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O Livro da Lei Para o Povo Suplicante 
 
 
 
 
 
 
 
 
CIF - BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE 
 
 
 
 
O Livro da Lei (Líber Legis) Para O Povo Suplicante 
Comentários de Panyatara (Jayr Rosa de Miranda) 
sobre os três capítulos do 
 “Líber Legis”, “A Estela da Revelação” e “O Mistério do Baphomet” 
 
 
 
Capa: Foto cedida por Francisca de Souza Hardy 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fundação Biblioteca Nacional 
Ministério da Cultura 
Registro n° 141.283 
Livro: 227 - Folha: 323 
 
 
 
ÍNDICE 
 
 
Preceitos da Alvorada 4 
Prefácio 
 
8 
Prólogo 
 
10 
Preliminares 
 
15 
Comentários sobre a Capa do Líber Legis 
 
21 
Exaltação a Nuit 
 
22 
Esclarecendo sobre os Mantras Hadit e Nuit 
 
23 
Primeiro Capítulo do Livro da Lei Comentado 
 
30 
Segundo Capítulo do Livro da Lei Comentado 
 
82 
Terceiro Capítulo do Livro da Lei Comentado 
 
128 
A Estela da Revelação 
 
201 
O Mistério do Baphomet 
 
211 
Conclusão 
 
223 
Comparando 
 
226 
Significado de algumas palavras egípcias 
 
236 
Anexo 
 Figura: ANATOMIÆ OCCULTII 
 
240 
Referências Bibliográficas 
 
241 
 
 
 
 
 
 
PRECEITOS DA ALVORADA 
 
 
Creio em Deus, Grande Arquiteto do Universo, em Seu duplo aspecto de 
Pai e Mãe e na Força Crística, o Amor Divino implantado no mais íntimo de toda 
a humanidade. 
Creio que, antes de me fazer um só com o Espírito Universal e 
compreender a ação da Lei Espiritual, deve morrer o ser inferior e emergir o ser 
superior e novamente nascer. 
Creio que eu mesmo julgarei as minhas faltas e encontrarei minha 
punição, esclarecido pela Grande Luz de Deus que está dentro de mim. 
Creio em um Deus de Amor, Pai e Mãe de toda humanidade e na 
comunhão e trabalho conjunto dos Anjos e das Almas regeneradas. 
Creio em minha união com todos os reinos da Natureza e no sagrado de 
toda a vida; esforçar-me-ei, com ajuda de Deus, para ver o bem em tudo, para 
me abster de tudo aquilo que conduz à vaidade, à ilusão, à impureza e ao apego 
do poder terrestre; esforçar-me-ei por estar ao lado dos aflitos, dar conselhos 
sinceros e impessoais a todos que procurem a minha ajuda e enviar pensamentos 
de paz aos que lutam e sofrem. Farei todos os dias algum trabalho para Deus e 
obedecerei às leis da hospitalidade. Tentarei cumprir minhas tarefas diárias de 
bom coração e tão preparado quanto me permitam as circunstâncias. 
Lembrar-me-ei de que sou o templo de Deus Vivo. Procurá-Lo-ei 
interiormente, sabendo que no mais íntimo nasce o Radiante, Senhor do passado 
e do futuro, Senhor de todos os espaços e que, no entanto, está sempre mais 
próximo do que a própria mão. 
Creio que pelo esforço contínuo chega-se ao Eterno e pela união com os 
Pais Divinos, desejos e tristezas desaparecem. 
Creio que, se quiser a libertação dos renascimentos, devo cumprir a Lei, 
compreender a natureza do Fogo Celestial e alcançar a Sabedoria Oculta. 
Procurarei que a minha mente não seja perturbada pelas coisas do 
mundo e não ser dominado pelas paixões e egoísmo; procurarei ser paciente no 
sofrimento e ter contentamento e gratidão. 
Lembrar-me-ei de que todas as épocas foram nutridas pela Majestade de 
Deus – A Essência Crística que impregna a tudo e que todas as raças foram 
chamadas a ouvir a Voz de Deus, cada uma sob o aspecto e forma que mais lhe 
eram propícios. 
Assim, com esse conhecimento, estarei em harmonia com tudo e poderei 
reverenciar a Deus em qualquer Templo e lugar e sob qualquer aspecto que O 
encontrar. Amém. 
I-Em-Hotep. 
 
 
 
 
O Livro da Lei para o Povo Suplicante 
 
 
 
 
 
 
Nossa homenagem: 
 
A 
Macarios Ptócos (Frater R+C.) 
Cuja iniciativa foi fundamental para incentivar-me na 
realização deste humilde trabalho. 
 
A Déa Magalhães Bittencourt (Ramalhete) 
Pelas “flores” que ajudou a materializar em nossa mente. 
 
 
 
 
 
 
 
Agradecimentos: 
 
A 
Dulce Oiticica 
 
Por tornarem possível este livro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Panyatara. 
 
 
 
O Livro da Lei para o Povo Suplicante 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“O CONHECIMENTO REAL NÃO É CONSTRUÇÃO 
DE ALGUNS DIAS; É OBRA DO TEMPO”. 
 
 
 
 
 
A.L. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Livro da Lei para o Povo Suplicante 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Considerando a natureza da presente obra, o Autor dispõe-se a 
atender a consultas e pedidos de esclarecimentos que possam ocorrer 
entre os leitores mais interessados. 
Os pedidos poderão ser dirigidos por E-mail para: 
panyata@globo.com 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
 
 
PREFÁCIO 
 
Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei∴ 
 
“Podemos estar com Crowley, 
 Contra Crowley, 
 Porém, nunca sem Crowley”. 
 Fr. Tito C. da Costa. 
 
 
 
Este livro, escrito por Panyatara, Irmão Jayr Rosa de 
Miranda, é o resultado de um longo período de estudo, meditação e 
aprofundamento, na compreensão do Líber Al vel Legis (O Livro da 
Lei), recebido por Aleister Crowley, ou segundo alguns, por sua esposa 
Rose Crowley, em 8, 9 e 10 de abril de 1904. 
 
O Mestre Therion, ao publicar a obra com o “caráter 
metafórico, cabalístico, cósmico e mágico”, como diz o autor no 
prólogo, página 09, abriu os portais para a Era de Aquário, cujos 
ensinamentos foram aproveitados por várias ordens iniciáticas, porém 
o texto ainda continua velado para vários buscadores sinceros. 
 
Os Thelemitas e o Povo Suplicante necessitavam de uma 
obra básica escrita em português, introdutória ao Livro da Lei, para 
enfrentar os desafios textuais, pois “O desafio é fundamental à 
constituição do saber” (...), principalmente do saber hermético, no qual 
pensar é criar, e para criar, é necessário vencer o medo e obter a 
liberdade de pensar. 
 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
A criação pode não materializar-se de pronto, mas o 
objeto formado pelo poder mental vive, e por certo o desafio 
mencionado neste livro será vencido pelo Povo Suplicante. Por 
derradeiro, quero elogiar o autor desta obra pela coragem, pela 
pesquisa e pela sincera exposição do Livro da Lei, a “serviço dos mais 
humildes” (autor, p.09) ou iniciantes. É com grata satisfação que a 
recomendo a todos os estudiosos. 
Ao finalizar, agradeço a Panyatara a oportunidade de 
prefaciá-la, augurando-lhe êxito, reedição e acolhimento pelos 
estudiosos das ciências herméticas e pelos Thelemitas do Brasil e da 
América Latina. 
 
Campo Grande (MS), 27 de outubro de 1998. 
 Tito Corrêa da Costa 
 Ŧr. Tito Corrêa da Costa∴ 
Ir. Maior da F.R.A., da O.T.O, da A. A. Gr. 33 – REAA. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRÓLOGO 
 
 
Este trabalho surgiu de uma solicitação feita por algumas irmãs, com 
alguns anos de freqüência em estudos esotéricos, que desejavam ardentemente 
conhecer o significado oculto de alguns quesitos existentes numa revista Gnose, 
publicação da F. R. A. de 27 de fevereiro de 1943. Como as respostas implicavam 
em algo que também permitiriam atender ao cumprimento de uma promessa feita a 
um amigo de muitas vidas, residente numa cidade interiorana de Minas Gerais, foi 
um grande prazer a oportunidade de atendê-las, pois assim, estaria atendendo 
àquele também. 
Tudo se baseava na compreensão do Liber Al Vel Legis, obra recebida 
por Aleister Crowley1 nos dias 8, 9 e 10 de abril de 1904, de forma mediúnica, de 
acordo com as suas próprias palavras, quando afirma que Aiwass, a entidadecomunicante, que acreditou ser seu Anjo Guardião, era uma entidade “diferente” de 
si mesmo, que lhe ditou a totalidade do livro naqueles três dias. 
O caráter metafórico, cabalístico, cósmico e mágico como o livro foi 
apresentado aos estudantes sinceros de todo o mundo suscitou desusada polêmica 
e sua linguagem demolidora tem provocado as mais diversas reações, desde a sua 
publicação. 
Nosso propósito é esclarecer, o melhor possível, o que está oculto em 
seu texto, certo de que nosso trabalho será apenas um intróito para pesquisadores 
mais capacitados, que, através dele poderão chegar a conclusões ainda mais 
transparentes sobre seus três capítulos, passíveis das mais variadas interpretações, 
cuja função seria a de atuar como uma espécie de Bíblia Mágica da Era de Aquário, 
quando preponderarão as energias do 7o. Raio, o Raio do Ritual e da Magia. Embora 
possa ser esta a sua função, naturalmente só será alcançada quando for 
devidamente compreendido, o que deverá acontecer quando a humanidade estiver 
perfeitamente Iniciada nos Mistérios da Magia Sagrada. 
Como dissemos acima, este trabalho não tem a pretensão de ser algo 
definitivo; provavelmente contém apreciações a serem reformuladas por aqueles que 
estão à frente na compreensão das verdades eternas e, também, muitos erros para 
1 Muitos afirmam ter sido por intermédio de sua esposa, na época, Rose Crowley. 
 10 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
quem procurar, no mesmo, somente o que se ajuste ao seu atual nível mental. Por 
considerar válido tudo aquilo feito com boas intenções, tomamos a coragem de 
apresentá-lo agora, ainda um produto inacabado, mas que já poderá auxiliar aqueles 
que estão procurando sinceramente. 
Alerto àqueles que vêem na obra de A. Crowley somente o lado libertário, 
mágico e anarquista, a necessidade de reconhecerem também o enfoque 
apresentado neste estudo, pois: 
 
a) liberdade é a conseqüência direta da disciplina e responsabilidade com que 
nos comportamos na vida; 
b) magia representa o real conhecimento e não somente o poder de produzir 
fenômenos, contrariando as leis da natureza; o verdadeiro Mago jamais faz 
magia porquanto ele é o próprio fenômeno; 
c) anarquia não representa desordem, mas o corolário da própria Lei, ou seja, o 
respeito de cada um para todos e o de todos para cada um. Portanto, “Faz a 
tua vontade será toda a Lei, porém, pensa bem no que fazes, pois terás de 
dar conta de todos os teus atos”. 
 
Sobre Aleister Crowley, a Besta 6662, cujos méritos, sensibilidade e 
inteligência extraordinários permitiram a recuperação da Ciência mágica egípcia 
para a humanidade, é preciso deixar claro que, se sua vida mundana de Iniciado não 
se ajustou aos padrões dos ensinamentos que fazem parte, inclusive, de seu próprio 
trabalho, demonstrou, entretanto, profunda compreensão e coragem à necessidade 
de ultrapassar todos os limites impostos pelos padrões educacionais existentes em 
sua época, para que pudesse atingir sua meta: a Verdade tão necessária a sua 
personalidade, impulsionada por um interior repleto de uma vontade indômita que 
somente os grandes heróis da humanidade possuem. 
Não, Crowley não foi um santo nem um messias e muito menos um 
enviado. Foi um homem comum, que atendeu mais aos anseios internos de sua 
natureza espiritual do que os limites externos impostos pela sociedade, com 
educação vitoriana, em que conviveu. Pagou um preço alto por suas experiências e 
pelos excessos que cometeu, mas deixou o caminho aplainado para os que aspiram 
2 Para entender a assunção deste epíteto, ler o Capítulo deste livro sobre “O Mistério do Baphomet”. 
 11 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
à Verdade e a realeza interna, da mesma forma como ele aspirou. Não precisamos 
nem devemos repeti-lo em suas extravagâncias pessoais, mas devemos “aproveitá-
lo” em sua realização espiritual. Desconhecê-lo por preconceito é jogar fora um 
patrimônio inestimável, apenas por intolerância. Quem aprendeu a não julgar, para 
não ser julgado e a perdoar para poder ser perdoado, compreenderá do que 
estamos falando. 
O nome que escolheu para identificar-se no início de sua carreira, deixa 
entrever isto: PERDURABO ou seja “Perdurarei até o fim”. 
Foi denodado em atingir seus objetivos pessoais de iluminação e 
ultrapassou todos os limites da prudência para obter o sucesso no que 
pessoalmente considerou importante. Hoje é reconhecido por aqueles que, longe de 
torcerem o nariz para os aspectos exteriores de sua vida, procuram, em sua 
experiência, uma verdade sempre negada àqueles que apenas ficam esperando. 
Muito se escreveu e se tem escrito sobre sua personalidade controvertida, 
excêntrica e fora dos padrões de moralidade aconselháveis, mas pouco sobre sua 
interioridade, cheia de amor e luz, que procurou oferecer aos que possuem valor 
para Saber, Querer, Ousar e Calar. 
Se seu gosto pela magia levou-o a experimentações não recomendáveis, 
isto não quer dizer que toda a sua obra esteja assentada somente sobre este 
aspecto. Há muita coisa boa, aproveitável e importante para ser estudada e 
praticada pelos estudantes da Nova Era. 
O enfoque libertino que muitos vêem em sua obra é ditado apenas pela 
apreciação canhestra dos que não conseguem compreender que suas ações 
objetivavam apenas deixar claro a importância das energias sexuais no processo 
iluminativo da entidade humana. Suas experiências pessoais não podem ser 
compreendidas pelos que ainda estão presos a dogmas, onde o conceito de pecado 
é aceito como o limite da ação humana. Da mesma forma, os seus julgadores 
esquecem que em seu coração brilhava intensamente a luz de um Cristo que, por 
sua vitória sobre a ignorância do mundo, naturalmente precisava ser crucificado no 
altar erguido pelos preconceitos humanos. 
Esquecem que o mesmo enfoque existe em todas as religiões do mundo, 
inclusive no cristianismo, depois mascarado pela Igreja com pudores não encontrado 
nos quatro Evangelhos e que permitiu, às autoridades eclesiásticas, destruir o 
membro viril de todas as estátuas expostas no Museu da Capela Sistina, como se 
 12 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
estes representassem pecado para aqueles que ali vão à busca da arte em todo o 
seu esplendor e beleza, sempre encontrada na perfeita construção da forma 
humana. 
As energias sexuais representam o que há de mais sagrado no ser 
humano, razão suficiente para que o lugar onde residem, seja conhecido como 
região sacra ou sagrada. 
Da mesma forma, o enfoque do Liber Legis a que se permitem alguns 
seguidores de Crowley, apenas sob o ângulo grosseiro de que a Magia Sexual basta 
para resolver todos os problemas da iluminação do ser humano é uma forma 
ingênua da busca da verdade, realizada pelos aprendizes de feiticeiro que ainda 
deveriam estar varrendo o chão do “laboratório” de seus Mestres; vêem a fumaça, 
mas jamais encontrarão o fogo. 
Esquecem o acervo de sabedoria sobre o assunto existente em todas as 
religiões do mundo. O coração necessita ser preparado para tornar-se a morada de 
Hadit (O Cristo Interno) e de Nuit, sua noiva imortal (A Divina Mãe Kundalinî). Esta, 
em sua pureza original, jamais habitará lugares conspurcados pela ignorância do ser 
humano. Ao sair de seu habitat atual, quando é “importunada” em sua manifestação 
estabilizada (embora pareça incrível, atualmente ela é “protegida” de nossa 
insensatez pelo Guardião do Umbral), procurará uma nova morada e, dependendo 
das vibrações a que estiver sujeita, tanto seguirá o caminho para cima como para 
baixo; tudo estarásujeito a qualidade das vibrações existentes dentro de nós; 
portanto, os aventureiros devem cuidar-se, porque os pântanos do caminho estão 
dentro de nós mesmos. 
Querer é Poder. A condição de Thelemita3 advém de uma Vontade 
poderosa e que só existe no Aspirante quando sustentada pelo amor de Hadit (o 
Segundo Logos ou a Divina Presença EU SOU no homem encarnado). Esta só se 
manifesta num coração bem formado; quando isto não acontece, primeiramente 
vemos o orgulho e a vaidade, logo seguidos da insensatez e, finalmente, o desejo 
emocional alicerçado na ilusão de que desejo é poder. Cresçamos; identifiquemo-
nos com nossa eternidade; pratiquemos a ciência da Paz, ou seja, a paciência; esta 
é a primeira qualidade necessária Estejamos certos de que quando o Discípulo está 
pronto, o Mestre sempre aparece. 
3 Thelemita é o denominativo dos adeptos do axioma máximo do Liber Legis: Faze o que tu queres há de ser o 
todo da Lei. 
 13 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
A grande verdade é que o Liber Legis não foi ditado somente para os 
Magos ou alguns privilegiados. Suas lições devem estar ao alcance de todos. Daí 
considerarmos a interpretação filosófico-religiosa do livro (no bom sentido), bastante 
providencial, exatamente quando ele completa 93 anos de existência. Nosso 
propósito é atender ao Povo Suplicante, os humildes, porém sinceros, aspirantes da 
Verdade, que bradam pelo conhecimento real em seus anseios de libertação da 
canga da ignorância em favor de seus direitos espirituais. Todos passamos por esta 
fase e sempre necessitamos dos que estão à frente, no caminho, para a ajuda 
necessária. 
Com este trabalho, pretendemos apenas servir aos mais humildes e não 
aqueles que acreditam desfrutar dos graus superiores da Verdade. 
O Líber Legis é mais do que um livro de acesso à magia experimental. 
Encerra, dentro de si, todos os ensinamentos relacionados às energias que 
preponderarão nos próximos dois mil anos, ou seja, as energias do 7o. Raio ou Raio 
do Cerimonial e da Magia, expressão, em grau inferior, da energia do Primeiro Raio, 
o Raio do Poder e da Vontade. Esclarece e ressalta a importância da compreensão
da energia do Quarto Raio de Harmonia e Beleza, que começará a fluir sobre o 
Planeta já no ano 2025, ajudando a humanidade a trilhar o caminho do coração, a 
morada de Hadit, a Luz Radiante, quando Este deverá influir decididamente, a fim de 
que o homem só use a Magia e o Cerimonial de forma benéfica e progressista, 
sempre para seu desenvolvimento superior, evitando o que já aconteceu nas duas 
vezes em que as energias do Sétimo Raio estiveram atuando sobre a humanidade: 
o afundamento da Lemúria e da Atlântida. Este é o aspecto que quero ressaltar
neste livro: Magia e Cerimonial sempre com amor e amor (nunca emoção), sob 
vontade. 
Onde existe muita luz, as trevas decorrentes são intensas. Que o Povo 
Suplicante se acautele, mas persista, buscando, “pois todo o que pede recebe; o 
que busca encontra e a quem bate, abrir-se-lhe-á.4 
Rio de Janeiro, 10 de abril de 1997 
Panyatara - A.R.C.
4 Lucas, Cap. 11, versículo 10. 
14 
PRELIMINARES 
“DO wHAT THOU wILT SHALL BE THE wHOLE Of THE LAw” 
“Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei” 
A finalidade deste livro é analisar e comentar cada trecho do “Liber Legis” 
(Livro da Lei) de Aleister Crowley, naturalmente dentro da compreensão pessoal do 
Autor, derivada dos ensinamentos que amealhou, até a presente data, do que é 
conhecido pelos estudantes de ocultismo, como Ciência Espiritual. 
O verdadeiro objetivo da linguagem contida nos “Textos Sagrados de 
Thelema”, onde o processo de estudo e compreensão extrapola os cânones 
adotados na leitura comum, é a possibilidade de suscitar interpretações cada vez 
mais judiciosas e categorizadas, principalmente da parte daqueles que realmente 
podem fazê-las com maior autoridade, levando o estudante comum a um novo 
patamar de percepção das verdades eternas. 
Como ainda não existe, dentro da ótica que estamos abordando, qualquer 
interpretação mais acurada daqueles textos, principalmente de seus valores 
cabalísticos e do sentido real e místico daquilo que o constitui, não pudemos deixar 
de dar nossa colaboração sobre o assunto, a fim de que suas lições possam 
repercutir favoravelmente sobre os buscadores da verdade, em vez de assustá-los. 
Antes de iniciar a análise dos Textos referidos, é importante sabermos 
que a totalidade do Livro da Lei está calcada em metáforas, muitas vezes ocultando 
ensinamentos relacionados à Cabala, o que torna imprescindível nos inteirarmos de 
alguns elementos algébricos, derivados de operações cabalísticas, para podermos 
entender, mesmo superficialmente, seu conteúdo aparentemente truncado. A 
reprodução da Árvore da Vida ajudará neste sentido. 
Ainda com a finalidade de facilitar o entendimento do que será exposto 
neste livro, relembramos aos leitores o seguinte: 
a) Metáfora é um tropo em que a significação natural de uma palavra é substituída
por outra, em virtude da relação de semelhança subentendida.
b) Tropo é o emprego de uma palavra em sentido figurado.
15 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
c) A CABALA envolve o estudo das palavras, das letras e dos seus valores
numéricos, sempre estudados em três grandes subdivisões conhecidas como
Gematria (ocupa-se com o valor das palavras), Temurah (consiste na
combinação das letras de uma palavra com outras, alterando o seu valor e
significado) e Notarikon, que se envolve com a arte dos signos (pela letra inicial
de uma frase ou de uma palavra podemos saber o número chave da palavra).
Outro ponto importante a ser considerado é a forma como foram redigidos 
os versículos, sempre em linguagem mágico-esotérica, com o determinado objetivo 
de: 
1) Afastar, de seu entendimento mágico, aqueles ainda sob o domínio de
preconceitos religiosos e interessados apenas naquilo que esteja de acordo
com sua ótica pessoal.
2) Da mesma forma, afastar os que se recusam, de pronto, a analisar o que
colide com aquilo que estabeleceu como verdade. Suas mentes não estão
ainda preparadas para compreender os dois lados da criação e aceitar que,
aquilo que as religiões rotulam como mal, é, apenas, um outro aspecto da
Divindade em manifestação, necessitando da compreensão e o amor do
verdadeiro Amante da Verdade, a fim de estabelecer o equilíbrio perfeito da
criação. Não da criação realizada pela Divindade, que já nasce perfeita,
apesar de nossa incompreensão para o fato, mas a do homem, divindade
em evolução.
3) Eliminar os medos enraizados pelas religiões em nossa psique e em nossa
formação moral, de forma que sejam extirpados e substituídos por uma
profunda compreensão da beleza existente em todas as formas, mesmo
aquelas onde nossa ignorância só consegue ver o feio e o grotesco; até
mesmo nestas, o Aspirante à Verdade deve chegar a compreender que
“Todas as coisas foram feitas por intermédio d’Ele, e sem Ele nada do que
foi feito se fez” (Jo.1.3).
4) Tornar as coisas ocultas reveladas aos que realmente procuram de forma
intimorata a verdade, porém, testando o valor daqueles que dizem ”Abre-te
Sésamo”, para que ao depararem com os tesouros ocultos dentro de suas
cavernas pessoais, saibam separar o ouro das escórias e tornarem
luminosas todas as coisas.
16 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
5) Fazer com que o leitor ultrapasse seus ascos pessoais e chegue a
compreender que o valor é a primeira qualidade daqueles que aspiram ao
poder.
Não terminam aí os objetivos do livro. Seu propósito máximo é a 
realização do Altar Sagrado, onde o leitor-Aspirante deverá entrar em contato com a 
Divina Presençaem seu coração; nisto consiste a meta do homem da Era de 
Aquário. Este acontecimento se realizará com a nossa colaboração ou independente 
dela. A primeira recomendação que fazemos em relação a este livro é: “Leia-o do 
princípio ao fim; ao terminá-lo, garantimos que existirá uma nova compreensão, 
tanto em sua mente como em seu coração e sua religiosidade, no bom sentido, sem 
pieguismo, será maior do que a de agora”. 
 Por causa de sua importância para o entendimento das lições contidas 
no livro, estamos reproduzindo, em seguida, a Árvore da Vida com as dez 
Sephiroth e o alfabeto hebraico com suas correspondências. 
Como o processo iniciático é ascendente, de Malkuth até Kether, mas 
envolve ainda um processo ascendente da consciência, através dos Quatro Mundos 
considerados pela Cabala (Atziluth, Briah, Yetzirah e Assiah), também estampamos 
o gráfico da “Árvore Composta”, para facilitar o entendimento do Estudante.
17 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
A Árvore da Vida 
Com as dez Sephiroth e os 22 caminhos 
18 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
19 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
O ALFABETO HEBRAICO E SUAS CORRESPONDÊNCIAS 
Letras: Nomes: Alfabeto Hieróglifo: Valores 
א Aleph A O homem 1 
ב Beth B A habitação 2 
ג Ghimel G Órgão, a mão que aperta 3 
ד Daleth D Seio, divisibilidade 4 
ה He E-H O alento, o sopro vital 5 
ו Vo (Vau) U-V O olho, a Luz, clareza 6 
ז Zain Z A flecha, tendência 7 
ח Heth (Shet) Ch Trabalho, um campo 8 
ט Teth T Abrigo, uma cabana 9 
י Iod I-Y-J O dedo índice, mando 10 
כ Khaph C-K O punho cerrado, forma 20 
ל Lamed L O braço estendido, elevação 30 
מ Mem M A mulher 40 
נ Nun N O fruto 50 
ס Samekh S Serpente, movimento circular 60 
ע Hwain O-W Matéria, laço materializado 70 
פ Pe P-F-Ph A boca e a língua 80 
צ Tsade Tz Teto, abrigo, têrmo 90 
ק Koph K-Q Instrumento cortante, acha 100 
ר Resh R Cabeça humana 200 
ש Shin Sh-X Duração relativa 300 
ת Tho (Thau) Th Reciprocidade 400 
As seguintes cinco letras têm formas e valores diferentes quando se 
acham no fim de palavras; 
ך Khaf = 500 מ mem = 600 ן nun = 700 ף phe= 800 ץ tsade = 900 
20 
COMENTÁRIOS SOBRE O TEXTO DA CAPA DO 
LIBER LEGIS 
Liber Al (1) vel Legis Sub Figura 
 (Significa: o Livro de toda a Lei velado sob imagens (ou figura) mentais.) 
CCXX (220) 
(é o número de versículos que tem o Liber Legis.) 
As Delivered by 
(significa: como (foi) transmitido (ditado) por) 
XCIII (2) = 418 
 (significa: 93 = 418, ou seja: AIWAZ cujos valores pelo alfabeto grego somam 93, tem como 
valores cabalísticos 1+10+6+1+400= 418 
TO 
 (para) 
 DCLXVI 
(666, é o número da Besta (o Baphomet), assumido por Aleister Crowley) (3)
(1) AL significa Deus, o poder e a extensão. Designa o Todo Poderoso, o Desenvolvimento da 
Unidade, do Princípio, sua difusão no espaço e no tempo. Aqui, quer dizer todo, toda. 
(2) Na página 367 do Livro ‘MAGIA en teoria y práctica” (Luis Cárcamo, Editor - Barcelona) de A. 
Crowley, consta “A Palavra da lei é ΘΕΛΗΜΑ” “Vontade”; esta palavra tem o valor de 93”. Da mesma 
forma, na página 368, do mesmo livro, declara: “Amor é a lei, amor sob vontade”. “Amor (= Agapé, em 
grego Αγαπη) bem como Vontade (=Thelema, em grego Θεληµα) somam, cada palavra, 93”. Na linha 
seguinte diz: “AIWAZ também soma 93”. Como todas estas conclusões são de Crowley e não 
conseguimos o mesmo valor para AIWAZ, (pelos nossos cálculos, Aiwaz somaria 89), abstivemo-nos 
de estender nosso comentário sobre o assunto. Queremos esclarecer, ainda, que 93 é, também, a 
letra composta por Crowley a ser acrescentada ao mantra AUM, modificando a M para MGN (M=40, 
G=3 e N=50) e transformando o som do mantra para AUMGN (A=1, U=6, M=40, G=3 e N=50), cujo 
somatório é igual a 100, que expressa a unidade na forma de manifestação completa pelo simbolismo 
do número puro, “conforme era ensinado aos Iniciados do Santuário da Gnosis da O.T.O.. O número 
100 indica misteriosamente a fórmula Mágica do universo como um motor refletindo a luz 
indefinidamente. Curiosamente, 93 anos passados da recepção do Liber Legis, o Autor teve a idéia 
de fazer este livro. 
(3) Ver, neste livro, o Capítulo sobre o Mistério do Baphomet. 
21 
Exaltação A NUIT 
(Extraída do Livro “KUNDALINΔ ou A Serpente 
Ígnea de Nossos Poderes Mágicos Internos” de 
autoria de OM. Cherenzi-Lind) 
Eterna e Universal fonte de amor, de sabedoria e felicidade! 
Natureza: és o nume glorioso da vida, o livro grandioso em que 
está escrita a história do universo com caracteres de Forma e Consciência. 
Quem não esteja instruído em tua escola não pode compreender–te. Por 
isto nos fixamos em Ti, pois em Ti se ativa e desenvolve a inteligência 
criadora. Em Ti se move e se eterniza a essência da Realidade Vital5, da 
qual nossa vida é apenas lampejo fugaz. 
Tu, Natureza, és a mãe e irmã virginal que nos alenta na vida e 
determinas nossos caminhos. O universo é tua realização; tudo quanto 
existe é modalidade de Teu incomensurável amor, manifestado como luz 
de vida e fogo benfeitor e perfectivo que tudo glorifica. 
Tudo o que se venera como supremo no universo é Teu corpo, 
Tua forma, que manifesta a Consciência que nos inspira. 
Nós somos viageiros do infinito; em Ti nos encontramos e 
eternizamos; em Ti encontra apoio o fraco, sustento o virtuoso, ajuda o 
modesto, justificação o sincero, alento o esforçado e força o digno 
Cavaleiro do Universo. 
És tudo e estás em todas as partes, mas o melhor de Ti fixa–se 
por meio de laços morais nos Santuários Secretos do coração de Teus 
eleitos. 
Ó Mãe Natureza: vive plenamente em nós e assiste-nos em 
nossos esforços para depurar–nos de todo o egoísmo, de todos os 
preconceitos e de todas as vaidades, de modo que, superando-nos, sejamos 
mais dignos de Teu hálito! 
5 A Essência da Realidade Vital é Had e Hadit a sua manifestação. 
22 
ESCLARECENDO SOBRE OS MANTRAS 
HADIT E NUIT 
Existem, dentro dos textos do Líber Legis, algumas palavras com 
significado muito importante demandando uma compreensão toda especial, pois, 
como em todos panteões religiosos, representam a divindade em sua manifestação 
nos vários planos de consciência onde o homem vive. 
O Egito, de cuja filosofia religiosa o Líber Legis nasceu, possuía um 
panteão que pode parecer muito confuso, dentro de uma rápida apreciação feita 
pelo leigo, onde RA, a Divindade máxima, representava o Uno e era adorado através 
de sua expressão como o Sol que conhecemos. Dele, partia toda a criação, em suas 
várias expressões, sempre produzidas pelos deuses, seus filhos, todos, por sua vez, 
expressando-se também através de um aspecto feminino e, ao mesmo tempo, 
considerando outra entidade de caráter antagônico, muito significativa, que 
representava o lado negativo dessa divindade; é o caso de Hórus e Set e muitos 
outros. 
Acresce, ainda, que uma mesma divindade possuía nomes diferentes, 
dependendo da atividade ou do plano em que se estava manifestando. Os próprios 
egípcios, talvez para não se perderem nessa profusão de nomes, figuravam estes 
deuses com características incompreensíveis para o leitor não acostumado com 
seus significados, como Hórus Cabeça de Falcão, Tot Cabeça de Íbis, Anúbis 
Cabeça de Chacal, etc., porém com um significado esotérico muito importante, onde 
estes animais representavam uma característica especial da ação da Divindade. 
Vemos que, no Líber Legis, Aiwass, a entidade que ditou o livro para 
Crowley, usou bastante os princípios espirituais das divindades egípcias, porém, 
alguns de seus nomes estão adaptados a valores cabalísticos, com a finalidade de 
facilitar a apreciação correta do leitor e, ao mesmo tempo, evitar possíveis 
confusões em relação à mensagem do livro, mantendo,porém, toda a beleza das 
vivências espirituais dos mistérios egípcios, dos quais os 32 caminhos da Árvore 
Cabalística são uma adaptação valiosa, pois não permitiu que se perdesse este 
maravilhoso conhecimento interno que os egípcios possuíam da entidade humana. 
23 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
No Líber Legis temos a menção do nome HADIT6, que se revela como a 
essência presente em tudo e todas as coisas do universo manifestado. É, 
dependendo do plano consciencial onde se manifesta, Hórus (Hoor, Heru, 
Harmachis, etc.), sempre relacionado ao Segundo Aspecto do Criador. 
Para o entendimento perfeito deste mantra7 é preciso considerar que sua 
posição na Árvore Sephirotal é como Chockmah (A sabedoria), a Segunda Pessoa 
da Trindade, o Filho ou Cristo na Cosmogonia Cristã, sempre UNO com o Pai (O 
Logos Manifestado), este representado por Kether (A Coroa, a Inteligência Oculta). 
Ainda se manifesta como Daath (O Conhecimento), situando-se entre as duas 
primeiras Trindades, (a Divina, formada por Kether, Chokmah e Binah e a Espiritual, 
formada por Chesed, Geburah e Thipheret. 
Na Sephirah Tiphareth aparece se expressando como o EU SOU (O 
Filho, Hórus, Ieosus, Anjo Guardião, etc.), porém sempre mantendo o nome de Hadit 
e a condição de “A Divina Presença Eu Sou” (a Expressão do Pai que está nos 
céus). 
A soma dos valores cabalísticos do mantra Hadit são: 
H = 5 
A + 1 
D + 4 
I + 10 
 T + 9 = 29 = 11 = 2 
permitindo concluir o seguinte: 
1º) O número 2 (somatório dos valores formadores do mantra) é a 
primeira quantidade emanada do 1 manifestado (Kether, a Coroa) ou seja, é o 2o. 
Aspecto da Trindade, (Chokmah), o Unigênito, a Mônada Divina, o Filho ou DIVINA 
PRESENÇA no homem, que se manifesta numa nova roda da espiral para baixo, 
como 11 (10 = o número do nome do Pai, a fonte da Luz e, também, o número 
perfeito, mais o 1, como o princípio de uma nova espiral em direção aos planos 
menos sutis), representando A Divina Presença oculta no homem. Portanto, neste 
trabalho, Hadit é o núcleo gerador em todos os planos de vida, seja como EU SOU, 
6 HAD significa a essência primordial; é o germe (gameta masculino) que fecunda todo o Caos (o útero) 
Universal, transformando-o em Cosmo. O sufixo “it” é a partícula que imprime caráter propulsor à ideia contida no 
radical. 
7 Como dissemos anteriormente, todo nome de divindade é um mantra que objetiva o desenvolvimento de 
determinados chacras, quando pronunciados corretamente. Em Hadit, temos as vogais “A“, relacionada ao peito 
(morada de Hórus ou o EU SOU) e “I”, relacionada a cabeça (a Casa do Pai). 
24 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
o Átomo Nous ou Aquele que sustenta a personalidade no plano físico. É a essência
existente no cerne de todas as coisas e a concentração do infinito na Cruz humana. 
Ainda seguindo esta linha de raciocínio podemos concluir que: 
a) O número 1 indica o 1o Logos - O Criador = Brahma, o RA dos Egípcios,
Deus, o Pai. Na Cabala é representado por Kether, A Coroa da Criação.
b) O número 2 representa o 2o Logos, O Unigênito, O Filho, a Mônada Divina,
a DIVINA PRESENÇA; em nosso estudo é também Hadit como
consciência do EU SOU no homem. É Chockmah na Cabala, aparecendo
também como Daath neste estudo, conforme poderemos ver no comentário
do versículo 49 do 2o. Capítulo do Líber Legis.
c) O número 3, portanto, identifica o 3o Logos, O Espírito Santo ou o Atma do
Hinduísmo. Como veremos em seguida, neste estudo é Nuit, ou seja, a
Virgem do qual tudo nasce e para onde tudo volta, a Mãe do Cosmo,
personificação de Akasha (o Tattwa de cor negra); a Natureza primordial. É
representada no homem por Kundalinî, a energia formadora do corpo do
Cristo (Eu Sou) no ventrículo esquerdo de nosso coração. Na Cabala é
Binah, a Mãe, o Grande Mar.
Esta é a Primeira Trindade manifestada. Não podemos, entretanto 
esquecer que Ela é, sempre, a mesma pessoa em 3 aspectos diferentes; isto é 
muito importante porque é comum o estudante colocar o Pai acima do Filho e 
da Mãe ou Espírito Santo; isto representa uma deformidade da compreensão 
da Trindade, já que o Espírito Santo é o próprio Pai, manifestando-se num 
Plano diferente daquele da plenitude de sua própria Consciência e não uma 
Entidade diferente num Plano diferente e uma consciência diferente. O Filho é 
da mesma forma, o Pai e, também o Espírito Santo ou Mãe. Compreendido isto, 
poderemos entender o que está exposto abaixo. Em verdade, só existe o UNO, 
o Incriado, manifestando-se segundo a sua própria Vontade. Toda a
manifestação dentro do Universo é aspecto de sua vida, inclusive, obviamente, 
nós, os seres humanos, que teimamos em não aceitar essa realidade e agimos 
segundo aquilo que pensamos ser nossa vontade, utilizando uma criação 
particular, divorciada de Seus propósitos, assentada exclusivamente no Plano 
25 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
Astral, cuja essência precisaria ser mais bem estudada pelos que buscam a 
Realidade Última. Esta é a razão de nossa atual percepção da verdade ser 
considerada, pelos hinduístas, apenas como Maya ou ilusão. 
2o.) O número 11 é, portanto, o início de uma nova espiral da 
manifestação em direção aos planos menos sutis (o exterior, no caso em pauta, ou 
seja o Caminho 11 da Árvore Sephirotal, que vai de Kether a Chockmah), depois de 
atingir o número perfeito: o 10. 
3o.) Assim sendo, o 3o Logos aparece como Formador, do qual tudo 
nasce, se manifesta ou se forma. É Akasha individualizado na forma de Nuit. É a 
Matéria Negra que envolve todo o universo (vide reproduções de recortes de jornais 
anexos na página 25). É a Divina Mãe Kundalinî (Isis no plano físico-etérico) que, ao 
chegar à Gruta (ventrículo esquerdo do coração), dá nascimento ao corpo do Cristo-
criança, o Eu Sou ou o Cristo no homem, a expressão de Hadit no plano físico-
etérico. 
Tudo isto é confirmado na análise do nome de NUIT, onde podemos 
verificar: 
1o.) Nuit é o mantra8 que encerra os significados mais próximos, à nossa 
percepção, da parte que poderíamos considerar material da divindade. Analisando 
separadamente seus valores: 
N = 50 
 U + 6 = 56 
 I + 10 
 T + 9 = 19 = 75 = 12 = 3 
encontraremos para NU os valores 56 que, da mesma forma para Hadit, dá o 
resultado 11, assinalando, conforme explicamos acima, a manifestação da 
Divindade, numa espiral abaixo como Filho. Porém, se em Hadit, tudo se encerra no 
2, em NUIT vamos encontrar como número final o 3 (50+6+10+9=75 = 12 (o 
Caminho que vai de Kether a Binah) = 3), o 1 mais o 2, formando uma nova 
expressão numérica, que representa o 3o Logos, manifestando-se como o Espírito 
Santo, a Virgem Maria, Akasha, ou sob qualquer nome, na força física, sempre 
simbolizada pelo que conhecemos por Natureza. 
8 No mantra Nuit, encontramos as vogais “U“, relacionado ao chacra Muladhara e que deve ser pronunciado com 
o ânus contraído e “I”, relacionada ao chacra Ajna (frontal), a Casa do Pai.
26 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
Recortes de Jornais com artigos sobre a matéria negra que envolve e permeia todo o universo conhecido e que intriga nossos 
cientistas atuais. Os antigos sacerdotes egípcios já a conheciam e a simbolizaram com a Virgem Negra, adorada nos altares 
cristãos, num sincretismo religioso bastante significativo. 
2o.) Dentro desse contexto, NU é ainda O Pleroma Gnóstico, o rio que 
corre no Abismo Celeste (Nut, o Caos), onde todos os deuses foram engendrados. É 
também o Escultor celeste que cria uma jovem formosa e a envia (qual outra 
Pandora a Batu) ao homem, cuja felicidade fica, desde então destruída (é a Pistis 
Sofia dos Gnósticos). Campo da revolução invisível; é a própria Nuit e, também, o 
TIAOU, a região dos Manes, a regiãoinfernal9. É também: o Abismo celeste (Caos), 
o espaço Infinito personificado em Nuit (o Cosmos), o Princípio feminino, a massa
líquida da qual evolveram todos os deuses e a deusa do céu, pelo qual navega o 
9 Ver página 42 do livro “Mistérios Iniciáticos”, de Henri Durville. 
27 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
barco do Deus Sol. Os sacerdotes egípcios a figuraram como uma mulher 
debruçada, tendo em seu bojo a criação e, as suas costas, o firmamento estrelado. 
Conseqüentemente Nuit é a própria Mulaprakriti da Teosofia, ou seja, a 
raiz da Natureza (Isis) ou da Matéria. É o abstrato princípio deífico feminino: a 
substância indiferenciada ou Akasha. H.P. Blavatsky diz, ainda, de Mulaprakriti: “é a 
matéria cósmica indiferenciada, a matéria primordial, essência ou raiz da matéria, 
eterna causa material e substância ainda não manifestada de tudo quanto existe; é a 
imensa massa de matéria informe, caótica ou indiferenciada, da qual surgem todas 
as formas ou manifestações materiais do universo visível ou manifestado. Os 
Alquimistas ocidentais lhe dão o nome de “Terra de Adão” e os Vedantinos “O Véu 
sobre Parabrahman”. NUIT, por sua vez, deve ser compreendida como Cosmos 
manifestado ou, ainda, o princípio espiritual do universo material e Isis, a Natureza 
material que nos envolve. Ainda segundo H.P. Blavatsky, cada partícula ou átomo 
de Prakriti (matéria) contém Jiva (Vida Divina) e é, ao mesmo tempo, o corpo do 
Jiva10 que contém. 
Da mesma forma, cada Jiva é o “corpo” do Espírito Divino, já que Este 
impregna (é a essência de) cada Ser. Para melhor entendimento, bastaria 
compreender que este Espírito Divino-Criador (Brahmâ = Kether) é o Primeiro Logos 
e, cada Jiva, é Hadit, a essência espiritual de cada universo individual, este 
representado pelo ser humano, o que nos leva a compreender ainda melhor a 
afirmação existente no item 23 do 2o Capítulo do Líber Al vel Legis, (Eu Sou só. Não 
existe Deus onde Eu Sou) 11, comentado neste livro, daí ser verdade que “impregno 
com meu ser cada partícula de Nuit, a minha eterna noiva imortal”. 
3o.) Confirmando o item acima é importante não esquecermos que Nuit é 
o esconderijo (que envolve - vide versículo 1 do Capítulo 2) e o complemento de
Hadit, ou seja, Nuit é expressão de HADIT no plano da forma, na qual este nasce o 
homem, através da expressão daquela como Kundalinî. 
10 Jiva, segundo H.P.Blavatski, é o Espírito vital ou vida, no sentido do Absoluto; significa também a Mônada 
Divina ou o Aspecto Crístico no homem (“EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A Vida). 
11 Cada Ser Humano é a manifestação de um Universo perfeito e neste universo individual não existe outro Deus 
que o EU SOU, ou seja, Jiva, Cristo Interno, Mônada Divina, etc. 
28 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
É importante enfatizar que Hadit (como Cristo) só nasce, ou seja, se 
manifesta no homem, pela ação de Kundalinî (Isis). Neste caso, Nuit é o útero 
universal, gestor da infinita expansão da Rosa no coração humano. 12 
Imagem de N. S. de Montserrat 
Uma das muitas Virgens Negras adoradas nas grandes Catedrais européias, 
incorporando os predicados de Nuit/Isis para a Cristandade. 
12 O Ser humano vive no externo, em Nuit/Isis (a matéria) e sua consciência ainda não penetrou Hadit, o núcleo e 
a essência das coisas. Hadit é a infinita concentração na cruz humana e também o próprio núcleo e a essência 
da vida escondida na matéria e na forma (Nuit/Isis). 
29 
LIBER LEGIS 
PRIMEIRO CAPíTULO COMENTADO 
1. Had! A manifestação de Nuit.
Comentário: A compreensão deste versículo é muito sutil. Primeiramente, 
o Estudante deve voltar a ler o comentário sobre a Trindade, na página 23 e imbuir-
se do sentido primário do mantra Had, como essência de tudo e de todas as coisas. 
Isto feito poderá compreender que a manifestação de Nuit não pode ocorrer sem a 
“anterioridade” de Had, bem como Hadit deve ser compreendido “escondido” no seio 
de Nuit (ver 2o. capítulo, versículo 1). 
2. O desvelar dos companheiros celestes.
Comentário: Had e Nu são as duas potências veladas no seio de Ra ou 
Kether, a Coroa da Manifestação. Quando ocorre a manifestação de Nuit, 
naturalmente Hadit13 está presente, daí que a manifestação de Nuit é, 
verdadeiramente o desvelar dos companheiros celestes; pois a manifestação de um 
é, implicitamente, a do outro.14 Na Cabala constam como Chokmah e Binah, e na 
igreja cristã aparecem como Maria e seu filho Jesus, o que com todo o respeito, não 
deixa de ser um entendimento imperfeito destes sublimes princípios da Divindade. 
3. Todo homem e toda mulher é uma estrela.
Comentário: Esta é a grande verdade esotérica da natureza humana. 
Para compreendê-la, primeiramente é necessário imaginar Hadit, o centro cósmico, 
tanto do homem como da mulher, envolvido por Nuit, representada pelas energias 
materiais sob as quais se manifesta o ser humano. 
13 Tanto no homem como na mulher, Hadit é a Radiante Vida Eterna que ilumina e sustenta todos os átomos do 
corpo humano, seja qual for o estado evolutivo em que se encontre. 
14 A denominação “companheiros celestes” não deve confundir o estudante em relação aos Deuses Gêmeos 
Heru-Nech-Hra-Tef e Heru-Quent-Anmaate, da cosmogonia egípcia, relacionados aos Átomos Elementais 
Animal e Humano (Castor e Pólux) no Universo cosmogônico humano. Sobre o assunto, ler o livro “Os Deuses 
Atômicos”, que pode ser “baixado” gratuitamente do Blog: http://revelandoosmisteriosdooculto.blogspot.com/ 
30 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
Em seguida, devemos projetar as partes de um zodíaco, traçando um 
triângulo eqüilátero, no qual o vértice superior fica consagrado ao signo de Áries (1o. 
signo), o da esquerda ao signo de Leão (5o. signo) e o da direita a Sagitário (9o. 
signo), formando, os três uma figura geométrica exclusivamente de signos de fogo, 
como vemos abaixo: 
 (Áries) 
 (Leão)  (Sagitário) 
Continuando, vamos desenhar outro triângulo eqüilátero, agora com a 
linha base na parte superior, onde vamos consagrar o vértice da esquerda ao signo 
de Gêmeos (3o. signo), o da direita ao signo de Aquário (11o. signo) e o vértice 
inferior ao signo de Libra (7o. signo), formando, desta vez uma figura somente com 
signos de Ar, como está abaixo: 
 (Gêmeos  (Aquário)
  (Libra) 
Numa terceira etapa, vamos projetar outro triângulo eqüilátero, com 
signos do elemento terra, agora com um vértice voltado para a direita, onde 
colocaremos o signo de Capricórnio (10o. Signo), no vértice superior, o signo de 
Touro (2o. Signo) e, no inferior, o signo de Virgem (6o. Signo), como vemos abaixo: 
 (Touro) 
  (Virgem) 
Finalmente, projetemos mais um triângulo eqüilátero, agora com um 
vértice voltado para a esquerda, ao qual destinaremos aos signos de água, 
colocando o signo de Câncer (4o. Signo) no vértice esquerdo, o signo Peixes (12o. 
Signo) no vértice superior e o de Escorpião (8o. Signo), no vértice inferior, tendo 
desta forma, a seguinte figura: 
 (Peixes)
 
  (Escorpião)
 (Capricórnio) 
  (Câncer) 
31 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
Agora, se sobrepusermos os dois primeiros triângulos, ou seja, os de fogo 
e Ar, teremos a figura abaixo, formando uma estrela de 6 pontas, com seus 
elementos em perfeita combinação ou seja: 
 Fogo & Ar: 
  
  
Da mesma forma, sobrepondo os triângulos com signos de Terra com os 
de Água, teremos a figura abaixo, também uma estrela de 6 pontas, da mesma 
forma com seus elementos em perfeita combinação, ou seja: 
Terra & Água 
 
 
Se agora sobrepusermos as duas estrelas de 6 pontas, uma sobre a 
outra,rotacionando-as, de forma que seus vértices ocupem lugares distintos dentro 
de uma circunferência, teremos uma estrela de 12 pontas, figurando um zodíaco, a 
expressão mais perfeita daquilo que tanto o homem como a mulher são no universo 
manifestado. No centro, invisível, resplandece a origem de toda a consciência 
perceptiva do homem real, em seus aspectos positivo/negativo. É Hadit (Jiva, 
Mônada Divina ou Divina Presença EU SOU), perfeita manifestação do Uno, que 
atua no ser humano utilizando os 12 pares de nervos cerebrais, representando os 
vinte e quatro anciãos perante o Trono (o chacra coronário ou Kether, a Coroa (ver 
Apocalipse 4, 4, e as referências à palavra Trono em toda a Bíblia). 

