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Parasitologia   Rey

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mucocutâneaLeishmaníase mucocutânea
Ulcerações cutâneas de vários
tipos, simples ou múltiplas, podem
ser observadas.
Não tratado, o processo tende
para a cronicidade. Nas formas
crônicas costuma haver infecção
bacteriana associada.
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Leishmaníase mucocutâneaLeishmaníase mucocutânea
Com freqüência, as
ulcerações cutâneas se
acompanham também de
lesões secundárias, loca-
lizadas na mucosa nasal
ou na bucofaringiana.
As leishmânias podem
ser isoladas da mucosa
nasal tempos antes de
surgirem as lesões locais.
Estas ocorrem em 15 a
20% dos casos de leish-
maníase por Leishmania
brasiliensis.
Lesões no nariz e na mucosa nasal.
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Leishmaníase mucocutâneaLeishmaníase mucocutânea
O processo inflamatório tende
a destruir o septo nasal, que é
perfurado. Depois, também o
dorso do nariz, o palato e a
região faringiana são atingidos.
As lesões, de odor
fétido e de aspecto
repugnante, afetam a
vida social e econô-
mica do paciente
que tende para o
isolamento.
Nos casos mais
graves, a fala e até a
deglutição são com-
prometidas, de modo
que o paciente pode
apresentar um qua-
dro de desnutrição
de grau variável.
Escultura pré-
-colombiana
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Relações parasito-hospedeiro
Assim que apareça infiltração linfoplasmocitária
nas lesões, o teste de imunofluorescência torna-se
positivo, mas os títulos costumam ser baixos.
Não se sabe qual o valor protetor da imunidade
humoral.
A imunidade celular é mais tardia, aparecendo
após seis ou mais semanas, e é considerada de
importância fundamental para o processo de cura.
Seu aparecimento coincide com a regressão das
ulcerações e grande redução do número de
parasitos nessas lesões.
Ela é revelada pela reação de Montenegro, um
teste de hipersensibilidade cutânea retardada aos
antígenos de L. braziliensis.
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Diagnóstico da leishmaníase 
mucocutânea
Diagnóstico da leishmaníase 
mucocutânea
Ele é fácil nas formas típi-
cas, sobretudo se o paciente
procede de áreas endêmicas
ou aí esteve.
O diagnóstico diferencial
deve ser feito com as úlceras
tropicais, fusoespiroquéticas,
que são supurativas, fétidas e
dolorosas.
Quanto às formas verruco-
sas, vegetantes etc., devem
ser distinguidas das lesões
produzidas pela bouba, pelas
micoses etc.
Mas o diagnóstico requer
confirmação laboratorial da
presença dos parasitos.
Examinar ao microscópio o
material de raspado, de pun-
ção ou de biópsia da borda da
lesão.
Fazer coloração do material
pelo Giemsa.
Nos casos crônicos, quando
a busca de parasitos se torna
difícil, é preferível a cultura em
meio de NNN.
O diagnóstico imunológico
faz-se com a reação de Mon-
tenegro, com a reação de
imunofluorescência indireta ou
com o teste de ELISA.
Eles são indicados sobre-
tudo para os casos crônicos,
quando as leishmânias já se
tornaram raras nas lesões.
Entretanto, essas provas
podem manter-se positivas
algum tempo depois da cura
clínica.
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Tratamento da leishmaníase Tratamento da leishmaníase 
mucocutâneamucocutânea
É feito com:
Antimoniais trivalentes –
dos quais o mais recomen-
dado é a glucantime ou
antimoniato de meglumine,
por via intramuscular. Taxa
de cura em torno de 70%.
Pentamidinas – menos efi-
cazes e mais tóxicas que
glucantime, como 2a opção,
via intramuscular; porém são
Indicadas na infecção por
L. guianensis.
Anfotericina B – adminis-
trada gota a gota, por via
intravenosa.
Azitromicina – nova droga,
por via oral, sem efeitos
colaterais e capaz de curar
85% dos casos.
Quase todos os pacientes
apresentam reações colate-
rais com tais medicamentos,
como cefaléia, artralgias,
mialgias e, em alguns casos,
depressão da medula óssea;
exceto no tratamento com a
azitromicina.
Não há método seguro
para o controle de cura, que
exige repetidos testes diag-
nósticos (PCR, imunofluores-
cência etc).
As lesões mucosas podem
surgir tempos depois da
“cura” dos processos cutâ-
neos.
