PSICOPATOLOGIA
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PSICOPATOLOGIA


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C E N T R O U N I V E R S I T Á R I O A R A R A Q U A R A 
 
 
 
 
 
P S I C O P A T O L O G I A 
 
Curso de Graduação em Psicologia 
 
 
 
Prof. Fábio de Carvalho Mastroianni 
 
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PARTE I - CONCEITOS BÁSICOS 3 
Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais 3 
Doença Mental x Normalidade 4 
O Diagnóstico em Psicopatologia 4 
A Avaliação em Psicopatologia 5 
A Entrevista com o Paciente 5 
As Funções Psíquicas 6 
PARTE II - AS FUNÇÕES PSÍQUICAS E SUAS ALTERAÇÕES 7 
A Consciência e Suas Alterações 7 
A Atenção e Suas Alterações 9 
A Orientação e suas Alterações 11 
A Sensopercepção e suas Alterações 12 
A Memória e suas Alterações 16 
O Pensamento e suas Alterações 20 
O Juízo e suas Alterações 24 
A Afetividade e suas Alterações 27 
A Vontade, a Psicomotricidade e suas Alterações 30 
A Linguagem e suas Alterações 33 
Funções Psíquicas Compostas 36 
Consciência do Eu 36 
PARTE III \u2013 AS GRANDES SÍNDROMES PSIQUIÁTRICAS 39 
Esquizofrenia e outros Transtornos Psicóticos 39 
Transtornos do Humor (Afetivos) 48 
Transtornos de Ansiedade 54 
Transtornos Relacionados À Substâncias 63 
Transtornos Alimentares 68 
Transtornos Não\u2013Orgânicos Do Sono 75 
Transtornos Sexuais, de Identidade de Gênero e Parafilias 82 
Transtornos de Personalidade 91 
Transtornos Somatoformes 100 
Transtorno Factício 102 
Transtornos Orgânicos 103 
BIBLIOGRAFIA: 106 
 
 
 
 
 
 
 
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PARTE I - CONCEITOS BÁSICOS 
 
 
Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais 
 
- Semiologia médica \u2013 estudo dos sinais e sintomas das doenças, que permite ao 
profissional ordenar os fenômenos observados, formular diagnósticos e empre-
ender terapêuticas 
 Semiologia \u2013 ciência dos signos 
 - seu elemento nuclear é o signo 
Signo \u2013 é um tipo de sinal, qualquer estímulo emitido pelo objeto 
estudado, p.ex.: 
febre \uf0e0 signo/sinal \uf0e0 de uma infecção (reação orgânica) 
fala rápida e fluente \uf0e0 signo/sinal \uf0e0 síndrome maníaca 
(reação biopsicossocial) 
 
Em psicopatologia, sinais são os comportamentos objetivos, verificáveis pela 
observação direta do paciente (objeto do estudo) 
 Signos - sinais comportamentais objetivos 
Sintomas - vivências subjetivas relatadas, comunicadas pelo paciente, ou 
então: 
 (sintomas objetivos) \uf0e0 aquilo que é observado pelo examinador 
(sintomas subjetivos) \uf0e0 aquilo que é percebido apenas pelo pa-
ciente - relatado 
Semiotécnica \u2013 processo específico (procedimento) de observação e co-
leta de sinais e sintomas e sua correspondente interpretação 
Síndromes \u2013 conjunto, agrupamentos relativamente constantes e estáveis 
de determinados sinais e sintomas \u2013 descrição momentânea \u2260 doença 
específica 
 
- Psicopatologia \u2013 conjunto de conhecimentos referentes ao adoecimento mental 
do ser humano, é a ciência que trata da natureza essencial do transtorno mental 
- A psicopatologia tem parte de suas raízes na tradição médica e outra na 
tradição humanística (filosofia, artes, psicanálise, psicologia) contudo, 
- é uma ciência autônoma, não é um prolongamento da Neuro-
logia nem da Psicologia 
- é uma ciência básica que serve de auxilio a outras práticas \u2013 
psiquiatria 
- sendo ciência, é diferente de dogma, pois não julga moralmen-
te o objeto 
- e por ser ciência, possui seus limites, pois não se pode com-
preender ou explicar tudo o que existe em um homem por meio 
de conceitos psicopatológicos 
- A psicopatologia é tida, portanto, como: uma das abordagens possíveis 
de se compreender o homem mentalmente doente, mas não a única e 
exclusiva 
- Forma e conteúdo dos sintomas \u2013 os sintomas possuem dois aspectos básicos: 
 
Forma \uf0e0 estrutura básica, semelhante a todos os indivíduos / p.ex: delírio / ansi-
edade 
 
