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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
(ESPECIALIZAÇÃO) A DISTÂNCIA
PROCESSO E CONTROLE DE QUALIDADE DE
PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL (PCQ)
MICROBIOLOGIA DA SEGURANÇA DE
ALIMENTOS
Luís Roberto Batista
Universidade Federal de Lavras - UFLA
Lavras – MG
2014
Microbiologia da Segurança de Alimentos
Ficha Catalográfica preparada pela Divisão de Processos
Técnicos da Biblioteca Central da UFLA
Microbiologia da Segurança de Alimentos
Governo Federal
Presidente da República: Dilma Vana Rousseff
Ministro da Educação: José Henrique Paim Fernandes
Universidade Federal de Lavras
Reitor: José Roberto Soares Scolforo
Vice-Reitora: Édila Vilela Resende von Pinho
Pró-Reitora de Pós-Graduação: Alcides Moino Júnior
Pró-Reitor Adjunto Lato Sensu: Daniel Carvalho de Rezende
Centro de Educação a Distância
Coordenador Geral: Ronei Ximenes Martins
Coordenador Pedagógico: Warlley Ferreira Sahb
Coordenador de Projetos: Daniel Carvalho de Rezende
Coordenadora de Apoio Técnico: Fernanda Barbosa Ferrari
Coordenador de Tecnologia da Informação: André Pimenta Freire
Coordenador(a) de Curso:
Processamento e Controle de Qualidade de Produtos de Origem Animal – PCQ
- Luiz Ronaldo de Abreu
Microbiologia da Segurança de Alimentos
SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 1
2 - PAPEL E SIGNIFICADO DOS MICRORGANISMOS NA NATUREZA E NOS ALIMENTOS 4
3 - PARÂMETROS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS DOS ALIMENTOS QUE INFLUENCIAM
O CRESCIMENTO DOS MICRORGANISMOS ................................................................................ 7
4 - MICRORGANISMOS INDICADORES ....................................................................................... 29
4.1 COLIFORMES ............................................................................................................................. 30
4.2 AERÓBIOS MESÓFILOS .......................................................................................................... 31
4.3 ENTEROCOCOS ........................................................................................................................ 32
4.4 OUTROS INDICADORES .......................................................................................................... 33
5 - DETERIORAÇÃO, INCIDÊNCIA E TIPOS DE MICRORGANISMOS ASSOCIADOS A
ALIMENTOS ...................................................................................................................................... 34
5.1 MICROBIOLOGIA DO LEITE .................................................................................................... 35
5.2 MICROBIOLOGIA DA CARNE .................................................................................................. 56
5.3 MICROBIOLOGIA DE PESCADOS, CRUSTÁCEOS E MOLUSCOS .................................. 73
5.4 CONTAMINAÇÃO E ALTERAÇÃO DOS OVOS ..................................................................... 77
6 - FUNGOS DETERIORADOS, TOXIGÊNICOS E MICOTOXINAS EM ALIMENTOS ............. 97
6.1 FUNGOS DETERIORADORES E TOXIGÊNICOS EM ALIMENTOS .................................... 98
6.2 PRINCIPAIS MICOTOXINAS ESTUDADAS EM ALIMENTOS ............................................ 100
6.3 FUNGOS MICOTOXIGÊNICOS E DETERIORADORES EM ALIMENTOS -
IDENTIFICAÇÃO MORFOLÓGICA E POR TÉCNICAS MOLECULARES ............................... 104
7 - BIOFILMES MICROBIANOS NA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS .......................................... 107
7.1 BIOFILMES MICROBIANOS NA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS ......................................... 108
8 - LEGISLAÇÃO ............................................................................................................................ 112
8.1 LEGISLAÇÃO ........................................................................................................................... 113
9 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................ 208
Microbiologia da Segurança de Alimentos
1
1 - INTRODUÇÃO
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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Toda vida humana é vivida em contato com microrganismos. Muitas
espécies colonizam o corpo, o trato digestivo e os orifícios naturais. A flora
bacteriana normal do intestino (também chamada microbiota) é tão grande, em
número, que perto da metade do peso seco das fezes é representada por
bactérias. A saúde e o bem-estar humanos são influenciados pela presença ou
ausência de microrganismos no ambiente.
Os alimentos podem ser veículos de transmissão de diversos
microrganismos e metabólitos microbianos, alguns deles patógenos para o
homem. Segundo sua procedência mais frequente é possível agrupar estes
microrganismos do seguinte modo: a) de origem endógena, estando presentes
nos alimentos antes de sua obtenção, b) de origem exógena, que chegam aos
alimentos durante sua obtenção, transporte, industrialização, conservação, etc.
As primeiras evidências potenciais da presença de microrganismos em
alimentos foram sugeridas pelas observações de Kircher, em 1658, que relatou
a presença de "vermes" em carnes decompostas, seguidas pelas experiências
de Spallanzani, em 1765, que comprovaram que infusão de carne, aquecida
durante 1h e convenientemente cerrada, permanecia por longo tempo sem se
deteriorar.
Uma notável contribuição para o avanço das técnicas de preservação de
alimentos foi dada por Nicholas Appert, um confeiteiro francês que, em 1809,
desenvolveu, ainda que de forma incipiente, os primeiros produtos cárneos
envasados em garrafas e preservados pelo aquecimento, por períodos
variáveis, em água em ebulição. Embora os trabalhos de Appert representem
um marco no desenvolvimento de tecnologia do enlatamento, eles não
oferecem uma contribuição direta para a Microbiologia, uma vez que este autor
não era propriamente um cientista e, portanto, desconhecia por completo o
papel dos microrganismos nos alimentos.
Na verdade, a exemplo do que ocorreu em outras áreas da Microbiologia,
também na de alimentos, o primeiro pesquisador a apreciar e compreender a
presença e papel dos microrganismos foi Louis Pasteur. Este notável cientista,
em 1837, demonstrou que a acidificação do leite era provocada por
microrganismos e, em 1860, conseguiu assegurar a preservação do vinho e
cerveja por meio de um tratamento térmico suave, processo este que,
posteriormente, passou a denominar-se pasteurização.
A partir das pesquisas pioneiras de Pasteur e, particularmente, nas
últimas décadas do século XX, o conhecimento na área de Microbiologia de
Alimentos experimentou um avanço muito acentuado.
Atualmente á uma preocupação tanto do setor público como do setor
privado na elaboração de alimentos seguros, com o desenvolvimento de ações
de segurança higiênico-sanitárias, promovendo a inocuidade dos alimentos e
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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com risco mínimo à saúde dos consumidores. O termo Alimentos Seguros
significa garantia do consumo alimentar seguro no âmbito da saúde coletiva, ou
seja, são produtos livres de contaminantes de natureza química, biológica,
física ou de outras substâncias que possam colocar em risco a saúde. A
Segurança Alimentar é a garantia de acesso ao consumode alimentos e
abrange todo o conjunto de necessidades para a obtenção de uma nutrição
adequada à saúde. A Segurança Alimentar é uma questão contínua e que deve
ser eficazmente enfocada com pesquisas das propriedades rurais ao
consumidor. No âmbito internacional, a segurança alimentar e por
consequência a produção de alimentos seguros é preconizada por organismos
em entidades como Organização Mundial para Agricultura e Alimentação (FAO)
e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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2 - PAPEL E SIGNIFICADO DOS
MICRORGANISMOS NA NATUREZA
E NOS ALIMENTOS
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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A natureza e a grandeza das atividades metabólicas dos microrganismos
são tais que, com frequência, produzem-se alterações no meio ambiente. As
modificações iniciais são transformações no substrato, seguidas pela depleção
de nutrientes e a produção de compostos terminais. Os microrganismos podem
elaborar substâncias inadequadas para ulterior utilização, embora possam ser
usadas por outras espécies.
Os microrganismos que habitam um ecossistema exibem diferentes tipos
de associações ou interações. Algumas das associações são neutras ou
indiferentes; outras são benéficas ou positivas; outras, ainda, são prejudiciais
ou negativas. À medida que cada tipo de associação foi elucidado ou
esclarecido, receberam eles um rótulo descritivo específico. Pode-se imaginar,
no entanto, que muitas dessas associações não podem ser nitidamente
enquadradas em categorias definidas. Além disso, e de modo inesperado, há
alguma confusão e contradição no uso dos termos adequados. A palavra
simbiose, por exemplo, assim como foi proposto inicialmente, referia-se à "vida
em conjunto de organismos diferentemente denominados"; o termo era, pois,
usado de modo genérico. Mais tarde, a palavra simbiose passou a ter um
significado mais específico, ou seja, uma associação na qual ambos os
organismos tinham benefícios (ex.: a fixação simbiótica do nitrogênio).
Correntemente, a tendência é a de se usar a denominação tal como foi
originalmente introduzida: uma condição na qual os indivíduos de uma espécie
vivem em estreita associação com indivíduos de outra espécie.
A microbiota dos alimentos consiste de microrganismos associados com
materiais crus, aqueles adquiridos durante manuseio e processamento, e
aqueles sobreviventes de tratamentos de preservação e estocagem.
Visto que os microrganismos não surgem por geração espontânea, eles
contaminam os alimentos em qualquer estágio de produção, lavagem,
manuseio, processamento, estocagem, distribuição ou preparo para consumo.
A maioria dos alimentos está sujeita a numerosas fontes potenciais de
microrganismos.
As fontes potenciais de contaminação são: solo, água, ar, plantas, rações
ou fertilizantes, animais, seres humanos, águas de esgoto, equipamentos
usados em processamento, ingredientes, produto para produto e embalagens.
Tornando assim a higienização uma etapa essencial para a inocuidade dos
alimentos.
Os microrganismos podem ser trocados entre estas fontes. Por exemplo:
animais contaminam o solo com fezes, a chuva leva os microrganismos para os
córregos e rios, a água pode ser usada para irrigação e contaminar plantas
usadas como alimento. Assim, apesar de a água ser a portadora dos
microrganismos, estes vieram originalmente dos animais.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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Em alguns alimentos é difícil determinar quais dos microrganismos da
microbiota são contaminantes e quais são resultantes de multiplicação sobre
ou dentro dos alimentos.
O papel dos microrganismos nos alimentos pode ser visto sob dois
aspectos: aspectos negativos ou adversos ao homem e aspectos positivos ou
benéficos ao homem.
ASPECTOS NEGATIVOS OU ADVERSOS AO HOMEM
a contaminação das matérias-primas e dos alimentos por
microrganismos deterioradores. Contra esta contaminação se têm
estabelecido regras higiênicas e normas para a preservação.;
a veiculação de agentes patógenos e toxigênicos por matérias-primas e
alimentos elaborados;
a veiculação de toxinas, bactérias e micotoxinas termorresistentes a
partir da matéria-prima para os alimentos elaborados.
ASPECTOS POSITIVOS OU BENÉFICOS PARA O HOMEM
as fermentações, entre elas destacam-se as alcoólicas, a lática, a
acética e a propiônica;
as sínteses anabólicas, entre elas a produção de proteínas, produção
de aminoácidos essenciais e ácido glutâmico; a produção de ácidos
orgânicos (cítrico ou glucônico), vitaminas do grupo B, antibióticos, etc.;
alimentos funcionais e probióticos.
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3 - PARÂMETROS INTRÍNSECOS E
EXTRÍNSECOS DOS ALIMENTOS
QUE INFLUENCIAM O
CRESCIMENTO DOS
MICRORGANISMOS
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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Tanto na natureza como no laboratório, o crescimento de populações
bacterianas se torna limitado, seja pela exaustão de nutrientes disponíveis, seja
pelo acúmulo de substâncias tóxicas. Como essas mudanças no ambiente
decorrem do crescimento das próprias bactérias, o desenvolvimento de
populações bacterianas é autolimitado. As culturas crescem exponencialmente
apenas por um curto período; eventualmente, o crescimento cessa e a morte
da população sobrevém.
A história de qualquer cultura bacteriana reflete a interação entre a
população de células em crescimento e o ambiente, a qual se altera em
consequência do crescimento bacteriano. O curso do desenvolvimento de uma
cultura é influenciado por fatores, como o estado fisiológico das células
utilizadas para o inóculo, a composição do meio e as condições de incubação.
Curva de Crescimento
Quando os microrganismos chegam aos alimentos, se as condições são
favoráveis iniciam sua multiplicação e crescimento, que passam por uma série
de fases sucessivas. Se realizarmos contagens microbianas periódicas e
expressarmos os resultados como logaritmo do número de microrganismos por
mililitro, representando graficamente em ordenadas e as unidades de tempo
em abscissas, obtém-se uma curva de crescimento semelhante à representada
na Figura 3.1. Nesta curva observa-se que há um período inicial no qual não
parece haver crescimento, seguido por um rápido aumento da população, que
se nivela posteriormente e declina quanto ao número de células viáveis. Entre
cada uma dessas fases há um período de transição (porção encurvada),
representando o tempo necessário para que as células entrem em uma nova
fase, o que é típico de todos os organismos que são transferidos para um meio
de cultura novo. Vejam o que acontece com as células bacterianas durante
cada um dos citados períodos.
FIGURA 3.1 Curva de crescimento dos microrganismos
Organismos
móveis Log 10/ml
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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fase lag ou de adaptação (A): durante a qual quase não existe crescimento
ou, inclusive, diminui o número de germes. Intensa atividade metabólica;
fase log ou exponencial (B): durante a qual o ritmo de crescimento é máximo
e constante;
fase máxima estacionária (C): em que o número permanece constante;
fase de declínio ou morte (D): durante a qual o número de germes decresce a
ritmos constantes.
Lag-phase (fase lag)
A adição do inóculo a um novo meio de cultura não é seguida pela
duplicação da população, de acordo com o tempo de geração. Em vez disso, a
população permanece temporariamente inalterada, como se mostra na curva
de crescimento normal. Mas o fato não significa que as células estejamem
repouso ou dormentes; ao contrário, durante esta etapa as células aumentam
de tamanho, além de suas dimensões normais. São fisiologicamente muito
ativas e estão sintetizando novo protoplasma. As bactérias, no novo meio de
cultura, podem ser deficientes em enzimas ou coenzimas, que devem ser
sintetizadas, primeiro, em quantidades suficientes para o funcionamento ótimo
da maquinaria química da célula. Os ajustes relativos ao ambiente físico ao
redor da célula podem exigir tempo. Os organismos estão metabolizando, mas
há uma fase lag no processo de divisão.
Ao fim da fase lag, cada organismo se divide. No entanto, como nem
todos os indivíduos completaram sua etapa lag simultaneamente, ocorre um
aumento gradual da população até o término dessa fase, quando todas as
células passam a ter capacidade de divisão, em tempos regulares.
Fase logarítmica ou exponencial
Durante este período, as células se dividem firmemente, num ritmo
constante e o logaritmo do número de células relacionado com o tempo resulta
numa linha reta. Em condições apropriadas, o ritmo de crescimento é máximo
durante esta fase. A população é grandemente uniforme, em termos de
composição química, atividade metabólica e outras características fisiológicas.
Fase estacionária
A fase do crescimento começa a diminuir depois de várias horas, outra
vez de forma gradual, representada por uma curva de transição entre uma linha
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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reta (fase logarítmica) e outra, que é a fase estacionária. Esta tendência para o
fim do crescimento pode ser atribuída a uma série de circunstâncias,
particularmente à exaustão de alguns nutrientes e, com menos frequência, à
produção de produtos tóxicos. A população permanece constante durante
certo tempo, talvez como resultado do término das divisões ou do equilíbrio
entre o ritmo de reprodução e o equivalente ritmo de morte.
Fase de declínio ou morte
Depois do período estacionário, as bactérias podem morrer mais
rapidamente do que a produção de novas células, se, de fato, algumas
bactérias ainda estiverem reproduzindo-se.
Indubitavelmente, várias condições contribuem para a morte bacteriana,
mas as mais importantes são a depleção de nutrientes essenciais e o acúmulo
de substâncias inibidoras, tais como os ácidos. Durante a fase de morte, o
número de células viáveis decresce geometricamente (exponencialmente), em
essência, o inverso do crescimento durante a fase log. As bactérias morrem em
velocidades diferentes, tal como se comportam em relação ao crescimento.
Algumas espécies de cocos gram-negativos morrem muito rapidamente, de
modo que podem restar algumas poucas bactérias vivas após 72 horas ou
menos de incubação. Outras, porém, morrem tão lentamente que há células
viáveis depois de meses até anos.
Fatores
Os microbiologistas de alimentos necessitam conhecer os fatores que
influenciam no crescimento microbiano. São necessárias para a fermentação,
enumeração ou a produção de proteínas unicelulares, condições de
crescimento desejáveis. Na preservação dos alimentos são usadas condições
não desejáveis para o crescimento.
As condições que afetam o metabolismo e a multiplicação dos
microrganismos incluem nutrientes, água, pH, inibidores, oxigênio, luz,
temperatura, tempo, etc. Alguns organismos fazem parte do ambiente e podem
alterá-lo. Interações, como efeito de um organismo sobre o outro, são também
importantes.
Visto que nossos alimentos são de origem vegetal e animal, vale a pena
considerar as características dos tecidos vegetais e animais que influenciam o
crescimento dos microrganismos.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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Parâmetros intrínsecos
Os parâmetros que são parte inerente dos tecidos vegetais e animais
denominam-se “parâmetros intrínsecos”. Estes parâmetros são: pH, umidade,
potencial de oxidorredução, conteúdo de nutrientes, compostos antimicrobianos
e estruturas biológicas.
pH
O pH do alimento é um dos principais fatores intrínsecos capazes de
determinar o crescimento, sobrevivência ou destruição dos microrganismos
nele presentes. No estado natural, a maioria dos alimentos, como carnes,
pescados e produtos vegetais, é ligeiramente ácida. A maior parte das frutas é
bastante ácida e só alguns alimentos, como a clara do ovo, por exemplo, são
alcalinos.
a) Efeito sobre os microrganismos
Os microrganismos têm um pH mínimo, ótimo e máximo para crescimento
(Tabela 3.1). Muitas bactérias mostram um crescimento ótimo a pH próximo de
7,0, enquanto outros são favoráveis em ambiente ácido, provavelmente devido
à inibição de outros organismos, eliminando, portanto, competição microbiana.
As formas ácidas (Lactobacillus e Streptococcus) podem tolerar acidez
moderada, enquanto que tipos proteolíticos (Pseudomonas) podem crescer
em substratos moderadamente alcalinos. Em geral, fungos crescem melhor em
pH baixo do que leveduras e estas são mais tolerantes que bactérias. Bactérias
usualmente crescem melhor que leveduras em pH neutro ou levemente ácido,
mas a pH 5,0 ou menos, leveduras podem competir ou superar o crescimento
de bactérias.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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TABELA 3.1 Faixas de pH aproximado para crescimento microbiano
PH
ORGANISMO
Mínimo Ótimo Máximo
Bactérias (maioria) 4,5 6,5 - 7,5 9,0
Acetobacter 4,0 5,4 - 6,3 -
Bacillus subtilis 4,2 - 4,5 6,8 - 7,2 9,4 - 10,0
Clostridium botulinum 4,8 - 5,0 6,0 - 8,0 8,5 - 8,8
Clostridium perfringens 5,0 - 5,5 6,0 - 7,6 8,5
Erwinia catavora 4,6 7,1 9,3
Escherichia coli 4,3 - 4,4 6,0 - 8,0 9,0 - 10,0
Lactobacillus (maioria) 3,0 - 4,4 5,5 - 6,0 7,2 - 8,0
Leuconostoc cremoris 5,0 5,5 - 6,0 6,5
Leuconostoc oenos - 4,2 - 4,8 -
Pediococcus cerevisiae 2,9 4,5 - 6,5 7,8
Proteus vulgaris 4,4 6,0 - 7,0 8,4 - 9,2
Pseudomonas (maioria) 5,6 6,6 - 7,0 8,0
Salmonella (maioria) 4,5 - 5,0 6,0 - 7,5 8,0 - 9,6
Salmonella typhi 4,0 - 4,5 6,5 - 7,2 8,0 - 9,0
Salmonella choleraesuis 5,0 7,0 - 7,6 8,2
Staphylococcus aureus 4,0 - 4,7 6,0 - 7,0 9,5 - 9,8
Vibrio 5,5 - 6,0 - 9,0
Vibrio cholerae - 8,6 -
Vibrio parahaemolyticus 4,8 - 5,0 7,5 - 8,5 11,0
Leveduras 1,5 - 3,5 4,0 - 6,5 8,0 - 8,5
Hansenula - 4,5 - 5,5 -
Pichia 1,5 - -
Saccharomyces
cerevisiae
2,0 - 2,4 4,0 - 5,0 -
Mofos 1,5 - 3,5 4,5 - 6,8 8,0 - 11,0
Aspergillus niger 1,2 3,0 - 6,0 -
Penicillium 1,9 4,5 - 6,7 9,3
Os diferentes ácidos podem exercer um efeito inibitório ou letal sobre a
célula microbiana. Sabe-se que em condições ótimas de substrato, em meios
próximos à neutralidade, o pH interno da célula é aproximadamente 7,0. No
entanto, evidências experimentais têm demonstrado que o pH intracelular é
bastante afetado pelas variações externas (CORLETT Jr. & BROWN, 1980). O
efeito dos ácidos na destruição ou inibição microbiana pode ser devido à
concentração hidrogeniônica (nível de H+ livres) ou à toxicidade do ácido não
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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dissociado, a qual, por sua vez, será afetada pelo pH (GENIGIORGIS &
RIEMANN, 1979). Por outro lado, a acidificação do interior da célula poderá ser
devida à migração de íons H+ do meio externo para o interno, ou então à
dissociação das moléculas capazes de penetrar através das barreiras da
membrana celular. O primeiro passo, que ocorre principalmente no caso de
soluções ácidas fortes, irá depender fundamentalmente de uma elevada
concentração hidrogeniônica externa, afetando comparativamente muito menos
o pH intracelular do que soluções de ácidos orgânicos fracos (CORLETT Jr. &
BROWN, 1980).
Os ácidos orgânicos fracos e lipófilos, na forma não dissociada, são
facilmente solúveis na membrana celular, inibindoou destruindo
microrganismos pela interferência na sua permeabilidade, afetando o
transporte de substratos e a fosforilação oxidativa, bem como gerando a
inibição do sistema de transporte de elétrons e, finalmente, causando
acidificação do interior da célula, provavelmente a causa principal da sua
inibição ou destruição.
Alguns ácidos, ao se dissociarem no interior das células, liberam ânions
(por exemplo, lactato e citrato) que podem ser metabolizados, não havendo
interferência com as reações produtoras de energia; por outro lado, outros
ácidos, caso do fórmico e acético, são mais tóxicos, pelo fato de não apenas
liberarem H+ mas também pela atividade inibitória dos próprios ânions liberados
(CORLETT Jr & BROWN, 1980; HERSOM & HULLAND, 1980).
b) Alteração do pH pelos microrganismos
O ambiente influencia no crescimento dos microrganismos, assim como
os microrganismos influenciam no ambiente. Durante o crescimento produtos
metabólicos são formados. Estes podem ser tanto ácidos como alcalinos,
dependendo do substrato dos organismos envolvidos e do tempo de
crescimento. A reação inicial de muitos organismos é de produção de ácidos
por causa da quebra de carboidratos e da formação de ácidos orgânicos. A
alteração do pH pela produção de ácidos é usada nas indústrias de produtos
fermentados. A bactéria ácido-lática tende a baixar o pH pela produção de
ácido lático, enquanto que tipos proteolíticos, como as pseudomonas, tendem a
aumentar o pH pela produção de amônia ou outras substâncias básicas.
c) Sobrevivência
O pH de crescimento difere do pH para sobrevivência. Alguns organismos
mostram sobrevivência com pH ao redor de 5,6 - 6,5 e ótimo crescimento a 6,8-
7,2. Os microrganismos podem sobreviver em pH excessivamente ácido ou básico
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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para metabolismo e crescimento. O efeito do pH na sobrevivência durante o
aquecimento é evidente.
d) pH de alimentos
O pH dos alimentos, junto com outros fatores ambientais, pode determinar
os tipos de microrganismos que são capazes de crescer e dominar, e
eventualmente causar deterioração, uma fermentação desejável ou uma
doença potencial.
Os alimentos podem ser naturalmente ácidos, os ácidos podem ser
adicionados ou os ácidos podem ser produzidos nos alimentos por ação
enzimática com ou sem crescimento microbiano.
O pH dos alimentos é determinado pelo balanço da capacidade
tamponante e as substâncias ácidas ou básicas que possui. Visto que a
proteína tem uma alta capacidade tamponante, alimentos proteicos têm maior
capacidade tamponante do que frutas e vegetais. Isto é muito importante na
fermentação ácido-lática, em que a produção de pequenos volumes de ácido
em processos de fabricação de chucrute e picles poderá abaixar o pH
significativamente.
Os valores aproximados de pH de alguns alimentos são citados na Tabela
3.2.
Com base nos valores de pH dos alimentos é possível avaliar o potencial
e a provável natureza do processo de deterioração que eles poderão vir a
sofrer. De acordo com STUMB (1973), os alimentos poderiam ser divididos em
3 grandes grupos:
alimentos de baixa acidez - pH superior a 4,5;
alimentos ácidos - pH entre 4,5 e 4,0;
alimentos muito ácidos - pH abaixo de 4,0.
Esta classificação, eminentemente prática, tem no pH 4,5 o valor básico
separando os alimentos nos quais pode ou não haver crescimento e produção
de toxina por Clostridium botulinum. Na verdade, pesquisas têm evidenciado
que o pH mínimo para o crescimento e produção de toxinas por parte desta
bactéria é o de 4,7 (HERSON & HULLAND, 1980); no entanto, o valor de
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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pH=4,5 ainda continua sendo adotado na separação de produtos de baixa
acidez e ácidos, embora, recentemente, nos Estados Unidos, este valor tenha
sido elevado para 4,6 (FOOD PROCESSORS INSTITUTE, 1983).
Considerando exclusivamente o pH como fator restritivo ao crescimento
microbiano e mantendo-se ótimos todos os demais fatores intrínsecos e
extrínsecos, pode-se estabelecer as seguintes condições quanto aos
microrganismos capazes de crescimento:
alimentos de baixa acidez (pH 4,5): predominância de crescimento
bacteriano, em face do menor tempo de geração, envolvendo tanto
espécies deterioradoras, como patogênicas, esporogênicas ou não,
aeróbias ou anaeróbias, mesófilas ou termófilas;
alimentos ácidos (pH entre 4,5 e 4,0): predominância de
crescimento de leveduras oxidativas ou fermentativas e de bolores
(sob aerobiose). Entre as bactérias esporogênicas, possibilidade de
desenvolvimento de Bacillus coagulans e, eventualmente, B.
polymyxa, B. macerans, B. licheniformis, Clostridium
pasteurianum e C. butyricum; entre as bactérias não esporogênicas,
maior frequência daquelas na família Lactobacillaceae
(Lactobacillus) e Streptococcaceae, sendo menos frequente a
presença de Zymomonas e de bactérias acéticas (Acetobacter e
Gluconobacter).
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TABELA 3.2 Faixas aproximadas de pH de alguns alimentos
ALIMENTO FAIXA DE pH ALIMENTO FAIX
A DE
pH
Clara de ovo 7,6 - 9,5 Alho 5,3 -
5,8
Camarão 6,8 - 8,2 Batata-doce 5,3 -
5,6
Caranguejo 6,8 - 8,0 Repolho 5,2 -
6,3
Leite 6,3 - 6,8 Espinafre 5,1 -
6,8
Melão 6,2 - 6,5 Aspargos 5,0 -
6,1
Tâmara 6,2 - 6,4 Queijos (maioria) 5,0 -
6,1
Manteiga 6,1 - 6,4 Queijo cammbert 6,1 -
7,0
Mel 6,0 - 6,8 Cenouras 4,9 -
6,3
Cogumelos 6,0 - 6,5 Beterrabas 4,9 -
5,8
Couve-flor 6,0 - 6,7 Bananas 4,5 -
5,2
Alface 6,0 - 6,4 Suco de tomate 3,9 -
4,7
Gema de ovo 6,0 - 6,3 Presunto 3,5 -
4,0
Milho doce 5,9 - 6,5 Damasco 3,5 -
4,0
Ostras 5,9 - 6,6 Molho de maçã 3,4 -
3,5
Aipo 5,7 - 6,0 Abacaxi 3,2 -
4,1
Peras 5,6 - 6,8 Ameixas 2,8 -
4,6
Carne de frango 5,5 - 6,4 Laranjas 2,8 -
4,0
Batatas 5,4 - 6,3 Limões 2,2 -
2,4
Carne bovina 5,3 - 6,2 Lima 1,8 -
2,0
Microbiologia da Segurança de Alimentos
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alimentos muito ácidos (pH 4,0): em valores próximos ao limite,
ainda é possível constatar-se a presença de bactérias láticas ou
acéticas, sendo que Zymomonas não se desenvolve em valores de
pH inferiores a 3,7. Portanto, nestes níveis de baixo pH, o
desenvolvimento microbiano fica restrito quase que exclusivamente às
leveduras e bolores que, conforme anteriormente mencionado,
apresentam maior tolerância aos extremos de acidez.
e) efeitos do pH sobre os microrganismos responsáveis pela
alteração dos alimentos
Bactérias não formadoras de esporos - as bactérias não formadoras de
esporos têm um papel proeminente entre os microrganismos associados com a
alteração de alimentos em toda a escala de pH. As carnes com pH
relativamente alto (6,2) experimentam putrefação devido a germes gram-
negativos do grupo Pseudomonas-Acinetobacter-Moraxella, durante o
armazenamento a temperaturas iguais ou inferiores a 10oC, não crescendo a
pHs iguais ou inferiores a 5,3.
Bactérias formadoras de esporos - os esporos produzidos durante o
crescimento das células vegetativas em alimentos processados podem
sobreviver aos processos de aquecimento mínimo, habitualmente usados para
destruir as células vegetativas. Nos alimentos enlatados, o tratamento térmico
é feito com o objetivo de destruir tanto células vegetativas como esporos. Nos
casos em que um tratamento médio não elimina todos os esporos presentes, a
função do meio específico criado pelo processador no interior do alimento é
inibir o crescimento de células vegetativas que poderão derivar de esporos e
dos contaminantes posteriores ao tratamento. A acidificação é usada em
conjunto com a adição de sais de cura, açúcar ousal comum, para evitar a
germinação ou o crescimento dos esporos germinados, e os alimentos
enlatados são, às vezes, classificados em função de sua acidez.
Fungos e leveduras - as leveduras e fungos resistem normalmente aos
meios ácidos e crescem bem abaixo de pH 4,0. Entre eles encontram-se
alguns microrganismos mais marcadamente ácido-tolerantes que têm sido
encontrados em alimentos.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
18
f) Efeito do pH sobre os microrganismos patógenos
Alguns germes patógenos gram-negativos, como as salmonelas, podem
ser controlados utilizando pHs inferiores a 4,0, porém, para inibir os coliformes
necessitamos pHs inferiores ou combinações à base de baixos pHs, junto com
outros fatores, baixas temperaturas, por exemplo.
Segundo UBOLDI EIROA (1990), a Listeria monocytogenes pode
desenvolver-se num amplo intervalo de pH de 5,0 a 9,6. Em algumas ocasiões
tem sido constatada sobrevivência do microrganismo em pH 4,3 e em pH 4,8.
Toxina de Bacillus cereus não foi produzida em pH 2,0-5,0 em 4 dias de
incubação e, em pH 5,5-10,0, ocorreu produção, sendo o máximo de produção
alcançado em pH 8,0 (SUTHERLAND & LIMOND, 1993).
Acidificação (baixo pH) é mundialmente usada para controlar crescimento
e produção de toxina por Clostridium botulinum em produtos alimentícios.
Segundo McCLURE et al. (1994), foi dito, por um longo tempo, que
Clostridium botulinum não poderia crescer e produzir toxina em alimentos
com pHs abaixo de 4,6. Entretanto, hoje já existem alguns estudos mostrando
que isto é possível.
Umidade
Os microrganismos requerem a presença de água, em uma forma
disponível, para que possam crescer e exercer suas funções metabólicas. A
melhor forma de medir a disponibilidade de água é mediante a atividade de
água (aw). A aw de um alimento pode reduzir-se aumentando a concentração de
solutos na fase aquosa dos alimentos mediante a extração da água ou
mediante a adição de solutos. Algumas moléculas da água se orientam em
torno das moléculas do soluto e outras acabam sendo absorvidas pelos
componentes insolúveis dos alimentos. Em ambos os casos, a água acaba em
uma forma menos reativa.
a) Crescimento e processos afins
A maioria dos microrganismos, incluindo as bactérias patógenas, cresce
mais rapidamente em níveis de aw de 0,995-0,980 (a aw da maioria dos meios
de cultura utilizados no laboratório é de 0,999-0,990). A valores de aw inferiores
a estes, a velocidade de crescimento e a massa celular final diminuem e a fase
de latência aumenta. A uma aw suficientemente baixa, a qual é difícil definir
com precisão, a fase de latência é infinita, ou seja, o crescimento cessa.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
19
O crescimento da maioria das bactérias e fungos ocorre a aw superior a
0,90. Entretanto, entre os microrganismos que têm uma importância na
conservação dos alimentos existem muitos que podem multiplicar-se a valores
de aw muito mais baixos. Esses ditos microrganismos denominam-se de forma
variada: halófilos, xerófilos e osmófilos.
Os halófilos não podem crescer na ausência de sal e, com frequência,
requerem quantidades substanciais de cloreto de sódio para sua proliferação.
Os xerófilos são organismos que se definem como aqueles que crescem mais
rapidamente em condições de baixa aw, ou seja, são capazes de multiplicar-se
a aw inferiores a 0,85. Todos os microrganismos xerófilos conhecidos são
mofos ou leveduras. Os microrganismos osmófilos são aqueles que crescem
em locais com alta pressão osmótica. Este termo se aplica habitualmente a
leveduras tolerantes ao açúcar e é sinônimo de xerófilo.
A Tabela 3.3 mostra os níveis mínimos de aw que permitem o crescimento
de numerosos microrganismos de importância nos alimentos e nos processos
que se aplicam aos mesmos.
b) Sobrevivência
Igual à aw do meio que afeta a proliferação, a aw afeta também a
sobrevivência. A letalidade se reduz, em temperatura ambiente e refrigeração,
ao se diminuir a aw ou aumentar a concentração de solutos. Em microbiologia
de alimentos, a sobrevivência dos microrganismos é mais importante no
contexto do tratamento térmico. A sobrevivência a altas temperaturas é menor
a altas aw. Para os esporos bacterianos, a proteção resultante da redução de
aw é máxima no intervalo 0,2-0,4, quando se aquece na ausência de solutos.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
20
TABELA 3.3 Níveis mínimos aproximados de atividade de água que
permitem o crescimento dos microrganismos que se situam
a temperaturas próximas à ótima
GRUPOS AW
MOFOS
Aspergillus flavus 0,78
Aspergillus fumigatus 0,82
Aspergillus terreus 0,78
Penicillium chrysogenum 0,79
Rhizopus nigrificans 0,93
LEVEDURAS
Debaryomyces hansenii 0,83
Saccharomyces bailii 0,80
Saccharomyces cerevisiae 0,90
BACTÉRIAS
Bacillus cereus 0,95
Bacillus megaterium 0,95
Clostridium botulinum tipo A 0,95
Clostridium botulinum tipo E 0,97
Enterobacter aerogenes 0,94
Escherichia coli 0,95
Lactobacillus plantarum 0,94
Pseudomonas fluorescens 0,97
Salmonella sp. 0,95
Staphylococcus aureus 0,86
Vibrio costicolus 0,86
Vibrio parahaemolyticus 0,94
c) Alterações
aw de 0,98 e superiores - a maioria dos microrganismos de interesse
nos alimentos cresce otimamente a aw superiores a 0,98. A redução
da aw pode ter um marcado efeito sobre a composição da microbiota
de alguns alimentos. A alteração dos alimentos proteicos, sobretudo
as carnes e os pescados, conservados sob baixa refrigeração, deve-
se principalmente a Pseudomonas spp formando-se no curso das
alterações aminas voláteis, sulfetos de hidrogênio e ésteres de ácidos
orgânicos. A adição de pequenas quantidades de sal na carne (aprox.
2%), em condições aeróbias, é suficiente para retardar o crescimento
Microbiologia da Segurança de Alimentos
21
das pseudomonas cujos limites de aw mais baixos estão próximos de
0,97;
aw entre 0,98 e 0,93 - neste intervalo, as bactérias gram-negativas
dão lugar às gram-positivas das famílias Lactobacillaceae,
Bacillaceae e Micrococcaceae e os coliformes halotolerantes. Os
alimentos ligeiramente salgados, com uma aw de 0,97, como as
salsichas, são susceptíveis de sofrer alteração por bactérias ácido-
láticas. À atividade de água mais baixas, os micrococos crescem
abundantemente sobre as superfícies, mas têm um escasso efeito
adverso na qualidade das salsichas. O crescimento de mofos constitui
um problema no pão e em alimentos com um alto conteúdo de água;
aw entre 0,93 e 0,85 - neste intervalo de aw, os microrganismos
causadores das alterações são as bactérias gram-positivas
(sobretudo os cocos), as leveduras e os mofos. Uma grande
variedade de mofos pode crescer sobre a superfície dos queijos duros
dando lugar a tonalidades e odores anormais;
aw entre 0,85 e 0,60 - os fungos xerófilos e as leveduras osmófilas
são os microrganismos que habitualmente alteram os alimentos com
estas aw. Dentro desta categoria, os alimentos mais comuns são as
marmeladas e geleias conservadas pela adição de altas quantidades
de sacarose ou açúcar invertido;
aw inferiores a 0,60 - não crescem microrganismos a menos que se
reidratem os alimentos.
Potencial de oxirredução (Eh)
Os processos de oxidação e redução são definidos em termos de troca de
elétrons entre compostos químicos; na oxidação há liberação ou perda de
elétrons, ao passo que na redução, um determinado composto recebe elétrons,
cabendo lembrar que estes processos exigem a necessidade da participação
simultânea de dois compostos, um sendo oxidado (isto é, liberando elétrons), o
outro sendo reduzido (recebendo elétrons). A determinação do potencialde
oxidorredução em alimentos é dificultada pela interação de uma série de
fatores, entre eles a tensão de oxigênio na atmosfera que envolve o alimento e
a presença de substâncias que interferem nas eventuais alterações do
potencial, tendendo a mantê-lo em equilíbrio.
Os microrganismos são classificados em aeróbios, anaeróbios
facultativos, microaerófilos e anaeróbios, em função da capacidade de
utilizarem ou não o oxigênio como receptor final de elétrons no metabolismo
respiratório. Nestas condições, é evidente que os microrganismos aeróbios
Microbiologia da Segurança de Alimentos
22
somente se desenvolvem em substratos com potencial de oxirredução elevado,
portanto, em contato íntimo com o oxigênio atmosférico, ocorrendo o contrário
no caso dos anaeróbios. Já os anaeróbios facultativos podem utilizar o oxigênio
como receptor final de elétrons, mas, na sua ausência, desenvolvem um
processo no qual os compostos orgânicos são sucessivamente oxidados e
reduzidos.
Algumas características dos principais grupos de microrganismos
poderiam ser assim resumidas:
aeróbios: neste grupo está incluída a grande maioria dos bolores,
leveduras oxidativas e muitos gêneros de bactérias, entre as quais
poderiam ser destacadas Pseudomonas, Acinetobacter, Moraxella,
Micrococcus e algumas espécies de Bacillus; o intervalo de
crescimento para estes microrganismos oscila entre + 350 a + 500
mV;
anaeróbios facultativos: neste grupo estão incluídos principalmente
representantes da família Enterobacteriaceae, ao lado de espécies
de Bacillus, Staphylococcus aureus e leveduras fermentativas.
Estes microrganismos crescem tanto na presença como na ausência
de oxigênio, evidentemente com alterações pronunciadas no
metabolismo. Em função deste comportamento, eles revelam uma
capacidade de crescimento em valores mais reduzidos de potencial
de oxirredução, oscilando entre + 100 a + 350 mV;
anaeróbios: em alimentos as bactérias no gênero Clostridium são
as de maior importância. Seu crescimento ocorre melhor em
ambientes com potenciais baixos de oxirredução, abaixo de - 150mV,
ou valores máximos de + 30 a - 250 mV, segundo diferentes autores.
Alguns Clostridium spp., caso de C. perfringens, são
aerotolerantes, crescendo no intervalo de - 125 a + 287 mV; outros
anaeróbios não se desenvolvem na presença de oxigênio, mas
toleram substratos com potencial de oxirredução elevado, no caso do
C. acetobutyricum, que cresce a + 370 mV na ausência de oxigênio,
embora o limite caia para + 100 mV na sua presença; C. botulinum,
C. histolyticum e C. sporogenes não necessitam de potenciais
negativos para o crescimento, o qual pode ocorrer em valores
variáveis de + 85 a + 160 mV. Estes dados revelam que a presença
de oxigênio é mais inibitória ou letal a estas bactérias do que
propriamente o potencial positivo de oxirredução. Isto seria explicado
pela ausência, nestas bactérias, da enzima catalase, responsável pela
decomposição de H2O2 e da enzima superóxido dismutase, que evita
o acúmulo do radical tóxico superóxido, catalisando sua conversão
em O2 e H2O2 (STAINER et al., 1969). A ausência destas enzimas
torna a presença do oxigênio altamente prejudicial em face do
Microbiologia da Segurança de Alimentos
23
acúmulo de produtos tóxicos, como o H2O2 e superóxido.
Conteúdo de nutrientes
Os microrganismos de importância alimentícia precisam, para o seu
desenvolvimento e metabolismo normal, dos seguintes elementos: água, fonte
de energia, fonte de nitrogênio, vitaminas e outros fatores de crescimento,
minerais.
