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Resumo sobre fungos: morfologia (hifas, micélio, leveduras), reprodução (brotamento, fissão, dimorfismo térmico), parede celular (quitina, βGlucanos, mananas, ergosterol), nutrição por absorção e esporos (assexuais/sexuais, conídios).

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FUNGOS:
Características:
- Aparência física característica, leveduras bolinhas e filamentosos pelos.
- Colônias vegetativas pois são compostas de células envolvidas no catabolismo e no crescimento.
- Filamentosos: consistem em filamentos longos de células conectadas, denominados hifas. Algumas hifas podem conter paredes cruzadas denominadas septos, que dividem as hifas em distintas unidades celulares uninucleadas, essas hifas são chamadas de hifas septadas. Poucas classes de fungos não possuem septos e são chamadas de hifas cenocíticas. 
O crescimento dessas hifas se da por alongamentos nas extremidades, cada hifa é capaz de crescer quando um fragmento é quebrado. A porção que obtém nutrientes é chamada de hifa vegetativa, a porção envolvida na reprodução é hifa reprodutiva ou hifa aérea, estas geralmente sustentam os esporos reprodutivos. 
Quando as condições estão favoráveis as hifas crescem formando uma massa filamentosa chamada de micélio, que é visível a olho nu. 
- Leveduras: são unicelulares, não filamentosos, caracteristicamente esféricos ou ovais. São divididas por leveduras de brotamento ou leveduras de fissão. 
 As de brotamento dividem se formando células desiguais. A célula parental forma um broto na superfície externa e a medida que este se desenvolve, o núcleo da célula parental se divide e um dos núcleos migra para o broto. O material da parede celular é então sintetizado entre o broto e a célula parental e eles acabam se separando. Algumas leveduras produzem brotos que não se separam, formando as chamadas pseudo-hifas uma pequena cadeia de células, por exemplo a Candida albicans que para infectar tecidos profundos precisa estar desta forma.
Já as leveduras por fissão, dividem se produzindo duas novas células iguais. Durante a fissão binária as células parentais se alongam, seus núcleos se dividem e duas células filhas são produzidas. O aumento do número de células de leveduras em meio sólido produz uma colônia similar às colônias de bactérias. As leveduras são capazes de crescimento anaeróbico facultativo, podendo utilizar oxigênio ou um composto orgânico como aceptor final de elétrons; esse é um atributo valioso porque permite que esses fungos sobrevivam em vários ambientes. Se houver acesso ao oxigênio, as leveduras respiram aerobicamente para metabolizar hidratos de carbono formando dióxido de carbono e água; na ausência de oxigênio, elas fermentam os hidratos de carbono e produzem etanol e dióxido de carbono. Essa fermentação é usada na fabricação de cerveja e vinho e nos processos de panificação. Espécies de Saccharomyces produzem etanol nas bebidas fermentadas e dióxido de carbono para fermentar a massa do pão.
- Dimorfismo: Alguns fungos, mais notadamente as espécies patogênicas, exibem dimorfismo – duas formas de crescimento. Tais fungos podem crescer tanto na forma de fungos filamentosos quanto na forma de levedura. A forma de fungo filamentoso produz hifas aéreas e vegetativas; a forma de levedura se reproduz por brotamento. O dimorfismo nos fungos patogênicos é dependente de temperatura: a 37°C, o fungo apresenta forma de levedura; a 25°C, de fungo filamentoso. Alguns fungos apresentam outros fatores como por exemplo a concentração de CO2, pH, disponibilidade nutricional... e são chamados de fungos oportunistas.
-Parede Celular: A parede celular dos fungos é composta principalmente por:
Quitina + muitos βGlucanos + Mananas
Mananas são proteínas ligadas à açúcares.
As quantidades de cada componente variam de acordo com o fungo. Leveduras geralmente tem mais mananas e açúcares.
*Ergosterol é um lipídeo específico do fungo.
*Fungos aquáticos tem celulose.
-Nutrição: absorção.
- Esporos: Os esporos são formados a partir das hifas aéreas de diferentes maneiras, dependendo da espécie. Os esporos de fungos podem ser assexuais ou sexuais. Os esporos assexuais são formados pelas hifas de um organismo. Quando esses esporos germinam, tornam- -se organismos geneticamente idênticos ao parental. Os esporos sexuais resultam da fusão de núcleos de duas linhagens opostas de cruzamento de uma mesma espécie do fungo. Os fungos produzem esporos sexuais com menos frequência que os esporos assexuais. Os organismos que crescem a partir de esporos sexuais apresentarão características de ambas as linhagens parentais. Como os esporos são de considerável importância na identificação dos fungos, examinaremos a seguir alguns dos vários tipos de esporos assexuais e sexuais.
