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UNIDADE I: ESTUDO DA PETROGRAFIA O QUE É PETROGRAFIA ? • Petrografia estuda os caracteres intrínsecos da Rocha, analisando sua origem, a composição química, minerais, arranjo dos grânulos minerais, estado de alteração, etc. FUNDAMENTOS DE MINERALOGIA A mineralogia é a ciência que estuda os minerais, o que são eles, como são formados e onde ocorrem. Uma vez que os minerais estão por toda parte (são as substâncias formadoras das rochas, solos e sedimentos) e fornece uma grande parte das matérias primas usadas em aplicações tecnológicas e industriais, o potencial de aplicação deste conhecimento é vasto. Na verdade, com exceção das substâncias orgânicas, os demais materiais que usamos ou com os quais convivemos no dia a dia são todos minerais ou de origem mineral. O conceito mais aceito de MINERAL é o descrito pelos autores Klein & Hurlbut, (1999) Mineral: é um sólido, homogêneo, natural, com uma composição química definida (mas, geralmente, não fixa) e um arranjo atômico altamente ordenado. É geralmente formado por processos inorgânicos. ALGUMAS IMPLICAÇÕES DESTE CONCEITO EM MAIOR DETALHE Sólido : as substâncias gasosas ou líquidas são excluídas do conceito de mineral. Assim, o gelo nas calotas polares é um mineral, mas a água não. Algumas substâncias que fogem a esta definição ainda assim é objeto de estudo do mineralogista. É o caso do mercúrio líquido, que pode ser encontrado na natureza, em determinadas situações. Nestes casos, a substância é chamada de mineralóide. Homogêneo: algo que não pode ser fisicamente dividido em componentes químicos mais simples. Este conceito é obviamente dependente da escala de observação, uma vez que algo que é aparentemente homogêneo a olho nu pode ser constituído de mais de uma substância, quando observado em escala microscópica. Natural: exclui as substâncias geradas em laboratório ou por uma ação consciente do homem. Quando estas substâncias são idênticas em composição e propriedades a um mineral conhecido, o nome deste mineral pode ser usado, acrescido do adjetivo Sintético (por exemplo, esmeralda sintética). Acima, consideramos o gelo das calotas polares como um mineral. Entretanto, para seguir o conceito de mineral à risca, o gelo que fabricamos na geladeira não constitui um mineral. Composição química definida: significa que um mineral é uma substância que pode ser expressa por uma fórmula química. Por exemplo, a composição do ouro nativo é Au, a do quartzo é SiO2, a da calcita é CaCO3, e assim por diante. Entretanto em muitos minerais é possível a substituição de um ou mais elementos da fórmula original por outros. Assim, a dolomita CaMg (CO3)2 admite a substituição de Mg por quantidades variáveis de Fe e Mn. Em muitos casos, a composição química dos minerais pode variar dentro de certos limites, sem que seja necessário alterar o nome do mineral. Em outros casos as variações são tão grandes que caracterizam uma espécie mineral distinta. Arranjo atômico ordenado: implica na existência de uma estrutura interna, onde os átomos ou íons estão dispostos em um padrão geométrico regular. Sólidos que possuem tal arranjo interno ordenado são chamados de cristalinos. Os que não o possuem são chamados de amorfos, e fogem á classificação estrita de mineral, compondo o grupo dos mineralóides. Inorgânico: aqui o termo geralmente é incluído por Klein e Hurlbut no conceito, para permitir o enquadramento de substâncias que atendem a todos os requisitos acima, mas são geradas naturalmente por (ou com a ajuda de) organismos. Estes minerais são chamados de biogênicos e, à exceção da sua origem, são idênticos aos minerais equivalentes formados por processos inorgânicos. O exemplo mais comum de mineral biogênico é o carbonato de cálcio (CaCO3) presente nas conchas de moluscos na forma dos minerais calcita, dolomita ou vaterita. Alguns outros exemplos incluem alguns sulfetos, sulfatos, fosfatos, fluoretos, óxidos, enxofre nativo e formas amorfas de SiO2. Conforme visto acima, a definição de mineral implica em uma composição química definida (mas geralmente não fixa). Para determinar com segurança a composição química de um mineral é necessário fazer uma análise química em laboratório. UNIDADE II: MINERALOGIA É a ciência que se refere ao estudo dos minerais, cuja finalidade está baseada na Física, Química e Matemática. RELAÇÃO DA MINERALOGIA COM AS CIÊNCIAS DA TERRA Modelo cristalográfico de um hexaoctaedro (forma de cristalização do diamante) O carvão mineral e o petróleo, embora formados por processos geológicos, não são considerados minerais, pois não apresentam uma composição química específica e nem arranjo atômico ordenado. Além do fato de, em sua origem, serem formados por carbono orgânico, encontrado nos materiais biológicos. Entretanto, em alguns casos, se algum processo geológico agir sobre a matéria orgânica, o produto pode ser aceito como um mineral. CRISTAIS São substâncias que manifestam uma forma exterior poliédrica devido à estruturação interna de seus átomos. Os cristais podem ter origem inorgânica e, neste caso, também são considerados minerais, como também origem orgânica e/ou artificial. No entanto, o conceito de cristal é mais amplo e o termo descreve qualquer sólido com uma estrutura interna ordenada sistemática, a despeito dele possuir ou não faces externas regulares. Pode-se afirmar que "todos os minerais são cristais, embora nem todos os cristais sejam minerais". Como exemplo têm-se o mineral halita (NaCl), com forma exterior hexaédrica. A halita é um dos principais constituintes dos evaporitos (rochas sedimentares químicas de origem marinha), que apresenta umas origens naturais, formadas por processos exclusivamente inorgânicos. Logo, a halita enquadra-se tanto no conceito de mineral quanto no de cristal. Cristais hexaédricos de halita (NaCl) Referências BETEJTIN, A. Curso de Mineralogía. Moscú, Mir, 1970, 739p. KLEIN, C. The Manual of Mineral Science. New York: John Wiley & Sons, 2002, 646 p. KLEIN, C. & HURBULT Jr., C. S. Manual of Mineralogy. New York, John Wiley & Sons, 1998, 681p. MILOVSKY, A. V. & KONONOV, O. V. Mineralogy. Moscow, Mir, 1985, 320p. NEVES, P. C. P., SCHENATO, F. & BACHI, F.A. Introdução à Mineralogia Prática. Canoas: Editora Ulbra, 2003, 236p. MINÉRIO O termo minério é utilizado para designar a rocha da qual pode se obter uma ou mais substâncias de importância econômica, ou seja, são rochas que apresentam concentrações, relativamente elevadas, de uma determinada substância, que apresente interesse industrial. Nos minérios associam-se dois tipos de minerais: o mineral de minério, que é aquele que apresenta valor econômico e o mineral de ganga ou ganga (rejeito), que não é economicamente aproveitável. No Rio Grande do Sul, um exemplo clássico é a associação de minerais de minério de cobre das Minas do Camaquã, em Caçapava do Sul, hoje já esgotadas. Esta associação é constituída, basicamente, por bornita (Cu5FeS4), calcopirita (CuFeS2) e calcocita (Cu2S). Neste minério, a ganga é a barita (BaSO4), a hematita -Fe2O3) e o quartzo (SiO2). Os conceitos de mineral de minério e ganga não são absolutos, pois um mesmo mineral pode passar de uma categoria à outra, conforme o depósito mineral considerado, ou até pertencer a ambas categorias em um mesmo corpo de minério. Bornita (Cu5FeS4) - Minas do Camaquã, Caçapava do Sul/RS/Brasil Calcopirita (CuFeS2) - Cavnic, RomêniaCalcocita (Cu2S) - Minas do Camaquã, Caçapava do Sul/RS/Brasil Barita (BaSO4) - minerais de ganga, Minas do Camaquã, Caçapava do Sul/RS/Brasil Fluorita (CaF2) - Bom Jesus da Lapa/BA/Brasil MINERALÓIDE O termo inclui quaisquer substâncias naturais que não apresentam arranjos sistemáticos em todas as direções de seus átomos constituintes. Portanto, os mineralóides são substâncias não-cristalinas de características amorfas ou parcialmente amorfas. Como exemplo cita-se o vidro vulcânico ou obsidiana (composição química aproximada de 76,8% de (SiO2, 12,1% de Al2O3) e 11,1% de óxidos de (Fe, Mg, Ca, Na, K e H2O). Obsidiana (vidro vulcânico) - vulcão Vesúvio, Nápoles, Itália (Neves et al., 2003) Unidade III: PROPRIEDADES FÍSICAS DOS MINERAIS As propriedades físicas são determinadas pela natureza da estrutura cristalina, dos elementos constituintes e do tipo de forças químicas que os unem. Conhecer estas propriedades , bem como a maneira prática de investigá-las, é muito útil para identificar minerais utilizando tabelas específicas para esse fim. As propriedades físicas são um importante meio de identificação de minerais em amostra de mão, visto que na sua maioria podem ser reconhecidas à vista desarmada. 