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Uma mulher inesquecível
A woman to remember
Miranda Lê
Argumento
Luke St Clair o tinha tudo: êxito, dinheiro. Era atrativo, as mulheres caíam rendidas a seus pés…
Mas, era feliz?
Possivelmente deveria procurar uma preciosa garota australiana com a que casar-se e fundar uma família. Embora era pouco provável que isso pudesse acontecer. Tinha encontrado à mulher com a que sempre tinha sonhado, mas depois de um breve e apaixonado encontro, ela tinha desaparecido.
Então um golpe de sorte lhe fez encontrá-la de novo, só que… ela era a senhora Rachel Cleary.
 
Prólogo
Tirou a roupa da mala e a deixou sobre a cama: um vestido mini estampado de leopardo que deixava as costas ao descoberto e com um tirante pacote ao pescoço, umas sandálias douradas de salto alto atadas aos tornozelos e um cinturão de cetim cor nata que contribuía a criar a sensação de que estava nua debaixo do ajustado vestido.
Nada mais, nem prendedor, nem meias, nem combinação.
Um calafrio a percorreu as costas ao pensar no aspecto que teria vestida com tal traje, com sua juba loira solta ao redor de seu rosto e seus ombros, seus exuberantes lábios ressaltados ainda mais com o perfilador e pintados com um lápis de lábios impossível de apagar.
Nada sutil.
Não obstante, era o aspecto que desejava ter. Não havia tempo que perder; não podia aparecer com seu habitual aspecto de senhora. Não tinha tempo para recatos nem acanhamentos. Só dispunha de uma noite. Só umas poucas horas.
Sentiu um desmaio ante a idéia do que ia fazer, ante a idéia de como tinha que comportar-se para conseguir o que queria e depressa. meu deus! O que lhe tinha passado esse último ano? No que se converteu?
Por um segundo, esteve a ponto de abandonar a idéia, mas o desespero e uma imensa frustração a decidiram a seguir adiante. Tinha que voltar para casa pela manhã, a casa com seu marido moribundo, a casa a viver mais semanas de decepção, desespero e solidão tais como nunca antes as tinha vivido.
Não podia deixar escapar essa oportunidade. Tinha que aproveitá-la. Simplesmente tinha que fazê-lo.
Agarrou o periódico dobrado sobre o travesseiro e se assegurou da direção da exposição fotográfica, quão única tinha podido encontrar aberta aquela quarta-feira de noite. Não conhecia nem a rua nem a galeria, mas fazia anos que tinha deixado de viver e trabalhar no Sidney.
Apontou a direção com a esperança de que a inauguração fora como as de sempre; cheia de solteiros de vida alegre muito sociáveis. Por descontado uma percentagem dos homens aparentemente disponíveis seriam gays, precisamente os mais bonitos, mas sempre haveria uns quantos homens machistas sem vergonha nem moral.
E onde está seu moral, Rachel?, perguntou-se burlando-se de si mesmo.
Em casa, disse-se em voz alta enquanto atirava o periódico ao cesto de papéis. junto com todas as outras coisas que uma vez foram importantes para ela. A vida agora era distinta. Era outro o jogo, disse-se endurecendo seu coração e dirigindo-se a grandes passos ao banho enquanto se tirava seu anel de bodas.
Não havia tempo para sentir-se culpado essa noite. Nem para remorsos. Nem, Deus o quisesse, para a vergonha. A vergonha era para as algemas normais em circunstâncias normais. Não cabia em sua vida atual. Não havia lugar!
Capítulo 1
Terá que ir ao dentista.
Luke se meteu os dois calmantes na boca e os tragou com um grande copo de água. 
–Irei quando voltar aos Anjos –respondeu a sua mãe com um sorriso, apartando da pia da cozinha–. Não os tenho tão mal.
Grace não ia se render, não ia abandonar seu papel de mãe.
dava-se conta de que o sorriso de seu filho podia fazer enlouquecer ao gênero feminino. Enlouquecer, desarmar e desorientar por completo. A seus trinta e dois anos Luke se converteu em uma arma mortal no que se referia a seu aspecto. Os anos e a vida finalmente lhe tinham concedido certas linhas interessantes a seu belo rosto, antes excessivamente terso, sobre tudo ao redor de seus olhos e de sua boca, lhe dando um atrativo sexual maior que nunca.
Seus dois irmãos maiores eram homens de aparência agradável, mas Luke era quase um deus. Tinha herdado o melhor de seus pais: a altura, as boas proporções corporais, a pele cor azeitona clara e os espetaculares olhos escuros de seu pai, e os rasgos simétricos, os maçãs do rosto altos e os lábios esculpidos com sensualidade de sua mãe. Tudo junto resultava uma mescla potente.
De adolescente tinha sido um êxito entre as garotas, e sem dúvida agora era um êxito entre as mulheres. Era uma pena que não tivesse encontrado nenhuma com a que estabelecer-se, pensou Grace.
A verdade era que não se relacionava com o tipo de mulheres que ela tivesse escolhido para nora. A vida do Luke como fotógrafo pessoal e privado das estrelas de Hollywood supunha que seu círculo de conhecidos imediatos eram os famosos do mundo do cinema. Dificilmente era a classe de gente que se distinguisse por seus largos compromissos ou seus valores tradicionais.
Grace, como mãe, desejava que algum dia Luke voltasse para casa, a Austrália, a viver para sempre e não que viesse só de passagem uma semana ao ano mais ou menos. Ele era um australiano de coração, e estava segura de que seria mais feliz em casa.
Nos últimos tempos não parecia muito contente. Sempre tinha olheiras e sua boca esboçava um gesto cínico que a punha muito triste. O jovem que tinha ido ver mundo e a fazer fortuna dez anos atrás nunca tinha sido um cínico.
O homem que chegou no dia anterior de viagem sim o era, e fazia tempo. E não estava contente.
Não era que fora fácil estar animado e alegre com uma dor de dente contínua. Sabia o difíceis que são os homens quando têm algum problema físico, e por isso não estava disposta a lhe deixar postergar sua visita ao dentista.
–Não vais voltar para Os Anjos até no domingo da semana que vem. Isso são duas semanas inteiras. Não pode seguir assim tanto tempo. Luke, não seja infantil. Senhor!, sei que odiava aos dentistas quando foi menino, mas já é um homem. Será possível? –disse com um gesto de desaprovação, sabendo que nada molesta mais aos homens que lhes cravar em seu ego masculino–. A seus trinta e dois anos ainda tem medo do dentista.
–Não tenho medo do dentista –respondeu mal-humorado–, simplesmente eu não gosto de me sentar nessa maldita cadeira. Ódio a sensação que produz sentar-se aí, impotente e a mercê de outro.
Grace olhou o gesto teimoso de sua mandíbula. Seu filho menor sempre tinha querido seguir seu próprio caminho sem sentir-se pressionado. Ninguém tinha conseguido que fizesse nada que não queria fazer, nem lhe dissuadir de fazer o que queria.
Apesar de tudo tinha que admitir que admirava sua tenacidade e decisão. atrevia-se a fazer coisas com as que outros só sonhavam. Perseguia seus sonhos e os fazia realidade. Ao menos no que se referia a sua profissão. Em sua vida privada, não tinha tido muito êxito. perguntava-se o que teria sido daquela jovem atriz com a que viveu fazia um par de anos. As cartas do Luke anunciavam um matrimônio iminente, e de repente todo se esfumou.
Grace nunca esqueceria o aspecto severo que tinha quando voltou para casa um par de meses atrás. E a amargura que sentia sobre as mulheres. É obvio não lhe tinha contado nada. Os meninos deixam de confiar em suas mães quando descobrem o sexo oposto. Com isso Luke tinha ocorrido fazia já seus bons vinte anos.
Mas o que ele fora um homem feito não queria dizer que ela deixasse de ser sua mãe, nem que deixasse de fazer as coisas típicas das mães.
–Ir ao dentista não é tão terrível como antes –argumentou com sensatez–. As novas técnicas são virtualmente indolores, e têm um gás que relaxa muito se for nervoso.
–Mas lhe colocam um montão de bolinhas de algodão na boca e não pode nem pensar –respondeu irritado–. E logo está essa espécie de gancho que faz ruídos infernais, por não mencionar o modo em que escava por todos os rincões. Ao final parece um marciano.
–Assim que essa é a raiz do problema. Simplesmente quer estar esplêndido para que te veja a preciosa e menuditaenfermeira do doutor Evans.
Luke levantou a sobrancelha direita com um gesto irônico de interesse:
–O doutor Evans tem uma enfermeira preciosa e menudita?
–Tinha-a a última vez que fui. meu deus!, se o tivesse sabido a teria mencionado antes. De modo que ainda sente debilidade pelas mulheres bonitas, não é assim?
Seu olhar era seca. Confirmava a suspeita do Grace de que alguma mulher lhe tinha ferido, e ferido de gravidade.
–Já não me interessam as mulheres bonitas, agora só me interessam as mulheres esplêndidas.
–E há agora alguma mulher esplêndida em concreto da que eu deva ter notícia?
–Não.
Aquilo era lhe surrupiar, pensou Grace, mas não obstante insistiu:
–O que foi daquela Tracy da que estava acostumado a escrever? Parecia que foste casar te com ela.
–íamos fazer o, mas ao final decidiu abraçar sua carreira antes que me abraçar a mim –disse com ironia e frieza.
–E porquê ia ela a ter que escolher? Acreditava que as garotas americanas o queriam tudo, matrimônio, filhos e uma carreira.
–Mamãe, não siga te acreditando essas histórias da televisão, não são mais que fantasia. Tracy nunca quis casar-se. Sonhava sendo a senhora do Luke St Clair, mas não suportava ter bebês e ao menos teve a suficiente honestidade para me dizer isso à cara. Para mim não tinha sentido o matrimônio sem filhos, assim que o deixamos.
–Muito bem feito. Um matrimônio sem filhos tivesse sido um desastre para ti.
–O que te faz pensar isso? –perguntou surpreso.
–OH, Luke, não seja tolo. Sou sua mãe. Sei destas coisas.
–Ah... o instinto feminino, não?
–Não, o instinto maternal. E o exemplo de seu pai. Seu pai foi um pai estupendo, e nesse aspecto saístes a ele.
–Bom, então vai ser um desastre porque não me vejo me casando, e não digamos tendo filhos.
–Tanto amava ao Tracy?
–OH, Deus, não é isso. Juro-te que isso já o superei.
–Então, o que é, Luke? –perguntou confusa–. Só tem trinta e dois anos. Ainda tem tempo de te casar e fundar uma família –um tenso silêncio invadiu a cozinha. Luke se esfregou o queixo e franziu as sobrancelhas–. Quem é ela? Outra atriz?
–Esta é exatamente a razão pela que não lhe conto nada, mamãe –disse enquanto a exasperação se refletia em seus olhos negros–. antes de que me dê conta já está me julgando. Deixemos o tema das mulheres, de acordo? vim a passar umas férias e a me relaxar, não a confrontar uma versão moderna da Inquisição espanhola.
–Eu só quero o melhor para ti –tratou de defender-se–. Só quero que seja feliz, como Mark e Andy.
Luke a olhou por um momento. Um triste sorriso desvaneceu por fim a frustração que se refletia em seu rosto. dirigiu-se a sua mãe e a abraçou.
–Não sou desgraçado, mamãe. Por Deus!, o que poderia me fazer desgraçado, além desta dor de dente?
Grace se deu conta de que não ia conseguir lhe surrupiar nada mais sobre sua vida amorosa, mas ao menos o tema do dentista não o ia deixar acontecer tão facilmente.
–Nesse caso não estou disposta a te consentir mais tolices. vou chamar ao dentista e te vou consertar uma entrevista. Se lhe disser que é urgente estou segura de que te fará um oco esta mesma manhã. Eu mesma te levarei. Tenho que fazer umas compras, e posso as fazer enquanto te espero.
–Bom, está bem. Já vejo que está decidida. Conheço-te, uma vez que tomadas uma decisão é incapaz de te jogar atrás. É mais teimosa que uma mula.
Fazia falta ser um teimoso para compreender a outro teimoso, pensou Grace com ironia enquanto se dirigia a chamar por telefone.
Às dez em ponto, Luke estava sentado junto a sua mãe no velho sedan azul. Sentia certa ambivalência ante o lugar ao que se dirigiam. Tinha-lhe mentido a sua mãe quando disse que não lhe dava medo o dentista. Sim tinha medo.
Mas aos trinta e dois anos isso não se pode admitir publicamente, e menos ante alguém que toma a brincadeira ou que o utiliza como uma arma contra ti.
Ser um homem adulto era às vezes um trabalho solitário para o que terá que ter sangue-frio, disse-se Luke a si mesmo. Os homens adultos não se queixam e menos ainda choram nos ombros de sua mãe. Não, Por Deus! Um verdadeiro homem olhe à vida de frente e não pisca ante a adversidade. Passasse o que acontecesse, terei que seguir adiante, forte, auto-suficiente e em silêncio.
Às vezes odiava ser um verdadeiro homem, sobre tudo quando terei que ir ao dentista.
–Não entendo por que não me deixa que te compre um carro novo –lhe disse enquanto sua mãe saía da garagem–, ou uma casa nova –lhe ocorreu para ouvir o ensurdecedor ruído de um Jumbo sobrevoando o céu.
–Eu gosto de viver no Monterrey. vivi aqui desde que me casei. Seu pai e eu fomos muito felizes nesta casa. Aqui lhes criei a ti e a seus irmãos. Quase todos meus amigos vivem perto, e não só isso; seu pai está enterrado a só duas milhas, e eu...
–Está bem, está bem, já o entendi. Só pretendia fazer algo por ti, mamãe, isso é todo –Luke adorava a sua mãe. E a admirava muito.
Ela não se derrubou quando se ficou viúva cinco anos atrás depois de quase quarenta anos de matrimônio. Não tinha pedido a nenhum de seus filhos que lhe deixasse viver com ele. Tinha refeito sua vida e tinha saído adiante sozinha, enchendo suas solitárias horas com trabalhos voluntários. Era uma pessoa fantástica.
Mas podia ser um pouco pesada quando lhe colocava algo na cabeça.
–Pode fazer algo por mim, Luke –disse de repente.
–O que?
–Vêem a Austrália a viver. Estou segura de que uma vez que esteja aqui encontrará a uma garota para te casar e ter todos os filhos que queira.
Luke sentiu uma pontada de emoção no mais profundo e escuro de seu coração, mas a afogou escondendo seus sentimentos o melhor que pôde. Era impossível lhe contar que já tinha encontrado a uma garota no Sidney a última vez que veio. Por desgraça, ela não se levou de tudo bem. Nem tampouco era do tipo de garotas que se casam e têm filhos.
Apesar de todo Luke tinha sido incapaz de esquecê-la. Nem sequer um minuto. De dia estava obcecado com ela e de noite lhe perseguia em seus sonhos. Estava destroçando sua paz espiritual pouco a pouco.
Sua mãe lhe dizia que não parecia feliz. Mas como ia ser o se já não sabia nem o que queria nem o que ia fazer com sua vida? havia-se sentido perdido desde aquela manhã fazia dezoito meses em que despertou e se deu conta de que ela não estava. Buscou-a e procurou mas não encontrou nenhuma pista. Era como se ela não tivesse existido.
Mas sim tinha existido. Só tinha que fechar os olhos e as lembranças voltavam para sua memória. Sua cara, sua paixão, o calor de seu corpo que o devorava tudo.
Deus! Se pudesse esquecê-la, se pudesse deixar de recordá-la.
–Luke? Não me responda com o silêncio. Não suporto que um de meus filhos esteja calado meditando com tristeza a meu lado.
Luke voltou em si e conseguiu ocultar-se depois de um gesto frio para dirigir-se a sua mãe, muito intuitiva.
–Pensava que Andy e Mark tinham conseguido encher por completo seus instintos de avó, mamãe. Entre os dois têm cinco preciosos filhos, três meninos e duas garotas, além de duas noras perfeitas. A verdade é que não me necessita para aumentar o número de netos nem de noras. Dois de três não está mau, não crie? Não lhe Portes como uma dessas velhas casamenteiras ou terei que ficar em Los Anjos para toda a vida –o olhar ferida de sua mãe lhe fez sentir-se culpado e mostrar seu arrependimento–. Estava brincando, mamãe. Sabe que é minha garota preferida e que não posso me separar de ti por muito tempo.
–Adulador –respondeu ela, mas Luke percebeu que esse comentário lhe tinha gostado.
Grace se acalmou. Luke se tornou para trás em silêncio tratando de esquecer seu mal-estar olhando a preciosa paisagem tão familiar dos arredores. ficou olhando as águas do Botany Bay a sua direita, e logo ao limpo céu azul. Em nenhum sítio do mundo se viam céus como os da Austrália. Sua claridade e seu brilhantismo eram únicos, mas ofereciam muito contraste de luz, não eram um fundo fácil para fazer boas fotografias.
Para fotografar bem a Austrália, fazia falta uma equipe e uma destreza especial, a menos que a gente tomasse fotosinstantâneas ao amanhecer ou no crepúsculo. Ele não tinha desenvolvido essa destreza, mas precisamente por isso podia constituir um desafio, pensou de repente.
Sua paixão tinha sido sempre fotografar gente, desde que era um menino. especializou-se no retrato, sobre tudo em branco e negro, e tinha feito uma pequena fortuna com isso.
Houve um tempo em que lhe entusiasmava surpreender às pessoas com suas fotografias aduladoras. As modelos e atrizes com um álbum de fotos do Luke St Clair podiam contar com uma boa posição no difícil mundo dos espetáculos dos Estados Unidos. Buscavam-lhe e lhe pagavam bem por seu trabalho. Podia fazer frente a fatura importantes.
Mas, com franqueza, converteu-se em um pouco aborrecido.
Além já não precisava seguir trabalhando por dinheiro. Fazia um investimento muito interessante em um pequeno filme que tinha surpreso ao mundo fazia um par de anos e que lhe rendia o suficiente. Possivelmente tinha chegado o momento de pôr-se a voar no relativo à fotografia, por dizê-lo de algum jeito, de procurar uma nova direção que satisfizera sua criatividade.
Possivelmente sua mãe tivesse razão, começou a refletir. Possivelmente fora já hora de voltar para casa, se não para casar-se sim ao menos para encontrar um novo caminho em sua vida. Não podia continuar como o último ano. estava-se destruindo.
–Deixarei-te aqui –lhe disse sua mãe lhe aproximando do meio-fio da calçada–. A consulta está nesse pequeno arco dali. Há uma escada estreita que conduz a um corredor. A consulta é a segunda porta subindo as escadas à esquerda. Encontraremo-nos logo nesse café da esquina. que chegue primeiro esperará ao outro.
Sentia um formigamento no estômago enquanto subia as escadas e abria a porta de cristal. Uma moréia muito atrativa o olhou do mostrador de recepção e lhe dedicou um sorriso sedutor muito expressivo.
–Posso lhe ajudar?
Luke fez tudo o que pôde por ignorar o silencioso convite que lia em seus preciosos olhos azuis. Automaticamente foi o olhar à mão direita e sentiu que um peso lhe tirava de cima ao ver nela um anel de compromisso com um diamante. Durante o último ano, a verdade, converteu-se em um horrível viciado em sair com garotas, as convidar uma noite, levar-lhe à cama e não voltar às ver nunca mais.
Não estava orgulhoso dessa conduta, mas era compreensível. Castigava a essas garotas tentando castigá-la a ela. desculpava-se a si mesmo pensando que só escolhia às que lhe apressavam, a aquelas que deixavam bem claro o que queriam dele. Tal e como o tinha feito ela. Esperava alcançar certa escura e retorcida satisfação por ser ele quem as seduzia e perseguia. Entretanto pelas manhãs se sentia como um rato, e com cada episódio se odiava mais e mais a si mesmo.
As mulheres envoltas o ignoravam, mas estavam muito melhor sem ele. Desde aquela noite se converteu em um bastardo no terreno sexual. Sua única defesa radicava em que só seduzia a mulheres solteiras e sem compromisso. Aquilo lhe reconfortava em parte e suavizava seus crescentes escrúpulos ao pensar que ainda não era um completo canalha.
–Meu nome é St Clair –disse omitindo a propósito seu nome de pilha–. Tenho entrevista às dez e meia.
–Ah, sim, o senhor St Clair. Temo-me que o doutor Evans vai um pouco atrasado com as visitas. Terá que esperar um quarto de hora, mais ou menos. Quer tomar um chá ou um café enquanto isso?
Chá ou café? Possivelmente tomasse um uísque, mas certamente isso não podia oferecer-lhe –No gracias. Esperaré.
–Não obrigado. Esperarei.
–Há muitas revistas –lhe sugeriu enquanto procurava assento em uma das poltronas negras de pele que se alinhavam diante da parede branca.
Luke tentou por todos os meios acalmar-se. Colocou o tornozelo direito sobre o joelho esquerda e deixou que seus braços se relaxassem em cima dos da poltrona. Mas logo viu que seus dedos tamborilavam sobre a pele negra com impaciência. Ao final escolheu uma das revistas semanais de fofoca feminina que havia em cima da mesa e sorriu com ironia ao ver que era de fazia quatro anos.
Começou a olhá-la sem interesse, só por passar o momento, e tivesse passado de comprimento uma foto se não tivesse sido porque lhe chamou a atenção o titular que a encabeçava: MODELO ABANDONA SUA BRILHANTE CARREIRA PARA CASAR-SE COM UM NOTÁVEL CIENTISTA.
Fazia anos que Luke já não ganhava a vida fazendo fotos para as revistas de fofoca, mas durante esse tempo muitas de seus amigas se feito modelos, e algumas delas tinham sido mais que amigas, assim abriu a página dobro por curiosidade, para ver se conhecia a da foto.
Olhou-a, mas era impossível reconhecer a ninguém, os rostos estavam escuros e só viu que o noivo tinha o cabelo cinzento. Assim olhou a parte inferior procurando nomes.
Não lhe soou de nada quando leu que a modelo de vinte e dois anos Rachel Manning se casou com o cientista especialista em genética Patrick Cleary na catedral do St Mary, no Sidney, aquela tarde do sábado quatro anos antes. Só quando se fixou em uma foto mais pequena da noiva a reconheceu.
haveria-se posto pálido?
Luke supôs que sim.
Seus nódulos certamente ficaram brancos ao agarrar com força as páginas. Abriu os olhos ao máximo para ver a foto da sorridente noiva, a gloriosa e deliciosa beleza da noiva com sua juba dourada.
Que inocente parecia com seu vestido de noiva, pensou cheio de ira. A imagem da pureza perfeita. A essência mesma da feminilidade intacta.
A cólera começou a crescer dentro dele ao ceder a surpresa. Estava casada! A muito zorra estava casada!
Deus! Isso explicava muitas coisas. Muitas condenadas coisas.
Muitas coisas daquela noite lhe tinham estado rondando pela cabeça. Muitas perguntas sem resposta.
Agora tinha a resposta.
Seguro? O fato de que estivesse casada quatro anos antes não significava que seguisse estando-o fazia dezoito meses. Existia o divórcio, não? Possivelmente não fora uma adultera. Possivelmente houvesse razões para comportar-se como o tinha feito aquela noite. Sim, bom, também era possível que chovesse ouro do céu, pensou cinicamente. Mas por que desapareceu enquanto ele dormia, sem deixar o menor rastro de sua verdadeira identidade?
–O doutor Evans lhe receberá agora, senhor St Clair.
Luke tratou de pôr uma cara normal. Fechou a revista e a deixou cair junto às outras no rincão. Esquece-a, sussurrava-lhe seu sentido comum.
ficou em pé e se dirigiu à porta, agora aberta, onde lhe esperava a enfermeira. Nem sequer se fixou em sua beleza. Tampouco estava já nervoso. Ela dominava seus pensamentos de novo, lhe fazendo esquecer o presente.
Distraído, sentou-se na poltrona dos pacientes e fechou os olhos. Sua mente vagava pelas lembranças. Como podia esquecê-la agora? Agora que por fim tinha um nome.
Rachel.
Não lhe havia dito seu nome quando lhe pescou aquela noite na exposição fotográfica. Nem soube à manhã seguinte, quando despertou e se encontrou com que se partiu.
Rachel...
Certamente, não lhe pegava, disse-se com rancor.
Pegava-lhe à noiva da foto, mas não à provocadora criatura felina que se passeou ante sua vista aquela noite. Rachel soava a grande dama, mas não tinha sido uma dama a que com tanto descaramento se aproximou dele, tinha-lhe tirado sua bebida das mãos e tinha bebido um grande gole. Não o era a que lhe tinha sorrido seductoramente por cima do copo antes de pronunciar a proposição mais terminante e surpreendente que tinha ouvido jamais de nenhuma mulher. E tinha ouvido umas quantas em sua juventude.
O dentista lhe falava enquanto trabalhava, mas Luke não ouviu nenhuma só palavra. Sua mente estava naquela exposição, escutando-a dizer aquelas palavras outra vez, revivendo cada momento daquela noite inesquecível mas destrutiva.
 
Capítulo 2
Tenho uma habitação em um hotel perto daqui –disse com voz rouca e sexy fechando seus incríveis olhos verdes–. Se estiver tão aborrecido como parece, possivelmente queira te unir a mim.
Luke se alegrou de que o copo estivesse entre esses esbeltos e elegantes dedos de largas unhas pintadas de bronze. De outro modo tivesse derramado a bebida sobre suascalças. Embora possivelmente não fora uma má idéia. por aí abaixo ocorriam certas coisas às que lhes tivesse vindo bem uma ducha fria.
ficou olhando fixamente aqueles exóticos e profundos olhos. Era mais seguro que olhar o resto. Não era que não lhe tivesse jogado já uma boa olhada enquanto serpenteava devagar para ele através da galeria. Tinha um rosto alucinante, de um exotismo perfeito, emoldurado por uma juba loira de leoa selvagem, e um corpo mais que alucinante. Alta e magra, com peitos altos e firmes, um decote chamativo, cintura pequena e umas largas, larguísimas pernas.
Vestia de um modo descarado para seu gosto, tão mini que não deixava nada à imaginação. Deus! Se levava algo debaixo não lhe notava nada. A seda se aderia como uma segunda pele, o tirante pacote ao pescoço deixava nus os ombros e braços, e a escassez da saia mostrava tal extensão da perna, firme e moréia, que tivesse sido o orgulho de uma artista de strip–tease.
Isto último lhe fez perguntar-se que fazia ela para ganhá-la vida. Embora possivelmente fora melhor não sabê-lo.
Pelo general ele se sentia atraído por garotas tranqüilas, de bom tom, mulheres sofisticadas de carreira que ocultavam pela metade uma sexualidade desafiante que ele tinha que descobrir. Mulheres que mandavam mensagens ocultas e silenciosas que ele devia interpretar e que nunca convidavam abertamente, como esta criatura descarada.
–Tem por costume fazer esse tipo de proposições a desconhecidos? –perguntou tentando controlar sua surpresa e sua excitação.
disse-se a si mesmo que se sentia assim porque não tinha estado com uma mulher desde que rompeu com o Tracy fazia um par de meses. Mas no fundo sabia que não era por isso. Tinha desejado a essa tigresa do mesmo momento em que a tinha visto.
Suas sobrancelhas perfeitamente arqueadas se franziram ligeiramente:
–É americano –disse.
Podia-lhe haver dito a verdade mas algo... uma estranha tensão que essa conclusão errônea tinha provocado em lhe fez guardar-se para si seus orígenes australianos. Haviam-lhe dito muitas vezes que tinha acento americano, mas nunca o tinha acreditado até esse momento.
–Você não gosta dos americanos? –perguntou tomando o copo de suas mãos e bebendo-lhe tudo. Tinha a sensação de que o ia necessitar para passar a noite.
–Isso depende –disse com certa ironia–. Está de férias ou vive aqui?
–De férias –disse com sinceridade. «Mas posso ficar aqui indefinidamente se isso significar que passarei todas as noites contigo», pensou.
Sentia já o sangue correr quente por seu corpo. Sentia...
Sua estado de excitação podia ter sido um motivo de confusão evidente se não tivesse sido porque levava uma jaqueta de corte comprido e solto sobre umas calças de sport também largos. Luke pôde agüentar o desconforto.
Não tinha intenção de lhe deixar ver essa tigresa que estava preparado. Seu ego masculino insistia tanto em jogar duro como seu sangue se revolvia ante o terminante corpo dela. Ao menos um minuto, pensou burlando-se de si mesmo.
–Acaso isso me desqualifica? –inquiriu com lentidão.
–Ao contrário –murmurou ela. Sua voz rouca lhe produziu um estremecimento nas costas–. eu adoro os turistas. Especialmente os altos, morenos e bonitos com olhos negros e sexys. Está sozinho, não é assim? Sem mujercita nem noiva no hotel ou na América, não?
–Estou tão solo– disse tratando de resultar frio mas sentindo de tudo exceto frio–, que resulta insolente.
–Nada teu é insolente, bonito. É definitivamente maravilhoso e perfeito. Vêem comigo...
Lhe tirou o copo das mãos, de repente geladas, para deixá-lo no estou acostumado a lhe oferecendo uma vista completa dos muito perfeitos peitos. levantou-se, sorriu como uma sereia, deslizou a mão direita na sua esquerda e começou a lhe levar longe, atravessando a planta superior da galeria e logo baixando as largas e brancas escadas.
O último remanescente de sentido comum se impôs por fim em seu cérebro paralisado e lhe fez deter-se, resistindo por um momento o impulso hipnótico dos suaves dedos femininos entrelaçados aos seus.
–Não será uma buscona, não? –perguntou com voz rouca olhando a de frente nas escadas.
Não pôde equivocar-se ao interpretar o shock momentâneo que viu em seus maravilhosos olhos verdes.
Suspirou de alívio porque, o que teria feito se lhe houvesse dito que sim?
De qualquer modo se teria ido com ela, assim pediu desculpas.
–foi minha culpa. Esquece-o –murmurou–. Vamos, querida.
Era evidente que só era uma garota que queria passar um bom momento. Queria uma confusão de uma só noite, sem complicações, sem ataduras. dava-se conta disso na medida em que não era seu estilo habitual.
E não servia de nada pretender que não lhe tinha afetado. Estava mais que afetado. Ela parecia lhe haver enfeitiçado com uma sexualidade primitiva e tentadora que emanava de cada um dos poros de seu corpo. Saía em feitas ondas, urdindo seus encantos ao redor de seus sentidos, excitando seu corpo e sua imaginação, lhe fazendo perguntar-se como seria passar uma noite com ela.
