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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA Faculdade de Medicina Veterinária Disciplina Anatomia Animal Aplicada à Zootecnia ROTEIRO TEÓRICO-PRÁTICO SOBRE SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS Prof. André Luiz Quagliatto Santos - Responsável. Profa. Lucélia Gonçalves Vieira – Colaboradora. Uberlândia/ 2018 Os órgãos genitais masculinos são constituídos de segmentos contínuos que servem à formação, ao amadurecimento, ao transporte e à transferência das células germinativas masculinas, os espermatozóides. Nas gônadas masculinas, os testículos, produzem os espermatozóides e hormônio (testosterona). Na cauda do epidídimo, os espermatozóides são armazenados até o seu amadurecimento final, e daí transportados para o ducto deferente, alcançando a luz uretral. Nesta parte da uretra, misturam-se às secreções das glândulas acessórias, com a consequente formação do esperma ou sêmen. Durante o acasalamento, o sêmen, passando pela uretra peniana é depositado na genitália feminina. Escroto O escroto é uma evaginação da pele da parede abdominal, em forma de bolsa, que contém os dois testículos. Situa-se na região púbica e nos ruminantes sua forma é caracteristicamente pendular. A localização do escroto é variada dentre os animais domésticos. Nos ruminantes, localiza-se na região inguinal, em felinos é dorsal, em caninos é ventral e a posição intermediária em equinos e suínos. O escroto é dividido por um septo mediano em duas cavidades independentes, cada uma contém um testículo. Externamente, o septo do escroto aparece como uma depressão longitudinal mediana, a rafe do escroto, que em alguns animais apresenta-se bastante profunda, principalmente ao nível da extremidade livre do escroto. Nos bovinos, o escroto está recoberto por pêlos curtos e finos e sua parede é delgada, macia ao tato e geralmente um pouco mais fria que no restante do corpo. Aliás, a temperatura escrotal é mais baixa que a temperatura corporal. A parede do escroto é formada de pele e túnica dartos. A pele é relativamente fina e contém abundante quantidade de glândulas sebáceas e sudoríparas. A túnica dartos situa-se profundamente à pele, à qual está unida por tecido conjuntivo frouxo. É formada por feixes de fibras musculares lisas, dispostas em várias direções. A túnica dartos contribui com a termorregulação testicular. A contração de suas fibras musculares lisas provoca um pregueamento da pele do escroto, esta ação move os testículos para perto da cavidade pélvica, onde podem absorver calor do corpo, quando a temperatura ambiente está muito baixa. Túnicas do testículo, epidídimo e funículo espermático O funículo espermático, também conhecido como cordão espermático, é formado por diversas estruturas. Assim, fazem parte do funículo o ducto deferente, o músculo cremáster, os vasos sanguíneos que suprem e drenam o testículo e o epidídimo (artéria testicular e plexo pampiniforme), vasos linfáticos e os nervos que vão para estes mesmos órgãos. Estas estruturas, situadas no pedículo do escroto, estão envolvidas por diversas túnicas. As de tecidos de tecido (túnicas) que envolvem o funículo espermático, o testículo e o epidídimo são derivados das diversas camadas da parede abdominal. As principais camadas são: pele, túnica dartos, músculo cremáster (continuação do músculo oblíquo interno do abdome) é potente nos ruminantes; apesar de ser músculo estriado esquelético, ele é de controle involuntário. Participa também da termorregulação testicular; sua contração processa-se quando a temperatura ambiente se abaixa. A túnica vaginal é uma serosa de dupla parede. Suas lâminas parietal e visceral delimitam uma cavidade, a cavidade vaginal, que circunda os testículos, o epidídimo e a parte do ducto deferente. A cavidade vaginal comunica-se com a cavidade peritoneal através do canal vaginal, que envolve o funículo espermático. A abertura do canal vaginal na cavidade peritoneal denomina-se ânulo vaginal. Durante a fase pré-natal, o testículo, que se forma na região sublombar da cavidade abdominal, começa a progredir em direção ao escroto (descenso do testículo). A época do nascimento, os testículos já se encontram no escroto. Durante seu descenso, os testículos arrastam, além do epidídimo, vasos, nervos e parte do