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Integração Regional para os Construtivistas
A integração regional para os construtivistas é ocasionada pela junção de agentes com interesses, consciência e laços comuns, que formam as estruturas normativas. Nesse sentido, as instituições internacionais mais duradouras vão se basear em entendimentos coletivos, que determinam uma identidade regional, formada pelo compartilhamento de experiências e construção de valores comuns. O próprio caso europeu é representante dessa constate construção social via interação dos atores. Há uma constante reconstrução de identidades dentro desse bloco. A partir dessa integração há uma alteração de lealdade e expectativa para um novo centro com caráter supranacional. 
Referências
ADLER, Emanuel. "O Construtivismo no Estudo das Relações Internacionais" in Lua Nova, n.47. São Paulo: CEDEC, 1999. (p. 201 - 246).
 
Construtivismo e Integração Regional
A teoria construtivista busca elencar novas varáveis aos estudos das relações internacionais. No que concerne o seu uso em análises sobre integração regional, podemos citar seu enfoque nas questões relacionadas a construção de ideias e identidades. Ao contrário das teorias de cunho materialista, como o realismo, os construtivistas acreditam que a realidade é uma construção conjunta entre o material e a percepção humana. A partir dessa relação, estabelece-se toda organização social construída pelo homem.
            Neste sentido, os construtivistas fazem uma ponte entre os teóricos racionalistas/materialistas, que priorizam o material sobre o intersubjetivo, e os pós-estruturalistas ou interpretativistas, que acreditam ser os discursos e as ideias as construtoras da realidade material. Para os construtivistas, há um meio termo entre ambos os lados, no qual ambos se correlacionam.
            Um dos pressupostos levantados pelos construtivistas se relaciona com a questão das ideias nas relações internacionais. As identidades e interesses dentro do sistema internacional são originadas de uma construção social, ou seja, há uma interação entre diversos indivíduos e sociedades que leva a formatação dos papeis dentro do contexto internacional. Nas palavras de Emanuel Adler (1999, p. 208-209).
Embora aceitem a noção de que há um mundo real, acreditam, no entanto, que ele não é inteiramente determinado pela realidade física e é socialmente emergente. Mais importante, acreditam que as identidades, os interesses e o comportamento dos agentes políticos são socialmente construídos por significados, interpretações e pressupostos coletivos sobre o mundo.
            Outros pressupostos construtivistas estão relacionados a importância das identidades e comportamentos dos agentes; a ação humana gerada a partir de motivações individuais e coletivas; a importância dada a intersubjetividade nas ações, dado interesses compartilhados, crenças e valores; por fim, ênfase nas estruturas normativas e materiais na construção da identidade. 
            Através desses pressupostos, os construtivistas vão concluir que: 1) as estruturas normativas são tão importantes quanto os materiais. 2) estruturas não materiais devem ser consideradas para a formação dos interesses. 3) interesses dos atores depende da formação de identidades (formada pelas normas, valores e ideias do meio social em que agem os atores). 
As teorias funcionalistas e neofuncionalista e suas contribuições para o estudo da integração regional
            Abaixo segue uma reportagem que utiliza as teorias funcionalista e neofuncionalista, principalmente as neofuncionalistas para entender o processo de integração africano.
O “spillover social” africano e o seu processo de integração regional, por Henrique Sartori de Almeida Prado
Desde as manifestações ocorridas no início do ano, na região do Magrebe, a África tem estado em evidência, tanto na mídia, como na política. Não é novidade a notícia de que aproximadamente trinta Estados africanos1 vivem uma tênue relação com a liberdade e a democracia. Contudo, por motivos econômicos e políticos, algumas distorções com relação a esses dois valores são toleradas no plano internacional.
Vale fazer uma avaliação sobre os atuais acontecimentos e o processo de integração vigente na África. A efervescência que começou na Tunísia e que vem se espalhando no continente africano está carregada de esperança e acontecimentos que podem ser decisivos e que, transformarão a ordem política e social na região do Magrebe.
As transformações políticas decorrentes das manifestações populares na Tunísia, no Egito e agora com mais intensidade na Líbia, estão provocando mudanças circunstanciais na ordem política interna desses Estados, todavia, esses acontecimentos tendem a derramar por todo o norte da África e até mesmo, no continente asiático, uma nova postura por parte dos governantes.
Esse processo de mudança poderá atingir as iniciativas de integração regional no continente africano, pois, em alguns casos, essas iniciativas têm sucumbido às instabilidades políticas internas e às guerras de fronteira, ficando a democracia reduzida a uma formalidade sem significado real (BASTOS, 2008, p. 298).
Atualmente a África possui cinco iniciativas integrativas (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental; Comunidade econômica dos Países da África Central; Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral; Mercado Comum da África Oriental e Austral e União do Magrebe Árabe). A União Africana, por sua vez, de acordo com o seu ato constitutivo, possui por atribuição dentro do processo de integração regional africano, a promoção e consolidação da unidade do continente; o fomento da união, da solidariedade e da coesão; a busca pela eliminação do flagelo dos conflitos; habilitar a África a fazer face aos desenvolvimentos políticos, econômicos e sociais da ordem internacional; promover as instituições democráticas, a participação popular e a boa governança; dentre outros.2
A União Africana, fruto do novo consenso diplomático regional, representa, atualmente, um ambicioso projeto, talvez o mais decisivo passo na eficaz institucionalização política da África, desde o término do acelerado processo libertário ocorrido naquela região, após a Segunda Guerra Mundial (NADER, 2008, p. 222).
Nesse aspecto, a agitação política e social no continente africano e o seu processo de integração regional parecem caminhar para uma convergência. Tanto o apelo popular dos países anteriormente citados, quanto as iniciativas integrativas, possuem por objetivo criar uma nova onda de sentido de valores e interesses.
