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JAPÃO – CHINA – ÍNDIA
JAPÃO
Japão budista
Em 538 ou 552 os historiadores se dividem nesse ponto–o Estado
coreano de Paekche, ameaçado por seu vizinho, o Shiragi, e desejoso de obter
o apoio do imperador japonês, enviou-lhe uma imagem do Buda, juntamente
com o texto das sagradas escrituras. Os japoneses já conheciam o budismo
através dos imigrantes coreanos convertidos. Pela primeira vez, porém, tratava-
se de transformá-lo em religião oficial do Estado.
Os dás que se opunham à corte de Yamato fizeram da questão religiosa o
tema central de uma acesa rivalidade pela conquista do poder político.
Ostensivamente, discutia-se a possível superioridade do Buda sobre as
divindades autóctones, os Kami; na realidade, o chefe da importante família dos
Soga adotou a nova religião como ponto de apoio para destruir o partido
adversário, representado pelos poderosos dás militaristas dos Mononobe e dos
Nakatomi. A ascendência dos Soga sobre seus rivais consolidou-se em 592,
quando Soga Umako, depois de mandar assassinar o imperador Sujun, colocou
no trono sua sobrinha, irmã mais moça do imperador, que reinou como
imperatriz Suikõ, de 593 a 628.
O poder efetivo passou, porém, ao príncipe imperial Umayado, que, por
influência dos Soga, foi designado herdeiro presuntivo pela imperatriz, mal
assumiu a direção do Estado. A obra de Umavado, mais conhecido como
príncipe Shõtoku Taishi (574-621), preparou o Japão para a adoção do modelo
governamental chinês. Convencido da superioridade do budismo, implantou-o
como religião oficial, abstendo-se, porém, de suprimir ou condenar o xintoísmo.
É sintomático de sua tolerância e darividência o lato de o confucionismo ter
penetrado no Japão juntamente com o budismo, o primeiro representando um
conjunto de princípios morais para a vida presente, e o segundo, o caminho
superior para a outra vida. A conjugação das duas doutrinas constituía, para os
japoneses da época, a própria essência a civilização chinesa.
Shõtoku Taishi retirou dessa concepção suas conseqüências políticas,
através de um édito - os 17 artigos' - publicado em 604, estabelecendo, sob a
forma de injunçôes morais paternalistas, princípios idênticos aos que haviam
feito a força da autocracia chinesa. O Estado centralizado, hierárquico, era
dirigido por um monarca absoluto, secundado por funcionários escolhidos
segundo o mérito e não pelo nascimento. Sua obra foi completada, à maneira
chinesa, por minucioso protocolo de audiências imperiais e de insígnias
hierárquicas.
Os sete templos fundados por Shõtoku Taishi e 9 instituto de estudos
budistas, por ele estabelecido na região da atual cidade de Osaka, se
transformaram em centros ativos de irradiação doutrinária. Em 624, o Japão
possuía 46 mosteiros, com 816 monges 569 freiras. Missionários em número
sempre crescente afluíam da China e da Coréia desde a segunda metade do sec.
VI, fugindo a perseguições antibudistas. Eram acompanhados de artistas, de
homens de letras e de ciência, que propagaram a cultura chinesa, que também
florescia na corte dos Suí.
Em 607, a primeira embaixada oficial japonesa partiu para a China, de lá
regressando um ano mais tarde acompanhada por um enviado do imperador Suí.
Sete anos se passaram sem que nova missão visitasse solo chinês, mas, nesse
interim, os contatos foram mantidos por grupos de religiosos e cientistas que, de
regresso, estimulavam a cultura e preservavam a influência chinesa.
Shõtoku Taishi passou á história como um governante esclarecido, que
procurou promover a unidade e o bem-estar de seu povo através do
aperfeiçoamento das instituições governamentais e da difusão de básicos
princípios de moral. Com sua morte o sistema de clãs, já então inadequado às
necessidades do Japão, recobrou novo alento.
A “grande reforma”
A sucessão da imperatriz Suikõ deu ensejo a que os Soga, sempre mais
arrogantes, continuassem a impor candidatos imperiais de sua escolha, a fazer
assassinar os príncipes rivais e a usurpar os privilégios do trono. Seus velhos
inimigos, os Nakatomi, convertidos ao budismo, Juntaram-se á família imperial
e abriram luta de morte contra os Soga, terminando por destrui-los.
Com a queda desse importante dá, recrudesceu a influência da China,
onde a dinastia Suí Cora derrubada por um golpe de Estado e substituída, em
618, pelos T'ang. O imperador Kõtoku (645-654) e seu ministro, o poderoso
Nakatomi no Kamatari (? -669), tentaram estabelecer no Japão um regime
idêntico ao vigente na China. No prosseguimento á obra de Shõtoku Taishi,
tinham como objetivo a abolição definitiva do regime de clãs e o
estabelecimento de um governo autocrático, com base em um funcionarismo
escolhido pelo critério do mérito.
Tal foi o propósito do édito de 646, que tomou o nome de Taika (grande
reforma). A reforma começou com a enunciação de princípios gerais e com a
proclamação, diante da nobreza reunida, da nova doutrina relativa ao
absolutismo do poder monárquico.
No ano seguinte (647), quatro artigos estabeleceram as linhas mestras da
nova ordem. A propriedade privada em forma de terra ou de servos foi abolida.
A região em tomo da capital passou a constituir um distrito administrativo com
governadores nomeados pelo trono. Um recenseamento foi ordenado, a fim de
permitir uma distribuição eqüitativa das terras entre os agricultores, e as antigas
taxas e impostos foram canceladas para dar lugar ao novo sistema.
Inovações sucessivas estenderam-se até o ano de 702, quando foi
promulgado o código Taihõ (grande tesouro), base da legislação japonesa
decalcada sobre modelo chinês, que deveria durar até o início do regime feudal,
quinhentos anos mais tarde lativos era o principio da vinculação direta do povo e
das terras ao imperador, órgão supremo do governo, com exclusão de todo poder
intermediário.
Essas reformas representavam uma tarefa gigantesca e, até certo ponto,
impraticável. As instituições chinesas, amadurecidas no correr de séculos de
experiência, em condições totalmente diferentes, não podiam ser transplantadas
intactas para solo japonês. Um principio essencial do mandarinato chinês, o
sistema de exames abertos a todas as camadas sociais, permitindo a escolha de
funcionários na base exclusiva do mérito, nunca fez parte das instituições
japonesas.
Várias das disposições relativas à organização do poder central não foram
jamais postas em vigor e, nas províncias, os cargos públicos foram outorgados à
aristocracia local. O efeito final das grandes refere mas foi o de consolidar os
poderes da velha e nobreza. A rivalidade entre os clãs pela conquista do poder,
continuou como no passado. Os Soga foram apenas substituídos pelos
Nakatomi.
