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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 
Curso: Ciências Biológicas 
Prof: Me. Igor G. de Oliveira 
Zoologia dos Invertebrados II 
FILO Mollusca 
DIVERSIDADE E FILOGENIA DE 
MOLLUSCA 
Por Claudia Valéria da Silva 
O filo dos moluscos é o segundo maior 
grupo animal, com um número próximo de 
100.000 espécies entre formas vivas e amplo 
registro fóssil desde o Cambriano. É um 
importante filo na linha evolutiva dos invertebrados 
protostômios. Os moluscos têm larga distribuição 
espacial e temporal, com numerosas espécies e 
abundantes como indivíduos (biomassa) de 
grande importância ecológica. 
São animais de corpo mole, triblásticos, 
celomados, protostômios, de simetria bilateral, 
não segmentados em sua maior parte, apenas 
uma classe é segmentada – Monoplacophora, 
divergindo do padrão ametamérico guardado 
pelos demais moluscos. 
As espécies que compõem o filo molusca 
estão distribuídas por todos os ambientes, 
apresentando uma vasta gama de adaptações a 
diferentes modos de vida bastante variáveis, 
refletindo o seu sucesso evolutivo, que possibilitou 
estes animais a irradiarem para ambiente 
diversificados. 
Em relação aos ambientes, encontramos 
no meio marinho todos os representantes, sendo 
que, os cefalópodes, os escafópodes, os 
poliplacófora, os aplacófora e os monoplacófora 
são exclusivamente marinhos; já os bivalves e 
gastrópodes são predominantemente marinhos, 
porém podem ter representantes em água doce e, 
no último caso, os gastrópodes evoluíram também 
para o ambiente terrestre. 
A diversidade de formas e tamanho é 
incrível entre esse grupo, existindo espécimes 
adultos microscópicos (microgastrópodes por 
exemplo) até formas gigantes como a lula do 
gênero Architeuthes e o bivalves do gênero 
Tridacna. Contudo, todos os moluscos guardam 
um padrão estrutural que acompanha o seguinte 
esquema: cabeça, pé, massa visceral. 
Nas principais classes e dependendo do 
modo de vida, este padrão sofreu algumas 
alterações, em relação a este modelo hipotético 
(MAH), conforme descrito abaixo. 
Na Classe Gastrópode a cabeça se torna 
bem desenvolvida, com estruturas sensoriais 
(olhos, tentáculos); o pé ventral primitivo, em 
forma de sola é conservado; a massa visceral 
encontra-se acima do pé, sendo geralmente 
recoberta por uma concha composta de uma peça 
única (univalva), podendo ser interna ou externa 
ou ainda, não existir. 
A Classe Bivalvia sofreu uma alteração 
mais radical no padrão estrutural, passando a ter 
o corpo lateralmente comprimido, com a cabeça 
reduzida, de forma inconspícua, sem apêndices 
sensoriais, sem rádula; o pé está lateralmente 
comprimido e dirigido para a frente sendo a 
musculatura bastante desenvolvida na maioria 
que é escavadora. A massa visceral e demais 
partes agora ficam resguardadas por uma concha 
externa composta de duas valvas articuladas 
dorsalmente. Estas alterações afetaram a vida dos 
bivalves, possibilitando adaptações ao hábito 
sedentário na maioria das espécies, se enterrando 
em substratos macios. 
A Classe Scaphopoda apesar de ter hábito 
infaunal como os bivalves, adotaram um outro 
padrão. A concha é cilíndrica, afunilada lembrando 
a presa de um elefante. O corpo acompanha o 
formato da concha, sendo alongado, com a 
cabeça inconspícua e o pé reduzido. 
Os Cephalopoda representam o grupo 
mais especializado dos moluscos. A cabeça 
altamente desenvolvida, portando olhos grandes e 
com uma estrutura ocular similar a de mamíferos, 
salvo nos Nautilus, onde o cristalino está ausente; 
a massa visceral pode se projetar da cabeça ou 
ser alongada, estando os pés modificados em 
nadadeiras (lulas), tentáculos e sifão. Nesse grupo 
há uma tendência a redução e internalização da 
concha ou mesmo sua ausência. A presença de 
uma concha verdadeira só é observada na ordem 
mais primitiva que comporta os nautiloideias. 
