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1 Elen Rosa Alves Freitas - 2018182974 Rithiellem Mayara Pimenta Magalhães – 2018183448 A História das Primeiras Escolas de Serviço Social no Brasil e Sua Institucionalização Trabalho apresentado a disciplina FHTMSS como exigência de A2, ministrado pela professora Vanessa Costa. Rio de Janeiro, nov de 2018. 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO........................................................................................................................03 1. AS PRIMEIRAS ESCOLAS DE SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL...................................04 2. A INFLUÊNCIA NORTE-AMERICANA SOBRE O SERVIÇO SOCIAL BRASILEIRO...........................................................................................................................08 3. SERVIÇO SOCIAL DE CASO............................................................................................10 4. SERVIÇO SOCIAL DE GRUPO.........................................................................................12 5. SERVIÇO SOCIAL DE COMUNIDADE...........................................................................13 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................................................................................15 3 INTRODUÇÃO Este trabalho tem como finalidade abordar o tema das primeiras escolas de serviço social que surgiram na América Latina e no Brasil. A institucionalização da profissão do Serviço Social, os caminhos percorridos, desde o surgimento da profissão em nosso país até se legitimar como profissão. Os referenciais teóricos metodológicos que nortearam a profissão durante este processo histórico, e que se refletiu em sua atuação frente a Questão Social que se expressavam na vida cotidiana dos indivíduos. Levando os assistentes sociais atuarem de forma assistencialista com intuito de educar e ajustar os indivíduos que não se encaixavam no perfil e nos padrões da moral desta sociedade brasileira. Culpabilizando os indivíduos pela situação que se encontravam e procurando interagir estes ao convívio das relações societárias. Sempre com um cunho religioso, tendo seus valores de acordo com os valores cristãos da igreja católica. Mesmo com a influência Norte-Americana sobre o serviço social brasileiro, trazendo novos contornos neste cenário de atuação dos assistentes sociais. Que neste momento histórico, tendo como o positivismo e o funcionalismo um referencial teórico metodológico, a igreja continuou com forte influência na formação da profissão, pois a moral tinha seus parâmetros moldados pelo conservadorismo da igreja católica. Então o assistente social trabalhava mais instrumentalizado, porém com o viés do assistencialismo. Embora os serviços ofertados pelo serviço social brasileiro estejam com outras roupagens, a sua característica continuava de ajustamento daqueles que para a sociedade estavam fora dos padrões de ajustados e conservadores da moral. 4 1. AS PRIMEIRAS ESCOLAS DE SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL As primeiras escolas de serviço social surgiram na América Latina pela necessidade que se observou de ter uma profissão para atender as demandas que se expressava na vida dos indivíduos, que ficava perceptível através das múltiplas expressões da Questão social, devido ao capitalismo novo modelo de produção econômico, e que foi adotado pelos países latinos americanos. O capitalismo por ser um modelo econômico de exploração e dominação entre os donos do capital sob os trabalhadores, visando sempre o capital com intuito de acumulação de riquezas, produzidas pelo trabalhador que não usufrui dela, gerando assim, as desigualdades sociais. É neste sentido que se viu a necessidade de compreender os problemas sociais da sociedade com a finalidade de se ter uma profissão que controlasse esses desajustes. Já no Brasil as primeiras escolas de serviço social surgiram nas décadas de 1930 e 1940, não foi um acontecimento isolado ou natural, deve ser considerado o resultado de dois processos que, autorrelacionados, elaboraram as condições sócio-históricas imprescindíveis para que a profissão constituísse seu trajeto histórico no cenário brasileiro. De acordo com Iamamoto (2011), a gênese do serviço social no Brasil, enquanto profissão inscrita na divisão social do trabalho está entrelaçada ao contexto das reivindicações das classe operária nas duas primeiras décadas do século XX, essas efervescências estavam contextualizadas nesse momento histórico da sociedade, onde os debates acerca da suposta "Questão social" perpassava a sociedade neste período, exigindo assim, um posicionamento do Estado, das frações dominantes