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HERMENÊUTICA JURÍDICA 
PLANO DE AULA Nº 3 – 2ª PARTE 
 
INTEGRAÇÃO E APLICAÇÃO DO DIREITO 
PERANTE ANTINOMIAS E LACUNAS 
 
1. As Antinomias 
- Noção de antinomias => toda e qualquer contradição, incongruência, contraste 
- Motivo pelo qual existem as antinomias => constante processo de evolução 
social 
- Exemplos de antinomias: 
1) Código Civil 
- Art. 1º do Decreto-Lei nº 3.200, de 19 de abril de 1941=> “O casamento 
de colaterais, legítimos ou ilegítimos do terceiro grau, é permitido nos 
termos do presente decreto-lei” 
- Art. 1.521 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) => 
“Não podem casar: IV – os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais 
colaterais, até o terceiro grau inclusive;” 
2) Código Civil 
- Art. 1.865 => “Se o testador não souber, ou não puder assinar, o tabelião 
ou seu substituto legal assim o declarará, assinando, neste caso, pelo 
testador, e, a seu rogo, uma das testemunhas instrumentárias”. 
- Art. 1.872 => “Não pode dispor de seus bens em testamento cerrado, 
quem não saiba ou não possa ler” 
3) Lei nº 4.886, de 9 de dezembro de 1965, art. 34 => “A denúncia, por 
qualquer das partes, sem causa justificada, do contrato de representação, 
ajustado por tempo indeterminado e que haja vigorado por mais de seis 
meses, obriga o denunciante, salvo outra garantia prevista no contrato, à 
concessão de pré-aviso, com antecedência mínima de trinta dias, ou ao 
pagamento de importância igual a um terço (1/3) das comissões auferidas 
pelo representante, nos três meses anteriores”. 
Código Civil, art. 720 => “Se o contrato for por tempo indeterminado, 
qualquer das partes poderá resolvê-lo, mediante aviso prévio de noventa 
dias, desde que transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto do 
investimento exigido do agente” 
4) Um soldado membro das Forças do Exército Brasileiro que recebe uma 
ordem de seu comandante para fuzilar um prisioneiro de guerra. O Estatuto 
dos Militares assim prescreve o dever do militar de obedecer a ordens de 
seu comandante: art. 35 => “Os deveres militares emanam de um conjunto 
de vínculos racionais, bem como morais, que ligam o militar à Pátria e ao 
seu serviço, e compreendem, essencialmente: (...) IV – a disciplina, o 
respeito à hierarquia; V – o rigoroso cumprimento das obrigações e das 
ordens;” 
Código Penal, art. 121 => proíbe o homicídio 
5) Código de Trânsito, art. 303 => “Praticar lesão corporal culposa na direção 
de veículo automotor: Penas – detenção, de seis meses a dois anos e 
suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir 
veículo automotor” 
Código Penal, art. 129 => “Ofender a integridade corporal ou a saúde de 
outrem. (...) § 6º Se a lesão é culposa: Pena – detenção, de 2 (dois) meses a 
1 (um) ano”. 
2. Critérios para a Solução das Antinomias 
- Proposição de Critérios pela Ciência do Direito => a Ciência do Direito propõe 
critérios adequados para a solução das dificuldades que surgem a partir das 
antinomias 
- Classificação das Antinomias Prescritivas quanto à Possibilidade de Solução 
a) Solúveis => aquelas que podem ser eliminadas através de um dos critérios 
indicados pela Ciência do Direito 
b) Insolúveis => aquelas que não podem ser eliminadas através dos critérios 
indicados pela Ciência do Direito, o que obriga o aplicador da prescrição 
jurídica a recorrer a critérios valorativos ou axiológicos 
2.1. Critério Hierárquico 
- Compreensão do Critério Hierárquico => é aquele que consiste na 
prevalência da prescrição jurídica hierarquicamente superior, admitindo-
se, nos ordenamentos jurídicos em geral, que a Constituição é a categoria 
de lei que ocupa a posição mais elevada, estando abaixo desta as demais 
normas do ordenamento, tradicionalmente denominadas ordinárias 
- Definição da Posição de Superioridade Normativa => depende de cada 
ordenamento jurídico positivo 
2.2. Critério Cronológico 
- Compreensão do Critério Cronológico => é aquele que, quando ocorre a 
antinomia entre prescrições de datas diferentes, determina a aplicação 
daquela mais recente 
2.3. Critério de Especialidade 
- Compreensão do Critério de Especialidade => as prescrições gerais 
convivem com as especiais, e estas prevalecem sobre aquelas 
 