Esporos assexuais. Os esporos assexuais são produzidos pelos fungos por mitose e subsequente divisão celular; não há fusão de núcleos de células. Dois tipos de esporos assexuais são produzidos pelos fungos. Um deles é o conídio, um esporo externo unicelular ou multicelular que não é armazenado em uma bolsa (Figura 12.5a). Os conídios são produzidos em cadeias na extremidade do conidióforo. Tais esporos são produzidos por Aspergillus.
¨Os conídios formados pela fragmentação de uma hifa septada em células únicas, levemente espessas, são denominados artroconídios e podem ser considerados estruturas de resistência (Figura 12.5b). Uma espécie que produz esses esporos é o Coccidioides immitis. Outro tipo de conídio, o blastoconídio, consiste em um broto originado de uma célula parental (Figura 12.5c). Esses esporos são encontrados em algumas leveduras, como Candida albicans e Cryptococcus. Um clamidoconídio é um esporo com paredes espessas, formado pelo arredondamento e alargamento no interior de um segmento de hifa (Figura 12.5d). Um fungo que produz clamidoconídios é a levedura C. albicans. ¨ não essencial saber
Outro tipo de esporo assexual é o esporangiósporo, formado no interior de um esporângio, ou bolsa, na extremidade de uma hifa aérea denominada esporangióforo. O esporângio pode conter centenas de esporangiósporos (Figura 12.5e). Esses esporos são produzidos por Rhizopus.
Fungos com hifas septadas tem esporos externos.
Fungos com hifas cenocíticas tem esporos internos.
Esporos sexuais. Um esporo sexual fúngico resulta da reprodução sexuada, consistindo de três etapas:
1. Plasmogamia. Um núcleo haploide de uma célula doadora (+) penetra no citoplasma da célula receptora (–).
2. Cariogamia. Os núcleos (+) e (–) se fundem para formar um núcleo zigoto diploide. 
3. Meiose. O núcleo diploide origina um núcleo haploide, esporos sexuais, dos quais alguns podem ser recombinantes genéticos. 
Os esporos sexuais produzidos pelos fungos caracterizam os filos. Em laboratório, a maioria dos fungos apresenta apenas esporos assexuais. Consequentemente, a identificação clínica é baseada no exame microscópico dos esporos assexuais.
*Esporos sexuais apenas peguei do livro, mas a prof NÃO explicou
- Estruturas de Resistência: 
1. Clamidósporo: células da hifa se diferenciam em uma estrutura arredondada de parede espessa com reserva energética (glicogênio) e normalmente com coloração.
2. Esclerócios ou Esclerotos: são emaranhados de hifas que formam uma massa micelial de consistência duro e diferenciada. As paredes celulares se fundem e as hifas adquirem uma forma redonda ou irregular lembrando um tecido. Apresentam coloração e tem reservas de nutrientes. Permanecem em um estado de dormência até que as condições ambientais estejam favoráveis.
Esclerócios de Sclerotinia sclerotiorum junto a grãos de soja após a colheita
3. Artroconídios: conídios formados pela modificação da célula da hifa, fragmentação da hifa em elementos retangulares, aumentando a quantidade de quitina entre as células facilitando a fragmentação para maior dispersão do fungo.
- Aparência: macroscopicamente 
Fungo filamentoso = cabeludo, pelinhos.
Levedura = catupiry, cremoso.
Bactéria = colônia parece gel, requeijão da Nestle mole. 
Por que um fungo não é bactéria?
 Porque o tamanho do fungo é maios, a organização é diferente já que os fungos têm organelas, carioteca e sua parede celular tem quitina e beta glucanos.
Por que um fungo não é planta? 
Porque ele não realiza fotossíntese, aclorofilado, nãocontém celulose na parede celular e utilizam glicogênio em seus processos metabólicos.
Fungos são mais próximos aos animais do que com as plantas pois nós também armazenamos glicogênio, a parede celular dos fungos é composta de quitina e os insetos tem quitina no exoesqueleto também.
Grupo Monofilético: todos se originam a partir de um mesmo ancestral, possuem características comuns. Todos que se originaram a partir desse são chamados de fungos verdadeiros.
Organismos “like/fake” fúngicos tem características parecidas principalmente a olho nu, mas não tem ancestral comum. 
Só pensando em fungos verdadeiros...
Temos pelo menos 5 filos de fungos, porém só 3* tem importância médica pois tem representantes patogênicos para o ser humano:
Para identificar e classificar um fungo em algum desses filos é preciso conhecer sua fase sexuada e assexuada. A fase assexuada acontece muitooo mais que a sexuada, então é mais comum. *para rolar o sexo tem que ter um momento especial*
O Filo Deuteromycota ou fungos imperfeitos é um grupo artificial quando não tenho como classificar nos filos pois nunca vimos alguma fase, normalmente a sexuada. Os fungos que estão neste grupo são mitosporos só conheço a fase que ele faz esporos com carga genética de mitose, também chamado de anamorfos.
