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APOSTILA DIR. CONSTITUCIONAL II   PROF. RENATA VELO

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bens. 
 
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2) Estado de sítio defensivo:
 
- Pressupostos materiais (hipóteses de decretação): a declaração de estado de 
guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. 
-Tempo: enquanto durar a guerra.
 
- Pode ser decretada qualquer medida coercitiva. 
- Pressupostos formais de ambos: 
1) Prévia oitiva dos Conselhos da República e do Conselho da Defesa Nacional; 
2) Prévia solicitação do PR ao CN que por maioria absoluta se manifestará. (se em 
recesso será convocado extraordinariamente em 5 dias e permanecerá em 
funcionamento até o fim da medida coercitiva). 
3) Decreto do PR;
 
- Especificação no decreto da duração e das garantias constitucionais que ficarão 
suspensas (no Estado de sítio repressivo) e após o decreto o PR designará o 
executor da medida e a área abrangida; 
 
- Controle: 
- Igual ao Estado de defesa: controle político (prévio: 137; concomitante:140; 
posterior: 141) e jurisdicional (concomitante e posterior:141) 
Obs: Diferença: controle político prévio e não imediato: solicitação do PR ao CN 
para decretar o Estado de Sítio. 
Note: No estado de sítio as imunidades parlamentares também subsistem mas 
podem ser suspensas por dois terços dos membros da Casa no caso de atos 
praticados fora do recinto do CN que sejam incompatíveis com a execução da 
medida. (art. 53, § 8º da CF). 
Veja também: A CF não poderá ser emendada na vigência da intervenção federal, 
estado de defesa e de sítio. (artigo 60§1º da CF). 
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Caso concreto: 
No início do ano de 2017, o Estado do Espírito Santo viveu uma situação séria: 
familiares de PMs acamparam nas portas do batalhões impedindo que os policiais 
saíssem dos quartéis para trabalhar. Impedidos, por lei, de fazer greve, os familiares 
(a maioria esposas ) dos PMs do Estado assumiram um inusitado protagonismo na 
reivindicação por melhores salários para a categoria. A falta de policiamento nas 
ruas levou a uma onda de saques, homicídios em vários pontos da cidade e a um 
sentimento de insegurança generalizada, especialmente em Vitória, capital do 
Estado. Veja a notícia abaixo: (Disponível em: http://g1.globo.com/espirito-
santo/noticia/ 2017/02/governo-do-es- transfere-controle-da-seguranca-forcas-
amadas.html) Espírito Santo: GOVERNO DO ESPÍRITO SANTO TRANSFERE 
CONTROLE DA SEGURANÇA ÀS FORÇAS ARMADAS. Decreto foi publicado no 
'Diário Oficial' do estado nesta quarta-feira . Sem PMs, Exército e Força Nacional 
fazem o patrulhamento nas ruas. O governo do Espírito Santo publicou um decreto 
no "Diário Oficial" desta quarta-feira transferindo o controle da segurança pública no 
estado para as Forças Armadas. O responsável pela operação será o general de 
brigada Adilson Carlos Katibe, comandante da Força-Tarefa Conjunta que está no 
Estado. O decreto foi assinado pelo governador em exercício, César Colnago, e 
pelo Secretário de Segurança Pública, André Garcia. Analise criticamente esta 
situação com base nos temas estudados nesta aula. 
Leitura recomendada: 
(1) ( ARTIGO DOGMÁTICO) 
Mecanismos de Defesa do Estado e Instituições 
Democráticas no Sistema Constitucional de 1988: Estado deDefesa e Estado de 
SítioPEÑA DE MORAES, Humberto. Disponível em : 
http://www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_online/edicoes/revista23/revista23_198.pdf 
(2) ( INFORMATIVO ) 
INFORMATIVO 384 STF. Disponível em: 
http://www.stf.jus.br/arquivo/informativo/ documento/informativo384.htm 
(3) (NOTÍCIAS EBC) http://memoria.ebc.com.br/ agenciabrasil/noticia/2004-04- 12/ 
governo-pode-decretar-estado-de-defesa-no-rio-de-janeiro 
 
 
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Plano de aula 6: Forças armadas e segurança pública: 
 
Resumo: 
 
 
- Forças armadas: Artigos 142/143 da CF. 
 