32 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
Cada triângulo forma uma expressão de consciência em três estágios de 
percepção, que tanto pode ser positiva como negativa: 
a) percepção sensitiva, táctil ou física com o triângulo do elemento terra, que
tem como fundamento o Tattwa Prithivî;
b) percepção emocional, sentimental ou amorável, com o triângulo do
elemento aquoso, que tem como fundamento o Tattwa Apas;
c) percepção mental, intuicional ou espiritual com o elemento fogo, que tem
como fundamento o Tattwa Tejas;
d) percepção divina, que começa após a intuicional (ainda insuspeitada pelo
ser humano) com o elemento aéreo, que tem como fundamento o Tattwa
Vayu.
A representação do ser humano como estrela implica na forma correta de
retratá-lo em seus diversos estágios de evolução. 
A estrela de Davi com um ponto no meio , é sua representação 
pessoal integrada ao seu aspecto divino . 
A estrela de 5 pontas ou Pentagrama é a estrela da Teurgia, tanto 
superior como inferior. 
Representa o ser humano dentro da circunferência como vencedor dos 
elementos inferiores de sua atual constituição e estágio de evolução, que culminará 
quando tenha conquistado as energias superiores de Aquário, Áries, Sagitário, 
Gêmeos e Libra (Vontade, Iluminação, Expansão, Sabedoria e Equilíbrio), que 
ornarão sua representação no final da Ronda evolutiva em que a humanidade se 
encontra (4a. Ronda). 
Do centro desta estrela, no homem superior, emanam os raios do Sol 
Espiritual (Signo de Leão) da seguinte forma: 
a) vértice superior: Aquário (Ar), signo da Vontade Espiritual (Thélema).
b) vértice lateral esquerdo: Áries (Fogo), signo da iluminação Espiritual.
c) vértice lateral direito: Sagitário (Fogo), signo da Expansão Espiritual.
33 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
d) vértice inferior esquerdo: Gêmeos (Ar), signo da Sabedoria Espiritual.
e) vértice inferior esquerdo: Libra (Ar) signo da Harmonia Espiritual.
A cruz também é uma representação estelar do ser humano ainda 
submisso à matéria; é representada por um homem em pé, os pés juntos e 
aprumados em relação à cabeça e com os braços abertos. 15 
Seja qual for a forma da estrela, 7 (a estrela dos grandes iniciadas), 8 (a 
estrela anunciadora do Cristo), 9, 10 ou 11 pontas ou triângulos, ela sempre é uma 
representação do Andrógino Cósmico, em suas diferentes etapas de vivenciamento 
nos mundos manifestados, conquanto, no âmago da forma estelar, possamos 
sempre ver a luz que resplandece na forma. Esta é a razão pela qual todo homem e 
toda mulher é uma estrela. 
4. Todo número é infinito; não há diferença.
Comentário: Esta não é uma verdade matemática, porquanto todo número 
dividido por si mesmo, anula-se, resultando zero ou nada. Entretanto, se atentarmos 
que todo número é um fenômeno quantitativo e expressão de um númeno, podemos 
compreender que, mesmo quando uma quantidade qualquer é anulada pela divisão 
no mundo dos fenômenos, permanece a infinitude de sua origem no universo 
essencial, embora não possa mais ser percebida pelos sentidos da percepção 
humana. O número infinito é este Númeno16, ou seja, o UM imanifestado, do qual 
procedem todos os números ou Mônadas Divinas, essencialmente todas iguais, sem 
diferença e infinitas como expressão e, no caso, também essência (númeno) do Um. 
15 A adoração ao Cristo pregado na cruz é uma criação promovida pela Igreja Católica Apostólica 
Romana, com a finalidade de explorar a emocionalidade de seus seguidores, em consonância com o aspecto 
inferior do 6o. Raio, que preponderou durante os últimos 2.000 anos, em vez de ensinar o verdadeiro sentido do 
símbolo do Ser Divino na Cruz humana. Isto provocou o esquecimento do aspecto superior do 6o. Raio, o 
Idealismo, ensinado pelo Cristo, incompreendido e negligenciado pelos religiosos ocidentais da Era de Peixes, 
embora existam meritórias exceções como foram Ghandi, Leibiniz, Newton, Anwar Sadat, Albert Einstein, 
Madre Teresa de Calcutá e muitos outros que, em suas áreas específicas, tudo fizeram em prol de uma 
humanidade melhor, objetivo máximo do Cristianismo.
16 Númeno (Nóumeno) - A verdadeira natureza essencial do ser, não perceptível pelos sentidos. A essência ou
substância das coisas, que é por si mesma, existente atrás dos fenômenos. Exemplo: O Raio é um fenômeno da 
eletricidade.
34 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
Desta forma, todo número é infinito e não há diferença entre eles, pois a unidade é a 
única realidade entre os números, que nada mais são do que somatórios do UM. 
5. Ajuda-me, ó guerreiro senhor de Tebas, em minha revelação ante os
Filhos dos homens!
Comentário: Esta fala é de Aiwass17, entidade comunicante do Líber Legis 
dirigindo-se a Aleister Crowley, aqui denominado como Guerreiro de Tebas em 
virtude de uma encarnação anterior em que este é designado como o sacerdote 
Ank-f-n-khonsu, no capítulo sobre a “Estela da Revelação”). Guerreiro é sempre o 
Iniciado nos mistérios menores e o titulo de Senhor de Tebas era dado àquele que 
se tornava plenamente consciente no plano mental e, por conseguinte, um 
“conquistador da morte”. 
A exortação em análise apela para que Crowley se incumba da tarefa da 
revelação que Aiwass desejava fazer “ante os Filhos dos homens” e acabou 
resultando no Líber Legis. 
6. Sê tu Hadit, meu centro secreto, meu coração e minha língua!
Comentário: São ainda da Entidade comunicante as palavras acima, 
dirigidas a Hadit, a Divina Presença no homem, qualquer que seja o plano de 
consciência em que este se encontre, exortando-o para que prevaleça em seu 
coração e em suas palavras, ajudando-a e amparando-a na tarefa a que se propõe, 
ou seja, ditar o Líber Legis para Aleister Crowley. 
7. Observai! Está revelado por Aiwass, o ministro de Hoor-paar-kraat.
Comentário: A partir deste versículo, o 7, não por acaso, a fala, apesar de 
ditada por Aiwass, representa Nuit, tanto em seus aspectos mais sutis como nos 
mais mundanos, inclusive o de Isis (a natureza material como a conhecemos). 
Para entendê-lo, primeiramente necessitamos conhecer os valores 
cabalísticos de Hoor-paar-kraat: 
Hoor = 5+70+70+200 = 345 = 12 = 3 (Hórus) 
Paar = 80+1+1+200 = 282 = 12 = 3 (Ra) 
Kraat= 20+200+1+1+ 9 = 231 = 6 (Nuit) 
 12 = 3 
17 Aiwass chegou a ser considerado por Crowley como sendo o seu Santo Anjo Guardião (Guia), mas este, pela 
exortação contida neste versículo, parece deixar claro sua existência como individualidade (embora em outro 
plano de consciência), ainda dependente da Realidade Máxima que se manifestava nele: A Mônada Divina ou 
Divina Presença existente em cada Ser. 
35 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
As formas dos nomes das Divindades da teogonia egípcia, adaptadas ao 
contexto do Líber Legis, estão condicionadas ao objetivo da mensagem, sem a 
preocupação de estar vinculada a qualquer forma de vernáculo, a não ser a de seus 
valores cabalísticos decorrentes da mesma. Assim, no decorrer da análise dos 
versículos do livrocomentado, vamos encontrar palavras aparentemente símiles 
(Hoor-pa-kraath, Heru-pa-kraath, Ra-hoor-khuit, etc.), mas com valores cabalísticos 
diferentes ou, então, com maior ênfase no objetivo perseguido. 
No caso em estudo (Hoor-Paar-Kraat), foram aplicados os recursos da 
Gematria, da Temurah e do Notarikon a fim de que esta palavra pudesse ser 
compreendida, por causa da sua composição trina, como a própria Trindade e não 
apenas a de um de seus aspectos isolados. Disso resultou a palavra Hoor-Paar-
Kraat, como uma Trindade de caráter inferior, de quem Aiwass se intitula ministro, 
assumindo a responsabilidade e dando conotação divina ao que está escrito no 
Líber Legis. 
É importante ressaltar que Hoor-Paar-Kraat é o próprio Hórus (Heru-pa-
crat, o Harpócrates dos gregos), porém aparecendo aqui mais como um deus fálico 
do que um deus solar e, enquanto Ra-Hoor-Khuit é a expressão da Trindade mais 
elevada no homem, Hoor-Paar-Kraat é a mesma coisa para os planos inferiores. 
Representam a mesma entidade, embora em níveis de consciência diferentes. 
Na saudação que reproduzimos abaixo, que fazia parte do processo 
iniciático egípcio, encontramos menção ao Deus Par (o mesmo que Paar, em função 
do que já explicamos anteriormente), exaltado como Senhor da Coroa de Ureret18. 
Isto considerado fica claro que é alguém ou algo que ainda cresce na re-assunção 
de sua realeza espiritual: 
 
“Homenagem a ti, ó deus Par, poderoso, Senhor da coroa Ureret, que governas 
com o chicote; és o senhor do falo, cresces à medida que brilhas com raios de luz 
e o teu brilhar chega as partes mais extremas (da terra e do céu e, neste caso, do 
corpo humano). És o senhor das transformações e tens múltiplas peles 
(reencarnações) que escondes no Utchat19 quando nasce. És o poderoso dos 
nomes entre os deuses, o poderoso corredor de passadas consideráveis; és o 
deus, o poderoso que chega e livra o necessitado e o aflito de quem o oprime”. 
18 Coroa de Ureret é o disco Solar que encimava a cabeça de Hórus, de Ra e de todos os Iniciados que tinham 
conquistado sua emancipação espiritual. 
19 UTCHAT é a imagem do olho de Hórus ou de Ra, atacado por Set, significando “percepção em muitas vidas e, 
também, em todos os planos de consciência”. 
 36 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
8. O Khabs está no Khu, não o Khu no Khabs.
Comentário: O mantra KHABS tem os seguintes valores algébricos: 
K = 20 
H =+ 5 
A =+ 1 
B =+ 2 
S =+ 60 = 
 88 = 16 = 7 
O número sete é o número da casa do ser real (Hadit, a Mônada ou 
Divina Presença) em sua manifestação no Plano físico, compreendida com 
facilidade por todos aqueles que já estudaram alguma coisa sobre os 7 chacras ou 
centros de força e os 7 planos de consciência. Khabs é O Triângulo eqüilátero 
sobre o quadrado � ou a pirâmide triangular sobre o cubo. Como Hadit é o cerne 
e o centro de todas as coisas, por analogia é fácil depreender que, sendo o chacra 
cardíaco aquele que corresponde exatamente ao meio algébrico entre os chacras 
superiores (Sahasrara, Ajna e Vishudda) e os inferiores (Manipura, Swadhisthana e 
Muladhara) é na parte espiritual do coração onde Hadit mora, ou seja, o Coração 
humano é a Khabs. 
KHABS é sempre veículo, corpo ou morada, seja o coração do corpo 
físico ou do espiritual. Nas iniciações egípcias, também era o corpo físico ou os mais 
sutis (denominado Ka ou Kha), quando se tratava do duplo do iniciado ao se 
desprender em busca das experiências fora do corpo grosseiro. É o veículo 
manifestado da consciência, qualquer que seja o grau desta. 20 
20 Observação: 
a) Analogamente, o Sol físico é o coração do Logos do nosso sistema planetário, pulsando a cada 2h40’
a uma velocidade de cerca de 4 mph, alterando sua superfície em contrações e expansões de 
aproximadamente 10 quilômetros de altura. 
b) Um eminente filólogo brasileiro, cuja inteligência, sinceridade com a Ciência Sagrada e
conhecimentos esotéricos o Autor reverencia pela sua estatura de “Mestre no coração”, dá outra 
interpretação na análise deste item, também respeitável, mas diferente da aqui exposta, principalmente 
quando diz que Hadit é o “átomo material”. Provavelmente referia-se ao átomo semente físico-etérico e 
compreendia esta passagem sob outra ótica, também muito respeitável, mas que não conseguimos alcançar 
em sua plenitude. No trecho em que diz que o coração é a própria morada de Khabs (?), acreditamos ter 
havido algum erro de datilografia, pois o Líber Legis diz claramente que “Khabs é o nome de minha casa”, ou 
seja, sendo Khabs morada ou casa de Hadit e considerando que Hadit expressa-se como EU SOU no 
ventrículo esquerdo do coração, seria incongruente pensar que Khabs (a casa de Hadit) pudesse morar em si 
mesma, ou seja, no coração. Entretanto, é importante ressaltar sua alta percepção espiritual e seu valor 
como bandeirante do pensamento humano, porquanto consideramos muito próxima sua concepção de Khabs 
(20+5+1+2+60 = 88 = 16 = 7), embora a tenha traduzido como “Kaukab”, uma palavra árabe que quer dizer 
estrela, quando, se usarmos as operações cabalísticas denominadas Gematria e Themurah, ela parece ser 
apenas a palavra egípcia “khat (100+5+1+9 = 115 = 7), usada no “Livro Egípcio dos Mortos” de E. A. Wallis 
Budge - Editora Pensamento (pág. 34), significando corpo físico, que, como morada de Hadit, é o coração, 
que aparece como “ab”, na página 35 do mesmo livro. (Na “Estela da Revelação”, “n khab” é traduzida como 
“ao corpo, ao homem e “sombra”).
37 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
É importante também, na análise deste versículo, considerar que 7 é o 
número da Sephirah Netzach (Vitória), relacionada à Alma como veículo inferior do 
Espírito e superior da Personalidade, bem como suas implicações cabalísticas. 
KHU, por sua vez, é, conforme já explicamos anteriormente, o 3o. Aspecto 
da Trindade; a matéria negra, em estado potencial (o Caos, o Abismo) que envolve 
todo o universo manifestado, do qual é a base e da qual tudo emana e para a qual 
tudo volta. 
Desta forma, podemos compreender perfeitamente que Khabs, o veículo 
manifestado, seja o coração, o corpo físico ou o sutil está no Khu, base de toda a 
manifestação existente; o inverso é inadmissível, embora alguns estudantes ainda 
não se aperceberam da sutileza que representa o Khu dentro do Livro da Lei, pois 
ele é o princípio “negro” perseguido pelo alquimista para obter a pedra filosofal. 
9. Adorai então o Khabs e vejam, sobre vós, a manifestação de minha luz!
Comentário: Este versículo confirma o que foi comentado acima, 
enfatizando a importância do coração (Khabs, a morada de Hórus - página 61 do 
Livro Egípcio dos Mortos) como ponto focal da consciência humana21 para o próximo 
estágio evolutivo da raça humana. “Adorai o coração e vede minha luz” é a grande 
mensagem de Nuit para a humanidade, pois ela sabe que ali reside a Luz Radiante: 
Hadit, Hórus, o Cristo, etc. o Filho, sua Luz e, também, da humanidade; o 
sustentador da eternidade para toda a criação. 
A focalização do coração retirará a mente humana de sua posição atual, 
restrita ao plexo solar (atendimento dos apetites materiais e tudo o que é externo e 
mundano) para centralizá-la no chacra cardíaco, de onde o homem “receberá a luz” 
que vem do alto, quando, então, a intuição prosperará até chegar ao estágio em que 
“já não sou eu quem vive, mas o Cristo vive em mim” (Gálatas, 2, 20). 
21 Na contraparte etérica do corpo físico, na câmara superior do ventrículo esquerdo do coração humano, está 
presente a manifestação da Divina Presença ou Hadit, conhecida como “Eu Sou”, “Rei Artur” Átomo Nous, Cristo 
Interno, Moisés, Krishna, etc., etc. 
38 
O LIVRO DA LEI PARA O POVOSUPLICANTE 
 
10. Que meus servidores sejam poucos e secretos: eles regerão a maioria e 
os conhecidos. 
 
Comentário: Em primeiro lugar, quem são os servidores de Nuit? 
Encontramo-los entre os servidores da Humanidade, os protetores da vida animal, 
da vida vegetal, os ecologistas e todos aqueles que já compreenderam a 
necessidade da preservação da vida no Planeta, em todas as suas formas de 
expressão. São poucos em relação aos destruidores inconseqüentes e geralmente 
trabalham de forma solitária, enfrentando as maiores dificuldades em seus afãs, 
tendo como único propósito servir à vida. Vemo-los entre os componentes do 
“Greenpeace”, nos cientistas que trabalham nas mais remotas e adversas regiões do 
planeta e todos aqueles que estão sempre procurando salvar vidas, preservar a 
natureza e recuperar sua expressão anterior para as gerações futuras. Recusam 
sistematicamente o convívio com a maioria da sociedade e o conluio com as 
autoridades reconhecidas, por tripudiarem sobre os valores de suas funções e 
fazerem prevalecer os interesses subalternos e imediatos em detrimento do bem 
geral, insurgindo-se, muitas vezes, contra os Servidores de Nuit, tachando-os de 
loucos e “desligados”. 
No âmbito esotérico. os Servidores de Nuit são aqueles que se preparam 
devidamente para a subida de Kundalinî, preparando o Khabs para servir como nova 
morada para a Divina Mãe. Nesta atividade, encontraremos aqueles que 
compreenderam a necessidade de se manterem em paz, em silêncio e recusam os 
valores perseguidos pela maioria da humanidade e as pretensas “autoridades” em 
assuntos esotéricos; sabem que o processo é estritamente particular e depende 
única e exclusivamente do esforço de cada um; a experiência de alguns não é válida 
para todos. Sabem, também, que o verdadeiro Iniciador está dentro de nós mesmos. 
Regerão os muitos e os conhecidos porque se tornarão sábios e dominarão tanto no 
mundo externo como no interno. 
 
11. Estes são tolos que os homens adoram; ambos, seus deuses e seus 
homens são ingênuos. 
 
Comentário: Aqui Nuit refere-se à maioria e os reconhecidos 
mencionados no versículo anterior, ou seja, os seres humanos ainda “adormecidos” 
em relação à Senda Espiritual e as autoridades religiosas, que “fabricam” imagens 
de Deuses (os santos da igreja cristã) completamente estranhas à Realidade Única, 
 39 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
porquanto nunca chegaram a pressentir o que representa a vida espiritual e têm a 
veleidade de, sobre a mesma, estabelecerem “valores” completamente fantasiosos, 
apenas para satisfazer suas concepções e interesses particulares. 
Na segunda frase, de forma metafórica, é deixado claro que ambos, os 
homens e as divindades de suas concepções são fantasiosas, quiméricas e tolas, 
por não corresponderem à Realidade Única, que está muito além dessas criações. 
 
12. Avancem sob as estrelas, ó Crianças, e tomai vosso alimento de amor! 
 
Comentário: Neste versículo temos uma palavra chave da ciência 
esotérica: Crianças. Ela quase sempre está associada ao conceito de verdadeiro 
Iniciado, em sua condição de pureza, alegria e a capacidade de crescer cada vez 
mais em seu aperfeiçoamento espiritual. Era a essas “crianças” que o Mestre Jesus 
se referiu quando disse: “Em verdade vos digo que se não vos converterdes e 
não vos tornardes crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus”.22 
Avançar sob as estrelas é o mesmo que vivenciar as energias de todas as 
constelações do Zodíaco, tomando seu alimento de amor, representado pelas lições 
superiores contidas em cada signo. Dessa forma, este versículo pode ser entendido 
como a necessidade do Iniciado (o que começa) reencarnar novamente em cada 
signo zodiacal, agora incorporando e aprendendo a comandar essas energias, com 
a finalidade consciente de servir a sua própria evolução e ao Plano de evolução da 
Divindade. 
 
13. Eu Sou sobre vós e em vós. Meu êxtase está no vosso. Minha felicidade é 
ver vossa alegria. 
 
Comentário: Para compreender este versículo é imprescindível 
aceitarmos Nuit como Akasha, de quem tudo nasce, tudo se mantém e para a qual 
tudo volta. É o Terceiro Aspecto da Divindade, pressentido por Paulo em seu 
discurso em Atenas23 quando diz: “pois nele vivemos, nos movemos e existimos 
porque dele também somos geração”, testificando a imanência e transcendência da 
presença divina no homem, conforme o item nos deixa perceber. Realmente Nuit, a 
matéria-vida do Universo está sobre nós e em nós. Tudo o que se passa conosco é 
vivenciado por este maravilhoso Aspecto da Consciência Divina que nos ama e 
22 Mateus, capítulo l8, versículo 3. 
23 Atos dos Apóstolos, capítulo 17, versículo 28. 
 40 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
participa, tanto de nossas alegrias como também de nossas tristezas. Para o 
Iniciado é fundamental compreender esta verdade e tudo fazer para viver em 
Alegria, pois sua consciência não pode mais ultrajar o amor de Nuit; não pode mais 
deixar-se envolver por pensamentos ou atitudes que não estejam em sintonia com a 
intensidade do amor da Divina Mãe. Em consonância com esta verdade, é sempre 
bom não esquecer as qualidades da Deusa Kâli, “a negra”, divindade do panteão 
hindu que destrói aqueles que não sabem participar de seu amor. 
A vibração-chave de nosso atual Universo é o puro Tattwa Prithivî. Êxtase 
e alegria são vibrações prithivicas; vivenciá-las de noite e de dia é obrigação do 
verdadeiro Iniciado. 
 
14. Acima, o azul cintilante é o esplendor desnudo de Nuit; Ela curva-se em 
êxtase para beijar os ardores secretos de Hadit. O Globo alado, o azul 
estrelado. São meus, Ó Ank-af-na Khonsu! 24 
 
Comentário: É clássica a figura de Nuit encurvada, tendo em seu bojo 
toda a criação manifestada e, em suas espaldas, o azul do firmamento estrelado. 
Este versículo é a representação poética deste símbolo, deixando perceber o 
sentido místico do amor da Divina Mãe em relação a todos as criaturas. Os ardores, 
energias e fogos secretos de Hadit representam a Luz das Mônadas Divinas dentro 
da criação. 
O Globo Alado (o “Urœus” ou “atef”) simboliza as duas verdades, ou seja, 
o poder sobre o bem e o mal e, também, sobre a vida e a morte; nos antigos 
Mistérios egípcios, era colocado sobre a cabeça do Osiris-defunto (o Iniciado), 
conforme as narrativas hieroglíficas das cerimônias de Iniciação. 
Ao dirigir-se a Ank-af-na Khonsu, Nuit alerta-o: o poder final sobre todas 
as coisas é seu, pertence à Mãe Natureza que, na simbologia egípcia, também é 
retratada como Tot ou Teuti, o julgador de vivos e mortos, conforme já foi explicado 
anteriormente. 
24 Ver explicações sobre este personagem no capítulo 4 deste livro, A ESTELA DA REVELAÇÃO. 
a) Ank-af-na Khonsu, é o que matou a si mesmo (superou a personalidade), ou seja, o vencedor da morte 
ou Iniciado Real. 
b) Aleister Crowley acreditava ou aceitava a possibilidade de ter uma “certa identidade” ou ser uma 
“continuidade” de Ank-f-n-khonsu, Alto Sacerdote no Egito Antigo, que teria empreendido, sem êxito, a 
restauração dos mistérios solares em sua época; foi sábio, praticante da Teurgia e adquiriu renome por 
ter conquistado sua iniciação maior com sucesso, sendo considerado um “vencedor da morte”. A Estela 
da Revelação, catalogada pelo Museu Boulaq, no Cairo, Egito, sob o n°. 666 (coincidência?) pertence a 
um monumento funerário dedicado a este sacerdote, que teria vivido nos idos de 725 a.C. “The Holy 
Book of Thelema” de A. Crowley, publicado por Samuel Weiser, Inc. (York Beach, Maine, USA) aborda 
com detalhes e comentários esclarecedores, os estudos feitos sobre esta Estela. 
 41PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
 
 
 
 
 
 
Reprodução de uma gravura egípcia onde Nuit, encurvada, envolve em seu bojo toda a 
criação, tendo, as suas costas, o firmamento azul estrelado. 
 
 
 
 
 42 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
15. Agora sabereis que o escolhido, Sacerdote e apóstolo do espaço 
infinito, é o príncipe-sacerdote a Besta25; e em sua mulher, chamada a 
Mulher Escarlate está todo o poder outorgado. Eles acolherão minhas 
crianças em seu aprisco: trarão a glória das estrelas para os corações 
dos homens. 
 
 
Comentário: O versículo acima parece conter algo muito importante para 
o aprendizado do Estudante sincero, obrigando-o a uma perscrutação especial sobre 
seu sentido velado. 
Primeiramente, é preciso descartar a possibilidade do mesmo se referir a 
Crowley e a sua esposa Rose, pois os títulos outorgados não se ajustam as suas 
personalidades, nem tampouco os acontecimentos de suas vidas estão de acordo 
com as afirmações metafóricas nele enunciadas. 
Isto esclarecido, podemos analisar as palavras-chaves para chegar a uma 
compreensão mais próxima da verdade. 
A Besta é a mente inferior (he phren) e a Mulher Escarlate é a Grande 
Cidade Babilônia que, em linguagem apocalíptica26, personifica a natureza física em 
todas as suas expressões de vida; no caso do homem, é o corpo carnal e os desejos 
pela existência, nele inerentes. 
O escolhido, Sacerdote e apóstolo do espaço infinito, pode se estar 
referindo ao homem real, a Mente superior (Iêsous = τησονζ = 10+8+ 
200+70+400+200 = 888), pois somente ele é o superior (Príncipe = poder, 
autoridade e sacerdote = o que dirige o processo mágico, aquele que determina o 
que e como deve ser feito) 
Isto esclarecido, poderíamos fazer a leitura do versículo da seguinte 
forma: “A Mente Superior é a forma escolhida para ensinar a verdade por toda a 
eternidade; ela está acima da mente inferior, a qual utiliza, com o propósito de 
realizar a evolução definitiva da humanidade. A natureza física prepondera 
atualmente sobre todas as formas de vida, entretanto, sua união com a Mente 
Superior, objetiva receber todas as Almas em evolução e destiná-las à glória 
das estrelas, através da iluminação do coração dos homens. 
Poderíamos substituir, no versículo, o Príncipe-Sacerdote por Hadit, 
Hórus, Cristo Interno, etc. e a Mulher Escarlate por Nuit, que seu sentido 
25 Besta (ηΦρην= 8+500+100+8+50=666). Veja o comentário do versículo na página seguinte. 
26 Ver Apocalipse, capítulo 14, versículo 8. 
 43 
 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
permaneceria integral; o fato é que estamos lidando com valores espirituais e 
qualquer atitude de personificá-los, pode desfigurar seu sentido superior. 
 
16. Pois ele é sempre um sol e ela uma lua. Porém para ele a alada chama 
secreta e para ela a inclinada luz estelar. 
 
Comentário: Este versículo confirma o aspecto transcendental e esotérico 
do versículo anterior, pois Hadit será sempre a manifestação das energias solares 
positivas na natureza do homem, ao invés de Nuit, a representação das energias 
refletidas, portanto passivas, em toda a criação. 
 
17. Entretanto, vós não sois assim escolhidos. 
 
Comentário: O esclarecimento indica que a raça humana ainda não 
participa da transcendentalidade da natureza de Hadit e Nuit. 
 
18. Arde em suas frontes, ó serpente esplendorosa! 
 
Comentário: Este versículo representa uma exortação da própria Nuit 
para que seu aspecto como Kundalinî, a energia serpentina, formadora do corpo 
radiante do ser humano, atinja seu ponto mais elevado e brilhe esplendorosa no 
chacra frontal de todos os que sabem ousar. 
19. Ó mulher de pálpebras azul-celeste, inclina-te sobre eles! 
 
Comentário: Nuit, aqui denominada “mulher de pálpebras azul-celeste” é 
exortada a envolver os homens com seu amor e perfeição. 
 
20. A chave dos rituais está na palavra secreta que lhe dei. 
 
Comentário: É sempre temerário a tentativa de descobrirmos o que é 
secreto, mas é importante intentarmos vencer as limitações antigas e elegermo-nos 
para a participação no banquete da Nova Era que se aproxima. Para o Autor, a 
palavra secreta, chave dos rituais dada a Crowley é Thelema = Vontade. Sem ela, 
os rituais não tem expressão e se perdem nos desejos de “ver o que acontece”. 
Querer é poder e ritual é poder quando realizado com amor, mas amor 
sob vontade. Caberá ao estudante acrescentar sua experiência pessoal para o 
enriquecimento da compreensão deste versículo. 
 44 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
21. Com o Deus e o Adorador eu nada sou: eles não me vêem. Estão como que 
sobre a terra; Eu sou o Firmamento e não existe outro Deus que eu e meu 
Senhor Hadit. 
 
Comentário: O Deus aqui referido é a cristalização da concepção humana 
sobre a divindade; o Adorador é o homem devocional, que procura a divindade, sem 
chegar a compreendê-la presente em tudo que envolve sua expressão de vida, 
dentro e fora de si mesmo. Para estes, o imaginador e seu Deus imaginado, Nuit 
nada é, pois estão impossibilitados de percebê-la como a real Divindade, 
expressando-se em seu aspecto tangível, nas múltiplas formas da Natureza. Estes 
estão como que sobre a Terra, ou melhor, materializados, e o imaginador não 
percebe que apenas está utilizando as formas materiais que lhe foram concedidas 
para aprender a se manifestar nos diversos mundos de consciência criados pela 
Divina Mãe, o Terceiro Aspecto da Divindade, real e tangível. Não percebe que a 
pátria de sua origem27 é o mundo espiritual; identifica-se com as aparências da 
forma, sem procurar sua essência, onde, além de descobrir o real objeto da 
adoração, ou seja, Hadit e sua Divina Mãe, atentaria que é nele mesmo onde 
deveria construir o Altar dessa adoração. 
No período seguinte, Nuit revela-se para o Estudante como o universo 
manifestado; reconhece-se como a única Divindade perceptível, existente, 
ressalvando, porém a Divindade de seu filho e, ao mesmo tempo, seu Senhor: Hadit, 
o fruto de seu Amor, a razão de sua substância e de sua existência. 
O alerta existente neste versículo é para que o Estudante procure o real 
nas aparências e abandone sua posição de “mendigo dos favores das divindades de 
sua criação”, reconhecendo, em si mesmo, a presença de Hadit e Nuit como os 
únicos provedores de todas as suas reais necessidades. 28 
Para isto, o Estudante deve sempre ser objetivo, aprender tudo sobre a 
natureza (o estudo dos Tattwas é imprescindível) pois Nuit é Deus acessível ao 
homem, ou como os católicos dizem: “é por intercessão de Nossa Senhora (a 
Virgem Maria) que conseguimos a Graça do Filho”. 
 
27 O homem real vive e sempre viveu em Briah, o Plano Mental, de onde projeta sua consciência nos mundos 
inferiores, para conformá-lo à sua expressão plena, de acordo com objetivos que fogem a consciência ilusória da 
personalidade. A ilusão da encarnação e do aprisionamento da consciência na matéria são provocados pela 
identificação da personalidade com o corpo físico e com a matéria grosseira de que é constituído e, também, por 
não perceber que esta faz parte da consciência de Nuit, o Terceira Aspecto da Divindade. 
28 Reais em termos espirituais e não supérfluas, como as ditadas pelas suas ilusões materiais. 
 45 
 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
22. Agora, portanto, Eu sou conhecida por vós pelo meu nome Nuit e, por 
ele, através de um nome secreto que lhe darei quando, por fim, me 
conhecer. Posto que EU SOU o Espaço Infinito e a imensidade de 
estrelas nele existente, procedeivós também assim. Nada ligueis! Que 
não haja diferença feita em vosso meio entre uma coisa e qualquer outra 
coisa; pois daí vem a dor. 
 
Comentário: Dentro dos cânones egípcios, a expressão do Universo 
visível era conhecida como Nut, o Abismo celeste (Caos), o espaço Infinito 
personificado em Nuit (o Cosmos), a massa líquida29 da qual evolveram todos os 
deuses. 
O nome Nuit também está relacionado à energia constitutiva do estado da 
matéria que denominamos Kundalinî. 
Para o Discípulo, que conquista o direito de trabalhar esta energia em si 
mesmo, ela tem um outro nome, formado com a sexta vogal, ainda sem condições 
de ser pronunciada pelo ser humano comum, porém formadora do som 
imprescindível à entonação do mantra que deve ser pronunciado durante a operação 
de libertação de Kundalinî, no chacra Muladhara. Esta vogal só é dada quando toma 
conhecimento desta expressão da vida universal. 
O versículo continua com a revelação de Quem é Nuit e depois com a 
orientação para que nada liguemos na face da terra, ou seja, não nos envolvamos 
com o que possa gerar carma, bom ou mau, porquanto isto sempre implicará em 
dissonâncias vibratórias que não nos permitirão a necessária paz para a construção 
do corpo Crístico em nosso coração. Todo tipo de emoção precisará ser controlado 
e por isso vem o esclarecimento de que não há diferença entre os seres da criação, 
pois todos são expressão da Realidade única e todo sentido de diferença é trazido 
pela ilusão dos sentidos; é a ilusão sobre a realidade que provoca as apreciações 
inadequadas da Verdade, alimentando ódios, sofrimentos, mágoas e tudo aquilo que 
concorre para impedir a integração do homem com a vivência do poder de Kundalinî 
e libertar-se da ignorância. 
 
29 Expressão tattwica (Apas) se refere a energia sutil que precedeu o atual estado universal. Nele, o elemento 
mais denso foi uma espécie de “umidade aquosa”. No atual, o elemento preponderante é a energia sutil que 
denominamos Prithivi, que contém todas as outras energias sutis em si. O próximo Universo estará constituído 
novamente do elemento sutil denominado Apas, porém numa oitava vibratória superior. 
 46 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
23. Porém, quem quer que se aproveite disto, que ele seja o chefe de tudo! 
 
Comentário: Aquele que tira proveito da sabedoria real é o eterno 
servidor. Cresce, não para mandar, mas para servir; sabe que todos são iguais, de 
que não há diferença entre os seres, embora as várias escalas de vida e 
compreensão da realidade, permite-lhe estar na chefia de tudo, para o bem de 
todos. 
 
24. Eu Sou Nuit e minha senha é seis e cinqüenta. 
 
Comentário: No capítulo “Esclarecimentos sobre Hadit e Nuit” do 
presente trabalho (páginas 21 a 27), analisamos suficientemente o mantra Nuit, 
porém, agora, o temos escrito de forma inversa (“meu nome é 6=U e 50=N”) com o 
mesmo valor cabalístico (11). Assim sendo, precisamos considerá-lo sob uma nova 
ótica, obedecendo à inversão das letras e do sentido de manifestação. Isto nos leva, 
naturalmente, à senha para o reconhecimento de Nuit como a 11a. letra do alfabeto 
hebreu, a letra K, cujo valor é 20 (=2) e nos conduz, a Kteis, o órgão sexual 
feminino ou para Olam Klippoht, residência de Samael, o Príncipe das Trevas, nas 
alegorias cabalísticas, o Satã da crença cristã ou o Tifão dos egípcios. 
Para se compreender bem esta afirmação de Nuit (minha senha é 6 e 50), 
é necessário considerar que o mundo de Assiah é constituído da matéria de que 
estão feitos os planetas, as estrelas e até mesmo os homens, demonstrando que a 
inversão dos números, em sua afirmação, inclui a Klippoht Samael com suas legiões 
indicando a existência da matéria caótica, descontrolada, que, em seu estado mais 
sutil, é utilizada, na Magia e pelos “espíritos”, para a “criação” de suas formas. Isto 
compreendido, podemos concluir que a região qliphótica é o aspecto de Akasha 
reconhecido e usado na magia sob o nome prosaico de “luz astral”. O domínio e a 
utilização deste aspecto de Nuit inversa é o objetivo do Mago. Como são energias 
caóticas, não são fáceis de ser manipuladas, a não ser por uma vontade treinada e 
poderosa, daí a necessidade das precauções que o Mago deve e tem de tomar. 
 
25 Dividi, somai, multiplicai e entendei. 
 
Comentário: Estas são instruções para o uso das operações cabalísticas, 
já comentadas no intróito deste livro, com a finalidade de compreendermos as 
mensagens contidas no Líber Legis, como vimos tentando fazer, mas deixando claro 
que muito fica a ser dito em relação ao mesmo. 
 47 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
26. Então disse o Profeta e escravo da Beleza una: Quem Sou e qual será o
sinal? E ela lhe respondeu, inclinando-se, numa delicada chama azul,
tudo tocante, toda penetrante, suas amáveis mãos sobre a terra negra e
seu flexível corpo arqueado para amar; seus suaves pés não magoam as
florezinhas. Tu sabes! O sinal será meu êxtase, a consciência da
continuidade da existência, a onipresença de meu corpo.
Comentário: A forma poética destes diálogos está de acordo com seu 
objetivo básico: a linguagem ritualística, com a finalidade de provocar certos estados 
psíquico-mentais necessários ao desenvolvimento interno do Estudante. Nuit não é 
uma vida, mas a totalidade de toda vida; não tem forma e é a Mãe de todas as 
formas. O modo pelo qual se apresenta nestes diálogos implica na necessidade do 
Estudante desenvolver uma profunda imaginação e aprender, pela meditação, “a 
ouvir” internamente as respostas que estão dentro dele mesmo. O exemplo disso é a 
contida neste versículo ”Tu o sabes!” relacionada a clássica pergunta do “Buscador 
da Verdade”: Quem Sou? Sobre “qual será o sinal?” a resposta não deixa dúvidas: é 
imprescindível e profundamente necessário a integração do Estudante com as 
forças da natureza, ao ponto em que seu amor envolva não somente os objetos de 
seu desejo pessoal, mas acima de tudo, toda a criação. O êxtase de Nuit é a 
resposta que o estudante recebe, em seu próprio corpo, da transformação que se 
segue àquela integração amorosa. Compreende definitivamente a continuidade da 
existência e a presença de Nuit em tudo e em todas as coisas. 
Esta verdade é ainda mais fácil de ser alcançada quando consegue ver 
em sua Mulher Escarlate, não o objeto de prazer de seus sentidos materiais, mas o 
elo de ligação e adoração à sublimidade de Nuit que, então, lhe pode conferir os 
louros da conquista espiritual sobre o bem e o mal, simbolizados no “atef” egípcio 
que ornava a fronte dos conquistadores da morte. Este é o Tantra que o Iniciado 
precisa realizar; para isto, precisa amar verdadeiramente e o amor verdadeiro não é 
luxurioso, como alguns querem fazer crer. 
48 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
27. Então o sacerdote respondeu e disse à Rainha do Espaço, beijando 
amorosamente sua fronte; o rocio de sua luz banhando todo o seu corpo 
num doce aroma de água exsudada: Ó Nuit, contínua unidade do Céu, 
que seja sempre assim; que os homens não falem de Ti como Uma, mas 
como Nada; que jamais falem de ti, já que és eterna. 
 
Comentário: Continua a linguagem ritualística. O canto a Nuit revela a 
compreensão do Iniciado de que Nuit é a totalidade do existente e entoa o mantra 
sagrado AUM (Amem; assim seja). Exorta que os homens não se refiram a Ela sob 
seu aspecto manifestado ou universo visível, material, frio e impenetrável, mas 
entendam sua essência divina, seu princípio de amor que agasalha em seu seio 
toda a criação, por toda a eternidade. 
 
28. Nada, respirando a claridade, lânguida e fantasiosa das estrelas e duas. 
 
Comentário:e a “sente” na luz das estrelas, primeiramente em seu 
Aspecto Invisível, sem forma, como Essência Divina de Amor e, em seguida, em seu 
aspecto manifestado, onde sustenta toda a vida universal; Nenhuma e duas ao 
mesmo tempo. 
 
29. Pois estou dividida por amor ao amor, pela oportunidade da união. 
 
Comentário: O Amor é Hadit, o Filho, o Chrestos Cósmico, o Segundo 
Aspecto de uma trindade composta de Vontade-Poder (1o. Logos), Amor-Sabedoria 
(2o. Logos) e Atividade Inteligente (o 3o. Logos). Nuit, o 3o. Aspecto dessa Trindade, 
o aspecto materno que envolve e mantém em si toda a criação, está dividida pelo 
amor ao Amor, ou seja, amor a Hadit e a oportunidade de unir-se a sua criação, 
onde ele também se encontra. 
 
30. Esta é a criação do mundo; a dor da divisão é nada e o prazer da 
dissolução tudo. 
 
Comentário: Este item refere-se à criação do Universo (Manvantara), 
quando o Logos, em seu aspecto trino (os três “véus“ da existência negativa da 
Árvore da Vida, conhecidos como Ain, Ain Soph e Ain Soph Aur, cujo Malkuth é 
Kether projeta-se” do Absoluto (O Sem Atributos da filosofia hindu), formando um 
campo para a manifestação de Sua Consciência numa nova experiência (se assim 
podemos dizer) para Seu aperfeiçoamento. 
 49 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
Esta é a dor da divisão que é nada; está relacionada a separação do 
Logos que se manifesta do Absoluto, Que Permanece, Sem Alteração. 
O prazer da dissolução é o fenômeno conhecido como Pralaya, que 
ocorre quando um Universo cumpriu sua finalidade e é reabsorvido no Seio do 
Absoluto, com todas as experiências vivenciadas pelas Mônadas Divinas, 
incorporadas naquela fantástica Consciência que aqui é mencionada sob o nome de 
Absoluto. 30 
 
31. Nunca te preocupes de modo algum com a infantilidade e a mágoa dos 
homens! Eles pouco percebem; o que existe, está equilibrado por débeis 
satisfações; porém sois meus escolhidos. 
 
Comentário: O Estudante não se deve perturbar com a ignorância e os 
desapontamentos vivenciados por seus semelhantes; ao contrário, deve 
compreendê-los como a conseqüência direta do estado infantil da humanidade em 
geral e aprender que tudo está equilibrado por reações cármicas que a própria 
humanidade não chega a perceber. Entretanto estas reações podem e devem ser 
ultrapassadas, por representarem débeis satisfações que o homem comum sente 
prazer em testemunhar ao Deus de sua concepção particular, geralmente tido como 
vingativo e necessitado de sacrifícios, mesmo que estes impliquem na cessação de 
sua felicidade. 
 
32. Sigam ao meu profeta! Levem ao extremo os ordálios de minha 
instrução! Procurem a mim somente! Então, os prazeres de meu amor 
vos redimirão de todo sofrimento. Isto é assim: Juro-o pela abóbada de 
meu corpo; por meu sagrado coração e língua; por tudo que posso 
proporcionar, por tudo que desejo de todos. 
 
Comentário: Aparentemente, parece que os Estudantes são convidados a 
tornarem Crowley o novo líder da humanidade, o que contrariaria o espírito da Nova 
Era onde a mensagem de liberdade é total e a própria tônica deste “Profeta”, que 
jamais aceitou a liderança de “carneiros” e daqueles que não querem realizar os 
esforços necessários para a conquista do caminho espiritual. 
Porém este versículo, como todos os outros do Líber Legis, contém outra 
instrução. O Profeta aqui é a Inteligência Atômica conhecida na Ciência Oculta sob o 
nome de Átomo Mestre (o que aparece quando o Discípulo está pronto), 
30 O estudo da Cosmogênese sob a ótica dos Tattwas e da Árvore Sephirotal é imprescindível tanto para o 
entendimento do Líber Legis como de qualquer operação Mágica nele contida. 
 50 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
localizada no lótus (chacra) de oito pétalas, que nasce na parte superior do “Salão 
da Senhora dos Bosques”, relacionado à bolsa seminal do homem. A este, sim, 
devemos segui-lo confiantemente, aceitando todas as provas (ordálios) do caminho, 
pois estas representam as instruções de Nuit. O conselho para procurar somente 
Nuit, implica na meditação profunda em Kundalinî, que não admitirá desvios de 
atenção em sua ascese. Isto conquistado, então, novas capacidades surgirão na 
consciência iluminada do Estudante, redimindo-o de toda a necessidade de 
sofrimento, pois, então, passa a ser senhor de si mesmo e não está mais ao sabor 
das ondas descontroladas dos pensamentos da maioria; sua meta passa ser a 
subida ao monte31 e penetrar o “Altar dos Perfumes”32; só o conseguirá mantendo-
se firme em seu propósito espiritual. 
O juramento de Nuit é o penhor de um estado de consciência 
insuspeitado pelo Estudante, porquanto implica em venturas a que jamais poderia 
aspirar, por suas implicações divinas. 
 
33. Então o sacerdote caiu em profundo transe ou desfalecimento e disse 
para a Rainha do Céu: Escreve para nós os ordálios; escreve para nós 
os rituais; escreve para nós a lei! 
 
Comentário: Sacerdote é aquele que pratica o sacro-ofício. No versículo 
em estudo é o Estudante na sagrada tarefa de preparar o templo para a realização 
dos “esponsais alquímicos”. Neste versículo, ele, num momento de arrebatamento, 
pede a Nuit que lhe revele todos os passos que precisará dar para realizar sua 
conquista: as provas que deverá sofrer, os rituais a serem praticados e os ditames 
da lei a serem obedecidos. 
 
34. Porém ela respondeu: os ordálios não posso escrever: os rituais serão 
metade conhecidos e metade velados: a Lei é para todos. 
 
Comentário: Ela lhe contesta dizendo que os ordálios não podem ser 
escritos, por ser impossível, pois cada Estudante terá aqueles de que, 
particularmente, vier necessitar; que os rituais serão metade conhecidos, pois 
estarão escritos, mas seu sentido real e oculto, permanecerá velado, implicando no 
esforço a ser empreendido por ele para compreendê-lo macro e microcosmicamente; 
31 Chacra cardíaco. 
32 Vivência de prática cabalística realizada na Sephirah Tiphereth (o coração espiritual do homem). 
 51 
 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
sem esse entendimento não poderá realizá-los com aproveitamento total; quanto à 
Lei, porém, esta estará para todos, como deve ser. 
 
35. Isto que escreves é o tresdobrado33 livro da Lei. 
 
Comentário: O Líber Legis é constituído de três capítulos, 
compreendendo, o primeiro a Revelação de Nuit, o segundo a de Hadit e o terceiro a 
de Ra-Hoor-Khuit. Cada um apresenta um Aspecto do que poderíamos chamar a 
Trindade existente em quase todas as religiões do mundo, relacionadas ao que os 
Cristãos chamam de Pai, Filho e Espírito Santo e os hinduístas de Brahma, Shiva e 
Vichnú. Suas implicações na vida do Estudante são ditadas por uma ótica de 
compreensão e respeito para com a Natureza, com sua condição moral e social e 
pelo entendimento supremo de que faz parte de uma realidade que transcende de 
muito, os interesses de sua personalidade. 
Além desses fatos, o Líber Legis objetiva a libertação do Estudante dos 
dogmas religiosos, através do reconhecimento de sua condição divina e a realizar 
diversos rituais, sendo o mais importante aquele que ensina como entrar em contato 
com a Realidade existente em seu coração. 34 
 
 
36. Meu escriba Ankh-af-na-Khonsu, o sacerdote dos príncipes, não mudará 
uma letra sequer deste livro, porém por temor a leviandade, comentará 
sobre ele pelo critério de Ra-Hoor-Khuit. 
 
Comentário: O Escriba é Aleister Crowley, aqui sendo confirmado como 
reencarnação de Ankh-af-na-Khonsu.35 Neste versículo está sendo alertado para 
não mudar, absolutamente, nada doque está escrito no Líber Legis, ficando, 
entretanto, autorizado a comentá-lo, utilizando, para isso, o critério da Divindade 
mais elevada no Homem, que aparece no livro como Ra-Hoor-Khuit, com a 
finalidade de evitar as modificações levianas daqueles que, por não entendê-lo como
33 O vocábulo inglês “threefold” significa triplo, tríplice, tresdobrado, porém a preferência dada a este último termo 
se justifica por melhor expressar a forma como foi instituído o Líber Legis. 
34 Ver principalmente os versículos 21 a 34 e seus comentários, do terceiro capítulo. 
35 A. Crowley acreditava ter sido, também, reencarnação de Eliphas Levy, com o qual, durante sua vida, teve 
várias provas de identificação, inclusive interesses mentais, aliados a particularidades acontecidas em sua vida 
social. 
 52 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
está, em seu sentido oculto, tentarão adaptá-lo aos seus entendimentos pessoais ou 
modificar seu texto a fim de que se ajuste aos seus interesses religiosos.36 
 
37. Também os mantras e os conjuros; o obeah e a wanga,37 o trabalho do 
cetro (caduceu) e o da espada; ele os aprenderá e ensinará. 
 