Os microrganismos veiculados pelos alimentos podem utilizar açúcares,
álcoois e aminoácidos como fontes de energia. Alguns microrganismos são
capazes de utilizar como fonte de energia os carboidratos complexos, como
amidos e celulose, e ter possibilidade de degradar estes compostos em
açúcares simples. Também as gorduras são utilizadas como fontes de energia,
enquanto só um número relativamente pequeno de microrganismos é capaz de
atacar estes compostos.
Os aminoácidos constituem a fonte primária de nitrogênio empregada
pelos microrganismos heterotróficos. Um grande número de outros compostos
nitrogenados também pode cumprir esta função em relação às diversas classes
de microrganismos. Por exemplo, certos germes são capazes de utilizar
nucleotídeos e aminoácidos livres, enquanto outros empregam peptídeos e
proteínas. Em geral, a maioria dos organismos utiliza compostos simples, como
são os aminoácidos, antes de ter que atacar compostos mais complexos, como
as proteínas de alto peso molecular. Este fato é igual para polissacarídeos e
gorduras.
Os microrganismos podem precisar de vitaminas do grupo B em
pequenas quantidades e, como a maior parte dos alimentos naturais as possui
abundantemente, facilita o crescimento dos microrganismos incapazes de
sintetizá-las. Em geral, as bactérias gram-positivas têm menos capacidade
sintetizadora. As bactérias gram-negativas e os fungos podem sintetizar a
maior parte de seus requerimentos. Portanto, estes dois grupos de organismos
podem proliferar em alimentos pobres em vitaminas do grupo B. As frutas têm
um conteúdo em vitaminas do grupo B mais escasso do que as carnes e este
fato, junto com seu pH habitualmente baixo e seu Eh positivo, nos explica a
mais frequente alteração das frutas por mofos que por bactérias.
Constituintes antimicrobianos
A estabilidade de certos alimentos frente ao ataque microbiano deve-se à
presença, nos mesmos, de determinadas substâncias que têm demonstrado
possuir atividades antimicrobianas. Por exemplo: o leite fresco contém
lacteninas, a clara do ovo contém lisozima, o cravo contém o eugenol e a
canela contém o aldeído cinâmico, que possuem propriedades antimicrobianas.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
24
Estruturas biológicas
A cobertura natural de alguns alimentos proporciona uma excelente
proteção contra a entrada e subsequente ataque dos organismos produtores de
alterações. Estruturas deste tipo são as membranas das sementes, a cobertura
externa dos frutos, a casca das nozes, a pele dos animais e a casca dos ovos.
No caso das nozes, a casca é suficiente para impedir a entrada de qualquer
organismo. Uma vez quebradas, os mofos atacam seu conteúdo. Se a casca
externa e as membranas dos ovos estão intactas, são capazes de impedir a
entrada de quase todos os microrganismos, quando são conservados em
condições de umidade e temperaturas adequadas. As frutas e verduras com as
cascas lesadas alteram-se muito mais rapidamente do que as perfeitas. O
epitélio externo dos peixes e dos animais se opõe à contaminação e
deterioração dos mesmos, em parte ao desidratar-se mais facilmente do que as
superfícies recentemente cortadas.
Estes parâmetros intrínsecos, considerados simultaneamente,
representam outros tantos modos naturais de preservação dos tecidos vegetais
e animais. Uma vez determinada sua extensão em um alimento, é possível
determinar as classes de microrganismos que provavelmente vão se
desenvolver e, consequentemente, prever a estabilidade geral do alimento em
questão. Sua determinação também pode constituir uma ajuda para se saber a
idade e, possivelmente, a forma como o mesmo tenha sido manipulado.
Parâmetros extrínsecos
Os parâmetros extrínsecos dos alimentos estão constituídos por aquelas
propriedades do meio ambiente que afetam tanto os alimentos como os
microrganismos. As mais importantes para os microrganismos veiculados por
alimentos são: 1 - a temperatura de armazenamento; 2 - a umidade relativa do
meio ambiente e 3 - a presença de concentração de gases no meio ambiente.
Temperatura de armazenamento
Os microrganismos multiplicam-se dentro de amplos limites de
temperatura. Portanto, é interessante considerar oslimites de crescimento em
relação à temperatura dos organismos importantes em alimentos, para
selecionar a temperatura de conservação apropriada para os diferentes tipos
de alimentos.
Cada organismo tem uma temperatura mínima, ótima e máxima, para
crescimento (Tabela 3.4). As temperaturas mínima e máxima são aquelas nas
quais os microrganismos cessam o crescimento. A temperatura ótima é mais
Microbiologia da Segurança de Alimentos
25
difícil de descrever, visto que pode ser ótima para rendimento celular, % de
crescimento, % de metabolismo, respiração ou de produção de alguns produtos
metabólicos. Usualmente, a temperatura ótima está baseada na razão de
crescimento.
TABELA 3.4 Faixas de temperaturas aproximadas para crescimento de
microrganismos
TEMPERATURA (OC)
GRUPO MÍNIMA ÓTIMA MÁXIMA
Termófilos 40 - 45 55 - 75 60 - 90
Mesófilos 5 - 15 30 - 45 35 - 47
Psicrófilos -5 - +5 12 - 15 15 - 20
Psicrotróficos -5 - +5 25 - 30 30 - 35
Psicrófilos e psicrotróficos
Existem várias definições de organismos psicrófilos. Uma definição
simples é que o psicrófilo cresce bem a 0oC. Nesta temperatura eles podem
produzir colônias visíveis em sete, dez ou quatorze dias. Esta definição não
considera temperaturas ótimas, mínimas e máximas. Talvez alguma distinção
possa ser feita entre aqueles organismos com um máximo de temperatura de
20oC ou menos e aqueles que podem crescer a máximos maiores. Todavia,
persiste certa confusão com respeito ao termo psicrófilo. Utilizando os mesmos
critérios que servem para definir os mesófilos e os termófilos, é lógico definir os
psicrófilos em termos de sua temperatura ótima de crescimento, que deve ser
claramente distinta das dos grupos citados.
Muitos autores, entretanto, têm classificado como psicrófilos todos
aqueles microrganismos que são capazes de crescer a 0oC, sem ter em conta
sua temperatura ótima. Outros distinguem os microrganismos que toleram as
baixas temperaturas em psicrófilos obrigatórios, com ótimos inferiores a 20oC e
psicrófilos facultativos com temperaturas ótimas mais altas (INGRAHAM &
STOKES, 1959).
Também são encontradas cepas de leveduras psicrotróficas dos gêneros
Candida, Torulopsis, Cryptococcus e Rhodotorula. Os mofos psicrotróficos
pertencem aos gêneros mais importantes, como Penicillium, Cladosporium,
Trichothecium e Aspergillus.
Alguns autores reclamam mais consistência na definição a qual deveria
ser baseada na temperatura ótima; assim, denominam-se psicrófilos os
Microbiologia da Segurança de Alimentos
26
microrganismos que têm uma temperatura ótima de crescimento ao redor de ou
inferior a 15oC e uma máxima ao redor de 20oC ou menos. Ao isolarem-se
psicrófilos deve-se evitar a exposição a temperaturas superiores a 10oC. Em
tecnologia de alimentos, os microrganismos psicrófilos são menos importantes
do que os psicrotróficos, em virtude de sua maior sensibilidade a temperaturas
elevadas.
Os microrganismos capazes de crescer próximo a 0oC, mas que não
reúnem os requisitos de temperaturas ótima e máxima para sua classificação
como psicrófilos, são conhecidos com psicrotróficos (EDDY, 1960). Como
crescem melhor a temperaturas moderadas, podem ser considerados como um
subgrupo dos mesófilos capazes de desenvolver-se a temperaturas inferiores à
mínima tolerada pela maioria dos mesófilos. Entre os psicrotróficos incluem-se
bactérias gram-positivas e gram-negativas; aeróbias, anaeróbias e anaeróbias
facultativas; móveis e não móveis; esporuladas e não esporuladas. O grupo
compreende numerosas espécies pertencentes a não menos que 27 gêneros,
conforme mostra a Tabela 3.5.
TABELA 3.5 Gêneros microbianos de bactérias psicrotróficas
GÊNEROS QUE INCLUEM BACTÉRIAS PSICROTRÓFICAS
Acinetobacter Clostridium Lactobacillus Serratia
Aeromonas Corynebacterium Leuconostoc Streptomyces
Alcaligenes Enterobacter Microbacterium Streptococcus
Arthrobacter Erwinia Micrococcus Vibrio
Bacillus Escherichia Moraxella Yersinia
Chromobacterium Flavobacterium Proteus Listeria
Citrobacter Klebsiella Pseudomonas
Mesófilos
Os mesófilos são organismos que crescem em uma faixa de temperatura
média. Pode-se definir mesófilos como aqueles organismos que têm um ótimo
de temperatura de 25oC a 45oC. Existem 2 grupos de organismos na faixa de
mesófilos: os microrganismos saprófitos que têm um ótimo de temperatura de
25oC a 30oC, e patógenos em potencial que têm um ótimo entre 35ºC e 45oC.
Termófilos
Estes organismos têm sido definidos como microrganismos que crescem
a altas temperaturas, com um ótimo de 45oC ou mais. Visto que a temperatura
Microbiologia da Segurança de Alimentos
27
mínima para termófilos sobrepõe a faixa mais alta dos mesófilos, os termófilos
têm sido divididos têm termófilos facultativos e obrigatórios. Os termófilos
facultativos podem crescer a 37oC ou menos, mas os termófilos obrigatórios
não podem crescer a 37oC.
As faixas de temperaturas para crescimento de determinados
microrganismos estão listadas na Tabela 3.6.
TABELA 3.6 Faixas de temperaturas de microrganismos
TEMPERATURA (
O
C)
MICRORGANISMOS MÍNIMO ÓTIMO MÁXIMO
BACTÉRIA
Acetobacter 5 - 42
Aeromonas 0 - 5 25 - 30 38 - 41
Bacillus cereus 10 - 47 - 50
Clostridium 0 - 45 - 60
C. botulinum 3 - 10 30 - 40 42 - 45
C. perfringens 15 - 20 30 - 40 45 - 51
Escherichia coli 3 - 10 37 - 41 48 - 50
Lactobacillus 5 30 - 40 53
Leuconostoc 10 20 - 30 40
Micrococcus 10 25 - 30 45
Proteus 10 37 43 - 45
Pseudomonas -7 - 4 20 - 30 31 - 43
Salmonella 5 - 10 35 - 37 46 - 49
Staphylococcus 5 - 10 35 - 40 46 - 48
S. aureus 5 - 10 35 - 39 44 - 48
Strept. Faecalis 5 - 10 37 49 - 51
Vibrio - 10 - 37 -
V. parahaemolyticus 3 - 13 35 - 37 42 - 44
Yersinia enterocolitica 0 - 4 - 37
FUNGOS
Aspergillus fumigatus - 30 - 40 -
Botrytis cinerea -1 20 30
Cladosporium -5 - -8 - -
LEVEDURAS
Candida 0 - 29 - 48
Hansenula - 37 - 42 50
Microbiologia da Segurança de Alimentos
28
Atmosfera envolvendo o alimento
A natureza da atmosfera que envolve um alimento exerce um pronunciado
efeito sobre os microrganismos nele presentes, com reflexos na delimitação
das espécies capazes de crescimento e na sua intensidade.
Em princípio, o efeito da atmosfera está estritamente relacionado às
características metabólicas dos diferentes microrganismos; assim, enquanto os
aeróbios, como a maioria dos bolores e muitas espécies de bactérias e
leveduras, exigem a presença de oxigênio para o crescimento, as formas
anaeróbias facultativas e anaeróbias estritas prescidem do mesmo ou, em
alguns casos, como, por exemplo, o caso do Clostridium, são totalmente
inibidas em presença do oxigênio atmosférico.
Em função desta característica do comportamento microbiano, o uso de
atmosferas controladas envolvendo os alimentos poderá modificar
sobremaneira a natureza do processo de deterioração, chegando mesmo a
retardá-lo.
Provavelmente, o CO2 é o gás mais estudado e mais aplicado na prática
industrial, no sentido de retardar a deterioração de alimentos, particularmente
frutas e produtos cárneos.
Umidade relativa do meio ambiente
A umidade relativa (H.R.) do meio em que se realiza o armazenamento é
importante, tanto do ponto de vista da aw no interior dos alimentos como do
crescimento dos organismos na superfície. Quando a aw do alimento é de 0,60,
é interessante armazená-lo em condições em que não seja permitido recuperar
umidade a partir do ar, pois assim não seria permitido aumentar sua aw
superficial e subsuperficial até um nível compatível com a proliferação
microbiana.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
294 - MICRORGANISMOS
INDICADORES
Microbiologia da Segurança de Alimentos
30
Em 1887, Escherich observou que o microrganismo que hoje conhecemos
como Escherichia coli sempre está presente em fezes humanas. Em 1892,
Schardinger sugeriu que membros desta espécie fossem usados como índice
de poluição fecal, uma vez que poderiam ser recuperados mais facilmente do
que espécies de Salmonella. A introdução na primeira edição do Standard
Methods of Water Analysis foi direcionada pela recuperação de Escherichia
coli; entretanto, em 1914, o Public Health Service alterou o padrão de
Escherichia coli para o grupo coliforme. Esta mudança estava baseada na
afirmação questionável de que todos os membros do último grupo possuíam
igual significância sanitária. Atualmente, para outros produtos, sem ser a água,
o grupo indicador foi limitado a espécies capazes de proliferar a temperaturas
mais elevadas.
Segundo BANWART (1989), muitos organismos ou grupos de organismos
têm sido sugeridos como organismos indicadores. Microrganismos fecais
incluem bactérias entéricas, vírus e protozoários. Em geral, vírus e protozoários
são mais difíceis de enumerar do que bactérias. Bactérias, como coliformes,
Escherichia coli, Enterobacteriaceae, enterococos, Pseudomonas,
Clostridium spp, Staphylococcus, e contagem total de aeróbios têm sido
sugeridas como organismos indicadores.
4.1 COLIFORMES
Definição:
são bastonetes gram negativos, aeróbios ou anaeróbios facultativos;
não esporulados e fermentam a lactose com produção de ácido e gás,
quando incubados em temperaturas de 35oC a 37oC, por 48 horas;
os coliformes não são patogênicos, mas são habitantes do trato
intestinal do homem e dos animais, eliminados nas fezes em grande
número e fáceis de identificar na água, além de não serem
encontrados em outro meio, como habitantes normais;
um grande número de coliformes em amostra indica
proporcionalmente um maior grau de contaminação por material fecal;
os coliformes são facilmente pesquisáveis, exigem meios simples, têm
um ciclo menor que o de outras bactérias;
a ausência de coliformes é uma “garantia” de que a água não oferece
riscos de contaminação ou doenças de origem bacteriana.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
31
Obs.:
1. A presença de um grande número de microrganismos, mesmo que
sejam bactérias coliformes, deixa dúvida quanto à qualidade da água
e exige outros testes.
2. Para a indústria de alimentos devem ser pesquisadas, além das
patogênicas, as espécies causadoras de deterioração de produtos
armazenados.
Esta definição abrange um número de espécies de enterobactérias,
incluídas nos gêneros Escherichia, Klebsiella, Citrobacter e Enterobacter.
Meios de cultivo utilizados para contagem:
caldo lauryl sulfato triptose (35-37oC/24-48horas): para coliformes
totais - este meio tem elevada qualidade nutritiva, principalmente pela
presença de triptose, assim como o tampão fosfato incluído em sua
fórmula. O conteúdo do lauryl sulfato (LST) inibe consideravelmente o
crescimento da microbiota acompanhante indesejável;
caldo lactosado: caldo bile verde brilhante (35-37oC/24-48horas)-
confirmatório.
caldo EC (44,5oC/24-48horas): para a detecção de coliformes fecais;
eosin methylene blue (EMB ágar - 37oC/24 horas): para
diferenciação das colônias.
4.2 AERÓBIOS MESÓFILOS
A maioria das bactérias patogênicas é mesófila. Analisando-se um
alimento e encontrando elevado número de bactérias deste grupo é sinal de
que podem existir bactérias patogênicas no meio. Este teste normalmente é
feito quando for eliminada a possibilidade de contaminação fecal. A contagem
deste grupo de bactérias inclui os microrganismos que crescem em aerobiose e
em temperaturas de incubação entre 15oC e 40oC com uma temperatura média
de 35oC. Este tipo de contagem é amplamente utilizado em microbiologia de
alimentos e é por meio dele que se pode determinar a qualidade bacteriológica
do alimento examinado. A contagem de aeróbios mesófilos funciona, na
realidade, como indicador de qualidade de alimentos. Este tipo de contagem
fornece informações sobre a eficácia da limpeza no processo de fabricação, o
efeito da temperatura de conservação, o grau de alteração do alimento e,
Microbiologia da Segurança de Alimentos
32
consequentemente, nos dá também informações sobre a vida útil dos
alimentos.
Meios utilizados para a contagem total de microrganismos
Ágar padrão ou “Plate Count Agar” (PCA - 32oC/48horas). É também
conhecido por ágar contagermes e ágar peptona de caseína glicose-extrato de
levedura.
4.3 ENTEROCOCOS
Os enterococos constituem um importante grupo de microrganismos que
se destacam, cada vez mais, como patógenos oportunistas cuja biologia e
taxonomia têm passado por significativas alterações nos últimos anos.
Considerados, por longo tempo, como uma da categorias de estreptococos
possuidores de antígeno do grupo D, esses microrganismos são diferenciados
do grupo D não-enterococos (Streptococcus bovis) com base em
caracteristicas fisiológicas e de susceptibilidade a antimicrobianos. Essas
diferenças, associadas a estudos de hibridização de ácidos nucleicos que
demonstraram a distância genética entre amostras identificadas como
pertencentes ao grupo D não-enterococos e aquelas denominadas
Streptococcus faecalis e Streptococcus faecium, resultaram na proposta de
transferência destas para um novo gênero, Enterococcus, como Enterococcus
faecalis e Enterococcus faecium. Outros estreptococos do grupo D,
pertencentes à categoria dos enterococos foram, desde então, transferidos
para o novo gênero e várias novas espécies têm sido adicionadas:
Enterococcus faecalis
Enterococcus faecium
Enterococcus durans
Enterococcus gallinarum
Enterococcus casseliflavus
Enterococcus malodoratus
Enterococcus mundtii
Enterococcus avium
Enterococcus hirae
Enterococcus raffinosus
Microbiologia da Segurança de Alimentos
33
Em geral, os enterococos têm como hábitat o conteúdo intestinal de
animais de várias espécies, inclusive insetos. Várias espécies de enterococos
são conhecidas pela facilidade com que se adaptam e crescem em vários
ambientes, mesmo sob condições adversas. Muitos são tolerantes ao sal, são
anaeróbios facultativos e crescem bem a 45oC. Enterococcus faecium e
Enterococcus faecalis são relativamente termorresistentes e podem
sobreviver em leites pasteurizados. A maioria resiste ao congelamento e, como
a Escherichia coli, sobrevivem e se multiplicam após o descongelamento. Os
enterococos podem ser identificados tanto por métodos fisiológicos como
sorológicos.
Com respeito ao emprego de enterococos como indicadores de poluição
na água, alguns investigadores têm estudado sua persistência na água e
comprovado que estes grupos morrem mais rapidamente que os coliformes,
enquanto outros consideram que ocorre o inverso.
Um grande número de pesquisadores tem utilizado o índice de
enterococos, considerando-o superior ao de coliformes como índice sanitário,
especialmente em alimentos congelados.
4.4 OUTROS INDICADORES
O Staphylococcus sp. e o Staphylococcus aureus têm sido propostos
como indicadores. A presença de um grande número de S. aureus é indicação
de um possível risco à saúde devido à enterotoxina estafilocócica, assim como
sanitização questionável, especialmente de processos envolvendo lavagem de
alimentos por humanos.
Clostridium sp. também tem sido sugerido, mas eles não são muito
específicos de fezes humanas. Visto que são formadores de esporos, eles
podem persistir nos alimentos quando a maioria dos organismos entéricos
estiver morta.
O uso de Pseudomonasaeruginosa como um indicador tem sido
sugerido. A presença deste organismo no trato intestinal das pessoas, assim
como suas características fisiológicas, leva a um possível indicador de
contaminação fecal.
Bifidobacteria está presente nas fezes de homens e porcos (RESNICK &
LEVIN, 1981) e só ocasionalmente em fezes de gado e carneiro (MARA &
ORAGUI, 1983). CARRILLO et al. (1985) reportaram que bifidobactéria poderia
ser um ótimo indicador de contaminação fecal recente em águas frescas
melhor que Escherichia coli ou coliformes fecais.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
34
5 - DETERIORAÇÃO, INCIDÊNCIA E
TIPOS DE MICRORGANISMOS
ASSOCIADOS A ALIMENTOS
Microbiologia da Segurança de Alimentos
35
5.1 MICROBIOLOGIA DO LEITE
Os produtos lácteos incluem leite, creme, manteiga, queijo, leites
fermentados, leite condensado e em pó. O leite, além de ser um meio nutritivo,
é também um meio favorável à multiplicação de microrganismos.
Seu excepcional valor nutritivo deve-se aos seus principais constituintes:
proteínas, carboidratos, gorduras, sais minerais, vitaminas e água. O leite
desnatado estéril é comumente utilizado nos laboratórios para o
desenvolvimento e a manutenção das bactérias.
Quando o leite deixa o úbere, se a vaca está sã, ele contém poucas
bactérias que não vão se desenvolver se o leite for obtido de maneira
adequada.
Bactérias do esterco, solo e água podem contaminar o leite,
principalmente quando se usa ordenha manual em vez de mecânica.
A partir destes fatos, pode-se avaliar a importância dos microrganismos
do leite do seguinte modo:
conhecimento sobre o conteúdo microbiano do leite pode ser usado
no julgamento de sua qualidade sanitária e das condições de sua
produção;
tendo a possibilidade de se multiplicarem, as bactérias do leite podem
causar alterações químicas, tais como a degradação de gorduras, de
proteínas ou de carboidratos, o que torna o produto inaceitável para o
consumo;
leite é potencialmente susceptível de contaminação por germes
patogênicos. Devem ser tomadas precauções capazes de reduzir
essa eventualidade e de eliminar os patógenos que tiverem
contaminado o leite;
certos germes produzem alterações químicas desejáveis na
fabricação de laticínios (leite fermentado, manteiga e queijo).
Assim sendo, e tendo em vista os fatos citados, torna-se importante o
exame intensivo dos tipos de microrganismos encontrados no leite e dos meios
pelos quais eles podem ser avaliados, controlados e empregados para fins
benéficos.
Fontes de microrganismos do leite
No momento em que o leite é tirado de um animal sadio, ele contém os
microrganismos que alcançaram o canal mamário, através da abertura das
tetas. Esses germes são lavados durante a ordenha. Seu número, existente na
Microbiologia da Segurança de Alimentos
36
hora da obtenção do leite, varia conforme os diversos relatos, entre algumas
centenas até vários milhares por mililitro. Tais contagens variam entre as vacas
e entre os quartos do mesmo animal, sendo mais altas durante as fases iniciais
da ordenha. Desde o momento em que o leite deixa o úbere do animal até
aquele em que é colocado em recipientes, tudo o que entrar em contato
representa uma fonte potencial de microrganismos. O desprezo das regras
sanitárias resultará em leites altamente contaminados, que se deterioram com
rapidez. No entanto, a ordenha realizada sob condições higiênicas, com
rigorosa obediência aos preceitos sanitários, dará, como resultado, a obtenção
de um produto com baixo teor microbiano e de boa qualidade. As fontes de
microrganismos encontradas no leite e as precauções que devem ser
observadas com vistas à redução da contaminação serão discutidas a seguir.
A vaca
A saúde do gado leiteiro é de capital importância. O leite retirado
assepticamente de um animal sadio contém pequeno número de bactérias,
pertencentes a tipos saprofíticos e de reduzida importância, desde que seu
crescimento seja controlado. O leite de vacas infectadas, porém, pode conter
grande número de bactérias, com a presença de eventuais germes
patogênicos. A inspeção periódica dos rebanhos, feita para avaliar a saúde de
cada animal, é absolutamente necessária.
Estábulo
O conteúdo microbiano do ar, que pode contaminar o leite, é bastante
influenciado por muitas condições e práticas. A manutenção de uma área de
ordenha limpa e a diminuição das operações que geram poeiras (alimentação,
por exemplo) reduzem a contaminação potencial a partir dessa origem.
Equipamento
A fonte de contaminação mais importante é o interior do equipamento que
entra em contato com o leite. As máquinas de ordenha, as latas de leite, as
canalizações, os tanques e outros equipamentos, se não forem
adequadamente limpos e sanitizados por meio de agentes físicos ou químicos,
podem ser fontes de séria contaminação. As temperaturas elevadas (água
quente ou vapor) ou cloro e compostos quaternários de amônio são
comumente utilizados com essas finalidades de desinfecção.
O pessoal
Todas as pessoas envolvidas no processo de ordenha devem possuir boa
saúde e devem seguir processos condizentes com boas técnicas sanitárias.
O Serviço de Saúde Pública dos EUA recomenda os regulamentos de
saneamento de instalações leiteiras, o que foi publicado sob o título “Milk
Microbiologia da Segurança de Alimentos
37
Ordinance and Code”. Todos os detalhes do saneamento das instalações são
analisados com meticulosos detalhes, fornecendo-se formas igualmente
detalhadas para o produtor, referentes à pasteurização do leite e aos
equipamentos de pasteurização.
Tipos de microrganismos do leite
Como citado anteriormente, quando o leite deixa o úbere, ele contém
poucas bactérias e vai depender do cuidado que se toma para evitar a
contaminação.
Algumas experiências foram feitas para se determinar de onde viriam as
bactérias do leite: do animal ou de contaminações exteriores?
Schulz & Barthel (1982) relataram que havia bactérias no úbere e que estas
eram bactérias transportadas ao exterior pelo leite. De igual opinião foram
Backhaus & Cronhum (1897) e Moore (1897). Ulhman (1903) examinou seções do
úbere e achou bactérias. D’Heel (1906) as achou nos condutos mamários e
pensou que entravam do exterior. Outras experiências foram feitas, inoculando-se
cultivos puros no úbere, dando água contaminada aos animais, contaminando o
úbere por imersão em cultivo de bactérias, etc.
Destas experiências chegou-se à conclusão que, por infecção, pode-se
obter leite contaminado por vários dias e que é mais provável a presença de
bactérias no leite serem proveniente de via sanguínea ou linfática.
Após estes comentários pode-se deduzir que:
os úberes enfermos, especialmente por mamites ou mastites, são
focos de contaminação;
úbere, em condições higiênicas de ordenha, não se constitui em foco
de contaminação microbiana, de onde se deduz que a saúde dos
animais e o cuidado na higiene são de grande importância;
é necessário separar na ordenha as vacas que produzem leite
contaminado.
A grandeza e a diversidade da população contaminante variam
consideravelmente e dependem de condições específicas associadas com um
determinado lote de leite.
Vamos considerar aqui microrganismos que são citados na literatura
como próprios e contaminantes do leite.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
38
Tipos bioquímicos de microrganismos do leite
Produtores de ácido ou ácido e gás:
Lactococcus: pertencem à família Streptococcaceae. Células
esféricas, agrupadas aos pares, tétrades ou cadeias. Gram-positivas.
Raramente móveis. Anaeróbiosfacultativos.
Fonte: utensílios, forragem e instalações.
Espécies: Lactococcus lactis lactis
Lactococcus lactis cremoris
Substrato e produtos finais: lactose é fermentada a
ácido lático ou a ácido lático e outros produtos, tais
como ácido acético, álcool etílico e dióxido de
carbono. Os que produzem somente ácido lático são
designados como tipos homofermentativos e os que
produzem diversos produtos são chamados tipos
heterofermentativos.
Lactobacillus: pertencem à família Lactobacillaceae. Bacilos retos
ou curvos. Gram positivo. Raramente móveis. Anaeróbios facultativos.
Fonte: rações forragens e estrume.
Espécies: Lactobacillus. casei
Lactobacillus plantarum
Lactobacillus brevis
Lactobacillus fermentum
Substrato e produtos finais: a lactose é fermentada
até ácido lático e outros produtos. Algumas espécies
de lactobacilos são homofermentativas e outras
heterofermentativas.
Grupo de bactérias coriniformes: bacilos retos ou ligeiramente
curvos. Habitualmente são imóveis. Gram-positivos. Podem
apresentar grânulos. Aeróbios ou anaeróbios facultativos.
Fonte: utensílios e estrume.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
39
Espécies: Corynebacterium
Arthrobacter
Microbacterium - M. lacticum
Substrato e produtos finais: a lactose é fermentada
até ácido lático e outros produtos; não produzem
tanto ácido láctico como os lactococos e os
lactobacilos.
Coliformes: pertencem à família Enterobacteriaceae. Forma bacilar.
Gram negativas. Anaeróbias facultativas. Algumas crescem no
intestino do homem e outros animais e podem produzir transtornos
intestinais.
Fonte: estrume, águas poluídas, solo e instalações.
Espécies: Escherichia coli
Enterobacter aerogenes
Substrato e produtos finais: a lactose é fermentada a
uma mistura de produtos finais, como ácidos, gases
e produtos neutros. O número de coliformes no leite
é um indicador de sua qualidade sanitária.
Micrococcus: pertencem à família Micrococcaceae. Células
esféricas. Gram-positivas. Geralmente imóveis. Aeróbios ou
anaeróbios facultativos;
Fonte: dutos das glândulas mamárias e utensílios.
Espécies: M. luteus
M. varians
Substrato e produtos finais: são produzidas
pequenas quantidades de ácido a partir da lactose
(fermentação fraca); os micrococos são também
fracamente proteolíticos. Moderadamente
resistentes ao calor; algumas bactérias podem
sobreviver a 63oC, durante 30 minutos.
Clostridium: pertencem à família Bacillaceae. Bacilos retos.
Isolados, pares ou cadeias. Formam endosporos que são resistentes
ao calor. Imóveis ou móveis por flagelos laterais ou peritríquios.
Gram-positivo. Anaeróbios estritos.
Fonte: solo, estrume, águas e rações.
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Espécie: Clostridium butyricum
Substrato e produtos finais: a lactose é fermentada
com acúmulo de gás que pode ser uma mistura de
CO2 e hidrogênio. Os grandes reservatórios de leite
podem ter suas tampas, às vezes, levantadas,
quando a contaminação por germes produtores de
gás é inusitadamente alta.
FERMENTAÇÃO FILAMENTOSA OU VISCOSA
Microrganismos representativos: Alcaligenes viscolactis,
Enterobacter aerogenes e Lactococcus lactis.
Fonte: solo, água, instalações e rações.
Substrato e produtos finais: os organismos sintetizam um material
polissacarídeo viscoso que forma uma camada limosa ou cápsula
sobre as células. O leite favorece a formação do material capsular; o
leite desnatado estéril é frequentemente usado quando se busca
formação de cápsulas.
PROTEOLÍTICOS
Microrganismos representativos: Bacillus sp.; Bacillus subtilis e
Bacillus cereus, Pseudomonas spp., Proteus spp. e Serratia
liquefaciens.
Fonte: solo, águas e utensílios.
Substrato e produtos finais; os germes proteolíticos degradam a
caseína até peptídeos que podem ser ainda decompostos até
aminoácidos; a proteólise pode ser precedida, pela coagulação da
caseína, pela ação enzimática da renina. Os produtos finais da
proteólise podem conferir sabor ou odor anormais ao leite; espécies
de Pseudomonas podem corar o leite.
LIPOLÍTICOS
Microrganismos representativos: Pseudomonas fluorescens,
Achromobacter sp , Candida lipolytica e Penicillium spp.
Fonte: solo, águas e utensílios.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
41
Substrato e produtos finais: os microrganismos lipolíticos hidrolisam a
gordura do leite até glicerol e ácidos graxos. Alguns ácidos graxos
conferem odor e gosto rançosos ao leite.
GOSTOS E ODORES DESAGRADÁVEIS
São produzidos por ação de diversos microrganismos, por alimentação
dos animais ou por enfermidade do animal:
a) amargo: aparece no leite por proliferação de microrganismos da
mama, como Micrococcus lactis, Micrococcus amari, Serratia
liquefaciens e Torula amara; por consumo de forragens; por
transtornos fisiológicos do animal (por exemplo, antes e depois da
lactação) com aumento de sulfato de magnésio no leite; por
dissolução de ferro dos recipientes por ação do ácido lático;
b) odor a estábulo: geralmente adquirido por causa de ambiente sujo
ou mal ventilado;
c) odor a vegetais: deve-se geralmente a forragens ou ao ambiente.
Outras vezes pode ser de origem microbiana, provocado por
Pseudomonas mucidolens. Odor a frutas pode dever-se a
Pseudomonas fragi; odor aromático alcóolico a Micrococcus
caseolyticus; odor malteado à proliferação de alguns micrococos,
Bacillus subtilis e ao Lactococcus lactis var. maltigenes;
d) odor a ranço: produzido em leites frescos que se tenha deixado a
uma temperatura de 27oC, por ação solar;
e) odor e gosto de pescado: deve-se à ação de bactérias como
Aeromonas hydrophila. A ação é sobre a lecitina que libera colina e
trimetilamina que é responsável pelo gosto e odor;
f) gosto de sabão: às vezes tem sabor amargo, outras vezes forma
espuma ao ser agitado. Produzida pela ação do Bacillus ou de
Pseudomonas, quando se armazena a temperaturas próximas a 0oC.
COLORAÇÕES ANORMAIS
São, às vezes, muito notáveis e se originam por ação de distintas
bactérias:
Microbiologia da Segurança de Alimentos
42
a) roxa: deve-se aos pigmentos da Serratia marcescens, Torula
glutinis, que proliferam no produto. Quando a coloração deve-se ao
sangue das mamas, por centrifugação decantam-se as hemácias;
b) azul: provocada pelo desenvolvimento de Pseudomonas sp
proveniente de infecção do úbere ou levadas por moscas ao leite.
Tipos de microrganismos patógenos
Diversas doenças são potencialmente transmitidas pelo leite. A fonte dos
germes patogênicos pode ser a própria vaca, o homem ou eles podem ser
transmitidos aos dois. São possíveis os seguintes modos de transmissão:
1. agente patogênico de vaca infectada leite homem ou vaca
(exemplos: tuberculose, brucelose, mastite);
2. agente patogênico do homem (doente ou portador) leite homem
(exemplos: febre tifoide, difteria, disenteria, escarlatina).
Os homens também podem infectar as vacas. A mastite, por exemplo,
pode ser devida a vários microrganismos, incluindo o Staphylococcus aureus,
cuja origem pode ser identificada no homem.
No primeiro grupo de enfermidades próprias do animal estão incluídas a
tuberculose bovina, a mamite ou mastite, a brucelose e a aftosa. Estas
enfermidades também podem causar transtornos ao homem.
O segundo grupo inclui as enfermidades do homem nas quais o animal
atua como fonte primária de infecção por meio do leite. Dentre elas, podemos
citar a tuberculose humana, a brucelose, as infecções estreptocócicas e
estafilocócicas, as salmoneloses, a febre Q, as disenterias, a cólera, a difteria,
a febre tifoide e paratifoide.
Consideremos em particular algumas destas enfermidades. MAMITE OU MASTITE
Uma infecção muito difundida e de graves consequências econômicas. A
mamite é a inflamação do úbere com secreção purulenta. Aconselha-se lavar
com desinfetantes e administrar antibióticos. Estes poderão estar presentes no
leite de 72 a 90 horas após serem administrados. A mamite desenvolve-se em
3 etapas: invasão, infecção e inflamação. Vai alterar a composição do leite,
como a caseína, os fosfatos e a lactose. O conteúdo de catalases e leucócitos
aumenta e a acidez é baixa. A enfermidade pode apresentar-se de forma
clínica e o ordenhador claramente detecta mudanças microscópicas no leite
e/ou no úbere, ou de forma subclínica em que tanto o leite como o úbere
apresentam um aspecto normal. A mamite subclínica só é detectada mediante
Microbiologia da Segurança de Alimentos
43
o isolamento de bactérias patógenas no leite, por um aumento do número de
células somáticas ou por meio de uma série de mudanças bioquímicas que são
características da enfermidade. A mastite pode resultar na destruição das
glândulas mamárias e, em alguns casos, a vaca pode morrer.
A mamite estafilocócica infecta o leite com um grande número de
estafilococos que podem produzir toxina termoestável. Existem também as
estreptocócicas (S. agalactiae; S. uberis; S. pyogenes; S. zooepidemicus e
S. equisimilis).
S. agalactiae e Staphylococcus aureus são os agentes mais comuns da
mamite. Eles se difundem através dos dutos no úbere durante a ordenha, dado
que a principal fonte destes microrganismos é o úbere infectado. As bactérias
infectantes são eliminadas com o leite e, portanto, podem contaminar as
máquinas ordenhadoras, as mãos do ordenhador, os panos utilizados para a
limpeza do úbere, etc., e atuar depois como focos de infeção, podendo
transmitir a enfermidade a outros animais.
A Escherichia coli também pode produzir mastite, responsável por
distintas enfermidades do homem. Apesar de não se ter descrito uma relação
direta entre a mastite por E. coli e enfermidade humana, tem-se isolado uma
ampla variedade de sorotipos de E. coli a partir do leite de vaca e é provável
que alguns destes sejam patógenos para o homem.
Outros microrganismos de maior patogenicidade para o homem produzem
também mamite bovina, portanto, de forma menos frequente. Entre eles
destacam-se: Listeria monocytogenes, Bacillus cereus, Pasteurella
multocida, Clostridium perfringens.
Sob o ponto de vista de saúde pública deve-se considerar que, quando a
mastite é desencadeada por agentes infecciosos, o que ocorre na maioria das
vezes, existe alto risco de transmissão destes microrganismos ao homem a
partir do leite contaminado. A mastite, além de determinar grave toxemia, pode
também constituir graves zoonoses como, por exemplo, as provocadas por
bactérias dos gêneros Brucella sp., Mycobacterium sp. e Listeria sp. (Acha
e Szyfres, 1989).
A presença de Listeria sp no leite cru e em seus derivados é assinalada
por vários pesquisadores. Diferentes espécies de Listeria sp no leite cru e
produtos lácteos foram isoladas por Harvey e Gilmor (1992), em amostras
procedentes de diferentes laticínios. Do total de 176 exames, 25% foram
positivos, com isolamento de Listeria monocytogenes, L. innocua e L.
seeligeri, em 15,3%, 101,2% e 2,8%, respectivamente.
TUBERCULOSE
Segundo Souza et al. (1999), a importância da tuberculose bovina como
Microbiologia da Segurança de Alimentos
44
zoonose é reconhecida mundialmente e o estudo dos fatores de difusão de tal
enfermidade possui relevância. Caso não sejam adotadas medidas rápidas,
uma epidemia de tuberculose poderá ocorrer nos próximos anos.
Indiscutivelmente, a ingestão de leite cru contaminado constitui uma das
principais formas de infecção humana pelo bacilo bovino da tuberculose. O
risco para a saúde pública de se contrair o agente pela ingestão de produtos
cárneos contaminados torna-se menor, devido à baixa incidência do agente em
tecidos musculares e de não existir o hábito de comer carne crua no Brasil.
Segundo Coelho et al. (1997), a taxa de tuberculose em bovinos abatidos
em Uberlândia, MG e região, nos anos de 1986 a 1993, variou de 1,26% a
5,5% (usando 1.313 bovinos) e, em 1994 e 1995, esta taxa tornou-se
extremamente elevada, chegando a níveis alarmantes.
A enfermidade no animal se localiza especialmente nos pulmões e
gânglios, podendo aparecer também nas mamas.
No homem, o leite das vacas provoca tuberculose abdominal e
ganglionar.
A bactéria responsável, Mycobacterium bovis ou Mycobacterium
tuberculosis, pode ser excretada com o leite dos animais infectados.
A tuberculose é uma doença infecciosa crônica de longa duração no
homem e representa, ainda, uma importante causa de mortalidade em muitos
países em desenvolvimento.
BRUCELOSE
A brucelose é conhecida pelo nome de febre de Malta ou febre ondulante,
no homem, e aborto contagioso (doença de Bang) no gado. É de grande
importância econômica pelas grandes perdas causadas na pecuária, mas
também é um problema de saúde pública, sendo controlada, nos EUA, pelo
sacrifício dos animais infectados e pela prática de vacinação dos rebanhos.
As três espécies de microrganismos infectantes são a Brucella abortus
(bovinos), a Brucella melitensis (caprinos) e a Brucella suis (suínos). No
homem a doença não é exclusivamente de origem alimentar, nem estritamente
uma enfermidade intestinal; ocorre com maior frequência como resultado da
ingestão de leite ou de laticínios provenientes de animais infectados, embora o
processo de pasteurização seja suficiente para destruir os microrganismos. A
brucelose pode ser, também, uma doença ocupacional para veterinários,
criadores e açougueiros. Em tais circunstâncias, é uma doença de contato,
penetrando os germes através de cortes e erosões cutâneas. Técnicos de
Microbiologia da Segurança de Alimentos
45
laboratório, igualmente, têm contraído a brucelose por via respiratória, inalando
aerossóis contaminados.
As brucelas são essencialmente virulentas para animais, de modo
especial os domésticos, como bovinos, caprinos, ovinos e suínos, sendo
transmissíveis ao homem.
No homem a doença é caracterizada por seu longo tempo de incubação
(5 a 30 dias ou mais). No início, o paciente se queixa de dores generalizadas,
cefaleias, calafrios, suores noturnos e uma febre prolongada e irregular
(ondulante) que continua no estado crônico. Assim sendo, os sintomas se
assemelham aos de outras moléstias infecciosas, podendo ser feito o
diagnóstico com base na hemocultura e nos testes sorológicos.