Manteve o olhar sobre ele enquanto o levava pelo resto das escadas e pelo abarrotado vestíbulo. Seus olhos às vezes pareciam sorrir como convidando-o, outras pareciam comprovar que ainda estava ali, como se nem sequer ela mesma pudesse acreditar que ia acessar com tanta facilidade.
Era um de olhar de vulnerabilidade inesperada que começou a intrigá-lo. Começou a suspeitar que esse tampouco era um comportamento habitual nela. Voltou-o a olhar assim uma vez mais depois de que saíssem por fim à rua, e ele de repente a levou para um portal escuro e a atraiu para si para abraçá-la.
Seu grito sufocado de assombro e seus olhos, quase assustados, confirmaram sua opinião de que não estava acostumada a esse tipo de jogos tão perigosos. Ou isso, ou nunca tinha deslocado um verdadeiro perigo.
–Mas, tontita –grunhiu quase furioso por esse último pensamento–, não te dá conta do perigo que corre saindo com um estranho?
Levantou seu queixo, e em seus verdes olhos brilhou a irritação de sua resposta:
–Isso quer dizer que trocaste que opinião, não é assim? Se for assim, diga-me isso maldita seja! –ela tentou liberar-se de seus braços–. Esta noite não tenho tempo para covardes.
–Covardes! Pequena... –raios de furor invadiram, seu cérebro como trovões.
Sem dar-se conta a tinha agarrado do cabelo atirando dele e levantando seu queixo ao máximo, e antes de que ela tivesse tempo de fazer nada, os lábios dele apagaram a surpresa dos dela e a beijou como nunca tinha beijado a uma mulher antes. Com raiva, não com paixão, com o desejo de feri-la e castigá-la, não de seduzi-la.
Mas o resultado final foi a sedução.
Ele resultou seduzido, não ela. Porque enquanto sua língua se trabalhava em excesso pelas profundidades de sua boca ela gemeu com uma queixa que lhe comoveu como nenhum outro gemido de mulher lhe tinha comovido, lhe fazendo que queria protegê-la, não castigá-la, abraçá-la, não feri-la.
Era impossível seguir beijando-a com essa força. Sua língua se suavizou e começou a escorregar sinuosamente pela dela, sua mão livre procurou as pequenas costas e a pressionou para ele. estremeceu-se ao senti-la desfalecer contra ele, logo ante o som de outro gemido mais largo e mais sensual, que anunciava uma rendição total ante o poder masculino. Sentia seu próprio poder, e não podia esperar a possuir esse corpo nu e estremecido sob o seu.
–A habitação do hotel –murmurou contra sua boca–, está longe?
Ela respondeu sacudindo a cabeça em sinal de negativa, roçando seus lábios a um lado e a outro. Percorreu-lhe um calafrio ao sentir que uma corrente de sangue ia conseguir culminar sua excitação como não lhe acontecia desde que tinha quinze anos. Tragou saliva e se separou do calor do corpo dela para olhar seus verdes olhos dilatados grosseiramente. Ela o olhava... assombrada, precaveu-se. Assombrada e por completo a sua mercê. Pensar nela assim resultava estimulante e embriagador, uma fantasia masculina feita realidade. Impossível de resistir.
–Então me leve ali –murmurou– e depressa.
Ao tocar o dentistaseus dentes com o torno Luke voltou para a realidade, ao menos fisicamente. Sua mente seguia revoando entre suas lembranças ainda nítidas.
Tinha-o enganado com esse ar de vulnerabilidade, com sua rendição na aparência inconsciente? Acaso tinha sido tão ardilosa e inteligente, acaso era tão perita em seduzir a desconhecidos que lhe tinha feito acreditar que era ele quem governava a situação, quando em realidade era ela a que dirigia os fios e fazia todos os movimentos?
Queria acreditar com desespero que ela nesse momento não estava casada, embora parecia provável que o estivesse. aferrou-se à idéia de que em todo aquela caso tinha sido sua primeira incursão no adultério.
Não obstante não podia negar que tinha ido à exposição preparada para uma noite de sexo furtivo, vestida para a ocasião e armada até os dentes com a equipe necessária para reduzir a parvos como ele a um sentimentalismo instantâneo.
Voltando atrás em suas lembranças se deu conta de que tinha tentado proteger sua verdadeira identidade por todos os meios, evitando o risco de que a pilhassem alguma vez em sua escandalosa conduta. Queria cometer uma loucura do tipo que fora, mas não queria deixar rastros dela. O único interrogante que ficava por descobrir era por que tinha assumido tanto risco em metade da noite.
Não podia ter sido a propósito, pensou, a menos que fora parte de uma louca fantasia que queria fazer realidade. Preferia pensar que simplesmente se deixou levar, igual a ele se deixou levar.
Essa era uma das razões pelas que lhe apanhou. Porque ele nunca se deixou levar dessa maneira antes. Ou ao menos desde que...
–Nem sequer sei seu nome –disse quando por fim fechou a porta da habitação do hotel.
Nenhum dos dois tinha falado. Tinham percorrido às pressas duas maçãs e tinham entrado no hall de um hotel pequeno mas elegante. Não era não um lugar para entrevistas trocas.
No elevador tinham estado tensos, a presença de outro homem tinha feito impossível conversação ou contato físico algum. Luke logo que era consciente do que lhe rodeava enquanto a seguia ansioso pelo corredor. Teve a breve impressão de que o tapete era estampado em vermelho e de que havia fotografias de navios em branco e negro nas paredes.
–Meu nome? –repetiu como se estivesse perdida na névoa.
Gostou de sua desorientação, sua forma de gritar quando a atraiu bruscamente a seus braços.
–Não importa. Não haverá nomes esta noite. Já nos diremos nossos nomes pela manhã.
Ele a beijou de novo antes de que a névoa se dissipasse.
Deus! Como gostava da mulher em que se transformava quando a beijava, gostava dos sons que fazia sob seus beijos, gostava de sentir fundidos ao mesmo tempo os lábios e o corpo dela. Nunca antes tinha conhecido a uma mulher tão dócil em seus braços. A doce rendição a seus lábios e a suas mãos enchiam de poder embriagador; podia fazer com ela o que quisesse.
Agradou-lhe lhe tirar a roupa, a pouca que levava.
Agradou-lhe levá-la a enorme cama e tendê-la, aturdida na aparência, sobre ela.
Agradou-lhe terrivelmente sentar-se ao lado de seu glorioso corpo nu e tocá-la por toda parte... a sua vontade, e muito, muito a fundo.
Não lhe deteve, só o olhava com frágeis olhos verdes e de vez em quando seus sensuais lábios gemiam. Era evidente que gozava, e isso a enfeitiçava e parecia que a surpreendia. Acaso não esperava desfrutar de suas carícias? Ou era que não estava acostumada a que um homem desse prazer a ela em primeiro término dessa maneira?
Ela se aproximava do clímax, notava-o. Suas coxas começavam a tremer. Quando começou a arquear suas costas, ele parou bruscamente, e ela gritou de frustração.
Só quando se incorporou se deu conta de que sua respiração era tão forte e rápida como a dela. Deus! Fazia anos que não se excitava dessa maneira, nem que uma mulher lhe cativava assim. Sem essa exagerada roupa parecia uma pessoa por completo distinta. Não ficava já nada grosseiro nela. Tinha curvas clássicas e uma beleza de uma fragrância doce. Inclusive era loira autêntica.
Não pôde esperar a enterrar-se nesses suaves e dourados cachos, a enlaçar a suas redor essas largas e adoráveis pernas e a ver esses lábios exuberantes formar uma Ou no momento do orgasmo.
Era curioso, não pensava em sua própria satisfação, que sempre tinha sido para ele uma prioridade. Antes, quando fazia o amor a alguma mulher o primeiro que lhe preocupava era ele mesmo. Mas essa vez não. Essa vez queria dar mais do que recebia.
Luke apenas se reconhecia a si mesmo desde que entrou na habitação. sentia-se todo poder, mas era um poder moderado por uma estranha ternura. Se não tivesse tido experiência, teria acreditado que ao final se estava apaixonando. Mas embora não fora assim era uma experiência por completo distinta do resto das que tinha tido.
Nem sequer se lembrava da primeira vez que fez o amor ao Tracy, embora ele então se imaginou que estava apaixonado. Mas essa vez sabia de antemão que não ia poder esquecer essa noite enquanto vivesse.
–Alguma vez tem feito isto antes, verdade? –perguntou-lhe enquanto se despia e deixava a jaqueta em uma das colunas da cama.
Ela se lambeu os lábios e abriu bem os olhos para olhá-lo:
–por que diz isso? –sua voz era rouca, como se o desejo lhe tivesse secado a boca e a garganta. Mas não todo o resto. O resto estava longe de estar seco, recordou com uma sacudida em seu estômago.
–Parece muito nervosa.
–Não sou virgem –protestou tremendo.
–Não hei dito que o seja –mas seu olhar sim o era enquanto observava seu corpo médio nu.
A mescla de fascinação e medo dela provocaram no Luke uma verdadeira comoção. Sabia que tinha um bom corpo, sabia que estava bem preparado para satisfazer as fantasias de quase qualquer mulher. Assim não houve queixa quando por fim se tirou sua roupa interior. De fato viu como ela reagia tragando saliva.
–Onde puseste os preservativos? –disse-lhe unindo-se a ela na cama e acariciando-a com ternura todo o corpo. Ela tremeu descontrolada e fechou os olhos–. Né –disse em voz baixa mas com firmeza–, os preservativos?
Uma chicotada a agitou; seus olhos verdes desfaleceram:
–OH, Deus! –suspirou sacudindo a cabeça de um lado a outro–. Não pensei. Simplesmente não pensei.
Sua confusão lhe afetou, apesar do molesto de seu ingênuo esquecimento. Teria que assegurar-se de que não voltaria a cometer enganos tão perigosos outra vez. Mas não haveria outra vez, ela não voltaria a ter outro amante que não fora ele depois dessa noite. Disso sim que se tinha que assegurar. Ela não voltaria a ter uma aventura com um estranho.
–Está bem –lhe assegurou tratando de não mostrar seu aborrecimento–, sempre guardo um em minha carteira.
E isso era o que realmente lhe incomodava. Um. Só um! foram necessitar mais de um essa noite. Duvidava entre vestir-se nesse momento e procurar uma farmácia de guarda ou fazê-lo depois.
Depois, disse-se a si mesmo, muito depois.
Não podia esperar um minuto mais. Nem um segundo.
–Não! –gritou ao vê-lo ficar de pé.
Olhou-a impaciente e confuso por cima do ombro.
–Não o que?
–Não, não posso. Não posso...
Luke não tinha intenção de deixá-la trocar de opinião até esse ponto. Só pensá-lo resultava excessivo, além do que podia agüentar.
–Está bem –murmurou dando-a volta para tomar seu rosto entre as mãos com firmeza e olhá-la fixamente ao fundo de seus angustiados olhos verdes–. Te entendo. Acaba de te dar conta de quão tola foste esta noite. Mas eu sou um bom menino. De verdade. Não te farei mal, encanto. Te vou fazer o amor de maravilha –lhe prometeu pressionando suas costas contra o travesseiro e beijando-a.
Ele continuou beijando-a até que ela começou a abraçar-se a ele retorcendo-se com um desejo renovado. Mas nem sequer então se atreveu a abandoná-la, mas sim reforçou seu triunfo temporário deslizando seu corpo para baixo e beijando-a por toda parte para que ela não pudesse detê-lo, embora tivesse que deixá-la por um momento.
Lhe alcançou quando voltou para a cama e atirou dele para que ficasse em cima sem lhe dar já um só momento de descanso. Para então Luke estavaa ponto de explorar de todas formas, assim quando ela se abriu para ele, entrelaçando suas pernas ao redor de suas costas, não teve outra opção.
O penetrou em seu corpo, quente, meloso, estremecendo-se de agradar ante seu delicioso abraço. Apenas se moveu dentro dela quando uma primeira e brutal contração apertou sua carne, e isso foi já muito. Não pôde agüentar uma segunda; seu corpo vibrava com tremores até que chegou a um clímax descontrolado, seus espasmos se harmonizaram com os dela e continuaram e continuaram por uma eternidade.
Por fim todo tinha acabado. Ele se derrubou sobre ela sentindo-se satisfeito. Mas inclusive depois houve mais prazer; uma doce intimidade surgiu entre eles. Lhe rodeou com os braços e lhe apertou, abraçou-lhe fortemente contra seu peito. Ele a mordiscou com seus lábios na orelha esquerda e ambos compartilharam sua satisfação. sentiu-se deliciosamente amado e amante, cada músculo e cada membro se alagaram de calor e de uma maravilhosa paz.
Não queria deixá-la, mas teve que fazê-lo ao final. Voltou do banho da habitação o mais logo que pôde. Então começou a compreender o que a Bíblia tinha querido dizer quando falava sobre um homem e uma mulher unindo-se para formar uma só carne.
sentia-se só meio homem ao separar-se dela, viciado já aos sentimentos que provocava nele.
Estava tombada a um lado da cama observando-o quando voltou a entrar na habitação. Sua postura mostrava as deliciosas curvas femininas da cintura, quadril e perna. Os peitos pareciam avultados, os mamilos duros, e as pálpebras se fechavam pesados e incrivelmente sensuais ao olhá-lo lentamente de cima abaixo.
O coração lhe deu um tombo quando os olhos dela passaram por seu sexo, até então flácido, que mostrou um efeito imediato. lembrou-se imediatamente de que devia vestir-se para ir à farmácia antes de nada, mas ela sorriu com esse sorriso de sereia e tirou um braço em sinal de convite. Atraiu-o à cama e começou a cuidar dele com essa mão lhe proporcionando uma ereção em só uns minutos.
Transposto pela repentina mudança de papéis ficou simplesmente convexo, surpreso e sem fala enquanto ela continuava beijando-o e cuidando de cada milímetro de seu corpo. Não havia nada nem o mais remotamente virginal nela nesse momento; tudo o que fez estava planejado para lhe atormentar até o ponto em que não houvesse volta atrás, e sem lhe garantir nenhum descanso.
Conheceu o calor envolvente de sua boca, a tortura brincalhona de sua língua, o contato excitante de seus dedos que sabiam à perfeição o que fazer para lhe levar a loucura e logo parar em metade da corrente.
Tentou deter suas sensações fechando os olhos, mas comprovou que era um engano desastroso. Porque durante esses segundos de se desesperada escuridão ela ficou em cima dele lhe apertando os quadris e introduzindo seu membro duro profundamente dentro dela. Abriu os olhos em um vivo lamento de pânico, mas ela já estava cavalgando em cima dele e seus verdes olhos brilhavam selvagens.
–Não –se lamentou ele débil, patéticamente. –Sim, sim.
Procurou seus quadris com as mãos para apartá-lo. Mas em lugar disso agarrou sua carne e a urgiu para que o fizesse mais forte, mais rápido. Começou a levantar e baixar ele seus quadris e sentiu algo incrível.
Deus! Ela estava tão quente por dentro, tão quente. Podia sentir seu próprio sangue esquentando-se mais ainda, correndo por suas veias como a lava. O vulcão de seu desejo não ia conter se essa vez, nem a controlar-se. Fervia mais e mais a cada rufo de tambor de seu amalucado coração, e logo erupcionó, fluindo dentro do centro de sua feminilidade, que a sua vez tremia de espasmos, arrastando gemidos selvagens de seus pulmões ofegantes.
Quando o clímax teve passado, ele se levantou para deixá-la sobre a cama de modo que pudesse beijá-la e sentir o calor de sua boca também.
assombrou-se ao encontrar lágrimas correndo por suas bochechas. Não sabia o que dizer; não pôde pensar em nada mais que em embalá-la perto dele, lhe dar golpecitos nas costas e dizer o primeiro que lhe ocorresse.
–Não chore, meu amor. Por favor não chore. Não posso suportá-lo. Cala, minha vida. Não tem nada do que preocupar-se, nada. Como te hei dito antes sou um bom menino. E posso ver que você também é uma boa garota. Somos boas pessoas. Cala, encanto, cala. Dorme, é uma boa garota. Sim, isso. Dorme.
Por fim ambos dormiram... embora Luke demorou um momento em repensar sobre o que tinha passado. Esperava encontrar-se bem. Esperava que ela fora uma boa garota. Se não era assim, acabava de cometer a maior estupidez de toda sua vida. Deitar-se com uma desconhecida.
Desprotegido. E além disso, para rematá-lo tudo, apaixonou-se por ela.
–Preparado, senhor St Clair –a cadeira se elevou ficando direita. A enfermeira soltou o clipe do guardanapo que tinha ao redor de seu pescoço.
Luke abriu os olhos negros e olhou à enfermeira sorridente sem compreender. Logo viu o relógio da parede. As doze menos dez. Tinha estado com o dentista ao redor de meia hora e não havia sentido nada! A menos que contasse o que tinha estado passando por sua cabeça. E por seu coração.
Uma raiva impotente fluía sob a máscara fria que simulou para o dentista e sua enfermeira enquanto lhes dava as obrigado e se despedia, e logo para a recepcionista enquanto pagava a fatura.
–Espero que desfrute de sua estadia na Austrália, senhor St Clair –disse lhe recordando que ainda tinha acento americano.
–Estou seguro de que será assim –respondeu tratando de não refletir uma inexorável satisfação em sua voz. «Desfrutar» não era a palavra adequada, mas estava seguro de que essa visita ia ser memorável. Ao menos tinha um nome que lhe pôr a sua obsessão. Um nome e um passado. Não ia deixar uma pedra sem remover até que não se encontrasse cara a cara com a mulher que lhe tinha açoitado durante todos esses meses.
E quando a tivesse encontrado?
Só Deus sabia o que ia fazer. Porque ele não sabia.
–Importa-lhe que me leve uma dessas velhas revistas? –perguntou a recepcionista–. Há uma foto de uma velha amiga minha.
–Naturalmente, leve-lhe e a mim também, se quiser, pareceram dizer seus olhos.
Zorra infiel, pensou enquanto se dirigia a grandes passos ao rincão da mesa. Todas as mulheres o eram, todas as mulheres belas deste mundo.
Tomou a revista em questão sem voltar a olhar a foto e a guardou sob seu braço saindo a grandes pernadas da habitação.
Capítulo 3
Sua mãe lhe esperava no café com um capuccino diante dela, um donut com geléia e nata a sua esquerda, um periódico a sua direita e uma bolsa de plástico com compras a seus pés. Fechou o periódico ao lhe ver aproximar-se e o dobrou, franzindo as sobrancelhas quando retirou a cadeira e se sentou.
–E agora o que te passa? conseguiste que te arrume as demola?
O reprimiu um protesto. Concederia-lhe cinco minutos, e logo se iria em um táxi ao aeroporto onde alugaria um carro decente. Necessitava suas próprias rodas. E a privacidade que elas lhe conferiam.
–Não me passa nada. Estou bem. Meus demola estão bem. Faz bom tempo. A vida é bela.
–Então por que segue de mau humor?
–Senhor! O que passa contigo? Tem uma antena maternal especial que controla meu estado de ânimo cada vinte passos? Simplesmente vim e me sentei. Como pudeste medir meu estado de ânimo? Nem sequer hei dito uma palavra e já tem feito um julgamento instantâneo.
–Está estranho –observou certeiramente.
Não pôde evitá-lo. Teve que rir. Era impossível lhe esconder nada a sua mãe. O qual lhe fez recordar algo. Deslizou a revista desde seu braço a uma cadeira livre e pensou em algo para distrai-la.
–me diga, mamãe. Foi alguma vez infiel a papai?
–Deus de minha vida! O que pergunta!
–Essa não é uma resposta. É uma evasiva.
–Necessito um momento para recuperar o fôlego. Posso perguntar por que o diz?
–Bom, você é uma mulher bela. Nas fotos vi que quando te casou com papai estava preciosa. E as mulheres maravilhosas revistam tropeçar com tentações pelo caminho, estejam casadas ou não.
Grace se perguntou com que maravilhosa mulher casada se esteve mesclandoseu filho, mas astutamente se absteve de perguntar. Por essa vez.
–Não direi que não tive minhas ofertas –respondeu com sinceridade–. E não direi que não me senti tentada uma ou duas vezes. Mas consegui me manter fiel a seu pai. Tecnicamente falando, claro está.
Luke piscou pela surpresa:
–Tecnicamente falando? –repetiu aturdido–. O que quer dizer com «tecnicamente falando»? 
–Bom, uma vez deixei a um homem que me beijasse durante mais segundos dos que devia. 
–Ah, e isso é tudo?
–Eu pensei naquela época que isso era terrível. Mas ele era muito bonito. E encantador. Eu me senti adulada de que se encaprichara de mim. Ele tinha pouco mais de trinta anos e eu era uma estúpida de quarenta e um que pensava que já tinha passado meu melhor momento e me sentia se desesperada por um pouco de atenção. E ele me deu isso.
–E te teria dado muita mais se você lhe tivesse deixado? –perguntou Luke mas bem seco–. Quem era esse casanova?
–Ninguém que você tenha conhecido. Era dinamarquês, veio de visita o Sidney um verão. Seu pai o conheceu no Púb de abaixo e foi tão parvo que lhe convidou para jantar uma noite.
–E você lhe deixou que te beijasse aquela mesma noite? –Luke não podia conter sua surpresa.
Um pequeno rubor de culpabilidade avermelhou as bochechas pelo general pálidas de sua mãe.
–Como te hei dito –murmurou–, era encantador.
–Como ocorreu? E onde estava papai, o muito tolo?
–Vendo a televisão, como sempre. Eric se ofereceu a me ajudar a esfregar os pratos, e mais ou menos me abandonou contra a pia da cozinha. Ao princípio estava assustada. Mas quando começou a me beijar, tenho que admitir que eu gostei. Bom, parei-lhe antes de que as coisas fossem muito longe, mas quando se foi pensei muito nele. Sabia em que hotel se alojava, porque ele se empenhou em me dizer isso e um dia chamei a sua porta. Mas quando respondeu me entrou pânico e fui.
–Já vejo...
–Você crie, Luke? Duvido-o. Eu amava a seu pai, foi um bom amante quando era jovem. Mas o tempo e a confiança podem resultar terríveis no dormitório. Chega o aborrecimento, e seu pai trabalhava muito. A maior parte das noites estava muito cansado. Nossa sexualidade se reduziu a uma ou duas vezes rápidas ao mês, e eu era o suficientemente parva como para não saber o que fazer. Assim, é obvio, era uma vítima propícia para o Eric, que em realidade era um indesejável de primeira ordem.
Luke franziu as sobrancelhas:
–Não me está mentindo, verdade, mamãe? Não foi com ele, não?
–É obvio que não. Saí e me comprei um salto de cama negro e comecei a fazer algumas dessas coisas das que só conhecia pelos livros. E depois disso as coisas melhoraram.
–Mamãe! Estou assombrado –disse com um sorriso zombador–. Que pícara!
Ela se ruborizou um pouco mais, embora estava encantada consigo mesma. Ele se sentia muito orgulhoso dela naquele momento. Tinha tido a tentação diante, quando seu pai estupidamente a descuidou, mas sua bondade essencial o tinha superado tudo até o final.
Luke franziu o cenho. Não todas as mulheres eram tão fortes nem tão decentes. Algumas eram criaturas débeis e egocêntricas que saíam, tomavam o que queriam e ao diabo com aqueles que resultassem feridos pelo caminho.
Apareceu um garçom que perguntou ao Luke se queria tomar algo. Respondeu que não com a desculpa de que tinha a boca ainda insensível pela injeção, o qual era certo, mas a verdade era que não podia suportar estar aí sentado por mais tempo. Havia lugares aos que devia ir, pistas que seguir e uma mulher que encontrar.
–Importaria-te que te deixasse, mamãe? –perguntou-lhe assim que se afastou o garçom–. Enquanto estava no dentista me lembrei de que prometi ao Ray que iria ver o a próxima vez que viesse.
–Ray? Que Ray?
–Ray Holland. É um fotógrafo –«que espero e reza para que ainda viva e trabalhe no Sidney», pensou.
–Nunca ouvi falar dele. Vê-o, outra vez. O único amigo teu fotógrafo de que ouvi falar é Theo. Não é muito lisonjeiro. Lembrança que o pobre Theo se tomou um trabalho desonesto para conseguir te levar a sua exposição a última vez que veio, e logo à manhã seguinte chamou por telefone queixando de que desapareceu aos dez minutos de chegar.
–Sim, bom, durante os últimos anos o trabalho do pobre Theo passou que ser muito bom a ser a porcaria mais pretensiosa. Pensei que se ficava ali mais tempo aquela noite ao final acabaria dizendo-lhe –¡Vamos, mamá! ¿De verdad esperas que te lo diga? Dejé de contarte a dónde iba cuando pasé de los dieciocho.
–Aonde foi aquela noite? Se mal não recordar não veio a casa.
–Vamos, mamãe! De verdade espera que lhe diga isso? Deixei de te contar aonde ia quando passei dos dezoito.
–Não te subestime, Luke. Tinha quinze. Foi o menino mais rebelde e difícil que Deus pôs neste mundo. E vejo que não melhoraste muito. Ainda é difícil.
–E rebelde?
–Rebelde não é um adjetivo que pegue a um solteiro de trinta e dois anos. Deixemo-lo em difícil.
–Sim, deixemo-lo –disse Luke ficando de pé. dava-se conta de que sua mãe ia acabar lhe chantageando de algum modo. Tinha esse brilho nos olhos que proclamava que sua curiosidade feminina não estava satisfeita.
As mulheres podiam ser muito teimosas quando queriam de verdade saber algo. Se a fria razão não servia, inventavam qualquer truque: desde exigências ao estilo tortura a China até silêncios de seda, passando por correntes de lágrimas.
Luke podia suportá-lo tudo exceto as lágrimas. Sempre o destroçavam.
–Devo ir, mamãe. Tenho muito que fazer hoje. E antes de que te ofereça, não, não quero que você me leve. vou alugar um carro.
–Deverás jantará esta noite? –perguntou Grace.
–O que vais cozinhar?
–Não tenho intenção de lhe dizer isso se essa for a única razão pela que vais vir a casa.
–Nesse caso pode me surpreender. Verei-te por volta das sete, encanto –disse lhe dando um beijo na bochecha enquanto recolhia com rapidez a revista feminina da cadeira do lado.
Grace observou a seu filho sair com passo irado do café, muito consciente dos olhares femininos famintos que o seguiam. Suspirou fatigada pela resignação. «Esse menino não vai fazer nada bom», pensou olhando a revista enrolada sob sua mão direita.
«E tudo está relacionado com uma mulher, isso garantido. Uma mulher que aparece nessa revista que está tratando de esconder. Uma mulher casada, sem dúvida, com a que se encontrou a última vez que veio e com a que vai se voltar a encontrar outra vez em segredo».
«OH, Luke... Luke...»
Grace sacudiu sua cabeça descontente. Quando ia aprender que não há futuro possível com uma mulher casada? Nenhum futuro!
Luke andava impaciente de um lado para outro pelo salão do apartamento do Theo esperando a que saísse seu amigo do quarto escuro de revelar fotos.
Ainda não podia acreditar em sua sorte nem na facilidade com que tinha obtido seu objetivo. Em só uma hora desde que deixou a sua mãe já saía dos escritórios da revista com a direção do Ray Holland em suas mãos. Meia hora mais tarde Luke entrava no estudo do fotógrafo no Randwick, e uma vez mais tinha tido a sorte de pilhá-lo justo antes de que saísse. Luke tinha abordado o tema de maneira imediata.
O senhor Holland, de quarenta e poucos anos e vestido na moda, recordava muito bem as bodas dos Cleary porque tinha trabalhado com a noiva com antecedência muitas vezes. Sua especialidade tinham sido os trajes de banho e a roupa interior como modelo de passarela.
Tinha ouvido dizer que «sua querida Rachel», Luke não pôde evitar que lhe chiassem os dentes para lhe ouvir chamá-la assim, tinha voltado para trabalho de modelo. No mundinho da fotografia se rumoreaba que seu marido tinha morrido recentemente e que as dificuldades econômicas a tinham forçado a trabalhar de novo.
Essa última notícia teve um efeito ambivalente sobre ele. Por um lado, não podia negar seu júbilo ao saber que o objeto de sua obsessão era de novo livre, mas a notícia de que seu marido tinha morrido recentemente significava que ainda estava casada aquela noite fazia dezoito meses, e isso renovou seu rancor para ela.
Mulher infiel, pensou para si mesmo enquanto apontavao nome e a direção da agência de modelos para a que ela trabalhava.
Enquanto conduzia para a agência lhe passou pela cabeça a ligeira suspeita de que seu marido, muito mais velho, estivesse doente no momento em que ela cometeu o adultério. Uma circunstância como essa tivesse mitigado em parte sua culpa se ela se comportou com estilo e com classe na hora de arrumar sua entrevista, mas não tinha havido nada disso em sua forma de vestir aquela noite nem em sua maneira de escolhê-lo a ele, ou na maneira em que desapareceu depois quando ele estava dormindo.
Isso era algo que nunca lhe poderia perdoar; o ter fugido dele do modo em que o fez, lhe deixando preocupado e cheio de dúvidas, lhe fazendo sentir-se como um parvo e atormentando-se durante meses até que uma segunda análise de sangue lhe confirmou que não estava a ponto de morrer por haver-se ido à cama com uma desconhecida.
Sempre tinha querido encontrar-se com ela cara a cara e ver o que era o que tinha para que o atormentasse daquele modo. Mas também para lhe perguntar por que. por que lhe tinha escolhido a ele? por que tinha assumido esse risco? por que, por que, por que?
E agora... Agora ia ter a oportunidade de fazê-lo... no prazo de dois dias. Deus, logo que podia esperar!
–Vá um gesto malévolo! Dão-me calafrios nas costas. O que está tramando?
Luke levantou os olhos e viu que Theo tinha saído do quarto escuro e o observava de perto. Theo tinha sido empregado do Luke nos velhos tempos. Agora era um dos poucos bons amigos que ficavam no mundo da fotografia na Austrália. Era um homem elegante, ainda solteiro e de trinta e muitos anos que trocava de noiva tão regularmente como de câmara e estilo fotográfico.
Ao Luke não gostava do modo em que Theo seguia escravizado na moda em fotografia. Acreditava que esse não era o caminho nem para o êxito nem para a satisfação pessoal. Mas gostava de Theo como pessoa, pois tinha bom caráter e era um bom companheiro. Por desgraça Theo às vezes podia ser tão intuitivo como Grace, coisa que Luke tinha esquecido. depois de tudo, nesse momento estava muito preocupado.