peritônio. Desta maneira forma-se, como uma evaginação do peritônio dentro do escroto, a túnica vaginal, com suas duas lâminas, parietal e visceral. A lâmina visceral reveste firmemente o testículo, o epidídimo, o ducto deferente e o funículo espermático. O epitélio da túnica vaginal secreta um líquido seroso, que lubrifica as paredes da cavidade vaginal e auxilia no deslizamento do testículo dentro desta cavidade. O acúmulo exagerado de líquido na cavidade vaginal denomina-se hidrocele. Testículos O testículo é um órgão par que se origina em ambos os antímeros na região sublombar, a partir da eminência genital embrionária, de onde os testículos se deslocam da região sublombar para o canal inguinal, até alojarem-se no escroto. Os testículos estão funcionalmente inativos até a puberdade, época em que iniciam a produção de espermatozóides e a secreção de testosterona, responsável pelos caracteres sexuais secundários masculinos. A puberdade inicia-se nos bovinos de raças europeias em torno de 10 a 12 meses de idade; os machos podem então ser utilizados na reprodução logo após terem atingido os 12 meses. No zebu, por outro lado, a puberdade instala-se mais tardiamente, iniciando-se nunca antes dos 16 meses. O animal atinge sua maturidade sexual completa somente entre 22 e 24 meses. Dados obtidos em outros países indicam que a puberdade nos pequenos ruminantes ocorre entre 3 e 4 meses de idade. A posição do escroto e dos testículos varia de acordo com a espécie animal. No equino, o eixo longitudinal de cada testículo é quase horizontal e os testículos ficam juntos à parede abdominal, perto do anel inguinal superficial. Os testículos do varrão (suíno) são caudais à flexura sigmoide do pênis, logo ventral ao ânus. Nos ruminantes, os testículos ficam próximos da flexura sigmóide do pênis; o eixo longitudinal de cada testículo nessas espécies é quase vertical, de modo que o escroto do ruminante é alongado dorsoventralmente e pendular. A forma dos testículos nos ruminantes domésticos é ovóide, sendo nos bovinos um pouco mais alongada. Seu comprimento é, em média, de 15 cm nos bovinos, 6 a 8 cm nos ovinos e 4 a 6 cm nos caprinos. Os testículos de bovinos europeus são relativamente maiores que os de bovinos zebus. Há também variações raciais quanto ao tamanho dos testículos. A hipoplasia, isto é, desenvolvimento subnormal dos testículos, é uma ocorrência relativamente frequente no Brasil. Os testículos hipoplásicos, além de terem tamanho menor que o normal, apresentam graves distúrbios em sua fisiologia. Cada testículo apresenta duas extremidades: extremidade capitata e extremidade caudata; duas faces: face lateral e face medial e duas bordas: borda livre e borda epididimal. As duas extremidades são também conhecidas como polos e recebem os nomes de capitata e caudata devido a se relacionarem, respectivamente, com a cabeça e a cauda do epidídimo. Nos ruminantes, a extremidade capitata é dorsal e a extremidade caudata é ventral. As faces lateral e medial são convexas, porém a medial tem convexidade menos acentuada que a lateral. A borda epididimal situa-se caudalmente e nela prende-se o corpo do epidídimo. A borda livre é convexa e está voltada cranialmente. O testículo é envolvido por uma resistente cápsula de tecidoconjuntivo, a túnica albugínea de cor esbranquiçada (daí sua denominação), onde existem veias e artérias testiculares. A maioria dos ramos penetrantes da artéria testicular que alcança o mediastino volta-se para distribuir-se no parênquima. A túnica albugínea mantém o parênquima testicular sob pressão, de modo que um aumento de volume, como em inflamação, provoca fortes dores. A partir da túnica albugínea, projetam-se septos para o interior do testículo, que dividem o parênquima testicular em lóbulos (exceto no equino). Esses septos de tecido conjuntivos unem-se no eixo do testículo ou são um pouco deslocados para o epidídimo, formando o mediastino testicular. Este apresenta uma disposição longitudinal, em forma de cordão, iniciando-se um pouco abaixo do meio do testículo e dirigindo-se para a extremidade capitata, em cuja superfície termina. Em cada lóbulo contém os túbulos seminíferos, estes são muito contorcidos e unidos pelos túbulos retos à rede do testículo. São nos túbulos seminíferos o local que é produzido os espermatozóides. A