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CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA 
CURSO DE PSICOLOGIA 
CLÁUDIA SANTOS RIBEIRO 11614631 
FLÁVIA SILVA TEIXEIRA 11513003 
VALÉRIA ROSA DE DEUS VIEIRA 11612748 
 
 
 
 
 
 
 
PSIQUIATRIA INFANTIL: Transtorno do Espectro Autista 
 
 
 
 
 
 
PROFESSORA: MARGARET COUTO 
DISCIPLINA: PSICOPATOLOGIA INFANTIL 
TURMA: 6N2 
 
 
 
 
BELO HORIZONTE 
2018 
 
PRECURSORES DO AUTISMO 
Nos primórdios da psiquiatria, na virada do século XVIII para o XIX, o diagnóstico 
de “idiotia” cobria todo o campo da psicopatologia de crianças e adolescentes. 
Logo, a idiotia pode ser considerada precursora não só do atual retardo mental, 
mas das psicoses infantis, da esquizofrenia infantil e do autismo (BERCHERIE, 
1998). 
Nos anos 1940, dois médicos apresentaram as primeiras descrições modernas 
do que hoje é nomeado de autismo infantil ou transtorno autista. Leo Kanner, 
médico nascido no antigo Império Austro-Húngaro, que emigrou para os Estados 
Unidos em 1924, tornando-se chefe do serviço de psiquiatria infantil do Johns 
Hopkins Hospital de Baltimore, publicou em 1943 o artigo: “Os distúrbios 
autísticos do contato afetivo”. Utilizando-se da noção de autismo consagrada por 
Eugen Bleuler como um dos principais sintomas da esquizofrenia, Kanner 
descreveu 11 crianças cujo distúrbio patognomônico seria “a incapacidade de se 
relacionarem de maneira normal com pessoas e situações, desde o princípio de 
suas vidas” (KANNER, 1943, p. 243, grifo do autor). 
No Brasil, o conhecimento sobre os transtornos do espectro do autismo foi se 
instalando gradualmente, seja pela difusão dos conceitos da psiquiatria de 
Kanner, da psiquiatria infantil francesa (como a de Ajuriaguerra, 1980) ou das 
abordagens psicanalíticas. Também foi mais tardio o aparecimento, no país, das 
associações de familiares de pessoas com autismo. Em 1983, surgia a primeira 
Associação de Amigos de Autistas do Brasil, a AMA-SP, tendo como principal 
mentor o Dr. Raymond Rosemberg. Em 1989, a Associação Brasileira do 
Autismo (Abra) promoveu o I Congresso Brasileiro de Autismo, cuja segunda 
edição aconteceria em 1991 (ASSUMPÇÃO JUNIOR et al., 1995). 
 
 
 
 
 
 
 
 
ETIOLOGIA: Autismo é um transtorno genético 
 
Há mais de três décadas existem evidências contundentes sobre o forte 
componente genético na maioria das doenças psiquiátricas, entre elas autismo. 
Nos últimos 15 anos, uma série de locos gênicos tem sido associadas a esses e 
outros transtornos utilizando principalmente análise de ligação gênica. Porém, 
somente poucos genes específicos têm sido identificados. A maioria desses 
genes só poderá ser reconhecida quando, literalmente, centenas de indivíduos 
afetados, se seus familiares, forem analisados. Novas técnicas e metodologias 
têm surgido como uma promessa para as pesquisas dos fatores genéticos e 
ambientais envolvidos nas causas desses transtornos. Os avanços nas 
pesquisas com genética humana têm aberto caminhos para o conhecimento das 
vias biológicas das doenças cognitivas e afetivas. Devido à grande dificuldade 
de compreensão das alterações das funções encefálicas, o conhecimento da 
fisiopatologia do sistema nervoso tem se tornado um grande atrativo. Como 
mencionado anteriormente, estudos de famílias, com um ou mais membros 
afetados, bem como estudos de gêmeos têm demonstrado que transtornos 
mentais como o autismo, têm um forte componente genético. Entretanto, 
nenhuma dessas doenças segue um padrão mendeliano de herança, sugerindo 
uma interação entre múltiplos genes. O fenótipo autista é amplamente variado. 
Têm sido descritos tanto autistas clássicos, com ausência de comunicação 
verbal e deficiência mental grave, quanto autistas com sociabilidade 
comprometida, que apresentam habilidades verbais e inteligência normal. As 
anormalidades no desenvolvimento geralmente são detectadas nos primeiros 
três anos de vida, persistindo até a idade adulta. Cerca de 75% dos casos 
apresentam deficiência mental e 15 a 30% apresentam convulsões. O Manual 
de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais 4 e a Classificação 
Internacional de Doenças 5 criaram a categoria Diagnóstica dos Distúrbios 
Globais do Desenvolvimento e Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID). 
De uma maneira geral, são todos considerados pela designação Autismo. Os 
TID prejudicam a interação social, a comunicação e o comportamento, com uma 
prevalência alta, que pode chegar a 5 casos por 1.000 crianças, cuja razão a 
primeira triagem ampla de todo o genoma para regiões cromossômicas 
envolvidas no autismo clássico associou aproximadamente 354 marcadores 
 