Em muitos aspectos, porém, o resultado das iniciativas reformistas foi
uma combinação dos métodos chineses e das tradições japonesas de antes da
Taika. O poder imperial consolidou-se, apesar das grandes, famílias
continuarem a exercer completo , controle sobre suas propriedades territoriais.
O sistema híbrido teve o mérito incontestável de facilitar o processo de
transição.
A formação do Estado imperial
Pela primeira vez, a partir do séc. VIII, a corte, até então errante, fixou-se
em uma capital permanente. Em 710, a imperatriz Gemmyõ (reinou de 707 a
715) decretou a fundação da capital na cidade de Heijõ-Kyô ou Nara, na planície
de Yamato.
Urbanisticamente, Nara era uma cópia de chang-an, sede das dinastias
chinesas dos Sui e dos T`ang. As principais avenidas, de traçado simétrico
retangular, em forma de xadrez, eram ocupadas por grandes mosteiros e templos
budistas, por residências e palácios da aristocracia e altos membros do governo.A civilização de Nara desenvolveu-se sobre o signo do budismo. O fervor
religioso dominou a corte a ponto de levar o imperador Shõmu (701-756);
reinou de 724 a 749) a abdicar para juntar-se a urna ordem de monges,
inaugurando a tradição dos 'imperadores retirados'. Sua filha Shõtoku, durante
um reinado dividido em dois períodos (749 a 758 e 765 a 770) por uma curta
abdicação, foi dominada pelo monge Dõkyõ, que pretendeu substitui-la no
trono, fato único na história do Japão, onde o principio da transmissão do poder
na linha de Amaterasu não fora jamais contestado. O incidente levou o conselho
de ministros a excluir as mulheres do processo sucessório até o séc. XVIII.
Além dos documentos clássicos sobre o Japão - o Kojivi e o Nihongi - foi
compilada em Nara a primeira antologia de poesia, o Manyõshu (759).
Economicamente, o crescimento da população e a descoberta de ouro e cobre
contribuíram para a prosperidade do regime. Em 784 a capital chamada
Nagaoka, e dez anos depois para a cidade de Heian-kyõ ('a capital da paz e da
tranqüilidade'), mais tarde denominada Kyôto ('a capital').
Durante o séc. VIII, a influência clerical se fez sentir de forma crescente.
 O budismo, bem organizado estruturalmente, com forte apoio econômico e
dominando o espirito dos nobres e do imperador, desempenhava um papel
político preponderante no Estado. Os mosteiros, que eram construídos por toda
parte, desde a capital até as mais remotas províncias, tiveram, n interior, uma
influência civilizadora. Os conventos, hospitais e orfanatos, anexos a templos,
contribuíam para atenuar a miséria do povo, enquanto que o clero estimulava
economia participando da exploração da primeiras minerações.
Na capital, porém, as organizações religiosas tendiam a abusar de Seus
privilégios. As terras que possuíam como donativos imperiais eram isentas de
impostos e entre o fim do séc. VII e o principio do séc. VIII, a produção mineral
foi em grande parte absorvida na fundição de estátuas objetos de culto. O
Grande Buda de Nara o Daibutsu, erigido pelo imperador Shõmu consumiu toda
a produção de cobre e ouro do pais e levou 15 anos para ser construído.
Além das exigências do clero budista outros fatore, como o luxo da corte,
construção dos templos e edifícios de Nara a moda dos grandes monumentos
funerários e o serviço militar, que se tentou tomai obrigatório, contribuíram para
a exaustão dos recursos econômicos e financeiros do país.
Um dos poucos soberanos que procurou pôr termo aos excessos
administrativos, inspirados em grande parte pelo clero foi o imperador Kammu
(reinou de 781 a 806). Ainda que budista devoto, limitou através de legislação, a
capacidade do clero de acumular propriedades, proibindo aos templos aceitarem
doações de terras.
O imperador buscou também remediar os efeitos das derrotas militares
infligi. das pelos Ainu as forças armadas nacionais. O sistema de conscrição foi
abandonado, e os batalhões recrutados entre os principados locais com interesse
direto na vitória. Essas novas formações armadas contribuíram para o embrião
das operações mas, por outro lado, constituíram o embrião de uma força militar
obediente aos senhores locais e fora do controle estrito do governo central.
O período Heian
A despeito da pobreza do povo, o Japão atingiu no começo do séc. IX o
apogeu de uma civilização requintada. Uma das circunstâncias que permitiram a
elevação do nível cultural do pais foi a cessação das irrelações diplomáticas com
a China, decidida em 894.0 período de anarquia que marcou o fim da dinastia
T'ang deu ao império nipônico o ensejo de contestar o dogma da superioridade
intelectual chinesa. Esse momento introspectivo abriu oportunidade ao Japão de
desenvolver a cultura nacional e de libertar-se de uma imitação demasiado
servil.
 O surgimento do feudalismo.
 
Enquanto a corte se esgotava em intrigas palacianas, sob a influencia dos
Fujiwara e do esplendor cultural de Kyõto, uma aristocracia local surgia nas
províncias e consolidava lentamente seu poder.
O código Talhõ baseava-se no principio de que toda terra pertence ao
imperador e que os campos aráveis são divididos periodicamente entre os
agricultores, ao passo que os funcionários e a nobreza auferiam rendas de
propriedades que lhes eram arrendadas durante o exercício de seus cargos. Na
prática, porém, as terras férteis eram raramente redistribuídas, e as propriedades
e entregues em usufruto ao funcionalismo tendiam a permanecer nas mãos dos
beneficiados.
Unificação japonesa. 
A primeira tentativa de unificação partiu de Oda Nobunaga (1534-1582),
um daimyõ; natural de Owari, que, em 1560, dominou as províncias vizinhas,
utilizando como equipamento de sua infantaria o mosquete recém-introduzido
no país corno arma de guerra.
Em 1568, ocupou Kyõto e investiu Ashikaga Yoshiaki (1537-1597) nas
funções nominais de xogum, em meio a demonstrações ostensivas de lealdade
ao imperador. Mas, cinco anos passados, depôs e exilou Yoshiaki, quando este
procurou formar contra ele uma aliança integrada por militares hostis.
O poder absoluto de Oda Nobunaga, que se fazia adorar como um deus,
sofreu Forte contestação por parte da seita budista lkkõ-shu ou jõdoshü ('seita da
terra sagrada') e dos exércitos monásticos do monte Hiei, nas vizinhanças de
Kyõto. Depois de longas campanhas, no curso das quais destruiu os mosteiros
revoltados, exterminando seus ocupantes, concluiu, em 1580, uma trégua com os
insurretos.
