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A História das Primeiras Escolas de Serviço Social no Brasil e Sua Institucionalização

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Elen Rosa

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1 
 
 
 
 
 
 
Elen Rosa Alves Freitas - 2018182974 
Rithiellem Mayara Pimenta Magalhães – 2018183448 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A História das Primeiras Escolas de Serviço Social no Brasil e Sua Institucionalização 
 
 
 
 
 
 
 Trabalho apresentado a disciplina 
 FHTMSS 
 como exigência de A2, 
 ministrado pela 
 professora Vanessa Costa. 
 
 
 
 
Rio de Janeiro, nov de 2018. 
2 
 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO........................................................................................................................03 
1. AS PRIMEIRAS ESCOLAS DE SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL...................................04 
2. A INFLUÊNCIA NORTE-AMERICANA SOBRE O SERVIÇO SOCIAL 
BRASILEIRO...........................................................................................................................08 
3. SERVIÇO SOCIAL DE CASO............................................................................................10 
4. SERVIÇO SOCIAL DE GRUPO.........................................................................................12 
5. SERVIÇO SOCIAL DE COMUNIDADE...........................................................................13 
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................14 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................................................................................15 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
INTRODUÇÃO 
Este trabalho tem como finalidade abordar o tema das primeiras escolas de serviço 
social que surgiram na América Latina e no Brasil. A institucionalização da profissão do 
Serviço Social, os caminhos percorridos, desde o surgimento da profissão em nosso país até 
se legitimar como profissão. Os referenciais teóricos metodológicos que nortearam a profissão 
durante este processo histórico, e que se refletiu em sua atuação frente a Questão Social que 
se expressavam na vida cotidiana dos indivíduos. Levando os assistentes sociais atuarem de 
forma assistencialista com intuito de educar e ajustar os indivíduos que não se encaixavam no 
perfil e nos padrões da moral desta sociedade brasileira. Culpabilizando os indivíduos pela 
situação que se encontravam e procurando interagir estes ao convívio das relações societárias. 
Sempre com um cunho religioso, tendo seus valores de acordo com os valores cristãos da 
igreja católica. Mesmo com a influência Norte-Americana sobre o serviço social brasileiro, 
trazendo novos contornos neste cenário de atuação dos assistentes sociais. Que neste 
momento histórico, tendo como o positivismo e o funcionalismo um referencial teórico 
metodológico, a igreja continuou com forte influência na formação da profissão, pois a moral 
tinha seus parâmetros moldados pelo conservadorismo da igreja católica. Então o assistente 
social trabalhava mais instrumentalizado, porém com o viés do assistencialismo. Embora os 
serviços ofertados pelo serviço social brasileiro estejam com outras roupagens, a sua 
característica continuava de ajustamento daqueles que para a sociedade estavam fora dos 
padrões de ajustados e conservadores da moral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
1. AS PRIMEIRAS ESCOLAS DE SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL 
As primeiras escolas de serviço social surgiram na América Latina pela necessidade 
que se observou de ter uma profissão para atender as demandas que se expressava na vida dos 
indivíduos, que ficava perceptível através das múltiplas expressões da Questão social, devido 
ao capitalismo novo modelo de produção econômico, e que foi adotado pelos países latinos 
americanos. O capitalismo por ser um modelo econômico de exploração e dominação entre os 
donos do capital sob os trabalhadores, visando sempre o capital com intuito de acumulação de 
riquezas, produzidas pelo trabalhador que não usufrui dela, gerando assim, as desigualdades 
sociais. É neste sentido que se viu a necessidade de compreender os problemas sociais da 
sociedade com a finalidade de se ter uma profissão que controlasse esses desajustes. 
Já no Brasil as primeiras escolas de serviço social surgiram nas décadas de 1930 e 
1940, não foi um acontecimento isolado ou natural, deve ser considerado o resultado de dois 
processos que, autorrelacionados, elaboraram as condições sócio-históricas imprescindíveis 
para que a profissão constituísse seu trajeto histórico no cenário brasileiro. De acordo com 
Iamamoto (2011), a gênese do serviço social no Brasil, enquanto profissão inscrita na divisão 
social do trabalho está entrelaçada ao contexto das reivindicações das classe operária nas duas 
primeiras décadas do século XX, essas efervescências estavam contextualizadas nesse 
momento histórico da sociedade, onde os debates acerca da suposta "Questão social" 
perpassava a sociedade neste período, exigindo assim, um posicionamento do Estado, das 
frações dominantes e da Igreja. 
A importância dessas instituições e obras, e de sua centralização, a partir da cúpula 
da hierarquia, não pode ser subestimada na análise da gênese do Serviço Social no 
Brasil. Se sua ação concreta é limitada, se seu conteúdo é assistencial e paternalista, 
será a partir de seu lento desenvolvimento que se criarão as bases materiais e 
organizacionais, e principalmente humanas, que a partir da década seguinte 
permitirão a expansão da Ação Social e o surgimento das primeiras escolas de 
Serviço Social (IAMAMOTO e CARVALHO, 2008, p. 167). 
O primeiro processo é o redimensionamento do Estado – consequência da fase 
monopólica do capital. Compartilhamos com Netto (2009) o entendimento de que o Estado 
intervém no processo econômico desde a ascensão da burguesia, mas que, no capitalismo 
monopolista, essa intervenção muda estrutural e funcionalmente. Isto é, “no capitalismo 
monopolista, as funções políticas do Estado imbricam-se organicamente com as suas funções 
econômicas” (Netto, 2009, p. 25). Nesta mesma compreensão, Forti (2013) se expressa que 
5 
 
