membrana birrefringente 
Fungo demáceo: Possui melanina na sua parede, ao contrário do P. Braziliensis 
Multiplica-se por gemulação simples, diâmetro uniforme, formas catenuladas (em 
cadeia/rosário), 3 a 6 células 
Ainda não foi possível seu cultivo 
 
Epidemiologia 
Hospedeiro imunocompetente 
Acredita-se que seja inoculado no homem por traumatismos ou ferimentos pré-
existentes 
Periodo de incubação: 1-2anos 
Raros quadros generalizados 
Autoinoculação exógena? 
Contiguidade 
Disseminação via linfática? 
Clínica 
Pápulas e nódulos, lesões queloideanas 
Lesões verrucosas, úlceras, cicatrizes 
Locais mais acometidos:*** 
1º - Membros inferiores 
2º - Pavilhões auriculares 
Ausência de comprometimento visceral ou adenopatia satélite 
Evolução crônica 
Não há registro de comprometimento de mucosas 
Pode haver infecção secundária e degeneração carcinomatosa 
 
Diagnóstico 
EMD: obtido por escarificação ou curetagem das lesões. Riqueza de parasitas 
 
54 
 
Imunossuprimidos, AIDS: 80-90% dos casos(CD4<50), frequentemente desenvolvem 
doença disseminada 
Diminuição da incidência: uso de fluconazol preventivo e da terapia 
antirretroviral no HIV 
Prognóstico ruim, mortalidade > 80% sem tratamento 
Formas clínicas: 
Lesões cutâneas: presentes em 5-10% dos casos: 
Predominam em tronco e face: 
Papulonódulos, pústulas, úlceras, abscessos, herpes-símile ou 
molusco-símiles. MUITAS VEZES PRECEDE A MANIFESTAÇÃO SNC 
1) Pneumonia: Restrita aos pulmões em 90% dos casos. Sintomas: Tosse, 
hemoptise, febre 
2) SNC: meningoencefalite 
 
Diagnóstico 
Material: escarro, LCR, pus, fragmento de biópsia, urina 
Exame micológico direto: leveduras encapsuladas, cápsula não se cora(negativo) 
pela tinta da China(Nanquim) 
Cultura: Colônia leveduriforme 
Anverso: Mucóide, úmido, viscoso. Branco no início, torna-se creme, 
pardacento e escorre no tubo de cultura(“doce de leite”) 
Reverso: claro 
Sorodiagnóstico: Alta sensibilidade (90%) boa especificidade. Falso positivo: AR 
 
HP: leveduras esféricas, cápsula de mucopolissacáride, aspecto radiado 
Colorações: mucicarmim, azul de toluidina, PAS 
Tratamento: 
Anfotericina B deoxicolato 20mg/dia 10 semanas (dose total 2g) + 
Fluorocitosina 150mg/kg/dia VO 
Anfot B lipossomal 
Itraconazol: formas leves e moderadas 
Manutenção: 
Fluconazol 400 a 800 mg/dia 
 
Peniciliose 
Agente Etiológico: Fungo dimórfico Penicillium marneffei 
Ocorre em imunossuprimidos: 
80% dos casos relacionados á AIDS 
30% dos pacientes com AIDS no Sudeste da Ásia são portadores 
Endêmico no sudeste da Ásia e na China 
Acredita-se que o seu reservatório seja 
os ratos dos bambus 
Transmitida por inalação, Inoculação 
ou ingestão 
Afeta pele, medula óssea, fígado e baço: semelhante à histoplasmose 
Lesões cutâneas: 
Pápulas molusco-símiles, Nódulos necróticos, Lesões acneiformes 
Nas mucosas observam-se úlceras e abcessos 
 
Peniciliose – Fase Leveduriforme a 37º 
Microcultivo - Células leveduriformes ovais ou elípticas septadas, dispostas 
linearmente simulando hifas artosporadas 
 
55 
 
 
Peniciliose – Fase Miceliana 25º 
Microcultivo: hifas septadas hialinas e conídios com aspecto de pincel 
 
Anatomopatológico: 
Granulomas frouxos ou bem constituídos 
Reações supurativas 
Leveduras redondas ou ovais dentro dos histiócitos ou extracelular, 
semelhantes ao H. Capsulatum,mas com septos transversos 
Sorologia: aglutinação de látex e ELISA 
Tratamento: 
Não tratada geralmente é fatal 
Itraconazol: Primeira escolha formas leves e moderadas 
Anfot B: formas graves 
 
Aspergilose 
Micose oportunista causada por fungos Aspergillus spp. 
Imunossupressão, neutropenia, AIDS e uso crônico de corticóides: maiores fatores 
de risco para aspergilose invasiva 
Espécies mais comuns: A. fumigatus e o A. flavus 
Clínica: 
1) Aspergilose cutânea primária: queimaduras, traumas, feridas cirúrgicas, 
cateteres intravenosos 
2) Aspergilose cutânea secundária(mais comum): os conídeos são inalados 
> infecção pulmonar primária > disseminação para a pele 
3) Aspergilose disseminada: SNC, rins, coração e pulmões 
 
Microcultivo: Conidióforo: haste de parede lisa, vesícula(cabeça arpergilar) em clava; 
células conidiógenas seriadas 
 
