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Apostila de gramática sobre pronomes: conceito, flexão, funções (adjunto adnominal/núcleo), pessoas do discurso; referência (exofórica/endofórica, anáfora/catáfora), exemplos e questão comentada de concurso (CESPE/CEBRASPE). Cita Bechara e Ingedore Koch.

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Gramática
Professora Raquel Cesário
_1
PRONOMES
Agora, começaremos uma classe importantíssima: o 
pronome. 
Conceito 
Palavra que substitui ou acompanha o nome e se refere a 
uma das pessoas do discurso.
Flexão
Como são muitos os tipos de pronomes estudaremos a 
flexão em cada uma das classes 
Função
Pode exercer função adjetiva, ao acompanhar um 
substantivo; ou função substantiva, ao substituí-lo.
Na frase, ‘Meu pai viajou’, o pronome possessivo meu 
acompanha o substantivo pai, exercendo a função de 
adjunto adnominal.
Na frase, ‘Ele não virá hoje.’, o pronome pessoal Ele 
substitui o substantivo, exercendo a função de núcleo.
Segundo Evanildo Bechara, Moderna Gramática 
Portuguesa, pronome é a classe da palavra que 
reúne unidades em número limitado e que se refere 
a um significado léxico pela situação ou por outras 
palavras do contexto. De modo geral, esta referência 
é feita a um objeto substantivo considerando-o apenas 
como pessoa localizada do discurso.
Em outras palavras, o pronome não possui significado 
próprio, tal qual o substantivo ou adjetivo, é o contexto 
em que ele foi empregado que lhe emprestará o seu valor 
semântico.
As três pessoas do discurso:
No diálogo acima, a garota de rosa é a primeira pessoa do 
discurso ao perguntar do Marcelo para o rapaz de azul, que 
é a segunda pessoa do discurso. Ele se torna a primeira 
pessoa quando responde que não sabe de Marcelo. Este, 
por sua vez, é a terceira pessoa do discurso.
Resumindo...
• 1ª pessoa: quem fala “Eu”
• 2ª pessoa: com quem se fala “Tu”
• 3ª pessoa: de quem se fala “Ele(a)(s)”
Uma vez que entendemos que os pronomes não 
apresentam sentido próprio, especifico, podemos dizer 
que sua significação será produzida em um contexto 
específico por meio do processo de referenciação. Segundo 
a linguista Ingedore Koch, em seu livro Coesão Textual, 
são elementos de referência os itens da língua que não 
podem ser interpretados semanticamente por si mesmos, 
mas remetem a outros itens do discurso necessários à 
sua interpretação. (...) A referência pode ser situacional 
(exofórica) e textual (endofórica). A referência é exofórica 
quando a remissão é feita a algum elemento da situação 
comunicativa, isto é, quando o referente está fora do texto; 
e é endofórica, quando o referente se acha expresso no 
texto. Neste caso, se o referente precede o item coesivo, 
tem-se a anáfora; se vem após ele, tem-se a catáfora.
Embora já tenha sido usado o termo deixis na prova 
do CEBRASPE, o termo mais comum – apesar de não 
frequente – de ser cobrado é a anáfora. Ela consiste em 
se referir a um termo já apresentado no texto.
Veja os exemplos:
• Você não se arrependerá de ter lido este anúncio.  
EXÓFORA
• Paulo e José são excelentes advogados. Eles se 
formaram na Academia do Largo de São Francisco.  
ENDÓFORA: ANAFÓRICA.
• Realizaram todos os seus sonhos, menos este: o de 
entrar para a academia.  ENDÓFORA: CATAFÓRICA
Ainda que esses nomes pareçam complicados e que 
não tenham grande incidência na prova do CEBRASPE, 
Gramática
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prefiro mencioná-los para que possam conhecer caso 
seja utilizado na sua prova. Ademais, mesmo que não 
seja cobrada a nomenclatura, é importante que saibam o 
processo de referenciação, o qual é fundamental na parte 
de interpretação de textos. 
Como esse conteúdo pode ser cobrado no certame?
(CESPE/PF) (...) A coisa é mais complicada na 
modernidade, em que os cidadãos comuns (como você e 
eu) são a fonte de toda autoridade jurídica e moral. Hoje, 
no mundo ocidental, se alguém é executado, o braço 
que mata é, em última instância, o dos cidadãos — o 
nosso. Mesmo que o condenado seja indiscutivelmente 
culpado, pairam mil dúvidas. Matar um condenado 
à morte não é mais uma festa, pois é difícil celebrar 
o triunfo de uma moral tecida de perplexidade. As 
execuções acontecem em lugares fechados, diante 
de poucas testemunhas: há uma espécie de vergonha. 
Essa discrição é apresentada como um progresso: os 
povos civilizados não executam seus condenados nas 
praças. Mas o dito progresso é, de fato, um corolário da 
incerteza ética de nossa cultura. (...)
 )( O termo “Essa discrição” apresenta caráter 
anafórico e se refere apenas ao que está expresso 
na primeira oração do período que o antecede. 
Gabarito: CERTO
Feedback: Embora tenha sido utilizado o termo 
“anafórico”, essa é a parte mais tranquila da questão: 
a expressão ‘essa discrição’ retoma uma afirmação já 
apresentada no texto, por isso a referenciação é, de 
fato, uma anáfora. A dificuldade dos candidatos, nesse 
item, residiu na interpretação da questão. Vamos lá!
Sabemos que o período é a estrutura demarcada por 
um ponto e que a oração é organizada em torno de um 
verbo. Assim, ao afirmar que “o termo se refere apenas 
ao que está expresso na primeira oração do período que 
o antecede”, o item indica que essa discrição seria o fato 
de as execuções acontecerem em lugares fechados, 
diante de poucas testemunhas. É isso mesmo! Ser 
discreto significa não chamar a atenção, fazer “sem 
alarde, sem furdunço”, ou seja, “em lugar fechado com 
pouca gente vendo”. Nesse mesmo período anterior, 
temos uma oração que indica o motivo de sermos 
discretos (a vergonha), mas esse espécie de vergonha 
não é a discrição em si, e, por isso, o termo anafórico 
não se refere a essa segunda oração. Boa demais essa 
questão, não é mesmo?
Pois bem, trabalhamos a noção de referenciação. Mas é 
importante destacar que estudaremos esse conteúdo com 
mais detalhe na parte de interpretação de textos.