3. Insuficiência dos Critérios 
3.1. Antinomias Principiológicas e a Questão dos Valores 
- Diferença entre Antinomias Próprias (Normativas) e Antinomias 
Impróprias (Principiológicas) 
- Espécies de Antinomias Principiológicas: 
a) de Contradição => “quando numa determinada situação colocam-se em 
conflito dois princípios” (MACHADO, 2004, p. 169) 
Ex.: uma questão apreciada pelo STF, em que o princípio da 
segurança jurídica e o da isonomia estiveram em conflito, sendo que o 
STF decidiu pelo predomínio do último 
Observação => geralmente, os princípios levam à criação de normas 
que os concretizam. Neste caso, diante de princípios que apresentam 
contradição um com o outro como, por exemplo, o princípio da 
liberdade e o da segurança, há a possibilidade de se editarem normas 
perante as quais se configure uma antinomia, o que exige a eliminação 
de uma dessas normas do sistema jurídico por meio de um dos critérios 
de solução das antinomias, exceto quando elas são da mesma data e 
posição hierárquica, o que faz a antinomia subsistir e não poder ser 
solucionada. 
b) de Avaliação => “quando é estabelecida uma sanção mais grave para 
um ilícito de pequeno potencial ofensivo e uma sanção mais leve para 
um ilícito de potencial ofensivo maior” (MACHADO, 2004, p. 169) 
Ex.: art. 1º da Lei nº 8.137/90 (define crimes contra a ordem 
tributária, econômica e as relações de consumo, e dá outras 
providências), que comina pena de reclusão de 2 a 5 anos para o crime 
de supressão ou redução de tributo e art. 334 do Código Penal, que 
comina pena de reclusão de 1 a 4 anos para o crime de contrabando ou 
descaminho, que, sem dúvida alguma, é bem mais grave, pois, além de 
implicar o não pagamento do tributo de modo fraudulento, pode 
implicar também graves prejuízos à Economia nacional. 
Observação 1 => o art. 334 do Código Penal (Decreto-lei nº 2.848, de 
7 de dezembro de 1940) tem como texto original o seguinte: 
Contrabando ou descaminho 
Art. 334. Importar ou exportar mercadoria proibida ou iludir, no todo 
ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, 
pela saída ou pelo consumo de mercadoria: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos. 
§ 1º incorre na mesma pena quem pratica: 
a) navegação de cabotagem, fora dos casos permitidos em lei; 
b) fato assimilado em lei especial a contrabando ou descaminho. 
§ 2º A pena aplica-se em dobro, se o crime de contrabando ou 
descaminho é praticado em transporte aéreo. 
Observação 1 A => o referido artigo, com a vigência da Lei nº 13.008, 
de 26 de junho de 2014, foi modificado, passando a ter a seguinte 
redação: 
Descaminho 
Art. 334. Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou 
imposto devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de 
mercadoria. 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 
§ 1º Incorre na mesma pena quem: 
I - pratica navegação de cabotagem, fora dos casos permitidos em lei; 
II - pratica fato assimilado, em lei especial, a descaminho; 
III - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, 
utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade 
comercial ou industrial, mercadoria de procedência estrangeira que 
introduziu clandestinamente no País ou importou fraudulentamente ou 
que sabe ser produto de introdução clandestina no território nacional ou 
de importação fraudulenta por parte de outrem; 
IV - adquire, recebe ou oculta,em proveito próprio ou alheio, no 
exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria de 
procedência estrangeira, desacompanhada de documentação legal ou 
acompanhada de documentos que sabe serem falsos. 
§ 2º Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, 
qualquer forma de comércio irregular ou clandestino de mercadorias 
estrangeiras, inclusive o exercido em residências. 
§ 3º A pena aplica-se em dobro, se o crime de contrabando ou 
descaminho é praticado em transporte aéreo. (Incluído pela Lei nº 
4.729, de 14.7.1965). 
§ 3º A pena aplica-se em dobro se o crime de descaminho é praticado 
em transporte aéreo, marítimo ou fluvial. (Redação dada pela Lei nº 
13.008, de 26.6.2014). 
Contrabando 
Art. 334-A. Importar ou exportar mercadoria proibida: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. 
§ 1º Incorre na mesma pena quem: 
I - pratica fato assimilado, em lei especial, a contrabando; 
II - importa ou exporta clandestinamente mercadoria que dependa de 
registro, análise ou autorização de órgão público competente; 
III - reinsere no território nacional mercadoria brasileira destinada à 
exportação; 
IV - vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer forma, 
utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade 
comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei brasileira; 
V - adquire, recebe ou oculta, em proveito próprio ou alheio, no 
exercício de atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela 
lei brasileira. 
§ 2º Equipara-se às atividades comerciais, para os efeitos deste artigo, 
qualquer forma de comércio irregular ou clandestino de mercadorias 
estrangeiras, inclusive o exercido em residências. 
§ 3º A pena aplica-se em dobro se o crime de contrabando é praticado 
em transporte aéreo, marítimo ou fluvial. 
Observação 2 => ler o último parágrafo da página 169 do livro 
“Introdução ao Estudo do Direito”, de Hugo de Brito Machado. 
c) de Inadequação => “... quando uma norma destinada a realizar um 
princípio jurídico não se mostra adequada para tanto. Ou então uma 
norma prescreve um fim e outra, elaborada para permitir que tal fim 
seja alcançado, mostra-se para tanto inadequada” (MACHADO, 2004, 
p. 170) 
Ex.: a antinomia que existe entre o art. 5º, inciso II, da Constituição 
Federal (“ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma 
coisa senão em virtude de lei”), e o art. 62 também da Constituição 
(“Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá 
adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de 
imediato ao Congresso Nacional”). OBS.: ler também os §§ 3º, 11 e 12. 
 Observação => o princípio da legalidade, no âmbito constitucional, 
consiste em se fazer somente o que a lei permite ou, conforme Hely 
Lopes Meirelles afirma, “só se pode fazer o que a lei permite”.

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