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Donald A. Schõn Educando o Profissional Reflexivo um novo design para o ensino e a aprendizagem Tradução: Roberto CataIdo Costa Consultoria, supervisão e revisão técnica desta edição: Beatriz Vargas Dorneies Professora Adjunta da Faculdade de Educação da UFRGS. ARINED¥EDITORA S O B R E O A U T O R D o n a l d S c h õ n f o i P r o f e s s o r d e E s t u d o s U r b a n o s e E d u c a ç ã o n o I n s t i t u t o d e T e c n o l o g i a d e M a s s a c h u s e t s . F o r m o u - s e e m f i l o s o f i a e m 1 9 5 1 , n a U n i v e r s i d a d e d e Y a l e , e é m e s t r e ( 1 9 5 2 ) e P h . D . ( 1 9 5 5 ) , e m f i l o s o f i a , p e l a U n i v e r s i d a d e d e H a r v a r d . T a m b é m e s t u d o u n a S o r b o n n e e n o C o n s e r v a t o i r e N a t i o n a l e , e m P a r i s , F r a n ç a . E m s e u t r a b a l h o c o m o p e s q u i s a d o r e c o n s u l t o r , S c h õ n c o n c e n t r o u - s e n o a p r e n ¬ d i z a d o o r g a n i z a c i o n a l e n a e f i c á c i a p r o f i s s i o n a l . D u r a n t e s e t e a n o s , a n t e s d e s u a i n d i ¬ c a ç ã o p a r a o c o r p o d o c e n t e d o M . I . T . , S c h õ n f o i p r e s i d e n t e d a O r g a n i z a ç ã o p a r a a I n o v a ç ã o S o c i a l e T é c n i c a ( O S T I ) , u m a o r g a n i z a ç ã o s e m f i n s l u c r a t i v o s q u e e l e a j u d o u a f u n d a r . D e s e m p e n h o u i n ú m e r o s o u t r o s p a p é i s a d m i n i s t r a t i v o s e c o n s u l t i v o s j u n t o a a g ê n c i a s d o g o v e r n o e à i n d ú s t r i a p r i v a d a . S c h õ n t e v e p a r t i c i p a ç ã o a t i v a e m u m g r a n d e n ú m e r o d e o r g a n i z a ç õ e s p r o ¬ f i s s i o n a i s e f o i m e m b r o d a C o m i s s ã o s o b r e o a n o 2 0 0 0 d a A c a d e m i a A m e r i c a n a d e A r t e s e C i ê n c i a s e d a C o m i s s ã o s o b r e S i s t e m a s S o c i o t é c n i c o s d o C o n s e l h o N a c i o ¬ n a l d e P e s q u i s a . S 3 7 1 e S c h õ n , D o n a l d A . E d u c a n d o o p r o f i s s i o n a l r e f l e x i v o : u m n o v o d e s i g n p a r a o e n s i n o e a a p r e n d i z a g e m / D o n a l d A . S c h õ n ; t r a d . R o b e r t o C a t a l d o C o s t a - P o r t o A l e g r e : A r t e s M é d i c a s S u l , 2 0 0 0 . 1 . E d u c a ç ã o - M e t o d o l o g i a d e e n s i n o . I . T í t u l o . C D U 6 7 1 . 3 C a t a l o g a ç ã o n a p u b l i c a ç ã o : M ô n i c a B a l l e j o C a n t o - C R B 1 0 / 1 0 2 3 T T H T O C " 7 2 A " 7 < 2 Q A CAPíTULO 2 ENSINANDO O TALENTO ARTíSTICO ATRAVÉS DA REFLE CONHECER-NA-AÇÃO Tenho usado o termo talento artístico profissional para referir-me aos tipos de competência que os profissionais demonstram em certas situações da prática que são únicas, incertas e conflituosas. Observe, no entanto, que o talento artístico é uma variante poderosa e esotérica do tipo mais familiar de competência que todos nós exibimos no dia-a-dia, em um sem-número de atos de reconhecimento, julgamento e performance habilidosa. O que chega a ser surpreendente sobre esses tipos de competência é que eles não dependem de nossa capacidade de descrever o que sabemos fazer ou mesmo considerar, conscientemente, o conhecimento que nossa ações revelam. Como já observou Gilbert Ryle, “O que distingue a operação sensata daquela sem sentido não é a sua origem, mas os seus procedimentos, e isso não é menos verdadeiro para as performances intelectuais do que para as práticas. ‘Inteligente’ não pode ser definido em termos como ‘intelectual’, ou o ‘saber como fazer’ em termos de ‘saber que’. O ‘pensar o que estou fazendo’ não implica ‘ao mesmo tempo, pensar o que fazer e fazê-lo’. Quando faço algo de forma inteligente!... ) estou fazendo uma coisa e não duas. Minha performance tem um procedimento ou uma maneira especial, e não antecedentes especiais” (1949, p. 32). Por razões semelhantes, meu falecido amigo Raymond H. Hainer falava de “saber mais do que se pode dizer”, e Michael Polanyi, em The Tacit Dimension (1967), cunhou o tenno conhecimento tácito. Polanyi escreveu, por exemplo, sobre a virtuosidade extraordinária com a qual reconhecemos os rostos das pessoas que nos são familiares. Ele chamou a atenção para o fato de que, quando notamos um rosto familiar na multidão, nossa experiência de reconhecimento é imediata. Em geral, não estamos cons¬ cientes de qualquer raciocínio anterior ou de qualquer comparação desse rosto com outros rostos guardados na memória. Nós simplesmente vemos o rosto da M Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar 3 0 / D O N A L D A . S C H õ N p e s s o a q u e c o n h e c e m o s . E s e a l g u é m n o s p e r g u n t a s s e d e q u e f o r m a o f a z e m o s , o u s e j a , c o m o d i s t i n g u i m o s u m r o s t o p a r t i c u l a r d e c e n t e n a s d e o u t r o s m a i s o u m e n o s s e m e l h a n t e s a e l e , p r o v a v e l m e n t e r e s p o n d e r í a m o s q u e n ã o s a b e m o s . N o r m a l m e n t e , n ã o s o m o s c a p a z e s d e c o n s t r u i r u m a l i s t a d e c a r a c t e r í s t i c a s e s p e ¬ c í f i c a s d e s s e r o s t o , d i s t i n t a s d a s o u t r a s à v o l t a d e l e ; e , m e s m o s e p u d é s s e m o s f a z ê - l o , o c a r á t e r i m e d i a t o d e n o s s o r e c o n h e c i m e n t o s u g e r i r i a q u e e l e n ã o a c o n ¬ t e c e p o r u m a l i s t a g e m d e c a r a c t e r í s t i c a s . P o l a n y i t a m b é m d e s c r e v e u n o s s a e x t r a o r d i n á r i a a p r e c i a ç ã o t á t i l d a s s u p e r ¬ f í c i e s d o s m a t e r i a i s . S e n o s p e r g u n t a m o q u e s e n t i m o s a o e x p l o r a r a s u p e r f í c i e d e u m a m e s a c o m a m ã o , p o d e m o s d i z e r q u e s e n t i m o s a m e s a l i s a , á s p e r a , f r i a , p e g a j o s a o u e s c o r r e g a d i a , m a s é i m p r o v á v e l q u e d i g a m o s q u e s e n t i m o s u m a c e r t a c o m p r e s s ã o o u a b r a s ã o n a s p o n t a s d o s d e d o s . N o e n t a n t o , d e v e s e r d e s s e t i p o d e s e n s a ç ã o q u e r e c e b e m o s n o s s a a p r e c i a ç ã o d a s q u a l i d a d e s d a s u p e r f í c i e d a m e s a . I N a s p a l a v r a s d e P o l a n y i , n o s s a p e r c e p ç ã o p a r t e d a s s e n s a ç õ e s n a s p o n t a s d o s I d e d o s p a r a a s q u a l i d a d e s d a s u p e r f í c i e . D a m e s m a f o r m a , q u a n d o u s a m o s u m I g r a v e t o p a r a e x p l o r a r u m b u r a c o e m u m a p a r e d e d e p e d r a , p r e s t a m o s a t e n ç ã o I n ã o n a s i m p r e s s õ e s d o g r a v e t o n a s p o n t a s d o s d e d o s o u n a s p a l m a s d a s m ã o s , I m a s s i m n a s q u a l i d a d e s d o b u r ac o - s u a f o r m a e t a m a n h o , a s s u p e r f í c i e s d a s I p e d r a s e m t o m o d e l e - a s q u a i s a p r e e n d e m o s a t r a v é s d e s s a s i m p r e s s õ e s t á c i t a s . I C a p a c i t a r - s e n o u s o d e u m a f e r r a m e n t a é a p r e n d e r a a p r e c i a r , d i r e t a m e n t e e s e m I r a c i o c í n i o i n t e r m e d i á r i o , a s q u a l i d a d e s d o s m a t e r i a i s q u e a p r e e n d e m o s a t r a v é s I d a s s e n s a ç õ e s t á c i t a s d a f e r r a m e n t a e m n o s s a s m ã o s . T a i s p r o c e s s o s d e r e c o n h e c i m e n t o e a p r e c i a ç ã o , m u i t a s v e z e s , t o m a m a f o n n a d e j u l g a m e n t o s n o r m a t i v o s . N o p r ó p r i o a t o a t r a v é s d o q u a l r e c o n h e c e m o s a l g o , t a m b é m p e r c e b e m o s e s s e a l g o c o m o “ c e r t o ” o u “ e r r a d o ” . C h r i s A l e x a n d e r ( 1 9 6 8 ) d e s c r e v e u c o m o o s a r t e s ã o s r e c o n h e c e m o d e s a j u s t e d e u m e l e m e n t o e m r e l a ç ã o a u m p a d r ã o g e r a l - s e u e x e m p l o m a i s f a m o s o é a c o n f e c ç ã o d e x a l e s