e da Igreja. A importância dessas instituições e obras, e de sua centralização, a partir da cúpula da hierarquia, não pode ser subestimada na análise da gênese do Serviço Social no Brasil. Se sua ação concreta é limitada, se seu conteúdo é assistencial e paternalista, será a partir de seu lento desenvolvimento que se criarão as bases materiais e organizacionais, e principalmente humanas, que a partir da década seguinte permitirão a expansão da Ação Social e o surgimento das primeiras escolas de Serviço Social (IAMAMOTO e CARVALHO, 2008, p. 167). O primeiro processo é o redimensionamento do Estado – consequência da fase monopólica do capital. Compartilhamos com Netto (2009) o entendimento de que o Estado intervém no processo econômico desde a ascensão da burguesia, mas que, no capitalismo monopolista, essa intervenção muda estrutural e funcionalmente. Isto é, “no capitalismo monopolista, as funções políticas do Estado imbricam-se organicamente com as suas funções econômicas” (Netto, 2009, p. 25). Nesta mesma compreensão, Forti (2013) se expressa que 5 Nisso temos a evidência da(s) política(s) como elemento funcional, estratégico da ordem monopolista, por constituir(em) a resposta necessária aos interesses da burguesia e à consequente necessidade de legitimação do Estado burguês face as “novas” configurações dos conflitos de classe, suscitados por essa ordem do capital e pela consequente conformação política dos movimentos operários – mecanismo tomado como eficiente para aplacar os conflitos que ameaçam pôr em xeque a ordem societária estabelecida, ou seja, os antagonismos da relação capital/trabalho, objetivados nas múltiplas e tipificadas expressões da “questão social” (FORTI, 2013, p. 51). O segundo processo que devemos destacar é a busca pela recuperação da hegemonia ideológica da Igreja Católica, através do fortalecimento da chamada Ação Católica e, por conseguinte, a Ação Católica Brasileira (ACB). Aguiar (2011) nos informa que a missão da Ação Católica é divulgar a doutrina da Igreja, buscando uma reforma social – ação que deve empenhar-se na reconstrução da sociedade. Posição compartilhada também por Iamamoto (2013) Como profissão inscrita na divisão do trabalho, o Serviço Social surge como parte de um movimento social mais amplo, de bases confessionais, articulado à necessidade de formação doutrinária e social do laicato, para uma presença mais ativa da Igreja Católica no “mundo temporal”, nos inícios da década de 30. Na tentativa de recuperar áreas de influências e privilégios perdidos, em face da crescente secularização da sociedade e das tensões presentes nas relações entre Igreja e Estado, a Igreja procura superar a posturacontemplativa (IAMAMOTO, 2013, p. 18). As ações se tornam cada vez mais organizadas e outros grupos e associações surgem nesse cenário e, preocupados com a formação de seus integrantes, constituem cursos e semanas de estudos. De um curso intensivo realizado em São Paulo por um grupo de moças religiosas de Santo Agostinho, preocupadas com a “Questão Social”, surge o Centro de Estudos e Ação Social – CEAS. Aguiar (2011) diz que esse “curso foi dirigido por Mademoiselle Adèle Loneaux, professora da École Catholique de Service Social de Bruxelas”. Para Castro, O CEAS foi o considerado como o vestíbulo da profissionalização do Serviço Social no Brasil [...] o trabalho de organização e preparação dos leigos se apoia numa base social feminina de origem burguesa, respaldada por Assistentes Sociais belgas que ofereceram a sua experiência para possibilitar a fundação da primeira escola católica de Serviço Social (CASTRO, 2011, p. 102). As ações do CEAS se desenvolvem e ganham face na sociedade, direcionando suas atividades para uma formação técnica especializada, tendo como objetivo difundir a doutrina social da Igreja. Para isso, age diretamente junto ao proletariado. Segundo Iamamoto (2013) e Aguiar (2011), no ano de 1932, o CEAS envia para a Bélgica duas de suas fundadoras, para 6 que as mesmas estudem a organização e o ensino do Serviço Social. Até que, no dia 15 de fevereiro de 1936, instala-se, no Brasil, a Escola de Serviço Social de São Paulo, a primeira do país. Assim como ocorria em outras cidades, naquela época, a capital federal que, se situava na cidade do Rio de Janeiro realiza em 1936, pela primeira vez, a Semana de Ação Social. É neste cenário que a dinâmica constitutiva da cidade do Rio de Janeiro, por seu desenvolvimento econômico, importância política e diversidade de serviços, faz com que tenha uma maior participação das instituições públicas nas ações assistenciais. Neste ano, ainda, realizam-se o “primeiro curso intensivo de Serviço Social com duração de 3 meses” e um curso prático de