Luke apagou o sorriso de escuro triunfo de sua cara substituindo-a por uma expressão indiferente.
–Contemplo como vais reagir ante minha petição de que me Prestes duas câmaras.
Os olhos azuis do Theo se entrecerraron: suspeitava algo.
–Quer que te empreste minhas câmaras? –disse com voz em extremo cética–. Seria a primeira vez.
–Certo. Mas ultimamente pensei que estou aborrecido até a morte de fotografar caras, sobre tudo em branco e negro. decidi provar meu estilo com algo diferente.
–Como o que? –Theo cruzou a sala em direção a bem equipada cozinha–. Quer uma taça de café?
Luke assentiu com a cabeça reconhecendo as espetadas de fome no estômago pela primeira vez em todo o dia. Jogou uma olhada ao relógio e viu a razão. Eram mais das três, e não tinha parado nem um momento para comer do café da manhã!
Aquilo mostrava os efeitos que a muito bruxa produzia sobre ele, pensou pessimista. Desequilibrava-lhe como nenhuma mulher o tinha feito antes. Romper com o Tracy lhe tinha feito sentir-se desgraçado e sozinho, mas só por umas poucas semanas. Não ter encontrado ao Rachel depois de ter passado com ela só uma curta noite lhe tinha destroçado durante meses, e logo lhe tinha açoitado durante outro ano lhe incitando a levar um estilo de vida que em realidade aborrecia.
E além não funcionava.
O estar com outras garotas não lhe liberava das lembranças daquela noite. Mantinha-os vivos lhe fazendo comparar continuamente. E nenhuma mulher tinha conseguido despertar nele nem as emoções físicas que aquela gata guia de ruas de olhos verdes lhe tinha proporcionado ao princípio, nem os sentimentos que tinha conseguido que surgissem depois.
–Um penique por seus pensamentos –disse Theo enquanto deslizava uma taça de café pela barra até o lugar no que Luke tinha tomado assento em uma banqueta. Luke piscou um par de vezes e logo centrou seu olhar em seu amigo.
–Valem muito mais que isso –murmurou pensando em todos os trabalhos que tinha rechaçado durante os últimos dezoito meses. Era bom que tivesse feito dinheiro nos últimos anos, porque se não agora já estaria arruinado.
–Fala pelos cotovelos, homem. Importaria-te lhe contar a seu velho colega que mosca te picou?
–Sim, realmente sim.
Theo moveu a cabeça acima e abaixo aceitando sua decisão.
–De acordo –Luke apreciou que seu amigo não lhe pressionasse. Possivelmente algum dia lhe contasse algo sobre o Rachel, dependendo do que passasse na quarta-feira. Mas possivelmente... possivelmente não. 
–Assim, que câmaras quer que te empreste? –perguntou-lhe.
Luke se encolheu de ombros e logo sorriu:
–Não tenho nem idéia. Terei que me pôr em suas peritas mãos.
–A adulação te levará a todas partes. Bom, o primeiro de tudo, o que vais fotografar?
–Muitas praias e muitos biquínis.
–Refere a fotos artísticas ou a algum tipo de promoção da Austrália?
–Isso depende –disse Luke sem fazer mais comentários.
–Ah, acredito que começo a compreender o que há debaixo dessa inesperada mudança em sua carreira. E eu que acreditava que você foi o único amigo que tinha escapado das garras do amor. Assim, posso perguntar seu nome?
–o de quem?
–o da modelo que vais fotografar, homem. Por quem toma, por um parvo? me diga, quem é ela? Conheço-a? E porquê toma tanto trabalho só para estar com ela?
Luke decidiu que não tinha nada que perder se dizia o nome ao Theo. Quem sabe? Theo já não fazia muitos trabalhos sobre moda, mas apesar de tudo possivelmente a conhecesse.
–Rachel Manning.
A agência lhe tinha confirmado que ela voltava a trabalhar com seu nome de solteira. Também lhe tinham confirmado que seguia sendo especialista em trajes de banho e que estava livre essa semana.
Lhe tinha retorcido o estômago em um punho quando a chamaram da agência e a citaram para uma sessão fotográfica na quarta-feira e quinta-feira nas praias de Central Coast, começando no Terrigal na quarta-feira, e passando a noite no hotel dali.
Luke sabia que não podia recusar, necessitava o dinheiro. Tinha devotado um preço alto e se havia sentido muito crédulo quando a agência informou a ela por telefone do nome do fotógrafo, Luke St Clair, e de que era um australiano que tinha estado trabalhando fora.
–Não me soa esse nome –murmurou Theo–, mas é que nunca fui bom para os nomes.
–Não se preocupe –respondeu Luke. Odiava a maneira em que lhe acelerava o coração com apenas falar dela. Tomou sua taça e bebeu o café já morno.
Theo o olhou com frustração.
–Bom, não me vais contar nada dela?
–Neste momento não.
–Poderei conhecer todos os sórdidos detalhes mais adiante?
–Pelo amor de Deus Theo, não tem uma vida sexual própria?
–Há mais de uma semana não.
Luke sempre se riu das expressões do Theo, mas essa vez não o fez:
–Todo um recorde de celibato!
–Para mim, sim.
–Possivelmente devesse sentar a cabeça, Theo. Encontra uma boa garota e te case.
–Morro só de pensá-lo –como Luke não fez nenhum comentário a essa resposta típica de solteiro Theo ficou olhando. Muito fixamente–. Não estará pensando em te casar, verdade? –perguntou quase lhe acusando–. Maldita seja, Luke. Não te terá apaixonado, não?
Luke não soube o que responder a nenhuma das duas perguntas. Ambas lhe punham nervoso e confuso. Sua mente negava uma e outra alternativamente, a primeira por impossível, a segunda por extremamente improvável. Entretanto seu coração saltava da uma à outra.
«Não seja néscio», dizia-se a si mesmo com dureza. «Provavelmente ela é uma mulher perversa. Perversa e louca. Não vai lhe oferecer seu coração e sua vida a uma mulher como essa».
–Não –negou em voz alta–, não vou casar me. E não me apaixonei.
O que sim tinha feito, entretanto, era jogar-se de cabeça à luxúria. A uma luxúria que não tinha tido oportunidade de satisfazer. A uma luxúria que ainda estava a ponto de estalar esperando a que a instigadora da mesma aparecesse de novo em sua vida.
Bom, essa instigadora voltaria a aparecer na quarta-feira, e Luke ia fazer todo o possível para satisfazernão só sua curiosidade sobre ela, mas também todo aquilo que ainda continuava latente desde fazia dezoito meses.
Capítulo 4
A manhã da quarta-feira não podia ter amanhecido mais perfeita. Ao menos no que se referia ao tempo. um pouco frio, já que era a primeira semana de setembro, mas espaçoso e com a promessa de um dia primaveril.
O sol saiu por cima do horizonte do oceano por volta das seis dissipando com rapidez a claridade cinza prévia ao amanhecer, e seus brilhantes raios se estenderam pelos pinheiros do Norfolk frente à praia golpeando nas janelas da habitação do hotel do Luke.
Isso tinha ocorrido uma hora antes mais ou menos, e durante esse tempo Luke tomou banho, barbeou-se e se vestiu antes de sentar-se a tomar o café da manhã que lhe tinham levado a sua habitação. Tinha acompanhado cada colherada com um pensamento sobre ela, que já devia estar de caminho, por completo inconsciente da verdadeira identidade do Luke St Clair.
Esteve acariciando a idéia de lhe pedir à agência que a levassem a noite anterior para estar com ele no hotel, mas ao final a desprezou por considerá-la perigosa. Sua intenção era pilhá-la por surpresa, e pô-la a trabalhar, supostamente, antes de que tivesse tempo nem de pensar.
Tinha um plano de ação que esperava que funcionasse, uma estratégia que a poria em segredo em suas mãos e que faria possível que ela se mostrasse mais aberta com ele.
Também lhe daria resultado se se sentia culpado pelo que lhe tinha feito dezoito meses antes. E suspeitava que era assim.
As sete em ponto. Era a hora em que Luke tinha ficado chamado com ela no hall do hotel através da agência. Tinha instruções de chamar a sua habitação se ele não estava ali, e não tinha intenção de estar. Supôs que ao menos lhe levaria uns minutos decidir fazê-lo, embora tivesse chegado à hora. A ninguém gostava de apressar às pessoas, e a pontualidade já não era uma virtude como antes.
Enquanto esperava a chamada Telefónica deu uma volta pelo balcão da habitação. apoiou-se sobre o corrimão e olhou para abaixo, primeiro à magnífica piscina cor turquesa e logo fora, cruzando a estrada, à praia e ao reluzente mar azul mais à frente.
Tinha escolhido Terrigal porque estava longe do Sidney e o conhecia muito bem. Acampou pelos arredores muitas vezes com amigos quando era adolescente. Todas as praias próximas eram pitorescas, e sabia que não teria problemas para encontrar lugares magníficos que fotografar.
E sobre tudo a senhorita Rachel Manning não devia suspeitar nada; aquilo era uma sessão fotográfica correta e profissional. Se suspeitava, tudo estaria perdido. A ninguém gostava que tirassem o sarro, ou que lhe manipulassem.
A ninguém, pensou Luke pessimista e com amargura.
Os segundos começaram a passar com uma agonizante lentidão. Deram as sete e cinco. Logo e dez. Ela chegava tarde.
Passaram uns minutos mais, mas ninguém chamava.
Luke se sentia desfalecer ao dar-se conta de que começava a estar algo mais que um pouco nervoso. Em realidade se sentia doente... doente de algo assim como medo.
Mas medo do que?
Medo de que ela não chegasse? Ou medo de descobrir, quando chegasse, que tudo tinha sido uma fantasia? O que ocorreria se a via de novo Y... não sentia nada? O que ocorreria se descobria que sua obsessão por ela tinha sido só uma perversa fantasia de sua mente?
O timbre soou estridente em seus ouvidos. deu-se a volta e entrou na habitação. dirigiu-se ao rincão do escritório e se sentou junto ao telefone como se fora uma serpente a ponto de lhe morder. Paralisado por uns segundos o ouviu soar e soar antes de dar um golpe sobre a pasta cinza que havia em cima da mesa e desprender o odioso auricular.
–Sim?
–bom dia, senhor St Clair –disse o recepcionista com essa voz suave e imperturbável que têm sempre os empregados dos hotéis de luxo–. Sinto lhe incomodar tão logo, senhor, mas está aqui a senhorita Manning e diz ter instruções de lhe avisar a sua chegada. Diz que sente muito chegar um pouco tarde, mas parece ser que houve um acidente na auto-estrada.
Ao Luke lhe encolheu um pouco mais o estômago. Ela estava ali... abaixo... esperando-o.
–lhe diga que baixarei em seguida –disse com voz afogada.
–Muito bem, senhor.
Luke pendurou e logo respirou profundamente várias vezes. Não funcionaria. Não podia deixar que lhe assustasse. Era ela quem ia estar assustada. Ao princípio.
Essa era parte de sua vingança.
olhou-se no espelho grande que pendurava da porta do banho para comprovar seu aspecto e aprovar a eleição da roupa. Sentavam-lhe bem os jeans a seu corpo alto e magro. Essa manhã os levava cinzas, lavados à pedra, junto com uma singela camiseta branca e uma jaqueta ligeira que podia fechar se fazia vento.
Nada nele delatava sua folga econômica, exceto possivelmente seu relógio, um Rolex de ouro. De todas maneiras o mundo estava cheio do Rolex falsos. Luke não estava seguro de por que não queria que ela conhecesse sua flutuante situação financeira, mas não queria. Quase se arrependeu de ter devotado uma soma tão alta, mas não podia arriscar-se a que ela não fora.
Deslizou a chave de sua habitação no bolso, retirou seu cabelo castanho escuro de diante de seu rosto, ficou uns óculos de sol escondendo seus olhos negros faiscantes e abandonou a habitação.
O elevador o levou sem fazer ruído até o primeiro andar, onde decidiu seguir descendo pelas majestosas escadas até a planta baixa para ter a oportunidade de examinar o hall e a seus ocupantes.
Ela não esperaria que descesse pelas escadas. Nem tampouco o esperaria a ele. Dezoito meses antes pensava que era americano, que estava de férias na Austrália e que era improvável que voltasse a aparecer em sua vida.
Mas ia fazer o, pensou com satisfação enquanto começava a baixar devagar a elegante escada. E não tinha intenção de voltar a partir, não até que não tivesse obtido o que queria dela.
Caminhava devagar, procurando com o olhar nos grupos de poltronas do centro do hall. Estavam vazios. Franziu o cenho procurando primeiro à esquerda e logo à direita, e logo para a mesa de recepção.
Ao princípio não a reconheceu porque estava de costas e levava o cabelo mais largo, mais liso e mais loiro. De fato era de um loiro quase platino e pendurava reto pelas costas. Levava umas calças ajustadas negros e uma jaqueta tipo americana negra. Uma bolsa de lona pendurava de seu ombro. As sandálias de plataforma negras a faziam parecer mais alta do que recordava.
Estava conversando com o recepcionista, provavelmente o mesmo que o tinha chamado antes. Era um homem jovem e de aparência agradável e sorria. Luke se disse a si mesmo que não eram o ciúmes o que lhe cravava no coração, a não ser só o cinismo. Ela ainda tinha bom gosto para escolher aos membros do sexo oposto, parecia ser.
Sem dúvida sendo uma viúva alegre estava tentando recuperar o tempo perdido. Já não havia necessidade de subterfúgios para suas loucuras de uma noite, nem de enganos. Podia ter ao homem que quisesse quando o quisesse.
Luke sentiu que seu coração dava um tombo só de pensá-lo, apaziguando seu primeiro medo a não seguir desejando-a.
O empregado deveu lhe ver baixar as escadas e lhe dizer algo porque ela se deu a volta para olhá-lo.
Lhe cortou a respiração. Embora sabia que era a mesma mulher não havia nada de provocador nem de sedutor em seu rosto de pele e olhos nítidos. Era uma beleza natural, de aspecto fresco e inocente, com sua camisa branca grampeada até o pescoço. Um encanto, não uma sereia. Uma virgem, não um vampiro.
Luke quase riu ante esse pensamento. Sua estupidez acendeu sua ira e deu asas a seus pés. Ela não era uma virgem, a não ser um camaleão. Não era um encanto. Tinha vinte e seis anos e era uma bruxa fria e calculadora.
deleitou-se vendo como ela ia enrugando sua alta e limpa frente enquanto via como baixava as escadas. Sem dúvida com os óculos de sol não podia estar segura de sua identidade, mas definitivamente suspeitava algo. E recordava algo.
Enquanto isso ele se embebedou dela. De todos seus maravilhosos centímetros. Demônios! era preciosa. Tãopreciosa que quase não podia esperar a possui-la uma vez mais. Não, uma vez não ia ser suficiente.
Tinha que possui-la mais vezes. Tinha que possui-la até que não pudesse suportar fazê-lo nem uma vez mais.
Possivelmente assim deixaria de fantasiar que estava apaixonado por ela.
Escolheu o momento perfeito para tirá-las óculos de sol. Antes adotou uma expressão branda e mascarou seus próprios sentimentos sob uma máscara tão fria e indiferente que ela duvidaria de se a tinha reconhecido.
Apartou os óculos a um lado, caminhou a grandes pernadas pelo chão de cerâmica do hall, e a desarmou por completo com um sorriso educado e uma mão tendida.
–A senhorita Manning, suponho.
Seu assombro evidente se transformou em confusão. Olhou-o primeiro à cara, logo à mão tendida e de novo à cara. Estava claro que não tinha prática em encarar-se com amantes de uma noite que não a reconheciam. E também estava clara sua confusão.
Em honra à verdade, recuperou-se logo e lhe tendeu uma mão valente mas tremente que a traía. Logo conseguiu esboçar um sorriso educado.
–Sim, exatamente –disse. Sua voz era agitada e não ficava nela nem rastro do tom sexy que tinha empregado aquela noite–. É você o senhor St Clair?
–Em pessoa.
–Mas... na agência disseram que você era um fotógrafo australiano.
–E o sou. Meu acento americano se deve a que vivi e trabalhou em Los Anjos durante dez anos. 
–Ah, entendo.
«Não, não entende, bruxa trapaceira. Não pode entender nada». Mas ele sim podia. Compreendia perfeitamente o aliviada que se sentia ao ver que ele não a tinha reconhecido. Por um momento se pôs quase tão pálida como seu cabelo, mas a cor tinha voltado para suas bochechas, a essas maravilhosas bochechas e a esses maravilhosos maçãs do rosto.
–Venho ao Sidney de visita freqüentemente –seguiu falando Luke pata relaxar a tensão–. Nesta ocasião decidi combinar as férias com um pouco de trabalho. A última vez que vim estive em muitas festas e passei a maior parte do tempo com ressaca. Não te importa que te chame Rachel, verdade? E você deve me chamar Luke. Os nomes de pilha são muito mais agradáveis que senhor e senhorita, não te parece?
–Suponho que sim.
Ela ia baixando o guarda gradualmente, embora não de tudo. Ficava uma certa tensão. Não estava cômoda com ele nem com a situação, isso era evidente.
–Lista para trabalhar? –perguntou de repente voltando-se para pôr os óculos de sol. O cristal opaco lhe dava a oportunidade de examinar a de perto sem que se desse conta.
–O que? Ah... sim... Sim, suponho.
Não cabia dúvida de que ainda estava muito nervosa, e não estava seguro de que isso gostasse. Tanta agitação não casava bem com a imagem que tinha dela, ou com o que ele supunha que ia ser sua reação ao ver que não a reconhecia.
depois de um susto inicial, ele esperava que ela recuperasse logo seu papel indiferente. E agora que era viúva esperava inclusive que tentasse ligar com ele.
Mas não foi assim. Estava tensa e silenciosa, e seus adoráveis olhos verdes estavam nublados de preocupação.
–Onde estacionaste seu carro? –perguntou molesto consigo mesmo por sentir-se culpado. A culpa era claramente dela. Mas queria que deixasse de olhá-lo com aqueles olhos ansiosos e assombrados como se não pudesse acreditar quem tinha resultado ser Luke St Clair.
–Na rua –disse assinalando para a porta de cristal giratória–. Fora.
–vais necessitar algo que te tenha deixado ali?
–Não, realmente não. Tenho aqui a maquiagem e as coisas para o cabelo.
–Nesse caso te sugiro que traga o carro até a entrada do hotel. Eu o arrumarei para que o guardem no estacionamento do hotel. Ao fim e ao cabo, ficará aqui esta noite.
Em seu rosto apareceu um terror momentâneo que destroçou ao Luke por completo.
–Bom, eu... Bom, em realidade não acredito... Quero dizer –se travava–. Pode que tenha que ir casa esta noite –terminou, ruborizada–. Sempre posso voltar pela manhã.
Luke ficou olhando-a desde detrás dos óculos. O que ocorria? por que lhe tinha tanto medo? Ou, mais exatamente, por que tinha tanto medo de ficar no mesmo hotel?
Era possível que ela ainda o desejasse, igual à desejava ele, sem querer o? Era possível que tivesse medo de encontrar-se em uma situação em que coubesse a intimidade e que não queria cair na tentação como já o tinha feito uma vez?
Mas por que poderia isso assustá-la? perguntava-se confuso tratando de conter o nervosismo que lhe produzia a possibilidade de que fora certo.
A resposta mais evidente a essa pergunta lhe produziu uma sacudida no estômago. Tinha que haver outro homem. Se não um marido, então um amigo, ou um noivo ou um amante. Não era livre para divertir-se com quem quisesse.
Diabos, não tinha pensado nisso. Deveria havê-lo feito. Uma mulher como ela não podia estar sozinha muito tempo.
–E onde vive exatamente? 
–No Caringbah.
Caringbah era um distrito do Sidney mais ao sul do de sua mãe, Monterrey.
–Mas isso são mais de duas horas de viagem –argumentou–. Seguro que seu noivo pode acontecer-se sem ti uma noite –acrescentou tentando dissimular seu amargo ciúmes.
–Noivo? –repetiu ela sem compreender.
Luke respirou. Não tinha noivo. Nem noivo, nem amigo, nem amante. Estava seguro.
–Estava tentando averiguar a razão pela que tem que ir a casa.
–Mi...Minha sogra não se encontra bem –explicou a contra gosto–. Estava um pouco preocupada com deixá-la toda a noite.
–Vive sozinha com sua sogra?
Sua resistência a responder aumentou mais sua curiosidade.
–Sim –disse ao final–. Sim... eu sou viúva, compreende? –admitiu tensa.
–Ah... –Luke não compreendia, é obvio. E isso lhe estava matando–. Bom, possivelmente possa chamar última hora da tarde e ficar tranqüila. Estou seguro de que ela preferiria que não tivesse que conduzir duas horas até o Sidney em hora ponta só para ter que voltar para a manhã seguinte.
–Não... Não, suponho que não.
–Então de acordo. Pode, chamá-la logo, quando tivermos terminado de trabalhar. Agora vê pelo carro, eu falarei com o aparcacoches.
Observou-a partir, observou como a brisa movia sua larga e formosa cabeleira uma vez que teve atravessado a porta giratória. Ela levantou a mão esquerda para recolher o cabelo e quando olhou atrás por cima de seu ombro ele se perdeu em sua esplendorosa beleza.
Entretanto essa vez sua beleza era distinta, seu adorável rosto sem maquiar, seu exuberante peito sem expor com descaramento faziam que sua sensualidade fosse mais sutil.
O efeito sobre o Luke foi o dobro de forte.
ficou ali, olhando-a, cada músculo de seu corpo estava rígido. Ela franziu o cenho por um momento, logo se deu a volta e partiu com passos largos e elegantes. Luke teve que forçar-se para apartar os olhos longe dela. Diabos, desejava-a mais que nunca. morreria se não passava a próxima noite com ela.
Não obstante alcançar esse objetivo ia ser muito mais difícil do que tinha esperado. Ela ia resistir, isso estava claro. Embora não sabia por que. Tentou animar-se pensando que lhe resultava atrativo. Uma vez tinha sido assim, e o era para a maior parte das mulheres. Assim devia haver outros fatores implicados, fatores desconhecidos para ele mas que esperava que se fossem desvelando com o passar do dia.
Quando uns minutos mais tarde saiu de seu pequeno sedan branco, também ela se pôs seus óculos. Isso lhe incomodou, não podia ver o que pensava ou o que sentia. Não obstante as teria que tirar para as fotos. jurou-se a si mesmo lhe fazer umas quantas perguntas uma vez que a tivesse de novo visualmente a sua mercê.
–Onde está sua equipe fotográfica?
–Em meu carro.
–Qual é?
–Está abaixo, no estacionamento. Há uma porta ali –continuou tomando sua mão e agarrando-a com firmeza–. por aqui.
Ela imediatamente se soltou confundida e apurada, o qual lhe assombrou e zangou.
–Sinto muito, só tratava de ajudar. Não me dava conta de que foi uma dessas mulheres às que não gostam que as toquem –Deus! Porquê tinha tido que dizer algo tão sarcástico, tão cínico e frio?–. Perdão outra vez –disse rapidamente–. Isso soou horrível, não queria dizer isso –e era verdade. Quão último queria eraque ela se desse conta de que a tinha reconhecido.
–Não, me perdoe você –disse com um olhar tímido–. fui muito suscetível. É que tive uma desafortunada experiência com um fotógrafo recentemente tempo e tenho um pouco de medo após.
Ao Luke surpreendeu a fúria que sentiu ante aquela revelação.
–O que ocorreu? meu deus! Não te assaltaria; verdade?
–Não, não, não chegou tão longe. É só que... não desejava suas cuidados. Foi algo muito desagradável.
–Não tem nada que temer de mim, Rachel ––lhe assegurou, e quase era certo. Por Deus! O que havia nessa garota que lhe incitava a protegê-la ao mesmo tempo que a desejava?–. Nunca forcei a uma garota em toda minha vida –murmurou–, e não me vejo fazendo-o agora.
–Não –disse com um pequeno sorriso em sua adorável boca–. Já vejo que não.
Luke se inclinou para olhá-la um bom momento, e logo voltou a agarrar seu braço. Essa vez ela não resistiu.
Lhe ocorreu então que tampouco essa noite resistiria se jogava bem suas cartas. Seu medo inicial possivelmente não fora a ele, a não ser a esse outro estúpido que tinha jogado sujo com ela. Se algo tinha aprendido era que a sua querida Rachel gostava de levar a voz cantante em questões de sexo e sedução. Gostava de ser a que elegia e estar em cima, literalmente falando.
Uma corrente elétrica lhe correu pelas veias ao tempo que tentava reprimir a lembrança daquela noite, sua forma de arquear-se, sua cabeça arremesso para trás, seus lábios abertos.
Mas não o obteve.
Custou-lhe pôr em jogo todo seu autocontrol. Levou-a baixando as escadas ao estacionamento subterrâneo até sua Futura alugado. Tivesse preferido arrastá-la até um rincão e beijá-la com todo o louco desejo que já fervia dentro dele.
«Paciência, Luke», dizia-se a si mesmo. «Paciência. A noite chegará, e então...»
mordeu-se os lábios com força para evitar que lhe escapasse um gemido. O dia ia ser um inferno. Mas tinha que suportá-lo. Não ia tomar a ao assalto.
Além disso tinha muitas outras coisas que satisfazer além de seu corpo. Ainda não tinha respostas a todas essas perguntas que tinham invadido sua mente durante todos aqueles meses.
Sim, paciência, repetia-se a si mesmo. Essa era a chave. Tudo chega para o que sabe esperar. Rachel tinha chegado, e as respostas também chegariam. Tudo o que tinha que fazer era esperar.
Capítulo 5
Para que empresa de trajes de banho está fazendo estas fotografias? –perguntou ela enquanto subiam pela rampa do estacionamento e saíam à luz do sol.
Luke tinha estado esperando essa pergunta e estava contente de haver-se preparado uma boa história para lhe responder.
–Em realidade não são para uma empresa de trajes de banho. São para o Escritório de Turismo de Central Coast, para um folheto que estão preparando. Ao princípio só queriam fotos da paisagem, mas eu lhes convenci de que uma esplendorosa australiana loira em biquíni conferiria a suas praias um atrativo acrescentado.
Luke torceu à esquerda dirigindo-se ao Skillion, um promontório que resultaria uma boa cortina de fundo para umas quantas fotos.
Ela o olhou franzindo o cenho:
–Como me escolheu ?Ultimamente não trabalhei muito.
–Sim, isso me disseram na agência –Luke pensou que estava resultando muito natural considerando o estado no que encontrava–. Um conhecido me recomendou que te escolhesse, Ray Holland.
–O bom do Ray –disse esboçando um ligeiro sorriso–. Esse sim que é um bom homem.
–Disse-me que tinha feito as fotos de suas bodas.
–Sim, é certo –o sorriso se apagou de seu rosto e ficou calada.
Luke decidiu não afundar mais nesse assunto no momento por medo de que ela se tornasse atrás. Saiu da estrada do Terrigal para outra lateral que levava mais à frente do vale chamado Haven até o pé do Skillion. Embora era muito cedo, havia um casal passeando da mão pela escarpada inclinação coberta de erva que levava a mirante e ao abrupto precipício ulterior.
Luke viu que tinham construído uma cerca desde que ele tinha estado ali por última vez por volta de anos, sem dúvida para acautelar acidentes. Qualquer que quisesse suicidarse saltaria esse obstáculo com facilidade. Apesar de tudo, alambrada-a não realçaria um primeiro plano.
–Se está pensando em tomar fotos aí acima –disse assinalando a parte mais alta e desprotegida–, fará muito vento.
Luke estacionou de frente em uma pequena zona limpa à esquerda do Skillion. De todas maneiras já havia quase descartado a idéia de fazer fotos ali por culpa da cerca.
–O que me diz desse lugar aí abaixo? –sugeriu assinalando através do pára-brisa uma pequena enseada rochosa–. De ali também posso tomar o escarpado se me situar neste ângulo. O que opina?
–Acredito que seria muito melhor. Será mais cômodo e fará menos frio. Por certo, onde se supõe que me posso pôr os trajes de banho?
Luke quase soltou um juramento. Não tinha pensado nisso.
–Terá que te trocar na parte de atrás do carro. Sinto muito, estou um pouco destreinado em organizar este tipo de fotos. Ultimamente faço as fotos em interiores.
–E que tipo de fotos faz? –perguntou com um tom seco de ligeira suspeita.
–Não –riu Luke–, não referia a esse tipo de fotos. Estou especializado em retratos.
–E ganha a vida bem com isso?
–No momento bastante bem –Luke se desprezou a si mesmo por querer fanfarronear. aonde tinha ido parar sua idéia de que ela não devia conhecer sua situação econômica? deu-se conta de que seu ego masculino às vezes podia jogar em seu contrário, mas o último que desejava era que Rachel se fixasse nele por seu dinheiro.
Tivesse desejado conhecer as circunstâncias nas que se casou, a idade de seu marido e se era rico. Seria ingênuo por sua parte descartar que ela pudesse ser milionária, ou inclusive que seu matrimônio não lhe tivesse deixado um bom dinheiro.
Era possível que ela tivesse voltado para trabalho por outras razões, não por dinheiro. Era possível que simplesmente queria ficar de novo em circulação. Era difícil encontrar novos amantes ou maridos estando em casa com uma sogra.
–me diga, Luke, é famoso? A agência sugeriu que foi conhecido internacionalmente, mas eu pensei que exageravam. Às vezes têm tendência a fazê-lo.
–Sou bastante conhecido em Califórnia –admitiu precavido–, mas duvido que ninguém na Austrália conheça nem sequer meu nome.
–Eu não, a verdade –disse com certa ironia.
–Não esperava que você me conhecesse. Bom, por que não entra na parte de atrás enquanto eu tiro os biquínis e as câmaras do porta-malas?
–Só biquínis?
–Alguma objeção?
–Não, só... só...
–Só o que?
–Nada –murmurou–. Não estou acostumada a me gelar. É a primeira vez que me fazem fotos em um exterior desde que voltei para trabalho.
–Pode te deixar posta a jaqueta enquanto preparo a câmara. Com sorte quando chegarmos às praias haverá vestuários para que te troque.
–Qual quer que me ponha primeiro? –perguntou-lhe uma vez que lhe teve dado os objetos através do pára-brisa posterior um par de minutos depois.
