Prévia do material em texto
Gramática Professora Raquel Cesário _1 PRONOMES Agora, começaremos uma classe importantíssima: o pronome. Conceito Palavra que substitui ou acompanha o nome e se refere a uma das pessoas do discurso. Flexão Como são muitos os tipos de pronomes estudaremos a flexão em cada uma das classes Função Pode exercer função adjetiva, ao acompanhar um substantivo; ou função substantiva, ao substituí-lo. Na frase, ‘Meu pai viajou’, o pronome possessivo meu acompanha o substantivo pai, exercendo a função de adjunto adnominal. Na frase, ‘Ele não virá hoje.’, o pronome pessoal Ele substitui o substantivo, exercendo a função de núcleo. Segundo Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa, pronome é a classe da palavra que reúne unidades em número limitado e que se refere a um significado léxico pela situação ou por outras palavras do contexto. De modo geral, esta referência é feita a um objeto substantivo considerando-o apenas como pessoa localizada do discurso. Em outras palavras, o pronome não possui significado próprio, tal qual o substantivo ou adjetivo, é o contexto em que ele foi empregado que lhe emprestará o seu valor semântico. As três pessoas do discurso: No diálogo acima, a garota de rosa é a primeira pessoa do discurso ao perguntar do Marcelo para o rapaz de azul, que é a segunda pessoa do discurso. Ele se torna a primeira pessoa quando responde que não sabe de Marcelo. Este, por sua vez, é a terceira pessoa do discurso. Resumindo... • 1ª pessoa: quem fala “Eu” • 2ª pessoa: com quem se fala “Tu” • 3ª pessoa: de quem se fala “Ele(a)(s)” Uma vez que entendemos que os pronomes não apresentam sentido próprio, especifico, podemos dizer que sua significação será produzida em um contexto específico por meio do processo de referenciação. Segundo a linguista Ingedore Koch, em seu livro Coesão Textual, são elementos de referência os itens da língua que não podem ser interpretados semanticamente por si mesmos, mas remetem a outros itens do discurso necessários à sua interpretação. (...) A referência pode ser situacional (exofórica) e textual (endofórica). A referência é exofórica quando a remissão é feita a algum elemento da situação comunicativa, isto é, quando o referente está fora do texto; e é endofórica, quando o referente se acha expresso no texto. Neste caso, se o referente precede o item coesivo, tem-se a anáfora; se vem após ele, tem-se a catáfora. Embora já tenha sido usado o termo deixis na prova do CEBRASPE, o termo mais comum – apesar de não frequente – de ser cobrado é a anáfora. Ela consiste em se referir a um termo já apresentado no texto. Veja os exemplos: • Você não se arrependerá de ter lido este anúncio. EXÓFORA • Paulo e José são excelentes advogados. Eles se formaram na Academia do Largo de São Francisco. ENDÓFORA: ANAFÓRICA. • Realizaram todos os seus sonhos, menos este: o de entrar para a academia. ENDÓFORA: CATAFÓRICA Ainda que esses nomes pareçam complicados e que não tenham grande incidência na prova do CEBRASPE, Gramática _2 prefiro mencioná-los para que possam conhecer caso seja utilizado na sua prova. Ademais, mesmo que não seja cobrada a nomenclatura, é importante que saibam o processo de referenciação, o qual é fundamental na parte de interpretação de textos. Como esse conteúdo pode ser cobrado no certame? (CESPE/PF) (...) A coisa é mais complicada na modernidade, em que os cidadãos comuns (como você e eu) são a fonte de toda autoridade jurídica e moral. Hoje, no mundo ocidental, se alguém é executado, o braço que mata é, em última instância, o dos cidadãos — o nosso. Mesmo que o condenado seja indiscutivelmente culpado, pairam mil dúvidas. Matar um condenado à morte não é mais uma festa, pois é difícil celebrar o triunfo de uma moral tecida de perplexidade. As execuções acontecem em lugares fechados, diante de poucas testemunhas: há uma espécie de vergonha. Essa discrição é apresentada como um progresso: os povos civilizados não executam seus condenados nas praças. Mas o dito progresso é, de fato, um corolário da incerteza ética de nossa cultura. (...) )( O termo “Essa discrição” apresenta caráter anafórico e se refere apenas ao que está expresso na primeira oração do período que o antecede. Gabarito: CERTO Feedback: Embora tenha sido utilizado o termo “anafórico”, essa é a parte mais tranquila da questão: a expressão ‘essa discrição’ retoma uma afirmação já apresentada no texto, por isso a referenciação é, de fato, uma anáfora. A dificuldade dos candidatos, nesse item, residiu na interpretação da questão. Vamos lá! Sabemos que o período é a estrutura demarcada por um ponto e que a oração é organizada em torno de um verbo. Assim, ao afirmar que “o termo se refere apenas ao que está expresso na primeira oração do período que o antecede”, o item indica que essa discrição seria o fato de as execuções acontecerem em lugares fechados, diante de poucas testemunhas. É isso mesmo! Ser discreto significa não chamar a atenção, fazer “sem alarde, sem furdunço”, ou seja, “em lugar fechado com pouca gente vendo”. Nesse mesmo período anterior, temos uma oração que indica o motivo de sermos discretos (a vergonha), mas esse espécie de vergonha não é a discrição em si, e, por isso, o termo anafórico não se refere a essa segunda oração. Boa demais essa questão, não é mesmo? Pois bem, trabalhamos a noção de referenciação. Mas é importante destacar que estudaremos esse conteúdo com mais detalhe na parte de interpretação de textos. Sabemos, então, que os pronomes são uma categoria gramatical utilizada para acompanhar ou substituir o substantivo, referindo-se sempre a uma das