d o s c a m p o n e s e s e s l o v a c o s - s e m q u e h a j a a m e n o r h a b i l i d a d e o u n e c e s s i d a d e d e d e s c r e v e r a s n o r m a s q u e e l e s c o n s i d e r a m t e r s i d o v i o l a d a s . E G e o f f r e y V i c k e r s ( 1 9 7 8 ) , a o c o m e n t a r o e x e m p l o d e A l e x a n d e r , o b s e r v o u q u e n ã o s ó n o j u l g a ¬ m e n t o a r t í s t i c o , m a s e m t o d o s o s n o s s o s j u l g a m e n t o s o r d i n á r i o s d a s q u a l i d a d e s d a s c o i s a s , s o m o s c a p a z e s d e r e c o n h e c e r e d e s c r e v e r d e s v i o s d e a l g u m a n o r m a d e f o r n i a m u i t o m a i s c l a r a d o q u e a p r ó p r i a n o r m a . T a l c a p a c i d a d e p a r e c e t e r m u i t o a v e r c o m a m a n e i r a c o m o a p r e n d e m o s n o v a s h a b i l i d a d e s . U m p r o f e s s o r d e t ê n i s q u e c o n h e ç o e s c r e v e , p o r e x e m p l o , q u e e l e s e m p r e c o m e ç a t e n t a n d o a j u d a r s e u s a l u n o s a t e r e m a s e n s a ç ã o d e “ b a t e r c e r t o n a b o l a ” . U m a v e z q u e e l e s t e n h a m r e c o n h e c i d o e s s a s e n s a ç ã o e g o s t a d o d e l a , e a p r e n d a m a d i s t i n g u i - l a d a s v á r i a s s e n s a ç õ e s a s s o c i a d a s c o m “ b a t e r e r r a d o n a b o l a ” , e l e s c o m e ç a m a s e r c a p a z e s d e d e t e c t a r e c o r r i g i r s e u s p r ó p r i o s e r r o s . E , e m g e r a l , n ã o s ã o c a p a z e s e n ã o p r e c i s a m d e s c r e v e r c o m o é e s s a s e n s a ç ã o o u p o r q u e m e i o s e l e s a p r o d u z e m . M é d i c o s h a b i l i d o s o s f a l a m d a c a p a c i d a d e d e r e c o n h e c e r u m a d o e n ç a e s p e c í f i c a , d e v e z e m q u a n d o , n o m o m e n t o e m q u e u m a p e s s o a a t i n g i d a p o r e l a e n t r a n o c o n s u l t ó r i o . O r e c o n h e c i m e n t o v e m i m e d i a t a m e n t e , c o m o u m t o d o , e e m b o r a o m é d i c o p o s s a d e s c o b r i r m a i s t a r d e , e m s u a i n v e s t i g a ç ã o , q u e o p a c i e n t e a p r e s e n t a t o d o u m c o n j u n t o d e s i n t o m a s p a r a s e u d i a g n ó s t i c o , e l e , m u i t a s v e z e s , n ã o é c a p a z d e d i z e r q u e s i n t o m a e s p e c i f i c a m e n t e f o i r e s ¬ p o n s á v e l p o r s e u j u l g a m e n t o i m e d i a t o . C h e s t e r B a r n a r d e s c r e v e u , n o a p ê n d i c e d e T h e F u n c t i o n s o f t h e E x e c u ¬ t i v e ( 1 9 3 8 / 1 9 6 8 ) , s o b r e o s “ p r o c e s s o s n ã o - l ó g i c o s ” a t r a v é s d o s q u a i s r e a l i - Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar EDUCANDO O PROFISSIONAL REFLEXIVO / 31 zamos julgamentos habilidosos, decisões e ações que tomamos espontanea¬ mente, sem que possamos declarar as regras ou os procedimentos que segui¬ mos. Um garoto que tenha aprendido a atirar uma bola, por exemplo, faz julgamentos imediatos sobre a distância e coordena-os com os julgamentos imediatos envolvidos no ato de atirar a bola, mesmo que não possa dizer como o faz ou mesmo a distância que estima. Uma aluna do ensino médio que tenha aprendido a resolver equações biquadradas pode efetuar uma série de opera¬ ções espontaneamente, sem que seja capaz de dar uma descrição precisa dos procedimentos que segue para fazê-las. Um contador experiente, conhecido de Barnard, podia “pegar uma folha de balanço de considerável complexidade e, em questão de minutos ou mesmo segundos, obter um conjunto de fatos signi¬ ficativos sobre ela” (p. 306), embora não fosse capaz de descrever em palavras os julgamentos e os cálculos que utilizava em sua operação. De forma semelhante, aprendemos a executar atividades complexas, como arrastar-nos, caminhar, fazer malabarismo ou andar de bicicleta, sem poder dar uma descrição verbal, ainda que grosseiramente adequada, da nossa performan- \y cereal. Na verdade, se nos perguntarem como fazemos tais ações, tendemos a dar / / respostas erradas, de modo que, se estivéssemos agindo de acordo com elas,/ $ iriam causar-nos problemas. Quando se pergunta às pessoas que sabem andar dey wí' bicicleta, por exemplo, como não cair quando a bicicleta começa a inclinar-sef v para a esquerda, algumas dirão que se reequilibram movendo a roda à direita. Sey w elas realmente o fizessem, provavelmente cairiam. Felizmente, o conhecimento, .v implícito em suas ações é incoerente com sua descrição. Usarei a expressão conhecer-na-ação para referir-me aos tipos de co¬ nhecimento que revelamos em nossas ações inteligentes - performances físi¬ cas, publicamente observáveis, como andar de bicicleta, ou operações priva¬ das, como a análise instantânea de uma folha de balanço. Nos dois casos, o ato de conhecer está na ação. Nós o revelamos pela nossa execução capa- <J / citada e espontânea da performance, e é uma característica nossa sermost $ incapazes de torná-la verbalmente explícita. i v V Apesar disso, é possível, às vezes, através da observação e da reflexão f Y' ,i! sobre nossas ações, fazermos uma descrição do saber tácito que está implícitoV 1 nelas. Nossas descrições serão de diferentes tipos, dependendo de nossos pro- -.Jf pósitos e das linguagens disponíveis para essas descrições. Podemos fazer refe-rência, por exemplo, às sequências de operações e procedimentos que execu¬ tamos; aos indícios que observamos e às regras que seguimos; ou aos valores, às estratégias e aos pressupostos que formam nossas “teorias” da ação. Qualquer que seja a linguagem que venhamos a empregar, nossas des¬ crições do ato de conhecer-na-ação são sempre construções. Elas são sempre tentativas de colocar de forma explícita e simbólicaum tipo de inteligência f V que começa por ser tácita e espontânea. Nossas descrições são conjecturas que precisam ser testadas contra observações de seus originais, dos quais, pelo menos em um certo aspecto, elas provavelmente distorcerão. Porque o processo de conhecer-na-ação é dinâmico, e os “fatos”, os “procedimentos” e as “teorias” são estáticos. Quando sabemos como pegar uma bola, por exem¬ plo, antecipamos a vinda da bola pela forma como estendemos e colocamos nossas mãos em concha e pelos ajustes sequenciais que fazemos à medida que a bola se aproxima. Pegar uma bola é uma atividade contínua, na qual consciência, apreciação e ajuste fazem seu papel. Da mesma forma, serrar em uma linha traçada com lápis requer um processo mais ou menos contínuo de r :: r r y , * / Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar 3 2 / D O N A L D A . S C H O N d e t e c ç à o e c o r r e ç ã o d e d e s v i o s d a l i n h a . D e f a t o , é e s s e a j u s t e e e s s a e x p e c - t a t i v a s e q u e n c i a i s , e s s a s c o n t í n u a s d e t e c ç à o e c o r r e ç ã o d e e r r o q u e n o s l e v a m , e m p r i m e i r o l u g a r , a c h a m a r a a t i v i d a d e d e “ i n t e l i g e n t e ” . C o n h e c e r s u g e r e a q u a l i d a d e d i n â m i c a d e c o n h e c e r - n a - a ç ã o , a q u a l , q u a n d o d e s c r e v e m o s , c o n ¬ v e r t e m o s e m c o n h e c i m e n t o - n a - a ç ã o . R E F L E X à O N A - A Ç Ã O Q u a n d o a p r e n d e m o s a f a z e r a l g o , e s t a m o s a p t o s a e x e c u t a r s e q u ê n c i a s f á c e i s d e a t i v i d a d e , r e c o n h e c i m e n t o , d e c i s ã o e a j u s t e s e m t e r , c o m o s e d i z , “ q u e p e n s a r a r e s p e i t o ” . N o s s o a t o e s p o n t â n e o d e c o n h e c e r - n a - a ç ã o g e r a l ¬ m e n t e n o s p e r m i t e d a r c o n t a d e n o s s a s t a r e f a s . N o e n t a n t o , n e m s e m p r e é b e m a s s i m . U m a r o t i n a c o m u m p r o d u z u m r e s u l t a d o i n e s p e r a d o , u m e r r o t e i m a e m r e s i s t i r à c o r r e ç ã o , o u , a i n d a q u e a ç õ e s c o m u n s p r o d u z a m r e s u l t a ¬ d o s c o m u n s , h á a l g o n e l a s q u e n o s p a r e c e e s t r a n h o , p o r q u e