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2016 14 Maria Bethania 03 10 16 FINALIZADO 1

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avaliação psicológica de obesos 
grau III antes e depois da cirurgia bariátrica. 
 A respeito dos inventários de Beck, é interessante ressaltar que o Inventário de 
Depressão de Beck (BDI) foi desenvolvido por Beck, Ward, Mendelsol, Mock e Erbaugh 
(1961), com a finalidade de avaliar a intensidade de sintomas depressivos na população em 
geral. Graças ao fato de apresentar propriedades psicométricas consideradas satisfatórias 
passou a ser um instrumento amplamente utilizado e confiável, desde a época em que foi 
lançado, para avaliação da intensidade de sintomas depressivos (NEIMEYER & FEIXAS, 
1992; McREYNOLDS, 1989). O inventário foi traduzido para o português em 1982 e foi 
validado por Gorestein & Andrade (1996). Posteriormente, em 1996, para alcançar maior 
proximidade aos critérios diagnósticos de depressão maior do DSM-IV, o BDI passou por 
uma revisão que resultou no desenvolvimento de sua segunda edição, o BDI-II 
(BENEDETTO, 2009). 
BAI (Inventário da Ansiedade Beck) foi criado por Beck, Epstei, Brown e Stter, no 
CCT, em 1988. É uma escala de auto-relato que mede a intensidade dos sintomas da 
ansiedade. Na realidade, a mensuração da ansiedade reconhecida como uma das emoções 
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humanas básica é de extrema importância, já que sintomas da ansiedade, bem como transtorno 
de ansiedade, podem ser considerados como constituindo uma das dificuldades principais 
enfrentadas pelos seres humanos. O BAI foi construído para medir sintoma de ansiedade, que 
são compartilhados de forma mínima com os da depressão.Os dados sobre fidedignidade e 
validade, baseados em dados das amostras originais e apresentados no manual (BECK & 
STEER, 1993). 
BSI (Escala de Ideação Suicida Beck) é uma versão de auto-relata de outro 
instrumento clínico, também desenvolvido no CCT da Universidade de Pennsylvania e 
utilizado, desde 1970, para investigar a ideação suicida em pacientes psiquiátricos. Trata-se da 
Scale for Suicide Ideation (SSI) apresentada por Beck, Kovacs e Weissman (1979). 
Grothe & cols., 2006 ressaltam que diante desse contexto, a avaliação de pacientes, 
seleção criteriosa e educação pré e pós-operatórias têm sido consideradas de extrema 
relevância para pessoas obesas candidatas à cirurgia bariátrica. 
A avaliação psicológica daqueles que procuram o procedimento se torna necessária, 
uma vez que o posterior sucesso da CB dependerá menos da qualidade técnica do 
procedimento cirúrgico realizado e mais da capacidade adaptativa do paciente aos novos 
hábitos alimentares, ou seja, o insucesso é de ordem comportamental, no qual aspectos 
emocionais estão envolvidos (BENEDETTO, 2009). 
A avaliação psicológica é etapa crítica não apenas para identificar possíveis 
contraindicações, mas, acima de tudo, para entender melhor a motivação do paciente, seu 
preparo e os fatores emocionais que podem impactar em sua adaptação à vida após a operação 
e às mudanças de estilo de vida associadas (SARWER, et al, 2009) 
Esta avaliação também é considerada como oportunidade única de realizar a 
psicoeducação do paciente sobre as mudanças implicadas à cirurgia bariátrica, oferecer apoio 
psicológico e preparar o candidato para as mudanças comportamentais exigidas na fase pós-
operatória (BAGDATTE, 2012). 
 