Sabendo-se que a doença pode ser evitada, na maior parte dos casos
pelo uso exclusivo de laticínios pasteurizados, a imunização não é utilizada
nem tem sido satisfatória. A vacina de Brucella abortus atenuada é
empregada no gado para reduzir a incidência da enfermidade. Outras medidas
de controle incluem o exame do rebanho leiteiro, com sacrifício dos animais
infectados. De uma infecção resulta, assim parece, uma imunidade natural
duradoura, mas a brucelose é, enfim, um exemplo de eliminação de uma
doença humana pelo controle adequado dos hospedeiros animais naturais, o
que, evidentemente, somente pode ocorrer em moléstias não transmitidas de
pessoa a pessoa.
Teixeira et al. (1998) fizeram um levantamento nos estados de Minas
Gerais e Goiás, no período de janeiro e dezembro de 1996, procurando avaliar
a ocorrência da brucelose bovina. Foram colhidos dados referentes ao abate
de bovinos, num total de 68.177 animais, obtidos em frigorífico sob inspeção
federal. Observaram que, do total dos animais abatidos e inspecionados,
apenas dois apresentaram lesões típicas de brucelose. Estes dados sugerem
uma baixíssima incidência dessa patologia nas linhas de abate, o que pode
estar relacionado à diminuição da idade do abate (animaisjovens) ou à
eventual presença da doença numa fase muito inicial ou subclínica, sem
sintomas ou sinais indicativos da patologia quando inspecionados na linha de
abate.
FEBRE Q
O agente responsável pela febre Q é a Coxiella burnetti. São parasitas
intracelulares obrigatórios e crescem preferentemente nos vacúolos das células
do hospedeiro, sejam vertebrados ou artrópodes (especialmente carrapatos).
Os artrópodes atuam como vetores para a transmissão da enfermidade aos
vertebrados incluindo gado bovino, ovino e caprino. Esta enfermidade tem sido
observada na maioria dos países do mundo. Os animais infectados que podem
Microbiologia da Segurança de Alimentos
46
estar aparentemente sãos podem excretar o microrganismo no leite e liberar
também grandes quantidades durante o parto. O homem pode infectar-se pelo
ar infectado ou, menos frequentemente, por beber leite cru contaminado e pode
desenvolver uma infecção pulmonar grave. Entretanto, raras vezes a febre Q
tem consequências fatais.
O gênero Coxiella pertence à família Rickettsiaceae; as células têm
forma de coco ou bacilo e, frequentemente, são pleomórficos.
O gênero se caracteriza por sua grande resistência aos agentes químicos
e físicos do meio extracelular.
A Coxiella burnetti mostra uma marcada resistência à dessecação e,
sobretudo, por largos períodos em tecidos ou fezes de carrapatos infectados. O
microrganismo permanece viável por vários dias em água ou leite. É bastante
resistente à maioria dos antissépticos utilizados comumente, sobrevive na
exposição a fenol a 1% durante 1 hora. O calor a 62-75oC, durante 30 minutos ou
a 71-75oC, durante 15 segundos (tratamentos de pasteurização convencionais), é
suficiente para deixar o leite livre deste microrganismo.
Análise microbiológica de leite
Considerações gerais
O leite tem sido considerado como o alimento humano “mais próximo da
PERFEIÇÃO”. Seu excepcional valor nutritivo deve-se aos seus principais
constituintes: proteínas, carboidratos, gorduras, sais minerais, vitaminas e
água, sendo por isso também um excelente meio nutritivo para o crescimento
de muitas bactérias.
O leite ao deixar o úbere, se a vaca é sadia, tem poucas bactérias que
não se desenvolvem bem quando é obtido adequadamente. Bactérias do
esterco, solo e água podem contaminar o leite, assim como manuseio
inadequado e vasilhame sujo ou higienização inadequada.
Contagens bacterianas pequenas indicam que, durante a produção
láctea, foram tomadas precauções higiênicas e a manipulação foi feita
cuidadosamente.
O conteúdo bacteriano do leite é medido para se determinar a qualidade
higiênica do mesmo.
Os resultados obtidos das análises microbiológicas do leite fornecem
informações úteis que refletem as condições sob as quais foi produzido e
mantido. As altas contagens bacterianas nem sempre significam a presença de
bactérias patogênicas; indicam, porém, uma contaminação excessiva ou uma
refrigeração inadequada ou, ainda, condições de armazenamento imperfeitas.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
47
Várias análises são indicadas para se determinar a qualidade higiênica do
leite. Para leite “in natura” aconselha-se uma prova de redutase, contagem total
de aeróbios mesófilos e contagem de células somáticas. Já para o leite
pasteurizado é indicada uma avaliação do índice de coliformes totais e fecais,
além de outros indicadores de contaminação, conforme pode ser visto nas
citações dos padrões descritos a seguir (Portaria 51 do Ministério da
Agricultura).
Padrões:
CONJUNTO DE LEITE CRU TIPO A INTEGRAL RESFRIADO
Máximo de 10.000 germes por ml.
Máximo de 600.000 células somáticas (CS/mL).
Na prova da redutase, não descorar em menos de 5 horas.
LEITE PASTEURIZADO TIPO A
Contagem padrão em placas (UFC/mL) – n=5; c=2; m=5,0 x 102;
M=1,0x103.
Grupo coliforme (30C) – n=5; c=0; m=1*.
Coliformes (45C) – n=5; c=0; m=0.
Salmonella spp/25g – n=5; c=0; m=0.
Observação – padrões microbiológicos a serem observados até a saída do
estabelecimento industrial produtor.
*Nota: coliformes (30ºC): imediatamente após a pasteurização, o leite
pasteurizado tipo A deve se apresentar isento de coliformes (30ºC) em 1,0
(hum) mililitro da amostra.
LEITE CRU TIPO RESFRIADO B
Máximo de 500.000 germes por mL (contagem padrão em placas –
UFC/mL);
Na prova de redutase, não descorar em menos de 3 ½ horas.
Máximo de 1.000.000 de células somáticas (CS/mL).
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48
LEITE PASTEURIZADO TIPO B
Contagem padrão em placas (UFC/mL) – n=5; c=2; m=4,0 x 104;
M=8,0 x 104;. Coliformes (30C) – n=5; c=2; m=2; M=5.
Coliformes (45C) – n=5; c=2; m=1; M=2.
Salmonella spp/25g – n=5; c=0; m=0.
Observação – padrões microbiológicos a serem observados até a saída do
estabelecimento industrial produtor.
LEITE CRU TIPO C ou LEITE CRU RESFRIADO TIPO C
Na prova de redução, não reduzir em menos de 90 minutos.
Observação:
Entende-se por leite cru tipo C o produto não submetido a qualquer
tratamento térmico na fazenda leiteira onde foi produzido e integral quanto ao
teor de gordura, transportado em vasilhame adequado e individual de
capacidade de até 50 litros e entregue em estabelecimento industrial adequado
até às 10h00min da manhã do dia de sua otenção.
Entende-se por leite cru resfriado tipo C o produto definido
anteriormente, após ser entregue em temperatura ambiente até às 10h00min
da manhã do dia de sua ordenha em posto de refrigeração de leite ou
estabelecimento industrial adequado e nele ser resfriado e mantido em
temperatura igual ou inferior a 4C, por no máximo 24 horas, até ser
transportado para uma indústria visando processamento final. No momento de
seu recebimento, deverá apresentar temperatura igual ou inferior a 10C.
LEITE PASTEURIZADO TIPO C
Contagem padrão em placas (UFC/mL) – n=5; c=2; m=1,0 x 105;
M=3,0 x 105.
Coliformes (30C) – n=5; c=2; m=10; M=15.
Coliformes (45C) – n=5; c=2; m=2; M=5.
Salmonella spp/25g – n=5; c=0; m=0.
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PADRÕES ESTABELECIDOS PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE POR
MEIO DA RESOLUÇÃO – RDC N12 DE 2 DE JANEIRO DE 2001 (Leite
no comércio)
LEITE PASTEURIZADO
Coliformes (45C/mL)) – amostra indicativa = 4 e amostra
representativa = n=5; c=1; m=2; M=4.
Salmonella spp/25g – amostra indicativa = Aus e, amostra
representativa n=5; c=0; m=Aus.
LEITE UAT (UHT) E PRODUTOS À BASE DE LEITE UAT/UHT (cremes
de leite, bebidas lácteas fermentadas e não, e similares), EM
EMBALAGENS HERMÉTICAS
Após 7 dias a 35-37C de embalagem fechada, não deve apresentar
microrganismos patogênicos e causadores de alterações físicas,
químicas e organolépticas do produto, em condições normais de
armazenamento.
ANÁLISES
TESTE DA REDUTASE (LARPENT, 1975) - os testes de redução têm
como finalidade a indicação indireta da população microbiana do leite e são
dependentes da atividade metabólica dos diferentes microrganismos presentes
no mesmo. O leite após a ordenha expõe-se e mistura-se ao ar e adquire um
potencial de óxido-redução (0/R) de, aproximadamente, +300mv. Como as
bactérias crescem no leite, elas consomem o oxigênio e produzem substâncias
redutoras que, eventualmente, abaixam o potencial O/R a um valor negativo. A
taxa de desvio do potencial O/R depende do número e da espécie de bactérias,
assim como de seu ritmo metabólico. Esse desvio pode ser seguido pela
adição, a uma amostra de leite, de um indicador apropriado, seguindo-se um
período de incubação sob condições pré-determinadas. O azul de metileno e a
resazurina são dois indicadores de 0/R úteis na realização do teste da
redutase.As transformações de cor que ocorrem entre as formas oxidada e
reduzida desses compostos são:
Microbiologia da Segurança de Alimentos
50
FORMA OXIDADA NO LEITE FORMA REDUZIDA NO
LEITE
Azul de Metileno (azul) Leuco azul de metileno
(incolor)
Resazurina (azul ardósia) Resorufina (rosa)
Diidroresorufina (incolor)
O azul de metileno é utilizado à concentração de 0,005% e se conserva
no refrigerador por uma semana somente.
a) Limitações do método
logo após a pasteurização não tem significado (são necessárias 24
horas à temperatura ambiente para que se reconstituam os sistemas
enzimáticos);
traços de metais presentes na amostra diminuem o tempo de
descoloração;
formol provoca descoloração muito rápida (xantina-oxidase);
a temperatura de 37oC não é favorável a todos os tipos de bactérias.
As termofílicas, termodúricas e psicrofílicas são praticamente
inativadas a esta temperatura;
presença de leucócitos diminui o tempo de redução;
a prova deve ser realizada ao abrigo da luz;
início e fim da lactação: reações falsas.
b) Técnica:
preparar e identificar dois tubos de ensaio (um dos tubos servirá para
colocar o termômetro para registro de temperatura);
verter com pipetas 10,0 ml da amostra nos dois tubos;
agitar vigorosamente a amostra;
mantê-los em água gelada até o momento do início da prova;
colocar, em um dos tubos, 1,0 ml da solução de azul de metileno a
Microbiologia da Segurança de Alimentos
51
0,005%;
tapar o tubo teste, deixando o outro aberto para receber o
termômetro;
sem agitar ou inverter os tubos, incubá-los em banho-maria a 36oC
1 (pré-incubação);
uma vez que a amostra alcance a temperatura exigida, ajustar a
tampa do tubo e inverter por 3 vezes;
Obs.: se nesta etapa, logo após a inversão se produz o
descoramento do teste, o tempo de redução será considerado como
menor que 15 minutos:
caso não haja descoloração do teste, incubar e reexaminar após 60
minutos e, após, de hora em hora, até 5 horas de leitura.
Obs.: devido à descoloração não uniforme do azul de metileno, deve-
se aceitar como descorado o teste quando 4/5 do seu volume estiver
branco.
c) Interpretação:
Tempo necessário à descoloração:
menos de 15 minutos excessivamente
contaminado
15 - 60 minutos fortemente contaminado
1 - 3 horas ligeiramente contaminado
mais de 3 horas satisfatório
Na contagem, os resultados são os seguintes:
menos de 2h30min + de 2.000.000 de germes
2h30min a 4h30min + de 200.000 germes
mais de 4h30min - de 200.000 germes
TESTE DE BRUCELOSE: se no leite existirem anticorpos, estes irão
Microbiologia da Segurança de Alimentos
52
aglutinar o antígeno e um agregado colorido de bacilos irá elevar-se com o
creme, ficando uma linha azul sobre uma coluna branca de creme. Positivos
fracos mostram o leite e o creme azuis. Resultados negativos mostram o leite
azul e a linha de creme branco.
Falsos positivos poderão ser obtidos com leite coletado no princípio e fim
da lactação devido a anticorpos do soro do leite.
O Ring Test não dá resultado satisfatório com leite pasteurizado ou com
leite de cabra.
a) Técnica da prova do anel em leite
colher uma amostra de leite de cada fornecedor ( 3 ml), em vidros
com capacidade de pelo menos 5 ml;
colher as amostras de leite no tanque de pesagem, ou nos latões de
um mesmo fornecedor, agitando-os bem e, depois, tomando uma
amostra desta mistura;
as amostras colhidas deverão ser conservadas em geladeira (não no
congelador) por um período não inferior a 12 horas e não superior a
72 horas (ideal 24 horas), antes da realização da prova;
leite e o antígenos deverão permanecer 30 minutos à temperatura
ambiente antes da realização da prova;
identificar os tubos de hemólise com o número da amostra do leite;
antes de pipetar o leite para os tubos de hemólise, misturar o leite por
meio de movimentos suaves de inversão, por três vezes, vedando a
boca do vidro. Repetir a operação com cada vidro;
depositar, nos tubos de hemólise previamente identificados, 1 ml da
amostra do leite, utilizando-se para isso pipetas graduadas;
repetir a operação com cada amostra colhida, utilizando-se pipetas
limpas;
uma vez colocada a amostra de leite nos tubos, depositar 0,03 ml (1
gota) do antígeno em todos os tubos (conta-gotas utilizado para
brucelose);
misturar o leite e o antígeno mediante a inversão suave do tubo por 3
vezes, vedando a boca do mesmo;
repetir a operação com cada tubo;
Microbiologia da Segurança de Alimentos
53
incubar em estufa a 37oC, durante 45 minutos, antes da leitura;
fazer leitura conforme o quadro a seguir:
ANEL DO CREME COLUNA DO CREME RESULTADO
Muito colorido (azul) branca ++++
Fracamente colorido ligeiramente colorida +++
Medianamente colorido ligeiramente colorida ++
Mesma cor mesma cor +
Branco ou ligeiramente
colorido
colorida -
interpretação da prova - qualquer leitura de 1 a 4 cruzes é
considerada como prova positiva;
leitura negativa somente quando o leite permanecer branco;
a prova positiva corresponde a uma amostra suspeita.
ANÁLISE DE AERÓBIOS MESÓFILOS
a) Meios de cultivo:
plate count ágar (PCA);
ágar triptona-glucose-extrato de levedura;
trypticase soy agar.
b) Técnica:
Diluição das amostras - o esquema básico a seguir é:
Microbiologia da Segurança de Alimentos
54
AMOSTRA DE LEITE
1ml
9 ml de diluente
(10-1)
1 ml
9 ml de diluente
(10-2)
Inoculação em placas (“Pour plate” ou por incorporação)
inocular 1 ml de cada diluição em placas de petri (duplicata);
adicionar o meio de cultivo (45oC - febre alta); homogeinizar;
deixar solidificar, inverter as placas
incubar à temperatura de 32C/48 horas;
após incubação, fazer leituras.
OBS.: a contagem total de microrganismos também pode ser feita por
inoculação na superfície do meio (“surface plate”)
ANÁLISE DE COLIFORMES TOTAIS E FECAIS
a) Meios utilizados para coliformes:
caldo lauryl sulfato triptose (para coliformes totais);
caldo E.C. (para coliformes fecais).
b) Técnica de inoculação:
preparar as diluições conforme esquema apresentado anteriormente;
inocular 1 ml de cada diluição em série de 3 ou 5 tubos;
Microbiologia da Segurança de Alimentos
55
incubar em temperatura de 35-37oC/24-48 horas;
fazer a leitura - tubos com turvação e presença de gás no tubo de
Durhan, são considerados positivos (produção de ácido e gás a partir
da lactose do meio);
a confirmação de presença de coliformes é feita procedendo-se a
inoculação através de alça, em tubos de caldo bile verde brilhante
(2%) ou por estrias em placas de ágar eosina azul de metileno (EMB);
incubar o meio líquido à 35-37oC/24-48 horas e observar a produção
de gás. A formação de gás confirma a presença de organismos
coliformes para saber se existem colônias típicas de coliformes depois
de 24-48 horas de incubação a 35-37oC. A formação no EMB ágar de
colônias negras e com centro negro, ou mucoides de cor rosa-
alaranjado, confirma a presença de microrganismos coliformes;
fazer o cálculo do NMP (número mais provável);
para determinação de coliformes fecais os tubos positivos deverão ser
repicados por meio de inoculação com alça de platina e incubados a
44,5oC/24-48 horas.
c) Cálculo de número mais provável (NMP):
O cálculo do NMP é feito usando-se tabelas já elaboradas para este fim e
seguindo-se as seguintes normas:
eleger as três últimasdiluições em que, a primeira diluição eleita
apresente três tubos positivos e a última com todos os tubos
negativos ou, pelo menos, 1 tubo negativo;
POR EXEMPLO: se a primeira diluição usada com três tubos positivos for
a 10-2, na 10-3 tiver um tubo positivo e na 10-4 nenhum, o resultado seria: 10-2 =
3; 10-3 = 1;10-4 = 0. Teríamos, então, o número 310 que, na tabela,
corresponderia a 4,5. Como na tabela o NMP é calculado a partir da primeira
diluição usada (10-2), o resultado deverá ser multiplicado por cem, ou seja, o
NMP seria igual a 450 microrganismos/g ou ml, ou ainda 4,5 x 102/ g ou ml.
Quando não houver nenhuma diluição que apresente 3 tubos
positivos, selecionar as três diluições mais altas que apresentem pelo
menos 1 tubo positivo.
POR EXEMPLO: se as quatro últimas diluições com algum tubo positivo
forem 10-1; 10-2; 10-3; 10-4 com 2, 2, 1 e 1 tubos positivos, respectivamente, o
Microbiologia da Segurança de Alimentos
56
resultado seria: 10-2 = 2; 10-3 = 1; 10-4 = 1; este resultado corresponde a 2,0 na
tabela. Como a primeira diluição usada para cálculo foi 10-2, deve-se multiplicar
por 100, sendo, portanto, o resultado final igual a 200 microrganismos/g ou ml,
ou seja, 2,0 x 102/g ou ml.
Quando todas as diluições apresentarem todos os tubos positivos,
selecione as três últimas.
POR EXEMPLO: se as três últimas diluições forem 10-2, 10-3 e 10-4 ,
teremos, 3, 3, 3, tubos positivos, respectivamente, e neste caso a tabela
apresenta como resultado 140 que multiplicado por 100, e resulta em 14.000
microrganismos/g ou ml, ou seja, >1,4 x 104/g ou ml.
TABELA 5.1 Tabela do número mais provável - série de 3 tubos
Nº
significativo
NMP/ml Nº
significativo
NMP/ml Nº
significativo
NMP/
ml
000 0,0 201 1,4 302 6,5
001 0,3 202 2,0 310 4,5
010 0,3 210 1,5 311 7,5
011 0,6 211 2,0 312 11,5
020 0,6 212 3,0 313 16,0
100 0,4 220 2,0 320 9,5
101 0,7 221 3,0 321 15,0
102 1,1 222 3,5 322 20,0
110 0,7 223 4,0 323 30,0
111 1,1 230 3,0 330 25,0
120 1,1 231 3,5 331 45,0
121 1,5 232 4,0 332 110,0
130 1,6 300 2,5 333 +140,0
200 0,9 301 4,0
5.2 MICROBIOLOGIA DA CARNE
As carnes podem ser frescas, curadas, dessecadas ou submetidas a
algum outro tratamento.
A massa interna da carne (músculo) de mamíferos sãos, aves e pescados
normalmente não contêm germes ou estes quando estão presentes são
Microbiologia da Segurança de Alimentos
57
escassos. Algumas vezes, microrganismos são encontrados em gânglios
linfáticos, medula óssea e no próprio músculo. A contaminação mais importante
da carne, portanto, é de origem externa.
FONTES E NATUREZA DA CONTAMINAÇÃO EXTERNA
MATADOURO pele dos animais;
sujidade;
conteúdo gastrintestinal
o ar;
a água;
os utensílios;
o pessoal.
MANIPULAÇÃO PÓS-MATADOURO refrigeração;
congelamento;
processos de industrialização;
divisão;
empacotamento;
transporte e distribuição;
manipulação doméstica.
MICRORGANISMOS - provenientes do homem:
Salmonella sp.;
Shigella;
Escherichia coli;
Bacillus cereus;
Staphylococcus aureus;
Clostridium perfringens;
- provenientes do solo:
Clostridium botulinum.
Só a contaminação com microrganismos não produtores de toxina pode
ser eliminada pelo calor em poucos minutos.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
58
Conservação da carne
A conservação da carne, como a de quase todos os alimentos que se
alteram com facilidade, é feita pela combinação de vários métodos. O fato de a
maioria das carnes constituírem excelente meios de cultivo (umidade
abundante, pH quase neutro e abundância de nutrientes) unido a
circunstâncias de que microrganismos podem ser encontrados nos gânglios
linfáticos, ossos e músculos, e a contaminação por microrganismos alterantes é
quase inevitável, tornando a sua conservação mais difícil que a maioria dos
alimentos. A menos que o resfriamento seja efetuado imediatamente após o
sacrifício do animal, a carne pode experimentar mudanças prejudiciais em sua
aparência e sabor, e suportar crescimento de microrganismos antes de ser
convenientemente tratada para sua conservação. O armazenamento durante
um tempo prolongado a temperaturas de refrigeração pode aumentar
ligeiramente a carga microbiana.
As qualidades nutritivas, elevado conteúdo hídrico e pH elevado fazem da
carne um meio de cultura ideal para numerosos microrganismos. O
desenvolvimento destes e, consequentemente, o tipo de alteração são
influenciados por uma série de fatores, entre os quais o tipo e o número de
microrganismos contaminantes e sua dispersão na carne; propriedades físico-
químicas da carne, disponibilidade de oxigênio e temperatura do meio.
O pH da carne, logo após a matança, fica entre 7,0 e 7,5, devido à
formação de ácido lático e gás carbônico. Estes valores descem para 6,0,
dentro de 4-6 até 20 horas. Valores mais baixos ainda podem ocorrer. Quanto
mais rapidamente o produto se acidificar e quanto mais baixo o pH for
encontrado, maiores serão as perspectivas de boa conservação.
No tecido vivo, o glicogênio é transformado em ácido lático e,
posteriormente, em CO2, com a liberação de energia muscular. O CO2 é
eliminado através do sangue. Nova reserva de glicogênio é produzida pelas
substâncias nutritivas ingeridas.
O processo é aeróbio e a presença de ácido lático é passageira. Por isso,
o pH da carne viva é ao redor de 7,0.
No tecido morto, cessam a oxigenação e a eliminação de CO2. O
ambiente tornou-se anaeróbio, o que favorece a ação de certas enzimas que,
com a participação do ácido fosfórico, decompõem o glicogênio em ácido lático,
que se acumula nos tecidos. Com isso, baixou o pH até 5,4.
A rapidez e o grau de abaixamento do pH dependem de muitos fatores,
como a quantidade de glicogênio existente, a temperatura, etc.
Nas matanças de emergência de animais cansados ou doentes, a queda
do pH pode ser fugaz ou mesmo inexistente.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
59
Patógenos encontrados na carne
As bactérias patógenas que podem ser encontradas na carne são:
Salmonella sp., Staphylococcus aureus, Yersinia enterocolítica,
Clostridium perfringens e, ocasionalmente, Clostridium botulinum.
Na carne são encontradas frequentemente bactérias entéricas, como
coliformes fecais e estreptococos fecais, o que indica que o intestino é uma
fonte corrente de contaminação. Também podem ser encontrados alguns vírus
intestinais. Os microrganismos produtores de toxinfecções alimentares que
mais preocupam na carne (Clostridium perfringens, Salmonella sp, S.
aureus e provavelmente E. coli enteropatogênica) estão associados à
contaminação entérica.
As salmonelas são, possivelmente, os patógenos mais problemáticos; as
enfermidades provenientes de carnes e produtos cárnicos infectados com
salmonela sobressaem nas estatísticas de toxinfecções alimentares de
diversos países e os sorotipos estranhos de um país continuam aparecendo
em outros. Onde existem sistemas de vigilância sanitária adequados tem-se
demonstrado, em várias ocasiões, que quando um sorotipo estranho é
detectado em peças de carne importada, pode ser encontrado mais tarde, em
animais domésticos e depois em enfermidades humanas, que eles consumiram
carne contaminada. Por esta razão, alguns países exigem que, para a
importação de carne, estas devem estar livres de salmonela.
Alterações da carne
Na carne preparada higienicamente, o número de microrganismos
patógenos é muito pequeno e sua microbiota está formada fundamentalmente
por espécies saprófitas.Os mais numerosos são os bacilos gram-negativos e
os cocos; entre os saprófitos se incluem Acinetobacter, Aeromonas,
Alcaligenes, Flavobacterium, Moraxella, Pseudomonas, bactérias
coriniformes, assim como várias enterobacteriáceas. Os micrococos que se
detectam facilmente nas carnes frescas são, principalmente, Micrococcus
spp. e Staphylococcus spp. Existem pequenos números de estreptococos
fecais, bactérias láticas, Microbacterium thermosphactum e várias espécies
de Bacillus. Também são detectados leveduras e mofos. A origem destes
microrganismos não está totalmente clara.
A importância dos microrganismos presentes inicialmente na carne
depende do emprego futuro que esta deverá ter. Pseudomonas,
Acinetobacter e Moraxella são microrganismos dominantes da carne crua,
exposta a ar e temperaturas de refrigeração. Se a carne está um pouco seca,
as bactérias são substituídas por leveduras (Trichosporon scotti) e por mofos
(Cladosporium, Sporotrichium e Thamnidium sp.). Se a carne é
empacotada com ausência de ar, Microbacterium thermosphactum e
Microbiologia da Segurança de Alimentos
60
lactobacilos atípicos são os que predominam. Nenhum destes microrganismos
tem interesse na carne congelada, salvo que, durante seu descongelamento,
tenham oportunidade de crescer. Os psicrotróficos são termolábeis e, portanto,
não têm importância nos produtos tratados a calor.
Contagens microbianas, variando de 100 a 100.000 por grama, têm sido
relatadas nas superfícies de carcaças de boi. Carne fresca cortada de carcaça
refrigerada será contaminada em sua superfície por microrganismos do
ambiente e de serras e facas empregadas no corte da carne. Cada novo corte
expõe uma nova superfície, com o potencial de acréscimo de mais
microrganismos no tecido exposto. Picar ou moer a carne para o preparo de
hambúrguer propicia a exposição de um grande número de superfícies e
permite um alto potencial de contaminação. A contagem microbiana em
hambúrguer pode chegar de 5.000.000 a 10.000.000 por grama de amostra.
Existe uma relação direta entre o número inicial de bactérias da carne e o
tempo que necessita para alterar-se. Portanto, se o número inicial é muito
grande, a duração da cor e do aroma pode ser comprometida.
TIPOS PRINCIPAIS DE ALTERAÇÕES DA CARNE
As alterações mais frequentes podem ser classificadas com base na
presença ou ausência de oxigênio e se são causadas por bactérias, leveduras
ou fungos. Em condições aeróbias, as bactérias podem causar:
mucosidade superficial - por espécies de Pseudomonas,
Achromobacter, Streptococcus, Leuconostoc, Bacillus,
Micrococcus e, às vezes, Lactobacillus. Necessita de temperatura e
umidade na superfície.
Bacon - Micrococcus, bacon empacotado a vácuo - Lactobacillus e
embutidos - leveduras.
alteração na cor dos pigmentos normais da carne
MIOGLOBINA OXIDA-SE METAMIOGLOBINA (cor marrom)+ H2S
(bactérias) SULFOMIOGLOBINA degradada a pigmentos biliares
amarelos ou incolores pela ação de H2O2 originário das bactérias.
Pseudomonas (azul verdosos), Micrococcus, Sarcinas e leveduras
(rosa).
Microbiologia da Segurança de Alimentos
61
Cladosporium (negra), Sporotrichium (brancas) e Penicillium
(azul-verdosas).
Bactérias halófilas (negras ou rosas em carnes salgadas).
alterações experimentadas pelas graxas: oxidação, ação das
bactérias lipolíticas, etc.;
fosforecências: defeito pouco frequente, produzido por bactérias
luminosas ou fosforecentes que se desenvolvem na superfície da
carne, como algumas espécies de Photobacterium;
presença de cheiro e sabores estranhos.
Odores pútridos- decomposição de proteínas e aminoácidos (indol,
metilamina e H2S) - anaeróbios.
Odores ácidos - decomposição de açúcares e outras moléculas
pequenas.
Odores causados por germes anaeróbios são mais desagradáveis porque
processos anaeróbios produzem mais energia; os germes anaeróbios têm que
degradar uma maior quantidade de substâncias para multiplicar-se à mesma
velocidade que aeróbios; as substâncias de odores desagradáveis são
liberadas especialmente em baixas condições redutoras.
Em condições de aerobiose, alguns fungos podem crescer produzindo
adesividade (superfície pegajosa ao tato); aspecto de “barba”, como quando
contaminadas com Thamnidium chaetocladioides ou T. elegans, Mucor
mucedo, M. lusitanicus ou Rhizopus.
Os anaeróbios podem produzir suas alterações nas partes internas da
carne e enlatados como:
azedamento: aspecto indesejável e sabor azedo. É ocasionado pela
presença de ácidos, tais como acético, fórmico, butírico, propiônico,
lático, succínico e alguns ácidos graxos;
putrefação: decomposição anaeróbia da proteína, com produção de
H2S, indol, escatol, amoníaco, aminas, etc. Geralmente produzida por
Clostridium;
ranço: rancificação.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
62
Alteração por Clostridium perfringens:
INÓCUAS COLAGENASE hidrólise do tecido conectivo
produção de gás;
DESAMINASE ataca aminoácidos livres produção de
H2, CO2 e amoníaco;
GLICOGÊNIO fermentação do ácido acético e butírico
(odores desagradáveis);
Enzima que descarboxila a histidina e histamina, produz
hialuronidase e ataca mucopolissacarídeos.
PATÓGENAS - presença de TOXINA - elaboradas pelo microrganismo.
Alterações biológicas
Hemólise e destruição de células dos tecidos - podem causar a morte.
O tipo de alteração mais provável na carne é determinado pela presença
ou ausência de ar e pela temperatura de armazenamento. À temperatura
recomendada, em torno de 0oC, só se desenvolvem leveduras, fungos e
bactérias psicrófilas. Pertencem a este grupo as muitas espécies produtoras de
viscosidade e alterações superficiais, como cor e muitos que produzem
“azedamento”, incluindo os gêneros Pseudomonas, Achromobacter,
Lactobacillus, Leuconostoc, Streptococcus e Flavobacterium.
Os germes de putrefação, como o Clostridium, não se desenvolvem em
temperaturas de refrigeração.
Análise microbiológica da carne
a) Considerações gerais
A carne comparece ao mercado sob muitas formas e são necessários
métodos microbiológicos para a avaliação de qualidade, detecção de
deterioração e determinação da origem de quaisquer defeitos de qualidade.
Como resultado dos vários métodos de produção, processamento e
manipulação desses produtos, alguns alimentos cárneos agem como um meio
seletivo ou de enriquecimento para tipos específicos de microrganismos.
Parece lógico classificar estes produtos em grupos que apresentem problemas
microbiológicos semelhantes.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
63
Vários grupos de microrganismos deveriam ser considerados para se
fazer um controle de qualidade destes produtos, porém, é de especial
importância a verificação da presença de Salmonella sp..
Sob circunstâncias normais, os produtos alimentícios, tal como são
ingeridos, não contêm bactérias pertencentes a esse gênero. Quando bactérias do
gênero Salmonella são encontradas em alimentos, elas são geralmente
consideradas como um perigo potencial para a saúde pública. Em carnes, o
padrão microbiológico é de ausência em 25 g do produto.
É essencial que haja métodos disponíveis para a detecção e enumeração
de membros do gênero Salmonella conforme for necessário, como para
controle de qualidade ou determinação da eficiência dos procedimentos
sanitários.
b) Análises
Verificar presença de Salmonella sp.
Todas as salmonelas deveriam ser consideradas como potencialmente
patogênicas para o homem. A única via de entrada destes microrganismos no
corpo humano é a oral, por isso é de suma importância a análise dos alimentos
para detectar sua presença. Ainda não é possível desenvolver nenhum métodoque possa garantir a recuperação de todos os sorotipos de Salmonella a partir
dos diferentes produtos alimentícios submetidos às variadas condições de
preparação e conservação. Os métodos para o isolamento e identificação de
salmonelas a partir dos alimentos podem ser divididos em 6 etapas:
1. enriquecimento não seletivo;
2. enriquecimento seletivo;
3. inoculação em placas de meios sólidos seletivos e diferenciais;
4. meios de triagem;
5. estudo das características bioquímicas das colônias suspeitas, nos
meios de cultivo adequados;
6. análises antigênicas, em duas fases: a) emprego de antissoro
polivalente O e do polivalente H; e b) utilização dos antissoros
específicos do grupo O e H.
Os passos de 1 a 3 referem-se ao isolamento e os de 4 a 6 a
identificação. O passo 1 tem como finalidade a revitalização das salmonelas
Microbiologia da Segurança de Alimentos
64
lesadas por diferentes condições de tratamentos industriais ou de
armazenamento. O passo 2 é de enriquecimento seletivo e serve para
favorecer o crescimento das salmonelas em um ambiente que pode conter
grande número de bactérias diferentes das mesmas. O passo 3 permite a
visualização das colônias suspeitas, por seu aspecto característico. O passo 4
e 5 refere-se à identificação bioquímica. O passo 6 conduz, por meio de provas
sorológicas, à identificação definitiva das cepas suspeitas como membros do
gênero Salmonella.
Antes, o enriquecimento não seletivo era usado somente quando se
suspeitava que um tratamento como o aquecimento, a desidratação, a
irradiação ou o congelamento, ou certas condições de baixo pH, havia lesado
as células de salmonelas nos alimentos. Recentemente, tem sido assinalado
que inclusive amostras de alimentos, tais como carnes cruas e ovo líquido, o
pré-enriquecimento da amostra em um meio não seletivo dá mais resultado do
que quando se inocula em meios seletivos diretos. Atualmente, baseando-se
nestas afirmações, recomenda-se que todas as amostras sejam pré-
enriquecidas em meio não seletivo antes do uso de um meio seletivo.
O enriquecimento não seletivo era realizado normalmente em caldo
lactosado. Esta prática foi iniciada por NORTH (1961) nas análises de clara de
ovo dessecada. Posteriormente, vários investigadores estudaram modificações
na composição deste meio, mas concluíram que sua composição não é tão
crítica como se supunha. Hoje, investigadores têm usado água peptonada
tamponada no lugar do caldo lactosado.
Um caldo de enriquecimento seletivo estimula a multiplicação das
salmonelas e reduz ou inibe o crescimento dos organismos competidores, tais
como os coliformes, Proteus e Pseudomonas, cujo crescimento superaria ao
das salmonelas, em particular se estes organismos competidores estão
presentes no alimento em número muito maior do que as salmonelas. O uso de
mais de um caldo seletivo, assim como a temperatura de incubação, pode
melhorar de forma marcante a porcentagem de recuperação de salmonelas.
Os ágares seletivos geralmente contêm substâncias inibidoras que fazem
com que estes meios se tornem seletivos e um sistema indicador que colore as
colônias ou o meio que as rodeia, o que faz com que o meio seja diferencial, ou
seja, capaz de diferenciar caracteres bioquímicos das colônias que nele se
desenvolvem.
Técnica de isolamento
a) Pré-enriquecimento:
pesar 25 gramas da amostra;
homogeneizar com 225 ml de água peptonada tamponada;
Microbiologia da Segurança de Alimentos
65
incubar a 35-37oC/6-12 horas.
b) Enriquecimento seletivo:
pipetar 1 ml do cultivo de pré-enriquecimento e adicionar a tubos
contendo caldos seletivos 1ml selenito cistina 1 ml tetrationato
Muller-Kauffmann;
incubar tubos a 37 e 43oC/24 horas.
c) Seletivos indicadores:
inocular em superfície por estrias nas placas contendo meios de
cultivo Hektoen ou SS ágar e Rambach ágar;
incubar a 37 e 43oC/24 horas.
Verificar características das colônias conforme a Tabela 5.2.
TABELA 5.2 Características das colônias em SS ágar
COLÔNIAS MICRORGANISMOS
Incolores, transparentes Shigella e maioria das
Salmonella
Rosa a roxo Escherichia coli
Maiores que E. coli, de cor rosa,
opacas, mucosas
Enterobacter aerogenes
Transparentes, com centro negro Proteus e algumas Salmonella
TABELA 5.3 Características das colônias em Rambach ágar
COLÔNIAS MICRORGANISMOS
Vermelha Salmonella
Azul-azulada Escherichia coli
Azul-violeta Klebsiella pneumoniae
Incolor-amarelada Shigella e Proteus
Inibida Staphylococcus aureus e Bacillus cereus
Incolor-avermelhada Pseudomonas
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66
d) Meio de triagem
colônias típicas são transferidas para o meio triple sugar iron ágar
(TSI) e lisine iron ágar (LIA) de inoculação na parte inclinada do meio
e em profundidade;
incubar a 35-37oC/24 horas;
verificar características do meio conforme Tabela 5.4.
TABELA 5.4 Características de enterobactérias em meio de triple sugar
iron ágar
MICRORGANISMOS SUPERFÍ
CIE
PROFUNDID
ADE
GÁS H2S
Escherichia A (K) A + (-) -
Shigella K A - -
Salmonella typhi K A - + (-)
Outras salmonelas K A + (-) +++ (-)
Arizona K (A) A + +++
Citrobacter K (A) A + +++
Edwardsiella K A + ++++
Klebsiella A A ++ -
Enterobacter A A ++ -
Enterobacter hafniae K A + -
Serratia A (K) A + +++
Proteus vulgaris A (K) A + +++
Proteus mirabilis K (A) A + +++
Proteus morgani K A - (+) -
Proteus rettegeri K A + ou - -
Providencia K A - -
Obs.: se não houver fermentação no fundo do tubo não é
Enterobacteriaceae.
e) Identificação da Salmonella
A identificação final deverá ser feita por meio de testes bioquímicos e
provas sorológicas.
Características dos meios:
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67
água peptonada tamponada (pré-enriquecimento): contém
nutrientes para o desenvolvimento de todos os microrganismos
existentes na amostra. Serve para a recuperação de células injuriadas
que tenham sido submetidas a processos de congelamento, agentes
químicos, pasteurização e outros. O meio não contém inibidores;
caldo tetrationato (enriquecimento seletivo): o tetrationato inibe a
microbiota gram-positiva e os sais biliares a microbiota não intestinal;
caldo selenito-cistina (enriquecimento seletivo): o selenito contido
no meio inibe o crescimento da bactéria coliforme e enterococos
durante as primeiras 12 horas, depois o efeito inibidor diminui
lentamente.
Ágar salmonella - Shigella (seletivo indicador) - os inibidores de
microbiota acompanhante são verde-brilhantes, sais biliares, tiossulfato e
citrato.
Ágar rambach - (seletivo indicador)
IDENTIFICAÇÃO DAS BACTÉRIAS ISOLADAS NOS MEIOS SELETIVOS
Antes de identificar e classificar um microrganismo, suas características
devem ser determinadas com detalhes adequados. As principais, a serem
determinadas ou observadas, incluem as seguintes:
características culturais: os nutrientes exigidos para o crescimento
e as condições físicas do ambiente que favorecem o
desenvolvimento;
características morfológicas: as dimensões das células, seus
arranjos, a diferenciação e a identificação de suas estruturas;
características metabólicas: a maneira pela qual o microrganismo
desenvolve os processos químicos vitais;
características de composição química: a identificação dos
principais e típicos constituintes das células;
características antigênicas: a detecção de componentes especiais
da célula (químicos), que fornecem evidências de semelhança entre
as espécies;
características genéticas: a análise da composição do ácido
desoxirribonucleico (ADN), assim como a determinação das relações
entreo ADN isolado de diferentes microrganismos.
Uma vez que as caraterísticas de um microrganismo tenham sido
adequadamente determinadas e catalogadas, é possível identificá-lo pela
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68
consulta a livros de referência que contêm descrições das espécies
microbianas (exemplo: Bergey’s Manual of Determinative Bacteriology).
Entretanto, é comum, mesmo hoje, descobrir que o organismo que está sendo
pesquisado é muito diferente de qualquer um dos que foram descritos
anteriormente e pode, de fato, tratar-se de uma nova espécie. Além disso,
quanto mais informações forem coletadas sobre os microrganismos existentes,
as ideias a respeito de seus agrupamentos podem sofrer modificações.
Como fazer para determinar os nomes dos microrganismos e como
catalogá-los de forma sistemática? As denominações específicas, no mundo
biológico, surgem da sistemática, que pode ser descrita como a ciência do
desenvolvimento de um arranjo ordenado das espécies, dentro de cada uma
das principais categorias de organismos, ou seja, animais, vegetais e certos
microrganismos (Procaryotae).
Taxonomia é um termo relacionado e, algumas vezes, usado como
sinônimo de sistemática. É pertinente à “classificação” ou “sistemática” de
organismos, arranjados em grupos ou categorias, chamadas taxa (singular =
taxon). A taxonomia pode ser dividida em três partes:
classificação: arranjo ordenado de unidades em grupos de unidades
maiores. Pode-se traçar uma analogia com as cartas de um baralho.