Comentário: Também os mantras e as evocações não devem ser 
modificados e respeitados, porém o “obeah” e a “wanga”, são formas de magia 
inferior que precisam ser conhecidas, mas nunca praticadas, porquanto seus 
princípios estão contra o lema e a meta daquilo que o próprio Crowley ensinou: 
Magia é a arte da Vida, acrescentando que deve ser praticada para tornar a vida 
mais agradável sem, entretanto envolver atitudes que impliquem em eliminar 
inimigos ou estejam dirigidas contra Nuit, pois aí, ele começará a se autodestruir. A 
lei é amor; portanto, o inimigo deve ser transformado em amigo, aplicando em si 
mesmo a Lei, sempre sob vontade clara e determinada. 
Quanto ao trabalho do cetro (o caduceu de Mercúrio ou o trabalho de 
desenvolvimento dos centros de força da coluna vertebral) e o da espada (o falo, o 
trabalho da magia sexual com a finalidade da superação humana) estes serão 
ensinados por Crowley, como realmente aconteceu durante sua vida. 
Apenas a título de observação sobre a necessidade de um estudo cada 
vez mais acurado de cada versículo, acrescentamos ainda que a Espada é, também, 
36 Existe um livro, sob o título “The Law is for All”- The Authorized Popular Commentary to The Book of the Law”, 
editado por Luis Wilskinson and Hymenaeus Beta, onde Crowley comenta os três capítulos do Líber Legis, 
naturalmente sob sua ótica pessoal, que naturalmente prescindiria nosso esforço. Entretanto, com todo o 
respeito a A. Crowley, decorridos 93 anos da recepção dos ditados (será coincidência o número 93 dentro do 
processo total que envolve o livro recebido por Crowley?), se os que estudam nada pudessem acrescentar, em 
termos de entendimento, àqueles ditados, o Autor acredita que perderiam, de certa forma, sua utilidade e 
continuariam sendo apenas “o patrimônio de uns poucos privilegiados”, o que não se ajusta aos princípios 
energéticos da Era de Aquário, quando tudo será desvelado e nada pode permanecer oculto. Acresce que os 
membros da O.T.O. são proibidos taxativamente de escrever qualquer comentário sobre o Livro da Lei - somente 
Crowley teria condições de fazê-lo - (apesar de que no versículo 47 do Terceiro Capítulo consta que “mas virá 
um após ele, de onde Eu não digo, que descobrirá a Chave para tudo isto”). Como a Direção da O.T.O. no Brasil, 
até a presente data, não saiu com qualquer trabalho neste sentido, nasceu “O Livro da Lei para o Povo 
Suplicante”, pois a humanidade vive um grande momento: o da Liberdade e da Fraternidade Universal. Nossa 
atitude implica num grande esforço daqueles que mais possuem em favor dos que muito necessitam. O 
isolamento e o silêncio do sábio só é permissível no que tange a sua realidade interna. Dentro da sociedade em 
que vive, suas responsabilidades são muito grandes e necessitadas do verdadeiro valor, pois precisa lutar contra 
o entenebrecimento cultural e religioso a que foram relegados “os mais tarde nascidos”; este entenebrecimento 
é escória (matéria Qlipphótica) e não pode permanecer no novo Éon que a humanidade viverá. 
37 Nos Extratos do “novo comentário do livro da lei” Crowley, diz que Obeah é a magia da Luz Secreta, 
relacionada à ação do Mago e Wanga é a sua correspondência verbal ou mental, ou seja, Obeah são os atos e o 
Wanga as palavras próprias da Magia. Tudo muito bem, porém existem outros significados para as palavras 
acima e, sendo assim, o Mago deve saber onde se manifestam os efeitos de suas palavras e onde e quais os 
efeitos que provocam seus atos. 
 53 
 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
o símbolo da força do 1o. Raio, o Raio da Vontade/Poder cujas energias o Mago
precisa aprender a utilizar. 
38. Ele deve ensinar, porém deve tornar severos os ordálios.
Comentário: Esta é uma orientação no sentido de que os ensinamentos 
do Líber Legis devem ser levados a todos, sem exceção, de forma, entretanto, que 
os candidatos à sabedoria sejam bem provados, com ordálios severos, a fim de não 
serem jogadas pérolas aos porcos, conforme consta de Mateus, cap. 7, vers. 6. Esta 
recomendação continua válida, porém sem os exageros antigos e o cuidado para 
que os julgamentos de aptidão dos candidatos sejam realizados por verdadeiros 
Epoptas,38 a fim de que as aparências mundanas e as deficiências pessoais dos 
julgadores impeçam um homem de bem, mas que ainda não está dentro dos 
padrões de seus julgadores, seja prejudicado, permitindo-se que aconteça um novo 
“Julgamento de Apolônio”, como costuma suceder quando pretensiosas 
“autoridades” se insurgem contra o que é espiritual. Não julgueis para não serdes 
julgados e Amor é a Lei, Amor sob vontade, sempre devem prevalecer. 
39. A palavra da Lei é Thelema (ΘΕΑΗΜΑ).
Comentário: A palavra da Lei é VONTADE, tradução do vocábulo grego 
ΘΕΑΗΜΑ (Thelema). Embora pequeno, este versículo aporta uma mensagem 
transcendental para a Nova Era de Aquário, quando serão vivenciadas pela 
humanidade as energias do 7o. Raio (o Raio do Ritual e da Magia), intimamente 
relacionado com o 1o. Raio (Raio da Vontade e Poder)39. 
Embora a quase totalidade dos seres humanos não goste de admitir, 
jamais experimentaram esta energia denominada Vontade, vivenciada até agora 
apenas pelos Grandes Instrutores do mundo e pelos verdadeiros Magos.
38 Epopta era o Iniciado nos Mistérios de Eleusis, possuidor da faculdade de clarividência e, geralmente, por ter 
passado por seu último grau iniciático, era o encarregado das novas iniciações. S.Paulo aplicou a si mesmo este 
grau conforme podemos ver em 1 Coríntios, cap. 3, versículo. 10. 
39 Ler a obra “Tratado sobre os 7 Raios”, do Mestre Djwal Khul através de A. Bailey, publicação da Fundação 
Cultural Avatar, no Brasil e da Editorial Kier, na República Argentina. 
54 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
Quando movimentada pela mente humana, tem um poder fantástico e 
assemelha-se ao conceito de fé, enunciado pelo Mestre Jesus quando disse “se 
tiverdes fé do tamanho do grão da mostarda, direis a este monte: Passa daqui para 
acolá e ele passará. Nada vos será impossível (Mt. 17, 20). 
Em verdade, o ser humano comum ainda não é “um produto acabado” 
que possa “metabolizar” esta energia adequadamente; seu cérebro ainda não está 
suficientemente desenvolvido para manejá-la com aproveitamento. As exceções 
(Napoleão, Hitler, e alguns tipos que alcançaram destaque pela firmeza de suas 
atitudes) apresentaram-se à humanidade de forma desequilibrada e foram 
tremendamente destruidores, embora haja exceções com grande aproveitamento 
como foi o caso de Apolôniode Tiana, Conde de Saint Germain, Cagliostro e vários 
outros grandes taumaturgos, inclusive aquele que recebeu nos Evangelhos o nome 
de Jesus; estes, souberam utilizar essa energia em nível raramente capaz de ser 
expressado pela mente humana em seu atual estágio de desenvolvimento. 
O homem comum utiliza esta energia apenas em sua expressão mais 
deletéria, relacionada ao chacra Manipura e ao plexo solar, na forma daquilo que 
conhecemos como desejo; nada mais do que isso, a não ser em raras ocasiões e 
em circunstâncias tão fortuitas que considera seus resultados como milagres. 
Na Era de Aquário, esta energia estará atuando sobre toda a humanidade 
e já se está fazendo presente, de forma inequívoca, sobre os tipos mais adiantados, 
levando-os a uma consciente VONTADE de viver em harmonia, fraternidade e em 
progresso. O resultado tem sido as grandes alianças políticas e econômicas em 
desenvolvimento na Europa e nas Américas, embora sua ação sobre os tipos menos 
evoluídos venha provocando, em contrapartida, o sentimento de ódio e revolta 
organizada, como atualmente presenciamos em todas as partes do mundo. 
Mas a Lei para o novo Éon é VONTADE, vontade com Amor e Amor sob 
vontade; sem ela as energias do 7o. Raio (Ritual e Magia) poderão causar 
novamente grande retrocesso ao progresso da humanidade, como já ocorreu na 
Atlântida e na Lemúria, daí a coerência do Líber Legis em afirmar: A PALAVRA DA 
LEI É THELEMA. 
 
 
 
 
 55 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
40. Quem nos chama Thelemitas não errará, quando se adentra no sentido 
mais estrito (oculto, secreto) da palavra. Pois ali há Três Graus, o de 
Eremita, o de Amante e o de Homem da Terra. Faze o que tu queres há 
de ser tudo da Lei. 
 
Comentário: Existem três sugestões neste versículo: 
 
1a.) os seguidores das instruções contidas no Líber Legis deveriam reunir-
se numa Fraternidade cujos membros seriam reconhecidos ou 
denominados como Thelemitas; 
2o.) somente deveriam ser admitidos em tal Fraternidade aqueles 
dispostos a aprender, a desenvolver e a viver o que está implícito no 
sentido mais estrito da palavra Vontade, a tremenda energia do 1o. Raio, 
sucintamente descrita no versículo 39; 
3o.) Esta Fraternidade seria constituída de 3 Graus: 
1o. Grau = o de Homem da Terra, destinado aos aprendizes da 
Ciência do Amor; 
2o. Grau = o de Amante, destinado aos aprendizes da Ciência da 
Vontade; 
3o. Grau = o de Eremita, destinados aos aprendizes da Ciência do 
Cosmo Interno (Onde EU SOU não há Deuses). Somente este 
estará apto para viver integralmente o lema “Faze o que tu queres 
há de ser tudo da Lei”. 
 
41. A palavra de Pecado é Restrição. Ó homem! Não recuse tua esposa, se 
ela quiser! Ó amante, se queres, vai! Não existe vínculo que possa unir o 
dividido senão o amor: tudo, além disso, é uma blasfêmia. Maldito! 
Maldito seja isto para sempre! Inferno. 
 
Comentário: Não existe pecado a não ser na mente do homem. O 
conceito de pecado é derivado da concepção de que tudo aquilo que infrinja as leis 
sociais, morais e religiosas de um País ou de uma religião, está contra a Vontade de 
Deus; portanto o pecador deverá ser julgado e castigado pelo que fez Isto é 
puramente humano e falso, pois se fosse realmente uma das expressões d’Aquele 
ou d’Isso que chamamos Deus, ou Amor-Sabedoria (a energia do 2o. Raio) não 
haveria, de sua parte, outra atitude do que aquela de suprema compaixão e perdão 
 56 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
às suas criaturas por desvios cometidos na execução de Seus Próprios Desígnios, 
pois nada acontece que não esteja consubstanciado em sua vontade. 
Sendo o homem, uma partícula da Divindade, seus erros, se os 
houvesse, seriam erros da própria Divindade e isto é completamente fora de 
propósito para a nossa compreensão. 
Em vários trechos do Evangelho vemos o Cristo perdoando pecados (a 
união do homem com seu Cristo Interno redime-o de seus desequilíbrios, 
denominados pecados) e na Primeira Epístola de Pedro, Capítulo 4, versículo 8, 
lemos: “tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre 
multidão de pecados. 
Em verdade, o conceito de pecado é tremendamente limitativo e restritivo, 
atuando na mente do “pecador” de forma altamente destrutiva, sem lhe trazer 
benefício algum; ao contrário estagna sua evolução em mundos de dor e sofrimento 
criados mental e emocionalmente por ele mesmo. 
Tudo o que acontece na vida do ser humano é necessário para sua 
evolução e aprendizado, mesmo aquilo que denominamos erros de conduta, seja ela 
social, moral ou religiosas. A Alma, muitas vezes, necessita de experiências para 
atuar no futuro com mais perfeição, que parecerão “pecados” na mente estreita dos 
julgadores inveterados; entretanto, dentro de sua sabedoria, o Aquele que foi o 
Mestre Jesus aconselhou a perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes 
(Mt. 18, 21). Perguntamos: Por que este perdão quase infinito? Porque sabia a razão 
que movia a atitude humana e compreendia sua psique, portanto, não via “pecados” 
e sim aprendizado necessário no caminho da Eternidade. E mais ainda: a 
recomendação possibilitava que os de “sangue mais quente” viessem a “esfriar-se” 
com o decorrer do tempo, dando tempo que a razão superior (deus no homem) 
vencesse a razão inferior (o diabo no homem). 
Do exposto acima, podemos inferir que o Thelemita não pode estar 
acorrentado às instruções do passado e deve fazer sempre a sua vontade, pois isto 
é o todo da lei. Sexo não é pecado nem existe o pecado original trazido pelo sexo. 
Ao contrário, devemos ver as energias sexuais dentro de seu contexto divino e 
libertador, principalmente quando utilizadas sob a égide do amor; nunca, porém, sob 
a luxúria; mesmo sabendo que cada um pode fazer o que quiser, também sabemos 
da existência de um caminho que constrói e de outro que destrói. 
 57 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
O Thelemita não deve recusar as experiências do sexo, principalmente 
com sua companheira de jornada, toda vez que ela quiser. Se existe amor, atração 
real entre um homem e uma mulher, onde o objetivo seja realmente a integração 
entre o casal e não a satisfação de uma vaidade pessoal, a conquista pelo simples 
prazer, os amantes devem dar-se um ao outro (“Aquele dentre vós que estiver sem 
pecado, atire a primeira pedra” - João, 8, 7). 
Entretanto, devemos aceitar que Amor é a Lei, porém Amor sob Vontade. 
O desejo, que movimenta a quase totalidade do relacionamento sexual entre os 
casais, não levará a nada, no que tange ao avanço espiritual, mas aproxima o 
homem da morte. 
A afirmação da penúltima oração do versículo em estudo: “não existe 
vínculo que possa unir o dividido senão o amor” é conseqüente e verdadeira; o 
homem é um ser dividido e precisa reconstruir-se a fim de voltar a sua perfeição, 
perdida com a separação dos sexos há mais de 20 milhões de anos atrás, quando 
deixou sua condição de andrógino ovíparo para tornar-se homem e mulher com 
reprodução vivípara.40 Chegará a essa perfeição quando, maximizado em sua 
consciência, estiver vivendo, plenamente, em todos os mundos conscienciais; aí não 
terá mais necessidade de procurar fora de si mesmo um complemento que lhe 
permita criar. A alma gêmea do homem não está alhures, mas dentro dele mesmo e 
a forma de unir-se a ela é o Amor; tudo, além disso, é uma blasfêmia. A imprecação 
Maldito! Maldito seja isto para sempre, está relacionada ao conceito de pecado; que 
sua concepção errônea seja maldita para sempre, por distanciar o homem de sua 
realeza espiritual. Inferno é o lugar dos que acreditam no pecado. 
40 Sobre isto, ver Gênesis 2, 24 e Efésios 5, 31/33:“Por isso deixa o homem (de ser) pai e mãe (andrógino 
ovíparo) e se une a sua mulher, tornando(-se) os dois uma só carne (para poder gerar; tornam-se vivíparos). 
“Grande é esse mistério, mas eu me refiro a Cristo e à Igreja. Não obstante vós, cada um de per si (sozinho, 
isoladamente) ame a sua própria esposa (sua contraparte feminina) como a si mesmo. 
 58 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
42. Deixai-os manter esse estado de multiplicidade limitada e repugnante. 
Assim com teu todo; só tens direito de fazer a tua vontade. 
 
Comentário: Faze o que quiseres é a totalidade da lei não só para o 
Estudante, mas também para o homem ainda não desperto para sua realidade 
interna; a tolerância para com estes deve ser ilimitada, respeitadas as conveniências 
sociais que permitam o livre arbítrio de todos. 
A multidão limitada e repugnante é formada por aqueles que, pelo medo 
do pecado, se auto-limitam em todas as coisas, abdicando de sua majestade como 
Filhos de Deus e se auto-escravizam às forças da ignorância e das trevas. Esses, 
pelo estado vibratório em que vivem, acabam por impedir que a luz, como energia 
divina interna, se manifeste plenamente em seus corpos e terminam por modificar a 
estrutura de suas células, aparecendo à vista do clarividente como massas amorfas 
e repugnantes. É por isto que, com teu todo, ou seja, na totalidade do teu ser (corpo, 
alma e espírito) somente deves fazer a tua vontade, que deve ser compreendido 
como a tua Vontade interna e não como os desejos insanos de tua personalidade. 
Para isto, devem ser intensificados os exercícios de Pranayama e meditação, que 
fortalecem sobremaneira a intuição, em detrimento da razão lógica, atributo da 
personalidade. 
 
43. Faça isto e ninguém se oporá. 
 
Comentário: O fortalecimento das energias internas e da intuição, 
proporciona ao Estudante uma forte e notável aura magnética,41 envolvendo em 
profunda simpatia todos aqueles que se acercam de seu ambiente vibratório, 
trazendo-lhe simpatia e concordância para a sua ação; esta passa a ser ilimitada, 
sem nenhuma força de oposição. 
 
44. Pela Vontade pura, isenta de propósito, liberta de desejo intenso por 
resultado, é o único caminho perfeito. 
 
Comentário: Este versículo confirma o comentário do versículo 42 quando 
informamos que o axioma Faz a tua vontade... refere-se exclusivamente à Vontade 
do Ser Interno, único senhor e agente capaz de manipular a energia do 1o. Raio. A 
41 Envoltura Argentada do Mago Branco, formada por Átomos Transformadores do Plano mental superior; é o 
refulgente Augoeides ou Corpo causal dos teosofistas. 
 
 59 
 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
vontade pura, isenta de propósitos e liberta do desejo por resultados, é a Lei para a 
Nova Era; só será conquistada por aqueles que abandonarem seus propósitos 
pessoais e procurarem, no interno, a comunhão com sua contraparte divina; este é o 
único caminho perfeito.42 O resto são aventuras, válidas apenas como experiência 
necessária à evolução das almas. 
 
45. O Perfeito e o Perfeito são um Perfeito e não dois; ou melhor, são nada! 
 
Comentário: O versículo nos fala do estado de arrebatamento extático 
completo, conhecido como Samâdhi, ou seja, a contemplação supraconsciêncial 
(ainda um estado mental, como tudo no presente universo), em que a concentração 
no próprio Espírito chega a um ponto tão extremo, que a mente se unifica com aquilo 
em que se acha concentrada. Nesse instante, cessam ou ficam em suspenso todas 
as suas transformações e o Estudante perde a consciência de toda a 
individualidade, inclusive a sua, convertendo-se no Todo. Em outras palavras, 
experimenta seu Pralaya individual,43 não pela anulação de si mesmo, mas pela 
expansão de seu ser, participando do que parece ser a totalidade, quando, então, se 
torna um com esta consciência total, sobrevindo, posteriormente, o estado extático 
“Eu e Pai (o Absoluto) somos Um”, ou melhor, Somos a Eternidade ou Nada. 
 
46. Nada é uma chave secreta desta Lei. Os Judeus chamam-na sessenta e 
um; chamo-a oito, oitenta, quatrocentos e dezoito. 
 
 
Comentário: Este versículo é corolário do anterior, onde Nada aparece 
como a eternidade ou Consciência (se assim podemos dizer) do Absoluto, onde não 
existe qualquer diferenciação. Os Judeus chamavam-na 61, que entendemos como 
sendo ס (Samekh) cujo valor é 60 e representa hieroglificamente um movimento 
circular cíclico, e א (Aleph), cujo valor é 1, significando a unidade, o ponto central, o 
princípio abstrato de uma coisa. Estas duas letras representam o Círculo com um 
ponto no meio  e sua soma dá 7, a chave da criação de Moisés e o símbolo de 
toda a sua religião, ou seja, da Lei Mosaica. Simbolicamente, esta chave também é 
42 Naturalmente, esta afirmação provocará a contrariedade dos estudantes com conceitos de iluminação 
diferentes dos esposados pelo Autor e do que está contido no versículo. Somente podemos acrescentar para 
estes que a Sabedoria não nasce da contradição, mas da integração. O Autor sempre estará à disposição para 
conversar com seus discordantes, pois sempre respeitará o mundo mental de cada um, pois aprendeu o que é 
melhor para seus semelhantes. 
43 Essa experiência individual é semelhante a do Pralaya universal, quando todo o Universo é recolhido ao 
Absoluto, Dele nada permanecendo manifesto. 
 60 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
representada pelo Selo de Salomão 44 com um ponto no meio e, na Cabala, se 
refere a Sephirah Netzach (A vitória), estando relacionada às polaridades, cuja 
finalidade é estabelecer a harmonia do Superior com o Inferior, do Macrocosmo com 
a Microcosmo, que leva ao Absoluto, à Eternidade ou Nada. 
Em seguida, vem a afirmação: “Chamo-a oito, oitenta e quatrocentos e 
dezoito” e isto nos leva novamente a um símbolo duplo, desta vez representado 
pelas duas serpentes entrelaçadas do caduceu 
 
 formando o número 8 e 
significando, sobretudo, a vida eterna, que se mantém pelo equilíbrio do 
movimento.45 Oito é também o número do Cristo, conforme será demonstrado 
posteriormente e Oitenta indica a extensão de 8 como reverberação da Eternidade 
(Nada), por meio do mecanismo de opostos equilibrados,46 estando relacionado à 
Sephirah Hod, cuja imagem mágica é o hermafrodita (o que tem dupla polaridade),47 
cujo chacra mundano é Mercúrio, que corresponde ao Deus Egípcio Hermes, o 
Trimegistus, o Patrono da Magia. 
Quanto ao número quatrocentos e dezoito (418), que consta na Capa do 
Liber Legis como igual (=) a XCIII, ou melhor XCIII = 418, remetemos a atenção do 
Estudante ao comentário do versículo 78 do Segundo Capítulo do Líber Legis, neste 
livro, onde é devidamente explicado, sob a análise do mantra ABRAHADABRA, 
apenas acrescentando-se que a conotação de Eternidade justifica-se por ser a casa, 
ou seja, onde Hadit permanece no centro: A ETERNIDADE. 
 
47. Mas eles têm a metade: une por tua arte de maneira que tudo 
desapareça. 
 
Comentário: Os judeus têm a metade da chave porque possuem a 
Cabala; é importante que o Estudante saiba unir os conhecimentos contidos no Líber 
Legis com os da Cabala, para que todas as dificuldades desapareçam. 
A importância da interação entre os versículos que vêm sendo estudados, 
os trinta e dois caminhos (10+22) da Arvore Sephirotal (em verdade 33) e as práticas 
ensinadas por Crowley no livro “Magick,” são de grande importância para o 
Buscador sincero. 
44 Também conhecido como Estrela de Davi. Na Índia, é chamado de “Sinal de Vichnú” e usado nas casas de 
todas asaldeias como um talismã contra o mal. 
45 “Curso de Filosofia Oculta” de Éliphas Lévi, página 180, da Editora Pensamento. 
46 “Magia - en teoria y práctica”, de Aleister Crowley, página 190, da Editora Luis Cárcamo, Editor. 
47 A Palavra “hermafrodita” nasce da conjunção de Hermes com Afrodite, símbolo do casal perfeito. 
 61 
 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
48. Meu profeta é um tolo com seu um, um, um; não são eles o Boi e 
nenhum pelo Livro? 
 
Comentário: Aqui parece que o Profeta é o próprio Crowley, sendo 
considerado um ingênuo por priorizar exclusivamente a parte numérico-cabalista que 
envolve o Líber Legis, principalmente por não considerar que esta parte envolve 
apenas a metade do que está sendo escrito. A pergunta: “não são eles o Boi, e 
ninguém pelo Livro?” poderia ter duas interpretações: 
 
- a primeira considerando o vocábulo Boi (está com letra maiúscula no 
original de Crowley) a sustentação, a base religiosa de parte do que foi 
ditado no tocante ao Livro, isto por causa da conotação de Boi com o 
culto a Apis, pelos egípcios e judeus antes de Moisés; 
- a segunda, considerando Crowley e sua esposa Rose apenas como 
“veículos de carga” no que se refere à difusão do Líber Legis para a 
humanidade e apenas isto, portanto ninguém, ou seja, não têm a 
importância capital que se lhe poderia querer emprestar. 
 
É possível interpretações melhores para o presente versículo, o que o 
Autor incentiva ao máximo, pois um dos fundamentos do Líber Legis é fazer com 
que o Estudante expanda sua consciência “ad infinitum”, a fim de conquistar as 
condições necessárias para participar da Nova Era. 
 
49. Ab-rogados estão todos os rituais, todos os ordálios, todas as palavras 
e sinais. Ra-Hoor-Khuit tomou seu assento no Oriente (Leste) ao 
Equinócio dos Deuses; e que Asar seja com Isa, os quais também são 
um. Mas eles não são de mim. Que Asar seja o adorador. Isa o sofredor; 
Hoor, em seu secreto nome e esplendor, é o Senhor iniciando. 
 
Comentário: O versículo ordena que todos os rituais, ordálios, palavras de 
passe e sinais secretos para “penetrar” no “Templo”, sejam abolidos, a partir da 
publicação do Líber Legis, indicando que uma nova Era se inicia com a saída do Sol 
no Equinócios dos Deuses, quando o domínio da Força Trina, representado por Ra-
Hoor-Khuit;48 marca um novo período de Primavera Espiritual para a Humanidade. 
48 Ver o comentário do versículo 21 do Segundo Capítulo do Líber Legis, neste livro. Embora tenhamos 
encontrado outras explicações para Ra-Hoor-Khuit, depois de analisá-las com o devido respeito e reverência às 
mentes que as adotaram, preferimos permanecer com a que nos foi intuída. 
 62 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
Preconiza, também, a integração de todas as religiões, explicando que 
Ásár (um dos nomes de Osiris-defunto, ou seja, o Iniciado),49 seja um com Isa (ou 
Issa é como os maometanos denominam Jesus no Corão) e que Ásár, represente a 
coorte celestial e que Isa, represente a Humanidade (a sofredora). 
Acrescenta que Hadit (o mesmo que Hórus, o morador do coração) é o 
Iniciador da nova fase de evolução da humanidade, o que é confirmado pelos 
diversos movimentos religiosos do Planeta que parecem convergir para a realidade 
do EU SOU como o Cristo Interno em cada ser humano. 
 
50. Há uma palavra para ser dita em relação à tarefa Hierofântica. Atentai! 
Existem três ordálios em um e isto deve ser dado em três caminhos. O 
grosseiro deve passar pelo fogo; que o sutil seja testado no intelecto e o 
sublime separado no mais elevado. Desta forma, existem estrela e 
estrela, sistema e sistema; que um não conheça bem o outro! 
 
Comentário: Entendemos que estamos tratando de uma iniciação interna 
e, embora o versículo 49 deixe claro que tudo o que era externo e antigo deve ser 
abolido, isto não implica em que assim seja no que se refere ao interno, onde 
devemos aprender a conhecer a “senha”50 a ser proferida, perante o guardião, capaz 
de nos dar entrada, em cada esfera Sephirotica, onde temos de percorrer os 
caminhos de nossa iluminação. 
A advertência para os três ordálios em um e que isto será dado ao 
Iniciante em três caminhos, provavelmente está relacionada aos caminhos 32 31 e 
29 da Árvore Sephirotal, todos partindo de Malkuth, onde o grosseiro passa pelo 
fogo (caminho 31), o sutil é testado no intelecto (caminho 29) e o sublime separado 
no mais elevado (caminho 32), onde, neste, após a passagem no “labirinto” renasce 
o espiritual do material. 
Sobre estrela já falamos o suficiente, acrescentando que cada criatura 
tem suas características vibratórias particulares, constituindo cada ser um sistema 
atômico universal diferente do outro. Quanto à recomendação “que um não conheça 
bem o outro” deve referir-se à necessidade de preservação, cada um, de sua 
“seidade” enquanto individualidade, para evitar interferências quase sempre 
maléficas no processo evolutivo. 
49 Este nome também aparece associado a Osiris, seguido de Un-nefer, ou seja, “o que perdura para sempre”. 
50 Esta “senha” pode ser uma exaltação, um hino, uma palavra-chave, etc., dependendo do Plano e da esfera 
(Sephirah) onde pretendemos entrar. 
 63 
 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
51. Existem quatro portas para um palácio; o chão desse palácio é de prata e 
ouro; a lazulita e o jaspe estão ali; e todas as fragrâncias raras: jasmim e 
rosa e os emblemas da morte. Que entre alternativamente ou ao mesmo 
tempo pelas quatro portas; mantenha-se em pé sobre o chão do palácio. 
Não afundará? Amn. Ó Guerreiro! se teu servidor afundar? Porém há 
meios e meios.51 Seja admirável, contudo: vesti-vos com as mais finas 
roupagens; comei manjares excelentes e bebei vinhos doces e 
espumantes! Também, saciai-vos de amor ao máximo, quando, onde e 
com quem vós quereis! Mas sempre para mim. 
 
Comentário: Novamente estamos “pisando” os caminhos da Árvore 
Sephirotal, onde as indicações tanto nos falam da Sephirah de Saída como a de 
Chegada, dos incensos adequados e da necessidade de reconhecimento dos níveis 
mágicos de consciência que precisam ser observados. 
Somente com o estudo e a prática dos Caminhos Cabalísticos e o 
reconhecimento de cada esfera (Sephirah), este versículo poderá ser entendido. O 
que o Estudante não pode fazer é tentar materializar o que consta do versículo, 
porque tanto se perderá em imaginações inócuas como poderá chegar a uma 
compreensão inexata e negativa (Qliphótica) do assunto, o que lhe será 
extremamente prejudicial. Porém: faz o que quiseres, há de ser tudo da lei. 
Vários livros que abordam a iniciação interna sempre mencionam o 
Palácio ou Câmara de quatro portas (uma preta, outra azul, outra vermelha e outra 
branca) que estariam relacionadas às quatro pétalas do chacra fundamental 
(Muladhara). Estudo e prática da Cabala, empreendidos muitas vezes, levarão o 
Estudante ao completo esclarecimento das manifestações do inconsciente não 
racional, onde está a chave para a compreensão deste versículo.52 
O que importa, no final de tudo, é que tudo seja feito por amor e respeito 
à Divina Mãe. 
51 Deve-se entender “métodos e métodos”. 
52 Para os que desejarem maiores detalhes sobre estas experiências, recomendamos a leitura do livro “A 
Santíssima Trinosofia”, atribuído ao Conde de Saint Germain e editado pela Editora Mercúrio. Todo o processo 
ali narrado representa os diversos caminhos internos da iniciação humana. 
 64 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
52. Se istonão estiver correto; se confundis as marcas do espaço, dizendo:
Elas são uma; ou dizendo, são muitas; se o ritual não for sempre para
mim: então esperai os terríveis julgamentos de Ra Hoor Khuith.
Comentário: Aí está a advertência: antes de iniciar um caminho, o 
estudante deve preparar-se devidamente para o mesmo, estudando ao máximo suas 
características e possíveis experiências, a fim de não fazer confusão dentro de seu 
propósito. Cada caminho e cada Sephirah tem o seu ritual, que deve ser seguido por 
amor à Divina Mãe. Práticas temerárias com as escórias energéticas ou confusas 
(Qliphóticas), levarão o Estudante a um julgamento terrível. 
53. Isto regenerará o mundo, o pequeno mundo minha irmã, meu coração e
minha língua, para quem mando este beijo. Também, ó escriba e profeta,
embora sejas dos príncipes, isto não te suavizará nem te absolverá.
Porém que o êxtase seja teu e a alegria da terra: sempre para mim! A
mim!
Comentário: Este versículo parece deixar claro que as “vivências” 
experimentadas na Senda Cabalística regenerarão o pequeno mundo interno do 
estudante, levando em conta os benefícios do reconhecimento dos mundos 
anímicos que constituem a contraparte superior e inferior de sua própria expressão 
individual-pessoal. 
A frase “o pequeno mundo minha irmã” pode estar se referindo a Rose 
Crowley (cada homem e cada mulher é um estrela), ao que parece o verdadeiro 
médium psicógrafo do Líber Legis, principalmente porque tornou-se “o coração e a 
língua” da entidade comunicante (Aiwass), merecendo, por isto, seu carinho, contido 
na expressão “para quem mando este beijo”. 
Entretanto, também poderíamos dizer que está se referindo ao pequeno 
mundo de Nuit, o coração do Estudante, representado por todas as formas de vida 
existentes, que se beneficiarão da reforma do homem e de sua língua, a expressão 
criadora da Natureza, que, então, poderá fazer-se plena. O beijo enviado tanto pode 
implicar num ato de carinho dessa expressão criadora, para a humanidade, como 
também para o Líber Legis, com seus ensinamentos para a Nova Era. 
No final, adverte Crowley, deixando claro que seu trabalho pela difusão do 
livro, não lhe trará benefícios extras pelo serviço prestado, porém que a sua 
conquista pessoal dos estados superiores de consciência se realizem e possa ser 
65 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
feliz em sua encarnação, sempre em benefício da Divina Mãe, sempre 
compreendendo que ela é a vida e a expressão da vida, em toda a natureza. 
 
54. Não mudes sequer o estilo de uma letra; pois observai! Tu, ó profeta não 
verás todos estes mistérios ali escondidos. 
 
Comentário: Mais uma advertência de que nada, em relação ao livro, 
deve ser modificado, até mesmo o estilo de uma letra; de modo estranho, mas 
profeticamente, Aiwass, como mensageiro de Nuit, diz textualmente neste versículo, 
que Crowley não perceberá todas as lições contidas no Líber Legis,53 o que ele de 
certa forma comprovou ser verdade ao escrever “The Law is for All”, onde confirma 
não perceber ou entender o sentido de uma boa parcela dos versículos analisados, 
passando, inclusive, por cima de alguns, sem dar explicações. 
 
55. A criança de tuas entranhas, ela os verá. 
 
Comentário: A “criança” das entranhas de Crowley certamente é o seu 
Cristo Interno ou Eu Superior, que tudo sabe e tudo vê, a qual ele buscou 
tenazmente em sua vida e que denominava seu SANTO ANJO GUARDIÃO. 
Este Cristo-criança (Hadit ou Hórus) existe no coração de cada ser 
humano, nascendo quando Kundalinî, a matéria ígnea que reveste os corpos 
divinos, é levada ao chacra do coração (Anahata). Quando isto ocorre, o ser humano 
vence um grau em seu processo evolutivo e abandona o estado de humanidade, 
tornando-se uma consciência cristificada, não necessitando mais reencarnar na face 
da Terra. 
Nos diversos mitos religiosos, esta “Divina Criança” sempre nasce numa 
cova ou caverna, (como Jesus, do mito cristão), representação exotérica do 
ventrículo esquerdo do coração, onde Esse Ser Radiante trabalha ativamente para 
iluminar a consciência do homem adormecido. 
53 As interpretações dos versículos do Líber Legis, pelo Autor deste livro, não pretende complementar o trabalho 
de Crowley no livro citado e, muito menos têm a pretensão de cotejar os conceitos emitidos pelo mesmo. É 
preciso que os “seguidores” de Crowley compreendam que o presente livro é para aqueles que se interessam 
por sua obra, realmente muito valiosa, porém, querem gozar do direito de concluir, diferentemente do mesmo, 
sobre os ensinamentos recebidos. É o que o Autor fez, sem temer os anatematizadores e intolerantes da 
liberdade de pensamento, tão defendida pelo próprio Crowley. Nisto não vai a recusa da obra, mas sua 
percepção sob uma ótica cheia de ensinamentos, também cheia da magia da beleza e do amor. 
 66 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
56. Não o esperes do Oriente nem do Ocidente; pois de nenhuma casa 
presumível virá esta criança. Aum! Todas as palavras são sagradas e 
todos os profetas verdadeiros; salvo somente que entendem pouco; 
solucione a primeira metade da equação, deixe a segunda intocada. 
Porém tens tudo na claridade e algo, embora nem tudo, na escuridão. 
 
Comentário: Confirmando o que dissemos no 2o. item da resposta ao 
versículo 55, está claro que a “Criança” não deve ser esperada nem do Oriente nem 
do Ocidente, pois está dentro de nós mesmos: é o EU SOU, Hadit ou o “Morador do 
Coração”. O fato de não vir de nenhuma casa presumível consubstancia-se no fato 
de que não está sujeita às Casas Astrológicas para seu nascimento, pois está acima 
delas. 
É proferido, em seguida, o mantra Aum, que deve ser pronunciado 
jogando a respiração na parte interna dos lábios, sonorizando a letra A, levando 
depois o som para o céu da boca, sonorizando a letra U e, por último, exalando o ar 
pelo nariz, sob o som da letra M, mantendo o pensamento no chacra coronário, 
como ressonância. 
O Estudante sincero sabe que todas as palavras sagradas contêm sons 
vocálicos que atuam vibratoriamente sobre os diversos centros de força. A 
entonação da palavra e a qualidade do pensamento por ela expressa é que pode ser 
benéfica ou maléfica. 
A afirmação: “todos os profetas são verdadeiros, salvo somente que 
entendem pouco”, seguida da recomendação de que “devemos solucionar a primeira 
parte da equação e deixar a segunda intocada” é uma metáfora e provavelmente 
está relacionada aos guias internos encontrados no percurso dos caminhos 
existentes na árvore cabalística; cada um destes guias tem conhecimento adequado 
exclusivamente ao caminho onde os encontramos e nada, além disso. 
O fechamento do versículo parece ser uma comprovação do que estamos 
dizendo. 
 
 
 
 
 67 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
57. Invocai-me sob as minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob vontade. Que os 
ingênuos54 não interpretem mal o amor; pois há amor e amor. Existe a 
pomba e a serpente. Escolhei bem! Ele, o meu profeta, escolheu 
conhecendo a Lei da fortaleza e o grande mistério da Casa de Deus. Todas 
estas letras antigas de meu Livro são como deve ser; mas tsade (צ) não é 
uma Estrela. Isto também é secreto: meu profeta o revelará aos sábios. 
 
Comentário: “O que está em cima, é igual o que está em baixo”; o 
Macrocosmo é igual ao Microcosmo. Compreender este axioma é extremamente 
necessário para a interpretação de alguns versículos do Líber Legis, senão a 
maioria. 
O que temos em estudo, tanto pode ser interpretado como a invocação de 
Nuit no mundo externo, durante a noite, sob um céu estrelado, como também (e é o 
que nos interessa),interna e conscientemente, sob as energias Sephiróticas, que 
congregam as diversas Inteligências Atômicas, em todos os níveis de manifestação, 
dentro do Universo-Templo representado pelo nosso corpo. 
Entretanto, aqui, devemos entender Nuit em seu aspecto de Kundalinî, 
quando a invocação deve pretender sua manifestação plena, sem abrigar qualquer 
resquício emocional, e com o objetivo de obter a iluminação plena, direito inalienável 
de todos os seres humanos. 
O amor, ou seja, a integração plena da natureza feminina com a 
masculina deve ser exercido sob o império de uma vontade firme, poderosa e 
objetiva, capaz de controlar toda manifestação emocional com repercussão externa, 
para que o êxtase seja puro e criativo somente nos reinos de nossa natureza 
interna. 
Existe, sobre isso, a advertência de que os ingênuos (os tolos, os 
pretensos “sábios” e criadores de sistemas pessoais de Tantra) não devem 
interpretar mal o Amor, o que infelizmente acontece com freqüência, com a 
deturpação do que é Divino, substituído, por alguns seguidores do Tantra negro, por 
uma bestialidade inconcebível pois, como arremata esta oração do versículo, há 
amor e amor, portanto, necessitamos do amor sublime, SE QUEREMOS O QUE É 
SUBLIME. 
54 Ingênuos ou tolos (“fools”, em inglês). É a carta 22 do Tarot egípcio (Regresso, O Retorno). 
 68 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
Podemos acrescentar ainda: todos os caminhos levam à meta, uns com 
glória e felicidade e outros, com grandes sofrimentos, desequilíbrios e atrasos 
fantásticos. 
Em seguida, temos dois símbolos: a pomba e a serpente, com diversas 
conotações cada um, aparecendo: 
a) a pomba, como representação da paz, equilíbrio, esperança e, 
também da “Shekinah”, título aplicado pelos cabalistas a Malkuth, porém pelos 
judeus à “nuvem de glória” que permanecia sobre o lugar de Misericórdia no “Santo 
dos Santos” e que, não obstante, é de natureza muito mais elevada, pois é o véu de 
Ain Soph , o Infinito e o Absoluto, segundo ensinavam os rabinos da Ásia Menor. É 
também uma espécie de Mûlaprakriti cabalístico, a luz primordial, a Luz eterna no 
mundo do espírito (Glossário Teosófico). 
Shekinah foi representada como pomba quando o Espírito Santo (Nuit, o 
3o. Logos) “desceu” sobre Jesus, durante o “Batismo pelas águas”. É a iluminação 
“por cima” através do chacra Sahasrara. 
b) a serpente é o símbolo da Perfeição e Sabedoria Divinas e sempre 
representou a Regeneração Psíquica e a Imortalidade; Hermes Trimegisto a 
denominou como o mais espiritual de todos os seres e Moisés, iniciado na sabedoria 
de Hermes, seguiu o seu exemplo no Gênesis. Os Gnósticos a tinham como 
emblema, com as 7 vogais sobre a cabeça, representando as 7 Hierarquias dos 
Criadores Planetários. Neste versículo ela aparece como símbolo das energias 
nascidas no chacra Muladhara (Kundalinî) nos vários planos de consciência, 
representados pelos 7 centros de força. Está relacionada a iluminação por baixo. 
A advertência para que o Estudante escolha bem se justifica 
perfeitamente, porque cada escolha envolve um sistema de iluminação diferente, 
embora válidos, os dois, para o alcance do mesmo objetivo. O da Serpente implica 
no Tantra, método de iluminação utilizando as energias sexuais que, segundo os 
Tantristas, é mais natural e direto, pois alegam que “se o homem foi expulso do 
Paraíso por causa da Serpente, é pelo caminho da Serpente que poderá voltar a 
ingressar no Paraíso”. 
Alegam, também, que a iluminação ocorre como o despertar do sono e o 
morrer, pois ninguém acorda gradualmente ou morre aos poucos: ou está acordado 
ou está dormindo e ou está vivo ou está morto. Por isso, para eles, a iluminação não 
é conquistada aos poucos, vida após vida, pagando todo o carma acumulado, mas 
 69 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
pela consecução do Mahamudra ou êxtase supremo,55 obtido pelo domínio da 
energia sexual (Kundalinî, a força ou energia ígnea, base da vida nos planos 
manifestados), posteriormente direcionada para a iluminação dos 7 estados de 
consciência (7 chacras) onde a vida se desenvolve. 
O Mahamudra, que traz a Suprema Sabedoria (A serpente) torna o 
homem, pelo conhecimento da verdade sobre si mesmo, isento de pecados, ou seja, 
do seu carma, que aflige aqueles que perseguem o sistema de desenvolvimento 
gradual, pela conquista das virtudes que engalanam a Alma dos “antes nascidos”. 
Como dissemos acima, os dois sistemas, ou seja: 
a) o da iluminação gradual, vida após vida, realizando a conquista da 
sabedoria através da experimentação e do domínio de si mesmo 
perante a adversidade e, 
b) aquele que preconiza o Tantra.
Os dois são válidos e levam à mesma meta. 
O melhor? Não há resposta que possa ser aceita por quem ainda está 
buscando; só quem chegou a realizá-los poderia dizer alguma coisa, mas, também o 
que dissesse, não seria, da mesma forma, aceito; esta é uma verdade incontestável 
para os que sabem alguma coisa. 
Todavia, de forma sutil, porém fortemente presente neste versículo, está 
um terceiro caminho para a conquista da iluminação: o Caminho do Coração 56ou a 
Senda para a Morada de Hórus (Hadit, a Divina Presença ou a manifestação da 
Mônada Divina no coração humano) ou, ainda, o EU SOU, no homem. Este 
caminho, que vem sendo preparado há milhares de anos, ou seja, desde a Era de 
Touro, que começou há mais de 6.000 anos atrás, propõe a libertação da
55 O Reino dos céus é arrebatado (pela) a força –(Mt. 11,12). A força é Kundalinî. 
56 Aparentemente, apesar de ter enaltecido de todas as formas o Amor (dentro de sua compreensão), Crowley não chegou a 
perceber ou não quis dar ênfase ao aspecto superior da mensagem do Líber Legis: aquele que revela Hadit também como o 
EU SOU, a realidade divina no homem, como uma das partes mais importantes do livro. Deixou também de enfatizar o aspecto 
trino da manifestação divina como Ra-Hoor-Khuit, bem caracterizada nos três capítulos do Livro. 
Ateve-se, quase que exclusivamente, ao aspecto mágico das revelações (aliás, de forma brilhante), parecendo 
(aos que não chegaram a compreendê-lo totalmente), não ter pressentido que existia outro caminho para obter os efeitos que 
buscava. Esse caminho estava contido exatamente na visão de Hadit como “a chama que arde em todo coração humano e no 
âmago de cada estrela”, ou seja, mais uma, e definitivamente a última, revelação do EU SOU para a humanidade que, com as 
energias que atuarão nos próximos dois mil anos sobre o Planeta (principalmente as do 4o. Raio - Harmonia e Beleza, a se 
iniciar no ano 2025), trarão amplas condições para que ela, a humanidade, definitivamente se reconheça como filha de Deus e 
realize, através de toda a Magia nascida no coração, a tremenda renovação do mundo, coerentemente com os primeiros 
Manifestos Rosa-cruzes. Os estudantes sinceros e não fanáticos devem meditar muito sobre o Líber Legis; procurar a sua real 
mensagem, vivenciar o seu conteúdo por dentro dos caminhos da Cabala e, aí então, praticar a Magia em toda a sua beleza, 
esplendor e poder: aquela que nasce no coração, a magia que liberta o homem imediatamente de seu carma, passado, 
presente e futuro, pois o identifica com a própria Divindade. Então compreenderá, como apóstolo da Verdade que: “O amor 
cobre multidão de pecados” (1Pedro 4, 8) e que a mensagem do Líber Legis para a Nova Era é o coração, onde 
encontraremos Hadit (Tiphareth), nascido pela ação do amor de Nuit (Binah em sua união com Chokmah), elevando-nos a Ra 
(Kether) para o conluio da Eternidade (Ain Soph). 
70 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
humanidade dos véus da ignorância, pela conscientização, do ser humano, de suaDivindade Interna. Esta proposta fica explícita: 
• no Bhagavad Gîtâ (Era de Touro), por Krishna, quando se revela a 
Arjuna como “EU SOU a Essência Espiritual que habita nas 
profundezas da Alma e no Íntimo de cada criatura; o Princípio, o 
Meio e o Fim de todas as coisas; a sua Origem, a sua Existência, o 
seu Termo Final. 
• no Antigo Testamento (Era de Áries, há 4.000 anos atrás), a Moisés 
(Êxodo 3, 14/15) quando diz “EU SOU o que Sou. Disse mais Deus a 
Moisés: assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós 
outros”. 
• no Novo Testamento (Era de Peixes, há 2.000 anos atrás), através de 
Jesus, quando este, confirmando o dito por seus veículos anteriores, 
afirma: EU SOU o Caminho, a Verdade e a Vida; EU SOU a Luz do 
Mundo, etc. etc. (ver o Apêndice, no final deste Livro). 
• Atualmente (Era de Aquário, Éon de Hórus), nos três capítulos do Líber 
Legis, vemos a constante afirmação de que EU SOU (“Eu Sou a Chama 
que arde em cada coração humano; Eu Sou o Mago e o Exorcista..., 
etc. etc.), principalmente no 2o. capítulo, que pode ser considerado o 
Livro de Hadit. 
E tudo isso fica muito claro se observarmos atentamente a oração do 
versículo em estudo, que diz: “Também não deixe que os ingênuos interpretem mal 
o amor; pois há amor e amor”. Ele se refere ao Amor do Coração, em consonância 
com o versículo 7 do 2o. Capitulo que se complementa afirmando: “Eu sou o eixo da 
Roda e o Cubo no Círculo. Vinde a mim é uma sentença ingênua, pois Eu Sou 
o que vai”. 57 
O versículo termina dizendo que o Profeta (neste caso: Crowley) escolheu 
a lei da fortaleza e o Grande Mistério da Casa de Deus; cabe-nos, somente, tentar 
compreender o que isto pode significar. Senão, vejamos: 
a) A lei da Fortaleza relaciona-se a Sephirah Geburah, cujo chacra 
mundano é Marte, que a despeito de seu aspecto de violência (espada 
na mão), nem sempre deverá ser encarado dessa forma. É importante 
57 Ver o comentário do versículo 7 do Capítulo 2, para maiores esclarecimentos. 
 71 
 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
apreender o sentido superior da força marciana relacionada a Geburah, 
representado pelo pentagrama, muito utilizado na magia “não só para a 
invocação, como também na limpeza ou banimento, na esfera psíquica, 
de elementos interiores indesejáveis”.58 Estes últimos seriam as energias 
Qliphóticas. 
b) O Grande Mistério da Casa de Deus (Luz demasiada causa Trevas) está 
relacionado à Sephirah Geburah e se refere ao arcanjo Khamael, o Anjo 
Brilhante, que aparece como um ovóide brilhando numa luz purpúrea e o 
Anjo obscuro, que aparece como uma serpente escarlate de Fogo. Estes 
dois são antropomorficamente tidos como o “Bem” e o “Mal” e, às vezes 
apresentados sob o aspecto rigoroso, caótico, tenebroso, não que sejam 
assim, mas por despertarem em nós estes estados.59 
 
Assim esclarecidos, poderíamos deduzir: este é o caminho do “fio da 
espada” (lembremo-nos que o signo complementar de Áries, regido por Marte, é 
Libra, signo de nascimento material de Crowley, regido por Vênus, que representa o 
amor mundano), onde só se admite duas contingências: Vencer ou sucumbir, o que 
parece se enquadrar perfeitamente na tônica iniciática de Crowley. O resultado por 
ele conseguido está acima de nossa avaliação. Procurou a Magia e chegou a 
resultados extraordinários. Deixou, entretanto, bem claro, como mensagem mais 
importante do que a Magia por ele praticada o axioma: “Amor é a Lei, Amor sob 
Vontade”, aliás, como deve ser o Amor; nunca sob emoção, como a humanidade 
ainda o vivencia. 
O trecho do versículo: “Amor é a lei, amor sob vontade. Também não 
deixe que os ingênuos interpretem mal o amor; pois há amor e amor” é muito 
sugestivo. Ele representa a Sephirah Tipharet (a do Meio, se considerarmos Daath) 
na coluna do Equilíbrio e, apesar do Abismo que a separa de Kether (O Pai que está 
no céu, o “Eu Sou o que Sou” do Gênesis) podemos afirmar, com certeza, que é, no 
caminho do coração onde podemos atingir a Primeira Glória do Homem como ser 
Divino. O Amor libera o homem de seu carma; o Amor é, nele, o produto mais 
sublime da manifestação divina; é mais facilmente atingível do que a conquista da 
iluminação obtida pelo êxtase sexual; o Amor-Sabedoria é a expressão viva da
58 Mistérios Revelados da Cabala - William Whats - Edição da FEEU. 
59 Idem, ibidem. 
 72 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
consciência da Mônada Divina e pode ser experimentado em seus albores por 
aquele que atinge o conhecimento em Tiphareth. Os mundos inferiores fazem parte 
da entidade humana, porém são todos ilusórios; em Tiphereth, nos aproximamos da 
Realidade. O trabalho no coração não oferece os perigos dos planos inferiores, pois 
nele encontramos “paz e repouso para as nossas Almas”. 
A última oração do versículo (Todas estas letras antigas de meu Livro 
são como deve ser; mas Tsade (צ) não é uma Estrela. Isto também é secreto: 
meu profeta o revelará aos sábios) é totalmente metafórica; portanto deve ser 
encarada sob ângulos subjetivos para poder ser entendida. 
Primeiramente, está claro que as letras antigas são as letras hebréias, 
cujos significados devem permanecer no Líber Legis em toda a sua plenitude, 
principalmente aqueles relacionados à Cabala. No que tange a letra Tsade (צ), 
sabemos que está relacionada ao Arcano 18 do Tarot egípcio (O Crepúsculo), 
governado pelo signo de Escorpião e representando, no caminho iniciático, a fase da 
vida onde se deve abandonar os prazeres da vida animal, em todas as suas formas 
de vivenciamento (principalmente aqueles provindos das energias sexuais), em favor 
de um renascimento espiritual, representado pelo Arcano 17 (A Esperança) com 
todas as suas promessas de uma superação humana no futuro. 
A afirmação de que Tsade não é uma Estrela foi uma forma sutil, na 
enunciação do versículo, de endereçar o raciocínio do Estudante para estes dois 
arcanos e suas conotações espirituais, porquanto a letra Tsade encerra a 
mensagem do arcano 18 e a palavra Estrela, a mensagem do Arcano 17. Se num a 
mensagem é a morte no mundo lunar (o mundo das emoções), no outro existe a 
promessa da vida espiritual, representado pela Esperança, irmã da Fé, cuja 
conotação superior é Vontade-Força. 
Para que o Estudante acompanhe melhor o que é exposto acima, pelo 
comentário, reproduzimos, na página seguinte, estas duas cartas do Tarô egípcio, 
onde vemos, no Arcano 18, relacionado a Tsade (צ), na parte central, dois cães 
latindo e olhando para cima, um preto e outro branco, simbolizando a natureza 
animal, tendo ao fundo, com os vértices para cima, dois triângulos, o primeiro branco 
e o segundo preto. 
Embaixo, dentro de um triângulo branco, com o vértice para baixo, um 
escorpião, o único animal que “mata a si mesmo”. 
 73 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
Em cima (representação da parte espiritual do Arcano), vemos uma lua 
em fase crescente, encimada pelo chicote das gravuras egípcias que simboliza 
sempre a soberania e, ao lado, a serpente e uma letra aparentemente do alfabeto 
cuneiforme. 
Como dissemos no comentário, esta carta representa o estágio de 
declínio ou desinteresse pela vida material naqueles que começam a sentir a 
aspiração pelo caminho espiritual. Acontece quando o homem, cansado da prisão da 
existência sensorial, contempla o nascimento da luz em sua consciência espiritual, 
embora permaneça ainda envolvido nos apelos animais da vida, nesta fase de sua 
existência, mesmo permanecendo pleno de suas energias criadoras, não olha mais 
para baixo e começa a aspirarsomente a criação superior. 
Profanamente, este Arcano está relacionado aos abismos do infinito, às 
dificuldades que envolvem o Ser espiritual quando se submete aos domínios dos 
instintos animais, as decepções amorosas e aos inimigos ocultos, representando 
uma advertência e, também, o sinal de que se deve mudar de vida. 
Após a vivência do Arcano 18 (que representa uma das fases da vida 
iniciática, que vai do Arcano 22, representado pelo Tolo, o Ignorante, o homem 
alheio a sua realidade espiritual, até o Arcano 1, o Mago, o Homem Perfeito, Senhor 
do Céu e da Terra, o Estudante envereda pelas energias do Arcano 17, o da “Estrela 
Resplandecente” ou da Esperança. 
Neste, vemos o que seria a natureza feminina do Aspirante, representada 
por uma jovem desnuda, com adornos na cabeça, formando, com as pernas, dois 
triângulos que também estão representados no inferior por um quadrado dividido 
diagonalmente, um branco (com o vértice para cima) e o outro preto (com o vértice 
para baixo). Acima, entre o plano espiritual e o mental, a Estrela de oito pontas (a 
estrela do Cristo) ligando os símbolos potenciais do céu a terra. 
Segura, ainda, um vaso em cada mão, um de ouro e o outro de prata dos 
quais jorram o que poderia ser o sêmen fecundante na terra ainda árida da natureza 
espiritual. 
Este Arcano está relacionado às experiências internas do Caminho 28 da 
Árvore Sephirotal, que vai da Sephirah Yesod até Netzach, onde inclusive a jovem 
desnuda, portando um cinturão com uma espada pode aparecer, como guia (a 
Estrela Resplandecente) do caminho a ser percorrido. Já o Arcano 18 (O 
Crepúsculo) está relacionado ao Caminho 29 (de Malkuth a Netzach). Este é um
74 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
caminho sombrio em seus significados, cheio de percalços, porém onde adquirimos 
o poder de fazer a nossa vontade, se soubermos querer verdadeiramente. Nestas 
condições, chegaremos à vitória (Netzach). 
Concluindo o comentário do versículo, podemos dizer ainda que a 
esperança de um dia nos tornarmos sábios depende exclusivamente que “o profeta”, 
neste caso não mais Crowley, mas o Átomo Mestre,60 o morador da bolsa seminal e 
Iniciador nos planos Internos da vida, nos revele suas instruções. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
60 Para compreender observe atentamente as figuras existentes dentro da ilustração do chacra Swadhisthana na 
Gravura “Anatomiæ Occultii” e os esclarecimentos sobre o assunto contido Na página 98 do livro “OS DEUSES 
ATÔMICOS”. 
 