p a s s a m o s a v ê - l a s d e u m a o u t r a m a n e i r a . T o d a s e s s a s e x p e r i ê n c i a s , a g r a d á v e i s e d e s a g r a d á v e i s , c o n t é m u m e l e m e n t o d e s u r p r e s a . A l g o n ã o e s t á d e a c o r d o c o m n o s s a s e x - p e c t a t i v a s . E m u m a t e n t a t i v a d e p r e s e r v a r a c o n s t â n c i a d e n o s s o s p a d r õ e s n o r m a i s d e c o n h e c e r - n a - a ç ã o , p o d e m o s r e s p o n d e r à a ç ã o c o l o c a n d o - a d e l a d o , i g n o r a n d o s e l e t i v a m e n t e o s s i n a i s q u e a p r o d u z e m . O u p o d e m o s r e s ¬ p o n d e r a e l a a t r a v é s d a r e f l e x ã o e t e m o s d u a s f o r m a s d e f a z ê - l o . P o d e m o s r e f l e t i r s o b r e a a ç ã o , p e n s a n d o r e t r o s p e c t i v a m e n t e s o b r e o q u e \ f i z e m o s , d e m o d o a d e s c o b r i r c o m o n o s s o a t o d e c o n h e c e r - n a - a ç ã o p o d e t e r 1 c o n t r i b u í d o p a r a u m r e s u l t a d o i n e s p e r a d o . P o d e m o s p r o c e d e r d e s s a f o r m a a p ó s o f a t o , e m u m a m b i e n t e d e t r a n q u i l i d a d e , o u p o d e m o s f a z e r u m a p a u s a n o m e i o d a a ç ã o p a r a f a z e r o q u e H a n n a h A r e n d t ( 1 9 7 1 ) c h a m a d e “ p a r a r e p e n ¬ s a r ” . E m a m b o s o s c a s o s , n o s s a r e f l e x ã o n ã o t e m q u a l q u e r c o n e x ã o c o m a a ç ã o p r e s e n t e . C o m o a l t e r n a t i v a , p o d e m o s r e f l e t i r n o m e i o d a a ç ã o , s e m i n t e r r o m p ê - l a . E m u m p r e s e n t e - d a - a ç â o , u m p e r í o d o d e t e m p o v a r i á v e l c o m o c o n t e x t o , d u r a n t e o q u a l a i n d a s e p o d e i n t e r f e r i r n a s i t u a ç ã o e m d e s e n v o l v i m e n t o , n o s s o p e n s a r s e r v e p a r a d a r n o v a f o r m a a o q u e e s t a m o s f a z e n d o , e n q u a n t o a i n d a o f a z e m o s . E u d i r i a , e m c a s o s c o m o e s t e , q u e r e f l e t i m o s - n « - a ç ã o . R e c e n t e m e n t e , p o r e x e m p l o , c o n s t r u í u m p o r t ã o d e e s t a c a s d e m a d e i r a e c o r r e i a s . E u h a v i a f e i t o u m d e s e n h o e p e n s a d o s o b r e a s d i m e n s õ e s q u e q u e r i a , m a s n ã o h a v i a a v a l i a d o o p r o b l e m a d e c o m o m a n t e r f i r m e o f o r m a t o q u a d r a d o d a e s t r u t u r a . À m e d i d a q u e c o m e c e i a p r e g a r a s c o r r e i a s à s e s t a c a s , n o t e i u m a o s c i l a ç ã o . E u s a b i a q u e a e s t r u t u r a i r i a t o m a r - s e r í g i d a q u a n d o e u p r e g a s s e u m a p e ç a e m d i a g o n a l , m a s c o m o p o d e r i a t e r c e r t e z a d e q u e e l a f o r m a r i a u m q u a ¬ d r a d o ? V e i o - m e à m e n t e u m a v a g a l e m b r a n ç a a r e s p e i t o d a s d i a g o n a i s : e m u m r e t â n g u l o , a s d i a g o n a i s s ã o i g u a i s . P e g u e i u m m e t r o d e m a d e i r a , c o m a i n t e n ç ã o d e m e d i r a s d i a g o n a i s , m a s d e s c o b r i q u e n ã o p o d e r i a u s á - l o s e m m o v e r a e s t r u ¬ t u r a . O c o r r e u - m e u s a r u m p e d a ç o d e c o r d a . E n t ã o , n o t e i q u e , p a r a m e d i r a s d i a g o n a i s , e u p r e c i s a v a d a e x a t a l o c a l i z a ç ã o d e c a d a c a n t o . D e p o i s d e v á r i a s t e n t a t i v a s , d e s c o b r i q u e p o d e r i a l o c a l i z a r o p o n t o c e n t r a l d e c a d a c a n t o t r a ç a n d o d i a g o n a i s a l i ( v e r i l u s t r a ç ã o ) . C o l o q u e i u m p r e g o e m c a d a u m d o s q u a t r o p o n t o s c e n t r a i s e u s e i o s p r e g o s c o m o a p o i o p a r a a c o r d a u s a d a p a r a m e d i r . L e v e i v á r i o s m i n u t o s p a r a e n t e n d e r c o m o a j u s t a r a e s t r u t u r a d e f o r m a a c o r r i g i r o s e r r o s q u ed e t e c t e i p e l a m e d i ç ã o . E , q u a n d o o b t i v e a s d i a g o n a i s i g u a i s , p r e g u e i u m p e d a ç o d e c o r d a p a r a m a n t e r a e s t r u t u r a i m ó v e l . \ • \ • > • / > Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar EDUCANDO O PROFISSIONAL REFLEXIVO / 33 X \ x Aqui, em um exemplo que deve ter seus análogos nas experiências de carpinteiros amadores no mundo todo, minha forma intuitiva de desen¬ volver a tarefa levou-me a uma surpresa (a descoberta da oscilação), a qual interpretei como um problema. Durante a ação, inventei procedimentos para resolver o problema, descobri mais surpresas desagradáveis e produzi mais invenções corretivas, incluindo várias de menor importância, mas necessᬠrias para levar adiante a idéia de usar uma corda para medir a diagonal. Podemos chamar esse processo de “tentativa e erro”. Porém, as tentativas não se relacionam aleatoriamente umas com as outras. A reflexão sobre cada ten¬ tativa e seus resultados prepara o campo para a próxima. Tal padrão de in¬ vestigação é melhor descrito como uma sequência de "momentos" em um processo de reflexão-na-ação: •Para começar, há uma situação de ação para a qual trazemos respostas espontâneas e de rotina. Elas revelam um processo de conhecer-na- ação que pode ser descrito em termos de estratégias, compreensão de fenômenos e formas de conceber uma tarefa ou problema adequado à situação. Conhecer-na-ação é um processo tácito, que se coloca es¬ pontaneamente, sem deliberação consciente e que funciona, propor¬ cionando os resultados pretendidos, enquanto a situação estiver den¬ tro dos limites do que aprendemos a tratar como normal. •As respostas de rotina produzem uma surpresa - um resultado ines¬ perado, agradável ou desagradável, que não se encaixa nas cate¬ gorias de nosso conhecer-na-ação. Inerente à surpresa é o fato de que ela chama nossa atenção. Por exemplo, posso não ter si¬ do surpreendido pela oscilação em meu portão porque não estava atento a ele. A estrutura poderia não ter ficado quadrada, e eu po¬ deria nem ter notado. •A surpresa leva à reflexão dentro do presente-da-ação. A reflexão é, pelo menos em alguma medida, consciente, ainda que não preci¬ se ocorrer por meio de palavras. Levamos em consideração tanto o evento inesperado como o processo de conhecer-na-ação que levou a ele, perguntando-nos “O que é isso?” e, ao mesmo tempo, “Como tenho pensado sobre isso?”. Nosso pensamento volta-se para o fe¬ nômeno surpreendente e, ao mesmo tempo, para si próprio. •A reflexão-na-ação tem uma função crítica, questionando a estrutura de pressupostos do ato de conhecer-na-ação. Pensamos criticamente sobre o pensamento que nos levou a essa situação difícil ou essa oportunidade e podemos, neste processo, reestruturar as estratégias de ação, as compreensões dos fenômenos ou as formas de conceber os problemas. Em meu exemplo, a surpresa desencadeada ao obser¬ var a oscilação levou-me a conceber um novo problema: “Como man¬ ter o portão no esquadro?”. ! !i I fj >> v c- jy <s> ,.