rede do testículo situa-se no mediastino testicular. Da rede dos testículos saem os dúctulos eferentes do testículo, em número de 10 a 15, e penetram no epidídimo, onde irão constituir o ducto do epidídimo. A produção de espermatozóides começa nas células germinais indiferenciadas, chamadas de espermatogônias, que revestem a periferia dos túbulos seminíferos. Nos testículos embrionários, as células germinativas se diferenciam em espermatogônias, que permanecem inativas durante a infância do animal. Na puberdade começam a apresentar mitoses, depois meiose (formando os espermatócito primário e secundário) e, finalmente, diferenciação para, eventualmente, produzirem esperma. Entre as células espermatogênicas, situadas nos túbulos, ficam as grandes células de Sertoli ou células de sustentação. Estas células sustentam e protegem as células espermatogênicas em desenvolvimento; alimentam os espermatócitos; fagocitam o excesso de espermátides, controlam os movimentos das células espermatogênicas e a liberação do esperma. Também produzem líquido para o transporte do esperma. Nos espaços entre os túbulos seminíferos adjacentes ficam células, chamadas de células de Leydig ou endocrinócitos intersticiais. Estas células secretam testosterona. Ductos do testículo: Seguindo sua produção, os espermatozóides movem-se ao longo dos túbulos seminíferos contorcidos até os túbulos seminíferos retos. Estes túbulos retos levam a uma série de ductos nos testículos chamados de rede do testículo. Algumas células de revestimento da rede do testículo possuem cílios, que auxiliam na movimentação dos espermatozóides. Os espermatozóides são então, levados para fora dos testículos e para dentro do epidídimo. Descida ou descenso dos testículos Os testículos formam-se no interior da cavidade abdominal. Posteriormente inicia-se um processo de deslocamento para se alojarem definitivamente no escroto. Neste processo de deslocamento, conhecido como descenso ou descida dos testículos, têm importância a tração exercida pelo gubernáculo do testículo. Este gubernáculo é constituído por um ligamento que prende o polo caudal do testículo à parede do escroto em desenvolvimento. À medida que o escroto se desenvolve, o gubernáculo sofre um processo de encurtamento e o testículo é tracionado para o interior da bolsa escrotal. O testículo, ao se deslocar para o escroto, arrasta consigo uma evaginação do peritônio, o processo vaginal, que se converterá mais tarde na túnica vaginal. O gubernáculo, por sua vez, persistirá no adulto como ligamento próprio do testículo. A permanência dos testículos dentro da cavidade abdominal, isto é, a não ocorrência do processo de descenso, é chamada criptorquidia e pode ser uni ou bilateral. A criptorquidia afeta a espermatogênese, mas não a produção dos hormônios androgênicos. Nos animais domésticos, a época do descenso dos testículos varia bastante entre as espécies. Assim, no cavalo e no porco ele se inicia na época do nascimento; já nos ruminantes o processo é mais precoce, iniciando-se bem antes do nascimento e no cão, pelo contrário, o descenso se dá bem depois do nascimento. Termorregulação dos testículos: É necessário que a temperatura do testículo esteja entre 4 e 7 graus abaixo da temperatura orgânica para que a espermatogênese ocorra. A termorregulação testicular é garantida através de: 1. Mecanismo de contra-corrente no plexo pampiniforme do cordão espermático. Ocorre troca de calor por contra-corrente entre o sangue venoso resfriado que sobe e o arterial na temperatura corporal que desce; 2. Ação da contração da túnica dartos que promove o enrugamento e espessamento da bolsa 3. Ação do músculo cremáster que aproximam (quando contraem nas baixas temperaturas) ou afastam (quando relaxam nas altas temperaturas) os testículos da parede abdominal. 4. Localização em bolsa cutânea pendulosa. 