Luke tinha ido a uma boutique do lugar na tarde anterior e tinha comprado um montão de biquínis variados da talha que lhe haviam dito na agência. Todos eram muito coloridos e pequenos.
–É-me indiferente –disse com sinceridade. Suspeitou que ia se encontrar em apuros ficasse o que ficasse–. te Ponha o que queira.
–Date a volta e não olhe –ordenou.
Custou-lhe obedecer. Não havia nem um centímetro dela que ele não tivesse visto de perto, mas apesar de tudo saber que ela se estava despindo era uma imensa tortura. Tentou não pensar nisso consciente de que se se excitava o passaria mau.
E o conseguiu. Até o momento em que ela saiu do carro e sua maldita jaqueta negra se abriu por uns segundos.
Luke fez uma careta.
Deus! Seu corpo estava ainda melhor que antes. Seus peitos pareciam mais cheios e imensamente mais esplendorosos apertados no colorido prendedor de meia monopoliza. Pensou que tinha ganho um pouco de peso, sobre tudo nos quadris e estômago. Quão único estava exatamente igual eram suas pernas, aquelas largas pernas que não pareciam ter final, cujas coxas firmes de cor mel lhe faziam pensar em coisas que um homem comjeans ajustados não devia pensar durante mais de um minuto.
Luke reprimiu um gemido e apartou a vista simulando que ajustava a distância e a luz nas câmaras que penduravam de seu pescoço.
Em realidade Theo as tinha preparado para ele à perfeição e lhe tinha dado instruções para o caso, pouco provável, de que tivesse que as ajustar. Também lhe tinha assegurado que nem um parvo cometeria enganos com suas duas preciosas câmaras.
Luke começou a se dar conta de que era um estúpido se pensava que podia passar o dia olhando a essa mulher quase nua sem excitar-se. Seu plano de lhe fazer perguntas ao mesmo tempo tentando lhe surrupiar informação antes de iniciar uma sedução tão cruel e calculada como a que ela tinha levado a cabo parecia agora absurda. Teria sorte se conseguia manter o sangue-frio durante todo o dia.
–Tem problemas com a câmara? –perguntou com ingênua inocência.
–um pouco –disse deixando de jogar com a Nikon e olhando para acima. Graças a Deus a jaqueta cobria por completo e pôde conservar seus óculos postos. Seus olhos estavam acostumados a lhe delatar quando desejava a uma mulher. acendiam-se e brilhavam pontos de luz selvagem em sua escura profundidade.
Ou ao menos isso lhe haviam dito.
Em parte sentia que ela tivesse que tirá-las óculos, porque esses grandes e preciosos olhos verdes olhando-o resultavam quase tão sedutores como seu corpo ao descoberto.
–Estas câmaras são de um amigo –explicou–. Minha equipe está na América.
«Exceto a equipe pessoal que tive que trazer comigo», pensou. Era uma lástima que não tivesse podido deixar ao menos parte também. Às vezes odiava ser um homem. As mulheres se levavam a melhor parte no referente à sexualidade. Podiam esconder o que sentiam ou dissimulá-lo à perfeição, e ninguém podia adivinhá-lo. Enquanto que as respostas masculinas se expor brutalmente à vista de todo o mundo.
Fez chiar os dentes tentando apaziguar seu corpo. Logo procurou grandes pernadas o melhor caminho para chegar ao escarpado. Havia muitos atalhos entre as pedras que não pareciam perigosos. Mas quando começou a seguir um deles se escorregou por uma zona de arenisca.
–Tome cuidado –disse olhando para ela que lhe seguia pelo mesmo caminho–, há zonas escorregadias e não quero que te caia e te faça mal.
Possivelmente deveria havê-la agarrado da mão para ajudá-la, mas suspeitava que essa não era uma boa idéia, nem para sua paz espiritual nem para o futuro êxito de sua missão. depois do que tinha passado antes, no hotel, não acreditava que fora uma boa idéia tocá-la... até que tivesse chegado o momento.
A sessão fotográfica nas rochas foi surpreendentemente bem. Luke conseguiu deixar de lado seus desejos e concentrar-se em fazer cada tomada o melhor que pôde. Era uma resposta automática dentro do que tinha sido sua profissão durante anos. Algo do que, na verdade, podia estar orgulhoso. Se ia tomar fotos, seriam boas. Por desgraça para as fazer teve que tirá-las óculos, porque se não era impossível. Os óculos de sol distorciam a luz e a cor.
depois de quinze minutos, Luke se deu conta de que Rachel Manning era uma modelo excepcionalmente boa. Uma jóia, de fato. apreciava-se através da câmara. Era uma autêntica profissional. Adotava exatamente as posturas que ele procurava sem que tivesse que indicar-lhe suas atitudes e expressões eram um eco imediato da imagem que ele procurava. Natural, atlética, singela. Brilhante e jovial. Um sonho.
Foi essa ensoñación o que começou a lhe fazer falhar. A maneira em que arqueou suas costas e jogou sua cabeça para atrás, fechando os olhos e sonriendo, tão brandamente e tão... tão...
–Agora te ponha sexy –lhe ordenou, com voz profunda e rouca–. te Ponha muito sexy.
Ela o olhou de repente assombrada antes de lhe dar justo o que, estupidamente, tinha-lhe pedido.
tombou-se de barriga para cima na rocha cinza em que tinha estado sentada e levantou os braços estendendo com os dedos os largos cachos. Suas costas se arqueava um pouco sobre a rocha e inclinava ligeiramente seu joelho esquerda. Foi então quando olhou à câmara com os olhos entreabridos e os lábios abertos em uma pose tão provocadora e sensual que ao Luke ferveu o sangue em só uns segundos.
Luke se amaldiçoou a si mesmo. Apertou o olho contra o visor da câmara mas isso não melhorou as coisas. Moveu um dedo tremente e a câmara se disparou, não uma a não ser muitas vezes.
–Fantástico. Já é suficiente neste lugar. Iremos a outra parte. Subirei ao Skillion a tomar umas quantas fotos dos arredores antes de ir. Pode voltar para carro e te esquentar. E se quer pode te trocar de roupa.
Luke estava de costas subindo por um caminho quando ouviu um grito. Não era muito forte, mas seu coração se sobressaltou pelo alarme e acudiu. Ela estava ainda sentada no bordo da rocha olhando para baixo a um lago pedregoso aonde apoiava os pés.
Em sua mente ressonaram pensamentos de morte à espreita nesses entornos perigosos e o sangue lhe subiu à cabeça.
–O que foi isso? Tem-te feito mal?
Acaso tinha aparecido o pânico a seu rosto? Deveu ser assim porque ela abriu muito os olhos como se estivesse surpreendida por seu interesse. Também Luke o estava. Até esse momento não se deu conta do muito que lhe importava, embora fora de uma maneira perversa.
–Não –disse olhando ao lago–. Algum idiota esteve aqui bebendo e tem quebrado a garrafa contra as rochas. O lago está cheio de cristais e acredito que pisei em um. Não se preocupe, foi só uma pequena parte. Tirarei-me isso e me lavarei na água salgada. Isso matará os gérmenes.
–Não, não te toque. Eu te olharei e me assegurarei de que não é nada.
Luke baixou depressa pelo caminho até onde estava ela, que ainda o olhava com uma expressão de perplexidade em seu adorável rosto.
–De verdade, não há motivo para alarmar-se. Estou perfeitamente.
–Eu decidirei se estiver bem –disse sentando-se a seu lado sobre a rocha e elevando suas pernas com cuidado–. Melhor estar seguros que lamentá-lo logo.
Ela estava bem, não obstante. Era só uma parte de garrafa rota parecido justo na metade do dedo gordo do pé esquerdo.
–Dói-te muito? –perguntou-lhe enquanto a examinava para ver se podia tirar o cristal. Deu-lhe a volta para vê-lo a luz do sol.
–N... não.
A forma algo gaga de responder contrastava com sua frieza de modo que Luke a olhou para ver se se estava enjoando. Mas não foi isso o que viu em sua cara. Era tensão. Uma tensão elétrica, sexual, cega.
Seus dedos, cada vez mais quentes, notavam a quietude do pé gelado, e logo seu coração começou a pulsar forte. A tentação de escorregar uma mão por sua pantorrilha era enorme.
–A parte de cristal que se sobressai é grande, posso tirá-lo sem pinzas –disse satisfeito de notar que sua voz conservava um tom frio e controlado.
–Tira-o, então.
Ele o fez, e por um momento não viu ferida alguma. Mas logo começou a brotar sangue e, antes de que pudesse dar-se conta do que fazia, levantou o pé e inclinou ao mesmo tempo sua boca pressionando seus lábios contra a ferida e deixando-a poda.
Esse ato instintivo lhes sumiu em uma intimidade primitiva. Luke sentiu que seu estômago se contraía. Levantou a cabeça para olhá-la. Ela também o olhava com uns olhos verdes enormes respirando depressa e com os lábios abertos com suavidade.
Vê-la assim foi terrível para o Luke. Tinha passado dezoito meses fantasiando possuindo-a. E agora que a tinha todo seu inferno se rompia em pedaços.
Toda sua escura ira desapareceu. Deliberada e perversamente levantou seu pé cada vez mais e mais até que ela se apoiou sobre a rocha inclinada, e esta vez colocou todo o dedo do pé em sua boca.
Chupou-o devagar enquanto os olhos dela passavam gradualmente de redondos e assustados a entreabridos pelo desejo e seu verde se obscurecia até uma cinza fumaça. Seus lábios se desfaziam sob um montão de gemidos.
Luke ficou olhando esses lábios recordando como se havia sentido quando lhe fez o mesmo em outra parte de sua anatomia, e sabendo que não descansaria até que voltasse a fazê-lo. Mas essa vez seria a seu desejo, não ao dela. Queria tê-la em seupoder, não estar em poder dela.
Ouviu uma risada distante que lhe recordou onde estavam, a plena vista de qualquer que passeasse subindo o Skillion. Dificilmente era um bom lugar para seduzi-la.
O fato de que ela não se desse conta e não ouvisse nem visse nada lhe produziu uma satisfação selvagem. Era tão diferente de sua anterior experiência em que ao final foi ela a que controlou os movimentos enquanto ele estava em outro planeta, inconsciente de tudo menos de seu próprio prazer... Luke se deu conta de que essa vez tinha a frigideira pela manga.
de repente soltou seu pé e ela gritou. Seus olhos exagerados lhe mostraram que não compreendia como tinha podido deixar-se levar até esse ponto. Luke decidiu salvar seu orgulho no momento e pretendeu que não tinha notado nenhuma resposta sexual a suas cuidados. Voltou a olhar a ferida sem emprestar atenção a sua angustiada expressão.
–Parece que a hemorragia cessou. Mas não quero que te suje de novo a ferida, assim que te levarei em braços até o carro.
–Não! –gritou ela imediatamente.
–Mas por que não? Asseguro-te que posso contigo. Sou mais forte do que pareço.
–Eu não hei dito que não seja forte. Mas prefiro ir por meus próprios meios, obrigado. Irei... à pata agarre. 
–Como quer.
Quando notou que um sorriso escuro e orgulhoso aparecia em sua boca se levantou depressa e se foi.
Mas seus pensamentos seguiram com ela. «Tenho-te onde queria, senhorita Rachel Manning. Acaba de me demonstrar que a aparência fria e profissional que projetaste todo o dia era só uma máscara. No fundo é a mesma mulher que me escolheu aquela noite. Sua sexualidade jaz justo debaixo dessa fina pele, lista para que qualquer homem a desentupa com a ferramenta adequada».
«E esse homem vou ser eu esta noite», jurou-se a si mesmo Luke enquanto se dirigia ao carro. «E todas as noites até que consiga te arrancar de meu corpo e de minha mente. Porque não posso seguir como estive até agora. Tenho que me liberar de ti... ou te fazer minha para sempre».
Ao chegar a este ponto Luke parou em seco. lembrou-se das palavras do Theo sobre o amor e o matrimônio.
deu-se a volta para olhar à mulher que era a causa de toda sua confusão, e se derreteu ao vê-la tentando saltar com um só pé entre as rochas. Furioso consigo mesmo e com ela, voltou para grandes pernadas a seu lado e antes de que ela pudesse fazer nada tomou em braços.
–Se houver algo que não posso suportar é a uma mulher que não pede ajuda quando o necessita. Você me necessita, Rachel. por que não o admite?
Seus olhos se encontraram. os dele brilhando de frustração e os dela atônitos. Ela olhou em seu rosto, como procurando algo, até que ao final levantou seu queixo com orgulho e assentiu com a cabeça.
–Está bem, Luke. Admitirei-o. Necessito-te.
Um tremor lhe percorreu por inteiro, e soube que de novo lhe tinha escapado o controle das mãos. Agora o tinha ela.
Maldita seja! jurou para seus adentros.
Voltar a controlar suas emoções não foi fácil. Quando ao final o conseguiu, uma fria máscara ocultou sua exasperação e respondeu:
–Me alegro de ouvi-lo, Rachel. Aos homens gosta que nos necessitem. Faz-nos nos sentir bem. Agora vamos ao carro e procuremos uma atadura –continuou adotando um ar indiferente–. Ainda fica muito dia por diante e muito trabalho que fazer.
 
Capítulo 6
Luke o conseguiu.
Seu orgulho e seu ego vieram em sua ajuda, até certo ponto. Theo se tinha devotado, com grande amabilidade, a lhe revelar todas as fotos quando lhe devolvesse as câmaras, assim que seu medo a fazer o ridículo pessoal e profissionalmente falando lhe impulsionaram a concentrar-se no que estava fazendo.
Também seu medo a fazer o ridículo com as mulheres em geral, e com o Rachel em particular lhe ajudou durante o tempo em que não estava fazendo fotos.
Não se permitiu muitos momentos de inatividade. Levou-a desde o Terrigal Beach ao Wamberal, e de ali pelo norte até o Forrester's Beach e logo a Shelley'S. Pararam para tomar a toda pressa um lanche no Entrance e continuaram com umas sessões largas e penosas nessa zona e nos lagos de ao redor.
Logo que conversaram, e só o fizeram sobre temas estritamente profissionais. Luke tinha abandonado sua idéia de tentar lhe surrupiar detalhes pessoais enquanto a fotografava semidesnuda.
Sabia que era uma perda de tempo e que podia resultar perigoso para seu próprio controle.
Decidiu esperar até o jantar quando estivesse por completo vestido e, com um pouco de sorte, sob a influência de um relaxante copo de vinho.
Tampouco é que esperasse que lhe contasse muitas coisas então.
Rachel Manning era uma pessoa fria, uma criatura misteriosa e enigmática impossível de manipular. Luke tinha a desagradável sensação de que estava jogando com ele, como um gato com um camundongo. Pôde pilhá-la olhando-o algumas vezes, como tentando decidir o que ia fazer com ele ao final. Desconcertá-lo, ou simplesmente lhe deixar atirado?
Quando começou a ficar o sol e a refrescar Luke estava por completo esgotado, física, mental e emocionalmente. Estava terminando seu último cilindro de filme.
–É suficiente por hoje –disse de repente.
–Não quer tentar fazer umas fotos com o pôr-do-sol?
Lhe lançou um olhar cortante. A quem acreditava que estava tentando dirigir, a um menino? Ela tinha que estar cansada também, por que queria prolongar a sessão?
–Não, estou muito cansado. Vamos ao hotel. Recuperarei-me com um bom banho quente e uma taça.
Ela se encolheu de ombros indiferente, mas Luke teve a impressão de que esperava a noite a contra gosto. Também acreditou detectar um brilho de medo em seus olhos.
Sua irritação enquanto se dirigia ao carro a grandes passos não tinha limites. Queria que ela decidisse de uma vez por todas o que queria dele. E queria decidir-se ele de uma vez por todas. Também queria repensar sobre o que pensava dela. Tinha-a considerado uma rameira adúltera, mas agora não estava tão seguro.
O qual não era nenhuma novidade. Quando tinha estado ele seguro dela, ou do que ela fazia? Ela estava cheia de mistérios e contradições, e tinha mudanças de caráter do mais irritante.
Pergunta-a era... qual era a verdadeira Rachel Manning? O que era ela? De onde vinha e aonde ia?
Luke sabia que tinha que responder a algumas dessas perguntas antes de ter nenhuma relação sexual com ela, antes de que se complicasse emocionalmente mais com ela.
Porque estava unido emocionalmente a ela. Disso estava seguro. Qual era esse sentimento, isso não sabia. Amor ou ódio. Luxúria ou só ira. Tudo o que sabia era que ela não voltaria a jogar com ele como se fora um parvo. Queria respostas e a queria a ela. E pretendia consegui-lo, sem lhe importar nada mais.
Deus, embebedaria-a, se fazia faltar!
Tudo era válido no amor e na guerra. Mas como, pensou Luke com pessimismo, era a guerra. Ela não ia ficar impune essa vez. Não, sereia. Tinha esperado essa oportunidade durante dezoito intermináveis meses, e não ia deixar a escapar.
Por volta das sete e vinte e cinco Luke estava preparado, refrescou-se e depravado. Três whiskies escoceses um detrás de outro causavam bastante efeito.
Havia ficado de recolher ao Rachel às sete e meia em sua habitação para baixar para jantar, e tinha reservado uma mesa para dois em um pequeno e íntimo rincão no restaurante do Norfolk Terrace do primeiro andar.
Às sete e vinte e seis repassou seu aspecto por última vez e pensou que estava bastante bem com suas calças cinzas, sua camisa branca de seda e sua jaqueta de sport cinza. um pouco de espuma dava a seu cabelo castanho escuro um tom negro à luz noturna que lhe sentava bem a sua cara de ossos fortes e ressaltava o melhor de seu rosto; seus olhos.
olhou-se de novo ao espelho. Sua amargura se transformou em um sorriso perigoso e duro. «Vamos lá, bonito», disse-se olhando-se por última vez e arqueando uma sobrancelha. Esse era o momento que tanto tinha esperado. Não devia jogá-lo a perder.
A habitação da dama se encontrava na mesma planta mas no lado oposto do corredor. Não tinha querido pedir habitações contigüas para não dar lugar asuspeitas.
Luke sentiu que seus nervos se esticavam enquanto caminhava pelo comprido corredor, mas conseguiu dominá-los com firmeza. Encontrou molesto, não obstante, ter que chamar duas vezes antes de que ela abrisse a porta.
–Sinto te haver feito esperar, estava ao telefone. Só vou recolher minha bolsa.
Deixou a porta aberta enquanto o recolhia, lhe mostrando ao Luke uma cópia exata de sua própria habitação. Haveria possivelmente algumas pequenas diferenças, mas a combinação de cores em azul e amarelo era idêntica e os cômodos móveis coloniais de madeira cálida resultavam agradáveis à vista.
Era uma habitação clássica com detalhes clássicos. Luke estava acostumado aos hotéis de cinco estrelas de todo o mundo, e esse era tão bom como outro qualquer.
Ela se deu a volta e se dirigiu para ele. Seu aspecto era elegante e lhe impactem. Levava umas calças de seda verde amplos e uma jaqueta solta de manga larga e botões até o pescoço. Apesar da modéstia de sua roupa e da sutileza de sua maquiagem seu aspecto era incrivelmente sexy. Seu cabelo loiro, comprido e ondulado, caía sobre sua cara e seus ombros. Seu peito, levasse ou não prendedor, ressaltava sensualmente por debaixo da jaqueta chamando a atenção.
Teria jurado que seus mamilos ficavam de ponta enquanto os olhava, mas ela o viu e saiu da habitação fechando a porta.
–tomaste esse banho quente? –perguntou-lhe de um modo tão frio que imaginou que esse largo olhar a tinha afetado.
Luke se ia acostumando pouco a pouco ao feito de que Rachel Manning tinha dois barômetros. Seu corpo e seu cérebro. Podia dizer uma coisa e sentir outra.
Decidiu fazer caso omisso a suas palavras no futuro para concentrar-se mais na linguagem de seu corpo. Sim, um olhar rápido revelava que seus mamilos definitivamente estavam rígidos. Podia vê-los desenhados debaixo da fina seda. Mas não estava seguro de se desdenhava tanta vulnerabilidade ou se isso lhe excitava.
Provavelmente ambas as coisas.
–Certamente. E uma boa taça. E o que tem feito você nestas duas últimas horas?
Ela deslizou a chave em sua bolsa. Sua expressão era amável.
–estive um momento na banheira, e logo tomei várias taças de café enquanto via meu programa favorito de concursos de televisão.
–É viciada na cafeína? –perguntou enquanto se dirigiam pelo corredor aos elevadores.
–Sim. E também aos concursos de televisão. –Seria fantástico que todos tivéssemos adições tão pouco daninhas.
–OH, a que é viciado você, Luke St Clair?
Tinham parado diante dos elevadores e ela se deu a volta para olhá-lo com uma expressão na aparência ingênua e curiosa. Lhe devolveu o olhar, muito de perto, enquanto se perguntava a que tinha decidido jogar com ele essa noite. Parecia inclinada a uma sedução lenta, segura do poder de atração de seu corpo e sabendo muito bem que só tinha que mover um dedo para que a maior parte dos homens fossem correndo. Nem lhe tinha ocorrido pensar que ele podia dá-la volta.
Luke quase desejou poder fazê-lo, mas nunca tinha sido um masoquista.
–Por onde quer que comece? –disse com indiferença.
–Pelo princípio está bem. Eu gostaria de saber como foi quando foi pequeno, onde cresceu e como te iniciou na fotografia.
Ele ficou de pedra. E não o dissimulou. Maldita seja! Estava-o fazendo outra vez, tomava as rédeas e trocava os papéis. Tinha que ser ele o que fizesse as perguntas, não ao reverso.
–por que quer sabê-lo? –perguntou apertando o botão de «baixar» que havia entre as duas portas dos elevadores.
–Temos que falar sobre algo durante o jantar, não? Nunca conheci a nenhum homem ao que não goste de falar de si mesmo –disse em um tom de total indiferença.
–Ah –disse com voz ligeira embora seu comentário lhe tinha incomodado. Aí estava, acreditando de repente que ela se interessava por ele, não por seu corpo. Fazendo o ridículo–. Não parece que tenha um conceito muito elevado dos homens.
–Não, não posso dizer que esteja muito favoravelmente impressionada em geral.
Aquilo lhe incomodou. Mas, quem se acreditava ela que era, uma Santa?
–Não me preocupa impressionar às mulheres –disse com dureza–. No que a mim respeita podem esquecer-se de mim se quiserem.
–Não estava falando de ti, Luke. Mas pelo que parece tampouco você tem muito boa opinião das mulheres em geral.
Seu sorriso lento e sexy estava planejada para derreter à mulher mais fria do mundo.
–Não deveria tomar meu cinismo como algo pessoal, Rachel –disse com uma voz sedosa e sedutora–. me Acredite se te disser que estou muito impressionado contigo.
Seus olhos se encontraram, e pela primeira vez Luke não se incomodou em esconder a imensidão de seu desejo por ela. Brilhava, forte e quente, obrigando-a a ela a olhar em suas profundidades. Imediatamente, apareceu esse peculiar medo em seu rosto, mas apesar de todo ela não parecia capaz de apartar sua vista longe dele. Pouco a pouco, seu medo se foi transformando em um impulso sexual agudo e consciente. Lhe subiu a cor às bochechas e seus lábios se separaram ligeiramente.
Nesse momento, Luke soube que ela seria sua de novo.
Seu sentido do triunfo foi intenso. Poderia havê-la beijado então, mas se abriram as portas do elevador e viu outro casal que também esperava para baixar para jantar. Sentindo-se ainda invencível, pôs um dominante braço sobre seu cotovelo e a levou dentro, emocionado ao notar que tremia inverificado.
Teve pensamentos primitivos e selvagens enquanto descia no elevador até o primeiro andar. Estava seguro de que apesar de tudo o que fizesse ou dissesse ela não o rechaçaria depois.
Uma vez fora do elevador, encontraram-se sozinhos de novo. Luke a levou para a direita. O outro casal se dirigiu à esquerda, ao restaurante A Mer, que era muito mais formal e não apropriado para essa noite. Era preferível uma atmosfera mais relaxada quando o prato principal do jantar ia ser a sedução.
–Faz-me mal –disse ela cortante.
–Sinto-o –respondeu soltando seu cotovelo para deslizar os dedos por seu braço e acabar agarrando a da mão–. Às vezes não controlo minha própria força. Melhor assim?
Ele levantou as mãos unidas de ambos para pressionar os lábios ligeiramente contra os dedos dela. O calor que subiu a suas bochechas trouxe outra nova onda de escuro triunfo, como o tremor que notou correndo por todo seu corpo através de seus dedos.
Ele sustentou o olhar sobre seu ruborizado rosto por um muito largo momento, e ao final disse com um sorriso íntimo:
–Vamos dentro, ou se não pensarão que não vamos jantar. Não queremos que lhe dêem nossa mesa a outros, verdade? Não sei você, mas eu de repente sinto uma fome voraz.
 
Capítulo 7
O triunfo do Luke foi curto, e assim deveria havê-lo imaginado. Rachel Manning não era o tipo de garota que se relaxava quando a avantajavam de longe, especialmente no terreno sexual.
Em realidade ele não se levou a mal a facilidade com que ela conseguiu refazer-se com rapidez e esconder-se detrás de uma máscara de naturalidade. Pelo contrário, admirou seu autocontrol enquanto a conduzia dentro. A rapidez com que esfriou suas acaloradas bochechas até um simples e digno rubor era o testemunho de uma vontade de ferro.
Isso deu ao Luke uma pista de por que estava tão obcecado com ela. Ela podia ser muitas coisas, mas não era débil. Não, ela não conhecia o sentido dessa palavra.
–Que vista tão preciosa –disse ela em tom indiferente uma vez que o garçom se partiu para lhes trazer as bebidas–. Temos a melhor mesa do restaurante.
E era certo. Estavam justo no rincão mais afastado, na esquina aonde convergiam as amplas janelas lhes dando uma panorâmica general por ambos os lados. Embora a noite tinha cansado totalmente, Terrigal ainda oferecia uma vista preciosa com as luzes da cidade mostrando a costa e a praia e os reflexos das mesmas sobre a água escura como diamantes penando brandamente as ondas no semicírculo da areia dourada.
Não era que Luke tivesse interesse pelas vistas. Sua atenção se centrava totalmente na mulher que estava sentava em frente dele.
Seus olhos se encontraram por um momento. os dela eram frios, revelando que serecuperou por completo do ocorrido.
Entretanto Luke não estava preocupado. Sabia com exatidão o que tinha que fazer para conseguir que ela voltasse a cair nesse desejado estado de comoção. Simplesmente a beijaria. Nenhuma mulher em toda sua larga experiência tinha reagido a seus beijos como ela o tinha feito dezoito meses antes. Nunca esqueceria seus gemidos, nem a forma em que ela se fundiu com ele, como veludo líquido.
O garçom voltou com a garrafa de vinho branco que lhe tinha encarregado, interrompendo por um agradável momento o trem de seus pensamentos. Arrastou sua mente do campo de suas lembranças até a amostra do Chablis fria e seca para dar sua aprovação. Logo se relaxou em sua cadeira enquanto o garçom enchia seus copos, deixava a garrafa na cubitera e partia.
–Chegou o momento de que me conte a história de sua vida, acredito –disse ela de repente.
–Aborreceria-te terrivelmente.
–me acredite, não me aborrecerei.
Luke a olhou antes de que terminasse de falar. Decidiu fazer o que lhe pedia. Se lhe contava sua vida, então ela teria que lhe contar algo sobre a sua.
–Não sei por onde começar.
–Então responde a minhas perguntas. Quantos anos tem?
–Trinta e dois.
–Vivem seus pais?
–Só minha mãe. Meu pai morreu faz anos de um ataque ao coração. Minha mãe vive no Monterrey, na casa em que eu nasci.
–Juraria que é filho único.
–Não. Tenho dois irmãos maiores, ambos casados. Andy tem dois filhos, e Mark três.
–E você alguma vez te casaste?
–Não.
–Vive com alguém?
–Não.
–Tem noiva?
–Não –disse olhando a diretamente à cara.
Ela arqueou uma sobrancelha, e então deixou de fazer perguntas para tomar um gole de vinho e olhar à mesa enquanto deixava a taça sobre a rígida toalha. Sua mão, pensou Luke, tremia um pouco, mas seus olhos estavam tão frios como sempre ao levantá-los para olhá-lo. Um sorriso irônico apareceu em seus lábios.
–Apostaria a que tinha muito êxito na escola. E a que foi bom em tudo.
–Sim e não. Tinha êxito, mas não era bom em tudo. Em esportes sim, estava louco pelo futebol, mas não no estudo. Tinha uma espécie de síndrome de deficiência da atenção: minha mente divagava por toda parte, mas nunca me concentrava nas disciplinas que supostamente tinha que estudar. Minhas notas sempre diziam o mesmo: «Faria-o melhor se se concentrasse». De todas maneiras sabia que ia ser um profissional da fotografia aos treze anos, assim que minhas notas não importavam muito.
–O que te fez te decidir pela fotografia tão logo?
–Papai me deu de presente uma câmara quando fiz doze anos, e me enganchei imediatamente. Dava-me conta de que tinha talento para tirar fotos aduladoras da gente. Também vi logo que podia fazer dinheiro com isso –Luke sorriu ao recordar–. Fazia fotos atrativas das garotas mais bonitas do colégio, logo fotos dos meninos mais brutos, e fazia uma fortuna vendendo cópias no pátio do recreio. Inclusive tirava um calendário cada ano escolhendo a uns quantos do montão. Tive alguns problemas quando o departamento de impostos veio a minha classe um dia e exigiu ver minhas contas. Por sorte o dinheiro que tinha ganho após estava em uma lata debaixo de minha cama. Ao final se foram, depois de que lhes convencesse de que a fotografia era só um hobby e de que gastava todo o dinheiro em comprar a equipe.
–Muito inteligente –murmurou ela.
–Despachado mais que inteligente, Rachel. Não sou um gênio, mas consegui ter êxito na vida. Até que... –acrescentou com um toque de amargura. Ela franziu o cenho e ficou olhando a mesa. Ao Luke irritava seu silêncio, assim levantou a taça e continuou: –Bom, por que brindamos? Por meu êxito ou pelo teu? –ela olhou para cima e riu com uma ironia que lhe surpreendeu–. Posso saber onde está a graça?
–Em realidade não. Definitivamente é em mim. É divertido, em certo sentido.