Esporos feitos na fase assexuada ou anamórfica se originam por mitose, já os esporos produzidos na fase sexuada ou teleomórfica se originam por meiose e vão ter metade da carga daquela espécie.
Como diferenciar os filos?? 
Primeira coisa a fazer é olhar o esporo do fungo:
Os Chytridiomycota formam zoósporo, um esporo flagelado, gostam de viver no meio aquático. Se não tem esporo flagelado não pode ser desse filo. 
Se o fungo formar esporângio os esporos são internos e as hifas cenocíticas, então o fungo é do filo Zygomycota.
Se a hifa for septada e os esporos serão conídios o fungo será do filo Ascomycota ou Basidiomycota. O que determina esta diferença é a estrutura de reprodução sexuada, se formar cogumelo é do filo Basidiomycota.
Resumindo as principais características: 
Chytridiomycota = esporo flagelado
Zygomycota = hifas cenocíticas + esporângio com esporangiósporos na fase assexuada + na fase sexuada vai formar esporo externo chamado zigosporo.
Ascomycota = hifa septada + conídio externo na fase assexuada + na fase sexuada esporos internos dentro do asco. 
Basidiomycota = hifa septada + conídio externo na fase assexuada + na fase sexuada esporos formados dentro dos cogumelos com esporos externos chamados de basidiósporos. 
Os fungos pertencentes ao filo Deutetomycota são em maioria Ascomycota ou Basidiomycota. Esta afirmação é verdadeira ou falsa? Justifique. 
Esta afirmação é verdadeira pois não conhecemos alguma fase deste fungo e para diferenciar Ascomycota e Basidiomycota analisamos a estrutura de reprodução sexuada.
Porque o filo Deuteromycota tende a extinção? 
Pois com as técnicas de Biologia Molecular podemos realizar o sequenciamento genético e comparo com outros fungos que já conheço por semelhança genética.
FILO ZYGOMYCOTA:
- São fungos muito perigosos para um paciente diabético que está em cetoacidose (diabetes descompensada) pois o fungo tem tropismo pelo endotélio 
₪ A “característica chave” que vamos encontrar neste caso vai ser a hifa cenocítica pois só vamos ver a hifa no paciente, o aparelho reprodutor só vamos encontrar no meio de cultura e para confirmar devemos encontrar o esporângio.
- O gameta se forma na extremidade da hifa com caráter de sexualidade positiva ou negativa. A fusão dos núcleos n formando um zigósporo 2n. O zigósporo produz um esporângio que libera esporangiósporos. Os esporangiósporos germinam para produzir uma nova hifa. 
- Por que o fungo faz a reprodução sexuada? Para aumentar a variabilidade genética.
 FILO ASCOMYCOTA:
- Hifa septada + conídio externo na fase assexuada + na fase sexuada esporos internos dentro do asco
₪ Na reprodução assexuada temos conídios externos haploides que vão ser dispersos e se achar um local favorável vão dar origem a outro indivíduo haploide, mas se ele encontrar outro indivíduo que tenha caráter de sexualidade em comum (um + e outro -) acontecerá a plasmogamia (fusão do citoplasma) formando um indivíduo heterocariotico ou seja com dois núcleos, sofre cariogamia se tornando uma célula diploide. Essa diploide vai sofrer meiose e várias mitoses formando ascósporos haploides. 
- Ascósporos: esporo sexuado.
- O Asco é uma estrutura que contém os ascósporos. Uma hifa ascogênica é uma hifa que dará origem ao asco, essas podem se juntar e se fundir dando origem ao Ascocarpo que é a estrutura de reprodução assexuada do grupo ascomicetos.
~ Vaso com vários sacos de mm´s. Vaso Ascocarpo, cada saquinho asco, cada chocolate ascósporos. 
*Quando você não souber e precisar chutar, chute Ascomycota se não formar cogumelo nem tiver flagelo!!!!!*
ATENÇÃO: Candida pertence a este filo!!
- Existem tipos diferentes de ascocarpos, os 3 principais são:
Cleistotécio – Ascocarpo fechado em forma de bolinha, quando eu abro libero os ascos. Exemplo: trufa.
Peritécio – Ascocarpo em formato de pera com um furinho chamado ostíolo, por onde saem os ascósporos. 
Apotécio – Ascocarpo em formato de taça, aberto, ascos ficam ao redor e para ver os ascósporos precisamos quebrar os ascos.