Como o processo de integração regional, que, na visão do neofuncionalista Ernest Haas, caminha para um efeito de spillover (uma espécie de um ‘derramamento’ de funções que o processo de integração produz), os acontecimentos sociais e políticos iniciados neste ano na África, naturalmente e de forma positiva estão repercutindo e se espalhando como um efeito de “pedra no lago”.
As manifestações pela democracia e pela liberdade na África têm despertado a sociedade e com isso, intensificando a interação desses valores e interesses por mudanças nas instituições africanas, onde, a sociedade, tem visto que a integração das ações políticas produz mais benefícios do que custos.
O momento que a África vive, é um exemplo prático de um “spillover social”. Onde as vontades de mudanças institucionais, a luta pela liberdade política e a real manifestação democrática estão sendo derramadas pelo continente.
A democracia permite que diferentes setores da sociedade possam participar, possibilitando o aprofundamento do processo integracionista, bem como sua manutenção e aumento de sua influência. Assim, podemos dizer que o processo de integração africana, tende a se transformar com as mudanças em curso na África, bem como podemos dizer, que a liberdade é um dos pontos cruciais para que a democracia de fato possa ser aplicada.
Esse momento caracteriza muito bem o regionalismo multidimensional vivido atualmente. Esse regionalismo lida, com um número maior de políticasdo que o antigo modelo, balizado no comércio (LANGENHOVE & COSTEA, 2004, p. 251). A nova postura integrativa é determinada pelas mudanças que a globalização trouxe e um exemplo prático dessa mudança está no uso da internet e de redes sociais como meio eficaz de comunicação e divulgação, principalmente quando utilizada para chamar a atenção da comunidade internacional, como o caso em questão.
A África caminha olhando para frente, não está mais à margem do desenvolvimento. Alguns países africanos têm crescido consideravelmente nos últimos anos3. O fluxo de investimentos externos diretos e a presença de empresas transnacionais no continente têm justificado esse crescimento (SARAIVA, 2008, p. 92).
O que ocorre atualmente é o reflexo da vontade de transformação. A necessidade de desconstruir um ambiente político que oprime as liberdades e que patrocina a separação do indivíduo de seus direito, já não cabe mais. Nesse contexto, segundo Huntington (1991, p. 315), a expansão da democracia é seguida por fatores ligados ao desenvolvimento econômico e pela liderança política. Assim, o crescimento econômico da região e as crescentes manifestações em prol da democratização, fazem emergir um novo momento, uma nova onda na África, que por sua vez, serão construídas a partir de novas referências políticas e sociais que irão, num curto momento, influenciar positivamente seu processo de integração.
Referências
O “spillover social” africano e o seu processo de integração regional. Mundorama. 01 mar 2011. 
Disponível em < http://mundorama.net/2011/03/01/o-%E2%80%9Cspillover-social%E2%80%9D-africano-e-o-seu-processo-de-integracao-regional-por-henrique-sartori-de-almeida-prado/ >. Acesso em 04 abril 2013.
O Neofuncionalismo
                       Para Ernest Haas, um dos principais teóricos do neofuncionalismo, a integração já se inicia por questões além das técnicas, ou seja, questões politicas e econômicas podem desencadear o processo de integração. Assim, há quatro motivações principais para integração sendo a promoção da segurança comum, a obtenção do desenvolvimento econômico e bem-estar social, o interesse de uma nação mais forte controlar os seus aliados menores e a vontade comum de se unificar as sociedades.
            Haas aponta que a integração ocorre a partir de um núcleo central que avançaria ao aprofundamento da integração criando instituições supranacionais. Com um aprofundamento da integração tem-se a mobilização de outros atores as sociedades interessadas na cooperação.
            Assim, Haas traz o conceito do spill over que através de um núcleo funcional provoca estímulos à integração de novos atores e setores no processo. Então, para que haja sucesso da integração tem de haver um compromisso ideológico que gera um compartilhamento de interesses, valores e sociedades, com isso há a transferência gradual de lealdades dos atores domésticos para uma Organização Internacional e com isso tem-se uma expectativa de ganhos.
            A supranacionalidade, nesse sentindo, é a consequência do aprofundamento da integração e do spill over, uma vez que em um primeiro momento tem-se uma integração restrita, que depois gera novas questões que traz um aprofundamento da integração por meio do spill over que gera por fim a supranacionalidade, onde os interesses regionais se tornam mais importantes que os nacionais. A supranacionalidade se configura como sendo uma garantia da irreversibilidade da integração e traz um novo centro de fidelidade.
Referências
HAAS, Ernst B. International Integration: The European and the Universal Process. International Organization, 15, p.366-392, 1961.
A Teoria Funcionalista
             A teoria funcionalista, segundo David Mitrany, propõe que o processo de integração regional deve ocorrer pelo compartilhamento da soberania com funções que seriam exercidas conjuntamente. Assim, há uma transferência de soberania para as instituições internacionais que são dirigidas por elites técnicas.
            Para o autor, a complexidade das relações entre os Estados gera problemas de natureza técnica e não política. Por isso, afirma que a politica deve ser retirada par dar espaço para que a burocracia técnica possa realizar seu trabalho. A integração é, portanto, resultado da busca comum entre os Estados em resolver seus problemas técnicos. 
            Assim, o contexto que favorece a integração é crescimento dos problemas técnicos que não podem ser resolvidos nacionalmente e que são comuns entre os Estados regionais, daí vem a necessidade de cooperação e da atuação de especialistas que gera uma coalizão entre as burocracias similares.