1. CLIVAGEM A ruptura de alguns minerais ocorre, preferencialmente, segundo superfícies planas e brilhantes. A esta propriedade dá-se o nome de clivagem e aos planos, segundo os quais ela ocorre, planos de clivagem. Estes correspondem a planos de fraqueza na estrutura cristalina desses minerais, ou seja, correspondem a planos reticulares entre os quais as forças de ligação são fracas. Os planos de clivagem, pelo fato corresponderam a planos reticulares, são sempre paralelos a uma face, efetiva ou possível, do cristal. A excelente clivagem das micas resulta da fragilidade da combinação de ligações químicas iônicas e de van der Waals ao longo de uma direção da estrutura cristalina em oposição às fortes ligações covalentes e iônicas nas outras direções. A calcite apresenta três direções de clivagem, paralelas às faces do romboedro em conseqüência da fraqueza das ligações químicas nestas direções. A clivagem pode caracterizar-se, entre outros critérios, pela facilidade com que se produz - designando-se por fácil ou difícil - e pela sua qualidade. Neste caso podem ser definidos três tipos de clivagem: . perfeita - quando a ruptura ocorre segundo superfícies de clivagem lisas e brilhantes; raramente os minerais clivam de outro modo. Ex.: mica, calcite, galena; . imperfeita - a ruptura ocorre segundo superfícies de clivagem com algumas irregularidades. Ex.: granada, anfíbolas, piroxenas; . inexistente - o mineral não cliva. Ex.: quartzo. É também freqüente a classificação da clivagem em distinta e indistinta. A primeira ocorre segundo superfícies de clivagem evidente, enquanto que na clivagem indistinta não se definem superfícies de clivagem demasiado evidentes, sendo necessário observar cuidadosamente para reconhecê-las. 2. FRATURA Designa-se por fratura, ao modo pelo qual um mineral se rompe, quando a ruptura não ocorre ao longo de superfícies de clivagem. As superfícies de factura não correspondem contrariamente às superfícies de clivagem, a planos reticulares da estrutura do mineral, mas sim a superfícies que os intersectam e segundo as quais as ligações químicas são mais fracas. Podem ser definidos, essencialmente, quatro tipos de fratura: . conchoidal - superfícies de fratura lisas e curvas semelhantes à superfície interna de uma concha (exemplos: quartzo); . fibrosa - as superfícies de fratura assemelham-se a estilhaços ou fibras; . serrilhada - superfícies de fratura dentadas, com bordos cortantes; . irregular - superfícies de fratura rugosas, irregulares. 3. DUREZA (D) A dureza é uma propriedade importante dos minerais uma vez que cada mineral apresenta valores característicos, facilmente determináveis. Podemos definir dureza como sendo a resistência que um mineral oferece ao ser riscado por outro ou por um objeto. A dureza também depende da estrutura interna do cristal, (tal como as outras propriedades físicas), isto é, quanto mais fortes forem as ligações químicas mais duro é o mineral. A dureza é uma propriedade geologicamente importante uma vez que traduz a facilidade ou dificuldade com que um mineral se desgasta quando submetido à ação abrasiva da água, do vento e do gelo nos processos de erosão e transporte. Em 1822, Friedrich Mohs, um mineralogista australiano, imaginou uma escala de dureza baseada na capacidade de um mineral riscar outro. A escala de Mohs, composta por dez minerais de dureza conhecida (ver tabela), permite então determinar a dureza relativa de um mineral, mediante a facilidade ou dificuldade com que é riscado por outro. Escala de Mohs Mineral Dureza (D) Talco 1 Gesso 2 Calcite 3 Fluorite 4 Apatite 5 Feldspato 6 Quartzo 7 Topázio 8 Corindo 9 Diamante 10 Cada um dos minerais desta escala de dureza risca o anterior, de dureza inferior, e é riscado pelo seguinte, de dureza superior. O talco, ao qual foi atribuído o grau de dureza 1, tem uma estrutura constituída por placas tão fracamente unidas entre si que a simples pressão dos dedos é suficiente para fazê-las deslizar umas sobre as outras. Pelo contrário, o diamante, de dureza 10, apresenta ligações químicas tão fortes entre os seus átomos, que nenhum outro mineral o consegue riscar. Usando a escala de Mohs, a dureza de uma mineral é expressa pelo lugar de ordem que ocuparia na escala, se dela fizesse parte. Diz-se que um mineral é mais duro que outro se é só se o riscar, sem se deixar riscar por ele; dois minerais têm a mesma dureza se riscam ou não se riscam mutuamente. Para determinar a dureza de um mineral seleciona-se uma aresta viva, livre de impurezas, com a qual se experimenta riscar os sucessivos termos da escala de Mohs, no sentido decrescente de dureza, até surgir o primeiro que se deixe efetivamente riscar pela amostra em estudo. Exemplificando: se o mineral desconhecido riscar a fluorite e por sua vez for riscado pela apatite, a sua dureza será, aproximadamente, 4,5. Os termos da escala devem ser percorridos do mais duro para o menos duro a fim de evitar o constante desgaste dos minerais menos duros. Quando não se dispõe de uma escala de Mohs a determinação da dureza relativa é conseguida com base na seguinte informação: - dureza da unha do dedo - 2,5; - dureza do alfinete - 3; - dureza da lâmina do canivete - quase 5; - dureza do vidro - 5,5; - dureza do aço de uma lima das unhas - 6,5. 4. DENSIDADE RELATIVA (d) A densidade relativa indica quantas vezes um material é mais pesado do que um igual volume de água, a 4º C. Se um mineral tem densidade relativa 2, isto significa que ele pesa duas vezes mais que o mesmo volume de água. A densidade relativa depende: - da massa atômica dos átomos que constituem o mineral; - da distribuição espacial dos átomos; - da pressão; - da temperatura. 5. BRILHO Os minerais têm, na sua grande maioria, um brilho característico. O brilho pode ser definido como sendo o modo como a superfície de uma mineral reflete a luz, em intensidade e qualidade. Podem definir-se três tipos fundamentais de brilho: - Brilho metálico - característico dos minerais opacos, ou quase opacos, e tem a aparência brilhante de um metal. As superfícies destes minerais são bastante refletoras.- Brilho submetálico - característico dos minerais não opacos contudo menos intenso que o brilho metálico . - Brilho não-metálico - característico de substancias transparentes ou translúcidas e sem a aparência brilhante de um metal; no brilho não-metálico incluem-se, entre outros, os seguintes tipos de brilho: . vítreo, brilho característico de minerais translúcidos com a aparência do brilho do vidro. . resinoso, brilho característico de minerais translúcidos com aparência de resina . nacarado, aparência iridiscente da pérola. . gorduroso, brilho do óleo. . sedoso, característico de minerais fibrosos. . adamantino, brilho intenso em minerais transparentes. · brilho além de depender do grau de polimento da superfície refletora, depende também de dois fatores fundamentais: - da natureza das forças de ligação; - do índice de refração da luz. Por exemplo, minerais ligados covalentemente e com elevados índices de refração tendem a apresentar brilho adamantino. Outros, ligados ionicamente e com baixos índices de refração tendem a apresentar brilho vítreo. O brilho metálico caracteriza os minerais com os mais elevados índices de refração - os minerais opacos. O brilho nacarado é o resultado de múltiplas reflexões da luz a partir de planos situados abaixo das superfícies de minerais translúcidos. 6. COR Muitos minerais apresentam uma cor característica. Os minerais de brilho metálico, por exemplo, apresentam na sua grande generalidade, cores constantes e definidas, facilitando a sua identificação. A cor de um mineral deve ser observada numa superfície recente, uma vez que pode sofrer alterações. E enquanto que uns minerais apresentam cores características constantes, outros apresentam uma gama, mais ou menos variada, de cores. É o caso do quartzo (desde incolor, a rosa, lilás, amarelo, fumado,...) e da fluorite (incolor, branca, amarela, verde violeta). Os minerais podem então ser classificados quanto à cor, em: - minerais idiocromáticos - minerais que apresentam sempre a mesma cor; - minerais alocromáticos - minerais cuja cor é susceptível de variar. A variação de cor nos minerais alocromáticos pode ser devida à presença de elementos estranhos ou por alteração na sua rede cristalina. Esta variação de cores reveste- se, em muitos casos, de grande interesse econômico. É o caso do corindo incolor que se converte no corindo vermelho, comercialmente conhecido por rubi, devido à integração na sua rede cristalina de vestígios de crômio; por outro lado, estas mesmas inclusões de crómio transformam o berilo incolor na esmeralda. 7. TRAÇO O traço é a cor do pó fino de um mineral. Embora esta possa variar dentro de limites definidos, de um modo geral, ela é constante pelo que pode ser utilizada como característica de identificação de minerais. Determina-se o traço de um mineral esfregando o mineral em questão sobre uma placa de porcelana não polida - placa de traço. Esta placa tem, aproximadamente, D=7 pelo que não pode ser utilizada para determinar o traço de minerais com dureza superior ou igual a 7. Nestes casos teremos que reduzir o mineral a pó, num almofariz. O traço de um mineral é uma característica mais constante do que a cor. Minerais que macroscopicamente apresentam cores idênticas podem apresentar cores de traço absolutamente distintas, pelo que podem ser distinguidas através desta propriedade. De um modo geral, os minerais de brilho metálico ou submetálico (opacos) produzem traços pretos ou de cor escura enquanto que os minerais de brilho não-metálico produzem traços incolores ou de cores claras. Unidade IV: Estrutura e Composição interna da Terra Introdução O século XX marca uma virada na forma de fazer ciência, principalmente como conseqüência do acentuado desenvolvimento de tecnologia que o caracterizou: o homem foi a lua, tornou-se possível observar a forma do planeta Terra, satélites possibilitam obter imagens a partir do espaço que mostram com perfeição a configuração dos continentes permitindo uma perfeita definição dessa, métodos radiométricos permitem datar a idade absoluta das rochas, métodos batimétricos e sondagem em alta profundidade permitem conhecer o fundo oceânico em sua forma, composição e variação de idade, dados sísmiscos coletados em todos os pontos da superfície do planeta possibilitaram reconhecer as principais divisões internas do planeta. Esse acesso a uma infinidade de dados sobre os materiais que constituem a Terra foi um marco fundamental para o desenvolvimento da geologia contemporânea, levando ao desenvolvimento da grande teoria dinâmica da Terra: A Teoria da Tectônica de Placas. Conhecer as principais características físicas e químicas da Terra é, portanto, fundamental para propor modelos sobre a sua dinâmica e evolução. Embora atualmente quase parte de uma cultura geral de nossa sociedade tecnológica, os dados aqui apresentados foram obtidos às vezes através de técnicas muito