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Glicogênio: Glicogênese e Glicogenólise Sumário 1. Funções e Características 2. Glicogênese 2.1 Generalidades 2.2 Seqüência das Reações 3. Glicogenólise 3.1 Generalidades 3.2 Seqüência das Reações 3.3Ciclo de Cori 4. Controle da glicogênese e glicogenólise 5. Mecanismo de alarme e falso alarme 6. Distúrbios ou deficiências enzimáticas 7. Referências ESTADO ABSORTIVO/ALIMENTADO • Período: 2 a 4hs após a ingesta dos alimentos. • Hormônio regulador: INSULINA • Neste período ocorrem aumentos transitórios das concentrações plasmáticas de glicose, aminoácidos e triglicerídios - aumento dos níveis séricos de insulina - queda dos níveis séricos de glucagon • Período anabólico (síntese de TG, glicogênio e proteínas) • Tecidos usam glicose - ATP • Alterações do metabolismo do fígado, tecido adiposo, músculos e cérebro ESTADO JEJUM Período: duração variável - Jejum inicial: média até 14hs - Jejum prolongado: Acima de 14hs Hormônio regulador: GLUCAGON Jejum ingestão inadequada ou insuficiente de nutrientes ou situações Clínicas Ausência de alimento = baixo nível de aa, glicose e TG no sangue: - aumento dos níveis séricos de glucagon - queda dos níveis séricos de insulina ESTADO JEJUM Período catabólico (degrad. de TG, glicogênio e proteínas) Tecidos usam preferencialmente AG - (exceto cérebro-glicose) Alterações no metabolismo do fígado, tecido adiposo, músculos e cérebro Necessidade de manter os níveis de glicose sangüínea Somente 1/3 proteínas corporais podem ser empregadas para produzir energia sem comprometer funções vitais. PÂNCREAS ( ~70-80% das céls. das Ilhotas) ( ~15-25% das céls. das Ilhotas) Ilhotas de Langerhans ( ~5% das céls. das Ilhotas) ESTADO JEJUM Período catabólico (degrad. de TG, glicogênio e proteínas) Alterações no metabolismo do fígado, tecido adiposo, músculos e cérebro Necessidade de manter os níveis de glicose sangüínea Somente 1/3 proteínas corporais podem ser empregadas para produzir energia sem comprometer funções vitais. GLICOGÊNIO ESTRUTURA: Formam grânulos citoplasmáticos distintos que contêm a maioria das enzimas necessárias para a síntese e degradação do glicogênio O glicogênio é um homopolissacarídeo de cadeia ramificada A ligação glicosídica principal é uma ligação α1→ 4 A cada oito a dez resíduos glicosil, existe uma ramificação contendo uma ligação α1 → 6 GLICOGÊNIO GLICOGÊNIO SÍNTESE: Moléculas de glicose-6-fosfato (G6P) A G6P é convertida a G1P pela fosfoglicomutase, na presença de UTP, que liga-se ao difosfato de uridina (UDP): UDP-glicose, fonte de todos os resíduos glicosil que são adicionados à molécula de glicogênio em formação A UDP-glicose é então sintetizada a partir da G1P e UTP, pela UDP - glicose pirofosforilase O pirofosfato (PPi) (2º produto da reação) é hidrolisado a 2 (Pi) pela pirofosfatase A maior parte da glicose absorvida da alimentação é, em geral, transformada em lactato pelos eritrócitos. O lactato, no fígado, é então convertido em glicose-6-P. Aproximadamente 2/3 da glicose do glicogênio vem da gliconeogênese. Glicoquinase ou hexoquinase Fosfoglicomutase O H O H OH H H HO H CH2OH 1 2 3 4 5 6 HO P O- O -O Glicose-1-P Glicose-6-P O H O H OH H H HO H CH2OH 1 2 3 4 5 6 OH Glicose P O -O O- O H O H OH H H HO H CH2 1 2 3 4 5 6 O O ATP ADP Mg 2+ A glicose-6-P é convertida em glicose 1-fosfato pela fosfoglicomutase. Síntese de glicogênio Fígado Hepatócitos Grânulos de glicogênio UDP-glicose P O H H H H O HO OH CH2 