 
 
Nisso temos a evidência da(s) política(s) como elemento funcional, estratégico da 
ordem monopolista, por constituir(em) a resposta necessária aos interesses da 
burguesia e à consequente necessidade de legitimação do Estado burguês face as 
“novas” configurações dos conflitos de classe, suscitados por essa ordem do capital 
e pela consequente conformação política dos movimentos operários – mecanismo 
tomado como eficiente para aplacar os conflitos que ameaçam pôr em xeque a 
ordem societária estabelecida, ou seja, os antagonismos da relação capital/trabalho, 
objetivados nas múltiplas e tipificadas expressões da “questão social” (FORTI, 
2013, p. 51). 
O segundo processo que devemos destacar é a busca pela recuperação da hegemonia 
ideológica da Igreja Católica, através do fortalecimento da chamada Ação Católica e, por 
conseguinte, a Ação Católica Brasileira (ACB). Aguiar (2011) nos informa que a missão da 
Ação Católica é divulgar a doutrina da Igreja, buscando uma reforma social – ação que deve 
empenhar-se na reconstrução da sociedade. Posição compartilhada também por Iamamoto 
(2013) 
Como profissão inscrita na divisão do trabalho, o Serviço Social surge como parte 
de um movimento social mais amplo, de bases confessionais, articulado à 
necessidade de formação doutrinária e social do laicato, para uma presença mais 
ativa da Igreja Católica no “mundo temporal”, nos inícios da década de 30. Na 
tentativa de recuperar áreas de influências e privilégios perdidos, em face da 
crescente secularização da sociedade e das tensões presentes nas relações entre 
Igreja e Estado, a Igreja procura superar a posturacontemplativa (IAMAMOTO, 
2013, p. 18). 
As ações se tornam cada vez mais organizadas e outros grupos e associações surgem 
nesse cenário e, preocupados com a formação de seus integrantes, constituem cursos e 
semanas de estudos. De um curso intensivo realizado em São Paulo por um grupo de moças 
religiosas de Santo Agostinho, preocupadas com a “Questão Social”, surge o Centro de 
Estudos e Ação Social – CEAS. Aguiar (2011) diz que esse “curso foi dirigido por 
Mademoiselle Adèle Loneaux, professora da École Catholique de Service Social de 
Bruxelas”. Para Castro, 
O CEAS foi o considerado como o vestíbulo da profissionalização do Serviço Social 
no Brasil [...] o trabalho de organização e preparação dos leigos se apoia numa base 
social feminina de origem burguesa, respaldada por Assistentes Sociais belgas que 
ofereceram a sua experiência para possibilitar a fundação da primeira escola católica 
de Serviço Social (CASTRO, 2011, p. 102). 
As ações do CEAS se desenvolvem e ganham face na sociedade, direcionando suas 
atividades para uma formação técnica especializada, tendo como objetivo difundir a doutrina 
social da Igreja. Para isso, age diretamente junto ao proletariado. Segundo Iamamoto (2013) e 
Aguiar (2011), no ano de 1932, o CEAS envia para a Bélgica duas de suas fundadoras, para 
6 
 