simples, outras vezes com emprego de técnicas muito sofisticadas através dos séculos, em sua grande maioria adquirido apenas no século XX. Forma e outras propriedades relacionadas Forma: A Terra é um geóide achatado, o que significa dizer que os diâmetros equatoriais e polares diferem entre si. Esse fato, já previsto anteriormente, é justificado pela existência de rotação do planeta e da maior força centrípeta que existe no equador. Diam. eq = 12.756,8km Diam. pólos = 12.713,8km raio médio = 6.371km Massa: Aplicando-se a famosa lei geral da gravitação de Newton, a massa média da Terra calculada para a Terra é de 5,98X10 24 kg. Volume: Por geometria, o volume aproximado da Terra é de 1,08X10 27 cm3. Densidade: A densidade média das rochas que ocorrem na superfície do planeta é de aproximadament 2,7 g/cm3, enquanto que a densidade média calculada para a Terra é de 5,5g/cm3. Isso implica necessariamente que as rochas do interior do planeta devem ser mais densas para compensar essa diferença de densidade. Assim, ao tecermos considerações sobre a composição interna da Terra devemos procurar por materiais com densidade superior a média das rochas da superfície do planeta. O estudo de ondas sísmicas, cuja velocidade de propagação é, entre outras coisas, dependente da densidade do meio atravessado, sugere ainda que a densidade não aumenta gradualmente em direção ao interior do planeta, mas sim que existem alguns saltos marcantes de densidade, em limites relativamentes definidos. Relevo da Superfície Se tirássemos toda a água dos oceanos, veríamos que a superfície da Terra é marcada por marcantes variações de relevo. A principal diferença de relevo está entre os oceanos, grandes bacias, e os continentes, grandes elevações. Internamente, essas grandes unidades morfológicas mostram variações topográficas e estruturais. Nos oceanos, uma grande rede de cadeias de montanhas submersas ocorre no meio dos oceanos, seguida de uma região relativamente plana que vai acabar em profundas fossas (11km de profundidade). Já nos continentes, grandes cadeias de montanhas (de até 8,7km) dispõem- se lateralmente a regiões relativamente aplainadas. Nos continentes, a altitude média é de 0,84km acima do nível do mar, mas grandes variações de altitude são observadas. Podemos reconhecer duas feições topográficas principais com distintas características geológicas: Crátons: São as áreas geologicamente estáveis, que podem apresentar margens continentais do tipo atlântica (também denominadas passivas). Nessas regiões os movimentos dominantes são os verticais (isostáticos)e os processos geológicos atuantes são principalmente decorrentes desses movimentos (erosão X deposição). Internamente os crátons podem ser subdivididos de acordo com as características das rochas e estruturas aflorantes em: Escudos: constituídos dominantemente por rochas ígneas plutônicas e metamórficas, normalmente orientadas segundo um trend. São intepretados como raízes de antigas cadeias de montanhas. Plataformas: regiões onde as rochas dos escudos estão recobertas por sedimentos e rochas vulcânicas pouco ou não deformadas. Cadeias de Montanhas (também denominadas Cinturões Orogênicos): são as grandes cordilheiras de montanhas, que se estendem por milhares de quilômetros, mas apresentam largura relativamente limitada (algumas dezenas a poucas centenas de quilômetros). Além da altitude elevada, caracterizam-se por apresentar grande atividade ígnea e sísmica, acompanhada de intensa erosão. Estão situadas nas margens continentais do tipo pacífica (também denominadas ativas), próximo a fossas oceânicas (ex. Andes), ou, ainda, podem estar ocorrer no interior de continentes, entre duas áreas cratônicas (ex. Himalaias). Os fundos oceânicos situam-se em média 3,7 km abaixo do nível do mar. Assim como os continentes, apresentam grandes variações. Dorsais Mesoceânicas: Extensas cadeias de montanhas submersas (em grande parte), que formam uma rede de aproximadamente 70.000km ao redor do planeta. Estão normalmente situadas em meio ao fundo oceânico, apresentando uma largura média de 1.400km e “altitudes” máximas de 3km acima do fundo oceânico médio. A sua porção central é caracterizada pela presença de grandes vales na forma de fraturas (rift valley), que acompanha a dorsal por toda sua extensão. São região de intensa atividade vulcânica e sísmica. Bacias oceânicas ou assoalho abissal: são regiões lateralmente dispostas as dorsais mesoceânicas que apresentam relevo relativamente aplainado. Estendem-se das dorsais mesoceânicas às margens continentais e mostram profundidades médias de 4km. Podem ser subdivididas em montes abissais, que são pequenas elevações de até 900m acima do fundo oceânico circundante. Estes montes cobrem de 80 a 85% do fundo do Oceano Pacífico e são as formas fisiográficas mais abundantes da Terra. Próximo as margens continentais, os sedimentos originados dos continentes cobrem completamente os montes abissais formando planícies abissais. Montes submarinos (sea mounts) e ilhas vulcânicas: Os montes oceânicos são picos isolados de vulcões submarinos. Alguns desses vulcões podem aparecer acima do nível formando ilhas vulcânicas, mas a grande maioria encontra-se submersa. Podem ocorrer aleatoriamente ou formar cadeias ao longo de linhas bem definidas, como no caso das ilhas do Havaí. Apresentam atividade vulcânica atual ou recente, mas se caracterizam pela atividade sísmica restrita. Fossas oceânicas: São grandes depressões que se caracterizam por apresentar grande extensão relativamente a sua largura e por um gradiente topográfico muito acentuado. Podem atingir profundidades de até 11.033m abaixo do nível do mar (Fossa das Marianas). Estão invariavelmente situadas nas proximidades de arcos-de- ilha ou de margens continentais ativas. Arcos-de-ilha: São sistemas de ilhas vulcânicas que ocorrem lateralmente dispostas, formando um arco (Exemplo: ilhas Filipinas, Marianas, Aleutas e Japão). Estão situadas na proximidade de grandes fossas oceânicas, que levam o mesmo nome das ilhas. Apresentam intensa atividade magmática e sísmica e são na realidade cinturões orogênicos desenvolvidos sobre o fundo oceânico. As margens continentais marcam as zonas de transição entre os continentes e os oceanos. A porção submersa dos continentes é chamada de plataforma continental (continental shelf) que geologicamente é parte do continente. O fundo do mar mergulha progressivamente com uma declividade suave da plataforma continental até as bacias oceânicas. Essa região, denominada talude continental, define o limite dos continentes. Idade das Rochas O descobrimento da radiação permitiu, no meio desse século, a determinação de idades absolutas de rochas continentais e oceânicas: 3,9-4,1 Ga 1[1] idade máxima para as rochas continentais e 200 Ma para as rochas oceânicas mais antigas. Além das diferenças de idade entre as rochas dos oceanos e continentes, verificou-se também a existência de um padrão de distribuição de idades em relação ao relevo da superfície. Nos oceanos, as rochas mais jovens são encontradas próximas às cadeias de montanhas submersas que cortam os fundos marinhos, enquanto as rochas mais antigas dos fundos oceânicos localizam-se próximas aos continentes e as fossas oceânicas. Já nos continentes, a presença de rochas mais antigas é verificada em regiões aplainadas pela erosão, onde afloram rochas metamórficas e ígneas, enquanto rochas ígneas e metamórficas relativamente jovens são encontradas as grandes cadeias de montanhas, como os Andes. E a idade da Terra, como pode ser obtida? Responderemos essa pergunta juntamente com a questão determinação da composição média da Terra. 1[1] A idade de 3,9 Ga foi obtida para Gnaisses de Acadian no Canadá. A idade de 4,1 Ga foi obtida em zircão detrítico contido em uma rocha sedimentar metamorfizada da Australia, correspodendo a idade da rocha que foi erodida para formar a rocha sedimentar. Composição Química da Terra O estudo direto da composição da Terra é possível apenas para as porções mais externas do planeta. A química das porções mais internas, entretanto, não pode ser obtida diretamente. Apenas através de métodos indiretos, através da confrontação de análise química das principais rochas aflorantes na superfície do planeta, análise de meteoritos e da composição do Sol, experimentação petrológica, dados de velocidade de propagação ondas símicas, e comparando a densidade das rochas superficiais com as do interior do planeta é que podemos formular um modelo geoquímico válido para a Terra. Em conjunto, esses dados delimitam quais são os modelos razoáveis e os improváveis. Por exemplo, a diferença entre a densidade média das rochas crustais e a densidade média da Terra, indica que o material existente no interior do planeta deve ser mais denso que o que encontramos na superfície e mais denso que a média calculada para a Terra. Por outro lado, os dados sísmicos, mostram que a densidade varia abruptamente no interior da Terra, oque possívelmente indica que há variações composicionais. Embora os dados acima imponham restrições aos modelos geoquímicos, eles não permitem definir a composição real média da Terra. Para obter é preciso encontrar um material que represente essa composição. Os materiais eleitos para essa determinação têm origem extraterrestre: são os meteoritos 2[2] . A escolha deve-se ao fato dos meteoritos terem sido originados com a Terra e os demais planetas, durante a formação do sistema solar. Assim, os meteoritos teriam se formado a partir do mesmo material disponível para formação da Terra e seriam “fósseis” dos estágios iniciais da evolução planetária. Apesar de razoável, uma segunda decisão deve ser tomada: qual dos diferentes tipos composicionais de meteoritos deve ser considerado? 