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Parasitologia   Rey

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e
fezes moles, com muco e um pouco
de sangue.
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Amebíase intestinal crônica
É a forma clínica predo-
minante entre os pacientes
sintomáticos.
Caracteriza-se por evacua-
ções freqüentes (5-6 vezes ao
dia, talvez) de tipo diarréico ou
não, flatulência, desconforto
abdominal ou ligeira dor, duran-
te alguns dias.
Segue-se um intervalo sem
sintomas, de dias ou semanas,
antes que se repitam as crises.
Períodos de constipação po-
dem alternar-se com os de
diarréia.
Segundo sua freqüência, elas
levam a um estado de fadiga,
perda de peso e reduzida dispo-
sição para o trabalho.
O quadro pode confundir-se
com o de outros processos
patológicos gastrintestinais.
Por isso, o diagnóstico da
amebíase deve basear-se em um
teste sorológico positivo mais a
demonstração da presença da
Entamoeba histolytica no orga-
nismo ou em seus excreta,
indicando que:
Houve efetiva invasão dos
tecidos pela forma patogênica
do parasito (sorologia positiva).
Resposta favorável à tera-
pêutica anti-amebiana, quando
os tratamentos não-específicos
falharam.
E um quadro clínico compa-
tível com alguma de suas
formas.
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Complicações da amebíaseComplicações da amebíase
Colite amebiana fulminante
Forma grave da doença que
afeta mulheres durante a
gravidez e o puerpério ou
pessoas com imunodepres-
são de qualquer natureza.
Os cólons ficam cravejados
de úlceras, muitas das quais
chegam a perfurar a parede
intestinal.
Há febre e dor em todo
abdome que pode apresentar
rigidez da parede devida à
peritonite; ou ficar distendido
por um íleo paralítico.
As evacuações são muco-
sanguinolentas, com fortes
cólicas e tenesmo.
Sem medicação intensiva o
desfecho é fatal.
Outras complicações
A perfuração do intestino
com peritonite e as hemorra-
gias são raras mas acompa-
nham os quadros graves da
doença.
Apendicite e tiflite são
complicações localizadas que
imitam infecções bacterianas.
Os amebomas constituídos
de tecido granulomatoso firme
ocorrem mais vezes em for-
mas crônicas.
Por crescerem continua-
mente, eles podem causar
obstrução e serem confundi-
dos com tumores.
As amebas aí são raras, mas
a resposta ao tratamento é
eficaz.
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Amebíase hepática
Não é rara, pois encontra-se em um
terço dos casos fatais autopsiados,
principalmente de adultos masculinos.
Lesões difusas ou abscessos afasta-
dos da superfície hepática evoluem em
silêncio por muito tempo.
Os sintomas são: desconforto ou dor
no hipocôndrio direito que se irradia
para a região escapular.
A amebíase hepática pode imitar
uma colecistite, com febre inconstante,
náuseas e vômitos.
O fígado fica aumentado e doloroso,
podendo haver icterícia.
A cintilografia e a ecotomografia
permitem avaliar a situação e a
extensão do processo.
Esquema que indica a
propagação hematogênica
ou por contigüidade das
lesões amebianas do intes-
tino para o fígado, pulmões,
cérebro ou outros órgãos
(Segundo Faust).
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Outras formas de amebíase
Abscesso cerebral amebiano
As localizações cerebrais po-
dem simular abscessos piogê-
nicos ou serem completamente
inespecíficos.
A suspeita do diagnóstico em
geral só ocorre quando é
precedido de quadros intesti-
nais, hepáticos ou pulmona-
res.
Muitos desses pacientes
foram vistos na fase terminal
da amebíase hepática ou da
amebíase pulmonar.
A morte sobrevém poucos
meses depois da hospitaliza-
ção, tendo a autópsia revelado
a presença de lesões hepá-
ticas em todos os casos.
Amebíase pleuro-pulmonar
Nas infecções dos pulmões
e pleuras há febre, dor torá-
cica no lado direito, tosse e
expectoração que ora lembra
suco de tomate, ora choco-
late ou gelatina. Mas muda de
cor se houver infecção
bacteriana.
Em metade dos casos há
também amebíase hepática.
A radiografia mostra mobi-
lidade diminuída do hemidia-
fragma direito ou a sombra
limitada de uma elevação
sobre a cúpula do diafragma,
nesse lado; ou sinais de
efusão pleural e pericárdica,
de abscesso ou de consoli-
dação pulmonar.