            Mitrany aponta que inicialmente a cooperação ocorre entre burocracias similares entre os Estados, mas não em nível estatal e isso gera um efeito positivo que levaria a proliferação para outros campos, dentro deles o econômico e o politico.
            A partir disso, Mitrany desenvolve a Doutrina da Ramificação que se dá pela colaboração funcional num setor que é resultante de uma necessidade que pode gerar a necessidade de colaboração funcional em outros setores. Então, a cooperação no campo técnico pode levar a um avanço na cooperação que pode promover a unificação econômica, que ao fim levaria a uma unificação política entre os Estados e isso estabeleceria a paz no sistema internacional.
Referências
MITRANY, David. “A paz por meio da cooperação e da integração” in BRAILLARD, Philippe. Teoria das Relações Internacionais. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1990.
Integração regional para o Intergovernamentalismo Liberal
Para essa teoria, a integração regional segue dois estágios. Primeiramente, os governos definem seus interesses através das disputas internas. O resultado será a linha guia da ação do Estado no ambiente internacional, no qual ele se relacionará com outros Estados que passaram pelo mesmo processo interno. A negociação interestatal colocará as vontades e interesses desses atores, que iniciarão a segunda etapa, composta de séries de negociações e barganhas. 
            A questão da interdependência torna-se chave nesse processo, uma vez que possibilita maiores incentivos a cooperação pelos Estados, dado a maior redução de custos. Nesse sentido, a cooperação é mais vantajosa que a não cooperação.
            O foco, portanto, do intergovernamentalismo liberal será a formação das preferencias nacionais, os processos de barganha interestatal e a coordenação política entre os Estados no processo de integração. As instituições supranacionais fortalecerão o poder dos governos, na medida em que possibilita maior eficiência na barganha interestatal e eleva autonomia dos líderes políticos frente aos grupos domésticos. 
O Intergovernamentalismo Liberal
O intergovernamentalismo liberal percebe o Estado como um ator racional, e suas preferencias são determinados tanto por pressões domésticas quanto externas. Nesse sentido, o ambiente doméstico do Estado é formado por disputas tanto de caráter endógeno, ou seja, dentro da burocracia estatal (aparelho do Estado), quanto exógeno, via grupos sociais organizados, academia, empresas, etc. A pressão exercida por internamente, portanto, se relaciona com as pressões advindas do sistema internacional, moldando dessa forma, interesses dos Estados. 
Intergovernamentalismo e a UNASUL
          Como exemplo de um processo de integração regional que possui forte caráter intergovernamentalista podemos citar a União das Nações Sul-americanas, a Unasul. O Brasil teve forte influencia e peso no processo de constituição do bloco, tentando aprofundar as relações regionais, a fim de garantir maior estabilidade regional, tanto advindos de problemas locais quanto de ameaças externas a região. 
            Segundo notícia retirado do G1 no período em que estava sendo assinado o tratado de criação da Unasul no ano de 2008, os países buscavam um aprofundamento das relações no subcontinente. Afirma ainda que “Segundo o Itamaraty, os objetivos da Unasul são ‘o fortalecimentodo diálogo político entre os Estados membros e o aprofundamento da integração regional”’. Neste sentido, a própria negociação já indicava o caráter intergovernamental que a organização assumiria. 
A declaração do ex-presidente equatoriano Rodrigo Borja, cotado para assumir o posto de secretário geral, já denunciava o pouco interesse dos Estados em criar um aparato institucional supranacional forte. “Borja criticou a lentidão para criar a instituição [Secretária Geral] e principalmente o que ele interpreta como a falta de poder que ela terá. ‘O que se vai aprovar amanhã é mais um foro do que uma instituição orgânica’, disse ele”.
            Neste sentido, sua declaração reverbera na situação atual da Unasul, descrita nos estudos de Sandra Borda (2012), na qual a autora destaca que a “La Secretaría General no es una identidad supranacional en capacidad de practicar ningún tipo de enforcement y com un nivel de delegación de poder y autoridad por parte de los estados muy reducido.”. 
            O baixo poder da Secretária Geral se contrapõe ao forte caráter presidencialista que marca o bloco, na medida em que “El Consejo de Jefes y Jefas de Estado y de Gobierno es el ‘órgano máximo’ de la UNASUR (Tratado 2008, Art. 6) y su funcionamiento, por tanto, es el resultado de compromisos menos estateles y más personalistas.”
            É demonstrada, portanto, o pouco interesse dos países em criar aparatos mais profundos de integração, de modo que a organização depende fortemente da vontade política de cada Estado. Desta maneira, não se pode afirmar que o bloco se afasta da lógica intergovernamental.
Referências
 BORDA, Sandra. Desafíos y oportunidades de la Unión de Naciones Suramericanas, Documento CRIES 18, 2012.
Com Unasul, América do Sul tenta aprofundar integração. G1, 23 maio 2008. Disponível em: <http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL533679-5602,00.html>. Acesso em: 05 abril 2013.
Quadro Resumo das Teorias de Integração Regional
	TEORIA
	PRESSUPOSTOS
	IMPACTOS PARA INTEGRAÇÃO
	NEOREALISMO
	- Foco nas configurações externas de poder 
- Há competição entre os Estados, devido a anarquia, balança de poder, dentre outros.
-Paradigma Estadocêntrica. Assim, a preocupação central dessa teoria está em compreender as pressões do poder político e da concorrência econômica.
- Considera o papel da hegemonia como importante para o debate.
	- A integração é vista como a formação de alianças entres os estados.
- A integração é uma resposta aos desafios externos. 
- Não se discute questões internas.
- É considerado o padrão intergovernamental.
- Não há compartilhamento de soberania.