2[2] O termo meteorito, derivado do grego, significa “o que se origina na atmosfera”. Atualmente, denomina-se meteoróides os fragmentos sólidos que cruzam o espaço, aplicando-se o termo meteorito quando os mesmo atingem a Terra (Wlotzka 1995). A análise dos diversosmeteoritos conhecidos mostra que esses corpos apresentam diferentes composições e texturas que permite agrupá-los nos seguintes tipos principais (Wlotzka 1995): Grupo Característica Principal Componente Principais Meteoritos Férricos mais de 90% metálico níquel-ferro Meteoritos Rochosos mais de 75% rochoso Condríticos presença de côndrulos silicatos, 3 a 23% de metal Acondríticos sem côndrulos silicatos Meteoritos Ferro- rochosos Palasitos cristais de silicatos centimétricos em metal olivina, metal ca. 2:1 Mesosideritos silicatos e metal intimamente intercrescidos silicatos, metal ca. 1:1 A análise dos diferentes tipos de meteoritos permite tirar algumas conclusões gerais sobre a constituição da nebulosa que deu origem ao sistema solar. A primeira conclusão importante é o fato de que nenhum não existe nenhum elemento químico nos meteoritos que não seja também encontrado na Terra. Por outro lado, verifica-se que os elementos presentes nos meteoritos podem ser agrupados de acordo com determinadas associações minerais, revelando a afinidade geoquímica entre esses elementos. Os grupos de elementos afins reconhecidos são: siderófilos: aqueles que apresentam afinidade com com Fe metálico, ocorrendo em meteoritos com Ni e Fe (Fe, Ni, Co, Cu, Au, Pt, Ar, e outros); calcófilos: elementos com forte afinidade com S, concentrados em meteoritos com sulfetos de ferro (Fe, Ag, Cd, Pb, Bi, S, Se, e outros); litófilos: elementos com afinidade com O, particularmente concentrados nos silicatos dos meteoritos (Li, Na, K, Rb, Ce, Be, Mg, Ca, Sr, Ba, B, Al, Th, U, Si e outros) atmófilos: formam compostos puros ou em combinações altamente voláteis e são encontrados em muito poucos meteoritos (H, He, N e gases nobres). Qual o significado dessa variação de tipos de meteoritos? Para responder essa pergunta é preciso entender as teorias sobre a origem e a formação dos meteoritos. A história dos meteoritos como corpos rochosos isolados começa após a agregação dos planetesimais em corpos maiores (planetas). Os meteoróides teriam sido separados de corpos desse tipo, provavelmente por impacto. Tais corpos são conhecidos como corpos meteoríticos parentais. Após essa separação, os meteoróides começam a sua história independente, como um corpo pequeno, com órbita própria ao redor do Sol. Essa órbita evoluí de tal maneira que as forças gravitacionais da Terra causam a queda do meteoróide, formando um meteorito. Os diferentes tipos de meteoritos existentes representariam tipos de corpos parentais distintos. Corpos parentais não diferenciados, que mantiveram a estrutura e distribuição química mais primitiva, dariam origem aos condritos. Já os meteoritos metálicos, ferro-rochosos e acondríticos teriam sido originados a partir da fragmentação de corpos parentais diferenciados. Essa interpretação é confirmada pela verificação de que os condritos apresentam composição química virtualmente idêntica a do Sol, com exceção dos elementos H e He que se encontram concentrados no Sol. Na Terra, rochas denominadas peridotito, formadas nas profundidades do manto terrestre, apresentam composição mineral e química similar a dos condritos. Já os acondritos, apresentam composição bastante similar a média das rochas da crosta da Terra. Por sua vez, os meteoritos metálicos não possuem similares na Terra. Sua composição entretanto, essencialmente uma liga de ferro metálico com níquel, é considerada como representativa do núcleo terrestre, do qual não existem amostras na superfície do planeta. A Tabela abaixo mostra a composição média da das rochas da crosta terrestre em comparação com a composição média da Terra segundo o que é usualmente denominado modelo condrítico. Crosta da Terra 3[3] * Média da Terra (composição média de condritos carbosos)* O – 46% Fe – 35% Si – 28% O – 30% Al - 8% Si – 15% Fe - 6% Mg – 13% Mg, Ca, K, Na, e outros - 12% Ni, S, Ca, Al e outros – 7% * percentual sobre peso total 3[3] Composição média da crosta oceânica: 48.7% SiO2, 16.5% Al2O3; 2.3%Fe2O3; 6.2% FeO; 6.8MgO; 12.3% CaO; 2.6% Na2O; 0.4%K2O. Composição média da crosta continental: 60.2% SiO2; 15.2% Al2O3; 2.5% Fe2O3; 3.8% FeO; 3.1% MgO; 5.5% CaO; 3.0% Na2O; 2.9% K2O. Dados retirados de Ronov & Yaroshevsky 1969, appud Press & Siever 1978. Os estudos de geoquímica isotópica dos meteoritos revelaram, ainda, outro dado interessante: a grande maioria dos meteoritos condríticos apresenta idades de formação de aproximadamente 4,5 Ga (Ga = bilhões de anos). Considerando que esses objetos representam os corpos menos diferenciados do sistema solar, essa idade representa a idade de formação dos planetas no sistema solar e, portanto, representa a idade de formação da Terra. Estrutura Interna A estrutura interna da Terra é também estudada de forma indireta, principalmente através de dados sísmicos, aliados a dados experimentais e confrontando os modelos propostos com a ocorrência de alguns fenômenos conhecidos como a existência de um campo magnético terrestre e a diferença de densidade entre as rochas da superfície e a densidade média do planeta. Através desses métodos, foi reconhecida a existência de uma estrutura interna concêntrica, formada por três "camadas" principais, de diferentes composições: crosta: é a camada mais externa da Terra e que pode ser subdividida em dois tipos conforme sua composição química e estrutura: crosta continental e oceânica. A crosta continental é relativamente espessa, de 35 a 70 km de espessura, de densidade relativamente baixa (2,4g/cm3) e de composição relativamente rica em Al e Si, além de Na e K, comparável a dos granitos. A crosta oceânica, por sua vez, é bastante fina (de 3 a 12km de espessura), de densidade um pouco mais elevada (2,7g/cm3) e de composição relativamente mais rica em Mg e Fe comparável a dos basaltos. manto: é a camada mediana da Terra, consideravelmente mais complexo que o núcleo pois contém mais elementos, os quais se agrupam de diferentes formas dependendo da porção do manto (i.e. dependendo das condições de P e T) em que se encontram. A composição média é relativamente homogênea, abaixo das primeiras dezenas de quilômetros do topo do manto, correspondendo aproximadamente a de um lhezorlito (tipo de peridotito formado por 60% de olivina + 30% de piroxênio + 10% de feldspato). O manto superior, que se extende em média de 35km à 400km apresenta regiões com diferentes estados físicos (ver abaixo). núcleo: é a porção mais interna do planeta, essencialmente constituída por Ferro (+ 20% de Ni, no núcleo interno, + 12% S e +2% Ni no núcleo externo). Além dessas divisões internas, a Terra pode também ser subdividida com base em critérios físicos da seguinte forma: litosfera: camada mais externa da Terra, de comportamento rígido. Inclui a crosta e a porção superior do manto, até 100km de profundidade. astenosfera: camada situada logo abaixo da listofera, que se encontra parcialmente fundida (- de 10% de fusão) e apresenta comportamento plástico. Estende-se de 100 a 250km de profundidade, aproximadamente, estando totalmente situada no interior do manto. mesosfera: camada rígida de temperaturas e pressões muito elevadas que compreende o restante do manto, estendendo-se do limite inferior da astenosfera ao limite manto núcleo. núcleo externo: corresponde a porção externa do núcleo que é líquida. Estende-se da profundidade de 2885km (limite manto-núcleo) à5155km núcleo interno: os 1115km mais internos da Terra são constituídos por matéria em condições de pressão e temperatura muito elevadas, encontrando-se no estado sólido. A existência de uma “casca” rígida, a litosfera, diretamente assentada sobre uma camada de comportamento parcialmente fundida capaz de fluir, a astenosfera, é característica fundamental que define os processos da dinâmica interna da Terra. A litosfera está segmentada em diversas placas, que podem conter crosta oceânica e continental. Os processos da dinâmica interna afetam toda a listosfera provocando movimentos horizontais das placas (Tectônica de Placas) e movimentos verticais (Isostáticos) no interior das mesmas. Unidade V: Ondas Sísmicas O que são ondas sísmicas? Uma onda sísmica é uma onda que se propaga através da Terra, geralmente como consequência de um sismo, ou devido a uma explosão. Estas ondas são estudadas pelos sismólogos, e medidas por sismógrafos, sismómetros ou geofones. Que tipos de ondas sísmicas existem? Existem dois tipos de ondas sísmicas, sendo que umas são chamadas ondas de volume (de profundidade) que podem ser longitudinais ou primárias (P) e ondas transversais ou secundárias (S), e outras que se denominam ondas superficiais, que podem ser ondas de Love e ondas de Rayleigh, sendo assim no total originam-se quatro tipos de ondas sísmicas. Como se propagam as ondas sísmicas? As ondas Primárias propagam-se através dos líquidos, sólidos e dos gases e a sua propagação pode ser comparada à das ondas sonoras. A sua propagação produz-se por uma série de impulsos alternados de compressão e de distensão através das rochas, havendo, assim variações do volume do material. Estas ondas deslocam-se no sentido da propagação da onda, (paralelamente). As ondas S propagam-se nos sólidos, mas não nos líquidos e o seu comportamento pode ser comparado ao das ondas luminosas. São mais lentas que as anteriores, pelo que chegam ás estações sismográficas com atraso variável em relação ás ondas P. Estas ondas provocam mudança da forma do material, mas não do volume. As ondas S deslocam-se num plano perpendicular á direção de propagação. As ondas love e Rayleigh, tal como as S são ondas transversais, resultantes das interferências