<r V Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar 3 4 / D O N A L D A . S C H õ N • A r e f l e x ã o g e r a o e x p e r i m e n t o i m e d i a t o . P e n s a m o s u m p o u c o e e x p e ¬ r i m e n t a m o s n o v a s a ç õ e s c o m o o b j e t i v o d e e x p l o r a r o s f e n ô m e n o s r e c é m - o b s e r v a d o s , t e s t a r n o s s a s c o m p r e e n s õ e s e x p e r i m e n t a i s a c e r c a d e l e s , o u a f i r m a r a s a ç õ e s q u e t e n h a m o s i n v e n t a d o s p a r a m u d a r a s c o i s a s p a r a m e l h o r . C o m m e u e x p e r i m e n t o d a c o r d a u s a d a p a r a m e ¬ d i r , t e s t e i t a n t o m i n h a c o m p r e e n s ã o d o a j u s t e d o f o r m a t o c o m o i g u a l ¬ d a d e d e d i a g o n a i s q u a n t o a e f i c á c i a d o s p r o c e d i m e n t o s q u e e u h a v i a i n v e n t a d o p a r a d e t e r m i n a r q u a n d o a s d i a g o n a i s s ã o i g u a i s . E x p e r i ¬ m e n t o s i m e d i a t o s p o d e m f u n c i o n a r , n o s e n t i d o d e p r o p o r c i o n a r o s r e s u l t a d o s p r e t e n d i d o s , o u p o d e m p r o d u z i r s u r p r e s a s q u e e x i j a m u m a m a i o r r e f l e x ã o e e x p e r i m e n t a ç ã o . A d e s c r i ç ã o q u e d e i é , c e r t a m e n t e , i d e a l i z a d a . O s m o m e n t o s d e r e f l e - x ã o - n a - a ç ã o r a r a m e n t e s ã o t ã o c l a r o s , u m e m r e l a ç ã o a o o u t r o , c o m o e u o s d e s c r e v i . A e x p e r i ê n c i a d a s u r p r e s a p o d e a p r e s e n t a r - s e d e f o r m a a p a r e c e r j á i n t e r p r e t a d a . A c r í t i c a e a r e s t r u t u r a ç ã o d o a t o d e c o n h e c e r - n a - a ç ã o p o d e s e r r e s u m i d a e m u m p r o c e s s o ú n i c o . C o n t u d o , i n d e p e n d e n t e m e n t e d a d i s t i n ç ã o d e s e u s m o m e n t o s o u d a c o n s t â n c i a d e s u a s e q u ê n c i a , o q u e d i s t i n g u e a r e f l e x ã o - n a - a ç ã o d e o u t r a s f o r m a s d e r e f l e x ã o é s u a i m e d i a t a s i g n i f i c a ç ã o p a r a a a ç ã o . N a r e f l e x ã o - n a - a ç ã o , o r e p e n s a r d e a l g u m a s p a r t e s d e n o s s o c o n h e c e r - n a - a ç ã o l e v a a e x p e r i m e n t o s i m e d i a t o s e a m a i s p e n s a m e n t o s q u e a f e t a m o q u e f a z e m o s - n a s i t u a ç ã o e m q u e s t ã o e t a l v e z e m o u t r a s q u e p o s s a m o s c o n s i d e r a r c o m o s e m e l h a n t e s a e l a . A d i s t i n ç ã o e n t r e o s p r o c e s s o s d e r e f l e x ã o - n a - a ç ã o e d e c o n h e c e r - n a - a ç ã o p o d e s e r s u t i l . A l g u é m q u e e x e c u t a h a b i l i d o s a m e n t e u m a t a r e f a a j u s t a s u a s r e s p o s t a s à s v a r i a ç õ e s n o s f e n ô m e n o s . N e s s a a p r e c i a ç ã o m o m e n t o a m o ¬ m e n t o d e u m p r o c e s s o , o i n d i v í d u o c o l o c a e m a ç ã o u m v a s t o r e p e r t ó r i o d e i m a g e n s d e c o n t e x t o s e a ç õ e s . A s s i m s e n d o , u m a r r e m e s s a d o r d e b e i s e b o l a d a p t a s e u e s t i l o d e a r r e m e s s o à s p a r t i c u l a r i d a d e s d e u m b a t e d o r e s p e cí f i c o o u d e u m a s i t u a ç ã o d e j o g o . P a r a o p o r - s e à s m u d a n ç a s n a s e s t r a t é g i a s d e u m o p o n e n t e , u m j o g a d o r d e t ê n i s e x e c u t a v a r i a ç õ e s e m s e u j o g o e m f r a ç õ e s d e s e g u n d o s . P o d e - s e d i z e r , e m c a s o s c o m o e s t e , q u e o e x e c u t a n t e r e s p o n d e à v a r i a ç ã o , a o i n v é s d a s u r p r e s a , p o r q u e a s m u d a n ç a s n o c o n t e x t o e n a r e s ¬ p o s t a n u n c a u l t r a p a s s a m a s f r o n t e i r a s d o f a m i l i a r . T o d a v i a , e m u m p r o c e s s o q u e p o d e p a r e c e r , d e f o r a , c o m o a q u e l e s d e s c r i t o s a c i m a , u m e x e c u t a n t e h a b i l i d o s o p o d e i n t e g r a r a r e f l e x ã o - n a - a ç ã o n o d e c o r r e r d e u m a t a r e f a e m a n d a m e n t o . O u v i r e c e n t e m e n t e a h i s t ó r i a d e u m v i o l o n c e l i s t a q u e h a v i a s i d o c o n v i d a d o p a r a p a r t i c i p a r d a e x e c u ç ã o d e u m a n o v a p e ç a d e m ú s i c a d e c â m a r a . P o r m o t i v o s d e s a ú d e , e l e p e r d e u o s p r i m e i r o s e n s a i o s e a p a r e c e u s o m e n t e n a v é s p e r a d a a p r e s e n t a ç ã o . S e n t o u - s e c o m o s o u t r o s m ú s i c o s e l e u , à p r i m e i r a v i s t a , a d i f í c i l p a r t i t u r a , e x e c u t a n d o a m ú s i c a t ã o b e m q u e o m a e s t r o n ã o p r e c i s o u m u d a r a d a t a d a a p r e s e n t a ç ã o . À m e d i d a q u e o m ú s i c o l i a o a r r a n j o , e l e n ã o p o d e r i a s a b e r a o c e r t o a o n d e a m ú s i c a e s t a v a i n d o . A i n d a a s s i m , d e v e t e r s e n t i d o , a c a d a m o m e n t o , a d i r e ç ã o d e s e u d e s e n v o l v i m e n t o , a s s i m i l a n d o e m s u a p r ó p r i a e x e c u ç ã o a s l i n h a s d e d e s e n v o l v i m e n t o j á t r a ç a d a s p o r o u t r o s . E l e d e v e t e r e n c o n t r a d o s u r p r e s a s p a r a a s q u a i s f o r m o u , d e i m e d i a t o , u m a i n t e r p r e t a ç ã o g u i a d a p o r s e u s e n t i d o e m e r g e n t e a r e s p e i t o d o t o d o . E e s s a e x e c u ç ã o d e i x o u - o c o m u m a c o m p r e ¬ e n s ã o r e n o v a d a d a p e ç a e d e c o m o t o c á - l a q u e e l e r e v e l a r i a n a f o r m a d e c o n h e c e r - n a - a ç ã o n o d i a d a a p r e s e n t a ç ã o . ; Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar EDUCANDO O PROFISSIONAL REFLEXIVO / 35 Quando os bons músicos de jazz improvisam juntos, eles demonstram de forma semelhante uma reflexão-na-ação fluente, integrada à execução em andamento. Escutando um ao outro, e escutando a eles próprios, sentem aonde a música está indo e ajustam seu desempenho de acordo com isso. Uma figura anunciada por um músico será assumida por outro, elaborada e transformada em uma nova melodia. Cada músico faz invenções sequenciais e responde a surpresas desencadeadas pelas invenções dos outros, mas o processo coletivo da invenção musical é organizado em torno de uma estru¬ tura básica. Há um esquema comum de métrica, melodia e desenvolvimento harmónico que dá à peça uma ordem previsível. Além disso, cada músico tem à mão um repertório de figuras musicais em torno do qual ele pode tecer as variações, quando a oportunidade surge. A improvisação consiste em variar, combinar e recombinar um conjunto de figuras, dentro de um esquema que dá coerência ao todo da peça. A medida que os músicos sentem as direções nas quais a música está desenvolvendo-se, eles produzem novas compreen¬ sões dela. Refletem-na-ação sobre a música que estão produzindo coletiva¬ mente, ainda que isto não se dê, é claro, através das palavras. O processo lembra os padrões conhecidos da conversação no dia-a- dia. Em uma boa conversa - em alguns aspectos, previsível, em outros, não - os participantes conhecem e desenvolvem temas da conversa, cada um emitindo variações de seu repertório de coisas a dizer. A conversação é uma improvisação verbal coletiva. Em alguns momentos, ela cai em rotinas con¬ vencionais - histórias com comentários e reações laterais, por exemplo, ou discussões - as quais se desenvolvem de acordo com um passo e ritmo de interação que os participantes parecem, sem deliberação consciente, desen¬ volver coletivamente, dentro de uma estrutura de divisão de trabalho que evolui. Outras vezes, pode haver surpresas, mudanças inesperadas de frase ou direções de desenvolvimento para as quais os participantes inventam respostas imediatas. Em exemplos desse tipo, os participantes estãofazendoalgo. A partir de materiais musicais e temas para falar, eles fazem uma peça musical ou uma conversa, um artefato com significado e coerência próprios. Sua reflexão-na- ação é uma conversação reflexiva com os materiais de uma situação - “con¬ versação”, agora em um sentido metafórico. Cada pessoa desenvolve seu pró¬ prio papel, em evolução, na performance coletiva, “escuta” as surpresas - ou, como direi, “respostas” - que resultam de movimentos anteriores e responde através da produção sequencial de novos movimentos que dão novos signifi¬ cados e direções ao desenvolvimento do artefato. O processo lembra a descri¬ ção de Edmund Carpenter do escultor esquimó, esculpindo pacientemente um osso de rena, examinando a forma que emerge gradualmente e, final¬ mente, exclamando, “Ah, foca!”. Assim como o conhecer-na-ação, a reflexão-na-ação é um proces¬ so que podemos desenvolver sem que precisemos dizer o que estamos fa¬ zendo. Improvisadores habilidosos ficam, muitas vezes, sem palavras ou dão descrições inadequadas quando se lhes pergunta o que fazem. É claro que, sermos capazes de refletir-na-ação é diferente de sermos capazes de refletir sobre nossa reflexão-na-ação, de modo a produzir uma boa descrição ver-bal dela. E é ainda diferente de sermos capazes de refletir sobre a descrição resultante. 