5. Ausência de gordura subcutânea 6· Presença de glândulas sudoríparas Epidídimo O epidídimo é um órgão bem desenvolvido nos ruminantes, especialmente nos ovinos e caprinos. Sua forma geral assemelha-se a um “C”, aplicado à borda epididimal do testículo, desde a extremidade capitata até a extremidade caudata, onde se continua com o ducto deferente. No epidídimo, os espermatozóides são armazenados e completam o seu desenvolvimento. O epidídimo consta de três partes: cabeça, corpo e cauda. A cabeça está aplicada à extremidade capitata do testículo, apresentando contorno aproximadamente triangular. Os dúctulos eferentes do testículo alcançam a cabeça do epidídimo e abrem-se num ducto único, o ducto do epidídimo. O corpo é a parte mais estreita do epidídimo, dispondo-se ao longo da borda epididimal do testículo. A cauda do epidídimo está apenas à extremidade caudata do testículo. Tem forma globosa e é bem desenvolvida, sendo facilmente perceptível pelo tato, exteriormente. Após deixar a cauda do epidídimo, o ducto do epidídimo continua medialmente como ducto deferente. O comprimento do epidídimo dos mamíferos é variável: garanhão (72-81m), touro (40-50m), carneiro e bode (47-52m), suíno (17-18m), cão (5-8m) e gato (4-6m). Ducto deferente Na cauda do epidídimo o ducto do epidídimo fica menos contorcido e seu diâmetro aumenta. A partir desse ponto ele passa a ser chamado de ducto deferente. É um tubo de parede muscular espessa, que lhe dá grande resistência e dureza ao tato. Sua porção inicial corre medialmente ao corpo do epidídimo e apresenta-se um pouco contorcida. Ao nível do funículo espermático apresenta-se retilíneo e sobe medialmente ao plexo pampiniforme. Alcança a cavidade abdominal através do canal vaginal. Na cavidade abdominal, afasta-se das outras estruturas do funículo espermático e curva-se caudalmente, em direção à uretra. Na cavidade abdominal, cruza medialmente o ureter para correr juntamente com este e desemboca na parte inicial da uretra, integrando, assim, o colículo seminal. Antes de sua desembocadura, o ducto deferente apresenta uma dilatação, formando a ampola do ducto deferente, que contém glândulas no seu interior, a glândula ampular, sendo, por isso, designada como parte glandular do ducto deferente. Nos ruminantes e nos equinos, o ducto deferente une-se, antes da sua desembocadura, com o ducto excretor da glândula vesicular, para formar o ducto ejaculatório. Funcionalmente, o ducto deferente conduz espermatozóides do epidídimo para a uretra por meio de contrações peristálticas da túnica muscular. Este ducto também armazena espermatozóides que podem permanecer viáveis e por fim, os espermatozóides que não são ejaculadossão reabsorvidos. Uretra masculina A uretra masculina é um órgão tubular, comum aos sistemas reprodutor e urinário, que se estende desde o colo da bexiga (óstio interno da uretra) até o exterior (óstio externo da uretra). Corre no assoalho da cavidade pélvica, onde recebe os ductos excretores das glândulas genitais acessórias e os ductos deferentes e, em seguida, corre parte na ventral do pênis. A uretra divide-se em duas partes: pélvica e esponjosa (peniana). A parte pélvica da uretra tem como limite cranial o óstio interno da uretra e como limite caudal o ponto em que ultrapassa o arco isquiático para se continuar no bulbo do pênis. Próximo ao colo da bexiga, a crista uretral forma uma dilatação ovóide, o colículo seminal, no qual se situam os óstios ejaculatórios. A cada lado do colículo encontra-se uma cavidade, o seio prostático, no qual se abrem numerosos ductos excretores da próstata. Na parte peniana, a uretra é envolvida por tecido esponjoso que se prolonga até a extremidade do pênis. Glândulas genitais acessórias As glândulas genitais anexas estão situadas na parte pélvica da uretra. Fundamentalmente, diferenciam-se: glândula vesicular, próstata e glândula bulbouretral. Glândula vesicular A glândula vesicular (ou vesículas seminais no equino) está presente como estrutura par em todos os machos dos animais domésticos, com exceção do cão e gato. Seu ducto excretor se junta, nos ruminantes e no equino, um pouco antes da desembocadura, com o ducto deferente, formando o ducto ejaculatório. No suíno, desembocam isoladamente, em regra, ao lado do colículo seminal, na uretra. As glândulas vesiculares têm, no equino, uma superfície lisa e apresentam uma cavidade ampla, envolta por uma parede musculosa. Nas outras espécies animais, esta glândula possui vesículas salientes. No suíno, as glândulas são especialmente desenvolvidas, apresentando uma forma triangular. Esta glândula tem a função de secreção do líquido seminal no qual estão contidos os espermatozóides. Esta secreção possui papel de nutrição e de manutenção do pH. Próstata A próstata está presente