entre as ondas S e entre as ondas S e P, respectivamente. em que as partículas constituintes dos materiais rochosos vibram perpendicularmente á direção de propagação da frente da onda. As ondas sísmicas Rayleigh descrevem trajetórias elípticas semelhantes às vagas do mar. São as ondas mais lentas, mas simultaneamente as mais destruidoras. UNIDADE VI PROPRIEDADES QUÍMICAS DOS MINERAIS As propriedades químicas dos minerais estão estreitamente relacionadas, como é óbvio, com a sua composição química, com a natureza dos átomos e íons, tal como as propriedades físicas, da sua estrutura, isto é, do arranjo das partículas elementares. Estas propriedades são estudadas em laboratórios mineralógicos utilizando variadas técnicas desde as clássicas até às técnicas mais sofisticadas, como difração de raios X ou microssonda eletrônica. De fato, dois ou mais minerais podem ter a mesma composição química, mas estruturas cristalinas diferentes, sendo nesse caso conhecidos como polimorfos do mesmo composto. Por exemplo, a pirita e a marcassite são ambos constituídos por sulfeto de ferro, embora sejam totalmente distintos em aspecto físico e propriedades. Pirita FeS2 (isométrico) Marcassita FeS2 (ortorrômbico) Minerais Polimorfos 1. Minerais polimorfos são aqueles que têm essencialmente a mesma composição química, mas estruturas cristalinas diferentes, o que se reflete em suas propriedades físicas e morfológicas diferenciadas. Por exemplo, grafita e diamante são polimorfos de carbono. Ambos têm a mesma composição química, mas suas estruturas são diferentes, e como tal são consideradas espécies separadas. ..... Assim como a calcita e a aragonita, polimorfos de CaCO3. Minerais Isomorfos 2. Minerais isomorfos são os que possuem estrutura cristalina semelhante mas composição química diferente ou variável dentro de determinados limites. São exemplos das olivinas (forsterita – Mg2SiO4 e faialita – FeSiO4), nas quais Mg e Fe se substituem mutuamente; plagioclásios (albita – NaAlSi3O8) e anortita – CaAl2Si2O8), nas quais a solução sólida se realiza através da substituição acoplada (assim chamada porque envolve dois pares de elementos) de Na, Si por Ca, Al. Um exemplo é dado pela halite, um composto de sódio e cloro em tudo similar ao vulgar sal de cozinha, a galena, um sulfeto de chumbo, e a periclase, um composto de magnésio e oxigênio. Apesar de composições químicas radicalmente diferentes, todos estes minerais compartilham da mesma estrutura cristalina cúbica. Principais Minerais Ao todo são mais de mil minerais (vide tabela em anexo, com alguns exemplos). A seguir damos uma descrição sintética dos mais comuns. A tabela a seguir mostra os principais constituintes mineralógicos das rochas que integram a crosta: Feldspato 59,5% Quartzo 12,0% Piroxênios e anfibólios 16,8% Micas 3,8% Outros 7,0% O conjunto das espécies minerais é subdividido de acordo com a sua composição química em classes químicas caracterizadas pela presença de um determinado elemento ou grupo iônico em particular. São descritas a seguir algumas das classes químicas de minerais: 1. FELDSPATOS: são os constituintes mais importantes na formação de rochas ígneas e os minerais mais abundantes na crosta terrestre. São translúcidos ou opacos e podem apresentar cristais mistos de três componentes: feldspato potássico, sódico e calcico. São os feldspatos alcalinos = ortoclásio (K) e os plagioclásios = cristais mistos entre a albita (Na) e anortita (Ca). 2. QUARTZO (SiO2) : Cor branca ou incolor, mas, também em inúmeras outras variedades, como : Ametista (ferro): roxa ; Citrino (hidróxidos de ferro férrico): amarelo ;Quartzo rosa (MnO): rosa ; Cristal de rocha: hialino (transparente) ; Calcedônia (derrames vulcânicos – cherts): translúcida e fibrosa ;Ágata: variedade da calcedônia bandada ; Opala* (nH2O): incolor, vermelha, verde, azul, negra A Dureza é 7 (risca o vidro), Densidade 2,65, fratura irregular, por não ter planos de clivagem. Ocorre como mineral mais comum na superfície do globo terrestre, especialmente entre as rochas sedimentares, graças a sua alta resistência química e física e em rochas graníticas e basálticas. Apesar de serem um dos últimos minerais a se formar no decurso da consolidação do magma (forma irregular, anédrico), belos cristais ocorrem em cavidades: geodos (conchas preenchidas por minerais silicosos – rápido resfriamento). Muito comum nas rochas basálticas do Sul do Brasil. 3. PIROXÊNIOS E ANFIBÓLIOS: são minerais de aparência bastante similares. São granulares ou prismáticos, de cor escura, com clivagem em dois planos. São muitos suscetíveis à alteração em clima úmido, com a formação de minerais argilosos, micas, cloritas e liberação de hidróxidos de ferro (denotando uma coloração avermelhada) e manganês.3.1 Piroxênios – possuem uma composição variável. São silicatos de Mg, Ca e Fe, com ou sem Al2O3 e Fe2O3. forma prismas curtos de cor verde-escura, quase preta. Mineral mais comum é a augita. 3.2 Anfibólios – são quimicamente muito parecidos aos piroxênios, mas possuem (OH) na sua constituição. Geralmente formam prismas mais alongados. Anfibólio mais comum é a hornblenda. 4. MICAS: trata-se de um grupo de minerais caracterizados por uma ótima clivagem laminar e boa elasticidade. Distingui-se 2 tipos principais: 4.1 Muscovitas (mica branca) – incolor, transparente, também esverdeada ou amarelada. Clivagem excelente. Mineral com muitos granitos, xistos, gnaisses e sedimentos, pelo fato de ser um mineral quimicamente estável. Placas maiores e límpidas são usadas na industria elétrica, como isolante. 4.2 Biotita – mica preta, clivagem excelente, dureza baixa. Comum em granitos, xistos e gnaisses. OUTROS GRUPAMENTOS QUIMICOS EM MINERAIS 1. SILICATOS O grupo dos silicatos é de longe o maior grupo de minerais, sendo compostos principalmente por sílica e oxigênio, com a adição de capteis como o magnésio, o ferro e o cálcio. Alguns dos mais importantes silicatos constituintes de rochas comuns são os feldspatos, o quartzo, as olivinas, as piroxenas, as granadas e as micas. São minerais cuja composição química inclui obrigatoriamente Si e O, em combinação com outros elementos químicos. Esta classe contém cerca de 95% dos minerais petrográficos (formadores de rochas). A estrutura de todos os silicatos consiste de uma unidade fundamental constituída de quatro (4) átomos de oxigênio coordenados por um átomo de silício, resultando em uma configuração tetraédrica (“tetraedro de sílica”). Nesta configuração cada átomo de oxigênio pode ligar-se a outro átomo de silício, fazendo parte de outro tetraedro simultaneamente. Isso resulta no compartilhamento de oxigênios entre tetraedros adjacentes. Podem ser compartilhados 1 2, 3 ou 4 oxigênios do mesmo tetraedro, originando configurações estruturais diversificadas e cada vez mais complexas. De acordo com o número de átomos de oxigênio compartilhados entre os tetraedros adjacentes, os silicatos são então subdividos em 6 grupos: nesossilicatos, sorossilicatos, ciclossilicatos, inossilicatos, filossilicatos e tectossilicatos. Os silicatos são classificados conforme a amplitude de participação do oxigênio entre os tetraedros, o que origina diferentes graus de polimerização ou tipos de arranjos de tetraedros, com a relação Si:O variando desde 1:4 nos nesossilicatos até 1:2 nos tectossilicatos (Tabela 3.5). 2.CARBONATOS O grupo dos carbonatos é composto de minerais contendo o ânion (CO3) 2- e inclui a calcita e a aragonita (carbonatos de cálcio), a dolomita (carbonato de magnésio e cálcio) e a siderita (carbonato de ferro). Os carbonatos são geralmente depositados em ambientes marinhos pouco profundos, com águas límpidas e quentes, como por exemplo em mares tropicais e subtropicais. Os carbonatos encontram-se também em rochas formadas por evaporação de águas pouco profundas (os evaporitos) ..... e em ambientes de karst, isto é regiões onde a dissolução e a precipitação dos carbonatos conduziu à formação de cavernas com estalactites e estalagmites. ..... A classe dos carbonatos inclui ainda os minerais de boratos e nitratos. 3.SULFATOS Todos os sulfatos contém o cátion sulfato na forma SO4. Os sulfatos formam-se geralmente em ambientes evaporíticos, onde águas de alta salinidade são lentamente evaporadas, permitindo a formação de sulfatos e de halóides na interface entre a água e o sedimento. .... Também ocorrem em sistemas de veios hidrotermais sob a forma de minerais constituintes da ganga associada a minérios de sulfetos. .... Os sulfatos mais comuns são a anidrita (sulfato de cálcio), a celestita (sulfato de estrôncio) e o gesso (sulfato hidratado de cálcio). .... Nesta classe incluem-se também os minerais de cromatos, molibdatos, selenatos, sulfetos, teluratos e tungstatos. 4. HALÓIDES O grupo dos halóides é constituído pelos minerais que formam os sais naturais, incluindo a fluorite, a halite (sal comum) e o sal amoníaco (cloreto de amónia). Os halóides, como os sulfatos, são encontrados geralmente em ambientes evaporíticos, tais como lagos do tipo pelada e mares fechados (por exemplo nas margens do Mar Morto). Inclui os minerais de fluoretos, cloretos e iodetos. 5. ÓXIDOS Os óxidos constituem um dos grupos mais importantes de minerais por formarem minérios dos quais podem ser extraídos metais. Ocorrem geralmente como precipitados em depósitos sitos próximo da superfície, como produtos de oxidação de outros minerais situados na zona de alteração cerca da superfície ou ainda como minerais acessórios das rochas ígneas da costa e do manto. .... São também incluídos nesta classe os minerais de hidróxidos. Os óxidos mais comuns incluem a hematita (óxido de ferro), a espinela (óxido de alumínio e magnésio, um componente comum do manto) e o gelo (de água, ou seja óxido de hidrogênio). 