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PRÁTICA 08: ESVAZIAMENTO DE TANQUE Gabriela Eliza Wagner, João Pedro Reinaldim Resumo: Este experimento consiste em determinar como ocorre o esvaziamento de um tanque, comparando os dados experimentais com a teoria, focando na altura de líquido com o passar do tempo. Utilizou-se quatro tipos de bocais diferentes para realizar o experimento, ao fim os resultados ficaram como o esperado com erro um pouco acima dos 10%. 1. Introdução O experimento aborda o tema de esvaziamento de reservatórios contendo fluidos, que constitui um problema muito comum na prática industrial. Este tema será estudado a luz de conceitos básicos da mecânica dos fluidos. No escoamento de fluidos as leis de conservação regem tanto sistemas macroscópicos quanto os sistemas microscópicos. As equações de balanço para tal sistemas são chamadas de balanços macroscópicos; para sistemas transientes, são equações diferenciais ordinárias e para sistemas estacionários, são equações algébricas. Os balanços macroscópicos contêm termos que consideram as interações do fluido com as superfícies sólidas (BIRD, 2002). 2. Objetivos O objetivo desta prática é comparar os dados experimentais para a altura em função do tempo de esvaziamento com os dados obtidos teoricamente, para diferentes bocais de saída. 3. Metodologia Nesse experimento foi utilizado um tanque de armazenamento de diâmetro dado, com um bocal localizado próximo a sua base. Foram feitas medidas de tempo a cada 5 cm de água despejadas (a partir de uma régua presa ao lado do tanque esvaziado) a partir do momento que o bocal havia sido aberto e a água no tanque passava pela posição h(0) = 40 cm. Foram feitas duas vezes a experiência para cada um dos 4 casos, bocais de 4mm, 7mm, 10mm de diâmetro e sem bocal (21mm de diâmetro). Com base nos tempos medidos (t1 e t2) por experimento, foi feita a média entre essas medidas (tmed) para cada caso. Tendo isso, os cálculos podem ser efetuados. Figura 1: Esquema do tanque de armazenamento sendo esvaziado pelo bocal. Fonte: Fenômenos de Transporte I, UFPR – 2018. Fazendo o balanço de massa entre os pontos da superfície (1) e na saída do bocal (2), pode-se estimar o nível do tanque para diferentes valores de tempo quando o tanque começa a se esvaziar. Levando em conta que a densidade do fluido se mantém constante durante o processo de esvaziamento, o balanço de massa pode ser escrito como: 𝑉1. 𝐴1 = 𝑉2. 𝐴2 (1) E o balanço de energia entre os mesmos pontos: 𝑃2 − 𝑃1 𝜌. 𝑔 + 𝑉2 − 𝑉1 2. 𝑔 + (𝑧2 − 𝑧1) + ℎ𝑙 𝑔 = 0 (2) Sendo que hl é a perda de carga envolvida no escoamento durante a passagem do fluido no bocal. Essa perda é calculada a partir da equação 3: ℎ𝑙 = 𝑘. 𝑉2 2 2 (3) K é um parâmetro que depende do bocal e pré-determinado. Tanto o nível do tanque quanto a saída estão submetidos à pressão atmosférica e V1, apesar de não se igual a zero, tem valor de grandeza muito pequena quando comparada com V2, portanto, é desprezada no balanço de energia. Definindo z2-z1 como h(t) e substituindo a equação 3 na 2, obtém-se: 𝑉2 2. 𝑔 . (1 + 𝑘) − ℎ(𝑡) = 0 (4) Isolando V2 e substituindo em 1: 𝑉1. 𝐴1 = 𝐴2. √ 2𝑔 1 + 𝑘 . √ℎ(𝑡) (5) Sendo que V1 pode ser obtida a partir da seguinte derivada de acordo com os dados coletados do experimento: 𝑉1 = − 𝑑ℎ(𝑡) 𝑑𝑡 (6) Para obter h em função do tempo, é necessário resolver o PVI: 𝑑ℎ(𝑡) 𝑑𝑡 = − ( 𝑟2 2 𝑟1 2 . √ 2. 𝑔 1 + 𝑘 ) . √ℎ(𝑡) (7) Com h(0) = h0. Desse modo é possível comparar os dados obtidos experimentalmente com os calculados pela equação (7) para os diferentes bocais analisados. Os resultados serão discutidos no próximo tópico. 