1•i li L* ’ Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar 3 6 / D O N A L D A . S C H õ N C o n t u d o n o s s a r e f l e x ã o s o b r e n o s s a r e f l e x ã o - n a - a ç ã o p a s s a d a p o d e c o n f o r m a r i n d i r e t a m e n t e n o s s a a ç ã o f u t u r a . A s r e f l e x õ e s d e u m z a g u e i r o n a s e g u n d a - f e i r a d e m a n h ã p o d e m e s t a r c h e i a s d e s i g n i f i c a ç ã o s e a p e s s o a q u e r e f l e t e é o z a g u e i r o q u e j o g a r á n o p r ó x i m o s á b a d o - e j o g a r á d i f e r e n t e m e n t e p o r c a u s a d e s e u j o g o d e s e g u n d a . Q u a n d o p e n s o e m m i n h a e x p e r i ê n c i a c o m o p o r t ã o d e m a d e i r a , é p o s s í v e l c o n s o l i d a r m i n h a c o m p r e e n s ã od o p r o b l e m a , o u i n v e n t a r u m a s o l u ç ã o m e l h o r o u m a i s g e r a l p a r a e l e . N e s s e c a s o , m i n h a r e f l e x ã o p r e s e n t e s o b r e m i n h a r e f l e x ã o - n a - a ç ã o a n t e r i o r d á i n í ¬ c i o a u m d i á l o g o d e p e n s a r e f a z e r a t r a v é s d o q u a l p o s s o t o r n a r - m e u m c a r p i n t e i r o m a i s h a b i l i d o s o ( e m b o r a c o n t i n u e s e n d o a m a d o r ) . N a v e r d a d e , c o m o v e r e m o s n o s c a p í t u l o s s e g u i n t e s , e s s e s v á r i o s n í v e i s e t i p o s d e r e f l e ¬ x ã o d e s e m p e n h a m p a p é i s i m p o r t a n t e s n a a q u i s i ç ã o d o t a l e n t o a r t í s t i c o . e m q u e t a m o r g d e e m t i v e p r o c o r m u i n s i d a c P R Á T I C A l i m s e u A t é a q u i , n e s t e c a p í t u l o , t e n h o f e i t o m u d a n ç a s d e f o c o , d o t a l e n t o a r t í s ¬ t i c o h a b i l i d o s o e e s o t é r i c o d a p r á t i c a p r o f i s s i o n a l a t é o m a i s m u n d a n o - m a s n ã o m e n o s i m p o r t a n t e - t a l e n t o a r t í s t i c o d a v i d a c o t i d i a n a . T e n h o f e i t o i s s o n o s e n t i d o d e m o s t r a r q u e a t o s d e c o n h e c e r - n a - a ç ã o e r e f l e x ã o - n a - a ç ã o e n t r a m e m e x p e r i ê n c i a s d e p e n s a r e f a z e r q u e s ã o c o m p a r t i l h a d a s p o r t o d o s . Q u a n d o a p r e n d e m o s o t a l e n t o a r t í s t i c o d e u m a p r á t i c a p r o f i s s i o n a l , n ã o i m p o r t a n d o o q u ã o s e p a r a d a d a v i d a c o t i d i a n a e l a p o s s a p a r e c e r , a p r e n d e m o s n o v a s m a ¬ n e i r a s d e u s a r t i p o s d e c o m p e t ê n c i a s q u e j á p o s s u í m o s . C o n t u d o , o c o n t e x t o d e u m a p r á t i c a p r o f i s s i o n a l é s i g n i f i c a t i v a m e n t e d i f e r e n t e d e o u t r o s c o n t e x t o s , e o s p a p é i s d e c o n h e c e r - n a - a ç ã o e r e f l e x ã o - n a - a ç ã o , n o t a l e n t o a r t í s t i c o p r o f i s s i o n a l , c o r r e s p o n d e n t e m e n t e d i f e r e n t e s . E v e r e t t H u g h e s , c o m o j á m e n c i o n e i , d e f i n i a o p r o f i s s i o n a l c o m o a l g u é m q u e d e t é m o c o n h e c i m e n t o p r o f i s s i o n a l e m q u e s t õ e s d e a l t a i m p o r t â n c i a h u ¬ m a n a ( H u g h e s , 1 9 5 9 ) . E l e v i a a r e i v i n d i c a ç ã o d o p r o f i s s i o n a l e m r e l a ç ã o a o c o n h e c i m e n t o p r o f i s s i o n a l c o m o e n v o l v i d a e m u m a b a r g a n h a c o m a s o c i e ¬ d a d e . E m t r o c a d o a c e s s o a s e u c o n h e c i m e n t o e s p e c i a l , o p r o f i s s i o n a l r e c e b e u m m a n d a t o p a r a e x e r c e r c o n t r o l e s o c i a l n a s q u e s t õ e s d e s u a e s p e c i a l i z a ç ã o , u m a l i c e n ç a p a r a d e t e r m i n a r q u e m e n t r a r á e m s u a p r o f i s s ã o e u m g r a u r e ¬ l a t i v a m e n t e a l t o d e a u t o n o m i a n a r e g u l a m e n t a ç ã o d e s u a p r á t i c a . A s s i m , e m u m a í n t i m a a s s o c i a ç ã o c o m a p r ó p r i a i d é i a d e p r o f i s s ã o , e n c o n t r a m o s a i d é i a d e u m a c o m u n i d a d e d e p r o f i s s i o n a i s c u j o c o n h e c i m e n t o e s p e c i a l c o l o c a - o s à p a r t e d e o u t r o s i n d i v í d u o s , e m r e l a ç ã o a o s q u a i s e l e s t ê m d i r e i t o s e p r i ¬ v i l é g i o s e s p e c i a i s . U m a p r á t i c a p r o f i s s i o n a l é o d o m í n i o d e u m a c o m u n i d a d e d e p r o f i s ¬ s i o n a i s q u e c o m p a r t i l h a m , n o s t e r m o s d e J o h n D e w e y , a s t r a d i ç õ e s d e u m a v o c a ç ã o . E l e s c o m p a r t i l h a m c o n v e n ç õ e s d e a ç ã o q u e i n c l u e m m e i o s , l i n g u a ¬ g e n s e f e r r a m e n t a s d i s t i n t i v a s e o p e r a m d e n t r o d e t i p o s e s p e c í f i c o s d e a m b i e n ¬ t e s i n s t i t u c i o n a i s - o t r i b u n a l , a e s c o l a , o h o s p i t a l e a e m p r e s a , p o r e x e m p l o . S u a s p r á t i c a s s ã o e s t r u t u r a d a s e m t e r m o s d e t i p o s p a r t i c u l a r e s d e u n i d a d e s d e a t i v i d a d e - c a s o s , p a c i e n t e s , v i s i t a s o u a u l a s , p o r e x e m p l o - e e l e s e s t ã o s o c i a l e i n s t i t u c i o n a l m e n t e p a d r o n i z a d o s , d e f o r m a a a p r e s e n t a r o c o r r ê n c i a s r e p e t i d a s d e t i p o s p a r t i c u l a r e s d e s i t u a ç õ e s . U m a “ p r á t i c a ” é f e i t a d e f r a g m e n t o s d e a t i v i ¬ d a d e , d i v i s í v e i s e m t i p o s m a i s o u m e n o s f a m i l i a r e s , c a d a u m d o s q u a i s s e n d o v i s t o c o m o v o c a ç ã o p a r a o e x e r c í c i o d e c e r t o t i p o d e c o n h e c i m e n t o . u m e n t n o : s i o s i o b u : - n o 1 t â r o b t e c t í f i c a : m ; b a p l < c u c i c h á c o m < ç õ s i t t r a c o q ' d a e n d e Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar EDUCANDO O PROFISSIONAL REFLEXIVO / 37 As pessoas que exercem uma profissão são diferentes entre si, é claro, suas subespecialidades, nas experiências e nas perspectivas particulares que trazem para seu trabalho e em seus estilos de operação. Entretanto, elas também compartilham um corpo de conhecimento profissional explícito e organizado mais ou menos sistematicamente, que Geoffrey Vickers chamou de um “sistema apreciativo” - o conjunto de valores, preferências e normas em termos dos quais elas compreendem situações práticas, formulam obje¬ tivos e diretrizes para a ação e determinam o que constitui uma conduta profissional aceitável. O processo de conhecer-na-ação de um profissional tem suas raízes contexto social e institucionalmente estruturado do qual compartilha munidade de profissionais. Conhecer-na-prática é exercitado nos ambientes institucionais particulares da profissão, organizados em termos de suas uni¬ dades de atividade características e seus tipos familiares de situações práticas e limitado ou facilitado por seu corpo comum de conhecimento profissional e seu sistema apreciativo. Isso é o máximo que podemos dizer sem fazer referência explícita a uma epistemologia particular da prática profissional. Além desse ponto, no entanto, nossa visão do conhecimento de um profissional afetará em muito nossas descrições das funções e das interações entre conhecimento profis¬ sional e talento artístico profissional. Na perspectiva da racionalidade técnica, como já indiquei, um profis¬ sional competente está sempre preocupado com problemasinstrumentais. Ele busca os meios mais adequados para a conquista de fins fixos e não-ambíguos - na medicina, a saúde; no direito, o sucesso na disputa judicial; nos negócios, o lucro - e sua eficácia é medida pelo sucesso em encontrar, em cada ins¬ tância, as ações que produzem