FILO BASIDIOMYCOTA
- Hifa septada + conídio externo na fase assexuada + na fase sexuada esporos formados dentro dos cogumelos com esporos externos chamados de basidiósporos.
- O esporo liberado do basidiocarpo(cogumelo) vai dar origem a hifas septadas haploides com caráter de sexualidade diferentes. Ao encontrarem hifas sexuais complementares acontecerá a plasmogamia então as hifas se tornarão heterocarióticas e darão origem ao basidiocarpo(cogumelo). O basidiocarpo contém em suas lâminas células heterocarióticas que sofrerão a cariogamia e se tornarão 2n e na beirada das lâminas sofrerão meiose e formarão enfim o basidiósporo n e recomeça o ciclo. 
*todas as células do cogumelo vão ser heterocarióticas!!! Mas apenas as lâminas sofrem a cariogamia se tornando basídia!
**a célula que vai dar origem aos basidiósporos, que sofre mitose é chamada de basídia (2n).
ATENÇÃO: Levedura encapsulada do filo Basídiomycota = Cryptococcus neoformans – NÃO VAI FORMAR BASÍDIOCARPO porque vai se reproduzir por brotamento. 
PRINCIPAIS DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS
Micotoxicose 
- Micotoxicose é a doença causada pela toxina liberada pelo fungo, às vezes os fungos nem precisam estar presentes basta apenas a toxina. Por exemplo o fungo que germinou em algum alimento e você retira apenas a parte onde esta o fungo, mas o micélio vegetativo pode estar entremeado e você acaba ingerindo a toxina.
- Se fizermos um diagnóstico do sangue de um paciente com Micotoxicose não vamos conseguir isolar os fungos muitas vezes, mas encontraremos a toxina. 
- Muitas dessas micotoxinas são carcinogênicas (tem potencial de causar câncer).
- As Aflatoxinas são bastante carcinogênicas, se acumulam no fígado, são termo resistentes encontradas em amendoins por exemplo. Essa aflatoxina é produzida por várias espécies de fungos principalmente pelo Aspergillus flavus. É acumulativo, não eliminamos.
Antibiótico é uma micotoxina? Sim, para os fungos a micotoxina serve para matar competidores e nós aproveitamos e utilizamos ela na medicina. 
- O Claviceps purpúrea é o fungo conhecido como causador do Fogo de Santo Antão encontrado nos grãos de trigos por exemplo, é extremamente alucinógeno pois contém vários alcaloides como ergotamina.
 Ergotismo: extraem-se vários alcaloides como ergotamina do fungo Claviceps purpúrea para utilização em remédio para dor de cabeça, LSD e até abortivos pois causa vasodilatação periférica e contração da musculatura lisa. 
Micetismo:
O micetismo é a intoxicação pela ingestão de cogumelos ou chá deles por vontade própria. Tendo quadros variáveis devido a quantidadede alcaloides podendo levar até a óbito. 
Doença Alérgica:
Causada pela interação de um indivíduo sensibilizado com antígenos fúngicos. 
A Aspergilose broncopulmonar (ABPA) é uma doença alérgica grave e rara, onde o indivíduo inala os esporos, ele germina nos alvéolos e vai crescendo e destruindo tecido pulmonar.
Micoses: 
A classificação geral é feita de acordo com os tecidos atingidos. Mas vamos utilizar a classificação utilizada pela Sociedade Internacional de Micologia Humana e Animal (ISHAM):
- As micoses são encontradas normalmente em extremidades e precisam de:
Ambiente úmido
pH ácido – aprox. 5/5,5
Temperatura – alta
Escuro – porque não faz fotossíntese
Ausência de competição – retirada de microbiota que favorece o estabelecimento e adesão.
Micoses Superficiais Propriamente Ditas
*Definição: Infecções fúngicas da camada córnea ou cutícula do pelo em que a resposta imune celular do hospedeiro é mínima ou ausente. 
- Não consegue ultrapassar a camada de queratina, não coça nem dói porque o sistema imune nem percebe então não tem resposta imune.
- Normalmente são doenças apenas cosméticas. Facilmente tratadas com cremes, sabonetes e shampoo. 	
- Antigamente as pessoas achavam que estes fungos eram vermes pois parecia que tinha algo “andando” em baixo da pele, e chamavam de Tineas.
- Normalmente esses fungos já estavam na sua microbiota e houve uma desregulação. Mas podem ser adquiridos no meio ambiente. Geralmente os fungos Brancos ou hialinos são da microbiota.
Exemplos: 
- A mais famosa é a Ptiríase versicolor ou pano branco causada pelo Malassezia furfor que está presente na nossa microbiota. Já as Piedras o fungo cresce ao redor do fio de cabelo ou pelo e são adquiridas no meio ambiente. 
Piedra negra – nódulo duro. Piedra Branca – nódulo gosmento.
