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Otorrinolaringologia- MED UFS 99/ 2018.1 Thiago Prata EQUILÍBRIO - FISIOLOGIA 1.0- SISTEMA VESTIBULAR 1.1- Anatomia do sistema vestibular 2.0- Anatomia do sistema vestibular • O labirinto ósseo está contido na parte petrosa do osso temporal, de ambos os lados da cabeça, medindo cerca de 20 mm de comprimento no seu eixo maior, paralelo à face posterior da porção petrosa, e constitui o estojo que aloja o labirinto membranáceo (COSTA; CRUZ; OLIVEIRA, 1994), é constituído por três partes: a cóclea, o vestíbulo e os canais semicirculares (DANGELO; FATTINI, 2002) sendo revestido por uma membrana fibrosa excessivamente fina, com sua superfície de inserção áspera, fibrosa e muito aderente ao osso, a sua superfície livre é lisa, pálida, revestida por uma camada de epitélio e secreta a perilinfa, um fluido pouco denso (GRAY, 1988). • • Importante ressaltar que o labirinto ósseo ocupa a parte lateral da parte petrosa do osso temporal, sendo que suas paredes são feitas de osso mais denso do que o restante da parte petrosa do osso temporal e constitui a cápsula ótica, que é frequentemente ilustrada e identificada como sendo o labirinto ósseo, contudo, o labirinto ósseo é o espaço que contém líquido, que é evolvido pela cápsula ótica (MOORE; DALLEY, 1999). Sendo assim, como descrito, o vestíbulo, a cóclea e os canais semicirculares constituem o labirinto ósseo, onde essas formações são cavidades escavadas na substância do osso e revestidos por periósteo, contém um líquido claro (perilinfa), no qual o labirinto membranáceo está suspenso (GRAY, 1988). • Como citado por Moore e Dalley (1999), o labirinto membranáceo contendo endolinfa está suspenso dentro do labirinto ósseo pela perilinfa e ambos os líquidos transportam ondas sonoras para os órgãos terminais para audição e equilíbrio. • O vestíbulo, parte do labirinto ósseo, é uma câmara central de forma ovóide medindo cerca de 4 mm de diâmetro, sendo a parte mais volumosa do labirinto ósseo, como descrito por Costa; Cruz; Oliveira (1994). Situa-se entre a cóclea e os canais semicirculares e apresenta duas vesículas membranosas: o sáculo e o utrículo - que são partes do labirinto membranáceo (DANGELO; FATTINI, 2002). • A cóclea tem o aspecto de uma concha de caracol, consiste em um canal espiralado com cerca de 32 mm de extensão com duas voltas (giros) e meia ou duas voltas e três quartos, é a parte anterior do labirinto ósseo (COSTA; CRUZ; OLIVEIRA, 1994), perfurada por numerosas aberturas para a passagem de filetes da porção coclear do nervo vestíbulococlear (GRAY, 1988). A cóclea contém o ducto coclear (parte relacionada com a audição) e o canal espiral da cóclea começa no vestíbulo e Otorrinolaringologia- MED UFS 99/ 2018.1 Thiago Prata contorna o modíolo, que é um núcleo de osso esponjoso em forma de cone que contém canais para vasos sangüíneos e para a distribuição do nervo coclear (MOORE; DALLEY, 1999). • Outra estrutura que constitui o labirinto ósseo são os três canais semicirculares ósseos que contém três ductos semicirculares menbranáceos. Os canais semicirculares estão arranjados em ângulos retos entre si, formando um canal semicircular anterior, um lateral e um posterior. Os canais semicirculares anterior e posterior são verticais e o canal semicircular lateral é horizontal, cada ducto semicircular menbranáceo apresenta uma dilatação chamada ampola membranácea contendo células receptoras que detectam as movimentações da cabeça captando informações referentes ao equilíbrio (SPENCE, 1991). Como os canais semicirculares ocupam os três eixos ortogonais do espaço, formando ângulos retos uns com os outros, permite a captação de informações referentes a movimentos da cabeça em todos os planos, como afirmam Berne e Levy (2000). • Gray (1988) afirma que o canal semicircular anterior é vertical, descreve quase dois terços de um círculo e a sua extremidade lateral é dilatada formando a ampola. Em relação ao canal semicircular posterior, Costa; Cruz; Oliveira (1994) dizem que é vertical (assim como o anterior), mede ente 18 e 22 mm de comprimento e seu ramo ampular abre-se na parte inferior do vestíbulo. Gray (1988) afirma também que o canal semicircular lateral é o mais curto dos três, medindo cerce de 12 a 15 mm, com seu arco dirigido horizontal e lateralmente. • • Como já descrito anteriormente, o labirinto membranáceo consiste em um composto de vesículas