- Integração é um instrumento de barganha.
- A integração seria uma tentativa de restringir o poder hegemônico por meio das instituições regionais. ‘
- Há uma tendência dos Estados mais fracos em buscarem acomodação regional com o poder hegemônico.
- Declínio da Hegemonia pode pressionar o poder hegemônico a cria instituições que legitimem suas políticas.
	INTER
GOVERNAMENTALISMO
	- É Estadocêntrico.
- Ênfase na formação de preferências.
-Possui foco na barganha interestatal.
- Os Estados possuem comportamento racional dos Estados.
- Formação das preferências pela pressão doméstica.
- Na negociação Interestatal a barganha converge para o mínimo denominador comum.
O interesse é que seja comum, não discutindo diferenças.
	- São formas mais eficientes para estimular a integração que se dá pela redução dos custos.
- A integração representa uma série de barganhas entre os Estados.
- A integração busca convergência das preferencias (menor denominador comum).
- A decisão pela integração é tomada de acordo com os custos e benefícios do processo.
- A cooperação somente ocorre quando há redução nos custos das transações.
- A integração não provoca alterações na soberania e nos interesses dos Estados. Sendo assim, não há compartilhamento de soberania ou criação de interesse comum.
- O processo de integração não gera perda de soberania, mas sim aumenta seu poder.
	FUNCIONALISMO
	- David Mitrany apresenta a questão de "Como aproximar os Estados de forma pacífica?"
- Defesa do compartilhamento de soberania pela transferência dessa soberania para instituições internacionais que são administradas por elites técnicas.
-O foco se dá no debate de questões não políticas inicialmente, mas sim de questões técnicas.
- A doutrina da ramificação é a colaboração funcional em um setor resultante de uma necessidade que gerará uma necessidade de colaboração funcional em outros setores.
	- Os processos de integração geram um cenário pacifico por meio da transferência de soberania.
- Integração com a construção de instituições com trabalhadores especializados/técnicos.
- Bons resultados levam a Proliferação da Cooperação para outros campos por meio do efeito da ramificação. Que poderá levar à integração econômica e politica.   
	NEOFUNCIONALISMO
	- Possui foco no papel dos partidos políticos, grupo de interesse, elites, governos e burocracias.
- Possui ênfase no efeito da integração para outros setores.
- Há a transferência de lealdade e expectativas para um novo centro.
- Para essa teoria a integração inicia via interesses para além dos técnicos.
- Spill Over como um núcleo funcional com capacidade de provocar outros estímulos a integração com adesão de novos atores e setores
	- A integração avança a partir de um núcleo central.
- A integração começa com uma burocracia especializada que gera spill over para a sociedade
- Leva a formação de burocracia com caráter supranacional.
- A integração representa a transferência de lealdades para um novo centro – uma Organização Internacional.
- Há o estabelecimento de interesses regionais.
- A consequência dessa processo é a garantia da irreversibilidade da integração, uma vez que os interesses regionais ficam acima dos interesses individuais.
Referências
HERZ, Monica; HOFFMAN, Andrea Ribeiro. Organizações Internacionais. São Paulo: Ed. Elsevier. Integração Regional, p.167-213.
HAAS, Ernst. The Study of regional integration: reflections on the Joy and Anguish of pretherorizing. International Organization, vol. 24, Issue 04, September 1970, p.606-646. 
HAAS, Ernst B. International Integration: The European and the Universal Process. International Organization, 15, p.366-392, 1961.
MITRANY, David. “The Funcionalist Alternative” in WILLIAMS, P.; GOLDSTEIN, D.M. e SHAFRITZ, J. M. (eds.) Classic readings of international relations. NewYork: Hartcourt Brace College Publishers, 1994
.
MITRANY, David. “A paz por meio da cooperação e da integração” in BRAILLARD, Philippe. Teoria das Relações Internacionais. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1990.
MILNER, Helen V.; Mansfield, Edward D. The New Wave of Regionalism. International Organization, V01. 53, No. 3. (Summer, 1999), pp. 589-627. 
Moravcsik, Andrew. Taking Preferences Seriously: A Liberal Theory of International Politics. International Organization 51, 4, Autumn 1997, pp. 513–53. Disponível em: <http://www.princeton.edu/~amoravcs/library/preferences.pdf> Ultimo acesso: 05/04/2013. 
Quadro Resumo dos Pressupostos Funcionalista e Neofuncionalista
	TEORIA FUNCIONALISTA
	TEORIA NEOFUNCIONALISTA
	Tenta resolver a questão de como manter a paz na Europa e de como aproximar os Estados de forma pacifica
	Foco no papel dos governos, dos partidos políticos, dos grupos de interesses e das elites.
	Rompimento com a concepção tradicional de soberania - Defende o compartilhamento de soberania
	Transferência de lealdades e expectativas para um novo centro.
	Defende a transferência da soberania para uma instituição internacional administradas por elites técnicas
	Defende a supranacionalidade como um fator que garante a irreversibilidade do processo de integração
	Dois contextos que favorecem a integração: a) crescimento dos problemas técnicos que não são resolvidos nacionalmente; b) proliferação da cooperação para além das questões técnicas. 
	Quatromotivações para cooperar: a) promoção da segurança comum; b) obtenção do desenvolvimento econômico e bem estar-social; c) interesse de uma nação mais forte controlar seus aliados menores; d) vontade comum de unificar as sociedades.
	Possui foco nas questões não políticas
	Ênfase no efeito da integração para outros setores
	Traz a Doutrina da Ramificação como uma colaboração funcional em um setor resultante de uma necessidade que gerará a necessidade de colaboração funcional em outros setores.
