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Projeto de ensino

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SUMÁRIO
31	INTRODUÇÃO	�
42	DESENVOLVIMENTO	�
42.1	JUSTIFICATIVA	�
72.2	REFERENCIAL TEÓRICO	�
132.3	SÉRIE / ANO PARA O QUAL O PROJETO SE DESTINA	�
132.4	OBJETIVO	�
152.5	PROBLEMATIZAÇÃO	�
162.6	O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO	�
162.7	TEMPO PARA REALIZAÇÃO DO PROJETO	�
172.8	RECURSOS HUMANOS E MATERIAIS	�
172.9	AVALIAÇÃO	�
18REFERÊNCIAS	�
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INTRODUÇÃO
A identidade de um povo, em um Estado nacional, pode se transformar, lentamente, seguindo as modificações históricas ou de forma mais veloz, sobretudo em períodos de guerra ou de grandes transformações locais ou mundiais. Muitas vezes tais mudanças são geradas durante certo tempo e, a partir de algum movimento, tornam-se visíveis. Assim sendo, para entender o presente, é preciso compreender o que o passado mostra, ainda, a diferença entre a história, os pontos de vista históricos e as interpretações da história.
O Estado brasileiro, escravista durante mais de trezentos anos, reestruturado por conceitos republicanos excludentes, impôs e estimulou, ao longo da história, conceitos de nacionalidade que determinaram um discurso cultural distante da realidade multicultural do país. A cultura brasileira, essencialmente permeada por valores femininos, negros, caboclos, indígenas, definida por encontros e conflitos, foi mediada, durante anos, pelo discurso da democracia racial e sua manifestação material legitimada a partir de uma leitura política branca.
A rica diversidade da cultura dos povos de origem Europeia aqui recriada, as Africanidades brasileiras, as contribuições asiáticas, judias e árabes, as expressões indígenas resultantes dos conflitos da colonização, as características de nossa ‘antropofagia’, nossa identidade construída com referência em uma diversidade hierarquizada -, nem sempre essa dinâmica foi considerada pelo discurso que justifica e teme as desigualdades estruturais.
	
O que iremos estudar é a forma de passar a “vida” do negro, desde a escravidão até os dias atuais, fazendo as crianças e jovens, entenderem o que realmente aconteceu, e trabalhar através de maquetes para explanar de forma visual aquilo que o Negro passou. Utilizando para isso algumas das obras de Debret, pinturas em que o artista retratou o estilo de vida carioca no período do escravismo e trecho do filme La amistad de Steven Spielberg que retrata desde a captura à venda de negros relatando também o horror dos navios negreiros.
 