pessoas do discurso. É por esse motivo que eles não possuem significação pronta, a cada contexto apresentarão sentidos diferentes. Os pronomes são divididos em: 1. Pronomes pessoais 2. Pronomes de tratamento 3. Pronomes possessivos 4. Pronomes indefinidos 5. Pronomes interrogativos 6. Pronomes relativos Vamos estudar cada um deles, ok? 1. PRONOMES PESSOAIS Os pronomes pessoais designam as três pessoas do discurso. Segundo Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa, há duas pessoas que, efetivamente, participam do discurso: eu e tu. A tradicional 3ª pessoa, por não participar da situação comunicativa, é para esse autor a não – pessoa. Pessoa do discurso Pronomes retos Pronomes oblíquos átonos (sem preposição) Pronomes oblíquos tônicos (com preposição) SINGULAR 1ª EU Me Mim, comigo 2ª TU Te Ti, contigo 3ª ELE/ELA O, a, se, lhe Si, consigo, ele/ela PLURAL 1ª NÓS Nos Nós, conosco 2ª VÓS Vos Vós, convosco 3ª ELES/ELAS Os, as, se, lhes Si, consigo, eles/ elas O objetivo da morfologia é categorizar, separar as classes gramaticais; de nada adianta, entretanto, saber quais são os pronomes se não soubermos empregá-los. Para isso, precisaremos avançar à sintaxe. A divisão dos pronomes em ‘retos’ e ‘oblíquos’ se deve à função que eles exercem na oração em que se encontram: • Os pronomes retos exercem a função de sujeito Ele trouxe sua tia para a festa beneficente. Nós soubemos do ocorrido e viemos prestar nossas condolências. • Os pronomes oblíquos exercem as outras funções, como complemento verbal, complemento nominal, predicativo, adjunto adnominal. Todos os presentes ouviram-me com atenção. me: pronome oblíquo átono, que exerce a função de complemento verbal objeto direto. Enxuguei-lhe o rosto com bastante calma. lhe: pronome oblíquo átono, que exerce a função de adjunto adnominal de ‘rosto’ – enxuguei o seu rosto.. Saí com ele no dia 3 de abril. com ele: locução adverbial, formada por preposição + pronome oblíquo tônico, que exerce a função de adjunto adverbial de companhia. PARA SABER USAR OS PRONOMES PESSOAIS É IMPORTANTE, DE INÍCIO, MEMORIZAR 5 REGRAS: • Os pronomes pessoais retos exercem função de sujeito na oração em que se encontram. • Os pronomes o, a, os, as, quando forem complementos verbais, serão objetos diretos. Podem também sersujeitos de verbos no infinitivo. Gramática _3 • Os pronomes lhe, lhes, quando complementos verbais, serão objetos indiretos e substitui pessoa (a você | a vocês). • Os pronomes ele(a)(s), nós e vós, quando preposicionados, serão oblíquos tônicos e exercerão a função de complemento verbal. • Os pronomes me, te, se, nos, vos, quando complementos verbais, poderão ser objetos diretos ou indiretos, dependendo da regência verbal. Podem também ser sujeitos de verbos no infinitivo. Calma, sem desespero!!! Sei que você não deve estar entendendo ainda. Mas eu vou explicar. A princípio, preciso que memorize essas regras: PRONOME RETO: SUJEITO O, A, OS, AS: CV (OD) LHE, LHES: CV (OI) PREPOSIÇÃO + ELE,ELA,ELES,ELAS: CV (OI) ME, TE, SE, NOS, VOS: CV (OD ou OI) Essas são as funções iniciais. Focaremos, por enquanto, isto: vamos empregar os pronomes sujeitos e os pronomes complementos. Precisaremos para tal estudar o que é sujeito e o que é complemento. Teremos trabalho!!! Vamos à sintaxe! 2. NOÇÕES DE SINTAXE SUJEITO: é o sintagma nominal sobre o qual o predicado traz alguma informação, é o termo cujo núcleo, em regra, é responsável pela flexão do verbo. Pronto! É a isto que quero que se apegue: o sujeito é o termo cujo núcleo não regido de preposição varia o verbo. PREDICADO: é o sintagma verbal que traz alguma informação sobre o sujeito. Desde o início de nossas aulas, estamos dividindo nossas orações em dois sintagmas. São eles: SUJEITO e PREDICADO. COMPLEMENTO VERBAL: termo regido pelo verbo, necessário para restringir-lhe o significado. ADJUNTO ADVERBIAL: termo de caráter acessório, que, em regra, se liga ao verbo para acrescentar-lhe sentido. DESAFIO: vamos fazer análise sintática da oração abaixo! • Os vizinhos de meu pai: é um termo, um sintagma, organizado em torno de um núcleo (vizinhos), que é responsável pela variação do verbo (compraram). Assim, damos a esse termo o nome de SUJEITO. • compraram um novo carro ontem: é o que se diz sobre o sujeito, é o sintagma verbal e, por isso, é chamado de PREDICADO. – Os: artigo, adjunto adnominal (sempre o artigo funcionará como adjunto adnominal!!!) – Sabemos que “de meu pai” é uma locução adjetiva, que exerce a função de adjunto adnominal. – compraram: verbo de ação, significativo, portanto é o núcleo do predicado. Dessa forma, os outros termos estarão ligados a ele. – um novo carro: complemento verbal. O núcleo desse complemento é ‘carro’, que se liga ao verbo de forma direta, prescindindo de preposição. É, dessa forma, um complemento verbal objeto direto. Agora vem a novidade! Os verbos significativos são núcleos e, por isso, possuem uma regência, a qual determinará se será necessário ou não o uso de um termo que lhe complete o sentido. A regência verbal é a relação sintática de dependência que se estabelece entre o verbo — termo regente — e o seu complemento — termo regido. A regência determina se uma preposição é necessária para ligar o verbo a seu complemento. Na frase anterior, o verbo comprar que é o termo regente exige um complemento para especificar o que os vizinhos compraram (velho macete: quem compra compra algo). Assim, entendemos que um novo carro completa o sentido do verbo. Poderíamos finalizar a frase com essa informação: “Os vizinhos de meu pai compraram um novo carro”; a frase, entretanto, apresenta a noção temporal