os efeitos pretendidos, consistentes com seus objetivos. Nessa visão, a competência profissional consiste na aplicação de teorias e técnicas derivadas da pesquisa sistemática, preferencialmente cien¬ tífica, à solução de problemas instrumentais da prática. Desse ponto de vista, podemos distinguir dois tipos de situações práti¬ cas e dois tipos diferentes de atos de conhecer apropriados a elas. ~ Há situações familiares, nas quais o profissional pode resolver o proble¬ ma pela aplicação rotineira de fatos, regras e procedimentos derivados da bagagem de conhecimento profissional. No planejamento urbano, por exem¬ plo, há regras não-ofícíáís, mas aceitas, pelas quais um planejador pode cal¬ cular, sob um dado zoneamento regulamentado, o número de vagas de esta¬ cionamento necessárias para cada apartamento de um edifício. Em medicina, há diagnósticos de rotina de pacientes e prescrições rotineiras para queixas comuns e simples. Há, também, situações incomuns nas quais o problema não fica inicial¬ mente claro e não há uma equivalência óbvia entre as características das situa¬ ções e o conjunto de teorias e técnicas disponíveis. É comum, nesse tipo de situação, falar em “pensar como um médico” - ou advogado, ou adminis¬ trador - para referir-se aos tipos de investigação pelas quais profissionais competentes aplicam conhecimentos disponíveis em situações práticas em que sua aplicação é problemática. Nesse caso, a sequência comum da facul¬ dade de direito leva os estudantes através de um processo que começa com a enunciação dos “fatos do caso” e continua através de padrões característicos de raciocínio que determinam quais questões legais estão centralmente em em 'I no ’1uma co- i *í Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar 3 8 / D O N A L D A . S C H õ N j o g o n o c a s o e q u e p r e c e d e n t e s j u d i c i a i s s ã o m a i s p e r t i n e n t e s a e l e . D a m e s m a f o r m a , o s e s t u d a n t e s d e m e d i c i n a a p r e n d e m a “ a n a l i s a r u m a d o e n ç a e m q u e s ¬ t ã o ” e m q u e , c o m e ç a n d o p o r o b s e r v a ç õ e s p a d r o n i z a d a s , e x a m e s f í s i c o s , e n ¬ t r e v i s t a s e t e s t e s d e l a b o r a t ó r i o , o e s t u d a n t e d e v e r a c i o c i n a r e e n c o n t r a r s e u c a m i n h o a t é u m d i a g n ó s t i c o p l a u s í v e l d a d o e n ç a d o p a c i e n t e e u m a p r o p o s t a d e e s t r a t é g i a d e t r a t a m e n t o . D a p e r s p e c t i v a d a r a c i o n a l i d a d e t é c n i c a , o “ p e n s a r c o m o u m _ ” d e v e s e r c o n s i d e r a d o c o m o s e n d o u m a i n v e s t i g a ç ã o a u t o g o v e r n a d a . O p r o ¬ f i s s i o n a l c o m p e t e n t e é v i s t o s e g u i n d o r e g r a s p a r a a o b t e n ç ã o d e i n f o r m a ç õ e s , i n f e r ê n c i a e t e s t e d e h i p ó t e s e s , o q u e l h e p e r m i t e t o r n a r c l a r a s a s c o n e x õ e s e n t r e a s s i t u a ç õ e s q u e s e a p r e s e n t a m e o c o r p o d e c o n h e c i m e n t o p r o f i s s i o n a l e m q u e t a i s c o n e x õ e s s ã o i n i c i a l m e n t e p r o b l e m á t i c a s . P r e s u m e - s e q u e e s s a s r e g r a s s e j a m e x p l i c á v e i s , o n d e e l a s j á n ã o e s t e j a m e x p l í c i t a s . O s “ s i s t e m a s e s p e c i a l i z a d o s ” , a t u a l m e n t e e m v o g a n a m e d i c i n a c l í n i c a , a s s i m c o m o e m o u t r o s c a m p o s , s ã o t e n t a t i v a s d e t o r n a r e x p l í c i t a s a s b a s e s d e i n f o r m a ç ã o , a s r e g r a s e o s p r o c e d i m e n t o s a t r a v é s d o s q u a i s o c o n h e c i m e n t o p r o f i s s i o n a l é a p l i c a d o a c a s o s p r o b l e m á t i c o s p a r t i c u l a r e s ( K a s s i r e r e G o r r y , 1 9 7 0 ) . D e n t r o d e s s a e s t r u t u r a , h á p o u c o e s p a ç o p a r a a t a l e n t o a r t í s t i c o p r o f i s ¬ s i o n a l , e x c e t o c o m o u m a q u e s t ã o d e e s t i l o , e n x e r t a d a n a e s p e c i a l i z a ç ã o t é c ¬ n i c a . P o d e - s e r e c o n h e c e r a e x i s t ê n c i a d e a r t i s t a s p r o f i s s i o n a i s c a p a z e s d e e n ¬ t e n d e r e m s i t u a ç õ e s ú n i c a s e i n c e r t a s , m a s n ã o h á f o r m a d e f a l a r s e n s i v e l m e n t e s o b r e s e u t a l e n t o a r t í s t i c o - e x c e t o , t a l v e z , d i z e r q u e e l e s e s t ã o s e g u i n d o r e g r a s q u e a i n d a n ã o s e t o r n a r a m e x p l í c i t a s . N a e p i s t e m o l o g i a d a p r á t i c a a l t e r n a t i v a s u g e r i d a n e s t e l i v r o , o t a l e n t o a r t í s t i c o p r o f i s s i o n a l é e n t e n d i d o e m t e r m o s d e r e f l e x ã o - n a - a ç ã o e c u m p r e u m p a p e l c e n t r a l n a d e s c r i ç ã o d a c o m p e t ê n c i a p r o f i s s i o n a l . N e s s a v i s ã o , r e c o n h e c e r í a m o s c o m o u m c a s o - l i m i t e a s s i t u a ç õ e s n a s q u a i s é p o s s í v e l f a z e r u m a a p l i c a ç ã o r o t i n e i r a d a s r e g r a s e d o s p r o c e d i m e n t o s e x i s t e n t e s a s i t u a ç õ e s p r o b l e m á t i c a s e s p e c í f i c a s . P a r a a l é m d e s s a s s i t u a ç õ e s , r e g r a s , t e o r i a s e t é c n i c a s c o n h e c i d a s t r a b a l h a m e m i n s t â n c i a s c o n c r e t a s , p o r i n t e r m é d i o d e u m a a r t e q u e c o n s i s t e e m u m a f o r m a l i m i t a d a d e r e f l e x ã o - n a - a ç ã o . E , p a r a a l é m d e s t a s , r e c o n h e c e r í a m o s c a s o s d e d i a g n ó s t i c o s p r o b l e m á ¬ t i c o s n o s q u a i s o s p r o f i s s i o n a i s n ã o a p e n a s s e g u e m a s r e g r a s d a i n v e s t i g a ç ã o , m a s t a m b é m , à s v e z e s , r e s p o n d e m a d e s c o b e r t a s s u p r e e n d e n t e s a t r a v é s d a i n v e n ç ã o i m e d i a t a d e n o v a s r e g r a s . E s s e t i p o d e r e f l e x ã o - n a - a ç ã o é f u n d a ¬ m e n t a l p a r a o t a l e n t o a r t í s t i c o c o m o q u a l o s p r o f i s s i o n a i s , m u i t a s v e z e s , c o m p r e e n d e m s i t u a ç õ e s i n c e r t a s , ú n i c a s e c o n f l i t u o s a s . P o r e x e m p l o : • U m m é d i c o , s a b e n d o q u e e m t o m o d e 8 5 % d o s c a s o s q u e e n t r a m e m s e u c o n s u l t ó r i o n ã o e s t ã o “ n o m a n u a l ” , r e s p o n d ea o c o n j u n t o ú n i c o d e s i n ¬ t o m a s d e u m p a c i e n t e i n v e n t a n d o e t e s t a n d o u m n o v o d i a g n ó s t i c o . • U m p e s q u i s a d o r d e m e r c a d o , m o n i t o r a n d o a s r e a ç õ e s d o s c o n s u m i ¬ d o r e s a u m n o v o p r o d u t o , d e s c o b r e q u e e l e s e n c o n t r a r a m u s o s p a r a o p r o d u t o q u e e l e n u n c a t i n h a p l a n e j a d o e r e s p o n d e r e p e n s a n d o o p r o d u t o e m t e r m o s d a s d e s c o b e r t a s d o s c o n s u m i d o r e s . E m c a s o s c o m o e s s e s , o p r o f i s s i o n a l e x p e r i m e n t a u m a s u r p r e s a q u e o l e v a a r e p e n s a r s e u p r o c e s s o d e c o n h e c e r - n a - a ç ã o d e m o d o a i r a l é m d e r e g r a s , f a t o s , t e o r i a s e o p e r a ç õ e s d i s p o n í v e i s . E l e r e s p o n d e à q u i l o q u e é i n e s ¬ p e r a d o o u a n ó m a l o a t r a v é s d a r e e s t r u t u r a ç ã o d e a l g u m a s d e s u a s e s t r a t é g i a s d e a ç ã o , t e o r i a s d e f e n ô m e n o o u f o r m a s d e c o n c e b e r o p r o b l e m a e i n v e n t a E N S I I > Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar EDUCANDO O PROFISSIONAL REFLEXIVO / 39 experimentos imediatos para testar suas novas compreensões. Ele comporta- se mais como um pesquisador tentando modelar um sistema especializado do que como um “especialista” cujo comportamento é modelado. Na base dessa visão da reflexão-na-ação do profissional está uma visão construcionista