 75 
 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
58. Concedo inimagináveis alegrias sobre a Terra: certeza, não fé, enquanto
em vida, sobre a morte; paz indescritível, repouso, êxtase; tampouco
exijo alguma coisa em sacrifício.
Comentário: Este versículo está relacionado às vivências do Estudante 
nos mundos e caminhos internos daquilo que a Psicanálise chama “inconsciente”, 
por considerarem como realidades apenas as coisas do mundo material. Em 
verdade, as percepções chamadas conscientes (Vigília) representam uma pequena 
parcela da realidade que açambarca a personalidade integral da entidade humana; 
mais de noventa por cento dessa personalidade integral (aí incluímos até mesmo as 
percepções físicas, com um potencial grande ainda a ser desabrochado) manifesta-
se continuamente em mundos mais sutis, sem que a mente chamada consciente 
perceba e que, entretanto, além de regular e comandar a maior parte das ações 
humanas no estado de vigília, não faz parte das cogitações do homem comum, 
totalmente ignorante das realidades mais sutis da vida. 61 
Aqui estamos tratando das “vivências” que a Cabala situa na Sephirah 
Tiphereth, em seu caminho para Binah, parcela real de nossa “integralidade” 
humana (mais real e intensa do que nos pode proporcionar a consciência de vigília e 
que, em verdade, constitui apenas um estado de sonho da verdadeira entidade 
humana). Esta “vivência” é conhecida do praticante da Cabala por experiência 
própria. 
São simplesmente inenarráveis, em linguagem humana, as visões, 
envolvimentos e participações a que o Estudante é submetido quando alcança este 
estado de consciência; somente ali podem concretizar-se as promessas de Nuit. Os 
prazeres na terra advêm do novo estado de consciência que passa a usufruir e lhe 
permite considerar as coisas, após estas vivências, com muito maior poder de 
avaliação. 
61 Além do físico grosseiro, existem 4 estados de matéria sutil no universo, denominadas pelos hindus como: 
a) Prâna, a matéria vital de quem o Sol é o centro difusor.
b) Manas, a matéria mental, que tem por centro o Manú.
c) Vijñâna, a matéria psíquica, que tem por centro Brahma e,
d) Ananda, a matéria espiritual, que tem Parabrahman como substrato infinito.
A Cabala também apresenta o universo com 4 estados de matéria que são: 
a) Assiah - plano físico - sistema solar visível.
b) Yetzirah - o astral ou emocional.
c) Briah - o plano mental ou das idéias e arquétipos.
d) Atziluth - o plano divino, sede dos 10 Sephiroth.
O homem, enquanto encarnado, mantém, sem nenhuma interrupção, sua expressão de vida em todos estes 
planos, muitas vezes acessando-os através do sono ou, então, conscientemente, através das práticas 
cabalísticas. 
76 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
O conhecimento sobre-humano adquirido lhe traz certeza, nãos mais fé, 
em tudo aquilo que se relacione com o processo eterno da vida e, portanto, lhe dá a 
certeza da inexistência do que chamamos morte. 
Naturalmente, de posse dessa certeza, conquistada numa vivência que 
passa a integrar sua personalidade humana, o Estudante adquire, interiormente, 
uma paz inexprimível, tranqüilidade absoluta e passa a manter sua consciência 
extasiada perante verdades antes insuspeitadas. Nada disso é conquistado através 
de sacrifícios, oferendas ou advém de favores especiais; tudo isto é oferecido ao 
Estudante por amor à Divina Mãe Natureza, não como condição, mas proveniente 
da conquista que realiza em busca de sua inerente realeza espiritual. 
 
59. Meu incenso é de goma e madeiras resinosas; e não existe sangue ali 
dentro, por causa de meu cabelo, as árvores da Eternidade. 
 
Comentário: Temos a continuidade da fala de Nuit, em prosseguimento ao 
versículo 58. No caminho que está sendo percorrido, chega o momento de acender 
o incenso, que deve ser adequado ao nível de consciência vivenciado e não possuir 
resíduos industriais nem matéria cujo perfume possa criar vibrações nocivas, daí a 
admoestação para que a oferenda não possua sangue, como acontece em algumas 
operações mágicas.62 A oração seguinte justifica a razão para que não sejam 
usados elementos grosseiros, afim de que não seja criada desarmonia nessa região 
de perfeição, beleza e perenidade. 63 
Chamamos a atenção dos praticantes de Magia para a sentença “por 
causa dos meus cabelos, as árvores da Eternidade”. Para o autor, os cabelos de 
Nuit (as árvores da Eternidade) estão relacionados exclusivamente as energias 
tattwicas e já faziam parte das operações mágicas entre os antigos egípcios. O 
trabalho mágico, através do domínio dos Tattwas, é feito de acordo com as leis que 
governam os elementos e prescinde totalmente de qualquer forma grosseira de 
magia cerimonial, em que são empregados recursos deletérios na invocação de 
elementais. As várias referências aos “cabelos de Nuit” nos Livros dos Mortos e, de 
alguma forma, nos rituais que eram celebrados durante as iniciações, nos levam a 
62Sobre a utilização de sangue em práticas mágicas, aconselhamos ao Estudante a ler a Terceira parte, Capítulo 
12, do Livro Magia, en teoria y práctica,onde Crowley aborda o assunto, inclusive com sua vivência pessoal, 
repudiando toda e qualquer forma de tortura de animais até a morte e esclarecendo suficientemente o assunto. 
63 No livro The Law is for All, Crowley oferece sua interpretação pessoal sobre a visão que teve sobre “because 
of my hair the trees of Eternity”, que traduzi como “por causa de meu cabelo, as árvores da Eternidade”. 
Naturalmente, nesses reinos mágicos internos, as experiências sempre estão condicionadas ao estado de 
desenvolvimento de cada um e Crowley teve a sua, particular. 
 77 
 
 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
supor a manipulação de energias para sagrar a cabeça do iniciado, 64 
proporcionando-lhe forças adequadas às viagens que deveria empreender na “Barca 
Solar”. 
 
60. Meu número é 11, tal como os números daqueles que são nossos. A 
Estrela de cinco Pontas, com um Circulo no Meio e o circulo é Vermelho. 
Minha cor é negra para os cegos, mas o azul e ouro são vistos da visão. 
Também tenho uma glória secreta para aqueles que me amam. 
 
Comentário: Como já foi explicado anteriormente (páginas 22 a 26), o 
número onze é a soma natural das letras do alfabeto hebreu Nun (50) e Vau (6), ou 
seja, NU = 56 = 11; também foi explicado que 11 é o Número de Hadit 
(5+1+4+10+9=29=11), presente em toda a criação como Mônada Divina, 
principalmente para os que “descobriram” a verdade do EU SOU em seus corações, 
que podem ser considerados como identificados com Nuit, daí ela afirmar que 11 é 
também o número dos que são nossos. 
A Estrela de cinco pontas representa o poder de Marte, o chacra 
mundano da Sephirah Geburah, já abordada no comentário do versículo 57; o 
círculo vermelho está relacionado à própria esfera de Marte. 
A afirmação de que “minha cor é negra (Akasha) para os cegos” já está 
bem esclarecida nas páginas 21 a 27 do presente livro e sabemos que cegos são os 
que ainda não compreenderam a essência da Vida Manifestada, onde o azul que 
envolve nosso Planeta é a concentração de Vayu, o Tattwa do Ar, em forma de 
atmosfera e o ouro (amarelo) é a cor de Prithivî, relacionado ao desenvolvimento 
atual da Mente Universal e, também, o Tattwa da terra, perfeitamente perceptíveis 
pela visão comum. 
Sabemos que Kether é a Gloria Primordial, a manifestação primária 
daquilo que é “Imanifesto”, representado na Árvore da Vida pelos três véus Ain, Ain 
Soph e Ain Soph Aur. Deduzimos, pela Glória de cima que a Glória de Nuit é a 
Gloria de Baixo, representada por Kundalinî, cujo poder e manifestação realiza a 
glorificação do veículo humano para servir como o corpo Crístico da Divina Criança. 
Mas como diz o versículo, a glória deste corpo é somente para aqueles que 
adquirem a Sabedoria e tornam-se amantes da Divina Mãe. 
64 A iniciação no candomblé mantém esta prática. 
 78 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
61. Porém, amar-me é melhor do que todas as coisas: se sob o noturno céu 
estrelado, no deserto, 65 presentemente queimas meu incenso ante mim, 
invocando-me com um coração puro e dentro dele a chama da Serpente, 
virás por algum tempo em meu peito deitar. Por um só beijo então 
desejarás dar tudo; mas aquele que neste momento der uma partícula de 
pó, perderá tudo nesta hora. Reunireis bens, provisão de mulheres e 
especiarias; ostentareis jóias preciosas; ultrapassareis os povos da Terra 
em esplendor e altivez; mas sempre por amor a mim e, então entrareis na 
posse de minha alegria. Eu vos ordeno ardentemente a comparecer ante 
mim numa túnica inconsútil e coberto com um magnífico adorno na 
cabeça. Amo-vos! Desejo-vos ardentemente! Pálido ou purpúreo, velado 
ou voluptuoso. Eu, que sou todo prazer e dignidade real, a ebriedade do 
mais íntimo sentido, desejo-vos. Colocai vossas asas e despertai o 
serpentino esplendor dentro de vós: Vinde a mim!
Comentário: Uma constante neste primeiro capítulo do Líber Legis é a 
necessidade do Estudante aprender a amar a Nuit, ou seja, a Natureza em todas as 
suas expressões de vida. 
Isto só pode ser alcançado pelos adeptos da Sofia, que aprendem a não 
mais separar (discriminar) para poder conhecer; ao contrário, aprendem a discernir a 
vida em seu habitat natural, identificando-se com as suas leis e integrando seus 
padrões à sua própria consciência. 
Assim procedendo externamente, passa a participar ativamente da vida 
em seus diversos reinos de expressão (mineral, vegetal, animal, ígneo e aéreo), com 
o objetivo de ajudá-la a conquistar níveis de expressão cada vez mais elevados,
identificando-se, dessa forma, com suas forças, e abandonando sua natural 
agressividade contra os reinos inferiores, principalmente aqueles em que a Beleza 
aparentemente está ausente. 
Como conseqüência, harmoniza-se com a vida Elemental interna, 
passando a desfrutar a amizade e o respeito das inteligências atômicas que 
constituem seu universo de expressão nos vários planos conscienciais onde é, ou 
65 É bom lembrar que toda iniciação passa pela visita que temos de fazer a região do “deserto” existente dentro 
de nós mesmos. Foi lá que Jesus enfrentou Satanás, vencendo-o (mas não destruindo-o) e onde também 
deveremos comparecer, em nossa busca interior. Sob a ótica cabalista, o aspirante vai de Malkuth a Yesod 
(Caminho 32 do Tarô) e lá chegando será tentado em sua maior fraqueza e se não tiver controle absoluto sobre 
suas energias sexuais falhará com certeza.
79 
PRIMEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
seja, onde existe. E é essa harmonia com as forças que envolvem sua consciência 
interna e externamente, que permite ao Estudante realmente amar verdadeiramente 
a Nuit, daí Ela afirmar que: amá-la é melhor do que todas as coisas, pois seu amor 
confere realeza, poder, sabedoria e desfrute em sua mais alta expressão ao Iniciado 
(em seus Mistérios), tornando-o verdadeiramente um Mago, Soberano acima dos 
Reis Elementais, aos quais respeita com seu amor e divina compreensão. 66 
Após a advertência de que “amar-me é melhor que todas as coisas”, o 
que deduzimos como uma senha de proteção, segue-se uma clara descrição 
do caminho 31 (Malkuth a Hod) onde “no deserto, sob o noturno céu 
estrelado, queimas meu incenso ante mim, etc. etc.”, representando o trabalho e 
a orientação mágica para o Estudante proceder o ritual necessário a fim de 
estabelecer o contato com Kundalinî (a Serpente), que lhe trará prazeres 
inimagináveis. A seguinte afirmação: “Por um só beijo então desejarás dar tudo...” 
significa que, apenas pelo leve envolvimento, o Estudante terá a tendência de 
entregar-se totalmente ao êxtase a que é levado, seguindo-se a dura advertência de 
que, se “neste momento der uma partícula de pó, tudo para ele estará perdido". 
Para o melhor entendimento da advertência, esclarecemos que o êxtase 
experimentado pode levar o Estudante ao orgasmo (o que deve ser evitado 
definitivamente), com emissão externa de esperma (= pó), cujo substrato é 
imprescindível para a iluminação; se este for desperdiçado, anulará o êxito da 
operação e todo o processo estará perdido. 
Na oração seguinte fica claro que se ele vencer, recolherá bens, 
fragrâncias e provisão67 de mulheres; ostentará jóias preciosas e ultrapassará todos 
os povos da terra e, esplendor e altivez, mas que tudo seja por amor a Ela, Nuit; se 
assim for, participará de sua santa alegria ou o êxtase contínuo em que vivem os 
conquistadores de sua própria ignorância. 
Segue-se a exortação para que o Estudante compareça ante Nuit em seu 
corpo espiritual, numa túnica inconsútil,68 que nada mais é do sua armadura 
argentada ou aura do corpo mental superior e coberto com um adornona cabeça, 
66 O Autor acredita ter deixado claro que a matança de animais nunca é realizada pelo verdadeiro Mago, que 
possui recursos naturais para realizar sua vontade, sempre em harmonia com as leis da Natureza.
67 Provisão de Mulheres não deve ser entendido como uma grande quantidade de mulheres que será dada ao 
Estudante, mas “abundância” de energias femininas, necessárias à harmonização de sua constituição 
corporal-espiritual, a fim de que se torne um Andrógino Perfeito. 
68 Túnica inconsútil, ou sem costura é, em linguagem esotérica, a aura do corpo humano. 
80 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
que deve ser entendido como as irradiações dos chacras frontal e coronário (Ajna e 
Sahasrara), agora ativados pelos albores da energia de Kundalinî). 
Posteriormente, segue-se o convite à divina integração do Estudante com 
sua natureza feminina, a ser liberta, para fazer parte de seu ser; convida-o, em 
troca, a fazer parte dela e experimentar todos os prazeres do êxtase espiritual, 
representado pelo desfrute de sua consciência nos planos mais elevados da vida. 
Isto posto, ordena que se prepare e desperte Kundalinî (o Poder Serpentino) dentro 
dele e participe de seu Amor, o Amor da Divina Mãe. 
62. Em todos os meus encontros convosco a sacerdotisa dirá – e seus
olhos arderão com desejo enquanto ela permanece despida e
regozijante em meu templo secreto – A mim! A mim! estimulando a
chama de todos os corações em seu cântico amoroso.
Comentário: O versículo anterior e o presente são mágicos e Iniciáticos e 
este é a culminação de um encontro que deverá sempre ser renovado pelo 
Estudante. Em todas as práticas ele deverá reativar Kundalinî, até que ela ilumine 
todos os seus veículos (todos os corações) em sua exaltação amorosa. A fala: “e 
seus olhos arderão com desejo enquanto ela permanece despida e regozijante em 
meu templo secreto” significa que Kundalinî, a energia ou sacerdotisa iniciadora, 
anseia por sua libertação e permanece no esplendor de sua natureza ígnea, pura, 
sem véus, no templo Secreto de Nuit, neste caso, o chacra Anahata. 
63. Cantai a arrebatadora canção de amor para mim! Queimai perfumes
para mim! Usai para mim jóias! Bebei para mim, pois amo-vos! Amo-vos!
64. Eu sou a filha de pálpebras azuis do crepúsculo; Sou a nua
luminosidade do voluptuoso céu noturno.
65. A mim! A mim!
Comentário: Os três últimos representam um convite e um pedido para 
que o Estudante permaneça sempre alegre e feliz e não deixe de cultuar a 
Natureza, fortalecendo seus laços dentro de si mesmo. Não poderíamos 
terminar este capítulo sem ressaltar a importância da alegria na vida daquele 
que busca, por ser condição imprescindível para a harmonização com o Tattwa 
Universal da presente emanação Divina, ou seja, PRITHIVÎ. 
66. Termina a Manifestação de 
Nuit.
81 
LÍBER LEGIS 
SEGUNDO CAPíTULO COMENTADO 
1. Nu! o esconderijo de Hadit.
Comentário: Como já foi dito anteriormente, Hadit é a essência espiritual 
atrás de todas as formas; é o centro e núcleo de todas as manifestações 
conhecidas, por isso Nu, a essência da matéria, aparece como o envoltório 
(esconderijo) de Hadit. 
2. Vinde! todos vós! Aprendei o segredo que ainda não foi revelado. Eu,
Hadit, sou o complemento de NU, minha noiva! Eu não tenho extensão e
Khabs é o nome de minha Casa.
Comentário: Depois da leitura das páginas 23 a 29 do presente livro, é 
fácil compreender que Hadit, sendo o aspecto Vida (o 2o. Logos) que impregna tudo 
e todas as coisas, está sempre presente no que consideramos a matéria (NU), 
complementando-a (não existe matéria sem vida; mesmo quando ocorre a 
putrefação, a vida torna-se ainda mais intensa e no caso da decomposição aos 
elementos atômicos, a vida permanece integra, em níveis mais sutis). 
NU é a prometida de Hadit porque a tendência do processo evolutivo da 
matéria, em todos os seus níveis de expressão, é a espiritualização ou 
transformação para o estado radiante. Para podermos entender melhor esta 
afirmação de Hadit devemos lembrar que “matéria é energia coagulada”; matéria e 
vida (espírito) são dois aspectos de uma só realidade, que é o PAI (Ra), princípio 
criador de tudo o que existe. 
Hadit não tem extensão porque é o centro (o núcleo, o cerne) ou a 
concentração de todas as coisas e complemento porque nada existe sem Hadit. 
O mantra KHABS já foi suficientemente explicado no versículo 8 do 1o. 
Capítulo (página 36) do presente livro. 
3. Na esfera (EU) SOU em todas as partes o centro, enquanto ela (Nuit), a
circunferência, não se encontra em parte alguma.
Comentário: Hadit está em todas as partes porque é a essência de todas 
as coisas manifestadas; Nuit, por sua vez, na condição de 3o. Logos é a totalidade
82 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
do Universo manifestado, sem limites, o próprio infinito; portanto a idéia de 
circunferência (a linha que limita o círculo), não se ajusta nem poderia existir ou ser 
encontrada em parte alguma, quando adjetivando Nuit. 
4. Porém ela será conhecida e Eu nunca.
Comentário: A matéria negra que envolve o universo, um dos fatos 
astronômicos que mais intrigam os cientistas modernos, já era conhecida pelos 
Iniciados da Antigüidade e representada simbolicamente através das figuras e 
imagens das deusas da fecundidade, tais como Deméter, Isis, etc., sempre como 
VIRGENS e NEGRAS. 
Ainda hoje as Virgens Negras são adoradas pelos católicos, nas grandes 
catedrais do mundo (Chartres, Rouen, Bayeux, Amiens, Notre Dame de Paris (todas 
na França), Montserrat (Espanha), Aparecida do Norte (Brasil), etc.) como a mãe de 
Deus (no caso o Cristo, o 2o. Logos), ou seja, a que tem a Divindade (Hadit) em seu 
seio. 
Hadit não será conhecido porque não é uma manifestação física, como 
Nuit, velado como está em seu seio. 
 
5. Observai! Os rituais de outrora (dos tempos antigos) são negros. Que os
maus sejam rejeitados; os bons sejam purificados pelo (pela ação do)
profeta! Então, este Conhecimento seguirá de forma correta.
Comentário: Os trechos entre parênteses deste e de outros versículos 
visam apenas facilitar o entendimento do leitor. Aqui temos uma séria admoestação 
contra os rituais praticados pelos Magos Negros da Atlântida, muito difundidos no 
período que antecedeu à destruição deste Continente, origem da sabedoria das 
civilizações Egípcia e pré-colombiana. 
Alguns destes rituais, inclusive a Missa Negra, continuaram sendo 
praticados pelos Irmãos da Face Sinistra que, através da percepção mediúnica de 
desavisados e irresponsáveis, conseguiram fazê-los chegar até os nossos dias, 
utilizando sempre aqueles que buscam o poder e o prazer mundanos. 
O trecho: “os bons sejam purificados pelo profeta” refere-se àqueles 
rituais que dirigem o entendimento do Iniciado para a Magia Branca Interna, 
encaminhando a mente e o coração do Estudante para as potências Divinas em seu 
Templo-corpo (os Átomos que operam sob a égide de Hadit ou a Divina Presença 
EU SOU no ser humano), onde a verdadeira instrução de como proceder 
83 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
corretamente é dada pelo Hierofante encarregado dos Mistérios Menores, ou seja o 
Profeta ou Átomo Mestre, localizado, no caso do homem, na bolsa seminal (vide na 
gravura “Anatomie Occultii” a região d “A Senhora dos Bosques”). Estes rituais são 
realizados, primeiramente, no Templo localizado no ventrículo esquerdo do coração 
(na Cabala, em Tiphareth) e, posteriormente, no Templo da cabeça, a Câmara do 
Rei, localizada no 3o. Ventrículo cerebral. 
 
6. EU Sou a chama que arde em todo coração humano e no âmago (núcleo) 
de toda estrela. Eu Sou a Vida e o dispensador da Vida e, sem embargo, 
por isto o conhecimento de mim é o conhecimentoda morte. 
 
Comentário: Neste versículo temos a confirmação incontestável de Hadit 
(Hórus) como a Divina Presença EU SOU, a chama que arde em cada coração 
humano e no âmago de toda estrela. 
A afirmação: “o conhecimento de mim é o conhecimento da morte”, 
significa que, ao identificar-se com o EU SOU (Hadit), ou seja, a manifestação da 
Divina Presença no homem, a personalidade desaparece (morre) definitivamente. 
(“Eu e meu Pai somos um”). 
 
7. Eu Sou o Mago e o Exorcista. Sou o eixo da roda e o cubo no círculo. 
Vinde a mim é uma expressão descabida (tola), pois Sou Eu que vou. 
 
Comentário: Primeiramente, o versículo nos fala do Mago, a primeira carta 
do Tarot, simbolizando o PODER e a VONTADE; seu objetivo é remeter a atenção 
do Estudante para analisá-la e meditar sobre os valores contidos neste arcano; isto 
é muito importante. 
Em seguida, revela-se como o Exorcista, ou seja, o Purificador, “o que tira 
os pecados do mundo” 69, chamando a atenção do estudante para a compreensão 
de que toda noção e consciência de pecado se dissipará, quando ele realizar o 
“encontro” com Hadit em seu coração. 
A terceira revelação é que EU SOU o Eixo da roda, ou seja, o centro de 
toda manifestação, de onde tudo parte e que sustenta todas as coisas; o cubo no 
círculo é a manifestação quaternária, compreendendo o Plano Intuicional (Mundo do 
Espírito de Vida) o Plano Mental (Mundo do Espírito Humano), o Plano Astral ou 
69 João, capítulo 1, versículo 29. 
 84 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
Emocional (Mundo dos Desejos) e o Plano Físico.70 A figura que representaria este 
cubo é o “tesseract”, ou seja, o cubo visto na quarta dimensão. 
Acima destes Planos de consciência, está o Plano Átmico (Mundo do 
Espírito Divino) donde Hadit, não mais como EU SOU, mas como o Íntimo, ou seja, a 
própria manifestação da Realidade Divina, em seu esconderijo em Nuit, diz: “Vinde a 
”mim” é uma expressão descabida, pois o EU SOU é quem vai ao ser humano, para 
redimí-lo e exaltá-lo. 
Isto significa que Ele, Hadit, é o verdadeiro motor de todas as ações e 
energias; sem a sua vontade superior, o homem nada pode e o progresso da 
personalidade humana é apenas o resultado da ação divina no homem, que nada 
pode por si mesmo. Quer queiramos ou não, assim é. 
Cabalisticamente observado, Tiphereth é o cubo, o centro da roda solar 
ligando o que está em cima ao que está em baixo, à esquerda à direita, tudo 
enlaçando no fogo divino da harmonia principal. Tiphereth (Coração-Beleza), é 
reflexo da Sephirah Kether (e, esta, é de Ain), reunindo e manifestando todas as 
possibilidades divinas em tantos Arquétipos quantas são as Sephiroth e suas 
antinomias. 
 
8. Quem adorou Heru-pa-Kraath a mim adorou; mal (ou errado, 
imperfeitamente), pois eu sou o adorador. 
 
Comentário: Para entender este versículo, vamos analisar Heru-pa-Kraath 
sob duas óticas diferentes: a primeira, considerando as duas letras finais do mantra 
separadamente (th como “teth” e “he”, como está abaixo: 
 Heru = 5+5+200+6 = .........................216 = 9 
 Pa = 80+1 = ......................................81 = 9 
 Kraath = 100+200+1+1+9+5=....... 316 = 10, cujo somatório dos 
valores das letras compondo seu nome levam-nos ao número = 613, que ainda 
decomposto, nos dá o número 10 e, finalmente o 1 (a Unidade), representando o 1o. 
Logos, que só pode ser compreendido pelo 2o. Logos (no caso, Hadit), pois 
“ninguém vem ao Pai senão por mim” (JO.14.6). 
Heru-pa-Kraath é o Deus oculto, o que habita no Amenti, símile de “Jeová 
Adônis”, cujos valores cabalísticos também resultam 1. Desta forma, se justificaria a 
orientação ou o encaminhamento feito por Hadit que diz “os que adoraram Heru-pa-
70 Na Cabala estes quatro planos de consciência são conhecidos como Atziluth, Briah, Yetzirah e Assiah. 
 85 
 
 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
Kraath, imperfeitamente, a mim adoraram, pois EU SOU o adorador (porque o 
homem primeiro precisa ir ao seu coração, onde está Hadit, para depois ir ao Pai, 
porquanto “Ninguém conhece o Pai senão o Filho” (Mt.11.27) e, em verdade, só o 
Filho pode revelar o Pai a quem ele quiser. 
Quando Hadit diz, complementando a sentença, “a mim adorou, pois EU 
SOU o adorador” identifica-se com o Pai, mas estabelece o Caminho correto para a 
adoração do Pai, pois só o Filho (no coração) conhece o Pai e aquele a quem ele 
quiser revelá-lo, conforme consta do trecho do Evangelho de Mateus antes citado, 
sendo, pois, infantilidade e presunção do homem ir à cabeça sem conhecer os 
mistérios do coração. 
O verdadeiro Aspirante da sabedoria segue o caminho do coração. 
A segunda opção seria considerando th como (ת) “tho”, cujo valor é 400, 
com o seguinte resultado: 
 
Heru = 5+5+2+6 = ............................... 216 = 9 
 Pa = 80+1 = ........................................ 81 = 9 
Kraath = 100+200+1+1+400 =........... 702 = 9 
ou sejam três algarismos 9 = 999. 
 
Ora, considerando que 9 é o número da Besta (666=18=9), ou seja do 
Baphomet e, observando bem a combinação dos valores do mantra Heru-pa-Kraath, 
verificaremos que tudo está relacionado ao “Sol de baixo”, ou seja, ao Baphomet, 
cujo mistério procuramos desvendar neste livro, no capítulo que lhe está dedicado71. 
Isto posto concluiremos que esta compreensão se ajusta melhor ao 
entendimento do versículo, principalmente quando levamos em conta o tom de 
admoestação contido na fala de Hadit. 
 
Observação: Se virarmos o número 999 de cabeça para baixo, teremos 
666, o que parece não deixar dúvidas sobre o acerto de nossa interpretação. 
 
9. Lembrai-vos todos que a existência é pura alegria; que todas as tristezas 
são apenas sombras; passam e acabam; mas há aquilo que permanece 
(a experiência). 
 
Comentário: Este trecho pode ser compreendido pelo entendimento de 
que a verdadeira existência é a realidade do Espírito, onde tudo é fruição, enquanto 
os sofrimentos experimentados pelas vidas durante existências vividas no planeta
71 Ler o Capítulo “O Mistério do Baphomet”, nas páginas 215 a 223 deste livro. 
 86 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
são apenas sombras da existência real, porém, delas restando, sempre, a 
experiência adquirida em valores reais ou espirituais, melhor dizendo. 
10. Ó Profeta! Estás de má vontade para aprender este escrito.
11. A ti, vejo abominando a mão e a caneta, não obstante EU SOU mais
forte.
12. Por causa de mim em Ti, que não conhecias.
Comentário dos itens 10, 11 e 12: Estes três versículos podem estar 
relacionados à uma possível atitude de má vontade mediúnica de Aleister Crowley 
(ou de sua mulher Rose) em relação ao ditado que recebia de Aiwass como 
também, sob uma ótica exclusivamente esotérica, ao diálogo entre o Átomo Nous 
(Hadit no homem) e o Átomo Mestre, referindo-se ao cuidado, deste, em não revelar, 
precipitadamente, ou indevidamente, o segredo da iniciação, contido no Líber Legis. 
Entretanto, o Átomo Mestre é, apenas, a manifestação da consciência de Hadit (a 
essência de todas as coisas) no “Salão da Senhora dos Bosques” e não pode nem 
deve se interpor a vontade e aos objetivos deste, que, agora revela sua presença 
(Por causa de mim em ti, que não conhecias) e o seu poder como, da mesma forma, 
A. Crowley não se podia interpor à vontade de Aiwass, mais treinada do que a dele. 
Observação: Para os que possam considerar esta interpretação 
quimérica, é necessário lembrar apenas que o que ocorre em cimaocorre também 
em baixo. As figuras deste livro são muito mais do que à primeira vista se pode 
perceber. Porém o pensamento é livre; cada um fisgará o peixe de acordo com o 
tipo de isca e anzol que possui. 
13. Por quê? Porque tu e eu somos o Conhecedor.
Comentário: Esta resposta é a confirmação do que está acima, isto é, só
existe um conhecedor, Hadit, qualquer que seja sua manifestação. 
14. Agora permanece um véu sobre este sacrário; que a luz devore os
homens e os consuma com a cegueira.
Comentário: Agora, ou seja, enquanto o Estudante não está preparado, o 
desconhecimento deve pairar sobre ele. Que a Luz devore os homens e os consuma
87 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
em cegueira é um voto de Hadit e deve ser entendido da seguinte forma: que a 
Sabedoria (a luz) chegue até o homem racional (o homem dos “porquês”) e devore 
(elimine) sua ignorância, tornando-o consciente de Hadit e do Profeta e também 
impeça sua atenção (o torne cego) para o transitório ou externo. 
 
15. Pois EU SOU Perfeito. Não sendo; e meu número é nove para os tolos; 
contudo, para o justo sou oito e um em oito: O que é vital, pois Eu Sou 
Nenhum. A Imperatriz e o Rei não estão em mim; pois há um segredo 
posterior. 
 
Comentário: A afirmação: Eu Sou perfeito. Não sendo; parece ser uma 
incongruência. Porém sabemos que “Perfeito é o Pai que está nos céus” (Mt. 5,48) e 
que Hadit, o EU SOU, enquanto é a Realidade máxima em cada ser humano é, em 
verdade, a manifestação do Pai que está nos céus, ou seja A Realidade Divina; um 
dia Ela o absorverá em seu seio, consumando que EU (SOU) e o Pai somos UM; 
porém até que chegue esse dia, sua permanência em nosso coração estará sujeita 
ao seu nascimento pela ação de Kundalinî; isso confirma que embora perfeito, ainda 
não está pronto (vide Mc. 14, 31). 
Quanto a: meu número é nove para os tolos, já sabemos que 9 é o 
número do BAPHOMET, a Besta cujo número é 666 (6+6+6=18=9). Isto significa 
apenas que muitos (os tolos) ainda vêem, no Baphomet, somente a figura do diabo, 
como a Igreja ensinou, e a deploram porque, de certa forma, identificam nela a 
animalidade em que estão envolvidos. Não chegam a compreender que, da mesma 
forma como o Baphomet trabalha em nosso favor (é a mesma coisa que o Saturno 
da Astrologia e o Pai na Terra), esta animalidade encerra o caminho para a 
superação humana, através do domínio de nossos apetites inferiores; esquecem, 
ainda, que a grande mensagem contida na grotesca figura do Baphomet, é 
exatamente a de torná-lo o clímax da beleza e da luz, o que é mais bem explicado 
na abordagem em que fizemos no Capítulo a ele dedicado, neste livro (ver págs. 201 
a 212) 
Prosseguindo com esta explicação, esclarecemos que “para o justo (EU) 
Sou oito (o número do Cristo), ou seja, a Eternidade (∞) e UM em OITO, que é o Pai 
em Cristo, ou, ainda, o Pai no Filho. É vital a compreensão deste fato porque, 
posteriormente, compreenderemos que não existe “personalidade” a ser 
considerada, daí a Imperatriz e o Rei (cartas 3 e 4 do Tarô) não estão em Hadit, 
 88 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
pois significam apenas manifestações simbólicas da realidade externa, pois os dois 
juntos (o número 7) são sua Khabs72, ou seja, seu veículo. 
 
16. EU Sou a Imperatriz e o Hierofante. Sendo onze como minha noiva é 
onze. 
 
Comentário: Se no versículo anterior Hadit afirma que A Imperatriz e o Rei 
não estão nele, neste versículo afirma que (EU) SOU a Imperatriz e o Hierofante 
(cartas n°s. 3 e 5 do Tarô). Isto confirma o enunciado anterior quando declara que 
há um segredo posterior em relação ao que foi dito e se consubstancia exatamente 
neste versículo, quando temos de admitir que Hadit esteja presente como a idéia 
arquétipo dos símbolos contidos nestas duas cartas, o que pode ser comprovado 
com a soma de 3 + 5 = 8, o número do Cristo, ou EU SOU no ser humano (EU SOU 
a Imperatriz e o Hierofante) e como já tivemos oportunidade de demonstrar nas 
páginas 21 a 28, no Capítulo intitulado “Esclarecimentos sobre Hadit e Nuit”, 
confirmado agora com a afirmação de que ”Sendo onze como minha noiva é 
onze”, ou seja, Hadit é 11 (H=5+A=1+D=4+I=10+T=9 somam 29=11) e NU, da 
mesma forma é 11 (N=50+U=6 somam 56=11). 
 
17. Escutai-me, vós povo suspirante! As aflições de dor e de 
arrependimento são deixadas para os mortos e os moribundos. O povo 
que ainda não me conhece. 
 
Explicação: Hadit dirige-se aos que aspiram. Realmente, as aflições da 
dor e do remorso só existem para os “mortos e moribundos”, ou seja, os que ainda 
não se identificaram com sua própria eternidade, só possível pela vida em Hadit, 
porém, estes ainda não o conhecem. 
Sobre este ensinamento, encontramos a aparente “agressão” do Cristo 
quando afirma em Lucas Cap. 9 vers. 60: “Deixai que os “mortos” (os envolvidos 
pela ignorância de sua própria Divindade) enterrem seus mortos. 
 
18. Estes estão mortos, não sentem. Nós não estamos pelo pobre e abatido: 
os senhores da terra são nossos parentes. 
 
Comentário: Verdadeiramente, aqueles que não têm consciência de que 
são Deuses manifestados vivem uma vida de inconsciência ou de sono na face da
72 Ver páginas 37 a 38. 
 89 
 
 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
terra. Sofrem, lutam, se debatem sem, entretanto, compreenderem que estão 
envolvidos pela realidade de um pesadelo sem fim, do qual dependem para ser, 
assim pensam; não vivem genuinamente, pois vegetam na obscuridade de uma 
consciência totalmente sujeita às intempéries, da qual, na realidade, dependem para 
continuarem como vivos. Entretanto, são mortos; não sentem a plenitude da vida do 
Espírito, porque o desconhecem. 
O último período do versículo é claro, se substituirmos a palavra pobres, 
pelo entendimento de que se refere aos que nada possuem de espiritual e 
compreendermos, também, que “os senhores da terra” (os Reis) já conquistaram o 
galardão da consciência espiritual. 
 
19. Deve um Deus viver num cão? Não! Porém os supremos são de nós. 
Eles se regozijaram, nossos escolhidos: quem se lamenta não são de 
nós. 
 
Comentário: A análise deste item implica na compreensão da frase: “Deve 
um Deus viver num cachorro?” O que, de certa forma, é fácil, se atentarmos para o 
fato de que os animais não são individualizados e fazem parte de uma Alma-Grupo, 
como é denominada a consciência coletiva encarregada da evolução dos reinos 
inferiores da vida. Os supremos são as Grandes Inteligências Atômicas que velam e 
fazem parte de nossos Reinos Internos; um dia os enfrentaremos, por ocasião de 
nossas Iniciações Maiores. 
A tristeza, a dor e o sofrimento são estados de ânimo e afastam 
totalmente a criatura da natureza do Criador. É extremamente importante que 
sejamos alegres de noite e de dia; o Sol nasce cada dia como uma nova 
oportunidade para os Filhos de Deus, e nós nos devemos conscientizar desta nossa 
descendência. 
20. Beleza e força, alegria cantante e deliciosa languidez, força e fogo 
fazem parte de nós. 
 
Comentário: O Aspirante deve cultivar a beleza, a alegria, a eugenia e 
estar sempre exalando suavidade e simpatia. O poder (vontade, força) e a mente 
(relacionada à nossa natureza ígnea) são características do ser humano que aspira, 
diferentemente dos animais que não têm vontade e são desprovidos de mente 
lógica.
 90 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
Relacionando o versículo com a Cabala, podemos ver que as Sephiroth 
Tiphereth (beleza) e Geburah (fortaleza), e seus atributos, devem ser estudados, 
pois fazem parte de nós. 
 
21. Nada temosem comum com o rejeitado e o inapto; que morram em sua 
miséria. Pois eles não sentem. A compaixão é o vício dos reis: pisa os 
infelizes e os fracos: esta é a lei do forte: esta é a nossa lei e a alegria 
do mundo. Não penses, ó rei, sobre aquela mentira: Que deves morrer; 
em verdade não deves morrer, mas viver. Que agora seja entendido: se 
o corpo do rei se dissolve, ele permanecerá sempre em puro êxtase. 
Nuit! Hadit! Ra-Hoor-Khuit! O Sol, Força e Visão, Luz; estes estão nos 
servidores da Estrela e da Serpente. 
 
Comentário: Analisando o item 21, verificaremos que, realmente, não 
existe identidade entre o homem espiritual e aquele ainda indiferente as coisas do 
espírito ou escravizado pelos vícios; estes precisam morrer, sofrer seus carmas até 
acordarem para a realidade espiritual de suas próprias naturezas. A compaixão, 
realmente, é o vício (aquilo que reiteradamente nos impomos a realizar por prazer, 
para o nosso próprio deleite) dos Reis (as almas nobres, aqueles identificados com 
Hadit), pois sentem profundo amor e comparticipação com as dores do mundo. 
A compaixão faz os infelizes e os fracos se sentirem pisados porque não 
compreendem e não se interessam por nada que esteja acima de seus interesses 
pessoais; ela é a lei daqueles que realmente são fortes na consciência Crística 
(Hadit) e sabem que o serviço ao próximo, leva “ao gozo do mundo”, ou seja, à 
verdadeira felicidade de Ser. 
O versículo segue advertindo ao Aspirante: é mentira, para ele, a 
possibilidade da morte, pois mesmo que o seu corpo venha a se dissolver, ele, o 
Rei, continuará a sorver o êxtase da verdadeira vida na consciência de Hadit. 
Seguem-se os mantras, já explicados, de Hadit, Nuit e aparece um novo, 
ou seja, o de Ra-Hoor-Khuit, representando aquilo a que chamaríamos, apenas 
como uma tentativa de conceituação, a Trindade Explícita no ser humano, que 
analisamos, abaixo, em seus maravilhosos significados esotérico, tanto Potencial 
como Ativo: 
Potencial = RA = 200+1 = 201 
 HOOR = 5+70+70+200 = 345 
 KHU = 20+5+60 = 85 
Soma 631 = 10 = 1 
 91 
 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
Ativo = RA = 200+1 = 201 
 HOOR = 5+70+70+200 = 345 
 KHUIT = + 20+5+60+10+9 = 104 
 Soma 650 = 11, valor de Hadit e NU. 
 
No primeiro caso (Ra-Hoor-Khu) temos a Trindade em sua Própria 
Consciência, O Pai = Ra, o Filho = Hórus e o Espírito Santo = Nu, em estado 
Potencial, Consciente de Si Mesma, mas ainda não manifestada; é o Número 
Perfeito (10) em si mesmo, o falo (o lingam = símbolo da criação abstrata; o poder 
criador) e a vulva (Yoni = o órgão sexual feminino e o útero); o Alfa e o Ômega, o 
início potencial de todo o processo da criação e o seu resultado, também potencial, 
porque Nu é Akasha, do qual tudo tem origem e para o qual tudo volta (a matéria 
negra que envolve o universo e os “buracos negros”, absorvedores do “produto 
acabado”, perfeito, que não necessita mais evolução neste universo, para outro, 
paralelo a este, porém existente numa mais alta expressão (oitava superior) da 
Consciência Divina. 
Ra-Hoor-Khu é o próprio Logos em seus três véus (Ain, Ain Soph e Ain 
Soph Aur), existente por si mesmo, porém sem manifestação no plano das formas. 
É a potencialidade de todo um universo. 
No segundo caso (Ra-Hoor-Khuit), aquela potencialidade manifesta-se 
integralmente (torna-se ativa) como o Pai ou Sol Invisível; como o 2o. Logos em seu 
aspecto de Amor-Sabedoria (o Sol visível = Hórus), e Nu+it, a Mãe de todas as 
formas. 
Finalizando o versículo, temos a afirmação de que: 
a) “O sol (chacra mundano de Tiphareth, A Beleza) 
b) Força (Geburah, que tem Marte como chacra mundano) 
c) E Visão (de Deus (Chokmah - A Sabedoria; tem como chacra mundano 
Urano) 
d) Luz (Hod - Esplendor; tem como chacra mundano Mercúrio); estes 
estão nos servidores da Estrela e da Serpente“ o que é de fácil compreensão se 
atentarmos que aqueles estão nos servidores da Estrela (Hadit no Homem em seu 
universo individual (cada homem e cada mulher é uma estrela) e da Serpente (Nuit, 
a substância Divina que no ser humano age como Kundalinî, o fogo serpentino, 
latente no chacra básico dos corpos sutis; na Cabala aparece como Nechushtan, a 
serpente enroscada na Árvore da Vida). É preciso compreender que o Sol, 
 92 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
a força e visão, Luz, fazem parte do universo interno de cada Ser, pois tudo que 
existe externamente, existe internamente; este é um dos Arcanos do Ocultismo. 
 
Observação: Ainda sobre o versículo 21 e anteriores, não podemos 
deixar de destacar: falam também das vitórias daqueles que se elegem para a 
Verdade, gozando a vida eterna e a felicidade dos que vivem em Hadit, o aspecto 
VIDA (Cristo) que permeia e envolve todo o Universo. 
Ajudar os que caminham atrás (o vício dos Reis, ou seja, das Almas 
evoluídas) é uma obrigação do verdadeiro iniciado: entretanto isto não implica em se 
identificar com suas dores, fraquezas e infelicidades, mas compreendê-las como 
fatos necessários a melhor performance de sua evolução. Existe uma lição no 
Evangelho que trata disso: é a passagem em que Simão é intimado a ajudar Jesus a 
carregar a Cruz. De boa vontade, ele cumpre o serviço, mas não se envolve nem se 
integra no drama vivido naquele instante, pois apenas se dirige para onde está o 
final da cruz e a levanta, aliviando (aliviando, apenas aliviando!) o peso da mesma, 
deixando a parte pesada para Jesus carregar, ou seja, “dá uma “mãozinha”, mas 
não toma para si o peso da cruz.. “Compreender e servir é verdadeiramente amar. 
Envolver-se emocionalmente é prejulgar e desservir”. 
Também queremos chamar a atenção do leitor para o fato de que parece 
existir, nos textos do Livro da Lei, uma preocupação de “escandalizar” a 
sensibilidade piegas dos religiosos fanáticos, que sempre julgam dentro de uma 
ótica deturpada e segundo o que elegem como certo e errado. Verdadeiramente 
este livro não é para estes, que devem ser afastados de sua apreciação maior, não 
por serem inferiores, indignos ou por não poderem ser considerados nossos 
queridos irmãos: apenas não estão preparados para uma verdade superior, onde o 
sentimento astral ou emocional não leva à parte alguma e prejudica os que, não 
estando preparados para desenvolver as qualidades do 1o. Raio, o Raio da Vontade 
ou Poder, representam sempre empecilho às atividades dos servidores do Senhor 
do Mundo, quase sempre tão mal compreendidos pelos que vêem a vida no Planeta 
somente dentro de seus pequenos interesses e avaliações pessoais; esquecem os 
objetivos (o Plano) do Logos para a vida no Planeta Terra e no universo. 
No Evangelho, vemos afirmações como: “Não vim trazer a paz, mas a 
espada” (Mt. 10.34), “Quem é minha mãe e meus irmãos...”(Mc. 3,33), 
 93 
 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
“Quem não é por mim é contra mim” (Mt. 12,30) que, parece, não poderiam provir do 
Mestre que ensinou a mansuetude, o amor e o respeito aos pais; o perdão não sete 
vezes, mas setenta vezes sete vezes. Entretanto, lá estão. Será que devemos 
entendê-las ao pé da letra ou buscar um sentido mais profundo em suas palavras? 
Assim nos devemos comportar na leitura dos versículos do Livro da 
Lei, tão mal compreendido pelos aprendizes de feiticeiro que buscam o poder, sem 
saber usá-lo e enveredam pelo caminho do Tantra sem estarem devidamente 
preparados para isto. Embora não existam provas sobre o assunto, dizem que o 
destino final de Aleister Crowley foi bastante sugestivo e traz importantes 
indagações e lições.Por que não considerá-lo? 
 