Sabemos, então, que os pronomes são uma categoria 
gramatical utilizada para acompanhar ou substituir o 
substantivo, referindo-se sempre a uma das pessoas 
do discurso. É por esse motivo que eles não possuem 
significação pronta, a cada contexto apresentarão 
sentidos diferentes. 
Os pronomes são divididos em:
1. Pronomes pessoais
2. Pronomes de tratamento
3. Pronomes possessivos
4. Pronomes indefinidos
5. Pronomes interrogativos
6. Pronomes relativos
Vamos estudar cada um deles, ok?
1. PRONOMES PESSOAIS
Os pronomes pessoais designam as três pessoas do 
discurso.
Segundo Evanildo Bechara, Moderna Gramática 
Portuguesa, há duas pessoas que, efetivamente, 
participam do discurso: eu e tu. A tradicional 3ª pessoa, 
por não participar da situação comunicativa, é para 
esse autor a não – pessoa.
Pessoa do 
discurso
Pronomes 
retos
Pronomes 
oblíquos 
átonos (sem 
preposição)
Pronomes 
oblíquos 
tônicos (com 
preposição)
SINGULAR
1ª EU Me Mim, comigo
2ª TU Te Ti, contigo
3ª ELE/ELA O, a, se, lhe Si, consigo, ele/ela
PLURAL
1ª NÓS Nos Nós, conosco
2ª VÓS Vos Vós, convosco
3ª ELES/ELAS
Os, as, se, 
lhes
Si, consigo, eles/
elas
O objetivo da morfologia é categorizar, separar as classes 
gramaticais; de nada adianta, entretanto, saber quais são 
os pronomes se não soubermos empregá-los. Para isso, 
precisaremos avançar à sintaxe.
A divisão dos pronomes em ‘retos’ e ‘oblíquos’ se deve à 
função que eles exercem na oração em que se encontram:
• Os pronomes retos exercem a função de sujeito
Ele trouxe sua tia para a festa beneficente.
Nós soubemos do ocorrido e viemos prestar nossas 
condolências. 
• Os pronomes oblíquos exercem as outras funções, 
como complemento verbal, complemento nominal, 
predicativo, adjunto adnominal.
Todos os presentes ouviram-me com atenção.
me: pronome oblíquo átono, que exerce a função de 
complemento verbal objeto direto.
Enxuguei-lhe o rosto com bastante calma.
lhe: pronome oblíquo átono, que exerce a função de 
adjunto adnominal de ‘rosto’ – enxuguei o seu rosto..
Saí com ele no dia 3 de abril.
com ele: locução adverbial, formada por preposição 
+ pronome oblíquo tônico, que exerce a função de 
adjunto adverbial de companhia.
PARA SABER USAR OS PRONOMES PESSOAIS É 
IMPORTANTE, DE INÍCIO, MEMORIZAR 5 REGRAS:
• Os pronomes pessoais retos exercem função de sujeito 
na oração em que se encontram.
• Os pronomes o, a, os, as, quando forem complementos 
verbais, serão objetos diretos. Podem também sersujeitos de verbos no infinitivo.
Gramática
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• Os pronomes lhe, lhes, quando complementos verbais, 
serão objetos indiretos e substitui pessoa (a você | a 
vocês). 
• Os pronomes ele(a)(s), nós e vós, quando 
preposicionados, serão oblíquos tônicos e exercerão a 
função de complemento verbal.
• Os pronomes me, te, se, nos, vos, quando 
complementos verbais, poderão ser objetos diretos 
ou indiretos, dependendo da regência verbal. Podem 
também ser sujeitos de verbos no infinitivo.
Calma, sem desespero!!! Sei que você não deve estar 
entendendo ainda. Mas eu vou explicar. A princípio, preciso 
que memorize essas regras:
PRONOME RETO: SUJEITO
O, A, OS, AS: CV (OD)
LHE, LHES: CV (OI)
PREPOSIÇÃO + ELE,ELA,ELES,ELAS: CV (OI)
ME, TE, SE, NOS, VOS: CV (OD ou OI)
Essas são as funções iniciais. Focaremos, por enquanto, 
isto: vamos empregar os pronomes sujeitos e os pronomes 
complementos. Precisaremos para tal estudar o que é 
sujeito e o que é complemento.
Teremos trabalho!!! Vamos à sintaxe!
2. NOÇÕES DE SINTAXE
SUJEITO: é o sintagma nominal sobre o qual o predicado 
traz alguma informação, é o termo cujo núcleo, em regra, é 
responsável pela flexão do verbo.
Pronto! É a isto que quero que se apegue: o sujeito é o 
termo cujo núcleo não regido de preposição varia o verbo.
PREDICADO: é o sintagma verbal que traz alguma 
informação sobre o sujeito.
Desde o início de nossas aulas, estamos dividindo 
nossas orações em dois sintagmas. São eles: SUJEITO e 
PREDICADO.
COMPLEMENTO VERBAL: termo regido pelo verbo, 
necessário para restringir-lhe o significado.
ADJUNTO ADVERBIAL: termo de caráter acessório, que, em 
regra, se liga ao verbo para acrescentar-lhe sentido. 
DESAFIO: vamos fazer análise sintática da oração abaixo!
• Os vizinhos de meu pai: é um termo, um sintagma, 
organizado em torno de um núcleo (vizinhos), que é 
responsável pela variação do verbo (compraram). 
Assim, damos a esse termo o nome de SUJEITO.
• compraram um novo carro ontem: é o que se diz 
sobre o sujeito, é o sintagma verbal e, por isso, é 
chamado de PREDICADO.
– Os: artigo, adjunto adnominal (sempre o artigo 
funcionará como adjunto adnominal!!!)
– Sabemos que “de meu pai” é uma locução adjetiva, 
que exerce a função de adjunto adnominal.
– compraram: verbo de ação, significativo, portanto 
é o núcleo do predicado. Dessa forma, os outros 
termos estarão ligados a ele.
– um novo carro: complemento verbal. O núcleo 
desse complemento é ‘carro’, que se liga ao verbo de 
forma direta, prescindindo de preposição. É, dessa 
forma, um complemento verbal objeto direto.
Agora vem a novidade! Os verbos significativos são núcleos 
e, por isso, possuem uma regência, a qual determinará 
se será necessário ou não o uso de um termo que lhe 
complete o sentido. 
 A regência verbal é a relação sintática de dependência 
que se estabelece entre o verbo — termo regente — e o 
seu complemento — termo regido. A regência determina 
se uma preposição é necessária para ligar o verbo a seu 
complemento.
Na frase anterior, o verbo comprar que é o termo regente 
exige um complemento para especificar o que os vizinhos 
compraram (velho macete: quem compra compra algo). 