É provável que o antagonismo em relação aos budistas tenha sido
responsável pelo tratamento cordial dispensado por Nobunaga aos missionários
jesuítas. Concedeu-lhes permissão para viajar e pregar livremente em todo o
pais, recebeu-os cordialmente em seu grande castelo de Azuchi e chegou mesmo
a doar-lhes terras para a construção de um seminário cristão. O governo de
Nobunaga não durou muito. Com a idade de 49 anos foi assassinado ou levado
ao suicídio, como resultado do ataque traiçoeiro de um de seus súditos. No
momento de sua morte, em 1582, não dominava ainda o norte, nem a região
oeste do pais, mas controlava com firmeza uma área compacta em torno de
Kyõto, compreendendo mais da metade das províncias japonesas.
A liderança política passou, então, a Toyotomi Hideyoshi (1536-1398),
homem de origem humilde, que se tornara um dos mais hábeis generais de
Nobunaga. Inicialmente, destruiu a facção responsável pela morte de seu
antecessor, em 1582, e entrou em acordo com outros chefes militares influentes.
Em 1584, impôs definitivamente sua autoridade às forças armadas. Dedicou-se,
em seguida, a completar a obra de unificação do país, concluída com a tomada,
em 1590, do forte de Odawara, a sudoeste da cidade atual de Tóquio.
Uma vez pacificado o Japão, Hideiryoshi decidiu-se a conquistar a China.
Sua ambição desmedida, aguçada pelo rápido sucesso interno, levou-o a dirigir
mensagens ameaçadoras aos governantes de Manila, Goa, Formosa e Ryükyü.
Quando o rei da Coréia se negou a permitir a passagem das e tropas destinada à
invasão da China, uma força expedicionária japonesa desembarcou em vários
pontos da península.
O exército invasor, de duzentos mil homens, cruzou o estreito de
Tsushima a 24 de maio de 1592 e, depois de ocupar Pusan, chegou a Seul em 12
de junho.
Economia e Cultura 
As condições políticas que asseguravam a primazia da família Tokugawa
e a dominação militar tiveram profundas repercussões sobre a vida econômica
do país. A residência forçada em Edo obrigava os proprietários de terras a
venderem parte de suas colheitas, como meio de financiamento do transporte e
permanência fora de seus domínios, o que os colocava à mercê dos mercadores
de Osaka. Os guerreiros, por sua vez, pata suprir as necessidades da vida urbana,dependiam também dos negociantes. Esses últimos, porém, não encontrando na
lei segurança para suas fortunas, empenhavam-se em mantê-las através de
suborno e corrupção.
A produção agrícola japonesa aumentou gradativamente durante a época
Tokugawa, devido a trabalhos de saneamento e a melhores métodos de
fertilização e cultivo. A maior parte dos lucros auferidos, contudo, referia em
favor dos proprietários. enquanto que os trabalhadores rurais viviam em extrema
penúria.
A importância da manufatura, exercida por artesãos nas cidades e pelo
homem do campo, como fonte subsidiária de recursos, era ainda bastante
limitada. Os artesãos reuniam-se em corporações chamadas nakama
(companheiros). rigidamente controlados pelo bakufu, ao qual os associados
pagavam certa quantia como prestação feudal. Mas. Já no fim do período
começou a surgir um modo de produção semelhante, sob certos aspectos. ao
capitalismo moderno.
Ao lado da produção do artesanato tradicional instituiu-se um sistema em
cujo centro se situava a figura do capitalista comerciante, comprando a produção
dos pequenos fabricantes a quem financiava. supria de matérias-primas e
equipamentos para revender o produto no mercado por conta própria. Mais tarde
surgiu novo sistema, mais avançado. A fabricação de uma mercadoria eira
repartida entre vários artesãos sob a direção de um só capitalista e em um só
local. Com o desenvolvimento do comércio, o negociantes se organizaram
também em corporações, financiados por instituições de crédito características
de uma economia monetária.
 
Formação da sociedade moderna
A queda do sistema militarista de governo, conhecido como a abertura do
pais forçada pelos E.U.A. e Outros países, que solapou a autoridade da
administração Tokugawa, e à lenta mas irresistível pressão das transformações
econômicas internas, fortalecendo a classe dos negociantes capitalistas e
destruindo os fundamentos do bakufu.
Nos dez anos que se seguiram à assinatura do primeiro tratado de
comércio entre o Japão e os E.U.A., em 1858, o centro de gravidade político
transferiu-se de Edo para Kyõto, onde o imperador, afastado por motivos
institucionais do comando efetivo da nação. escapou do descrédito que atingiu
em cheio o xogunado.
O triunfo da causa imperial deve-se, essencialmente te, à habilidade
política e à clarividência de um grupo de jovens conselheiros, descendentes dos
clãs, ocidentais de Satsuma, Chôshü, Tosa e Echizen, atuando em estreita
cooperação com alguns nobres de Kyõto e negociantes de Osaka.
O xogum, por sua vez, era também dominado por assessores
categorizados, que exerciam o poder em seu nome. Entre esses predominava Ii
Naosuke (1815-1860), senhor de Hikone, que, em 1858, contrariando a
orientação do trono, autorizou, em nome do xogum, a assinatura do' acordos
com os E.U.A., Rússia. Reino Unido e França.
Ii Naosuke, que em pouco tempo se tornou o homem mais - odiado do
pais, terminou assassinado por um fanático nacionalista, agente de uma oposição
generalizada e vociferante, reunida sob as palavras de ordem 'Reverencia o
imperador! Expulsai os bárbaros!'.
Os anos que se seguiram foram anos de violência. O regime Tokugawa,
ansioso pelo apoio de seus feudatários, e a fim de que estes se pudessem,
preparar militarmente, relaxou a regra instituída no séc. XVII, obrigando o
daimyõ à residência alternada em Edo, e aboliu o sistema de reféns familiares,
aumentando, assim, as oportunidades de conspiração. O que, no entanto, selou
definitivamente a sorte do bakufu foi a incapacidade de dominar a oposição
armada do clã Chõshü, na extremidade ocidental da ilha de Honshiü.
As forças do clã. treinadas e armada, segundo o modelo ocidental, não se
restringiam às castas guerreiras tradicionais, mas abriam suas fileiras a
voluntários do campo e das cidades. Antes de hostilizar o xogunado, as
autoridades Chõshü haviam desafiado as potências marítimas estrangeiras. Em
1862, um édito imperial dirigido ao xogum instruía-o no sentido de expulsar os
estrangeiros no verão do ano seguinte.
Na data fixada pelo trono, as baterias de terra no estreito de Shimonoseki,
controladas pelos Chôshü, abriram fogo contra embarcações norte-americanas,
francesas e holandesas, obstruindo a navegação, a despeito da imediata reação
por parte dos navios de guerra estrangeiros.