–Divertido de rir ou divertido no sentido de peculiar? –perguntou sabendo muito bem por que encontrava irônica a situação, e fazendo o parvo já que supostamente ele não a conhecia.
–Duvido que encaixem nenhuma das duas coisas –disse com secura dando um gole de vinho–. Certamente não é entretido, e «peculiar» é uma palavra inadequada e patética.
–Para descrever o que, Rachel?
Ela levantou a taça para ele em sinal de brinde:
–Você... Eu... Nós.
–Mas não há nós... ainda.
–Não, mas o haverá, não é assim? Quer dizer, em certo sentido –acrescentou baixando os olhos enquanto bebia vinho.
–Exatamente o que quer dizer com «em certo sentido»? –perguntou ficando direito na cadeira.
Ela se encolheu de ombros em um gesto de total indiferença, mas ele imaginou que esse gesto escondia muita tensão.
–Sabe com exatidão o que quero dizer, Luke. Pretende me seduzir depois. Mas amanhã pela manhã terá acabado tudo, não é assim? A menos, é obvio, que tenha tentações de acabar logo para ter outro interlúdio romântico pela tarde. Em qualquer caso ao final do dia irá em seu carro, eu irei no meu, e cada um seguirá seu caminho.
–Era isso? –perguntou em tom cortante apertando sua taça e sem incomodar-se em negar nada. Em realidade encaixava com uma das possibilidades que tinha fantasiado que poderiam ocorrer.
–Sim, era isso –disse com um gesto suave.
Seu ar de cansada resignação lhe enfureceu:
–Sonha como se você não tivesse nada que dizer sobre o assunto –disse quase gritando, zangado com ela por assumir que ele era desse tipo de homens e por admitir que ia entregar se em bandeja de prata sem nenhuma queixa.
Ela levantou os olhos lentamente até olhá-lo, e Luke retrocedeu ante a dor que viu em sua profundidade.
–E assim é.
Luke não sabia o que dizer. Ou o que pensar. Estava ocorrendo algo do que ele não estava informado. Mas uma vez mais era ela quem mantinha secretos, e ele quem não ia poder conhecê-los. perguntou-se se não seria uma dessas ninfomaníacas que, uma vez que estiveste com elas, perseguem-lhe como ao objeto de seus desejos sem poder parar. Possivelmente suas necessidades sexuais eram tão fortes algumas vezes que ela mesma se convertia em uma vítima impotente de seu próprio corpo.
Isso explicaria o modo em que se comportou na exposição fotográfica aquela noite. Luke começou a ver a vida amorosa do Rachel como uma série de entrevistas de uma só noite com homens que não significavam nada para ela mais que o meio para chegar a sua própria satisfação.
–Importaria-te me explicar essa observação?
–Acaso requer uma explicação? De verdade te importa? meu deus, vais conseguir o que quer assim, porquê protesta tanto? Escuta, disse-te esta manhã que te necessitava. Você sabe o que quis dizer então, igual a sabe agora. Mas se insistir em que lhe diga isso em voz alta e clara o farei: É terrivelmente atrativo, muito sexy, Luke, e me sinto locamente atraída para ti. Não estive com nenhum homem há bastante tempo, e tenho tantas vontades de te fazer o amor que me sentar aqui e atuar com normalidade me resulta quase impossível.
Luke piscou e ficou atônito porque suas palavras não encaixavam com a expressão de seu rosto, que seguia sendo tão frio e controlado que acreditou que estava brincando.
Quanto tempo queria dizer «bastante tempo?», perguntou-se confuso. Quinze dias? Um mês? Certamente não dezoito meses, isso seguro!
Notou que seu sangue começava a ferver, e sua temperatura a aumentar.
–E por que não o faz? te levante, me dê a mão e me leve de volta a sua habitação agora mesmo. por que segue te torturando? Não seja covarde, Rachel. Faz-o.
Lhe lançou um olhar que lhe cravou à cadeira e lhe deixou de pedra pela ira e a paixão que continha. E então riu de novo com uma risada louca, demoníaca e sufocada que lhe gelou a alma.
–Realmente sabe o que fazer para que uma mulher não possa te esquecer, não é assim, Luke? –murmurou apurando a última gota de sua taça–. Estou segura de que tem muita prática. Mas tem muita razão –acrescentou lhe deixando atônito ao levantar-se e recolher sua Isto bolsa no fundo não é mais que hipocrisia. Vamos –disse enquanto suas largas pernas a levavam depressa fora do restaurante.
Luke a alcançou nos elevadores. Seu rosto ardia pela vergonha de tertido que inventar uma desculpa para o assombrado garçom, por não mencionar as milhares de caras olhando-o no restaurante ao sair correndo detrás dela.
–Menos mal que aqui ninguém me conhece.
–Nem a mim –disse ela também ruborizada–. Acaso crie que faria isto se houvesse aqui alguém que me conhecesse?
–Francamente, não sei o que pensar –disse com sinceridade.
–Então não pense. Faz simplesmente o que tem costume de fazer. Toma o que te oferece e não faça nenhuma pergunta.
O a olhou com os olhos entrecerrados. Nesse momento teve medo de si mesmo, pelo que lhe tivesse podido fazer. Possivelmente ela viu a turbulência de seus olhos, ou possivelmente teve uma repentina crise de culpabilidade. Tudo o que soube é que ela se derrubou e que tentava ocultar a angústia de seu rosto com as mãos.
–OH, Deus... Deus –chorava.
Em realidade não havia lágrimas, só um gemido que rasgava ao Luke as vísceras. Seus ombros começaram a tremer enquanto tentava recuperar o controle. Incapaz de conter-se, Luke a abraçou reconfortando-a, apertando-a forte contra ele enquanto esperavam o elevador.
–Sinto-o –disse sufocada entre tremores–. O sinto muito.
–Cala –a tranqüilizou–. Cala.
–Sinto-o –repetiu.
–Eu também –disse absolutamente comovido ao ver que ela seguia tremendo com violência contra ele.
abriram-se as portas do elevador que, graças a Deus, estava vazio. Luke a fez entrar e apertou um botão enquanto continuava abraçando-a com o outro braço.
–me dê isto –disse agarrando a bolsa que se interpunha defensivamente entre eles e que lhe estava cravando em uma costela. Guardou-o sob seu braço esquerdo e logo acariciou sua cabeça alisando seu cabelo loiro e pressionando-a contra seu peito. Ela voltou sua cabeça com um suspiro para apoiar sua bochecha contra ele. E esse gesto de confiança lhe produziu uma sensação doce por todo o corpo.
A frouxidão do Rachel provocou nele a mesma ternura e sentido possessivo do amparo que a primeira vez. Mas essa vez o aceitou como algo razoável. Como se supunha que se tinha que sentir em relação à mulher a que amava?
Quase se riu ante sua própria estupidez por haver o estado negando a si mesmo tanto tempo enquanto escutava seus desesperados raciocínios.
«Não sabe nada dela», tinha tentado convencer-se a si mesmo muitas vezes antes. «Só aconteceste uma curta noite com ela. O amor a primeira vista é só uma estupidez romântica. Ela é uma rameira, uma zorra, uma adultera. Não pode estar apaixonado por ela».
Mas o estava.
Não era lógico, nem razoável, nem sequer sensato. Era uma mulher complicada. Mas, apesar de tudo, seguia-a amando.
–Rachel –sussurrou. Queria ouvir-se si mesmo dizer seu nome.
Ela levantou seu agitado rosto e ele se inclinou para pressionar com cuidado seus lábios contra sua frente, logo contra seu nariz, depois contra suas bochechas, e finalmente contra seus lábios brandamente abertos. Sua respiração brusca lhe disse tudo o que precisava saber nesse momento.
Beijou-a. E foi exatamente como recordava. A sensualidade de sua boca. Os pequenos gemidos que fazia do mais profundo de si mesmo. A completa rendição de seu corpo ao dele. Ela o abraçou quando se abriram as portas do elevador. Levou-lhes um pouco de tempo aos dois dar-se conta de que havia gente esperando para entrar.	
Luke esboçou um sorriso cortês como pôde e arrastou a uma Rachel lânguida por diante do casal. Quando chegaram à habitação dela, parecia haver-se recuperado, mas permanecia calada. O abriu a porta com a chave que tirou de sua bolsa e a fez entrar. Rachel ficou olhando enquanto ele deixava as chaves e a bolsa em cima da mesinha e depois se tirava a jaqueta.
O sorriu de modo tranqüilizador, gostava de seu silêncio e sua vacilação. Deixou sua jaqueta obre uma cadeira e começou a tirá-la camisa.
–Luke –disse ela de repente.
Sua mão se gelou sobre o segundo botão da camisa. O instinto lhe dizia que não lhe ia gostar do que ela estava a ponto de lhe dizer.
–O que? –respondeu escuetamente.
–Eu... espero que tenha alguma amparo...
Seu alívio se mesclou com certa ironia. De modo que ela queria que usasse algo essa noite, não era assim? Não queria loucuras arriscadas? Não ia se voltar a deixar levar por completo?
–Isso não necessita sequer mencioná-lo –disse bruscamente–. Não tenho por costume correr riscos para a saúde.
Ela se ruborizou em extremo. Seus olhos olharam para abaixo com terrível tristeza. Luke pôde apreciar que a situação corria o risco de deteriorar-se, assim fez o que qualquer homem excitado teria feito. Deixou de despir-se, aproximou-se dela e a arrastou a seus braços de novo, procurando seus lábios com uma boca faminta e feroz que não admitia mais tolices nem demoras.
Foi uma pequena surpresa o que a ela parecesse lhe gostar de sua louca amostra de paixão, gemendo sob os selvagens movimentos de sua língua e logo rodeando com seus braços fortemente sua cintura.
Ele respondeu., deslizando as mãos por suas nádegas e atirando dela contra ele. Os músculos do estômago lhe contraíram–ao sentir sua própria ereção contra o montículo de seu sexo. Com muita dificuldade conseguiu controlar-se.
Até que ela fez um movimento rotatório com seus quadris.	–
–Por Deus, Rachel! –disse com voz entrecortada apartando-se bruscamente dela e passando ambas as mãos por seu próprio cabelo enquanto tentava controlar seu membro palpitante–. Não deveria fazer coisas como essa. Não em momentos como este.
–Suponho que não. Mas produz um desafortunado efeito em mim.
–Desafortunado? –repetiu ele enquanto ela se desabotoava o primeiro botão de sua jaqueta– O que quer dizer com desafortunado?
Um estranho sorriso se desenhou em seus lábios enquanto seguia desabotoando-os botões e lhe torturando.
–Você me induz a fazer coisas que sei que não devo fazer. Faz-me... débil... e perversa –acrescentou abrindo sua jaqueta e retirando a dos ombros.
Lhe cortou a respiração. Estava nua, durante todo esse tempo não tinha levado prendedor.
A jaqueta de seda se escorreu de seus braços e voou sobre o tapete. Luke respirou com força quando ela se levou as mãos à cintura e deslizou suas calças de seda por seus quadris, levando-se a mesmo tempo a roupa interior.
Teve que inclinar-se para terminar de tirar-lhe e seus peitos gloriosos e duros se separaram de seu corpo como duas esferas de luxuriosa perfeição. Recordou vários quadros eróticos que torturaram ainda mais seu corpo. Nunca tinha estado tão excitado.
Tinha que possui-la, e tinha que possui-la já.
–Por piedade, Rachel –virtualmente lhe implorou quando ficou reta. Só o simples ato de tirar o cabelo dos ombros lhe produzia uma tortura insuportável.
Mas nos verdes olhos do Rachel não cabia a lástima:
–Agora você –lhe ordenou.
–Eu?
–Sim. Quero te despir –seu gemido a convenceu de sua estado de ansiedade, mas só provocou nela' sorriso passageiro, incitando-a ao prazer, não à lástima–. Pobre Luke –murmurou ficando nas pontas dos pés para lhe beijar com suavidade nos lábios roçando seus mamilos contra o peito dele–. Não será muito tempo.
Seus dedos desabotoavam os botões que faltavam da camisa com suavidade. Mas então começou a fazê-lo mais devagar, tomando-se seu tempo em lhe tirar a camisa dos tensos ombros e detendo-se lhe olhar o peito nu.
–Que belo é! –disse com voz rouca desdobrando ambos os braços pelos cachos do centro do peito–. Belo –repetiu, e começou a roçar sua Palmas suaves de cetim pelos largos e planos músculos de seu torso, voltando de novo sobre seus mamilos até que se endureceram como pedras.
–Não me jogue a culpa se isto não funcionar tão bem como esperas –lhe avisou pessimista, tentando desesperadamente controlar-se enquanto ela continuava sua suave exploração.
Não respondeu. Só sorriu e se inclinou para lamber o lugar por onde tinham passado seus dedos.
Luke se mordeu o lábio inferior e a deixou que seguisse por um momento. Odiava e adorava ao mesmo tempo a forma em que seu estômago dava tombos a cada golpe de sua língua. Mas quando ela mordeu de verdade com os dentes um tenso mamilo e o chupou com força a agarrou pelos ombros e apartousua cabeça.
–Já é suficiente –grunhiu, apartando-a e ficando firme. Logo se tirou ele mesmo o resto da roupa. Enquanto o fazia procurou pelos bolsos a carteira, tirando dela um preservativo antes de que lhe esquecesse.
Não podia acreditá-lo quando ela agarrou o preservativo de suas trementes mãos, ajoelhou-se e fez o trabalho por ele. Sua experiência jogava pela amurada qualquer secreta esperança que tivesse podido ter sobre a quantidade de vezes que tinha feito esse tipo de coisas. Demônios! Seu comentário de que não tinha estado com um homem durante bastante tempo devia provavelmente referir-se a um par de dias ou três.
Pelo amor de Deus! Se ao menos lhe tirasse suas mãos de cima! Se deixasse de acariciá-lo! Não podia suportar mais esse desdobramento de intimidade. Não nessa primeira vez. Luke gritava para si mesmo em silêncio, mas a deixava. Até que ao final exclamou:
–Rachel. Para já.
Lhe ignorou.
–Não ouviste o que te hei dito? –gemeu, arrastando-a para cima e sacudindo-a.
Sua piscada desconcertada lhe mostrou o longe que se encontrava ela da realidade. Respirava muito forte, mas também ele. Luke ficou olhando sua boca, aquela provocadora boca que só uns momentos antes lhe tinha levado a ele até o limite.
Ainda estava ao limite.
–me faça o amor, Luke –foi capaz de lhe pedir nesse ponto, aproximando-se dele uma vez mais.
A pressão sangüínea subiu a novas cotas, como sua frustração:
–Não me deste muitas oportunidades.
–Sei –disse levantando a perna direita e deslizando a coxa provocadora acima e abaixo por seu flanco–. Queria estar preparada para ti. Agora estou preparada, Luke. faça-me isso agora.
Não necessitava que lhe insistisse muito. Penetrou-a, gemendo de prazer e desmaio quando sentiu que chegava ao êxtase quase de maneira imediata. Diabos, sabia que não ia poder agüentar muito. Ela estava tão quente, tão molhada e tão selvagem retorcendo-se e votando sobre ele, que nada ia poder parar a explosão de seu desejo. Chiou os dentes e tratou de forçar-se a seguir, mas nada podia lhe parar. Nada.
O gritou de agonia e de êxtase abraçando-a forte enquanto vibrava dentro dela. Justo quando seu ego masculino lhe ia levar ao desespero ocorreu nela o mais incrível. Estalou também, na liberação mútua mais intensa que jamais tinha experiente. Seus corpos se uniram como um só e suas pulsações se fizeram mais profundas lhe proporcionando ao Luke uma satisfação física e emocional que o desconcertou.
Caíram juntos na cama, ambos sentindo ainda um clímax incontrolável. Luke a fez girar em cima dele e a agarrou pelas nádegas mantendo-a contra ele procurando prolongar a sensação, sem querer que acabasse nunca. Finalmente os dois ficaram tranqüilos. Rachel, aturdida e exausta sobre ele, soltou um último gemido sobre seu peito, seus braços penduravam relaxados.
Luke se sentia como se acabasse de correr em uma maratona, seu coração ainda pulsava às pressas. Tudo o que podia ouvir-se na habitação era sua respiração. Mas pouco a pouco seu sangue se acalmou, e a habitação ficou em silêncio. Estava começando a pensar que só poderia viver para voltar a fazer o amor de novo quando um som rude rompeu o silêncio.
Rachel abriu súbitamente os olhos para olhar ao telefone que estava perto da cama. Luke franziu o cenho impaciente pela interrupção, e logo ante o gesto de alarme dela.
Quem chamava a essas horas a sua habitação?, perguntou-se, molesto. E por que parecia ela tão condenadamente preocupada de repente?
 
Capítulo 8
–É que não vais responder? –perguntou Luke depois de um momento de estar soando Esta telefone é sua habitação ao fim e ao cabo.
–Bom... –Rachel olhou para abaixo a seus corpos ainda unidos.
Luke quase se ruborizou.
–Bem –murmurou soltando-se dela e deslizando suas pernas ao outro lado da cama, por sorte à lateral onde não estava o telefone–. Já pode responder –acrescentou ficando de pé e dirigindo-se ao banho.
Supunha que não devia fazê-lo, mas se deu pressa no banheiro e logo entreabriu devagar a porta o suficiente para ouvir a conversação.
Tinha que fazê-lo, dizia-se a si mesmo, simplesmente tinha que averiguar tudo o que pudesse sobre a mulher que amava, sobre tudo porque ela não tinha intenção de lhe contar nada. Precisava saber algo se é que pretendia atravessar o escudo protetor que ela tinha construído a seu redor.
–E então o que pensa o médico? –ouviu-lhe dizer quando por fim respondeu pelo auricular–. Está segura, Sarah? Posso ir casa esta noite sem problemas e voltar conduzindo amanhã. Estou segura de que posso lhe pedir ao fotógrafo que comecemos amanhã um pouco mais tarde ou inclusive postergar a sessão para outro dia. Se não ser assim, não tem mais que procurar a outra modelo. O dinheiro não é tão importante. O importante é a saúde de meu filho.
Luke agarrou o pomo da porta. Um filho? Ela tinha um filho!
Invadiram-lhe o ciúmes e o pessimismo, misturado com o tortura por sua atitude de rechaço para ele. Ele que estava pensando que por força significava algo especial para ela quando seu corpo tinha respondido desse modo tão intenso.
A idéia de que havia lhe tornado a utilizá-lo de novo cruelmente lhe encheu de angústia e debilidade. A suas culpas se acrescentava agora não só o ter enganado a seu marido dezoito meses antes, mas também além disso o havê-lo feito tendo um filho dele. Deus, era desprezível.
–Não, Sarah, já me tenho feito à idéia –disse resolvida–. Vou agora mesmo a casa. Sei que não posso fazer muito mais que estar sentada a seu lado, mas de todas formas não poderia dormir pela preocupação esta noite. Se sair agora mesmo, posso estar ali dentro de duas horas. Agora não haverá muito tráfico. Até mais tarde, Sarah... Sim, farei-o... Adeus.
Ela pendurou o telefone e se deu a volta, ainda nua, lhe encontrando a ele de pé aos pés da cama, também nu e cheio de frustração.
–Sim, farei-o, o que?
–Sim... conduzirei devagar –respondeu. Sua momentâneo gagueira era a única evidência de que a situação lhe afetava de algum jeito–. Era minha sogra –explicou depressa–. Te disse que estava doente. Bom, é que se há posto pior. Tenho que ir a casa. Posso voltar aqui pela manhã, se assim o quiser.
–Não te incomode em me mentir, Rachel. Ouvi-o tudo.
Luke desfrutou ao vê-la empalidecer. E desfrutaria mais quando ficasse ainda mais pálida antes de deixá-la que se fora essa vez.
–Nunca me havia dito que tinha um filho –acrescentou com frieza.
Ela se acalorou.
–Estava escutando! –acusou-lhe. Ele quase riu ante sua indignação.
–Era o único modo de descobrir algo sobre ti –respondeu mal-humorado–. Tem paixão pelos segredos. Assim, volto-te a perguntar, por que não me disse que tinha um filho? –enquanto dizia essas palavras lhe passou pela cabeça a suspeita mais fatal.
–por que tinha que fazê-lo? –respondeu–. Meu filho não é teu assunto. Como você já deveria saber, ter um bebê não sempre é bom para os negócios. E agora, se me desculpa –disse recolhendo sua roupa do estou acostumado a–. Tenho que me vestir.
–E tem que voltar amanhã e terminar este trabalho –exigiu.
Tentava com desespero se separar de si essa suspeita irracional. Porque simplesmente não podia ser verdade. Era muito irreal para expressá-lo com palavras. Nem sequer ela podia ser tão perversa. Mas, maldita seja, ela tinha utilizado a palavra bebê. Ao princípio se imaginou que seu filho seria um menino pequeno, de dois ou três anos, possivelmente. Bebê sugeria que tinha menos de um ano. meu deus, o que ocorreria se tinha nove meses? O que ocorreria...?
–Não tenho por que lhe fazê-lo respondeu com violência ficando-a roupa diante para tampar sua nudez–. Abandono. Busca lhe outra loira. Estou segura de que não terá problemas. Já sabe o que se diz, Luke. Na variedade está o gosto.
Suas mãos se apertaram em punhos aos lados, e por uns segundos Luke lutou contra um milhão de primitivas emoções, uma das quais, e não a menor, era o desejo de assassiná-la.
Observou-a furioso. Ela se deu a volta e entrou no banheiro.
Quando uns minutos mais tarde saiu vestida estava esperando-a sentado no bordo da camae vestido também. Observou-a enquanto guardava o resto de suas coisas, esmigalhado entre o desejo de lhe fazer a pergunta crítica ou permanecer em silêncio.
«É melhor não sabê-lo», dizia-lhe seu sentido comum. «Deixa-a partir».
Mas a ignorância não era muito melhor. Não podia suportar não saber a verdade.
–Que idade tem seu filho, Rachel? –perguntou de repente.
Seu shock ante a pergunta foi tão forte que Luke quase adoeceu de vê-lo.
«Deus meu não», rogava para si mesmo.
–por que... por que quer sabê-lo? –perguntou Rachel agitada e absolutamente pálida.
Luke ficou em pé e começou a amaldiçoar. Uma e outra vez. Violentamente. Obscenamente. Queria chorar, mas não foi isso o que fez. Os homens não choram. Dizem juramentos. Assim que os disse lhe lançando a ela seu ódio. Esperava que o ódio o sustentara em pé.
Ela o olhou com olhos atônitos e boquiaberta. Mas logo sua surpresa se transformou em um grito, seus olhos jogavam faíscas de fúria.
–Bastardo –gritou–. Sabia desde o começo quem era eu!
Luke torceu seu lábio superior com desprezo ante a indignação dela.
–Sim, é obvio. Por isso escolhi a ti. Ia sobre seguro. E agora responde a minha pergunta, maldita seja! Quantos anos tem seu filho? E não te incomode em me mentir. Agora que sei que existe posso averiguá-lo com facilidade.
–Onze meses –respondeu com uma atitude tão depreciativa como a dele–. Muito major para ser teu. Assim não tem que preocupar-se. Pode continuar feliz seu caminho sem o estorvo de um menino não desejado pendurado de seu precioso pescoço. Meu filho é de meu marido, Patrick Reginald Cleary.
Luke não estava seguro de se isso lhe aliviava ou lhe incomodava. Assim já estava grávida de dois meses aquela noite, crescia então nela um filho e herdeiro. Se é que era de seu marido, claro está!
Contudo, aquilo explicava por que não se preocupou ao não usar nenhum amparo. O embaraço a tinha possibilitado levar a cabo todas suas fantasias sexuais sem problemas.
–Zorra desprezível –disse com voz baixa e tremente–. Vete daqui antes de que lhe mate –seu olhar de assombro não lhe produziu nenhuma pena. Não encontrava nenhuma desculpa para seu comportamento. E tampouco encontrava desculpa para si mesmo por sentir-se defraudado de que o menino não fora dele. Ela não era uma mulher a que merecesse a pena amar, nem sequer desprezar–.
–Vete! –gritou chiando os dentes.
Ela o olhou por última vez com angústia. Guardou suas coisas e se foi deixando a porta aberta. Luke bramou, logo ficou a dar voltas furioso pela habitação passando-as mãos repetidas vezes pela cabeça.
«Não posso acreditá-lo. Nada disto tem sentido. Não pode ser certo». Mas de repente caiu na conta. Não devia ser certo.
Primeiro grunhiu, logo fez uma careta. E se tivesse mentido sobre a idade do bebê? E se não tivesse onze meses? E se ela tivesse acreditado sua ameaça de que ia averiguar a idade do bebê e só lhe tivesse acrescentado dois meses? Seguro que tinha pensado que seu interesse no bebê não era tanto como para indagar mais. Ela imaginava que ele era um fotógrafo solteiro de vida alegre que ia de uma mulher a outra, de uma modelo a outra e sempre por uma só noite.
Lhe começou a revolver o estômago. Sua intuição lhe dizia que acabava de dar com a solução correta. O menino era dele! Era a única resposta lógica que explicava suas reações ante ele, o único que lhe dava sentido. meu deus, isso o explicava tudo sobre essa noite e sobre aquela outra de fazia dezoito meses.
Ela havia dito então «não tenho tempo para covardes esta noite».
Aquilo tinha sido tão certo, pensou amargamente. Ela queria um menino e seu marido não tinha sido capaz de dar-lhe Evidentemente era muito major e com toda probabilidade estava doente. Assim saiu e conseguiu um, da mesma maneira em que todas as mulheres conseguiram meninos e herdeiros desde tempos imemoriais; seduzindo a um inocente e pobre diabo, que nesse caso foi ele.
Mas com ele se foi encontrando obstáculos desde o começo, não era assim? Para começar, ele a tinha surpreso tomando as rédeas na cama e insistindo em ficar um preservativo. Por isso teve que lhe seduzir uma segunda vez. lhe seduzir literalmente falando, de modo que estivesse tão excitado que nem sequer se preocupasse de nenhum risco. depois do qual se foi deixar nenhuma pista de sua identidade.
É obvio tinha que o ter tudo planejado desde o começo. Registrar-se em um hotel com nome falso, pagar com dinheiro em lugar de cartão. Cada detalhe concreto estava planejado, desde sua provocadora roupa até a eleição do candidato adequado.
Luke se perguntou agriamente o que tinha ele para que o tivesse eleito. Seu aspecto, possivelmente, ou o fato de que estava sozinho? Tinha sido só a pura casualidade o que lhe tinha feito cair em suas garras, ou havia um destino perverso detrás?
Ela não esperava voltar a vê-lo. por que ia fazer o? Pensava que era um turista americano. Mas quando seus caminhos se cruzaram de novo e se viu desculpada de sua conduta ao não reconhecê-la voltou a cair em seus braços.
portanto em realidade ainda gostava sexualmente.
Luke tinha estado com as suficientes mulheres para saber que também gostou da primeira vez. Mais, inclusive, pelo que tinha imaginado; tanto, que não tinha podido resistir a seduzi-lo uma segunda vez.
O qual o levava de novo como em um círculo vicioso a voltar a pensar dela o que tinha pensado desde o começo. Que era uma rameira, uma fria e calculadora zorra que nesse mesmo momento fugia dele outra vez. Só que essa vez se levava a seu filho!
«Sobre meu próprio cadáver», disse-se oscuramente a si mesmo.
Luke atuou depressa e com decisão. Correu para sua habitação, recolheu as chaves de seu carro e se lançou em sua perseguição. figurou-se que a alcançaria facilmente na auto-estrada do Sidney. Seu pequeno Nissan não podia correr tanto como o Ford, e a essas horas da noite com tão pouco tráfico na estrada seria fácil vê-la. A escuridão lhe dava a possibilidade também de segui-la sem que o visse pelo espelho retrovisor.
Alcançou a ver seu carro pouco depois do Mount White. Guardou uma boa distância na auto-estrada e quando esta se acabou se aproximou mais para evitar o risco de que lhe deixasse atrás com os semáforos. Perdeu-a em uma intercessão poucos minutos depois, mas por sorte conhecia bem as ruas do sul da cidade e sabia onde encontrá-la.
O relógio digital do salpicadero marcava as onze quando ela por fim abandonou a rua principal e girou perto do centro comercial Cronulla. Luke ficou ligeiramente atrás ao girar à esquerda, aproximou-se do meio-fio e apagou os faróis quando viu que ela acendia a luz do freio e parava um momento. Observou como dava a volta a uns cem metros além da rua e o carro por fim desaparecia entrando por um dos lados de uma casa.
Quando esteve seguro de que ela tinha tido tempo de entrar saiu do carro e caminhou pela rua para olhar à casa em que acreditava que estava seu filho.
Era uma casita de tijolo visto com telhas de cerâmica vermelha, uma garagem encostada desvencilhado e uma grama que necessitava um bom recorte.
Luke franziu o cenho. Se era aqui onde vivia Rachel, seu matrimônio não lhe tinha deixado muito dinheiro. Sua hipótese de que queria proporcionar um herdeiro à fortuna da família Cleary era claramente um engano. A menos que alguma circunstância imprevista tivesse dissipado esses bens. Havia gente que fazia maus negócios, que perdia todo seu dinheiro de repente.
Luke voltou a repassar mentalmente a situação. Não servia de nada lhe perguntar ao Rachel seus motivos pela segunda vez. Tampouco servia de nada enfrentar-se a ela. Simplesmente voltaria a mentir. ia ter que ser muito mais ardiloso se queria averiguar a verdade.
Anotou o número da casa e se dirigiu à esquina mais próxima para memorizar o nome da rua. De volta ao passar pela casa ficou olhando-a um momento mais.
« O que ocorrerá se te equivoca, Luke?», sussurrava-lhe sua própria voz interior. « O que ocorrerá se não ser seu filho, se...?»
«Não me equivoco», disse-se a si mesmo em voz alta. Sei. Girou sobre seus talões e baixoua rua a grandes pernadas para o carro.
 
Capítulo 9
Luke já não voltou para o Terrigal. foi a casa, de onde chamou o hotel. Disse-lhes que tinha ocorrido uma emergência no Sidney e lhes pediu que lhe guardassem suas coisas em sua bolsa e as mandassem por correio. Também lhes pediu que revisassem a habitação da senhorita Manning para ver se se tinha deixado algo, e nesse caso que o mandassem. Deviam carregá-lo tudo a seu cartão de crédito, da que já tinham os dados.
Acabava de pendurar o telefone quando sua mãe saiu de sua habitação. Tinha aspecto ojeroso.