da realidade com a qual ele lida - uma visão que nos leva a vê-lo construindo situações de sua prática, não apenas no exercício do ta¬ lento artístico profissional, mas também em todos os outros modos de com¬ petência profissional. A racionalidade técnica baseia-se em uma visão objetivista da relação do profissional de conhecimento com a realidade que ele conhece. Nessa visão, os fatos são o que são e a verdade das crenças é passível-de ser testada estritamente com referência a elas. Todos os desacordos significativos são solucionáveis, pelo menos em princípio, tomando-se os fatos como referên¬ cia. Todo o conhecimento profissional baseia-se em um alicerce de fatos. Na visão construcionista, nossas visões, apreciações e crenças estão en¬ raizadas em mundos construídos por nós mesmos, que viemos a aceitar co¬ mo realidade. Comunidades de profissionais estão continuamente engajadas no que Nelson Goodman (1978) chama de “visão de mundo”. Através de um sem-número de atos de atenção e desatenção, designação, compreensão, es¬ tabelecimento de limites e controle, eles vêem e mantêm os mundos que são adequados a seu conhecimento e know-how profissional. Eles estão em transação com seus mundos práticos, concebendo os problemas que surgem em situações práticas e moldando as situações para que sirvam nas concep¬ ções, concebendo seus papéis e construindo situações práticas que tornem operacionais os papéis que lhes cabem na concepção. Resumindo, eles têm uma maneira particular e profissional de ver o mundo e uma maneira de construir e manter o mundo da forma como o vêem. Quando os profissionais respondem a zonas indeterminadas da prática, sustentando uma conversação reflexiva com os materiais de suas situações, eles refazem parte de seu mundo prático e revelam, assim, os processos normalmente tácitos de construção de \ uma visão de mundo em que baseiam toda a sua prática. i ! 5 ENSINO PRATICO Quando alguém aprende uma prática, é iniciado nas tradições de uma comunidade de profissionais que exercem aquela prática e no mundo prático que eles habitam. Aprende suas convenções, seus limites, suas linguagens e seus sistemas apreciativos, seu repertório de modelos, seu conhecimento sistemático e seus padrões para o processo de conhecer-na-ação. Pode-se fazer isso de várias maneiras. Raramente, é possível aprender a prática por conta própria, que é a forma como as pessoas, às vezes, aprendem a caça, a carpintaria ou a prática de crimes. Ele pode tomar-se um aprendiz de profis-sionais mais experientes, como ainda fazem muitos artesãos, trabalhadores industriais e outros. Ou pode entrar em uma atividade de ensino prático. Aprender uma prática por conta própria tem a vantagem da liberdade - liberdade para experimentar sem os limites das visões recebidas de outros. Mas também oferece a desvantagem de exigir que cada aluno reinvente a roda, ganhando pouco ou nada da experiência acumulada de outros. A con¬ dição de aprendiz oferece a exposição direta às condições reais de prática e Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar 4 0 / D O N A L D A . S C H õ N p a d r õ e s d e t r a b a l h o . P o r é m a m a i o r i a d o s e s c r i t ó r i o s , f á b r i c a s , f i r m a s » c l í n i c a s n ã o e s t á o r g a n i z a d a p a r a a s t a r e f a s e x i g e n t e s d a i n i c i a ç ã o e d a e d u c a B ç ã o . A s p r e s s õ e s p o r u m b o m d e s e m p e n h o t e n d e m a s e r a l t a s ; o t e m p o e * B c a s s o , e o s e r r o s , c a r o s . P r o f i s s i o n a i s e x p e r i e n t e s a p r e n d e r a m , a l é m d i s s o , ) B e s p e r a r d o s a p r e n d i z e s q u e v e n h a m e q u i p a d o s c o m h a b i l i d a d e s p r á t i c a s m l d i m e n t a r e s . N o e n t a n t o , m u i t o s i n i c i a n t e s a i n d a s e f o r m a m a t r a v é s d a c o n d B ç ã o d e a p r e n d i z , e m u i t o s p r o f i s s i o n a i s e c r í t i c o s e x p e r i e n t e s d a e d u c a ç à B p r o f i s s i o n a l a i n d a a v ê e m c o m o u m a o p ç ã o d e m é t o d o . B U m a u l a p r á t i c a é u m a m b i e n t e p r o j e t a d o p a r a a t a r e f a d e a p r e n d a ! u m a p r á t i c a . E m u m c o n t e x t o q u e s e a p r o x i m a d e u m m u n d o p r á t i c o , a W e s t u d a n t e s a p r e n d e m f a z e n d o , a i n d a q u e s u a a t i v i d a d e f i q u e l o n g e d o m u n - 1 d o r e a l d o t r a b a l h o . E l e s a p r e n d e m a s s u m i n d o p r o j e t o s q u e e s t i m u l a m e s i m - f p l i f i c a m a p r á t i c a o u p r o j e t o s r e a i s s o b u m a s u p e r v i s ã o m i n u c i o s a . U m a a u l a p r á t i c a é u m m u n d o v i r t u a l , r e l a t i v a m e n t e l i v r e d e p r e s s õ e s , d i s t r a ç õ e s e r i s c o s d o m u n d o a o q u a l , n o e n t a n t o , e l e d i z r e s p e i t o . F i c a n o e s p a ç o i n t e r m e d i á r i o e n t r e o m u n d o p r á t i c o , a c a m a d a “ l e i g a ” d a v i d a o r d i n á r i a e o m u n d o e s o t é ¬ r i c o d a a c a d e m i a . É , t a m b é m , u m m u n d o c o l e t i v o e m s i , c o m s u a p r ó p r i a m i s t u r a d e m a t e r i a i s , f e r r a m e n t a s , l i n g u a g e n s e a p r e c i a ç õ e s . I n c o r p o r a m a n e i ¬ r a s p a r t i c u l a r e s d e v e r, p e n s a r e f a z e r q u e t e n d e m , c o m o t e m p o , a t e r s u a a u t o r i d a d e c a d a v e z m a i s r e f o r ç a d a n a v i s ã o d o e s t u d a n t e . Q u a n d o u m a e s t u d a n t e i n i c i a u m a a u l a p r á t i c a , a p r e s e n t a m - s e a e l a , i m p l í c i t a o u e x p l i c i t a m e n t e , c e r t a s t a r e f a s f u n d a m e n t a i s . E l a d e v e a p r e n d e r a • r e c o n h e c e r a p r á t i c a c o m p e t e n t e . E l a d e v e c o n s t r u i r u m a i m a g e m d e s s a p r á t i - > c a , u m a a p r e c i a ç ã o d e s e u l u g a r n a r e l a ç ã o c o m e s s a p r á t i c a e u m m a p a d o i c a m i n h o p o r o n d e e l a p o d e c h e g a r , d e o n d e e s t á , a t é o n d e q u e r | d e v e a c e i t a r o s p r e s s u p o s t o s i m p l í c i t o s d a q u e l a p r á t i c a : q u e e x i s t e u m a p r á ¬ t i c a , q u e é b o a o s u f i c i e n t e p a r a s e r a p r e n d i d a , q u e e l a é c a p a z d e a p r e n d ê - l a e q u e é r e p r e s e n t a d a , e m s u a s c a r a c t e r í s t i c a s e s s e n c i a i s , p e l a a u l a p r á t i c a . E l a d e v e a p r e n d e r a “ p r á t i c a d o e n s i n o p r á t i c o ” - s u a s f e r r a m e n t a s , s e u s m é t o d o s , s e u s p r o j e t o s e s u a s p o s s i b i l i d a d e s - e a s s i m i l a r , à p r á t i c a , s u a i m a g e m e m e r ¬ g e n t e d e c o m o e l a p o d e a p r e n d e r m e l h o r o q u e q u e r . O t r a b a l h o d o e n s i n o p r á t i c o é c o n s e g u i d o a t r a v é s d e u m a c e r t a c o m b i ¬ n a ç ã o d o a p r e n d i z a d o d o e s t u d a n t e p e l o f a z e r s u a s i n t e r a ç õ e s c o m o s i n s t r u ¬ t o r e s e s e u s c o l e g a s e u m p r o c e s s o m a i s d i f u s o d e “ a p r e n d i z a g e m d e f u n d o ” . O s e s t u d a n t e s p r a t i c a m e m u m d u p l o s e n t i d o . D e f o r m a s i m u l a d a , p a r ¬ c i a l o u p r o t e g i d a , e l e s e n g a j a m - s e n a p r á t i c a q u e d e s e j a m a p r e n d e r ; c o n t u d o , t a m b é m p r a t i c a m , c o m o a l g u é m p r a t i c a p i a n o , o s a n á l o g o s , e m s e u s c a m p o s , d a s e s c a l a s e d o s a r p e j o s d o p i a n i s t a . E l e s f a z e m i s s o s o b a o r i e n t a ç ã o d e u m p r o f i s s i o n a l e x p e r i e n t e - u m c o o r d e n a d o r d e a t e l i ê , u m m é d i c o s u p e r v i s o r o u u m i n s t r u t o r d e e s t u d o d e c a s o , p o r e x e m p l o . À s v e z e s , e s s e s i n d i v í d u o s p o ¬ d e m e n s i n a r n o s e n t i d o c o n v e n c i o n a l , c o m u n