em relação ao verbo. A esse termo que se liga ao verbo para indicar circunstância de tempo chamamos de advérbio, que exerce a função de adjunto adverbial de tempo. Já estudamos que os adjuntos adverbias são termos que modificam os verbos acrescentando-lhes sentido. Veja o esquema: Observações importantes: • Um termo que complementa o verbo é necessário a ele e sua retirada implica prejuízo para a correção gramatical. • Por ser termo necessário, o complemento, em regra, não pode ser separado por vírgula – só virgulamos termos acessórios na oração. • Os adjuntos são termos que apresentam uma circunstância, acrescentam sentido. Sua retirada não implica erro gramatical. Gramática _4 • Por serem termos acessórios, em regra, podem ser virgulados. • Os complementos verbais podem ser ligados por meio de preposição. Quando um verbo exige um complemento antecedido de preposição, este será denominado complemento verbal do tipo objeto indireto; se um verbo exigir complemento não regido de preposição, será então do tipo objeto direto. • Atenção: a prova pode dar diferentes nomes a um termo: pode chamá-lo, por exemplo, de complemento verbal, de complemento verbal objeto direto, de complemento direto, de objeto direto, de complemento verbal direto. A nomenclatura resumida não constitui erro para a questão! Vamos treinar a sintaxe! Apresentarei algumas questões da FCC comentadas que servirão como exercício de fixação, ok? Confira o PDF de questões comentadas “Fundamentos de Análise Sintática”. Vamos voltar ao estudo dos pronomes!!! E continuamos o estudo dos pronomes pessoais! Vamos relembrar as regras gerais (estou certa de que já as memorizou): • Os pronomes pessoais retos exercem função de sujeito na oração em que se encontram. • Os pronomes o, a, os, as , quando forem complementos verbais, serão objetos diretos. Podem também ser sujeitos de verbos no infinitivo. • Os pronomes lhe, lhes, quando complementos verbais, serão objetos indiretos e se referirão à pessoa (a você | a vocês). • Os pronomes ele(a)(s), nós e vós, quando preposicionados, serão oblíquos tônicos e exercerão a função de complemento verbal. • Os pronomes me, te, se, nos, vos, quando complementos verbais, poderão ser objetos diretos ou indiretos, dependendo da regência verbal. Podem também ser sujeitos de verbos no infinitivo. Veja as frases: A filha do diretor | nasceu prematura. Caso se deseje substituir “A filha do diretor” por um pronome, deve-se usar = Ela Ela nasceu prematura. O gerente da loja | comprou equipamentos elétricos. Para se substituir “equipamentos elétricos” por um pronome, deve-se usar = os O gerente da loja comprou-os. | Obedecemos às regras impostas. Para se substituir “às regras impostas” por um pronome, deve-se usar = a elas Obedecemos a elas. ATENÇÃO: Ainda que o pronome “lhe(s)” exerça a função de OI, não os usaremos nessa frase, haja vista que, em regra, tais pronomes substituem pessoa, fato que não ocorre na frase acima. | Informei o resultado do curso aos alunos. Sempre que um mesmo verbo exigir dois complementos, um será direto e o outro será indireto. Se fôssemos substituir o OD, usaríamos = o Se fôssemos substituir o OI, usaríamos = lhes ou a eles Informei-o aos alunos. Informei-lhes o resultado Informei o resultado a eles. Caso substituíssemos os dois complementos, teríamos: Informei-o a eles. Informei-lhos. A menina | está apta ao trabalho. Caso se deseje substituir “A menina” por um pronome, deve-se usar = Ela Ela está apta ao trabalho. Trabalhamos com frases simples, mas a partir delas formamos o panorama de diferentes orações da língua portuguesa. Nas quatro primeiras, há verbos significativos, que são núcleos das orações em que se encontram. Na última, tem-se um verbo de ligação que, como já vimos, não exerce função sintática. Sempre que um verbo é núcleo, ele possui uma regência, intransitiva (quando não exige um complemento para restringir-lhe o significado) ou transitiva (quando exige um complemento para restringir sua significação). RESUMINDO! Verbos significativos são núcleos e, como tal, podem ser: • Intransitivos: não exigem complemento verbal - VI • Transitivos diretos: exigem complemento que não possui preposição regida pelo verbo - VTD • Transitivos indiretos: exigem complemento com preposição regida pelo verbo - VTI • Transitivo direto e indireto: exigem dois complementos para restringir seu significado. - VTDI Ela nasceu prematura. — VI O gerente da loja comprou-os. — VTD Obedecemos a elas. — VTI Informei-o a eles. — VTDI Ela está apta ao trabalho. — ESTARé verbo de ligação e não possui regência. Além de conhecermos os pronomes pessoais e de sabermos as funções que eles exercem na frase, é necessário aprender a regra de colocação dos pronomes oblíquos átonos. De acordo com a norma gramatical, a sintaxe de colocação segue a tradição de uso da língua e deve respeitar o que é considerado sonoro a ela. Durante muitos anos, entendeu-se a ênclise como a forma padrão de colocação; dessa forma, a próclise só deveria ser utilizada em situações determinadas. Ocorre que, como afirma Celso Cunha em sua Nova Gramática do Português Contemporâneo, há casos conflitantes de colocação na norma portuguesa e brasileira. Esta, em grande parte das situações, utiliza a próclise como forma de colocação dos pronomes. É seguindo essa linha que iremos estudar tal conteúdo. Gramática _5 3. COLOCAÇÃO PRONOMINAL As regras de colocação pronominal determinam a posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo. Há três posições possíveis: • Próclise: antes do verbo: Eu te ajudarei. • Ênclise: depois do verbo: Ajude-me. • Mesóclise: no meio do verbo: Ajudar-te-ei. Devem observar as regras de colocação os pronomes oblíquos átonos: o, a, os, as, lhe, lhes, me, te, se, nos, vos. QUADRO GERAL REGRA GERAL – a próclise é sempre possível, exceto no início de frase ou oração. Ou seja, • Início de frase ou oração, próclise não. • Usa-se a mesóclise, com verbos no futuro. • Ênclise nos outros tempos. Observe as frases: O menino a convidou OU O menino convidou-a O programa se realizará OU O programa realizar-se-á Entretanto, Te amo muito. Amo–te muito. Te amarei eternamente. Amar-te-ei eternamente. CASOS ESPECIAIS 1. INFINITIVO: Possui colocação livre. Exemplo: Mamãe pediu para não os deixar a sós Mamãe pediu para não deixá-los a sós. 2. PRÓCLISE OBRIGATÓRIA: a. Palavra atrativa • palavra negativa • advérbio • conjunções subordinativas • pronome relativo • pronomes indefinidos • pronomes demonstrativos b. Frases optativas, exclamativas e interrogativas • Frases optativas são as que exprimem desejo – Deus te guie! • Frases exclamativas são as que exprimem sentimento – Como te amo! • Frases interrogativas são as que estabelecem um questionamento – Quem te convidou? c. Preposição + Gerúndio OU Palavra Negativa + Gerúndio 3. PARTICÍPIO: é proibido o uso da ênclise quando o verbo estiver no particípio. Então, para ajudar, veja os exemplos de cada caso. Casos de próclise obrigatória a. Quando houver palavras atrativas, que são: • Palavras de sentido negativo: não, ninguém, nenhum, jamais, nunca etc. Nenhuma ideia nos parecia aceitável. Não o mencionarei em meu discurso. Ninguém me procurou. Observação: se o verbo estiver no infinitivo não flexionado, a colocação será facultativa (próclise ou ênclise) ainda que haja palavra negativa na oração. Minha vontade é não desapontá-lo. (ou não o desapontar). • Pronomes relativos. As pessoas que se envolveram na fraude foram demitidas. • Conjunções subordinativas. Ela não comprou as roupas, embora lhe tenham servido perfeitamente. • Advérbios curtos não seguidos de vírgula: sempre, já, bem, mais, onde, ainda etc. Hoje te arrependerás do que disseste ontem. Observação: se houver vírgula (pausa) depois do advérbio, ou então se ele estiver distante do verbo, poderá haver ênclise ou mesóclise. Hoje, arrepender-te-ás do que disseste ontem. Ali uma grande grupo juntou-se aos primeiros manifestantes. • Pronomes demonstrativos e indefinidos. Aquilo me assustou. Acho que sei quem se envolveu com ela. • Conjunções alternativas ora...ora, quer... quer, ou...ou. Aquele rapaz ora se diverte, ora se empenha nos estudos. b. Em orações optativas (que exprimem desejo) com sujeito anteposto ao verbo. Deus nos abençoe! c. Em orações exclamativas. Quanto se rouba neste país! d. Em orações interrogativas que se iniciem por advérbios ou pronomes interrogativos. Quem me procurou? e. Com gerúndio precedido da preposição EM ou de advérbio. “Nesta terra, em se plantando tudo dá.” (Pero Vaz de Caminha) Não o convencendo, desistiu de argumentar. Gramática _6 Casos de mesóclise A mesóclise ocorre apenas com verbos no futuro do presente e futuro do pretérito, ambos do indicativo, desde que não haja, na oração, palavra que exija próclise. A mesóclise somente será obrigatória se o verbo no futuro do indicativo iniciar o período. Entregar-te-ia os documentos agora se os tivesse comigo. Comprometer-se-ia com este projeto? Casos de ênclise obrigatória a. Nos períodos que se iniciem com verbos (exceto aqueles nos futuros do indicativo). Explique-me uma coisa: como faço para chegar ao centro? Beijando-a no rosto, despediu-se. b. Com gerúndio que não seja precedido de “em” ou de palavra atrativa. E ele, puxando-lhe para longe, contou tudo. c. Em orações imperativas afirmativas. Você, por favor, traga-nos a conta. d. Com os pronomes o, os, a, as, quando o verbo é infinitivo impessoal precedido da preposição A. Começou a ofendê-la. Observação: caso haja duas palavras atrativas, o pronome pode ficar entre elas: Eu é que me não engano novamente! GRAFIA DOS PRONOMES ATENÇÃO! Quando em posição enclítica ou mesoclítica, é possível que seja necessário fazer alteração na grafia dos pronomes e/ou verbos. Veja os casos: • Verbos terminados –R , -S, -Z corta-se a terminação do verbo e acrescenta-se L aos pronomes o, a, os, as. Vou pedir o cartão – Vou pedi-lo. É necessário avaliar as regras de acentuação: chamá- la, convencê-la, persegui-lo, instruí-lo. • Verbos terminados com som nasal (-m ou –ão, -õe) acrescenta-se N aos pronomes o, a, os, as. Convidaram a moça – Convidaram-na. Dão a herança aos pobres – Dão-na aos pobres. • Verbos terminados com –S + -nos corta-se o –S do verbo e o pronome não sofre alteração na sua grafia. Afastamo-nos dessa perspectiva. OBSERVAÇÕES FINAIS EU x MIM: a expressão “para eu” deverá ser usada quando “eu” assumir a função de sujeito. Já a expressão “para mim” será empregada quando o pronome exercer as outras funções. Exemplos: Preciso de férias para eu descansar. Faltam quinze dias para eu viajar. Você pode comprar o ingresso para mim? Aquele convite é para mim, não para você. Não há nenhum problema entre mim e você. Atenção: “Mim”, que é um pronome pessoal oblíquo tônico e deve estar sempre precedido por uma preposição. Com nós X conosco — Com vós X convosco: Quando, à frente do pronome, surgir qualquer palavra ou expressão que indique quem somos nós ou quem sois vós, não poderá haver a contração entre a preposição e o pronome, ou seja, deveremos escrever separadamente com nós e com vós. As palavras que surgem à frente do pronome são mesmos, próprios, alguns, todos, quaisquer, um substantivo, um numeral ou uma frase inteira. Ele