–Pareceu-me ouvir sua voz, Luke. O que faz em casa? Acreditei que havia dito que foste passar a noite na costa.
–ia fazer o, mas as coisas não saíram tal e como esperava.
Grace não pôde dizer que o sentia. Luke lhe tinha contado que ia se fazer umas fotos para o Theo nos arredores das praias de Central Coast, mas suspeitava que se foi com uma mulher, provavelmente com aquela mulher casada com a que andava encalacrado.
Com franqueza, estava surpreendida e decepcionada com o Luke por relacionar-se com uma mulher casada. Não era próprio dele. Moderno que era em todos os outros aspectos, em matéria de moral e de matrimônio sempre tinha tido pontos de vista tradicionais.
A menos, claro está, que não tivesse sabido que estava casada até depois de haver-se relacionado com ela. Essa explicação era muito provável.
Ai! O pobre tinha mau aspecto e parecia destroçado. Apesar de tudo, se tinha quebrado com essa mulher não podia lhe haver acontecido nada melhor.
–Quer uma taça de chá, carinho? –perguntou amavelmente.
–Sim, fantástico, mamãe –Grace sorriu com tristeza e se foi à cozinha. Ao menos ainda servia para algo, embora fora para fazer taças de chá–. Um sándwich não me viria mal tampouco –acrescentou seguindo-a–. Ao final não jantei.
Grace o olhou por cima do ombro. ia abrir a boca para lhe perguntar por que não, mas outra olhada a sua expressão nada esperanzadora fez fechá-la de novo. Não essa noite, decidiu inteligentemente. Ele não estava preparado para falar essa noite. Possivelmente ao dia seguinte.
–Nesse caso sente-se e te farei um –disse com energia pondo o pão no torrador.
Ouviu-lhe mover uma cadeira da cozinha e derrubar-se sobre ela.
–Obrigado, mamãe –disse, com um terrível cansaço em cada palavra e em cada gesto.
Grace decidiu não lhe perguntar por seu desastroso humor ou pelo motivo do mesmo. Luke voltaria para a América em uns dez dias, e esse seria sem dúvida o final do romance de uma vez por todas. Ao menos assim o esperava....
Luke despertou deprimido e indeciso, mas tentou repor-se. Não ia ganhar nada afundando-se na autocompasión e na dúvida. Não ia ganhar nada lhe dando voltas à cabeça e preocupando-se. Hamlet tinha perambulado torturando-se durante muito tempo, e olhe aonde lhe tinha levado.
Seu trabalho aquela manhã consistia em averiguar a verdade, e uma vez descoberta saberia o que fazer. Cada costure a seu tempo. O primeiro era saber se o menino era dele.
Era estranho, mas aquela manhã já não estava tão seguro como a noite passada.
ficou na cama uma eternidade, rastreando em cada palavra que Rachel havia dito e em cada coisa que tinha feito, incluindo aquela pequena crise diante do elevador. O que significavam suas repetidas desculpas? O que era o que sentia tanto? Seria só seu comportamento no restaurante? Certamente tinha estado bastante mal mas, não era mais lógico pensar que lhe pedia desculpas por havê-lo utilizado para ficar grávida sem seu conhecimento nem consentimento?
Demônios, era tudo tão confuso!
Luke arrojou os lençóis e saiu da cama. Tinha chegado o momento de descobrir a verdade, o momento de encontrar as respostas.
sentou-se agachado no assento do velho sedan azul de sua mãe mordendo-as unhas enquanto observava e esperava sua oportunidade.
Não havia nem uma alma na rua, e eram quase as onze. Esperava ver de longe ao menino, embora logo refletiu que um bebê de menos de um ano não jogaria na erva. Provavelmente nem sequer andaria. Sua vida se desembrulharia em sua major parte na casa, a menos que Rachel ou sua sogra o tirassem seu cochecito ou em seu sillita ou no que fora.
Passou outra meia hora mais. Luke estava a ponto de aproximar-se e bater na porta quando esta se abriu e apareceu Rachel com jeans e uma camiseta azul larga e ajustada. Levava o cabelo pacote em uma larga rabo-de-cavalo. deu-se a volta para falar com uma mulher de cabelos brancos, mas de repente girou e correu pelas escadas frontais a toda pressa.
Luke se deslizou mais para abaixo no assento e, tal e como esperava, ela não se voltou para olhar o velho sedan azul estacionado ao outro lado da rua. Caminhou rapidamente pelo passeio principal e atravessou a porta um pouco desvencilhada.
Uma vez que teve subido a rua se levantou um pouco no assento e suspirou. Ela torceu à direita na esquina e foi caminho do centro comercial, que estava ao menos a uns dez minutos andando. Embora pudesse comprar o que fora em só cinco minutos, ainda ficavam vinte e cinco para averiguar tudo o que precisava saber.
Seu coração palpitava forte sob seu peito. Saiu do carro. Graças a Deus se tomou a moléstia de vestir-se bem. Não queria que a anciã senhora suspeitasse nada dele. Tinha que conseguir entrar na casa e que confiasse nele em tão somente cinco minutos.
O primeiro susto foi quando a sogra do Rachel abriu a porta. Porque embora tinha o cabelo branco não era nem pelo mais remoto uma senhora maior. Não parecia mais velha que sua própria mãe, que teria sessenta e tantos anos. Quantos anos tinha tido então Patrick Cleary? Possivelmente não era tão major como ele tinha suposto.
–A senhora Cleary? –perguntou Luke apagando a surpresa de seu rosto e esboçando seu melhor sorriso.
–Sim –respondeu ela indecisa.
–meu deus! Parece você muito jovem para ser a sogra do Rachel –disse com sinceridade mas reconhecendo o adulador do comentário, típico dos homens sempre que falam com as mulheres.
sentiu-se bastante culpado quando viu que funcionava. As pálidas bochechas dela avermelharam de prazer.
–Sou Luke St Clair, senhora Cleary –continuou enquanto ela ainda estava ruborizada e sobressaltada–. Sou o fotógrafo com o que Rachel esteve trabalhando ontem. Está em casa? Preciso falar com ela para consertar uma data para tomar o resto das fotos. A verdade é que não quero usar a outra modelo. Como estou seguro de que você compreenderá, não todas as modelos têm esse estilo e essa qualidade especial que tem Rachel.
–Ai, quanto o sinto! Acaba de ir-se. Mas não demorará. saiu a comprar algumas remédios para as gengivas do Derek. O pobre pirralho tem problemas com os dentes, suponho que ela o haverá dito.
–Derek? –repetiu Luke surpreso pela segunda vez–. Pensava que seu filho se chamava Patrick.
–De verdade? Que estranho. Possivelmente a entendeu mau. Patrick era o nome de seu pai. De fato ele queria lhe chamar Patrick, como ele mesmo e como seu avô, mas Rachel, como é tão sensata, impôs-se e disse que esse tipo de coisas só se faziam antigamente. Tenho que admitir que eu estive de acordo com ela. Eu tampouco queria chamar Patrick a meu filho, mas meu marido insistiu, e as mulheres então faziam o que os homens diziam.
Ela sorriu com tristeza, coisa que Luke não soube bem como interpretar, mas teve a impressão de que a senhora Cleary não desfrutou da boa relação com seu marido que teria desejado. Mais ainda, pôde ver que ela era uma pessoa branda, uma daquelas mulheres refinadas e delicadas do velho mundo que não têm a força nem o valor suficientes para lutar por si mesmos. Uma pessoa cujo estilo não era absolutamente o enfrentamento.
–Por Deus!, quanto falo. E ainda não lhe tenho feito passar, senhor St Clair. Deve você pensar que sou uma mal educada. Entre, por favor.
–me chame Luke –insistiu enquanto a seguia por um corredor estreito e bem cuidado até uma habitação igualmente cuidada mas desordenada. Havia muitos móveis e cacarecos para as dimensões da habitação e, embora algumas costure tinham um evidente valor, muitas outras eraminúteis e antiquadas.
–Então você deve me chamar Sarah –riu disimuladamente. Luke se sentiu algo culpado pela intrusão na confiança da doce e boa mulher. Mas não tinha mais remedeio–. Irei à cozinha a fazer um pouco de chá. Está em sua casa.
Luke respirou profundamente uma vez que esteve sozinho. Não se tinha dado conta até esse momento do tenso que se sentia.
Imediatamente lhe chamaram a atenção alguns quadros de fotografias nupciais pendurados da parede. aproximou-se com cuidado entre os móveis para olhar os de perto e sua surpresa foi aumentando ao comprovar que o homem que posava junto ao Rachel não era maior nem muito menos. Possivelmente tivesse o cabelo cinza então, mas devia ser prematuramente, porque aquela atrativa cara sorridente que olhava ao Luke do marco de prata era a de um homem de trinta e tantos anos, como muito.
Aquilo acabou com um de seus prejuízos sobre o Rachel, igual à casa tinha acabado a noite anterior com outro, o de que se casou com um homem maior por seu dinheiro. Isso significava que se casou por amor.
Luke apartou seu torturada olhar das fotos de bodas. Procurava pela habitação algo que sabia que tinha que estar aí.
E então o viu. Uma fotografia de um bebê sentado. Estava em cima de uma livraria de madeira esculpida e médio oculta por duas poltronas de chinz estampados.
Tragou saliva e se meteu entre os braços das poltronas para agarrar o marco de prata. A foto de dez por oito em cor mostrava a um bebê de uns seis meses nu sentado em um banheiro. Era um bebê especialmente bonito com suaves cachos loiros e os olhos azuis mais brilhantes que jamais tinha visto.
Lhe encolheu o peito. Seus olhos eram de um marrom tão escuro que a gente acreditava que eram negros. Em sua família todos tinham os olhos marrons, tanto por parte de seu pai como de sua mãe. Embora Rachel tivesse os olhos verdes, Luke teria que ter tido um gen recessivo de olhos claros para poder ter um filho com os olhos azuis.
E não acreditava o ter. Seus dois irmãos definitivamente não o tinham, já que todos seus filhos tinham os olhos marrons. Era um tema sobre o que tinham tido discussões familiares muito freqüentemente.
de repente lhe ocorreu algo. Voltou depressa para olhar nas fotos de bodas. Maldita seja! Parecia que o marido do Rachel também tinha os olhos marrons. Não tão escuros como os seus, entretanto.
De novo outra de suas suspeitas retornava com rabia a sua mente. O bebê podia não ser dele, mas possivelmente tampouco fora de seu marido. Isso explicaria por que se mostrou tão firme em sua decisão de não lhe chamar Patrick. De havê-lo feito seu nome lhe teria recordado constantemente sua culpa.
Luke decidiu não perder mais tempo. Descobriria a idade exata do menino e depois se iria dali. Tomou a foto do menino que lhe serviria de desculpa para iniciar uma conversação e procurou a cozinha. Foi fácil em uma casa tão pequena.
Sarah Cleary se trabalhava em excesso preparando uma bandeja para o chá. Olhou para cima sonriendo. Isso lhe fez sentir-se fatal.
–Ah, encontraste a foto do Derek? É um menino precioso, não é verdade? Claro está, com uma mãe tão bonita.
Luke encontrou algo irônico que ela fora tão generosa ao lhe conceder ao Rachel toda a responsabilidade na beleza do menino. Pouco se imaginava que possivelmente seu filho não tinha contribuído absolutamente. Não cabia dúvida de que havia por alguma parte na Austrália ou possivelmente em qualquer outro lugar do mundo algum atrativo homem de olhos azuis que tampouco conhecia sua contribuição à família Cleary.
–Rachel disse que o mês que vem cumpriria um ano –disse com inocência contendo a respiração e esperando a resposta.
–Sim, em quatorze de outubro.
Luke sentiu que seu coração tocava fundo. Estava defraudado e aborrecido consigo mesmo. meu deus, ainda tinha esperanças, apesar dos olhos azuis! Que classe de parvo era? Desses que não sabem quando devem ir-se, veio-lhe a resposta à cabeça.
Procurava em sua mente alguma desculpa para ir jogar lhe uma olhada ao menino, que supôs estaria dormido, quando toda a casa retumbou com seu pranto. Soava alto e forte, mais como uma rabieta que como um bebê com mal-estar.
Olhou ao Sarah, que não parecia muito comovida.
–Parece que o senhor Derek se despertou de sua sesta matinal. Já sei que sonha como se se encontrasse mau, mas não é assim. É que se aborrece. Não suporta estar na cama uma vez que se despertou. Importaria-te te servir você mesmo o chá enquanto vou levantar o, Luke?
–Não... Certamente que não.
Luke olhou seu relógio e viu que só tinham acontecido quinze minutos desde que tinha entrado na casa. Com um pouco de sorte se teria ido para quando chegasse Rachel.
–Será um minuto ou dois. Tenho que lhe trocar os fraldas –lhe avisou.
O pranto se voltava mais exigente e forte. Que pequeno tirano, pensou Luke. Entretanto sorriu quando o ruído cessou de repente ao entrar Sarah na habitação.
Luke se serve uma taça de chá. sentou-se. Estava molhando uma bolacha quando Sarah voltou levando ao Derek. Já não chorava. Parecia muito major e era inclusive mais bonito que na foto. Nunca tinha visto uns olhos tão grandes e bonitos...
–Marrons –disse.
–Como diz? –perguntou Sarah deixando ao menino na troveja em um extremo da mesa. Ambos, avó e neto, ficaram olhando.
–Seus olhos –repetiu com lentidão–. São marrons. Mas aqui na fotografia são azuis –disse tomando de novo a foto em suas mãos para olhar aqueles olhos brilhantes.
–Não sabia? –Sarah riu suave e amavelmente–. Todos os meninos ao nascer têm os olhos azuis. Alguns demoram vários meses em trocar à cor definitiva. os do Derek são exatos aos de seu pai. A verdade é que é quão único herdou que ele.
Luke voltou a sentir essa culpabilidade doentia. Ela tinha razão. Os olhos do Derek não eram tão escuros como os seus, eram de um marrom intermédio como o do Patrick Cleary.
Essa observação terminou por fim com todas suas pesquisas. Não cabia mais que a resignação. Tinha completado o círculo, não era assim? Todos seus prejuízos sobre a concepção do Derek agora ficavam descartados. Rachel tinha sido culpado de uma noite de infidelidade, isso era tudo. Uma noite louca em que, pelas razões que fossem, e que só ela conhecia, simplesmente necessitava a um homem.
E o tinha escolhido a ele.
«Deus, e por que a mim?»
Nesses momentos desejava não ter ido. Desejava ter escutado aquela voz que lhe dizia que abandonasse, que o esquecesse.
Mas tinha ido, e teria que ficar e enfrentar-se ao Rachel, que sem dúvida estaria furiosa com ele.
–É um menino difícil? –perguntou Luke mais por lhe dar conversação que por um interesse real. O menino não era dele. Seu instinto lhe tinha falhado pela primeira vez na vida.
Sarah lhe deu ao menino uma fruta para mastigar e se sentou e serve chá.
–É um traste. Mas cada dia é melhor. É obvio Rachel o mímica muito, mas é compreensível tendo em conta quão mau o passou ao princípio.
–OH, é que estava doente?
–Bom não, doente não. Simplesmente foi prematuro. Dois meses. Esteve as seis primeiras semanas de sua vida na chocadeira.
Luke se alegrou de que Sarah tivesse escolhido esse momento para levantar-se e lhe pôr um babador ao menino, porque estava seguro de que seu rosto refletia seus sentimentos. Não sentia raiva. Só surpresa, seguida de uma onda de intenso júbilo que arrasava com todos seus intentos por manter o controle. meu deus, quase se desfez em lágrimas!
Seus olhos ainda estavam aquosos quando se deu a volta para olhar a seu filho. Um amor imenso por lhe invadiu o coração de modo totalmente involuntário, era um sentimento de orgulho e júbilo paterno. olharam-se ambos, e possivelmente lhe comunicou sua emoção ao broto, porque parecia estar encantado com seu pai...
–Derek –lhe chamou brandamente. O bebê fez um gorgoteo e agitou os braços em um gesto de prazer.
Sarah sorriu a seu convidado e se apoiou no respaldo.
–Gosta, Luke. E é o primeiro. Pelo general não gosta dos homens. É obvio –acrescentou com tristeza–, não teve muito contato com eles. Suponho que Rachel te há dito que seu pai morreu quandosó tinha duas semanas de vida.
–Em realidade não, não me há isso dito. Mas sabia que era viúva quando a contratei. Do que morreu seu filho, Sarah?
–De leucemia. A diagnosticaram ao ano de que Rachel e ele se casassem. depois de um tratamento de quimioterapia intensivo pareceu remeter durante um ano mais ou menos, mas logo voltou a recair, pior que nunca, e todos sabíamos que era uma questão de tempo. Patrick só seguiu vivo porque Rachel esperava seu filho. O sempre quis ter um filho, sabe. Estava obcecado. Não pode imaginar o alívio que senti quando as análise do Rachel revelaram que estava grávida.
–Deveu ser um momento difícil para todos –murmurou.
–Foi. Mas Rachel foi maravilhosa. Essa garota tem uma fortaleza extraordinária, não tem idéia. Eu me teria derrubado se não tivesse sido por ela. Ela o é tudo para mim, e também Derek, é obvio. As duas temos que lhe agradecer o nos fazer superar os maus momentos. Ser responsável por outro ser humano te faz sair da complacência em sua própria tristeza e te dá um propósito na vida.
Luke estava tentando encontrar uma resposta quando a porta principal se abriu e três segundos depois Rachel entrou na cozinha falando.
–comprei um gel para as gengivas do Derek e umas dose infantis de Veludo cotelê... –Rachel ficou sem fala quando viu o Luke aí sentado.
 
Capítulo 10
A reação do Luke à angústia do Rachel não foi nem raiva nem ressentimento, a não ser, por estranho que parecesse, lástima. Nenhum homem inteligente e sensível poderia ter cuidadoso essa cara pálida e adorável com seus atônitos olhos verdes e pensar que ela era perversa ou, gabado seja Deus!, uma rameira. Fora qual fora a razão que lhe levou a fazer aquilo dezoito meses atrás, não foi certamente nem um desejo egoísta nenhuma necessidade ninfomaníaca.
Foi o desespero.
Disso estava seguro. Desespero por lhe dar a seu marido moribundo o filho que sempre tinha querido.
Tudo o que ela pôde dizer foi «Luke», com uma entonação tão forçada como sua expressão.
–Olá, Rachel –respondeu ele tentando relaxar a situação–. vim a ver quando estará livre para terminar as fotos. Sarah me disse que não demoraria para voltar e logo me convidou muito amavelmente a tomar chá.
–Sim, e deveria ver como gosta ao Derek, Rachel –começou a falar Sarah inconsciente da tensão que subjazia entre os dois–. Né, se estava rendo-se faz um momento. Estava-lhe contando ao Luke que não é nada habitual. A maioria dos homens lhe dão vergonha e fica em silêncio. Vê... está-lhe sonriendo outra vez.
–Sim, sim, já vejo –disse Rachel seca. havia lhe tornado um pouco de cor a seu rosto. Era evidente que estava atenta na esperança de averiguar se se tinha feito ou dito algo sobre o menino.
Luke decidiu que não a ia deixar seguir jogando a manter secretos por mais tempo. Mas não era tão cruel e insensível para dizer nada diante do Sarah.
–Rachel, sério, preciso falar um momento contigo –disse com muita firmeza, o qual provocou outro novo olhar de surpresa e pânico. Seu aspecto era de terrível cansaço, mas ainda assim estava muito belo.
–por que não te leva ao Luke ao salão, Rachel? Eu levarei ao Derek ao jardim para que jogue com a areia –se ofereceu Sarah–. E não se preocupe, porei-lhe nata para o sol e um gorrito na cabeça –disse olhando ao Luke como lhe dizendo «vê o que te dizia, o mímica muito».
–Está bem –disse Rachel levantando seu filho da troveja com um sorriso enquanto lhe dava um beliscão na bochecha–. vais ser um bom menino com sua avó, e sem rabietas. Quando ela diga que é hora de entrar, então será hora de entrar. Só quinze minutos, Sarah, a estas horas há muito sol. Luke e eu já teríamos terminado para então.
Luke respondeu com uma expressão suave a seu desafio sem querer arreganhá-la adiantado.
–por aqui –disse uma vez que Sarah e Derek se partiram–. A primeira porta à esquerda.
Luke sentia que lhe encolhia o peito. Seguia ao Rachel, que ia diante lhe indicando o caminho com a mão. Caminhava com dificuldade pelo estreito corredor de novo para a matizada habitação. Nesse momento tivesse preferido estar em qualquer outra parte. Inclusive uma visita ao dentista era preferível que ter que dizer o que ia dizer.
sentou-se em uma das poltronas estampadas e observou como ela fechava a porta, cruzava-se de braços e girava para olhá-lo à cara do outro extremo da habitação.
–Não cria que estou impressionada pela maneira em que te ganhaste a confiança do Sarah para chegar até mim. É um inconsciente, uma serpente e um demônio manipulador, Luke St Clair, e não quero voltar a verte.
Luke respirou profundamente tentando tranqüilizar-se. reclinou-se por completo na poltrona. Não merecia a pena perder o controle, não serviria de nada intercambiar insultos. Mas, maldita seja, seu coração pulsava a toda velocidade em seu peito e lutava por controlar uma batalha interior. Pôs as duas mãos com firmeza sobre os braços da poltrona, levantou a cabeça e a olhou.
–Eu gostaria que fora tão simples como isso, Rachel –começou a dizer–. Eu gostaria que só fora o desejo de me deitar contigo o que me trouxe até aqui. Mas não é assim.
–De verdade! me perdoe se me custa acreditá-lo. Já conheci antes a tipos como você.
–Duvido-o, Rachel –replicou com frieza–. Eu não sou nenhum tipo. Sou uma pessoa, com um cérebro próprio, muita paixão pela verdade e uma tenacidade de espírito que só uma mãe pode apreciar.
–Encantador. E agora vê o grão.
–Muito bem –Luke lutava por manter as formas–. Sei que Derek foi dois meses prematuro. Sei que seu marido estava doente de leucemia bastante tempo antes de morrer. Suspeito que Derek é meu filho. O que tem que dizer a isso?
Nada. Isso era tudo o que tinha que dizer. Somente o olhava causar pena. Logo começou a agitar a cabeça como se não pudesse acreditar o que estava passando. Seus braços penduravam frouxos a seus flancos, seus ombros cediam derrotados.
–Não –sussurrou finalmente–. Não...
deu-se a volta, fechou os punhos e esteve a ponto de golpear a porta, mas se deteve, resolvida, e girou de novo para olhá-lo à cara:
–Não –negou em voz baixa e agitada, mas com uma segurança que fez ao Luke tornar-se atrás.
–O que significa «não»? –exigiu–. Fez o amor comigo sete meses antes de que Derek nascesse. Ele foi dois meses prematuro. Sete e dois são nove. Inclusive embora te deitasse com dúzias de homens nesse momento, como pode estar segura de que não é meu?
–Não houve dúzias de homens –admitiu finalmente com voz afogada–. A única pessoa que podia ter sido o pai de meu filho além de meu marido é você. E tem razão. Não podia estar segura, assim que lhe fiz uma prova do DNA depois de nascer. Sei de quem é meu filho, Luke, e não tem do que preocupar-se. Não é teu. É um Cleary.
Luke se afundou devagar na poltrona olhando absorto ao chão. sentia-se como se alguém acabasse de lhe pegar um murro no estômago. Derek não era dele. Rachel não era a mãe de seu filho. Tudo o que tinha estado esperando e planejando em segredo... puf! esfumou-se.
–Imagino aliviado que se sente –disse Rachel em um tom tão cáustico que Luke a olhou ferido de repente.
Ela não o estava olhando. deu-se a volta para ver as fotografias da parede. Isso lhe feriu ainda mais e lhe impulsionou com fúria para ela esquecendo-se de seu autocomplacencia.
–Então por que o fez? Só me diga isso. Maldita seja, acredito que ao menos me mereço uma explicação.
Ela se deu a volta e o olhou com amargura.
–Crie-o? E por que? Veio comigo essa noite sem pensá-lo duas vezes, Luke. E arrumado a que não o voltou a pensar à manhã seguinte tampouco.
–Então perderia, meu amor –disse ficando em pé–. Pensei muito em ti, me devané os miolos durante os três meses seguintes pensando em que pude ter pilhado o SIDA.
–Ah! –a expressão de remorso de seu rosto parecia sincera–. Assim estava preocupado por isso. Eu... pensei-o depois. Sinto te haver feito acontecer por isso, Luke. De verdade.
–E então por que o fez? –exigiu saber, seu coração ardia ainda pela revelação–. me Diga. Quero... não, preciso saber. Diabos, Rachel, que dano pode te fazer me dizer averdade? Já vejo que não é uma zorra que tenha por costume fazer esse tipo de coisas. Mas tentou deliberadamente ficar grávida essa noite, não é assim? Não foi uma aventura amalucada, não?
–Não –admitiu rouca–. Não, tem razão. Queria ficar grávida –as lágrimas encheram seus olhos e depois começaram a correr por suas bochechas em silencio–. Você nunca entenderia como foi, Luke. Nenhum homem poderia nunca entender...
Suas lágrimas lhe comoveram profundamente, mas não ia tornar se atrás. Só conhecendo toda a verdade poderia ressarcir-se da decepção de que Derek não fora dele.
–Tenta-o comigo, Rachel. Sei escutar.
Isso era mentira. deu-se conta enquanto o dizia. Nunca tinha sabido escutar. Toda sua vida tinha caminhado por atalhos egoístas nos que só importavam seus desejos, seus desejos e seus sonhos. Quando se tinha parado a escutar os sonhos ou os problemas de outros?
Nunca na vida.
Inclusive agora não queria escutá-la por ela mesma, a não ser para salvar seu próprio ego masculino.
Essa nova consideração sobre si mesmo, honesta e brutal, levou-lhe a ver-se a ele mesmo do ponto de vista do Rachel. Se ela tinha uma má opinião dele, a culpa era só dela.
Mas todo isso ia trocar, prometeu-se a si mesmo. Desde esse momento.
–Inclusive embora lhe conte isso tudo –disse secando-as lágrimas–, nunca compreenderá a situação naquele momento. Nenhum homem o compreenderia.
–Rachel –disse com firmeza–, dentro de dez minutos Sarah voltará com o Derek. me conte só os fatos. Não vou pensar o pior de ti. Só me diga o que ocorreu e o que te levou a tomar uma decisão tão se desesperada.
–E logo irá? –chorou com voz suplicante.
–Já veremos, Rachel.
Sua mente já estava acariciando outras esperanças, outros sonhos. Sonhos realizáveis.
Sua expressão devia estar traindo algum de seus desejos secretos porque o rosto dela se endureceu.
–Não interprete mal o que ocorreu ontem noite, Luke –disse fria–. Foi um engano. Um engano que não vou voltar a cometer. Sei que te dava a impressão de que era coisa feita assim que o pedisse, mas isso já não é assim. me acredite quando te digo que não voltarei a me deitar contigo. Nunca. Assim está perdendo o tempo se for isso o que pretende.
O acreditou. Acreditou que ela estava segura do que dizia. Assim que a deixaria seguir acreditando-o por um tempo.
–Só me diga o que aconteceu, Rachel.
Sua postura firme provocou um olhar fatigado nela.
–Está bem, mas não me importa se você não gosta do que te digo. Não me importa o que pense de mim. Fiz-o, e, se se voltassem a dar as mesmas circunstâncias, faria-o outra vez. Não é que estivesse bem...
Luke se sentou. Ela ficou de pé em silencio por uns segundos. Sua mente estava absorta no passado. Ele esperou com impaciência a que continuasse, e estava a ponto de dizer algo quando ela empreendeu sua explicação.
–Nunca conheci meu pai –disse.
Luke reclinou a cabeça na poltrona. meu deus, ia começar desde muito atrás. Mas permaneceu em silêncio sabendo que qualquer interrupção não faria mais que atrasar as coisas–. O morreu quando eu tinha dois anos. Minha mãe era uma mulher maravilhosa, mas pelo general me sobreprotegia, sobre tudo quando cresci e me converti em uma garota mais bonita do corrente. Ela tinha medo de que acabasse sendo uma vítima de algum homem rico, atrativo e sem consciência, compreende? Um homem que só me utilizasse para seus próprios fins. Quando me fiz modelo, comecei a compreender a que se referia. Os homens me perseguiam e fui vítima de seus vazios encantos um par de vezes antes de me dar conta de que mentiam e de que estava sendo uma estúpida.
Luke franziu o cenho. Teria podido dizer algo, mas ela em seguida continuou sua história.
–Quando conheci meu futuro marido aos vinte e dois anos já era mais precavida com os homens, fossem atrativos, ricos, ou não. Patrick não era excessivamente atrativo nem rico nem nada. Entretanto era um homem fascinante com uma mente brilhante que se encontrava já no topo de sua carreira aos trinta e quatro anos. Conhecemo-nos em uma festa a favor da investigação dos defeitos congênitos nos meninos, seu campo profissional. Apaixonei-me por ele, e quando ele me pediu que deixasse meu trabalho, casasse-me com ele e tivéssemos filhos lhe disse que sim sem pensá-lo duas vezes. Minha mãe estava encantada, estava preocupada realmente por meu futuro, e me desejou toda a felicidade do mundo como a senhora do Patrick Cleary.
O olhar triste do Rachel lhe fez pensar que não encontrou toda essa felicidade em ser a senhora do Patrick Cleary. deveu-se acaso a sua enfermidade, ou a alguma outra coisa?, perguntou-se. Acaso descobriu que seu brilhante marido não era o príncipe encantador que ela tinha imaginado?
Não havia muitos homens que fossem Santos, reconheceu Luke. imaginava que um homem que tinha escolhido a investigação científica como carreira profissional devia ser um indivíduo muito concentrado em si mesmo, um neurótico do trabalho com pouco tempo para dedicar a sua pequena mujercita em casa. Mas não era o momento apropriado de sugeri-lo.
–Poucas semanas depois de nossas bodas –disse Rachel em voz baixa–, minha mãe morreu de repente de um ataque. Foi... foi um golpe muito duro para mim. Só tinha quarenta e nove anos. Custou-me muito superá-lo. Se não tivesse sido pela simpatia e delicadeza do Sarah, tivesse podido ter uma grave crise. Também resultou ser um enorme consolo quando uns quantos meses mais tarde eu não conseguia ficar grávida. Patrick estava transtornado e era impossível raciocinar com ele. Estava impaciente por ter filhos, sobre tudo um menino que levasse o nome da família. Eu lhe dizia que a concepção às vezes levava tempo, mas ele insistia em que me fizesse todas as provas de mundo.