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Conteúdo \uf0e0 aquilo que preenche essa estrutura (pessoal) / p.ex: conteúdo de 
culpa, perseguição 
 - está ligada a história de vida do paciente, sua cultura e personalidade 
 p.ex: delírio de ciúmes, de perseguição 
 
 
Transtorno Mental x Normalidade 
 
- O conceito de normalidade em psicopatologia impõe a análise do contexto soci-
ocultural 
- Existem diversos critérios de normalidade e anormalidade em psicopato-
logia, dependendo para a adoção destes a opção filosófica, ideológica e 
pragmática de cada profissional 
Critérios de normalidade 
 - ausência de doença \uf0e0 definição negativa 
 - normal é não ser 
 - ideal \uf0e0 utópico \u2013 depende dos critérios socioculturais 
 - estatística \uf0e0 frequência \u2013 curva de Gauss 
 - bem-estar \uf0e0 definição subjetiva \u2013 utópica 
- funcionalidade x disfuncionalidade 
- egossintônico x egodistônico 
- provoca sofrimento para o indivíduo e para o seu grupo 
social 
- como processo \uf0e0 de acordo com determinadas etapas do de-
senvolvimento 
 - subjetiva \u2013 percepção do próprio indivíduo sobre si mesmo 
 - normalidade operacional \uf0e0 definida a priori 
 
 
O Diagnóstico em Psicopatologia 
 
- Qual é o valor ou a importância de um diagnóstico psicopatológico ? 
Sem valor, serve apenas para \u201crotu-
lar\u201d as pessoas \u201cdiferentes\u201d, 
\u201cexcêntricas\u201d 
 
X 
Auxilia a prática, a compreensão e à 
definição de estratégias terapêuticas 
 
- O psicodiagnóstico: são construtos/idéias que servem para conhecer o obje-
to/paciente 
 - diferente da realidade do paciente 
- O psicodiagnóstico se baseia nos dados clínicos 
\u2013 sinais e sintomas avaliados no momento da entrevista 
- constitui-se em: 
 - dados clínicos momentâneos (exame psíquico) 
- dados clínicos evolutivos (anamnese, história pregressa do 
transtorno) 
 - deve-se, portanto, ser pluridimensional 
 
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O DSM-IV / DSM-IV R utiliza o diagnóstico pluridimensional baseado num siste-
ma multiaxial: 
 
Eixo 1 Diagnóstico do Transtorno Mental 
Eixo 2 Diagnóstico de personalidade e do nível de inteligência 
Eixo 3 Diagnóstico de transtornos somáticos associados 
Eixo 4 Problemas psicossociais e eventos da vida desencadeantes ou 
associados 
Eixo 5 Avaliação Global do Nível de funcionamento Psicossocial (AGF) 
 
Exemplo clínico: Eixo 1 \u2013 Síndrome de dependência de álcool 
 Eixo 2 \u2013 Personalidade histriônica 
 Eixo 3 \u2013 Cirrose hepática alcoólica 
Eixo 4 \u2013 estressores psicossociais \u2013 desemprego contí-
nuo, dependência financeira, abandono familiar 
Eixo 5 \u2013 Funcionamento adaptativo atual avaliado em 25, 
grave dependência dos serviços clínico e social 
 
 
 
A Avaliação em Psicopatologia 
 
- A entrevista e a observação são os principais instrumentos de conhecimento 
- A entrevista permite a avaliação de 2 aspectos: 
Anamnese \u2013 aspecto evolutivo, histórico dos sintomas e sinais, antece-
dentes pessoais, familiares e do meio social 
Exame psíquico \u2013 aspectos momentâneos ou atuais \u2013 exame do estado 
mental atual 
 
Componentes da avaliação psicopatológica 
 - avaliação física (psiquiatra x clínico geral) 
- avaliação neurológica \u2013 visa identificar topograficamente uma possível 
lesão ou disfunção no sistema nervoso central e/ou periférico 
 - psicodiagnóstico \u2013 testes de personalidade, screening, entre outros 
- Exames complementares (exames laboratoriais, neuroimagem, SPECT) 
 
 
A Entrevista com o Paciente 
 
- a habilidade está no \u201ccomo\u201d perguntar, no \u201cquando\u201d falar e no \u201cevitar\u201d falas ou 
comportamentos 
 - relação empática 
- dependendo da situação o profissional vai falar muito ou pouco 
 
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- De modo geral, deve-se evitar: 
 - posturas rígidas, estereotipadas 
 - atitude neutra ou fria excessivas 
 - reações exageradamente emotivas \u2013 falsas intimidades 
 - comentários valorativos ou julgamentos morais 
 - pena