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Resenha A construção do projeto ético político do Serviço Social

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O projeto ético político no Serviço Social e suas forças e limitações
O artigo "A construção do projeto ético-político do Serviço Social", foi publicado no módulo de capacitação em serviço social e política social e constituiu um dos primeiros materiais para a discussão acerca do assunto. Foi escrito por José Paulo Netto, professor titular da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1999. 
Introdução
O estudo em questão busca compreender a dinâmica dos projetos societários e a dimensão política dos mesmos esclarecendo sobre os elementos referentes aos argumentos do projeto ético-político do serviço social brasileiro. Trata também da dinâmica das disputas de projetos profissionais e apresenta o fundamento dos valores éticos subordinados aos aspectos políticos relacionados ao tema.
O projeto ético-político apresentado por Netto se se coloca a favor da igualdade e justiça social a fim de unir forças para o acesso a bens e serviços além das políticas e programas sociais para todas as pessoas. É importante lembrar que o acesso aos programas sociais e a ampliação e a consolidação da cidadania são colocadas como garantia dos direitos civis, políticos e sociais das classes trabalhadoras. 
Portanto, o projeto se preocupa com a relação dos usuários dos serviços oferecidos pelos assistentes sociais, pois se trata de compromisso com a qualidade dos serviços para a população como instrumento para a sua democratização e decisões institucionais à participação dos usuários.
Trazendo de forma resumida, fica claro que o desempenho ético-político será fortalecido pela união dos profissionais de serviço social com outras categorias profissionais que compartilham de propostas similares e com os movimentos sociais que são solidários à luta dos trabalhadores.
Resumo
O artigo divide os projetos éticos sociais em projetos societários e projetos profissionais onde os societários são projetos coletivos com propostas para o conjunto da sociedade e os profissionais são mais específicos ligados diretamente às profissões de formação técnica ou superior.
Projetos Societários:
Os projetos societários são de caráter coletivo, são sociais e políticos e tem extensão bem maior que os profissionais, pois se propõe a atender aos interesses de alguns grupos da sociedade, tentando representar as necessidades de uma classe social. Podem ser classificados como projetos transformadores/conservadores que trabalham diretamente com objetivos estratégicos de transformação sociais.
Eles se apresentam como uma imagem de sociedade a ser construída que requer valores para fundamentar e privilegiar meios materiais e culturais para que a sociedade se torne efetiva. Os projetos societários são projetos coletivos, mas sua característica mais marcante é ser estabelecido como projetos macroscópicos, em projetos para conjunto da sociedade. 
“Em sociedade como a nossa, os projetos societários são, simultaneamente, projetos de classe, ainda que refratando mais fortemente determinações de outra natureza (de gênero, culturais, étnicas etc.)” (Netto, 1999: 2)
Projetos Profissionais:
Já os projetos profissionais destacam os principais valores que fundamentam a profissão, ressaltando a delimitação de objetivos e funções na área de atuação do profissional na qualidade de agente transformador do seu meio através da regulamentação de requisitos práticos e teóricos. 
O principal foco do projeto ético-político do serviço social é contribuir pra transformação da sociedade, com direitos igualitários pra todos os cidadãos, visto que muitas vezes convivem em uma sociedade que nega seus direitos e os transforma em vitimas de injustiças sociais.
O projeto define claramente seus objetivos e compromissos pretendendo atender as necessidades sociais e produzir resultados baseando em seus valores o reconhecimento da liberdade como valor moral ético. Ele não é formado apenas pela organização dos membros atuantes da profissão, mas também pelos órgãos do sistema CFESS/CRESS, a ABEPSS, a ENESSO, sindicatos e as associações de assistentes sociais estudantes, pesquisadores.
Desta forma, os projetos profissionais apresentam uma imagem análoga da profissão, elegendo valores que reconhece e prioriza os seus objetivos e funções, elaborando requisitos teóricos, institucionais e práticos para seu exercício e prescrevendo normas para o comportamento dos profissionais. Também estabelece os limites entre a relação com os usuários, com outras profissões e principalmente com as organizações e instituições sociais tanto as privadas como as públicas, como o Estado que possui o reconhecimento jurídico dos estatutos profissionais.
 
Crítica
A relevância do artigo é entendida como a construção de um projeto profissional que é complementado pelo movimento democrático e popular que embora no passado tivesse como objetivo derrotar a ditadura e promulgar na Constituição de 1988 tornou-se um movimento popular como uma alternativa de governo e que forçasse a definição do projeto democrático. 
Desta forma, o movimento democrático brasileiro avançou e o serviço social construiu paralelamente seu projeto ético-político se preocupando em trabalhar nas transformações que marcaram a passagem do sistema capitalista para um novo estágio causando crise. 
Entretanto para que o projeto se estabelecesse na sociedade diante das demais profissões foi necessário um corpo profissional bem estruturado, organizado e capaz de sobressair-se diante das necessidades sociais, entendendo que o projeto profissional fosse realmente efetivo e com a necessidade de acompanhamento das mudanças que ocorreram na sociedade, tornando adequado ao cenário de atuação. 
A categoria apresenta um novo contexto a ser enfrentado que é uma das realidades a confrontar. Segundo Netto, é um processo que embora esteja presente na categoria, encaminha-se para o futuro onde limites dessa conjuntura serão submetidos às vanguardas da categoria profissional. 
Deve-se levar em consideração a sua autonomia política para condução do projeto ético político e entender o que está envolvido nesta prova supondo uma retomada dos componentes históricos e políticos do desenvolvimento do projeto profissional. 
Conclusão
Fica claro que o profissional de Serviço Social vai enfrentar barreiras diárias e estes impactos em relação à autonomia profissional são um desafio dentro do exercício de negociação política que pode limitar sua prática profissional. 
Essas limitações podem comprometer o trabalho profissional tornando instável o projeto ético-político. Iamamoto (2004) também disserta sobre o tema destacando que as alterações no 'mundo do trabalho' e nas relações entre Estado e sociedade atingem diretamente o trabalho cotidiano do assistente social. 
Portanto, a construção teórico-metodológica da pós-modernidade interfere diretamente na sociedade, na política, na economia e na cultura e o contexto neoliberal antagônico ao projeto ético político torna-se uma ameaça real à implementação.
Diante destas questões, é possível identificar alguns dos obstáculos enfrentados pelos profissionais na materialização do projeto na prática profissional. Desta forma, entender que o projeto se mantém na contramão dos interesses éticos, políticos e operacionais do mercado contemporâneo.
O artigo levanta muitas questões, mas falha ao considerar a ameaça do processo de formação do profissional assistente social devido à precarização do ensino superior e o surgimento de diversas instituições sem fiscalização, provocando uma construção ética extremamente frágil e descaracterizando a profissão marcando as relações profissionais e o avanço do mercado na área de Educação com a chancela do estado. 
A partir destas impressões, é importante acompanhar algumas problematizações relacionadas aos princípios do código de ética a fim de garantir sua qualidade no exercício profissional na intenção de manter um compromisso constante de crescimento profissional com o compromisso ético-político do assistente