22. EU SOU a serpente que dá Conhecimento, Deleite e Glória Radiante e 
agita com ebriedade os corações humanos. *Para adorar-me, tomai 
vinho e drogas estranhas a respeito das quais falarei ao meu Profeta, e 
disso ficai ébrios. Elas não vos prejudicarão de forma alguma. É uma 
mentira esta ofensa contra si mesmo. A exibição de inocência é uma 
mentira. Sê forte, ó homem! Desfruta, goza todas as coisas dos 
sentidos e do arrebatamento: não temas que algum Deus te negará por 
isto. 
 
Comentário: A serpente sempre foi reconhecida como o símbolo da 
sabedoria; sua presença no Jardim do Éden, oferecendo ao homem o fruto do bem e 
do mal, ou seja, a capacidade de discriminar representa, em verdade o início da 
utilização da mente binária pelo ser humano. Ainda é a serpente (Kundalinî) que traz 
a sabedoria ao homem. Este, libertando-se da ignorância, renasce então como 
Deus, advindo, desse novo estado de consciência, as venturas que passa a 
desfrutar. O convite para o vinho e as drogas estranhas (aqui não se trata de 
qualquer tipo de psicotrópico, mas sim, da “soma” ou “ambrosia”, tomados pelos 
aspirantes aos Mistérios de Baccho e Orfeu, quando das iniciações antigas, a fim de 
facilitar a entrada em planos de consciência mais sutis). 
Acresce que Hadit “promete” sobre isso falar (sobre o assunto) ao “seu” 
Profeta, ou seja, o Átomo Mestre que se encontra na bolsa seminal e aparece 
quando o Discípulo está pronto, afirmando: “disso ficai ébrios”. Vale perguntar: será 
que já não possuímos, dentro de nós, o vinho e as drogas que “embriagam” a 
consciência de Hadit? A ciência hoje comprova que a meditação libera 
algumas substâncias no cérebro que podem levar a estados de verdadeira 
embriaguês e bem-estar; esta é a razão da insistência de todas as religiões 
 94 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
para a meditação e o silêncio! 
Hadit afirma também que elas não nos prejudicarão de forma alguma e é 
mentira a ofensa que praticamos contra nós mesmos (refere-se à castidade?) e 
prossegue, afirmando que a exibição da inocência (ignorância) é uma mentira. 
Concita-nos, a seguir, a sermos fortes e a desfrutar de uma vida sem medo e com 
muita alegria (isto é altamente iniciático porque visa criar a condição do Tattwa 
Prithivî em nossa estrutura físico-psíquico-espiritual), pois o homem que vive 
rodeado de preocupações e limitações, principalmente as religiosas, não chega a 
desfrutar do entusiasmo imprescindível para que seus átomos alcancem a vibração 
necessária à subida de Kundalinî. 
Considerando esta realidade, é importantíssimo sermos alegres de 
noite e de dia e jamais apresentarmos fácies circunspectas e a falsa inocência 
(como vemos geralmente naqueles que querem mostrar uma condição mais 
religiosa, em suas atitudes, daquela que realmente desfrutam, afastando-se do 
convívio de seus semelhantes, condenando as atitudes alegres e felizes da vida; 
esquecem que o primeiro “milagre” comentado no Evangelho foi numa festa (Bodas 
de Caná) quando se transformou água (“Apas”) em vinho (“Tejas”). Para Hadit, em 
nosso coração tudo isso é mentira. 
O excessivo pudor religioso é altamente limitativo e prejudica a integração 
da criatura ao seu criador. Em verdade, a atitude mais nociva e ignorante do Iniciado 
é o medo, principalmente o medo do “Julgamento Divino”, só existente na sua 
consciência julgadora, porquanto o certo é que “cada um julgará as suas próprias 
faltas” e receberá misericórdia na forma direta em que for misericordioso. 
23. Eu Sou só. Não existe Deus onde Eu Sou.
Comentário: Sobre este versículo, podemos dizer que a verdade é algo 
chocante à nossa ignorância, principalmente porque não procuramos compreender 
as coisas que fogem as verdades que nós mesmos estruturamos. A Verdade é 
porque é; independe de nossa aceitação. 
Para compreendermos as afirmações deste item é preciso entender que 
cada ser é um universo isolado; onde cada um de nós é, ou verdadeiramente existe, 
não existe outro Deus que EU SOU, ou seja, Hadit (Eu Sou) e Deus são uma só 
pessoa e únicos em seu universo (EU e o PAI somos um). Difícil compreender isto? 
Não cremos; basta a meditação serena e liberta de nossos pudores 
95 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
religiosos para compreender a afirmação em toda a sua plenitude. Um dia veremos 
que esta é a grande verdade ensinada por todas as religiões. 
A incompreensão de textos esotéricos geralmente leva à modificações 
perigosas. Os exegetas modificaram, na Bíblia, tudo aquilo que não podiam 
entender e a mutilaram de forma aparentemente irrecuperável. Por não 
compreenderem o original que dizia: “... e o homem deixou de ser pai-mãe (ou seja, 
a sua condição de andrógino) e passou a se unir à mulher”, escreveram: (Gen. 2,24) 
“Por isso deixa o homem pai e mãe e se une a sua mulher, tornando-se os dois uma 
só carne” (isto por ocasião da formação da mulher, que nasceu do corpo do que 
seria o primeiro homem e, portanto, não tinha nem pai nem mãe, pois fora criado 
pelo Senhor Deus, conforme consta na Bíblia): Podemos acrescentar a necessidade 
de estudarmos afincadamente, a fim de não sermos guiados por nossa própria 
ignorância e a cegueira dos outros. Assim aconteceu com diversos outros trechos. 
A Bíblia e os Evangelhos contêm toda a formação do Universo e a história da 
evolução da vida passada, presente e futura; seu fundamento é religioso porque 
pretende a união dos princípios existentes com o Criador. Precisa ser estudada por 
quem sabe ler suas letras e as verdades nelas veladas. 
 
24. Observai! Estes são mistérios solenes; pois também existem de meus 
simpatizantes que são eremitas. Presentemente, não penseis encontrá-
los na floresta ou na montanha; senão em leitos de púrpura, 
acariciados por magníficas bestas de naturezas femininas, com 
membros vigorosos, fogo e luz nos olhos envolvidos por madeixas de 
cabelo flamejante; lá os encontrareis. Vós os vereis na lei, em hostes 
triunfantes, em máxima alegria; haverá neles um júbilo um milhão de 
vezes maior que este. Acautelai-vos para que nenhum force o outro, 
Rei contra Rei! Amai-vos uns aos outros com corações ardentes; 
pisoteai aos homens inferiores no feroz ardor de vosso orgulho, no dia 
de vossa ira. 
 
Comentário: Este item é outro dos belos arcanos do Livro da Lei que, 
devidamente compreendido e realizado por aquele que sabe ousar permite que 
entre na posse de poderes que poderíamos classificar como divinos, impossíveis de 
serem explicados em palavras mundanas. Toda a orientação está em metáforas que 
devem ser respeitadas em seus objetivos, a fim de que o véu seja levantado 
somente por aquele que busca ardente, incansável e diligentemente a verdadeira 
sabedoria. As barreiras são a presunção, a vaidade, a incompreensão do plano do 
Logos e a “agitação” no poder, comuns no aspirante despreparado.
 96 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
Como já dissemos que as metáforas devem ser respeitadas, nada mais 
podemos acrescentar senão que tudo deveremos ver na lei. Podemos acrescentar, 
porém, principalmente para os que aqui verão somente a sexualidade grosseira 
como possível interpretação deste versículo, que ele deveria ser mais bem 
meditado. 
Apenas a guisa de colaboração, podemos adiantar que “as bestas de 
natureza feminina” podem não se referir à mulheres de carne e osso e “os membros 
vigorosos” não estarem se referindo à braços e pernas humanos, mas a 
componentes de uma falange de seres pertencentes a uma evolução diferente da 
nossa. E daí: como é que fica, então, o significado deste arcano? Sem responder, 
perguntamos: Quem sabe ele não está relacionado às energias ígneas e até mesmo 
às Salamandras,cuja alta moralidade surpreende a qualquer Iniciado? O 
conhecimento da manifestação da vida em outros segmentos da natureza é 
imprescindível para aquele que busca. Meditemos! Meditemos bastante sobre o 
assunto e pesquisemos a natureza dos elementais do fogo e compreenderemos 
melhor a descrição contida neste versículo.73 
 
25. Vós sois contra o povo, ó meus escolhidos. 
 
Comentário: Aqui a fala dirige-se aos átomos Aspirantes do universo de 
Hadit e o povo são os átomos do Inimigo Secreto (Choronzon) que possuímos 
dentro de nós. Se esta compreensão for adicionada aos outros itens, muita coisa se 
esclarecerá para o estudante. Aconselhamos a leitura do livro “Os Deuses 
Atômicos”74 para ajudar na compreensão de nosso universo interno. 
 
26. Eu Sou a Serpente secreta enroscada prestes a saltar; em meu serpear 
há gozo. Quando levanto minha cabeça, Eu e minha Nuit somos um. Se 
abaixo minha cabeça e lanço adiante o veneno, então é o êxtase da terra 
e eu e a terra somos Um. 
 
Comentário: A serpente é Kundalinî. Se ascender pela coluna vertebral e 
estabelecer-se no ventrículo esquerdo do coração, forma o corpo Crístico, onde 
Hadit como Eu Sou, manifesta-se plenamente integrado nas energias de Nuit, agora 
materializada como Isis, a Divina Mãe de Hórus. Neste caso o ser humano 
73 O livro “El Conde de Gabalís” escrito pelo Abade Nicolas De Montfaucon De Villars, publicado em 28 de 
novembro de 1670 e com uma edição realizada pela Editorial Kier em 1983, prefaciada por G.E. Poesnecker, alto 
dirigente da Fraternidade Rosa-cruz nos EE.UU. aborda o assunto com riqueza de detalhes. 
74 O Livro “Os Deuses Atômicos” também está postado neste Blog, onde pode ser lido ou “baixado” para 
impressão. 
 97 
 
 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
passa a se manifestar como a própria Divindade. Entretanto, se, em vez de subir, a 
energia desce, a integração com os planos inferiores da matéria e o retrocesso para 
a animalidade proporciona o êxtase da loucura, que leva a grandes sofrimentos, 
inerentes à vida do Mago Negro. 
 
27. Existe grande perigo em mim; quem não entende estas runas cometerá 
um grande erro (não atingirá o alvo). Cairá dentro do fosso denominado 
Porque e lá perecerá como os cães da Razão. 
 
Comentário: O perigo realmente é muito maior do que o insensato pode 
supor. Entender Hadit está além da escravizante mente lógica que induz os seres 
humanos aos prazeres da matéria em detrimento do gozo espiritual. A dúvida e a 
Razão são os dois flagelos que atormentam aqueles envolvidos pelas forças da 
matéria, onde a dúvida lança a alma no atroz dilema de não acreditar em nada que a 
mente não possa compreender e, como sabemos que a mente do esbanjador de sua 
natureza é sempre incapaz de “ver” nos planos mais sutis da vida, ele permanece 
aprisionado no cárcere escuro da Razão lógica; esta o leva a julgar seus 
semelhantes e a agir dentro de seu pobre universo de compreensão, sendo, nestes 
casos, capaz de, exclusivamente porque tem razão,75 de tripudiar sobre todos os 
ensinamentos filosóficos coerentes, matando, destruindo, tiranizando e impondo 
conceitos quase sempre distanciados dos propósitos de seu coração. 
A Razão cria cães raivosos que são nossos pensamentos divorciados da 
verdade, provoca guerras, arma a mão do assassino, cria irrealidades, destrói 
famílias, alimenta sentenças de cunho puramente pessoal e é amiga das injustiças; 
entretanto, como é amada pelo homem pouco evoluído! 
 
28. Agora uma imprecação sobre Porque e sua parentela! 
 
Comentário: Juntamente com o versículo 29. 
 
29. Possa Porque ser maldito para sempre! 
 
Comentário: Estes dois itens justificam-se, porquanto, o caminho do 
Iniciado não pode ser percorrido somente através das respostas adquiridas no 
mundo da forma. É importante e necessário que busque a sabedoria dos planos 
mais elevados a fim de ultrapassar as respostas limitadoras da mente.
75 Nestes casos, geralmente a razão provém de uma mente inculta, iludida, distorcida e incapaz de perceber a 
verdade em planos superiores àqueles ditados pela percepção psíquico-emocional. 
 98 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
Isto o libertará do Porque e da Razão (acima de Tiphareth em Briah), colocando sua 
alma na fonte inesgotável (para o nosso atual estágio de evolução) proporcionada 
aos que atingem o Mundo do Espírito de Vida (Plano Intuicional). 
O único caminho (que conhecemos) é o da meditação constante no 
coração; ali residem todas as respostas necessárias a nossa libertação definitiva. 
Entretanto, para chegarmos ao coração temos de confiar em Hadit (o Eu Sou) e 
viver seu Evangelho libertador, sem os ranços religiosos, estando prontos para 
realizar seu propósito através da nossa personalidade, desligada dos laços 
emocionais que a prendem constantemente ao passado. 
30. Se a Vontade se detém e grita Por Que, invocando Porque, então a
Vontade pára e não faz.
Comentário: A Vontade para se manifestar plena não admite qualquer 
sombra de dúvida; quando é condicionada por qualquer laivo de dúvida, não se 
realiza. 
31. Se o Poder pergunta Por Que, então o Poder é debilidade.
Comentário: A vontade (Poder), em dúvida, torna-se apenas desejo, ou 
poder debilitado, pois não possui a certeza daquilo que quer realizar. 
32. Também a Razão é uma mentira; pois há um fato infinito e
desconhecido; todas as suas palavras estão retorcidas.
Comentário: A explicação deste versículo está implícita na do versículo 
27. Só podemos corroborar o sentido do versículo, acrescentando:
1º) a razão é um produto da mente concreta; 
2º) suas conclusões são falsas porque estão baseadas na percepção dos 
sentidos materiais, que não chegam à origem espiritual das coisas. 
3º) O fato infinito e desconhecido é exatamente o aspecto espiritual que 
não é levado em consideração e; 
4º) todas as suas palavras estão retorcidas porque, toda pessoa que acha 
que tem razão, busca palavras retorcidas para se explicar. 
99 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
33. Basta de Por que! Seja ele condenado como um cão. 
 
Comentário: O condenado aqui se refere ao Por que, à Razão, que tantos 
problemas causa entre os seres humanos pelos males que provoca. É importante 
que o Estudante ultrapasse ou questione infinitamente suas razões, porquanto, 
enquanto estiver aprisionado a elas jamais entrará em contato com Hadit, cujo 
assento está no que poderíamos denominar a Mente pura, sem questionamentos, 
por causa de sua própria natureza dentro do mental superior, ou seja, o plano 
mental sem forma, constituído unicamente de arquétipos perfeitos, onde não pode 
existir qualquer forma de dúvida. Não se deve esquecer que a fala utilizada é 
sempre metafórica. 
 
34. Porém vós, ó meu povo, levantai-vos (sublevai-vos) e despertai! 
 
Comentário: A exortação é dirigida àqueles seres humanos (e átomos) 
que começam a buscar e aspirar ao jugo suave e brando de Hadit, o Cristo Interno 
que só pode ser realizado no coração do povo suspirante (vide Mt. 11,29). 
O primeiro sinal do despertar espiritual (sublevação) é a não aceitação 
das verdades instituídas pela sociedade constituída e das proposições impostas 
pelas religiões existentes; estas deixam de ser suficientes para atenderem aos 
anseios do verdadeiro Buscador. Então, este tem a obrigação de procurar outras 
respostas, buscando aquilo que está acima dos Porquês e da Razão. 
 
35. Que os rituais sejam realizados corretamente com alegria (júbilo) e 
beleza! 
 
Comentário: Todo ritual é uma festa de exaltação; seu praticante deve 
estar conscientedisto e se apresentar alegre para participar do mesmo. 
 
36. Existem rituais dos elementos e festas dos tempos. 
 
Comentário: Os rituais dos elementos são dedicados as vidas elementais 
inteligentes existentes no Planeta Terra, seja qual for o estado em que se 
manifestem; as festas dos tempos são os rituais dos equinócios e dos solstícios. 
 100 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
37. Uma festa para a primeira noite do Profeta e sua Noiva! 
 
Comentário: Este é um acontecimento que realmente merece uma festa: 
trata-se da primeira aparição do Átomo Mestre existente na bolsa seminal, originada 
pela presença de Kundalinî no chacra de 8 pétalas,76 no salão da Senhora dos 
Bosques. 
 
38. Uma festa para os três dias da escrita (escritura) do Livro da Lei. 
 
Comentário: Aparentemente, a explicação destes versículos seria 
desnecessária para os estudantes das obras de Aleister Crowley, considerando que 
todos têm conhecimento de que o Líber Legis foi ditado para o mesmo por Aiwass, 
(através de Rose Crowley?), durante os dias 8, 9 e 10 de abril, durante o período de 
uma hora por dia, no horário de 12 às 13 horas. Resumindo tudo, o Líber Legis foi 
recebido em 3 horas, durante os dias já mencionados, ou seja, 3 dias, isto no ano de 
1904, portanto há 93 anos atrás. (Este livro foi escrito em 1997) 
Isto considerado, perguntamos: por que não durante 3 horas num mesmo 
dia ou em dois dias? Respondendo, ressaltamos que as condições determinadas 
para o fato tinham implicações muito maiores do que, à primeira vista, poderia ser 
deduzido. E acrescentamos: era necessário que fosse em 3 dias, a fim de ficar 
bastante claro o verdadeiro conteúdo da mensagem dos últimos 4 versículos para 
aqueles que atinassem com a verdade. De outra forma, para que serviria a 
referência, no próprio livro, aos 3 dias do trabalho realizado? Por que a festa para 
algo que poderia ser apenas uma banalidade dentro da riqueza em simbolismos 
deste livro? 
Que cada um entenda como quiser: esta é a lei, porém defendemos a 
compreensão de que o objetivo maior da mensagem destes últimos quatro 
versículos está alicerçada sobre a concepção dos três dias cósmicos (Manvantaras) 
sempre terminados em noites cósmicas ou Pralayas) em que se desenvolveu o 
Esquema Evolutivo do qual participa o Planeta Terra, sendo a 1a. Cadeia formada 
pelo Tattwa Vâyu (elemento gaseifico), a 2a. Cadeia pelo Tattwa Tejas (elemento 
calórico ou ígneo) e a 3a. Cadeia pelo Tattwa Apas, quando a matéria mais densa foi 
o elemento aquoso e a humanidade atual estava mergulhada na consciência 
instintiva-animal. 
76 Consultar na página 240 do livro a gravura “Anatomiæ Occultii”, editada pela SOL NASCENTE. 
 101 
 
 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
Nestes três dias cósmicos, foi escrita a lei que regula nossa evolução até o estágio 
atual. Atualmente, (4a. Cadeia ou Terrestre, relacionada ao Tattwa Prithivî, 
correspondendo ao quarto dia da criação),77 estamos escrevendo mais um capítulo 
desse Livro Cósmico, através do ritual da manifestação do universo no elemento 
terra.78 
No versículo 41, abaixo, corroborando nossa tese, há o comando de uma 
festa para os elementos (ar, fogo, água e terra, ou seja, Vâyu, Tejas, Apas e 
Prithivî). Por que seria isso necessário, se o versículo estivesse circunscrito apenas 
ao fato do ditado do livro? Voltamos a dizer: o Líber Legis precisa ser estudado 
amplamente, sob uma visão cósmica e a de todas as correntes filosóficas, com 
ampla liberdade de interpretação. Não pode ficar restrito à apenas um enfoque 
sectário e ideológico, mesmo que este fosse o preconizado por Crowley, que 
repudiou, enquanto viveu, a posição de novo Messias, como muitos desejavam que 
fosse ao abdicarem do discernimento pessoal, para assimilarem somente os 
conceitos emitidos por Crowley. Precisamos parar com isto. O papismo que está 
sendo imposto por alguns dirigentes de organizações esotéricas ligadas à obra de 
Crowley é inadmissível em relação ao pensamento libertário defendido pelo mesmo. 
São decorridos 93 anos da recepção do Líber Legis: será que a sua finalidade é ficar 
restrito a algumas mentes “privilegiadas” que estão apenas dispostas a 
anatematizarem os “suplicantes”? Provavelmente este livro também será 
anatematizado. Para o Autor o que importa é: “Faz o que quiseres, é o todo (o 
espírito) da Lei”. Isto, naturalmente, contrariará alguns “Thelemitas” que não 
compreenderam a base filosófica da obra de Crowley; estão, porém, dentro da Lei e 
compreendemos que assim seja. 
77 Ver os primeiros versículos do Gênese. 
78 É interessante observar que, obedecendo aos mesmos critérios de todos os livros reveladores que vieram para 
ficar, o Líber Legis adapta-se perfeitamente às interpretações mágicas, mundanas e cósmicas, sempre de 
acordo com o estágio evolutivo do leitor. Portanto, impedir ou tentar impedir sua interpretação dentro de ângulos 
de percepção que não a dos “donos” da obra de A. Crowley implicaria no estrangulamento do real objetivo do 
Líber Legis, de acordo com o espírito do livro e do propósito do próprio Crowley, quando escreveu o livro 
intitulado “The Law is for All”. 
 102 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
39. Uma festa para Tahuti e a criança do Profeta: segredo, ó Profeta! 
 
Comentário: Tahuti, Teuti, Toth são alguns dos nomes da divindade 
egípcia cuja função principal consistia em pesar o coração dos “mortos”, ou seja, dos 
verdadeiros aspirantes à iniciação, “aquele que morreu para o mundo”, a fim de 
lançar sua sentença decisória sobre as verdadeiras possibilidades do candidato. 
Toth era o mais misterioso e menos compreendido dos deuses do Panteão 
egípcio. Possuía características que o tornavam inteiramente distinto de todas as 
demais divindades antigas. Assim como as permutações cabalísticas dos nomes de 
Osíris, Isis, Hórus e outros deuses são tão inumeráveis que suas individualidades 
ficam quase perdidas, Toth permanece imutável. É o deus de sabedoria e autoridade 
sobre todos os demais deuses. É o registrador e o juiz. Sua cabeça de Íbis, a pena e 
a lousa de escrevente celestial, onde anota e pesa na balança os pensamentos, 
palavras e ações dos homens, assemelha-o aos Senhores do Carma da doutrina 
teosófica. 
Seu nome é um dos que primeiro aparecem nos monumentos egípcios 
mais antigos. É o deus lunar das primeiras dinastias, mestre de Cinocéfalo, o 
macaco com cabeça de cachorro, que o Egito possuía como símbolo e recordação 
viva da Terceira Raça-Mãe (Doutrina Secreta, II, págs. 184/85). É o “Senhor de 
Hermópolis”, Janus, Hermes e Mercúrio combinados. Está coroado com um “atef” e 
o disco lunar, levando na mão o “Olho de Hórus”, o terceiro olho. 
É também o Hermes grego, o deus de Sabedoria e Hermes Trimegistus, o 
“Hermes Três vezes grande”, o patrono das ciências físicas e a verdadeira alma e, 
também patrono, do conhecimento oculto ou ciência esotérica. Um dos membros da 
Real Sociedade Geográfica da Inglaterra, Mr. J. Bonwick, assim se expressa sobre 
Toth: “Toth... exerce um poderoso efeito sobre a imaginação do pesquisador desta 
intricada e ao mesmo tempo formosa fantasmagoria do pensamento e sentimento 
moral daquele afastado passado. 
Em vão nos perguntamos: como, na suposta infância da humanidade, no 
meio da rudez de uma civilização que nos pareceria ainda incipiente, em relação a 
atual, pôde o ser humano sonhar com um ser celeste de tal envergadura como 
Toth? Tão delicadamente e intimamente traçadas as linhas e com tão bom gosto 
estão entretecidas, que nos parece estar contemplando um quadro desenhado pelogênio de um Milton e executado com o talento de um Rafael. 
 103 
 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
Verdadeiramente, algo de indiscutível encerrava o antigo adágio: “A sabedoria 
dos Egípcios...” Quando está demonstrado que a esposa de Kephren, 
construtor da segunda Pirâmide, era uma sacerdotisa de Toth, podemos 
constatar que as idéias nele intrínsecas foram fixadas há mais de 6.000 anos 
atrás”. Segundo Platão, Toth-Hermes foi o descobridor e inventor dos números, 
da geometria, da astronomia e das letras. Próclus, discípulo de Plotino, falando 
desta misteriosa divindade diz: Preside a toda espécie de condição, conduzindo-nos 
a uma inteligível essência deste planeta, governando as diversas multidões de 
almas. Em outras palavras: Toth, como registrador e arquivista de Osíris no Amenti, 
a Sala do Juízo dos Mortos, era uma divindade psicopômpica; paralelamente, 
Jâmblico indica que a cruz com asa (a Tau ou Thau) que Toth tem na mão era 
apenas o monograma de seu nome. Além da Tau, como o protótipo de Mercúrio, 
Toth leva a vara serpentina, emblema da Sabedoria, a vara que se converteu 
posteriormente no Caduceu. 
Esotericamente falando, Toth era a própria serpente num sentido místico; 
deslizava como dito réptil, sem ruído, sem esforço aparente, seguindo o curso dos 
séculos. É uma representação dos céus estrelados. Porém e, também, o inimigo da 
serpente má, porque, como o pássaro íbis, devora as serpentes do Egito. (Glossário 
Teosófico, págs. 792/93.) ” 
De tudo o que fica dito acima e considerando as características “pessoais” 
dessa divindade, podemos depreender que Toth é o próprio Espírito Santo ou o 
Terceiro Logos e, portanto, é Akasha (ou os registros Akáshicos), Nuit/Isis, a Virgem 
Negra, a Mãe Natureza e, ainda, Kundalinî, ou seja, a que traz em si a iluminação e 
a Sabedoria sendo, por isto, também Hermes-Mercúrio). Isto fica mais claro depois 
das operações cabalísticas que podemos fazer com seu nome: 
TEUTI = 9+5+6+9+10 = 39 = 12 = 3 
TOTH = 9+70+9+5 = 93 = 12 = 3. 
Isto esclarecido e comparado com o item referente à NUIT, vemos que 
Toth é outra forma ou aspecto de NUIT, ou seja, os REGISTROS AKÁSHICOS, 
onde toda a história do planeta e tudo que nele existe está registrado e, também, 
onde podemos adquirir o Entendimento (Binah). Ele é o princípio material de todas 
as coisas. O nome de Toth como registrador e juiz (Akasha) se justifica dessa forma, 
104 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
daí os egípcios o terem em tão alta conta. 
Continuando nosso comentário sobre o versículo, esclarecemos que A 
criança do Profeta é o verdadeiro Iniciado, aquele que ficou “pronto”, amadureceu 
espiritualmente e, tendo economizado “sua natureza”, evitando gastá-la com as 
criações externas, forjou, com essas energias, as condições necessárias para que o 
Átomo Mestre da bolsa seminal, ou seja, o Profeta pudesse manifestar-se, 
instruindo-o para os esponsais alquímicos. Por isso ele deve ser festejado. O 
segredo é a instrução dada pelo Profeta. 
40. Uma festa para o mais Alto Ritual (o Ritual Supremo) e uma festa para o
Equinócio dos deuses.
Comentário: O Ritual Supremo para a humanidade é a iluminação 
conquistada com o nascimento de Hadit (a corporificação da Energia Crística no 
coração humano) proporcionada pela ação de Kundalinî nos corpos sutis. 
Uma das condições básicas é a alegria, tônica de nosso universo, 
característica do Tattwa Prithivî, daí a necessidade da festa, principalmente para o 
Equinócio dos Deuses, ou seja, a Primavera e o Outono, a primeira quando se deve 
começar o processo do casamento alquímico (as energias vivificantes do Planeta 
encontram-se no apogeu!) e o segundo quando o processo deverá estar 
definitivamente concluído, depois do clímax que o Verão tende a proporcionar. 
41. Uma festa para o fogo e uma festa para a água; uma festa para a vida e
uma festa ainda maior para a morte!
Comentário: Além do que já foi explicado anteriormente, esclarecemos 
que o fogo e a água são os elementos iniciadores do processo alquímico interno, daí 
serem exaltados. A festa para a vida é festa do espírito e a festa para a morte é 
porque ela representa um novo nascimento. 
42. Uma festa todos os dias em vossos corações, na alegria de meu
êxtase!
Comentário: O convite para a vida em alegria é fundamental na vida do 
iniciado ou aspirante; um coração triste ou vilipendiado com os humores 
provenientes das dificuldades humanas e de uma personalidade sisuda e de mau 
humor é um impeditivo determinante de qualquer avanço espiritual.
105 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
É imprescindível sermos alegres de noite e de dia porque, do contrário, jamais o sol 
(Hadit) nascerá em nossas vidas. 
 
43. Uma festa todas as noites para Nu e o prazer do máximo deleite! 
 
Comentário: No item 42, a festa todos os dias é para o Sol, na alegria do 
arrebatamento proporcionado por Hadit, que é também o Hórus ou elemento positivo 
do processo criativo. 
Neste item, a festa todas as noites é para Nu simbolizada muitas vezes 
pela Lua crescente, ou seja, o elemento passivo do processo criativo. O que é 
importante é a festa (alegria) em todos os momentos, pois através deste estado 
vibratório de nosso ser, provocamos a vibração Prithivî, imprescindível em nossa 
comunhão com a Própria Divindade de nosso Sistema Evolutivo. 
 
44. Sim! Festejai! Regozijai! Não há mais temor no futuro. Há a dissolução 
e um eterno êxtase nos beijos de Nu. 
 
Comentário: O convite é para a máxima exaltação da alegria no Iniciado. 
Quando ele realiza a etapa preparatória necessária à iluminação, seu corpo físico 
grosseiro inicia um processo de dissolução e é transmutado num novo, pela ação de 
Kundalinî (ninguém põe vinho novo em odres velhos .... (Lc. 5.37, Mt. 9.17 e Mc. 
2.22). A nova energia em seu corpo leva-o ao eterno êxtase; daí em diante, não 
existe mais medos ou receios de fracassos ou da morte. 
 
45. Há morte para os cães. 
 
Comentário: Certas frases colocadas dentro do Líber Legis objetivam 
escandalizar a sensibilidade dos emotivos-piegas e dos religiosos amedrontados, 
pois o livro não foi escrito para eles; esta é uma delas. 
Entretanto seu significado não traz nenhuma emoção ao verdadeiro 
Iniciado, pois ele sabe que os cães e todos os animais realmente morrem ao 
terminar cada existência no plano físico, pois, ao retornarem à consciência da Alma-
grupal donde procederam, perdem sua particularidade; o resultado de suas vidas no 
plano físico é incorporado ao da Alma-grupal. Sabemos que o ser humano conserva 
sua individualidade ao acontecer o desenlace, mantendo-a ininterruptamente, vida 
após vida, sem conhecer, verdadeiramente, aquilo que significa a morte. 
 106 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
46. Fracassas? Sofres? Há temor em teu coração? 
 
Comentário: Juntamente com o versículo 48. 
 
47. Onde Eu Sou estes não estão (ou são). 
 
Comentário: Juntamente com o versículo 48. 
 
48. Nenhuma piedade para os decaídos! Jamais os conheci. Não estou 
para eles (ou: Não sou como eles). Não consolo: Eu odeio o consolado 
e o consolador. 
 
Comentário: Estes três itens se completam; portanto a compreensão dos 
mesmos deve ser realizada em conjunto para tornar mais fácil seu entendimento. 
Novamente vemos aqui expressões fortes que parecem contradizer a 
essência de tudo aquilo já conquistado como sentimentos superiores em nossas 
vidas. Mas analisando tudo sob um espírito tranqüilo e de forma superior, realmente 
poderemos concluir que o fracasso e o fracassado, a dor e o sofrimento, o medo e o 
medroso não habitam nem podem existir (ser) no mundo consciencial de Hadit (OPlano Intuicional dos teosofistas e o Mundo do Espírito de Vida dos Rosa-cruzes), 
aqui devidamente compreendido como o EU SOU em cada ser humano. O 
fracassado, o sofredor e medroso bem como os decaídos, ainda têm suas 
consciências nas regiões dos PORQUÊS (a mente racional) e da emocionalidade (o 
Plano Astral); Conseqüentemente, não percebem e não vivenciam a Sabedoria e o 
Poder do EU SOU (Hadit, o Cristo Interno), que não pode consolá-los pois eles não 
lhe dão ou proporcionam o acesso de seus corações-consciência. 
A frase “eu odeio o consolado e o consolador” provavelmente visa 
estabelecer uma posição de repudio ao pieguismo, tão nocivo na compreensão do 
mistério da grandeza do homem. É preciso ir ao nosso Hadit interno; só ele nos 
pode consolar, pois tem a verdade que nos ilumina; os outros consoladores, muitas 
vezes, mesmo sem ter este propósito, nos enganam com falso sentimentalismo e 
frases gostosas, quando o que realmente carecemos é da Verdade esclarecedora, 
isto em relação a nossa ignorância, sofrimentos e ilusões. É importante meditar 
muito no sentido esotérico de cada versículo para saber seu real significado. O 
entendimento imperfeito dos mesmos nos pode fazer assumir a posição de 
julgadores e pronunciadores de sentenças, o que geralmente acontece quando algo 
nos procura “empurrar” para a meditação superior (é o caso deste versículo), 
 107 
 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
onde poderíamos vislumbrar a beleza escondida atrás da aparência daqueles ou 
daquilo que não nos agrada. 
49. Eu sou único e conquistador. Não sou dos escravos (miseráveis) que
perecem. Sejam eles condenados e mortos! Amem. (Isto é do 4; há um
quinto que é invisível e, ali, Sou como uma criancinha num ovo).
Comentário: Podemos compreender que Hadit, dentro de seu universo é 
único e conquistador de toda a experiência, pois nele tudo é. Sua Realidade como 
filho do Altíssimo diferencia-o dos Egos evolucionantes, ainda filhos e escravos dos 
vícios e dos desejos inferiores. Estes naturalmente serão condenados e devem 
morrer, para que surja, neles, uma nova realidade; esta é a lei e que assim seja! 
O trecho entre parênteses (This is of the 4: there is a fifth who is invisible, 
& therein am I as a babe in a egg) parece deslocado do sentido do item como um 
todo. 
Para a compreensão pessoal do autor, isto está relacionado à Quarta 
Sephirah, ou seja, Chesed (=Misericórdia), cuja imagem mágica é um rei sentado 
em seu trono, insinuando a idéia de um governante pacífico, legislando, preservando 
e conservando seus territórios. Esta imagem corrobora os outros títulos dados a esta 
esfera como, por exemplo, Majestade, Amor, bem como pela experiência espiritual, 
a Visão do Amor. 
A segunda oração do período (there is a fifth who is invisible, & therein am 
I as a babe in a egg) provavelmente refere-se a Sephirah Daath (=Conhecimento), a 
Sephirah Invisível e ao 33o. Caminho, denominado “Passagem Secreta” (à 33a. 
vértebra ou Atlas, aquele que sustenta o mundo; também a idade de Cristo, ou seja, 
o ápice da coluna vertebral a ser atingido por todos aqueles que pretendem chegar
ao “céu”). É em Daath que está o princípio e o fim do caminho evolutivo de todas as 
Criaturas Divinas, daí que Hadit afirme que, ali dentro, seja como uma criança dentro 
de um óvulo, pois é o lugar do início, tanto para a experiência física como para a 
vida espiritual. Tudo também poderia estar relacionado à carta 4 do Tarot, ou seja o 
Imperador, sentado numa figura cúbica, cujo arcano significa poder, proteção e 
sempre um grande personagem; de certa forma combina com a primeira afirmação 
do versículo. A afirmação de que “há um quinto, invisível e aí Sou como 
108 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
uma criancinha num ovo”, poderia estar relacionada ao seguinte: 
a) ao quinto plano de consciência, ou seja o Atma dos teosofistas, o
Mundo do Espírito Divino dos Rosa-cruzes que é, também, o Plano de Nuit, a 
Virgem Negra, ou seja Akasha, envolvendo Hadit como uma criancinha num ovo. 
b) a carta 5 do Tarô, o Hierofante significando inspiração, indicação,
instrução e ensinamento, portanto, também conhecimento; é representada por um 
homem a quem recorremos, seja o nosso pai, o médico, o advogado, etc.. É o 
Iniciado Real, que vive conscientemente a Divina Presença Eu Sou ou Mente 
Superior, cujo poder é invisível para o homem comum. Cabe, entretanto, meditação 
mais prolongada sobre este trecho, principalmente observando os valores das 
Sephiroth mencionadas, que poderão informar ainda muito mais. O importante é 
meditar bastante sobre o assunto: a resposta virá, com toda certeza.79 
50. Azul e ouro Eu Sou na luz de minha noiva: mas o fulgor (clarão, raio,
vislumbre) vermelho está em meus olhos; minhas lantejoulas são
púrpura e verde.
Comentário: Neste versículo Hadit procura revelar-se à compreensão do 
Estudante, porém de forma metafórica e, acredito, envolvendo a Cabala e os 
Tattwas. Dentro desta ótica, vamos procurar analisá-lo, deixando, porém a 
compreensão final para cada pesquisador: 
1) Azul até o verde são as cores do Tattwa Vayu, correspondendo ao Alento
Divino; o movimento, a primeira manifestação externa da Trindade que, no
Gênese, aparece como a criação do Firmamento. O azul é também a cor
esotérica do sol, constatada cientificamente pelos astrônomos há poucos
meses atrás, através do Observatório espacial Hubble, conforme foi
noticiado pelo Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro.
2) Ouro até o ocre são as cores do Tattwa Prithivî, elemento terra;
correspondendo ao atual Tattwa universal. O ouro é o símbolo da Sabedoria
manifestada.
79 O Estudante precisa compreender que nestes versículos existe como que uma constante preocupação de 
Hadit revelar-se em todo o seu esplendor. 
109 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
3) Luz de minha Noiva. A noiva de Hadit é Nuit, que, conforme já explicamos
anteriormente, representa o Tattwa Akasha, cuja cor é negra e é formado
pela matéria negra que envolve o universo. Lembremo-nos de que Nuit é o
esconderijo de Hadit.
4) Vermelho é a cor da Tattwa Tejas, o Tattwa da visão e fica claro este
relacionamento quando Hadit diz: “mas o clarão vermelho está em meus
olhos”. Como este Tattwa é o formador da essência da matéria do mundo
mental, pode significar a manifestação de Hadit, nesse mundo.
Sendo assim ficaria faltando o Tattwa Apas, o Tattwa do elemento água, 
cuja cor é branca, e possui as seguintes características: 
a) Está relacionado ao paladar, às emoções, ao plano astral, às ilusões,
etc., onde tudo o que acontece no plano físico e no plano mental é
refletido.
b) Considerando esta capacidade do plano astral de refletir qualquer
coisa, não seria demais supor que “as minhas lantejoulas são púrpura
e verde” podem estar se referindo exatamente a esta qualidade deste
elemento, refletindo Hadit em Atziluth e Briah (o Plano Intuicional =
Tattwa Vâyu e Plano mental = Tattwa Tejas) de Yetzirah que
representa o plano emocional da Cabala. Desta forma, a cor Púrpura =
Vermelho utilizada pela realeza e o verde, do Tattwa Vayu apareceriam
como reflexos neste plano, da mesma forma como as lantejoulas
refletem qualquer forma de luz.
Concluindo, poderíamos dizer que isto representaria muito bem a 
revelação de Hadit como a essência de todos os elementos (Ar, Fogo, Terra e Água) 
manifestado nos quatro planos conscienciais da Cabala, principalmente porque o 
nome das cores está mais para a linguagem cabalística do que para a teosófica-
hinduista. De todas as formas, é importante que o Estudante não dê o versículo 
como explicado e realize outras comparações, utilizando os elementos que aqui 
deixamos. O que importa é pesquisar,saber, praticar e integrar-se na realidade de 
Hadit, pois este é o objetivo desta revelação. 
110 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
51. Púrpura além da púrpura: é a luz mais elevada que a visão. 
 
Comentário: Para entender púrpura além da púrpura é preciso lembrar 
que o nosso atual universo é essencialmente a forma e a expressão da Mente Divina 
(Mahat-tattwa = a primeira das sete criações); Mahat é o produtor do Manas ou 
principio pensador e é o nome que se dá, por antonomásia, a Mahâbuddhi, a Alma 
inteligente do universo. Poderíamos ainda acrescentar as expressões “A mente é 
fogo” ou “porque nosso Deus é um fogo consumidor” 80 e que todas estas são 
expressões relacionadas ao mundo mental do Planeta Terra, cuja matéria mental 
assemelha-se ao fogo vermelho. Do antedito, infere-se que “púrpura além da 
púrpura é a Mente Divina, ou seja, a Sephirah Kether, a luz mais elevada que a 
visão, ou, ainda, a luz que está além dos fenômenos provocados pelos efeitos de 
Tejas, o Tattwa da visão. 
Mesmo considerando que púrpura além da púrpura se refere a Kether, 
salientamos, também, que Púrpura profunda é a cor apresentada por Chesed no 
mundo de Yetzirah (plano dos anjos) que corresponde ao “kama-rupa” dos 
teosofistas. Já a Sephirah Hod apresenta a cor violeta púrpura no mundo de Briah. 
Aos que desejarem maiores informações sobre este assunto, remetemos seu 
interesse ao estudo mais profundo da Cabala, onde encontrarão novas chaves para 
a interpretação destes versículos do Livro da Lei. 
 
52. Há um véu; esse véu é negro. É o véu da mulher modesta, o véu da 
tristeza (pode ser também o véu da dor) e a mortalha da morte: isto de 
modo algum está em mim. Arranquem este falso espectro dos séculos: 
não oculteis vossos vícios sob palavras virtuosas: estes vícios estão 
ao meu serviço; realizai-o de forma correta e vos recompensarei aqui e 
daqui por diante. 
 
Comentário: Para compreender bem este versículo é preciso a 
conscientização de que o véu negro ainda é Akasha, mas, agora, não está sendo 
focalizado o Akasha universal (Nuit), mas o Akasha que envolve nosso Planeta, 
percebido como ausência total da luz solar (negritude) pelos astronautas quando se 
encontram fora da órbita terrestre. Este Akasha é uma modificação do Akasha 
universal realizada primeiramente pelo próprio Sol e, posteriormente, pelo Planeta 
Terra. É o véu de Isis e da viúva da tribo de Naftali (1-Reis. 7.13), que representam 
aquelas que sofrem as dores da perda de seus entes amados 
80 Carta aos Hebreus 12:29. 
 111 
 
 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
(Osíris e o Artífice-Mestre de Bronze), por não compreenderem que os mesmos 
vivem em seus filhos (no caso, Hórus e Hiram Abiff, outras representações de Hadit). 
Neste caso, as viúvas são representações do Planeta Terra, que se 
separou do Sol e dos seus princípios criadores mais elevados há bilhões de anos, 
mas que também, daqui a alguns milhões de anos, será novamente incorporada a 
ele. 
Entendido o que está acima, podemos depreender que a mulher humilde 
é a Terra, planeta ainda de dores e sofrimentos (ignorância), onde o sofrimento pelo 
que entendemos por morte ainda é vivenciado pelos não-iniciados. “Nada disso está 
em mim”, diz Hadit e é verdade, porquanto nosso atual estágio de desenvolvimento 
espiritual nos identifica com a natureza do Planeta e com o veículo que estamos 
utilizando em cada encarnação. Porém, tudo isso é ilusão, ignorância, pois ao nos 
identificarmos com a nossa natureza espiritual, nada resta desse sofrimento ou de 
nossa ignorância, pois eles não existem na natureza de Hadit. Fica o convite para 
arrancarmos ”este falso espectro dos séculos”, ou seja, os hábitos errôneos de 
nossa mente, a ilusão de que somos nosso corpo, etc., que esposamos como 
realidades de nossa vida pessoal há milhares de anos, ou seja, desde o princípio de 
nossa consciência humana, no Planeta. 
O convite para não ocultarmos nossos vícios sob palavras virtuosas 
refere-se, também ao nosso atual estágio de compreensão, onde esposamos 
valores irreais, não eternos, sem coragem para a Verdade que liberta. Hadit fala 
destes vícios como seus servidores, pois, através de nossa imperfeição, somos 
levados ã perfeição; sem a dor e o sofrimento, a maioria da humanidade não 
caminharia. 
Por fim, afirma que se realizarmos a nossa emancipação do passado 
(Arranquem este falso espectro dos séculos), começaremos a receber a imediata 
recompensa (eterna iluminação) desta correta atitude, aqui e daqui por diante. 
 112 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
53. Não receies, ó profeta, quando estas palavras forem ditas, não te 
causarão pesar. És enfaticamente meu escolhido; benditos são os 
olhos que te encararem com alegria. Porém Eu te esconderei numa 
máscara de tristeza: os que te virem temerão que sejas o decaído (o 
dissoluto), mas Eu te exalto. 
 
Comentário: O versículo tem dupla interpretação: tanto pode referir-se a Crowley, 
que seria “um protegido” de Hadit, inclusive justificado para os que o “aceitarem” 
com alegria e com a promessa de ser escondido numa “máscara de sofrimento” 
para ser temido como o dissoluto (como aconteceu com o mesmo, por aqueles 
que o observaram somente pela ângulo de suas experiências no campo sexual), 
mas que seria exaltado por Hadit. Essa ótica naturalmente será aceita pelos que 
estudarão o versículo apressadamente, materializando as informações que 
contém. 
Em outra interpretação veremos Hadit dirigindo-se ao Átomo Mestre (o 
verdadeiro iniciador do homem), enfatizando-o a não recear as revelações aqui 
contidas (as palavras que agora ficam em domínio público, através do Líber Legis), 
considerando que muitos julgarão não mais precisar de suas lições (as do Átomo 
Mestre) e se perderão em práticas mágicas para as quais não estarão devidamente 
preparados, adiando, por várias encarnações, a possibilidade da iluminação 
pretendida. 
Com as palavras: “És enfaticamente meu escolhido”, Hadit reafirma a lei 
de que “somente quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece” e esclarece que 
benditos serão os olhos que encararem o Mestre com alegria (aceitação), porquanto 
muitos chegarão a ver o Iniciador, porém, cheios de soberba e ilusão, não o 
reconhecerão, vendo nele, por arte mágica do próprio Hadit, algo desprezível. 
Entretanto, para Hadit, ele sempre será exaltado como o verdadeiro Iniciador 
daqueles que buscam, segundo a lei. 
Poderíamos acrescentar, com conhecimento de causa, que a paciência é 
a primeira virtude a ser adquirida dentro deste processo, a fim de que as estruturas 
psíquico-espirituais do Estudante estejam realmente harmonizadas. O apressado 
geralmente come cru; isto não é uma metáfora neste caso. 
 113 
 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
54. Nem aqueles que esbravejam alto sua loucura de que nada significas 
aproveitarão; tu o revelarás: és o mais alto benefício: eles são escravos 
do Porque. Não são de mim. Os pontos como quiseres; as letras (o 
sentido literal?) não as mudes nem em estilo nem no valor. 
 
 
Comentário: Da mesma forma que o anterior, este versículo se presta a 
duas interpretações: 
 
1ª) uma relacionando-o a Crowley, referindo-se àqueles que reverberam 
suas atitudes e posições em relação ao que costumamos chamar de Ciência 
Espiritual; não foram poucos os que o chamaram de louco e que nada significava 
dentro do movimento esotérico mundial. 
Dentro do texto, Hadit afirmaria que Crowley seria o revelador e se 
constituiria no mais alto benefício por causa destas revelações e que seus detratores 
assim procedem por ainda serem escravos doPorque, ou seja, da mente racional. 
Segue, dizendo que estes não se identificam com sua realidade espiritual, por 
estarem presos à lógica material. 
Por fim, já em caráter coloquial, provavelmente respondendo a perguntas 
mentais feitas por Crowley, Hadit aceita que este pode modificar a pontuação 
existente no Líber Legis, porém as letras das palavras (não seria o sentido literal?) 
jamais devem ser modificadas. 
 