As cartas individuais podem ser classificadas, inicialmente, pela cor,
depois pelos naipes. Dentro de cada naipe, as cartas podem ser
ordenadas numa sequência numérica;
nomenclatura: denominação das unidades definidas (caracterizadas)
e delineadas pela classificação. A mesma analogia anterior pode ser
usada. As cartas de baralho recebem nomes e, às vezes, mais do que
um. Por exemplo, “dama” ou “rainha” se referem à mesma carta.
Felizmente, a nomenclatura científica segue uma só linguagem;
identificação: usando os critérios estabelecidos para a classificação
e a nomenclatura, os microrganismos são identificados pela
comparação entre unidades “conhecidas” e “desconhecidas”. A
identificação de um microrganismo “recentemente” isolado requer
caracterização, descrição e comparação adequadas com as
descrições típicas de germes conhecidos.
Técnica de isolamento
para determinar a espécie bacteriana presente, é indispensável isolar
o microrganismo em cultura pura;
todas as placas de petri devem ser inoculadas pelo método de estrias
em ziguezague para se obter uma boa separação das colônias
bacterianas;
Microbiologia da Segurança de Alimentos
69
antes da retirada da colônia escolhida para identificação, observar:
forma da colônia, aspecto, cromogênese, opacidade, elevação,
superfície, consistência e odor;
transferir a colônia isolada para meio líquido (o meio e a temperatura
a serem usados dependerão do isolado em estudo) e, após
incubação, verificar: turbidez, formação de película e sedimento;
inocular novamente em ágar inclinado para, a partir deste cultivo puro,
realizar os testes necessários para a identificação.
Descrição de alguns testes para identificação
a) Coloração de gram
corar durante 1 minuto com solução de cristal violeta;
lavar ligeiramente em água;
cobrir com solução de iodo; esperar 1 minuto;
lavar em água; não limpar com papel absorvente;
descorar em álcool a 95%, de preferência com 3 banhos sucessivos,
de 30 segundos cada um;
lavar com água durante 5 segundos;
aplicar corante de fundo por 10 segundos;
lavar durante 5 segundos, secar sem auxílio de papel absorvente e
examinar.
b) Coloração de esporos
fazer esfregaço em lâmina e secar em chama;
cobrir com solução aquosa de verde malaquita por 30 a 60 segundos
e aquecer até sair vapor por 2 a 3 vezes;
lavar o excesso de corante em água corrente;
imergir em solução aquosa de safranina durante cerca de 30
segundos;
lavar, secar e examinar. Os esporos se colorem de verde e as células
Microbiologia da Segurança de Alimentos
70
vegetativas de vermelho.
c) Motilidade
Princípio: para determinar se um organismo é móvel ou não.
Meio empregado: Motility Test Medium (semissólido).
Inoculação: inocular com agulha no centro do meio até uma
profundidade de 2/3 do tubo. Incubar à temperatura necessária ao
isolado.
Teste positivo: organismos móveis migram e difundem no meio,
causando turbidez.
Teste negativo: organismos crescem ao longo da linha de inoculação
e o meio permanece claro. Observação: a motilidade também pode
ser observada em outros meios (como o meio de oxidação-redução) e
também em lâminas especiais diretamente no microscópio.
d) Oxidase
Princípio: para determinar a presença da enzima oxidase.
Meio empregado: reagente N-N-dimetil-p-fenilediamina
monoidrocloreto a 1% e solução de 2-naftol em etanol a 1%.
Inoculação: misturar volumes iguais das soluções A e B e impregnar
um disco de papel de filtro com diâmetro pouco menor do que o da
placa. Com auxílio de pinça, colocar o papel de filtro impregnado com
a mistura sobre a superfície da placa. O desenvolvimento de
coloração azul-púrpura dentro de trinta segundos é considerado
positivo. Organismos com menor atividade de citocromo oxidase
podem produzir mudança de cor após período superior ao
estabelecido acima. Os resultados “positivo tardio” podem ser úteis na
diferenciação de alguns microrganismos.
e) Catalase
Princípio: para testar a presença da enzima catalase.
Meio empregado: H2O2 a 30%.
Inoculação: coloque parte de uma colônia pura sobre uma lâmina;
adicione gotas de H2O2 a 30% sobre a colônia; observe o imediato
borbulhamento (desprendimento de gás) se o teste for positivo.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
71
f) Indol
Princípio: o teste visa determinar a produção da enzima triptofanase,
por meio da detecção do indol obtido a partir da degradação do
triptofano.
Meio empregado: caldo de triptona a 1%.
Reagentes empregados: reagente de Kovacs (p-
dimetilaminobenzaldeído 3,0g; álcool amílico ou butílico 75 ml e HCl
concentrado 25ml). Dissolver o aldeído em álcool a 50-55ºC, resfrie e
adicione o ácido. Proteja da luz e armazene sob refrigeração.
Inoculação: inocular as culturas em tubos de caldo triptona e incubar
por um período de 2 a 7 dias. Após incubação, adicionar a 5 ml de
caldo, 0,5ml do reagente de Kovacs e agitar com cuidado. A presença
de indol é indicada pela formação de produto de condensação com
coloração rósea a vermelha alcoólica, indicando o resultado positivo.
g) MR-VP
Princípio: VM - o vermelho de metila é usado para testar a produção
de ácidos orgânicos, formados durante a fermentação da glicose. O
teste baseia-se fundamentalmente, na fermentação ácido-mista da
glicose por certos organismos para a produção de diferentes
quantidades de ácidos: ácido acético, ácido lático, ácido fórmico, além
de CO2, H2 e etanol. VP - no metabolismo da glicose alguns
organismos produzem acetil metil carbinol ou acetoína, produto de
condensação de duas moléculas de ácido pirúvico seguida de
descarboxilação (fermentação butileno-glicólica). A reação de VP é
atribuída à oxidação atmosférica da acetoína, na presença de KOH. A
reação da formação do complexo de cor se processa lentamente, mas
pode ser acelerada na presença da 2-naftol e creatina.
Meio empregado: VM-VP ágar e os reagentes: vermelho de metila
(0,1 ml de vermelho de metila em 300 ml de etanol 95% e completar o
volume para 500 ml com água destilada) para o teste de VM; e para o
teste de VP os reagentes: solução de 2-naftol a 5%, soluçãode KOH
a 40% e creatina (cristais).
Inoculação e interpretação: após a inoculação de dois tubos
contendo caldo VM-VP, incubar à temperatura ótima por 2 a 7 dias.
Em um dos tubos adicionar, após a incubação, 1 gota da solução de
vermelho de metila por ml de caldo. O aparecimento de cor vermelha
indica teste positivo (pH menor que 4,5), enquanto que não alteração
de cor (pH acima de 7,0) indica teste negativo para o teste VM. Para o
teste VP, adicionar, após a incubação por 24-48 horas, à cada 1 ml de
Microbiologia da Segurança de Alimentos
72
caldo, 0,5ml de solução de KOH a 40%, da solução. de 2-naftol e
alguns cristais de creatina. Agitar vigorosamente o tubo. O
aparecimento de coloração vermelha dentro de 15 a 60 minutos indica
teste positivo.
h) Citrato
Princípio: este teste é usado para determinar se o organismo é capaz
de utilizar citrato como única fonte de carbono para o metabolismo,
resultando em alcalinidade. Um organismo que é capaz de utilizar
citrato como única fonte de carbono também utiliza sais de amônia,
presente no meio, como única fonte de nitrogênio. Os sais de amônia
são quebrados para dar amônia, resultando em alcalinidade.
Meio empregado: ágar citrato de Simmons.
Inoculação e interpretação: inocular os tubos contendo o meio de
cultura na posição inclinada. Incubar por 24-48 horas à temperatura
desejada. O teste positivo é indicado pela mudança de cor verde para
a coloração azul. Quando o citrato não é utilizado, não ocorre o
crescimento e a coloração do meio de cultura permanece inalterada.
i) HUGH-LEIFSON
Princípio: este teste visa determinar a utilização e o tipo de
metabolismo (fermentativo ou oxidativo) pelo qual o carboidrato é
utilizado. Algumas bactérias podem fermentar a glucose
anaerobicamente; outras podem oxidar a glicose; algumas podem
metabolizar por ambos os métodos, enquanto outras são incapazes
de utilizar a glucose por qualquer método.
Meio utilizado: OF basal medium.
Inoculação e interpretação: após a inoculação dos tubos em
duplicata contendo o meio de hugh-leifson, cobrir um dos tubos com
Vaspar para se obter condições de anaerobiose. Incubar à
temperatura ótima, por um período de 2 a 14 dias. A oxidação ou
fermentação do carboidrato é indicada pela produção de ácido com a
consequente mudança de cor verde para amarela, no tubo aberto ou
selado com vaspar. Se somente o tubo aeróbico é acidificado
(mudança de cor para amarelo), o organismo catabolisa o carboidrato
por oxidação. Se ambos os tubos aeróbios e anaeróbios são
acidificados, o organismo é capaz de fermentação. Se nenhum tubo
torna-se acidificado, o organismo é incapaz de metabolizar o
carboidrato.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
73
5.3 MICROBIOLOGIA DE PESCADOS, CRUSTÁCEOS E MOLUSCOS
No mundo, o pescado é considerado como alimento proteico básico,
assim como a carne de mamíferos e aves. Em alguns países, com o Japão, é
a principal fonte proteica.
A melhoria em tecnologia e maquinários navais tem aumentado muito o
campo operacional de barcos que pescam. Os avanços na tecnologia dos
alimentos, especialmente em congelamento e tecnologia, têm permitido
superar a pouca durabilidade do pescado e seus produtos.
Propriedades importantes
Os pescados em geral são consumidos fundamentalmente como fonte de
proteínas de excelente qualidade nutritiva em termos de digestibilidade e
composição de aminoácidos.
Os lipídeos são triglicerídeos e fosfolipideos caracterizados por
apresentarem ácidos de cadeia longa insaturados; quimicamente são muito
lábeis e se oxidam facilmente durante o armazenamento.
O conteúdo de carboidratos é desprezível, salvo nos moluscos, em que
pode chegar a 3% de glicogênio.
O conteúdo mineral da musculatura é baixo, porém, formado por um
elenco completo de elementos nutritivamente essenciais.
A Tabela 5.5 mostra os valores representativos da composição
aproximada de várias categorias de animais aquáticos (excluídos os
mamíferos).
TABELA 5.5 Composição média do pescado e do marisco
ÁGUA
(%)
PROTEÍN
A
(%)
LIPÍDEO
S
(%)
CINZA
S
(%)
CARBOI-
DRATOS
(%)
Pescado gordo 68,6 20 10 1,4 0
Pescado
semimagro
77,2 19 2,5 1,3 0
Pescado magro 81,8 16,4 0,5 1,3 0
Crustáceos 76,0 17,8 2,1 2,1 0,6
Moluscos 81,0 13 1,5 1,6 3,4
Microbiologia da Segurança de Alimentos
74
A musculatura do pescado fresco é um excelente substrato para o
desenvolvimento microbiano devido à sua grande atividade de água, pH neutro
e altos níveis de nutrientes solúveis. Durante o rigor mortis, o músculo sofre as
mesmas mudanças bioquímicas que ocorrem nos mamíferos, tendo, porém,
um pH final de 6,2 ou mais.
Carga microbiana
A musculatura dos peixes é tida normalmente como estéril. São
encontradas bactérias em número variável em tres regiões do pescado: a
camada mucosa, brânquias e intestino.
As contagens variam conforme citado abaixo:
pele – 103 a 107/cm2;
brânquias - 103 a 106/ g;
intestino – 103 a 109 por ml de conteúdo entérico.
Variações tão amplas destas contagens refletem os efeitos dos fatores
ambientais. As contagens menores destas faixas são prodecentes de pescados
de águas limpas e frias, enquanto que as maiores são dos pescados de águas
tropicais ou subtropicais e de áreas contaminadas. A microbiota intestinal está
relacionada diretamente com a alimentação, sendo alta nos peixes bem
alimentados e baixa nos que não tenham ingerido alimentos.
Também são evidentes as relações entre carga microbiana baixa e alta
procedentes de animais de águas frias e quentes. Nos mares frios do
hemisfério norte, a microbiota é dominada pelos bacilos psicrotróficos gram-
negativos.
Em peixes do Mar do Norte foram encontradas bactérias dos gêneros
Pseudomonas (60%), Acinetobacter-Moraxella (14%) e o restante por outros
microrganismos. Nas águas mais quentes da Índia, na Costa da África do Sul,
a proporção de mesófilos é maior, sendo os micrococos e corineformes os mais
importantes.
Os pescados frescos que são conservados com gelo são alterados
invariavelmente por bactérias, enquanto que os conservados com sal e os
dessecados são, provavelmente, mais alterados por fungos.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
75
Alterações
O pescado é alterado, como a carne, devido às suas enzimas autolíticas
naturais e por atividade bacteriana. A alteração se origina devido,
fundamentalmente, à atividade enzimática de bacilos gram-negativos,
especialmente pseudomonas. Durante o armazenamento prolongado do
pescado, independente de estar ou não com gelo, estes microrganismos são
os que predominam.
As bactérias deterioradoras utilizam, primeiro, os compostos de baixo
peso molecular, como nucleotídeos e aminoácidos da musculatura, sendo sua
degradação a responsável pelos odores repugnantes e de outros sinais de
alteração.
Em pescado capturado em águas temperadas, o aumento de sua carga
microbiana segue uma sequência característica, como pode ser visto na Tabela
5.5.
Se o pescado não for eviscerado imediatamente em indústria, as
bactérias atravessam as paredes intestinais e passam ao tecido muscular da
cavidade abdominal. Acredita-se que este trânsito seja favorecido pela
atividade de enzimas proteolíticas procedentes do intestino, que podem ser
enzimas naturais próprias do intestino do pescado, ou enzimas bacterianas
procedentes do interior do tubo intestinal, ou pode ser bem possível que seja
de ambas as procedências.
Para detectar a alteração microbiana do pescado tem-se utilizado, com
excelentes resultados da redução de TMAO (óxido de N-trimetilamina), a
trimetilamina (TMA).
O TMAO é um constituinte normal do pescado do mar, enquantoque no
pescado recém-capturado, a TMA é insignificante ou nula. Nem todas as
bactérias têm a mesma capacidade para reduzir a TMAO a TMA e sua redução
depende do PH.
Patógenos
Vibrio parahaemolyticus – a frequência de toxinfecções alimentares,
como consequência do consumo de peixe cru no Japão, sugere que os
mesmos sobrevivem às condições correntes de manipulação e processamento
do pescado. Quando estes microrganismos encontram condições adequadas,
seu número aumenta rapidamente até alcançar um nível “infectivo”. Também
já foi comprovado que V. parahaemolyticus ultrapassa o crescimento da
microbiota natural de peixes e crustáceos quando as temperaturas são maiores
que 20ºC.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
76
Clostridium botulinum – o tipo E, em especial, é encontrado em
pequeno número no intestino e, às vezes, na pele do pescado procedente das
regiões temperadas. Os esporos desta bactéria persistem durante a
manipulação normal do pescado e podem germinar e desenvolver se
encontrarem condições apropriadas. Como é difícil eliminar bactérias
competitivas, ter condições anaeróbias e temperaturas maiores que 4ºC é
pouco corrente encontrar Clostridium botulinum em pescados, salvo se a
manipulação do produto defumado ou enlatado seja indevida.
Staphylococcus sp – nos filés, após processados, são encontrados com
frequência os estafilococos, porém, normalmente não se multiplicam, a não ser
que não se controle devidamente a temperatura. O pescado é um produto tão
facilmente alterável que seu armazenamento durante horas, a temperaturas
que permitem o crescimento do Staphylococcus aureus, dará lugar a um
produto alterado e repugnante. É claro que, na maioria dos casos, os
estafilococos são oriundos dos manipuladores porque as boas práticas de
higiene reduzem muito o nível de contaminação.
Salmonella e Shigella – são muito raras nos produtos frescos. As
temperaturas baixas de armazenamento impedem o crescimento destes
microrganismos, podendo morrer durante o transporte. Eles também não são
fontes correntes de contaminação das indústrias pelo fato de os pescados não
carregarem estes microrganismos.
Do ponto de vista de saúde pública, é de extraordinária importância a
contaminação do pescado com bactérias potencialmente patógenas
procedentes do homem e dos animais de sangue quente.
Os microrganismos contaminantes mais frequentes são coliformes,
Escherichia coli, enterococos e estafilococos e praticamente todas as causas
de contaminação são devido à manipulação pelo homem.
Controle
Para manter os microrganismos em níveis convenientemente baixos em
pescado cru, devem-se observar boas condições sanitárias nos barcos e nas
fábricas, mantendo o produto a temperaturas abaixo de 3ºC e fazer um
processamento rápido.
CRUSTÁCEOS
Geralmente, os caranguejos e lagostas são capturados e transportados
vivos a plantas de processamento; após a chegada, os exemplares mortos são
descartados. Os camarões e similares geralmente são capturados por arraste,
cobertos com gelo e transportados para a fábrica. Ao contrário do que ocorre
com caranguejos e lagostas, os crustáceos morrem logo após a captura.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
77
MOLUSCOS
Geralmente são capturados por rede de arraste, pela mão e outros meios
de coleta, e transportados sem refrigeração. Os animais mortos são também
eliminados. Nos moluscos, a população microbiana é “residente” e, no caso
das ostras, oscila de 104 a 106 bactérias/g de tecido. Contagens mais altas são
vistas quando a temperatura da água é mais alta. Na microbiota predominam
bacilos gram-negativos dos gêneros Vibrio, Pseudomonas, Acinetobacter-
Moraxella (Achromobacter), Flavobacterium e Cytophaga. Também existem em
menor número bactérias gram-positivas.
5.4 CONTAMINAÇÃO E ALTERAÇÃO DOS OVOS
Contaminação
A contaminação microbiana e problemas advindos desta contaminação
têm atraído a atenção de inúmeros pesquisadores hoje em dia.
Já Haines, em 1939, observou que os ovos eram providos de
constituintes de defesa químicos e físicos contra infecções microbianas e
sugeriu que estas defesas eram desenvolvidas para a proteção do
desenvolvimento embrionário.
A maioria dos ovos recém-postos são estéreis, ao menos em seu interior,
enquanto que as cascas podem se contaminar logo após a postura por meio do
material fecal, gaiolas, ninhos, água (quando são lavados), manipuladores e
materiais de empacotamento.
Os poros da casca dos ovos que permitem a difusão gasosa são a causa
da perda de água e a porta de entrada dos microrganismos. Também os ovos
recém- postos podem ganhar alguns microrganismos através do oviduto.
Tem sido citado que o número total de microrganismos existentes na
casca do ovo oscila entre 102 e 107, com média aproximada de 105.
Segundo Frasier & Westhoff (1993), os tipos de microrganismos isolados
na casca são variados. Nas tabelas seguintes (5.6 e 5.7), são comparadas as
microbiotas da casca e de ovos alterados. Observa-se que, na primeira, existe
um elevado número de microrganismos gram-positivos, enquanto que na última
o número deste tipo de microrganismo é escasso. Por conseguinte, os
microrganismos que, com frequência, alteram ou "apodrecem" os ovos,
encontram-se inicialmente na casca e em quantidades relativamente pequenas.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
78
TABELA 5.6 Incidência de microrganismos na casca dos ovos de galinha
% da microbiota
Tipos de
microrganismos
Na planta industrial Ponto de embalagem*
Streptococcus 8(5)
Staphylococcus 30 9(16)
Micrococcus 23(20) 37(94)
Sarcina 20
Artromobacter 5(23)
Bacillus (18) (2,5)
Pseudomonas 22,5(36,5)
Acromobacter 1,5(3)
Alcaligenes (2)
Flavobacterium
Cythophaga 1)
Coli-aerogenes 19(12) 10,5(11,5)
Aeromonas 20(20) 1
Proteus 20(50)
Serratia 10(20)
Mofos
Não classificados 12(11)
*As cifras representam dados obtidos a partir de ovos limpos e entre parênteses obtidos a partir
de ovos manchados ou trincados. Fonte : FRASIER & WESTHOFF (1993).
TABELA 5.7 Tipos de microrganismos isolados de ovos alterados
Pesquisas
Microrganismos 1 2 3 4 5
Gram-positivos - - +/- +/- +/-
Coli-aerogenes + + + + +
Proteus + + + + +
Aeromonas - - + + +
Pseudomonas + + + + +
Alcaligenes + + + + +
Achromobacter + + + + +
+ - isolado muitas vezes; +/- - isolado às vezes; - não isolado
Fonte : FRASIER & WESTHOFF (1993).
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Tipos de contaminação
a) Antes da postura
O nível e o mecanismo da contaminação dos ovos não são bem
conhecidos. Isto se deve a dificuldades técnicas de amostragem do conteúdo
interno dos ovos. Vários estudiosos afirmam que o ovo pode ser facilmente
contaminado dentro de um curto período após a postura.
Os recentes episódios internacionais de salmoneloses humanas
associadas com o consumo de ovos e produtos derivados de ovos
contaminados por Salmonella enteritidis têm levado os pesquisadores a
desenvolverem pesquisas objetivando o estudo da rota da infecção bacteriana
dos ovos.
Segundo Board & Tranter (1995), podem ser consideradas três rotas de
infecção:
transovariana - a gema é infectada no ovário;
oviduto - a membrana vite;
lina e/ou albúmen são contaminados quando passam através do
oviduto;
através da casca - bactérias são translocadas do exterior para o
interior da superfície da casca.
Destas, evidências sugerem que a rota de transmissão de Salmonella é
através do oviduto, sendo considerada hoje a mais importante, apesar de
Brooks & Taylor (1955) concluírem que ao redor de 90% dos ovos no momento
da posturasão estéreis.
As bactérias Micrococcus sp e Lactobacillus sp. já foram constatadas
como microbiota contaminante no ovário e não contaminante acidental de
casca e ar, por Miller & Crawford (1953).
Gordon & Tucker (1965) foram capazes de demonstrar que Salmonella sp
tem a habilidade de passar pelo canal alimentário, via sangue para os ovários.
Também são citados na revisão feita por Mayes & Takeballi (1983) os
microrganismos Pasteurella haemolytica, Staphylococcus aureus, Llisteria
monocytogenes, Pseudomonas aeruginosa.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
80
b) Após postura
A casca dos ovos recebe sua primeira contaminação por microrganismos
provavelmente quando passa através da cloaca. Após a postura e até a
utilização dos ovos, várias oportunidades existem para a casca adquirir
microrganismos provenientes do ambiente e por contato com manipuladores,
gaiolas, etc.
O nível de contaminação das cascas tem uma ampla variação, sendo
citado ao redor de cem a dez milhões de bactérias por casca, com uma média
de 100.000. Com a exceção de ovos com cascas excessivamente sujas com
fezes, existe uma pobre correlação do nível de contaminação e a aparência da
casca.
A Tabela 5.8 mostra a frequência de ocorrência de alguns
microrganismos na casca e em ovos deteriorados.
A única via pela qual os microrganismos podem chegar ao interior dos
ovos é através dos poros. Como a cutícula está úmida, nesse estágio a invasão
microbiana da casca poderá ocorrer. A condição úmida promove crescimento
de fungos e leveduras na superfície da casca. O crescimento de hifas de
fungos proporciona o alongamento dos poros, que facilita a entrada de
microrganismos dentro dos ovos. Pesquisadores, como Haines & Moran
(1940), foram capazes de extrair Saccharomyces allipsodeus e espécies de
Pseudomonas do interior para o exterior de cascas de ovos.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
81
TABELA 5.8 Microbiota dos ovos de galinha
Frequência de ocorrência
Tipos de
microrganismos
Na casca Em ovos estragados
Micrococcus +++
a
+
Acromobacter ++ +
Aerobacter ++ -
Alcaligenes ++ +++
Arthromobacter ++ +
Bacillus ++ +
Cytophaga ++ +
Escherichia ++ +++
Flavobacterium ++ +
Pseudomonas ++ +++
Staphylococcus ++ -
Aeromonas + ++
Proteus + +++
Sarcina + -
Serratia + -
Streptococcus + +
a
quanto maior o numero de sinais mais, maior o número de ocorrência.
Fonte : MAYES & TAKEBALLI (1983)
O grau de contaminação dos ovos parece estar em função da limpeza da
superfície em que eles são postos e da maneira como são manuseados após
postura que produz um grande efeito quando os ovos são quebrados. Também
condições ambientais, como temperatura, tempo de estocagem e lavagem dos
ovos, exercem um efeito pronunciado na contaminação.
A microbiota da casca é dominada pelas bactérias gram-positivas que
podem ser originárias do solo, fezes ou poeira. Este predomínio ocorre,
provavelmente, pela maior tolerância a condições de baixa umidade existentes
na casca do ovo.
c) Ovos estragados
Ovos estragados normalmente contêm uma mistura de muitos organismos
gram-negativos e poucos gram-positivos. Alguns dos contaminantes comuns
Microbiologia da Segurança de Alimentos
82
são membros de gênero Alcaligenes, Pseudomonas, Proteus e Aeromonas.
Isto indica que as bactérias gram negativas são resistentes às defesas
antimicrobianas dos ovos e que as características intrínsecas do ovo
favorecem a seleção das bactérias deterioradoras e, ainda, que cada
característica, como raça, criatório, métodos de estocagem, processos de
comercialização, etc., é de menor importância.
O favorecimento do crescimento de gram-negativos deve-se também ao
fato de os mesmos requererem compostos nutricionais simples e se
desenvolverem a baixas temperaturas. Estas propriedades são também
comuns aos microorganismos que causam manchas em ovos e diferem dos
outros deterioradores pela não digestão de proteínas, formação de H2S, ataque
a lecitina ou produção de pigmentos (Tabela 5.9).
Fungos parecem ser menos importantes que bactérias no apodrecimento
dos ovos. Sob condições de estocagem úmida, a casca pode ser coberta por
micélio, uma condição conhecida como "whiskers" na indústria. As hifas
penetram pelos poros e seu crescimento nas membranas das cascas está
sempre associado com gelatinização do albumén ao redor do micélio.
Fatores que afetam a penetração de microorganismos e sua
proliferação em ovos
O ovo constitui-se de um envase natural notável. Seu conteúdo deteriora-
se tão facilmente como o leite, porém, devido à presença de uma casca frágil,
quando seca e sem danos, conserva-se por vários meses, mesmo sob a
temperatura ambiente.
Dois são os fatores responsáveis pela não deterioração ou contaminação
por microrganismos patógenos:
defesa física: a resistência na penetração oferecida pela casca e suas
membranas;
defesa química: os múltiplos fatores que fazem com que a clara do
ovo seja um meio pobre para o crescimento dos microrganismos.
Indubitavelmente, a existência de vários "compartimentos" é uma
característica essencial de defesa antimicrobiana nos ovos.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
83
TABELA 5.9 Mudanças que ocorrem em ovos com culturas puras
Organismo Atributos metabólicos Mudanças Tipo de
apodrecimento
1 2 3 4 5 6*
Proteus sp + + _ - - - Marrom-escuro,
principalmente a gema e
albumem
Preto tipo 2
Aeromonas
liquefaciens
+ + + - - - Gema gelatinosa com
coloração preta; clara
aquosa cinza.
Preto tipo 1
Enterobacter
sp
(+) (+
)
+ - - - Gema encrustada como
creme e ocasionalmente
pintada com pigmentos
verde oliva
Creme
Serratia
marcescens
(+) - + + - - Clara avermelhada; gema
rodeada com material
cremoso
Vermelho
Pseudomona
s maltophilia
+ + - (+
)
- - Gelatinoso, gema âmbar,
verde oliva e odor a
amêndoa
Verde
Pseudomona
s fluorescens
+ - + - + - Clara verde fluorescente
mudando para rosa; gema
rodeada com material
cremoso
Rosa
Pseudomona
s putida
- - - - + - Pigmentos verdes
fluorescentes na clara
Verde
fluorescente
Pseudomona
s aeruginosa
- - - - + - Pigmentos azuis
fluorescentes na clara
Azul
fluorescente
Flavobacteri
um
Cytophaga
- - - + - - Pigmento amarelo
formado na membrana no
local do crescimento
bacteriano
Amarelo
Outras
Enterobacter
iáceas
Alcaligenes
sp
- - - - - + Embora grandes
populações se
desenvolvam, não existe
nenhuma mudança
microscópica na gema ou
na clara
Sem cor
*Proteólise: 1; produção de H2S: 2; lecitinase: 3; pigmento solúvel: 4; pigmento insolúvel: 5 e,
negativo em todos estes testes: 6. Parênteses indicam que, embora organismos possam
possuir o atributo, não existe evidência de que estes contribuam para o estrago de um ovo.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
84
Defesas físicas - resistência à penetração de microrganismos
As estruturas do ovo (Figura 5.1) podem ser descritas, em ordem decrescente, em relação à
penetração dos microrganismos, como: cutícula, membrana interna, casca e membrana
externa. Obviamente, trincas que alcançam a membrana interna facilitam a passagem de
microrganismos.
FIGURA 5.1 Desenho esquemático do corte de um ovo de galinha, mostrando os
componentes de resistência. R1 – cutícula; R2 – canal do poro; R3 –
membranas da casca que podem mudar com o tempo.
a) Casca
A casca suja também representa um risco de penetração de bactériasem
grande número.
A casca tem numerosos poros (7.000-17.000) por ovo. Estes poros não
são uniformemente distribuídos sobre a casca e são mais encontrados na parte
final mais ampla do ovo do que na parte final menor. O diâmetro dos poros
varia inteiramente na casca, podendo ser de 13mm no topo e 6mm na base.
A relação entre resultados da penetração bacteriana a qualidade da casca
é mostrada na Tabela 5.10.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
85
TABELA 5.10 Relação entre a qualidade da casca e a penetração
bacteriana
Gravidade Qualidade % de penetração bacteriana da casca
esp. de
ovos
da casca Após 30
min.
Após 60 min. Após 24
horas
1070 Pobre 34 41 54
1080 Média 18 25 27
1090 Boa 11 16 21
Fonte : MAYES & TAKEBALLI (1983).
Somente em 21% de cascas de boa qualidade houve penetração de
bactérias após 24 horas, enquanto que nas de qualidade ruim ocorreu em
menos de 30 minutos.
Vários fatores podem afetar a penetração através da casca quando os
ovos são imersos em suspensões bacterianas, conforme citam Mayes &
Takeballi (1983). São eles:
a temperatura diferencial entre o ovo e a suspensão bacteriana:
uma pequena penetração poderá ocorrer sem a variação desta
temperatura;
número de microrganismos na suspensão: maior número de
bactérias, maior grau de penetração;
período de imersão: maior tempo, maior penetração de bactérias;
tratamento da casca: aumentada quando esfregada com lixa, palha
de aço, etc.;
espessura da casca: cascas finas promovem maior penetração do
que cascas mais espessas.
Também Mario Padron (1992) cita, conforme Quadro 5.1, fatores que
influem na penetração das bactérias através da casca.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
86
QUADRO 5.1 Fatores que influem na penetração das bactérias através da
casca
Cutícula
Genético
- Diferenças na deposição da cutícula entre diferentes galinhas e
estirpes
- Algumas galinhas produzem ovos parcial ou totalmente em cutícula
em forma constante
- A quantidade e a qualidade da cutícula diminuem com a idade das
galinhas
Casca
- Os ovos com casca delgada (gravidade específica 1074) são mais
susceptíveis à invasão microbiana
A penetração pode ser por:
- dano na cutícula: ácido úrico presente nas fezes;
- presença de umidade na casca: condensação de umidade na casca
ou sudação do ovo;
- diferença de temperatura.
A incidência da contaminação com Pseudomonas e Coliformes
aumenta conforme a idade da galinha e aumenta devido a uma
interação de fatores:
- a qualidade da cutícula e da casca diminui;
- o meio ambiente do galpão encontra-se cada vez mais contaminado;
- as galinhas também se encontram mais contaminadas.
b) Cutícula
A proteção da cutícula da casca dura pelo menos quatro dias e, ao final
deste tempo, o efeito protetor diminui, provavelmente pela formação de gretas,
causada pela dessecação.
Uma vez formada a superfície externa da casca do ovo, uma camada de
glicoproteína é depositada sobre esta superfície que é chamada de cutícula. A
espessura desta cutícula é de 0,01mm. Esta camada é uma cobertura
importante que atua como barreira microbiana, fechando os poros e resultando
na redução da permeabilidade da casca. Danos na casca, lavagem, umidade,
mudanças de temperatura e temperatura ambiente influenciam na
permeabilidade após postura. Se esta cutícula for removida, as bactérias
podem penetrar através da casca com grande facilidade.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
87
Alguns fatores afetam a penetração de bactérias através da cutícula. São
eles:
depósitos de matéria orgânica: variam de acordo com raça,
espécies e, individualmente, por galinhas;
manuseamento dos ovos: falta de cuidado no manuseamento e
limpeza dos ovos podem destruir a cutícula;
tempo de estocagem: com o tempo, a desidratação da cutícula pode
causar retração do ovo que leva à exposição dos poros;
fumigação: formaldeído reage com a proteína da cutícula,
removendo-a;
temperatura de estocagem: quando a temperatura aumenta
rapidamente, perde-se a cutícula;
limpeza dos ovos: a lavagem manual ou mecânica dos ovos, às
vezes, não produz nenhuma mudança aparente na remoção da
cutícula, porém, isso pode acontecer.
c) Membrana da casca
Existem duas membranas abaixo da casca e elas estão presas,
firmemente juntas. A membrana interna está sobre o albúmen e a externa está
aderida à casca.
A maior proteção oferecida pela membrana interna não se deve à sua
espessura ou peso, visto que ela é seis vezes menos espessa e um terço da
membrana externa. A proteção deve-se, sim, à ausência de poros, como já foi
observado por meio de microscópio eletrônico.
Enquanto algumas bactérias móveis podem penetrar ziquezagueando
através de finíssimas fibras superpostas que constituem a casca, é
comprovado que a bactéria ICMSF (1985) penetra na membrana através da
matriz albuminoide que a recobre.
Ao redor das bactérias observam-se, nas membranas, zonas de hidrólise,
o que reforça a hipótese que a teoria das enzimas exerce um papel importante
na penetração dos microrganismos.
Enfim, as bactérias somente penetram quando o exterior da casca está
úmido e especialmente se está também sujo e com um decréscimo de
temperatura. Os decréscimos de temperatura produzem uma contração do
saco aéreo que aspira água e bactérias através da casca e contra a membrana
interna. À medida que o ovo envelhece e o tamanho do saco aéreo aumenta,
Microbiologia da Segurança de Alimentos
88
este efeito fica mais pronunciado. Este pode ser um dos fatores de maior
penetração de microrganismos em ovos envelhecidos.
Defesas químicas: fatores antimicrobianos na albumina do ovo
(clara)
A albumina mata ou evita o crescimento de um grande número de
microrganismos, enquanto que a mistura de clara e gema ou somente a gema
não possuem este efeito. Na Tabela 5.11 são descritos os principais fatores
antimicrobianos da clara de ovos de galinha.
TABELA 5.11 Fatores antimicrobianos do albúmen do ovo de galinha
COMPONENTE ATIVIDADE
Lisozima (muramidase) Lise da membrana celular das bacterias gram
positivas
Floculação das células bacterianas
Hidrólise das ligações beta-1,4-glicosídicas
Conalbumina Captação de ferro, cobre e zinco, especialmente
a elevados valores de pH
Riboflavina Sequestrante de cátions
Glicose Depressão da capacidade respiratória dos
anaeróbios facultativos
pH 9,1-9,6
a
Favorece o poder quelante da conalbumina
Cria no meio condições desfavoráveis para o
crescimento de muitos microrganismos
Baixo conteúdo de nitrogênio não
proteico
Impede o crescimento de microrganismos
patógenos
Avidina Capta a biotina e a torna inacessível para os
microrganismos que precisam
Apoproteina Combina-se com a riboflavina
Ovoinibidor Inibe as porteases fúngicas
Ovomucoide Inibe a tripsina, mas não afeta o crescimento
das bactérias gram-negativas
Proteínas não identificadas Inibem a tripsina e a quimiotripsina
Combinam com a vitamina B6
Sequestram o cálcio
Inibem a ficina e a papaína
a
o pH da clara do ovo no ovo recém-posto é de 7,6-7,8. Após alguns dias, a temperatura ambiente,
quando se desprende CO2, o pH alcança valores de 9,1-9,6.
Os principais antimicrobianos são: (a) lizozima (b) conalbumina e (c) pH
alcalino.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
89
a) Lisozima: tem uma ação lítica na parede da célula bacteriana. É capaz
de hidrolisar a ligação (1-4) entre N-acetil neuramina e N-acetilglucosamina na
parede celular da bactéria. Esta observação foi demonstrada "in vitro".
A lisozima foi denominada assim em1909 porque lesava as células
bacterianas e hoje é também chamada de muramidase.
As bactérias gram-positivas são muito sensíveis à lisozima. A ausência de
gram-positivos em ovos estragados vem comprovar esta afirmativa.
As condições alcalinas do ovo tendem a aumentar a sensibilidade das
células sensíveis à lise. A atividade da lisozima desaparece quando se
mesclam clara e gema.
b) Conalbumina: sequestra os íons metálicos, em especial o ferro, cobre
e zinco, fazendo com que não fiquem disponíveis para a bactéria.
Muitas bactérias não podem crescer em presença de conalbumina. As
que podem fazê-lo geralmente descrevem uma ampla fase de latência e um
reduzido ritmo de crescimento logarítmico.
c) pH alcalino: o pH do albúmen de ovos de galinha, imediatamente após
postura, está ao redor de 7,6-7,9; este pH está próximo do ótimo para
crescimento de muitos saprófitos, mas existe um aumento gradual deste pH
após estocagem. Este aumento é devido à perda do dióxido de carbono. Após
1 semana à temperatura ambiente, o pH aumenta para 9,0.
Parece que o pH ao redor de 9,0 da clara tem um efeito germicida sobre
vários microrganismos invasores e a sensibilidade vai variar entre as espécies
de microrganismos.
Alterações dos ovos
As Pseudomonas fluorescens, presentes com frequência no solo ou na
água, são geralmente as primeiras a penetrar e proliferar, pois são móveis,
produzem pigmentos fluorescentes que competem com a canalbumina da clara
no sequestro dos metais e são resistentes a outros mecanismos de proteção
da mesma. Quase todas as alterações dos ovos durante ou imediatamente
após seu armazenamento são produzidas por Pseudomonas florescens.
A natureza da penetração depende da cepa de bactéria ou mistura de
cepas presentes. Por exemplo, a Pseudomonas putida (não proteolítico) produz
uma fluorescência na clara, enquanto que a Pseudomonas fluorescens
(produtora de lectinase) destrói a barreira de difusão na superfície da gema e
tem a clara de cor rosa. Este fenômeno deve-se, provavelmente, à presença do
cromogeno Fe3+ ovotransferrina. A Pseudomonas maltophilia produz um odor
"a nozes" característico e dá lugar à formação de uma ligeira crosta na gema.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
90
Os microrganismos fortemente proteolíticos, como o Proteus vulgaris e
Aeromonas, digerem a clara e escurecem a gema.
A Tabela 5.12 mostra as bactérias mais frequentemente isoladas em ovos
deteriorados.
TABELA 5.12 Bactérias geralmente isoladas de varios tipos de ovos com
casca, deteriorados
Tipo de alteração em ordem
decrescente de frequência de
aparecimento
Gêneros bacterianos isolados
Verde Pseudomonas
Incolor Acinetobacter-Moraxella
(Achromobacter)
Negra
Pseudomonas
Proteus
Escherichia
Acaligenes
Enterobacter (Aerobacte)
Rosada Pseudomonas
Roxa Pseudomonas
Serratia
A refrigeração pode ser útil para manter a qualidade dos ovos e retardar e
alterar naqueles já contaminados. As pseudomonas são os microrganismos
mais frequentemente isolados como alteradores de ovos refrigerados.
Microrganismos patogênicos
Entre os microrganismos potencialmente presentes nos ovos, as
salmonelas são os únicos microrganismos patógenos para as aves. Algumas
cepas de salmonelas podem penetrar nos ovos através dos ovários das
galinhas, mas geralmente penetram pela casca, da mesma forma que outras
bactérias, em especial quando a casca está suja com fezes, úmida ou durante
o resfriamento do ovo.
Países da Europa e Estados Unidos tiveram, na história de sua indústria
avícola, um período de incertezas quanto à qualidade de seus produtos.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
91
Tiveram, ainda, que conviver com a perda da confiança do público consumidor
que, ao longo do tempo, deixou de ver o produto como forte e saudável para
vê-lo como estigma de um constante e reiterado veículo de agentes
causadores de toxinfecções alimentares.
Os alimentos de origem animal continuam a ser os principais
responsáveis pela infeção humana, entre eles a carne de aves, ovos e
derivados cárneos em geral, que, em levantamentos recentes, têm sido
apontados como os responsáveis pelas salmoneloses humanas.
Dentre as toxinfecções alimentares relatadas atualmente, a incidência de
salmonelose representa apenas uma pequena fração do número atual de
casos existentes. O número de surtos de infeções estimados a cada ano tem
sido estimado em 20-100 vezes maior que o número de infeções relatadas. O
número de casos de salmonelose tem aumentado consideravelmente nos EUA,
Canadá, Inglaterra e País de Gales, como citado por Felipe et al. (1995).
S. Pullorum e S. Gallinarum são dois sorotipos relativamente específicos
das aves, o que, no entanto, não significa que sejam apatogênicas para outras
espécies. Mc Cullough & Eisele (1951) determinaram que uma dose infectante
de 1,2 X 109 organismos de S. Pullorum era capaz de produzir sintomas de
toxinfecção alimentar em humanos e eram necessários apenas 125.000
organismos de S. Bareilly para desencadear doença severa em humanos. Já
Blaser & Newman (1982) afirmaram que apenas dezessete organismos são
suficientes para iniciar um processo de toxinfecção no homem ou, dependendo
das condições, apenas um.