Assim, entendemos que um novo carro completa o sentido 
do verbo. Poderíamos finalizar a frase com essa informação: 
“Os vizinhos de meu pai compraram um novo carro”; a 
frase, entretanto, apresenta a noção temporal em relação 
ao verbo. A esse termo que se liga ao verbo para indicar 
circunstância de tempo chamamos de advérbio, que exerce 
a função de adjunto adverbial de tempo. Já estudamos que 
os adjuntos adverbias são termos que modificam os verbos 
acrescentando-lhes sentido. Veja o esquema:
Observações importantes:
• Um termo que complementa o verbo é necessário a ele e 
sua retirada implica prejuízo para a correção gramatical.
• Por ser termo necessário, o complemento, em regra, 
não pode ser separado por vírgula – só virgulamos 
termos acessórios na oração.
• Os adjuntos são termos que apresentam uma 
circunstância, acrescentam sentido. Sua retirada não 
implica erro gramatical.
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• Por serem termos acessórios, em regra, podem ser 
virgulados.
• Os complementos verbais podem ser ligados por 
meio de preposição. Quando um verbo exige um 
complemento antecedido de preposição, este será 
denominado complemento verbal do tipo objeto 
indireto; se um verbo exigir complemento não regido 
de preposição, será então do tipo objeto direto.
• Atenção: a prova pode dar diferentes nomes a um 
termo: pode chamá-lo, por exemplo, de complemento 
verbal, de complemento verbal objeto direto, de 
complemento direto, de objeto direto, de complemento 
verbal direto. A nomenclatura resumida não constitui 
erro para a questão!
Vamos treinar a sintaxe! Apresentarei algumas questões 
da FCC comentadas que servirão como exercício de fixação, 
ok? Confira o PDF de questões comentadas “Fundamentos 
de Análise Sintática”. 
Vamos voltar ao estudo dos pronomes!!!
E continuamos o estudo dos pronomes pessoais! Vamos 
relembrar as regras gerais (estou certa de que já as 
memorizou):
• Os pronomes pessoais retos exercem função de sujeito 
na oração em que se encontram.
• Os pronomes o, a, os, as , quando forem complementos 
verbais, serão objetos diretos. Podem também ser 
sujeitos de verbos no infinitivo.
• Os pronomes lhe, lhes, quando complementos verbais, 
serão objetos indiretos e se referirão à pessoa (a você 
| a vocês). 
• Os pronomes ele(a)(s), nós e vós, quando 
preposicionados, serão oblíquos tônicos e exercerão a 
função de complemento verbal.
• Os pronomes me, te, se, nos, vos, quando complementos 
verbais, poderão ser objetos diretos ou indiretos, 
dependendo da regência verbal. Podem também ser 
sujeitos de verbos no infinitivo.
Veja as frases:
A filha do diretor | nasceu prematura.
Caso se deseje substituir “A filha do diretor” por um 
pronome, deve-se usar = Ela 
Ela nasceu prematura.
O gerente da loja | comprou equipamentos elétricos.
Para se substituir “equipamentos elétricos” por um 
pronome, deve-se usar = os
O gerente da loja comprou-os.
| Obedecemos às regras impostas.
Para se substituir “às regras impostas” por um 
pronome, deve-se usar = a elas
Obedecemos a elas.
ATENÇÃO: Ainda que o pronome “lhe(s)” exerça a 
função de OI, não os usaremos nessa frase, haja vista 
que, em regra, tais pronomes substituem pessoa, fato 
que não ocorre na frase acima.
| Informei o resultado do curso aos alunos.
Sempre que um mesmo verbo exigir dois 
complementos, um será direto e o outro será indireto. 
Se fôssemos substituir o OD, usaríamos = o
Se fôssemos substituir o OI, usaríamos = lhes ou a eles
Informei-o aos alunos.
Informei-lhes o resultado
Informei o resultado a eles.
Caso substituíssemos os dois complementos, teríamos:
Informei-o a eles.
Informei-lhos.
A menina | está apta ao trabalho.
Caso se deseje substituir “A menina” por um pronome, 
deve-se usar = Ela 
Ela está apta ao trabalho.
Trabalhamos com frases simples, mas a partir delas 
formamos o panorama de diferentes orações da língua 
portuguesa. Nas quatro primeiras, há verbos significativos, 
que são núcleos das orações em que se encontram. Na 
última, tem-se um verbo de ligação que, como já vimos, não 
exerce função sintática. Sempre que um verbo é núcleo, 
ele possui uma regência, intransitiva (quando não exige 
um complemento para restringir-lhe o significado) ou 
transitiva (quando exige um complemento para restringir 
sua significação). 
RESUMINDO!
Verbos significativos são núcleos e, como tal, podem ser:
• Intransitivos: não exigem complemento verbal - VI
• Transitivos diretos: exigem complemento que não 
possui preposição regida pelo verbo - VTD
• Transitivos indiretos: exigem complemento com 
preposição regida pelo verbo - VTI
• Transitivo direto e indireto: exigem dois complementos 
para restringir seu significado. - VTDI
Ela nasceu prematura. — VI
O gerente da loja comprou-os. — VTD
Obedecemos a elas. — VTI
Informei-o a eles. — VTDI
Ela está apta ao trabalho. — ESTARé verbo de ligação e 
não possui regência.
Além de conhecermos os pronomes pessoais e de 
sabermos as funções que eles exercem na frase, é 
necessário aprender a regra de colocação dos pronomes 
oblíquos átonos. De acordo com a norma gramatical, a 
sintaxe de colocação segue a tradição de uso da língua e 
deve respeitar o que é considerado sonoro a ela. Durante 
muitos anos, entendeu-se a ênclise como a forma padrão 
de colocação; dessa forma, a próclise só deveria ser 
utilizada em situações determinadas. Ocorre que, como 
afirma Celso Cunha em sua Nova Gramática do Português 
Contemporâneo, há casos conflitantes de colocação na 
norma portuguesa e brasileira. Esta, em grande parte das 
situações, utiliza a próclise como forma de colocação dos 
pronomes. É seguindo essa linha que iremos estudar tal 
conteúdo.
Gramática
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3. COLOCAÇÃO PRONOMINAL
As regras de colocação pronominal determinam a posição 
dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo. Há 
três posições possíveis:
• Próclise: antes do verbo: Eu te ajudarei.
• Ênclise: depois do verbo: Ajude-me.
• Mesóclise: no meio do verbo: Ajudar-te-ei.