queria conversar com nós dois. Quando não houver palavra alguma ou expressão que indique quem somos nós ou quem sois vós, deveremos usar conosco e convosco. Ele queria conversar conosco. A paz esteja convosco. Si / Consigo: Si é pronome pessoal do caso oblíquo, sempre regido de preposição (exceto com) e pertence às duas terceiras pessoas (singular e plural), deve ser usado como reflexivo, ou seja, devem se referir à mesma pessoa do sujeito. O egoísta só pensa em si (refere-se ao sujeito egoísta). Vive cheio de si. Cada um faça por si o trabalho. Consigo é um pronome oblíquo tônico e deve, também, ser usado, no português brasileiro, como reflexivo. “O pai levou o filho consigo“. Falaremos do pronome “se” em outra aula, ok? Ufa! Chegamos ao fim dessa primeira parte! Quer dizer, finalizamos conteúdos fundamentais dos pronomes pessoais, mas ainda voltaremos a esse conteúdo. Gramática _7 PRONOMES - PARTE II E continuamos o estudo dos pronomes pessoais! Vamos relembrar as regras gerais (estou certa de que já as memorizou): • Os pronomes pessoais retos exercem função de sujeito na oração em que se encontram. • Os pronomes o, a, os, as , quando forem complementosverbais, serão objetos diretos. Podem também ser sujeitos de verbos no infinitivo. • Os pronomes lhe, lhes, quando complementos verbais, serão objetos indiretos e se referirão à pessoa (a você | a vocês). • Os pronomes ele(a)(s), nós e vós, quando preposicionados, serão oblíquos tônicos e exercerão a função de complemento verbal. • Os pronomes me, te, se, nos, vos, quando complementos verbais, poderão ser objetos diretos ou indiretos, dependendo da regência verbal. Podem também ser sujeitos de verbos no infinitivo. Já que na aula passada estudamos as noções básicas de sintaxe, podemos empregar os pronomes. Veja as frases: Caso se deseje substituir “A filha do diretor” por um pronome, deve-se usar = Ela Ela nasceu prematura. Para se substituir “equipamentos elétricos” por um pronome, deve-se usar = os O gerente da loja comprou-os. Os pronomes que exercem a função de objeto direto são o, a, os, as Para se substituir “às regras impostas” por um pronome, deve-se usar = a elas Obedecemos a elas. ATENÇÃO: Ainda que o pronome “lhe(s)” exerça a função de OI, não os usaremos nessa frase, haja vista que, em regra, tais pronomes substituem pessoa, fato que não ocorre na frase acima. Sempre que um mesmo verbo exigir dois complementos, um será direto e o outro será indireto. Se fôssemos substituir o OD, usaríamos = o Se fôssemos substituir o OI, usaríamos = lhes ou a eles Informei-o aos alunos. Informei-lhes o resultado Informei o resultado a eles. Caso substituíssemos os dois complementos, teríamos: Informei-o a eles. Informei-lhos. -lhos: Forma pouco utilizada, que representa a fusão dos dois complementos. Quando se usa pronome oblíquo para substituir ambos os pronomes, é necessário fazer a contração. Caso se deseje substituir “A menina” por um pronome, deve-se usar = Ela Ela está apta ao trabalho. Trabalhamos com frases simples, mas a partir delas formamos o panorama de diferentes orações da língua portuguesa. Nas quatro primeiras, há verbos significativos, que são núcleos das orações em que se encontram. Na última, tem-se um verbo de ligação que, como já vimos, não exerce função sintática. Sempre que um verbo é núcleo, ele possui uma regência, intransitiva (quando não exige um complemento para restringir-lhe o significado) ou transitiva (quando exige um complemento para restringir sua significação). Resumindo. Verbos significativos são núcleos e, como tal, podem ser: • Intransitivos: não exigem complemento verbal VI • Transitivos diretos: exigem complemento que não possui preposição regida pelo verbo VTD • Transitivos indiretos: exigem complemento com preposição regida pelo verbo VTI • Transitivo direto e indireto: exigem dois complementos para restringir seu significado. VTDI Ela nasceu prematura. VI O gerente da loja comprou-os. VTD Obedecemos a elas. VTI Informei-o a eles. VTDI Ela está apta ao trabalho. ESTAR é verbo de ligação e não possui regência. Gramática _8 Além de conhecermos os pronomes pessoais e de sabermos as funções que eles exercem na frase, é necessário aprender a regra de colocação dos pronomes oblíquos átonos. De acordo com a norma gramatical, a sintaxe de colocação segue a tradição de uso da língua e deve respeitar o que é considerado sonoro a ela. Durante muitos anos, entendeu-se a ênclise como a forma padrão de colocação; dessa forma, a próclise só deveria ser utilizada em situações determinadas. Ocorre que, como afirma Celso Cunha em sua Nova Gramática do Português Contemporâneo, há casos conflitantes de colocação na norma portuguesa e brasileira. Esta, em grande parte das situações, utiliza a próclise como forma de colocação dos pronomes. É seguindo essa linha que iremos estudar tal conteúdo. Atenção – como fazer uma questão de pronome? • 1ª DETERMINAR A REGÊNCIA VERBAL – pronomes objetos diretos ou indiretos • 2ª VERIFICAR A COLOCAÇÃO DO PRONOME • 3ª SE ÊNCLISE OU MESÓCLISE – adequar a grafia do pronome Na frase, Obedeceram-na, se observarmos apenas a grafia dos pronomes, nós a consideraríamos correta, haja vista que o som nasal exige a adequação do pronome. Entretanto, antes de avaliar a grafia, devemos verificar a regência do verbo. O verbo obedecer exige objeto indireto e o pronome adequado, nessa situação, é o lhe. VAMOS TREINAR! Confira o PDF de questões comentadas “Colocação Pronominal”. 