Serviço Social, que já apresenta um caráter de difusão do conhecimento, que contou com a participação das “duas primeiras Assistentes Sociais paulistas, recém- formadas na Bélgica”. É por iniciativa do Grupo de Ação Social, e assim como a escola paulista, alinhada com a preocupação da Igreja em tornar-se força normativa da sociedade que, em 1937, no Rio de Janeiro, é fundado o Instituto de Educação Familiar e Social, composto pelas Escolas de Serviço Social e Educação Familiar. As experiências de São Paulo e do Rio de Janeiro foram determinantes para o desenvolvimento do Serviço Social brasileiro e exerceram forte influência no surgimento de outras escolas por todo o país. Em poucos anos, outros cursos são criados: [...] em 1938, a Escola Técnica de Serviço Social, por iniciativa do Juízo de Menores, e em 1940, é introduzido o curso de Preparação em Trabalho Social na Escola de Enfermagem Ana Nery (escola federal). Em 1944, a Escola de Serviço Social, como desdobramento masculino do Instituto Social (IAMAMOTO e CARVALHO, 2008, p. 181). Estas iniciativas se articularam a uma demanda real e potencial existente por parte do Estado, que assimilaria a formação técnica especializada e formação doutrinária do apostolado social. Sua formação se dividia em quatro aspectos: científica, técnica, moral e doutrinaria. Portanto a formação profissional dos primeiros assistentes sociais brasileiros deu- se a partir da influência europeia, por meio do modelo franco-belga que, tendo como base princípios messiânicos (tomistas) de salvar o corpo e a alma, fundamentou-se no propósito de "servir ao outro" como afirma Silva (1995, p. 40). Esse breve resgate histórico nos permite destacar a impossibilidade de pensarmos a origem do Serviço Social brasileiro desvinculada da ação da Igreja Católica e da sua estratégia de adequação das mudanças econômicas e políticas que alteravam a face do país naquele período. Estamos focalizando uma profissão que surge para dar respostas à “questão social” e ao movimento operário e popular. Portanto, o Serviço Social, com um posicionamento moralizador em face das expressões da “questão social”, captando o homem de maneira abstrata e genérica, configurou-se como uma das estratégias concretas de disciplinamento e controle da 7 força de trabalho, no processo de expansão do capitalismo monopolista. Essa concepção conservadora, não jogando luz sobre a estrutura societária, contribui para obscurecer para os Assistentes Sociais, durante um amplo lapso de tempo, os determinantes da “questão social” e caracterizou uma cultura profissional acrítica, sem um horizonte utópico que os impulsionasse para o questionamento e às ações consequentes em prol da construção de novos e diferentes rumos em face das diretrizes sociais postas e assumidas pela profissão (FORTI, 2013, p. 99). Segundo Barroco (2001) as características inerentes à herança conservadora do serviço social, salientamos a influência teórica do neotomismo, que corroborou à sociedade uma ideia de "bem comum", isto é, que por si só, é vista harmoniosa, contudo, o indivíduo que não se enquadre nessa perspectiva é tido como "anômalo", "desviante". Deste modo o serviço social chamado de tradicional tem sua ênfase em ação através de um viés de formação social, moral e intelectual das famílias. Isto é, com um trabalho dito como "educativo", que culpabiliza o indivíduo pela sua condição, ou seja, pela condição que este sujeito se encontra. A prática profissional em sua gênese, é baseada em atendimentos individualizados e prolongados, numa perspectiva de adequação e ajustamento ao comportamento moral esperado, enfrentando com subjetividade, a realidade social.. 8 2. A INFLUÊNCIA NORTE-AMERICANA SOBRE O SERVIÇO SOCIAL BRASILEIRO Nos anos de 1940, o Serviço Social brasileiro, que até então possuía formação europeia – principalmente da escola belga –, começa a sofrer influências estadunidense. Através da influência do serviço social norte-americano, trazida na década de 1940, pelos assistentes socias brasileiros que foram estudar nos Estados Unidos. Esta influência vai marcar o serviço social brasileiro. Inicialmente temos a importação das técnicas norte- americanas para aplicação na realidade brasileira. Não é preciso dizer que isto causou alguns problemas, pois, segundo Aguiar (1984), a fundamentação do método e das técnicas não era analisada e traduzida para a nossa realidade, era tão somente transplantada. As propostas brasileiras de trabalho foram permeadas pelo caráter conservador da teoria social positivista. Esta reorientação da profissão, que exige a qualificação e sistematização de seu espaço sócio- ocupacional, tem como objetivo atender as novas configurações do desenvolvimento