Devem observar as regras de colocação os pronomes 
oblíquos átonos: o, a, os, as, lhe, lhes, me, te, se, nos, vos.
QUADRO GERAL
REGRA GERAL – a próclise é sempre possível, exceto no 
início de frase ou oração. Ou seja,
• Início de frase ou oração, próclise não.
• Usa-se a mesóclise, com verbos no futuro.
• Ênclise nos outros tempos.
Observe as frases: 
O menino a convidou OU O menino convidou-a
O programa se realizará OU O programa realizar-se-á
Entretanto, 
Te amo muito.  Amo–te muito.
Te amarei eternamente.  Amar-te-ei eternamente.
CASOS ESPECIAIS
1. INFINITIVO: Possui colocação livre. Exemplo: 
Mamãe pediu para não os deixar a sós
Mamãe pediu para não deixá-los a sós.
2. PRÓCLISE OBRIGATÓRIA:
a. Palavra atrativa
• palavra negativa
• advérbio
• conjunções subordinativas
• pronome relativo
• pronomes indefinidos 
• pronomes demonstrativos
b. Frases optativas, exclamativas e interrogativas
• Frases optativas são as que exprimem desejo – 
Deus te guie!
• Frases exclamativas são as que exprimem 
sentimento – Como te amo!
• Frases interrogativas são as que estabelecem um 
questionamento – Quem te convidou?
c. Preposição + Gerúndio OU Palavra Negativa + Gerúndio
3. PARTICÍPIO: é proibido o uso da ênclise quando o verbo 
estiver no particípio.
Então, para ajudar, veja os exemplos de cada caso.
Casos de próclise obrigatória
a. Quando houver palavras atrativas, que são:
• Palavras de sentido negativo: não, ninguém, 
nenhum, jamais, nunca etc.
Nenhuma ideia nos parecia aceitável.
Não o mencionarei em meu discurso.
Ninguém me procurou.
Observação: se o verbo estiver no infinitivo não 
flexionado, a colocação será facultativa (próclise 
ou ênclise) ainda que haja palavra negativa na 
oração.
Minha vontade é não desapontá-lo. (ou não o 
desapontar).
• Pronomes relativos.
As pessoas que se envolveram na fraude foram 
demitidas.
• Conjunções subordinativas.
Ela não comprou as roupas, embora lhe tenham 
servido perfeitamente.
• Advérbios curtos não seguidos de vírgula: 
sempre, já, bem, mais, onde, ainda etc.
Hoje te arrependerás do que disseste ontem.
Observação: se houver vírgula (pausa) depois 
do advérbio, ou então se ele estiver distante do 
verbo, poderá haver ênclise ou mesóclise.
Hoje, arrepender-te-ás do que disseste ontem.
Ali uma grande grupo juntou-se aos primeiros 
manifestantes.
• Pronomes demonstrativos e indefinidos.
Aquilo me assustou.
Acho que sei quem se envolveu com ela.
• Conjunções alternativas ora...ora, quer... quer, 
ou...ou.
Aquele rapaz ora se diverte, ora se empenha nos 
estudos.
b. Em orações optativas (que exprimem desejo) com 
sujeito anteposto ao verbo.
Deus nos abençoe!
c. Em orações exclamativas.
Quanto se rouba neste país!
d. Em orações interrogativas que se iniciem por 
advérbios ou pronomes interrogativos.
Quem me procurou?
e. Com gerúndio precedido da preposição EM ou de 
advérbio.
“Nesta terra, em se plantando tudo dá.” (Pero Vaz 
de Caminha) 
Não o convencendo, desistiu de argumentar.
Gramática
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Casos de mesóclise
A mesóclise ocorre apenas com verbos no futuro do 
presente e futuro do pretérito, ambos do indicativo, desde 
que não haja, na oração, palavra que exija próclise.
A mesóclise somente será obrigatória se o verbo no 
futuro do indicativo iniciar o período.
Entregar-te-ia os documentos agora se os tivesse comigo.
Comprometer-se-ia com este projeto?
Casos de ênclise obrigatória
a. Nos períodos que se iniciem com verbos (exceto 
aqueles nos futuros do indicativo).
Explique-me uma coisa: como faço para chegar ao 
centro?
Beijando-a no rosto, despediu-se.
b. Com gerúndio que não seja precedido de “em” ou de 
palavra atrativa.
E ele, puxando-lhe para longe, contou tudo.
c. Em orações imperativas afirmativas.
Você, por favor, traga-nos a conta.
d. Com os pronomes o, os, a, as, quando o verbo é 
infinitivo impessoal precedido da preposição A.
Começou a ofendê-la.
Observação: caso haja duas palavras atrativas, o 
pronome pode ficar entre elas: Eu é que me não engano 
novamente!
GRAFIA DOS PRONOMES
ATENÇÃO! Quando em posição enclítica ou mesoclítica, é 
possível que seja necessário fazer alteração na grafia dos 
pronomes e/ou verbos. Veja os casos:
• Verbos terminados –R , -S, -Z  corta-se a terminação 
do verbo e acrescenta-se L aos pronomes o, a, os, as.
Vou pedir o cartão – Vou pedi-lo. 
É necessário avaliar as regras de acentuação: chamá-
la, convencê-la, persegui-lo, instruí-lo.
• Verbos terminados com som nasal (-m ou –ão, -õe)  
acrescenta-se N aos pronomes o, a, os, as.
Convidaram a moça – Convidaram-na.
Dão a herança aos pobres – Dão-na aos pobres.
• Verbos terminados com –S + -nos  corta-se o –S do 
verbo e o pronome não sofre alteração na sua grafia.
Afastamo-nos dessa perspectiva.
OBSERVAÇÕES FINAIS
EU x MIM: a expressão “para eu” deverá ser usada quando 
“eu” assumir a função de sujeito. Já a expressão “para mim” 
será empregada quando o pronome exercer as outras 
funções. Exemplos:
Preciso de férias para eu descansar. 
Faltam quinze dias para eu viajar. 
Você pode comprar o ingresso para mim? 
Aquele convite é para mim, não para você. 
Não há nenhum problema entre mim e você.
Atenção: “Mim”, que é um pronome pessoal oblíquo 
tônico e deve estar sempre precedido por uma 
preposição.
Com nós X conosco — Com vós X convosco: Quando, à 
frente do pronome, surgir qualquer palavra ou expressão 
que indique quem somos nós ou quem sois vós, não poderá 
haver a contração entre a preposição e o pronome, ou seja, 
deveremos escrever separadamente com nós e com vós. 