em todos os machos dos animais domésticos. É formada por um corpo e uma parte disseminada. A parte disseminada forma uma camada glandular relativamente espessa na parede dorsal da uretra, logo abaixo do músculo uretral. Os múltiplos ductos da próstata abrem-se em duas fileiras paralelas, uma de cada lado, do lúmen da uretra (seio prostático). A próstata produz uma secreção alcalina que confere ao sêmen seu odor característico. Em animais machos idosos inteiros, a próstata pode aumentar de tamanho e interferir na micção. A função da próstata é produzir fluído prostático, o qual corresponde à terceira fração do ejaculado e possui a função de fornecer suporte para os espermatozóides durante a ejaculação. O fluído prostático é composto por citrato, lactato, colesterol e vários outros componentes, incluindo diferentes sais, e glicoproteínas. Glândula bulbouretral As glândulas bulbouretrais ocorrem em todos os animais domésticos (exceto no cão) como estrutura par situada na extremidade caudal da parte pélvica da uretra. São estruturas pequenas e arredondadas. No varrão (suíno) essas estruturas extraordinariamente desenvolvidas, cilíndricas, localizando-se na parte pélvica da uretra, lateralmente em todo o seu comprimento. Possuem um largo ducto excretor, que, após atravessar o bulbo do pênis, desemboca na parede dorsal da uretra. Durante a cópula, as glândulas bulbouretrais secretam uma substância alcalina que protege os espermatozóides que passam, neutralizando os ácidos provenientes da urina na uretra. Ao mesmo tempo secretam muco, que lubrifica a extremidade do pênis. Observação: As ampolas são aumentos glandulares associados as partes terminais dos ductos deferentes. São bem desenvolvidas no garanhão, touro e no carneiro, mas estão ausentes no varrão. As glândulas das ampolas esvaziam-se nos ductos deferentes e contribuem para o volume do sêmen. Sêmen O sêmen é uma mistura de espermatozóides e de líquido seminal, um líquido que consiste nas secreções dos túbulos seminíferos, glândulas vesiculares, próstata e glândulas bulbouretrais. Por fim, a secreção prostática dá ao sêmen aparência leitosa, enquanto o líquido proveniente das glândulas vesiculares e glândulas bulbouretrais lhe dá a consistência viscosa. O líquido seminal fornece ao espermatozóide um meio de transporte e nutrientes e neutraliza o meio ácido hostil da uretra masculina e da vagina. Pênis O pênis é o órgão masculino da cópula. Seu contorno é mais ou menos cilíndrico e seu comprimento varia de 60 a 80 cm nos bovinos, medindo cerca de 30 cm nos pequenos ruminantes. O pênis é constituído essencialmente por corpos de tecido erétil, os corpos cavernoso e esponjoso. Os corpos cavernosos estão dispostos lado a lado na porção dorsal do órgão. O corpo esponjoso envolve a uretra e situa-se medial e ventralmente em relação aos corpos cavernosos. É constituído de raiz e corpo. A raiz do pênis compõe-se de dois ramos e do bulbo do pênis. Cada ramo fixa-se à face ventral do ísquio, próximo ao arco isquiático. Os ramos são curtos e constituídos de tecido erétil, recoberto por uma túnica albugínea. Cada ramo está coberto pelo músculo isquiocavernoso e, após curto trajeto, os dois ramos se fundem, formando o corpo cavernoso do pênis. O bulbo do pênis está localizado entre os dois ramos, ao nível da abertura caudal da pelve. É reduzido e está constituído por tecido erétil no qual a uretra prossegue seu curso. O bulbo é coberto pelo músculo bulbo-esponjoso, do qual está separado por uma forte cápsula conjuntiva. O bulbo estende-se distalmente como corpo esponjoso do pênis. Contrações dos músculos isquiocarvenoso, bulboesponjoso e uretrais auxiliam na ejeção do sêmen. O corpo do pênis constitui a sua maior porção e, nos ruminantes domésticos e no cachaço, apresenta característica flexura sigmóidea, formada por dupla curvatura em forma de S, sendo a primeira curvatura de convexidade cranial e a segunda de convexidade caudal. Após a flexura sigmóidea, o corpo do pênis apresenta-se mais ou menos retilíneo no sentido cranial. O corpo do pênis apresenta em sua extremidade cranial uma parte livre. Ela está revestida por uma mucosa que se continua com a lâmina interna do prepúcio. O corpo apresenta dorso, faces laterais e face uretral. Do dorso originam-se, próximo à raiz do pênis, duas cintas conjuntivas