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TEORIA DO CRIME 1 – CONCEITO DE DIREITO PENAL 1.1 DENOMINAÇÃO E FINALIDADE - Direito Penal é o conjunto de normas jurídicas que regulam o poder punitivo do Estado, tendo em vista os fatos de natureza criminal e as medidas aplicáveis a quem os pratica (E. Magalhães Noronha) “Jus Puniendi” = direito de punir que pertence ao Estado. Forma como o Estado o executa: Investigação (Policia civil e federal. Obs.: policia militar reprime o crime). *Personagens Acusação (Ministério Publico, através do Promotor de Justiça) Julgador (Juiz de Direito) Jus puniendi passa por uma regulação, controle. “Na duvida, beneficia-se o réu” Antigamente existia a auto tutela = direito de fazer justiça com as próprias mãos. *Fatos de Natureza Criminal Há duas espécies de Infração Penal: O crime e a contraversão penal. Que se diferem pela sanção, já que nas contraversões penais as penas são mais “leves”, ou ás vezes, é apenas uma aplicação de multa. Contraversão penal: vias de fato (agressão que não deixa vestígios), jogo do bicho. *Medidas Aplicáveis Pena restritiva de liberdade (regime domiciliar) Reclusão e Detenção Sanção Penal: Restritivas de direito (não perde a liberdade)-penas alternativas Multa = Pena pecuniária A finalidade do direito penal, é defender a sociedade, defendendo bens jurídicos fundamentais. 1.2 CARACTERÍSTICAS Ciência Conjunto de direitos penais elaborados e desenvolvidos com o passar do tempo. Cultural Pertence a classe das ciências do “deve ser”. O advogado (tanto particular, quanto publico), atuam em todas as partes. Se >12 anos e <18 anos, não se recebe pena, e sim medidas socioeducativas, que pode ser uma advertência ou uma internação de no máximo 3 anos. Estudam o homem e a sociedade. Normativo Tem como objetivo o estudo da lei penal (direito positivo, legislado). Valorativo Estabelece a própria escala de valores, assim protegendo bens de valores mais elevados do homem. Finalista Preocupa-se com a proteção dos bens jurídicos fundamentais, com missão prática, não apenas acadêmica. Sancionador Único direito que aplica uma sanção, para qum comete algum tipo de infração penal. 1.3 – CLÁSSICA DIVISÃO DO DIREITO E O DIREITO PENAL O direito penal está no ramo do direito publico, já que o Jus Puniendi regula a relação do Estado com o indivíduo. Mas, isto não impediu do direito penal ter uma relação, com outros ramos do direito, já que ele tem relação com todos os ramos do direito, até mesmo com o direito civil, já que este é um ramo do direito privado. São as principais relações do Direito Penal: Direito Processual Penal Tem intima relação, pois é através deste que as leis penais se concretizam, serve de suporte para o direito penal. *O processo é o instrumento adequado para o exercício da jurisdição. Direito Constitucional O direito penal deve se harmonizar com este, já que seu fundamento de validade se encontra na constituição federal. O direito penal complementa a constituição federal, ex. a tipificação penal do homicídio tem propósito de resguardar o direito constitucional a vida. Direito Administrativo Os artigos 312 a 359, CP, disciplinam os crimes contra a administração pública, e o direito administrativo regula a organização e o funcionamento das administrações públicas, bem como seus interesses pelos particulares. Direito Civil A relação do direito penal e do direito civil se torna nítida quando se trata de crimes contra o patrimônio. Direito Internacional Fala-se em direito penal internacional por conta da globalização e do desenvolvimento tecnológico, que possibilitaram um contato próximo entre pessoas distantes. 1.4 – CLASSIFICAÇÕES DO DIREITO PENAL Direito Penal Fundamental São as normas essenciais do direito penal e que estão previstas no Código Penal (Dec. Lei 2848 – 07/12/1940). Código Penal é dividido em duas partes: parte geral (art. 1° ao 120°) serão estudados no (D.P. I; D.P. II e D.P. III) e parte especial (art.121° ao 361°) que designam as infrações penais, e serão estudados no (D.P. IV; D.P. V; e D.P. VI) Direito Penal Complementar São os conjuntos de normas que se somam ao código penal. Leis Penais especiais: crimes que não foram previstos no código penal. Ex. lei das armas, leis das drogas, leis de trânsito. Direito Penal Comum Estabelece que as leis penais são para todos. Direito Penal Especial Estabelece que as leis penais se aplicam só para determinadas pessoas. Direito Penal Objetivo São os conjuntos de leis penais que estão em vigor. Direito Penal Subjetivo Jus Puniendi (direito de punir do Estado) 1.6 – DIREITO PENAL E OUTRAS CIÊNCIAS O direito penal tem relação com a CRIMINOLOGIA, já que está estuda os aspetos gerais do crime e a personalidade dos criminosos; com a POLITICA CRIMINAL, já que está apresenta críticas e propostas para a reforma do direito penal (Secretaria Nacional Da Politica Criminal – Governo); e com a MEDICINA LEGAL que trás conceitos médicos ao direito penal, através do perito médico legislador. 