As palavras que surgem à frente do pronome são mesmos, 
próprios, alguns, todos, quaisquer, um substantivo, um 
numeral ou uma frase inteira.
Ele queria conversar com nós dois. 
Quando não houver palavra alguma ou expressão que 
indique quem somos nós ou quem sois vós, deveremos 
usar conosco e convosco. 
Ele queria conversar conosco. 
A paz esteja convosco.
Si / Consigo: Si é pronome pessoal do caso oblíquo, 
sempre regido de preposição (exceto com) e pertence às 
duas terceiras pessoas (singular e plural), deve ser usado 
como reflexivo, ou seja, devem se referir à mesma pessoa 
do sujeito.
O egoísta só pensa em si (refere-se ao sujeito egoísta).
Vive cheio de si.
Cada um faça por si o trabalho.
Consigo é um pronome oblíquo tônico e deve, também, ser 
usado, no português brasileiro, como reflexivo. 
“O pai levou o filho consigo“.
Falaremos do pronome “se” em outra aula, ok?
Ufa! Chegamos ao fim dessa primeira parte! Quer dizer, 
finalizamos conteúdos fundamentais dos pronomes 
pessoais, mas ainda voltaremos a esse conteúdo. 
Gramática
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PRONOMES - PARTE II
E continuamos o estudo dos pronomes pessoais! Vamos 
relembrar as regras gerais (estou certa de que já as memorizou):
• Os pronomes pessoais retos exercem função de sujeito 
na oração em que se encontram.
• Os pronomes o, a, os, as , quando forem complementosverbais, serão objetos diretos. Podem também ser 
sujeitos de verbos no infinitivo.
• Os pronomes lhe, lhes, quando complementos verbais, 
serão objetos indiretos e se referirão à pessoa (a você 
| a vocês). 
• Os pronomes ele(a)(s), nós e vós, quando 
preposicionados, serão oblíquos tônicos e exercerão a 
função de complemento verbal.
• Os pronomes me, te, se, nos, vos, quando complementos 
verbais, poderão ser objetos diretos ou indiretos, 
dependendo da regência verbal. Podem também ser 
sujeitos de verbos no infinitivo.
Já que na aula passada estudamos as noções básicas de 
sintaxe, podemos empregar os pronomes.
Veja as frases:
Caso se deseje substituir “A filha do diretor” por um 
pronome, deve-se usar = Ela 
Ela nasceu prematura.
Para se substituir “equipamentos elétricos” por um 
pronome, deve-se usar = os
O gerente da loja comprou-os.
Os pronomes que exercem a função de objeto direto 
são o, a, os, as
Para se substituir “às regras impostas” por um 
pronome, deve-se usar = a elas
Obedecemos a elas.
ATENÇÃO: Ainda que o pronome “lhe(s)” exerça a 
função de OI, não os usaremos nessa frase, haja vista 
que, em regra, tais pronomes substituem pessoa, fato 
que não ocorre na frase acima.
Sempre que um mesmo verbo exigir dois 
complementos, um será direto e o outro será indireto. 
Se fôssemos substituir o OD, usaríamos = o
Se fôssemos substituir o OI, usaríamos = lhes ou a eles
Informei-o aos alunos.
Informei-lhes o resultado
Informei o resultado a eles.
Caso substituíssemos os dois complementos, teríamos:
Informei-o a eles.
Informei-lhos.
-lhos: Forma pouco utilizada, que representa a fusão 
dos dois complementos. Quando se usa pronome 
oblíquo para substituir ambos os pronomes, é 
necessário fazer a contração.
Caso se deseje substituir “A menina” por um pronome, 
deve-se usar = Ela 
Ela está apta ao trabalho.
Trabalhamos com frases simples, mas a partir delas 
formamos o panorama de diferentes orações da língua 
portuguesa. Nas quatro primeiras, há verbos significativos, 
que são núcleos das orações em que se encontram. Na 
última, tem-se um verbo de ligação que, como já vimos, não 
exerce função sintática. Sempre que um verbo é núcleo, 
ele possui uma regência, intransitiva (quando não exige 
um complemento para restringir-lhe o significado) ou 
transitiva (quando exige um complemento para restringir 
sua significação). 
Resumindo.
Verbos significativos são núcleos e, como tal, podem ser:
• Intransitivos: não exigem complemento verbal  VI
• Transitivos diretos: exigem complemento que não 
possui preposição regida pelo verbo  VTD
• Transitivos indiretos: exigem complemento com 
preposição regida pelo verbo  VTI
• Transitivo direto e indireto: exigem dois complementos 
para restringir seu significado.  VTDI
Ela nasceu prematura.  VI
O gerente da loja comprou-os.  VTD
Obedecemos a elas.  VTI
Informei-o a eles.  VTDI
Ela está apta ao trabalho.  ESTAR é verbo de ligação e 
não possui regência.
Gramática
_8
Além de conhecermos os pronomes pessoais e de 
sabermos as funções que eles exercem na frase, é 
necessário aprender a regra de colocação dos pronomes 
oblíquos átonos. De acordo com a norma gramatical, a 
sintaxe de colocação segue a tradição de uso da língua e 
deve respeitar o que é considerado sonoro a ela. Durante 
muitos anos, entendeu-se a ênclise como a forma padrão 
de colocação; dessa forma, a próclise só deveria ser 
utilizada em situações determinadas. Ocorre que, como 
afirma Celso Cunha em sua Nova Gramática do Português 
Contemporâneo, há casos conflitantes de colocação na 
norma portuguesa e brasileira. Esta, em grande parte das 
situações, utiliza a próclise como forma de colocação dos 
pronomes. É seguindo essa linha que iremos estudar tal 
conteúdo.
Atenção – como fazer uma questão de pronome?
• 1ª DETERMINAR A REGÊNCIA VERBAL – pronomes 
objetos diretos ou indiretos
• 2ª VERIFICAR A COLOCAÇÃO DO PRONOME 
• 3ª SE ÊNCLISE OU MESÓCLISE – adequar a grafia do 
pronome
Na frase, Obedeceram-na, se observarmos apenas a 
grafia dos pronomes, nós a consideraríamos correta, 
haja vista que o som nasal exige a adequação do 
pronome. Entretanto, antes de avaliar a grafia, devemos 
verificar a regência do verbo. O verbo obedecer exige 
objeto indireto e o pronome adequado, nessa situação, 
é o lhe.
VAMOS TREINAR! Confira o PDF de questões 
comentadas “Colocação Pronominal”.