capitalista e, consequentemente, as requirições de um Estado que começa a implantar políticas sociais. Desse modo, a matriz positivista terá um importante papel na legitimação do serviço social brasileiro, na medida em que amplia os referenciais técnicos para a profissão. Iamamoto (1998) chama esse processo de "arranjo teórico-doutrinário", que se caracteriza pela junção do discurso humanista-cristão, vindo no neotomismo com o suporte científico na teoria social positivista. A ação profissional tem por objetivo, orientada pela matriz positivista, eliminar os " desajustes sociais" por meio de uma intervenção moralizadora de caráter individualizado e psicologizante, revelando uma ideia e imagem falsas de reforma social. O conservadorismo continua presente no universo ideológico da profissão e passa aconceber uma política técnico-burocrática a partir desse período, e como expressa Barroco (2003, p.96). O serviço social traduz sua ação profissional por meio, de uma ética vinculada a moral conservadora e dogmática segundo a base ideológica neotomista: os " problemas sociais" são concebidos como um conjunto de "disfunções sociais" julgados moralmente segundo uma concepção de "normalidade" dada pelos valores cristãos. A tendência ao 'ajustamento social", a psicologização da questão social, transforma as demandas por direitos sociais em "patologias"; com isso o serviço social deixa de viabilizar o que eticamente é de sua responsabilidade: atender as necessidades dos usuários, realizar objetivamente os seus direitos. (idem,p.94). A abordagem invidualizada, com a predominância de uma ação psicologizada, ainda era a mais utilizada pelo serviço social, caracterizada pela perspectiva de responsabilização do indivíduo com o seu destino social. 9 Essa influência é fruto de um processo mais amplo que envolve aspectos políticos, econômicos e culturais. Foi caminhando qualitativamente e aderindo ideologicamente a racionalidade capitalista que o Serviço Social garantiu sua legitimação institucional, restava- lhe apenas provar sua eficácia social. Sendo assim a partir de 1945/47 com a preocupação de definir e elaborar uma teoria própria, pautada em critérios técnicos e científicos buscou-se dentro do modelo norte-americano suporte teórico-científico, técnica para prática profissional, e até mesmo suporte filosófico para profissão. Sendo assim o Serviço Social assumiu o modelo funcional implantado pelos Estados Unidos. Nesse período, a ênfase na formação profissional ainda estava sustentada na visão terapêutica e na concepção de que a questão social era, apenas um desajustamento social. O governo dos Estados Unidos da América inicia uma série de investidas, buscando ampliar suas bases comerciais na América Latina. Assim, foram firmados alguns acordos, entre eles o intercâmbio do Serviço Social daquele país com o latino-americano. Essa experiência provocou uma alteração na prática profissional, pois incorporou as técnicas de caso, grupo e comunidade. Além da incorporação de conteúdo técnico e metodológico, a influência americana se dá através das ideias funcionalistas que se conjugam com o neotomismo presente, até então, na profissão. Para o Serviço Social, isso significava a não percepção “do antagonismo entre as classes sociais, apagando do conteúdo dos conhecimentos em debate os conflitos, as contradições, ou melhor, os fundamentos da “Questão Social” (FORTI, 2013, p. 101). As grandes instituições assistenciais desenvolvem-se num momento em que o Serviço Social, como profissão legitimada dentro da divisão social do trabalho [...] é um projeto ainda em estado embrionário; é uma atividade profundamente marcada e ligada à sua origem católica, e a determinadas frações de classes, as quais ainda monopolizam seu ensino e prática. Nesse sentido, o processo de institucionalização do Serviço Social será também o processo de profissionalização dos Assistentes Sociais formados nas Escolas especializadas [...] O Serviço Social reaparece modificado, dentro do aparelho de Estado e grandes instituições assistenciais, guardando, contudo, suas características fundamentais. [...] o Serviço Social mantém sua ação educativa e doutrinária de “enquadramento” da população cliente (IAMAMOTO e CARVALHO, 2008, p. 309-310, grifos do autor). Através do fortalecimento profissional do assistente social no final dos anos 1940, congressos são organizados, cursos de reciclagem são efetuados, cria-se em 1945 a Associação Brasileira das Escolas de Serviço Social (ABESS), em 1946 a Associação Brasileira de Assistentes Sociais (ABAS), o Código de Ética em 1948, em 1954 a regulamentação do ensino e o reconhecimento da profissão em 1956. Em abril de 1954, Getúlio Vargas assina o Decreto Lei nº 35 .311 de 08/04/1954, regulamentando o ensino do Serviço Social no Brasil. 