- Fungo demáceo: produtor de melanina, pretos.
- Ptiríase versicolor: É um fungo lipofílico e lipodependente, ou seja, tem afinidade e depende de lipídios, gosta de áreas oleosas tipo couro cabeludo, causador da caspa. 
- A descamação é uma das características principais das micoses superficiais propriamente ditas e para saber se há devemos esticar a pele para observar, chamamos isso de sinal zileri.
- Dimórfico: 
Forma comensal – levedura 
Forma parasitária – filamentosa
Para coletar a amostra de paciente devemos fazer uma raspagem superficial ou imprint. Para preparar a lâmina devemos adicionar Hidróxido de Potássio para clarificar, ou seja, degradar um pouco da queratina e liberar as estruturas fúngicas, fazer uma coloração simples com azul de algodão ou metileno. Ao observar, se a Malassezia furfur estiver causando doença ela estará formando hifas na forma parasitária, ela é uma levedura em forma de garrafinha de boliche na sua forma comensal. Quando vemos a estrutura patognomônica spaghetti com almôndegas o resultado é positivo pois a levedura se desenvolveu para hifa. 
Como existem vários tipos de Malassezia devemos isolar o fungo no meio de cultura Dixon que tem azeite de oliva como lipídio para que o fungo possa crescer. A única Malassezia que cresce sem lipídios é a M. pachydermatis que causa o fungo em cachorros e gatos.
Malasseziose* sistêmica 
Malasseziose é uma doença sistêmica causada por Malassezia sp. encontrada normalmente em pacientes que usam cateteres para alimentação parenteral lipídica, O fungo entra pelo cateter da mão do enfermeiro/médico que estava manipulando e como era uma alimentação lipídica e o fungo é lipofílico e lipodependente favorece o crescimento do fungo no cateter facilitando sua entrada na corrente sanguínea. 
 
Tinea Negra
- Agente etiológico: Hortaea werneckii
- É um fungo dimorfico que quando jovem é levedura e quando a colônia fica velha forma micélio, podemos reparar isso no centro da colônia mais gosmentinho e as bordas mais peludinhas. As leveduras se dividem por cissiparidade.
- É geofílico, tem afinidade com a terra. 
Piedra Negra 
- Agente etiológico: Piedraia hortae
₪ Fungo demáceo pertencente ao filo Ascomycota. O nódulo é duro pois no fio de cabelo o fungo está na sua fase teleomórfica (sexuada) então é o Ascocarpo, cheio de ascos. Possuí Dimorfismo sexual.
- No laboratório, vamos pegar o fio do paciente e colocar em uma placa, por exemplo Sabouraud então o fungo vai fazer reprodução assexuada indo para fase Anamórfica e veremos o fungo crescendo formando hifas e conídios. 
Piedra Branca 
- Agente etiológico: Trichospororum beigelii
- Fungo leveduriforme, dimórfico borda lembra filamentoso, mas centro levedura.
- No laboratório observamos a presença de estruturas que lembram hifa segmentada, chamadas artroconídios e se quebram facilmente e vemos leveduras. Nódulos cremosos.
- Afeta pelos das regiões axilares, pubianos, perianal, barba e bigode.
- Conhecida como doença dos caminhoneiros pois ele é da nossa microbiota e fica especialmente na região pubiana, em adolescentes com higiene duvidosa.
- O Trichospororum é resistente a muitos antimicrobianos como a anfotericina B que atua no ergosterol. 
- Diagnóstico diferencial: feito para ter certeza de que é o fungo mesmo, neste caso feito para não confundir com lendias. 
- Tratamento de Piedras: Raspagem dos pelos acometidos!! Ou uso de shampoos/sabonetes.
**TRICOSPORONOSE – infecção fúngica no sangue quando inala o artroconídio, acomete grupos de risco, doença grave descoberta geralmente na necropsia.
Micoses Superficiais Cutâneas
- São micoses superficiais que acometem a pele, pelos e unhas, caudadas por Dermatófitos (grupo de fungos queratinofílicos), leveduras do gênero Candida e fungos filamentosos não filamentosos hialinos ou demáceos, além de leveduras exógenas.
- São queratinofílicos, possuem enzimas capazes de degradar queratina, ficam parte mais basal da epiderme. 
- A Impinge possuí mácula que são lesões arredondadas com borda elevada e inflamada, com o centro plano.
- Possuem lesões alopecias onde os pelos caem no local que o fungo está presente.
* Crescimento centrífugo, de dentro para fora. 
- Também acomete cães e gatos.
- Como o fungo já está na base da epiderme o sistema imune já reconhece e o paciente pode sentir dor, coceira, incomodo, pois acontece resposta inflamatória.