2ª) Hadit se estaria referindo àqueles que, de forma pouco sensata, 
tentaram a iluminação por caminhos transversos e que tripudiaram sobre a ajuda do 
Átomo Mestre; não obterão nenhum proveito de suas atitudes. Terão seus 
propósitos obstruídos segundo a vontade do Átomo Mestre; gritarão e procederão 
como loucos, mas não conseguirão nada. 
Hadit fala, ainda, que o Átomo Mestre se revelará como o mais alto 
benefício que o homem devidamente preparado pode encontrar em sua busca; em 
seguida, explica que aqueles, ainda escravos da Razão, recusarão sempre tudo 
aquilo que não podem compreender, principalmente a realidade da Divina Presença 
como a entidade máxima do homem, no tempo e no espaço. 
 114 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
O trecho referente aos pontos e letras,81 nos parece mais dirigidos a 
Crowley e devem estar relacionados a algumas dúvidas que possuía em relação à 
forma de escrita do Líber Legis. 
55. Hás de obter a ordem e o valor do Alfabeto inglês; encontrarás novos
símbolos para imputar-lhe.
Comentário: O alfabeto inglês tem 26 letras; o cabalístico 22. Como o 
conhecimento do idioma inglês do autor deste trabalho resume-se em tentativas de 
compreensão daquilo que foi escrito; qualquer possibilidade de explicação sobre o 
significado deste versículo seria uma aventura insensata. Que os Mestres no idioma 
inglês e outros irmãos mais capacitados realizem este trabalho! 
56. Fora! vós escarnecedores; ainda quando rides em minha honra, não
rireis durante muito tempo; então, quando estiverdes melancólicos,
entendereis que vos desamparei.
Comentário: Isto parece referir-se às pessoas de bem com a vida, 
enquanto esta lhes proporciona os motivos de seus prazeres; por este fato, sempre 
sorrindo dão graças a Deus, pela vida que levam. Entretanto, como o motivo da vida 
não é o prazer emocional, ao chegarem às experiências dolorosas, entendem, 
então, que entraram em provação e se sentem desamparadas. 
57. O homem que é justo permanecerá justo; o torpe continuará torpe.
Comentário: Junto ao comentário do versículo 60.
81 O trecho em inglês (...the letters? Change them not in style or value!) está traduzido como: as letras? Não as 
mudes nem em estilo ou valor!”embora tenhamos colocado como uma segunda opção: o sentido literal? Não o 
mudes nem em estilo ou valor, pela seguinte razão: a palavra inglesa “letters” (plural) pode ser traduzida como 
cartas, literatura, cultura, erudição, sentido comum, etc., daí termos experimentado o texto utilizando suas 
diversas possibilidades; embora mantivéssemos a tradução preferida por outros tradutores, justificamos a 
segunda opção com os seguintes argumentos: 
- traduzindo “letters” como “letras”, nos parece haver uma colisão com as operações cabalísticas no que 
tange tanto a Gematria (comutação e combinação de letras) como a Themurah (transposições) e o Notarikon, tão 
utilizadas no próprio Livro da Lei e, sem as quais, seria impossível a compreensão esotérica de seu texto, o que 
não devemos aceitar, em nenhuma hipótese, pois fazer um ritual sem compreendê-lo (ou seja, trabalhar com a 
mente) é, de certa forma, “astralizá-lo"; preponderaria, nesse caso, somente o aspecto devocional (energia 
inferior do 6o. Raio), o que colidiria com seu propósito principal, ou seja as energias do 7o. Raio (Ritual e Magia), 
tão importantes e fundamentais para a Nova Era, por embasarem a expressão das energias do 1o. Raio 
(Vontade = “Thelema” e poder), onde preponderam sempre as mentes devidamente treinadas. 
De toda forma, ficaria aparentemente claro (pelo menos para o autor deste trabalho) que se trata do 
“sentido literal” do Líber Legis; realmente não deve ser mudado, nem no estilo nem no valor, pois haveria a 
possibilidade de uma desfiguração do verdadeiro sentido, por aqueles que, não compreendendo seu caráter 
mágico-cósmico, tentariam adaptá-lo aos seus pontos de vista pessoais. 
O Autor não se coloca fora dessa possibilidade, consciente de que o livro que escreve deverá ser 
corrigido e ampliado por aqueles que são mais capacitados. O que não concorda é que um livro com 93 anos de 
idade esteja restrito apenas a uma minoria intelectualizada, que até agora não se dignou produzir nada além do 
que Crowley deixou. 
115 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
58. Sim! Não penseis mudar; sereis como sois e nunca diferentes. Por
essa razão os reis da terra serão Reis para sempre: os escravos
servirão. Ninguém será deprimido ou exaltado; tudo é como sempre foi.
Contudo, ainda existem servidores meus que se mascaram: talvez
aquele mendigo seja um Rei. Um Rei pode escolher suas vestes de
acordo com sua vontade: não há uma prova determinada (segura);
porém um mendigo não pode ocultar sua pobreza.
Comentário: Junto ao comentário do versículo 60. 
59. Cuidado, pois! Amai a todos, a fim de que, por acaso, não aconteça que
um Rei possa estar dissimulado. Acreditas nisso? Tolo! Se ele for um
Rei, tu não podes feri-lo (magoá-lo).
Comentário: Junto ao comentário do versículo 60. 
60. Portanto, luta firme e humildemente82 e ao inferno com eles, mestre!
Comentário: Continuamos trabalhando com metáforas. Os versículos 57, 
58, 59 e 60 representam, juntos, uma advertência, em seqüência, ao versículo 56. 
Prosseguindo, o versículo alerta ao Estudante: as coisas serão sempre 
como têm sido; deve aprender a ser tolerante, não querendo que sejam como 
deseja; tudo tem a sua razão de ser e obedece ao plano de evolução de cada um. 
Ensina, porém, que as aparências enganam e as pessoas não devem ser julgadas 
por seu aspecto externo ou, ainda, como se portam em cada encarnação; uma alma 
nobre (um Rei) será sempre uma alma nobre, mesmo sob as roupas de um 
mendigo, porém uma alma pouco evoluída, portar-se-á sempre como tal, esteja 
morando num palácio ou tendo sob o seu comando responsabilidades importantes, 
pois nunca poderá esconder sua mesquinhez. Finalmente, propõe que o Estudante 
seja cauteloso e ame a tudo e a todos, indistintamente, a fim de que não sucumba 
sob a prova da prepotência, pois jamais conseguirá magoar aqueles que são Reis, 
mas adquirirá um carma violento ao procurar fazê-lo. E, por fim, já o nomeando 
como “Mestre”, sugere que a luta seja travada com firmeza e humildade, porque 
assim procedendo, seus ofensores receberão segundo seus méritos. 
82 A tradução da palavra inglesa “low” foi feita como advérbio (= baixinho, humildemente, etc.). 
116 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
61. Há uma luz diante dos teus olhos, ó Profeta, uma luz indesejada, muito
desejada.
Comentário: Nesta fase, o Átomo Mestre e o Estudante são uma só 
pessoa e, nos olhos deste, brilha a luz dos conquistadores, não desejada pelo 
verdadeiro iniciado em sua humildade, mas muito agradável para sua Alma. 
62. EU SOU enaltecido em teu coração e os beijos das estrelas chovem
intensamente sobre o teu corpo.
Comentário: Hadit (o Eu Sou, o Santo Anjo Guardião, o Cristo Interno, 
etc.) é glorificado no coração e no sangue do Estudante; o corpo deste, cujos 
átomos agora estão transmutados em pura luz pela ação de Kundalinî, é visto dos 
planos mais sutis, assemelhando-se a um turbilhão de estrelas compondo uma 
galáxia. 
63. Estás extenuado na plenitude voluptuosa da inspiração; a expiração é
mais suave do que a morte, mais rápida e risível do que uma carícia do
próprioverme do inferno.
Comentário: Este versículo parece referir-se ao que acontece com o 
Estudante quando, depois da preparação iniciada nos versículos anteriores, ele 
vivencia as experiências do Caminho 32 da Árvore da Vida.83 
Primeiramente, sua consciência experimenta uma espécie de cansaço e 
sua percepção se torna abrangente, sem limites (aparentemente, para ele); sua 
respiração parece cessar, é mais suave que a morte; a tensão é exaustiva. 
Em seguida, torna-se mais rápida com a “carícia”, ou seja, o contato 
asqueroso com os vermes e outras formas elementais, filhas de suas criações 
inferiores e que pululam neste caminho, que representa o inferno particular do 
Estudante. Passados os primeiros momentos, onde em hipótese alguma deve 
assustar-se com o que está acontecendo, esboça um sorriso de compreensão. 
83 Este é um dos “caminhos” considerados diretos e vai de Malkuth até Yesod (do plano físico ao plano astral ou 
emocional). 
117 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
64. Ó! estás sobrepujado: estamos sobre ti; nosso deleite te envolve
totalmente. Salve! Salve! Profeta de Nu! Profeta de Had! Profeta de Ra-
Hoor-Khu! Agora te regozija! Agora participa (entra, penetra) de nosso
esplendor e êxtase! Participa de nossa arrebatada paz e escreve
delicadas palavras para os Reis!
Comentário: O Estudante, em sua experiência, não oferece mais 
resistência e submete-se à direção superior, que o envolve totalmente. Esta, depois 
de o tranqüilizarem deixando claro que estão sobre ele, saúdam-no como Canal das 
energias potenciais de Nu, de Had e de Ra-Hoor-Khu, ou seja, as energias das 
Sephiroth Kether, Chokmah e Binah. 
É importante notar nos nomes de Ra-Hoor-Khu, de Nu e de Had a 
ausência do sufixo “it” de caráter propulsor, não mais necessário porque, agora, o 
Estudante é a expressão daquelas energias, para escrever (trazer) as mensagens 
alentadoras para as Almas nobres que aspiram e servem, ou seja, os Reis. 84 
65. Eu Sou o Mestre; Tu és o Santo Eleito.
Comentário: Hadit é a Sabedoria e o Iniciado é o Canal escolhido para 
trazer sua sabedoria para aqueles que ainda permanecem sob os véus da ilusão. 
66. Escreve e sinta arrebatamento na escrita! Trabalha e sê nosso
fundamento na ação (no trabalho)! Vibra com o prazer da vida e da
morte! Ah! Tua morte será graciosa! Todo aquele que a assistir,
alegrar-se-á. Tua morte será o selo da promessa de nosso perene amor.
Vem! Ergue teu coração e regozija-te! Somos um; somos nenhum
(nada).
Comentário: O Iniciado é exortado à completa integração com a 
consciência de Hadit e, também, a realizar sua função de Canal. É importante que 
mantenha alegria e completo êxtase interno, tanto na consciência da personalidade 
(vida no plano físico) como na consciência da individualidade (morte ou falecimento 
da consciência do plano físico). 
A entrada na consciência da Individualidade (tua morte) será cheia de 
graça e beleza e os que assistirem o teu êxtase, alegrar-se-ão.85 Hadit configura que 
a morte da personalidade representa o selo ou símbolo da Eterna integração 
84 Relembramos que “Reis” são as almas mais evoluídas; já aspirando a unificação com Hadit, no coração. 
85 Aqui é importante esclarecer que os assistentes (todo aquele que a assistir) não são pessoas físicas, mas os 
átomos Iniciados de nosso mundo interno. 
118 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
do Iniciado com a Divina Presença; para sempre, mesmo durante as seguintes 
encarnações, sua consciência permanecerá na Luz. 
Culminando, mais uma vez exorta-o a manter erguida sua eterna morada 
e lhe fala da Unidade, ou seja, o Eu Sou é a Única realidade; não há mais a 
personalidade nesse universo (somos nenhum, somos nada). 
67. Espera! Aguarda! Sustenta teu arrebatamento; não sucumbas no
desfalecimento dos beijos excelentes!
Comentário: É preciso que o Iniciado mantenha, de forma consciente, 
sem desfalecimento, o Samâdhi 86 em que se encontra, mesmo considerando o 
profundo prazer que experimenta e que atinge de forma inequívoca sua vontade, 
convidando-o a uma entrega total; ainda não é a hora! 
68. Mais forte! Sustenta-te! Levanta a tua cabeça! Não respires tão
profundamente - morre!
Comentário: Novas exortações e orientação para que não sucumba ao 
devaneio. É necessário a mais completa consciência e controle. 
69. Ah! Ah! O que eu sinto? A palavra (voz) está exausta?
Comentário: A primeira pergunta se refere a participação de Hadit no
processo; a segunda é a constatação de que o Iniciado, envolvido pelo êxtase, não 
consegue pronunciar qualquer palavra e essa situação enche de alegria a Hadit. 
70. Há ajuda e esperança em outros encantamentos (feitiços). A Sabedoria
diz: sê forte! Então podes agüentar mais prazer. Não se porte como um
animal; sutiliza (torna mais refinado) teu êxtase! Se beberes, bebe pelas
oito e noventa regras da arte; se amas, supera por delicadeza; se fazes
algo prazeroso, que nisso haja sutileza.
Comentário: Na primeira frase, fica claro que o êxtase pode ser 
conseguido obedecendo a outras práticas (Tantra, Bhakti, Raja e Kriyâ ioga, 
algumas práticas alquímicas, etc.), pois sempre os que velam pela evolução 
86 Estado de arrebatamento extático completo; esta palavra deriva de samâdha, que significa “posse de si 
mesmo”, ou seja, aquele que possui a capacidade de exercer um absoluto domínio sobre todas as suas 
faculdades, tanto físicas como mentais. 
Observação: Naturalmente, tudo isto também pode ser considerado como relacionado às experiências de 
“samadhi” de Crowley. Pessoalmente, não pensamos que seja assim; é um processo de escolha. Faze o que 
quiseres, ou seja, interpreta de acordo com a tua compreensão, é toda a lei. 
119 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
da humanidade estarão prontos para ajudar; mas seja qual for o caminho escolhido, 
o Iniciado não deve agir como um animal, portando-se de forma abjeta e deixando-
se levar pela luxúria e o fanatismo reprovável, chegando, em alguns casos, até 
mesmo à prática da magia negra para atingir a conquista de seus objetivos. 
O encontro com Hadit será sempre pela via da sutileza e do refinamento; 
se a escola adotada preconiza beber o “soma” (seja em forma de bebida, 
estupefacientes ou qualquer outro produto de origem vegetal (nunca ácidos 
provenientes de elaboração ou que contenham substâncias químico-industriais), 
este deve ser ingerido (em homenagem, em louvor) pelas oito e noventa regras da 
Arte. As oito regras que conhecemos são: 
1a) REGRAS MORAIS: 
a) abstenção de prejudicar ou maltratar qualquer ser vivente;
b) sinceridade;
c) abstenção de apropriar-se dos bens alheios;
d) continência ou castidade;
e) desinteresse ou renúncia a tudo quanto possa servir para recreio dos
sentidos. 
2a) ATITUDES PERANTE A VIDA: 
a) pureza mental e corporal;
b) contentamento (alegria);
c) jejum; estudo de textos sagrados;
d) entrega da vida à Divindade.
3a) ATITUDE CORPORAL 
adequada para a meditação. 
4a.) PRÂNÂYÂMA 
prática, com domínio e regularização do alento, executando inalação, 
retenção, exalação e descanso, de acordo com as práticas existentes. 
5a.) ABSTRAÇÃO OU RETRAÇÃO DOS SENTIDOS E DA MENTE 
(relaxamento), afastando-os dos objetos externos e atraindo-os à 
mente superior, purificando e sublimando a mente. 
120 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
6a.) CONCENTRAÇÃO 
Sustentação da mente num ponto único, de forma prolongada e com 
objetivo determinado. 
7a.) MEDITAÇÃO, ou seja, a contínua e prolongada corrente de pensamento 
dirigida para um determinado objeto, até identificar-se e absorver-se no 
mesmo. 
8a.) CONTEMPLAÇÃO extática (Samâdhi), em cujo grau superior, chega-se a 
perder até a consciência da própria individualidade,unificando a Alma 
em inefável beatitude com o Hadit (A Divina Presença). Este estado 
permite ao Iniciado transferir sua esfera de ação para um plano muito 
maior e sem limites daquele em que vive como ser encarnado. 
Não conhecemos as “noventa” regras também referidas no versículo. 
Podem referir-se às diversas regras existentes nas nove Sephiroth, às operações 
alquímicas necessárias a obtenção da “pedra filosofal” ou outra prática qualquer, 
visando, precipuamente, a exaltação (iluminação) da consciência do Iniciado. 
Verdadeiramente não formam parte do conhecimento do Autor deste livro, 
que se sentiria beneficiado em receber colaboração sobre o assunto. 
71. Mas supere! Exceda!
Comentário: Estes dois comandos são importantíssimos para se atingir a 
iluminação objetivada. Na realização da prática utilizada, seja qual for a escolhida 
pelo candidato à iluminação, é imprescindível que ele supere e ultrapasse, com 
excesso, o estágio da trindade pessoal (mente concreta, emoção e sensação); deve 
ter coragem (valor) para, quando sentir sua própria anulação e a presença da 
energia transformadora (Kundalinî) agindo dentro de seus organismos mais sutis, 
entregar-se totalmente a ação sábia de seu Mestre Interno e não deixar que a mente 
(com suas convicções pessoais), a emoção e a sensação, estejam presentes, pois, 
do contrário, colocará tudo a perder (...mas aquele que na glória deste momento der 
pó, tudo lhe será negado...); repetindo, é importante superar qualquer forma de 
prazer ou de gozo, de alegria ou bem-estar: só o Mestre deve estar presente, só ele 
tem a sabedoria para o processo. 
121 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
72. Esforça-te para obter sempre mais! Se sois verdadeiramente meu - e
não o duvides, se fores sempre alegre! − a extinção (a morte, a
cessação) será o galardão de tudo.
Comentário: Depois do primeiro sucesso, é importante que o Iniciado 
continue o trabalho para obter sempre maior iluminação, pois o primeiro sucesso 
constitui-se no primeiro degrau para se chegar ao Trono do Senhor; é preciso 
continuar o esforço para obter sempre mais e não se perder nos louros (tremendo 
perigo da vaidade, do orgulho, da prepotência e outras formas degradantes que 
poderão surgir em sua personalidade, quando não integrada em Hadit), pois o 
primeiro estágio ainda não significa a vitória final: Isis tem sete véus! Nesta fase, 
Hadit alerta: “se sois verdadeiramente meu (e não o duvides, no caso de 
permaneceres sempre alegre!) a extinção da personalidade mortal será o galardão 
de tudo; porém, ainda o Iniciado poderá colocar tudo a perder se esquecer de que o 
verdadeiro conquistador é Hadit; isto é importante, pois o perigo de utilizar a 
conquista realizada em benefício da personalidade é muito presente. 
73. Ah! Ah! A morte! A morte! Ansiarás ardentemente a morte. A morte
para ti estará vedada, ó homem.
Comentário: Esta mensagem é muito sutil, pois aqui a morte não é a 
perda da vida no plano físico, como estamos acostumados a entender, porém trata-
se da continuação e permanência do êxtase (uma espécie de morte considerando o 
nosso mundo de relações), porém isto é impedido ao Estudante enquanto durar o 
atual período da evolução humana; mesmo tendo adquirido a Iluminação de sua 
consciência nos planos mais sutis, ele terá de continuar sua jornada; daqui por 
diante, com outra compreensão sobre os objetivos da vida. 
74. O tamanho da tua aspiração será a energia de tua glória. O que vive por
muito tempo e deseja muito a morte será sempre o Rei entre os Reis.
Comentário: Seria fácil entender a primeira oração deste versículo 
seguindo apenas o que está explícito, porém, além deste primeiro significado, existe 
um segundo, oculto, que nos faz compreender que aspiração, aqui, é também a 
capacidade de aspirar (desejar ardentemente) Átomos Transformadores ou Iniciados 
(ler o Livro “Os Deuses Atômicos”) a ser realizada pelo Estudante, 
122 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
o que lhe proporcionará a energia que carecerá para manter-se em condições de
vida superior. 
Para compreender a última oração, lembramos que existe um axioma que 
diz assim: “o homem sábio vive longo tempo na face da terra”; no caso daquele que 
realizou sua iluminação, este dito torna-se uma verdade ainda mais inconteste, pois 
seu corpo passa a “metabolizar” energias insuspeitadas, que lhe proporcionam uma 
saúde fora do comum. Entretanto, ele desejará continuamente a morte, ou seja, o 
êxtase, a união com seu Santo Anjo Guardião; porém, por causa de suas 
conquistas, deverá servir durante longo tempo na face da Terra, sempre como uma 
Grande Alma (Mahâtmâ) entre as Grandes Almas. 
75. Sim! Presta atenção aos números e as palavras:
76. 4 6 3 8 A B K 2 4 A L G M O R 3 Y X 24 89 R P S T O V A L. O que
significa isto, ó Profeta? Tu não sabes; nem jamais deverás saber. Lá
vem alguém para acompanhar-te: ele o explicará. Mas lembra-te, ó
único Eleito, de ser para mim; de seguir o amor de Nu no céu estrelado;
olhar, de ora em diante, pelos homens e dizer-lhes esta alegre palavra.
Comentário: Os versículos 75 e 76 completam-se. Há uma mensagem 
particular, provavelmente de caráter exclusivo para cada Iniciado e que somente 
será explicada pelo seu padrinho (o Átomo Iniciador que mora no chacra da 
garganta 87, ou seja, Hiram, o Rei de Tiro − ver 1 Reis 5-1/12 e 2Cr. 2-1/16) na 
Iniciação Real Interna. Entretanto, Hadit alerta ao Iniciado para permanecer 
eternamente nele, compreender sempre o amor na estruturação das formas (Nu) e 
olhar de ora em diante sempre pelos homens, conclamando-os à iluminação. 
87 A Sephirah Daath, o Abismo da Cabala. 
123 
SEGUNDO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
77. Ó! Sê altivo e poderoso entre os homens!
78. Ergue-te! Pois ninguém é parecido contigo entre os homens ou entre
os Deuses. Levanta-te! Ó meu Profeta! Tua estatura ultrapassará as
estrelas. Eles adorarão o teu nome, em forma de quadrado, místico,
maravilhoso, o número do homem; e o nome de tua casa 418.
Comentário: Os versículos 77 e 78 completam-se. A fala de Hadit é de 
exaltação para o Estudante, agora um Iniciado; realmente, agora ele se destaca 
entre os homens e os Deuses, porque é Deus sobre os Deuses do seu universo 
interno, consciente de seu poder entre suas criações (mentais), sejam humanas ou 
angélicas. 
Salientamos a voz de Hadit chamando o Iniciado de Profeta, pois agora, 
identificado com o Átomo Mestre (o verdadeiro iniciador do homem) ele é o 
Emissário (canal) de Hadit entre o Céu (a cabeça) e a Terra (o que está abaixo do 
diafragma). Deve observar-se, entretanto, que agora a energia criadora está no 
Salão do Rei (Hiram, o Rei de Tiro) e não mais no Salão da Senhora dos Bosques. 
88
“Tua estatura ultrapassará as estrelas” significa que, estando o Iniciado 
em comunhão com Hadit (a essência e o centro de todas as coisas), ou seja, o 2o. 
Logos, naturalmente sua consciência teria ultrapassado Nuit (o 3o. Logos), sempre 
representada e manifesta dentro de um céu estrelado. 
Em seguida, temos mais uma metáfora na oração: “Eles adorarão o teu 
nome, em forma de quadrado, místico, maravilhoso, o número do homem e o nome 
de tua casa 418”. Para compreendê-la, teremos que analisar o significado do mantra 
Abrahadabra, a palavra mágica que levanta todos os véus, o “abre-te Sésamo!” de 
todas as portas e a que desvela todos os tesouros ocultos. Seus números são: 
ABRA = 1+2+200+1 = 204 
HAD = 5+1+4 = 10 
ABRA = 1+2+200+1 = 204 
 perfazendo a soma de: 418, 
88 Para entender estas regiões, consulte a figura Anatomie Occultii na página 240 deste livro. 
124 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
que é o nome de tua casa, ou seja, ABRAHADABRA,onde HAD, a essência de tudo 
o que existe, se abriga, ou seja, fica oculta no meio dos dois mantras ABRA (Abra-
had-abra). 
O mantra Abrahadabra é considerado a palavra mágica que o Mago 
necessita proferir para saturar-se de poder e, então, executar a sua vontade. 
Contudo, para compreendermos melhor a força do mantra ABRAHADABRA, 
necessitamos conhecer melhor seu componente ABRA que, por sua vez, tem 
também um significado especial para a meditação do Aspirante à Ciência Real, o 
que nos leva as seguintes operações: 
 
AB = 1+2 = 3 
RA = 200+1= 3. 
 
Ora, sabemos que o significado de AB é coração; este era intimamente 
associado à Alma, entre os egípcios. Estes consideravam importantíssima sua 
preservação, pois, no dia do “Julgamento do Morto”, ou seja, aquele que estava 
vivenciando o ritual da iniciação, era, através dele, que se revelavam as 
manifestações de virtude e de vício, tipificando tudo aquilo que a palavra 
“consciência” significa para nós. Seu número cabalístico é 3, o mesmo de Nuit, o 
Espírito Santo, Toth (Teuti) ou Akasha, onde, em seus registros (Registros 
Akashicos), ficam arquivadas todas as ações, boas e más, do morto (ou Iniciado). 
Prosseguindo, verificamos que RA é o Sol dos Egípcios, relacionado ao coração e 
ao plexo cardíaco, mas que, em nosso estudo, representa, o coração do Grande Ser 
de Quem Nada Se Pode Dizer, cujos 7 centros de força correspondem a 7 sistemas 
solares dos quais o nosso Sol é um. Seu número cabalístico também é 3, porque 
não poderia ser dissociado de Nuit, tanto por integrá-la como Ela é sua expressão 
manifestada de vida. 
Considerando, agora isoladamente, as duas palavras: AB e RA e os dois 
enfoques acima apresentados, podemos verificar que uma se trata do coração 
humano (AB) e a outra do coração daquele onde “vivemos, nos movemos e temos o 
nosso ser, pois dele também temos geração” (Atos cap. 17, vers. 28); daí podemos 
compreender que HAD, A ESSÊNCIA DE TUDO E DE TODAS AS COISAS é o 
centro consciencial tanto num como noutro. 
 125 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
Assim fica claro que, enquanto “Divina Presença Eu Sou” no homem (O 
Santo Anjo Guardião), a Casa de Hadit está no ventrículo esquerdo do coração; 
entretanto, como Essência Espiritual de Tudo e Todas as Coisas, ou seja, HAD, o 
nome de sua casa passa a ser ABRAHADABRA. Isto esclarecido deixamos a 
palavra “Abra” na atenção dos “suspirantes” adeptos da verdade, para que meditem 
profundamente sobre seu significado e, nele, encontrem o que todo Aspirante busca, 
muitas vezes sem saber: A LUZ DO SOL INTERNO. 
Quanto ao significado de “adoração em forma de quadrado, místico, 
maravilhoso e o número do homem”, verificamos que o seu sentido é de fácil 
compreensão porque, metaforicamente, tudo se refere a HAD, cujos números são 5 
(H) , 1(A) e 4 (D) e representam: 
O número 5 = é a estrela de 5 pontas ☆, símbolo do homem REAL 
(espiritual). 
O número 1 = é o número místico, maravilhoso, a própria Unidade. 
O número 4 = é o quadrado (), representando os 4 elementos, base 
constitutiva do ser humano e de todas as coisas. 
Este nome faz-se ainda mais forte se utilizarmos o Tarô, pois: 
a) O Arcano 5 é a carta do Hierofante, que representa a inspiração
que o homem recebe dos poderes ocultos. 
b) O Arcano 1 é a carta do Mago, o Homem-Perfeito, símbolo da
Vontade. 
c) O Arcano 4 é a carta do Imperador, a obra acabada da natureza.
79. O fim do esconderijo de Hadit; bênçãos e adoração ao profeta da
admirável estrela.
Comentário: O fim do esconderijo de Hadit significa o recolhimento de 
toda a vida manifestada, ou seja, da própria Nuit, ou AKASHA, ao seio do Um (a 
Divindade), ou seja, um Pralaya ou dissolução do universo. Para a vida humana, 
representa a cessação das encarnações no planeta e vivência na consciência Divina 
até uma nova manifestação (Manvantara) de Nuit. 
A última frase: “bênçãos e adoração ao profeta da Estrela” refere-se à 
exaltação do homem que iluminou sua consciência e vive agora no Salão do Reino, 
126 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
em comunhão com o Pai: EU E O PAI SOMOS UM: representa a redenção de 
Lúcifer ou Baphomet, o da admirável estrela em sua fronte,89 agora liberto das 
fealdades humanas e que ressurge em toda a sua Beleza e Glória, durante milênios 
ocultadas pelos pecados do homem. 
Dessa forma, encerram-se os 79 versículos do 2o. capítulo do LÍBER 
LEGIS. 
89 Ver a figura do Baphomet na página 217 deste livro. 
127 
 
 
LÍBER LEGIS 
TERCEIRO CAPíTULO COMENTADO 
 
 
1. Abrahadabra! O galardão de Ra Hoor Khut. 
 
Comentário: O mantra abrahadabra já foi explicado quando da análise 
versículo 78 do 2o. Capítulo, nas páginas 124 a 127 deste livro. Ressaltamos, porém 
a necessidade da compreensão interna das sílabas que o compõem, observando: 
AB = Hieróglifo representativo do coração espiritual. 90 
RA = Hieróglifo representativo da energia (Prâna espiritual) existente por 
trás do Sol físico. 
HAD = Hieróglifo representativo daquele por Quem tudo se fez e nada do 
que foi feito, foi feito sem ele; em nosso estudo, Had é a essência de toda operação 
mágica. É Hadit, o Ser Radiante que a tudo controla; a jóia do Lótus dos hindus. 
AB = Hieróglifo representativo do coração humano. 
RA = Hieróglifo da energia do Sol (Prâna físico). 
Segundo Aleister Crowley, 91 Abracadabra era uma corrupção de 
Abrahadabra, o nome Gnóstico do Deus Secreto ou Oculto; no Livro da Lei é a 
palavra do Æon em contraposição de Thelema, a palavra da Lei. Segue, dizendo 
que Abrahadabra representa a Grande Obra completa e é um arquétipo das 
operações mágicas menores, demasiado perfeito para ser aplicado antes que todas 
as demais. Considera importante se anotar as reverberações internas das idéias 
provocadas pelo mantra e compará-las posteriormente. 
Somente com a finalidade de ressaltar a importância do mantra, 
informamos que Eliphas Levi (Dogma e Ritual da Alta Magia), o utilizou sob a forma 
de Abracadabra e considerava-o como o triângulo mágico dos teósofos pagãos.
90 Para os egípcios, AB era o Coração, intimamente associado a Alma. ABTU, ou seja, AB+TU, expressava a 
idéia de universo, os mundos superiores, o céu. 
91 Vide “Magia en teoría y prática”, de A. Crowley, páginas 183/5, editado por Luís Cárcamo, Editor. 
 128 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
Combinava as cinco vogais “A” de Abracadabra em forma de pentagrama 
, onde: 
– a A isolada (que forma o triângulo superior) representa a unidade do primeiro 
princípio, o agente intelectual e ativo; 
– a A unida a consoante B, representa a fecundação do binário pela unidade; 
– a R é o signo do ternário, porque representa, hieroglificamente, a fusão 
resultante da união de dois princípios. 
– o número 11 (o total das letras do mantra), agrega a unidade do iniciado ao 
denário de Pitágoras; 
– O número 66 (total das letras do triângulo abaixo, forma, cabalisticamente o 
número 12 que é o quadrado do ternário e, em conseqüência, para alguns 
cabalistas, a quadratura mística do círculo: 
 
ABRAHADABRA 
ABRAHADABR 
ABRAHADAB 
ABRAHADA 
ABRAHAD 
ABRAHA 
ABRAH 
ABRA 
ABR 
AB 
A 
 
Esta formula foi utilizada durante a Idade Média como talismã para 
conjurar doenças e curar febres. 
 
2. Há divisão daqui para a sua terra; há uma palavra desconhecida. A 
grafia é morta; tudo não é cifra. Cuidado! Esperai! Evocai o 
encantamento (conjuro) de Ra-Hoor-Khuit. 
 
Comentário: Para entender melhor o versículo, o leitor deve considerar 
que o assunto desta primeira frase se refere ao início da volta ou regresso da 
Consciência espiritual existente no homemà sua origem divina (ver a carta 22 do 
Tarô). A frase pode ser mais bem compreendida se nos valermos dos recursos da 
Árvore da Vida e colocar o Aspirante na Sephirah Tiphareth (ou em outra), 
 129 
 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
onde ocorre a divisão entre sua existência terrena e o vislumbre de “um novo céu e 
uma nova Terra”. 
Ao se defrontar com o “seu dirigente” para este mundo consciencial, o 
Aspirante necessitará de uma palavra de passe que ainda não lhe foi dado 
conhecer. Esta é expressa em idioma já extinto e há a orientação de que nem tudo 
que lhe será fornecido compõem-se de cifras. É necessário que ele se mantenha 
vigilante e paciente, realizando, também o conjuro de Ra-Hoor-Khuit (Consultar a 
obra literária de A. Crowley, constante da Bibliografia, no final deste livro), a fim de 
se fortalecer e proteger contra as investidas das inteligências que estão sob as 
ordens de Set (Shaitan, Choronzon), ou sejam, as energias Qliphóthicas, que agora 
precisam ser combatidas. 
3. Agora seja primeiro entendido que (Eu) Sou um deus de Guerra e de
Vingança. Batalharei duramente com eles.
Comentário: A orientação contida no versículo é para que primeiro se 
entenda e fique claro que o diretor da ação que se vai desenrolar é Hórus, o 
morador do coração (o centro da Trindade Ra-Hoor-Khuit), o Deus Vingador, como 
era conhecido entre os egípcios, e, também, o Deus do Coração Poderoso, que 
golpeia seus inimigos, sendo estes inimigos Set (Satã) e sua horda. Sabemos que 
Hórus e Set,92 são considerados “os dois combatentes (Hórus empenhou-se numa 
batalha contra Set, o assassino de seu pai (Osíris) e, depois de uma luta 
prolongada, que durou três dias (as três cadeias evolutivas que antecederam a 
atual), quando, posteriormente, venceu o adversário (o que será feito na atual cadeia 
evolutiva, quando deixaremos definitivamente a condição humana e passaremos a 
desfrutar uma consciência plenamente espiritual), Set jogou imundície (os átomos 
“Qliphoticos”) em Hórus, mas este destruiu os membros (o poder) de SET. Como 
potências da natureza, Hórus e Set simbolizam a Luz e a Treva, respectivamente. 
O texto do versículo se refere exatamente à Batalha que será travada, na 
interioridade do Aspirante, entre as energias da Luz, ou seja, os átomos sob as 
ordens de Hórus (o EU SOU), que pelejarão contra os assassinos de Osíris morto (o 
ser humano inconsciente de sua natureza espiritual), ou seja, 
92 Hórus e Set, neste versículo, são muito bem representados pela Carta 10 do Tarô, sendo Hórus o que 
ascende (com cabeça de falcão) e Set a fera com cabeça de crocodilo. 
130 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
os átomos obedientes a Set (O Inimigo Secreto mencionado no livro “OS DEUSES 
ATÔMICOS”). Esta é a verdadeira batalha do Armageddon, do Apocalipse. 
 
4. Escolham uma ilha! 
 
Comentário: Escolham um lugar (uma Sephirah, um mundo consciencial) 
onde a batalha possa ser travada. Aqui é importante ressaltar a necessidade de o 
Aspirante estar familiarizado com os Caminhos inferiores da Árvore da Vida, para 
não ser assaltado pelo medo ou não saber aquilo que deverá enfrentar e como 
enfrentar. O estudo e a vivência dos exercícios cabalísticos visam, exatamente, 
preparar o Aspirante para “escolher uma ilha”, ou seja, o chacra ou Sephirah que 
melhor lhe dê condições para a luta a ser travada. É importante que o Aspirante 
aprenda a se defender magicamente, estando identificado com o Morador do 
coração (seu Santo Anjo Guardião), em Tiphareth. 
 
5. Fortificai-a! 
 
Comentário: A recomendação implica no fortalecimento dos valores morais 
do Aspirante e no conhecimento da Lei. As qualidades dos dois pilares (Misericórdia 
e Rigor) devem estar bem equilibradas em sua consciência, pois as imundícies (seus 
erros e crimes do passado) se erguerão de forma violenta contra suas aspirações. 
 
6. Fortaleçam-na com engenhos de guerra! 
 
Comentário: Somente com a visão das forças que entrarão em jogo é que 
se torna possível compreender a necessidade de tantos cuidados para a batalha a 
ser travada. Dela depende a redenção definitiva do Aspirante, que no final morre, 
para nascer na Eternidade. Para uma melhor apreciação do que estamos 
comentando, sugerimos ao leitor assistir ao Filme “EXCALIBUR” da Warner Bros., 
adaptação do livro de Malory “Le morte D’Arhur”, onde poderá avaliar o que estamos 
procurando fazê-lo imaginar. 
 131 
 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
7. Dar-vos-ei um instrumento93 de guerra. 
 
Comentário: Este instrumento de guerra é a “Espada Excalibur” do mago, 
que ele deverá, primeiramente, retirar da pedra em que foi cravada anteriormente, o 
que só um cavaleiro nobre pode realizar: Hadit, Hórus, Arthur, etc.. 
Para compreender um pouco melhor o assunto, analisemos em primeiro 
lugar, os símbolos espada e pedra: a espada é o símbolo do falo; enquanto estiver 
enterrado na pedra, ou seja, com sua ponta enterrada na matéria, não será possuída 
pelo homem, mas o manterá escravizado a criação material e inferior. Entretanto, 
quando empunhada por um cavaleiro (um Iniciado) ela deve servir à construção de 
propósitos mais sublimes, elevando as energias sexuais para o coração, onde, então 
será cravada, para que um nobre ainda de maior estatura, um rei entre os reis, 
possa, utilizando seus poderes, libertar definitivamente seu reino. No filme 
“Excalibur”, o ferimento mortal do Rei Arthur (carta 16 do Tarô) retrata este 
momento, que também está relacionado com o ferimento no flanco de Jesus 
produzido por Longines. 
Tudo isto tem por objetivo instruir o Aspirante para ter sempre em mente 
que toda construção mental que realiza tem por base suas energias sexuais. Elas 
constituem o material de que seus pensamentos se servem para criar no mundo 
mental, dar vida (movimento) no emocional e materializar no físico. Enquanto 
encadear seus pensamentos aos valores da vida mundana, mantendo objetivos e 
conquistas vinculados ao efêmero, estará malbaratando sua maior riqueza em 
coisas que não possui eternidade. Porém, se aprende a dirigir seus pensamentos 
para o superior, estará se harmonizando com as forças construtivas da natureza e 
poderá assumir o domínio de si mesmo. 
93 A tradução do vocábulo inglês “war-engine” (engenho, máquina, mecanismo, ferramenta, instrumento, etc., de 
guerra) foi feita como instrumento de guerra por ajustar-se melhor ao espírito da mensagem. 
 132 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
 
 
 
 
 
 
Reprodução de fotografia 
tirada no interior de uma igreja 
católica, onde a mão esquerda 
do Mestre Jesus está 
claramente sobre a região dos 
órgãos genitais e a direita 
aponta para cima, numa 
alusão de que para atingir o 
Reino de Deus o homem deve 
realizar a transubstanciação 
de suas energias criadoras. 
Deixamos de mencionar o 
nome da Igreja para que a 
imagem seja preservada em 
toda a sua beleza esotérica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Crowley, em seu livro “Magia en teoria y prática diz, textualmente: O 
verdadeiro Mago não pode utilizar a Espada se não tem a Coroa sobre a 
cabeça. 
E aquele que intentar converter a Espada em sua principal ou única arma, 
só destruirá a si mesmo. No Evangelho isto é confirmado com a passagem onde 
Pedro (a pedra) corta a orelha de Malcus e o Mestre Jesus lhe diz: Embainha a tua 
espada, porque quem com ferro fere (não sabe usar a espada) com ferro será ferido. 
As ilações sobre o tema podem prolongar-se, mas o que desejamos é deixar claro a 
importância da profunda meditação sobre este tema, que também mereceu a 
atenção de Crowley, quando chega a dizer que"a espada tornou-se numa arma 
importante; (entretanto) uma adaga deveria ser suficiente". 
Ainda sobre o assunto, encontramos, no Evangelho, as seguintes 
afirmações que, da mesma forma, também precisariam ser bastante meditadas, 
principalmente por aqueles que ainda estão na superfície de tão transcendente e 
importante arcano, ainda envolvidos por informações desencontradas para os
 
 133 
 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
sinceros pesquisadores: “Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os 
homens fizeram tais; e a outros que a si mesmo se fizeram eunucos, por causa 
do reino dos céus. Quem é apto para o admitir, que o admita” (Mateus, 19, 12). 
A figura do Baphomet sentado sobre uma pedra cúbica está relacionada 
com estas realidades e, no Evangelho, Jesus deixa claro o fundamento da igreja 
cristã com estas palavras: “Também te digo que tu és Pedro, 94 e sobre esta pedra 
erguerei minha igreja” (Mt. 16. 18), ressaltando a importância do aspecto superior 
das energias criadoras como fundamento do reino de Deus no homem. Mais 
adiante, sugestivamente diz também: “... porque eu vos afirmo que destas pedras 
Deus pode suscitar filhos”. (Mt. 3.9) o que é bastante compreensível quando 
sabemos que Moisés feriu 2 vezes a rocha com a sua vara e saíram muitas águas 
(Números 20,11). O gnosticismo assentava seus conhecimentos sobre essas 
verdades. 
Concluindo, recomendamos a leitura da novela iniciática do colégio dos 
Magos “ADONAI”, 95 e podemos repetir, a título de material para meditação, a 
instrução contida no livro Os Deuses Atômicos: “o verdadeiro Mago não gasta em 
vão a sua natureza”. 
 
8. Com ela golpeareis os serviçais96 e nenhum permanecerá em pé diante 
vós. 
 
Comentário: Quando o Aspirante a Sabedoria deixa de alimentar, com 
seus princípios criadores (a energia sexual), as vidas inferiores que fazem parte de 
seu cosmo particular, estas tendem a desaparecer de sua constituição física e são 
substituídas pela expressão de luz provinda do EU SOU (Hórus). 
Para que isto ocorra de forma definitiva, necessitará dirigir esta energia 
para alimentar suas construções superiores, deixando à míngua tudo o que é 
deletério e irreal, no que concerne a sua realidade espiritual. Quando isto acontece, 
imediatamente os átomos a serviço de Set (Saitan, o mesmo que o Inimigo Secreto) 
se rebelam e começam uma luta de vida e morte contra os átomos a serviço da Luz
94 Em aramaico, dialeto hebraico falado por Jesus e seus discípulos, “Pedro” e “pedra” são a mesma palavra: 
“kepha”. Isto significa que, o fundamento da Igreja cristã também está calcado na sublimação da energia sexual. 
95 Editora Pensamento – S. Paulo 
96 O substantivo plural do idioma inglês “peoples” (povo, comunidade, nação, raça, homens, súditos, 
paroquianos, acompanhantes, empregados, etc.) foi traduzido como “serviçais” por melhor se coadunar com o 
sentido da mensagem. 
 134 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
 
(os Átomos identificados com os propósitos de Hórus), por não se conformarem à 
nova situação. Este fato geralmente provoca períodos de acentuada crise na psique 
do Aspirante, levando-o, muitas vezes, a voltar ao estado anterior, se não se 
preparou devidamente. 
É bom ressaltar que, para esta primeira fase da luta por sua emancipação 
espiritual, o Aspirante deve praticar os exercícios de Pranayama e manter uma 
moralidade, conforme preconiza Crowley, sob perfeito controle. Esta fase redundará 
no acumulo de energia sexual (alimento também para Kundalinî) nos chacras 
superiores, o que poderá fazer com que esta abandone seu templo e se dirija para 
cima, até Tiphareth (O altar dos perfumes) ou o coração do Aspirante, em busca de 
seu alimento, provocando o nascimento do Cristo ”na gruta de Belém”. 
 
9. Espreitai! Recuai! Sobre eles! Esta é a Lei da Batalha de Conquista: 
assim será meu culto em volta de minha casa secreta. 
 
Comentário: A orientação para o Aspirante prossegue: primeiro é 
necessário estudar e meditar bem sobre seu propósito; é a fase das práticas 
preparatórias e do aperfeiçoamento moral e cultural necessários à empreitada a ser 
realizada; por isso é aconselhado a observar. Nesta fase, começará a experimentar 
situações diversas, tanto de virtude como desejos viciosos, pois seus arquétipos 
negativos tratarão de intervir em seu propósito, chamando-o para uma luta na qual 
suas chances de vitória ainda são nulas, pois a própria aceitação já seria um ato de 
vaidade e presunção. Portanto, é preciso recuar. Antes, é preciso cultivar serenidade 
ante a agressão, amor, compreensão e aprender a perdoar as ofensas porque, com 
certeza, será ofendido com todas as imundícies que criou dentro de si mesmo. 
Quando, então, estiver “firme sobre a rocha”, ornado seu caráter com os valores da 
sabedoria e possuir uma vontade determinada, aí então, deve fazer o 
enfrentamento, porém sempre cultuando os valores do coração, atendendo a 
recomendação de fazer “meu culto em volta de minha casa secreta” e isto implicaria 
em identificação com os valores das Sephiroth Chesed, Geburah, Netzach, Hod e 
Yesod, que estão em volta de Tiphareth.97 
97 A expressão “firme sobre a rocha”, bem como a recomendação evangélica de “construir sua casa sobre a 
rocha” estão relacionadas à necessidade do controle das energias sexuais, base de toda vida mágica do 
Aspirante. Recomendamos ao estudante interessado no assunto às 31 citações da palavra “rocha” da Bíblia, 
donde destacamos: 
a) “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas... (Deut. 32.4) 
b) Olvidaste a Rocha que te gerou; e (Deut. 32.18 
c) A rocha deles não é como a nossa Rocha. (Deut. 32.31, etc. etc. 
 135 
 
