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contabilidade intermediaria II   1

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será
entregue em data futura. Considere ainda que a mesma empresa tenha pago 40%
do salário de seus empregados adiantado, somando o valor de R$ 200.000,00. 
De acordo com o exemplo acima, o valor de R$ 12.000,00 recebido
antecipadamente pela empresa gera uma obrigação para a RAIO Ltda., pois ela
terá que entregar um bem ou serviço ao cliente, assumindo uma dívida no ato do
recebimento do valor pago pelo cliente. Essa obrigação junto ao cliente é tratada,
então, como um passivo.
Já os valores pagos pela RAIO Ltda., quais sejam, R$ 38.000,00 para o fornecedor e
R$ 200.000,00 aos empregados, são considerados como direitos da empresa, pois
são valores que serão aproveitados no futuro para o abatimento de dívidas, tanto
com o fornecedor, quanto com os empregados. Esses direitos ou créditos junto ao
fornecedor e aos empregados são tratados como ativos.
VOCÊ SABIA?
O registro de uma transação contábil deve obedecer ao método das partidas
dobradas. Esse procedimento “obriga o registro de uma transação em pelo menos
duas contas, de tal forma que seja mantido o equilíbrio patrimonial (em valor) da
equação contábil Ativo = Passivo” (PADOVEZE, 2017, p. 65). Pesquise mais sobre o
assunto.
Desta forma, como serão realizados os registros contábeis das operações
apresentadas no “Exemplo 1”? Para efetuar os lançamentos contábeis de
adiantamentos, considera-se, portanto, a origem dos fatos contábeis para
classificar como um ativo ou um passivo e, em seguida, aplica-se o Método das
Partidas Dobradas. Considerando o “Exemplo 1”, aplicando o Método das Partidas
Dobradas, os lançamentos deverão ser realizados da forma como seguem.
 
Pelo adiantamento recebido do cliente
Débito: Caixa ou Bancos (Grupo do Ativo Circulante); 
Crédito: Adiantamento de clientes (Grupo do Passivo Circulante);
Valor: R$ 12.000,00;
Histórico: Adiantamento de cliente recebido nesta data.
 
Pelo pagamento adiantado efetuado ao fornecedor
Débito: Adiantamento a fornecedores (Grupo do Ativo Circulante); 
Crédito: Caixa ou Bancos (Grupo do Ativo Circulante);
Valor: R$ 38.000,00;
Histórico: Adiantamento realizado nesta data ao fornecedor COMPMAX Ltda.
 
Pelo pagamento adiantado efetuado aos funcionários
Débito: Adiantamento a funcionários (Grupo do Ativo Circulante); 
Crédito: Caixa ou Bancos (Grupo do Ativo Circulante);
Valor: R$ 200.000,00;
Histórico: Adiantamento realizado nesta data aos funcionários.
 