que as mesmas estudem a organização e o ensino do Serviço Social. Até que, no dia 15 de 
fevereiro de 1936, instala-se, no Brasil, a Escola de Serviço Social de São Paulo, a primeira 
do país. Assim como ocorria em outras cidades, naquela época, a capital federal que, se 
situava na cidade do Rio de Janeiro realiza em 1936, pela primeira vez, a Semana de Ação 
Social. É neste cenário que a dinâmica constitutiva da cidade do Rio de Janeiro, por seu 
desenvolvimento econômico, importância política e diversidade de serviços, faz com que 
tenha uma maior participação das instituições públicas nas ações assistenciais. Neste ano, 
ainda, realizam-se o “primeiro curso intensivo de Serviço Social com duração de 3 meses” e 
um curso prático de Serviço Social, que já apresenta um caráter de difusão do conhecimento, 
que contou com a participação das “duas primeiras Assistentes Sociais paulistas, recém-
formadas na Bélgica”. É por iniciativa do Grupo de Ação Social, e assim como a escola 
paulista, alinhada com a preocupação da Igreja em tornar-se força normativa da sociedade 
que, em 1937, no Rio de Janeiro, é fundado o Instituto de Educação Familiar e Social, 
composto pelas Escolas de Serviço Social e Educação Familiar. As experiências de São Paulo 
e do Rio de Janeiro foram determinantes para o desenvolvimento do Serviço Social brasileiro 
e exerceram forte influência no surgimento de outras escolas por todo o país. Em poucos 
anos, outros cursos são criados: 
 [...] em 1938, a Escola Técnica de Serviço Social, por iniciativa do Juízo de 
Menores, e em 1940, é introduzido o curso de Preparação em Trabalho Social na 
Escola de Enfermagem Ana Nery (escola federal). Em 1944, a Escola de Serviço 
Social, como desdobramento masculino do Instituto Social (IAMAMOTO e 
CARVALHO, 2008, p. 181). 
 Estas iniciativas se articularam a uma demanda real e potencial existente por parte do 
Estado, que assimilaria a formação técnica especializada e formação doutrinária do 
apostolado social. Sua formação se dividia em quatro aspectos: científica, técnica, moral e 
doutrinaria. Portanto a formação profissional dos primeiros assistentes sociais brasileiros deu-
se a partir da influência europeia, por meio do modelo franco-belga que, tendo como base 
princípios messiânicos (tomistas) de salvar o corpo e a alma, fundamentou-se no propósito de 
"servir ao outro" como afirma Silva (1995, p. 40). Esse breve resgate histórico nos permite 
destacar a impossibilidade de pensarmos a origem do Serviço Social brasileiro desvinculada 
da ação da Igreja Católica e da sua estratégia de adequação das mudanças econômicas e 
políticas que alteravam a face do país naquele período. Estamos focalizando uma profissão 
que surge para dar respostas à “questão social” e ao movimento operário e popular. 
Portanto, o Serviço Social, com um posicionamento moralizador em face das 
expressões da “questão social”, captando o homem de maneira abstrata e genérica, 
configurou-se como uma das estratégias concretas de disciplinamento e controle da 
7 
 