genéticos, localizados em oito regiões dos seguintes cromossomos: 2, 4, 7, 10, 
13, 16, 19 e 22. Entretanto, estudos posteriores apontam as regiões 7q, 16p, 2q, 
17q como as mais significativas. Recentemente, surgiu evidência de ligação com 
o cromossomo X.24-25 Genes de desenvolvimento relacionados ao SNC,26-27 
genes do sistema serotoninérgico e de outros sistemas de regulação das funções 
neurais, além dos genes localizados em pontos de quebras cromossômicos,28 
identificados em pacientes com autismo, têm surgido como genes candidatos. 
Na região 15q11-q13, por exemplo, o cluster do gene receptor do ácido amino 
butírico (GABA) parece estar associado à patogênese do autismo.7,28 Nesta 
mesma região, o gene UBE3A apresenta expressão predominantemente no 
cérebro humano.30-31 Porém, como indivíduos com alterações cromossômicas 
em 15q11-q13 nem sempre são autistas, acredita-se que as modificações 
desses genes não são suficientes para o desenvolvimento da doença. Essa 
hipótese reforça a hipótese do sinergismo e/ou epistasia entre múltiplos genes 
para originar o autismo. A maioria dos trabalhos tem convergido para a região 
7q22- q33. Na região 7q22, o gene RELN, que codifica uma glicoproteína 
amplamente secretada na migração neuronal, pode apresentar alterações que 
afetam o desenvolvimento cortical e cerebelar. De fato, anormalidades nos 
neurônios cerebelares estão entre uma das causas mais importantes na 
patologia do autismo. Nesta região existem, pelo menos, mais nove genes 
candidatos.6,27,32-34. No cromossomo X, a região Xq22-q23, onde está 
mapeado o gene AGTR2, é tida como importante. Estudos neste gene têm 
mostrado que a deleção desta região está associada à alta frequência de 
deficiência mental em indivíduos autistas. No entanto, a região mais significativa 
é a Xq13-q21, que contém um dos genes da família das neuroliguinas. As 
neuroliguinas atuam como mediadoras da interação celular (moléculas de 
adesão) entre neurônios que possuem receptores do tipo neuroxinas em suas 
membranas plasmáticas. São encontradas no lado pós-sináptico das sinapses36 
e parecem ser essenciais para o bom funcionamento das mesmas.37-38 
Mutações nos genes NLGN3 e NLGN4 foram encontradas em duas famílias com 
membros afetados por autismo e Síndrome de Asperger, sugerindo um 
comprometimento funcional da sinapse. Genes que codificam proteínas 
participantes do sistema serotoninérgico são também fortes candidatos para o 
estudo em autistas. O mau funcionamento desse sistema pode resultar em 
 