resistentes que se prendem à sínfise isquiática e são denominadas, em conjunto, ligamento suspensor do pênis. Entre as duas cintas do ligamento suspensor passam os vasos e nervos dorsais do pênis. As duas faces laterais são ligeiramente convexas, percorridas pelos músculos retratores do pênis, que aí se inserem. A face uretral está voltada ventralmente e apresenta o sulco uretral, por onde passa a uretra. Os corpos cavernosos e o corpo esponjoso constituem a massa do corpo do pênis. Os corpos cavernosos formados principalmente por tecido conjuntivo muito denso, cujas trabéculas estão organizadas principalmente no sentido dorsoventral, e percorridos pelas artérias do corpo cavernoso. O corpo cavernoso assim constituído está envolvido por uma túnica albugínea própria, que o separa do corpo esponjoso. As fibras conjuntivas desta túnica estão dispostas de maneira predominantemente circular. O corpo esponjoso do pênis ocupa a porção ventral deste e envolve a uretra. Ele também possui uma túnica albugínea, que o torna bem individualizado. Todo o corpo do pênis está envolvido por uma túnica albugínea comum, mais espessada emtorno do corpo esponjoso e cujas fibras se dispõem principalmente no sentido longitudinal. A extremidade livre do pênis é afilada nos bovinos e apresenta, no ápice, uma discreta dilatação, mais evidente nos pequenos ruminantes, que pode ser denominada também de glande do pênis. Deve-se salientar, porém, que a glande dos ruminantes não corresponde estruturalmente àquela do homem e de outros animais. A extremidade livre do pênis é ligeiramente torcida para a direita, de maneira que o sulco uretral aparece lateralmente. Esta torção é devida ao arranjo das fibras longitudinais da túnica albugínea. Nos pequenos ruminantes, a uretra avança além do ápice da extremidade livre por 2 ou 3 cm, constituindo uma projeção afilada, o processo uretral, no ápice do qual situa-se o óstio externo da uretra. Nos bovinos, o processo uretral é reduzido. Segundo a constituição do corpo cavernoso do pênis, são diferenciados, nos mamíferos, dois tipos de pênis. Nas espécies de animais nas quais o tecido fibroelástico envolve pequenos espaços sanguíneos, fala-se do tipo de pênis fibroelástico (ruminante e suíno). Se espaços sanguíneos maiores forem limitados por septos finos, musculosos, temos o tipo de pênis musculocavernoso (equino, cão e gato). No pênis tipo fibroelástico, observa-se a flexura sigmóide (participa no prolongamento do pênis). A extremidade distal do corpo esponjoso do pênis é uma região ligeiramente aumentada, chamada glande do pênis. Recobrindo a glande tem-se o prepúcio frouxamente aderido. No cão, a volumosa glande, constituída de uma longa parte cranial e uma parte caudal bulbosa, é suportada pelo osso peniano. Este osso, que não tem conexão com o esqueleto, origina-se da ossificação da extremidade distal do corpo cavernoso do pênis. Ventralmente ao osso peniano situa-se a uretra. A forma especial da glande, constituída de um bulbo na sua parte caudal, no cão, é responsável pelo aprisionamento do macho durante o acasalamento com a fêmea. Isso é importante porque os cães possuem uma ejaculação por “gotejamento”, ou seja, eles liberam o esperma parceladamente, e podem demorar cerca de 40 minutos naquela posição estranha, conhecida como “engatar”. Esse engate na hora da cópula parece ser uma forma de minimizar as perdas de esperma e garantir a fecundação. No gato, a glande em estado quiescente é dirigida caudalmente. Ela contém um pequeno osso peniano (5-8mm). A glande do gato possui, no pênis relaxado, papilas córneas com direção proximal, que, na ereção posicionam-se radialmente. Após castração elas regridem. Durante a ereção, o pênis do gato é deslocado para frente com o auxilio do ligamento apical do pênis. A presença do osso peniano em cães e gatos facilita a penetração. No gato, a presença de espículas na glande do pênis é importante para a estimulação vaginal. O pênis do gato ao penetrar a fêmea não machuca, mas no final da cópula, ao retirar o pênis, este sai arranhando a parede da vagina promovendo dor e a liberação de hormônios e este induz a ovulação. O suíno contém o pênis com um formato de saca rolhas e uma prega mucosa recobrindo a glande. Prepúcio O prepúcio é uma bolsa cutânea de forma tubular, na qual está