força de trabalho, no processo de expansão do capitalismo monopolista. Essa 
concepção conservadora, não jogando luz sobre a estrutura societária, contribui para 
obscurecer para os Assistentes Sociais, durante um amplo lapso de tempo, os 
determinantes da “questão social” e caracterizou uma cultura profissional acrítica, 
sem um horizonte utópico que os impulsionasse para o questionamento e às ações 
consequentes em prol da construção de novos e diferentes rumos em face das 
diretrizes sociais postas e assumidas pela profissão (FORTI, 2013, p. 99). 
Segundo Barroco (2001) as características inerentes à herança conservadora do 
serviço social, salientamos a influência teórica do neotomismo, que corroborou à sociedade 
uma ideia de "bem comum", isto é, que por si só, é vista harmoniosa, contudo, o indivíduo 
que não se enquadre nessa perspectiva é tido como "anômalo", "desviante". 
 Deste modo o serviço social chamado de tradicional tem sua ênfase em ação através 
de um viés de formação social, moral e intelectual das famílias. Isto é, com um trabalho dito 
como "educativo", que culpabiliza o indivíduo pela sua condição, ou seja, pela condição que 
este sujeito se encontra. A prática profissional em sua gênese, é baseada em atendimentos 
individualizados e prolongados, numa perspectiva de adequação e ajustamento ao 
comportamento moral esperado, enfrentando com subjetividade, a realidade social.. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
2. A INFLUÊNCIA NORTE-AMERICANA SOBRE O SERVIÇO SOCIAL 
BRASILEIRO 
Nos anos de 1940, o Serviço Social brasileiro, que até então possuía formação 
europeia – principalmente da escola belga –, começa a sofrer influências estadunidense. 
Através da influência do serviço social norte-americano, trazida na década de 1940, pelos 
assistentes socias brasileiros que foram estudar nos Estados Unidos. Esta influência vai 
marcar o serviço social brasileiro. Inicialmente temos a importação das técnicas norte-
americanas para aplicação na realidade brasileira. Não é preciso dizer que isto causou alguns 
problemas, pois, segundo Aguiar (1984), a fundamentação do método e das técnicas não era 
analisada e traduzida para a nossa realidade, era tão somente transplantada. As propostas 
brasileiras de trabalho foram permeadas pelo caráter conservador da teoria social positivista. 
Esta reorientação da profissão, que exige a qualificação e sistematização de seu espaço sócio-
ocupacional, tem como objetivo atender as novas configurações do desenvolvimento 
capitalista e, consequentemente, as requirições de um Estado que começa a implantar políticas 
sociais. Desse modo, a matriz positivista terá um importante papel na legitimação do serviço 
social brasileiro, na medida em que amplia os referenciais técnicos para a profissão. 
Iamamoto (1998) chama esse processo de "arranjo teórico-doutrinário", que se caracteriza 
pela junção do discurso humanista-cristão, vindo no neotomismo com o suporte científico na 
teoria social positivista. A ação profissional tem por objetivo, orientada pela matriz 
positivista, eliminar os " desajustes sociais" por meio de uma intervenção moralizadora de 
caráter individualizado e psicologizante, revelando uma ideia e imagem falsas de reforma 
social. O conservadorismo continua presente no universo ideológico da profissão e passa aconceber uma política técnico-burocrática a partir desse período, e como expressa Barroco 
(2003, p.96). O serviço social traduz sua ação profissional por meio, de uma ética vinculada a 
moral conservadora e dogmática segundo a base ideológica neotomista: 
os " problemas sociais" são concebidos como um conjunto de "disfunções sociais" 
julgados moralmente segundo uma concepção de "normalidade" dada pelos valores 
cristãos. A tendência ao 'ajustamento social", a psicologização da questão social, 
transforma as demandas por direitos sociais em "patologias"; com isso o serviço 
social deixa de viabilizar o que eticamente é de sua responsabilidade: atender as 
necessidades dos usuários, realizar objetivamente os seus direitos. (idem,p.94). 
A abordagem invidualizada, com a predominância de uma ação psicologizada, ainda 
era a mais utilizada pelo serviço social, caracterizada pela perspectiva de responsabilização do 
indivíduo com o seu destino social. 
9 
 