Salmonella pullorum – a infeção é primariamente transmitida pelo ovo.
A doença clínica geralmente é uma consequência de transmissão pelo ovo e
comumente é confinada às primeiras semanas de vida; ocasionalmente, ocorre
uma doença clínica aguda nas aves adultas que produzem ovos vermelhos. As
sobreviventes da infeção podem reter infeções localizadas nos diversos
órgãos, principalmente ovário e peritônio, as quais podem resultar na produção
de ovos infectados. A transmissão horizontal, relativamente baixa, talvez seja
explicada pela fragilidade relativa da S.pullorum e pelo fato de que apenas
pequenas quantidades do organismo sejam eliminadas nas fezes.
A baixa incidência da transmissão horizontal permite o fácil controle da
infeção por métodos sorológicos, protelados para detectar lotes reprodutores
infetados. A doença tem sido eliminada dos lotes reprodutores comerciais, ou
está sob excelente controle, em todas as áreas do mundo, nas quais um
esforço de controle bastante grande tenha sido desenvolvido.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
92
Salmonelia gallinarum - em algumas áreas do mundo, a Salmonella
gallinarum e Salmonella pullorum são consideradas como sendo da mesma
espécie (S. pullorum). Mesmo o "Manual de Bacteriologia Determinativa de
Bergy" tem cometido o mesmo erro. As epidemiologias da pulorose e do tifo
são bem diferentes e a prevenção e esforços de controle para as duas infeções
têm aspectos substancialmente diferentes.
Embora os pintos e aves adultas pareçam um tanto mais susceptíveis do
que as aves em crescimento, e as linhagens produtoras de ovos vermelhos
sejam muito mais susceptíveis do que as linhagens produtoras de ovos
brancos, todas as idades e raças são susceptíveis e podem sofrer alta
mortalidade. Em contraste com a pulorose, o tifo aviário tem um histórico de
maior incidência pela transmissão horizontal.
Isto não implica que a transmissão vertical não seja criticamente
importante. Melhor dizendo, a prevenção da transmissão vertical, embora
essencial, não é por si só adequada para controlar a doença, como acontece
geralmente com a pulorose.
As salmonelas que não são adaptadas ao hospedeiro, frequentemente
denominadas paratifoides, têm implicações bastante diferentes e podem ser
consideradas como um grupo separado. A Tabela 5.13 indica algumas destas
diferenças.
TABELA 5.13 Diferenças entre salmonelas relacionadasàs aves
Espécies de salmonelas
S. pullorum S. gallinarum S.paratifoide
Transmissão
vertical
+ + +
Transmissão
horizontal
Ligeira Muito alta Moderada
Infecção Sistêmica Sistêmica Papo-cecos
Doença clínica Pintos Qualquer idade Geralmente
nenhuma
Produção de
anticorpos
Alta Alta Ligeira
Paratifoides
Aproximadamente 1.600 sorotipos da Salmonela paratifoide apresentam,
geralmente, semelhantes comportamentos e implicação, e podem ser
considerados em conjunto. Como elas não são adaptadas ao hospedeiro e
podem infectar mamíferos, aves e peixes, elas estão amplamente distribuídas
Microbiologia da Segurança de Alimentos
93
no ambiente. A contaminação da ração, principalmente dos subprodutos
animais, é comum e fornece uma via adicional da infeção. Como a transmissão
vertical, principalmente por penetração da casca, bem como a transmissão
horizontal nas galinhas podem ocorrer, o controle é muito difícil. Uma
dificuldade adicional de controle surge pela frequência de contaminação
residual dos alojamentos e solos de lotes anteriores infectados onde não se
consegue facilmente uma descontaminação segura. A infeção subclínica na
galinha é típica das paratifoides.
Fontes de Salmonella em ovos
Várias são as formas por meio das quais pode ocorrer a penetração, o
crescimento e a transmissão de Salmonella, principalmente Salmonella
enteritidis importante patógeno humano, veiculadas por ovos ou alimentos que
os contenham como ingredientes.
Transmissão vertical (Transovariana) - os folículos ováricos das
aves sofrem infecções crônicas causadas por S. pullarum e S.
gallinarum, a transmissão do microrganismo ocorre durante a
formação do ovo (transovariana) e a progênie nasce infectada.
Embora esses dois sorotipos sejam exclusivamente adaptados à
galinha doméstica, existem relatos recentes da contaminação de
ovos por S. enteritidis (sorotipo sem hospedeiro específico),
causando surtos de salmonelose humana. A transmissão
transovariana é sugerida como uma das prováveis formas de
contaminação do conteúdo do ovo, durante sua formação e antes da
deposição da casca.
Contaminação através da casca - embora os ovos recém-colhidos
sejam geralmente estéreis, a superfície da casca pode conter
bactérias em toda a sua extensão e, principalmente, nas regiões de
mancha com excremento de aves. Mesmo que a casca esteja íntegra,
sem rachaduras, as bactérias podem penetrar pelos poros naturais.
As aves excretam a bactéria de forma intermitente através das fezes,
contaminando seu meio ambiente (água, ninho, cama e ração). Essa
forma de contaminação é considerada a mais frequente, podendo ser
gerada de diversas formas:
postura de ovos em condições não higiênicas - ocorre pelo contato
do ovo com os dejetos contaminados da ave portadora ou material de
ninho contaminado (Quadro 5.2);
umidade - a presença de umidade nos ninhos ou esteiras coletoras de
ovos favorece a passagem dos microrganismos através da casca para
a interior do ovo. Ovos secos e limpos são essenciais para a produção
Microbiologia da Segurança de Alimentos
94
e manutenção de produto de boa qualidade microbiológica;
água de lavagem dos ovos - quando os ovos são lavados é possível
que a cutícula que recobre a casca desapareça, aumentando assim as
chances de contaminação. Em relação à lavagem, se o processo não
é completo e os ovos não são secos, é provável que as bactérias junto
com a água passem através dos poros. Se os ovos são lavados com
água quente, o aumento da temperatura pode dilatar os gases no seu
interior que escapam pelos poros e causam, ao serem esfriados, uma
pressão interna reduzida. Essa menor pressão interna causa o arraste
dos poros. O perigo dessa contaminação é maior quando a casca
apresenta rachaduras;
QUADRO 5.2 Efeito do tempo decorrido da postura sobre o número de
bactérias na casca
Tempo Número de bactérias na casca
Antes da postura 300 a 500
Após 15 minutos 1500 a 3000
Após 1 hora 20000 a 30000
espessura da casca - é influenciada por quantidades de elementos
nutricionais contidos na dieta das aves, especialmente cálcio, fósforo,
vitamina D e, provavelmente, magnésio;
ovos sujos e quebrados – o contato com esse tipo de ovos pode
acarretar na contaminação de todo um lote durante a manipulação do
produto (Quadro 5.3);
QUADRO 5.3 Condições da casca com relação à sujidade e do número de
bactérias
Número de bactérias
Condições da casca Alto Médio Baixo
Limpa 5.750 3.200 250
Ligeiramente suja 54.000 26.900 12.000
Suja 1.165.000 410.000 120.000
Microbiologia da Segurança de Alimentos
95
temperatura de armazenamento - o gênero Salmonella é capaz de
crescer numa ampla faixa de temperatura (5oC a 45oC) com
temperatura ótima em 35oC a 37oC. A temperatura de
armazenamento no controle microbiológico de salmonelas foi
relatada por BRADSHAW et al. (1990) quando ovos artificialmente
contaminados "via-gema" , com Salmonella enteritidis e incubados a
37oC e 15,5oC. O tempo de geração foi de 25 minutos e 3 horas e
meia, respectivamente, para essas duas temperaturas. Esses
mesmos autores não observaram nenhuma multiplicação de células
bacterianas em ovos incubados a 7oC durante 94 dias;
ração contaminada – os constituintes rações de aves são ricos em
produtos proeéicos (farinha de carne, ossos, penas, etc.) e, embora
submetidas a tratamento térmico em digestores, ocorre frequente
recontaminação posterior, durante manipulação do produto;
ambiente contaminado – a contaminação das gaiolas criadeiras e a
presença de roedores e aves selvagens podem veicular salmonelose
através de seus excrementos, pois são portadores do microrganismo.
Formas para evitar a salmonelose
A fim de diminuir o risco de contaminação por bactérias, como as do
gênero Salmonella, alguns cuidados devem ser adotados:
a) comprar aves de boa procedência e em bom estado sanitário;
b) manutenção dos lotes, obedecendo aos critérios de desinfecção e
sistema ali in ali out (por um período mínimo de 15 dias);
c) geralmente, o melhor ovo pode ser encontrado em granjas com rígido
programa de higiene, lotes de idade única, utilizando um esquema de
vacinação próprio para cada lote;
d) os ovos devem ser lavados com água morna e desinfectados usando
produtos à base de amônia quaternária ou outras associações específicas para
ovos encontradas no comércio. Outros métodos de desinfecção são fumigação
com gás formol ou pulverização, sempre respeitando as quantidades e tempos
corretos, umidade e temperatura adequada;
e) dentro da granja, os ovos são transportados em caixas plásticas. Em
seguida, eles devem ser embalados com a ponta para baixo (para não haver
deslocamento da massa e empurrar a câmara de ar para fora do ovo). Já na
caixa, os ovos recebem uma camada de óleo mineral para impermeabilizar os
poros da casca e preservar a casca por mais tempo;
Microbiologia da Segurança de Alimentos
96
f) as embalagens comerciais podem ser de plástico, polpa ou papelão.
Elas devem satisfazer plenamente a certas exigências práticas, como
colocação de ovos no menor espaço possível e com suficiente solidez,
segurança contra rupturas, tamanhos e formas variáveis. Quando recicladas,
somente devem ser utilizadas as embalagens limpas e íntegras para maior
proteção dos ovos;
g) a temperatura de conforto térmico ideal para os ovos é de 18 a 27oC.
Neste intervalo de temperatura os ovos podem ser mantidos na granja por, no
máximo, três dias. O depósito deve ser limpo, ter umidade em torno de 70% a
80% e não possuir outro produto, a não ser ovo (diminuir o risco de impregnar
os ovos).
Microbiologia da Segurança de Alimentos
976 - FUNGOS DETERIORADOS,
TOXIGÊNICOS E MICOTOXINAS EM
ALIMENTOS
Microbiologia da Segurança de Alimentos
98
6.1 Fungos deterioradores e toxigênicos em alimentos
Os alimentos estão sujeitos a contaminação com microrganismos
presentes no ambiente de cultivo e de produção. O nível desta contaminação
irá determinar se o produto é seguro para a saúde dos consumidores. Um
alimento 100% seguro, livre de qualquer tipo de contaminação (química ou
biológica) é o ideal, porem esta situação ainda não é possível dentro das
condições atuais de produção. A presença de microrganismos como
Salmonella tythi, Escherichia coli em alimentos é um dos critérios utilizados
para indicar as condições sanitárias do produto. A presença de fungos
deterioradores e toxigênicos em produtos, nos quais estes não são utilizados
no processo, é um sinal de deterioração e apresenta um risco em potencial
para a presença de micotoxinas. Atualmente a concentração de micotoxinas
em alimentos é um critério de segurança alimentar.
As micotoxinas são metabólitos secundários tóxicos, de baixo peso
molecular (peso molecular menor que 500) produzidos por fungos filamentosos
que são capazes provocar efeitos agudos e crônicos no homem e em animais
mesmo em pequenas concentrações. O resultado destes efeitos tóxicos após a
ingestão de produtos contaminados com micotoxinas é chamada de
micotoxicose (Samson et al 2004). As micotoxinas são metabólitos
secundários, isto é, elas parecem não ser essencial no metabolismo de
desenvolvimento dos fungos, mas pode ter um papel importante de natureza
ecológica (CAST, 2003).
Estas pequenas moléculas não são detectadas pelo sistema
imunológico humano e animal, isto resulta em grandes danos a saúde.
Algumas micotoxinas atuam primeiramente inibindo a síntese de proteínas,
produzindo efeitos que variam desde sensibilidade da pele ou necroses até
imunodeficiência extrema (Pitt 2000).
As micotoxinas se enquadram tem quatro classes de toxicidade: aguda,
crônica, mutagênica e teratogênica. Os efeitos agudos são os mais comuns, e
tem como principais lesões à deterioração das funções dos rins e fígado, que
em casos extremos podem levar à morte.
As micotoxinas são formadas durante o crescimento dos fungos nos
cereais, grãos ou alimentos. Algumas micotoxinas são intracelulares, estando
presentes apenas no fungo, enquanto que outras são extracelulares e são
excretadas no substrato. Em alimentos líquidos, sucos e em frutas como
pêssego, pêra e em tomates a difusão da micotoxinas pode ser muito vasta,
ficando não só a parte do produto lesionada com contaminação. Em alimentos
sólidos como queijos, pães, maçã a difusão é menor ficando a maior parte do
produto livre de contaminação.
Os fungos produtores de micotoxinas diferem em sua morfologia,
bioquímica e nicho ecológico. Em geral não são patógenos agressivos, mas
Microbiologia da Segurança de Alimentos
99
normalmente se desenvolvem bem em substratos com baixa umidade, e
colonizam com facilidade grãos armazenados de forma inadequada (CAST,
2003).
O tipo e a quantidade de micotoxina produzida dependem do tipo de
alimento e sobretudo de parâmetros ecológicos e de processamento de cada
produto em particular. Igualmente as fontes de onde são isoladas as espécies
toxigênicas podem influenciar a habilidade para sintetizar uma determinada
toxina. Normalmente uma espécie potencialmente toxigênica perde a
capacidade de produzir micotoxina quando são mantidas em cultura de
laboratório.
Os gêneros mais importantes responsáveis pela presença de
micotoxinas em alimentos são Aspergillus, Fusarium e Penicillium. As
micotoxinas não podem ser produzidas sem o desenvolvimento dos fungos.
Entretanto, a presença de fungos micotoxigênicos em alimentos não indica
necessariamente a presença da toxina, mas existe um risco em potencial para
que ocorra a síntese. As espécies do gênero Fusarium podem ser patógenos
de alguns grãos e alguns commodities, e a produção de micotoxinas
geralmente ocorre antes ou imediatamente após a colheita. Certas espécies de
Aspergillus e Penicillium também são patógenos de plantas ou animais, mas
este gênero é mais comumente associado com commodities e alimentos
durante a secagem ou no armazenamento.
Algumas micotoxinas produzidas por fungos do gênero Aspergillus que
têm sido detectadas em alimentos e rações são também produzidas por
espécies do gênero Penicillium, não deixando claro se tal micotoxina
encontrada foi sintetizada por espécies do gênero Aspergillus ou Penicillium.
Entretanto, o tipo de commodities e a origem geográfica do produto podem
fornecer uma informação para determinar qual o gênero responsável.
A patulina detectada em maça e pêra, por exemplo, é quase certamente
devido a contaminação destas frutas com P. expansum. Por outro lado a
formação de patulina durante a formação do malte de cevada é usualmente
atribuída a presença de A. clavatus. Algo semelhante ocorre com a presença
de ocratoxina A em grãos armazenados em áreas de clima temperado. A
presença desta toxina é usualmente atribuída a presença de P. verrucosum
enquanto que a presença desta toxina em produtos de áreas tropicais e
subtropicais está ligada, não exclusivamente, mas para A. carbonarius, A.
ochraceus e outras espécies da do gênero Aspergillus, Seção Circumdati.
Outros gêneros micotoxigênicos importantes são Claviceps,
Stachybotrys e Alternaria geralmente relacionados com a contaminação de
produtos ainda no campo.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
100
As micotoxinas têm sido detectadas em uma grande variedade grãos e
derivados, frutas e produtos de origem animal tendo em vista que alguns
processamentos industriais utilizados na produção de alimentos não eliminam
totalmente as micotoxinas.
6.2 PRINCIPAIS MICOTOXINAS ESTUDADAS EM ALIMENTOS
Aflatoxinas
As aflatoxinas são metabólitos secundários, produzidos por algumas
espécies de fungos do gênero Aspergillus, principalmente das espécies A
flavus, A. parasiticus e A. nomius, os quais se desenvolvem naturalmente em
produtos como amendoim, feijão, arroz, trigo, milho e outros.
As principais aflatoxinas presentes em alimentos são aflatoxinas B1, B2,
G1 e G2. As letras B e G referem-se à coloração azul (inglês – Blue) e verde
(inglês – Green) produzida por estes compostos quando irradiados com luz
ultravioleta (UV) sobre placas de cromatografia de camada delgadas. Os
números 1 e 2 indicam a mobilidade destas toxinas na placa sendo a 1 em
cima e 2 logo abaixo. As aflatoxinas B1 e B2 quando ingeridas por animais em
fase de lactação vias alimentos contaminadas são em média 15% hidrolisadas
e excretadas no leite como aflatoxinas M1 e M2, substâncias menos tóxicas do
que as de origem, porém de grande importância já que o leite e derivados
deste são consumidos principalmente por crianças e gestantes. Quimicamente,
as aflatoxinas pertencem à classe dos compostos denominados
furanocumarina, possuindo um núcleo cumarina associado ao furano e à
lactona. A aflatoxina é tóxica para a maioria dos animais, com valor de LD50 =
0,5 mg/kg. A forma de lesão mais comum é o excessivo crescimento de células
do fígado. Esta é a forma de câncer iniciada pela aflatoxina, reconhecida como
o carcinogênico mais potente, e seus principais receptores são as proteínas e
os ácidos nucleicos.
Estes compostos caracterizam-se pela elevada toxidade que
apresentam. Vários animais são sensíveis aos seus efeitos tóxicos que se
caracterizaram por apresentar propriedades mutagênicas, carcinogênicas e
teratogênicas, sendo o fígado o principal órgão atingido.
A principal micotoxina estudada em produtos de origem animal são as
aflatoxinas M1 e M2.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
101
AflatoxinaB1 Aflatoxina B2
Aflatoxina G1 Aflatoxina G2
Aflatoxina M1
Ocratoxina A
Desde que a ocratoxina A tornou-se uma ameaça à saúde dos
consumidores devido as suas propriedades hepatóxicas, nefrotoxicas,
imunossupressivas e possivelmente carcinogênicas, representada pelo
consumo de alimentos contaminados, houve motivação suficiente para que os
produtos alimentícios que constituem a dieta fossem analisados, com a
finalidade de reduzir a exposição humana a esta potente micotoxina.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
102
Estrutura química da ocratoxina A
A ocratoxina A é um metabólito secundário, produzido principalmente
por fungos filamentosos pertencentes aos gêneros Aspergillus, Petromyces,
Neopetromyces e Penicillium, mas, sem dúvida, o gênero Aspergillus é um dos
mais importantes para cereais no Brasil. Dentre as espécies do gênero
Aspergillus pertencentes a seção Circumdati a principal produtora de
ocratoxina A é o A. ochraceus; porém, outras espécies pertencentes a esta
Seção e produtoras de ocratoxina A já foram identificadas como o A. elegans,
A. auricomus, A. ostianus, A. petrakii, A. sclerotiorum e A. sulphureus (Batista
et al 2003). Recentes estudos têm revelado que o A. carbonarius é mais
comum e uma fonte mais importante de ocratoxina A, dentro da seção Nigri,
sendo que A. niger é raramente produtor. No gênero Penicillium as únicas
espécies consideradas produtoras de ocratoxina A são o Penicillium
verrucosum e o P. nordicum. Na Europa, a maior fonte de ocratoxina A são os
cereais e produtos derivados de cereais, contribuem também pela ingestão de
ocratoxina A outros produtos como café, vinho, cerveja, especiarias, suco de
uva e outros produtos de origem animal, como rins de suínos. Alguns países,
visando proteger a saúde dos consumidores, estão formulando legislações
propondo limites máximos de ocratoxina A em alimentos.
Fumonisinas
Atualmente, 16 estruturas moleculares são chamadas de fumonisinas,
entretanto a presença da micotoxina predominante produzida por Fusarium
verticilioides é a fumonisina B1. A fumonisina B1 é hepatocarcinogênica para
ratos, e está associada a câncer de esôfago em algumas regiões do Sul da
África.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
103
Estrutura química das fumonisinas
As fumonisinas são metabólitos fúngicos secundários produzidos por
Fusarium verticillioides (Sacc.) Nirenb. Porém, outras espécies do gênero
Fusarium também são produtoras de fumonisinas: Fusarium proliferatum,
Fusarium nygamai, Fusarium anthophilum, Fusarium dlamini e Fusarium
napiforme, Fusarium subglutinans, Fusarium polyphialidicum, Fusarium
oxysporum.
No Brasil, poucos são os trabalhos referentes ao isolamento de fungos
em produtos derivados do milho que se destinam ao consumo humano. Em
geral, o enfoque central das investigações já realizadas dirige-se a análise de
micotoxinas como aflatoxinas e fumonisnas e ao isolamento de fungos em
grãos de milho recém-colhidos e armazenados e em rações animais, que tem
como componente principal o milho.
As fumonisinas são de difícil eliminação. Nos alimentos processados à
base de milho, os níveis de fumonisinas estão dependentes dos processos de
moagem e de processamento a que o milho em grão é submetido. A
eliminação do germe e ou do pericarpo pode reduzir os níveis de fumonisinas
uma vez que estas se concentram no germe e no pericarpo. Pesquisas têm
demonstrado que este processo pode ser considerado um procedimento
preliminar na descontaminação de fumonisinas, que pode reduzir o seu
conteúdo entre 26,2% e 64,4%.
Tricotecenos
São toxinas produzidas por fungos do gênero Fusarium e podem causar
inúmeros problemas ao homem e aos outros animais. As mais comuns
detectadas em alimentos são: Deoxinivalenol (DON), também conhecida como
Microbiologia da Segurança de Alimentos
104
Vomitoxina, Toxina T-2, Nivalenol, Diacetoxiscirpenol e outros de menor
ocorrência. Elas podem provocar vômitos, hemorragias, recusa do alimento,
necrose da epiderme, aleucia tóxica alimentar (ATA), diminuição do ganho de
peso, da produção de ovos, de leite, interferência com o sistema imunológico,
morte, etc. Ocorrem em cereais, como o milho, trigo, cevada e outros.
Estrutura química do deoxinivelanol
Zearalenona
É uma micotoxina produzida por Fusarium graminearum, principalmente
em milho, e causa hiperestrogenismo, aborto, natimortos, falso cio, prolapso
retal e da vagina, infertilidade, efeminização dos machos com desenvolvimento
de mamas (ela atua como hormônio feminino), etc.
6.3 FUNGOS MICOTOXIGÊNICOS E DETERIORADORES EM ALIMENTOS -
IDENTIFICAÇÃO MORFOLÓGICA E POR TÉCNICAS MOLECULARES
O processo de identificação tradicional de espécies fungos filamentosos
é baseado primeiramente na identificação das características da colônia e das
características micromorfológicas. Entretanto, o grande número de espécies
incluídas em um gênero e o amplo número de variedades dentro de uma
mesma espécie dificulta a identificação até mesmo por um micologista
experiente.
Nos métodos considerados como tradicionais, os fungos são inoculados
em três ou mais meios de culturas padronizados, por um período de 7-14 dias,
com temperaturas controladas (5oC, 25oC e 37oC). A identificação é realizada
analisando as características macroscópicas e microscópicas, que são,
posteriormente, seguidas em uma Chave de Identificação até chegar a uma
espécie que apresentou todas as características direcionadas pela Chave.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
105
Uma identificação acurada de muitos Aspergillus até o momento
continua problemática. Em particular, isto se deve à forma de identificação,
com adoção de critérios altamente subjetivos como cor e aparência física do
crescimento das culturas como fator determinante na identificação.
Contudo, os métodos tradicionais têm sido reforçados com a utilização
de meios de culturas seletivos e indicativos, como o AFPA (Aspergillus
flavus/parasiticus Agar) para A. flavus e A. parasiticus, que é capaz de
diferenciar estas duas espécies das demais, e o meio YES (Yeast Extract
Sucrose), que além de auxiliar na identificação de espécies de fungos do
gênero Penicillium (terverticilado), é capaz de indicar a produção de prováveis
micotoxinas. Ambos os meios têm como critério de diferenciação das espécies,
a produção de uma coloração característica de uma espécie, como resultado
de uma reação química entre os componentes do meio e os metabólitos
produzidos pelo fungo.
Atualmente têm sugerido, em conjunto com o método tradicional de
identificação, a utilização de métodos mais objetivos, como a identificação dos
metabólitos secundários, que são específicos para muitas espécies, e a
confirmação destes por Cromatografia de Camada Delgada-(CCD) ou
Cromatografia Líquida de Alta Eficiência-(CLAE).
As técnicas tradicionais para a identificação de fungos em alimentos
apresentam algumas limitações como baixa sensibilidade, extenso tempo de
crescimento dos microrganismos que variam de 3 a 10 dias, detecção e
identificação somente das células viáveis.
Recentemente, várias pesquisas vêm sendo realizadas no sentido de
viabilizar a detecção de fungos toxigênicos em alimentos através de técnicas
moleculares. Dentre as estratégias moleculares, destaca-se a Reação da
Polimerase em Cadeia (PCR). A PCR é uma técnica que se aplica muito bem a
este objetivo por ser simples, rápida, e altamente sensível. Para que a PCR
possa ser utilizada para o diagnóstico de fungos deterioradores e produtores de
micotoxinas, é necessário que sejam conhecidas seqüuncias de nucleotídeos
específicaspara estes fungos. Estas sequências não devem ser conservadas
em linhagens da mesma espécie que não sintetizam as micotoxinas.
Sequências que podem ser alvo podem ser a de genes que codificam para as
enzimas que participam da via biossintética das micotoxinas. Algumas vias
biossintéticas já foram bem caracterizadas como a da biossíntese de
aflatoxinas, tricotecenos, patulina, PR toxina e da esterigmatocistina. Vários
genes que codificam enzimas envolvidas na biossintese de micotoxinas têm
sido identificados, clonados e purificados. A técnica de PCR tem sido usada na
identificação de espécies de Aspergillus utilizando a amplificação de regiões
conservadas do DNA e o sequenciamento do gene para diferenciar essas
espécies. Variações no DNA também podem ser detectadas por análises de
RFLP. Somashekar et al. (2004) utilizaram primers específicos para amplificar
Microbiologia da Segurança de Alimentos
106
a sequência do gene regulador da aflatoxina (aflR) das espécies
aflatoxigênicas A. flavus e A. parasiticus. Neste estudo o perfil do PCR-RFLP
obtido com as enzimas HincII e PvuII mostraram polimorfismo suficiente para o
desenho de “primers” específicos que permitam a distinção destas espécies.
Assim a detecção de fungos de terioradores e toxigênicos pela técnica
de PCR tem como grande vantagem, sobre outros métodos, o tempo de
detecção reduzido de dias para apenas algumas horas, além de permitir o
diagnóstico dos microrganismos produtores de micotoxinas inviáveis no grão
ou alimento derivado.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
107
7 - BIOFILMES MICROBIANOS NA
INDÚSTRIA DE ALIMENTOS
Microbiologia da Segurança de Alimentos
108
7.1 BIOFILMES MICROBIANOS NA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS
Aspectos gerais
A deterioração de alimentos e a formação de biofilmes por bactérias
associadas a alimentos são problemas significativos para a indústria de
alimentos (Bai & Rai, 2011).
O conceito de biofilme microbiano náo é uma unanimidade entre os
pesquisadores, quando apresentado em estudos científicos.
As observações iniciaram por Antonie van Leuwenhoek que, estudando
amostras de dente, em seu microscópio, notou mais fragmentos de células
agregadas do que planctônicas, ou seja, células livres. A capacidade das
bactérias de formar comunidades complexas e viver preferencialmente em
agregados foi estudada desde os tempos de Robert Koch.
Várias definições são paresentadas como:
Biofilmes: são complexos ecossistemas microbiológicos embebidos em
uma matriz de polímeros orgânicos, aderidos a uma superfície (Surman
et al, 1996).
Biofilmes: são comunidades de microrganismos imobilizados agregados
em uma, matriz de substâncias poliméricas extracelulares de origem
microbiana (Xavier et al, 2002).
Biofimes: massa composta de resíduos, microrganismos e seus
produtos extracelulares (Silva Junior, 2002).
De maneira geral, fica claro que em um biofilme teremos
microrganismos, material extracelular produzidos pelos microrganismos, massa
de resíduos, podendo ser de alimenos aderidos a uma superfície, sendo que
esta superfície pode ser biótica ou abiótica.
Existe muita discussão também nas etapas necessárias para a
formação de um biofilme. Estas estapas irão diferenciar de acordo com os
pesquisadores. Fica claro também que, independente do número de etapas,
três se destacam: a reversível, a irreversível e a fragmentação do biofilme.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
109
As etapas podem ser divididas de 5 em 5 etapas, dependendo do
detalhamento do pesquisador. Dentre elas destacam-se:
Marshal et al (1971) – 2 etapas
1. Adesão – processo reversível – ocorre por forças de van de Walls e
atração eletrostática.
2. Interação física das células com a superfície – material extracelular
produzido por bactérias (matriz de glicocálix).
Notermans et al (1991) 3 etapas
1. Fixação da bactéria.
2. Consolidação da bactéria na superfície – produção de material
extracelular de fixação.
3. Colonização e crescimento da bactéria.
Xavier et al, 2002 – 4 etapas (Conforme figura abaixo)
1.Transporte de células para a superfície e subsequente fixação.
2. Crescimento e divisão celular – produção e excreção de EPS.
3. Fixação de outras células bacterianas flutuantes.
4. Liberação de material celular – 4a (células individuais)
4b (agregados do biofilme).
Microbiologia da Segurança de Alimentos
110
Characklis e Cooksey, 1983 – 5 etapas
1.Condicionamento da superfície pela adsorção de material orgânico.
2.Transporte de células e nutrientes para os sítios de aderência.
3.Adesão – processo reversível – atração eletrostática.
4.Crescimento celular, colonização e adesão irreversível.
5.Biofilme com atividade metabólica – liberação de células da periferia.
Devido a complexidade existente em um biofilme, pode ser formado por
mais de uma espécie de microorganismos, podendo estar presentes bactérias
deterioradas, patogênicas, vírus, leveduras e até fungos filamentosos. Sua
extrutura física irá proteger os microrganismos da ação de detergentes e
desinfetantes. Sendo assim sua remição é difícil e os agentes microbicidas
não terão acesso aos microorganismos, sendo impossível eliminá-los. Estudos
têm demonstrado que em um biofilme as bactérias estão protegidas da
desinfecção, da desidratação e da radiação ultravioleta, se tornando mais
resistentes.
Dentre os microrganismos capzes de aderir a uma superfície e formar
biofilmes destacam-se: Aeromonas hydrophila, Staphylococcus aureus,
Pseudomonas aeruginosa, P. fragi, P. fluorescens, Enterococcus faecium, Listeria
monocytogenes, Yersinia enterocolitica, Salmonella thyphimurium, Escherichia coli
Microbiologia da Segurança de Alimentos
111
O157:H7 (Rai & Bai 2011). Todas as bactérias citadas são importantes para a
indústria de alimentos.
Um procedimento correto higienização é o caminho mais seguro para
evitar a formação de biofilmes por microrganismos patogênicos e deteriorados.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
112
8 - LEGISLAÇÃO
Microbiologia da Segurança de Alimentos
113
8.1 LEGISLAÇÃO
Aspectos gerais
Nos últimos anos, a legislação na área de alimentos promoveu várias
transformações nas diretrizes que regem a qualidade de produtos alimentícios
no país. Parte desta transformação certamente relaciona-se com a abertura de
mercado e um efeito de enquadramento às regras do MERCOSUL.
A preocupação com a poluição do ambiente e dos alimentos tem
destaque na vida do consumidor. A higienização correta do ambiente é
fundamental para evitar a contaminação microbiana, aumentando a vida de
prateleira e para obter refeições com boa qualidade higiênico-sanitária, de
forma a não oferecer riscos à saúde do consumidor (Maciel, 1997).
Alguns serviços têm dificuldades para funcionar de acordo com a
legislação em vigor, devido, em grande parte, à falta de treinamento das
pessoas que lidam com os alimentos e são poucos os que têm como rotina a
educação sanitária de seu pessoal.
Dentre as estratégias preconizadas pela Organização das Nações Unidas
para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Mundial de
Saúde (OMS), situa-se prioritariamente a capacitação de recursos humanos em
todos os níveis sociais e, especialmente, para osmanipuladores de alimentos
(Quadro 1).
QUADRO 1 Estratégias para melhorar a qualidade dos alimentos
oferecidos à população
Item Estratégias
1
2
3
4
5
6
7
Os objetivos das ações devem estar inseridos no programa de atendimento
primário à saúde da região.
Dimensionar os problemas relacionados com alimentos insalubres.
Determinar as necessidades prioritárias visando valorizar a segurança dos
alimentos.
Criação de programas globais de segurança alimentar, incluindo legislação,
inspeção, laboratórios, vigilância epidemiológica, em todos os níveis da
produção ao consumo.
Capacitação de recursos humanos em todos os níveis sociais e,
especialmente, para os manipuladores de alimentos.
Avaliação toxicológica de aditivos alimentares, contaminantes e resíduos de
praguicidas nos alimentos.
Desenvolvimento e promoção de tecnologias apropriadas para a elaboração
de alimentos que não apresentem riscos ao consumidor.
FONTE: FAO-OMS.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
114
Segundo Panetta (1998), no estudo das origens e medidas de controle
de contaminação de alimentos (Figura 1), deve ser sempre destacada a
participação do manipulador, o qual representa, sem dúvida, o fator de maior
importância no sistema de proteção dos alimentos às alterações, mormente
aquelas de origem microbiana.
FIGURA 1 Origens e medidas de controle da contaminação dos alimentos
Para efeito de inspeção sanitária de alimentos, qualquer pessoa que
entra, direta ou indiretamente, em contato com substâncias alimentícias é
considerada MANIPULADOR.
Os manipuladores estão diariamente em estreito contato com muitas
pessoas, as quais podem estar possuídas de microrganismos causadores de
doenças, de forma aparente, como no caso de uma gripe, ou de forma
inaparente, como no caso de portadores de febre tifoiide.
Entretanto, segundo Oliveira (1998), analisando-se puramente a
legislação, independente dos fatos mencionados anteriormente, verifica-se, no
bojo destas mudanças, uma evolução, sobretudo ética. Isto é, as portarias
editadas, tanto pela Secretaria da Saúde quanto pelo Ministério da Agricultura,
focaram seus esforços no oferecimento de subsídios aos processos de
Alimentos
(crus/cozidos)
Cocção/reaquecimento
Manipuladores de alimentos
(p.ex. mãos contaminadas)
Animal produtor
infectado
Desaguador de
excretas
Água de rega
Água residual
Pragas e animais
domésticos
Água doméstica
contaminada
Dejecões humanas
e animais
Ambiente contaminado
(p.ex. solo/poeira)
Recipientes e utensílios
de cozinhas sujas
Moscas
Contaminação cruzada
ALIMENTO INÓCUO
Alimentação de lactentes e crianças
Lavadura, fermentação, acidificação, etc
Microbiologia da Segurança de Alimentos
115
elaboração, armazenamento e transporte dos alimentos. No caso da legislação
antes vigente, o foco era quase que simplesmente o produto em si. Com isso, a
boa utilização da legislação, hoje, beneficia as empresas e o consumidor e, por
que não dizer, a sociedade.
História da vigilância sanitária no Brasil (segundo Eduardo & Miranda
1998).
As atividades ligadas à vigilância sanitária foram estruturadas, nos
séculos XVIII e XIX, para evitar a propagação de doenças nos agrupamentos
urbanos que estavam surgindo. A execução desta atividade exclusiva do
Estado, por meio da polícia sanitária, tinha como finalidade observar o
exercício de certas atividades profissionais, coibir o charlatanismo, fiscalizar
embarcações, cemitérios e áreas de comércio de alimentos. No final do século
XIX, houve uma reestruturação da vigilância sanitária, impulsionada pelas
descobertas nos campos da bacteriologia e terapêutico nos períodos que
incluem a I e a II Grandes Guerras. Após a II Guerra Mundial, com o
crescimento econômico, os movimentos de reorientação administrativa
ampliaram as atribuições da vigilância sanitária no mesmo ritmo em que a base
produtiva do país foi construída, bem como conferiram destaque ao
planejamento centralizado e à participação intensiva da administração pública
no esforço desenvolvimentista.
A partir da década de 1980, a crescente participação popular e de
entidades representativas de diversos segmentos da sociedade no processo
político moldaram a concepção vigente de vigilância sanitária, integrando,
conforme preceito constitucional, o complexo de atividades concebidas para
que o Estado cumpra o papel de guardião dos direitos do consumidor e
provedor das condições de saúde da população.
De forma generalizada, temos o Ministério da Agricultura atuando na área
de agrotóxicos no campo, no controle do transporte, armazenagem e
agroindustrialização dos produtos alimentícios de origem animal e vegetal até
os centros de distribuição e com a faculdade de supervisionar também estes
produtos no comércio, mas não o fazendo regularmente. Nesta atividade
incluem-se as bebidas, com exceção das águas.
O Ministério das Minas e Energia cuida das águas industrializadas, isto é,
águas minerais e radioativas.
O Ministério da Saúde cuida dos alimentos sujeitos a uma fórmula, isto é,
cuida do controle dos componentes dos alimentos, principalmente aditivos
intencionais e incidentais, estabelecendo inclusive condições de utilização
destes produtos para os estabelecimentos agroindustriais controlados pelo
Ministério da Agricultura.
Codex Alimentarius
Microbiologia da Segurança de Alimentos
116
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura
(FAO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), com o propósito de facilitar o
comércio internacional de alimentos, estabelecer práticas íntegras de
comercialização e defender o consumidor em geral, criaram, em 1962, o
Programa Codex Alimentarius, de âmbito governamental, visando elaborar
normas, códigos de prática, linhas de ação e recomendações, definindo assim
padrões de desenvolvimento, fabricação e comercialização de produtos
alimentícios. Esses padrões têm seus conceitos desenvolvidos pelos países
membros, consumidores e produtores, refletindo o resultado de inúmeras
discussões entre peritos e o consenso entre países, mesmo que tenham
interesses opostos. Suas normas têm como finalidade proteger a saúde da
população, assegurando práticas equitativas no comércio regional e
internacional de alimentos, criando mecanismos internacionais dirigidos à
remoção de barreiras tarifárias, fomentando e coordenando todos os trabalhos
que se realizam em normalização.
A importância das normas codex para o consumidor e o país
(Mirilli, et al., 1996)
A indústria de alimentos apresenta a forma mais nítida da grande
necessidade de interação do trinômio política econômica, científico-tecnológica
e legislativa, já que a diversidade de legislação, normas, padrões e
regulamentos nacionais e internacionais sobre alimentos constitui um dos
grandes obstáculos à livre negociação no comércio internacional desses
produtos e dos serviços afins. Se estas diferentes exigências fossem
harmonizadas em um único conjunto de requisitos, os resultados,
indubitavelmente, seriam benéficos para esse segmento da economia mundial.
Os conceitos desenvolvidos dentro do Programa Codex são o resultado
da consolidação de discussões entre peritos nos diferentes assuntos, dentro
dos 25 comitês específicos - Higiene dos Alimentos, Resíduos de Pesticidas,
Aditivos e Contaminantes, Embalagem de Alimentos, Resíduos de
Medicamentos em Alimentos, entre outros - representando o consenso entre os
138 membros do Codex.
Na década de1970, o Brasil tornou-se membro deste Programa, havendo
alguma participação nos trabalhos.Mas, foi a partir de 1980 que se conseguiu
uma articulação mais representativa do setor alimentício, com a criação do
Comitê do Codex Alimentarius do Brasil (CCAB), por meio das Resoluções
01/80 e 07/88 do Conmetro. O CCAB tem como principais finalidades a
participação, em representações do país, nos comitês internacionais do Codex
Alimentarius e a defesa dos interesses nacionais, bem como a utilização das
Microbiologia da Segurança de Alimentos
117
normas Codex como referência para a elaboração e atualização da legislação e
regulamentação nacional de alimentos.
O CCAB, visando representar todos os segmentos da área de alimentos,
é composto por 14 membros de órgãos do governo, das indústrias e de órgãos
de defesa do consumidor, a saber: Inmetro, MRE, MS, MA, MF, MCT, MJ/DPC,
MICT/SECEX, ABIA, ABNT, CNI, CNA, CNC e IDEC. Possui uma estrutura de
grupos técnicos para acompanhamento de cada Comitê Codex, que são
coordenados pelos membros do CCAB e abertos à participação da sociedade.
A Coordenação e a Secretaria Executiva do CCAB são exercidas pelo
Inmetro, sendo o Ministério das Relações Exteriores o ponto de contato entre o
Comitê Brasileiro e a Comissão do Codex Alimentarius (CAC).
Para o funcionamento do Comitê adequado à diversidade dos temas
tratados em seu âmbito, foram criados, à semelhança da estruturação do
programa, grupos técnicos específicos, coordenados por representantes dos
membros do CCAB, cuja função básica é identificar os segmentos interessados
nos vários temas e que possam fornecer subsídios ou pareceres sobre os
documentos específicos frutos dos trabalhos do Codex.
Em suas reuniões, o CCAB discute e elabora o posicionamento da
delegação brasileira referente aos documentos a serem analisados nas
reuniões internacionais dos diversos comitês técnicos do Codex.
É interessante citar que, no Brasil, os responsáveis pela legislação em
alimentos são os Ministérios da Saúde (MS) e o Ministério da Agricultura e do
Abastecimento (MAA). Esses órgãos criaram núcleos internos para
acompanhar as atividades dos comitês específicos, identificando os grupos
constantes das atividades de sua classe, para fornecer pareceres aos
documentos oriundos do Codex Alimentarius Comission (CAC). Esses grupos,
em conjunto com os demais membros do CCAB, sob a coordenação do
INMETRO, reúnem-se para a formação da posição nacional sobre o assunto a
ser defendido nas reuniões internacionais do Codex Alimentarius.