 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
10. Obtenha a Estela da Revelação; 98 coloque-a em teu templo secreto – e
esse templo já está corretamente disposto – e isto será tua Kiblah para
sempre. Ela não desbotará, porém miraculosa cor voltará a ela dia após
dia. Envolve-a numa redoma como uma prova para o mundo.
Comentário: Poderíamos dizer que aqui começa a operação mágica a ser 
realizada pelo Aspirante, objetivando o encontro com seu Santo Anjo Guardião. 
À primeira vista, parece que este versículo dá a entender que Crowley 
deve se apossar da Estela da Revelação e colocá-la dentro do seu templo particular, 
que, de antemão, já deve estar corretamente arrumado (instrumentos mágicos e 
alegorias afins em seus devidos lugares), e a Estela passaria a ser a sua “Kiblah” 
para sempre. Ali entronizada, ela não desbotaria (a Estela é pintada sobre madeira) 
porque, “milagrosamente” sua cor seria renovada a cada dia. Termina com uma 
recomendação para encerrá-la numa redoma, a fim de que esta renovação de cor 
pudesse servir de prova miraculosa para o mundo. 
Tudo muito bem estabelecido; porém a Estela é uma peça de propriedade 
do Museu Boulak, do Cairo, onde estaria catalogada sob o n°. 666; provavelmente 
não tem preço de venda. Para obtê-la e colocá-la dentro de seu templo particular, 
com o objetivo de torná-la sua “Kiblah” para sempre, Crowley precisaria se apropriar 
da mesma, furtiva ou magicamente, o que se acredita impensável para o mesmo. 
Então perguntar-se-ia: será que a Inteligência comunicante do Líber Legis 
desconhecia esse fato? Naturalmente que não, porque tudo isso se relaciona ao 
interno e é no microcosmo interno do homem onde todos estes ensinamentos, se 
devem concretizar. Daí podermos conceber a orientação do versículo da seguinte 
forma: 
a) a primeira recomendação: obtenha-se a Estela da Revelação, ou seja
os ensinamentos nela contidos;
b) que estes sejam entesourados em seu coração,ou seja, o secreto de
cada ser humano.
c) Para isto, entretanto, este templo já deve estar devidamente ornado
com as qualidades superiores que o verdadeiro mago sabe
necessárias aos enfrentamentos que necessita fazer no caminho de
sua realização máxima, pois, do contrário, torna-se vítima de seu
98 A Estela da Revelação e os comentários sobre a mesma estão presentes no Capítulo “Paráfrase das 
Inscrições Gravadas no Anverso da Estela da Revelação, neste livro. 
136 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
próprio conhecimento. 
d) “que os ensinamentos da Estela sejam o “kiblah” 99 do Aspirante para
sempre”, ou seja, a direção que deveria tomar para conduzi-lo em suas
aspirações superiores.
e) “Ela não desbotará, porém miraculosa cor voltará a ela dia após dia”
significa que os ensinamentos entesourados não perderão seu valor e
serão redimensionados a cada dia com nova compreensão, adquirida
pelo próprio Aspirante. Se atentarmos que cor é vibração luminosa,
este significado aumenta de oportunidade pela compreensão de que a
cada dia o Aspirante adquirirá mais luz espiritual.
f) A última recomendação é para que o Aspirante proteja devidamente o
que conquistou, a fim de que seu avanço repercuta como penhor e
prova da validade desses ensinamentos para o bem da humanidade.
11. Esta será tua única prova. Eu proíbo discussão. Conquistar! Isto basta.
Tornarei para fácil ti a abstrusão da casa mal-ordenada na Cidade
Vitoriosa. Tu mesmo a conduzirás com veneração, ó Profeta, embora
isto não te agrade. Experimentarás perigo e tribulação. Ra-Hoor-Khuit
está contigo. Adora-me com fogo e sangue; adora-me com espadas e
com lanças. Que a mulher seja cingida com uma espada diante de mim;
que sangue flua em meu nome. Espezinha os Pagãos; sê sobre eles, ó
guerreiro, dar-te-ei de sua carne para comer!
Comentário: “Lembra filho da Terra, que deves consultar tuas forças, não 
para recrear-te nem retroceder diante de tuas obras (carma), porém para destruir os 
obstáculos, como a água que caindo gota a gota fura a mais dura pedra”.100 
A prova apresentada está relacionada com a Sephirah Netzach, onde 
está a parte mais elevada da personalidade humana e seus caminhos de 
aproximação. A proibição de discussão está relacionada ao discernimento que o 
Aspirante deve conquistar na avaliação do perfeito relacionamento humano, 
inofensividade e silêncio mágico,101 sendo que este não significa ficar calado durante 
anos a fio, como é preconizado por alguns instrutores, porém falar somente
99 A palavra “kiblah” (árabe) significa a direção que deve ser assumida por um muçulmano quando reza durante a 
salah (prática do culto formal no Islã). Ele se coloca na direção da Kaaba, em Meca. A maioria 
das mesquitas inclui uma parede de nicho, conhecido como mihrab, que indica o Qiblah. No Líber Legis Kiblah 
deve ser o roteiro ou um ponto de referência para o Aspirante durante a jornada em busca de sua própria 
realidade mágica, ou seja, seu “Norte” espiritual, daí a importância dos ensinamentos contidos na Estela. 
100 Extraído do livro “El poder ocultos de los números” de J.E. Bucheli - Editorial Kier - B. Aires 
101 Os egípcios simbolizavam este degrau de ascensão espiritual com a figura de Heru-pa-Krat, sentado numa 
plataforma na proa da barca solar, com o dedo índice da mão direita sobre a boca, em atitude de silêncio. É o 
mesmo Hórus-infante (o Iniciado) ou o Harpócrates grego. 
137 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
o necessário, saber o que fala, evitar a mentira e dedicar-se somente ao que é real e
produtivo. Tudo isto implica em: retificação do comportamento diário, atenta atitude 
de observação do que ocorre externamente, aspirações e desejos puros, mente 
aberta e desejosa de aprender e, nunca esquecer, o serviço prestado à humanidade. 
Se isto for conquistado, o Aspirante terá estabelecido uma personalidade integrada. 
A promessa de “tornar fácil a abstrusão da casa mal-ordenada na Cidade 
Vitoriosa” é uma metáfora que necessita análise correta. 
Primeiramente, analisemos a palavra “abstrusão” (abstruction) que tanto 
confundiu e desagradou A. Crowley. Ela significa “dificuldade de compreensão”, 
“confusão” e “obscuridade” e está relacionada à Sephirah Netzach (Vitória), cujo 
chacra mundano é Vênus e aparece no versículo como “casa mal-ordenada” da 
Cidade Vitoriosa. 
Também queremos chamar a atenção do leitor para a tradução de “ill-
ordered” como “mal-ordenada”. Mal ordenada, neste caso não quer dizer 
desordenada (em inglês disordered) e, sim, ordenada imperfeitamente, ou, como 
está traduzido, mal-ordenada. 
Faz-se necessário compreender tudo isto porque Netzach é a Balança 
(Libra) de nossa expressão individual, representada pelos rins e as supra-renais 
(chacra Swadhisthana), importantíssima no que se refere ao equilíbrio de nossas 
ações físicas, emocionais e mentais, cuja finalidade é estabelecer correto 
relacionamento interno e externo da entidade humana. Quando o homem vive em 
condições desarmônicas, sempre desenvolverá o lado negativo do seu ser, ou seja, 
o egoísmo em contradição ao desapego, a covardia no lugar de coragem, valor e
assim por diante; o importante é manter o equilíbrio nessas polaridades. 
Quando devidamente preparado é importante a ajuda que o Aspirante 
recebe para percorrer os caminhos de acesso à Sephirah Netzach (a Cidade 
Vitoriosa), pois visa desenvolver sua temperança e equilíbrio perfeito entre suas 
polaridades, principalmente com as energias da Sephirah Hod, de quem recebe as 
energias mercuriais, necessárias ao amplo discernimento do Aspirante na utilização 
de suas energias sexuais. Torna-se imprescindível manter tudo bem ordenado a fim 
de que os valores da mente e do coração se mantenham como penhores na 
manutenção dos ensinamentos da Estela da Revelação, agora entronizados 
138 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
na consciência do Aspirante. 
Continuando, fica explícito que é o próprio Aspirante o penhor desses 
ensinamentos, embora isto muitas vezes não lhe agrade102 em virtude, 
principalmente, das influências negativas de Vênus nos mundos inferiores à Atziluth 
(em Briah = êxito ilusório; em Yetzirah, esforço inútil e, em Assiah, fracasso), que 
sempre o atormentarão em sua jornada pelos mundos internos, daí que sempre 
estará experimentando perigo e atribulação. 
É preciso que a consciência do Aspirante sempre esteja ancorada em seu 
Deus Interno. A confiança na presença de Ra-Hoor-Khuit (a plenitude divina em 
cada ser humano) em cada atitude, pensamento e sentimento o ampararão 
principalmente nos momentos difíceis das escolhas que tenderá a fazer e que 
devem ser meditadas para não deixar de atingir seu pleno objetivo: a temperança 
(carta 14 do Tarô) e, por conseguinte, o discernimento correto. 
Sua divindade interna pede que se concentre nela (adorai-me) com fogo 
(Kundalinî) e sangue (espírito). 103 Reitera a exortação, agora pedindo que seja 
adorado com espadas e com lanças. A espada é um símbolo mágico 104 e está 
relacionado externamente com o falo e internamente com as energias sexuais 
formadoras do corpo mental, que protegem o Iniciado dos ataques das entidades 
astrais. Quanto mais energia sexual, mais forte é a vontade e o poder mágico do 
Iniciado. 
A lança é a espinha dorsal. Algumas vezes também é representada como 
um cajado, onde o Iniciado se apóia. Representa o caminho, as conquistas e o 
tesouro espiritual do Iniciado, que precisa “trilhar” o caminho das 33 vértebras da 
coluna vertebral, representados pelos 33 Caminhos (incluindo o do Abismo, a 
Sephirah Daath) da Cabala, ao final do qual realiza a idade de Cristo (33 anos) e 
passa a ser Conquistador e salvador do Mundo. A Doutrina Secreta está repleta de 
símbolos chamandoa atenção do Buscador em relação a essas
102 Naturalmente Crowley também “particularizou” este versículo para si, e não podia deixar de fazê-lo, 
considerando que as circunstâncias do momento indicavam ser ele a figura principal dos ensinamentos do Líber 
Legis, o que não deixa de ser verdade, embora os mesmos também se aplicam e objetivam a todos os seres 
humanos, em sua expressão como microcosmos.
103 O sangue é o veículo da própria divindade no homem. A palavra sangue quase sempre representa o 
pensamento concentrado (vontade) do Mago, pois onde colocamos o pensamento em nosso corpo, o sangue ali 
aflui.
104 Muitas vezes a espada é substituída pelo cetro, como símbolo do poder mágico-espiritual. 
139 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
informações e, somente para corroborar nossas 
informações citamos o trabalho de Hércules em Gêmeos 
compadecendo-se de Atlas (a última vértebra que 
sustenta a cabeça) que, por castigo imposto por Zeus 
aos Titãs estava obrigado a sustentar O Mundo (= 
Cabeça) e muitos outros grandes Avatares da história 
religiosa humana que aparecem como Salvadores do 
Mundo, ou seja, galgaram os 33 degraus da Escada de 
Jacó. Atlas também foi um Salvador do Mundo: não o 
deixou cair no Abismo (Sephirah Daath = garganta). 
Adorai-me com espadas e lanças significa, 
portanto, aquilo que é representado por estes símbolos; 
devem estar integrados para o serviço divino em favor 
do próprio iniciado. 
Estudemos agora a parte do versículo que determina que a mulher seja 
cingida com uma espada diante de mim e que o sangue flua em meu nome. 
A mulher cingida que nas gravuras a ela concernentes sempre mostra os 
seios e a vulva, representa o ícone de Netzach que, embora sendo um signo positivo 
(masculino), contrabalança os valores da força pelos da 
forma, indicando a importância do desenvolvimento 
harmônico dos dois aspectos. 
Como dissemos acima, Netzach está 
relacionada aos rins e às supra-renais. Como o 
complemento do versículo ordena que o sangue flua 
(corra) em seu nome, isto é facilmente compreensível se 
considerarmos a necessidade da pureza do sangue do 
Iniciado e as funções filtrantes dos rins, que limpam o 
sangue das escórias provenientes de uma alimentação 
imperfeita (uréia, ácido úrico, etc.) e das supra-renais, 
com seus poderosos hormônios, tão importantes para a 
perfeita expressão da vida humana. 
Atlas carrega o mundo. 
Atlas também é o nome da 33ª vértebra, 
onde a cabeça se apóia. 
Gravura retirada do livro Estados Mágicos 
de Consciência de Melita Denning & 
Osborne Philkips. Editado por Luis 
Carcamo, Madrid 
140 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
E, concluindo o versículo, podemos deduzir com certeza, que os Pagãos 
a serem espezinhados são os átomos que trabalham sob as ordens daquele 
denominado o Inimigo Secreto, e que no Líber Legis é representado por Set (Satã) 
senhor das energias caóticas de nosso universo pessoal, sobre as quais devemos 
fazer a nossa vontade e “comer de suas carnes”, ou seja, transformá-las, pelo poder 
de nossa vibração superior, da condição de Átomos Destrutivos 105 em Átomos 
Construtores, para o nosso próprio bem e a realização de nosso cosmo interno. 
12. Sacrifique gado, grande e pequeno: depois uma criança.
Comentário: À primeira vista, este versículo é tenebroso. Constitui-se num 
dos motivos da recusa psicológica de Crowley, tanto na recepção do Líber Legis 
como na divulgação do texto como tinha sido recebido, inclusive motivando a 
advertência de Aiwass para que não modificasse uma letra sequer deste livro. 
Em verdade, alguns versículos agrediam a sensibilidade de espiritualista 
de Crowley e eram incongruentes em relação à maioria dos ensinamentos contidos 
nos três capítulos do livro. Acresce ainda que os verdadeiramente magos são 
contrários ao emprego do sangue, substituindo-o por outros recursos e pensamentos 
saturados de uma vontade firme, aliados ao incenso (o de Abramelin e o do tipo 
Dittany de Creta) com bastante eficiência. 
Hoje em dia, o conhecimento e controle dos Tattwas são preferidos pelo 
verdadeiro mago, pela consentaneidade de suas energias com as próprias leis da 
natureza e a impossibilidade de se praticar a verdadeira magia sem ser mestre 
nessa ciência. 
Entretanto, decorridos 93 anos da recepção do Líber Legis, sente-se a 
necessidade de uma compreensão melhor do livro e não podíamos deixar de 
comentar este versículo, naturalmente sob a ótica que vimos seguindo, com a 
mesma linha de compreensão, ou seja, a existência de metáforas no conteúdo dos 
versículos, o que nos permitiu chegar até aqui com certo aproveitamento. 
“Sacrifique o gado, grande e pequeno”, pode se referir à animalidade 
(grande e pequena) ainda viva dentro do Aspirante que, de certa forma, representa 
seu carma e deve ser eliminada (sacrificada, pois a maioria dos homens ainda 
105 Vide os Capítulos 2 e 3 do livro “OS DEUSES ATÔMICOS” também está postado neste 
Blog (http://revelandoosmisteriosdooculto.blogspost.com.br), onde pode ser lido ou “baixado” para impressão.
141 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
ama esta parte de sua expressão mundana). A esse respeito, chamamos a atenção 
do Leitor para a Introdução do Papiro de Nu (Museu Britânico n° 10477, folha 22 e 
24) quando o Iniciado (e sua esposa ou contraparte feminina) se apresenta na Sala
da Dupla Maati (julgadoras do Carma positivo e negativo) e, ao chegar ao limiar 
dessa Sala, dá a senha do “Boi do Deus Seb”.106 
Logo após a primeira oração, acima analisada, vemos que esta está 
separada da segunda por dois pontos (:) em vez de uma vírgula ou ponto e vírgula, 
o que seria melhor. Este fato nos chamou a atenção, levando-nos inclusive a
analisar melhor a mensagem seguinte que, sem mudar uma palavra sequer107, 
também poderia ser lida: em seguida uma criança, o que muda totalmente seu 
sentido e nos levou a comparar as diversas possibilidades do uso do vocábulo inglês 
“after” que significa: depois, posteriormente, após, em seguida, atrás de, depois de, 
etc, etc, inclusive, em homenagem a, em atenção a, em memória de (falando-se de 
nome dados a crianças) etc.. 
Ora, como já explicamos anteriormente108, criança é o Iniciado e, se 
atentarmos bem para o sentido metafórico da frase, podemos concluir que também 
poderíamos ler desta forma: 
- sacrifique a animalidade, grande e pequena (existente na 
personalidade), após, (ele tornar-se) uma Criança (um Iniciado)” ou 
- sacrifique a animalidade, grande e pequena: em seguida, um Iniciado, 
(uma criança), ou seja: em seguida, surge um Iniciado”. 
Como estamos tratando de metáforas considero, esta última, a leitura 
correta para o versículo. 
13. Mas não agora.
Comentário: Ainda não chegou a hora para o enfrentamento com as 
forças “Qliphóticas”, ou Elementais inferiores existentes no homem. 
106 Seb, o esposo de Nuit; é o mesmo Saturno (Cronos) do Panteão grego. 
107 Ver o comentário do Versículo 12 do Primeiro Capítulo. Observe-se que o versículo que está sendo 
analisado é o 12 do Terceiro Capítulo.
108 Ver o versículo 36 do 1o. Capitulo. 
142 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
14. Verás aquela hora, ó Besta abençoada, e tu, a Concubina Escarlate do
desejo dele!
Comentário: O versículo parece inteiramente dirigido a Crowley, que se 
auto-intitulava a Besta 666 (Ver o capítulo sobre “o Mistério do Baphomet” para 
conhecer a razão desta intitulação de Crowley e o que verdadeiramente o Baphomet 
representa, ou seja, o Sol de Baixo ou Lúcifer, o portador da Luz) e a sua esposa na 
ocasião. Porém sabemos que seu âmbito é geral e a metáfora está presente em sua 
constituição, permitindo-nos universalizar seu sentido. 
Assimsendo e considerando que tanto a Besta abençoada como a 
Concubina Escarlate são termos relacionados ao Apocalipse, podemos 
compreender que esta Besta não é o Baphomet e sim a Mente Inferior (ηφ ρην - he 
phren), cujos números, em grego são: 
η = 8 
φ = 500 
ρ = 100 
η = 8 
ν = 50 
 666 = A Besta, do Apocalipse e a Concubina Escarlate é sua 
natureza física. 
Assim esclarecidos, podemos dizer que ainda não chegou a hora da 
iluminação para o Aspirante, vinculado que ainda está aos prazeres ditados pela 
mente inferior, vivenciados através de sua consciência emocional, aqui figurada por 
sua contraparte feminina. É importante correlacionar esta conclusão com as 
Sephirah Netzach (Vênus) e Hod (Mercúrio), ambas relacionadas aos chacras 
Swadhisthana e Manipura, e as duas naturezas (passiva e ativa) do homem. A 
compreensão de seus valores deixará claro a importância do equilíbrio necessário à 
mente e às emoções do Aspirante para conquistar um grau superior de sua 
consciência, empreitada para a qual ainda não está devidamente preparado. 
143 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
15. Ficareis tristes por isto.
Comentário: O Aspirante ficará triste porque ainda vê as coisas sob o 
ângulo do interesse material: isto é um sinal de que ainda não chegou a hora para 
ele, pois uma das coisas importantes, é colocar-se acima das emoções e 
compreender que o processo é uma realização para a eternidade e não no tempo. 
Como a Mente inferior é imediatista, torna-se angustiada e isto pode trazer tristeza 
ao Aspirante. 
16. Não penseis muito ansiosamente em alcançar as promessas; não
temais incorrer nas maldições. Vós, vós mesmos, não conheceis todo
este significado.
Comentário: Como dissemos acima, não é admissível qualquer resquício 
de pressa no trabalho de realização espiritual. O Aspirante sincero sabe que opera 
na eternidade e que só importa a vitória; a experiência é sua realização e seja ela 
frutífera ou não, sempre é somada nos refolhos de sua consciência. Por isto, não 
deve temer as injunções da vida nem, tampouco, as experiências que vier a 
vivenciar nos caminhos internos do seu mundo atômico. Muita coisa precisa ser 
aprendida, principalmente no que diz respeito ao seu reino interno. 
17. Não temais em absoluto; não temais nem homens, nem Fados, nem
deuses, nem coisa Alguma109. Dinheiro não temais, nem risada da
tolice do povo, nem qualquer outro poder no céu ou sobre a terra ou
debaixo da terra. Nu é vosso refúgio como Hadit vossa luz; e EU SOU a
potência, força, vigor de vossos braços.
Comentário: É exortado a nada temer; nem seres humanos, os 
acontecimentos de sua vida, nem deuses ou qualquer outra coisa. Deve servir-se do 
dinheiro e jamais temer não tê-lo para suas necessidades, pois ele chegará; não 
deve dar atenção ao deboche ou à incredulidade, nem a quaisquer outros poderes, 
tanto no céu, na terra ou sob a terra. A Natureza é o seu refúgio e Hadit, 
109 A iniciação nos planos internos leva o Aspirante a trilhar as regiões inferiores de seu cosmo (caminhos, 32, 
31, 29, 28, etc.), onde poderá obter experiências com a visão de suas próprias criações, capazes de assustar os 
mais intimoratos se não estiver devidamente preparado, possuir uma moral forte, uma vontade determinada, 
valor e a devida proteção do seu Cristo Interno, Eu Superior, Anjo Guardião, etc., de acordo com seu 
aprendizado. É preciso um especial cuidado principalmente com os seres elementares que se interpõem no 
caminho do Aspirante com pedidos de auxílio e caridade e que visam apenas desviar sua atenção de seus 
propósitos mais elevados e prendê-lo nas regiões inferiores, estimulando a natural revolta que ainda pode 
abrigar contra a dor e o sofrimento, o que pode fazer com que abrigue pensamentos incorretos sobre a 
misericórdia divina. Nestas “viagens”, o que ele vai encontrar são suas próprias criações e o que ele abrigou 
durante suas existências vividas anteriormente e que deve ser extirpado de sua consciência, por não 
pertencerem à consciência daquele com quem ele deseja se integrar: O EU SOU, O Morador do coração, a 
Divina Criança que deve nascer radiante dentro de si, sua mais alta Realidade. 
144 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
o EU SOU (o Cristo Interno) é a luz que ilumina seus caminhos e A Divina Presença,
aqui representada por Ra-Hoor-Khuit, a expressão perfeita da Divindade é a 
potência, força e vigor de sua manifestação. 
18. Que a misericórdia seja abandonada: reprovai 110 o que se lastime.
Matai e torturai; não poupeis; sê sobre eles!
Comentário: Muitas vezes nos perguntamos o por quê da necessidade do 
Líber Legis apresentar uma linguagem tão traumática se o seu objetivo é 
exclusivamente elevar o homem a níveis espirituais de profunda bondade e beleza. 
São metáforas chocantes e difíceis de compreender, principalmente por aqueles que 
tiveram uma educação religiosa em que os padrões superiores de amor ao próximo, 
caridade, doçura, tolerância e perdão sem limites representam a máxima realização 
individual do ser humano. 
Acresce que Crowley chegou a rejeitar seu próprio trabalho, tanto no que 
se relaciona aos erros em relação ao idioma inglês, do qual era mestre, como no 
conteúdo. Suas palavras: “nem teria deixado tantas estranhas deformidades de 
gramática e sintaxe, tantos defeitos de ritmo, tanta fraseologia esdrúxula. Não teria 
imprimido passagens, algumas palradoras e ininteligíveis, outras repugnantes à 
razão pelo seu absurdo, outras ainda repelentes ao coração por causa de sua 
ferocidade bárbara” são um atestado inequívoco de seu pensamento e postura em 
relação ao livro, nos primeiros anos após a sua recepção, antes de compreendê-lo 
totalmente. 
Ao nos propormos à realização deste livro, não abrigávamos a pretensão 
de fornecer todas as respostas possíveis às interrogações que ele traz, nem 
tampouco exaurir suas possibilidades de interpretação, principalmente seu aspecto 
mágico, tão bem aproveitado por Crowley. Apenas compreendê-lo. Para isso, 
observando critérios comparativos e observando sua linguagem inusitada, fomos 
levados a entender que as metáforas existentes têm dois objetivos declarados:
110 “Damn” palavra inglesa = condenar, praguejar, amaldiçoar, censurar, reprovar, etc. Preferi reprovar, por se 
ajustar mais ao espírito da frase. Todo excesso, seja onde for, sempre gera desequilíbrio e, em consequência, 
erro. Parece que outros tradutores preferem os termos mais pesados, o que é respeitável; porém consideramos 
que alguns acabam transfigurando o sentido real da mensagem, embora saibamos que estamos muito aquém do 
conhecimento mágico que possuem. 
145 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
1o. Impedir, aos que não estão preparados e aos afoitos, o acesso aos reinos 
internos da vida, a fim de não sucumbirem a uma realidade que ainda não 
podem compreender. 
2o. Preparar, para aquele que já aspira e ostenta em sua alma as condições 
necessárias, uma nova forma de enfocar a verdade, retirando as muletas 
em que se apoiava e mostrando-lhe um novo caminho, dentro de uma 
realidade com conceitos totalmente diferentes daqueles que concebeu 
como definitivos. 
Verificamos que a mesma forma foi utilizada em outras épocas, em livros 
hoje considerados sagrados e de nobre leitura para a humanidade. Senão vejamos: 
a) No Bhagavad Gitâ, Arjuna (a personalidade) preocupado sobre como
proceder com seus parentes, com quem deveria lutar para a preservação de 
seu reino, recebe de Krishna (o Cristo Interno ou EU SOU; o mítico Avatar 
da Era de Touro para os povos asiáticos;), a dura resposta de matar a todos 
os seus inimigos (ver capítulos 1 e 2 do Bhagavad Gitâ, tradução e notas de 
Huberto Rohden, editado pelo Fundação Alvorada). 
b) No AntigoTestamento as atrocidades cometidas contra os inimigos dos
judeus, geralmente destruídos pela espada, são incontáveis e o próprio
Moisés, após passar pelas águas do Mar Vermelho, ao ver Faraó e seus
soldados que o perseguiam, deixa-as voltar ao seu leito natural, matando
milhares de egípcios.
c) No Novo Testamento, Jesus repudia seus laços familiares (Mt. 12.48),
expulsa com chicote os vendilhões do templo (Mateus, 10.34) e afirma
categoricamente: “Não penseis que eu vim trazer a paz, mas espada
"(Mateus, 10. 34 a 39).
Nos três casos, nada se refere ao mundo externo, tudo está relacionado 
ao cosmo interno do Aspirante. Os parentes de Arjuna são seus defeitos 
psicológicos e morais, aos quais está afeiçoado, mas que necessita eliminar para 
realmente manter o domínio de seu reino (sua entidade, seu corpo), pois há perigo 
de que “os seus parentes”, (os átomos que trabalham sob as ordens do Inimigo 
Secreto no homem), tomem seu reino e o escravizem, como a maioria 
146 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
da humanidade atualmente vive escravizada, sem perceber o que lhe sucede 
(“conhecereis a verdade e a verdade vos libertará “- João, 8.32). 
Moisés, o mítico Avatar da Era de Áries, também representa a 
personalidade recebendo a instrução do Anjo Solar (A Divina Presença EU SOU; o 
Pai que está no Coração) para libertar seu povo (os átomos aspirantes à liberdade) 
do jugo do Inimigo Secreto representado por Faraó – (ver Genesis. 3 vers.13 e 14) 
Depois de comprovar a supremacia de seus poderes mágicos, Moisés 
consegue trazer aqueles e os faz passar pelo Mar Vermelho, ou seja, o fígado, que 
elimina, do sangue, todas as escórias e também a matéria Qliphótica, aqui 
representadas pelos soldados de Faraó; esta nunca deve passar do abdome para 
cima. Vemos isso bem figurado no filme Excalibur, antes mencionado, quando “O 
Filho do Pecado” vem à Presença do Rei Artur reclamar “seus direitos "e este não 
permite que aquele atravesse o fosso que separa o Castelo (O coração) da “Terra 
de Ninguém” (o baixo ventre). 
O mítico Jesus do Novo Testamento é, da mesma, forma, o revelador do 
Reino Interno do Amor; identifica-se como EU SOU em várias partes do Evangelho 
de João. Sua cruz (a do Cristo Interno) é o corpo humano, onde tem sido e continua 
sendo martirizado pelos erros humanos; os vendilhões do templo são as escórias 
Qliphóthicas que tentam penetrar no “reduto secreto” (Santuário). A negação que faz 
dos laços materiais “com os parentes” é realizada para deixar claro que quem não 
tiver coragem de renegar seus apegos emocionais não é digno d’Ele. 
Assim esclarecido, não fica difícil para o Aspirante compreender este 
versículo que deve ser analisado sob três aspectos diferentes: 
1o) Considerando a Árvore Sephirotal, quando, a misericórdia que deve estar 
fora, é a Coluna à direita do observador, representada pelas Sephiroth Chokmah 
(Sabedoria) Chesed (Misericórdia) e Netzach (Vitória) ou, então, apenas a Sephirah 
Chesed (Misericórdia), cuja virtude maior é a obediência111. 
2o) que a misericórdia, em estudo, refere-se à representação dos apegos a 
que o Aspirante deve renunciar, condenando, à extinção, todas as formas de 
rebeldia e discórdia dentro de si. Deve, também, eliminar, extinguir sem piedade, 
tudo o que é inferior dentro de seu corpo-templo. A exortação para que 
111 O Autor considera imprescindível o estudo e a prática dos ensinamentos da Cabala para o entendimento 
perfeito do Líber Legis. Como o propósito deste livro não é entrar em seus meandros, mas apenas esclarecer 
sobre certas chaves envolvendo o estudo da mesma deixamos, para o Aspirante sincero, a necessidade de 
consultar, para maiores esclarecimentos, a rica bibliografia sobre esta ciência espiritual.
147 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
“sê sobre eles” indica que deve estar sempre a serviço do bem e do morador do 
coração, jamais descendo às imundícies do seu baixo ventre. 
3o) Considerando as duas premissas anteriores, o que para o Autor é o mais 
correto. 
19. Esta Estela eles denominarão a Abominação da Desolação; contai bem
seu nome e será para vós como 718.
Comentário: A Estela é a Estela da Revelação112. Para tentar saber o que 
é a Abominação da Desolação vamos recorrer à Bíblia, primeiramente ao Novo 
Testamento e em seguida ao Profeta Daniel. 
Em Mateus 24, 15 a 31, lemos: 
“Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou 
o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê, entenda), então ....
Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! 
Não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas 
operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, 
os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito. Portanto, se 
vos disserem: Eis que ele está no deserto! Não saiais: Ei-lo no 
interior da casa! Não acrediteis. Porque assim como o 
relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há 
de ser a vinda do Filho do homem. Onde estiver o cadáver, aí 
se ajuntarão os abutres. 
O mesmo assunto, com palavras bastante idênticas ainda é tratado em 
Marcos 13, 14 a 23 e Lucas 21, 20 a 24, sendo que este diz que o “lugar santo” é 
Jerusalém, que significa "A cidade da Paz" e está relacionado ao coração. 
Em Daniel, sugerimos a leitura dos capítulos 11 (versículos 31 a 45) e 12 
(versículos 1 a 3) onde, dentro de rico simbolismo, encontramos as palavras: 
"Dele sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza 
nossa (Geburah?), e tirarão o sacrifício costumado, 
estabelecendo a abominação desoladora". 
“Aos violadores da aliança ele, com lisonjas, perverterá, mas o 
povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo." 
E segue uma descrição, onde, com facilidade, verificamos que o 
“abominável da desolação” seria o Anticristo113, esotericamente falando o Inimigo 
Secreto o grande destruidor, que precede a época da “separação dos bodes das 
ovelhas”, somente não enganando os que estivessem identificados com o Altíssimo. 
112 Ver o Capítulo “A Estela da Revelação” nas páginas 202 a 209. 
113 Esta palavra é utilizada de forma simplória pela Igreja Católica, pois o Anticristo também nada mais é do que 
a 3ª. Pessoa da Trindade em imitação à Trindade hinduísta que tem como componentes Brahma (O Criador, 
Vishnu (O conservador) e Shiva (O destruidor), estando este identificado com a Natureza em que as formas são 
destruídas para renascerem novas e mais formosas. 
148 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
A riqueza dos símbolos cabalísticos e esotéricos da narrativa torna-a 
obrigatória à leitura do Aspirante, compreendendo que: 
a) tudo está relacionado ao cosmo interno do ser humano. O “lugar santo” ou 
Jerusalém 114 é a “árvore” cujas raízes (a parte inferior) adentram a terra e 
cuja fronde (a parte superior) toca o céu. Em linguagem esotérica é o 
coração, o único santuário onde, às vezes, o homem entroniza o mal 
(embora momentaneamente). 
b) o “deserto”, simbolicamente falando, é a região abrangida pelo chacra 
Swadishthana, onde Jesus (o Cristo) foi “tentado” por Satanás, simbolismo 
também relacionado ao cosmo interno do homem. 
c) o “sacrifício costumado” é a eucaristia (missa Gnóstica), que estabelece a 
aliança entre Deus e o homem. 
d) O Rei do Norte e o Rei do Sul são, simbolicamente, as colunas Boaz 
(negra) e Jachim (branca) da Cabala ou o Idâ e Pingalâ do Hinduísmo. 
e) etc, etc. 
 
Tudo se refere à luta final travada pelo Aspirante com as forças inferiores 
que ainda permanecem nele, quando do processo de sua Iniciação Real. 
Ocorre, também, em menor escala, sempre que o ser humano comum 
desperta para a espiritualidade: parece que, ao assumir sua divindade, todas as 
coisas ruins e nefastas passam a acontecer em sua vida,com uma freqüência antes 
nunca vivenciada por ele, fazendo muitos retornarem à vala comum, onde não são 
incomodados. Sobre isso é bom ressaltar as palavras do apóstolo Paulo quando diz: 
“não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero” (Carta aos Romanos 7.19). 
O fato da Inteligência comunicante do Líber Legis (Aiwass) dizer que a 
Estela da Revelação “será conhecida como a Abominação da Desolação“ 
provavelmente objetiva deixar implícito que o entendimento da mesma tem a 
finalidade de provocar a destruição das estruturas religiosas do passado. Sua 
mensagem fala da exaltação de Deus no homem que mata a si mesmo (Ank-f-n-
khonsu), ou seja, aquele que realiza o supremo desapego do que é mundano, em 
prol do espiritual; renasce como Deus-Luz, burilando, dentro de si mesmo, o 
arquétipo que a sabedoria esotérica lhe apresentou; não necessita de outro auxílio
114 Jerusalém é a “visão de paz, justiça e de união para todas as “tribos de Israel” e estas representam, 
simbolicamente, os átomos que servem ao EU SOU ou Santo Anjo Guardião. 
 149 
 
 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
além do aprimoramento de suas virtudes e do trabalho em favor de seu semelhante. 
Não teme nem deuses nem homens. Vence. 
A fim de ajudar ao Aspirante à Ciência Secreta, mas que ainda é 
temeroso do Deus que castiga os que não o obedecem 115 transcrevemos, abaixo, 
um trecho da página 77 do livro “Tratado sobre los Siete Rayos", (Alice Bailey - 
Editorial Kier - B. Aires), obra de caráter Teosófico, que ajuda a abrir a compreensão 
dos que não entenderam o que representa o serviço do Grande Destruidor: 
- “Gostaria de fazer-lhes uma sugestão, pois é necessário que comecem 
a compreender alguns dos métodos da Hierarquia (Loja da Grande F. Branca). 
“Por exemplo: o trabalho que no Ocidente se denomina “Princípio 
Crístico”, consiste em construir formas para a expressão da qualidade (Alma) e da 
vida (Espírito). Esse é o trabalho característico do segundo aspecto da Divindade. O 
trabalho do ANTICRISTO consiste em destruir as formas e é essencialmente o 
trabalho da primeira expressão da Divindade. Porém, neste caso, a tarefa do 
destruidor não é trabalho de magia negra e, quando a humanidade ignorante 
considera que o Anticristo trabalha com magia negra, seu erro é muito grande. 
Seu trabalho é tão benéfico como o aspecto construtor; somente a aversão do 
homem pela morte da forma faz com que considere o trabalho do destruidor 
como magia negra e esteja contra a Divina Vontade e do Projeto Divino. Só o 
trabalho dos representantes desse misterioso poder que chamamos mal cósmico e 
de seus adeptos merece o qualificativo de magia negra, que não é aplicável ao 
trabalho do Anticristo. À guisa de esclarecimento, se poderia acrescentar que o 
trabalho das forças negras provém de baixo, enquanto que o trabalho dos 
destruidores é impelido de cima. Os símbolos destes dois caminhos são a espada e 
a cruz”. 
Acreditamos que já dissemos o suficiente para evitar uma interpretação 
grosseira desta primeira frase do versículo em estudo. Quanto a “conte bem seu 
nome, e será para vós 718”, as várias experiências que fizemos, aplicando o 
Notarikon, a Themurah e a Gematria, foram infrutíferas e creio, não será fácil 
descobrir este nome, pois, na dificuldade, pode estar embutida a finalidade de evitar 
que Estudante se antecipe a um conhecimento para o qual só estará preparados
115 Isto não existe; o Deus interno de cada homem é puro amor e perdoa sempre os erros da aprendizagem, que 
funcionam como o cinzel na pedra bruta, que “a fere” para transformá-la numa obra de arte, que é sempre 
beleza). 
150 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
quando o “Mestre” estiver em condições de aparecer, dentro de seu processo 
iniciático. Aí, então, também, aparecerá o demolidor, a abominação da desolação, 
seu Anticristo pessoal. 
Entretanto, apenas a guisa de colaboração, porém sem a menor 
possibilidade de comprovação, o mais perto que pudemos chegar em nossas 
especulações sobre o assunto foi a Palavra Heru-ra-kra 
(5+5+200+1+200+1+100+200+1) cuja soma dá 718 e é composta de um dos nomes 
de Hórus (Heru-ra-ra), o Morador do Coração ou Cristo Interno, agregado, no último 
ra, da letra “k”, sugestivamente posposta, por Crowley, a palavra Magick e 
constitutiva, também, de Heru-pa-Kraath, de quem Hadit diz (versículo 8 do 2o. 
Capítulo do Líber Legis): “os que adoraram a Heru-pa-Kraath me adoraram, mal, 
pois eu sou o adorador”, dando a entender que Heru-pa-Kraath é ele mesmo, que 
também é Hórus (o de duas cabeças), porém com a cabeça voltada para a 
iniqüidade, seu outro lado, ou seja o Anticristo ou aspecto destruidor da Divindade 
(ver comentário do versículo 19 do Capítulo 3). Desta forma, o número 718 como 
será conhecida a Abominação da Desolação pode ser Heru-ra-kra, o lado destruidor 
e caótico de Hórus, o Cristo Interno. 
20. Por quê? Por causa da queda de Porque, que ele novamente não esteja
ali.
Comentário: A indagação acima está relacionada ao versículo 19 
solicitando uma explicação sobre a razão de que a Estela da Revelação venha a ser 
conhecida como a Abominação da Desolação, ou seja, o Anticristo116. É respondida 
esclarecendo que isto se deverá ao fato da destronização da mente lógica (a queda 
do Porque), por causa do nível em que estão os conceitos superiores emitidos na 
Estela. Aquela (a mente lógica ou a razão) novamente deixará de existir (não esteja 
ali), pois houve época que a mente existia ostentando, como apanágio apenas o que 
hoje conhecemos como memória117, sendo que, somente no período da quinta raça 
é que realmente começou o desenvolvimento da chamada mente lógica. 
116 Set, Saturno, Satã, etc. 
117 Na atual Ronda evolutiva, na 3a. Raça-Mãe (Lemúria), o homem deixou de ser “sem-mente” e desenvolveu a 
mente instintiva ou mente animal; na 4a. Raça-Mãe, (Atlântida), desenvolveu a mente-memorativa; na atual 5a. 
Raça-Mãe, está desenvolvendo a mente-lógica e os tipos mais avançados da raça já experimentam os albores 
da mente-intuitiva, apanágio da 6a. Raça-Mãe, quando a humanidade atingirá níveis de vivência espiritual 
impossíveis de serem imaginados no atual estágio em que se movimenta.
151 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
Para a compreensão perfeita dos conceitos da mensagem da Estela da Revelação, 
o Aspirante deverá primeiramente substituir a mente lógica pela mente intuitiva.
Neste ponto dos nossos comentários é sempre bom recordarmos que, por 
causa da “mente” o Ser humano começou a distinguir as dicotomias que o 
cercavam, o que antes não acontecia e, por causa disso foi “expulso” do paraíso118. 
Suas possibilidades o tornaram igual aos deuses, porém com a capacidade da 
confrontação (oposição), tornando-se, os mais ousados, no símbolo da negação 
(Satanás). 
A incompreensão das leis da natureza pelo homem comum, leva-o a 
temer aquilo que não conhece pintando sempre com cores terríveis esses medos, 
estados de consciência que naturalmente terão de ser transpostos durante o período 
da Nova Era que está vivendo na face da terra. 
Um dos maiores objetivos da linguagem metafórica do Líber Legis é 
exatamente esse: fazer com que o Aspirante supere o medo e compreenda que, ao 
comer o fruto da Árvore do Bem e do Mal não pode rejeitar nenhum de seus 
ingredientes. Precisa realizá-los com plenitude dentro de si, não para ser escravo 
dos mesmos, mas para ser seu senhor e tornar-se plenamente Deus, como é o 
Senhor do Macrocosmo, onde também as duas forças se interagem, não em conflito, 
mas em plena harmonia, sempre construindo, dentro de objetivos que a humanidade 
atualmente ainda não pode perceber. 
21. Coloca minha imagemno Oriente: comprarás para ti uma imagem que
indicarei, especial, não diferente daquela que conheces. Realizar isto te
será inesperadamente fácil.
Comentário: Ninguém, normalmente, pode deixar de relacionar este 
versículo com um comando pessoal para Crowley, no sentido de que prepare um 
altar, no qual seria colocada uma imagem no Oriente, ou Este, do mesmo, e ainda, a 
ordem para comprar, com facilidade, uma imagem com características especiais, 
que lhe seria indicada de forma inesperada. 
Porém, como vimos seguindo uma linha de comentários onde sempre 
procuramos buscar o sentido interno das mensagens, temos consciência que o 
trabalho mágico externo deve, preferencialmente, ajudar a materializar o interno. 
Tudo o que ocorre no mundo dos efeitos, ou seja, o mundo físico, onde situamos
118 Antes de desenvolver a mente em todos os estágios que hoje conhecemos o Ser humano vivia num degrau 
de evolução onde não havia (para ele) a dicotomia do bem e do mal, daí a estória de que foi expulso do Paraíso. 
152 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
atualmente nossa consciência, tem sua origem no mundo das causas, ou seja, o 
universo consciencial do ser humano. 
Dessa forma, também não podemos deixar de, conscientemente, 
colaborar para que as “causas” encontrem alicerce no plano físico onde produzimos, 
de forma inconsciente, “causas” negativas no mundo interno: o carma. Só que, para 
uma melhor compreensão do assunto, vamos incluí-lo em nosso arrazoado 
analisando este versículo com o pensamento que compõem os versículos seguintes. 
22. Agrupa as outras imagens a minha volta para me apoiarem: que todas
sejam adoradas, pois elas reunir-se-ão para exaltar-me. EU SOU o
objeto visível da adoração; as outras são secretas; para a Besta e sua
Noiva são eles: e para os vencedores do Ordálio x. O que é isto? Tu
saberás.
Comentário: Até o versículo 21, seria inegável a conotação particular dos 
versículos com Crowley, mas, a partir daí temos de começar a meditar não 
aceitando somente a inclusividade pessoal e nos permitindo perguntar, onde 
caberiam as seguintes: Quem está falando? Quais são as outras imagens? Qual a 
necessidade de juntá-las para que algumas adorem aquilo que seria a imagem 
principal? 119 
Procedendo assim, teríamos uma infinidade de perguntas e, no plano 
físico, uma série de respostas bastante coerentes para elas, interessando a todos os 
estudantes sinceros, pois ajudam na conquista do espiritual, se utilizadas 
devidamente como símbolos para a realização interna. 
Naturalmente estamos de acordo que a possibilidade da orientação que 
vem sendo dada, tenha um caráter mais amplo e não somente pessoal. 
E isto pode ser constatado pelo sentido das palavras: “elas reunir-se-ão 
para exaltar-me”, que nos leva a Tiphareth, onde se encontra o “Altar dos Perfumes”. 
Ali vemos que o que parece uma orientação para fazer um Altar no plano físico, 
também está envolvendo o mundo interno do Aspirante. 
“Minha imagem” (o EU SOU, o Sol espiritual que aquece a vida do ser 
humano), é o próprio Oriente, ou seja, onde nasce e sempre está a luz que ilumina. 
119 No que se refere ao externo ou mundo físico, a partir do versículo 21 temos instruções para o processo 
preparatório de construção do Altar, no plano físico, para as operações que repercutirão no plano espiritual, com 
a finalidade de realizar o contato com a Divina Presença EU SOU ou o Santo Anjo Guardião, como Crowley o 
chamava. As instruções contidas no Líber Legis são muito semelhantes às contidas no “Livro da Magia Sagrada 
de Abramelin, o Mago” do qual existe uma tradução em espanhol feita pela Editorial Humanitas, de Barcelona, 
Espanha, com adaptação e Notas de S.L. MacGregor Mathers. 
153 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
As imagens, agrupadas a sua volta para o apoiarem, são todas as outras 
Sephiroth, que se ligam diretamente a Tiphareth. Estas também devem ser 
adoradas, pois suas energias exaltam Tiphareth. 
A afirmação: “EU SOU o objeto visível da adoração” se justifica porque 
Tiphereth está identificado com o Sol Físico, mas as outras Sephiroth são secretas 
por atuarem somente nos planos mais sutis da vida consciencial. 
Já sabemos que a Besta e sua Noiva são a Mente inferior e as emoções; 
a afirmação de que “para a Besta e sua Noiva são eles” significa que a mente 
inferior e as emoções não têm possibilidades de captar (por isso é secreto para elas) 
o que realmente sucede no plano Consciencial de Tiphareth, onde se realiza o
trabalho mágico que vem sendo narrado. 
A inclusão de “... e os vencedores do Ordálio X é compreensível se 
considerarmos X como o algarismo 10 e o considerarmos o 1 (UM) a energia 
masculina e o 0 (ZERO) como a energia feminina (o falo e a vulva, ou seja, o lingam 
e a Yoni) e os vencedores do Ordálio X aqueles que realizam e vivenciam sua 
androgeneidade (tornaram-se hermafroditas), ou seja, aqueles que equilibraram as 
energias de Ida e Pingala (Hod e Netzah) dentro de si mesmos. 
A pergunta “O que é isto?" estará respondida se forem aceitas as 
explicações dadas, e levam a uma operação mágica a ser realizada com o objetivo 
de entrar em contato com o Santo Anjo Guardião ou Divina Presença EU SOU do 
Aspirante, no ventrículo esquerdo do coração. A afirmação final confirmaria o que 
estamos tornando público120. 
23. Para perfume misture farinha grossa e mel e borra (mosto?) de vinho
tinto: então óleo de Abramelin 121 e azeite de oliva e, posteriormente,
amoleça e amacie com rico sangue fresco.
Comentário: Para uma melhor compreensão deste versículo e dos 
seguintes, remetemos a atenção do leitor para a reprodução da gravura Anatomiæ 
Occultii, na página 240, onde podemos ver o “Templo de Salomão”. 
120 Sugerimos também a leitura do comentário deste versículo feito por A. Crowley, contida na página 163 do 
livro “The Law is for all”, de sua autoria e editado por Louis Wilkinson and Hymenaeus Beta. 
121 O Óleo Sagrado de Abramelin é preparado da seguinte forma: uma parte de mirra em gotas; duas partes de 
canela fina; meia parte de galangal (ou galanca, é uma raiz hindu, empregada com fins medicinais) e a metade 
do peso total de todos estes ingredientes, do melhor azeite de oliva. Crowley orienta na preparação desse azeite 
mágico e diz que estes ingredientes não devem ser preparados crus, pois o único resultado seria uma espécie 
de pasta marrom, que não se misturará com o azeite, aconselhando “refinar” estas substâncias (trabalho 
alquímico) até conseguir de cada uma um óleo puro, antes de proceder à combinação final. Ver também a 
descrição da Unção dos Santos óleos e perfumes em Êxodo XXX. 
154 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
Na região do coração, localiza-se Tiphareth (Chacra Anahata), dentro do 
qual está o Altar dos Perfumes. 
Com o objetivo de orientar o leitor na compreensão da operação mágica 
pretendida, esclarecemos que, magicamente, temos duas operações sendo 
realizadas: uma externa, com ingredientes materiais, cuja finalidade é apenas 
“dirigir” a atenção do Aspirante para o seu Altar interno, ou seja, o coração e, a 
outra, interna, onde verdadeiramente está trabalhando sua mente. 
Não é difícil compreender que tudo visa apenas a concentração no 
interno, de forma tal que o Aspirante realize todas as operações como se estivesse 
trabalhando dentro de seu coração. Elas têm apenas valor simbólico, mas é de 
grande importância para manter sua atenção ligada ao seu reino interno. 
Nos ingredientes também existe uma simbolismo a ser devidamente 
compreendido, pois a farinha grossa é a dádiva da Mãe Terra, o elemento base para 
a materialização no plano físico; o mel é o elemento representativo da doçura (o 
verdadeiro amor na Alma do Aspirante) que não pode faltar na operação.É o 
solvente universal do qual uma só gota é suficiente para trazer à perfeição em tudo 
que toca. O azeite representa a aspiração superior que deve acompanhar o 
Aspirante em seu trabalho, tornando luminosa e irradiante sua aura e a borra 
(mosto?) de vinho tinto significa a necessidade de materialização do espiritual, do 
divino, para que o trabalho seja agradável nos planos superiores da vida122. 
Mas o elemento mais importante é o rico sangue e fresco significador de 
pensamento poderoso e novo, recém criado, cuja função é dar vida, manter e 
dirigir toda a operação, como, também, a compreensão do Aspirante, para a região 
onde corre o sangue arterial, próprio do ventrículo esquerdo do coração, onde está o 
verdadeiro Altar da Divindade no homem. Crowley, em seu livro Magia en Teoria y 
práctica, traduz para o Aspirante sincero o significado de sangue nas operações 
mágicas e diz textualmente: “A corrente de pensamentos é o sangue da mente; o 
Cálice Sagrado, cheio do sangue dos Santos (pensamento dos Magos, dos 
homens perfeitos) sempre deve ser oferecido em sacrifício” e acrescentamos: 
em favor da humanidade. 
Cada elemento deve ligá-lo também a um Tattwa, pois o objetivo final 
seria a conquista da obra em negro (Nuit, a Virgem Negra, em seu aspecto de
122 Nos rituais internos da O.T.O. (Missa gnóstica) se trabalha com outros materiais que não serão comentados e 
o objetivo é fazer “bolos de Luz” que servem como as hóstias mencionadas no versículo 24.
155 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
Kundalinî, a matéria quintessenciada que reveste o corpo do Cristo-criança ou 
Hórus, no coração humano) dos alquimistas. 
24. O melhor sangue123 é da lua, uma vez por mês124: em seguida o sangue
fresco de uma criança125, ou chuva (gotejamento) de hóstia do céu:
depois de inimigos: então do sacerdote ou dos adoradores: por último
de alguma besta, não importa qual.
Comentário: O ser humano possui três tipos de respiração: Surya ou 
Solar, Chandra ou lunar e Suchumnâ ou simultânea. Quando o homem está 
respirando Surya, o alento entra e sai pela narina direita e o pulmão em maior 
atividade é o direito; durante este período (+-2horas), Prâna concentra-se no sistema 
nervoso central. 
Ao ocorrer a respiração Chandra ou lunar, a respiração passa a ser feita 
com a narina esquerda e Prâna concentra-se no sistema sangüíneo. A respiração 
Suchumnâ é altamente propulsiva e criadora e ocorre simultaneamente pelas duas 
narinas, no período que intermedia a mudança da respiração de uma narina para a 
outra126. 
Por outro lado, na natureza, o reino vegetal se enriquece mais de seiva 
durante o período da Lua Negra (Minguante e Nova) e existe um axioma de que tudo 
que dá fruto debaixo da terra (raízes, tubérculos, etc.) deve ser plantado na lua 
nova. 
Entretanto, os seres humanos, cujas raízes (o sistema nervoso cérebro-
espinhal) estão ligadas ao céu (inversamente ao vegetal) é muito mais imaginativo e 
criativo durante as luas brancas, principalmente na Lua Cheia.
123 A palavra inglesa “blood” pode ser traduzida também como sangue, seiva, suco, etc.. Como o objetivo do 
Altar externo, seus ingredientes e apetrechos, é proporcionar ao Aspirante sincero apenas o veículo de uma 
acendrada concentração de seus pensamentos na realização do Altar Interno é importante que busque o maior 
entendimento do que está fazendo para não cometer erros que podem prejudicar seus propósitos mais elevados. 
Mantivemos a palavra sangue na tradução (Crowley, muitas vezes, ligou-a a “pensamento”) por causa da 
necessidade de remeter a atenção do leitor para o ventrículo esquerdo do coração, pois é lá, numa espécie de 
plataforma, onde encontramos a Divina Criança, em toda sua radiante Graça e Beleza. Há outra conotação para 
a metáfora, contida nesta palavra inglesa, que deixamos de mencionar para evitar especulações nem sempre 
responsáveis e, algumas vezes, imaturas. 
124 Traduzimos a palavra inglesa “monthly” como advérbio de modo, quando significa: mensalmente, uma vez por 
mês, todos os meses. Dentro de nosso comentário ela nada tem a ver com menstruo ou menstruação. 
125 É importante observar que o texto tem dois pontos (:), sugerindo o acontecimento de uma explicação ou de 
uma expectativa que se materializa. Mais adiante vemos que o sangue fresco de uma criança pode ser 
substituído por alternativa diferente, como, por exemplo, o pensamento vivo, forte, firme de um Iniciado. Depois a 
oração segue dizendo: ou chuva (gotejamento) de hóstia do céu:, que também é seguido de dois pontos (:). Em 
verdade, todo o texto é metafórico e não deve ser entendido somente pelo que está escrito; se assim acontecer, 
grandes danos podem suceder ao aprendiz que, em vez de se tornar um Mago (o homem perfeito) pode vir a ser 
um feiticeiro. Porém, faz o que quiseres, é toda a lei. 
126 As mulheres respiram inversamente aos homens: quando estes respiram pela narina direita, as mulheres o 
fazem pela esquerda; quando os homens passam a respirar mais forte pela narina esquerda, as mulheres 
passam a fazê-lo pela direita. 
156 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
Isto devidamente explicado pode nos ajudar a compreender que 
realmente o sangue arterial (átrio e ventrículo esquerdo do coração) é mais rico de 
Prâna durante os períodos em que estamos realizando a respiração pela narina 
direita, principalmente durante as fases da lua cheia, quando nossa imaginação 
torna-se mais poderosa e criativa; isto ocorre uma vez por mês. 
Em decorrência do exposto, depreendemos que o trabalho mágico deve 
ser empreendido durante a Lua Cheia, tanto no que se relaciona com o reino interno 
do homem (o sangue é mais rico de Prâna) como seus pensamentos tornam-se mais 
poderosos. Da mesma forma, as operações externas (vivenciamento simbólico no 
plano físico, incluindo a preparação do Altar, incenso, etc., etc.) serão mais fáceis e 
saturadas das energias necessárias. 
Observadas as regras delineadas acima acontece o primeiro sucesso: o 
sangue do Aspirante torna-se mais puro e a Criança, em seu coração (o Cristo 
Interno) beneficia-se com a corrente de sangue fresco (renovado) que, para Ela 
parece o rocio espiritual que lhe chega em forma de chuva como alimento celeste 
superior. 
Em seguida, este benefício atinge também “os inimigos”, que são as 
consciências atômicas sob as ordens de “Set” (Átomos Destruidores) e, na mesma 
ordem, ao sacerdote (a personalidade do próprio Aspirante), que funciona perante o 
Altar construído. 
“De alguma Besta127, não importa qual”, pode estar referindo-se as 
vibrações de algum signo zodiacal, não importando qual, para a consecução do 
objetivo final do trabalho que vem sendo realizado. 
25. Isto queimai: disto fazei bolos e comei para mim. Isto tem também
outro uso; que isto seja depositado ante mim, e conservado
impregnado com perfumes de vossas orações: encher-se-á como se
fosse de escaravelhos e coisas rastejantes sagradas para mim.
Comentário: Como vimos, a preparação do perfume (incenso) iniciada no 
versículo 23, termina, com a recomendação de que seja levado ao fogo e, 
127 Os signos zodiacais antigamente eram representados por 12 animais ou Bestas. 
157 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
do resultado, sejam preparadas hóstias que devem ser ingeridas128 pelo Aspirante, 
como se estivesse comungando. “Isto também tem outro uso” é uma referência à 
Eucaristia. Segue-se a recomendação de que a obra material seja depositada no 
Altar e consagrada à Divindade Interna; deve ser conservada pela impregnação, em 
sua estrutura, dos eflúvios das orações do Sacerdote (o Aspirante). Para 
compreender a afirmação: “isto parecerá como se estivesse cheio de escaravelhos, 
é preciso compreender o seu simbolismo em toda a sua extensão, pois significao 
que poderíamos considerar a recompensa de Ra-Hoor-Khuit pelo que foi realizado 
pelo Aspirante-Sacerdote. O escaravelho, no Egito, era considerado o símbolo da 
ressurreição e do renascimento. As hóstias (o bolo como se estivesse cheias de 
escaravelhos) digeridas (comidas) pelo Aspirante representam o alimento saturado 
do espiritual que provocará sua ressurreição (o despertar para a luz, para uma nova 
vida) no mundo espiritual e, ao mesmo tempo, seu renascimento, não mais como 
uma personalidade atada à matéria e à ignorância, mas como personalidade 
espiritual, consciente e integrada no plano da vida maior em seu coração. 
“As coisas rastejantes sagradas para mim”, metaforicamente, se referem 
aos crocodilos, considerados sagrados no Antigo Egito, porém representavam as 
energias Qliphóticas a serviço de Set, o demônio ou o Inimigo Secreto daquele que 
era iniciado nos Mistérios Maiores. 
Resta, neste versículo, apenas ressaltar a importância das palavras 
sagradas para mim, pois têm conotação com as energias vivas da região sacra do 
corpo humano, tão importantes para a compreensão do Aspirante na busca de sua 
emancipação espiritual129. 
26. Estes matai, nomeando vossos inimigos; eles cairão diante de vós.
Comentário: O Iniciado egípcio, antes de sua exaltação, travava uma luta 
de morte com as forças inferiores de seu baixo ventre, sempre simbolizadas por 
crocodilos, nomeando um a um com seus nomes característicos e recitando 
mantras mágicos relacionados com a luta que empreendia. Precisava sair 
vencedor desta luta, que envolve precisamente o Caminho 32 da Árvore da Vida,
128 É preciso notar que os ingredientes da oferenda a serem colocados no Altar dos Perfumes preparado no 
plano material, ou seja, externamente, são todos palatáveis e naturais (desde que o Aspirante não siga as 
instruções do versículo “ao pé da letra”) e enriquecidos de consciências atômicas, altamente desenvolvidas, que 
acorrem ao trabalho do “sacerdote”, trazidas, que são pela qualidade de seus pensamentos dirigidos à Divina 
Presença EU SOU, em seu coração. 
129 Para compreender melhor o assunto, ler o Capítulo sobre O Mistério do Baphomet. 
158 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
onde enfrentava, definitivamente, suas próprias criações inferiores. No Livro dos 
Mortos, às páginas 218 a 221130, tratam exclusivamente da batalha contra estas 
forças malignas, e devem ser lidas pelos que buscam maior entendimento do 
versículo em estudo. 
Vinheta onde se vê 4 crocodilos atacando o Iniciado (de Lepsius, Todtenbucg, BII 16/17 131 
27. Também estes engendrarão luxúria e poder de luxúria em vós na
consumição (devastação) deles.
Comentário: Os Átomos sob o jugo do Inimigo Secreto e as forças 
Qliphóticas gerarão concupiscência e poder de concupiscência ao serem 
suprimidas. É a chamada luta entre o “bem” e o “mal”, quando as forças caóticas 
integrantes do universo pessoal do Aspirante, que não se pautam por qualquer valor 
moral sacodem suas entranhas, levando-o a sensações e desejos físicos 
tremendamente difíceis de serem superados. Somente uma vontade (Thelema) 
educada consegue sobrepor-se aos apelos inferiores que o Aspirante passa a 
receber. 
28. Também sereis fortes na guerra.
Comentário: Realmente, neste período inicial do trabalho em que o 
Aspirante-Sacerdote procura entrar em contato com o seu Santo Anjo Guardião, 
começa uma pavorosa guerra entre ele e as forças inferiores que infestam os 
caminhos inferiores, principalmente a Senda 32 da Árvore da Vida, que vai de 
Malkuth a Yesod, que precisa ser dominada para que possa chegar, no futuro, a 
Tiphareth.
130 O Livro dos Mortos, por E. A. Wallis Budge, editado pela Editora Pensamento – SP. 
131 Idem, ibidem. 
159 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
29. Além disso, sejam eles por longo tempo conservados, é melhor; pois 
crescerão com minha força. Tudo diante de mim. 
 