- Marinha/Exército/Aeronáutica. 
 
- Instituições nacionais e permanentes: função a defesa da pátria, dos Poderes 
constituídos e da lei. (142 da CF). 
 
- Hoje: comandos subordinados ao Ministério da defesa. (Antes da Emenda nº 
23/99: Ministérios). 
 
- Comando superior permanece com o PR (nomeia os comandantes, promove os 
oficiais): Os cargos de comandantes são privativos de oficiais-generais do último 
posto e tem status de Ministro. 
 
- Princípios: hierarquia e disciplina. 
 
- O PR e os comandantes podem aplicar sanções disciplinares administrativas. (Não 
cabe HC em relação a punições disciplinares militares. STF: tem admitido para 
apreciação da legalidade - hierarquia, poder disciplinar, ato ligado à função, pena 
suscetível de ser aplicada administrativamente). 
 
- Regime próprio: 
 
a) proibição de sindicalização e greve; (142, § 3º, IV); 
b) regras do artigo 6º: não se aplicam (trabalho noturno remuneração superior ao 
diurno). 
 
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- Além disso: 
a) enquanto em serviço militar ativo proíbe-se à filiação a partido político. (142, § 3º, 
inciso V da CF). 
 
- Podem ser candidatos (em regra para ser candidato é preciso filiar-se a partido 
político)? Sim, desde que não conscritos, pois estes não podem alistar-se como 
eleitor e logo não podem ser candidatos a cargos eletivos. 
 
- O TSE entende que o registro da candidatura supre a falta de filiação partidária. 
 
- Posse em cargo eletivo: (14, § 8º da CF): 
a) se menos de 10 anos de serviço: deve afastar-se; 
b) se mais de 10 anos de serviço fica agregado e se eleito vai para a reserva. 
 
 
- Posse em cargo ou emprego público (permanente): reserva e posse em cargo ou 
emprego público (temporário): agregado: Artigos 142, § 3º, II e III. 
 
- Prestação de serviço militar é obrigatória: mulheres e eclesiásticos isentos em 
tempos de paz. (143, § 2º da CF). 
 
- Direito de escusa de consciência: serviço alternativo: sob pena de perda dos 
direitos políticos: 5º, VIII da CF e 15, IV da CF. 
 
 
- Segurança pública: 
 
- Dever do Estado e direito e responsabilidade de todos. 
- Função: Preservação da ordem pública, incolumidade de pessoas e patrimônio: 
 
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1) Polícia administrativa-preventiva-ostensiva: 
 
a) Federal: 
 
PF: prevenir e reprimir o tráfico de drogas, contrabando e descaminho, polícia 
marítima, aeroportuária e de fronteiras. 
 
PRF: patrulhamento das rodovias federais. 
 
b) Estadual: 
CBM (tb defesa civil) e PM 
 
2) Polícia Judiciária-investigativa: 
 
a) Federal: PF (infrações penais federais) 
b) Estadual: PC 
 
 
3) Polícia municipal: 144, § 8º: 
 
- Proteção de bens, serviços e instalações (proteção de patrimônio público): Não é 
colaborar com a PC e nem suplementar eventual omissão do Estado em matéria de 
segurança pública. 
- Lei 10.826-2003: porte de arma: mais de 50.000 hab e integrantes de regiões 
metropolitanas. 
 
 
Caso concreto: 
 
Um integrante da polícia militar de determinado estado da Federação pretende 
participar de processo eleitoral na condição de candidato a vereador do município 
onde reside. O militar conta com onze anos de serviço na polícia militar e não possui 
filiação partidária, mas entende que o art. 142, § 3.o, inciso V, da Constituição 
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Federal, que proíbe que o militar, enquanto em serviço ativo, possa estar filiado a 
partido político, aplica-se apenas aos militares federais. Assim, ele pretende 
participar da convenção partidária que vai oficializar a relação de candidatos de 
determinado partido, orientado que foi no sentido de que o registro da candidatura 
suprirá a ausência de prévia filiação partidária. Nessas circunstâncias, o militar 
solicita aos seus superiores a condição de agregado,