**Placa Querium = formada quando existe uma infecção bacteriana secundária ou o sistema imune da criança não sabe lidar muito bem com a presença do fungo e começa uma resposta inflamatória muito intensa.
- Quando há Querium é bom coletarmos material da borda como fios de pelo ou cabelo e colocar o folículo em meio de cultura. 
Populações mais propensas:
Sexo: Homens
Idade: Tinea capitis – crianças, Tinea pedis e inguinocrural – adultos 
Imunidade: imunocomprometidos 
Hábitos: não enxugar os pés direito 
Populações fechadas: navios e creches 
Sazonalidade: verão e outono
- Micoses também são referidas como Tineas: 
Tinea Captis – micose na cabeça 
Tinea Barbae – micose na barba
Tinea Corporis – micose distribuída pelo corpo
Tinea Pedis – micose nos pés
Tinea Mannum – micose na mão
Tinea Unguium – micose na unha
Tinea Cruris – micose no anus 
- A transmissão pode ser por contato direto ou indireto.
Dentro do grupo dos Dermatófitos temos 3 gêneros:
Trichophyton spp.
Epidermophyton spp. vão se tornar + de 45 espécies
Microsporum spp.
- Não precisamos saber todas as espécies, mas algumas NÃO PODEMOS ESQUECER como:
Dermatófitos Geofilicos – isolados no solo/terra Microsporum gypseum mais incidente.
Dermatófitos Zoofílicos – estão em animais domésticos, silvestres e aves Microsporum canis muito muito muito comum com reservatório no gato ou Trichophyton mentagrophytes.
Dermatófitos Antropofílicos – encontrados quase exclusivamente em associação em humanos Microsporum interdigitale, Epidermophyton flocosun.
Muito bom saber algumas espécies e a fonte do fungo pode ser muito interessante para o tratamento, quando um fungo é antropofílico sabe lidar como sistema imune então a doença muitas vezesse torna crônica. Já os Geofílicos e os Zoofílicos estão adaptados respectivamente ao ambiente e aos animais então o seu sistema imune pode levar a cura espontânea, nosso sistema imune da cota sozinho por exemplo a impinge.
Qual a melhor imunidade para impedir a infecção por fungos que causam micoses superficiais cutâneas?
A imunidade inata, pois a pele tem que estar integra para que o fungo não consiga invadir o tecido, a mediada por células também é importante pois já tenho o sistema imune envolvido, o que não conta muito é a humoral, mas alguns testes sorológicos podem ser utilizados para fazer o diagnóstico de algumas dermatofitoses. 
Teste de Hipersensibilidade a tricofitina: teste para ter uma ideia para ver como vai evoluir a infecção, quando existe quadro clínico. Vamos inocular no braço do paciente antígenos do dermatófito, se a pessoa já tiver tido contato com o fungo antes já tem uma resposta celular a ele. Em caso positivo vamos ver um halo ou caroço que indica que ele teve ou está com dermatofitose, mas existe a capacidade da doença se curar espontaneamente. Caso não forme caroço é possível que a infecção tenha se cronificado, é um dermatófito antropofilico e o paciente não vai conseguir se curar sozinho. 
No pelo o dermatófito pode ser:
Tipo Ectothrix – fungo crescendo ao redor do pelo Microsporum spp.
 Tipo Endothrix – fungo crescendo ao dentro do pelo Trichophyton spp.
PS: Embora sejam queratinofílicos alguns fungos não conseguem entrar no fio. 
Afinidade seletiva pela queratina: 
Microsporum predileção por pele e pelos.
Epidermophyton predileção por pele e unhas.
Trichophyton tanto faz!
Para classificar as Tineas Unguium devemos conhecer as áreas da unha: 
As Tineas serão classificadas como: Sub unguial distal, Sub unguial proximal, superficial lateral...
Existem unhas distróficas quando a unha já foi destruída.
Paroníquea é a base proximal da unha inflamada.
Geralmente quando a infecção é causada por dermatófito, começa da região distal para proximal. 
Quando é causada por Candida, geralmente começa da borda proximal para a distal. 
- Para realizar coleta primeiro precisamos fazer a antissepsia da unha, quando for superficial raspar, quando for subunguial levantar a unha, tirar excesso de massa de unha degradada e realizar a raspagem profunda. 
- Para coletar material de infecções da pele com micoses superficiais cutâneas devemos realizar uma raspagem um pouco mais profunda, até sair um pouquinho de sangue com um bisturi. Esse material pode ser utilizado em um exame direto. 
- Em um exame direto podemos utilizar o material coletado direto na lâmina, mas antes temos que adicionar Hidróxido de Potássio (KOH) para clarificar, ou seja degradar um pouco da queratina e liberar as estruturas fúngicas, fazer uma coloração simples com azul de algodão ou metileno e procurar estruturas fúngicas como micélio. 