depressão, epilepsia, comportamento obsessivo-compulsivo e distúrbios 
afetivos. De fato, alguns desses genes vêm sendo estudados em indivíduos 
afetados, entre eles o gene 5-HTT, que codifica o transportador de serotonina, e 
os genes 5-HTRs, que codificam seus receptores. No entanto, a relação do gene 
5-HTT com o autismo ainda é controversa.39-43 Em relação aos genes 5- HTRs, 
nenhuma associação foi observada para os receptores 5- HTR2B e 5-HTR7, 44 
mas a presença de um polimorfismo no gene do receptor 5-HTR2A,em autistas 
e controles, mostrou associação significativa nos indivíduos afetados. Apesar de 
todas as discordâncias em relação aos genes candidatos para o autismo, 
existem ainda boas razões para se acreditar que, uma vez conhecidos os genes 
envolvidos, novos agentes terapêuticos poderão atuar em alvos moleculares 
específicos. Na busca desses genes, a identificação de fenótipos quantitativos 
múltiplos é fundamental na seleção de algumas regiões. Por exemplo, a 
evidência que os cromossomos 7 e 13 têm forte associação com o autismo foi 
sugerida por um estudo com 75 famílias subdivididas em grupos baseados nas 
características de linguagem dos propósitos e de seus consangüíneos.45 
Também tem sido associada à região 2q em outras populações com dificuldade 
de linguagem.46-47 Esses trabalhos têm sugerido que defeitos sociais e 
cognitivos fazem parte da ampla variação fenotípica do autismo.48 Os defeitos 
sociais incluem perda da resposta emocional, perda de empatia, 
hipersensibilidade e preocupações únicas com algum interesse especial. Já os 
defeitos de comunicação consistem principalmente de dificuldades pragmáticas 
ou outros problemas de linguagem. A ampliação do espectro fenotípico do autista 
poderá ajudar na identificação de genes envolvidos na doença. Assim, trabalhos 
multidisciplinares ou estudos em consórcios são a grande esperança para o 
melhor entendimento dos TID. Para a prática clínica, testes diagnósticos 
específicos ainda não são disponíveis. O diagnóstico do autismo deverá resultar 
de minucioso histórico evolutivo do paciente e inquérito familiar a respeito das 
habilidades cognitivas e comportamentais do mesmo. A investigação clínica 
confirmará ou não se o autismo está associado às síndromes mencionadas. A 
proporção é de 4:1 entre homens e mulheres. A etiologia do autismo ainda é 
desconhecida. Centenas de estudos têm tentado desvendar os fatores genéticos 
associados à doença. As causas neurobiológicas, associadas ao autismo, tais 
como convulsões; deficiência mental; diminuição de neurônios e sinapses na 
 
amígdala, hipocampo e cerebelo; o tamanho do encéfalo está aumentado e a 
concentração aumentada de serotonina circulante, sugerem forte componente 
genético. Além disso, estudos com gêmeos têm demonstrado que em 
monozigóticos (MZ) a concordância para o autismo varia de 36 a 92%, em 
contraste com gêmeos dizigóticos (DZ), onde a concordância é nula ou baixa.10 
Porém, quando se consideram anormalidades cognitivas e sociais, o nível de 
concordância sobe para 92% entre os MZ e 10% entre os DZ.11 Outro fato 
relevante é que, embora o risco de recorrência para o autismo seja baixo (2-8%), 
o risco relativo é de 50-200 vezes maior que a prevalência da doença na 
população geral.6,12 Acredita-se que existam de 3 a mais de 10 genes 
relacionados com a doença.13-14 Além disso, o espectro autista tem sido 
associado a anormalidades de, praticamente, todos os cromossomos.15 A 
região 15q11-13, crítica para a síndrome de Prader-Willi/ Angelman, apresenta 
alteração em 1 a 4% do pacientes autistas.16 Aberrações estruturais na região 
17p11.2, crítica para a síndrome de Smith-Magenis, também foram relatadas em 
pacientes autistas.17 Do mesmo modo, pacientes com esclerose tuberosa, 
síndrome de Rett, fenilcetonúria, neurofibromatose ou síndrome do X-frágil 
associado ao autismo formam subgrupos etiológicos.7,18 Aproximadamente 
30% dos indivíduos com X-frágil apresentam espectro autista.6,19 Entretanto, 
existe discordância sobre o grau de prevalência do X-frágil nesses pacientes, 
cuja taxa varia de 7-8%.20-21.A anormalidades nos neurônios cerebelares estão 
entre uma das causas mais importantes na patologia do autismo. O gene 
receptor do ácido amino butírico (GABA) parece estar associado à patogênese 
do autismo. Apesar de todas as discordâncias em relação aos genes candidatos 
para o autismo, existem ainda boas razões para se acreditar que, uma vez 
conhecidos os genes envolvidos, novos agentes terapêuticos poderão atuar em 
alvos moleculares específicos. Na busca desses genes, a identificação de 
fenótipos quantitativos múltiplos é fundamental na seleção de algumas regiões. 
Por exemplo, a evidência que os cromossomos 7 e 13 têm forte associação com 
o autismo foi sugerida por um estudo com 75 famílias subdivididas em grupos 
baseados nas características de linguagem dos propósitos e de seus 
consangüíneos. Esses trabalhos têm sugerido que defeitos sociais e cognitivos 
fazem parte da ampla variação fenotípica do autismo.48 Os defeitos sociais 
incluem perda da resposta emocional, perda de empatia, hipersensibilidade e 
 