10 3. SERVIÇO SOCIAL DE CASO No processo de legitimação profissional a assistente social americana Mary Richmond, foi quem teve a sensibilidade de começar a refletir e sistematizar cientificamente a respeito do que é Serviço Social, e a maneira que a profissão deveria ser exercida. Foi a primeira a escrever, fazendo a diferença entre assistência social, caridade, filantropia e o serviço social em questão. Richmond secularizou a profissão, ofereceu as bases técnicas e as formas de trabalhar nas quais as assistentes sociais se reconheceram, a sociologia norte- americana fazia parte de suas ideias em relação a sociedade. Desenvolveu a técnica de tratar os indivíduos isoladamente, o que definiu como Serviço Social de Caso, e também o chamado Serviço Social de Grupo, com objetivo de atender uma maior demanda. Após a influência norte-americana o serviço social brasileiro recebe tecnicismo, fazendo parte do trabalho a psicanálise e a sociologia de base positivista e funcionalista, com ênfase na ideia de ajustamento e de ajuda psicossocial. Nesse período há o início das práticas de Organização e Desenvolvimento de Comunidade, além das abordagens individuais e grupais. O Serviço Social de caso orientava-se pelas teorias de Mary Richmond, na qual o desenvolvimento de personalidade, seria efetuado através de ajustamentos realizados conscientemente entre os indivíduos e o seu meio. Possuía forte influência da medicina, psicologia e da sociologia positivista, principalmente na vertente funcionalista, a questão social se refere a um problema individual, propõe a ideia de mudança na personalidade do indivíduo, para que este se ajuste novamente na sociedade. Vieira (1982, pg. 52), explica que “[...] O Serviço Social de Caso penetra cada vez mais na personalidade individual, procura-se compreender o homem, em vez de reformá-lo, ou seja, ver o cliente e não apenas o problema”. O sistema principal é a pessoa em situação. A forma de trabalho incluía a adoção do método clínico, a qual o sujeito é quadro de referência, ou seja, é composto pelas fases de estudo, diagnóstico e tratamento e das teorias sócio psicológicas que estabeleciam elo entre os aspectos psicológicos e sociais. O Serviço Social de Casos procura ajudar o indivíduo a resolver seus próprios problemas, se já através de mudanças de atitudes, seja pela utilização dos recursos da comunidade ou por ambos os meios. O papel do assistente social é ajudar o indivíduo a examinar estas dificuldades e auxilia-lo a encontrar a solução para elas, assim 11 como meios para executá-las. O Serviço Social de Caso só se aplica a problemas individuais e de família. 12 4. SERVIÇO SOCIAL DE GRUPO O Serviço Social de Grupo era um método que ajudava os indivíduos a se auto desenvolverem, e a se ajustarem aos valores e normas vigentes no contexto social em que estavam inseridos. Dentre os principais autores de influência, destacam-se Gisela Konopka, Robert Vinter, e na década de 1970, Natálio Kisnermam, para esses autores o objetivo do Serviço Social de Grupo era: a capacitação do indivíduo para um correto funcionamento social. A estrutura fundamentava-se nas teorias sociológicas de Durkheim, Weber, Simmel e nas teorias da Psicologia Social e da Pedagogia, as quais possuíam caráter formativo e educativo. As bases se estruturam aos movimentos de autoajuda. A prática da psicologia de grupos passou a ser utilizada nas diversas áreas de atividade. Os assistentes sociais também passaram a se fundamentar nessas teorias e a trabalhar com grupos.Gisela Konopka, escreveu um dos clássicos do Serviço Social de Grupos e apresentou a necessidade de se encontrar um formato de trabalho que refletisse sobre como vencer a solidão dos grandes centros urbanos, desenvolver laços de amizade e criar a perspectiva de ajuda mútua entre as pessoas. 13 5. SERVIÇO SOCIAL DE COMUNIDADE O desenvolvimento de comunidade, porém chamado de Serviço Social de Caso, foi o terceiro método de trabalho do serviço social, apresenta características como os citados anteriormente, objetivando o ajustamento do indivíduo, ao mesmo tempo que realizava um trabalho assistencial. O serviço social adere nas décadas de 1950 e início de 1960 a política desenvolvimentista no ensino, essa política dava ênfase ao avanço econômico, incentivo a industrialização e a modernização dirigida pelos Estados Unidos, sendo que o interesse era a expansão do sistema capitalista e modernização do meio rural, a educação era tida como propósito para que o desenvolvimento de comunidade progredisse. O Serviço Social brasileiro através do desenvolvimento de comunidade junta-se a um movimento de âmbito