- Em um exame indireto colocamos a amostra em meios de cultura.
- Todos os exames fúngicos são demorados, pelo menos 7 dias para algum resultado e no máximo 30 dias para confirmar o negativo.
Etapas de identificação: 
Leveduras várias provas bioquímicas e fenotípicas para identificar. 
Filamentoso devemos ver o aparelho reprodutor, hifas e outras estruturas fúngicas para identificar o fungo.
Na macroscopia geralmente o fungo dermatófito tem não borda bem delimitada, descabelada, pulverulento e o produz pigmento visto no verso da placa. 
Ao observar os esporos corados no microscópio conseguimos identificar macroconídios com formas características:
Macroconídios com extremidades afiladas é típico de Microsporum.
Macroconídios arredondados, em forma de raquete é típico de Epidermophyton.
Já os Trichophyton possuem microconídeos, conídios pequenos distribuídos pela hifa. A hifa tem formato de cacho/hélice:
Meios de Cultura para Fungos 
Ágar Sabouraud – O ótimo crescimento dos fungos se deve às altas concentrações de carboidratos. O meio não dispõe de inibidores de microflora acompanhante, mas agentes inibidores podem ser adicionados. O pH do meio, levemente ácido, inibe o desenvolvimento de algumas bactérias e de algumas espécies de fungos. O período de incubação deste ágar é de no mínimo 3 dias a 25ºC.  
Ágar Mycosel - destinado ao isolamento e conservação de fungos patogênicos, principalmente Dermatófitos. Contém um antifúngico chamado ciclo eximida que inibe o crescimento de fungos contaminantes para permitir o crescimento de fungos que causa micoses superficiais cutâneas. Geralmente fungos demáceos não crescem neste tipo de ágar. EVITAR USAR EM SUSPEITAS DE DEMÁCIOS. 
Ágar BiGGY (Bismuth Glucose Glycine Yeast Agar) - o extrato de levedura e a glicose fornecem os nutrientes necessários para o crescimento de leveduras. A glicina é um nutriente adicional, mas também inibe muitas espécies bacterianas na alta concentração usada neste meio. As espécies de Candida reduzir o sal de bismuto para bismuto e sulfito para enxofre, por um processo de redução de substrato. O bismuto e o enxofre se combinam em um precipitado de cor acastanhado ao preto que tinge as colônias e pode se difundir no meio. Além disso, compostos de bismuto e enxofre inibem numerosas bactérias.
Ágar DTM (Meio de teste de Dermatófito) - ele é baseado no ágar dextrose Sabouraud com ciclo eximida adicionada para inibir o crescimento saprotrófico, antibiótico para inibir o crescimento bacteriano e fenol vermelho como indicador de pH. O indicador de pH é útil para distinguir um fungo dermatófito, que utiliza material azotado para o metabolismo preferido, produzindo subprodutos alcalinos, conferindo uma alteração de cor vermelha ao meio. Fungos saprotróficos típicos utilizam carboidratos no meio produzindo subprodutos ácidos e sem mudança de cor vermelha.
** TODA LEVEDURA PELA COLORAÇÃO DE GRAM: POSITIVO!! 
**FUNGO FILAMENTOSO NÃO SE CORA POR GRAM!!
** Para as micoses profundas o fungo precisa ser inoculado no momento do trauma!! Para inocular o fungo na derme.
Micoses Profundas Subcutâneas
- Possui resposta inflamatória muito mais intensa que as micoses anteriores, dói e incomoda. Os agentes dessa classe são saprofíticos, estão principalmente no ambiente e animais de vida livre, nas cascas e sementes de árvores e porco espinho por exemplo. 
- São micoses raras e exóticas em países desenvolvidos, com exceção da Esporotricose causada pelo Sporothrix schenckii isolado em sementes e cascas de árvores coníferas, mas tem um importante vetor que leva este agente etiológico para dentro de casa: o gato. O animal de estimação normalmente se esfrega ou arranha a casca dessas árvores.
- Para contrair essas micoses profundas subcutâneas o fungo precisa ser inoculado a partir de traumatismo, cortes por galho aranhados por gatos por exemplo.
- Quando falamos deste tipo de micose devemos destacar 4 exemplos, TODOS precisam ser inoculados a partir de traumatismo para se desenvolverem: 
Doença de Jorge Lobo 
- Causado pelo fungo Lacazia loboi, demáceo, dimórfico no paciente é encontrado leveduriforme, mas nunca conseguiram vê-lo em sua forma filamentosa. Apresenta lesões granulomatosas muitas vezes gomosas e quando é feita a biópsia conseguimos ver as leveduras arredondadas, o quadro de lesões pode ser extremamente variado com pontos enegrecidos onde há eliminação do fungo
- Coletar dos pontos enegrecidos ou realizar biópsia.