A era Meiiji
Em 1866. Tokugawa Keiki (1837-1902), que tomou o nome de
Yoshinobu, assumiu a chefia do xogunado e pouco mais tarde, em 1867, subiu
ao trono japonês o jovem imperador Mutsuhito (Meiiji), que reinou por 45 anos,
período que foi chamada de 'restauração', embora tenha tido um claro sentido
modernizador
Adotado em 1868 por Mutisushito, imperador japonês, nasceu em Kyõto a
3 de novembro de 1852 e morreu em Tóquio a 30 de julho de 1912. l2Z~ em
linhagem direta da família real' nipônica, era filho do imperador Kômei, a quem
sucedeu no trono. Coroado em Osaka (1868), no ano seguinte transferiu a capital
para Tóquio. Encontrou o pais em grande agitação e prometeu reformas, a
maioria das quais executou. Durante seu reinado foi abolido o sistema feudal
(1868-1869), com a rendição dos feudos de quatro grandes clãs; introduziram-se
idéias, artes, leis, costumes, escolas, sistemas comerciais etc. do Ocidente; foi
adotado o calendário gregoriano (1873).
O movimento constitucional
O absolutismo constituirá até então a forma ordinária de governo no
Japão. O regime que se estabeleceu depois da restauração dos poderes imperiais
não fazia exceção à regra. O imperador porém prometera. na declaração do trono
de abril de 1868, uma completa revisão dos velhos métodos e a instituição de
um governo cujas decisões obedecessem a um consenso majoritário. O
movimento constitucional nasceu dessa declaração de intenções e teve como
causa imediata a mesma questão política que afastara Saigô Taltamori do
governo antes de chefiar a revolução dos Satsuma em 1877.
Alguns lideres da facção Tosa, tendo à frente ltagaki Taisulte (1537-1919),
deixaram também o governo, aliaram-se a elementos influentes do clã Saga e,
em vez de recorrer à violência, passaram a exigir a formação de uma assembléia
popular que preservasse a unidade da nação e representasse a vontade do povo.
Esse grupo assumiu no ano seguinte o caráter de um verdadeiro partido político,
sob a denominação de Jiyutõ (liberal) e chefiado por Itagaki.
O governo, enfraquecido pela defecção de algumas de suas mais
importantes figuras, viu-se forçado a prometerem 1881, através de uma
declaração imperial. a promulgação de uma carta constitucional para dentro de
nove anos. Essa atitude conciliatória, completada por uma enérgica repressão
policial, aniquilou as organizações políticas de oposição. O Partido jiyütõ
dissolvesse em 1884 e o Kaishintô passou a existir apenas formalmente.
O Japão imperial 
A revolução industrial japonesa iniciou-se na última década do séc. XIX.
As primeiras indústrias de moldes foram, em sua quase totalidade, fundadas,
promovidas, adquiridas e, durante algum tempo, administradas pelo Estado. Os
tratados subscritos com as principais potências estrangeiras no momento da
abertura dos portos (1854) impunham ao Japão uma escala reduzida de tarifas,
que não permitia às novas indústrias crescerem ao abrigo de barreiras
protecionistas.
Consciente dos riscos que um forte endividamento externo poderia
acarretar ao seu programa expansionista. o governo passou a angariar fundos
para o financiamento de seus projetos de desenvolvimento através de rigoroso
sistema fiscal, baseado em recém-criados impostos territoriais. Os progressos
foram inicialmente lentos. Atéo fim da década de 1810, nove décimos do
comércio exterior japonês estavam em mios estrangeiras. Os navios de maior
tonelagem, mercantes ou de guerra, eram construídos em estaleiros europeus e o
grosso do equipamento industrial importado, até 1914.
Em comparação com os países da área porém, o Japão realizou avanços
substanciais Entre 1868 e 1897 as importações de matéria prima para as fábricas
japonesas cresceram cinco vezes, enquanto que as exportações de produto..
acabados, no mesmo período, aumentavam vinte vezes.
Alguns anos depois da restauração, o governo transferiu a empresas
privadas, mediante quantia insignificante, a propriedade dos grandes complexos
industriais que formara e promovera originando os poderosos grupos financeiro
(zaibatsu) responsáveis pela expansão do comércio e da indústria do Japão
durante a segunda metade da era Meiiji.
Apesar dos avanços realizados, os estrangeiros continuavam a gozar de
direitos de extra territorialidade, o que colocava o Japão, unia mente com a
China, em situação de inferioridade perante os países ocidentais,
Desde 1871 o Japão procurava persuadir as potências signatárias dos
tratados, para ele tão humilhantes, a concordarem com uma revisa das cláusulas
que lhe negavam autonomia tarifária e concediam ao estrangeiro direitos
extraterritoriais. As potências beneficiadas não se mostravam, porém dispostas a
submeter seus nacionais à jurisdição de tribunais japoneses enquanto estrutura
do sistema legal do pais não fosse modernizada.
O governo japonês empenhou-se, então numa revisão completa de seus
códigos civil penal. Um acordo parecia iminente quando, em 1889, as propostas
japonesas publicadas na imprensa inglesa provocaram uma violenta reação
nacionalista, levando à interrupção das negociações em curso.
A primeira guerra mundial
Ao fim do período Meiiji, o Japão atingiu a completa paridade com os
países ocidentais e tornou-se, na Ásia, a mais forte potência militar imperialista.
A primeira guelra mundial, absorvendo os recursos dos países europeus, deu-lhe
ampla oportunidade de prosseguir, na Ásia, seu programa expansionista.
Depois de declarar guerra à Alemanha logo ao iniciar-se o conflito, em
1914, as forças japonesas apoderaram-se das possessões germânicas na
península de Shantung.
A nova posição estratégica permitia ao governo de Tóquio exercer forte
pressão sobre a China. quando esta solicitou a devolução dos territórios
ocupados, foi confrontada, em janeiro de 1915, com as chamadas '21
exigências'.
O objetivo da ofensiva diplomática japonesa era, em ultima análise,
reduzir a China à condição de país vassalo. As '21 exigências', divididas em
cinco grupos e apresentadas ao presidente Yüan Shik-k'ai (1859-l9l6), não só se
referiam ás antigas possessões alemãs em Shantung e aos direitos japoneses no
sul da Mandchúria, como impunham também o emprego. pela China, de
conselheiros políticos, econômicos e militares Japoneses, a participação da
policia nipônica na administração das mais importantes cidades e a compra no
Japão de mais de metade do armamento chinês.
Relações internacionais. 
As dificuldades com a URSS, a revolução chinesa e a guerra da Coréia
modificaram substancialmente a posição norte-americana ante o Japão. Em
1947, os E.U.A pretenderam realizar uma conferencia de paz que ocupasse fim à
ocupação e resolvesse em definitivo a situação japonesa Divergências entre os
países diretamente interessados - E.U.A., Reino Unido China e URSS -
mostraram que o assunto não estava ainda suficientemente amadurecido para
permitir uma solução internacionalmente acordada.