6. SULFETOS Muitos sulfetos são também economicamente importantes como minérios metálicos, incluindo-se entre os mais comuns a calcopirita (sulfeto de cobre e ferro) e a galena (sulfeto de chumbo). 7. FOSFATOS O grupo dos fosfatos inclui todos os minerais com uma unidade tetraédrica de AO4 onde A pode ser fósforo, antimônio, arsênio ou vanádio. .... O fosfato mais comum é a apatite, a qual constitui um importante mineral biológico, encontrado nos dentes e nos ossos de muitos animais. ..... Esta classe inclui os minerais de fosfatos, vanadatos, arseniatos e antimonatos 8. ELEMENTOS NATIVOS O grupo dos elementos nativos inclui os metais e amálgamas intermetálicas (como as de ouro, prata e cobre), semi-metais e não-metais (antimônio, bismuto, grafite e enxofre). ..... Neste grupo inclui também ligas naturais, como : electrum (uma liga natural de ouro e prata), fosfinos (hidretos de fósforo), nitritos e carbetos (que geralmente são só encontrados em alguns raros meteoritos) MINERAIS PETROGRÁFICOS Existem cerca de 2000 espécies minerais conhecidas, sendo que apenas algumas dezenas contribuem efetivamente na formação das rochas. Esses minerais são denominados minerais petrográficos (formadores de rochas). UNIDADE VII: GÊNESE DO SOLO A maioria das mudanças que ocorrem naturalmente na superfície terrestre nos são praticamente imperceptíveis, com as paisagens parecendo aos olhos humanos algo imutável. Entretanto, tanto a observação da sedimentação atual, com as partículas sendo transportados por rios e córregos dos topos das montanhas para as planícies, como do registro geológico, com centenas de metros de sedimentos acumulados e com fósseis marinhos encontrados em montanhas a milhares de metros de altitude, nos prova que a superfície terrestre está em constante evolução, com montanhas sendo desgastadas a colinas pela erosão,por um lado, e cordilheiras sendo formadas por soerguimento e por vulcanismo, por outro lado, com os solos fazendo parte desse contexto. De fato, a constatação de que apenas alguns raros solos são mais velhos do que o início do Terciário e de que a maioria é mais recente do que o Pleistoceno nos fornece a medida da estabilidade limitada da superfície terrestre, indicando que os solos, como indivíduos específicos, são elementos transitórios nas paisagens, desaparecendo por erosão ou se modificando profundamente para se adaptar a uma outra condição ambiental. Os principais processos que ocorrem na superfície terrestre podem ser agrupados em pedogênese, intemperismo, erosão e sedimentação. (1) Pedogênese: ação de agentes meteóricos e biológicos, levando à diferenciação de horizontes mais ou menos paralelos à superfície e formação de perfis de solos. (2) Intemperismo: qualquer alteração, tanto mecânica (fragmentação) como química, de materiais na crosta terrestre sob a influência de agentes atmosféricos (calor, água superficial e subsuperficial, gelo, etc.). Sua ação não ocorre somente nos perfis de solos, mas também em fraturas, veios e camadas porosas mais profundas conectadas à atmosfera. Portanto, o conceito de intemperismo é mais geral e não tão bem definido como o da pedogênese. (3) Erosão: remoção e deslocamento de materiais da superfície terrestre, tanto pelo trabalho mecânico de forças meteóricas (impacto da chuva; água de escorrimento; água em canais - córregos intermitentes ou permanentes e rios; vento; gelo; etc.) como pela ação de dissolução química das águas, combinadas com a força gravitacional. A erosão mecânica e química provoca o rebaixamento da superfície terrestre (denudação) e o nivelamento da paisagem, à medida que as substâncias transportadas (sólidas ou dissolvidas) são deslocadas das superfícies mais altas para as mais baixas. (4) Sedimentação: acumulação local de detritos ou substâncias reprecipitadas (sedimentação química) que foram movidos pelas forças erosivas, para sítios propícios, como terras baixas, depressões e bacias. Dessa forma, as transformações das rochas que levam à formação do solo resultam tanto da atuação do intemperismo como dos processos pedogenéticos. Esses processos, por sua vez, são condicionados por uma série de fatores ambientais ou fatores de formação do solo: tipo de material de origem, clima, relevo, organismos e tempo de atuação. UNIDADE VIII: INTEMPERISMO 1. INTRODUÇÃO Intemperismo é o conjunto de processos que leva à degradação e decomposição das rochas. Estes processos estão relacionados com dois fatores: a natureza da rocha e a condição do ambiente. a) Natureza da Rocha O magma é um material em estado de fusão (800 a 1000 ºC) composto por óxidos, silicatos e materiais voláteis, que se encontra nas zonas profundas da crosta terrestre, mas que pode subir à superfície por fendas, vulcões, etc. O magma, quando resfriado, solidifica- se. Se esta solidificação se dá em grandes profundidades, a rocha é chamada de ÍGNEA ou MAGMÁTICA INTRUSIVA; por outro lado, se ocorre próximo à superfície, é chamado de ÍGNEA ou MAGMÁTICA EXTRUSIVA. As rochas intrusivas podem surgir na superfície da crosta, através de eventos geológicos diversos (vulcanismo, terremotos, acomodações de camadas rochosas, etc). As rochas SEDIMENTARES, por sua vez, se formam pela consolidação de sedimentos. Os sedimentos podem ser clásticos ou químicos. Os sedimentos clásticos são fragmentos de rochas (magmáticas, metamórficas e/ou sedimentares) que são transportados (pela água, vento ou gravidade) e acumulados em determinado local (os depósitos). Os sedimentos químicos são mais raros, e se formam pela precipitação de substâncias. Os sedimentos podem adquirir variados graus de consolidação e dureza, dependendo do material que une os fragmentos, que atua como uma cola e é chamado de cimentante. Sílica, óxidos de ferro, carbonatos, etc, são exemplos de agentes cimentantes de rochas. As rochas METAMÓRFICAS são formadas pela ação de altas temperaturas e pressões atuando sobre rochas pré-existentes (magmaticas, sedimentares ou metamorficas). Este processo é chamado de metamorfismo e sua principal característica é imprimir às rochas um aspecto de orientação, de estratificação. O ambiente em que a maioria das rochas se formam é muito diferente do ambiente na superfície do planeta. Enquanto as rochas se formam em ambientes com temperatura e pressão elevadas e constantes, em ausência de luz, organismos, ventos, etc. , quando são expostas na superfície do planeta, encontram condições bem diferentes: temperaturas e pressões menores, porém com grande variação ao longo do dia e noite e das estações do ano, presença de organismos, variação de umidade, presença de luz, etc. O conjunto destes fatores é chamado de INTEMPÉRIES, e por isso sua ação sobre as rochas expostas, desagregando-as e desestruturando-as, é chamado intemperismo. 2. INTEMPERISMO FÍSICO O intemperismo físico é composto pelos processos que levam a fragmentação da rocha, sem modificação significativas em sua estrutura química ou mineralógica. Estas quebras podem se dar por vários processos: a) Variação de temperatura: as rochas são compostas por diversos minerais, que se dilatam e contraem de maneira diferente.. Quando vários minerais estão unidos na massa da rocha e são submetidos à variações de temperatura, se dilatam e contraem em direções e com intensidades diferentes. Este fenômeno cria tensões no corpo da rocha, levando à fadiga do material e seu fraturamento. Nas rochas máficas (de coloração escura, como o basalto) este processo é ainda mais intenso devido à maior absorção de calor. b) Crescimento de raízes: espécies pioneiras arbustivas e arbóreas podem exercer grandes pressões sobre as rochas, através do crescimento das raízes entre as fendas. Exemplos típicos desta força são os danos causados pelas raízes de algumas árvores ao calçamento e às fundações das construções. c) Gelo: apesar de não ser comum no clima atual do Brasil, a formação de gelo na água acumulada em fendas nas rochas também pode levar à sua fragmentação. A água no estado sólido ocupa um volume 10 % maior que no estado líquido. d) Precipitação de sais: de maneira semelhante, o acúmulo de porções de água ricas em sais em frestas e fendas na rocha, podem ocasionar seu fraturamento quando a água evapora e os sais começam a se cristalizar. O aumento de Área Superficial Específica (ASE) é a maior contribuição do intemperismo físico para o avanço do intemperismo químico e a pedogênese. 3. INTEMPERISMO QUÍMICO O intemperismo químico é o conjunto de reações que levam à modificação da estrutura dos minerais que compõem a rocha. Na natureza, é praticamente impossível separar o intemperismo físico do intemperismo químico, já que ocorrem quase simultaneamente. O intemperismo químico, entretanto, torna-se mais acelerado à medida em que o intemperismo físico avança, devido ao aumento de área superficial específica (ASE) dos minerais. Assim como o intemperismo físico, o químico ocorre porque as condições ambiente na superfície da crosta são bastante diferentes daquelas onde os minerais se formam. Os arranjos cristalinos das estruturas mineralógicas estão sempre tendendo para uma situação de maior equilíbrio com o ambiente. Entretanto, mesmo quando estas diferenças são muito grandes, estas reações ocorrem em uma velocidade bastante lenta, do ponto de vista humano. As principais reações são: a) HIDRATAÇÃO:É a primeira reação a ocorrer, não mudando a estrutura do mineral, mas servindo como um pré requisito para a hidrólise, daí sua importância. CaSO4 + H2O CaSO4.2H2O (anidrita) (gipsita) b) SOLUÇÃO: É a reação através da qual os íons das estruturas cristalinas passam para a solução, gerando perdas e ganhos locais. O depósito final destes íons é o oceano, mas seu acúmulo em algum local neste trajeto (que pode durar séculos) pode gerar depósito geológicos, como as minas de potássio em Shaskatown, no Canadá. c) HIDRÓLISE: É a reação do H +1 e o OH -1 da dissociação da água com os minerais, rompendo as ligações silício/metais da sua estrutura. O H +1 substitui o metal, colapsando a estrutura e desintegrando-a. É uma reação tão importante para silicatos e carbonatos, que baseado na intensidade desta reação no solo, associado com a lixiviação, são propostos três estádios de dessilicação. Estes estádios são usados como indicadores do grau de intemperismo que determinado solo sofreu. São eles: 1) DESSILICAÇÃO fraca: Típica de ambientes com drenagem lenta, impedida, podendo existir aporte de silício por fluxos laterais. Os argilominerais predominantes são do tipo 2:1. É frequente em regiões semi-áridas. No Rio Grande do Sul ocorre na região da campanha, originando Vertissolos. 