	Traz o spill over como um núcleo funcional com capacidade de provocar estímulos a integração com adesão de novos atores e setores
ETAPA 4 - Os Principais Pressupostos da Teoria Funcionalista e Neofuncionalista 
As teorias funcionalistas e neofuncionalistas são teorias pensadas especificamente para ajudar na compreensão dos processos de integração regional. David Mitrany é um dos principais teóricos do funcionalismo e traz importantes contribuições para o debate.
            Mitrany traz em seus pressupostos a preocupação da manutenção da paz na Europa. Para ele, a paz viria através da integração regional por meio de um compartilhamento de soberania. Ao apresentar essa proposta, Mitrany rompe com a tradicional concepção de autoridade em um território definido, ou seja, rompe com a tradicional soberania e propõe um compartilhamento da soberania através de funções que seriam exercidas conjuntamente.
            Desse modo, no lugar das coalizões interestatais, o foco para a resolução de problemas comuns passa para as burocracias regionais, por meio de uma transferência gradual de autoridade para instituições internacionais dirigidas por elites técnicas.
            Segundo Mitrany, são dois momentos que favorecem a integração. O primeiro momento se dá na coalizão entre burocracias similares, devido a uma necessidade de cooperação advinda de um crescimento dos problemas técnicos que não são resolvidos nacionalmente.
            Esses problemas técnicos gera a integração das instituições internacionais que possuem atuação de especialistas técnicos, e isso traz bons resultados, segundo o autor. Nesse ponto se dá o segundo momento que favorece a integração, uma vez que os bons resultados dessa integração geram a proliferação da cooperação para outros campos alem das questões técnicas, como economia, política, social. Com isso Mitrany desenvolveu a Doutrina da Ramificação.
            A Doutrina da Ramificação de Mitrany se dá pela colaboração funcional num setor que é resultante de uma necessidade que pode gerar a necessidade de colaboração funcional em outros setores. Então, a cooperação no campo técnico pode levar a um avanço na cooperação que pode promover a unificação econômica, que ao fim levaria a uma unificação política entre os Estados e isso estabeleceria a paz no sistema internacional.
            Ernest Haas, teórico do neofuncionalismo, utiliza dessa lógica proposta por Mitrany da Doutrina da Ramificação para desenvolver seus pressupostos. Mas Haas critica Mitrany no sentido de que para ele outros autores deveriam ser considerados no processo de integração como os governos, os partidos políticos, os grupos internos e as elites. 
Dessa forma, Haas define o processo de integração como sendo o processo no qual os atores políticos nacionais são persuadidos a transferir suas lealdades expectativas e atividades políticas para um novo centro com instituições que ultrapassam os Estados.
Para esse autor há quatro motivações para a integração, sendo a promoção da segurança comum, a obtenção do desenvolvimento econômico e bem-estar social, interesse de uma nação mais forte controlar seus aliados menores e, vantagem comum de unificar as sociedades.
Então, para a integração ocorrer em um primeiro momento não precisa necessariamente ter uma motivação econômica, pode começar com interesses políticos como na União Europeia. Assim, a cooperação parte de um núcleo central  que influencia atores relevantes como governos, elites políticas e burocracia que avançaria o aprofundamento da integração que traria a criação de instituições supranacionais.
Com isso Haas traz a concepção de spill over onde a integração se aprofunda e mobiliza outros atores na sociedade interessados na cooperação. Assim, o spill over parte de um núcleo funcional que provoca estímulos a integração que gera a adesão de novos atores e setores para a integração, sendo que não são questões técnicas (como afirma Mitrany), mas demandas políticas comuns que influenciam no processo.
Assim, para o sucesso da integração tem de haver um compromisso ideológico para que haja transferência gradual de lealdades dos atores domésticos para uma organização internacional, com a finalidade de se obter uma supranacionalidade, que seria então uma conseqüência do aprofundamento da integração e dos efeitos do spill over. Com isso, em um primeiro momento tem-se uma integração mais restrita, para depois surgir novas questões. Em um segundo momento, tem-se o aprofundamento da integração em decorrência dos efeitos do spill over, para que em um terceiro momento 
Quadro Resumo da Teoria Intergovernamentalista
	INTERGOVERNAMENTALISMO
	O intergovernamentalismo não é uma teoria de integração, mas sim uma perspectiva histórica e estática que explica a influencia dos interesses dos Estados no processo de integração.
	Para esta teoria, a formação das preferências se dá por meio das pressões domésticas e externas.
	O foco está na barganha interestatal, que converge para o menor denominador comum, o que torna, assim, a agenda de negociações positiva.
	Dessa forma, a busca pela convergência de preferências e as barganhas entre os Estados faz com que eles busquem a integração.
	A decisão pela integração é tomada de acordo com os custos benefícios, assim, a cooperação ocorre, geralmente, quando se tem uma redução nos custos das transações.
	O processo de integração na acarreta em uma mudança nos interesses dos Estados e nesse sentido a integração fortalece o interesse individual dos mesmos.
Referências
Moravcsik, Andrew. Taking Preferences Seriously: A Liberal Theory of International Politics. International Organization 51, 4, Autumn 1997, pp. 513–53. Disponível em: <http://www.princeton.edu/~amoravcs/library/preferences.pdf> Ultimo acesso: 05/04/2013. 
ETAPA 3 - Intergovernamentalismo Liberal: principais argumentos e pressupostos segundo Andrew Moravcsik.
Segundo Andrew Moravcsik o foco para compreender a integração regional deve ser o estudo da formação das preferências nacionais, barganhas e da coordenação política entre os Estados. A partir disso, Moravcsik contesta diversos pontos das teorias funcionalistas e neofuncionalistas. 