A etapa final do Programa Codex Alimentarius visa a aceitação oficial,
embora não compulsória, pelos países membros, dos documentos Codex
aprovados por seus participantes. A adoção das recomendações Codex pelos
países beneficia os consumidores, principalmente nos aspectos como higiene,
conformidade aos padrões de qualidade, garantia de atendimento dos
quantitativos anunciados nos rótulos, bem como acesso a melhores
informações sobre os alimentos.
Exemplos de alguns dos principais atos federais relacionados com
alimentos
Microbiologia da Segurança de Alimentos
118
LEIS FEDERAIS:
LEI 1.283 - 18/12/1950
Texto: Dispõe sobre a inspeção industrial e sanitária dos produtos de origem
animal.
Vide: Decreto/078713/1976.
LEI 5.348 - 03/11/1967
Texto: Revoga o Artigo 3 do Decreto-Lei 212, de 27/02/1967, que dispõe sobre
medidas de segurança sanitária no país.
LEI 5.760 - 03/12/1971
Texto: Dispõe sobre a inspeção sanitária e industrial dos produtos de origem
animal e dá outras providências.
Vide: Decreto 073116/1973
Lei: 006275/1975
Decreto 078713/1976
Decreto 001899/1981
DECRETOS FEDERAIS
DECRETO 27.932 - 28/03/1950
Texto: Aprova o regulamento para aplicação das medidas de defesa sanitária
animal.
DECRETO 30.691 - 29/03/1952
Texto: Aprova o novo regulamento da inspeção industrial e sanitária de produtos
Microbiologia da Segurança de Alimentos
119
de origem animal.
Vide: Decreto 39.093/1956
Decreto 1.255/1962
Decreto 54.267/1964
Decreto 073.116/197
DECRETO 39.093 - 30/04/1956
Texto: Altera o Decreto 30.691, de 03/03/1952, regulamento da inspeção
industrial e sanitária de produtos de origem animal.
DECRETO 52.916 - 22/11/1963
Texto: Modifica o Decreto 1.936, de 20/12/1962, e dá outras providências.
Dispõe sobre a obrigatoriedade de indicar os pesos líquidos nos produtos embalados.
Vide: Decreto 062.292/1968
DECRETO 69.502 - 05/11/1971
Texto: Dispõe sobre o registro, a padronização e a inspeção de produtos
vegetais e animais, inclusive os destinados à alimentação humana, e dá outras
providências.
DECRETO 74.209 - 24/06/1974
Texto: Dispõe sobre a composição e o funcionamento do Conselho Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO), e dá outras
providências.
Vide: Decreto 081.128/1977
DECRETO 79.206 - 04/02/1977
Texto: Dispõe sobre a organização do Instituto Nacional de Metrologia.
Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) e dá outras providências.
Vide: Decreto 083.575/1979
Microbiologia da Segurança de Alimentos
120
DECRETO 81.128 - 26/12/1977
Texto: Altera o Decreto 74.209, de 24/06/1974, que dispõe sobre a composição
e o funcionamento do Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade
Industrial - CONMETRO, e dá outras providências.
DECRETO-LEI 209 - 27/02/1967
Texto: Institui o Código Brasileiro de Alimentos, e dá outras providências.
Vide: Decreto 063.526/1968
Decreto 000/986/1968
DECRETO-LEI 212 - 27/02/1967
Texto: Dispõe sobre medida de segurança sanitária no país.
Vide: Lei 005.348/1967
DECRETO-LEI 986 - 21/10/1969
Texto: Institui normas básicas sobre alimentos.
RESOLUÇÕES E PORTARIAS MUNICIPAIS E FEDERAIS.
RESOLUÇÃO DA CNNPA (Comissão Nacional de Normas e Padrões para
Alimentos) de 1967 a 1978 - Ministério da Saúde.
RESOLUÇÕES DA CTA (Câmara Técnica de Alimentos) 1979 a 1980 -
Ministério da Saúde.
PORTARIAS E COMUNICAÇÕES DINAL (Divisão Nacional de Alimentos) a
partir de 1981.
PORTARIA No 1 - DINAL/MS - 28/01/1987
Texto: Aprova os padrões microbiológicos para os produtos expostos à venda ou
de alguma forma destinados ao consumo para diferentes classes de alimentos.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
121
PORTARIA No 58 - MS - 17/05/1993
Texto: Propõe o estabelecimento na forma de textos anexos das “Diretrizes e
Princípios de Alimentos” (Item I); “Diretrizes e Orientações para o estabelecimento de
padrões de identidade e qualidade de bens e serviços na área de alimentos - Boas
Práticas de Produção e Prestação de Serviços” (Item II); “Regulamento Técnico para o
Estabelecimento de Padrões de Identidade e Qualidade dos Alimentos” (Item III).
PORTARIA No 101 - MAARA - 11/08/1993
Texto: Aprovar e oficializar os métodos analíticos para controle de produtos de
origem animal e seu ingredientes - métodos microbiológicos.
PORTARIA No 146 - MAARA - 07/03/1996
Texto: Aprovar os Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade de
Produtos Lácteos substitui as antigas normas do RIISPOA (Regulamentos de
Inspeção Industrial Sanitária de Produtos de Origem Animal vigente desde 1952).
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 83, DE 21 DE NOVEMBRO DE 2003.
O SECRETÁRIO DE DEFESA AGROPECUÁRIA, DO MINISTÉRIO DA
AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe
confere o art. 15, inciso II, do Anexo I, do Decreto nº 4.629, de 21 de março de 2003,
tendo em vista o disposto no Decreto nº 30.691, de 29 de março de 1952,
considerando ainda a necessidade de instituir medidas que normatizem a
industrialização de produtos de origem animal, garantindo condições de igualdade
entre os produtores e assegurandoa transparência nos processos de produção,
processamento e comercialização, e o que consta do Processo nº
21000.002076/2002-10, resolve:
Art. 1º Aprovar os REGULAMENTOS TÉCNICOS DE IDENTIDADE E
QUALIDADE DE CARNE BOVINA EM CONSERVA (CORNED BEEF) E CARNE
MOÍDA DE BOVINO, conforme Anexos.
Art. 2º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
122
ANEXO I - REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE
ANEXO II - REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE
ANEXO II
REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DE CARNE
MOÍDA DE BOVINO
1. Alcance
1.1. Objetivo:
Fixar a identidade e as características mínimas de qualidade que deverá
obedecer o produto cárneo denominado carne moída, obtido de massas musculares
decarcaças de bovinos.
1.2. Âmbito de aplicação
O presente regulamento refere-se ao produto carne moída, destinado ao
comércio nacional e/ou internacional.
2. Descrição
2.1. Definição: entende-se por carne moída o produto cárneo obtido a partir da
moagem de massas musculares de carcaças de bovinos, seguida de imediato
resfriamento ou congelamento.
Nota: o presente regulamento aplica-se também ao produto obtido a partir da
carne de búfalos.
2.2. Classificação:
Trata-se de um produto cru, resfriado ou congelado.
2.3. Designação (denominação de venda):
O produto será designado de carne moída, seguido de expressões ou
denominações que o caracterizem de acordo com sua temperatura de apresentação e
do nome da espécie animal da qual foi obtida.
É dispensável a indicação do sexo do animal.
É facultativo nomear o corte quando a carne moída for obtida, exclusivamente,
das massas musculares que o constituem.
Exemplos:
Microbiologia da Segurança de Alimentos
123
carne moída resfriada de bovino;
carne moída congelada de búfalo;
carne moída congelada de bovino - capa de filé;
carne moída congelada de bovino - patinho.
3. Referências:
- ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Normas ABNT - Plano de
amostragem e procedimento na inspeção por atributos - 03.011, NBR 5426,
jan/1985.
- AOAC. Association of Official Analytical Chemists. Official methods of
analysis:of the AOAC international, 42.1.03, 1995.
- BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Portaria nº 368, de
04/09/97. Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas
Práticas de Elaboração para Estabelecimentos Elaboradores/Industrializadores de
Alimentos. Brasília: Ministério da Agricultura e do Abastecimento, 1997.
- BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Métodos Analíticos
Físico-químicos para Controle de Produtos Cárneos e seus Ingredientes - Sal e
Salmoura - SDA. Instrução Normativa nº 20, de 21/07/99, publicada no Diário Oficial
da União, de 09/09/99. Brasília: Ministério da Agricultura e do Abastecimento, 1999.
- BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Plano Nacional de
Controle de Resíduos em Produtos de Origem Animal. Instrução Normativa nº 42, de
20/12/99. Brasília: Ministério da Agricultura e do Abastecimento, 1999.
- BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Regulamento Técnico
para Rotulagem de Alimentos. Portaria nº 371, de 04/09/97. Brasília: Ministério da
Agricultura e do Abastecimento, 1997.
- BRASIL. Ministério da Agricultura. Decreto nº 63.526, de 04/11/68. Brasília:
Ministério da Agricultura, 1968.
- BRASIL. Ministério da Agricultura. RIISPOA – Regulamento da Inspeção
Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal. Decreto nº 30.691, de 29/03/52.
Brasília: Ministério da Agricultura, 1952.
- BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Portaria
INMETRO nº 157, de 19/08/2002. INMETRO, 2002.
- BRASIL. Ministério da Justiça. Código de Proteção e Defesa do Consumidor.
Lei nº 8.078, de 11/09/90. Brasília: Ministério da Justiça, Departamento de Proteção e
Defesa do Consumidor, 1997.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Princípios Gerais para Estabelecimento de
Microbiologia da Segurança de Alimentos
124
Critérios e Padrões Microbiológicos para Alimentos. Resolução - RDC nº 12, de
02/01/01. Brasília: Ministério da Saúde, 2001.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Regulamento Técnico de Atribuição de Função
de Aditivos, e seus Limites Máximos de Uso para a Categoria 8 - Carne e Produtos
Cárneos. Portaria nº 1002/1004, de 11/12/98. Brasília: Ministério da Saúde, 1998.
- EUROPEAN COMMUNITIES. European Parliament and Council Directive nº
95/2/EC, of 20 february 1995. Official Journal of the European Communities. Nº L61/1,
18/03/95.
- FAO/OMS. Organizacion de las Naciones Unidas para la Agricultura y la
Alimentacion. Organizacion Mundial de la Salud. Codex Alimentarius. Carne y
Productos Carnicos. 2ª Ed, v. 10, Roma, 1994.
- ICMSF. International Commission on Microbiological Specifications for Foods.
Compendium of methods for microbiological examination of foods. ICMSF, 1992. -
ICMSF. International Commission on Microbiological Specifications for Foods.
Micoorganisms in foods 2. Sampling for microbiological analysis: Principles and
specific applications. University of Toronto Press, 1986.
- MERCOSUL. Mercado Comum do Sul. Resolução 91/94. BRASIL. Ministério da
Indústria, do Comércio e do Turismo. Portaria INMETRO nº 74, de 25/05/95. Brasília:
INMETRO, 1995.
- MERCOSUL. Mercado Comum do Sul. Resolução do Grupo Mercado Comum
(GMC) 36/93. Mercosul, 1993. BRASIL. Ministério da Saúde. Regulamento Técnico
sobre Embalagens e Equipamentos em contato com Alimentos. Resolução RDC
ANVISA nº91, de 11/05/2001. Brasília. Ministério da Saúde, 2001.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Regulamento Técnico sobre Embalagens e
Equipamentos Metálicos em contato com Alimentos. Portaria SVS/MS nº 28 de
18/03/1996. Brasília.Ministério da Saúde, 1996.
4. Composição e Requisitos
4.1. Composição:
4.1.1. Ingredientes obrigatórios: carnes obtidas de massas musculares
esqueléticas de bovinos.
4.1.2. Ingredientes opcionais: água (máximo 3%)
4.1.3. Coadjuvantes de tecnologia: não tem.
4.2. Requisitos:
4.2.1. Características sensoriais:
4.2.1.1. Textura: característica..
4.2.1.2. Cor: característica.
4.2.1.3. Sabor: característico.
4.2.1.4. Odor: característico.
4.2.2. Característica físico-química: espécie gordura (máx.) bovina 15%
Microbiologia da Segurança de Alimentos
125
4.2.3. Fatores essenciais de qualidade:
4.2.3.1. Matéria-prima: carne resfriada e ou congelada não se permitindo a
utilização de carne “quente”.
4.2.3.2. A matéria-prima a ser utilizada deverá estar isenta de tecidos inferiores
como ossos, cartilagens, gordura parcial, aponevroses, tendões, coágulos, nodos
linfáticos, etc.
4.2.3.3. Não será permitida a obtenção do produto a partir de moagem de carnes
oriundas da raspa de ossos e carne mecanicamente separada - CMS;.
4.2.3.4. Permite-se a utilização de carne industrial da matança, desde que as
mesmas sejam previamente levadas, escorridas e submetidas a processo de
resfriamento ou congelamento.
4.2.3.5. O produto deverá ser obtido em local próprio para moagem, com
temperatura ambiente não superior a 10ºC.
4.2.3.6. A carne moída deverá sair do equipamento de moagem com
temperatura nunca superior a 7ºC (sete graus Celsius) e ser submetida,
imediatamente, ao congelamento (rápido ou ultra-rápido) ou ao resfriamento.
4.2.3.7. O prazo de validade do produto será estabelecido de acordo com o
previsto na legislação vigente, observando-se as variáveis dos processos de obtenção,
embalagem e conservação. O produtor demonstrará, junto aos órgãos competentes,
os procedimentos, testes e resultados de garantia no prazo estabelecidoproposto.
4.2.4. Acondicionamento: o produto deverá ser embalado com materiais
adequados para as condições de armazenamento e transporte, de modo que lhe
confiram uma proteção apropriada.
4.2.5. Armazenamento:
A carne moída resfriada deverá ser mantida à temperatura de 0ºC a 4ºC e a
carne moída congelada à temperatura máxima de -18ºC (menos dezoito graus
Celsius) durante o armazenamento.
5. Aditivos e coadjuvantes de tecnologia/elaboração: não serão permitidos.
6. Contaminantes:
Os resíduos orgânicos e inorgânicos devem estar ausentes e, quando presentes,
em quantidades inferiores aos limites estabelecidos em regulamentação específica.
7. Higiene
7.1. Considerações gerais:
7.1.1. As práticas de higiene para a elaboração do produto estarão de acordo
com o estabelecido no "Código Internacional Recomendado de Práticas de Higiene
para os Produtos Cárnicos Elaborados" {(Ref. CAC/RCP 13 -1976 (rev. 1, 1985)} do
"Código Internacional Recomendado de Práticas de Higiene para a Carne Fresca"
{(CAC/RCP 11 -1976 (rev. 1,1993)}, do "Código Internacional Recomendado de
Práticas – Princípios Gerais de Higiene dos Alimentos" {(Ref.: CAC/RCP 1 - 1969 (rev.
2 - 1985)} - Ref. Codex Alimentarius, vol. 10, 1994. Portaria nº 368, de 04/09/97 -
Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas Práticas de
Elaboração para Estabelecimentos Elaboradores/Industrializadores de Alimentos -
Ministério da Agricultura e do Abastecimento, Brasil.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
126
7.1.2. Toda a carne usada para elaboração da carne moída deverá ter sido
submetida aos processos de inspeção prescritos no RIISPOA - "Regulamento de
Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal" - Decreto nº 30.691, de
29/03/1952.
7.2. Critérios macroscópicos/microscópicos: o produto não deverá conter
substâncias/matérias estranhas de qualquer natureza.
7.3. Critérios microbiológicos: aplica-se a legislação vigente.
8. Pesos e medidas: aplica-se o regulamento vigente.
8.1. A carne moída deverá ser embalada imediatamente após a moagem,
devendo cada pacote do produto ter o peso máximo de 1 (um) quilograma.
8.2. Em função do destino do produto (uso hospitalar, escolas, cozinhas
industriais, instituições, etc.) poderão ser admitidas embalagens com peso superior a 1
kg, devendo sua espessura ser igual ou menor que 15 centímetros, não sendo
permitida a sua venda no varejo.
8.3. É proibido o fracionamento do produto no mercado varejista.
9. Rotulagem: aplica-se o regulamento vigente (Portaria nº 371, de 04/09/97 –
Regulamento Técnico para Rotulagem de Alimentos - Ministério da Agricultura e do
Abastecimento, Brasil).
9.1. Os dizeres “PROIBIDO O FRACIONAMENTO” deverão constar em
rotulagem com caracteres destacados em corpo e cor.
9.2. Os dizeres “PROIBIDA A VENDA NO VAREJO” deverão constar em
rotulagem com caracteres destacados em corpo e cor, quando as embalagens forem
superiores a 1 kg.
10. Métodos de análises: Instrução Normativa nº 20, de 21/07/99, publicada no
Diário Oficial da União, de 09/09/99 - Métodos Analíticos para Controle de Produtos
Cárneos e seus Ingredientes - Métodos Físico-Químicos - SDA - Ministério da
Agricultura e do Abastecimento, Brasil. - AOAC Official Methods of Analysis, 42.1.03
,1995.
11. Amostragem: seguem-se os procedimentos recomendados na norma
vigente.
INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 89, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2003 (*)
O SECRETÁRIO DE DEFESA AGROPECUÁRIA, DO MINISTÉRIO DA
AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe
confere o art. 15, incisos II e III, do Decreto nº 4.629, de 21 de março de 2003,
considerando o disposto na Resolução MERCOSUL/GMC nº 32/92 e o que consta do
Processo n.º 21000.003736/2002-80, resolve:
Art. 1º Aprovar o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Aves
Temperadas, conforme consta do Anexo desta Instrução Normativa.
Art. 2º Ficam cancelados os rótulos e memoriais descritivos anteriormente
aprovados.
Art. 3º Fica revogada a Instrução Normativa SDA Nº 64, publicada no DOU nº
Microbiologia da Segurança de Alimentos
127
170, de 03 de setembro de 2003, Seção I, página 118.
Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.
MAÇAO TADANO
Microbiologia da Segurança de Alimentos
128
ANEXO - REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DE
AVES TEMPERADAS
ANEXO
REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DE AVES
TEMPERADAS
I. Alcance
1.1. Objetivo: fixar a identidade e as características mínimas de qualidade que
deverá apresentar o produto denominado aves temperadas.
1.2. Âmbito de aplicação: o presente regulamento refere-se ao produto aves
temperadas destinada ao mercado nacional e internacional.
2. Descrição
2.1. Definição: entende-se por aves temperadas o produto cárneo
industrializado, obtido de aves domésticas como frango, galinha, peru, marreco,
galinha d'angola e outros, adicionado de sal e temperos durante seu processo
tecnológico.
2.2. Classificação: trata-se de produto cru, temperado, comercializado na forma
resfriada ou congelada.
2.3. Designação (denominação de venda): o produto será designado com o
nome da espécie animal seguido da palavra temperado, citando o processo de
conservação, o quantitativo específico de salmoura agregada e referência aos miúdos
(fígado, moela e coração) e aos cortes (pés, cabeça e pescoço) que poderá conter.
Exemplos:
- Frango temperado congelado (com pés, pescoço, cabeça, fígado, moela, e
máximo de 20% de salmoura temperada);
- Frango temperado resfriado (com pés, pescoço, cabeça, fígado, moela e
máximo 20% de salmoura temperada);
- Peru temperado resfriado (com 25% de salmoura temperada, pescoço e
coração);
- Pato temperado resfriado (com 20% de salmoura temperada, fígado, pescoço e
moela);
- Marreco temperado congelado (com máximo 20% de salmoura temperada,
fígado, pescoço e moela);
Microbiologia da Segurança de Alimentos
129
- Galinha d'angola temperada resfriada (com miúdos e máximo 20% de salmoura
temperada);
- Outros.
3. Referências
- ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Normas ABNT - Plano de
amostragem e procedimento na inspeção por atributos - 03.011, NBR 5426, jan/1985. -
AOAC. Association of Official Analytical Chemists. Official methods of analysis: of the
AOAC international., 42.1.03, 1995.
- BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Portaria nº 368, de
04/09/97. Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas
Práticas de Elaboração para Estabelecimentos Elaboradores/Industrializadores de
Alimentos. Brasília: Ministério da Agricultura e do Abastecimento, 1997.
- BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Métodos Analíticos
Físico-químicos para Controle de Produtos Cárneos e seus Ingredientes - Sal e
Salmoura - SDA. Instrução Normativa nº 20, de 21/07/99, publicada no Diário Oficial
da União, de 09/09/99. Brasília: Ministério da Agricultura e do Abastecimento, 1999.
- BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Plano Nacional de
Controle de Resíduos em Produtos de Origem Animal Instrução Normativa nº 42, de
20/12/99. Brasília: Ministério da Agricultura e do Abastecimento, 1999.
- BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Regulamento Técnico
para Rotulagem de Alimentos. Portaria nº 371, de 04/09/97. Brasília: Ministério da
Agricultura e do Abastecimento, 1997.
- BRASIL. Ministério da Agricultura. Decreto nº 63.526, de 04/11/68. Brasília:
Ministério da Agricultura, 1968.
- BRASIL. Ministério da Agricultura. RIISPOA – Regulamento da Inspeção
Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal. Decreto nº 30.691, de 29/03/52.Brasília: Ministério da Agricultura, 1952.
- BRASIL. Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo. Portaria INMETRO
nº 88, de 24/05/96. Brasília: INMETRO, 1996.
- BRASIL. Ministério da Justiça. Código de Proteção e Defesa do Consumidor.
Lei nº 8.078, de 11/09/90. Brasília: Ministério da Justiça, Departamento de Proteção e
Defesa do Consumidor, 1997.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Princípios Gerais para Estabelecimento de
Critérios e Padrões Microbiológicos para Alimentos. Resolução - RDC nº 12, de
02/01/01. Brasília: Ministério da Saúde, 2001.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Regulamento Técnico de Atribuição de Função
de Aditivos, e seus Limites Máximos de Uso para a Categoria 8 - Carne e Produtos
Cárneos. Portaria nº 1002/1004,de 11/12/98. Brasília: Ministério da Saúde, 1998.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
130
- EUROPEAN COMMUNITIES. European Parliament and Council Directive nº
95/2/EC, of 20 february 1995. Official Journal of the European Communities. Nº L61/1,
18/03/95.
- FAO/OMS. Organizacion de las Naciones Unidas para la Agricultura y la
Alimentacion. Organizacion Mundial de la Salud. Codex Alimentarius. Carne y
Productos Carnicos. 2ª. Ed, v. 10, Roma, 1994.
- ICMSF. International Commission on Microbiological Specifications for Foods.
Compendium of methods for microbiological examination of foods. ICMSF, 1992.
- ICMSF. International Commission on Microbiological Specifications for Foods.
Micoorganisms in foods 2. Sampling for microbiological analysis: Principles and
specific applications. University of Toronto Press, 1986.
- James F.Price y Bernad S. Schweigert - Ciência da la Carne y de los productos
cárnicos - Editorial Acribia, S.A. - Zaragoza - España - 1994
- MERCOSUL. Mercado Comum do Sul. Resolução 91/94. BRASIL. Ministério da
Indústria, do Comércio e do Turismo. Portaria INMETRO nº 74, de 25/05/95. Brasília:
INMETRO, 1995.
- MERCOSUL. Mercado Comum do Sul. Resolução do Grupo Mercado Comum
(GMC) 21/02. Mercosul, 2002.
- UNITED STATES - Code of Federal Regulamentations - Part 200 to end -
Washington – 1995.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Resoluções 39 e 40, de 21 de março de 2001, nº
94, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (www.anvisa.gov.br) que aprova o
Regulamento Técnico para Rotulagem Nutricional Obrigatória de Alimentos e Bebidas
Embalados. Brasília: Ministério da Saúde/ANVISA.
4. Composição e requisitos
4.1. Composição
4.1.1. Ingredientes obrigatórios carcaça de ave (espécie animal); sal - mínimo de
1%; temperos - 0,5 %.
Nota: quando utilizar óleos de essências em substituição parcial ou total aos
condimentos e especiarias, o percentual de 0,5% poderá ser menor, de acordo com as
boas práticas recomendadas ao uso destes óleos, conforme o efeito desejado, desde
que fique bem caracterizado o tempero.
4.1.2. Ingredientes opcionais
Água - (máximo de 20%); proteínas de origem animal e vegetal; açúcares; malto
dextrinas; aditivos intencionais.
Nota 1: O produto “aves temperadas” poderá conter os miúdos (coração, fígado,
Microbiologia da Segurança de Alimentos
131
moela) e os cortes (pés, cabeça e pescoço), devendo, obrigatoriamente, estes dizeres
darem sequência ao nome do produto (0,5 cm).
Nota 2: Constar, abaixo do nome oficial do produto, a frase “com máximo de
20% de salmoura temperada". Estas letras deverão ter tamanho mínimo de 0,5cm.
Exemplo: Frango temperado congelado com máximo de 20% de salmoura
temperada, fígado, moela e pescoço.
4.2. Requisitos
4.2.1. Características sensoriais: textura, cor, sabor e odor característicos
4.2.2. Característica físico-química
4.2.2.1. Umidade: 78% (máximo);
4.2.2.2. Proteína: 15% (mínimo);
4.2.2.3. Sal: 1% (mínimo);
4.2.2.4. Condimentos – 0,5% (mínimo).
Nota: Nos perus, permitir-se-á injeção de até 25% com os mesmo critérios
referentes à rotulagem do produto estabelecido neste regulamento, apenas com a
mudança no percentual adicionado de salmoura temperada declarado abaixo do nome
do produto, podendo no mesmo ser inseridos os miúdos, coração, moela, fígado, e os
cortes, pés e pescoço.
Exemplo: peru temperado congelado (com fígado, moela e máximo de 25% de
Salmoura Temperada).
4.2.3. Envase e acondicionamento
4.2.3.1. O produto deverá ser envasado com materiais previamente aprovados,
adequados às condições de processamento e armazenagem, que lhe confiram
proteção durante o transporte e todo o período de armazenamento.
5. Aditivos e coadjuvantes de tecnologia/elaboração de acordo com o
regulamento específico vigente.
6. Contaminantes
Os contaminantes orgânicos e inorgânicos não devem estar presentes em
quantidades superiores aos limites estabelecidos pelo regulamento específico.
7. Higiene
7.1. Considerações gerais
7.1.1. As práticas de higiene para a elaboração do produto estarão de acordo
Microbiologia da Segurança de Alimentos
132
com o estabelecido no "Código Internacional Recomendado de Práticas de Higiene
para os Produtos Cárnicos Elaborados" {(Ref. CAC/RCP 13 -1976 (rev. 1, 1985)}, no
"Código Internacional Recomendado de Práticas de Higiene para a Carne Fresca"
{(CAC/RCP 11 -1976 (rev. 1,1993)} e no "Código Internacional Recomendado de
Práticas - Princípios Gerais de Higiene dos Alimentos" {(Ref.: CAC/RCP 1 - 1969 (rev.
2 - 1985)} - Ref. Codex Alimentarius, vol. 10, 1994. Portaria nº 368, de 04/09/97 -
Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas Práticas de
Elaboração para Estabelecimentos Elaboradores / Industrializadores de Alimentos -
Ministério da Agricultura e do Abastecimento, Brasil.
7.1.2. Toda carcaça de ave usada para elaboração do produto aves temperadas
deverá ter sido submetida aos processos de inspeção prescritos no RIISPOA –
"Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal" -
Decreto nº 30.691, de 29/03/1952.
7.2. Critérios macroscópicos/microscópicos: o produto não deverá conter
substâncias ou matérias estranhas de qualquer natureza.
7.3. Critérios microbiológicos: aplica-se a legislação vigente para esta categoria
de produto.
8. Pesos e medidas: aplica-se o regulamento vigente.
9. Rotulagem: aplica-se a regulamentação vigente (Portaria nº 371, de 04/09/97 -
Regulamento Técnico para Rotulagem de Alimentos Embalados - Ministério da
Agricultura e do Abastecimento, Brasil) e demais legislações pertinentes.
10. Métodos de análises: Instrução Normativa nº 20, de 21/07/99, publicada no
Diário Oficial da União, de 09/09/99 - Métodos Analíticos para Controle de Produtos
Cárneos e seus Ingredientes - Métodos Físico-Químicos - SDA - Ministério da
Agricultura e do
Abastecimento, Brasil. - AOAC Official Methods of Analysis, 42.1.03, 1995.
11. Amostragem: segue-se os procedimentos recomendados na norma vigente.
(*) Republicada em virtude de reconsiderações técnicas não enunciadas na
Instrução nº64 publicado no DOU nº170 de 03/09/2003, Seção 1, Página 118.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
133
RESOLUÇÃO DIPOA/SDA Nº 10, DE 22 DE MAIO DE 2003 (*)
O DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE
ORIGEM ANIMAL, DA SECRETARIA DE DEFESA AGROPECUÁRIA, DO
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, no uso da
atribuição que lhe confere o art. 902 do Regulamento da Inspeção Industrial e
Sanitária de Produtos de Origem Animal, aprovado pelo Decreto nº 30.691, de 29 de
março de 1952, e art. 84 da Portaria Ministerial nº 574, de 8 de dezembro de 1998,
Portaria nº 46, de 10 de fevereiro de 1998, e o que consta do Processo nº
21000.010393/2002 - 18, resolve:
Art. 1º Instituir o Programa Genérico de PROCEDIMENTOS – PADRÃO DE
HIGIENE OPERACIONAL – PPHO, a ser utilizado nos estabelecimentos de leite e
derivados que funcionamsob o regime de Inspeção Federal, como etapa preliminar e
essencial dos Programas de Segurança Alimentar do tipo APPCC (Análise de Perigos
e Pontos Críticos de Controle).
Art. 2º Estabelecer a data de 10 de janeiro de 2004 para a implantação
compulsória desse Programa, nos moldes apresentados no Anexo desta Resolução e
de acordo com as características de cada estabelecimento de leite e derivados
registrados no Serviço de Inspeção Federal/Departamento de Inspeção de Produtos
de Origem Animal – SIF/DIPOA, nas seguintes categorias funcionais:
I - Entreposto-usina;
II - Usina de beneficiamento;
III - Fábrica de laticínios;
IV - Granja leiteira;
V - Entreposto de Laticínios.
Art. 3º A elaboração e a implantação dos Programas PPHO serão de única e
exclusiva responsabilidade das indústrias com SIF registradas nas categorias acima
discriminadas.
Art. 4º Os Programas PPHO devem ser elaborados diretamente pelos
estabelecimentos de leite e derivados e não dependerão de aprovação prévia do
SIF/DIPOA para sua implantação.
Art. 5º Caberá ao SIF/DIPOA verificar, por meio da aplicação de lista de
verificação própria, a adequação do Programa aos termos do Anexo da presente
Resolução e o seu rigoroso cumprimento.
Art. 6º O SIF/DIPOA poderá estabelecer a necessidade de se introduzir
modificação parcial ou na totalidade do Programa PPHO desenvolvido ou implantado
pelo estabelecimento, assim como fixar prazos de atendimento, entre outras medidas
legais, uma vez constatada a incidência de não conformidades durante auditorias de
BPF/PPHO.
Art. 7º Os estabelecimentos industriais que não observarem os prazos
estabelecidos no presente instrumento estarão sujeitos às penalidades previstas na
legislação em vigor.
Art. 8º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
(*) Publicada no DOU de 28/05/2003, seção 1, págs 4 e 5.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
134
RESOLUÇÃO RDC Nº 13 de 02 de janeiro de 2001
EMENTA NÃO OFICIAL : Aprova o regulamento técnico para instruções de uso,
preparo e conservação na rotulagem de carne de aves e seus miúdos crus, resfriados
ou congelados , em anexo.
PUBLICAÇÃO: D.O.U. Diário Oficial da União, Poder Executivo , de 02 de
janeiro de 2001.
ÓRGÃO EMISSOR : ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
ALCANCE DO ATO: Federal - Brasília
ÁREA DE ATUAÇÃO: Alimentos
RELACIONAMENTO: atos relacionados:
Lei nº 6437, de 20 de agosto de 1977
Decreto nº 986, de 21 de outubro de 1969
Portaria nº 42, de 14 de janeiro de 1998
Portaria nº 371, de 04 de setembro de 1997
Portaria nº 210, de 10 de novembro de 1998
Decreto nº 30691, de 29 de março de 1952
Microbiologia da Segurança de Alimentos
135
RESOLUÇÃO - RDC Nº 13, DE 2 DE JANEIRO DE 2001
A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso da
atribuição que lhe confere o art. 11, inciso IV, do Regulamento da ANVISA aprovado
pelo Decreto nº 3029, de 16 de abril de 1999, em reunião realizada em 20 de
dezembro de 2000 considerando a necessidade de constante aperfeiçoamento das
ações de controle sanitário na área de alimentos visando a proteção à saúde da
população; considerando a necessidade de atualizar, harmonizar e consolidar as
normas e regulamentos técnicos relacionados a alimentos; considerando que a
presença de Salmonella em carne de aves e seus miúdos crus, resfriados ou
congelados existe de forma crítica, e é um problema mundial, que não existe
medidas efetivas de controle que possam eliminá-la da carne crua; considerando que
o processo tecnológico atual utilizado pelas indústrias produtoras de carne de aves e
seus miúdos crus, resfriados ou congelados, ainda não assegura a eliminação
completa do microrganismo Salmonella sp. nesses produtos, e que a presença desse
microrganismo significa risco à saúde do consumidor caso o produto não seja
adequadamente conservado e preparado; considerando que em outros países como,
Estados Unidos da América, já adotam em suas legislações medidas equivalentes de
informações sobre o risco de contaminação por Salmonella sp. em rotulagem de
carne de aves; adotou a seguinte Resolução e eu, Diretor-Presidente, determino sua
publicação:
Art. 1º Aprovar o REGULAMENTO TÉCNICO PARA INSTRUÇÕES DE USO,
PREPARO E CONSERVAÇÃO NA ROTULAGEM DE CARNE DE AVES E SEUS
MIÚDOS CRUS, RESFRIADOS OU CONGELADOS, em Anexo.
Art. 2º As empresas têm o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar da
data da publicação deste Regulamento para se adequarem ao mesmo.
Art. 3º O descumprimento aos termos desta Resolução constitui infração
sanitária sujeitando os infratores às penalidades da Lei nº 6437, de 20 de agosto de
1977 e demais disposições aplicáveis
Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data da sua publicação.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
136
ANEXO
REGULAMENTO TÉCNICO PARA INSTRUÇÕES DE USO, PREPARO E
CONSERVAÇÃO NA ROTULAGEM DE CARNE DE AVES E SEUS MIÚDOS CRUS,
RESFRIADOS OU CONGELADOS
1. ALCANCE
1.1.Objetivo e âmbito de aplicação:
Estabelecer a obrigatoriedade para os produtores de carne de aves e seus
miúdos crus, resfriados ou congelados de incluir na rotulagem destes produtos as
instruções de uso, preparo e conservação de carne de aves e seus miúdos crus,
resfriados ou congelados, como recomendações, que auxiliem o consumidor no
controle do risco associado ao consumo de alimentos nos quais o microrganismo
Salmonella sp. possa estar presente.
2.DESCRIÇÃO
2.1.Definições
Para efeito deste Regulamento, entende-se:
2.1.1. Carne de aves: são as carcaças inteiras, fracionadas, incluindo cabeça,
pescoço e pés ou cortes.
2.1.2. Miúdos de aves: são as vísceras comestíveis (fígado, moela e coração)
3. REFERÊNCIAS
3.1. BRASIL, Decreto n.º 986, de 21 de outubro de 1969, publicada no Diário
Oficial da União de 21 de outubro de 1969- Institui normas básicas de alimentos.
3.2. BRASIL, Portaria SVS/MS nº 42, de 14 de janeiro de 1998, publicada no
Diário Oficial da União de 16 de janeiro de 1998 e Portaria SDA/MAA nº 371, de 04
de setembro de 1997 Regulamento Técnico sobre Rotulagem de Alimentos
Embalados.
3.3. BRASIL, Portaria SDA/MAA nº 210, de 10 de novembro de 1998
Regulamento Técnico das Inspeção Tecnológica e Higiênico-Sanitária de Carnes de
Aves.
3.4. BRASIL, Decreto nº 30.691, de 29 de março de 1952, publicado no Diário
Oficial da União de 07 de julho de 1952 Regulamento da Inspeção Industrial e
Sanitária de Produtos de Origem Animal.
3.5. Code of Federal Regulations. Animal and Animal Products. 9. Part 200 to
end. Revised as of January 1, 1997. Special Edition of the Federal Register. Food
Microbiologia da Segurança de Alimentos
137
Safety and Inspection Serv., (Meat, Poultry), USDA, para. 317.2, pag. 167.
4. INFORMAÇÕES MÍNIMAS OBRIGATÓRIAS
Na rotulagem das carne de aves e seus miúdos crus, resfriados ou congelados,
além dos dizeres exigidos para os alimentos em geral e específicos, devem constar,
obrigatoriamente, as expressões em destaque:
Este alimento, se manuseado incorretamente e ou consumido cru, pode causar
danos à saúde.
Para sua segurança, siga as instruções abaixo:
- Mantenha refrigerado ou congelado. Descongele somente no refrigerador ou
no micro-ondas.
- Mantenha o produto cru separado dos outros alimentos. Lave com água e
sabão as superfícies de trabalho (incluindo as tábuas de corte), utensílios e mãos
depois de manusear o produto cru.
- Consuma somente após cozido, frito ou assado completamente.
4.2. As instruções mínimas obrigatórias podem ser complementadas com
ilustrações, de forma a facilitar a sua compreensão.
4.3.A apresentação e distribuição da informação mínima obrigatória deve
atender o estabelecido no Regulamento Técnico referente à rotulagem de alimentos
embalados.
4.4. As receitas culinárias não são caracterizadas como instruções mínimas
obrigatórias para controle da Salmonella.
5. CONSIDERAÇÕES GERAIS
5.1. As empresas produtoras têm responsabilidade na qualidade do alimento,
devendo garantir ações efetivas e eficazes na cadeia produtiva para diminuir a
incidência da bactéria em questão.
5.2. Durante o preparo e manuseio existe a possibilidade de recontaminação e
contaminação de outros alimentos que não serão submetidos ao processo de
cozimento.
5.3. A Salmonella é destruída pela ação do calor.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
138
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 51, DE 18 DE SETEMBRO DE 2002.
O MINISTRO DE ESTADO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E
ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, Parágrafo único,
inciso II, da Constituição, e considerando a necessidade de aperfeiçoamento e
modernização da legislação sanitária federal sobre a produção de leite, resolve:
Art. 1º Aprovar os Regulamentos Técnicos de Produção, Identidade e
Qualidade do Leite tipo A, do Leite tipo B, do Leite tipo C, do Leite Pasteurizado e do
Leite Cru Refrigerado e o Regulamento Técnico da Coleta de Leite Cru Refrigerado e
seu Transporte a Granel, em conformidade com os Anexos a esta Instrução
Normativa.
Parágrafo único. Exclui-se das disposições desta Instrução Normativa o Leite de
Cabra, objeto de regulamentação técnica específica.
Art. 2o A Secretaria de Defesa Agropecuária - SDA/MAPA expedirá instruções
para monitoramento da qualidade do leite aplicáveis aos estabelecimentos que se
anteciparem aos prazos fixados para a vigência da presente Instrução Normativa.
Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação,
observados os prazos estabelecidos na Tabela 2 do Regulamento Técnico de
Identidade e Qualidade do Leite Cru Refrigerado.
MARCUS VINICIUS PRATINI DE MORAES
Microbiologia da Segurança de Alimentos
139
ANEXO I
REGULAMENTO TÉCNICO DE PRODUÇÃO, IDENTIDADE E
QUALIDADE DE LEITE TIPO A (Resumo)
1. Alcance
1.1. Objetivo
Fixar os requisitos mínimos que devem ser observados para a produção, a
identidade e a qualidade do leite tipo A.
1.2. Âmbito de Aplicação
O presente Regulamento se refere ao leite tipo A destinado ao comércio
nacional.
2. Descrição
2.1. Definições
2.1.1. Entende-se por leite, sem outra especificação, o produto oriundo da
ordenha completa e ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem
alimentadas e descansadas. O leite de outros animais deve denominar-se segundo a
espécie de que proceda.
2.1.2. Entende-se por Leite Pasteurizado tipo A o leite classificado quanto ao
teor de gordura em integral, padronizado, semidesnatado ou desnatado, produzido,
beneficiado e envasado em estabelecimento denominado “Granja Leiteira’,
observadas as prescrições contidas no presente Regulamento Técnico.
2.1.2.1. Imediatamente após a pasteurização o produto assim processado deve
apresentar teste qualitativo negativo para fosfatase alcalina, teste positivo para
peroxidase e enumeração de coliformes a 30/35ºC (trinta/trinta e cinco graus Celsius)
menor do que 0,3 NMP/mL (zero vírgula três Número Mais Provável/mililitro) da
amostra.
2.2. Designação (denominação de venda)
2.2.1. Leite Pasteurizado tipo A Integral;
2.2.2. Leite Pasteurizado tipo A Padronizado;
2.2.3. Leite Pasteurizado tipo A Semidesnatado;
2.2.4. Leite Pasteurizado tipo A Desnatado;
Deve constar a expressão “Homogeneizado” na rotulagem do produto, quando
Microbiologia da Segurança de Alimentos
140
for submetido a esse tratamento, nos termos do presente Regulamento Técnico.