A perspectiva de uma ocupação prolongada levou o governo norte-
americano a substituir a atitude de contenção por uma política de recuperação
econômica e pela concessão de um crescente grau de autonomia às instituições
japonesas. A nova política de ocupação foi facilitada pela circunstância de os
vários gabinetes japoneses da época terem feição nitidamente contratadora c
pela rara oportunidade de expansão econômica c comercial que a guerra da
Coréia ofereceu ao pais.
China
História
O mais provável é que derive de Ch'ín, nome da dinastia que unificou o
país. Logo depois da dinastia chou (1122-256 a.C.), o feudo de Tsin, hoje
província de Shensi, tornou-se o mais civilizado do país, advindo, talvez dele o
nome China. Frei Gaspar da Cruz morto em 1570, informa que China era nome
dado pelos indianos e habitantes do sul a região hoje assim denominada, mas o
nome da terra era Tame, com o e mal pronunciado, e Tamgin, seus habitantes,
China, segundo o padre, talvez venha dos navegantes antigos que, viajando
aquela região, negociavam e descansavam em um reino chamado Cauchim
China. Abandonando o nome Cauchim, os navegantes passaram a chamar toda a
região de China. Os árabes, que começam a negociar com a China no séc. VII,
chamam-na Cin, por ouvirem esse nome dos chineses ou por lhes ter chegado
através dos persas. A palavra teria vindo do árabe, através dos dialetos veneziano
e genovês, Cina, ou foi ouvida pelos portugueses que chegaram a China em
1519.
 
Pré-história 
De todas as grandes civilizações mundiais, a chinesa, em sua origem, é a
menos bem documentada. Nada há respeito que se compare ao material
disponível sobre o mundo greco-romano ou mesmo sobre as fontes da
civilização egípcia ou particulares, um enraizamento na poesia modernista
hispano-americanas. Em Veinte poemas de amor, y uma canción desesperada
(1924), os motivos amorosos estão integrados a sentimento da morte e da
existência angustiosa. Mas as obras mais importantes de Neruda são os dois
volumes de Residência en La tierra (1933-1935) e Canto general (1950).
Nesse livro, posterior à sua experiência na Espanha, aparece claramente o
compromisso político, com a atenção para a América Latina.
A angustia metafísica centrada no indivíduo, que caracterizam as
primeiras obras de Neruda, converge pata a vinculação ao coletivo e ao épico. O
compromisso com a realidade não faz desaparecer a temática a morte e a
indagação metafísica, integradas dentro de uma compreensão dialética da arte.
Toda a tradição de poesia retórica, muitas vezes declamatória e torrencial,
sofre na antipoesia de Nicanor Parra (19l4 ) uma ruptura. Segundo Emir
Rodriguez Monegal, Parra escreve uma poesia deliberadamente coloquial, uma
poesia que usa a entonação das frases de todos os dias. Poemas y antipoemas
(1954) provocou escândalos e polêmicas quando surgiu, já que opera uma
verdadeira 'desdignificação' da poesia, graças ao uso de elementos da psicanálise
e à revelação da sordidez e complexidade do mundo moderno. A antipoesia de
Parra tem uma de suas fontes mais poderosas na literatura popular. 
Dinastia Han
(302 a.C. - 221 d.C.). Chamada período anterior ou ocidental, a
monarquia absoluta instituída por Shih Huang. Ti teve como sucessor um
adolescente incapaz, Eul Shih Huang Ti (209-207 a.C.), que se suicidou ao fim
de três anos, em meio a revolta generalizada. Os principais contendores na luta
pelo o poder que se seguiu à extinção da dinastia Ch'in eram dois aventureiros:
Hsiang Yü e Liu Pang. Este último, responsável pelo golpe de misericórdia no
governo Ch'in, através da ocupação da capital, era um camponês, original do
antigo Estado de Ch'u, na bacia do médio Yangtze. Na luta pelo espólio
resultante da vitória, Liu Pang terminou por dominar Hsiang Yü, cujos
ancestrais haviam ocupado um posto hereditário na hierarquia militar do antigo
Estado de Shu.
 A dinastia dos Han se divide em dois períodos: de 202 Ac. a 6 d.C., um
primeiro ramo reinou de changan,onde Liu Pang fundara a nova capital, á
margem direita do rio Wei, em face de Hsien Yang (Hienyang), antiga sede da
monarquia Ch'in; é o período conhecido como Han anterior, ou e ocidental. 
O período intermediário
Com a morte o imperador Wu-ti, em 87 a.C., registrou-se um declínio de
poder e prosperidade, com o conseqüente retorno aos métodos corruptos do
passado. As principais famílias da corte adquiriram uma influencia excessiva,
que terminou por levar ao poder a Wang Mang, homem de notável cultura,
dominado por uma desenfreada ambição. Durante algum tempo manteve no
trono o imperador
P'ing-ti (1 - 8 d.C) que contava então nove anos de idade. Bem cedo,
porém, eliminou-o, proclamando-se imperador e adotando o nome de Hsin (9-23
d.C.) para o império.
A personalidade de Wang Mang tem dado motivo a grandes controvérsias,
mas o mérito das reformas sociais que realizou não pode ser contestado. A mais
importante delas foi a assistência às populações rurais empobrecidas, de uma
distribuição de terras em que família, com mais de oito filhos, recebe uma
propriedade medindo cinco hectares. O tráfico de escravos foi abolido e os
grandes latifundiários obrigados a partilhar nas terras com parentes e vizinhos.
 Duas mudanças de curso do rio Amarelo, ocorridas em 6 d.C e 11 d.C.,
tornaram, porém, ainda mais difícil a situação do homem do campo, enquanto
que as medidas para progê-lo alijavam do trono o apoio e a solidariedade das
classes privilegiadas e da burocracia. O governo desacreditou-se gradualmente,
forçado a enfrentar em meio a uma crise econômica severa, uma série de
rebeliões que terminaram por um assalto a capital e pelo assassinato do
imperador.
Os Três Reinos e as Seis Dinastias (221 589). 
Com o desaparecimento de Pan Ch' ao- responsável pela anexação da
Ásia central ao Estado universal chinês – iniciou-se a queda e a dissolução do
império. A balança de poder inclinou-se progressivamente em favor dos
bárbaros e, apesar de um longo período de paz, a dinastia Han assistiu impotente
à desagregação do pais.
A China entra, nesse passo de sua história, em um período de
esfacelamento político que devia durar quatro séculos. Inicialmente viu-se
dividida em três remos independentes: Wei, no norte, Wu, no médio e baixo vale
do Yangtze, e Shu na região de Szechuan. O prenúncio do destino reservado à
China nos ano' imediatos encontra-se na relação de força entre os três Estados.
Wei era duas vezes e meia mais populoso do que Shu e quatro vezes mais do que
o reino de Wu.