            Dessa forma, Moravcsik uma das críticas é referente a questão de que o neofuncionalismo, de certa maneira, faz uma previsão do aprofundamento da integração, o que não ocorre na realidade. Para ele, o processo do spill over não é total, ocorre apenas em certos setores e a autonomia e influência das instituições supranacionais não crescem da forma esperada. Além do fato de ser uma teoria que foca muito no caso da União Europeia e perde em poder de generalização, sendo que o avanço da União Europeia se deu pela barganha entre os Estados e não pelas instituições supranacionais. 
            Com isso Moravcsik propõe o intergovernamentalismo liberal, onde o foco da integração está na formação das preferencias nacionais, barganhas e da coordenação política dos Estados. São três elementos principais do intergovernamentalismo liberal, sendo o comportamento racional dos Estados, onde estes avaliam os custos e os benefícios da integração; os Estados possuem interesses e objetivos nacionais variáveis conforme as pressões internas; os Estados barganham já com seus interesses definidos.
            O segundo elemento é a questão da formação da preferência nacional, onde os Estados identificam as vantagens de uma coordenação política, após suas prioridades serem determinadas pelos grupos domésticos.E por fim, o elemento da negociação interestatal, onde as diferenças são relativizadas pela maximização de interesses, com isso há a criação de uma agenda positiva, onde são discutidos temas de interesse comum, deixando temas controversos de fora, sendo o papel das instituições o de minimizar o interesse nacional e egoísta e maximizar os ganhos individuais absolutos visando a distribuição de benefícios para maior parte dos membros.
            Segundo Moravcsik, os Estados são os principais atores, bem como os grupos nacionais, sendo que o principal motivo que leva a integração é o interesse econômico com liberalização dos mercados e a harmonização das politicas.
            Para o autor, as instituições supranacionais fortalecem o poder do governo devido a dois fatores, primeiro porque gera maior eficiência da barganha interestatal, e segundo pelo fato de que eleva a autonomia dos líderes políticos nacionais frente aos grupos domésticos.  
ETAPA 5 - O Intergovernamentalismo
O intergovernamentalismo é um aparato teórico auxilia nos estudos dos processos de integração regional. Neste sentido, toma como base vários dos pressupostos (neo)realistas como:
a.       Foco nas configurações externas de poder (dinâmica de competição pelo poder.)
b.      Competição entre os Estados (anarquia, balança de poder).
c.       Paradigma Estadocentrico.
d.      Autoajuda
e.       Teoria sistêmica – estrutura constrange comportamento do Estado.
Outros elementos levantados por essa teoria correspondem a:
a)      Comportamento racional dos Estados
b)      Formação das preferências do Estado sofre pressão doméstica 
c)      Negociação Interestatal é definida pela barganha que tende para o mínimo denominador comum. 
Neste sentido, a teoria intergovernamentalista, afirma que os processos de integração dependerão da capacidade de redução dos custos que tal processo pode favorecer aos Estados. A barganha interestatal torna-se fator decisivo na condução do processo, dado que através das negociações, os Estados visam elevar ganhos e reduzir custos. Os custos e benefícios observados pelos Estados determinarão sua disposição a avançar no processo. 
Outro ponto levantado pelos intergovernamentalistas se relaciona a questão da soberania e dos interesses dos Estados. Para esses autores, a integração não provoca alterações nessas variáveis; não há compartilhamento de soberania ou criação de interesses comuns. A integração, em vez de reduzi, ela aumenta a soberania do Estado, na medida em que fortalece seu poder, via os ganhos trazidos pela integração. 
Integração Regional e os Pressupostos Neorrealistas
Com a maior integração mundial trazido pelos avanços tecnológicos de transportes e telecomunicações, as relações internacionais tornaram-se mais ágeis e com alcance cada vez maior. Neste sentido, eventos pontuais em determinadas regiões tem a capacidade de se irradiar e atingir, se não toda, quase a totalidade das regiões do planeta.
Neste sentido, as teorias sistêmicas possuem em comum o entendimento que no mundo contemporâneo, não há regiões inteiramente autossuficientes e imunes a pressões externas. Vão sublinhar, portanto, a importância de estruturas politicas e econômicas mais abrangentes, nas quais os processos de regionalização estarão embutidos, e o impacto das pressões sobre a região. 
Dentro desse grupo, Hurrel destaca duas teorias: a teoria neorrealista; e a teoria da interdependência estrutural e da globalização. Nosso enfoque aqui, será dado a primeira teoria. 
A cooperação regional pareceu gerar sérios desafios ao realismo. O aparecimento de “ilhas de paz e cooperação” (HURREL, 1995, p. 31) em um mundo dominado pela lógica anárquica e de sobrevivência, gerava dissonância com as expectativas realistas. 
No entanto, apesar das predições realistas, houve de fato um desenvolvimento de processos ligados a integração regional. Esforços dos teóricos para entender o processo levaram a percepção de que a regionalização podia ser inserida em um contexto próximo das alianças. Desta maneira, para entender o regionalismo e o surgimento de alinhamentos regionais, deve-se observar a posição que a região ocupa dentro do sistema internacional. Neste sentido, a formação de blocos ditos de interesse econômico, não são desvinculados das questões políticas e geopolíticas; não há “diferença essencial entre os regionalismos econômico e político”.
A partir dessa constatação, os realistas afirmam que processos de integração, como da União Europeia, não são irracionais como parecem a primeira vista. Dado que a Europa fora palco de dois conflitos mundiais, nos quais os próprios países europeus e suas divergências foram as principais causadoras, o processo de integração entre esses países se torna contra intuitiva. No entanto, os realistas vão afirmar que a região não escapa das pressões externas da estrutura do sistema, na medida que com o fim da II Guerra Mundial e a ascensão da guerra fria com dois grandes blocos opositores, se tornou necessário a maior aproximação dos países europeus para fazer frente a essas novas ameaças, em especial a União Soviética.