A E. histolytica pode ser
encontrada no escarro.
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Diagnóstico da amebíase
Na maioria das vezes, o
quadro clínico é o de uma
colite, com ou sem a
presença da E. histolytica.
Mas a presença dessa
ameba não significa que seja
ela obrigatóriamente a causa
da doença.
Como foi dito, anterior-
mente, o diagnóstico dessa
doença deve basear-se em:
- Um quadro clínico com-
patível com essa parasitose.
- Demonstração da pre-
sença da Entamoeba histoly-
tica no organismo ou em
seus excreta.
- Um teste sorológico
positivo, indicando que houve
efetiva invasão dos tecidos
pelas formas patogênicas do
parasito.
- Resposta favorável à te-
rapêutica antiamebiana, quan-
do outros tratamentos não-
específicos falharam.
A B C D
Trofozoíto e cisto de Entamoeba
hartmanni (A, B) e de Entamoeba
histolytica (C, D), que mede 10 a 20 µm.
Os 3 últimos corados pelo iodo.
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Tratamento da amebíase Tratamento da amebíase (1)
As formas graves requerem repouso no leito, dieta
branda, rica em proteínas e vitaminas, mas pobre em
carboidratos e fibras. Tomar líquidos em abundância.
Há dois tipos de amebicidas:
A. Amebicidas não absorvíveis, que atuam apenas na
luz intestinal. São as dicloracetamidas:
Teclosan,
Furamida ou o furoato de diloxamida e
Clefamida.
Agem sobre os trofozoítas por contato, destruindo-os e
interrompendo o ciclo reprodutivo do parasito na luz
intestinal.
Indicados para tratar infecções assintomáticas e os
eliminadores de cistos. Mas, por não afetarem os
parasitos que se encontrem nos tecidos, devem se
associados aos amebicidas do 2o grupo.
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Tratamento da amebíase Tratamento da amebíase (2)
B. Amebicidas teciduais que, sendo absorvidos pelo
intestino, são capazes de destruir as formas invasivas
do parasito em qualquer tecido onde se encontrem.
São os nitroimidazóis, utilizados especificamente
para tratar a amebíase doença:
Metronidazol,
Tinidazol,
Ornidazol e
Nimorazol (ou nitrimidazina).
Exigem associação com as dicloracetamidas para
uma cura radical, visto serem rapidamente absorvidos
no intestino delgado e não chegarem ao intestino
grosso, onde as amebas colonizam.
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Epidemiologia da amebíaseEpidemiologia da amebíaseEpidemiologia da amebíaseEpidemiologia da amebíase (1)
A Entamoeba dispar é muito
freqüente em todo mundo,
tendo sido confundida, no
passado, com a E. histolytica.
Esta tem prevalência 10 vezes
menor.
Segundo a OMS, ocorreriam
48 milhões de casos de
amebíase por ano, em todo
mundo, com 40 a 110 mil
óbitos.
No Brasil, prevalências altas
foram registradas em lugares
como Manaus, Belém, João
Pessoa e Porto Alegre e
relativamente altas na Bahia,
Minas Gerais e Rio Grande do
Sul.
Mas, nas regiões frias ou
nas temperadas de todo
Mundo a amebíase doença
é rara.
O abscesso hepático tem
sua própria distribuição
geográfica.
Ele é freqüente no
Sudeste Asiático, Índia,
África do Norte e México.
Mas é raro em outros
lugares, mesmo quando
localmente a prevalência
do parasitismo intestinal
seja alta.
22
Epidemiologia da amebíase Epidemiologia da amebíase Epidemiologia da amebíase Epidemiologia da amebíase (2)(2)
As principais fontes de
infecção amebiana são os
pacientes crônicos, os
assintomáticos e os indiví-
duos portadores sãos.
Em uma evacuação de
aspecto normal podem ser
eliminados milhões de
cistos de E. histolytica.
A transmissão ora é
direta por mãos sujas, ora
indireta por águas e
alimentos contaminados.
Insetos, como moscas e
baratas, podem trans-
portar mecanicamente os
cistos de amebas..
Propagação da amebíase (segundo Piekarski, 1962)
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Epidemiologia da amebíase Epidemiologia da amebíase (3)(3)
Todos os tipos de coleções de águas naturais podem
ser contaminados com fezes humanas e, por sua vez,
contaminarem