preocupações únicas com algum interesse especial. Já os defeitos de 
comunicação consistem principalmente de dificuldades pragmáticas ou outros 
problemas de linguagem. A ampliação do espectro fenotípico do autista poderá 
ajudar na identificação de genes envolvidos na doença. Assim, trabalhos 
multidisciplinares ou estudos em consórcios são a grande esperança para o 
melhor entendimento dos TID. Para a prática clínica, testes diagnósticos 
específicos ainda não são disponíveis. O diagnóstico do autismo deverá resultar 
de minucioso histórico evolutivo do paciente e inquérito familiar a respeito das 
habilidades cognitivas e comportamentais do mesmo. A investigação clínica 
confirmará ou não se o autismo está associado às síndromes mencionadas. 
 
CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICOS DO TEA 
 
O diagnóstico do autismo é clínico, feito através de observação direta do 
comportamento e de uma entrevista com os pais ou responsáveis. Os sintomas 
costumam estar presentes antes dos 3 anos de idade, sendo possível fazer o 
diagnóstico por volta dos 18 meses de idade. Os bebes começam a demonstrar 
os sinais nos primeiros dias de vida, por exemplo, quando o bebê não consegue 
manter o contato visual com a mãe e/ou não responde quando é chamado. No 
primeiro ano de vida podem não demonstrar mais interesse em objetos do que 
em pessoas, não tem muitas reações quando os pais fazem brincadeiras. 
 
Nas classificações mais difundidas – a CID-10, da Organização Mundial da 
Saúde (1992), e o DSM-IV, da Associação Psiquiátrica Americana (1994) –, são 
descritos, além do autismo, a síndrome de Asperger, o transtorno desintegrativo, 
a síndrome de Rett e os quadros atípicos ou sem outra especificação. 
 
Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à 
Saúde CID-10 
 
O CID-10 é o critério adotado no Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele 
abrange todas as doenças, incluindo os transtornos mentais, e foi elaborado pela 
Organização Mundial de Saúde (OMS). 
 
É classificado como F84, como "Um transtorno invasivo do desenvolvimento, 
definido pela presença de desenvolvimento anormal e/ou comprometimento e 
pelo tipo característico de funcionamento anormal em todas as três áreas: de 
interação social, comunicação e comportamento restrito e repetitivo. O 
transtorno ocorre três a quatro vezes mais frequentemente em garotos do que 
em meninas." 
F84. - Transtornos Globais do Desenvolvimento; 
F84.0 - Autismo Infantil; 
 F84.1 - Autismo Atípico; 
F84.5 - Síndrome de Asperger; 
F84.8 - Outros Transtornos Globais do Desenvolvimento; 
F84.9 - Transtornos Globais não Especificados do Desenvolvimento 
 
CRITÉRIOS PARA DIAGNÓSTICO DO AUTISMO (CID-10) (WHO 1992) 
Pelo menos 8 dos 16 itens especificados devem ser satisfeitos. 
 
A. LESÃO MARCANTE NA INTERAÇÃO SOCIAL RECÍPROCA, 
MANIFESTADA POR PELO MENOS TRÊS DOS PRÓXIMOS CINCO ITENS: 
1.Dificuldade em usar adequadamente o contato ocular, expressão facial, gestos 
e postura corporal para lidar com a interação social. 
2.Dificuldade no desenvolvimentode relações de companheirismo. 
3.Raramente procura conforto ou afeição em outras pessoas em tempos de 
tensão ou ansiedade, e/ou oferece conforto ou afeição a outras pessoas que 
apresentem ansiedade ou infelicidade. 
4.Ausência de compartilhamento de satisfação com relação a ter prazer com a 
felicidade de outras pessoas e/ou de procura espontânea em compartilhar suas 
próprias satisfações através de envolvimento com outras pessoas. 
5.Falta de reciprocidade social e emocional. 
B. MARCANTE LESÃO NA COMUNICAÇÃO: 
1.Ausência de uso social de quaisquer habilidades de linguagem existentes. 
2.Diminuição de ações imaginativas e de imitação social. 
3.Pouca sincronia e ausência de reciprocidade em diálogos. 
4.Pouca flexibilidade na expressão de linguagem e relativa falta de criatividade 
e imaginação em processos mentais. 
 