2 – BREVE EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO PENAL 2.1 – VINGANÇAS DIVINAS Está fase é baseada em crenças, misticismos e divindades (totens). 2.2 – VINGANÇAS PRIVADA - Crescimento dos povos e das comunidades: surge a chamada fase da vingança privada. Nesta fase, deixam-se os deuses e nasce a “justiça pelas próprias mãos” – surge A Lei de Talião (Código de Hamurabi XXII, A.C.) 2.3 – VINGANÇAS PÚBLICAS O Estado chama para si o direito de punir, mas aplica-se punições severas. 2.4 – IDADE ANTIGA Nesta Idade o direito penal passou pelas três fases da vingança, como em Roma que demorou XXII séculos para o direito penal passar por estas fases. 2.5 – IDADE MÉDIA Nesta Idade o direito penal era canônico (católico), era Época da Inquisição: consolidação feita em 1140; pena se dirigia a cura do delinquente e sua recuperação. 2.6 – IDADE MODERNA - Com o Iluminismo (movimento intelectual europeu do século XVIII) a noção de Direito Penal evolui bastante. Nesta Idade o direito penal evolui, com a influência do Iluminismo e da publicação do livro Dos Delitos e Das Penas de Cesare Boneseana. O estudo deste livro contribui para a abolição/diminuição das penas cruéis e torturas. Nesta época foi criada a 1° Declaração dos Direitos Humanos em 1789, daí se passam a ser penas proporcionais e nascem as Escolas Penais. 3 – A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO PENAL BRASILEIRO 1ª - Período colonial: Foi de 1500 a 1822, época em que o país não tinha sido totalmente descoberto. 2ª - Com o descobrimento do Brasil: Império – 1822 a 1889 Republica – 1889 até os dias atuais 4 - FONTES DO DIREITO PENAL - A expressão fonte? Fonte representa a origem da legislação penal e também a forma de manifestação. - As fontes são classificadas pela doutrina em: 1 – FONTES MATERIAIS Dizem respeito aos órgãos encarregados de elaborar o Direito Penal (União, art. 22, I, CF) 2 – FONTES FORMAIS São os modos pelos quais o Direito Penal se revela. São dividas em: Imediata e Mediata. a) IMEDIATA É a lei legislada. É a única fonte imediata, pois só a lei pode criar crimes e cominar penas. B) MEDIATAS / SECUNDÁRIAS Apenas modificam/influenciam o Direito Penal. 1 – Costumes Regra de conduta praticada de forma constante e uniforme. Dividem–se em três blocos: - Secundum legem (interpretativo): auxilia o interprete a esclarecer o conteúdo de elementos ou circunstanciasdo tipo penal. - Contra legem (negativo): contraria a lei, mas não tem o condão para revoga-la. -Praeter Legem (integrativo): supre lacunas na lei e somente pode ser utilizado na seara de normas penais não incriminadoras, notadamente para possibilitar o surgimento de causas supralegais de exclusão da ilicitude ou da culpabilidade. Norma penal incriminadora: incrimina um comportamento, art. 121, CP. Preceito primário (descrição): conduta criminosa/verbo Preceito secundário: pena. Espécies de penas privativas de liberdade RECLUSÃO: regime inicial de cumprimento de penas. Regime fechado, regime semiaberto, regime aberto. É um sistema progressivo, 1/6 da pena em cada regime. DETENÇÃO: regime semiaberto e regime aberto. A pena pode ser aumentada em 2/5 ou 3/5 se o crime for hediondo. Norma Penal em Branco são aquelas que precisam ser completadas por outras normas. Norma penal permissiva, permite uma conduta, art. 25 e 128, CP. Norma penal explicativa, apresentam conceitos, art. 327, CP. 2 – Constituição Federal - Ver art. 5º, incisos XXXIX, XL a L da CF - XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; - XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; - XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; - XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; - XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá- los, se