DESENVOLVIMENTO
JUSTIFICATIVA
Escravidão, termo usado para definir o sistema socioeconômico baseado na escravização de pessoas; escravismo, escravagismo, escravatura. No caso do Brasil o termo remete diretamente a relação da sociedade colonial com o negro, que antes vivia em sua tribo na África e depois de capturado, viver os horrores de um translado em navios superlotados com péssimas condições de sobrevivência, chegar ao Brasil para uma vida pior onde seria maltratado de todas as formas possíveis e submetido a condições de trabalho onde a única recompensa era sobreviver por mais alguns anos, semanas, dias ou horas. Os anos passaram a escravidão foi extinta, porém, seus reflexos ficaram e permanecem até hoje.
De que forma o negro chegou no Brasil? Qual o caminho percorrido? De que forma e em quais condições? Ao chegarem em seus destinos o que ocorria? Como estes viviam antes de serem escravos? Período da escravidão como eram tratados os escravos? Como eram vendidos, expostos? Quais os tipos de trabalho a que eram submetidos? Após a escravidão o que ocorreu com esses escravos que conseguiram liberdade? Porque os escolhidos para o regime de trabalho escravo foram os negros Africanos? Visando responder tais questionamentos, este projeto vem propor aos alunos da segunda série do ensino médio criarem maquetes, expondo momentos do escravismo permitindo, assim, que os alunos sintam-se parte da elaboração do conteúdo e da transmissão do mesmo. Os alunos irão reproduzir, todas as fases descritas, formando os estilos de vida do escravo, desde sua captura na África até os dias atuais, com as maquetes eles terão maior visão daquilo que ocorria.
Baseado na proposta, os alunos foram levados a compreender que o ano de 1995, tricentenário da morte de Zumbi dos Palmares, último líder da República de Palmares - quilombo criado em Alagoas, que durou cerca de cem anos e foi destruído em 1694 - foi um marco na relação negro com Estado e na cultura do Estado em relação ao negro. Ao som dos tambores, que no dia 20 de novembro protestavam contra o que tem sido definido como apartheid sem leis, e respondendo às críticas e propostas do movimento social negro, o presidente da República, em um ato no Palácio do Planalto, falou abertamente sobre o racismo, criou o Grupo de Trabalho para a Valorização da População Negra e elegeu a cultura, nominalmente a Fundação Cultural Palmares, como uma das áreas de investimento imediato para iniciar as transformações.
Foi preciso o engajamento pessoal do chefe do Estado para romper a inércia e a tendência à desqualificação política do negro. O sociólogo Fernando Henrique Cardoso declarou que por decreto não se muda o contexto social, mas que o círculo vicioso precisava ser rompido e que orçamentos, leis e programas refletem os conceitos culturais. Ainda não nomeava ali, porta-vozes confiáveis, intermediários como se costuma fazer – criava, isto sim, espaços de poder para elaboração de propostas e execução, que, embora ainda limitados, representavam um ponto de força na estrutura do governo. 
A cultura sempre foi o espaço possível para o exercício da sensibilidade negra, embora essa participação não mudasse o lugar social de seus realizadores. Principalmente antes de a indústria controlar o setor, o talento era limitado pelas condições de vida. Além da matriz cultural brasileira, do imaginário e da visão de mundo serem expressões profundas da africanidade, a expressão através das artes é fundamental, mesmo que descontextualizada. A invisibilidade, ou a exposição desqualificada dos negros e de sua cultura, eram motivo para a baixa autoestima, tanto dessa população quanto dos brasileiros em geral, na sua grande maioria afrodescendentes. Compreendendo que a falta de informação mantém a população estagnada nos espaços sociais inferiores, por vezes indiferente a possibilidades transformadoras, trabalhar tal conteúdo de forma mais direta com os alunos possibilitará uma além de uma compreensão mais aprofundada os levará ao senso crítico no debate do tema proposto.
O reconhecimento da importância da cultura negra no dia-a-dia nacional e de suas dinâmicas positivas como modelo civilizatório tem se expandido. Sua essência musical, a capacidade desse coletivo de transformar condições adversas em fatores de desenvolvimento humano e alegria, sua estética rica em diversidade, sua religiosidade inclusiva, passam a ser percebidas no conjunto da nação como elementos positivos da nossa diversidade.
O sistema de valores culturais do Estado, ao incluir a história do negro, tem se transformado e exigido novas reflexões, novo vocabulário, o desenvolvimento de novos conceitos de cidadania e, sobretudo, o início de mais respeito por essas novas vozes num cenário que nunca foi representativo dessa pluralidade. Os projetos apoiados pelo Fundo Nacional de Cultura, pelas leis do mecenato, para obras de conservação e preservação do patrimônio, têm, devido ao engajamento pessoal do ministro Francisco Weffort, mais e mais incluído o patrimônio afro-brasileiro. As ações nos Estados e municípios estão sendo estimuladas a considerar a diversidade local. Dirigentes locais começam a perceber que o patrimônio criado pelos negros gera recursos e visibilidade para suas unidades administrativas e que, portanto, os produtores de tal riqueza devem ser considerados, sendo assim, transmitir a história do negro por completo em sala de aula, mesmo que abordando

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