            Apesar das explicações realistas, Hurrel levanta que há problemas. Segundo ele, o neo-realismo pouco diz sobre as características da cooperação regional depois que ela fora estabelecida, e sobre o modo como os hábitos de cooperação mantidas podem se desenvolver em estruturas institucionais diversas das ideias tradicionais de coalizão, alianças, ou de organizações internacionais. Pouco contribui também em relação ao impactos dos fatores internos no processo.
Referências
HURRELL, Andrew. O ressurgimento do Regionalismo na Política Mundial. Contexto Internacional, Rio de Janeiro, vol.17,n.1, jan/jun 95,p.23-59
MATTLI, Walter. The logic of regional integration: Europe and beyond. Cambridge: Cambridge University Press, 1999
Tabela de pressupostos neorrealista
 
	Teoria
	Pressupostos
	Neorrealista
	Sistema Internacional anárquico
Paradigma Estadocêntrico
Foco em configurações externas de poder
Balança de Poder
Autoajuda
Etapa 2 - Teoria realista das Relações Internacionais 
O tema do regionalismo na politica mundial é discutido por Andrew Hurrel (1995), no qual ele destaca que o processo de regionalização pode ser estudado a partir de variadas matrizes teóricas, das quais ele divide em três grandes grupos. O primeiro nível é o sistêmico; o segundo é o nível do regionalismo e interdependência; por fim, o terceiro corresponde ao nível interno. Buscaremos focar basicamente no primeiro nível, ou seja, de caráter sistêmico, mais especificamente, com relação a teoria neorrealista. 
Segundo a lógica do realismo e de suas variantes neorrealistas, os constrangimentos da estrutura do sistema internacional anárquico inibem uma cooperação efetiva, quiçá a aceitação de perda de soberania pelos Estados, na medida em que a preocupação com a sobrevivência se torna a principal logica motriz da ação do Estado. Neste sentido, a cessão, mesmo que parcial, da soberania dos Estados rumo a uma integração regional, deveria ser de curta duração, na medida em que os Estados estariam focados na extração máxima dos benefícios ao menor custo, aliado ainda a observação dos ganhos relativos. Segundo a lógica realista, um processo de cooperação seguiria uma lógica estritamente de pragmática de ganhos e perdas, sendo, portanto, uma cooperação que leve a uma integração aprofundada e duradoura, difícil de ser abarcado pela visão realista.
Mattli é outro autor que discute as teorias relacionadas ao processo de integração, no qual elenca três principais: a teoria funcionalista, a neofuncionalista, e a intergovernamentalista. 
O intergovernamentalismo é a teoria que segue os pressupostos realistas, de modo que considera a lógica anárquica e de poder como linhas guia para ação do Estado, que é o principal ator dentro das relações internacionais. Tais pressupostos impactam no estudo da integração regional.
Desta maneira, da mesma forma descrito por Hurrel,o intergovernamentalismo replica a lógica do Estado soberano que visa maximização do poder para garantia de sua segurança. A lógica que perpassa os processos de cooperação e integração regional são intergovernamentais, ou seja, há pouco ou nenhum interesse dos Estados em ceder parcelas de sua soberania para um órgão supranacional. A integração visa objetivos restritos e não amplos, na medida em que a expectativa de ganhos e perdas em ambiente anárquico e competitivo, gera incentivos constantes a se buscar a auto-ajuda, ou seja, a autossuficiência. 
Mattli vai criticar o intergovernamentalismo dado seu foco demasiado na barganha interestatal, o que deixa de fora processos de integração mais avançados. Outra crítica se relaciona com a tendência a considerar o Estado de forma estática, ou seja, impede a percepção de alteração no processo de integração dada não apenas pela alteração do contexto externo, mas também pela alteração da preferencia do Estado.
União Econômica
Belassa destaca que a quarta fase representa o maior nível de integração econômica. Na união econômica há a concentração dos elementos dos três primeiros processos, aliado a harmonização de politicas fiscais e monetárias, além da criação de uma moeda comum. 
A União Europeia alcançou a união econômica, estabelecendo instituições supranacionais que regulam as ações macroeconômicas do bloco, além da criação de uma moeda comum, o euro. Neste sentido, a Europa vivencia o estado mais avançado no processo de integração regional, não sendo, entretanto, livre de complicações.
A crise econômica que se inicia nos Estados Unidos em fins de 2007 atinge fortemente a Europa que se vê diante de sucessivas crises associados a problemas fiscais de seus membros. Os elevados gastos públicos e a elevação da dívida de países como Grécia, Portugal, Espanha e Itália, geraram grandes desconfianças para os investidores, levando a fuga de capitais e necessidade de amplo resgate financeiro via instituições do bloco. 
Bibliografia
BENTO, Vitor. Como salvar o que resta da União Europeia. Económico, 27 março 2013. Disponível em: < http://economico.sapo.pt/noticias/como-salvar-o-que-resta-da-uniao-europeia_165442.html>. Acesso em: 03 abril 2013.
Mercado Comum
A terceira fase representa o estabelecimento de um mercado comum. Nesta etapa, acumula-se a eliminação das barreiras alfandegárias entre os membros, a criação da tarifa externa comum, adicionando a livre circulação de forças produtivas e mão de obra. 
O caso mais avançado de aplicação de um mercado comum atualmente é a União Europeia, na qual a livre circulação de forças produtivas e mão de obra se encontram efetivadas. Neste sentido, o bloco possui grande fluidez, dando maior profundidade ao processo de regionalização. 