e ductos comunicantes que estão suspensos no labirinto ósseo, contém um líquido aquoso chamado endolinfa, diferente da perilinfa que é o líquido que preenche o restante do labirinto ósseo, como descrito por Moore e Dalley (2001), que classificam o labirinto membranáceo em duas partes: o labirinto vestibular constituído pelo utrículo, sáculo (duas pequenas vesículas comunicantes situados no vestíbulo do labirinto ósseo) e três ductos semicirculares (situados nos canais semicirculares) e a segunda parte do labirinto membranáceo que é o labirinto coclear, constituído pelo ducto coclear, situado na cóclea. • Dangelo e Fattini (1998) afirmam que o labirinto membranáceo, constituído pelo sáculo, utrículo e ductos semicirculares está diretamente relacionado com o equilíbrio, por esse motivo à direção do presente estudo. • O utrículo é a maior das duas vesículas que ocupam o vestíbulo, sua porção sensorial é denominada mácula. Na porção ântero-medial do utrículo nasce um fino tubo, o ducto utrículo-sacular, que se interliga com o sáculo e com o ducto endolinfático (COSTA, CRUZ; OLIVEIRA, 1994). Otorrinolaringologia- MED UFS 99/ 2018.1 Thiago Prata • O sáculo é a menor das duas vesículas vestibulares, é esférico e sua cavidade não se comunica diretamente com a do utrículo, sua parede anterior apresenta um expessamento oval, que é a mácula (recepção sensorial) do sáculo, à qual os filamentos saculares do nervo vestíbulococlear são distribuídos (GRAY, 1988). • Segundo Dangelo e Fattini (2002) os ductos semicirculares se localizam dentro dos canais semicirculares e se abrem no utrículo, a extremidade que se abre no utrículo apresenta uma dilatação chamada ampola, nesta situa-se um órgão sensorial específico que é denominado crista ampular. • Douglas (2002) descreve que um dos canais semicirculares está disposto num plano horizontal, onde seus receptores captam variações posturais na rotação da cabeça, outro canal semicircular se dispõe no plano frontal e que seu receptor capta deslocamentos para direita ou para a esquerda e o terceiro canal, no plano sagital que tem seus receptores sensíveis à inclinação da cabeça para frente e para trás. • 3.0- FISIOLOGIA DO SISTEMA VESTIBULAR • O sistema vestibular é usado na manutenção do equilíbrio, ou balanço, detectando acelerações angulares e lineares da cabeça. A informação sensorial do sistema vestibular é, então, usada para produzir uma imagem visual estável na retina (enquanto a cabeça se move) e para realizar ajustes posturais necessários à manutenção do equilíbrio. 3.1- Órgão vestibular • O órgão vestibular fica localizado no interior do osso temporal, adjacente ao aparelho auditivo (a cóclea). O órgão vestibular é composto pelo labirinto membranoso contido no labirinto ósseo. O labirinto membranoso é composto por três canais semicirculares perpendiculares (horizontal, superior e posterior) e dois órgãos otolíticos (utrículo e sáculo). Os canais semicirculares e os órgãos otólitos são preenchidos de endolinfa e cercados por perilinfa de forma bastante similar ao órgão auditivo. Otorrinolaringologia- MED UFS 99/ 2018.1 Thiago Prata • Os canais semicirculares estão dispostos perpendivularmente uns aos outros, sendo utilizados para detecção da aceleração angular ourotacional da cabeça. o Cada canal tem em uma de suas extremidades uma dilatação, denominada de ampola. o Cada ampola contém as células ciliadas vestibulares, recobertas por massa gelatinosa denominada cúpula. A cúpula, que expande a área transversal da ampola, apresenta a mesma gravidade específica que a endolinfa presente no canal. Durante a aceleração angular da cabeça, a cúpula é deslocada, excitando ou inibindo as células ciliadas. • Os órgãos otolíticos, o utrículo e o sáculo, são usados na detecção da aceleração linear (p. ex., forças gravitacionais). No utrículo e no sáculo, a massa otolítica composta por mucopolissacarídeos e cristais de carbonato de cálcio recobre as células ciliadas vestibulares (como um “travesseiro”). Quando a cabeça é inclinada, as forças gravitacionais agem sobre a massa otolítica, movimentando-a sobre as células ciliadas vestibulares. As células ciliadas podem ser excitadas ou inibidas, alertando o indivíduo da alteração da posição de sua cabeça. 