A crise agrária em que soçobrou a dinastia Han teve como resultado o
restabelecimento do regime feudal, com a outorga de poderes dicionários aos
grandes latifundiários. A classe agrícola não foi porém, a única a sofrer em
conseqüências das lutas sociais e assolaram o antigo império. O recenseamento
mostra que a população declinou de 58.487.000 habitantes, em 157, a
16.114.000, em 280.
Com o declínio da monarquia. Wei um dos generais do reino destituiu o
último soberano, fundou a dinastia Ch'in e, por um curto período de tempo (265-
317), reunificou o império. Incorreu, porém, no erro de desmobilizar as forças
militares, enquanto que os senhores feudais se conservaram armados e muitos
dos soldados liberado pelo governo central, sem meios de subsistência,
trocaram, com os bárbaros, suas armas por terras cultiváveis, no norte da China.
Relações sino-japonesas. 
O Japão, ajustando-se melhor e mais rapidamente aos métodos e
processos da civilização ocidental, emergia em 1868 de um prolongado
isolamento, decidido a Se transformar em potência mundial. Já em 1874, com
intuito de experimentar a resistência chinesa, o Japão enviava uma expedição
contra Formosa, de onde se redrou por insistência do Reino Unido, depois de
'indenizado' pela China. As ilhas Ryukyu foram anexadas em 1879. A Coréia,
porém atraia especialmente a atenção japonesa, por sua posição estratégica e
pelas reservas de carvão e ferro encontradas em seu território.
A China, por seu lado, procurava consolidar a influencia sobre o mais
importante de seus Estados tributários, através de medidas administrativas, de
acordos de comércio e de uma recuperação do potencial militar coreano.
Conflitos armados eclodiram entre facções fiéis á China e grupos apoiados por
interesses japoneses. Os dois países enviaram forças militares à Coréia a fim de
debelar o movimento revolucionário. Uma vez restabelecida a paz, as tropas
japonesas recusaram-se a abandonar a Coréia, sob pretexto de que a
instabilidade da situação continuaria a reclamar a presença armada do Japão.
O conflito teve inicio em agosto de 1894, quando a marinha chinesa abriu
fogo contra barcos japoneses. Na luta que se seguiu, a derrota chinesa foi rápida
e decisiva. Em março de 1895, o Japão invadira a Manchúria e a província de
Shantung. capturara Port Arthur e dominara as vias de acesso a Pequim. A China
foi obrigada a pedir a paz. Pelo tratado de Shimonoseki, o governo de Pequim
reconheceu a independência da Coréia, cedeu as ilhas de Formosa e Pescadores
e a península de Liaotung (Leao-tong) na Manchuria, além de uma indenização
de 200 milhões de taéis e abertura de quatro portos ao comercio japonês.
 As reformas provocaram, porém, sérias contestações entre membros do
governo. Tzu-hsi, a rainha-mãe, à frente de um grupo conservador, reassumiu as
rédeas do governo, que abandonara por ocasião da guerra com o Japão, manteve
o imperador como virtual prisioneiro e anulou grande parte das modificações
legislativas recém-introduzidas.
A guerra civil
 A vitória aliada sobre o Japão dissolveu os últimos vestígios de
cooperação entre nacionalistas e comunistas na China. Enquanto que o governo
emergia do conflito enfraquecido e impopular. os comunistas cresciam em vigor
e prestigio junto às massas.
O governo dos E.U.A., preocupado com as conseqüências de uma
provável guerra civil, procurou através da missão confiada ao general George C.
Marshall em 1946, restabelecer a unidade chinesa. Os esforços norte-americanos
para transformar a Liga Democrática, fundada em 1941, em urna possível
alternativa para a solução do conflito interno viram-se frustrados pelos próprios
nacionalistas, e o assassinato do líder democrático Wen I-to apressou o
insucesso da gestão pacificadora.
Nos primeiros anos de luta (1946-1947), os exércitos nacionalistas
tiveram alguns sucessos. Quando tentaram, porém, reocupar a Manchúria,
evacuada pelas tropas soviéticas, experimentaram unta derrota militar decisiva.
Os comunistas, reequipados com as armas tomadas aos japoneses e com o
material norte-americano capturado ou entregue pelas forcas nacionalistas,
passaram à ofensiva em larga escala.
Ao fim de 1948, o exército nacionalista, derrotado em sucessivos
encontros, desintegrava-se. O Kuomintang, dividido internamente, não mais
conseguia impor unta liderança ao país. Em 1949, os comunistas ocuparam
Nanquim, Cantão e Chungking. A 8 de setembro de 1949, Chiang Kai-shelt
refugiou-se em Formosa e declarou Taipei a capital da China nacionalista.
A República Popular da China
 Em outubro e 1949, a República Popular da China foi criada, com
a capital em Peiping, novamente chamada Pequim. Na qualidade de chefe do
partido comunista, Mao Tse-tung tornou-se o mais poderoso líder da China e
chefe do governo, e Chou En-lai, a segunda personalidade do regime, primeiro-
ministro e ministro das Relações Exteriores. O novo governo, controlado pelo
partido comunista, completou a unificação do pais.
 Os primeiros anos após 1949 foram dedicados à criação de um
mecanismo de controle econômico. A reforma agrária, terminada em 1952, fez
desaparecero sistema latifundiário, as comunicações foram restabelecidas, a
inflação dominada e as instituições financeiras e comerciais estatizadas.
Em 1953 foi lançado o primeiro plano qüinqüenal destinado a transformar
a China em uma potência industrial. Nesse estádio do desenvolvimento chinês.
os remanescentes do antigo sistema foram absorvidos.
No curso do VIII Congresso do Partido Comunista, em setembro de 1956,
Chou En-lai anunciou que as metas governamentais não poderiam ser atingidas
em 1957. Na mesma oportunidade, anunciou o segundo plano qüinqüenal (1958-
1962), destinado a elevar em 100% a produção industrial do país e em 35% a
produção agrícola. O novo plano devia iniciar 'o grande salto para a frente'.
Em 1960, o governo viu-se novamente na contingência de anunciar
deficiências na execução do programa traçado, reformulando as metas
propostas. principalmente no Setor agrícola. Um terceiro plano qüinqüenal
entrou em vigor em 1963 com bons resultados na parte referente á agricultura, e
substancial crescimento industrial.
Índia
(BHARAT) Pais do S da Ásia, limitado ao N por Jammu e Cachemir,
China, Nepal e Butan; a NI por Bangladesh e Birmânia; a NW pelo Paquistão a
SE pelo golfo de Bengala; ao S pelo oceano Indico e ao SW pelo mar da Arábia.
Ocupa uma superfície de 3.280.483km2 e sua população estimada para inícios
da década de 1980, é de aproximadamente 665.000.000 habitantes. A capital é
Nova Delhi.