No entanto, a crise econômica que assola a região desde 2008, prejudica os esforços do bloco na medida em que cresce a insatisfação gerada pelo crescimento do desemprego e maiores fluxos migratórios. 
Atualmente o bloco europeu passar por serias complicações dado que o processo de integração avançou para além do mercado comum, atingindo o quarto nível proposto por Belassa, mas que discutiremos em postagem posterior.
Bibliografia
BENTO, Vitor. Como salvar o que resta da União Europeia. Económico, 27 março 2013. Disponível em: < http://economico.sapo.pt/noticias/como-salvar-o-que-resta-da-uniao-europeia_165442.html>. Acesso em: 03 abril 2013.
União Aduaneira
A união aduaneira representa a segunda fase do processo descrito por Belassa. Neste sentido, o avanço para fase seguinte requer o cumprimento do processo anterior. Assim, na união aduaneira, além de estabelecido a zona de livre comércio, busca-se negociações para a criação da TEC (tarifa externa comum). 
A TEC representa uma maior integração entre os países, na medida em que é estabelecido uma tarifa externa comum a todos os membros do bloco, de modo que as negociações comerciais com outros países deverão ser normalizadas por tal tarifa. 
O Mercosul tem como objetivo fim a consolidação de um mercado comum, que representa a terceira etapa segundo Belassa. No entanto, o bloco ainda permanece em uma união aduaneira incompleta. Ou seja, ainda há dificuldades para os membros atingirem consenso com relação ao estabelecimento de uma TEC consensual e que respeite o interesse dos membros. 
A dificuldade reside no fato de que há sérios problemas estruturais e institucionais dentro do bloco. As assimetrias econômicas e produtivas dos países membros levam a uma série de desavenças e levantamento de barreiras ao comércio. Além disso, criam-se varias exceções a TEC, limitando sua efetividade. Nas palavras de Clóvis Rossi (2012) “Por enquanto, o bloco está na fase de união aduaneira, mas com tantos furos que mais parece desunião.”
Bibliografia
ROSSI, Clóvis. Venezuela e o problema Mercosul. Folha Online, São Paulo, 31 julho 2012. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/57780-venezuela-e-o-problema-mercosul.shtml>. Acesso em: 03 abril 2013.
Béla Belassa e as quatro fases da integração
O economista húngaro Béla Belassa discute o tema da integração regional no cenário econômico, destacando quatro fases de desenvolvimento que leva ao aprofundamento da regionalização. Desta maneira, o processo seguiria a seguinte ordem: formação de uma zona de livre comércio, criação de uma união aduaneira, estabelecimento de um mercado comum, por fim, estabelecendo uma união econômica.
Neste tópico, discutiremos a primeira fase, relativa à zona de livre comércio. Durante esta etapa, estabelece-se a redução ou eliminação das barreiras alfandegarias entre os membros do bloco. O beneficio dessa ação está ligado à intensificação do comércio intra-regional, podendo ser benéfica para todos os membros quando há maiores complementariedades produtivas. Neste sentido, o bloco do Mercosul, sofre grandes problemas dado que boa parte da matriz industrial dos países são concorrentes e não complementares, o que dificulta avanços e cria atritos entre os países. 
Já em relação a outros processos, existe uma forte tendência dos Estados Unidos em aumentar suas relações bilaterais com países latino-americanos, dado o fracasso do ALCA. Desta maneira, a criação de acordos bilaterais de livre comércio tornarem-se a principal ferramenta de Washington para ampliar acesso a mercados externos, causando desconforto aos membros do Mercosul. 
Em 2011 foi aprovado pelo congresso americano tratados de livre comércio com a Coreia do Sul, Panamá e Colômbia. Esperava-se que com a redução ou eliminação de tarifas em diversos setores como de commodities a produtos manufaturados, os Estados Unidos elevem suas exportações em cerca de US$ 13 bilhões por ano, além de incentivar a criação de empregos no país. 
Bibliografia
Congresso dos EUA aprova três acordos de livre-comércio. Folha Online, São Paulo, 13 out. 2011. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1310201107.htm>. Acesso em 03 abril 2013.
Integração Regional
Segundo Milner e Masnfield (1999), os processos de integração regional podem ser observados já no século XIX, tendo a Europa como cenário. Neste sentido, diversos outros autores vão buscar analisar as principais características da regionalização e seus objetivos. 
Em geral, percebe-se que a regionalização possui dois formatos básicos, segundo Hoffman e Hirst: o regionalismo aberto e o fechado. O primeiro se relaciona com os movimentos integracionistas a partir de 1970/80 até a atualidade, no sentido em que é permeado por uma lógica instrumental. Deste modo, a integração busca melhorar a inserção dos países no bloco na economia internacional. Já o segundo modelo, foi seguindo até a década de 1970, em geral, tendo como objetivo a promoção do desenvolvimento do parque industrial dos países membros, para posteriormente melhorar sua inserção internacional. Neste sentido, segue uma linha de pensamento desenvolvimentista cepalino, no qual o bloco busca proteger os membros deterceiros, enquanto fomenta o desenvolvimento industrial.
A partir dessa divisão, podemos perceber que o movimento de integração regional está muito ligado as questões relacionadas ao desenvolvimento econômico em um ambiente internacional competitivo.
Bibliografia
MILNER, Helen V.; Mansfield, Edward D. The New Wave of Regionalism. International Organization, V01. 53, No. 3. (Summer, 1999), pp. 589-627. (pdf)
HERZ, Monica; HOFFMAN, Andrea Ribeiro. Organizações Internacionais. São Paulo: Ed. Elsevier. Integração Regional, p.167-213.

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