4. PRONOMES DE TRATAMENTO Muitas gramáticas incluem os pronomes de tratamento no grupo dos pronomes pessoais. Constituem formas mais corteses e reverentes de nos dirigirmos à pessoa com quem estamos falando ou de quem estamos falando. São, maioritariamente, utilizados em tratamentos formais, quando o interlocutor ocupa cargos ou posições sociais elevadas e prestigiadas. Exemplos e uso dos pronomes de tratamento • V. - você - Usado em tratamentos informais, íntimos e familiares. Este pronome, em algumas regiões do Brasil, é substituído pelo pronome tu. • Sr., Sr.ª, Srta. - senhor, senhora, senhorita - Usados em tratamentos formais e respeitosos, quando existe um distanciamento entre os locutores. Senhor é utilizado quando o tratamento se dirige a homens, senhora é utilizado quando o tratamento se dirige a mulheres casadas e senhorita é utilizado quando o tratamento se dirige a mulheres solteiras. • V. S.ª - Vossa Senhoria - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a pessoas com grande prestígio, como vereadores, chefes, secretários e diretores de autarquias. Este pronome é também utilizado em textos escritos oficiais, como correspondência comercial, ofícios e requerimentos. • V. Ex.ª - Vossa Excelência - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a pessoas com alta autoridade, como o Presidente da República, ministros, senadores, deputados, embaixadores, etc. No caso do Presidente da República, não deverá ser utilizada a forma abreviada do pronome de tratamento. • V. Em.ª - Vossa Eminência - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a cardeais, que são eclesiásticos do Sacro Colégio pontifício e participam no conclave para a eleição de um novo Papa. • V. S. - Vossa Santidade - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos ao Papa. Este pronome de tratamento é também utilizado por ocidentais em tratamentos cerimoniosos e respeitosos ao Dalai Lama, embora não seja utilizado pelos tibetanos. • V. Rev.mª - Vossa Reverendíssima - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a sacerdotes, bispos e religiosos em geral. • V. A. - Vossa Alteza - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a príncipes, princesas, duques e duquesas. • V. M. - Vossa Majestade - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a reis e rainhas. • V. Mag.ª - Vossa Magnificência - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a reitores de Universidades. • V.P. - Vossa Paternidade - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a superiores de ordens religiosas. • V. M. I. - Vossa Majestade Imperial - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a imperadores. • Vossa Onipotência - Usado em tratamentos cerimoniosos e respeitosos a Deus. Não se utiliza a forma abreviada. Veja o que o MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA apresenta acerca dos pronomes de tratamento: “ uso de pronomes e locuções pronominais de tratamento tem larga tradição na língua portuguesa. De acordo com Said Ali, após serem incorporados ao português os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”, passou- se a empregar, como expediente lingüístico de distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no tratamento de pessoas de hierarquia superior. Prossegue o autor: “Outro modo de tratamento indireto consistiu em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qualidade eminente da pessoa de categoria superior, e não a ela própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...); assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelênciae adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência, vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade.” A partir do final do século XVI, esse modo de tratamento indireto já estava em voga também para os ocupantes de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu para Gramática _9 vosmecê, e depois para o coloquial você. E o pronome vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que provém o atual emprego de pronomes de tratamento indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades civis, militares e eclesiásticas. ESSA É UMA INFORMAÇÃO IMPORTANTÍSSIMA!!! O PRONOME DE TRATAMENTO É UTILIZADO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS, MAS ELES POSSUEM COMPORTAMENTO GRAMATICAL DE TERCEIRA PESSOA DO DISCURSO. Essa citação esclarece o motivo pelo qual usamos o pronome para se referir ao interlocutor, mas devemos usar os verbos e os outros pronomes na terceira pessoa gramatical. Veja o exemplo: Tu trouxeste o teu carro? Nessa frase, utilizou-se a segunda pessoa gramatical. Vossa Senhoria trouxe o seu carro? Nessa frase, embora estejamos conversando com o interlocutor, o emprego do pronome de tratamento exige verbo flexionado na terceira pessoa e pronome possessivo de terceira pessoa. Frases como Vossa Senhoria trouxe o vosso filho ou Você demorou e por isso não te esperei ferem a uniformidade de tratamento, porque misturam a segunda e a terceira pessoa. 4.1. VOSSA x SUA Vossa: é usado quando se fala diretamente com a autoridade (Vossa Excelência está atrasada) – COM ELA Sua: é usado para falar sobre a autoridade (A Sua Excelência não virá hoje) – DELA 4.2. PRONOMES DE TRATAMENTOS NEUTROS Não aceitam artigo e os adjetivos referidos a eles concordam com o gênero do interlocutor. Exemplo: Vossa Excelência está satisfeito? Usamos no masculino se a frase se dirigir ao presidente da República, Jair Bolsonaro Os pronomes de tratamento são estudados de forma mais aprofundada no curso de Redação Oficial. 