8.2. Conjunto do Leite Cru Refrigerado tipo A Integral:
Item de Composição
Requisito
Método de Análise
Gordura (g/100 g)
min. 3,0
IDF 1 C :1987
Acidez, em g de ácido láctico/100 Ml
0,14 a 0,18
LANARA/MA, 1981
Densidade relativa, 15/15oC, g/mL (4)
1,028 a 1,034
LANARA/MA, 1981
Indice crioscópico máximo:
-0,530oH
(-0,512oC )
IDF 108 A :1969
Índice de Refração do Soro Cúprico/20oC
mín. 37o Zeiss
Microbiologia da Segurança de Alimentos
141
CLA/DDA/SDA/MAPA
Sólidos Não-Gordurosos(g/100g):
mín. 8,4
IDF 21 B :1987
Proteína Total (g/100 g)
mín. 2,9
IDF 20 B :1993
Redutase (TRAM)
Mín. 5 horas
CLA/DDA/ MA
Estabilidade ao Alizarol 72% (v/v)
Estável
CLA/DDA/ MA
Contagem Padrão em placas (UFC/mL)
Máx.. 1x104
S.D.A/MA, 1993
Contagem de Células Somáticas (CS/mL):
Máx.. 6x105
IDF 148 A :1995
Nota nº (4): Densidade Relativa: dispensada quando os teores de Sólidos Totais
Microbiologia da Segurança de Alimentos
142
(ST) e Sólidos Não Gordurosos (SNG) forem determinados eletronicamente.
8.3. Leite Pasteurizado tipo A
Requisitos
Integral
Padronizado
Semidesnatado
Desnatado
Método de análise
Gordura (g/100g)
Teor Original
3,0
0,6 a 2,9
máx. 0,5
IDF 1 C: 1987
Acidez, (g ác. láctico/100mL)
0,14 a 0,18 para todas as variedades
LANARA/MA, 1981
Estabilidade ao alizarol 72 % (v/ v)
Estável para todas as variedades
CLA/DDA/MA
Microbiologia da Segurança de Alimentos
143
Sólidos não gordurosos(g/100g)
Mín. de 8,4 *
IDF 21 B : 1987
Índice crioscópico máximo
-0,530oH (-0,512oC)
IDF 108 A:1969
Indice de refração do soro cúprico a 20oC
Mín. 37o Zeiss
CLA/DDA/SDA/MAPA
Testes enzimáticos:
- prova de fosfatase alcalina
- prova de peroxidase:
Negativa
Positiva
LANARA/MA, 1981
LANARA/MA, 1981
Contagem Padrão em Placas (UFC/mL) **
N = 5; c = 2; m = 5,0x102 M = 1,0x103
S.D.A/MA,1993
Coliformes – NMP/mL (30/35oC)**
Microbiologia da Segurança de Alimentos
144
N = 5; c = 0; m < 1
S.D.A/MA,1993
Coliformes – NMP/mL (45oC)**
N = 5; c = 0; m= ausência
S.D.A/MA,1993
Salmonella spp/25mL**
N = 5; c = 0; m= ausência
S.D.A/MA,1993
* Teor mínimo de SNG, com base no leite integral. Para os demais teores de
gordura, esse valor deve ser corrigido pela seguinte fórmula: SNG = 8,652 - (0,084 x
G)
(onde SNG = Sólidos Não-Gordurosos, g/100g; G = Gordura, g/100g).
** Padrões microbiológicos a serem observados até a saída do estabelecimento
industrial produtor.
Nota nº (5): imediatamente após a pasteurização, o leite pasteurizado tipo A
deve apresentar enumeração de coliformes a 30/35o C (trinta/trinta e cinco graus
Celsius) menor do que 0,3 NMP/ml (zero vírgula três Número Mais Provável/mililitro)
da amostra.
Nota nº (6): todos os métodos analíticos estabelecidos acima são de referência,
podendo ser utilizados outros métodos de controle operacional, desde que
conhecidos os seus desvios e correlações em relação aos respectivos métodos de
referência.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
145
ANEXO II
REGULAMENTO TÉCNICO DE PRODUÇÃO, IDENTIDADE E QUALIDADE
DO LEITE TIPO B
1. Alcance
1.1. Objetivo
Fixar os requisitos mínimos que devem ser observados para a produção, a
identidade e a qualidade do Leite Cru Refrigerado tipo B e Leite Pasteurizado tipo B;
1.2. Âmbito de aplicação:
O presente Regulamento se refere ao Leite tipo B destinado ao comércio
nacional.
2. Descrição
2.1. Definições
2.1.1. Entende-se por leite,sem outra especificação, o produto oriundo da
ordenha completa e ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem
alimentadas e descansadas. O leite de outros animais deve denominar-se segundo a
espécie de que proceda;
2.1.2. Entende-se por Leite Cru Refrigerado tipo B o produto definido neste
Regulamento Técnico, integral quanto ao teor de gordura, refrigerado em propriedade
rural produtora de leite e nela mantido pelo período máximo de 48h (quarenta e oito
horas), em temperatura igual ou inferior a 4oC (quatro graus Celsius), que deve ser
atingida no máximo 3h (três horas) após o término da ordenha, transportado para
estabelecimento industrial, para ser processado, onde deve apresentar, no momento
do seu recebimento, temperatura igual ou inferior a 7oC (sete graus Celsius).
2.1.3. Entende-se por Leite Pasteurizado tipo B o produto definido neste
Regulamento Técnico, classificado quanto ao teor de gordura como integral,
padronizado, semidesnatado ou desnatado, submetido à temperatura de 72 a 75oC
(setenta e dois a setenta e cinco graus Celsius) durante 15 a 20s (quinze a vinte
segundos), exclusivamente em equipamento de pasteurização a placas, dotado de
painel de controle com termorregistrador computadorizado ou de disco e termo-
regulador automáticos, válvula automática de desvio de fluxo, termômetros e torneiras
de prova, seguindo-se resfriamento imediato em equipamento a placas até
temperatura igual ou inferior a 4oC (quatro graus Celsius) e envase no menor prazo
possível, sob condições que minimizem contaminações;
8. Composição e Requisitos Físicos, Químicos e Microbiológicos do Leite Cru
Microbiologia da Segurança de Alimentos
146
Refrigerado Tipo B Integral e do Leite Pasteurizado Tipo B.
8.1. Ingrediente obrigatório: Leite Cru Refrigerado tipo B Integral.
8.2. Leite Cru Refrigerado Tipo B Integral
Item de Composição
Requisito
Método de Análise
Gordura (g/100 g)
min. 3,0
IDF 1 C 1987
Acidez, em g de ácido láctico/100 mL
0,14 a 0,18
LANARA/MA, 1981
Densidade relativa, 15/15oC, g/mL (4)
1,028 a 1,034
LANARA/MA, 1981
Índice crioscópico máximo
0,530oH (-0,512oC)
IDF 108 A: 1969
Índice de refração do soro cúprico a 20oC
Microbiologia da Segurança de Alimentos
147
Mín. 37o Zeiss
CLA/DDA/SDA/MAPA
Sólidos não-gordurosos(g/100g):
mín. 8,4
IDF 21 B 1987
Proteína total (g/100 g)
mín. 2,9
IDF 20 B 1993
Redutase (TRAM)
mín. 3:30h
CLA/DDA/ MA
Estabilidade ao alizarol 72% (v/v)
Estável
CLA/DDA/ MA
Contagem padrão em placas (UFC/mL)
máx. 5x105
S.D.A/MA, 1993
Contagem de células somáticas(CS/mL):
máx. 6x105
Microbiologia da Segurança de Alimentos
148
IDF 148 A 1995
Nota nº (4): Densidade relativa: dispensada quando os teores de sólidos totais
(ST) e sólidos não gordurosos (SNG) forem determinados eletronicamente.
8.4. Leite Pasteurizado tipo B
Requisitos
Integral
Padronizado
Semidesnatado
Desnatado
Método de análise
Gordura (g/100g)
Teor Original
3,0
0,6 a 2,9
máx. 0,5
IDF 1 C :1987
Acidez, (g ác. Láctico/100mL)
0,14 a 0,18 para todas as variedades
LANARA/MA,1981
Estabilidade ao alizarol 72% (v/ v)
Microbiologia da Segurança de Alimentos
149
Estável para todas as variedades
CLA/DDA/MA
Sólidos não gordurosos(g/100g)
mínimo de 8,4 *
IDF 21 B : 1987
Índice crioscópico máx
-0,530oH (-0,512oC)
IDF 108 A : 1969
Indice de refração do soro cúprico a 20oC
mínimo 37o Zeiss
CLA/DDA/SDA/ MAPA
Testes enzimáticos
- prova de fosfatase alcalina
- prova de peroxidase
negativa
positiva
LANARA/MA, 1981
LANARA/MA, 1981
Contagem padrão em placas (UFC/mL) **
Microbiologia da Segurança de Alimentos
150
N = 5; c = 2; m = 4,0x104 M = 8,0x104
S.D.A/MA,1993
Coliformes
NMP/mL (30/35oC)**
n = 5; c = 2; m=2; M=5
S.D.A/MA,1993
Coliformes
NMP/mL (45oC)**
n = 5; c = 1; m=1; M=2
S.D.A/MA,1993
Salmonella spp/25mL**
n = 5; c = 0; m= ausência
S.D.A/MA,1993
* Teor mínimo de SNG, com base no leite integral. Para os demais teores de
gordura, esse valor deverá ser corrigido pela seguinte fórmula:
SNG = 8,652 - (0,084 x G)
(onde SNG = sólidos não-gordurosos, g/100g; G = gordura, g/100g)
** Padrões microbiológicos a serem observados até a saída do estabelecimento
industrial produtor.
Nota nº 5: imediatamente após a pasteurização, o leite pasteurizado tipo B deve
apresentar enumeração de coliformes a 30/35oC (trinta/trinta e cinco graus Celsius)
menor do que 0,3 NMP (zero vírgula três Número Mais Provável/mililitro) da amostra.
Nota nº 6: todos os métodos analíticos estabelecidos acima são de referência,
podendo ser utilizados outros métodos de controle operacional, desde que
conhecidos os seus desvios e correlações em relação aos respectivos métodos de
referência.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
151
ANEXO III
REGULAMENTO TÉCNICO DE PRODUÇÃO, IDENTIDADE E QUALIDADE DO
LEITE TIPO C
1. Alcance
1.1. Objetivo
Fixar os requisitos mínimos que devem ser observados na identidade e na
qualidade do Leite Cru tipo C, do Leite Cru Refrigerado tipo C e do Leite Pasteurizado
tipo C, enquanto perdurar a produção desse tipo de leite.
1.2. Âmbito de aplicação
O presente Regulamento se refere ao Leite tipo C, destinado ao comércio
nacional.
2. Descrição
2.1. Definições
2.1.1. Entende-se por leite, sem outra especificação, o produto oriundo da
ordenha completa e ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem
alimentadas e descansadas. O leite de outros animais deve denominar-se segundo a
espécie de que proceda;
2.1.2. Entende-se por Leite Cru tipo C o produto definido neste Regulamento
Técnico, não submetido a qualquer tipo de tratamento térmico na fazenda leiteira
onde foi produzido e integral quanto ao teor de gordura, transportado em vasilhame
adequado e individual de capacidade até 50 l (cinqüenta litros) e entregue em
estabelecimento industrial adequado até as 10:00 h (dez horas) do dia de sua
obtenção;
2.1.3. Entende-se por Leite Cru Refrigerado tipo C o produto definido nos itens
2.1.1. e 2.1.2. deste Regulamento Técnico, após ser entregue em temperatura
ambiente até as 10:00 h (dez horas) do dia de sua obtenção, em Posto de
Refrigeração de leite ou estabelecimento industrial adequado e nele ser refrigerado e
mantido em temperatura igual ou inferior a 4oC (quatro graus Celsius);
2.1.3.1. O Leite Cru tipo C, após sofrer refrigeração em Posto de Refrigeração,
nos Termos do item 2.1.3., pode permanecer estocado nesse Posto pelo período
máximo de 24 h (vinte e quatro horas), sendo remetido em seguida ao
estabelecimento beneficiador;
2.1.3.2. Admite-se a manutenção do Leite Cru Refrigerado tipo C em uma
determinada indústria por no máximo 12 h (doze horas), até ser transportado para
Microbiologia da Segurança de Alimentos
152
outra indústria, visando processamento final, onde deve apresentar, no momento do
seu recebimento, temperatura igual ou inferior a 7oC (sete graus Celsius);
2.1.3.3. Em se tratando de Leite Cru tipo C, obtido em segunda ordenha, deve o
mesmo sofrer refrigeração na propriedade rural e ser entregue no estabelecimento
beneficiador até as 10:00 h (dez horas) do dia seguinte à sua obtenção, na
temperatura máxima de 10oC (dez graus Celsius), enquanto perdurar a produção
desse tipo de leite;
2.1.4. Entende-se por Leite Pasteurizado tipo C o produto definido neste
Regulamento Técnico,classificado quanto ao teor de gordura como integral,
padronizado a 3% m/m (três por cento massa por massa), semidesnatado ou
desnatado, submetido à temperatura de 72 a 75oC (setenta e dois a setenta e cinco
graus Celsius) durante 15 a 20s (quinze a vinte segundos), em equipamento de
pasteurização a placas, dotado de painel de controle com Termo-registrador e termo-
regulador automáticos, válvula automática de desvio de fluxo, Termômetros e
torneiras de prova, seguindo-se resfriamento imediato em aparelhagem a placas até
temperatura igual ou inferior a 4oC (quatro graus Celsius) e envase no menor prazo
possível, sob condições que minimizem contaminações;
2.1.4.1. Imediatamente após a pasteurização o produto assim processado deve
apresentar teste negativo para fosfatase alcalina, teste positivo para peroxidase e
coliformes a 30/350C (trinta/trinta e cinco graus Celsius) menor que 0,3 NMP/ml (zero
vírgula três Número Mais Provável / mililitro) da amostra;
2.1.4.2. Em estabelecimentos de laticínios de pequeno porte pode ser adotada
a pasteurização lenta (“ Low Temperature Long Time”, equivalente à expressão em
vernáculo “Baixa Temperatura/Longo Tempo”) para produção de Leite Pasteurizado
para abastecimento público ou para a produção de derivados lácteos, nos termos do
presente Regulamento, desde que:
2.1.4.2.1. O equipamento de pasteurização a ser utilizado cumpra com os
requisitos operacionais ditados pelo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária
de Produtos de Origem Animal - RIISPOA e pelo Regulamento Técnico específico, no
que for pertinente;
2.1.4.2.2. O envase seja realizado em circuito fechado, no menor tempo
possível e sob condições que minimizem contaminações;
2.1.4.2.3. Não é permitida a pasteurização lenta de leite previamente envasado
em estabelecimentos sob Inspeção Sanitária Federal.
2.1.5. Designação (denominação de venda)
2.1.5.1. Leite Cru tipo C;
2.1.5.2. Leite Cru Refrigerado tipo C;
Microbiologia da Segurança de Alimentos
153
2.1.5.3. Leite Pasteurizado tipo C Integral;
2.1.5.4. Leite Pasteurizado tipo C Padronizado;
2.1.5.5. Leite Pasteurizado tipo C Semidesnatado;
2.1.5.6. Leite Pasteurizado tipo C Desnatado.
2.1.5.7. Deve constar a expressão "Homogeneizado" na rotulagem do produto
quando for submetido a esse tratamento.
7. Composição e requisitos físicos, químicos e microbiológicos do Leite Cru Tipo
C, do Leite Cru Refrigerado Tipo C e do Leite Pasteurizado Tipo C
7.1. Ingredientes obrigatórios: Leite Cru tipo C ou Leite Cru Refrigerado tipo C.
7.2.Leite Cru tipo C e Leite Cru Refrigerado tipo C
Item de composição
Requisito
Método de análise
Gordura (g/100g)
Mín. 3,0
IDF 1 C : 1987
Acidez, em g de ácido láctico/100 mL
0,14 a 0,18
LANARA/MA, 1981
Densidade relativa, 15/15oC, g/mL
1,028 a 1,034
LANARA/MA, 1981
Microbiologia da Segurança de Alimentos
154
Índice crioscópico máximo
-0,530oH
(-0,512oC)
IDF 108 A: 1969
Índice de refração do soro cúprico a 20oC
Mín. 37o Zeiss
CLA/DDA/DAS/MAPA
Sólidos não-gordurosos(g/100g)
Mín. 8,4
IDF 21 B : 1987
Proteína total (g/100 g)
Mín. 2,9
IDF 20 B: 1993
Redutase (TRAM)
Mín. 90
CLA/DDA/ MA
Estabilidade ao alizarol 72 % (v/v)
Estável
CLA/DDA/ MA
Microbiologia da Segurança de Alimentos
155
Estabilidade ao alizarol 76 % (v/v)
Estável (4)
CLA/DDA/ MA
Nota nº (4): Aplicável à matéria-prima recebida em estabelecimentos sob SIF
após as 10:00 h da manhã do dia de sua obtenção.
7.3 Leite Pasteurizado tipo C
Requisitos
Integral
Padronizado
Semidesnatado
Desnatado
Método de análise
Gordura, (g/100g)
Teor original
3,0
0,6 a 2,9
máx. 0,5
IDF 1 C: 1987
Acidez, (g ác. Láctico/100mL)
0,14 a 0,18 para todas as variedades
LANARA/MA,1981
Estabilidade ao alizarol 72 % (v/ v)
Estável para todas as variedades
CLA/DDA/MA
Microbiologia da Segurança de Alimentos
156
Sólidos não gordurosos(g/100g)
mín. de 8,4 (5)
IDF 21 B: 1987
Índice crioscópico máximo
-0,530 oH (-0,512oC )
IDF 108 A: 1969
Índice de refração do soro cúprico a 20oC
min. 37o Zeiss
CLA/DDA/SDA/
MAPA
Contagem padrão em placas (UFC/mL)
n = 5; c = 2; m = 1,0x105
M = 3,0x105
S.D.A/MA, 1993
Coliformes, NMP/mL (30/35oC)
n = 5; c = 2; m = 2
M = 4
S.D.A/MA, 1993
Coliformes, NMP/mL(45oC)
n = 5; c = 1; m = 1
Microbiologia da Segurança de Alimentos
157
M = 2
S.D.A/MA, 1993
Salmonella spp/25mL
n = 5; c = 0; m= ausência
S.D.A/MA, 1993
Nota nº (5): teor mínimo de SNG, com base no leite integral. Para os demais
teores de gordura, esse valor deve ser corrigido pela seguinte fórmula:
SNG = 8,652 - (0,084 x G)
(onde SNG = sólidos não-gordurosos, g/100g; G = Gordura, g/100g)
Nota nº 6: imediatamente após a pasteurização, o leite pasteurizado tipo C deve
apresentar enumeração de coliformes a 30/35oC (trinta/trinta e cinco graus Celsius)
menor do que 0,3 NMP (zero vírgula três Número Mais Provável /mililitro) da amostra.
Nota nº 7: todos os métodos analíticos estabelecidos acima são de referência,
podendo ser utilizados outros métodos de controle operacional, desde que
conhecidos os seus desvios e correlações em relação aos respectivos métodos de
referência.
17. Prazos de vigência
Leite tipo C, Cru ou Pasteurizado, conforme descrito no presente RTIQ.
- Até 01.7.2005, nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste;
- Até 01.7. 2007, nas Regiões Norte e Nordeste.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
158
ANEXO IV
REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DE LEITE CRU
REFRIGERADO
1. Alcance
1.1. Objetivo
O presente Regulamento fixa a identidade e os requisitos mínimos de qualidade
que deve apresentar o Leite Cru Refrigerado nas propriedades rurais.
1.2. Âmbito de aplicação
O presente Regulamento se refere ao Leite Cru Refrigerado produzido nas
propriedades rurais do território nacional e destinado à obtenção de Leite
Pasteurizado para consumo humano direto ou para transformação em derivados
lácteos em todos os estabelecimentos de laticínios submetidos à inspeção sanitária
oficial.
2. Descrição
2.1. Definições
2.1.1. Entende-se por leite, sem outra especificação, o produto oriundo da
ordenha completa, ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem
alimentadas e descansadas. O leite de outras espécies deve denominar-se segundo a
espécie da qual proceda;
2.1.2. Entende-se por Leite Cru Refrigerado, o produto definido em 2.1.1.,
refrigerado e mantido nas temperaturas constantes da tabela 2 do presente
Regulamento Técnico, transportado em carro-tanque isotérmico da propriedade rural
para um Posto de Refrigeração de leite ou estabelecimento industrial adequado, para
ser processado.
2.2. Designação (denominação de venda)
- Leite Cru Refrigerado
3.1.3. Requisitos físico-químicos, microbiológicos, contagem de células
somáticas e resíduos químicos:
3.1.3.1. O leite definido no item 2.1.2. deve seguir os requisitos físicos,
químicos, microbiológicos, de contagem de células somáticas e de resíduos químicos
relacionados nas Tabelas 1 e 2, onde estão também indicados os métodos de
análises e frequências correspondentes:
Microbiologia da Segurança de Alimentos
159
Tabela 1 - Requisitos físicos e químicos
Requisitos
Limites
Métodos de análises (1)
Matéria gorda, g /100 g
Teor original, com o mínimo de 3,0 (2)
FIL 1C: 1987
Densidde relativa
A 15/15O C g/mL(3)
1,028 a 1,034
LANARA/MA, 1981
Acidez titulável, g ácido lático/100 mL
0,14 a 0,18
LANARA/MA, 1981
Extrato seco desengordurado, g/100 g
mín. 8,4
FIL 21B: 1987
Índice crioscópico máximo
- 0,530ºH (equivalente a
-0,512ºC)
Microbiologia da Segurança de Alimentos
160
FIL 108 A: 1969
Proteínas, g /100g
mín. 2,9
FIL 20 B: 1993
Nota nº (1): todos os métodos estabelecidos acima são métodos de referência,
podendo ser utilizados outros métodos de controle operacional, desde que
conhecidos os seus desvios e correlações em relação aos respectivos métodos de
referência.
Nota nº (2): é proibida a realização de padronização ou desnate na propriedade
rural.
Nota nº (3): dispensada a realização quando o ESD for determinado
eletronicamente.
Tabela 2: Requisitos microbiológicos, físicos, químicos, de CCS, de resíduos
químicos a serem avaliados pela Rede Brasileira de Laboratórios de Controle da
Qualidade do Leite:
Índice medido (por propriedade rural ou por tanque comunitário)
Até 01.7. 2005
Regiões: S / SE / CO
Até 01.7. 2007
Regiões: N / NE
De 01.7. 2005 Até 01.7. 2008
Regiões: S / SE / CO
De 01.7. 2007 até 01.7.2010
Regiões: N / NE
A partir de 01.7. 2008
Até 01.7. 2011
Microbiologia da Segurança de Alimentos
161
Regiões:
S / SE / CO
A partir de 01.7. 2010 até 01.7. 20012
Regiões: N / NE
A partir de 01.7. 2011
Regiões: S / SE / CO
A partir de 01.7. 2012
Regiões: N / NE
Contagem padrão em placas (CPP), expressa em UFC/mL (mínimo de 01
análise mensal, com média geométrica sobre período de 03 meses)
Método FIL 100 B: 1991
Máximo 1,0 x 106, para estabelecimentos que se habilitarem antecipadamente
aos Termos do presente RTIQ
Máximo 1,0 x 106, para todos os estabelecimentos, nos termos do presente
RTIQ
Máximo de 7,5 x 105
Máximo de 1,0 x 105 (individual)
Máximo de 3,0 x 105 (leite de conjunto)
Contagem de células somáticas (CCS), expressa em CS/mL (mínimo de 01
análise mensal, com média geométrica sobre período de 03 meses)
Método FIL 148 A : 1995
Máximo 1,0 x 106 para estabelecimentos que se habilitarem antecipadamente
ao presente RTIQ
Máximo 1,0 x 106 para todos os estabelecimentos, nos termos deste RTIQ
Máximo de 7,5 x 105
Máximo de 4,0 x 105
Microbiologia da Segurança de Alimentos
162
Pesquisa de resíduos de antibióticos/outros inibidores do crescimento
microbiano:
Limites máximos previstos no Programa Nacional de Controle de Resíduos –
MAPA
Temperatura máxima de conservação do leite: 7oC na propriedade rural/tanque
comunitário e 10oC
No estabelecimento processador.
Composição centesimal: índices estabelecidos na Tabela 1 do presente RTIQ.
Métodos analíticos de referência: matéria gorda, g /100 g (FIL 1 C: 1987);
extrato seco desengordurado,
g/100 g (FIL 21 B: 1987); índice crioscópico (FIL 108 A: 1969); proteínas, g
/100g (FIL 20 B:1993).
Prazos de vigência
Leite tipo C, Cru ou Pasteurizado, conforme descrito em RTIQ específico:
Até 01.7.2005, nas Regiões:S / SE / CO e
Até 01.7. 2007, nas Regiões: N / NE
Microbiologia da Segurança de Alimentos
163
ANEXO V
REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DE LEITE
PASTEURIZADO
1. Alcance
1.1. Objetivo
2. Descrição
2.1. Definições
2.1.1. Leite Pasteurizado é o leite fluido elaborado a partir do Leite Cru
Refrigerado na propriedade rural, que apresente as especificações de produção, de
coleta e de qualidade dessa matéria-prima contidas em Regulamento Técnico próprio
e que tenha sido transportado a granel até o estabelecimento processador;
2.1.1.1 O Leite Pasteurizado definido no item 2.1.1. deste Regulamento Técnico
deve ser classificado quanto ao teor de gordura como integral, padronizado a 3% m/m
(três por cento massa/massa), semidesnatado ou desnatado, e, quando destinado ao
consumo humano direto na forma fluida, submetido a tratamento térmico na faixa de
temperatura de 72 a 75oC (setenta e dois a setenta e cinco graus Celsius) durante 15
a 20s (quinze a vinte segundos), em equipamento de pasteurização a placas, dotado
de painel de controle com Termorregistrador e termorregulador automáticos, válvula
automática de desvio de fluxo, Termômetros e torneiras de prova, seguindo-se
resfriamento imediato em aparelhagem a placas até temperatura igual ou inferior a
4oC (quatro graus Celsius) e envase em circuito fechado no menor prazo possível,
sob condições que minimizem contaminações;
2.1.1.2. Imediatamente após a pasteurização o produto assim processado deve
apresentar teste negativo para fosfatase alcalina, teste positivo para peroxidase e
coliformes 30/350C (trinta/trinta e cinco graus Celsius) menor que 0,3 NMP/ml (zero
vírgula três Número Mais Provável /mililitro) da amostra;
2.1.1.3. Podem ser aceitos outros binômios para o tratamento térmico acima
descrito, equivalentes ao da pasteurização rápida clássica e de acordo com as
indicações tecnológicas pertinentes, visando a destinação do leite para a elaboração
de derivados lácteos.
2.1.1.4. Em estabelecimentos de laticínios de pequeno porte pode ser adotada
a pasteurização lenta
(“Low Temperature, Long Time” - LTLT, equivalente à expressão em vernáculo
“Baixa Temperatura/Longo Tempo”) para produção de Leite Pasteurizado para
abastecimento público ou para a produção de derivados lácteos, nos termos do
Microbiologia da Segurança de Alimentos
164
presente Regulamento, desde que:
2.1.1.4.1. O equipamento de pasteurização a ser utilizado cumpra com os
requisitos ditados pelo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos
Animal – RIISPOA ou em Regulamento Técnico específico, no que for pertinente;
2.1.1.4.2. O envase seja realizado em circuito fechado, no menor tempo
possível e sob condições que minimizem contaminações;
2.1.1.4.3. A matéria-prima satisfaça às especificações de qualidade
estabelecidas pela legislação referente à produção de Leite Pasteurizado,
excetuando-se a refrigeração do leite e o seu transporte a granel, quando o leite
puder ser entregue em latões ou tarros e em temperatura ambiente ao
estabelecimento processador no máximo 2 (duas) horas após o término da ordenha;
2.1.1.4.4. Não é permitida a pasteurização lenta de leite previamente envasado
em estabelecimentos sob inspeção sanitária federal.
2.2. Classificação
De acordo com o conteúdo da matéria gorda, o leite pasteurizado classifica-se
em:
2.2.1. Leite Pasteurizado Integral;
2.2.2. Leite Pasteurizado Padronizado;
2.2.3. Leite Pasteurizado Semidesnatado;
2.2.4. Leite Pasteurizado Desnatado.
2.3. Designação (denominação de venda)
Deve ser denominado “Leite Pasteurizado Integral, Padronizado,
Semidesnatado ou Desnatado”, de acordo com a classificação mencionada no item
2.2.
Deve constar na rotulagem a expressão "Homogeneizado", quando o produto
for submetido a esse tratamento.
3. Composição e requisitos
3.1. Composição
3.1.1. Ingrediente obrigatório
Leite Cru Refrigerado na propriedade rural e transportado a granel;
3.2. Requisitos
Microbiologia da Segurança de Alimentos
165
3.2.1. Características sensoriais
3.2.1.1. Aspecto: líquido;
3.2.1.2. Cor: branca;
3.2.1.3. Odor e sabor: característicos, sem sabores nem odores estranhos.
3.2.2. Características físicas, químicas e microbiológicas.
Requisitos
Integral
Padronizado
Semidesnatado
Desnatado
Método de análise
Gordura, (g/100g)
Teor original
3,0
0,6 a 2,9
máx. 0,5
IDF 1 C: 1987
Acidez, (g ác. Láctico/100mL)0,14 a 0,18 para todas as variedades quanto ao teor de gordura
LANARA/MA,1981
Estabilidade ao Alizarol 72 % (v/ v)
Estável para todas as variedades quanto ao teor de gordura
Microbiologia da Segurança de Alimentos
166
CLA/DDA/SDA/
MAPA
Sólidos não gordurosos(g/100g)
Mín.de 8,4 (1)
IDF 21 B: 1987
Índice crioscópico máximo
-0,530 oH (-0,512oC )
IDF 108 A: 1969
Índice de refração do soro cúprico a 20o C
Mín.37o Zeiss
CLA/DDA/SDA/
MAPA
Contagem padrão em placas (UFC/mL)
n = 5; c = 2; m = 4,0x104
M = 8,0x104
CLA/DDA/SDA/
MA, 1993
Coliformes, NMP/mL (30/35oC)
n = 5 ; c = 2 ; m = 2
Microbiologia da Segurança de Alimentos
167
M =4
CLA/DDA/SDA/
MA, 1993
Coliformes, NMP/ mL(45oC)
n = 5; c = 1; m = 1
M = 2
CLA/DDA/SDA/
MA, 1993
Salmonella spp/25mL
n = 5; c = 0; m= ausência
CLA/DDA/S.D.A/
MA, 1993
Nota nº 1: teor mínimo de SNG, com base no leite integral. Para os demais
teores de gordura, esse valor deve ser corrigido pela seguinte fórmula:
SNG = 8,652 - (0,084 x G)
(onde SNG = sólidos não-gordurosos, g/100g; G = gordura, g/100g)
Nota nº 2: imediatamente após a pasteurização, o leite pasteurizado tipo C deve
apresentar enumeração de coliformes a 30/35oC (trinta/trinta e cinco graus Celsius)
menor do que 0,3 NMP/ml (zero vírgula três Número Mais Provável/ mililitro) da
amostra.
Nota nº 3: todos os métodos analíticos estabelecidos acima são de referência,
podendo ser utilizados outros métodos de controle operacional, desde que
conhecidos os seus desvios e correlações em relação aos respectivos métodos de
referência.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
168
ANEXO VI
REGULAMENTO TÉCNICO DA COLETA DE LEITE CRU REFRIGERADO E
SEU TRANSPORTE A GRANEL
1. Alcance
1.1. Objetivo
Fixar as condições sob as quais o Leite Cru Refrigerado, independentemente do
seu tipo, deve ser coletado na propriedade rural e transportado a granel, visando
promover a redução geral de custos de obtenção e, principalmente, a conservação de
sua qualidade até a recepção em estabelecimento submetido a inspeção sanitária
oficial.
2. Descrição
2.1. Definição
2.1.1. O processo de coleta de Leite Cru Refrigerado a Granel consiste em
recolher o produto em caminhões com tanques isotérmicos construídos internamente
de aço inoxidável, através de mangote flexível e bomba sanitária, acionada pela
energia elétrica da propriedade rural, pelo sistema de transmissão ou caixa de câmbio
do próprio caminhão, diretamente do tanque de refrigeração por expansão direta ou
dos latões contidos nos refrigeradores de imersão.
3. Instalações e equipamentos de refrigeração
3.1. Instalações: deve existir local próprio e específico para a instalação do
tanque de refrigeração e armazenagem do leite, mantido sob condições adequadas
de limpeza e higiene, atendendo, ainda, o seguinte:
- ser coberto, arejado, pavimentado e de fácil acesso ao veículo coletor,
recomendando-se isolamento por paredes;
- ter iluminação natural e artificial adequadas;
- ter ponto de água corrente de boa qualidade, tanque para lavagem de latões
(quando utilizados) e de utensílios de coleta, que devem estar reunidos sobre uma
bancada de apoio às operações de coleta de amostras;
- a qualidade microbiológica da água utilizada na limpeza e sanitização do
equipamento de refrigeração e utensílios em geral constitui ponto crítico no processo
de obtenção e refrigeração do leite, devendo ser adequadamente clorada.
3.2. Equipamentos de Refrigeração
3.2.1. Devem ter capacidade mínima de armazenar a produção de acordo com
Microbiologia da Segurança de Alimentos
169
a estratégia de coleta;
3.2.2. Em se tratando de tanque de refrigeração por expansão direta, ser
dimensionado de modo tal que permita refrigerar o leite até temperatura igual ou
inferior a 4ºC (quatro graus Celsius) no tempo máximo de 3h (três horas) após o
término da ordenha, independentemente de sua capacidade;
3.2.3. Em se tratando de tanque de refrigeração por imersão, ser dimensionado
de modo tal que permita refrigerar o leite até temperatura igual ou inferior a 7ºC (sete
graus Celsius) no tempo máximo de 3h (três horas) após o término da ordenha,
independentemente de sua capacidade;
3.2.4. O motor do refrigerador deve ser instalado em local arejado;
3.2.5. Os tanques de expansão direta devem ser construídos e operados de
acordo com Regulamento Técnico específico.
4. Especificações Gerais para Tanques Comunitários
4.1. Admite-se o uso coletivo de tanques de refrigeração a granel ("tanques
comunitários"), por produtores de leite, desde que baseados no princípio de operação
por expansão direta. A localização do equipamento deve ser estratégica, facilitando a
entrega do leite de cada ordenha no local onde o mesmo estiver instalado;
4.2. Não é permitido acumular, em determinada propriedade rural, a produção
de mais de uma ordenha para enviá-la uma única vez por dia ao tanque comunitário;
4.3. Não são admitidos tanques de refrigeração comunitários que operem pelo
sistema de imersão de latões;
4.4. Os latões devem ser higienizados logo após a entrega do leite, através do
enxágue com água corrente e a utilização de detergentes biodegradáveis e escovas
apropriadas;
4.5. A capacidade do tanque de refrigeração para uso coletivo deve ser
dimensionada de modo a propiciar condições mais adequadas de operacionalização
do sistema, particularmente no que diz respeito à velocidade de refrigeração da
matéria-prima.
5. Carro com tanque isotérmico para coleta de leite a granel
5.1. Além das especificações gerais dos carros-tanque, contidas no presente
Regulamento ou em legislação específica, devem ser observadas mais as seguintes:
5.1.1. A mangueira coletora deve ser constituída de material atóxico e apto para
entrar em contato com alimentos, apresentar-se internamente lisa e fazer parte dos
equipamentos do carro-tanque;
5.1.2. No caso da coleta de diferentes tipos de leite, a propriedade produtora de
Leite tipo B deve dispor do equipamento necessário ao bombeamento do leite até o
Microbiologia da Segurança de Alimentos
170
caminhão-tanque;
5.1.3. Deve ser provido de caixa isotérmica de fácil sanitização para transporte
de amostras e local para guarda dos utensílios e aparelhos utilizados na coleta;
5.1.4. Deve ser dotado de dispositivo para guarda e proteção da ponteira, da
conexão e da régua de medição do volume de leite;
5.1.5. Deve ser, obrigatoriamente, submetido à limpeza e sanitização após cada
descarregamento, juntamente com os seus componentes e acessórios.
6. Procedimentos de coleta
6.1. O funcionário encarregado da coleta deve receber treinamento básico
sobre higiene, análises preliminares do produto e coleta de amostras, podendo ser o
próprio motorista do carro-tanque. Deve estar devidamente uniformizado durante a
coleta. A ele cabe rejeitar o leite que não atender às exigências, o qual deve
permanecer na propriedade;
6.2. A transferência do leite do tanque de refrigeração por expansão direta para
o carro-tanque deve se processar sempre em circuito fechado;
6.3. São permitidas coletas simultâneas de diferentes tipos de leite, desde que
sejam depositadas em compartimentos diferenciados e devidamente identificados;
6.4. O tempo transcorrido entre a ordenha inicial e seu recebimento no
estabelecimento que vai beneficiá-lo (pasteurização, esterilização, etc.) deve ser no
máximo de 48h (quarenta e oito horas), independentemente do seu tipo,
recomendando-se como ideal um período de tempo não superior a 24h (vinte e quatro
horas);
6.5. A eventual passagem do Leite CruRefrigerado na propriedade rural por um
Posto de Refrigeração implica sua refrigeração em equipamento a placas até
temperatura não superior a 4oC (quatro graus Celsius), admitindo-se sua
permanência nesse tipo de estabelecimento pelo período máximo de 6h (seis horas);
6.6. A passagem do Leite Cru tipo C, enquanto perdurar a sua produção, por
um Posto de Refrigeração implica sua refrigeração em equipamento a placas
até temperatura não superior a 4oC (quatro graus Celsius), admitindo-se sua
permanência nesse tipo de estabelecimento pelo período máximo de 24h (vinte e
quatro horas);
6.7. Antes do início da coleta, o leite deve ser agitado com utensílio próprio e ter
a temperatura anotada, realizando-se a prova de alizarol na concentração mínima de
72% v/v (setenta e dois por cento volume/volume). Em seguida deve ser feita a coleta
da amostra, bem como a sanitização do engate da mangueira e da saída do tanque
de expansão ou da ponteira coletora de aço inoxidável. A coleta do leite refrigerado
deve ser realizada no local de refrigeração e armazenagem do leite;
Microbiologia da Segurança de Alimentos
171
6.8. Após a coleta, a mangueira e demais utensílios utilizados na transferência
do leite devem ser enxaguados para retirada dos resíduos de leite. Para limpeza e
sanitização do tanque de refrigeração por expansão direta, seguir instruções do
fabricante do equipamento. O enxágue final deve ser realizado com água em
abundância;
6.9. No caso de tanque de expansão comunitário, o responsável pela recepção
do leite e manutenção das suas adequadas condições operacionais deve realizar a
prova do alizarol na concentração mínima de 72% v/v(setenta e dois por cento
volume/volume ) no leite de cada latão antes de transferir o seu conteúdo para o
tanque, no próprio interesse de todos os seus usuários;
6.10. As amostras de leite a serem submetidas a análises laboratoriais devem
ser transportadas em caixas térmicas higienizáveis, na temperatura e demais
condições recomendadas pelo laboratório que procederá às análises;
6.11. A temperatura e o volume do leite devem ser registrados em formulários
próprios;
6.12. As instalações devem ser limpas diariamente. As vassouras utilizadas na
sanitização do piso devem ser exclusivas para este fim;
6.13. O leite que apresentar qualquer anormalidade ou não estiver refrigerado
até a temperatura máxima admitida pela legislação em vigor não deve ser coletado a
granel.
7. Controle no Estabelecimento Industrial
7.1. A temperatura máxima do Leite Cru Refrigerado no ato de sua recepção no
estabelecimento processador é a estabelecida no Regulamento Técnico específico;
7.2. As análises laboratoriais de cada compartimento dos carros-tanque devem
ser realizadas no mínimo de acordo com a frequência especificada para os
produtores nos Regulamentos Técnicos de cada tipo de leite;
7.3. O Serviço de Inspeção Federal – SIF/DIPOA pode determinar a alteração
dessa frequência mínima, abrangendo total ou parcialmente os tipos de análises
indicadas para cada tipo de leite, sempre que constatar desvios graves nos dados
analíticos obtidos ou que ficar evidenciado risco à saúde pública;
7.4. Para recepção de diferentes tipos de leite, a plataforma deve descarregar
primeiramente o Leite tipo B ou efetuar a sanitização após a recepção de outros tipos
de leite ou, ainda, utilizar linhas separadas para a sua recepção;
7.5. No descarregamento do leite contido nos carros-tanques, podem ser
utilizadas mangueiras no comprimento estritamente necessário para efetuar as
conexões. Tais mangueiras devem apresentar as características de
acabamento mencionadas neste Regulamento;
Microbiologia da Segurança de Alimentos
172
7.6. O leite refrigerado a granel pode ser recebido a qualquer hora, de comum
acordo com a empresa, observados os prazos de permanência na
propriedade/estabelecimentos intermediários e as temperaturas de refrigeração.
8. Procedimentos para leite com problema
8.1. O leite do produtor cujas análises revelarem problemas deve ser,
obrigatoriamente, submetido a nova coleta para análises no dia subsequente. Nesse
caso, o produtor deve ser comunicado da anormalidade e o leite não deve ser
coletado a granel.
8.2. Fica a critério da empresa retirar esse leite separadamente ou deixar que
seja entregue pelo próprio produtor diretamente na plataforma de recepção, no
horário regulamentar, onde deve ser submetido às análises laboratoriais.
8.3. O leite com problema deve sofrer destinação conforme Plano de Controle
de Qualidade do estabelecimento, que deve tratar da questão baseando-se nos
Critérios de Julgamento de Leite e Produtos Lácteos, do SIF/DIPOA.