Essa influência é fruto de um processo mais amplo que envolve aspectos políticos, 
econômicos e culturais. Foi caminhando qualitativamente e aderindo ideologicamente a 
racionalidade capitalista que o Serviço Social garantiu sua legitimação institucional, restava-
lhe apenas provar sua eficácia social. Sendo assim a partir de 1945/47 com a preocupação de 
definir e elaborar uma teoria própria, pautada em critérios técnicos e científicos buscou-se 
dentro do modelo norte-americano suporte teórico-científico, técnica para prática profissional, 
e até mesmo suporte filosófico para profissão. Sendo assim o Serviço Social assumiu o 
modelo funcional implantado pelos Estados Unidos. Nesse período, a ênfase na formação 
profissional ainda estava sustentada na visão terapêutica e na concepção de que a questão 
social era, apenas um desajustamento social. O governo dos Estados Unidos da América inicia 
uma série de investidas, buscando ampliar suas bases comerciais na América Latina. Assim, 
foram firmados alguns acordos, entre eles o intercâmbio do Serviço Social daquele país com o 
latino-americano. Essa experiência provocou uma alteração na prática profissional, pois 
incorporou as técnicas de caso, grupo e comunidade. Além da incorporação de conteúdo 
técnico e metodológico, a influência americana se dá através das ideias funcionalistas que se 
conjugam com o neotomismo presente, até então, na profissão. Para o Serviço Social, isso 
significava a não percepção “do antagonismo entre as classes sociais, apagando do conteúdo 
dos conhecimentos em debate os conflitos, as contradições, ou melhor, os fundamentos da 
“Questão Social” (FORTI, 2013, p. 101). 
As grandes instituições assistenciais desenvolvem-se num momento em que o 
Serviço Social, como profissão legitimada dentro da divisão social do trabalho [...] é 
um projeto ainda em estado embrionário; é uma atividade profundamente marcada e 
ligada à sua origem católica, e a determinadas frações de classes, as quais ainda 
monopolizam seu ensino e prática. Nesse sentido, o processo de institucionalização 
do Serviço Social será também o processo de profissionalização dos Assistentes 
Sociais formados nas Escolas especializadas [...] O Serviço Social reaparece 
modificado, dentro do aparelho de Estado e grandes instituições assistenciais, 
guardando, contudo, suas características fundamentais. [...] o Serviço Social mantém 
sua ação educativa e doutrinária de “enquadramento” da população cliente 
(IAMAMOTO e CARVALHO, 2008, p. 309-310, grifos do autor). 
Através do fortalecimento profissional do assistente social no final dos anos 1940, 
congressos são organizados, cursos de reciclagem são efetuados, cria-se em 1945 a 
Associação Brasileira das Escolas de Serviço Social (ABESS), em 1946 a Associação 
Brasileira de Assistentes Sociais (ABAS), o Código de Ética em 1948, em 1954 a 
regulamentação do ensino e o reconhecimento da profissão em 1956. Em abril de 1954, 
Getúlio Vargas assina o Decreto Lei nº 35 .311 de 08/04/1954, regulamentando o ensino do 
Serviço Social no Brasil. 
 
10 
 
3. SERVIÇO SOCIAL DE CASO 
No processo de legitimação profissional a assistente social americana Mary 
Richmond, foi quem teve a sensibilidade de começar a refletir e sistematizar cientificamente a 
respeito do que é Serviço Social, e a maneira que a profissão deveria ser exercida. Foi a 
primeira a escrever, fazendo a diferença entre assistência social, caridade, filantropia e o 
serviço social em questão. Richmond secularizou a profissão, ofereceu as bases técnicas e as 
formas de trabalhar nas quais as assistentes sociais se reconheceram, a sociologia norte-
americana fazia parte de suas ideias em relação a sociedade. Desenvolveu a técnica de tratar 
os indivíduos isoladamente, o que definiu como Serviço Social de Caso, e também o chamado 
Serviço Social de Grupo, com objetivo de atender uma maior demanda. Após a influência 
norte-americana o serviço social brasileiro recebe tecnicismo, fazendo parte do trabalho a 
psicanálise e a sociologia de base positivista e funcionalista, com ênfase na ideia de 
ajustamento e de ajuda psicossocial. Nesse período há o início das práticas de Organização e 
Desenvolvimento de Comunidade, além das abordagens individuais e grupais. 
O Serviço Social de caso orientava-se pelas teorias de Mary Richmond, na qual o 
desenvolvimento de personalidade, seria efetuado através de ajustamentos realizados 
conscientemente entre os indivíduos e o seu meio. Possuía forte influência da medicina, 
psicologia e da sociologia positivista, principalmente na vertente funcionalista, a questão 
social se refere a um problema individual, propõe a ideia de mudança na personalidade do 
indivíduo, para que este se ajuste novamente na sociedade. Vieira (1982, pg. 52), explica que 
“[...] O Serviço Social de Caso penetra cada vez mais na personalidade individual, procura-se 
compreender o homem, em vez de reformá-lo, ou seja, ver o cliente e não apenas o 
problema”. 
O sistema principal é a pessoa em situação. A forma de trabalho incluía a adoção do 
método clínico, a qual o sujeito é quadro de referência, ou seja, é composto pelas fases de 
estudo, diagnóstico e tratamento e das teorias sócio psicológicas que estabeleciam elo entre os 
aspectos psicológicos e sociais. O Serviço Social de Casos procura ajudar o indivíduo a 
resolver seus próprios problemas, se já através de mudanças de atitudes, seja pela utilização 
dos recursos da comunidade ou por ambos os meios. O papel do assistente social é ajudar o 
indivíduo a examinar estas dificuldades e auxilia-lo a encontrar a solução para elas, assim 
11 
 