omitirem; - XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; - XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; - XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: - a) privação ou restrição da liberdade; - b) perda de bens; - c) multa; - d) prestação social alternativa; - e) suspensão ou interdição de direitos; - XLVII - não haverá penas: - a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; - b) de caráter perpétuo; - c) de trabalhos forçados; - d) de banimento; - e) cruéis; - XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; - XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; - L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; 3 – Princípios Gerais do Direito São os valores fundamentais que inspiram a elaboração e a preservação do ordenamento jurídico, ou seja, são enunciados que possuem valores fundamentais que desenvolve o direito penal, ao mesmo tempo em que limita o jus puniendi. Ex: Não há crime sem lei anterior que o defina Não há pena sem prévia cominação legal Falar e não provar é o mesmo que não falar Entre outros. OBS: 1 – DOUTRINA Estudo de especialistas que analisam o Direito Penal. 2 – JURISPRUDÊNCIA Reiteração de decisões judiciais pelos tribunais de casos semelhantes que se transformaram em posições e influenciam o Direito e a elaboração de leis. “Visão simples” Poder judiciário 1° Instância – Tribunais Comuns - Juiz Criminal – Condena/Sentença 2° Instância – TJSP – desembargadores – utilizado como recurso para recorrer – Acordão STJ – Ministros – Brasília STF – 11 Ministros - Brasília 5 - PRÍNCIPIOS DO DIREITO PENAL: P. da reserva legal ou da estrita legalidade: o ART. 5°, XXXIX, CF; ART. 1, CP. o Não há crime sem lei que o defina, nem pena sem cominação legal (nullum crimen nulla poena sine lege); o É de exclusividade da lei a criação de delitos (e contravenções penais) e cominação de penas; o FUNDAMENTO JURÍDICO: implica por parte do legislador, a determinação precisa, mesmo que mínima, do conteúdo do tipo penal e da sanção penal a ser aplicada, bem como, pelo juiz, na máxima vinculação ao mandamento legal, inclusive na apreciação de benefícios legais. O direito penal não tolera analogias prejudiciais ao réu; o FUNDAMENTO POLÍTICO: proteção do ser humano em face do arbítrio do Estado no exercício de seu poder punitivo; o ENTENDIMENTO DO STF: este principio atua como expressiva Na 2° Instância, há também Promotores de Justiça e Advogados, que são colocados no cargo por governadores. limitação constitucional ao aplicador judicial da lei, cuja competência jurisdicional, por tal razão, não se reveste de idoneidade suficiente para lhe permita a ordem jurídica ao ponto de conceder benefícios proibidos pela norma vigente, sob pena de incidir em domínio reservado ao âmbito de atuação do Poder Legislativo. Principio da Anterioridade o A infração penal e a pena devem estar definidas em lei prévia ao fato cuja punição se pretende. o A lei penal produz efeitos a partir da data em que entra em vigor. Proibida a aplicação da lei em seu período de vacância (vacatio legis). Principio da Insignificância ou da Bagatela o Não deve se preocupar em punir de forma ínfima o bem jurídico tutelado. É aplicada em crimes patrimoniais. o Criação doutrinaria e jurisprudencial, se reconhecido, gera a absolvição do acusado, mas só é aplicado se suprir certos requisitos. Principio da Individualização da Pena o Prevê que cada criminoso deve receber uma pena adequada e calculada de acordo com a gravidade do seu ato e a previsão do tipo penal. o Art. 5, XLVI, CF. Principio da Confiança o As pessoas devem esperar dos demais comportamentos responsáveis, para evitar prejuízos. Principio da Adequação Social o O Direito Penal não deve punir comportamentos que, embora previstos em lei como infração penal, são aceitos e há tolerância por parte comum da sociedade (conduta socialmente adequada). Principio da Intervenção Mínima o Direito Penal só deve ser chamado para proteger bens jurídicos em casos estritamente necessários. o Fragmentariedade: nem todos os ilícitos configura infração penal. Somente aqueles que atentam contra valores fundamentais do homem. o Subsidiariedade: o direito penal só “aparece” se outros ramos do direito não conseguirem dar solução ao caso. Principio da Proporcionalidade o Destinado ao juiz, pois