Os Monoplacophora durante muito tempo 
foram tidos como formas fósseis, até que foi 
coligido na década de 30 espécimes com as 
partes moles, sendo possível evidenciar o corpo 
segmentado e as estruturas pareadas. São de 
tamanho diminuto, não excedendo 4 cm. Possuem 
uma concha univalve, em forma de capuz, que 
cobre toda a massa visceral. 
A Classe Polyplacophora é diversa em 
nível de organização dos demais moluscos, 
apresentando apenas o pé tipicamente em forma 
de sola, mas a cabeça não é evidente e há 
ausência de olhos. O corpo é achatado 
dorsoventralmente e possui forma elíptica, sendo 
cintado. Dorsalmente é possível encontrar 8 
placas que constitui a concha desses animais. 
A Classe mais primitiva corresponde aos 
Aplacophora, ou seja, aos moluscos totalmente 
desprovidos de concha em sua existência. São de 
corpo vermiforme e não seguem o padrão do filo. 
A concha por sua vez, é resultado do 
processo de secreção de um tecido muscular-
glandular, denominado manto ou palio. A concha 
é tipicamente formada por carbonato de cálcio, 
sendo estruturada em três camadas. As cores e 
ornamentações são as mais diversificadas 
possíveis, estando segundo Brusca e Brusca 
(2007) em alguns casos, relacionado com o modo 
de vida e ambiente. 
Apesar dessa diversidade de forma e 
adaptações, a organização funcional segue 
praticamente o mesmo padrão nos moluscos, com 
pequenas variações. 
De acordo com Brusca e Brusca (2007) “a 
própria origem dos moluscos permanece 
enigmática”. Isto apesar do amplo registro fóssil, 
que nos leva a espécies de cerca de 500 milhões 
de anos, sugerindo inclusive a existência do filo 
desde o período pré-cambriano. Mesmo assim, há 
apenas hipóteses sobre a origem dos moluscos, 
sem uma concordância assertiva. Dentre as 
muitas, três delas são mais comentados. 
A primeira hipótese busca relacionar os 
moluscos com um ancestral vermiforme 
acelomado. Um platelminto de vida livre, ou seja, 
turbelarióide. O principal argumento diz respeito a 
forma de locomoção por deslizamento muco-ciliar 
compartilhada por esses grupos. Se aceitarmos 
esta hipótese, teremos que admitir que o ancestral 
era um organismo acelomado, portanto sendo os 
moluscos os primeiros seres celomados, ou 
partilhando o mesmo ancestral do primeiro 
celomado. 
Este teoria esbarra no padrão de alguns 
moluscos mais primitivos, onde a cavidade 
celomática é ampla, sugerindo uma 
ancestralidade, portanto a partir de um organismo 
celomado e não acelomado, como defende a 
teoria dos turbelarióides. 
A segunda hipótese aponta para um 
ancestral vermiforme celomado e não 
segmentado. Esta ideia foi reforçada a partir de 
dados relacionados com o desenvolvimento 
embrionário, onde o arranjo típico em forma de 
cruz só é observado entre os moluscos e um filo 
vermiforme que atende as características citadas, 
os sipunculídeos. 
A terceira teoria tem sido aceita e rejeitada 
ao longo dos tempos. Parte de um ancestral 
segmentado e celomado, provavelmente um 
anelídeo poliqueta. Recentemente estudos da 
sequência de DNA 18S reforçou esta teoria. 
Brusca e Brusca (2007) consideram o fato 
dos moluscos serem protostomados, celomados, 
de clivagem espiral, com estágio larval trocófora e 
a mesoderme originária do blastômero 4d que 
estejam relacionados com os protostômios espiral 
(platelmintos, nermertinos, sipunculídeos, 
anelídeos, onicófora, tardigrada e artrópode), 
porém segundo estes autores não é possível 
determinar qual deles seja o ancestral direto dos 
moluscos. Mas pelo exposto, seguramente a 
origem corresponde a linhagem dos Spiralia, 
anterior a segmentação, portanto estes autores 
aceitam a segunda hipótese, relacionando os 
moluscos aos sipunculídeos. 
Zoologia&Revista, texto 3 Diversidade e Filogenia de Mollusca. Disponível em: 
<http://zoologiaerevista.blogspot.com.br/2010/05/texto-3-diversidade-e-filogenia-
de.html>Acessado em: 04 de novembro de 2017.