Comentário: As palavras deste versículo representam uma lição que 
poucos espiritualistas chegam a compreender, pois quase sempre têm como escopo 
principal “liquidar”, “destruir”, acabar com aquilo que denominam o “mal” sem 
compreender que ele faz parte tanto de sua própria manifestação como da 
manifestação do Logos, pois aquilo que consideram “o mal” são as remanescentes 
dissonâncias de nosso cosmos particular ainda imperfeito. 
O processo correto não é lutar contra, mas transformar, harmonizar, 
sublimar, para que todas as inteligências de nosso universo pessoal possam cumprir 
seus propósitos, como também nós estamos cumprindo o nosso perante o Logos do 
Planeta Terra. 
Ontem fomos feras; hoje somos homens, amanhã, pelo nosso 
aprimoramento, nos revestiremos de nossa própria divindade. 
 
Da mesma forma, as inteligências 
Qliphóticas que fazem parte de nosso cosmo 
terão também seu progresso. No momento, 
entretanto, precisam “ser” na plenitude de seus 
aprendizados, que repercutem em nosso próprio 
aprendizado. 
O Mago não as destrói, porém aprende a 
dominá-las com sabedoria e respeito, para que 
possa atuar em seus propósitos mais elevados 
sem a interferência negativa das mesmas. Esta 
sabedoria é que confere poder e diferencia o 
Mago Branco do Mago Negro, pois este 
escraviza aquelas inteligências caóticas, 
colocando-as a seu serviço para propósitos, às 
vezes, de vingança, de concupiscência, etc., 
porém estas, na primeira oportunidade, em 
busca de sua liberdade, tendem a escravizá-lo e 
dirigi-lo em seus propósitos ainda distorcidos em 
relação à verdade. 
 
 
As palavras do versículo em estudo 
são consentâneas com estas verdades. Por isso 
Ra-Hoor-Khuit, na voz de Aiwass, revela que 
“eles”, deverão ser conservados por longo tempo, para aprenderem suas lições 
através do orgulho, da vaidade, da prepotência, etc., todas sustentadas em sua 
força, ou seja, sua vida, até que, pela compreensão superior que ocorrerá depois de
Invocação de uma entidade Elemental. 
(Reprodução de uma gravura da Enciclopédia 
Resumida dos Símbolos da Filosofia Maçônica, 
Hermética, Cabalista e Rosa-Cruz). 
 160 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
longo tempo, como sucede com a humanidade em geral, se harmonizem na luz. 
Naturalmente tudo isto ocorre diante da Realidade Divina no homem, o Sol que 
aquece nosso sangue, dá força aos nossos braços e nos sustenta em todas as 
nossas ações físicas, mentais, emocionais e espirituais. 
30. Meu altar é de visível trabalho (lavor) em bronze132: queimai sobre ele
em prata ou ouro!
Comentário: Ainda estamos em Tiphareth (chacra Anahata), trabalhando 
(construindo, preparando) a parte interna do Altar dos Perfumes. 
Para melhor entendimento de todo este "trabalho mágico”, remetemos a 
atenção do leitor para o Antigo Testamento, 1-Reis, capítulos 6. 7 e 8, onde é 
descrito todo o processo, inclusive com a tarefa em bronze de Hiram Abiff, o filho da 
viúva, da tribo de Naftali (1-Reis, 7-13 a 51), tão conhecido de nossos irmãos da 
Maçonaria. É preciso notar que Hiram Abiff (o Átomo Nous) é o encarregado 
somente da obra em bronze133, pois a parte de madeira (sistema nervoso do 
homem, que se assemelha a uma árvore cujas raízes estão na cabeça, ou seja, o 
Céu) já fora edificada de acordo com os planos do Rei Salomão (Rei Sol, o Pai que 
está no céu, ou seja, a Divina Presença, que se manifesta no coração como EU 
SOU). 
132 Traduzimos “open brass work” como visível trabalho em bronze porque, internamente, a imagem se relaciona 
com o que está explicado abaixo, no item 2. Os magistas podem e devem continuar traduzindo, para efeitos de 
suas práticas externas, cobre, latão, metal, etc. trabalhado. A mensagem que queremos deixar é que o “Altar em 
bronze” está de acordo com o trabalho interno e não podíamos mudar,apenas para agradar. O “Mar de bronze” 
fica abaixo de Tiphareth e é dali que sai o material a ser usado. 
133 O som que ecoa, que retine, onde é dita a palavra sagrada. Hiram Abiff é o mesmo Osíris, assassinado por 
Set e que teve seu corpo esquartejado em 14 pedaços, que Isis posteriormente conseguiu repor, com exceção 
do falo, substituído por um de madeira. Da mesma forma, Hiram Abiff teve seu corpo despedaçado. Estes mitos 
estão relacionados ao nosso sistema solar e sua divisão em 13 ou 14 pedaços referem-se, respectivamente, ao 
Sol e os 12 signos zodiacais (no caso de Hiram Abiff e os 12 ajudantes e Jesus e os 12 Apóstolos) e, no caso de 
Osíris, os 14 corpos planetários que fazem parte do Sistema Solar (Sol, Vulcano, Mercúrio, Vênus, Terra, Lua, 
Marte, Viela (ou a zona de asteróides, anteriormente ocupada por este planeta que explodiu (suicidou-se, da 
mesma forma como Judas Iscariotes procedeu em relação ao Sol-Jesus), Saturno, Júpiter, Urano, Netuno, 
Plutão e Vesta, o verdadeiro regente do signo de Libra, o planeta do Amor puro, a ser descoberto dentro dos 
próximos anos, quando a humanidade estiver em condições de “metabolizar” suas energias superiores. 
161 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
A metáfora existente em 
“queimai sobre ele em prata ou 
ouro” está totalmente relacionada 
ao processo alquímico de 
transformação interna, envolvendo 
conotação feminina (Chesed, a lua 
= em prata) ou masculina (Geburah, 
o sol = em ouro). Para maior
entendimento cabalístico do 
assunto, o estudante deve inteirar-
se sobre as Sephiroth Metálicas e 
seus relacionamentos dentro do 
Castelo do Rei Salomão (o corpo 
humano). Muito poderá ser 
aprendido pelo estudo do capítulo 
“Asch Mezareph” (págs. 339 à 356) 
e o “Complemento dos oito capí-
tulos do Asch Mezareph”(págs. 358 
a 372) do livro “A CHAVE DOS 
GRANDES MISTÉRIOS”, de 
Eliphas Levi (Editora Pensamento). 
31. Vem um homem rico do Ocidente que verterá seu ouro sobre vós.
Comentário: Como estamos lidando com metáforas, que ninguém fique 
aguardando este homem para resolver os problemas financeiros do que e de quem 
quer que seja. O homem rico em linguagem esotérica é um homem sábio, ou seja, 
um iluminado pela verdadeira sabedoria (o ouro que nenhuma ferrugem corrói), que 
verterá seus conhecimentos sobre a humanidade. Será por intermédio da literatura 
Thelêmica que obriga aqueles que a consultam, uma postura mental diferente da 
que possuíam? Saberemos brevemente, pois já entramos na nova Era. Este 
“homem rico que vem do Ocidente” pode também referir-se ao Mestre que aparece 
quando o discípulo está pronto, estando relacionado com a Inteligência Atômica 
Elemental que reside na bolsa seminal do homem. 
32. Do ouro, forja aço!
Comentário: Este é um belo símbolo; significa: Da sabedoria forja a tua 
Vontade! 
O homem metálico. Símbolo da 
 metamorfose dos elementos físicos em sutis. 
É a mesma instrução da Carta 14 do Tarô. 
162 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
33. Apresta-te para fugir ou atacar!
Comentário: Esta recomendação é muito importante na “guerra” 
empreendida pelo Aspirante; é importante que ele aja com “a prudência da serpente” 
e “a sabedoria do elefante”, pois não deve partir para enfrentamentos 
desnecessários, principalmente quando for reptado a mostrar sua aparente força: 
deve fugir incontinenti deste tipo de desafio e saber a hora certa de atacar, quando, 
então, deverá usar toda a sua força. Nunca deve esquecer que trava uma luta dentro 
de si mesmo, com demônios criados por ele mesmo e que, portanto, conhecem 
muito bem sua inteligência e sua força e, naturalmente, suas fraquezas. Nesta hora 
só existe uma força em que deverá confiar: Ra-Hoor-Khuit, lembrando-se, se 
possível, deste trecho de um dos hinos consagrados a Ra, pelo Iniciado egípcio: 
Ó Ra, tu que és Heru-cuti (Harmachis ou Harpócrates), o divino 
menino-homem, herdeiro da eternidade, que se gerou a si próprio 
e nasceu de si mesmo, rei da terra, príncipe do Tuat134, 
governador das regiões de Auquert135. Passas todo dia pelo céu e 
pela terra e todo dia tua mãe Nuit te revigora. Ó substância 
primeva da terra, nascida por vontade própria. Soberano de todos 
os deuses, Eu te saúdo, pois meu coração se alegra quando te vê. 
34. Porém vosso santuário permanecerá intocado através dos séculos:
embora com ferro e fogo136 seja queimado e destroçado, ainda assim
está ali erguida uma casa invisível, e permanecerá em pé até a queda
do Grande Equinócio; então, Hrumachis137 erguer-se-á e o do duplo
bastão138 assumirá meu trono e lugar. Outro profeta se erguerá e trará
nova febre dos céus; outra mulher despertará a luxúria e adoração da
Serpente; outra Alma de Deus e besta misturar-se-ão no sacerdote
globado139; outro sacrifício manchará a tumba; outro rei reinará e
bênçãos já não serão derramadas ao místico Senhor da Cabeça de
Falcão!
134 Região que não se situa no céu nem na terra, habitada pelos mortos e percorrida pelo sol durante a noite. 
135 Um dos nomes do mundo inferior. 
136 Traduzimos “fire and sword” como sendo a expressão idiomática “ferro e fogo”. Outros tradutores, mais sábios 
e conhecedores da Magia Thelêmica, ensinada por A. Crowley preferem “ferro e espada” que é a tradução 
correta do inglês para o português e significaria falo e libido, porém aqui temos uma metáfora e naturalmente o 
texto envolve também sentido iniciático que ultrapassa a compreensão comum. 
137 Hrumachis, Harmachis ou Harpócrates são alguns dos nomes de Hórus, o Sol que está oculto pelo Sol. 
138 No texto original, em inglês, consta “double-wanded one”, traduzido pelos discípulos de A. Crowley. 
como “o da baqueta”, por ser o nome um instrumento utilizado nos trabalhos mágicos. No idioma português 
baquetas são as varinhas delgadas e curtas com que se toca tambor ou varetas de guarda chuva, o que, para os 
não iniciados, não faz muito sentido. Preferimos a traduzir como “o do duplo bastão” por ser mais consentâneo 
com o texto e estar de acordo com a palavra “wand” que significa, em inglês, vara de condão, bastão 
(especificamente como insígnia de autoridade, poder), vara mágica, cetro, caduceu e certamente diz respeito ao 
sistema nervoso simpático que em linguagem teosófica toma o nome de Idâ e Pingalâ. É preciso não confundir: o 
texto do Líber Legis se refere principalmente ao interno do homem e a parte externa da magia extraída do livro 
constitui apenas representações do que ocorre internamente. 
139 Da mesma forma, “globèd priest” foi traduzido como “sacerdote globado” que também não faz sentido para os 
não iniciados, em virtude de globado enquadrar-se como um neologismo de difícil compreensão. Preferimos a 
compreensão de sacerdote integral, total, perfeito (all included, global), em defesa de nosso entendimento do 
texto completo. 
163 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
Comentário: O lugar Santo ou Santuário é o coração do Iniciado, morada 
do Cristo Interno, intocável pelas forças Qliphóticas, que ali não podem ter 
acesso.140 
Embora as provas da reencarnação, quando o Iniciado é ferido física e 
psicologicamente a ferro e fogo e quando seu corpo é destruído e reconstruído 
muitas vezes, a “casa invisível” ou coração espiritual, ou ainda seu universo 
individual e particular (armadura prateada ou corpo Egóico, no plano mental 
superior) permanecerá em pé até a sobrevinda do Grande Equinócio, significando, 
este, a união do que está em cima com o que está em baixo, quando, então, 
Hrumachis141 a Divina Criança, senhor do duplo poder (ou autoridade), ou seja, o 
poder sobre o bem e o mal, assumirá o trono de Ra-Hoor-Khuit. Este fato significa 
que a consciência Divina que atuava sobre o Aspirante fica, agora, nele entronizada 
definitivamente, pelo nascimento de Hórus em seu coração, passando este a ser o 
governantedireto do seu destino. 
Neste momento o Aspirante torna-se Iniciado e, consequentemente, um 
Osíris, ou seja, um novo Sol, surgindo, portanto, outro profeta que traz, para a Terra, 
uma nova exaltação ou calor142 dos céus.143 A outra mulher que desperta o ardor e a 
adoração da serpente (Kundalinî) é a contraparte feminina do Iniciado, que trazida à 
cena do processo (é exaltada no ardor do Iniciado) equilibra sua natureza interna, 
tornando-o macho-fêmea, ou o andrógino perfeito, Deus-Homem (Deus e Besta) e 
Homem-Deus, que se confunde144 ou se torna o Sacerdote integral, perfeito, e atua 
em todos os globos ou esferas de vida. 
Depois do acontecimento acima, é importante que, o agora Osíris, “realize 
a descida aos infernos”145, onde será julgado pelos seus atos (deverá enfrentar suas 
próprias criações) quando, então, sua tumba (seu corpo) será manchada pelo
140 No caso, estamos tratando de um Aspirante, que procura preservar seus órgãos com um grau de pureza 
adequado aos seus propósitos. No caso do homem de hábitos pouco educados, que cultiva a gula e o uso de 
drogas (alcoolismo, estupefacientes, etc), o fígado (o Mar Vermelho que traga os asseclas de “Faraó” ou Set – 
ver Êxodo, 14, 21 a 29), o grande depurador das toxinas internas do corpo humano, deixa de funcionar a 
contento e as escórias Qliphóticas chegam até o átrio e o ventrículo direito do coração, criando, para o ser 
humano, sérios problemas cármicos. 
141 Hrumachis é, também, o Hórus de cabeça dupla, uma das quais sustenta a justiça e a verdade (o bem) e, a 
outra, a iniquidade (o mal). (ver pág. 192 do Livro dos Mortos - Editora Pensamento). 
142 Febre. 
143 Este acontecimento é semelhante ao que veremos na Estela da Revelação, relacionado à Ankh-af-na-
Khonsu, aquele que matou a si mesmo e tornou-se um novo Profeta. 
144 Confunde-se, identifica-se, torna-se um, se integra. 
145 Esta passagem consta do “Credo Católico” com as seguintes palavras:...desceu aos infernos e no terceiro 
dias ressuscitou dos mortos, tendo depois subido aos céus, onde está sentado à direita de Deus Pai 
Todo Poderoso, de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos”. Tudo isto, em verdade se referia a 
Iniciação realizada pelos egípcios, posteriormente como Credo Cristão. 
164 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
domínio das forças caóticas que deverá enfrentar. Durante esse período outro rei 
(Set ou Satã) reinará e o amparo (a benção) superior deixará de ser vertida por 
Deus, o Todo Poderoso, representado pelo místico Senhor de Cabeça de Falcão, 
que é Rá-Harmachis, significando Aquele cuja vida sustenta silenciosamente o Sol. 
A ilustração ao lado, mostra Rá, o Deus 
com cabeça de Falcão, sentado num barco 
que flutua no espaço celeste, sendo 
adorado por um iniciado. Na proa, vê-se o 
deus Heru-pa-krat (Harpócrates) com um 
dedo sobre a boca, em sinal de silêncio (o 
silêncio que precisa ser realizado sobre os 
ruídos internos de todos os seres 
humanos). 
35. A metade da palavra de Heru-ra-há, chamado Hoor-pa-kraat e Ra-Hoor-
Khut.
Comentário: Este versículo parece finalizar o anterior, o que não seria 
difícil de perceber ao compreendermos que a metáfora “a metade da palavra de 
Heru-ra-há” é, nada mais do que o meio de Heru-ra-há, ou seja Rá, o deus com 
cabeça de falcão, o Sol, que é também Heru-pa-krat, o Sol reproduzido em baixo e 
Ra-Hoor-Khuit, o sustentador do sol no coração, ou Hórus. Esta compreensão é 
importante para o Iniciado, sempre conscientizado de que existe uma só vida; de 
que ele é essa vida e o todo existente é essa vida. 
165 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
 
36. Então o profeta disse ao Deus: 
 
37. Eu te adoro na canção — 146 
 
Eu Sou o Senhor de Tebas e o inspirado predicador de Mentu; 
Para mim desvela-se o céu oculto. 
O matador de si mesmo Ankh-af-na-khonsu, 
Cujas palavras são verdade. 
Eu Invoco, Saúdo Tua Presença, ó Ra-Hoor-Khuit! 
 
Unidade evidenciada ao infinito! 
(Eu) Adoro o poder de Teu Alento, Deus Supremo e Terrível, 
Que fazes tremer diante de Ti os Deuses e a morte: 
Eu, Eu Te venero! 
 
Aparece no trono de Rá! 
Abre os caminhos do Khu! 
Ilumina a senda do Ka! 
Os progressos do Khabs se fazem sentir!147 
Para excitar-me ou apaziguar-me! 
 
Aum! Que isto me sacie.148 
 
38. De forma que Tua luz está em mim; sua chama rubra é como uma 
espada em minha mão para cumprir tua ordem. Há uma porta secreta 
que Eu farei para estabelecer teu caminho em todos os quadrantes, 
(estas são as adorações, conforme tu escreveste), como é dito:149 
 
A luz é minha; seus raios me consomem: 
Criei uma passagem secreta para a Casa de Rá e Tum, 
De Khephra e de Ahathoor. 
Eu Sou teu Tebano, Ó Mentu, 
O Profeta Ankh-af-na-Khonsu! 
Por Bes-na-Maut bato no peito; 
 
Pelo sábio Ta-nech teço meu encantamento 
Mostra teu resplendor estelar. Ó Nuit! 
Convida-me para em tua Casa morar150, 
Ó serpente alada de luz, Hadit! 
Habita comigo, Ra-Hoor-Khuit! 
146 As palavras, mantras e o comentário dos versículos 37, 38 e 39 encontram-se no Capítulo “Paráfrase da Estela da 
Revelação”, neste livro. 
147 A palavra inglesa “Ways” desta oração foi traduzida como avanços, progressos e “run through” (= ler ou examinar 
rapidamente, passar os olhos por; passar por, atravessar; experimentar; desperdiçar, malbaratar; estar presente em; fazer-se 
sentir ou notar em, dominar e também atravessar com uma espada) foi traduzida como se fazem sentir por melhor se 
adaptarem ao sentido da oração.” Esta posição do Autor está relacionada à compreensão do hieróglifo “Khabs”, (casa, veículo, 
corpo, etc.) já comentado no versículo 8 do 1o. Capítulo, deste livro. 
148 A expressão inglesa “Let it fill me!” também poderia ser traduzida como: Que isto me baste! que isto me satisfaça!, Que isto 
me colme, que isto e envolva etc. 
149 Ainda é Ankh-af-na-Khonsu, ou seja, o Iniciado, que fala, deixando claro sua iluminação interna os poderes conquistados. 
Chamamos a atenção, apenas, para o ênfase dado para demonstrar que a porta secreta para instaurar a passagem de Ra-
Hoor-Khuit na totalidade de sua consciência (em todos os quadrantes) sejam os Rituais (estas são as adorações como 
escrevestes) contidos no Líber Legis. Estes, realmente, abrem passagem para os diversos planos conscienciais que o 
Aspirante necessita. 
150 A frase em inglês “Bid me within thine House to dwell” significa a solicitação de Ankh-af-na-Khonsu, o conquistador da 
morte, para que Hadit, o Morador do Coração, o convide para habitar em seu plano de vida, considerado como a Pátria da Luz 
pelos antigos egípcios. Esta solicitação era feita em forma de ritual, onde “Aquele que vive na Verdade” (neste caso Ankh-af-
na-Khonsu), apelava por seu direito de não mais reencarnar nos mundos inferiores, como é o caso do nascimento no planeta 
Terra. 
 166 
 
 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
Comentário: Os versículos 36, 37 e 38 são cânticos entoados pelo Osíris-
Triunfante, o Iniciado que se auto-iluminou, aqui representado por Ankh-af-na-
Khonsu. No “Livro dos Mortos Egípcio”, estes cânticos revelavam, inclusive, todo o 
enfrentamento que o Iniciado fazia, lutando contra as forças caóticas existentes em si 
e os mantras e conjuros de que se servia para sair triunfante dessa luta, travada 
sempre sob a égide da Divina Presença EU Sou, no Líber Legis denominado Hadit, 
Ra-Hoor-Khuit, Heru-ra-ra, etc., sempre de acordo com o nível de consciência no 
qual a Iniciação interna se procedia. 
Como o versículo está formado pela maioria do texto parafraseado da 
Estela da Revelação, remetemos a atenção do leitor para o “Comentário” do mesmo, 
onde encontrará a análise dos mantras envolvidos e esclarecimentos sobre as 
instruções ali existentes, que devem ser aprendidas eapreendidas e, ainda, 
colocadas no lugar onde fica o Altar dos Perfumes (Tiphareth), ou seja, no coração, 
conforme a recomendação do versículo 10 do capítulo que está sendo comentado. 
39. Tudo isto e um livro para dizer como fizeste para chegar aqui e uma
reprodução disto em tinta e papel para sempre — pois nisto está a
palavra secreta e não somente em inglês — e teu comentário sobre
este Livro da Lei será primorosamente impresso em tinta vermelho e
preta, sobre belo papel feito à mão; e a cada homem e mulher que
encontrares, seja apenas para jantar ou com eles beber, esta é a Lei a
dar. Então, talvez, eles decidirão permanecer ou não nesta felicidade;
isto não importa. Faze isto rapidamente!
Comentário: Aiwass dirige-se a Crowley para que escreva um livro 
contando os detalhes de como fez para chegar até à feitura do Líber Legis e a 
necessidade da preservação (para sempre) das instruções nele contidas. 
Recomenda que estas não ficassem restritas somente ao idioma inglês; que 
chegassem a cada homem e cada mulher, em todas as partes do globo, a fim de 
que eles próprios decidissem sobre as mesmas. Sugere, também, a Crowley que 
comente o livro e que seu trabalho seja posteriormente impresso em papel feito a 
mão (papiro?) com tinta vermelha e preta. No final, deixa claro a urgência das 
providências que devem ser tomadas por Crowley para que tudo se cumpra 
rapidamente. 
Disto tudo resultou a tradução do Líber Legis em vários idiomas, inclusive 
em português e o Livro intitulado “The Law is for All” (“A lei é para Todos”, ainda não 
traduzido para o nosso idioma), onde estão claros os ideais de Crowley no 
167 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
sentido de que o Líber Legis jamais se torne uma obra de privilegiados; que o maior 
número de pessoas se inteirem de seu conteúdo, principalmente pela importância 
das lições para a Nova Era, quando os rituais deverão ressurgir em toda a sua 
grandeza esplendor, integrando o homem em sua realidade maior. 
Esta promessa está contida no versículo anterior. Cabe aos que 
compreenderam, os primeiros passos para que assim seja. 
40. Mas o trabalho do comentário? Isto é fácil; e Hadit ardendo em teu
coração, fará célere e segura a tua pena.
Comentário: Sobre os comentários que deveriam ser feitos sobre o Líber 
Legis, explicando sua linguagem inusitada, mas providencial para interiorizar a 
compreensão do Aspirante, Hadit, a Divindade que existe em cada homem, deixa 
claro que estaria presente nos pensamentos e no coração de Crowley, de forma que 
não ficassem dúvidas sobre os ensinamentos do Livro. 
De nossa parte, podemos garantir que, em nosso esforço para realizar 
estes comentários para o Povo Suplicante, ou seja, aqueles que não pertencem a 
qualquer Ordem iniciática, porém estão ávidos da oportunidade de penetrarem nos 
Arcanos da Sabedoria Antiga, recebemos essa ajuda, pois, muito do que pudemos 
perceber, extrapolou nossa atual percepção. Acreditamos que outros, mais 
capacitados, poderão e deverão corrigir nosso trabalho, naquilo que for necessário, 
sem que se passem outros 93 anos. 
41. Estabelece em tua Kaaba uma sacristia: 151 tudo deve ser bem feito e
com curso normal152.
Comentário: Kaaba é a Pedra Negra, abrigada no Templo Sagrado do 
Islamismo, situado na cidade santa de Meca; ela é objeto de adoração para todos os 
muçulmanos. 
Diz a lenda que, quando foi descida do céu, essa pedra era branca como 
a neve, porém tornou-se negra por causa dos pecados do mundo. 
151 Traduzimos clerk-house como sacristia (vestry) por falta de um melhor termo na língua portuguesa, pois está 
mais para “local onde se abriga o sacerdote, clérigo” do que escritório (office). Isto fica ainda mais claro quando, 
depois de consultado o manuscrito do Líber Legis vemos que, inicialmente, Crowley escreveu clerkship 
(profissão de escriturário, copista, etc) e depois riscou ship e substituiu por –house, ficando clerk-house. 
152 Traduzimos a expressão “Way business” como “curso normal”, ou seja, dentro de um desenvolvimento 
natural. Outras traduções para esta expressão inglesa são também respeitáveis. 
168 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
Tornar-se-á novamente branca quando os homens se emanciparem de seus erros e 
se voltarem para Deus. 
Como sabemos que a pedra 153 sempre representou o símbolo oculto das 
energias sexuais em todas as religiões do mundo, o fato dos maometanos também 
terem uma pedra negra como objeto de devoção, nos leva a considerar que este 
conhecimento também sempre pertenceu aos seus profitentes, nem sempre bem 
compreendidos pelas culturas cristãs, se considerarmos que o Issa do Corão é o 
mesmo Jesus da Cristianismo. 
Neste versículo há uma orientação para que o Sacerdote, agora 
Iluminado pela Luz do Cristo Interno, providencie, em seu interior (Kaaba) um lugar 
adequado as suas práticas, obedecendo às instruções recebidas, tudo dentro do 
curso ou progresso normal de suas atividades externas, a fim de que se mantenha 
ligado ao Templo Interno. 
42. Tu mesmo supervisionarás os ordálios; poupa apenas os cegos 154.
Não recuses ninguém, porém conhecerás e destruirás os traidores. EU
SOU Ra-Hoor-Khuit; e EU SOU poderoso para proteger meu servidor.
Sucesso é tua prova; não argumentes; não convertas; não fales
demasiado! Aqueles que buscam enganar-te, destruir-te, esses ataca
sem piedade ou trégua; destrói-os totalmente. Célere como uma
serpente pisada, vira e dá o bote! Sê tu ainda mais mortífero que ele!
Arrasta para baixo suas almas 155 a fim de sofrerem tormentos
horríveis: ri do medo deles; cospe sobre eles!
Comentário: A fala é de Ra-Hoor-Khuit para Ankh-af-na-Khonsu; informa-
o sobre provas iniciáticas ainda a serem vivenciadas, porém, agora, sob a 
supervisão daquele que se tornou Sol por si mesmo. No desenrolar das mesmas, 
deve encontrar várias espécies de inteligências atômicas elementais, porém deve 
poupar somente aquelas que, embora ainda não estejam identificadas com seu 
propósito de transformar seu cosmo em luz, não abriguem maldade, embora tenham 
sido anteriormente escravizadas por Set (Satã, Saturno, o provador dos homens); 
153 A pedra é, também, o símbolo perfeito da Divindade. Maomé, que conquistou sua iluminação interna e, 
portanto a sabedoria de seu coração conhecia o valor simbólico da Kaaba (sua cor Negra representa Akasha, 
Nuit, etc, a Divina Mãe, que tem em seu seio a Divina Criança, o fogo elétrico que sempre se materializa pela 
colisão de dois pedaços de pedra (chispa) e representa o espermatozóide luminoso que dá existência a matéria 
física (Eu Sou a Vida e o doador da vida (AL cap. 2 vers. 6). 
154 Em inglês “Blind” = o que não tem luz, cego, ignorante, etc. 
155 Estas frases caracterizam a punição dos anjos rebeldes, muito sugestiva na narração da página 402 do livro 
“A CHAVE DOS GRANDES MISTÉRIOS”, de Eliphas Levi – Editora Pensamento. 
169 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
no futuro, poderão transformar-se em trabalhadores da luz. 156 É advertido para não 
recusar nenhuma dessas inteligências, porém aquelas que não aderirem aos seus 
propósitos, devem ser totalmente destruídas. 
Em seguida, Ra-Hoor-Khuit testifica sua Presença e seu poder de 
proteção. 
Deixa claro que o sucesso, ou seja, a aquisição dos poderes divinos 
e o bom uso que deles se faça é a grande prova do Iniciado. 
Acrescenta que a paz que adquirirá no Silêncio, é fundamental dentro do 
processo. Suas criações elementais inferiores, servidoras de Set, que tudo farão 
para enganá-lo,157 deverão ser destruídas totalmente e sem piedade; não poderão 
mais permanecer no corpo-cosmo do Iniciado por não mais fazerem parte de sua 
realidade espiritual. 
As recomendações continuam, a fim de que o agora Iniciado não seja 
enganadopor aquele (e seus servidores) que, na ponte, 158 tudo fará para derrubar 
e enganar o já iluminado. É preciso que seja firme e tenha consciência de que seus 
inimigos nada representam como vidas divinas; deve, portanto, tripudiar e rir de suas 
artimanhas, que, em verdade, no passado, foram urdidas pela sua própria 
ignorância. Agora, devem ser eliminadas sem pena. 
Os termos do versículo, que parecem fortes para os que ainda não se 
precatam das realidades internas, são importantes e têm o objetivo de fazer o 
Iniciado compreender que essas inteligências elementais não têm existência 
própria, não fazem parte da Criação Divina e são, portanto, excrescências criadas 
por ele mesmo e devem ser banidas por interferirem no Plano de Deus, em seu 
cosmo particular. Porém que tenha cuidado, pois elas se valerão, inclusive de suas 
conquistas superiores para enganá-lo e mantê-lo aprisionado nas regiões 
156 No livro “OS DEUSES ATÔMICOS” aparecem sob a denominação de Átomos Informantes. Aproveitamos 
para recomendar a leitura deste livro, que já pode ser “baixado” de nosso Blog 
(http://revelandoosmisteriosdooculto.blogspot.com.br).
157 Esta passagem é conhecida como a Tentação de Cristo (Mt. 4, 1 a 11, Marcos 1, 12 e 13 e Lucas 4, 1 a 13). 
É interessante observar em Marcos as palavras: ...estava com as feras, mas os anjos o serviam. O deserto é a 
região do baixo ventre, onde se encontram as imundícies humanas. 
158 A ponte fica na região do deserto, na ligação do único chacra do corpo sutil do homem que, num único talo, 
tem dois lotos: um com 6 pétalas, reino de Set e o outro com 8 pétalas, onde reina o Iniciador do Aspirante que 
está devidamente preparado. Não nos podemos alongar sobre o assunto, mas os pesquisadores sinceros 
poderão visualizar na gravura ANATOMIE OCULTTI, na região que corresponde a Yesod, na Antecâmara e 
Casa de Poder, duas figuras: uma negra, com os braços apontando para baixo e outra branca, com os braços 
apontando para cima. O chacra que corresponde a essa região é um só, porém por fora tem 6 pétalas e, por 
dentro, 8 pétalas. O número de pétalas de cada um está de acordo com tudo o que o Líber Legis e nossos 
comentários dizem. 
Por analogia, podemos deduzir que, na garganta (Daath = o Abismo), semelhantemente, ocorre o mesmo fato, 
relacionado aos chacras da tireóides (de poder) e da paratireóides (vital). 
170 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
inferiores, solicitando piedade, apelando para o amor em seu coração e outros 
recursos menos dignos. Daí a necessidade de firmeza e compreender que bom é o 
Pai que está no Céu; não se deve apiedar e cumprir seu trabalho. 
43. Que a Mulher Escarlate se acautele! Se piedade e compaixão e ternura
visitarem seu coração; se ela deixar meu trabalho para divertir-se com
velhas meiguices; então minha vingança será conhecida. Eu me
matarei sua criança: Eu alienarei 159 seu coração: Eu a expelirei dos
homens: como uma prostituta acuada e desprezada ela rastejará por
úmidas e escuras ruas e morrerá gelada e faminta.
Comentário: A Mulher Escarlate (Babalon ou a Babilônia do 
Apocalipse),160 é a personificação da natureza física (o corpo carnal) do 
Conquistador da Consciência Crística, denominado, no Líber Legis, como Ankh-af-
na-Khonsu, o vencedor de suas limitações. Portanto, o versículo começa ensinando 
que a natureza física (a Mulher Escarlate) seja controlada; se ela deixar-se levar 
pelos prazeres e emoções, esquecendo-se de que é apenas o Templo da Divindade, 
para se entregar as frivolidades e aos velhos hábitos, então sofrerá de doenças e 
desequilíbrios inenarráveis (“minha vingança será conhecida”): não terá condições 
de se integrar no divino e perderá até mesmo aqueles valores superiores que lhe 
permitem a expressão, tanto da beleza física como a participação numa vida social: 
nascerá numa próxima encarnação, ostentando, apenas, as vidas atômicas 
inferiores que lhe são próprias. 
A expressão: “Eu me matarei sua criança” significa que a própria Criança 
Divina, gerada no coração humano, se anulará, deixando que a animalidade 
grosseira prevaleça e seu coração (ou seja, sua condição de abrigar o homem 
divino) será destruído até que, como uma Madalena arrependida, volte a cortejar 
novamente o Cristo, em seu coração. Não é difícil compreender que a Madalena do 
Evangelho está relacionada a esta última figuração e representa, em ocultismo, a 
humanidade arrependida, a prostituta (a humanidade) em busca de 
159 Alienarei, no sentido de destruir. 
160 Para compreender este versículo é imprescindível a leitura do Apocalipse sob seu ângulo real, ou seja, 
cabalístico, entendendo que todo o processo iniciático ali contido está relacionado ao cosmo interno do homem e 
não como o leigo costuma ler, julgando tratar-se da profecia do fim dos tempos. No Capítulo 17 (A descrição da 
grande meretriz), nos versículos 4 e 5 está claramente escrito: “... Achava-se a mulher vestida de púrpura e 
escarlate, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante 
de abominações e com as imundícias da prostituição. Na sua fronte achava-se escrito um nome, mistério: 
Babilônia (Babalon), a grande mãe das meretrizes e das abominações da Terra”. 
171 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
sua regeneração. A expressão, me matarei é correta, pois a Criança Divina e Ra-
Hoor-Khuit fazem parte de uma única realidade e uma só pessoa. 
44. Mas que ela se erga em dignidade161! Que ela me siga em meu
caminho!Que ela labore a obra da maldade! Que ela mate seu coração!
Que ela seja barulhenta e adúltera! Que ela seja coberta com jóias e
ricos vestuários e que seja desavergonhada diante de todos os
homens.
Comentário: Mas que a natureza física (carnal) seja preparada e exaltada. 
Que ela acompanhe os propósitos da Criança em seu coração e não permita que 
sua fraqueza162 prejudique o que é espiritual (se fosse possível). Que ela abdique 
(mate) de seus anseios materiais; que ela seja viva (barulhenta) e ilícita (adúltera), 
ou seja, contrária a lei e se torne forte, já que a carne é fraca.163 
Que se cubra de jóias e ricos vestuários e que seja desavergonhada 
diante de todos os homens é uma metáfora que significa: que a matéria carnal 
cultive a beleza, que é o ápice do progresso material e se apresente sem modéstia, 
sem vergonha perante a consciência humana, pois ela tem valor fundamental em 
suas conquistas. 
45. Então Eu a erguerei aos pináculos do poder! Então eu engendrarei nela
uma criança mais poderosa do que todos os reis da terra. Eu a encherei
de alegria: com minha força, ela verá e golpeará a adoração de Nu: ela
chegará a Hadit.
Comentário: Este versículo é o corolário do entendimento correto do 
versículo anterior. Se a natureza carnal (Babalon, a mulher Escarlate) seguir 
docilmente o caminho de cooperação com Ra-Hoor-Khuit, a Trindade manifestada 
no homem, ela será erguida ao pináculo de sua glória, transformando-se da 
condição trevosa (trevas) para a condição luminosa (luz). Ai, então, permitirá 
161 A tradução de “Pride” foi feita dentro do pensamento contido no versículo 43. “Pride” pode ser orgulho, 
soberba, vaidade, insolência, mas encerra também o sentido de altivez, brio, dignidade, ufania, etc.. A análise 
dos versículos do Líber Legis jamais se exaurirá, porquanto a riqueza de suas metáforas pode nos levar ao 
infinito em termos de compreensão das palavras e pensamentos nele contidos. 
162 “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. 
(Mt., 26.41) 
163 O corpo material do ser humano é formado de um universo de consciências animais (átomos, moléculas, 
células e órgãos), nos mais variados estágios de evolução, procurando a vida independentemente da 
consciência egóica superior do homem. Enquantoa vida para este é mental e espiritual, para aquelas o que 
importa, na maioria dos casos, é o grosseiro e aquilo que proporcione o sentido de vida: o tátil, as sensações e o 
que preserve suas vidas é o que tende a prevalecer, daí a razão dos vícios do álcool, cigarro, etc. que, de certo 
forma, conflitam com a Vontade do verdadeiro homem. 
172 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
que seja engendrada em seu seio a Divina Criança (Hórus), mais poderosa do que 
todos os reis da terra. 
Quando isto acontecer, ou seja, a parte material do corpo físico do 
Iniciado (sua natureza carnal), dá nascimento à Divina Criança ficando saturada da 
alegria de Ra-Hoor-Khuit (a matéria vibra em outra dimensão) e, neste novo estado 
vibratório, fortalecida pelo poder superior, a matéria passa a rechaçar as vibrações 
mais deletérias, provenientes do atendimento que fazia das requisições de sua parte 
inferior (a adoração que se faz da matéria (NU). 
Daí em diante, passa a lutar contra o que é inferior e se torna vitoriosa. 
Então, identifica-se com os propósitos da Criança em seu coração e alcança sua 
integração espiritual: transubstancia-se! 
46. EU SOU o Senhor Guerreiro dos Quarenta: os Oitenta se encolhem
amedrontados diante de mim e são rebaixados. Eu vos conduzirei à
vitória e alegria: Estarei em vossos braços na batalha e vos deleitareis
em matar. Sucesso é vossa prova; coragem é vossa armadura; avançai,
avançai, em minha força e não recuareis por nada!
Comentário: O número quarenta é o número da espera, da preparação da 
provação, do castigo, mas também, da consumação das coisas. Na Bíblia, marca 
uma série de passagens importantes como: 
1) Os quarenta anos em que o povo de Israel comeu do maná no deserto
(Ex. 16. 35);
2) Os quarenta dias e quarenta noites em que Moisés se “isolou” no Monte
Sinai; (Êx. 24. 18)
3) Os quarenta anos de condenação dados aos filhos de Israel, aos quais
não foi permitida a entrada na Terra da promissão (Números, 14.33);
4) Os quarenta açoites a serem infligidos nos culpados (Deuteronômio,
25.3);
5) Os quarenta dias em que Jesus foi tentado, no deserto, por Satanás,
etc., etc..
Em nossa apreciação pessoal sobre este versículo, porém, os Quarenta 
representam o domínio, o mando de Ra-Hoor-Khuit (a Trindade no homem) sobre 
todas as formas de consciência representadas pelas 10 Sephiroth nos 4 planos 
conscienciais: Assiah, Yetzirah, Briah e Atziluth, ou seja, a plena manifestação da 
luz. Quando afirma que “os Oitenta se encolhem amedrontados diante de mim”
173 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
inclui o “outro lado”, o reino da manifestação Qliphótica com todas as suas formas 
de manifestação caótica, a plena manifestação das trevas. 
Em seguida, Ra-Hoor-Khuit reafirma-se presente como o condutor do 
Iniciado à vitória (Netzach) e para a alegria (Tiphareth). Afirma ser a força dos 
braços do Aspirante na batalha que estará travando (suas armas) e que ele se deve 
deleitar em destruir toda a criação caótica Elemental que tentar impedir seu deleite 
(alegria). 
A prova do Iniciado é sucesso, ou seja, o fato dele ter chegado onde 
atualmente se encontra, exterminando todas as escórias de sua manifestação é a 
prova de seu sucesso, de que é um vencedor, em suas andanças pelos caminhos 
de aprimoramento moral, necessários ao verdadeiro Aspirante. 
A vontade firme nascida de valores morais inabaláveis é a armadura 
(Aura prateada formada de Átomos do plano mental superior) na qual se protege. É 
incitado a avançar sempre, apoiado nas forcas de seu coração; agindo assim, nunca 
recuará, seja qual for a empreitada a que se submeta. 
47. Este livro será traduzido para todas as línguas: mas sempre com o
original na escrita da Besta; pois na forma ao acaso das letras e suas
posições com relação uma às outras: nestas existem mistérios que
nenhuma Besta adivinhará. Que não procure tentar, mas virá um após
ele, de onde EU não digo que descobrirá a Chave para tudo isto. Então
esta linha traçada é uma chave: então este círculo enquadrado em sua
falha é uma chave também. E Abrahadabra. Será sua criança e isso
estranhamente. Que não busque depois disto; pois assim sozinho pode
esmorecer disto.
Comentário: Parece que este versículo é a continuação das 
recomendações relativas ao Líber Legis que implicam: 
a) Traduzir o Líber Legis para todos os idiomas, sempre mantendo,
também, o original manuscrito por Crowley; 
b) Confirmação de que a escrita é metafórica e cabalística, conforme já
explicamos e demonstramos no princípio deste estudo; que Crowley não 
perdesse tempo procurando tentar compreender a totalidade das chaves 
encerradas no Livro, pois ele não conseguiria (será que não conseguiu?), 
porém viria alguém após ele (sua origem na época era um segredo) que 
descobriria a chave de tudo (AL) e nada buscasse depois disto. Os 
estudiosos da obra de Crowley consideram que esta pessoa foi seu 
174 
O LIVRO DA LEI PARA O POVO SUPLICANTE 
filho, Mestre Achad (um Iniciado, portanto uma criança), que teria 
chegado à conclusão sobre o mantra AL (1+30=31), que significa Deus e, 
multiplicado por 3, daria 93, o número de Thelema em grego. AL Designa 
o Todo Poderoso, o Desenvolvimento da Unidade, do Princípio, sua
difusão no espaço e no tempo. 
No próprio texto do versículo, de forma sutil, estaria esta chave, quando 
Três formas enquadradas do nome da divindade inscrita no círculo: ALLH, INRI e IEVE. 
é dito “então esta linha traçada é uma chave: então este círculo enquadrado em sua 
falha é também uma chave”, pois a linha traçada são as próprias palavras utilizadas 
e o círculo enquadrado é exatamente o Nome Divino, colocado no círculo de sua 
manifestação, sempre formado por quatro letras (ALLH, IEVE, AGLA, ADNI, ZEUS, 
etc.). Como nome da Divindade, acrescenta, também, o de Abrahadabra, que já 
comentamos anteriormente. 
Finalizando, é interessante observar que nos versículos 34, 35 e 36 
também existem recomendações sobre medidas a serem tomadas sobre o livro e há 
como uma constante repetição sobre as recomendações de algumas chaves dadas 
e que são repetidas nos três capítulos do Livro. Provavelmente, trazem mais 
informações além das que pudemos perceber, daí considerarmos imprescindível que 
este trabalho de exegese continue sem interrupção. 
48. Agora este mistério das letras está concluído e EU quero prosseguir
para o lugar mais santo.
Comentário: Depreende-se que tudo aquilo que estava envolto através do 
Notarikon, da Gematria e da Temurah ficou dito; Ra-Hoor-Khuit retira-se para o 
Lugar mais Santo que corresponde à Câmara do Rei ou chacra Ajna. Este versículo 
revela Ra-Hoor-Khuit como o próprio Rei Salomão, o Pai que está nos céus da 
175 
TERCEIRO CAPÍTULO DO LIVRO DA LEI COMENTADO 
Igreja Cristã e o construtor dos mundos (corpos de manifestação). Ali, no Salão 
Central, ele reina plenamente, tendo acima dele somente sua Coroa (Kether). 
49. EU SOU numa quádrupla palavra secreta, a blasfêmia contra todos os
deuses dos homens.
Comentário: Crowley considera que a quádrupla palavra secreta é: “Faze 
o que tu queres” (Do what thou wilt) e não deixa de ter razão se considerarmos que
estas palavras encerram uma verdadeira revolução em todo conceito, moderno e 
antigo, de religião, igualando a criatura (o homem) ao criador (Deus) e revelando a 
necessidade daquele assumir suas responsabilidades como tal. O homem que 
conhece a verdade sobre si mesmo deixa de ser escravo e liberta-se de todo o jugo 
religioso, o que de certa forma é uma blasfêmia contra todas as religiões hoje 
existentes na face da terra. Diz ainda Crowley que estas palavras são secretas 
porque o significado das mesmas para cada homem é seu próprio segredo íntimo, o 
que

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