»Quando tive os resultados e se viu que eu estava bem, consentiu por fim em fazer-lhe ele. Descobrimos que o número de seus espermatozóides era um pouco escasso, mas o pior era que... tinha leucemia. A mesma enfermidade que tinha sofrido seu pai trinta anos antes.
»Todos ficamos destroçados pela notícia. Patrick sabia que lhe esperava um comprido tratamento de quimioterapia e, sem que eu soubesse, fez congelar e guardar uma amostra de seu esperma em um banco de esperma de um hospital do Sidney. Não tinha intenção, por isso se vê, de render-se em sua idéia de ter um filho e herdeiro.
»Enquanto isso já não estava bem para levar uma vida sexual normal, embora as arrumava para me fazer o amor de vez em quando. Entretanto não era suficiente para que ficasse grávida. Teve uma espécie de remissão de sua enfermidade por uns poucos meses e por então tivemos umas relações sexuais regulares, mas apesar disso... o menino não chegava.
»Quando voltou a cair doente de novo e lhe disseram que era terminal começou a insistir em que me fizesse uma inseminação artificial. Me fazia tomar a temperatura todas as manhãs antes de me levantar, e o apontava tudo. Então, quando minha temperatura baixava e a ovulação parecia iminente, tinha que tomar o trem ao Sidney, ir ao hospital para me fazer a inseminação, passar o resto do dia e a noite em um hotel descansando e voltar para casa ao dia seguinte.
»Fiz isso durante cinco meses consecutivos, mas não resultou. Comecei a sofrer terrivelmente quando me chegava o período, via o desespero nos olhos do Patrick. Faria algo por não vê-lo assim.
Os médicos disseram que se eu ficava grávida ele conseguiria ter a vontade de viver um par de anos mais. Tenho que admitir que eu também queria um menino.
Sentia-me muito só e deprimida, não tinha uma meta pela que viver. Necessitava algo meu ao que abraçar e amar. Tinha passado muito tempo sem que Patrick nem sequer me tocasse, e não digamos já estar perto de mim.
Rachel o olhou à cara pela primeira vez desde que tinha começado a falar.
–Assim fiz o que fiz, Deus me perdoe, pensando que estava fazendo algo nobre. Mas do momento em que me tocou, Luke, abraçou-me e me beijou, senti-me apanhada em um pouco totalmente diferente do que pretendia ao princípio. Não vou mentir. Desfrutei de cada um dos momentos que passei contigoessa noite. Mas me acredite se te disser que sofria, Luke. Só sinto o te haver feito sofrer a ti também. Quero me desculpar por isso. De verdade, sinto muito.
–E está absolutamente segura da paternidade de seu filho? –perguntou com a voz rouca–. Não cabe nenhuma dúvida?
Rachel se fortaleceu e ficou reta, como se estivesse indignada porque ele fizesse essa pergunta uma segunda vez.
–Não há nenhuma dúvida –respondeu–. Me tinha feito a inseminação artificial essa mesma tarde. Só posso supor que o fazer o amor contigo restabeleceu os processos naturais de meu corpo, do qual resultou que fui mais apta para a concepção.
Luke não pôde evitar um gesto de desagrado.
–Sim, é estranho, não crie? Tão estranho como a noite passada. Não quero voltar a estar contigo, Luke –disse com voz tremente pela emoção–. Já foi suficiente. Agora quero que vá.
De novo voltou a cruzar os braços. Sua expressão indicava que dava por concluído o encontro.
O ficou de pé devagar. Ela estava muito molesta e alterada nesse momento para aceitar nada dele. Mas não tinha intenção de deixá-la sozinha. Nem a ela nem ao menino. Derek possivelmente não fora filho dele, mas poderia havê-lo sido...
Por muito arrevesado que parecesse, era suficiente para o Luke. Por alguma estranha razão não se sentia diferente com respeito ao menino pelo fato de saber que não era seu pai biológico. Seu coração ficou afligido ao imaginar como se houvesse sentido se fosse o verdadeiro pai de semelhante menino, como seria amá-lo e cuidá-lo. Gostava de como se sentia. sentia-se bem.
–Estou totalmente de acordo contigo, Rachel –disse em voz baixa–. Eu tampouco quero que siga existindo esse tipo de relação entre você e eu. Adeus –disse, e se dirigiu à porta passando por diante dela.
Luke não estava muito seguro do que ia fazer ou de como ia obter seus objetivos. Tudo o que sabia era que ia conquistar a essa mulher, a essa preciosa, forte e maravilhosa mulher. Uma mulher a que merecia a pena amar!
 
Capítulo 11
–Perdoa que te pergunte mas –disse sua mãe essa noite durante o jantar–, está apaixonado por uma mulher casada?
A reação do Luke a uma pergunta como essa foi uma mescla de surpresa e aborrecimento. Mas ao ver a cara de preocupação de sua mãe suavizou sua atitude e decidiu lhe contar o do Rachel e Derek depois de certa reticência. De todas maneiras, antes ou depois ia se inteirar, porque foram ser parte de sua vida. Luke não sabia como ia conseguir que esse milagre se fizesse realidade, mas que o chegaria a ser, isso era seguro, ou se não morreria no intento.
–Assim que essa é a história –terminou de contar já com o café–. E agora antes de que abra a boca e diga nada sobre isso, mamãe –lhe avisou–, quero acrescentar que vou casar me com o Rachel. Derek pode não ser meu, mas não me importa. É um menino estupendo e necessita um pai. E esse pai vou ser eu.
–Mas... mas sua mãe não quer ter nada que ver contigo!
Sua mãe sempre ia direta à medula da questão.
–Sim, dou-me conta disso –com muita dificuldade podia esquecer os escrúpulos que Rachel albergava no mais profundo de si mesmo contra ele–. Mas me proponho superar essa pequena dificuldade em um futuro próximo.
–Como? –perguntou sua mãe.
O pessimismo natural do Luke ressurgiu enchendo o de exasperação.
–Tem que ser tão negativa? Escuta, não sei como, ainda. Pensarei-o –levou sua taça de café à pia–. depois de ajudar a minha garota preferida a esfregar os cacharros, claro. Este porco machista vai ter que reformar-se se é que quer casar-se e assumir felizmente as responsabilidades familiares.
Grace pôs um gesto de estranheza. ficou em pé e levou sua taça meio cheia à pia.
–Não pode fazer que te ame, Luke –disse–, nem que se case contigo.
–Você crie? Conto com a vantagem de saber muito sobre ela. Se todo o resto enguiço, terei que utilizar táticas se desesperadas.
Grace olhou a seu filho. Esperou que não queria dizer o que ela estava pensando. Os homens que utilizavam o sexo e a sedução como médio para conquistar o coração de uma mulher eram estúpidos. Senhor, tomara que não estivesse planejando deixá-la grávida outra vez. Isso seria um desastre!
–Importa-te que te sugira uma idéia, Luke?
–Não, se for construtiva.
–Disse que sua casa estava um pouco velha, e que a grama necessitava um bom repasse. Poderia fazer algo a respeito para começar.
–Refere-te a que pague a alguém para que o arrume? –perguntou franzindo o cenho.
–Por Deus, não. Tal e como estão as coisas ao Rachel não ia gostar disso. Parece uma garota muito orgulhosa. Mas bem estava pensando em que você fizesse alguns acertos ali. Lhe davam bem a broxa e o cortacésped quando foi um menino. O cortacésped velho da garagem ainda funciona. E há uma pistola nova para pintar que me deram de presente Mark e Andy o ano passado. Esses teus irmãos usam minha garagem para armazenar os trastes que não querem.
Luke esboçou um enorme sorriso.
–Que fantástica idéia, mamãe! Nunca me tivesse ocorrido. um milhão de obrigado. Começarei imediatamente com o «Projeto Luke Memore Fria», a primeira hora da manhã. Esperemos que tenha mais êxito que o verdadeiro «Luke Memore Fria», que morre ao final do filme. boa noite, mamãe, que durma bem.
Grace se foi à cama tratando de sentir-se otimista sobre o futuro do Luke com essa mulher, mas não era fácil. Esperava que não tivesse sido só a frustração sexual o que lhe tinha feito responder assim ao Rachel em seus dois encontros com o Luke. Esperava que, de alguma forma, a bondade e o bom caráter dele tivessem brilhado através de sua atrativa aparência e tivessem feito trinca um pouco também em seu coração.
Logo ficou a pensar no menino que tivesse podido ser seu neto. Que lástima, pensou, que não fora do Luke. Patrick Cleary estava morto, assim não podia lhe afetar já, e Luke, sempre o tinha pensado, seria um pai estupendo.
Embora as coisas fossem assim Luke ainda seria um bom pai para esse menino, se conseguia que a mãe lhe desse uma oportunidade.
«Senhor, lhe conceda uma oportunidade», rezou antes de cair dormida. «É um bom homem».
Quando Luke chegou à manhã seguinte, a casa estava vazia. Sentiu pânico por um momento até que, dando a volta pelo jardim, viu um montão de brinquedos pela areia. Espiando através da janela da cozinha também viu uns quantos pratos do café da manhã na pia. Não podia se imaginar que ninguém convencesse ao Sarah de abandonar a casa deixando-os pratos sem esfregar. Era da geração de sua mãe, e nunca se permitiu essa debilidade.
Rachel, entretanto, era outra coisa. Podia imaginar-se sem problemas que deixasse os cacharros sem esfregar se tinha outras prioridades. Vieram-lhe à mente vários pensamentos «X». Com um gesto de frustração, deixou de espiar. Isso não funcionaria. Não tinha ido conseguir levar-lhe à cama outra vez, a não ser para ganhar seu amor.
Apesar de tudo, como disse a sua mãe, utilizaria todos os recursos disponíveis se falhava. Porque, como ia desaparecer, simplesmente, quando ela era a mulher a que tinha estado esperando toda sua vida?
Duas horas depois, a grama frontal e traseira estavam irreconhecíveis: tinha segado a grama, arrumado os arbustos que serviam de muro e tirado as más ervas. Mas elas não apareciam.
Luke repassou mentalmente as distintas possibilidades. Poderiam ter ido às compras, ou ao médico, ou simplesmente de passeio. Jogou uma olhada a seu relógio. As onze e meia. Era presumível que não estivessem fora muito tempo com um menino de onze meses. Derek precisaria torná-la sesta, seguro.
Sentiu espetadas de fome. Tinham passado horas do café da manhã. Bebeu água da mangueira. Estava pensando já em ir-se casa a comer quando ouviu um ruído de carro pela parte dianteira. Lhe fez um nó na garganta. Correu pelo lateral do jardim e viu com alívio o carro do Rachel entrando e parando diante da porta da garagem. Pôde ver o Sarah sentada no assento do co-piloto e ao Derek em uma sillita de menino na parte de atrás.
Luke se dirigiu a grandes passos à entrada para abrir as portas, mas Rachel tinha saído já do carro e estava de pé diante dele.O olhar que lhe lançou foi mortal.
–Que diabos está fazendo aqui? –quase lhe gritou sufocada ao aproximar-se–. E quem te crie que é, quem te deu permissão para recortar minha grama?
–bom dia, Rachel –respondeu algo frio ignorando suas palavras–. fostes às compras, não? –saudou o Sarah com a mão, que lhe sorria do assento, e logo ao Derek–. Não faça uma cena diante da família –lhe sussurrou, lhe ajudando a abrir as portas.
–Isto não vai funcionar, Luke –murmurou–. Quero que, vá e que não volte a aparecer.
O a olhou inflexível.
–Não seja tão tola. Preocupo-me com ti, Rachel, e não vou a nenhuma parte, assim mais vale que vá acostumando a ver-me rondando por aqui.
–Mas... mas não pode fazer isto!
–Fazer o que? Não posso cuidar de ti? por que? É uma mulher adorável e muito valiosa, e não o digo por seu aspecto, embora pareça que não tem muito bom caráter.
–Mas... mas disse que voltaria para a América 
–troquei que planos.
–OH, Deus...
–Não há necessidade de rezar, Rachel. Não tenho intenção de te fazer danifico.
–Mas o fará. Não o vê? –gemeu–. Cada vez que lhe Miro me dói.
Sarah interrompeu a conversação, que não parecia ter saída, abrindo a janela e tirando a cabeça. 
–Derek está começando a protestar, Rachel –gritou. 
–Vamos –disse Rachel–. Terminaremos de falar logo.
–Durante o jantar, esta noite?
Seus olhos brilharam de raiva.
–Não vou Rachel.
–Maldito seja Luke. por que não pode ser como todos os outros? –disse-lhe antes de girar e voltar às pressas para carro. Entrou, fechou a porta e conduziu até entrar na garagem.
Como todos os outros?
Luke franziu as sobrancelhas ante esse comentário que não compreendeu.
O que outros? Outros amantes? Outros que tinham estado com ela e logo a tinham deixado?
Ao diabo. Odiava pensar que ela estivesse com outros. Bastante tinha superando que tivesse tido um marido.
O pranto irritado do Derek despertou de seu sonho. Não estava muito de humor para ser doce e suave, mas apesar de todo se aproximou de grandes passos ao carro e abriu a porta de atrás. Desatou ao menino da sillita com movimentos algo bruscos e o tirou.
–Pára de chorar já, pequeno tirano –lhe ordenou enquanto lhe punha com firmeza sobre seu quadril.
Derek parou imediatamente, e um enorme sorriso apareceu em seu carita de querubim. Seus grandes olhos marrons brilhavam enquanto agarrava uma mecha do cabelo do Luke que lhe caía pela frente e jogava com ele. Inclusive ficou a gorgotear ruídos que soaram quase como a «p–p».
Luke não pôde evitá-lo. sentiu-se enfeitiçado instantaneamente, já para sempre ia estar escravizado.
–Vê-o, Rachel? –disse Isso Sarah é o que Derek necessita de vez em quando. Uma mão masculina firme. Olhe. Com o Luke se comporta de maravilha.
–Nesse caso Luke pode cuidar do pequeno diabo durante o resto da tarde –replicou enquanto recolhia do carro umas quantas bolsas da loja de comestíveis e se dirigia à casa–. Suponho que convidará a comer ao bom samaritano, Sarah –disse em tom irascível por cima do ombro–. Sem dúvida espera alguma recompensa por seu trabalho –terminou seca. Sarah se desculpou por ela:
–foi uma manhã terrível –sussurro–. Melhor que vá abrir lhe a porta antes de que atire toda a compra. Outra vez –acrescentou tentando lhe explicar antes de sair correndo.
Derek imediatamente rompeu a chorar bem alto ao ver desaparecer a sua avó.
–Já vejo de onde tiraste esse caráter tão doce –lhe disse ao menino enquanto o levava pelo jardim tentando que deixasse de chorar. Mas sem consegui-lo.
Sarah tirou a cabeça pela porta de atrás.
–Melhor que o coloque dentro, Luke. O pobrecillo está cansado e faminto e tenho que lhe trocar o fralda.
O pobrecillo esteve impossível até que Rachel o levou a cama. Para então Luke se comeu já os dois sándwich que Sarah lhe tinha preparado. Retirou sua taça de café com alivio pelo repentino e bendito silêncio.
–meu deus, é sempre tão mau? –perguntou.
–Céus, não. É que estava muito cansado pelas compras. Teria que ter estado na cama às dez para sua sesta matinal. Qualquer outro menino se teria ficado dormido em seu sillita, mas Derek não. Gosta tanto olhar a seu redor pela alameda que não pode dormir. E no carro lhe acontece o mesmo. A maior parte dos meninos dormem, mas ele não. Gosta de muito olhar.
–Minha mãe diz que eu era igual –remarcou Luke–. Eu também dormia mau. Nunca dormia mais de quatro horas seguidas. Por isso parece em meu quarto havia abajures de cores, e o teto estava cheio de móveis de cores. Era a única maneira em que ela podia descansar um pouco. Estava acostumado a estar convexo durante horas simplesmente observando como se moviam as formas e a luz jogava sobre as superfícies.
–Possivelmente por isso te fez fotógrafo –sugeriu Sarah.
–Pode que tenha razão. Nunca me tinha ocorrido pensá-lo. Que inteligente é, Sarah. E falando de fotografia, eu gostaria de fazer umas fotos ao Derek logo. Ficam umas poucas ainda no cilindro que está na câmara e poderia as aproveitar antes de levá-lo a revelar.
–OH, isso seria estupendo. A verdade é que não temos muitas fotos do Derek. Como suponho que te terá dado conta, o dinheiro apenas nos chega. Gastamos tudas as economias e mais com a enfermidade do Patrick. depois de que ele morrera descobrimos que a casa tinha uma segunda hipoteca. Naturalmente ele esteve sem ganhar nenhum salário durante anos. Perdeu seu emprego com a multinacional farmacêutica para a que investigava ao pouco de que lhe diagnosticassem a leucemia. Foi uma vergonha como o trataram. Uma verdadeira vergonha.
–Esta casa é de sua propriedade?
–OH, não, é alugada. Durante um tempo depois de morrer Patrick nos pudemos passar só cobrando os cheques da segurança social. Mas Rachel se deu conta de que ia ser insuficiente assim que Derek crescesse e decidiu voltar a trabalhar. Está-lhe indo muito bem, cada vez tem mais trabalho.
–É uma modelo muito boa.
–E muito bonita –acrescentou Sarah em tom interrogativo e olhando ao Luke um pouco preocupada.
O esboçou um sorriso confiado.
–Vejo que não vou poder te enganar, Sarah. Sim, meu interesse pelo Rachel é mais que profissional, mas minhas intenções são honestas. O único problema é convencer ao Rachel.
–Ela... ela amava ao Patrick –disse duvidando–. sofreu muito.
–Sim –foi tudo o que respondeu.
–Mas a vida segue, não é assim? Quero dizer... é uma mulher muito jovem, e seria estúpido pensar que nunca encontrará a outro homem. Se... se esse homem fosse você, Luke, eu seria muito feliz.
Luke se levantou para tomar a da mão.
–Obrigado, Sarah. Avaliação muito o que diz. Crie que poderia convencê-la para que deva jantar comigo esta noite? 
–Quer dizer que rechaçou seu convite? –a surpresa do Sarah resultava aduladora e alentadora. 
–Temo-me que sim.
–Não lhe tome como algo pessoal, Luke. Provavelmente não quer me pedir que me ocupe do Derek esta noite. É uma tolice, em realidade, porque eu adoro me ocupar dele e além Derek está acostumado a comportar-se muito bem. o da outra noite foi uma exceção. Agora que tem esses remédios para as gengivas será costurar e cantar.
–Eu jogarei com ele quando despertar e assim se cansará –sugeriu com entusiasmo.
–Que boa idéia –Sarah riu–. E enquanto isso lhe pode fazer fotos.
–Que fotos? –perguntou Rachel lhe lançando um olhar de suspeita ao Luke ao voltar da cozinha.
–Do Derek –respondeu Sarah–. Luke lhe vai fazer fotos e nos dará isso. Não é muito amável por sua parte? 
–Sim, muito amável –respondeu seca.
–Hei-lhe dito que não me importa absolutamente cuidar do Derek enquanto vós os jovens saem para jantar fora.
O sorriso do Rachel não foi muito agradável. 
–É um encanto, Sarah, mas não posso aceitar. 
–Tolices. Insisto.
–Eu também insisto –interveio Luke–. Acredito que é o menos que pode fazer por mim depois de todo o trabalho que realizei aqui esta tarde. E além não terminei. Acredito que vou pintar a garagem. Os postes estão começando a danificar-se à intempérie.
Rachel olhou primeiro ao um e logo ao outro, logo fez um gesto e sorriu com doçura.
–Já vejo que lhes pusestes de acordo para me dirigir.Muito bem. Iremos jantar esta noite. Luke, pode vir fora um momento? Eu gostaria de saber de que cor vais pintar a garagem. O dono da casa possivelmente não esteja de acordo.
Toda a doçura de seu rosto desapareceu uma vez que estiveram juntos fora.
–E agora escuta, Luke St Clair –lhe arreganhou lhe assinalando com o dedo no peito muito zangada–. Lhe hei isso dito uma vez e lhe volto isso a repetir. Não vou deixar que engane ao Sarah para chegar até mim. Nem vou deixar que use a meu filho com o mesmo propósito. Sei exatamente o que quer, e não é um jantar.
–É certo.
–Ah, assim por fim o admite! –ela deixou cair seus braços e o olhou. Estava incrivelmente bela com as bochechas rosadas e seus olhos verdes brilhando de ira.
–Isso depende. O que é o que se supõe que admito exatamente?
–Que a única razão pela que... está rondando por aqui, tal e como você delicadamente o expressaste antes, é que está seguro de que eu vou resultar muito fácil.
–O qual é certo –murmurou, surpreendendo-a a ela e a si mesmo quando de repente a agarrou pelos ombros e a atraiu para si.
Mas, Meu deus, só podia fazer uma coisa mais. Tendo chegado tão longe, Luke não lhe deu a oportunidade mais que de começar a protestar assombrada antes de posar seus lábios sobre os dela e procurar com sua língua nas profundidades de sua boca aberta pela surpresa. Não lhe decepcionou.
Deus, não.
Foi como sempre tinha sido: uma vez que estava em seus braços e ele a beijava, cada músculo de seu corpo se gelava durante uns tortuosos segundos até que se fundia contra ele em uma deliciosa onda de rendição. A sensação de poder que sentia em suas veias era tão profunda que por um momento se perguntou se era isso tudo o que queria dela. O fazia sentir-se mais homem que qualquer outra mulher que tivesse conhecido.
E entretanto ela não era de maneira nenhuma uma mulher débil.
Até que caía em seus braços.
Então sim era débil.
Ele retirou sua boca e ela o olhou com olhos angustiados.
–Bastardo –gritou ainda pendurada de seu pescoço–. por que não pode me deixar em paz?
–Porque você não quer que te deixe em paz –replicou com voz rouca voltando a beijá-la. Beijou-a até que as pernas lhe falharam e tremeu todo seu corpo. Tampouco Luke estava muito sereno, seu corpo reagia jogando por terra todas suas boas intenções.
–Devemos parar –ofegou ela depois de um bom momento beijando-se depois do qual Luke estava a ponto de perder o controle.
Lhe ocorreu levar a nesse mesmo momento até um lateral do jardim ou à parte de atrás do carro e fazê-lo ali mesmo, como dois adolescentes. Mas era de dia e Sarah podia ir buscá-los em qualquer momento.
Pensar no Sarah lhe devolveu à realidade. Demônios, o que estava fazendo, deixando que a paixão de um momento reduzira a luxúria todos seus sentimentos pelo Rachel? Era evidente que ela não esperava nada mais dele, mas tinha que lhe demonstrar do que era capaz.
Maldita seja, não estava levando bem esse primeiro encontro!
–Tem razão –disse com brutalidade apartando seus lábios dos dela–. Isto não é o que quero.
Baixou seus braços e se jogou um passo atrás interpondo uma distância prudencial entre ele e o calor de suas suaves e eróticas curvas.
O rosto do Rachel permaneceu acalorado, mas seus lábios esboçaram um sorriso cínico ao olhar suas calças jeans ajustadas que não escondiam absolutamente sua ereção.
–Não o duvido –disse em um tom cáustico–. Os homens como você o querem tudo, e entretanto a verdade é que não querem nada de valor.
–Equivoca-te. Equivoca-te sobre mim e te equivoca sobre o que quero.
–Sim? –mofou-se–. Bem, esta noite o veremos, não é assim? Veremos quem se equivoca e quem tem razão. Estou segura de que não me vais surpreender.
Luke tragou saliva e logo deixou escapar um suspiro.
–Escuta, podemos estar nos insultando toda a tarde, mas isso não provará nada. Minha conduta falará por mim esta noite.
–Igual a faz um momento? –desprezou-lhe–. Dizem que os atos falam com mais claridade que as palavras.
Luke apertou os dentes com força. Ela podia acabar com a paciência de um santo. Não era de sentir saudades que tivesse acabado beijando-a. Era a única maneira de fechar essa preciosa boca.
–Se estiver tão segura de minha superficialidade e de minhas más intenções –assinalou irritado–, por que vais vir comigo esta noite?
–por que? De verdade o pergunta? –disse em um tom zombador–. Possivelmente seja masoquista. Ou talvez é que eu gosto de viver perigosamente.
–Ou possivelmente você gosta de muito mais do que quer admitir.
Luke conhecia já bem sua reação a esse comentário. O medo.
Mas exasperou ao Luke por completo.
–Pelo amor de Deus, Rachel, por que tem que me olhar assim? –murmurou–. Quantas vezes tenho que te dizer que não vou fazer te danifico?
–E quantas vezes te tenho que dizer eu a ti que sim o fará, só com que você seja mesmo? –contrariou-lhe. Seu medo se transformou em tristeza e violência–. por que não tem piedade de mim e vai? Não vê que isso é o que quero? O que tenho que fazer para conseguir que te parta e não volte?
–Faz um momento disse que os atos falavam com mais claridade que as palavras, Rachel. Bem, tem razão –bruscamente a rodeou pela cintura com um braço e a atraiu forte contra ele. Agarrou-a pelo queixo com a outra mão e a beijou com brevidade mas faminto. Foi suficiente para que seus lábios tremessem e seus olhos se dilatassem–. Quando deixar de responder a meus beijos como o faz, então, e só então, irei e não voltarei. Agora quero que vá. Só no momento. Acredito que preciso descansar de tanto ódio.
Ela o olhou dolorida e cheia de ira, mas ele não sentiu compaixão nesse momento. Suspeitava que tampouco ela ia ser muito compassiva essa noite se as coisas foram mau. Seu tremendo desejo por ele era a única arma que possuía, e se fazia falta, usaria-a.
Também ela sabia, e essa era possivelmente a razão pela que o olhava com verdadeiro ódio essa vez.
–Os homens como você deveriam ser aniquilados ao nascer –lhe julgou e, dando-a volta, voou pela porta de atrás.
Mas a mensagem que lhe mandaram suas nádegas enquanto se balançavam seductoramente de um lado a outro era por completo distinto do de suas palavras. Luke esboçou um sorriso malicioso e logo ficou a assobiar e pintar a garagem.
 
Capítulo 12
–Que tal foi? –perguntou Grace ao Luke no momento em que entrou pela porta. Tinha estado em velo todo o dia perguntando-se preocupada o que teria passado.
Ele moveu a mão como dizendo «assim–assim». –Saberei mais esta noite. A vou levar a jantar. 
–aonde?
–A um pequeno restaurante de frutos do mar. Nada do outro mundo. Não acredito que gostasse de ir a um sítio elegante. Só pensaria que estou tratando de impressioná-la. Ou de seduzi-la.
O ligeiro tom de amargura de esse último comentário incomodou ao Grace, que tirou suas conclusões e disse:
–Ela pensa que só quer ter uma aventura, não é assim?
–Algo assim.
Grace estava segura de que tinha razão, só terei que olhar ao Luke.
dava-se conta o do atrativo e sexy que era? Ela era sua mãe, e podia vê-lo. Como não ia ver o uma moça e atrativa?
–O que te há dito de que recortasse a grama? 
–Pensou que era todo um plano para levar a à cama. Inclusive pensa o mesmo de meu comportamento com o menino.
–Terá que seguir indo por ali, Luke, e lhe demonstrar que se equivoca. O tempo te dará a razão. Enquanto isso, tenta apartar suas mãos dela.
–Se fosse tão singelo –murmurou–. Mamãe, pode me engomar uma camisa enquanto tomo uma ducha? Tenho que me dar pressa.
–Mas se só são cinco e cinco. A que hora tem que recolhê-la?
–Às sete. Mas eu gostaria de ir comprar algumas costure primeiro. E tenho que parar em casa do Theo de caminho. Deixei-lhe alguns cilindros de filme para que me revelasse isso, e me prometeu fazê-lo agora mesmo.
–São as fotos que tirou do Rachel em biquíni?
–Sim, mas não são essas as que me correm pressa. Tomei algumas do Derek esta tarde jogando na areia que acredito que podem sair muito bem, e queria dar-lhe ao Rachel esta noite.
–Ah, também eu adoraria as ver Pedirá ao Theo uma cópia mais paramim, por favor? De fato também eu gostaria de lhe jogar uma olhada às do Rachel.
–Fofoqueiro. Não se preocupe. Ele já sabe que tem que fazer dois de todas. E, o que me diz sobre essa camisa? Eu a engomaria, mas você o faz muito melhor.
–Adulador. Qual quer que te engome?
–A negra de seda.
–Crie que essa camisa é uma boa eleição? por que não te põe a de cor nata? Ou aquela azul tão bonita?
–A negra de seda –repetiu teimoso.
Grace exalou um suspiro resignado.
–Ainda está tentando conquistá-la por meio do sexo, Luke, e não é a forma correta.
–De acordo. Mas ao final pode que seja o único meio. E se for assim, não duvidarei em utilizá-lo.
Grace sacudiu a cabeça, tinha verdadeiro medo pelo futuro do Luke. Mas sabia que não serviria de nada discutir com ele. Não lhe ia fazer conta. Simplesmente tomaria banho e ela engomaria sua maldita camisa.
Grace se exasperou, mas fechou a boca. dirigiu-se à máquina de lavar roupa e tirou a susodicha objeto de entre a roupa da cesta, olhando-a enquanto a deixava na tabela da prancha. Estava terrivelmente atrativo com essa camisa, e muito sexy.
Pobre Rachel, pensou.
E pobre Luke.
Os homens não tinham nem idéia. As mulheres com filhos não querem sexo. Não sem segurança. E Luke com essa camisa representava só sexo.
Mas ele teria que aprender as amargas lições da vida por si mesmo, não? Possivelmente a próxima vez escutaria a sua mãe.
–Latido! menino –foi o parabéns do Theo quando Luke chego a recolher as fotos–. Agora o compreendo. Eu mesmo me teria apaixonado se você não o tivesse feito primeiro.
–Obrigado, Theo –respondeu Luke sonriendo com ironia enquanto recolhia os grandes envelopes marrons–. Assim que se levaram bem suas preciosas câmaras, não?
–tomaste muito boas fotos com a Brownie, Luke. Se não fosse tão bom companheiro, estaria ciumento. Imagino que vais ver essa preciosa loira do biquíni, não é assim? –disse jogando uma olhada ao Luke.