como meios para executá-las. O Serviço Social de Caso só se aplica a problemas individuais e 
de família. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
4. SERVIÇO SOCIAL DE GRUPO 
O Serviço Social de Grupo era um método que ajudava os indivíduos a se auto 
desenvolverem, e a se ajustarem aos valores e normas vigentes no contexto social em que 
estavam inseridos. Dentre os principais autores de influência, destacam-se Gisela Konopka, 
Robert Vinter, e na década de 1970, Natálio Kisnermam, para esses autores o objetivo do 
Serviço Social de Grupo era: a capacitação do indivíduo para um correto funcionamento 
social. A estrutura fundamentava-se nas teorias sociológicas de Durkheim, Weber, Simmel e 
nas teorias da Psicologia Social e da Pedagogia, as quais possuíam caráter formativo e 
educativo. As bases se estruturam aos movimentos de autoajuda. A prática da psicologia de 
grupos passou a ser utilizada nas diversas áreas de atividade. Os assistentes sociais também 
passaram a se fundamentar nessas teorias e a trabalhar com grupos.Gisela Konopka, escreveu 
um dos clássicos do Serviço Social de Grupos e apresentou a necessidade de se encontrar um 
formato de trabalho que refletisse sobre como vencer a solidão dos grandes centros urbanos, 
desenvolver laços de amizade e criar a perspectiva de ajuda mútua entre as pessoas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
5. SERVIÇO SOCIAL DE COMUNIDADE 
O desenvolvimento de comunidade, porém chamado de Serviço Social de Caso, foi o 
terceiro método de trabalho do serviço social, apresenta características como os citados 
anteriormente, objetivando o ajustamento do indivíduo, ao mesmo tempo que realizava um 
trabalho assistencial. O serviço social adere nas décadas de 1950 e início de 1960 a política 
desenvolvimentista no ensino, essa política dava ênfase ao avanço econômico, incentivo a 
industrialização e a modernização dirigida pelos Estados Unidos, sendo que o interesse era a 
expansão do sistema capitalista e modernização do meio rural, a educação era tida como 
propósito para que o desenvolvimento de comunidade progredisse. O Serviço Social brasileiro 
através do desenvolvimento de comunidade junta-se a um movimento de âmbito 
internacional, onde a Organização das Nações Unidas (ONU) empenha-se em sistematizar e 
divulgar para solucionar o complexo problema de integrar esforços da população aos planos 
regionais e nacionais de desenvolvimento. Ainda na década de 1950 a ONU volta-se para o 
Serviço Social, realizando uma pesquisa a fim de saber o nível profissional dos assistentes 
sociais nas áreas: auxiliar, de graduação e pós-graduação. O assistente social, dotado de 
técnicas próprias, teria o papel de líder indireto da comunidade, estimulando a mudança 
social, promovida com a participação popular. Vieira (1982, pg. 52), explica que: 
Organização da Comunidade é um a maneira de pôr grupos em contato e de 
coordená-los. “Em países subdesenvolvidos, as pessoas podem estar acostumadas a 
se ajudarem, mas não a conduzir esta ajuda de maneira metódica”. O assistente 
social deve, portanto, ajudar estes grupos a funcionar melhor e dentro de suas 
próprias maneiras de agir. 
Assim o assistente social trabalhava com o viés de ajustamento social dos indivíduos, 
promovendo ações de grupos para assim, reeducar estes indivíduos ao convívio da sociedade. 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