4. PRONOMES DE TRATAMENTO
Muitas gramáticas incluem os pronomes de tratamento no 
grupo dos pronomes pessoais. Constituem formas mais 
corteses e reverentes de nos dirigirmos à pessoa com 
quem estamos falando ou de quem estamos falando. São, 
maioritariamente, utilizados em tratamentos formais, 
quando o interlocutor ocupa cargos ou posições sociais 
elevadas e prestigiadas.
Exemplos e uso dos pronomes de tratamento
• V. - você - Usado em tratamentos informais, íntimos 
e familiares. Este pronome, em algumas regiões do 
Brasil, é substituído pelo pronome tu.
• Sr., Sr.ª, Srta. - senhor, senhora, senhorita - Usados em 
tratamentos formais e respeitosos, quando existe um 
distanciamento entre os locutores. Senhor é utilizado 
quando o tratamento se dirige a homens, senhora é 
utilizado quando o tratamento se dirige a mulheres 
casadas e senhorita é utilizado quando o tratamento 
se dirige a mulheres solteiras.
• V. S.ª - Vossa Senhoria - Usado em tratamentos 
cerimoniosos e respeitosos a pessoas com grande 
prestígio, como vereadores, chefes, secretários e 
diretores de autarquias. Este pronome é também 
utilizado em textos escritos oficiais, como 
correspondência comercial, ofícios e requerimentos.
• V. Ex.ª - Vossa Excelência - Usado em tratamentos 
cerimoniosos e respeitosos a pessoas com alta 
autoridade, como o Presidente da República, ministros, 
senadores, deputados, embaixadores, etc. No caso do 
Presidente da República, não deverá ser utilizada a 
forma abreviada do pronome de tratamento.
• V. Em.ª - Vossa Eminência - Usado em tratamentos 
cerimoniosos e respeitosos a cardeais, que são 
eclesiásticos do Sacro Colégio pontifício e participam 
no conclave para a eleição de um novo Papa.
• V. S. - Vossa Santidade - Usado em tratamentos 
cerimoniosos e respeitosos ao Papa. Este pronome 
de tratamento é também utilizado por ocidentais em 
tratamentos cerimoniosos e respeitosos ao Dalai 
Lama, embora não seja utilizado pelos tibetanos.
• V. Rev.mª - Vossa Reverendíssima - Usado em 
tratamentos cerimoniosos e respeitosos a sacerdotes, 
bispos e religiosos em geral.
• V. A. - Vossa Alteza - Usado em tratamentos 
cerimoniosos e respeitosos a príncipes, princesas, 
duques e duquesas.
• V. M. - Vossa Majestade - Usado em tratamentos 
cerimoniosos e respeitosos a reis e rainhas.
• V. Mag.ª - Vossa Magnificência - Usado em 
tratamentos cerimoniosos e respeitosos a reitores de 
Universidades.
• V.P. - Vossa Paternidade - Usado em tratamentos 
cerimoniosos e respeitosos a superiores de ordens 
religiosas.
• V. M. I. - Vossa Majestade Imperial - Usado 
em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a 
imperadores.
• Vossa Onipotência - Usado em tratamentos 
cerimoniosos e respeitosos a Deus. Não se utiliza a 
forma abreviada.
Veja o que o MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA 
REPÚBLICA apresenta acerca dos pronomes de tratamento:
“ uso de pronomes e locuções pronominais de tratamento 
tem larga tradição na língua portuguesa. De acordo 
com Said Ali, após serem incorporados ao português os 
pronomes latinos tu e vos, “como tratamento direto da 
pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”, passou-
se a empregar, como expediente lingüístico de distinção 
e de respeito, a segunda pessoa do plural no tratamento 
de pessoas de hierarquia superior. Prossegue o autor:
“Outro modo de tratamento indireto consistiu em fingir 
que se dirigia a palavra a um atributo ou qualidade 
eminente da pessoa de categoria superior, e não a ela 
própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu rei 
com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...); 
assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelênciae 
adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência, 
vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade.”
A partir do final do século XVI, esse modo de tratamento 
indireto já estava em voga também para os ocupantes 
de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu para 
Gramática
_9
vosmecê, e depois para o coloquial você. E o pronome 
vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que 
provém o atual emprego de pronomes de tratamento 
indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades 
civis, militares e eclesiásticas.
ESSA É UMA INFORMAÇÃO IMPORTANTÍSSIMA!!! O 
PRONOME DE TRATAMENTO É UTILIZADO NAS RELAÇÕES 
INTERPESSOAIS, MAS ELES POSSUEM COMPORTAMENTO 
GRAMATICAL DE TERCEIRA PESSOA DO DISCURSO.
Essa citação esclarece o motivo pelo qual usamos o 
pronome para se referir ao interlocutor, mas devemos 
usar os verbos e os outros pronomes na terceira pessoa 
gramatical. 
Veja o exemplo:
Tu trouxeste o teu carro?
Nessa frase, utilizou-se a segunda pessoa gramatical.
Vossa Senhoria trouxe o seu carro?
Nessa frase, embora estejamos conversando com o 
interlocutor, o emprego do pronome de tratamento exige 
verbo flexionado na terceira pessoa e pronome possessivo 
de terceira pessoa.
Frases como Vossa Senhoria trouxe o vosso filho ou Você 
demorou e por isso não te esperei ferem a uniformidade 
de tratamento, porque misturam a segunda e a terceira 
pessoa.
4.1. VOSSA x SUA
Vossa: é usado quando se fala diretamente com a 
autoridade (Vossa Excelência está atrasada) – COM ELA
Sua: é usado para falar sobre a autoridade (A Sua 
Excelência não virá hoje) – DELA
4.2. PRONOMES DE TRATAMENTOS NEUTROS
Não aceitam artigo e os adjetivos referidos a eles 
concordam com o gênero do interlocutor.
Exemplo: Vossa Excelência está satisfeito?
Usamos no masculino se a frase se dirigir ao presidente da 
República, Jair Bolsonaro
Os pronomes de tratamento são estudados de forma mais 
aprofundada no curso de Redação Oficial.
5. PRONOMES POSSESSIVOS
Estabelecem uma relação de posse.
Concordam em pessoa com o possuidor e em gênero e 
número com a coisa possuída.
Pessoa do 
discurso
Pronome 
possessivo
Pessoa do 
discurso
Pronomes 
possessivos
EU
Meu, minha, meus, 
minhas
NÓS
Nosso, nossa, nossos, 
nossas
TU Teu, tua, teus, tuas VÓS
Vosso, vossa, vossos, 
vossas
ELE/ELA Seu, sua, seus, suas ELES/ELAS Seu, sua, seus, suas.