5. PRONOMES POSSESSIVOS Estabelecem uma relação de posse. Concordam em pessoa com o possuidor e em gênero e número com a coisa possuída. Pessoa do discurso Pronome possessivo Pessoa do discurso Pronomes possessivos EU Meu, minha, meus, minhas NÓS Nosso, nossa, nossos, nossas TU Teu, tua, teus, tuas VÓS Vosso, vossa, vossos, vossas ELE/ELA Seu, sua, seus, suas ELES/ELAS Seu, sua, seus, suas. O rapaz nos disse: “esta é minha bicicleta. A sua está lá! O Brasil precisa de maturidade para lidar com os seus problemas. É importante saber que o uso de artigo antes do pronome possessivo é facultativo: O meu filho é atleticano | Meu filho é atleticano. Consideramos facultativo porque sua inserção ou retirada não implica prejuízo para a correção nem altera o sentido do texto. Alguns pronomes pessoais podem apresentar valor possessivo: Enxuguei-lhe o rosto Enxuguei o seu rosto. Estudaremos, com mais detalhe, esse emprego do pronome pessoal com valor possessivo na sintaxe, ok? 6. PRONOMES DEMONSTRATIVOS Pronome Espaço Tempo Texto Enumeração ESTE(S) ESTA(S) ISTO Refere-se ao que está próximo de quem fala: veja esta blusa que estou usando! Refere-se ao tempo presente: este será o melhor ano da minha vida! (o ano corrente) Refere-se ao que será dito: meu maior desejo é este: sem aprovado em primeiro lugar no concurso. Retoma o último elemento da sequência: estou em dúvida entre comprar um carro, uma bicicleta ou uma moto. Esta, sem dúvida, é a mais ágil. (moto) ESSE(S) ESSA(S) ISSO Refere-se o que está próximo da 2a pessoa do discurso: onde você comprou esse relógio que está usando? Refere-se ao passado próximo: minhas férias acabaram ontem. Nunca vou me esquecer desses dias que passei na Europa! Refere-se a algo que já foi dito: ser aprovado em primeiro lugar no concurso: esse é o meu maior desejo. Retoma o elemento intermediário, quando houver. estou em dúvida entre comprar um carro, uma bicicleta ou uma moto. Essa é, sem dúvida, a mais ecológica. (bicicleta) AQUELE(S) AQUELA(S) AQUILO Refere-se ao que está distante: como é bonita aquela casa do outro lado da rua. Refere-se ao passado remoto: naquela época, quando meus pais ainda eram crianças, as cidades eram menos violentas. Veja NA ENUMERAÇÃO Retoma o primeiro elemento da enumeração: estou em dúvida entre comprar um carro, uma bicicleta ou uma moto. Aquele, sem dúvida, é o mais confortável. (carro) Gramática _10 Também podem ser pronomes demonstrativos I. O, A, OS, AS Eu não sei o que precisamos estudar para a prova. (= aquilo que) Ela viajou mês passado. Não o sabia? (= isso) II. Mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): quando equivalerem-se uns aos outros. Eu mesmo persegui o bandido. (= eu próprio persegui o bandido). III. Tal, tais, semelhante(s): Tais declarações causaram polêmica. É invasivo fazer semelhante pergunta! 7. PRONOMES INDEFINIDOS Referem-se de modo impreciso à 3ª pessoa do discurso. • Pronomes indefinidos invariáveis: alguém, algo, cada, nada, ninguém, tudo. • Pronomes indefinidos variáveis: algum(ns), alguma(s), batante(s), certo(s), certa(s), muito(s), muita(s), nenhum(ns), nenhuma(s), outro(s), outra(s), qualquer, quaisquer, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s). • Locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada um, qualquer um, quem quer que, um ou outro etc. Observações: • Algum (e variações): se anteposto ao substantivo, tem sentido afirmativo; se posposto ao substantivo, tem sentido negativo. – Alguma pessoa procurou por você. (afirmativo) – Pessoa alguma procurou por você. (negativo) • Bastante: – Será pronome indefinido quando vier antes do substantivo e expressar quantidade inexata. É variável: para alcançar meus objetivos, enfrentei bastantes desafios. – Será adjetivo quando vier depois do substantivo e significar “suficiente(s)”. Será variável: já enfrentei desafios bastantes. – Será advérbio quando modificar um verbo, um adjetivo ou um advérbio. Será invariável e equivalerá a “suficientemente”: muitos de meus colegas são bastante inteligentes. • Certo (e variações): se anteposto ao substantivo, é pronome indefinido (= algum); se posposto ao substantivo, é adjetivo. – Não é possível acreditar em certas histórias (= algumas - pronome). – Conte a história certa e as crianças ficarão interessadas. (= adequadas - adjetivo) • Todo (e variações): se seguido de artigo, significa totalidade, por inteiro; se não seguido de artigo, significa qualquer. – Toda a sociedade tem que lutar contra o crime. (= a sociedade inteira). – Toda sociedade tem que lutar contra o crime. (= qualquer sociedade). 8. PRONOMES INTERROGATIVOS São utilizados em frases interrogativas e referem-se de modo impreciso à terceira pessoa do discurso. Que, quem, quanto (e variações) e qual. Qual é o seu irmão? Quantas pessoas há aqui? Por que você se atrasou? Veja, então, todos os pronomes indefinidos que temos! www.soportugues.com.br Existem também as locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que), seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc. Cada um escolheu o vinho desejado. Gramática _11 9. PRONOMES RELATIVOS Pronomes relativos retomam substantivos ou palavras de valor substantivo já mencionados anteriormente, introduzindo uma oração subordinada adjetiva. Variáveis Invariáveis O qual, os quais, a qual, as quais Que Cujo, cujos, cuja, cujas Quem Quanto, quantos Onde Uso dos pronomes relativos: 1. QUE: retoma pessoas, objetivos, lugares, masculino, feminino, singular e plural: Os lugares que visitei são lindos. Aquela é a mulher de que falei antes. As pessoas que trabalham demais se estressam. 2. O QUAL, A QUAL, OS QUAIS, AS QUAIS: equivalem a “que”, desde que se observe a concordância. Os lugares os quais visitei são lindos. Aquela é a mulher sobre a qual falei antes. As pessoas as quais trabalham demais se estressam. 