TEXTO — Quando vê, já aconteceu — disse o velho, curvado sobre o prato, que outro garçom acabara de lhe trazer. E continuou: — Quando meu pai morreu, estava eu com quatorze anos, e ninguém me avisou de nada. Me diziam que ele tinha viajado. Viajado, uma conversa. E foi indo, foi indo, até que um dia eu descobri. Depois, minha mãe. Mesma coisa, viajou. Ninguém falou nada. A gente é criança, mas não é besta. Como é que pode? Ela tinha ido pro hospital, mas não me disseram, pra não me assustar, pra não me preocupar. Conversa. Nem fui me despedir. Podia ter ido, dado um beijo nela. Mania de esconder as coisas da gente. Hoje em dia é que é diferente. Quando vê, já aconteceu. VILELA, L. Tarde da noite. São Paulo: Ática, 2004 (adaptado). 11)No texto, a repetição da expressão "Quando vê, já aconteceu" produz um efeito de sentido que A)indica a fatalidade dos acontecimentos da vida. B)revela a rapidez com que o tempo passa. C)demonstra a dificuldade de aceitar as perdas. D)sugere a inevitabilidade da morte dos pais. E)expressa a mágoa por ter sido enganado.