3.2- Transdução vestibular 3.2-1. Canais semicirculares • As células ciliadas vestibulares diferem das células ciliadas auditivas por terem maior cinocílio e um conjunto de estereocílios. As fibras nervosas aferentes das células ciliadas transmitem a informação vestibular para o SNC. • Se os estereocílios se curvam em direção ao cinocílio, a célula ciliada é despolarizada e ocorre aumento da frequência de disparo dos nervos vestibulares aferentes. Se os estereocílios se curvam na direção contrária ao cinocílio, a célula ciliada se hiperpolariza e ocorre diminuição da descarga nos nervos vestibulares aferentes. Por exemplo, durante o início da rotação para a esquerda, o canal horizontal desse lado é excitado, enquanto o canal horizontal direito é inibido. Otorrinolaringologia- MED UFS 99/ 2018.1 Thiago Prata • Enquanto a cabeça ainda está girando para a esquerda, a endolinfa “alcança” o movimento da cabeça, da ampola e da cúpula. Os cílios agora retornam às suas posições originais e as células ciliadas não são despolarizadas nem hiperpolarizadas. • Quando a cabeça para de se mover, os eventos ocorrem ao contrário. Por breve período, a endolinfa continua a se mover, empurrando a cúpula e os cinocílios em direções opostas. Assim, se a célula ciliada foi despolarizada, no início da rotação, agora é hiperpolarizada, com inibição dos impulsos nervosos aferentes. Por outro lado, se a célula ciliada foi hiperpolarizada, no início da rotação, agora é despolarizada, com excitação dos impulsos nervosos aferentes. Dessa forma, quando a cabeça para de se mover para a esquerda, o canal horizontal esquerdo será inibido e o canal horizontal direito será excitado. 3.2-2. Órgão otolíticos • As máculas são sensíveis à aceleração linear (p. ex., aceleração resultante das forças gravitacionais). Lembre-se de que as células ciliadas das máculas estão inseridas na massa otolítica. Quando a cabeça é girada, as forças gravitacionais fazem com que a massa deslize sobre células ciliadas vestibulares, curvando os estereocílios de modo a aproximá-los ou a distanciá-los do quinocílio. A movimentação dos estereocílios, em direção ao cinocílio, provoca a despolarização da célula ciliada e sua excitação. movimentação dos estereocílios na direção contrária ao cinocílio provoca a hiperpolarização da célula ciliar e sua inibição. • Quando a cabeça está ereta, a mácula do utrículo e o sáculo estão orientados, respectivamente, nos planos horizontal e vertical. • No utrículo, a inclinação da cabeça para frente ou para os lados excita o utrículo ipsilateral; a inclinação da cabeça para trás ou medialmente inibe o utrículo ipsilateral. • O sáculo responde aos movimentos da cabeça em todas as direções. As células ciliadas do sáculo são excitadas por movimentos para frente e para trás (chamados “lançamentos”) e laterais e mediais • (chamados “rolamentos”). O sáculo também responde aos movimentos de levantar e abaixar a cabeça. 3.3- Vias vestibulares • Os nervos aferentes das células ciliadas vestibulares terminam nos núcleos vestibulares do bulbo: superior, medial, lateral (núcleo de Deiter) e inferior. o Os núcleos medial e superior recebem impulsos dos canais semicirculares e se projetam para nervos que suprem os músculos extraoculares pelo fascículo longitudinal medial. o O núcleo vestibular lateral recebe impulsos dos utrículos e se projetam para motoneurônios da medula espinal pelo trato vestibuloespinal lateral. Projeções do núcleo vestibular lateral atuam na manutenção dos reflexos posturais. o O núcleo vestibular inferior recebe impulsos dos utrículos, dos sáculos e dos canais semicirculares. Esse núcleo se projeta para o tronco encefálico, e o cerebelo, pelo fascículo longitudinal medial. 3.4- Reflexos vestíbulo-oculares • Quando a cabeça é girada, os olhos, a princípio, se movem na direção posta à rotação, tentando manter a direção constante do que se contempla. Essa movimentação inicial é o componente lento do nistagmo. Uma vez que os olhos atingem o limite de movimento lateral, ocorre rápido movimento dos olhos na mesma direção da rotação da cabeça. Esse movimento é o componente rápido do nistagmo, em que os olhos “pulam para a frente” para fixar uma nova posição no espaço. O nistagmo é definido pela direção do componente rápido: O nistagmo se dá na direção da rotação da cabeça. • Se a rotação é abruptamente interrompida, os olhos se movem na direção oposta à rotação original. Esse movimento ocular é denominado nistagmo pós-rotatório. Durante o período pós-rotatório, o indivíduo tende a cair na direção da rotação original (devido ao estímulo dos