Geografia
Geologia e relevo. Geologicamente, o pais consiste em três elementos
distintos: o Himalaia, a planície Indo-Gangética e o planalto do Decan. Ao N,
como gigantesca barreira natural, ergue-se a cordilheira do Himalaia que com
suas encostas escarpadas e as maiores elevações do planeta, isola complemente
o pais do resto da Ásia. De seus contrafortes desce o mais importante rio
indiano, o Ganges (Ganga), que segue a direção de e, indo desembocar no golfo
de Bengala, por intermédio de um vasto delta situado em Bangladesh, onde
confunde suas águas do Bramaputra. Com os materiais trazidos do Himalaia, o
Ganges construiu a planície lndo Gangética, grande área de formação
sedimentar que se alonga de NE para SW, com largura não superior a 300km,
uniforme, de altitudes modestas, de formação recente e extraordinariamente rica
em aluviões, que se renovam em cada cheia do rio. A planície Indo-Gangética é
a região vital do país.
 Para o S estende-se o planalto do Decan, bloco triangular maciço,
constituído por terrenos cristalinos e vulcânicos, um dos remanescentes do
continente de Gonduana, que teria existido no Paleozóico. Trata-se de área
profundamente acidentada, em cujos bordos se elevam montanhas escarpadas,
com altitudes inferiores a 3.000m: são os Gates ocidentais, voltados para o mar
da Arábia, e os Gates orientais, que se debruçam por sobre o golfo de Bengala.
No sopé dessas elevações abrem-se planícies litorâneas.
População
Grupos-étnicos. Algumas regiões do pais caracterizam-se por grande
diversidade racial, enquanto outras apresentam certa uniformidade. As
populações da maior parte do norte da índia são predominantemente de origem
mediterrânea (europóides) As castas numericamente dominantes são os jates, os
rajputes, os banianos e os kurmis; no Estado de Bihar, especialmente no vale do
Ganges, vivem as grandes tribos dos santals, hos e oraons, de origem vedóide; as
planície de Bengala são habitadas pelos bengaleses, que pertencem ao tipo racial
mediterrâneo, enquanto elementos assameses e mongolóides coexistem no vale
do Bramaputra, embora as áreas montanhosas de Bengala e Assam sejam
ocupadas por comunidades tibeto-birmanesas, a maioria de origem mongolóide.
Na índia central, ponto de contato entre as línguas indo-ariana e drávida, existem
civilizações tribais arcaicas, mas diversas tribos, como os saoras, gadabas,
bondos, bhils e gonds, além dos maratas e télugos, não vivem em isolamento
comparável ao das tribos das montanhas de Assam. No Sul, predominam os
tâmiles de língua drávida, e as populações de língua malaiala, além dos grupos
não-hindus, como os elementos de descendência árabe. 
Economia
Agricultura e pecuária. A grande maioria da população indiana depende
da agricultura, atividade que concorre com 40-45% do valor total das
exportações do país durante esse período, aumentado satisfatoriamente. O II
Plano qüinqüenal (1956-61) deu menos atenção à expansão agrícola, lato que se
refletiu no aumento das importações nacionais de gêneros alimentícios, mas,
mesmo assim, durante a década 1951-61 o crescimento da produção agrícola foi
superior ao aumento da população. Já o III Plano qüinqüenal (1961-66) previu
uma expansão da produção agrícola da ordem de 22% sobre a colheita de 1960-
61, índice que não foi alcançado. O pais produz. Principalmente arroz, chá,
trigo, milho, cana-de-açúcar, algodão, juta, café e amendoim, havendo ainda
culturas comerciais de cacau e papoula.
As atividades pecuárias são disseminadas por todo o país, destacando-se
os rebanhos bovino (o maior do mundo), bubalíno, ovino e caprino.
Extrativismo e mineração.0 extrativismo vegetal intensa produção de
madeiras, agora realizada sob controle governamental nas reservas florestais.
Os principais recursos minerais do país são o carvão (em Bihar-Bengala
Ocidental), ferro (em Madhya Pradesh, Karnataka), manganês, cromita, vanádio,
petróleo, chumbo, ouro e cobre; existem depósitos de bauxita em Madhya
Pradesh, e de mica em Bihar; a ilmenita é encontrada sobre tudo em Kerala, e no
Nordeste há grandes ocorrências de tório.
Indústria. A indústria indiana divide-se basicamente dois setores: (1) o
das manufatura tradicionais, desenvolvidas no séc. XIX e principalmente
orientadas para o mercado externo; (2) o das indústrias recentes. A primeira
categoria. inclui as indústrias têxteis (juta e algodão), bem como o
beneficiamento de alimentos, e extrativas (chá, café, borracha etc.). 0 segundo
grupo compreende as indústrias mecânica, de equipamentos elétricos, produtos
químicos e uma grande variedade de bens de consumo. A maior parte da mão-
de-obra industrial concentrava-se, em 1966, no setor manufatureiro. Os
principais parques manufatureiros localizam-se em Bombaim Bengala
Ocidental, Uttar Pradesh, Madrasta Bihar.
Comércio. A Índia importa sobretudo cereais maquinaria e minérios, que
procedem do Reino Unido, EUA, Japão, República Federal da Alemanha, URSS
e Canadá; e os principais produtos de exportação do país são juta, couro, chá
artigos de algodão e minério de ferro, que têm como maiores compradores a
URSS, FUA, J. pão, Reino Unido, República Federal da Alemanha e Itália.
História
 História antiga. A invasão da Índia por tribos árias, por volta de 2000 ou
1500 a.C., inicia o período histórico propriamente dito. Os árias, povos nômades
vindos do Iran, ocuparam a região do Punjab e dominaram a já decadente
civilização dos hindus, absorvendo-lhe numerosos elementos. Tem inicio então o
Período Védico (c. 1500-c. 500 a.C.), narrado nos Vedas, hinos sagrados de
diferentes épocas, escritos em sânscrito. O RigVeda descreve as lutas dos árias
contra os drávidas, no vale do Indus, e dá uma idéia da vida e da sociedade nesse
tempo; os três outros Vedas - Sarna-Veda, Yajur- Veda e Atharva-Veda -,
seguidos pelos Brahrnanas Upanichades, narram a fase da conquista da planície
Indo-Gangética, quando, através da síntese ário-dravidica, surge o hinduísmo,
com sua sociedade dividida em castas e varnas ou ordens. O período Védico se
encerra no final do séc. VI a.C, quando surgiram novas ideologias e religiões
que transformaram o ambiente intelectual do país. Entre os vários reformadores.
religiosos que pregaram novas orientações dentro docontexto do hinduísmo,
destacam-se Buda, filósofo e reformador social, e Mahavira (540-468 a.C.),
último profeta jaina, que deu origem ao jainismo. Tais pregações encontraram
ambiente propício entre os magádicos, em franca prosperidade comercial.