5.Ausência de resposta emocional a ações verbais e não-verbais de outras 
pessoas. 
6.Pouca utilização das variações na cadência ou ênfase para refletir a 
modulação comunicativa. 
7.Ausência de gestos para enfatizar ou facilitar a compreensão na comunicação 
oral. 
C. PADRÕES RESTRITOS, REPETITIVOS E ESTEREOTIPADOS DE 
COMPORTAMENTO, INTERESSES E ATIVIDADES, MANIFESTADOS POR 
PELO MENOS DOIS DOS PRÓXIMOS SEIS ITENS: 
 
1. Obsessão por padrões estereotipados e restritos de interesse. 
2. Apego específico a objetos incomuns 
3. Fidelidade aparentemente compulsiva a rotinas ou rituais não funcionais 
específicos. 
4. Hábitos motores estereotipados e repetitivos. 
5. Obsessão por elementos não funcionais ou objetos parciais do material de 
recreação. 
6. Ansiedade com relação a mudanças em pequenos detalhes não funcionais do 
ambiente. 
 
D. ANORMALIDADES DE DESENVOLVIMENTO DEVEM TER SIDO NOTADAS 
NOS PRIMEIROS TRÊS ANOS PARA QUE O DIAGNÓSTICO SEJA FEITO. 
 
DSM V- O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição 
 
Segundo o DSM-IV-TR, os transtornos mentais são: 
Síndromes ou padrões comportamentais ou psicológicos 
clinicamente importantes, que ocorrem num indivíduo e 
estão associados com sofrimento (p. ex.: sintoma doloroso) 
ou incapacitação (p. ex.: prejuízo em uma ou mais áreas 
importantes do funcionamento) ou com risco 
significativamente aumentado de sofrimento, morte, dor, 
deficiência ou perda importante de liberdade (AMERICAN 
PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION, 1995). 
 
Segundo os critérios do DSM V, para que a criança seja diagnosticada com 
transtorno autista, ela deve apresentar pelo menos seis da lista de doze sintomas 
apresentados, sendo que pelo menos dois dos sintomas devem ser na área de 
interação social, pelo menos um na área de comunicação, e pelo menos um na 
área de comportamentos restritos, repetitivos e estereotipados. 
Além disso, a criança deve também ter começado a exibir atrasos (ou 
funcionamento atípico), até a idade de três anos, em, pelo menos, uma das 
seguintes áreas: (1) interação social, (2) linguagem para fins de comunicação 
social ou (3) brincadeiras ou jogos simbólicos ou imaginários. Vale ressaltar, 
ainda, que o diagnóstico de transtorno autista apenas deve ser estabelecido 
quando o quadro não for mais bem explicado pelo transtorno de Rett ou pelo 
transtorno desintegrativo da infância, que não estão sendo aqui discutidos, mas 
que fazem parte dos transtornos globais do desenvolvimento (TGDs) não-
autísticos (Mercadante et al., 2006). 
 
Lista dos critérios: 
1. Déficits clinicamente significativos e persistentes na comunicação social 
e nas interações sociais, manifestadas de todas as maneiras seguintes: 
2. Déficits expressivos na comunicação não verbal e verbal usadas para 
interação social; 
b. Falta de reciprocidade social; 
c. Incapacidade para desenvolver e manter relacionamentos de amizade 
apropriados para o estágio de desenvolvimento. 
3. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, 
manifestados por pelo menos duas das maneiras abaixo: 
4. Comportamentos motores ou verbais estereotipados, ou comportamentos 
sensoriais incomuns; 
b. Excessiva adesão/aderência a rotinas e padrões ritualizados de 
comportamento; 
c. Interesses restritos, fixos e intensos. 
5. Os sintomas devem estar presentes no início da infância, mas podem não 
se manifestar completamente até que as demandas sociais excedam o 
limite de suas capacidades. 
 