4. Resultados Como citado na metodologia, foram registrados os tempos que o liquido demorava pra escoar 5 cm de altura. Foram utilizados 3 bocais com medidas diferentes e foi feita uma medida sem utilizar bocal. As tabelas de dados estão abaixo: D=10 mm EXPERIMENTAL TEÓRICO h(m) t1 (s) t2 (s) tmed (s) h(m) t (s) 0,4 0 0 0 0,4 0 0,35 14,56 13,09 13,825 0,35 14,65742 0,3 18,5 28,76 23,63 0,3 30,40493 0,25 44,2 43,51 43,855 0,25 47,52933 0,2 62 61,78 61,89 0,2 66,4708 0,15 81 81,81 81,405 0,15 87,97034 0,1 107,5 106,86 107,18 0,1 113,4728 0,05 140 138,6 139,3 0,05 146,7082 D=7 mm EXPERIMENTAL TEÓRICO h(m) t1 (s) t2 (s) tmed (s) h(m) t (s) 0,4 0 0 0 0,4 0 0,35 31,72 31,88 31,8 0,35 29,91311 0,3 66,2 65,27 65,735 0,3 62,05089 0,25 104,34 104,87 104,605 0,25 96,99864 0,2 144,83 146,57 145,7 0,2 135,6547 0,15 192,96 193,57 193,265 0,15 179,5313 0,1 249,07 252,93 251 0,1 231,5771 0,05 325,66 326,09 325,875 0,05 299,4044 D=4 mm EXPERIMENTAL TEÓRICO h(m) t1 (s) t2 (s) tmed (s) h(m) t (s) 0,4 0 0 0 0,4 0 0,35 100,09 98,51 99,3 0,35 91,6089 0,3 211,38 208,72 210,05 0,3 190,0308 0,25 332,59 325,34 328,965 0,25 297,0583 0,2 462,64 457,11 459,875 0,2 415,4425 0,15 610,3 610,09 610,195 0,15 549,8146 0,1 787,81 789,56 788,685 0,1 709,2047 0,05 1033,34 1032,56 1032,95 0,05 916,926 D=21 mm (sem bocal) EXPERIMENTAL TEÓRICO h(m) t1 (s) t2 (s) tmed (s) h(m) t (s) 0,4 0 0 0 0,4 0 0,35 3,45 3,51 3,48 0,35 3,051088 0,3 7,1 7,41 7,255 0,3 6,329088 0,25 11,6 11,66 11,63 0,25 9,8937 0,2 16,12 16,16 16,14 0,2 13,83655 0,15 22,74 22,22 22,48 0,15 18,3119 0,1 27,84 27,65 27,745 0,1 23,62048 0,05 35,3 35,71 35,505 0,05 30,53875 Nestas tabelas t1 é o tempo em segundos da primeira medida feita e t2 o da segunda, tmed é simplesmente a média entre estes dois tempos, feita de forma a reduzir nosso erro, h(m) é a altura em metros. Para calcular o tempo teórico resolve-se o PVI (equação XX), chegando na equação abaixo: 𝑡 = − 2√ℎ 𝐵 + 2√0,4 𝐵 (8) Onde B é a parte constante do PVI, ou seja: 𝐵 = 𝑟2 2 𝑟1 2 √ 2𝑔 1 + 𝑘 (9) Este, porém depende de cada bocal utilizado, pois r2 é o raio do bocal usado e k é um parâmetro que varia para cada tipo de bocal, r1 é o raio do tanque (r1=0,122 m). Estes fatores variáveis podem ser: • r2 = 0,005; 0,0035; 0,002; • k = 0,78 para os bocais e 0,5 no caso sem bocal. Assim pode-se calcular o tempo teórico necessário para o esvaziamento do tanque. Os gráficos obtidos estão abaixo: GRÁFICO 01 – BOCAL DE DIÂMETRO IGUAL A 10MM 0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 0,3 0,35 0,4 0,45 0 50 100 150 200 h ( m ) t (s) EXPERIMENTAL TEÓRICA GRÁFICO 02 – BOCAL DE DIÂMETRO IGUAL A 7MM GRÁFICO 03 – BOCAL DE DIÂMETRO IGUAL A 4MM GRÁFICO 04 – SEM BOCAL DIÂMETRO IGUAL A 21MM Com os valores teóricos e experimentais calculados, faz-se a média de todos os valores para calcular o erro médio de cada experimento. Realizando os devidos cálculos chega-se aos seguintes valores: D=10mm D=7mm D=4mm D=21mm Erro 7,669264 7,41068 10,1964 15,0146 0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 0,3 0,35 0,4 0,45 0 100 200 300 400 h ( m ) t (s) EXPERIMENTAL TEÓRICA 0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 0,3 0,35 0,4 0,45 0 500 1000 1500 h ( m ) t (s) EXPERIMENTAL TEÓRICA 0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 0,3 0,35 0,4 0,45 0 10 20 30 40 h ( m ) t (s) EXPERIMENTAL TEÓRICA 5. Conclusões Ao fim deste relatório conclui-se que o principal objetivo foi alcançado, algumas medidas com mais precisão que outras. Dos procedimentos realizados apenas dois têm um erro maior que o considerado aceitável, isto podeser explicado pelas falhas humanas contidas no experimento como a dificuldade de analisar a altura a olho nu e o tempo de reação para marcar o tempo no cronômetro. 6. Referências Bibliográficas BIRD, Robert Byron. Fenômenos de Transporte: Mecânica de Fluidos. LTC, 2002.