P O O- O O N O HN CH3 O H O H HO OH H H HO H CH2OH 1 2 3 4 5 6 -O Uracil O H H HO OH H H H CH2OH 1 2 3 4 5 6 O H H HO OH H H H CH2OH 1 2 3 4 5 6 O O H H HO OH H H HO H CH2OH 1 2 3 4 5 6 O O Cadeia de glicogênio (n + 1 glicose) + UDP Glicogênio sintase O H H HO OH H H H CH2OH 1 2 3 4 5 6 O H H HO OH H H HO H CH2OH 1 2 3 4 5 6 O O Cadeia de glicogênio (n glicose) Glicogênio amido sacarose Via das pentoses Via glicolítica Glicose Estoque Piruvato Ribose 5-fosfato O O O O O O O O O O O O O O O Síntese de glicogênio Formação do nucleotídeo de açúcar UTP ou ATP UDP-glicose pirofosforila se Glicose-1-P + O H H H H HO OH CH2 N O HN CH3 O- P O O O P P O O- O O- O -O UTP UDP-glicose O H O H O OH H H HO H CH2OH 1 2 3 4 5 6 P O H H H H O HO OH CH2 P O O- O O N O HN CH3 -O Uracil P P O O- O O- O -O O- Pirofosfato (PPi) Pirofosfatase P OH O- O -O 2 2 Fosfato (Pi) O H O H OH H H HO H CH2OH 1 2 3 4 5 6 HO P O- O -O O substrato para a síntese de glicogênio em animais é a UDP- glicose UDP-glicose O H O H HO OH H H HO H CH2OH 1 2 3 4 5 6 P O H H H H O HO OH CH2 P O O- O O N O HN CH3 -O Uracil O H H H H HO OH CH2 N O HN CH3 O- P O O O P P O O- O O- O -O UTP GLICOGÊNESE SÍNTESE: As ramificações da cadeia são sintetizadas pela enzima amilo-(1,4→1,6)-transglicosidase (enzima ramificadora) Transferir uma cadeia de cinco a oito resíduos glicosil da extremidade não-redutora da cadeia linear a outro resíduo da cadeia, ligando-o por uma ligação α1→6 Ambas as cadeias podem ser alongadas pela glicogênio sintase GLICOGÊNESE SÍNTESE: A glicogênio sintase é responsável por catalisar as ligações α1→ 4 no glicogênio Na ausência de iniciador, a proteína glicogenina atua como um receptor de resíduos de glicose: o grupo hidroxila de uma cadeia lateral específica de Tyr serve como sítio, no qual a unidade inicial glicosil é ligada. A reação é catalisada pela sintase iniciadora do glicogênio O alongamento da cadeia envolve a transferência de glicose da UDP-glicose à extremidade não redutora da cadeia em crescimento, formando uma ligação glicosídica UDP-glicose P O H H H H O HO OH CH2 P O O- O O N O HN CH3 O H O H HO OH H H HO H CH2OH 1 2 3 4 5 6 -O Uracil O H H HO OH H H H CH2OH 1 2 3 4 5 6 O H H HO OH H H H CH2OH 1 2 3 4 5 6 O O H H HO OH H H HO H CH2OH 1 2 3 4 5 6 O O Cadeia de glicogênio (n + 1 glicose) + UDP Glicogênio sintase O H H HO OH H H HCH2OH 1 2 3 4 5 6 O H H HO OH H H HO H CH2OH 1 2 3 4 5 6 O O Cadeia de glicogênio (n glicose) Extremidade redutora Carbono 4, extremidade não redutora A glicogênio sintase trasfere resíduos de glicose do UDP-glicose para a OH do C4 em uma das extremidade não redutoras do glicogênio ao primer de glicogênio formando ligações glicosídicas a 1-4 Seqüência de substratos Núcleo primário glicogênio linear glicogênio UDP UDPG UTP ADP ATP Glic1P PPin 2Pin 1 2 3 4 Glicogênese Seqüência de Enzimas 1)UDPG pirofosforilase •2)Glicogênio sintase •3)Amilo-1,4 - 1,6 transglicosidase •4)Pirofosfatase Seqüência de enzimas • UDPG pirofosforilase • Glicogênio sintase • Amilo-1,4 1,6 transglicosidase (enzima de ramificação) • Pirofosfatase Glicogênese A glicogenina inicia a síntese do glicogênio. Na primeira etapa da síntese de glicogênio uma tirosina glicosiltransferase liga um resíduo de glicose ao grupo OH da Tyr 194 da proteína glicogenina. A glicogenina aumenta por autocatálise a cadeia de glicano em até sete resíduos adicionais doados pela UDP-glicose, formando uma primer de glicogênio. Glicogenina GLICOGÊNIO Glicogênio