O rapaz nos disse: “esta é minha bicicleta. A sua está lá!
O Brasil precisa de maturidade para lidar com os seus 
problemas.
É importante saber que o uso de artigo antes do pronome 
possessivo é facultativo:
O meu filho é atleticano | Meu filho é atleticano.
Consideramos facultativo porque sua inserção ou retirada 
não implica prejuízo para a correção nem altera o sentido 
do texto.
Alguns pronomes pessoais podem apresentar valor 
possessivo:
Enxuguei-lhe o rosto  Enxuguei o seu rosto.
Estudaremos, com mais detalhe, esse emprego do 
pronome pessoal com valor possessivo na sintaxe, ok?
6. PRONOMES DEMONSTRATIVOS
Pronome Espaço Tempo Texto Enumeração
ESTE(S)
ESTA(S)
ISTO
Refere-se ao que está próximo 
de quem fala: veja esta blusa 
que estou usando!
Refere-se ao tempo presente: 
este será o melhor ano da 
minha vida! (o ano corrente)
Refere-se ao que será dito: 
meu maior desejo é este: sem 
aprovado em primeiro lugar no 
concurso.
Retoma o último elemento da 
sequência: estou em dúvida entre 
comprar um carro, uma bicicleta 
ou uma moto. Esta, sem dúvida, é a 
mais ágil. (moto)
ESSE(S)
ESSA(S)
ISSO
Refere-se o que está próximo 
da 2a pessoa do discurso: onde 
você comprou esse relógio que 
está usando?
Refere-se ao passado 
próximo: minhas férias 
acabaram ontem. Nunca vou 
me esquecer desses dias que 
passei na Europa!
Refere-se a algo que já foi dito: 
ser aprovado em primeiro lugar 
no concurso: esse é o meu maior 
desejo.
Retoma o elemento intermediário, 
quando houver. estou em dúvida 
entre comprar um carro, uma 
bicicleta ou uma moto. Essa é, sem 
dúvida, a mais ecológica. (bicicleta)
AQUELE(S)
AQUELA(S)
AQUILO
Refere-se ao que está distante: 
como é bonita aquela casa do 
outro lado da rua.
Refere-se ao passado 
remoto: naquela época, 
quando meus pais ainda 
eram crianças, as cidades 
eram menos violentas.
Veja NA ENUMERAÇÃO
Retoma o primeiro elemento da 
enumeração: estou em dúvida 
entre comprar um carro, uma 
bicicleta ou uma moto. Aquele, 
sem dúvida, é o mais confortável. 
(carro)
Gramática
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Também podem ser pronomes demonstrativos
I. O, A, OS, AS
Eu não sei o que precisamos estudar para a prova. 
(= aquilo que)
Ela viajou mês passado. Não o sabia? (= isso)
II. Mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): 
quando equivalerem-se uns aos outros.
Eu mesmo persegui o bandido. (= eu próprio 
persegui o bandido).
III. Tal, tais, semelhante(s):
Tais declarações causaram polêmica.
É invasivo fazer semelhante pergunta!
7. PRONOMES INDEFINIDOS
Referem-se de modo impreciso à 3ª pessoa do discurso.
• Pronomes indefinidos invariáveis: alguém, algo, cada, 
nada, ninguém, tudo.
• Pronomes indefinidos variáveis: algum(ns), alguma(s), 
batante(s), certo(s), certa(s), muito(s), muita(s), 
nenhum(ns), nenhuma(s), outro(s), outra(s), qualquer, 
quaisquer, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s).
• Locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada 
um, qualquer um, quem quer que, um ou outro etc.
Observações:
• Algum (e variações): se anteposto ao substantivo, tem 
sentido afirmativo; se posposto ao substantivo, tem 
sentido negativo.
– Alguma pessoa procurou por você. (afirmativo)
– Pessoa alguma procurou por você. (negativo)
• Bastante: 
– Será pronome indefinido quando vier antes do 
substantivo e expressar quantidade inexata. É 
variável: para alcançar meus objetivos, enfrentei 
bastantes desafios.
– Será adjetivo quando vier depois do substantivo e 
significar “suficiente(s)”. Será variável: já enfrentei 
desafios bastantes.
– Será advérbio quando modificar um verbo, um 
adjetivo ou um advérbio. Será invariável e equivalerá 
a “suficientemente”: muitos de meus colegas são 
bastante inteligentes. 
• Certo (e variações): se anteposto ao substantivo, 
é pronome indefinido (= algum); se posposto ao 
substantivo, é adjetivo.
– Não é possível acreditar em certas histórias (= 
algumas - pronome).
– Conte a história certa e as crianças ficarão 
interessadas. (= adequadas - adjetivo)
• Todo (e variações): se seguido de artigo, significa 
totalidade, por inteiro; se não seguido de artigo, 
significa qualquer.
– Toda a sociedade tem que lutar contra o crime. (= a 
sociedade inteira).
– Toda sociedade tem que lutar contra o crime. (= 
qualquer sociedade).
8. PRONOMES INTERROGATIVOS
São utilizados em frases interrogativas e referem-se de 
modo impreciso à terceira pessoa do discurso.
Que, quem, quanto (e variações) e qual.
Qual é o seu irmão?
Quantas pessoas há aqui?
Por que você se atrasou?
Veja, então, todos os pronomes indefinidos que temos!
www.soportugues.com.br
Existem também as locuções pronominais indefinidas:
cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), 
quem quer (que), seja quem for, seja qual for, todo 
aquele (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, 
um ou outro, uma ou outra, etc.
Cada um escolheu o vinho desejado.
Gramática
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9. PRONOMES RELATIVOS
Pronomes relativos retomam substantivos ou palavras 
de valor substantivo já mencionados anteriormente, 
introduzindo uma oração subordinada adjetiva. 
Variáveis Invariáveis
O qual, os quais, a qual, as quais Que
Cujo, cujos, cuja, cujas Quem
Quanto, quantos Onde
Uso dos pronomes relativos:
1. QUE: retoma pessoas, objetivos, lugares, masculino, 
feminino, singular e plural:
Os lugares que visitei são lindos.
Aquela é a mulher de que falei antes.
As pessoas que trabalham demais se estressam.
2. O QUAL, A QUAL, OS QUAIS, AS QUAIS: equivalem a 
“que”, desde que se observe a concordância.
Os lugares os quais visitei são lindos.
Aquela é a mulher sobre a qual falei antes.