ele aplica a pena e ao legislador, pois ele cria a lei penal, já que este estabelece que a punição deve ser proporcional ao fato. Principio da Humanidade o O direito penal não pode adotar penas cruéis, pois elas não respeitam os direitos humanos. Art. 5, XLVII, “e”, CF; Art. 1, III, CF. Principio da ofensividade/lesividade o Não há infração penal quando a conduta não tiver oferecido ao menos perigo de lesão ao bem jurídico. Delimita o direito penal. Principio da Imputação Pessoal o Só pune pessoas culpadas pelo fato e capazes de entender o comportamento praticado. o Imputável: pratica o fato previsto na lei com culpa e tem capacidade de entender o fato. Imputabilidade penal. o Inimputável: <18 anos e doentes mentais. Inimputabilidade Penal. Principio da Responsabilidade pelo Fato o Só pune pessoas que praticam um fato previsto na lei – não por questões pessoais. Conhecido como “da exteriorização ou materialização do fato”. Principio da Intranscendência o Ninguém responde pelo ato cometido pela pessoa. Apenas a pessoa responde pelos seus atos. Principio da Responsabilidade Penal Subjetiva o Nenhum crime pode ser atribuído a quem não o tenha produzido po intenção (dolo) ou culpa(quando previsto na lei). Principio do ne bis in idem o Proíbe a dupla punição/processo/julgamento pelo mesmo fato, ou seja, um fato não pode ser punido duas vezes. Principio da Alteridade o Proíbe a incriminação/punição de atitude subjetiva do individuo, que não ofenda bens jurídicos de terceiros. 6 - APLICAÇÃO DA LEI PENAL 1 – COMENTÁRIOS INICIAIS / INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL E USO DA ANALOGIA Arquivo do Blackboard. 2 – LEI PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO A) NO TEMPO Tem eficácia no momento que ela entra em vigor; Irretroatividade da lei penal mais grave; Retroatividade da lei penal mais benéfica; A revogação pode ser total, ab rogação, ou parcial, derrogação. E ainda pode ser expresssa, o que ocorre quando no corpo da própria lei, está expressa a revogação; ou tácita, que é quando a nova lei que entra em vigor, está incompatível com a que vigorava. - A ENTRADA EM VIGOR ou a REVOGAÇÃO de uma lei penal pode gerar conflitos da lei penal no tempo - Solução do conflito: Art. 5°, XL, CF e Art. 2° e 3°, CP. - SITUAÇÕES: 1ª - A LEI PENAL CRIA UMA NOVA FIGURA PENAL Novatio Legis Incriminadora Fato atípico: não é crime, pois não há previsão na Lei, a lei não comina pena ou intervenção do Estado pelo fato determinado. Solução: Art. 5°, XL, CF: “a lei não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.” 2ª - A LEI PENAL POSTERIOR SE MOSTRA MAIS GRAVE QUE A ANTERIOR Novatio Legis in Pejus Solução: Art. 5°, XL, CF: “a lei não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”. 3ª - ABOLITIO CRIMINIS E LEI POSTERIOR MAIS BENÉFICA Conceito de abolitio criminis: Ocorre quando a nova lei exclui do direito penal um fato até então criminoso. Solução: Art. 5°, XL, CF: “a lei não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”. Art. 2º, § único: “A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado”. Conceito de lei penal mais benéfica (novatio legis in mellius) É a que se verifica quando ocorre sucessão de leis penais no tempo, a infração penal prevista tenha sido praticada na vigência da lei anterior, e a nova lei em vigência é mais vantajosa ao agente. Neste caso a lei mais favorável deve ser obtida ao caso concreto, aplicando-se a que produzir resultado mais vantajoso ao agente. Solução: Art. 2º, § único: “A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado”. - Pode ocorrer a chamada ultratividade da lei mais benéfica. Tal se verifica quando o crime foi praticado durante a vigência de uma lei, posteriormente revogada por outra prejudicial ao agente. Neste caso, subsistem os efeitos da lei anterior, mais favorável, porque a lei penal mais grave jamais retroagirá. - lei penal posterior e vacatio legis A lei penal não tem vigência durante o vacatio legis. 