3. QUEM: somente poderetomar pessoas. A recepcionista a quem dei o recado foi muito gentil. Foi ele quem me ensinou a matéria. 4. QUANTO (e variações): retoma pronomes demonstrativos e indefinidos Todos quantos foram convidados vieram. 5. CUJO (e variações): estabelece uma relação de posse; não pode ser precedido de artigo; não pode ser substituído por outros pronomes relativos. O homem cuja filha desapareceu ligou desesperado para a polícia. Obs.: note que o pronome “cujo” concorda em gênero e número com o substantivo que vem depois dele, mas retoma o que vem antes (nesse caso, concorda com “filha”, mas retoma “homem”). 6. ONDE: somente deve ser usado para retomar lugar. – Se o verbo pede preposição EM: ONDE – Se o verbo pede preposição A: AONDE Estou curioso para descobrir o lugar onde você nasceu. (nascer EM algum lugar) Estou curioso para descobrir o lugar aonde você irá nas férias. (ir A algum lugar) Chegamos ao fim dessa aula! É claro que não iremos parar por aí... Grande beijo! Gramática _12 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 7.( ) (CESPE/2012) “Muitas cartas são tão longas e difusas, que quase se não pode extratar nada.” A colocação pronominal no português do Brasil é variável, por isso, em “quase se não pode extratar nada” (L.21-22), estaria gramaticalmente correta qualquer uma destas opções: quase não se pode extratar nada ou quase não pode-se extratar nada. 8.( ) (CESPE/2013) “Sozinho, porém, nunca punha os pés lá, até que um dia se fez acompanhar pelo Lulu, bom atleta péssimo funcionário...” “O farol dos automóveis apagava nas águas da Lagoa o reflexo das últimas estrelas, Um casal abraçava- se debaixo de uma amendoeira.” Sem desrespeito às normas de colocação pronominal, pode-se empregar o pronome “se”, em “um dia se fez acompanhar” (L.16-17), posposto à primeira forma verbal — um dia fez-se acompanhar — e, em “Um casal abraçava-se” (L.31), empregá-lo anteposto ao verbo — Um casal se abraçava. 9.( ) (CESPE/2013) Na oração “mas não nos ocorre uma palavra satisfatória”, a próclise do pronome deve- se à presença do advérbio de negação. 10.( ) (CESPE/2014) “O corte de 125 mil empregos em junho indica que a esperança de gradual retomada do crescimento do mercado de trabalho no curto prazo era prematura e não deverá se concretizar.” Na linha 10, o deslocamento do pronome “se” para imediatamente após a forma verbal “concretizar” — não deverá concretizar-se — não prejudicaria a correção gramatical do texto. 11.( ) (CESPE/2013) No trecho “A economia solidária vem-se apresentando” (L.1), o deslocamento do pronome pessoal oblíquo para depois do verbo principal da locução não prejudicaria a correção gramatical do texto: vem apresentando-se. 12.( ) (FCC/2013) ... a cidade acabou por assumir um ar romântico ... muros de pedra que alimentaram as lendas ... costume de os mais velhos contarem casos às crianças A substituição dos elementos grifados nos segmentos acima pelos pronomes correspondentes, com os ajustes necessários, foi realizada de modo correto em: a. a cidade acabou por assumir-lhe − muros de pedra que lhes alimentaram − costume de os mais velhos as contarem casos b. a cidade acabou por o assumir − muros de pedra que lhes alimentaram − costume de os mais velhos contarem-lhes casos c. a cidade acabou por assumi-lo − muros de pedra que as alimentaram − costume de os mais velhos lhes contarem casos d. a cidade acabou por assumi-lo − muros de pedra que as alimentaram − costume de os mais velhos as contarem casos e. a cidade acabou por assumir-lhe − muros de pedra que alimentaram-as − costume de os mais velhos lhes contarem casos 13. (FCC/TRT6/2014) Levando-se em conta as alterações necessárias, o termo grifado foi substituído corretamente por um pronome em: a. A Inveja habita o fundo de um vale habitá-lo b. jamais se acende o fogo lhe acende c. serviu de modelo a todos serviu-os d. infectar a jovem Aglauros infectá-la e. ao dilacerar os outros dilacerar-lhes 14. (FCC/2013) A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes, foi corretamente realizada em: a. Duas figuras merecem atenção = Duas figuras merecem-na b. poderá atingir a purgação = poderá lhe atingir c. dissecando a estrutura = dissecando-la d. provocar compaixão e terror = provocá-las e. mandou organizar as festas = mandou organizar-lhes 15. (FCC/2014) A tecnologia surgida no século XX beneficiou, em especial, os amantes da música, tornando possível ouvir música individualmente com fones de ouvido e transportar a música com facilidade por meio de aparelhos portáteis, o que transformou a música em uma diversão de fácil acesso. Evitam-se as desnecessárias repetições da frase acima substituindo-se os elementos grifados, respectivamente, por: a. a ouvir - transportar-lhe - lhe transformou b. a ouvir - lhe transportar - transformou-na c. ouvi-la - transportar-lhe - transformou-a d. lhe ouvir - a transportar - transformou-lhe e. ouvi-la - transportá-la - a transformou 16.( ) (CESPE/2015) O deslocamento da partícula “se”, em “Define-se” (R.24), para o início do período — escrevendo-se Se define — prejudicaria a correção gramatical do texto. TRECHO: “Art. 3º. Define-se como meta permanente do Viver Direito a gestão ambientalmente saudável, caracterizada pela adoção de práticas ecologicamente eficientes...” 17.( ) (CESPE/2015) A correção gramatical do texto seria preservada, caso o trecho “O que se constata”, no início do segundo parágrafo, fosse reescrito da seguinte forma: O que constata-se. Gramática _13 GABARITO 1 E 5 C 9 E 2 C 6 C 10 C 3 C 7 D 11 E 4 C 8 A Gramática _14 Gramática _15 Gramática _16 Gramática _17 Gramática _18 Gramática _19