As pessoas as quais trabalham demais se estressam.
3. QUEM: somente poderetomar pessoas.
A recepcionista a quem dei o recado foi muito gentil.
Foi ele quem me ensinou a matéria.
4. QUANTO (e variações): retoma pronomes 
demonstrativos e indefinidos
Todos quantos foram convidados vieram.
5. CUJO (e variações): estabelece uma relação de posse; 
não pode ser precedido de artigo; não pode ser 
substituído por outros pronomes relativos.
O homem cuja filha desapareceu ligou desesperado para 
a polícia.
Obs.: note que o pronome “cujo” concorda em gênero e 
número com o substantivo que vem depois dele, mas 
retoma o que vem antes (nesse caso, concorda com “filha”, 
mas retoma “homem”).
6. ONDE: somente deve ser usado para retomar lugar.
– Se o verbo pede preposição EM: ONDE
– Se o verbo pede preposição A: AONDE
Estou curioso para descobrir o lugar onde você nasceu. 
(nascer EM algum lugar)
Estou curioso para descobrir o lugar aonde você irá nas 
férias. (ir A algum lugar)
Chegamos ao fim dessa aula! É claro que não iremos parar 
por aí... 
Grande beijo!
Gramática
_12
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
7.( ) (CESPE/2012) “Muitas cartas são tão longas e 
difusas, que quase se não pode extratar nada.” 
A colocação pronominal no português do Brasil é 
variável, por isso, em “quase se não pode extratar 
nada” (L.21-22), estaria gramaticalmente correta 
qualquer uma destas opções: quase não se pode 
extratar nada ou quase não pode-se extratar nada. 
8.( ) (CESPE/2013) “Sozinho, porém, nunca punha os 
pés lá, até que um dia se fez acompanhar pelo 
Lulu, bom atleta péssimo funcionário...” “O farol 
dos automóveis apagava nas águas da Lagoa o 
reflexo das últimas estrelas, Um casal abraçava-
se debaixo de uma amendoeira.” Sem desrespeito 
às normas de colocação pronominal, pode-se 
empregar o pronome “se”, em “um dia se fez 
acompanhar” (L.16-17), posposto à primeira forma 
verbal — um dia fez-se acompanhar — e, em “Um 
casal abraçava-se” (L.31), empregá-lo anteposto 
ao verbo — Um casal se abraçava. 
9.( ) (CESPE/2013) Na oração “mas não nos ocorre uma 
palavra satisfatória”, a próclise do pronome deve-
se à presença do advérbio de negação. 
10.( ) (CESPE/2014) “O corte de 125 mil empregos em 
junho indica que a esperança de gradual retomada 
do crescimento do mercado de trabalho no curto 
prazo era prematura e não deverá se concretizar.” 
Na linha 10, o deslocamento do pronome “se” para 
imediatamente após a forma verbal “concretizar” 
— não deverá concretizar-se — não prejudicaria a 
correção gramatical do texto. 
11.( ) (CESPE/2013) No trecho “A economia solidária 
vem-se apresentando” (L.1), o deslocamento do 
pronome pessoal oblíquo para depois do verbo 
principal da locução não prejudicaria a correção 
gramatical do texto: vem apresentando-se.
12.( ) (FCC/2013) ... a cidade acabou por assumir um ar 
romântico 
... muros de pedra que alimentaram as lendas 
... costume de os mais velhos contarem casos às 
crianças 
A substituição dos elementos grifados nos segmentos 
acima pelos pronomes correspondentes, com os 
ajustes necessários, foi realizada de modo correto em: 
a. a cidade acabou por assumir-lhe − muros de pedra 
que lhes alimentaram − costume de os mais velhos 
as contarem casos 
b. a cidade acabou por o assumir − muros de pedra 
que lhes alimentaram − costume de os mais velhos 
contarem-lhes casos 
c. a cidade acabou por assumi-lo − muros de pedra 
que as alimentaram − costume de os mais velhos 
lhes contarem casos 
d. a cidade acabou por assumi-lo − muros de pedra 
que as alimentaram − costume de os mais velhos 
as contarem casos 
e. a cidade acabou por assumir-lhe − muros de pedra 
que alimentaram-as − costume de os mais velhos 
lhes contarem casos 
13. (FCC/TRT6/2014) Levando-se em conta as 
alterações necessárias, o termo grifado foi substituído 
corretamente por um pronome em: 
a. A Inveja habita o fundo de um vale  habitá-lo 
b. jamais se acende o fogo  lhe acende 
c. serviu de modelo a todos  serviu-os 
d. infectar a jovem Aglauros  infectá-la 
e. ao dilacerar os outros  dilacerar-lhes 
14. (FCC/2013) A substituição do elemento grifado pelo 
pronome correspondente, com os necessários ajustes, 
foi corretamente realizada em: 
a. Duas figuras merecem atenção = Duas figuras 
merecem-na 
b. poderá atingir a purgação = poderá lhe atingir 
c. dissecando a estrutura = dissecando-la 
d. provocar compaixão e terror = provocá-las 
e. mandou organizar as festas = mandou organizar-lhes
15. (FCC/2014) A tecnologia surgida no século XX 
beneficiou, em especial, os amantes da música, 
tornando possível ouvir música individualmente com 
fones de ouvido e transportar a música com facilidade 
por meio de aparelhos portáteis, o que transformou a 
música em uma diversão de fácil acesso. 
Evitam-se as desnecessárias repetições da frase 
acima substituindo-se os elementos grifados, 
respectivamente, por: 
a. a ouvir - transportar-lhe - lhe transformou 
b. a ouvir - lhe transportar - transformou-na 
c. ouvi-la - transportar-lhe - transformou-a 
d. lhe ouvir - a transportar - transformou-lhe 
e. ouvi-la - transportá-la - a transformou 
16.( ) (CESPE/2015) O deslocamento da partícula “se”, 
em “Define-se” (R.24), para o início do período — 
escrevendo-se Se define — prejudicaria a correção 
gramatical do texto. TRECHO: “Art. 3º. Define-se 
como meta permanente do Viver Direito a gestão 
ambientalmente saudável, caracterizada pela 
adoção de práticas ecologicamente eficientes...” 
17.( ) (CESPE/2015) A correção gramatical do texto seria 
preservada, caso o trecho “O que se constata”, no 
início do segundo parágrafo, fosse reescrito da 
seguinte forma: O que constata-se.
Gramática
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GABARITO
1 E 5 C 9 E
2 C 6 C 10 C
3 C 7 D 11 E
4 C 8 A
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