i c a n d o i n f o r m a ç ã o , d e f e n d e n d o t e o r i a s , d e s c r e v e n d o e x e m p l o s d e p r á t i c a . N o e n t a n t o , e l e s f u n c i o n a m p r i n c i ¬ p a l m e n t e c o m o i n s t r u t o r e s c u j a s a t i v i d a d e s p r i n c i p a i s s ã o d e m o n s t r a r , a c o n ¬ s e l h a r , q u e s t i o n a r e c r i t i c a r . A m a i o r i a d a s a u l a s p r á t i c a s e n v o l v e g r u p o s d e e s t u d a n t e s q u e s ã o , m u i t a s v e z e s , t ã o i m p o r t a n t e s u m p a r a o o u t r o q u a n t o o i n s t r u t o r . À s v e z e s , c u m p r e m o p a p e l d e l e . E o g r u p o é o m e i o a t r a v é s d o q u a l e l e s p o d e m i m e r g i r n o m u n d o d o e n s i n o p r á t i c o - o m u n d o a b r a n g e n t e d e u m a t e l i ê d e p r o j e t o s a r q u i ¬ t e t ô n i c o s , u m c o n s e r v a t ó r i o d e m ú s i c a o u u m a s u p e r v i s ã o p s i c a n a l í t i c a , p o r e x e m p l o - a p r e n d e n d o n o v o s h á b i t o s d e p e n s a m e n t o e a ç ã o . A a p r e n d i z a g e m a o s a d N ' ! d J o - O e : t V - ' n T e s t a r . E l a Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar EDUCANDO O PROFISSIONAL REFLEXIVO / 41 através de exposição e imersão, aprendizagem defundo, acontece muitas vezes de maneira inconsciente, mesmo que um estudante possa tomar-se consciente disso mais tarde, quando entrar em um ambiente diferente. Nossa visão do trabalho do ensino prático e das condições e do pro¬ cesso apropriados a ele depende, em parte, de nossa visão dos tipos de saber essenciais à competência profissional. Os tipos de saber descritos anterior- mente, e suas diferentes perspectivas apresentadas, sugerem concepções dife¬ rentes de ensino prático. Se concebermos o conhecimento profissional em termos defetos, regras e procedimentos aplicados de forma não-problemática a problemas instru- ! mentais, veremos o ensino prático, em sua totãlídade, como uma forma de 1 treinamento técnico. O trabalho do instrutor será comunicar e demonstrar a,' aplicação de regras e operações aos fatos da prática. Pode-se imaginar, nessa visão, uma aula prática para aprender uma linguagem de computação, técni¬ cas de análise química ou métodos de análise estatística. Esperaríamos dos estudantes que assimilassem o material através da leitura, escuta e observação, familiarizando-se com exemplos e problemas práticos adequados às catego¬ rias apropriadas da teoria e da técnica. A instrução consistiria na observação da atuação dos estudantes, detectando-se erros de aplicação e apontando-se as respostas corretas. Se concebermos o saber profissional em termos de “pensar como um” administrador, advogado ou professor, os estudantes ainda assim aprenderão fatos relevantes, mas aprenderão também as formas de investigação pelas quais os profissionais competentes raciocinam para encontrar, em instâncias' problemáticas, as conexões entre conhecimento geral e casos particulares. Os exercícios comuns da sala de aula da faculdade de direito e da clínica médica exemplificam tal ponto de vista. Em uma atividade de ensino prático desse tipo, presume-se haver uma resposta certa para qualquer situação, algum item no corpo do conhecimento profissional que possa, afinal, encaixar-se no caso em questão. Porém, dependendo da visão que se tem de “pensar como um_”, os instrutores podem enfatizar tanto as regras da investigação quanto a reflexão-na-ação através da qual, ocasionalmente, os estudantes têm que desenvolver novas regras e métodos próprios. Se nos concentrarmos nos tipos de reflexão-na-ação através dos quais os profissionais às vezes adquirem novas compreensões de situações incertas, \ únicas e conflituosas da prática, então iremos supor que o conhecimento profissional não resolve todas as situações e nem todo o problema tem uma resposta correta. Consideraremos que os estudantes devem aprender um tipo de reflexão-na-ação que vai além das regras que se podem explicitar - não apenas por enxergar novos métodos de raciocínio, como acima, mas também por construir e testar novas categorias de compreensão, estratégias de ação e formas de conceber problemas. Os instrutores enfatizarãozonas indetermi¬ nadas da prática e conversações reflexivas com os materiais da situação. É importante acrescentar que o terceiro tipo de ensino prático não impede o trabalho do primeiro e do segundo. Talvez possamos aprender com a reflexão-na-ação, aprendendo primeiro a reconhecer e aplicar regras, fatos e operações-padrão; em seguida, a raciocinar a partir das regras gerais até casos problemáticos, de formas características daquela profissão, e somente, então,desenvolver e testar novas formas de compreensão e ação, em que categorias familiares e maneiras de pensar falham'. I í y * í i Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar / r 4 2 / D O N A L D A . S C H ô N A t i v i d a d e s d e e n s i n o p r á t i c o d o t e r c e i r o t i p o e x i s t e m , e m m a i o r o u m e n o r g r a u , n a s t r a d i ç õ e s " d e s v i a n t e s " d o a t e l i ê o u d o c o n s e r v a t ó r i o . E l a s t a m b é m s ã o e n c o n t r a d a s , à s v e z e s , a s s o c i a d a s c o m a c o n d i ç ã o d e a p r e n d i z o u - m e n o s f r e q u e n t e m e n t e e g e r a l m e n t e s e m l e g i t i m i d a d e o u s t a t u s f o r m a l - n a s p a l e s t r a s , n a s o f i c i n a s o u n o s e s t á g i o s d a s e s c o l a s p r o f i s s i o n a i s . E s s a s a t i v i d a d e s d e e n s i n o p r á t i c o s ã o r e f l e x i v a s , n o s e n t i d o d e q u e e s t ã o v o l t a d a s p a r a a j u d a r o s e s t u d a n t e s a a p r e n d e r e m a t o r n a r - s e p r o f i c i e n t e s e m u m t i p o d e r e f l e x ã o - n a - a ç ã o . E l a s s ã o r e f l e x i v a s , c o m o v e r e m o s , n o s e n t i d o d e q u e d e p e n d e m , p a r a s u a e f i c á c i a , d e u m d i á l o g o r e c i p r o c a m e n t e r e f l e x i v o e n t r e < _ _ i n s t r u t o r e e s t u d a n t e . E l e s e s e u s p r o j e t o s , c o n d u t a s , c o n d i ç õ e s e d i l e m a s c a r a c t e r í s t i c o s s ã o o a s s u n t o d o s p r ó x i m o s c a p í t u l o s . N O T A 1 . H á c l u a s q u e s t õ e s , n e s s e p o n t o e e l a s t ê m i g u a l i m p o r t â n c i a . A p r i m e i r a é q u e o a t o d e c o n h e c e r - n a - a ç à o c a r a c t e r í s t i c o d e p r o f i s s i o n a i s c o m p e t e n t e s e m u m c a m p o p r o f i s s i o n a l n ã o é o m e s m o q u e o c o n h e c i m e n t o p r o f i s s i o n a l e n s i n a d o n a s f a c u l d a d e s . E m u m d a d o c a s o , o r e l a c i o n a m e n t o e n t r e o s d o i s t i p o s d e c o n h e c i m e n t o d e v e r i a s e r t r a t a d o c o m o u m a q u e s t ã o a b e r t a . O a t o o r d i n á r i o d e c o n h e c e r - n a - a ç â o p o d e s e r u m a a p l i c a ç ã o d o c o n h e ¬ c i m e n t o p r o f i s s i o n a l b a s e a d o e m p e s q u i s a e n s i n a d o n a s e s c o l a s , p o d e s e r s o b r e p o s t o a e l e o u p o d e n ã o t e r n a d a a v e r c o m e l e . E s s e a r g u m e n t o é s e m e l h a n t e a o u s a d o p o r C h a r l e s L i n d b l o m e D a v i d C o h e n e m U s a b l e K n o w l e d g e ( 1 9 7 9 ) . A s e g u n d a q u e s t ã o é q u e p r o f i s s i o n a i s c o m p e t e n t e s , m u i t a s v e z e s , t ê m a c a p a c i d a d e d e g e r a r u m n o v o p r o c e s s o d e c o n h e c e r - n a - a ç â o , p o r m e i o d a r e f l e x ã o - n a - a ç ã o d e s e n v o l v i d a e m d e t e r m i n a d a s z o n a s d a p r á t i c a . A s f o n t e s d e c o n h e c e r - n a - a ç ã o i n c l u e m e s s a r e f l e x ã o - n a - a ç ã o e n ã o s ã o l i m i t a d a s à p e s q u i s a p r o d u z i d a p e l a s e s c o l a s p r o f i s s i o n a i s d a s u n i v e r s i d a d e s . Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar Victor Campelo Selecionar