Em alguns casos, aparen-
temente curados, podem
ocorrer recidivas.
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Epidemiologia e ecologiaEpidemiologia e ecologiaEpidemiologia e ecologiaEpidemiologia e ecologia
A leishmaníase cutânea
é uma zoonose de animais
silvestres e autóctone do
Continente Americano.
Predomina na Amazônia,
em zonas florestais dos
países vizinhos, na Améri-
ca Central e no México.
No Brasil, estende-se da
Mata Atlântica para oeste,
sendo prevalente nos Esta-
dos da Bahia, de Minas
Gerais, do Espírito Santo,
Mato Grosso do Sul e
Goiás. Já foi importante
em S. Paulo.
Em 1993, os casos
registrados chegaram a
cerca de 20.000, havendo
tendência para aumento
de sua incidência.
Leishmania b. braziliensis
Leishmania b. guyanensis
Leishmania braziliensis s. sp.
Leishmania mexicana amazonensis
Leishmania mexicana s. sp.
Leishmania n. sp.
Leishmania major-like
Leishmania sp.
Distribuição geográfica das Leishmania, no 
Brasil, segundo Deane & Grimaldi, 1985.
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As espécies de insetos
vetores, na floresta virgem são
Lutzomyia migonei, L. whitmani
e L. pessoai, que infectam os
reservatórios silvestres.
Derrubada a floresta, a vege-
tação secundária das capoeiras
favorece Lutzomyia intermedia e
L. pessoai, que respondem pela
maioria dos casos humanos da
doença.
A proximidade da mata
facilita a ocorrência de casos
entre os moradores de suas
vizinhanças.
Surtos epidêmicos acompa-
nham as migrações de pessoas
que vão ocupar zonas outrora
florestais ou junto das matas,
para a agricultura, a mineração
ou outros fins.
O risco é aumentado quando
os eqüinos e os cães aí criados
tornam-se reservatórios peri-
domésticos ou domésticos da
leishmaníase.
Assim, a urbanização da
doença está se tornando um
problema cada vez mais
importante.
Como a proporção de flebo-
tomíneos infectados é geral-
mente muito baixa, a ocorrência
de novos casos humanos fica na
dependência da densidade dos
vetores. Estes aumentam muito
após as chuvas.
Há, por isso, certa periodici-
dade ou sazonalidade na
transmissão da leishmaníase.
Epidemiologia e ecologiaEpidemiologia e ecologia
20
Controle das infecções por 
L. braziliensis
Controle das infecções por 
L. braziliensis
Durante as campanhas anti-
maláricas, as leishmaníases
tendem a desaparecer, devido
ao uso prolongado e extensivo
de inseticidas, como já se viu
na Baixada Fluminense e em
vários outros lugares.
Interrompida a desinsetiza-
ção, volta a transmissão das
leishmaníases.
Entre as medidas práticas de
controle estão as que consistem
em construir as casas longe das
matas ou desmatar o terreno em
torno dos povoados.
No interior das casas, aplicar
inseticidas nas paredes ou em
cortinados e mosquiteiros.
A telagem de portas e jane-
las, para impedir a entrada
dos flebotomíneos, exige
telas com trama muito fina (e,
em geral, muito quentes, por
dificultarem a ventilação).
Os animais domésticos in-
fectados, fontes importantes
de parasitos, devem ser trata-
dos reiteradamente (cura difí-
cil) ou eliminados.
Medida essa de aplicação
mais difícil, devido aos hábi-
tos e à afeição que muitos
dedicam aos seus animais
domésticos. Mas também à
incompreensão do problema.
Eliminar os animais vadios.
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Leishmaníase por Leishmaníase por Leishmania Leishmania 
amazonensisamazonensis
Essa forma mais benigna
de leishmaníase, causada
por flagelados do complexo
“mexicana”, caracteriza-se
pelo tamanho maior de seus
parasitos.
É uma zoonose que afeta
pouco a população humana
por ser seu vetor no Brasil
(a Lutzomyia flaviscutellata)
pouco antropófilo.
As úlceras são únicas ou
em número limitado e nunca
produzem metástases na
mucosa oronasal.
O diagnóstico e tratamen-
to são como na forma muco-
cutânea.
Sua área de distribuição
compreende a Amazônia e
territórios vizinhos, inclusive
o Maranhão, Bahia e Minas
Gerais.