2) DESSILICAÇÃO média: É a mais frequente nos trópicos, originando solos cauliníticos, predominando, portando, minerais 1:1. É a que predomina nos solos gaúchos com aptidão para agricultura. 3) DESSILICAÇÃO forte: a DESSILICAÇÃO e LIXIVIAÇÃO são bastante intensas, ou atuaram durante um longo tempo sem que houvesse um rejuvenescimento do solo pelo aporte de material. Os argilominerais predominantes são a Gibsita (óxido de Alumínio) e Hematita e Goethita (óxidos de Ferro). É típico no Brasil central, originando Latossolos gibbsíticos. d) OXIDAÇÃO E REDUÇÃO: É o processo de transferência de elétrons, onde o íon receptor de elétrons é reduzido (porque têm seu número de oxidação diminuído) e o que doa o elétron é oxidado. Sua importância em solos se refere principalmente ao Ferro e Manganês, no caso da gênese, e o Nitrogênio, para a fertilidade. Em situações particulares, como descarte de resíduos em solos, outros elementos também são o importantes, como o Cromo. A importância se deve à mudança de comportamento do íon com a alteração do número de oxidação. Assim, o Fe +2 (íon ferroso) é muitíssimo mais solúvel que o Fe +3 (íon ferríco), e pode ser removido do ambiente por solução. Nos minerais primários, o Fe encontra-se geralmente reduzido (Fe +2 ), e sua oxidação pode causar a desestruturação do mineral. e) COMPLEXAÇÃO: É a ligação de um íon metálico com um composto orgânico, podendo aumentar a solubilidade do metal. Quando o composto se liga ao metal formando um anel, chama-se QUELATO (do grego KELA = pinça). Este último tipo de ligação também aumenta a solubilidade do metal. Os compostos orgânicos resultantes do metabolismo anaeróbios são os mais abundantes em moléculas formadores de quelatos, favorecendo a saída da de metais no ambiente. 4. INTEMPERISMO BIOLÓGICO Neste tipo os processos de intemperismo são causados por organismos. O papel dos organismos é determinado pela sua capacidade de assimilar vários elementos da rocha em processo de alteração e, de produzir em seu metabolismo agente químicos, como por exemplo, os ácidos orgânicos. Os primeiros estágios de decomposição biológica de rochas são associados com microorganismos (fungos e bactérias) que “preparam” a rocha para o ataque químico seguinte promovido por liquens, algas e musgos, sendo os últimos estágios associados com vegetais superiores. Os restos orgânicos de animais e plantas são atacados por microorganismos, sendo que, na ausência de oxigênio aqueles vão constituir um complexo orgânico conhecido como húmus. O húmus vai atuar como um ácido orgânico fraco, favorecendo a decomposição de silicatos por deslocamentos de cátions. UNIDADE IX: ROCHAS As rochas são divididas em três grupos principais, levando-se em conta a sua origem: (a) rochas ígneas ou magmáticas; (b) rochas sedimentares e (c) rochas metamórficas. 1. ROCHAS ÍGNEAS As rochas ígneas ou magmáticas formaram pelo resfriamento e solidificação de uma massa quente e fluída conhecida como magma. Com o resfriamento, cada mineral cristaliza a medida que alcança seu ponto de supersaturação, que ocorre em média entre 1300 e 600 C. Em geral, os minerais escuros e os que contém menores quantidades de sílica cristalizam mais precocemente, com os minerais mais ricos em sílica cristalizando por último. Assim, entre os minerais mais comuns, a ordem de cristalização é em primeiro lugar alguns minerais acessórios como o zircão, ilmenita e hematita, depois os ferromagnesianos (piroxênios e anfibólios), acompanhados pelos plagioclásios, e por fim o ortoclásio e o quartzo. Essa sequência é conhecida como série de reação de Bowen: Temperatura olivina piroxênio hornblenda biotita (feldspato-K, quartzo) plagioclásio-Ca plagioclásio-Na Além de mostrarem uma ampla variação na composição química e mineralógica, derivada principalmente da composição química do magma original, as rochas ígneas também apresentam variação no tamanho dos minerais constituintes, o que é determinado pela velocidade de resfriamento do magma. Esse fator é fundamental na distinção de dois tipos de rochas magmáticas: as rochas ígneas intrusivas ou plutônicas e as rochas ígneas extrusivas ou vulcânicas. Nas rochas intrusivas ou plutônicas o magma situado a uma profundidade considerável na crosta terrestre resfria muito vagarosamente, oportunizando uma lenta cristalização das partículas minerais, que assim podem crescer atingindo maiores tamanhos, resultando em uma rocha com textura fanerítica (com minerais visíveis a olho nu). No caso das rochas vulcânicas o magma extravasa sobre a superfície terrestre (lava), com seu resfriamento e solidificação progredindo muito rapidamente, não dando tempo para as partículas minerais crescerem, formando uma rocha de granulação fina, com textura afanítica (com minerais pequenos não reconhecíveis a olho nu); as vezes, o resfriamento é tão rápido que não permite que o sólido obtenha uma ordenação atômica tridimensional sistemática, formando vidro vulcânico, material amorfo. Em alguns casos, o resfriamento se dá em duas fases, uma mais lenta, que permite a formação de alguns cristais grandes (fenocristais), seguida de uma fase de resfriamento mais rápida, formando cristais pequenos; disso resulta uma textura chamada pórfira, se a massa de minerais mais finos for afanítica, ou porfirítica, se a massa mais fina for fanerítica e uniforme. Um outro grupo de rochas magmáticas pode também ser distinguido, chamado de rochas hipoabissais, de textura mais fina que as plutônicas e mais grossa do que as vulcânicas, que se forma próximo a superfície da Terra, e que se apresenta sob a forma de diques ou “sills”. As rochas ígneas são classificadas quanto ao teor de SiO2 em ácidas (>63% SiO2), intermediárias (52-63% SiO2), básicas (45-52% SiO2) e ultrabásicas (<45% SiO2). Quanto à cor as rochas são classificadas em félsicas (ricas em minerais claros como quartzo e feldspatos), máficas (ricas em minerais escuros como piroxênios e anfibólios) eultramáficas (>90% de minerais máficos). A nomenclatura oficial das rochas ígneas é baseada na proporção em volume dos seus minerais constituintes, o que origina uma série muito grande de nome de rochas. Na Tabela 3.7 é apresentada uma classificação simplificada das rochas ígneas, indicando a origem, a textura, o teor de sílica, a cor e a composição mineralógica. Tabela 3.7. Classificação das rochas ígneas conforme a origem, composição mineralógica e o teor de sílica. Composição mineralógica Feldspato K Quar tzo Plagioclásio Piroxênio AnfibólioBiotita Olivina Origem Textura Extru- sivas Piroclástica (explosiva) Tufo (gr. média e/ou fina) / brecha (gr. grossa) vulcânica Vítrea (resfriam. m. rápido) Obsidiana (maciça) / Púmice (porosa) Afanítica (resfriam. rápido) Traquito Riolito Dacito Andesito Basalto Komatiito Intru- sivas Fanerítica (resfriam. lento) Sienito Granito Grano- diorito Diorito Gabro Peridotito Propriedades Claras e leves Intermediárias Escuras e pesadas % SiO2 Intermed. Ácidas Intermediárias Básicas Ultrabásicas 63 52 45 Mg-Fe Na+K Ca Ca 2. ROCHAS SEDIMENTARES As rochas sedimentares tem por origem a alteração (intemperização) de rochas pré- existentes e a erosão, o transporte e a deposição dos sedimentos produzidos. A deposição ocorre em áreas de acumulação, normalmente pela ação da água, e menos freqüentemente pela ação de geleiras e pelo vento. Conforme a origem dos materiais, as rochas sedimentares podem ser classificadas em clásticas, quando resultam de deposição mecânica, químicas, quando provém de precipitação de soluções por intermédio de algum processo químico (por exemplo, o aumento da concentração até atingir o produto de solubilidade pela evaporação da água), ou orgânicas, pelo acúmulo de restos orgânicos. Como característica principal as rochas sedimentares tendem a adquirir uma estrutura estratificada ou em camadas devido ao processo de deposição e/ou devido ao processo posterior de soterramento do sedimento, a partir do qual os sedimentos inconsolidados vão gradualmente se convertendo em uma rocha dura (processo de diagênese: compactação, cimentação e recristalização). As rochas sedimentares clásticas são primariamente classificadas levando em conta o tamanho das partículas componentes (argila, silte, areia e > 2mm), e secundariamente em função da composição mineralógica e de outras características (por exemplo, estrutura). Por outro lado, as rochas sedimentares químicas e orgânicas são classificadas principalmente em função da composição mineralógica, sendo subdivididas com base na granulação e outras características (Tabela 3.8). Tabela 3.8 Classificação simplificada das rochas sedimentares, levando em conta a origem, a composição mineralógica e outras características. Tipo Granulação Componentes Nome C L Á S T IC A S Grossa (> 2mm) Fragmentos arredondados Conglomerado Rudáceas Fragmentos angulares Brecha Média (1/16 – 2 mm) Qz, <25% Fd Arenito Arenáceas Qz, >25% Fd Arcósio Qz, <25% FR Arenito lítico >25% Finos, Qz, FR, Fd Grauvaca Fina (1/256 – 1/16 mm) Qz e argilominerais Siltito Argiláceas ou Pelíticas Muito fina (< 1/256 mm) Qz e argilominerais