Justificativas: 
1. Novo nome para a categoria, Transtorno do Espectro do Autismo, que 
inclui transtorno autístico (autismo), transtorno de Asperger, transtorno 
desintegrativo da infância, e transtorno global ou invasivo do 
desenvolvimento sem outra especificação. 
A diferenciação entre Transtorno do Espectro do Autismo, desenvolvimento 
típico/normal e de outros transtornos “fora do espectro” é feita com segurança e 
com validade. No entanto, as distinções entre os transtornos têm se mostrado 
inconsistentes com o passar do tempo. Variáveis dependentes do ambiente, e 
frequentemente associadas à gravidade, nível de linguagem ou inteligência, 
parecem contribuir mais do que as características do transtorno. 
Como o autismo é definido por um conjunto comum de sintomas, estamos 
admitindo que ele seja melhor representado por uma única categoria 
diagnóstica, adaptável conforme apresentação clínica individual, que permite 
incluir especificidades clínicas como, por exemplo, transtornos genéticos 
conhecidos, epilepsia, deficiência intelectual e outros. Um transtorno na forma 
de espectro único, reflete melhor o estágio de conhecimento sobre a patologia e 
sua apresentação clínica. 
 
TRATAMENTO 
 
É muito importante procurar um especialista bem cedo, assim quando a criança 
manifestar qualquer tipo de comportamento que não esteja de acordo ou bem 
desenvolvido para a fase a qual ela se situa, pois quando a criança é pequena, 
ela tem neuroplasticidade, o que significa que o cérebro tem uma grande 
capacidade de se reorganizar, para novos caminhos para novos aprendizados. 
Esse é o princípio da neuroplastia, formar novas conexões entre os neurônios 
estimulando esse cérebro para novos desafios. Dessa forma, quanto mais cedo 
descobrir o diagnóstico na criança e leva-la a um especialista, mas ela terá 
condições de desse produzir novos recursos para desenvolver ovos caminhos. 
Um dos tratamentos provocados cientificamente é através da terapia 
comportamental, o “ABA”, ele vai focar em potencializar comportamentos 
adequados, eliminar comportamentos inadequados diante das habilidades 
 
sociais, além de trabalhar também com desenvolvimento cognitivo dessa criança 
para que ela possa funcionar cada vez melhor como na comunidade, na escola, 
entre outros lugares. Outras técnicas comprovadas são o TIT e o PEPSI, eles 
usam figuras para se comunicar em deter minada rotina, usando as figuras como 
uma fala e incentiva a área de linguagem. Existe também o tratamento 
fonodiológico que é extremamente importante para o transtorno do espectro 
autista, pois é trabalhado jogos simbólicos que criam outros caminhos 
importantes para a comunicação e interação social dessa criança. As TOs fazem 
um trabalho de integração sensorial, pois a criança diagnosticada com esse 
transtorno tem o sistema sensorial bem alterado, além de sensibilidade a sons, 
restrição alimentar, dificuldade com certas texturas que faz um bloqueio com a 
interação com o meio. Já o tratamento medicamentoso, é uma questão bem 
complexa, porque as famílias têm preconceito com remédios, em medicar as 
crianças, mas muitas vezes o remédio das mais condições para intervir em 
terapias, pois as crianças tendem a ficar mais focada, mais organizada, com 
menos estereotipia. É muito importante buscar por um especialista,como 
neurologista e psiquiatra infantil, pois só eles para dizerem se a criança demanda 
de indicações de remédios ou não, porem o tratamento é multidisciplinar, com a 
intervenção e acompanhamento com outras especialidades também, 
Assim vale ressaltar que este transtorno não tem cura, mas sim tratamento como 
forma de diminuir e controlar os sintomas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
CARVALHEIRA , Giovanna; VERGANI , Naja; BRUNONI , Décio. Genética do 
autismo. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.26 no.4 São Paulo Dec. 2004 
Diagnóstico do autismo. Disponível em: 
https://autismo.institutopensi.org.br/informe-se/sobre-o-autismo/diagnosticos-
do-autismo/ Acesso em 30/09/2018. 
 
FONSECA, Maria Elisa Granchi. O diagnóstico dos transtornos do espectro 
do autismo – TEA. Bauru, 2015. 
 
Ministério da Saúde. Linha de cuidado para a atenção às pessoas com 
transtornos do espectro do autismo e suas famílias na rede de atenção 
psicossocial do sistema único de saúde. Brasília-DF 2015. 
Revista Brasileira de Psiquiatria. Genética do autismo. vol.26 no.4. São Paulo 
Silva, Micheline; MULICK, James A. Diagnosticando o transtorno autista: 
aspectos fundamentais e considerações práticas. Psicol. cienc. 
prof. v.29 n.1 Brasília mar. 2009

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