músculos extensores contralaterais) porque pensa que está girando na direção oposta 3.5- Teste dos reflexos vestíbulo-oculares • A função vestibular pode ser testada usando os fenômenos do nistagmo e do nistagmo pós-rotatório. • O teste de Bárány envolve a rotação do paciente, em cadeira especial, por 10 rotações. Em pessoa com função vestibular normal, a rotação para a direita causa nistagmo rotatório direito, o nistagmo Otorrinolaringologia- MED UFS 99/ 2018.1 Thiago Prata pós-rotatório esquerdo e a queda para a direita durante o período pós-rotatório. Da mesma maneira, a rotação para a esquerda causa nistagmo rotatório esquerdo, nistagmo pós-rotatório direito e a queda para a esquerda durante o período pós-rotatório. • O teste calórico envolve a estimulação térmica das orelhas internas, onde os canais semicirculares horizontais direito e esquerdo são separadamente estimulados. Nesse teste, a cabeça é girada por 60 graus, de modo que os canais horizontais passam a ter orientação vertical. A colocação de água quente ou fria na orelha faz a endolinfa fluir, defletindo a cúpula como se a cabeça estivesse sendo girada. Ocorre nistagmo, que dura aproximadamente 2 minutos. A água quente produz nistagmo na direção do lado tratado; a água fria produz nistagmo na direção do lado não tratado. VERTIGEM CENTRAL 1.0- INTRODUÇÃO • Vertigem significa a ilusão de movimento ou de posição, tipicamente de caráter notório, e é um sintoma percebido pelos indivíduos que apresentam alguma perturbação vestibular. • A vertigem pode ser: o Periférica: comprometimento dos canais semicirculares, sáculo, utrículo ou nervos vestibulares. o Central: comprometimento dos núcleos vestibulares, cerebelo, tronco encefálico, medula espinal ou córtex vestibular. • Epidemiologia: o A prevalência na população geral é de 4,8 a 5,2%, sendo mais frequente no gênero feminino. Aproximadamente 80% dos casos são de origem periférica. 2.0- QUADRO CLÍNICO 2.1- Vertigem periférica • A vertigem periférica em geral se apresenta de formaintensa, associada a sintomas neurovegetativos, como náuseas, palidez, sudorese e, frequentemente, sintomas auditivos. • Apresentações da vertigem periférica: o Oscilopsia (sensação de oscilação do horizonte) aos movimentos da cabeça, e instabilidade de marcha e de postura, decorrentes de perda de função vestibular bilateral. o Vertigem rotatória intensa e desequilíbrio devido à perda súbita da função vestibular unilateral (p.ex., neurite vestibular); o Vertigem rotatória episódica, decorrente de estimulação ou inibição inadequada do sistema vestibular periférico (p. ex., vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), doença de Ménière). 2.2- Vertigem central • A sintomatologia é mais branda. • Os sintomas associados são mais ligados a afecções neurológicas, como cefaleia, diplopia, parestesia, disartria, hemiplegia e perda de consciência. 3.0- EXAME FÍSICO • Deve-se realizar o exame otorrinolaringológico (OTL) geral e neurológico (que será melhor descrito nos próximos tópicos). 3.1- Pesquisa de nistagmo • Na fase de crise: o As hipofunções vestibulares periféricas unilaterais geralmente se caracterizam por: ▪ Nistagmo espontâneo ausente ou com fase rápida em direção ao lado sadio; ▪ Nistagmo semiespontâneo, cuja fase rápida se acentua ao convergir o olhar para o lado sadio; ▪ Teste de head impulse com presença de sacada corretiva ao girar a cabeça em direção ao lado lesado; ▪ Presença do efeito inibitório da fixação ocular (EIFO). Otorrinolaringologia- MED UFS 99/ 2018.1 Thiago Prata o Os distúrbios vestibulares periféricos bilaterais tem: ▪ Nistagmos espontâneo e semiespontâneo ausentes. ▪ Teste de head impulse com sacada corretiva ao rotacionar a cabeça para os dois lados; ▪ Presença do EIFO. o As vestibulopatias centrais apresentam: ▪ Nistagmos espontâneo e semiespontâneo uni, bi ou multidirecionais, que podem adotar direção horizontal, vertical, obliqua, alternante e dissociada; ▪ Teste de head impulse sem sacadas corretivas; ▪ Possível ausência do EIFO. • Na fase intercrise: o As doenças vestibulares periféricas uni ou bilaterais apresentam: ▪ Nistagmos espontâneo e semiespontâneo ausentes; ▪ Teste de head impulse normal ou similar ao período de crise; ▪ Presença do EIFO. o As doenças vestibulares centrais têm: ▪ Nistagmos espontâneo e semiespontâneo ausentes ou com características similares ao período de crise; ▪ Teste de head impulse sem sacadas corretivas. 