Argilito Qz e argilominerais com fissilidade Folhelho Q U ÍM IC A S Fina a grossa Calcita, aragonita Calcário Podem ser em parte clásticos e orgânicos Dolomita, calcita Dolomito Fina a criptocristalina Qz, opala, calcedônia Sílex Podem ser em parte orgânicos Apatita, colofana Fosforito Fina a grossa Halita, silvita, gesso, magnesita Evaporitos Hematita, siderita, pirita Rochas ferruginosas O R G Â N IC A S Fina Opala (carapaças silicosas) Diatomitos Detritos vegetais humificados 55-65% carbono Turfa Rochas Carbonosas 65-75% carbono Linhito 75-90% carbono Carvão >90% carbono Antracito Folhelho + hidrocarbonetos Folhelho betuminoso Rochas Oleígenas Hidrocarbonetos Sólido Asfalto Líquido Petróleo Gasoso Gás natural Qz: quartzo; Fd: feldspato; FR: fragmentos de rochas . ROCHAS METAMÓRFICAS As rochas ígneas ou sedimentares, por movimentos da crosta terrestre (ligados principalmente aos deslocamentos das placas tectônicas), podem ser levadas a partes mais profundas da crosta, onde encontram pressões extremas, acompanhadas geralmente por temperaturas elevadas. Nesse ambiente, os minerais, sem sofrerem fusão, recristalizam-se e deformam-se (quebram-se ou achatam-se), arranjando-se paralelamente à direção dos esforços, dando a rocha um aspecto laminar (xistosidade) ou bandado, que é característico das rochas metamórficas. Na classificação das rochas metamórficas considera-se a presença e o tipo das feições planares (bandas e xistosidade), a composição mineralógica, a origem e a granulação (Tabela 3.9). Tabela 3.9. Classificação simplificada das rochas metamórficas de acordo com a estrutura, composição mineralógica, origem e granulação. Estrutura Granu- lação Composição Nome Rocha derivada Parâmetros do metamorfismo F O L IA D A S C o m x is to si d ad e Muito fina C l o r i t a M u s c o v i t a B i o t i t a Q u a r t z o F e l d s p a t o A n f i b ó l i o P i r o x ê n i o ( c l á s t i c o ) ( c l á s t i c o ) ( c l á s t i c o ) Ardósia (1) Sedimentares pelíticas (1) e Ígneas Básicas (2) M et am o rf is m o R eg io n al T em p er at u ra P re ss ão o ri en ta d a Fina Filito (1) Média a grossa Xisto (1, 2) Bandas claras e escuras Média a grossa Gnaisse (para-) (1) (orto-) (2,3) Granitos (3) N Ã O F O L IA D A S H o m o g ên ea Grossa Variada (conforme a origem) Meta- conglomerado Conglomerado Metamorfismo regional ou de contato temp. e pressão variáveis Média a grossa Quartzo Quartzito Arenito Fina a grossa Calcita e/ou dolomita Mármore Calcário Plagioclásio e anfibólio Anfibolito Ígneas básicas Rocha pelítica c/porfiroblastos de cordierita e andalusita Hornfel Variada Met. Contato, baixa pressão Bandas Média a grossa Quartzo, feldspato, granada e/ou piroxênio Granulito Variada Alta temp. e pressão UNIDADE X: NOÇÕES BÁSICAS DE GEOLOGIA 1. ESTRATIGRAFIA E TEMPO GEOLÓGICOA geologia como ciência procura decifrar a história geral da Terra, desde o momento em que se formaram as rochas até o presente. A seqüência e a cronologia dos eventos que modificaram a Terra são evidenciadas pelo estudo da estratigrafia das rochas, que procura determinar suas idades relativas, estabelecendo a sucessão das formações rochosas e os hiatos e lacunas que porventura ocorreram entre essas formações (discordâncias). O raciocínio fundamental que norteia essa reconstituição é o chamado “Princípio do Uniformitarismo”, que diz que o presente é a chave do passado, ou seja, durante o passado da Terra as rochas foram formadas e destruídas, física ou quimicamente, da mesma maneira como acontece atualmente. As relações estruturais existentes entre as rochas ajudam a estabelecer uma cronologia relativa. Assim, um corpo ígneo intrusivo é mais jovem do que as rochas cortadas por ele, bem como uma camada sedimentar, ou de um derrame vulcânico, é mais jovem do que os estratos de rochas sobre os quais se assentam e mais antiga do que os que as recobrem. Por outro lado, o estudo da radioatividade permitiu o desenvolvimento de métodos de datação absolutos, baseados na descoberta de que alguns elementos se transformam em outros, alguns em frações de segundos e outros em milhares de anos, a um ritmo de transformação (meia-vida) constante, independente das condições de temperatura e pressão. Por exemplo, o isótopo de K de peso atômico 40 se transforma em Ar de peso atômico 40 a uma meia vida de 1,3 bilhões de anos; dessa forma, como essa transformação se processa uniformemente desde os primórdios da formação da Terra, quanto mais antigo for o mineral potássico (micas, feldspatos e anfibólios) maior deve ser a quantidade de Ar 40 em relação ao K 40, assumindo que Ar algum, que é um gás, não tenha escapado de dentro da estrutura do mineral. Esse e outros métodos, como do U- Pb e do Rb-Sr, permitiram o estabelecimento da escala geológica do tempo (Tabela 3.10) de forma absoluta, permitindo a amarração dos diversos eventos geológicos e da estratigrafia das rochas de uma determinada região. Tabela 3.10. Escala geológica do tempo (em milhões de anos). Época Período Era Eon Recente Quaternário C en o zó ic o F an er o zó ic o Homem, glaciações no Hemisfério Norte 0,01 Pleistoceno 1,6 Plioceno Terciário 5,3 Mioceno 24,0 Oligoceno 37,0 Eoceno 57,0 Mamíferos Paleoceno 66,0 Cretáceo M es o zó ic o Angiospermas, abertura Oceano Atlântico 144 Jurássico Apogeu dos dinossauros e primeiras aves 208 Triássico Dinossauros 245 Permiano P al eo zó ic o 286 Carbonífero Anfíbios 360 Devoniano Insetos 408 Siluriano Plantas terrestres 438 Ordoviciano Peixes 505 Cambriano 570 Crustáceos e corais P ro te ro zó ic o 2500 A rq u ea n o Bactérias e algas verde-azuladas Rochas mais antigas 2. GEOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL O estado do Rio Grande do Sul apresenta quatro grandes províncias geomorfológicas (Figura 3.2), relacionadas a origens geológicas distintas. O Escudo Sulriograndense, localizado na parte centro-sul do estado, apresenta as rochas mais antigas, com idades que vão desde o cambriano até provavelmente o arqueano, distribuídas em relevos ondulados a forte ondulados desde aproximadamente 100m até 400m de altitude, representando o embasamento cristalino. Compreende uma área geologicamente muito complexa: várias suites de rochas ígneas plutônicas, de composição principalmente granítica, algumas intimamente associadas a rochas metamórficas de alto grau como gnaisses (terrenos granito-gnáissicos), e algumas faixas de rochas metamórficas diversas (xistos, filitos, quartzitos, mármores, anfibolitos, gnaisses, etc), recobertas seqüências de rochas sedimentares (conglomerados, arenitos e siltitos) e vulcânicas (riolitos, andesitos e tufos vulcânicos) do final do Paleozóico. A Depressão Periférica é uma área de rochas sedimentares que se apresenta circundando o Escudo Sulriograndense. Apresenta relevos ondulados a suave ondulados (coxilhas) e altitudes médias entre 40 e 100m. Geologicamente, ela faz parte de uma grande bacia sedimentar conhecida como bacia do Paraná, que se estende até o norte do estado de São Paulo e sul do Mato Grosso do Sul. Sua sedimentação, denominada de gondwânica em alusão ao supercontinente que existia antes do surgimento do Oceano Atlântico e separação entre a América e a África, começou no início do Permiano, em um ambiente continental com evidências de deposição glacial (Grupo Itararé: conglomerados do tipo tilito, arenitos e siltitos do tipo varvito), passando a um ambiente costeiro (Formação Rio Bonito: arenitos, siltitos e carvão; Formação Palermo: siltitos) e após a marinho de águas rasas (Formações Irati: folhelhos com lentes calcárias; Estrada Nova: folhelhos e arenitos muito finos); retornou então a sedimentação em um ambiente costeiro (Formação Rio do Rasto: siltitos e arenitos), passando a fluvial (Formação Rosário do Sul: arenitos, siltitos e argilitos) e após a desértico (Formação Botucatu: arenitos eólicos) no período Jurássico. CONVENÇÕES Planície Costeira Planalto Depressão Central Escudo Sul-Rio-Grandense Figura 3.2. Províncias geomorfológicas do estado do Rio Grande do Sul (Carraro et al., 1974). O Planalto é formado por uma sucessão de derrames de rochas vulcânicas, que se apresentam em um relevo tendendo a tabular, muito escavado em alguns pontos formando escarpas e vales profundos (zona da serra). Situa-se na porção nordeste do estado a altitudes de até 1000m, gradualmente caindo até menos de 100m na porção oeste do estado, na zona da Campanha. Essa manifestação vulcânica de grande porte, datada do Cretáceo, interrompeu a sedimentação da Bacia do Paraná, tendo sua origem conexão com a abertura do Oceano Atlântico e separação do supercontinente Gondwana, que deu origem aos continentes da América do Sul e África. De modo geral, os primeiros derrames apresentam composição basáltica e os últimos composição riolítica, com termos intermediários de composição dacítica. Por isso, na porção nordeste do estado se encontram os derrames basálticos nas cotas mais baixas, formando as bases e encostas dos morros, e os derrames riolíticos nas cotas mais altas, geralmente acima de 700-800m. Por outro lado, na parte oeste do estado predominam as rochas basálticas. A Planície Costeira, situada em cotas baixas (menos de 40m de altitude), é formada por sedimentos inconsolidados (areias, silte e argilas) do período Quaternário. Sua sedimentação é de ambiente costeiro sob influência de eventos de transgressão e regressão marinhas, que formaram ambientes praiais, com lagunas e cordões arenosos, e marinho de águas rasas. Em realidade, os sedimentos da Planície Costeira compõem a parte emersa de uma bacia sedimentar bem maior, chamada Bacia de Pelotas, originada com a separação do Gondwana e formação do Oceano Atlântico. Seus sedimentos atingem a espessura de 8000m na parte mais espessa e sua área se estende até aproximadamente a isóbata de 200m.