4ª - LEI PENAL TEMPORÁRIA E LEI PENAL EXCEPCIONAL A) LEI PENAL TEMPORÁRIA: É aquela que tem a sua vigência predeterminada no tempo – seu termo final é previsto de forma explícita B) LEI PENAL EXCEPCIONAL: A duração da lei está relacionada a situações de anormalidade. Características: São auto revogáveis e ultrativas Ultratividade: ação de aplicar uma lei (ou dispositivo de lei) que já foi revogada em casos que ocorreram durante o período em que esta estava vigente. B) TEMPO DO CRIME - É necessária a identificação do momento em que se considera praticado o crime, para que se entenda qual lei penal será aplicada e a questão da imputabilidade ou inimputabilidade do agente. Teorias que explicam: Teoria da Atividade: considera-se praticado o crime no momento da ação ou da omissão pouco importando o resultado. Teoria do Resultado: considera-se praticado o crime no momento do resultado. Teoria da Ubiquidade: considera-se momento do crime tanto no comportamento, quanto no resultado. Teoria adotada pelo CP: Art. 4º, CP: “Considera-se praticado o crime no momento da ação ou da omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.” C) CONFLITO APARENTE DE LEIS PENAIS - Conceito de conflito: “Dá-se o conflito aparente de leis penais quando a um único fato se revela possível, em tese, a aplicação de dois ou mais tipos legais, ambos instituídos por leis de igual hierarquia e originarias da mesma fonte de produção, e também em vigor ao mesmo tempo da pratica da infração penal.” - Solução: A doutrina indica, 4 princípios para solucionar este problema: 1º - PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE O princípio da especialidade revela que a norma especial afasta a incidência da norma geral (Lex specialis derogat legi generali). A norma se diz especial quando contiver os elementos de outra (geral) e acrescentar pormenores. Não há leis ou disposições especiais ou gerais, em termos absolutos. Resultam da comparação entre elas, da qual se aponta uma relação de espécie a gênero. A norma será preponderante quando especial. 2º - PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE Aspecto do conflito aparente de normas penais pelo qual a norma principal afasta a incidência da norma subsidiária (Lex primaria derogat legi subsidiaria). A norma será principal quando previr hipótese mais grave do que outra (secundária, subsidiária), ou grau mais intenso de ofensa a mesmo bem jurídico. 3º - PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO A consunção é utilizada quando a intenção criminosa é alcançada pelo cometimento de mais de um tipo penal, devendo o agente, no entanto, por questões de justiça e proporcionalidade de pena (política criminal), ser punido por apenas um delito. Duas são as regras que podemos extrair, quais sejam: - o fato de maior entidade consome ou absorve o de menor graduação (lex consumens derogat lex consumptae); - o crime-fim absorve o crime-meio. A) CRIME PROGRESSIVO; É o que se opera quando o agente, almejando desde o inicio alcançar o resultado mais grave, pratica, mediante a reiteração de atos, crescentes violações ao bem jurídico. B) PROGRESSÃO CRIMINOSA; É quando o agente pretende inicialmente produzir um resultado e, depois de alcança-lo, opta por prosseguir na pratica ilícita e reinicia outra conduta, produzindo um evento mais grave. C) CRIME COMPLEXO É quando resulta da fusão de dois ou mais crimes, que passam a desempenhar a função de elementares ou circunstancias daquele, exemplo, o roubo, originário da união entre delitos de furto e ameaça ou lesão corporal. D) FATOS IMPUNÍVEIS - ANTERIORES; São os que funcionam como meios de execução do tipo principal, ficando por estes absorvidos. No caso do roubo da bolsa da vitima que se encontra no interior de um veiculo, a eventual destruição do vidro não acarreta imputação ao agente do crime cometido. - SIMULTANEOS; São aqueles praticados no instante em que se executa o fato principal. - POSTERIORES; São visualizados quando, depois de realizada a conduta, o sujeito pratica nova ofensa contra o mesmo bem jurídico, buscando alguma vantagem com o crime anterior. 