internacional, onde a Organização das Nações Unidas (ONU) empenha-se em sistematizar e divulgar para solucionar o complexo problema de integrar esforços da população aos planos regionais e nacionais de desenvolvimento. Ainda na década de 1950 a ONU volta-se para o Serviço Social, realizando uma pesquisa a fim de saber o nível profissional dos assistentes sociais nas áreas: auxiliar, de graduação e pós-graduação. O assistente social, dotado de técnicas próprias, teria o papel de líder indireto da comunidade, estimulando a mudança social, promovida com a participação popular. Vieira (1982, pg. 52), explica que: Organização da Comunidade é um a maneira de pôr grupos em contato e de coordená-los. “Em países subdesenvolvidos, as pessoas podem estar acostumadas a se ajudarem, mas não a conduzir esta ajuda de maneira metódica”. O assistente social deve, portanto, ajudar estes grupos a funcionar melhor e dentro de suas próprias maneiras de agir. Assim o assistente social trabalhava com o viés de ajustamento social dos indivíduos, promovendo ações de grupos para assim, reeducar estes indivíduos ao convívio da sociedade. 14 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS As primeiras escolas de serviço social que surgem no Brasil são de cunho religioso, com isto percebe-se a intenção de se propagar a ideologia neotomista da igreja Católica, que tinha claramente o interesse de conduzir a dinâmica societária pelo viés dos princípios e da moral cristã. Para assim, dominar a população e exercer um poder sobre a mesma. É nítido a relação entre a Igreja Católica, o Estado e a Burguesia, com intuito de controle da classe trabalhadora. Então, as primeiras escolas do serviço social trabalharam com uma perspectiva paliativa, dogmática, carismática, com viés de assistencialismo. Formando suas primeiras profissionais, que atuavam com o trabalho de ressocializar o indivíduo aos padrões da sociedade e traze-los de volta ao caminho da fé cristã. Com as influências do positivismo as escolas de serviço social ganham outros contornos, percebendo a necessidade de se instrumentalizar a profissão. Mas o trabalho assistencialista ainda se encontra presente na atuação deste profissional, o que muda agora é que, passou a se operacionalizar um trabalho técnico-assistencial. Concluímos, portanto, que o Serviço Social ganha nova metodologia ao entrar em contato com o Serviço Social norte- americano, no lugar do conservadorismo católico surgem as propostas de trabalho da teoria social positivista e funcionalista. As novas demandas emergentes do desenvolvimento capitalista, exigiu que uma nova qualificação fosse colocada em prática, para atender as necessidades do Estado que passava a desenvolver as políticas sociais. Com o processo de legitimação da profissão, o assistente social vai ofertar aos indivíduos um trabalho de caso, grupo e comunidade. Este serviço de caso era ofertado com a técnica de tratar o indivíduo isoladamente, incluindo a psicanálise, com a ideia de ajustamento desses indivíduos que estavam fora dos padrões estabelecidos pela sociedade capitalista. Já no serviço ofertado de grupo era para que esses indivíduos tivessem uma funcionalidade correta, era um trabalho com caráter formativo e educativo. O de comunidade também possuía o mesmo viés dos outros aqui citados. Todos esses métodos de intervenção do serviço social eram de cunho de tratar o indivíduo para educa-lo e ajusta-los conforme as normas e o moral da sociedade, para assim os mesmos serem novamente cidadãos dignos de conviver e interagir nas relações socias da sociedade capitalista. 15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR, A. G. O Serviço Social e filosofia: das origens a Araxá. Saõ Paulo: Cortez; 2011. BARROCO, M. L. S. Ética e Serviço Social - Fundamentos Ontológicos. São Paulo, Cortez; 2001. CASTRO, M. M. História do Serviço Social na América Latina. 12 ed. São Paulo: Cortez; 2011. FORTI, V. Ética, crime e loucura: reflexões sobre a dimensão ética no trabalho profissional. 3 ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris; 2013. IAMAMOTO, M. V, e CARVALHO R. de. Relações sociais e serviço social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 25. ed. São Paulo; Cortez, 2008. NETTO, J. P. Ditadura e serviço social: uma análise do serviço social no Brasil pós-64. 15 ed. São Paulo: Cortez, 2010. __________. A construção do projeto ético-político contemporânio. In: Capacitação em Serviço Social e Política Social. Módulo 1. Brasília: CEAD/ABEPSS/CFESS, 1999. VIEIRA, B. O. Serviço Social: Visão Internacional, Rio de Janeiro, Livraria Agir Editora, 1982. SILVA, M. O. S. Formação profissional do assistente social. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1995.