Domínio britânico
A visão de um império europeu na Índia foi concebida por Dupleix
governador francês de Pondichéry, corno parte da luta mundial anglo-francesa
pelo comércio marítimo na América, África e Ásia. Coube, porém, ao inglês
Robert Clive construir aquele império, usando métodos de Dupleix. Processou-
se, então, a lenta conquista da Índia, a principio limitada, mais tarde total. As
divergências entre os príncipes, a utilização de tropas indianas contra os próprios
indianos, a ambição e a habilidade dos ingleses tornaram possível transformar o
Subcontinente indiano cm colônia britânica, dividida em duas partes distintas (1)
Índia britânica, inicialmente sob a administração direta da Companhia e, depois,
do governo imperial (2) Estados nativos, que consertavam suas dinastias, mas
sob a supervisão política dos ingleses.
O Indian civil Service. A espinha dorsal do poderio britânico na Índia foi o seu
funcionalismo civil. O serviço público, que o governador-geral Warren Hastings
(1772-85) começou a organizar, refinou-se, gradativamente, até atingir a
suprema perfeição a que chegou. Cada Estado tinha sua cultura, sua língua, seus
costumes e abusões. Isso dificultava a tarefa da administração; mas, por outro
lado, impedia que se formasse a unanimidade contra o opressor. o inglês era
aceito pelos príncipes nativos como árbitro, e sua tirania preferida à dos rivais.
O que em nada diminui a excelência do ICS, que soube manobrar com
habilidade entre todos os escolhos e impor-se por lauto tempo a uni
Subcontinente inteiro, variegado, movediços e hostil.
Independência
Com o fim da II Guerra Mundial e o vento de um governo trabalhista na
Inglaterra, foram anunciadas eleições para a Constituinte. Unia missão foi
enviada à Índia para discutir com o vice-rei e os lideres políticos indianos. Já
havia então governos responsáveis nas províncias e, na falta de um acordo, a
missão tomou suas decisões: criação de um governo provisório só com ministros
indianos, excluído o Paquistão. Muçulmanos e hindus empenharam-se, em
seguida, em combates violentos, e quando a Constituinte reuniu-se foi boicotada
pelos muçulmano e pelos Estados indianos. O governo anunciou para junho de
1948 a independência e a partilha da Índia, em dois Estados: o Paquistão e a
Índia com fronteiras a demarcar. Ocorreram então enormes deslocamentos de
populações e terríveis. massacres em que cerca de 500.000 pessoas per deram a
vida. Até março de 1948, cerca 6.000.000 de hindus e sikhs migraram do
Paquistão Ocidental para a Índia enquanto 6.500.00 muçulmanos deixaram o
território indiano. A 30-1-1948, Gandhi foi assassinado por um fanático hindu,
que o considerava responsável pela partilha, e o visconde de Mountbatten foi
substituído no governo-geral da Índia por Chakravarti Rajagopalachari.
A constituição de 1949, que instituiu a União Indiana no quadro da
mmonwealth, entrou em vigor em 1950. Rajendra Prasad foi o primeiro
presidente da nova república; Nehru continuou como primeiro-ministro.
Assumiu então gravidade o problema da constituição territorial do pais. Grandes
Estados, como Misoro, mantiveram-se inalterados, ficando seu marajá como
raJpramukh (princípe-presidente), enquanto os pequenos tiveram de agrupar-se
sob um rajpramukh único; outros perderam a autonomia ou foram incorporados
a antigas províncias. O Haiderabad, cujo nizam recusou submissão, foi ocupado
em 1948. Depois de 1952, houve uma tendência para reagrupar os Estados
segundo fronteiras lingüísticas. Essa política foi aceita oficialmente pelo
governo em 1956, mas motivou sérios conflitos entre gujarates e maratas, em
Bombaim. Também a questão de Cachemir levou a um conflito com o Paquistão
em fins de 1948, e em janeiro de 1949 o território ficou dividido, de fato, em
duas partes. Nehru e Mohamed Ali, primeiro-ministro do Paquistão, decidiram
realizar um plebiscito em Cachemir, mas a adesão do Paquistão ao Pacto de
Bagdad prejudicou as negociações.
Movimento nacional indiano
Embora externamente a apresentação tradicional da vida indiana se
mantivesse intacta, a ação gradual do modernismo ia esvaziando as velhas
crenças de todo o seu conteúdo, principalmente entre as elites. Dotados dos
meios fornecidos pelo Ocidente, tanto culturais e materiais como ideológicos,
logo formaram os indianos um movimento nacionalista, que reivindicou, a
principio, maior participação de nacionalistas administração, para logo em
seguida se transformar em movimento de autodeterminação e emancipação. Dos
esforços de síntese religiosa e valorização do hinduismo, tais como o Brahmo
Samaj, o Arya Samaj, as doutrinas de Ramakrishna e seu seguidor, Swami
Vivekananila, e a criação da Sociedade de Teosofia perto de Madrasta, passaram
os indianos à ação política, liberal e nacional, mostrando-se insatisfeitos com a
pequena participação dos nacionais na administração e formando sociedades
como a Associação Indiana e o Congresso Nacional Indiano. Este Congresso
reivindicou, em 1906, o Swaraj ou a independência após Lima sucessão de atos
de terrorismo e conspirações antibritânicas, contra a divisão de Bengala e a
discriminação racial. Entre 1909 e 1914, sobreveio nova onda de terrorismo, que
vitimou altas autoridades, ferindo o novo vice-rei, Lord Hardinge. A visita do rei
Jorge V, em 1911, de que resultou a anulação da divisa-o de Bengala, contribuiu
para acalmar os ânimos. Ao mesmo tempo, projetava-se, na África do Sul, um
novo líder, Mohandas Karamchand Gandhi, e um novo método da resistência
passiva, não cooperação e não-violência.
A I Guerra Mundial contribuiu para a intensificação do movimento de
libertação, pelo crescimento da indústria indiana e pela participação na e luta ao
lado dos ingleses, o que avivava as esperanças de concessões ao nacionalismo
após o conflito, como pensava o próprio Gandhi. Em 1916, o Congresso e a Liga
pela Autonomia (Home Rule League) chegaram a um acordo sobre um mínimo
de reformas a serem exigidas: era o Pacto de Lucknow. Mas as agitações não
cessaram, es ocorrendo novos choques entre muçulmanos e hindus. 
Conclusão
Concluímos com esta pesquisa que foi de suma importância. Tivemos a
oportunidade de adquirir mais conhecimentos sobre o Japão, China e Índia.
Pesquisamos vários tópicos e acompanhamos de um modo geral toda a
história dos mesmos.
Bibliografia
Cordier, Henri
Biblioteca sinica;
Dictionaire bibliografhique des ouvrages relatfs à L’Empire chinois.
Texto gentilmente cedido por Fabrício Fernandes Pinheiro (fabpage@achei.net)
www.sti.com.br

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