Para o correto entendimento dos lançamentos apresentados, você deve levar em
conta o mecanismo adotado pelo sistema de registros contábeis, conforme segue:
Quadro 1 - Aplicação do mecanismo de registros contábeis para contas dos grupos do ativo e do
passivo. Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
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Ainda sobre o Exemplo 1, podemos dizer que é possível esquematizar as contas
contábeis que envolvem adiantamentos, objetivando a evidenciação na
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e no Balanço Patrimonial (BP)?
Sim, é possível. Entretanto, as contas de adiantamentos envolvem apenas contas
patrimoniais, ou seja, as do BP. Desse modo, a representação das contas de
adiantamento no BP ficaria da seguinte forma, considerando os dados do
Exemplo 1 e outros saldos contábeis como mera demonstração:
No esquema das contas contábeis acima note que os adiantamentos a
fornecedores e a funcionários foram apresentados do lado do Ativo, como direitos
ou créditos, já o adiantamento do cliente foi apresentado do lado do Passivo,
como dívida ou obrigação junto ao cliente.
Quadro 2 - Esquema de contas contábeis que envolvem adiantamentos, objetivando a evidenciação
no Balanço Patrimonial (BP). Fonte: Elaborado pelo autor, 2018.
1.2 Ajuste a Valor Presente (CPC 12)
No ano de 2007, o ambiente contábil brasileiro teve um impacto importante com a
edição da Lei nº 11.638/2007 (BRASIL, 2007), que alterou substancialmente a Lei
das Sociedades por Ações, ou seja, a Lei nº 6.404/1976 (BRASIL, 1976). Em 2009,
outra Lei, a de nº 11.941/2009 (BRASIL, 2009), também provocou alterações
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impactantes na contabilidade brasileira. Além disso, houve ainda, pela Resolução
CFC nº 1.055/2005, a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) que
tem como objetivo:
o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos
de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a
emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e
uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a
convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais. (CPC [2018?]b)
Acrescentando-se a isso, a criação do CPC se deveu pelas necessidades
apresentadas na figura:
A figura acima apresenta os motivos básicos levados em consideração para a
criação do CPC. Desse modo, com base nestas necessidades para a criação do
Comitê, e tendo em vista ainda um dos objetivos deste órgão, qual seja, a emissão
de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade, tem-se em
Figura 1 - As necessidades que provocaram a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis
Fonte: Elaborado pelo autor, baseado em CPC ([2018]b).
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destaque aqui o CPC 12, que trata dos ajustes a valor presente. Nos termos do CPC
12, o conceito de Ajuste a Valor Presente (AVP) pode ser compreendido da seguinte
forma: “AVP é o ajuste para demonstrar o valor presente de um fluxo de caixa
futuro, sendo que, o Valor Presente (ou present value) é a estimativa do valor
corrente de um fluxo de caixa futuro, no curso normal das operações da entidade”
(CPC, 2008).
De acordo com Martins et al. (2013, p. 113), “com o advento da Lei nº 11.638, de 28
de dezembro de 2007, foi introduzido expressamente na lei o desconto a valor
presente para contas a receber e a pagar de longo prazo e, dependendo da
materialidade, para as contas de curto prazo”. Isso indica que, o reconhecimento
dos fatos contábeis que envolvem o AVP pode ser realizado em ativos e/ou
passivos de curto e longo prazos, entretanto, com maior aplicabilidade aos
elementos de longo prazo.
O item 4 Pronunciamento CPC 12 (CPC, 2008) trata essencialmente de questões de
mensuração, o que não deixa de lado situações de reconhecimento (“quando
registrar”), apenas enfatiza o que se pode expressar como “por quanto registrar”. 
Nesse sentido, há de se ressaltar como proceder com situações em que se precisa
calcular o AVP.
Assim, de acordo com o CPC 12, alguns pontos devem ser esclarecidos acerca da
aplicação da mensuração a valor presente: 
 
deve ser aplicada no reconhecimento inicial de ativos e passivos (item 5 do
CPC 12);
em situações excepcionais, como negociações de dívidas, deve-se aplicar o
AVP como uma nova medição dos ativos e passivos (item 5 do CPC 12). 
 
O exemplo a seguir demonstra a forma de cálculo e aplicabilidade do AVP em
ocasiões que se obriga tal situação, além de identificar as contas referentes aos
fatos contábeis e efetuar os lançamentos relativos ao AVP. 
 
Exemplo 2 (extraído do ANEXO ÚNICO do CPC 12, item 12):
No caso de venda, por exemplo, de imóvel a prazo, por valor nominal, sem
especificação de juros, após os procedimentos de determinação do ajuste a valor
presente deve esse ajuste retificar o ativo realizável e a receita de venda, podendo o
ajuste ao ativo realizável ser feito em conta retificadora. Conta essa que deverá ser
apropriada como receita financeira até o vencimento.
No comprador o ajuste retifica o custo do ativo imobilizado que deve ser registrado
pelo seu valor presente e a retificação do passivo pode também contar com conta
redutora a gerar despesa financeira até o vencimento.
Por exemplo, suponha-se uma venda de imóvel por R$ 10.000.000,00, pago com
entrada de R$ 4.000.000,00 em dinheiro e 3 (três) notas promissórias anuais