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5 DISCUSSÃO 
 
 A obesidade é de fato hoje uma epidemia mundial, de forma que todas as atividades 
profissionais envolvidas no processo de combate a essa doença, entre elas a psicologia tende a 
ter uma demanda aumentada no decorrer dos anos. Sendo a CB o meio mais eficaz de 
combate a obesidade mórbida; a avaliação psicológica para a mesma tornou-se uma etapa 
fundamental para o processo, sendo um campo de estudo em expansão para a psicologia. 
No que diz respeito a avaliação psicológica e a utilização das técnicas da TCC nesta 
avaliação, podemos dizer que são de grande utilidade, uma vez que através delas é possível 
fazer uma avaliação do histórico dessa patologia, hábitos alimentares, demandas psicológicas 
e ou contraindicações a cirurgia; psicoeducação acerca do processo e mudanças que estão por 
vir. Os Inventários ou Escalas de Beck, BDI, BAI e BSI são de grande valia neste contexto, 
uma vez que através destes Inventários é possível identificar se o paciente está vivenciando 
sintomas de Ansiedade, Depressão e/ou Ideação Suicida, sintomas que poderão prejudicar a 
continuidade do tratamento. 
 O acompanhamento psicológico pós-cirurgia também é um importante ponto a ser 
observado, uma vez que poderá auxiliar o paciente a lidar e enfrentar melhor as mudanças 
ocorridas após a operação, não só no âmbito corporal, mas também psicossocial. 
A esse respeito, França (2014) ressalta que o papel do psicólogo é, assim, o de avaliar, 
entretanto esta avaliação precisa incluir o informar o paciente da realidade da cirurgia, de seus 
limites, de suas consequências e de suas exigências. Esta ação, não pode ser meramente 
informativa, pois, afrontando as expectativas do paciente de conseguir uma solução milagrosa 
para os seus problemas, tal informação precisará na verdade ser compreendida e aceita 
subjetivamente pelo paciente, de modo que, para que esta compreensão seja alcançada, o 
psicólogo terá que auxiliar o paciente nesse processo de elaboração. No entanto a decisão 
deve ser tomada pelo paciente obeso, após reflexão e esclarecimentos promovidos pelas 
sessões com o psicólogo, e não uma decisão unicamente desse profissional. 
A TCC em sua essência poderá auxiliar todo esse processo, uma vez que a atuação de 
forma colaborativa entre terapeuta e paciente é a característica essencial da abordagem. 
 
 
 
 
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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Os procedimentos cirúrgicos de CB visam reduzir as comorbidades associadas à 
obesidade no intuito de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, entretanto vale ressaltar, 
que para ter-se uma melhor qualidade de vida, deve-se levar em consideração que além da 
redução do peso corporal, o tratamento também deve relacionar atividades que visem os 
aspectos emocionais de cada indivíduo, para que possa ocorrer não somente a melhora da 
qualidade de vida relacionada à saúde física, mas também aquela relacionada à saúde mental. 
Desta forma a atuação do psicólogo neste processo é de fundamental importância para 
alcançar esses objetivos. 
Os dados obtidos a partir da revisão bibliográfica concluem que a avaliação 
Psicológica para a cirurgia bariátrica ainda não possui um protocolo por assim dizer no país, 
necessitando ainda de muitos estudos para se chegar a essa etapa Constatou-se, entretanto que 
apesar de não haver esse consenso, podemos perceber que todos os autores pesquisados são 
unânimes em afirmar que a avaliação psicológica para CB é de importância fundamental na 
luta de combate a obesidade, uma vez que auxilia o paciente na compreensão dos seus 
conteúdos psicológicos, dúvidas e esclarecimentos acerca da importante decisão pela 
realização da referida cirurgia. 
 Neste cenário, a TCC surge como uma importante opção, pois através de suas técnicas 
cognitivas e comportamentais auxiliam o psicólogo na avaliação psicológica e posteriormente 
no acompanhamento psicoterápico do paciente. 
A maioria dos profissionais que atuam na área utiliza-se de variadas técnicas, entre 
elas técnicas da TCC e as mais utilizadas são os inventários de Beck (BDI, BAI e BSI). 
 Diante do exposto podemos concluir que a avaliação psicológica de pacientes obesos 
pré-cirurgia bariátrica constitui-se em um verdadeiro desafio ao psicólogo e outros 
profissionais atuantes neste processo. Pesquisar e fazer surgir novos instrumentos a serem 
utilizados na promoção da saúde para esta parcela da população é fator primordial para a

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