3.2- Provas cerebelares • As provas de coordenação com índex-nariz e diacocinesia são úteis. o São normais nos indivíduos com doença vestibular periférica. o Na disfunção central, o exame estará anormal. • A avaliação da marcha é importante para avaliação de região do vérmis cerebelar. 3.3- Avaliação do equilíbrio estático • Os testes de Romberg e Romberg-Barré são inespecíficos. Nas afecções centrais, em geral se observa queda para frente ou para trás; quando ocorre queda para um dos lados, pode significar disfunção vestibular periférica e ocorre normalmente em direção ao lado hipofuncionante. Em doenças cerebelares, é comum notar a base de sustentação alargada. 3.4- Avaliação do equilíbrio dinâmico • Lesões vestibulares unilaterais provocam alteração do tônus muscular e desvio da marcha para o lado lesado. Outras alterações de marcha podem corresponder a doenças centrais específicas, como a marcha ebriosa em doenças cerebelares e a talonante em lesões do funículo posterior (p. ex., sífilis). Ao teste de Unterberger-Fukuda, uma rotação corporal maior que 30º sugere hipofunção vestibular dolado para o qual houve desvio. 3.5- Pesquisa de pares cranianos 4.0- AVALIAÇÃO COMPLEMENTAR DO EQUILÍBRIO • Exames utilizados: o Eletronistagmografia – usa-se muito pouco Otorrinolaringologia- MED UFS 99/ 2018.1 Thiago Prata o Vectoeletronistagmografia. o Potencias evocados. o Posturografia – não é muito usado na prática. • A Eletronistagmografia (ENG), a Vectoeletronistagmografia (VENG) e a videonistagmografia infravermelha (VNG) são testes que avaliam indiretamente a função vestibular através da observação dos movimentos oculares. o A ENG é mais utilizada na Europa e nos Estados Unidos e realiza a avaliação vestibular com aparelhos que possuem um canal de registro possibilitando apenas a observação de nistagmos horizontais, enquanto a VENG mais utilizada no Brasil, usa aparelhos com três canais de registro permitindo a observação de nistagmos verticais e oblíquos. Na VNG a pesquisa é realizada observando diretamente os movimentos oculares dispensando a utilização de eletrodos, o que diminui as interferências. A ENG, VENG possibilitam a avaliação da movimentação ocular tanto com olhos abertos como fechados e a medida da velocidade angular da componente lenta (VACL) do nistagmo. • A posturografia dinâmica computorizada (PDC) é um exame utilizado para avaliação geral do equilíbrio que integra as informações visuais, somatosensoriais e vestibulares. As informações visuais orientam os olhos e a cabeça em relação aos objectos circunscritos, as somatosensoriais orientam partes do corpo e as informações vestibulares medem as acelerações gravitacionais, lineares e angulares da cabeça em relação ao espaço inerte. Quando algumas destas informações estão alteradas pode causar desequilíbrio. o Para a realização deste teste, o paciente é colocado em pé, sobre uma plataforma. 5.0- REABILITAÇÃO • A reabilitação vestibular (RV) pode ser utilizada como método principal ou complementar de outros recursos na terapia otoneurológica, o que vai depender das deficiências funcionais e das necessidades individuais do paciente. • Os objetivos principais da RV são promover a estabilização visual e aumentar a interação vestibulovisual durante a movimentação da cabeça; proporcionar melhor estabilidade estática e dinâmica nas situações de conflito sensorial; e diminuir a sensibilidade individual durante a movimentação cefálica. • Alguns fatores podem influenciar de forma decisiva na eficácia da RV, tais como idade, disposição, medicamentos, presença de lesões neurológicas e estado psíquico. • Os procedimentos de RV devem ser contraindicados para os pacientes que apresentam alterações físicas e/ou psíquicas importantes, como afecções de coluna vertebral, principalmente na região cervical. • Durante a realização dos exercícios de RV, é comum os pacientes sentirem tonturas ou outros sintomas vestibulares concomitantes, em geral de intensidade leve. Esse fato não significa piora do quadro clínico ou ocorrência de uma crise, pois esses sintomas tendem a desaparecer com a continuação dos exercícios. • O sucesso da RV parece depender de adaptações neurais multifatoriais, substituições sensoriais, recuperação funcional dos reflexos vestíbulo-ocular e vestibuloespinal, como também da alteração do estilo de vida, recuperação da segurança física e psíquica e condicionamento global.