As primeiras escolas de serviço social que surgem no Brasil são de cunho religioso, 
com isto percebe-se a intenção de se propagar a ideologia neotomista da igreja Católica, que 
tinha claramente o interesse de conduzir a dinâmica societária pelo viés dos princípios e da 
moral cristã. Para assim, dominar a população e exercer um poder sobre a mesma. É nítido a 
relação entre a Igreja Católica, o Estado e a Burguesia, com intuito de controle da classe 
trabalhadora. Então, as primeiras escolas do serviço social trabalharam com uma perspectiva 
paliativa, dogmática, carismática, com viés de assistencialismo. Formando suas primeiras 
profissionais, que atuavam com o trabalho de ressocializar o indivíduo aos padrões da 
sociedade e traze-los de volta ao caminho da fé cristã. 
Com as influências do positivismo as escolas de serviço social ganham outros 
contornos, percebendo a necessidade de se instrumentalizar a profissão. Mas o trabalho 
assistencialista ainda se encontra presente na atuação deste profissional, o que muda agora é 
que, passou a se operacionalizar um trabalho técnico-assistencial. Concluímos, portanto, que o 
Serviço Social ganha nova metodologia ao entrar em contato com o Serviço Social norte-
americano, no lugar do conservadorismo católico surgem as propostas de trabalho da teoria 
social positivista e funcionalista. As novas demandas emergentes do desenvolvimento 
capitalista, exigiu que uma nova qualificação fosse colocada em prática, para atender as 
necessidades do Estado que passava a desenvolver as políticas sociais. 
Com o processo de legitimação da profissão, o assistente social vai ofertar aos 
indivíduos um trabalho de caso, grupo e comunidade. Este serviço de caso era ofertado com a 
técnica de tratar o indivíduo isoladamente, incluindo a psicanálise, com a ideia de ajustamento 
desses indivíduos que estavam fora dos padrões estabelecidos pela sociedade capitalista. Já no 
serviço ofertado de grupo era para que esses indivíduos tivessem uma funcionalidade correta, 
era um trabalho com caráter formativo e educativo. O de comunidade também possuía o 
mesmo viés dos outros aqui citados. Todos esses métodos de intervenção do serviço social 
eram de cunho de tratar o indivíduo para educa-lo e ajusta-los conforme as normas e o moral 
da sociedade, para assim os mesmos serem novamente cidadãos dignos de conviver e interagir 
nas relações socias da sociedade capitalista. 
 
15 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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BARROCO, M. L. S. Ética e Serviço Social - Fundamentos Ontológicos. São Paulo, 
Cortez; 2001. 
 
CASTRO, M. M. História do Serviço Social na América Latina. 12 ed. São Paulo: Cortez; 
2011. 
 
FORTI, V. Ética, crime e loucura: reflexões sobre a dimensão ética no trabalho 
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IAMAMOTO, M. V, e CARVALHO R. de. Relações sociais e serviço social no Brasil: 
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NETTO, J. P. Ditadura e serviço social: uma análise do serviço social no Brasil pós-64. 15 
ed. São Paulo: Cortez, 2010. 
 
__________. A construção do projeto ético-político contemporânio. In: Capacitação em 
Serviço Social e Política Social. Módulo 1. Brasília: CEAD/ABEPSS/CFESS, 1999. 
 
VIEIRA, B. O. Serviço Social: Visão Internacional, Rio de Janeiro, Livraria Agir Editora, 
1982. 
 
SILVA, M. O. S. Formação profissional do assistente social. 2 ed. São Paulo: Cortez, 1995.