alojada a parte livre do pênis. Sua parede é formada por uma lâmina externa, revestida de pêlos e contínua com a pele do abdome e uma lâmina interna, com aspecto de mucosa e contínua com o revestimento epidérmico da parte livre do pênis. A cavidade do prepúcio comunica-se com o exterior por meio do óstio prepucial, através do qual o pênis se exterioriza durante a micção e a ereção. Em algumas raças zebus, o prepúcio é caracteristicamente alongado e pendente. No suíno, encontra-se, dorsalmente sobre o orifício prepucial, o divertículo prepucial, separado em duas metades por um septo localizado medialmente. Ele tem uma capacidade de cerca de 135 ml, contendo restos de urina, bem como células descamadas, e exala o desagradável odor do reprodutor suíno. Ereção e ejaculação A ereção inicia-se com a turgescência do corpo cavernoso; a seguir, por meio do bloqueio valvular das veias, enchem-se os inúmeros espaços do corpo esponjoso. Retrocesso da ereção, após ejaculação, segue-se na mesma sequencia: primeiro esvazia- se o corpo cavernoso e depois os espaços do corpo esponjoso. Durante a ereção o músculo retrator do pênis dos ruminantes e suínos relaxa e permite a extensão da flexura sigmoide. Os movimentos peristálticos durante a ejaculação são atribuídos às células musculares lisas presentes na parede dos ductos do epidídimo e ducto deferente, que transportam os espermatozóides, em fluxo contínuo. A ereção do pênis precisa estar completa para a ejaculação durante o processo de acasalamento. O prolongamento do pênis fibroelástico exige menos sangue para a distensão da flexura sigmóide. A ereção completa acontece, por isso, em curto espaço de tempo. Em animais com pênis musculocavernoso, isto é, no garanhão, no cão e no gato, existem numerosas cavernas mais amplas a serem preenchidas com sangue, de modo, que a ereção exige mais tempo. SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO – PARTE PRÁTICA 1. Observe no escroto: - Na parede do escroto a pele e a túnica dartos; - Septo mediano do escroto (divide o escroto em dois compartimentos). 2. Observe o comprimento e morfologia do testículo nos diferentes animais domésticos. 3. Identifique no testículo isoladamente, as seguintes estruturas: - Túnica albugínea; - Extremidade capitata e caudata do testículo; - Faces lateral e medial do testículo; - Bordas livres e epididimal do testículo; - Parênquima testicular; - No testículo seccionado veja que o parênquima apresenta poros. Estes representam os milhares de túbulos seminíferos seccionados; - Observe ainda o mediastino testicular; - Ligamento próprio do testículo. 4. Observe o epidídimo, este se encontra acoplado ao testículo. Note sua morfologia semelhante a um “C”. Identifique a cabeça, corpo e cauda. 5. Identifique o ducto deferente e note sua relação com a cauda do epidídimo. 6. Observe a desembocadura do ducto deferente na uretra pelvina. Note que a este nível o ducto deferente se dilata formando a ampola do ducto deferente (ausente no varrão). 7. Identificar o funículo espermático: artéria e veia testiculares, estas se mostram enoveladas constituindo o plexo pampiniforme e músculo cremáster. 8. No trajeto da uretra identifique: - Observe o segmento inicial da uretra pelvina, veja a sua transição com a bexiga urinária marcada pelo óstio interno da uretra. - Veja em um segmento da uretra pelvina seccionada o músculo uretral; - Na mucosa, identifique as cristas uretrais, o colículo seminal, os óstios ejaculatórios e o seio prostático. - Acompanhe a uretra peniana envolvida pelo o corpo esponjoso do pênis até sua transição com o meio exterior marcada pelo óstio externo da uretra; - Observe nos ruminantes e equinos a projeção uretral denominado processo uretral. 9. No pênis dos animais domésticos identifique as seguintes estruturas: - Raiz do pênis constituída pelos ramos e bulbo; - Músculo isquiocavernoso e bulboesponjoso; - Músculo retrator do pênis; - Flexura sigmóide (presente nos ruminantes e varrão); - Em cortes transversais do corpo do pênis identifique os corpos cavernosos e o corpo esponjoso, este está atravessado pela uretra peniana; - Glande do pênis, que representa a extremidade livre do pênis; - Osso peniano; - Bulbo da glande. 10. Identifique as seguintes glândulas anexas: - Glândula vesicular; - Próstata; - Glândula bulbouretral.