sintase Características Glicogênio sintase b Glicogênio sintase a Inativa Fosforilada Ativa em presença conc. de Glic6P Atividade depende da conc. de Glic6P Ativa Não fosforilada Atividade independe da conc. de Glic6P GLICOGENÓLISE A rota degradativa não é uma reversão das reações sintéticas O produto primário é a G1P, obtida pela hidrólise das ligações glicosídicas α1→ 4 Glicose livre é liberada a partir da ligações α1→ 6 A glicogênio fosforilase cliva as ligações α1→ 4 entre os resíduos glicosil nas extremidades não-redutoras das cadeias de glicogênio por simples fosforólise A fosfotransferase degrada sequencialmente as cadeias de glicogênio em suas extremidades não-redutoras até que restem quatro unidades glicosil em cada cadeia, antes de um ponto de ramificação, resultando em uma dextrina Glicogênio fosforilase GLICOGENÓLISE As ramificações são removidas por duas reações enzimáticas de uma mesma enzima: - A glicosil transferase remove os três resíduos glicosil externos ligados a uma ramificação e transfere-os à extremidade não-redutora de outra cadeia aumentando seu comprimento - A seguir, o resíduo isolado de glicose restante unido por uma ligação α1→ 6 é removido hidroliticamente pela α1→ 6 -glicosidase, liberando glicose livre - Dessa forma, a cadeia está disponível para degradação pela glicogênio fosforilase até 4 unidades glicosil da próxima ramificação GLICOGENÓLISE GLICOGENÓLISE GLICOGENÓLISE Desramificação do glicogênio pela enzima desramificadora GLICOGENÓLISE/Remoção das ramificações A glicogênio sintase e a glicogênio fosforilase respondem aos níveis de metabólitos e necessidades de energia da célula - A síntese de glicogênio é estimulada quando os níveis de energia e disponibilidade de substrato estão elevados - A degradação do glicogênio é aumentada quando os níveis de energia e suprimentos disponíveis de glicose estão baixos - No estado pós-alimentar, a glicogênio sintase é alostericamente ativada pela G6P quando esta está presente em concentração elevada - A glicogênio fosforilase é alostericamente inibida pela G6P, bem como pelo ATP, um sinal de alta energia na célula GLICOGENÓLISE/Regulação A glicogênio sintase e a glicogênio fosforilase respondem aos níveis de metabólitos e necessidades de energia da célula - A síntese de glicogênio é estimulada quando os níveis de energia e disponibilidade de substrato estão elevados - A degradação do glicogênio é aumentada quando os níveis de energia e suprimentos disponíveis de glicose estão baixos No estado pós-alimentar, a glicogênio sintase é alostericamente ativada pela G6P quando esta está presente em concentração elevada A glicogênio fosforilase é alostericamente inibida pela G6P, bem como pelo ATP, um sinal de alta energia na célula GLICOGENÓLISE/GLICOGÊNESE [ ] g lic o g ê n io h e p á ti c o 8hs. 12hs. 16hs. 20hs. 4hs. 8hs. Almoço Janta café da manhã G lic o s e u ti liz a d a (g /h ) Glicose ingerida Glicogenólise hepática gliconeogênese 0 8 16 24 2 dias 20 dias (TEMPO EM JEJUM) GLICONEOGÊNESE Síntese de glicose a partir de diferentes substratos Rota essencialmente de JEJUM 90% Hepática, 10% renal Produz Glicose para ser lançada a circulação Mantém a glicemia em níveis mínimos normais IMPORTANTE: Qualquer substrato da via gliconeogênica deve ter no mínimo 3 Carbonos, logo o Acetil CoA (2C) NÃO é substrato para esta via. Substratos utilizados: - Lactato - Aas gliconeogênicos - Glicerol - Propionato GLICONEOGÊNESE GLICONEOGÊNESE GLICONEOGÊNESE