–Sim, e chego tarde –Luke tinha estado horas na loja de meninos selecionando móveis para o Derek.
–Então, adeus. Não me vou interpor em um amor verdadeiro. Ah, e a propósito, quem é o menino? o dos olhos incríveis.
–É Derek. É da preciosa loira do biquíni.
–De verdade? Posso perguntar se for você o pai?
Luke sentiu que seu peito se contraía. Desejava que tivesse sido assim. –Não, não o sou –disse bruscamente.
–Então, quem é?
–Seu marido.
–Ah, demônios.
–Não é tão terrível. É viúva.
–Mau assunto. Eu não quereria ao filho de outro homem. Nem que sua mãe fora uma muito precioso loira. dentro de dez anos ou assim o menino te estará dizendo que te perca, e que não lhe diga o que tem que o fazer porque «você não é seu verdadeiro pai».
–Mas vou ser seu verdadeiro pai, Theo. vou adotar o. E agora, vou. Outro dia iremos tomar umas taças, de acordo?
–Só se me promete que serei o padrinho de bodas.
–Certamente.
Luke esteve recordando as palavras do Theo enquanto conduzia a casa do Rachel. Encontrava sentido ao conselho de seu amigo, mas entretanto não parecia possível o ter em conta em sua relação com o Derek. Quando Luke contemplou ao menino, sustentou-o e jogou com ele, sentiu um laço que transcendia a paternidade biológica. Era um sentimento que não se podia analisar. Amava ao menino igual a amava à mãe.
Inclusive queria à avó também, de algum jeito. Eram um bom trio, e tinha muitas vontades de lhes proporcionar uma boa vida outra vez, comprar uma casa grande e bonita e lhes encher de luxos para lhes ressarcir dos duros tempos que tinham vivido desde antes da morte do Patrick Cleary.
Luke pensou nos móveis que lhe tinha comprado ao Derek e sorriu. adorava o do elefante dançarino. Aos meninos sempre gosta dos elefantes. o da mariposa também era bonito. Havia outro de um carro de carreiras, e por último outro de fadas. Deus, esperava que Grace e Rachel não vissem com receio o que lhe tivesse comprado a um menino um móvel de fadas. Era o que tinha mais cores, as fadas tinham asas luminosas que brilhavam na escuridão.
Quando parou no seguinte semáforo tirou um montão de fotos a cor do sobre marrom que estava no assento do lado.
as do Derek estavam as primeiras, e pôde ver que se referia Theo. Seus olhos eram incrivelmente expressivos, grandes e marrons. As fotos eram excelentes.
Teve-as que fazer um bom fotógrafo, disse-se a si mesmo sonriendo.
Logo quis ver as fotos do Rachel. Eram assombrosas. Era muito bonita em carne e osso, mas nas fotos era algo distinto. deu-se conta de que, de novo, eram seus olhos. Pareciam te seguir, suas expressões eram vívidas, faziam cobrar vida a um montão de emoções vibrantes, isso sem mencionar sua sexualidade e sensualidade. Nenhum homem podia as olhar sem desejá-la. Era assim de simples.
Ele a desejava. Não para um dia ou para uma noite, a não ser para sempre. casaria-se com ela ao dia seguinte se ela quisesse.
A buzina que soou detrás de lhe recordou que as luzes se haviam posto verdes. Arrojando o montão de fotos sobre o assento acelerou, pensando que possivelmente se dizia ao Rachel que a amava sem mais preâmbulos, se lhe pedia que se casasse com ele, ela se daria conta de que ele falava a sério.
Bom, mas ela podia não lhe corresponder. Ainda. Não obstante sim o desejava, e do desejo ao amor não havia um salto tão grande, seguro. Inclusive podia lhe dizer quão rico era; o que fora com tal de dissipar sua opinião de que era um mulherengo sem coração e começasse a pensar nele como um pretendente sério.
Quando chegou ao alpendre frontal e bateu na porta Luke se lembrou da camisa de seda negra e a desaprovação de sua mãe. Franzia o cenho quando Rachel abriu a porta. Seu aspecto ficou em segundo término frente ao dela.
meu deus, estava muito bonito, imponente com seu vestido cor nata clássico, seu cabelo pacote e pérolas no pescoço e orelhas. Uma segunda inspeção mais de perto revelou que o vestido não era absolutamente novo e que as pérolas eram só uma imitação troca, mas nenhuma das duas coisas reduziam sua beleza ou sua admiração por ela. De fato, admirou-a mais ainda, porque sua beleza era mais que nada interior, brotava de seu orgulho interior e de sua força de caráter.
–Olá, Rachel –disse simplesmente–. Está encantadora.
–Chega tarde –lhe arreganhou.
–Só quinze minutos.
–Pensei... pensei que não foste vir.
Luke viu que seus nódulos estavam brancos e apertava os punhos. Eram tão expressivos como a tensão de sua voz.
–E eu que acreditava que queria que me fora e não voltasse –respondeu com secura.
Ela o olhou de uma forma que lhe incomodou.
Luke decidiu que era melhor trocar de tema.
–estive fazendo algumas compra –explicou–. Para o Derek.
–Para o Derek?
–Sim. comprei alguns móveis para sua habitação. Crie que teríamos tempo de pendurar um?
–Que você... compraste ao Derek uns móveis?
–Sim. Há um de um elefante que morro de vontades por pendurá-lo. Estive-lhe contando ao Sarah antes que eu também era um menino difícil, e que minha mãe me pendurava móveis do teto para me entreter durante horas quando não podia dormir. Pensei que lhes podiam ajudar com o Derek. Posso entrar e fazer as honras? Não me diga que o pequeno diabo está dormido tão logo.
Luke ficou de pedra quando de repente Rachel rompeu a chorar. Chorava incesantemente e se cobria a cara com as mãos.
–Rachel, carinho –Luke não sabia o que fazer. Entrou e fechou a porta deixando o pacote da loja de bebês contra a parede antes de tomá-la em seus braços–. O que hei dito? O que ocorre? Não é pelo Derek, ele está bem, não?
Sarah foi correndo do salão.
–O que ocorre? –perguntou com ansiedade– O que passou?
–Não sei –respondeu Luke. Seu rosto refletia sua confusão–. Acredito que lhe incomodou que comprasse uns móveis ao Derek.
Rachel começou a chorar ainda mais forte, enxugando-as lágrimas em sua camisa. Luke lançou ao Sarah um olhar se desesperada.
–Rachel, querida –disse apartando a da camisa do Luke e levando-se a sua nora do hall–. Te vais pôr doente chorando dessa forma. Porquê não te tomba um pouco Y...?
–Faz que se vá –pediu lhe lançando ao Luke um olhar selvagem e torturado porcima do ombro–. Quero que se vá. Não posso suportar vê-lo por mais tempo. Digo-lhe isso de verdade, não posso.
Luke sentiu que se gelava.
–Rachel! –exclamou Sarah atônita.
–O hei dito uma e outra vez, mas não me escuta. Não quero que entre em minha vida, mas não tenho valor para lhe fazer partir. Tem que fazê-lo você por mim, Sarah, antes de que faça algo que logo possa lamentar. Já é muito. Muita culpa e muito dor. Não posso suportar mais culpa... ou mais dor. Por favor, Sarah. Faz que se vá –Rachel se derrubou.
–Rachel... querida... eu... não sei do que está falando. Você... sabe do que está falando, Luke?
–Sim –disse amargamente.
–Possivelmente se você me contasse isso eu poderia...
–Não, não o faça –replicou Rachel. Seu rosto triste o olhava suplicante com muita mais eloqüência que qualquer palavra–. Por favor, Luke –rogou–. Vete.
Luke a olhou fixamente, e viu a verdade com claridade pela primeira vez.
Ela nunca poderia superar o que tinha feito dezoito meses atrás. Nunca.
Tecnicamente era uma adultera que tinha desfrutado de seu amante, e se desprezava a si mesmo por isso. Sarah lhe tinha contado quanto tinha querido ao Patrick, de modo que a culpa tinha tido que ser enorme naquele momento, e também muito depois. quanto mais o desejava a ele, mais seguia sendo o símbolo de sua culpa e sua vergonha. Tinha cansado momentaneamente na tentação de passar o que ela pensava que seria outra única noite, e logo, quando ele a seguiu, deveu pensar na idéia de ter uma aventura com ele.
Mas nunca tinha pensado em ter uma relação duradoura.
Comprando a seu filho um presente tão pessoal ele tinha transpassado a linha que ela tinha marcado para ele, e agora não havia lugar para ele exceto fora de sua vida para sempre. Olhou-a, estava destroçada, viu o que sua presença lhe estava fazendo à mulher que amava, e tomou a decisão mais difícil e dura que nunca tinha tomado em sua vida.
–Está bem, Rachel –disse com calma, inconsciente de que a dor de seu rosto era quase tão grande como o dela–. Farei o que você quer. Irei. E não tem que preocupar-se. Não voltarei. Adeus, Sarah. foi um prazer te conhecer.
inclinou-se, recolheu o pacote de brinquedos e logo o tendeu ao Rachel.
–Não há razão pela que Derek não possa desfrutar deles, não é assim? Quero dizer... não tem por que saber quem o deu de presente.
Rachel chorou de novo entrecortadamente. Luke pôs os móveis em seus braços e logo girou de modo que não voltou a vê-la. Disse um direto adeus e caminhou a grandes passos para o hall para sair sem voltar a vista.
Ao chegar ao carro e ver o pacote de fotos no assento quase perdeu sua integridade. Só com uma imensa força de vontade arrancou o condenado carro e se foi. Manteve um férreo controle sobre seus sentimentos durante todo o caminho de volta, internando-se de cheio no tráfico, e pensando só em chegar logo a casa.
Resultou-lhe impossível manter uma fachada estóica uma vez que se enfrentou cara a cara com sua mãe, com suas perguntas e sua preocupada e amável atitude. sentia-se destroçado enquanto explicava escuetamente que tudo tinha acabado entre o Rachel e ele.
–Mas... mas...
–Não há peros, mamãe. Simplesmente se acabou. Ela não quer voltar para ver-me. Para dizê-lo com suas próprias palavras «não pode suportar lombriga por mais tempo».
Luke sabia que tinha que afastar-se de sua mãe antes de derrubar-se. De um momento a outro ia ficar a chorar como um idiota.
Deixou o pacote de fotos na mesa da cozinha e se foi a sua habitação.
–as queime uma vez que tenha satisfeito sua curiosidade –disse a sua mãe–. Eu tampouco poderei suportar vê-la.
 
Capítulo 13
Grace tremeu ante a portada que deu Luke ao fechar a habitação. A ela não ia enganar a com a representação de seu forte temperamento. Sabia muito bem que só era a coberta de uma ferida muito profunda. Se tivesse tido doze anos em lugar de trinta e dois tivesse deslocado detrás dele e o tivesse tomado em seus braços tentando lhe reconfortar. Em troca, quão único podia fazer agora era lhe dar tempo.
Lhe foram os olhos ao pacote de fotos abandonado na mesa da cozinha. Definitivamente lhe picava a curiosidade. sentou-se e as tirou. Tomou dois e esteve as olhando.
O que viu foi a uma garota extraordinariamente bonita, cujo sex–appeal rivalizava com o do Luke. Chamava a atenção. Mas tinha algo mais. Havia fortaleza de caráter nesse rosto encantador que sugeria que tinha atravessado muitos maus momentos. Não era uma muñequita loira. Era uma mulher de verdade, com todas as da lei.
Grace estudou as fotografias uma a uma, dando-se conta com orgulho maternal de que não só ela contribuía à qualidade das fotos. Eram espetaculares, especialmente as vistas panorâmicas das praias e as costas. Seria uma vergonha queimar tal obra de arte.
Começou a selecionar as fotos segundo se nelas aparecia Rachel ou não. Teria queimado contente as primeiras. Só ficava meia dúzia quando encontrou a primeira do menino.
Grace ficou atônita. Logo olhou depressa o resto. Devagar, com mãos trementes, estendeu as fotos do menino pela mesa e logo as olhou todas. Olhou-as e olhou e olhou.
depois de uns dez minutos largos, levantou-se e foi procurar os álbuns familiares que guardava em um armário da entrada. E foi enquanto estava ali ajoelhada escolhendo os mais antigos quando ouviu ruídos que provinham do dormitório do Luke. Lhe encolheu o coração.
Seu filho estava chorando. Seu filho de trinta e dois anos de idade estava chorando como nunca desde fazia vinte anos lhe tinha ouvido chorar. Grace recordava ainda a última vez que chorou assim. Foi quando atropelaram a seu cão, um lavrador que lhe tinha agradável seu pai quando nasceu, e que após tinha sido seu companheiro constante.
As lágrimas correram também por suas bochechas ao recordar. Recordou como a dureza foi as substituindo pouco a pouco. Esse dia Luke se prometeu a si mesmo duas coisas: não voltar a ter um cão e não voltar a perder o tempo chorando por nada, porque nunca trazia nada bom. Seu cão tinha morrido e com lágrimas ou sem elas, nada trocaria isso.
Grace sabia que só um profundo desespero podia lhe fazer chorar nesse momento tal e como o estava fazendo. Seu pranto entrecortado lhe estava partindo o coração. Consumia-lhe a raiva contra essa Rachel. Quem se acreditava que era para jogar com a vida do Luke dessa forma, para utilizá-lo como o tinha feito, não uma, a não ser duas vezes, e logo abandoná-lo assim?
Sentiu a tentação de irromper no dormitório e lhe dizer o que pensava sobre a paternidade do menino. Mas logo começou a perguntar-se se Luke sabia já a verdade, se era essa possivelmente a razão pela que chorava desse modo. Não soube o que fazer.
Decidiu por fim fazer o que sempre fazia quando tinha que tomar uma decisão difícil. Acenderia a televisão e tomaria uma taça de licor. Logo, quando ambos se acalmaram, ela saberia o que fazer.
Uns quarenta minutos depois Grace seguia sentada em sua poltrona favorita do salão vendo a televisão absorta e terminando sua segunda taça quando bateram na porta. Eram as nove e quinze. um pouco tarde para visitas.
levantou-se da poltrona, deixou a taça em uma mesita e foi abrir a porta.
O ter visto o Rachel em fotos não lhe tinha preparado para vê-la na realidade. Era muito bonito, alta e encantadora. Nem sequer seus olhos avermelhados nem seu aspecto nervoso diminuíam um pingo sua beleza.
–A senhora St Clair? –perguntou diretamente com voz tremente e suave.
–Sim, exatamente –disse não muito disposta a ser amável com ela.
–Está... está Luke aqui?
–Sim. Você é Rachel, não é assim?
–Sim, sim. Sou Rachel –admitiu como se não se sentisse muito orgulhosa disso.
Com razão, pensou Grace. É bela quem faz coisas belas.
–Tenho que vê-lo, senhora St Clair –rogou–. Por favor, é muito importante.
Era difícil não sentir-se comovido por sua excitação. Mas Grace não estava disposta a ficar o fácil.
–Bom, não sei. Não estou segura de que Luke queira verte. Está muito alterado.
–Mas tenho que vê-lo. Você não compreende. Tenho que lhe dizer um pouco muito importante.–Acredito que entendo muito bem, Rachel. Vi as fotos que Luke fez a seu filho. parece-se tremendamente a seu pai quando tinha sua idade.
Os olhos atônitos do Rachel confirmaram a suspeita que tinha estado acariciando durante uma hora.
–OH, Deus! Ele não o adivinhou, não? Você não lhe contou que... que você...?
–Não –negou Grace–. Pelo que eu sei ele não imagina.
–Então, por favor, senhora St Clair, me deixe que eu seja quem o diga. Tenho que ser eu, não o compreende?
Grace compreendia o que dizia.
–Suponho que sim. Mas me deixe que te diga algo. Não quero que volte a utilizar a meu filho. O é um bom homem, e não se merece o que você lhe tem feito.
–Sim, sei. Meu comportamento foi indesculpável. Tudo o que posso fazer agora é tentar arrumá-lo. Por favor, me deixe vê-lo...
–Não terá trocado de opinião porque tem descoberto que Luke é um homem rico e com êxito, não?
De novo seus atônitos olhos falaram com expressividade.
–Não, não, já vejo que não –murmurou Grace–. Vêem por aqui. Levarei-te aonde está.
Luke estava convexo sobre a cama de barriga para baixo. Estava exausto. As mulheres diziam que se sentiam melhor depois de chorar. Segundo sua experiência, os homens só se sentiam mais destroçados. Chorar minava suas decisões e sua fortaleza interior. Não tinha sucumbido ao pranto em vinte anos, e voltariam a passar outros vinte antes de que voltasse a fazê-lo.
Corriam por sua mente pensamentos negros quando bateram na porta e sua mãe foi abrir. Alguma de seus amigas, supôs, e se esqueceu. Voltaria para a América. Interporia distância entre o Rachel e ele. Era a única maneira de estar seguro de que não cairia na tentação de voltar a vê-la. Seria o inferno, mas o suportaria.
A forma tímida em que sua mãe bateu na porta de seu dormitório lhe irritou. por que não podia deixá-lo em paz? Não via que queria estar sozinho?
Bom, em realidade não. Queria estar com o Rachel. Que não daria ele por que ela entrasse em sua habitação nesses momentos, abraçasse-o e lhe dissesse que o amava!
Ora, o que era ele, um masoquista? Isso não ia ocorrer. Nunca.
–O que? –perguntou para ouvir os golpes na porta de novo.
–Tem visita, Luke –disse sua mãe.
Lhe fez um nó no estômago. levantou-se de um salto e se sentou na cama olhando à porta. Não, não podia ser. Simplesmente não podia ser.
E entretanto ali estava, de pé, sozinha, na soleira da porta olhando-o. Sua mãe já não estava ali.
Uma vez que teve aceito que Rachel era real, que estava ali e que não era um cruel pesadelo de sua imaginação lhe invadiu uma corrente de sentimentos, dos quais a ira não foi o menor.
–Que diabos está fazendo aqui? Não me destroçaste ainda o suficiente? Ou é que decidiste que quer te destroçar mais você? É isso, Rachel? Merece-te a pena algo mais de sexo em troca de mais vergonha e culpabilidade? Se for assim, não fique aí parada. Entra e te tire a roupa.
Lhe surpreendeu entrando e fechando a porta, mas sua expressão era de dor, não de paixão.
–Tem todo o direito a estar zangado comigo, Luke. Assim procurarei não me sentir ferida pelo que diga. Em certo sentido é muito eloqüente que esteja assim comigo. Tentarei me reconfortar pensando isso.
–Pois não o faça. Acredito que é uma bruxa, e se voltar a verte depois de esta noite o lamentarei.
–Isso não é o que sente, Luke. Sei que não sente isso.
–E como demônios sabe? me diga –perguntou ainda sabendo que tinha razão. meu deus, era o homem mais estúpido de todos os tempos! Acabava de lhe pegar um tiro entre os olhos, metaforicamente falando, e já ficava de novo a tiro para que lhe disparasse outra vez.
–Sarah me disse isso. Também me disse que você me ama, que de verdade se preocupa pelo Derek, e que provavelmente queria te casar comigo e fundar uma família.
–Está brincando? E isso não podia vê-lo você sozinha? Necessitava a uma testemunha imparcial para te dizer o que qualquer com dois dedos de frente tivesse visto com claridade?
Sua cara desenhou uma expressão de angústia.
–Sim, sim. Necessitava a uma testemunha imparcial que me dissesse isso, porque faz muito tempo que não penso com claridade no que se refere a ti, Luke. Deixei de pensar em ti com claridade no momento em que te vi... faz dezoito meses... naquela exposição.
Luke sentiu que sua boca se secava. Olhou-a sem atrever-se a conceber esperanças, mas esperançado de todas maneiras. Tragou saliva de maneira convulsiva, mas ao não sortir efeito se esclareceu garganta.
–Não siga dizendo nada que não seja verdade, Rachel. Se o fizer, não serei responsável pelo que possa fazer.
–acabou-se tudo, Luke. Tudo menos a verdade. a partir de agora tudo será verdade, tem que ser toda a verdade.
As lágrimas apareceram em seus verdes olhos. Ele tinha medo. Medo do que ia dizer. Medo de como ia ele a reagir.
–Fala.
–Fui a aquela exposição em um estado de desespero total. Não podia seguir suportando minha vida em casa. A maneira em que Patrick me olhava quando tinha o período cada mês, minha própria solidão. naquela época, Sarah não vivia conosco, e Patrick nunca foi o marido que eu esperava que fora. Não havia uma verdadeira amizade entre nós, não compartilhávamos nada. Ele tinha seu trabalho e eu... eu não tinha nada.
»Eu fui muito feliz deixando minha profissão de modelo e me dedicando de cheio a minha tarefa de esposa e mãe porque estava apaixonada pelo Patrick. Mas ao não ficar grávida imediatamente sua atitude para mim trocou.
»Pouco a pouco fui dando conta de que ele se casou comigo não porque estivesse apaixonado mas sim porque eu era um exemplar perfeito para ser a mãe de seus filhos. Em realidade era uma espécie de experimento, uma chocadeira para um menino que devia herdar o melhor de ambos. Cérebro e corpo.
»É obvio eu ao princípio não era consciente disso. Não fui até que não levava uns meses grávida. Mas estava confusa e doída pela forma em que tinha trocado meu matrimônio. Culpava de tudo a minha incapacidade para ficar grávida, punha todo meu esforço nisso, e ignorava o fato de que já não amava a meu marido tal e como devia fazê-lo.
»Em certo sentido me senti aliviada quando ele já não pôde me fazer mais o amor. Fazia tempo que tinha deixado de sentir verdadeiro prazer, só sentia culpa. Tampouco é que eu gostasse que me fizessem a inseminação artificial, mas imaginava que se conseguia lhe dar ao Patrick o filho que desejava, ele voltaria a ser feliz, e então eu também o seria.
»Meu fracasso em conceber um menino mês detrás mês começou a me afetar emocional e mentalmente. Estava deprimida e desequilibrada a noite em que me vesti quase de prostituta e decidi seduzir ao primeiro homem de olhos marrons ao que me encontrasse. Não me importava nada, só ficar grávida.
O coração do Luke deu um salto para ouvir suas palavras. Era isso tudo o que tinha visto nele? A um homem de olhos marrons? Demônios...
–Nunca me ocorreu pensar que esse homem de olhos marrons me ia enfeitiçar –continuou. Seus olhos brilhavam–. Que do momento em que tomou em seus braços lhe ia pertencer... não só por essa noite mas também para o resto de minha vida...
Luke ficou em pé devagar. Seu coração começava a pulsar com força.
–Não sei se me apaixonei por ti essa noite, Luke –confessou–. Quão único sei é que depois não pude te esquecer. De dia estava em meus pensamentos e de noite em meus sonhos. Quantas lágrimas terei derramado por ti! Quando desceu pelas escadas a outra manhã, acreditei morrer. Não sabia o que fazer. Ao princípio quando me pareceu que não me recordava me senti aliviada, mas logo me invadiram os mesmos sentimentos que tive aquela primeira noite. meu deus, como te desejava!
A paixão de sua voz lhe produziu um tremor que lhe percorreu por inteiro. Estava admitindo que o amava? Ou só que o desejava? E quando ia voltar a falar da culpabilidade que a consumia?
–Só Deus sabe como consegui seguir viva esse dia. Pelo que passou essa noite, não tenho desculpa. Estava louca de desejo por ti, Luke. Dizia-me mesma que era só sexo, que depois tudo seria diferente. Mas se algo foi diferente era que te desejava ainda mais. Fugide ti com a primeira desculpa que encontrei, e quando ao final você veio a me buscar a casa, vi-me forçada a aceitar meus verdadeiros sentimentos para ti.
–E quais são? –perguntou contendo a respiração.
–Amo-te, Luke, amo-te –repetiu rompendo a chorar de novo.
Ele abriu seus braços para ela, que correu a eles. Estreitou-a pressionando os lábios contra seu cabelo enquanto lutava por controlar seus próprios sentimentos. mantiveram-se abraçados até que o pranto dela se transformou em um ofego. Então, ele a apartou ligeiramente para perguntar:
–Então, por que me disse que me fora? por que te comportou assim?
–me prometa que não me odiará –chorou brandamente.
–Prometo-o –disse sinceramente, sabendo que nada no mundo podia fazer que a odiasse.
–Derek é teu filho, Luke. Menti-te sobre o test de paternidade. É certo que me fiz um, justo depois de que Patrick morrera. O hospital ainda conserva uma amostra de esperma congelado. Mas o menino não era dele, Luke. Tem que ser teu.
Luke não pôde evitá-lo. Soltou-a e deu um passo atrás.
–Mas por que me mentiu? por que?
–Ao princípio não podia acreditar que me amasse de verdade. E logo não podia ferir o Sarah e me enfrentar a ela lhe arrebatando o único que fica nesta vida. Ela não tem a ninguém, compreende? Nem marido, nem outro filho, nem irmãos. A ninguém. Só a mim e ao Derek.
»Convenci-me mesma de que não viria mais depois de te deitar comigo outra vez. Mas então, enquanto te estava esperando para ir jantar, pu-me nervosa porque chegava tarde e Sarah não deixou de me dizer que não me preocupasse, que você me queria e ao Derek.
»Eu rechaçava todos seus comentários mas logo chegou com esses móveis para o Derek e eu me dava conta de que era verdade. Simplesmente me dava conta de que não podia seguir te vendo e me enganando. Não soube o que fazer exceto te dizer que fosse. E depois de partir me voltei louca. Acredito... acredito que poderia ter feito qualquer estupidez. Sarah me fez repensar e insistiu em pedir uma explicação. Não ia aceitar um não por resposta, assim ao final o disse tudo.
»Ela... foi muito valente, Luke. E muito amável. Não se zangou comigo. Disse-me que compreendia que Patrick não tinha sido um bom marido, e que tinha sido tão egoísta e difícil como seu pai. Disse-me que queria ao Derek apesar de que não fora seu neto. Então insistiu em que te encontrasse e te contasse a verdade. Disse-lhe esta tarde que vivia com sua mãe, que vivia no Monterrey, assim procurei sua direção na guia de telefones Y... aqui estou.
Olhou-o com desespero.
–Poderá me perdoar, Luke?
–Derek é meu filho –foi tudo o que pôde dizer.
–Sim, meu amor –murmurou aproximando-se para lhe agarrar pela cintura e descansar sua cabeça sobre seu peito–. Seu filho. Nosso filho.
O a rodeou com seus braços e fechou os olhos. Nunca em sua vida tinha sido tão feliz, nem tão infeliz. Tinha perdido dezoito meses. E todo esse amor... esbanjado.
«Não olhe atrás, Luke», pensou do mais profundo de seu ser. «É destrutivo e estúpido. Olhar adiante é muito melhor. Se crie que aconteceste más épocas, olha-a a ela. Ela sim que o aconteceu mau. É hora de que sua vida seja melhor. Hora de lhe demonstrar seu amor».
soltou-se de seus braços e sorriu enquanto tomava vários cachos entre seus dedos.
–Acredito que antes de te perdoar por completo –começou– me deve fazer várias promessas. 
–O que seja.
–O primeiro manhã virá comigo a procurar uma casa decente para viver.
Seu rosto esboçou a mais encantada dos sorrisos.
–Algum sítio perto daqui, para que minha mãe possa visitar seu neto. Uma casa grande que inclua um estudo e uma habitação para revelar fotografias para mim e meu ajudante. E que tenha um bonito e pequeno piso superior para o Sarah. É a primeira avó do Derek e sua avó adotada.
Rachel respondeu com a cabeça.
–Segundo, casará-te comigo assim que estejam arrumados os papéis.
Ela se mordeu o lábio inferior e voltou a assentir.
–Enquanto isso não oporá resistência alguma a que concebamos um irmão ou irmã para o Derek, começando por esta mesma noite, mais tarde. Está claro?
–Perfeitamente claro –sussurrou com um gesto provocador.
Luke não pôde evitá-lo. Tinha que beijá-la nesse momento, embora conseguiu que o beijo não durasse mais de uns segundos. um pouco mais e os dois teriam problemas.
–Dá-te conta de que ainda não te hei dito que te amo? –murmurou apertando sua boca contra a dela.
–Sim, há-o dito, meu amor. Disse-me isso quando recortou a grama e pintou a garagem. Disse-me isso quando comprou a nosso filho esses preciosos brinquedos. Me estiveste dizendo isso todo o momento, e eu simplesmente me negava a te escutar. Mas me pode dizer isso outra vez se quer –terminou, e uniu seus lábios aos dele torturando-o.
E que bem sabia fazê-lo!
–Amo-te, Rachel. Amo-te do primeiro momento em que te vi.
–A mim deveu me passar o mesmo, Luke. Só espero que sua mãe se alegre disso. Acredito que não gosta de muito.
–Alegrará-se em seguida, assim que saiba que Derek é seu neto.
–Já sabe.
–O que?
–O imaginou, Luke, depois de ver as fotos do Derek. Diz que é exato a ti quando foi pequeno.
–Ah, bom, em tal caso não haverá problema. A mamãe adora ter muita família.
–E sobre tudo adora seu filho favorito.
–por que diz isso?
–me acredite, sei. Mas aceitarei a qualquer que te ame tanto como eu. vamos baixar e a falar com ela, Luke. Estará preocupada.
–E logo iremos falar com o Sarah –sugeriu. Luke–. Ela também estará preocupada. depois do qual vou despertar a meu filho e a falar com ele. De todas maneiras não dorme muito.
–Luke St Clair, não irás ser um desses pais que estragam a seus filhos, verdade?
–Pode acreditá-lo, céu. E também vou ser um desses maridos que estragam a suas mulheres.
–Ah, bom, nesse caso não tenho objeções. nos jogue a perder!
Abriram a porta do dormitório rendo.
Grace ouviu as risadas da cadeira da cozinha onde estava sentada e suspirou de alívio. Enxugando-as lágrimas dos olhos guardou as fotos de seu neto no álbum familiar e levantou a vista bem a tempo para ver seu sorridente filho abraçando ao Rachel e com os olhos cheios de amor.
–Mamãe –começou–, lhe diga olá a sua nova nora.
O sorriso do Grace proveio de seu coração. 
–Fantástico! –disse levantando-se para lhe dar ao Rachel um beijo na bochecha–. Bem-vinda à família.
Espero que os dois sejam muito felizes.
Grace se sentiu comovida pelo olhar que Rachel dedicou a seu filho. Tão cheia de alívio e amor. «Ela me aceita», pareceu dizer. «Tudo vai ser perfeito». E foi.
Fim

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