4º - PRINCÍPIO DA ALTERNATIVIDADE O princípio da alternatividade procura selecionar a norma aplicável quando a mesma açãoantijurídica é definida pelo legislador mais de uma vez. D) LEI PENAL NO ESPAÇO - O CP limita a validade da lei penal com base em 2 aspectos: a) TERRITORIALIDADE – ART. 5º “Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido em território nacional”. b) EXTRATERRITORIALIDADE – ART. 7º “Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: I - os crimes; a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;...” ART. 5º CP – PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE - CONCEITO DE TERRITÓRIO (para fins da lei penal) Aplica-se a lei brasileira, ao crime cometido no território nacional. a) espaço delimitado pelas fronteiras Espaço físico do país. b) faixa mar territorial Até 12 milhas náuticas, aplica-se a lei brasileira. Na zona econômica exclusiva (188 milhas) não entra no conceito, pois aplica-se a lei da bandeira, que também é aplicada no alto mar. No espaço aéreo, é território nacional, até a camada de ozônio (atmosférica). c) território por extensão - Extensão: art. 5º, §§ 1º e 2º § 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. § 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil. LUGAR DO CRIME – ART. 6º CP Teoria da Ubiquidade: considera-se lugar do crime onde ocorreu o comportamento, e onde ficou o resultado. LU - lugar/ubiquidade TA – tempo/atividade ART. 7º CP – EXTRATERRITORIALIDADE DA LEI PENAL - É a aplicação da lei penal brasileira aos crimes cometidos no exterior. - Pode ser: a) Incondicionada, Sem condição, sem requisitos. b) Condicionada. Com condições, requisitos. 1 – EXT. INCONDICIONADA - Conceito Simples prática do crime no estrangeiro autoriza a aplicação da lei penal brasileira (quando vir para o Brasil). Art. 7°, I, a, b, c, d, e. “Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: I - os crimes; a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;...” - Punição: Art. 7°, §1: “Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro.” Art. 8°: “A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas”. GENOCIDIO: MASSACRE CONTRA UM GRUPO DE PESSOAS, POR SUAS IGUALDADES. 2 – EXT. CONDICIONADA Art. 7°, II, a, b, c: “II – os crimes: a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; b) praticados por brasileiro; c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados.” -- Condições para aplicação da lei penal brasileira: Art. 7°, § 2°, a, b, c, d, e: “§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições: a) entrar o agente no território nacional; b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.” - No caso de crime cometido por estrangeiro contra brasileiro, FORA DO BRASIL, exigem-se outras 2 condições além das anteriores: Art. 7°, § 3°, a, b: “§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: a)não foi pedida ou foi negada a extradição; b) houve requisição do Ministro da Justiça.” PRINCÍPIOS ADOTADOS PELO CP NA APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO ESPAÇO 1 – PRINCÍPIO DA NACIONALIDADE (personalidade) Autoriza a submissão á lei brasileira dos crimes praticados no estrangeiro por autor brasileiro (ativa) ou contra vitima brasileira (passiva). 2 – PRINCÍPIO DO DOMICÍLIO De acordo com este principio o autor da infração penal deve ser julgado em consonância com a lei do país em que for domiciliado. 3 – PRINCÍPIO DA DEFESA REAL Permite submeter a lei penal brasileira os crimes praticados no estrangeiro que ofenda bens jurídicos pertencentes ao Brasil, qualquer que seja a nacionalidade do agente e o local do delito. 4 – PRINCÍPIO DA JUSTIÇA UNIVERSAL Esse princípio rege normalmente os crimes em que o Brasil se obrigou a reprimir em Tratados, independentemente do local onde foi praticado, quem praticou ou contra quem foi praticado. 5 – PRINCÍPIO DA REPRESENTAÇÃO, PAVILHÃO, BANDEIRA No caso de crimes ocorridos em embarcações ou aeronaves, quando houver deficiência legislativa ou desinteresse de quem deva reprimir, aplicar-se-á a lei de onde a aeronave ou embarcação estiver registrada, ou da bandeira que ostenta (CP: art. 7º, II, c). E) DISPOSIÇÕES FINAIS ACERCA DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL - ART. 9º CP - Eficácia da sentença estrangeira Art. 9º -“ A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas conseqüências, pode ser homologada no Brasil para: I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis; II - sujeitá-lo a medida de segurança. Parágrafo único - A homologação depende: a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça.” - ART. 10 CP Contagem de Prazo Art. 10 – “O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum.” - ART. 11 CP - Frações não computáveis da pena Art. 11 – “Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena de multa, as frações de cruzeiro.” - ART. 12 CP - Legislação Especial. Art. 12 –“ As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados por lei especial, se esta não dispuser de modo diverso.”