Coccidiodomicose 
Causada pelos fungos dimórficos, altamente virulentos, Coccidioides immitis e C. 
posadasii 
Ocorre predominantemente no verão e no outono, no sudoeste dos EUA, norte do 
México e Américas Central e do Sul 
Homens, jovens, áreas rurais 
Inalado via partículas de poeira 
São os fungos mais virulentos 
já descritos 
Tratamento recalcitrante 
Clínica: 
Infecção assintomática: 60% dos pacientes 
Pulmonar aguda 
Pumonar crônica 
Disseminação para a pele e outros órgãos: depende de vários fatores do hospedeiro: 
verrucosa, pápulas, pústulas, nódulos, úlceras, abcessos, cicatrizes 
Pacientes HIV: lesões molusco-símiles 
Cutânea Primária: rara, inoculação: pápulas, nódulos, placas verrucosas, úlceras e 
abscessos 
 
 
56 
 
Exame direto: 
Pus, aspirado brônquico, escarro, LCR, fragmento de biópsia: presença de esférulas 
com parede birrefringente e endosporos 
Histopatológico: PAS, Grocot ou HE. 
 
Rinosporidiose 
Infecção crônica, granulomatosa, mucocutânea causada pelo Rhinosporidium 
seeberi - protista aquático relacionado a um grupo de parasitas de peixes e anfíbios 
Endêmico no Brasil, Região Nordeste 
Homens 8:1, 30-50 anos 
Transmissão: Inoculação dos esporos em águas estagnadas, açudes(represas) e 
areia. 
Quadro clínico: 
Mucocutânea: 
Lesões polipóides avermelhadas com “pontos” esbranquiçados(que 
correspondem aos cistos), pequenas, friáveis 
Raramente lesões sésseis 
Locais: Membranas mucosas, nasal(80% dos casos), orofaringe, 
ocular(conjuntiva e saco lacrimal), uretra, genitália, laringe, cavidades 
paranasais e pele 
***Lesões nasais: mais comum em homens 
***Lesões oculares: mais comum nas mulheres 
Diagnóstico: 
Exame Direto: cistos com trofozoítos 
HP: Cistos de R. Seeberi em diferentes estágios de maturação 
Esporângio: No seu interior esporangiósporos são eliminados através de um 
poro, sendo lançados na intimidade dos tecidos. 
Cultura: Ainda não cultivado em laboratório. 
Tratamento: 
Cirúrgico: exérese e eletrocoagulação 
Infiltração com Anfotericina B 
Recidiva em 50% dos casos 
 
TED 2003 
A exérese cirúrgica associada á eletrocoagulação é a melhor conduta terapêutica na: 
a) Actinomicose 
b) Mucormicose 
c) Botriomicose 
d) Rinosporidiose 
 
Prototecose 
Rara, não é verdadeiramente uma doença fúngica 
Causa: implantação das algas aclorofiladas P. Wickerhamii (principal), P. 
zopfii, P. stagnora 
Introduzida na pele via trauma, frequentemente no local de exposição á água 
contaminada 
Prototecose 
Clínica: placas cutâneas solitárias, ás vezes eczematosas, nódulos ou úlceras, bursite 
olecraniana 
As extremidades são os locais mais envolvidos 
Imunocompetentes: doença crônica, estável 
Imunossuprimidos: doença disseminada, incluindo alguemia 
 
57 
 
Tratamento: Difícil, excisão cirúrgica e antifúngicos sistêmicos (anfotericina B) são 
mais eficazes em imunocompetentes 
 
• As células são esféricas ou elípticas, de tamanho variável. 
• Esporângios são multicelulares. Células pequenas são produzidas por ruptura 
do esporângio. 
 
Tratamento: 
Itraconazol, Fluconazol e Anfot B intralesional: formas localizadas 
Anfotericina B EV: formas cutâneas extensas ou sistêmicas 
Voriconazol 
Exérese cirúrgica 
Debridamento + tratamento clínico 
 
Micoses Sistêmicas Oportunistas 
Indivíduos com imunodeficiências primárias ou secundárias 
*** Mais comuns: Candidose e Aspergilose 
Seguem-se: Zigomicoses(Mucormicose), Feohifomicoses e as 
Hialohifomicoses(Peniciliose, Fusariose, Scedosporium, Adiaspiromicoses, 
Acremonium, Scopulariopsis, Paecillomyces, etc) 
Pacientes HIV: 
Histoplasmose, coccidioidomicose, peniciliose e criptococose disseminadas 
Patógenos são comumente encontrados no ambiente: 
Aspergillus e Zigomicetos: solo e vegetação em decomposição 
Cryptococcus neoformans: dejetos das aves, pombos 
Penicillium marneffei: sudeste da Ásia, ratos dos bambus 
Candida: biota da pele e do trato gastrointestinal 
 
TED 2017 
QUESTÃO 68 
Assinale a alternativa que contém fungos demáceos. 
a) Acremonium recifei e Aspergilllus spp 
b) Scytalidium dimidiatum e Alternaria spp 
c) Scopulariopsis brevicallis e Penicillium spp 
d) Fusarium spp e Scedosporium spp 
 
EMC SBD 
 As espécies de fungos relacionadas são dimórficas quanto à temperatura, exceto: 
a) Histoplasma capsulatum 
b) Coccidioides posadasii 
c) Cryptococcus neoformans 
 
Fungos dimórficos 
1) Micoses profundas com lesões molusco-símiles 
2) Histoplasmose 
3) Criptococose 
4) Peniciliose 
5) Esporotricose (anais sbd 2011) 
6) Coccidioidomicose

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