** Estrutura patognomônica: Leveduras globosas bem arredondadas com parede espessa sempre uma do lado da outra, geralmente de 3 a 8.
- Não invade mucosas e não existe transmissão inter-humana. Para ser inoculado precisa estar no ambiente e haver trauma, mas ainda se sabe onde. 
₪ NÃO existe meio de cultura para este fungo!
Esporotricose 
- Causada pelo fungo Sporothrix schenckii, mas no Brasil foi descoberto o Sporothrix brasiliensis mais patogênico. - Dimórfico:
 25°C Micélio filamentoso em Margarida.
 37°C Leveduras em forma de charuto.Esporotricose cutânea = lesão fixa, geralmente única.
Esporotricose linfomatoma = lesão inicial onde houve inoculação, o fungo pode cair no sistema linfático e vai ascendendo de linfonodo a linfonodo pelos braços ou pernas. Esses linfonodos podem estourar e temos lesões bem feias nestes locais. 
- Se o paciente chega com lesão e mesmo com o uso de antibiótico não resolve devemos começar a pensar em Esporotricose. 
- Transmissão gato – humano: levedura para levedura, não passa pela fase filamentosa.	
- Transmissão ambiente – humano: filamentoso para levedura 
- Quadro de lesões varia muito, porém na maioria das vezes utilizamos o punch. 
*Punch = material de metal que ao furarmos o paciente coletamos um pedaço de tecido, biópsia. 
- Diagnóstico: exame direto com coloração gram para visualizar leveduras gram positivas e sempre semear em duas temperaturas!
Cromoblastomicose 
- Agentes etiológicos: Fonsecaea pedrosoi, F. compacta, Phialophora verrucosa e Cladosporium carrionii.
- No Brasil causada pelo fungo demáceo Fonsecaea pedrosoi, presentes na terra e normalmente acomete trabalhadores rurais que só param para procurar um médico quando não da mais para trabalhar, assim a doença já progrediu bastante.
-Infecção bacteriana secundária pode acontecer.
- Lesões podem ulcerar ou não, tem aspecto verrugoso facilmente confundidas com verrugas, parece uma couve flor. Contém black dots que são pontos pretos que conseguimos tirar os fungos. 
- Do mesmo jeito que pode ter a doença anterior, pode ir ascendendo e formando a cadeia de lesões pelos linfonodos que podem infartar. 
- Fazer exame direto com black dots ou pus (adicionar KOH + coloração) vamos ver:
 Estrutura patognomônica: Corpúsculos muriformes ou corpos fumagóricos = células esféricas de cor cobre (por causa da melanina) em vários estágios de divisão por cissiparidade.
 Hifas septadas e demáceas 
Feohifomicose
-Agentes etiológicos: Fonsecaea pedrosoi, F. compacta, Phialophora verrucosa e Cladosporium carrionii.
- Os mesmos fungos causadores da Cromoblastomicose vão causar a feohifomicose, porém com quadros completamente diferentes. 
- Lesões císticas, assintomático, localizado, escuro porque é fungo demáceo. 
-Única diferença é o aspecto clinico. 
- Se coletarmos com punch e fizermos o exame direto veremos também a hifa demácias! SEM corpúsculo muriformes! 
- A cultura é importante para diferenciar as espécies. 
Eumicetoma 
- Micetoma = Amplo espectro de manifestações na pele que abrange tecidos profundos da derme e subcutâneos, pode ser causado por fungos, bactérias... É uma característica clínica!!
- Eumicetoma é causado por fungos filamentosos, principalmente a Pseudallescheria (hialino) ou Madurella grisea (demáceo)
- Causa quadros muito graves podendo levar até a amputação de membros, porque vai tomando conta dos tecidos, causando osteólise, degradando fibras..., mas o processo é lento.
- Lesões com aspecto granulomatoso e quando você aperta/espreme saem grãos chamados de Drusas que são emaranhados de hifas e clamidósporos. Podem ser hialinos ou pretos.
-Tríade Clínica = tumefação (aumento de volume), fistula (conexão entre um órgão ou de um vaso sanguíneo com outra estrutura que normalmente não estão conectados) e eliminação de grãos.
- A Drusa é uma estrutura patognomônica e pode ser colocada em meio de cultura. 
- Actinomicetoma é o Micetoma causado por bactérias, e no microscópio vemos bactérias ramificadas muito parecidas com micélio. Para diagnóstico diferencial devemos levar em conta o tamanho! A bactéria é muito menor que o fungo. 
- O Actinomicetoma é encontrado perto da boca, é mais inflamatório e supurativo (tem bastante pus).

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