9. Obrigações da empresa
9.1. A interessada deve manter formalizado e atualizado seu Programa de
Coleta a Granel, onde constem:
9.1.1 Nome do produtor, volume e tipo de leite, capacidade do refrigerador,
horário e frequência de coleta;
9.1.2. Rota da linha granelizada, inserida em mapa de localização;
9.1.3. Programa de Controle de Qualidade da matéria-prima, por conjunto de
produtores e se necessário, por produtor, observando o estabelecido nos
Regulamentos Técnicos;
9.1.4. A empresa deve implantar um programa de educação continuada dos
participantes;
9.1.5. Para fins de rastreamento da origem do leite, fica expressamente proibida
a recepção de Leite Cru Refrigerado transportado em veículo de propriedade de
pessoas físicas ou jurídicas independentes ou não vinculadas formal e
comprovadamente ao Programa de Coleta a Granel dos estabelecimentos sob
Serviço de Inspeção Federal (SIF) que realizem qualquer tipo de processamento
industrial ao leite, incluindo-se sua simples refrigeração.
10. Disposições gerais
10.1. O produtor integrante de um Programa de Granelização está obrigado a
cumprir as especificações do presente Regulamento Técnico. Seu descumprimento
parcial ou total pode acarretar, inclusive, seu afastamento desse Programa
Microbiologia da Segurança de Alimentos
173
RESOLUÇÃO RDC Nº 12 de 02 de janeiro de 2001
EMENTA NÃO OFICIAL : Aprova o regulamento Técnico sobre padrões
microbiológicos para alimentos.
PUBLICAÇÃO: D.O.U.. Diário Oficial da União, Poder Executivo , de 10 de
janeiro de 2001.
ÓRGÃO EMISSOR : ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
ALCANCE DO ATO: Federal - Brasilia
ÁREA DE ATUAÇÃO : Alimentos
RELACIONAMENTO : atos relacionados:
Lei nº 6437, de 20 de agosto de 1977
Decreto-lei nº 986, de 21 de outubro de 1969
Portaria nº 1428, de 26 de novembro de 1993
Portaria nº 326, de 30 de julho de 1997
REVOGA
Portaria nº 451, de 19 de setembro de 1997
RESOLUÇÃO – RDC Nº 12, DE 2 DE JANEIRO DE 2001
A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária no uso da
atribuição que lhe confere o art. 11, inciso IV, do Regulamento da ANVISA aprovado
pelo Decreto 3029, de 16 de abril de 1999, em reunião realizada em 20 de dezembro
de 2000,
considerando a necessidade de constante aperfeiçoamento das ações de
controle sanitário na área de alimentos, visando a proteção à saúde da população e a
regulamentação dos padrões microbiológicos para alimentos;
considerando a definição de critérios e padrões microbiológicos para alimentoss,
indispensáveis para a avaliação das Boas Práticas de Produção de Alimentos e
Prestação de Serviços, da aplicação do Sistema de Análise de Perigos e Pontos
Críticos de Controle (APPCC/HACCP) e da qualidade microbiológica dos produtos
alimentícios, incluindo a elucidação de Doença Transmitida por Alimentos(DTA);
Microbiologia da Segurança de Alimentos
174
considerando a importância de compatibilizar a legislação nacional com
regulamentos harmonizados noMercosul, relacionados aos critérios e padrões
microbiológicos para alimentos - Resoluções Mercosul GMC nº 59/93, 69/93, 70/93,
71/93, 82/93, 15/94, 16/94, 43/94, 63/94, 78/94, 79/94, 29/96, 30/96, 31/96, 32/96,
42/96, 78/96, 81/96, 82/96, 83/96, 134/96, 136/96, 137/96, 138/96, 145/96, 01/97 e
47/97)
adotou a seguinte Resolução e eu, Diretor-Presidente, determino a sua
publicação:
Art. 1º Aprovar o REGULAMENTO TÉCNICO SOBRE PADRÕES
MICROBIOLÓGICOS PARA ALIMENTOS, em Anexo.
Art. 2º O descumprimento aos termos desta Resolução constitui infração
sanitária, sujeitando os infratores às penalidades da Lei nº 6.437, de 20 de agosto de
1977, e demais disposições aplicáveis.
Art. 3º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º Fica revogada a Portaria SVS/MS 451, de 19 de setembro de 1997,
publicada no DOU de 2 de julho de 1998.
GONZALO VECINA
NETO
Microbiologia da Segurança de Alimentos
175
ANEXO
REGULAMENTO TÉCNICO SOBRE OS PADRÕES
MICROBIOLÓGICOS PARA ALIMENTOS
1. ALCANCE
1.1. OBJETIVO:
Estabelecer os Padrões Microbiológicos Sanitários para Alimentos
especificados no Anexo I e determinar os critérios para a Conclusão e
Interpretação dos Resultados das Análises Microbiológicas de Alimentos
Destinados ao Consumo Humano especificados no Anexo II.
1.2. ÂMBITO DE APLICAÇÃO
Este Regulamento se aplica aos alimentos destinados ao consumo
humano.
Excluem-se deste Regulamento os produtos alimentícios e as toxinas de
origem microbiana, como as micotoxinas, para os quais existem padrões
definidos em legislação especifica.
Excluem-se também matérias-primas alimentares e os produtos
semielaborados, destinados ao processamento industrial desde que
identificados com os seguintes dizeres: "inadequados para o consumo humano
na forma como se apresentam" ou "não destinados para o consumo humano
na forma como se apresentam".
2. CRITÉRIOS PARA O ESTABELECIMENTO DE PADRÕES
MICROBIOLÓGICOS SANITÁRIOS EM ALIMENTOS.
Os critérios para estabelecimento de padrão microbiológico podem ser
considerados isoladamente ou em conjunto conforme a seguir:
2.1. Caracterização dos microrganismos e ou suas toxinas considerados
de interesse sanitário.
2.2. Classificação dos alimentos segundo o risco epidemiológico.
2.3. Métodos de análise que permitam a determinação dos
microrganismos
2.4. Plano de Amostragem para a determinação do número e tamanho de
Microbiologia da Segurança de Alimentos
176
unidades de amostras a serem analisadas.
2.5. Normas e padrões de organismos internacionalmente reconhecidos,
Codex Alimentarius e outros organismos.
Outros critérios, quando evidências científicas o justifiquem.
3. DEFINIÇÕES
Para efeito deste regulamento adota-se as seguintes definições:
3.1. DTA: Doença Transmitida por Alimento causada pela ingestão de um
alimento contaminado por um agente infeccioso específico, ou pela toxina por
ele produzida, por meio da transmissão desse agente, ou de seu produto
tóxico.
3.2. Amostra indicativa: é a amostra composta por um número de
unidades amostrais inferior ao estabelecido em plano amostral constante na
legislação específica.
3.3. Amostra representativa: é a amostra constituída por um determinado
número de unidades amostrais estabelecido de acordo com o plano de
amostragem.
3.4. Matéria-prima alimentar: toda substância de origem vegetal ou
animal, em estado bruto, que para ser utilizada como alimento precise
sofrer tratamento e/ou transformação de natureza física, química ou
biológica.
3.5. Produto semielaborado: são aqueles produtos que serão submetidos
a outras etapas de processamento industrial que não impliquem em
transformação de sua natureza.
3.6. Alimentos comercialmente estéreis: alimentos processados em
embalagens herméticas, estáveis à temperatura ambiente.
3.7. Unidade amostral: porção ou embalagem individual que se analisará,
tomado de forma totalmente aleatória de uma partida como parte da amostra
geral.
4. REFERÊNCIAS
4.1. BRASIL. Decreto-Lei nº 986, de 12/10/69. Institui Normas Básicas
sobre Alimentos.
4.2. BRASIL. Lei nº 6437, de 24 de agosto de 1977. Configura infrações
Microbiologia da Segurança de Alimentos
177
à legislação sanitária federal, estabelece as sanções respectivas, e dá
providências.
4.3. BRASIL. Portaria nº1428, de 26/11/93. Aprova Regulamento Técnico
para Inspeção Sanitária de Alimentos, Diretrizes para o Estabelecimento de
Boas Práticas de Produção e de Prestação de Serviços na Área de Alimentos
e Regulamento Técnico para o Estabelecimento de Padrão de Identidade e
Qualidade para Serviços e Produtos na Área de Alimentos. Diário Oficial da
União, Brasília, 02 de dezembro de 1993. Seção 1, pt.1.
4.4. BRASIL. Portaria SVS/MS no 326, de 30/07/1997. Regulamento
Técnico sobre as condições higiênico-sanitárias e de boas práticas de
fabricação para estabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos.
Diário Oficial da União, Brasília, 01 de agosto de 1997. Seção 1, pt.1.
4.5. Codex Alimentarius Commission - Principles for the establishment
and application of microbiogical criteria for foods CAC/GL 21 -1997
5. PROCEDIMENTOS E INSTRUÇÕES GERAIS
5.1. As metodologias para amostragem, colheita, acondicionamento,
transporte e para análise microbiológica de amostras de produtos alimentícios
devem obedecer ao disposto pelo Codex Alimentarius; "International
Commission on Microbiological Specifications for Foods" (I.C.M.S.F.);
"Compendium of Methods for the Microbiological Examination of Foods" e
"Standard Methods for the Examination of Dairy Products" da American Public
Health Association (APHA)"; "Bacteriological Analytical Manual" da Food and
Drug Administration , editado por Association of Official Analytical Chemists
(FDA/AOAC), em suas últimas edições e ou revisões, assim como outras
metodologias internacionalmente reconhecidas.
5.1.1. Caso sejam utilizados outros métodos laboratoriais, ou suas
modificações, que não estejam referendados nos dispostos indicados no item
5.1., os mesmos devem ser validados por estudos comparativos intra e inter
laboratoriais que certifiquem que os resultados obtidos por seu uso sejam
equivalentes aos das metodologias citadas. Os registros dos processos de
validação das metodologias também devem estar disponíveis sempre que
necessário e devem cumprir com os expostos em 5.1.
5.2. Deve-se proceder a colheita de amostras dos alimentos em suas
embalagens originais não violadas, observando a quantidade mínima de 200g
ou 200mL por unidade amostral. Quando se tratar de produtos a granel, ou de
porções não embaladas na origem, deve-se cumprir as Boas Práticas de
Colheita constantes nas referências do item 5.1., respeitando-se a quantidade
mínima necessária. Aceitam-se exceções para os casos relacionados a
elucidação de DTA, e de rastreamento de microrganismos patogênicos. No
caso de investigação de DTA devem ser colhidas as sobras dos alimentos
Microbiologia da Segurança de Alimentos
178
efetivamente consumidos pelo(s) afetado(s).
5.2.1. No caso de alimentos comercialmente estéreis, cada unidade da
amostra indicativa deve ser composta de no mínimo 3 (três) unidades do
mesmo lote, para fins analíticos. Da mesma forma, quando se tratar da
aplicação do plano de amostragem estatística, deve-se efetuar a colheita de,
no mínimo, 3 conjuntos de unidades amostrais.
5.3. Dispensa-se a colheita da amostra sempre que o produto estiver
alterado e ou deteriorado.
Entende-se por produto alterado oudeteriorado o que apresenta
alteração(ões) e ou deterioração(ões) físicas, químicas e ou organolépticas,
em decorrência da ação de microrganismo e ou por reações químicas e ou
físicas.
5.3.1. Nestes casos, as intervenções legais e penalidades cabíveis não
dependem das análises e de laudos laboratoriais. Excetuam-se os casos em
que a amostra estiver implicada em casos de DTA para rastreamento de
microrganismos patogênicos ou toxinas.
5.4. As amostras colhidas para fins de análise de controle e fiscal devem
atender aos procedimentos administrativos estabelecidos em legislação
específica.
5.5. A amostra deve ser enviada ao laboratório devidamente identificada
e em condições adequadas para análise, especificando as seguintes
informações: a data, a hora da colheita, a temperatura (quando pertinente) no
momento da colheita e transporte, o motivo da colheita, a finalidade e o tipo de
análise, as condições da mesma no ponto da colheita e outros dados que
possam auxiliar as atividades analíticas.
5.5.1. Na emissão do laudo analítico, a conclusão e interpretação dos
resultados das análises microbiológicas devem seguir o disposto no Anexo II.
5.6. No laboratório, a amostra é submetida à inspeção para avaliar se
apresenta condições para a realização da análise microbiológica. Nas
seguintes situações, a análise não deve ser realizada, expedindo-se laudo
referente à condição da amostra:
a) quando os dados que acompanham a amostra revelarem que a
mesma, no ponto de colheita, se encontrava em condições inadequadas de
conservação ou acondicionamento;
b) quando a amostra embalada apresentar sinais de violação;
c) quando a amostra não embalada na origem tiver sido colhida e ou
Microbiologia da Segurança de Alimentos
179
acondicionada e ou transportada em condições inadequadas;
d) quando a amostra apresentar alterações ou deterioração visível;
e) quando a identificação da amostra não cumprir com o disposto no item
5.5. destes Procedimentos e Instruções Gerais.
5.6.1. Exceções são aceitas quando a amostra estiver implicada em
casos de DTA para rastreamento de microrganismos patogênicos ou toxina. A
amostra deve vir acompanhada de relatório adicional com informações que
permitam direcionar a determinação analítica pertinente.
5.7. Para fins analíticos, os padrões microbiológicos descritos no Anexo I
deste Regulamento referem-se aos resultados de análise de alíquotas obtidas
da amostra, de acordo com as referências que constam do item 5.1 deste
Regulamento.
5.8. Planos de amostragem
5.8.1. Para fins de aplicação de plano de amostragem entende-se:
a) m: é o limite que, em um plano de três classes, separa o lote aceitável
do produto ou lote com qualidade intermediária aceitável.;
b) M: é o limite que, em plano de duas classes, separa o produto
aceitável do inaceitável. Em um plano de três classes, M separa o lote com
qualidade intermediária aceitável do lote inaceitável. Valores acima de M são
inaceitáveis;
c) n: é o número de unidades a serem colhidas aleatoriamente de um
mesmo lote e analisadas individualmente. Nos casos nos quais o padrão
estabelecido é ausência em 25g, como para Salmonella sp e Listeria
monocytogenes e outros patógenos, é possível a mistura das alíquotas
retiradas de cada unidade amostral, respeitando-se a proporção p/v (uma
parte em peso da amostra, para 10 partes em volume do meio de cultura em
caldo);
d) c: é o número máximo aceitável de unidades de amostras com
contagens entre os limites de m e M (plano de três classes). Nos casos em
que o padrão microbiológico seja expresso por "ausência", c é igual a zero,
aplica-se o plano de duas classes.
5.8.2. Tipos de plano
a) Duas classes: quando a unidade amostral a ser analisada pode ser
classificada como aceitável ou inaceitável, em função do limite designado por
Microbiologia da Segurança de Alimentos
180
M, aplicável para limites qualitativos.
b) Três classes: quando a unidade amostral a ser analisada pode ser
classificada como aceitável, qualidade intermediária aceitável ou inaceitável,
em função dos limites m e M. Além de um número máximo aceitável de
unidades de amostra com contagem entre os limites m e M, designado por c.
As demais unidades, n menos c, devem apresentar valores menores ou iguais
a m. Nenhuma das unidades n pode apresentar valores superiores ao M.
5.8.3. Situações de aplicação dos planos de amostragem:
5.8.3.1. Para os produtos relacionados no Anexo I do presente
Regulamento no caso de avaliação de lotes e ou partidas, adotam-se os
planos estatísticos mínimos (planos de três classes), conforme constam no
referido Anexo.
5.8.3.2. Nos casos onde o plano estatístico mencionado no item anterior
não conferir a proteção desejada, devidamente justificada, pode-se recorrer a
complementação de amostra, conforme as referências indicadas no item 5.1.
destes Procedimentos.
5.8.3.3. Quando nos pontos de venda ou de qualquer forma de exposição
ao consumo, o lote ou partida do produto alimentício estiver fracionado ou de
alguma forma não disponível na sua totalidade ou quando o número total de
unidades do lote for igual ou inferior a 100 (cem) unidades, ou ainda, o produto
estiver a granel, pode-se dispensar a amostragem estatística e proceder a
colheita de uma amostra indicativa, aplicando-se o plano de duas classes.
5.8.3.4. Quando da existência do plano de duas classes onde o c igual a
zero, o resultado positivo de uma amostra indicativa é interpretado para todo o
lote ou partida. O mesmo se aplica quando for detectada a presença de
toxinas em quantidades suficientes para causar doença no consumidor.
5.9. Considerações sobre os grupos de microrganismos pesquisados
5.9.1. A denominação de "coliformes a 45ºC" é equivalente à
denominação de "coliformes de origem fecal" e de "coliformes
termotolerantes". Caso seja determinada a presença de Escherichia coli, deve
constar no laudo analítico.
5.9.2. A determinação de clostrídio sulfito redutor a 460C tem por objetivo
a indicação de Clostridium perfringens. Caso seja determinada a presença de
C.perfringens, deve constar o resultado no laudo analítico. Este critério consta
como "C.sulfito redutor a 460C" no Anexo I do presente Regulamento.
Nota: No que se refere à metodologia para clostrídios sulfito redutores a
460C, adotam-se os meios de cultura para isolamento de Clostridium
Microbiologia da Segurança de Alimentos
181
perfringens dos textos constantes no item 3.1 destes Procedimentos. São
caracterizados por bactérias do grupo clostrídio sulfito redutor as que
apresentarem desenvolvimento de colônias sulfito redutoras a 460C por 24
horas; anaeróbios; bastonetes Gram positivos.
5.9.3. A enumeração de estafilococos coagulase positiva tem por objetivo
substituir a determinação de Staphylococcus aureus. A determinação da
capacidade de produção de termonuclease e quando necessário, a de toxina
estafilocócica das cepas isoladas podem ser realizadas a fim de se obter de
dados de interesse à saúde pública. Este critério consta como
"Estaf.coag.positiva" no Anexo I do presente Regulamento.
5.9.4. A determinação de Pseudomonas aeruginosa consta como
P.aeruginosa nos padrões específicos constantes no Anexo I.
5.9.5. A determinação de Vibrio parahaemolyticus consta como V.
parahaemolyticus nos padrões específicos constantes no Anexo I.
5.9.6. Quando os resultados forem obtidos por contagem em placa, estes
devem ser expressos em UFC/ g ou mL (Unidades Formadoras de Colônias
por grama ou mililitro). Da mesma forma, devem indicar NMP/ g ou mL
(Número Mais Provável por grama ou mililitro), quando forem obtidos por esta
metodologia.
5.9.7. Nos padrões constantes no Anexo I, a abreviatura "aus"significa
"ausência". A abreviatura "pres" significa "presença". O símbolo "<" significa
"menor que".
5.9.8. O resultado da determinação de Salmonella sp, Listeria
monocytogenes deve ser expresso como Presença ou Ausência na alíquota
analisada. No Anexo I, estes microrganismos constam, respectivamente, como
Salmonella sp e L. monocytogenes.
5.9.9. Quando da elucidação de DTA, os resultados devem especificar o
número de células viáveis do microrganismo agente da doença, conforme
informações e metodologias constantes nas referências citadas no item 5.1.
destes Procedimentos. Os valores estabelecidos para os padrões
microbiológicos de cada grupo de alimento constantes no Anexo I não se
aplicam para o diagnostico de caso/surto de DTA.
5.9.10. Em situações de risco epidemiológico que justifique um ALERTA
SANITÁRIO, podem ser realizadas outras determinações não incluídas nos
padrões estabelecidos, em função do problema ou aplicado plano de
amostragem mais rígido conforme I.C.M.S.F.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
182
ANEXO I
Padrões Microbiológicos Sanitários para Alimentos
1. A tolerância é máxima e os padrões são mínimos para os diferentes
grupos de produtos alimentícios, constantes no presente anexo, para fins de
registro e fiscalização de produtos alimentícios. Estes limites e critérios podem
ser complementados quando do estabelecimento de programas de vigilância e
rastreamento de microrganismos patogênicos e de qualidade higiênica e
sanitária de produtos (consultar Princípios e Procedimentos Gerais e os
Anexos II).
2. No caso de análise de produtos não caracterizados nas tabelas
especificadas neste Anexo, considera-se a similaridade da natureza e do
processamento do produto, como base para seu enquadramento nos padrões
estabelecidos para um produto similar, constante no referido Anexo I deste
Regulamento.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
183
(Resumo do anexo)
Continua...
GRUPO DE
ALIMENTOS
MICRORGANISMO
Tolerância
para
amostra
Indicativa
Tolerância para amostra
representativa
n c m M
5. CARNES E PRODUTOS CÁRNEOS
a) carnes
resfriadas, ou
congeladas, "in
natura", de
bovinos, suínos e
outros mamíferos
(carcaças inteiras
ou fracionadas,
quartos ou
cortes); carnes
moídas; miúdos
de bovinos,
suínos e outros
mamíferos
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
b) carnes
resfriadas, ou
congeladas, "in
natura", de aves
(carcaças inteiras,
fracionadas ou
cortes)
Coliformes a
45
o
C/g
10
4
5 3 5x10
3
10
4
c) miúdos de aves Coliformes a
45
o
C/g
10
5
5 3 10
4
10
5
d) carnes cruas
preparadas de
aves, refrigeradas
ou congeladas,
temperadas
Coliformes a
45ºC/g
10
4
5 3 10
3
10
4
Microbiologia da Segurança de Alimentos
184
Continuação...
e) carnes cruas
preparadas,
bovinas, suínas
e de outros
mamíferos,
refrigeradas ou
congeladas,
temperadas
Coliformes a
45
o
C/g
10
4
5 2 5x10
3
10
4
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
f) produtos
cárneos crus,
refrigerados ou
congelados
(hambúrgueres,
almôndegas,
quibe e
similares);
produtos à base
de sangue e
derivados "in
natura";
embutidos
frescais
(linguiças cruas
e similares)
Coliformes a
45
o
C/g
5x10
3
5 3 5x10
2
5x10
3
Estaf.coag.positi
va/g
5x10
3
5 2 10
3
5x10
3
C. sulfito redutor
a 46
0
C/g
3x10
3
5 2 5x10
2
3x10
3
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
g) carnes
embaladas a
vácuo,
maturadas
Coliformes a
45
o
C/g
5x10
3
5 3 5x10
2
5x10
3
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
185
Continuação...
Estaf.coag.positiva/g 3x10
3
5 2 5x10
2
3x10
3
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
h) carnes
embaladas a
vácuo, não
maturadas
Coliformes a 45
o
C/g 10
4
5 2 10
3
10
4
Estaf.coag.positiva/g 3x10
3
5 2 5x10
2
3x10
3
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
i) produtos
cárneos
cozidos ou
não,
embutidos ou
não
(mortadela,
salsicha,
presunto,
fiambre,
morcela e
outros);
produtos a
base de
sangue e
derivados,
processados
Coliformes a 45
o
C/g 10
3
5 2 10
2
10
3
Estaf.coag.positiva/g 3x10
3
5 1 10
2
3x10
3
C. sulfito redutor a
46
0
C
5x10
2
5 1 10
2
5x10
2
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
186
Continuação...
j) produtos cárneos
cozidos ou não,
maturados ou
não, fracionados
ou fatiados,
mantidos sob
refrigeração
Coliformes a 45ºC/g 10
5
5 2 10
2
10
3
C. sulfito redutor a
46
0
C
5x10
2
5 1 10
2
5x10
2
Estaf.coag.positiva/g 5x10
3
5 1 10
3
5x10
3
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
l) produtos cárneos
maturados
(presuntos crus,
copas, salames,
linguiças
dessecadas,
charque, "jerked
beef" e
similares)
Coliformes a 45
o
C/g 10
3
5 2 10
2
10
3
Estaf.coag.positiva/g 5x10
3
5 1 10
3
5x10
3
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
m) semiconservas
em embalagens
herméticas
mantidas sob
refrigeração
(patês,
galantines e
similares)
Coliformes a 45
o
C /g 10
3
5 2 10
2
10
3
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
187
Continuação...
Estaf.coag.
positiva/g
5x10
2
5 1 10
2
5x10
2
C. sulfito
redutor a
46
0
C
5x10
2
5 1 10
2
5x10
2
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
n) produtos cárneos
salgados
(lombo, pés,
rabo, orelhas e
similares, carne
seca e
similares)
Estaf.coag.
positiva/g
10
3
5 1 10
2
10
3
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
o) gorduras e
produtos
gordurosos de
origem animal
(toucinho,
banha, peles,
bacon e
similares )
Estaf.coag.
positiva/g
3x10
3
5 1 5x10
2
3x10
3
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
p) gordura animal
hidrogenada e
parcialmente
hidrogenada,
exceção de
manteiga
Coliformes
a 45ºC/g
10
2
5 2 10 10
2
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
188
Continuação...
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
6. OVOS e DERIVADOS
a) ovo íntegro
cru
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
b) gema, clara ou
suas misturas,
pasteurizadas
resfriadas ou
congeladas,
com ou sem
açúcar, sal e
outros
aditivos
Coliformes a
45
o
C /mL
1 5 2 1
Estaf.coag.p
ositiva/mL
5x10 5 1 10 5x10
Salmonella
sp/25mL
Aus 5 0 Aus -
c) gema, clara ou
suas misturas
em
pó(desidratado
s, liofilizados),
com ou sem
açúcar, sal e
outros
ingredientes ou
aditivos.
Coliformes a
45
o
C/g
10 5 2 1 10
Estaf.coag.p
ositiva/g
5x10
2
5 1 10
2
5x10
2
Salmonella
sp/25g
Aus 50 Aus
-
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
189
Continuação...
d) semiconservas
em
embalagens
herméticas
mantidas sob
refrigeração
(ovos cozidos
conservados
em salmoura
ou outros
líquidos)
Coliformes a
45ºC/g
10 5 1 1 10
Estaf.coag.po
sitiva/g
5x10
2
5 2 10
2
5x10
2
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
7. PESCADOS E PRODUTOS DE PESCA
a) pescado, ovas
de peixes,
crustáceos e
moluscos
cefalópodes "in
natura",
resfriados ou
congelados não
consumido
cru;
moluscos
bivalves "in
natura",
resfriados ou
congelados,
não consumido
cru;
carne de rãs "in
natura",
refrigerada ou
congelada
Estaf.coag.po
sitiva/g
10
3
5 2 5x10
2
10
3
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
190
Continuação...
b) moluscos
bivalves,
carne de siri e
similares
cozidos,
temperados e
não,
industrializad
os resfriados
ou
congelados
Coliformes a
45ºC/g
5x10 5 2 10 5x10
Estaf.coag.posit
iva/g
10
3
5 2 10
2
10
3
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
c) pescados,
moluscos e
crustáceos
secos e ou
salgados;
semiconserva
s de
pescados,
moluscos e
crustáceos,
mantidas sob
refrigeração
(marinados,
anchovados
ou
temperados)
Coliformes a
45
o
C/g
10
2
5 3 10 10
2
Estaf.coag.posit
iva/g
5x10
2
5 2 10
2
5x10
2
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
191
Continuação...
d) pescado
defumado,
moluscos e
crustáceos,
refrigerados ou
congelados;
produtos
derivados de
pescado (surimi
e similares),
refrigerados ou
congelados
Coliformes a 45
o
C/g 10
2
5 2 10 10
2
Estaf.coag.positiva/g 5x10
2
5 2 10
2
5x10
2
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
e) produtos à base
de pescado
refrigerados ou
congelados
(hambúrgueres
e similares)
Coliformes a 45
o
C/g 10
3
5 3 10
2
10
3
Estaf.coag.positiva/g 10
3
5 2 5x10
2
10
3
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
f) ovas de
pescados
processadas,
refrigeradas ou
congeladas
Coliformes a 45
o
C /g 10
2
5 3 10 10
2
Estaf.coag.positiva/g 5x10
2
5 2 10
2
5x10
2
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
192
Continuação...
g) pescados pré cozidos,
empanados ou não,
refrigerados ou
congelados
Coliformes a
45ºC/g
10
2
5 2 10 10
2
Estaf.coag.positiva/
g
5x10
2
5 2 10
2
5x10
2
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
8. LEITE DE BOVINOS E DE OUTROS MAMÍFEROS E DERIVADOS
8. A - leite pasteurizado e LEITE E PRODUTOS A BASE DE LEITE UAT (UHT)
a) Leite pasteurizado Coliformes a
45
o
C/mL
4 5 1 2 4
Salmonella
sp/25mL
Aus 5 0 Aus -
b) leite UAT (UHT) e
produtos a base de leite
UAT/UHT (creme de
leite, bebidas lácteas
fermentadas e não, e
similares), em
embalagens
herméticas
Após 7 dias de
incubação a 35-
37
0
C de
embalagem
fechada
não deve apresentar microrganismos
patogênicos e causadores de alterações
físicas, químicas e organolépticas do
produto, em condições normais de
armazenamento.
8. B - Queijos
a) de baixa umidade: Coliformes a
45
o
C/g
5x10
2
5 2 10
2
5x10
2
Estaf.coag.positiva.
/g
10
3
5 2 10
2
10
3
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
193
Continuação...
b) de média
umidade: 36%
(Danbo,
pategrás
sandwich,
prato, tandil,
tilsit, tybo,
mussarela
(mozzarella,
muzzarella)
curado e
similares) e de
queijo ralado e
em pó
Coliformes a 45
o
C/g 10
3
5 2 5x10
2
10
3
Estaf.coag.positiva./g 10
3
5 2 10
2
10
3
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
L.monocytogenes/25g Aus 5 0 Aus
-
c) quartirolo,
cremoso,
criollo,
mussarela
(mozzarella,
muzzarella) e
similares: 46%
Coliformes a 45
o
C/g 5x10
3
5 2 10
3
5x10
3
Estaf.coag.positiva/g 10
3
5 2 10
2
10
3
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
L.monocytogenes/25g Aus 5 0 Aus -
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
194
Continuação...
d) de alta umidade: 46%
de muito alta
umidade: umid 55%,
com bactérias
lácticas abundantes e
viáveis, incluído o
Minas frescal
correspondente
Coliformes a
45
o
C/g
5x10
3
5 2 10
3
5x10
3
Estaf.coag.pos
itiva/g
10
3
5 2 10
2
10
3
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
L.monocytoge
nes/25g
Aus 5 0 Aus -
f) de muito alta umidade:
umid 55%, incluindo
os queijos de coalho
com umidade
correspondente,
minas frescal,
mussarela
(mozzarella,
muzzarella) e outros,
elaborados por
coagulação
enzimática, sem a
ação de bactérias
lácticas
Coliformes a
45
o
C
5x10
2
5 2 5x10 5x10
2
Estaf.coag.pos
itiva/g
5x10
2
5 1 10
2
5x10
2
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
L.monocytoge
nes/25g
Aus 5 0 Aus -
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
195
Continuação...
h) ralado Coliformes a
45ºC/g
10
3
5 2 10
2
10
3
Estaf.coag.p
ositiva/g
10
3
5 2 10
2
10
3
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
i) em pó Coliformes a
45ºC/g
10 5 2 10
Estaf.coag.p
ositiva/g
10
2
5 1 10 10
2
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
j) processado fundido,
pasteurizado ou
submetido a processo
UHT (UAT), incluindo
requeijão, aromatizado
ou não, condimentados
ou não, adicionados de
ervas ou outros
ingredientes ou não;
processado fundido,
ralado, fatiado, em
rodelas, em fatias, para
untar, aromatizado ou
não, condimentado ou
não, adicionado de
ervas ou outros
ingredientes ou não
Coliformes a
45
oC/g
10 5 2 10
Estaf.coag.p
ositiva/g
10
3
5 2 10
2
10
3
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
196
Continuação...
m) queijos de baixa
ou média
umidade,
temperados,
condimentados ou
adicionado de
ervas ou outros
ingredientes
Coliformes a 45ºC/g 5x10
2
5 2 10
2
5x10
2
Estaf.coag.positiva/g
10
3
5 2 5x10
2
10
3
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
n) queijos de muito
alta umidade,
temperados,
condimentados ou
adicionado de
ervas ou outros
ingredientes
Coliformes a 45ºC/g 10
2
5 2 5x10 10
2
Estaf.coag.positiva/g
10
3
5 2 5x10
2
10
3
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
8. C - manteiga , creme de leite e similaresa) Manteiga;
Gordura láctea
(gordura anidra
de leite ou
butter-oil);
Creme de leite
pasteurizado
Coliformes a 45
oC/g
10 5 2 10
Estaf.coag.positiva/g 10
2
5 1 10 10
2
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
197
Continuação...
Salmonella sp /25g Aus 5 0 Aus
-
8. D - Leite em pó
a) leite em pó,
instantâneo e
não, exceção
dos
destinados à
alimentação
infantil e
formulações
farmacêuticas
Bacillus cereus/g 5x10
3
5 2 5x10
2
5x10
3
Coliformes a 45ºC/g 10 5 2 10
Estaf.coag.positiva/g 10
2
5 1 10 10
2
Salmonella sp/25g Aus 10 0 Aus -
8. E - DOCE DE LEITE
a) Doce de leite,
com ou sem
adições,
exceto os
acondicionad
os em
embalagem
hermética ou
a granel
Colifiormes a 45ºC/g 5x10 5 2 10 5x10
Estaf.coag.positiva/g 10
2
5 2 10 10
2
Salmonella sp/ 25g Aus 5 0 Aus -
8. F - leite fermentado
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
198
Continuação...
a) leite fermentado,
com ou sem
adições,
refrigerado, e com
bactérias lácticas
viáveis nos
números mínimos.
Coliformes a
45ºC/g
10 5 2 10
b) bebida láctea
fermentada,
refrigerada, com ou
sem adições
Coliformes a
45
o
C/mL
10 5 2 10
Salmonella
sp/25mL
Aus 5 2 Aus -
8. G - OUTROS PRODUTOS LÁCTEOS
a) pasta ou molho de
base láctea
pasteurizada,
refrigerada, com ou
sem adições,
temperadas ou não,
excluindo os
queijos
B.cereus/g 5x10
2
5 2 10
2
5x10
2
Coliformes a
45
0
C/g
10
2
5 2 10 10
2
Estaf.coag.pos
itiva/g
5x10
2
5 2 10
2
5x10
2
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
b) sobremesas lácteas
pasturizadas
refrigeradas, com
ou sem adições
B.cereus/g 5x10
2
5 2 10
2
5x10
2
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
199
Continuação...
Coliformes a 45
o
C /g
5 5 2 3 5
Estaf.coag.positiv
a/g
5x10
2
5 2 10
2
5x10
2
Salmonella
sp/25g
Aus 5 0 Aus -
c) mistura (pó)
para o
preparo de
bebidas de
base láctea,
que serão
consumidas
após
emprego de
calor ou não
B. cereus/g 10
3
5 2 5x10
2
10
3
Coliformes a
45ºC/g
10 5 2 10
Estaf.coag.positiv
a/g
10
2
5 1 10 10
2
Salmonella
sp/25g
Aus 10 0 Aus -
d) leite
geleificado,
pasteurizado
com ou sem
adições
Coliformes a
45ºC/g
5 5 2 1 5
Estaf.coag.positiv
a/g
5x10
2
5 2 10
2
5x10
2
Continua...
Microbiologia da Segurança de Alimentos
200
Continuação...
Salmonella sp/25g Aus 5 0 Aus -
9. ALIMENTOS PROCESSADOS EM EMBALAGENS HERMÉTICAS, ESTÁVEIS À
TEMPERATURA AMBIENTE, exceção LEITE E DERIVADOS UAT (UHT)
a) alimentos com
baixa acidez
(pH maior que
4,5);
alimentos com
alta acidez (pH
menor ou igual
a 4,5);
alimentos com
atividade de
água
intermediária
(0,80£aw£0,86
)
Ver item 5.2.1. dos
Procedimentos Gerais
deste Regulamento
Após 10 dias de
incubação a 35-37
o
C,
de embalagem
fechada:
sem
alteração
5 0 Sem alteração
(não devem
existir sinais de
alteração das
embalagens,
nem quaisquer
modificações
físicas, químicas
ou
organolépticas
do produto, que
evidenciem
deterioração e
não podem
revelar pH maior
que 0,2. Quando
necessário será
verificada a
esterilidade
comercial
conforme
metodologia
específica)
Após 5 dias de
incubação a 55
o
C, de
embalagem fechada:
sem
alteração
5 0
Microbiologia da Segurança de Alimentos
201
RESOLUÇÃO RDC Nº 7, DE 18 DE FEVEREIRO DE 2011 (A)
DOU de 22/02/2011 (nº 37, Seção 1, pág. 72)
Dispõe sobre Limites Máximos Tolerados (LMT) para micotoxinas em alimentos e
revoga as resoluções que menciona. (B)
A DIRETORIA COLEGIADA DA AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA,
no uso da atribuição que lhe confere o inciso IV do art. 11 do Regulamento aprovado
pelo Decreto nº 3.029, de 16 de abril de 1999 (1) , e tendo em vista o disposto no
inciso II e nos §§ 1º e 3º do art. 54 do Regimento Interno aprovado nos termos do
Anexo I da Portaria nº 354 da Anvisa, de 11 de agosto de 2006 (2) , republicada no
DOU de 21 de agosto de 2006, em reunião realizada em 15 de fevereiro de 2011,
adota a seguinte Resolução da Diretoria Colegiada e eu, Diretor-Presidente Substituto,
determino a sua publicação:
Art. 1º - Fica aprovado o Regulamento Técnico sobre Limites Máximos
Tolerados (LMT) para micotoxinas em alimentos, nos termos desta Resolução.
Art. 2º - Este Regulamento possui o objetivo de estabelecer os limites máximos
para aflatoxinas (AFB1 + AFB2 + AFG1 + AFG2 e AFM1), ocratoxina A (OTA),
desoxinivalenol (DON), fumonisinas (FB1 + FB2), patulina (PAT) e zearalenona (ZON)
admissíveis em alimentos prontos para oferta ao consumidor e em matérias-primas,
conforme os Anexos I, II, III e IV desta Resolução.
Parágrafo único - Os Limites Máximos Tolerados referem-se aos resultados
obtidos por metodologias que atendam aos critérios de desempenho estabelecidos
pelo Codex Alimentarius.
Art. 3º - Este Regulamento aplica-se às empresas que importem, produzam,
distribuam e comercializem as seguintes categorias de bebidas, alimentos e matérias
primas:
I - amendoim e seus derivados;
II - alimentos à base de cereais para alimentação infantil (lactentes e crianças
de primeira infância);
III - café torrado (moído ou em grão) e solúvel;
IV - cereais e produtos de cereais;
V - especiarias;
VI - frutas secas e desidratadas;
VII - nozes e castanhas;
VIII - amêndoas de cacau e seus derivados;
Microbiologia da Segurança de Alimentos
202
IX - suco de maçã e polpa de maçã;
X - suco de uva e polpa de uva;
XI - vinho e seus derivados;
XII - fórmulas infantis para lactentes e fórmulas infantis de seguimento para
lactentes e crianças de primeira infância;
XIII - leite e produtos lácteos; e
XIV - leguminosas e seus derivados.
Art. 4º - Os níveis de micotoxinas deverão ser tão baixos quanto razoavelmente
possível, devendo ser aplicadas as melhores práticas e tecnologias na produção,
manipulação, armazenamento, processamento e embalagem, de forma a evitar que
um alimento contaminado seja comercializado ou consumido.
Art. 5º - No caso de produtos não previstos no art. 3º desta Resolução e que
sejam produzidos a partir de ingredientes com limites estabelecidos na forma dos
anexos deste Regulamento, que forem desidratados ou secos, diluídos, transformados
e compostos, os limites máximos tolerados devem considerar as proporções relativas
dos ingredientes no produto, concentração e diluição em relação aos limites
estabelecidos para os ingredientes.
§ 1º - Na hipótese do caput deste artigo, o interessado será notificado para
fornecer informações relativas à proporção dos ingredientes no produto, bem como
aos fatores específicos de concentração e diluição, caso seja necessário.
§ 2º - A não apresentação das informações mencionadas no § 1º no prazo de
10 (dez) dias, ou sua inadequação, ensejará conclusão com base nos dados
disponíveis.
Art. 6º - Os limites máximos tolerados seaplicam à parte comestível dos
produtos alimentícios em questão, salvo especificação em contrário.
Art. 7º - O descumprimento das disposições contidas nesta Resolução constitui
infração sanitária, nos termos da Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977 (3) , sem
prejuízo das responsabilidades civil, administrativa e penal cabíveis.
Art. 8º - Ficam revogadas a Resolução CNNPA nº 34, de 1976, publicada no
DOU de 19/01/1977, e a Resolução RDC nº 274, de 15 de outubro de 2002.
Art. 9º - São concedidos prazos para aplicação dos limites máximos tolerados
estabelecidos nos anexos desta Resolução, tendo em vista a necessidade de
adequação do setor produtivo, com exceção dos limites estabelecidos no Anexo I.
Art. 10 - Os Limites Máximos Tolerados (LMT) estabelecidos para as
micotoxinas e as respectivas categorias de alimentos especificadas no Anexo II
entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2012.
Microbiologia da Segurança de Alimentos
203
Art. 11 - Os Limites Máximos Tolerados (LMT) estabelecidos para as
micotoxinas e as respectivas categorias de alimentos especificadas no Anexo III
entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2014.
Art. 12 - Os Limites Máximos Tolerados (LMT) estabelecidos para as
micotoxinas e as respectivas categorias de alimentos especificadas no Anexo IV
entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2016.
Art. 13 - Esta Resolução e seu Anexo I entram em vigor na data de sua
publicação.
DIRCEU BRÁS APARECIDO BARBANO
Microbiologia da Segurança de Alimentos
204
ANEXO I - APLICAÇÃO IMEDIATA
LIMITES MÁXIMOS TOLERADOS (LMT) PARA MICOTOXINAS
Micotoxinas Alimento
LMT
(µg/kg)
Aflatoxina M1
Leite fluído 0,5
Leite em pó 5
Queijos 2,5
Aflatoxinas
B1, B2, G1, G2
Cereais e produtos de cereais, exceto milho e derivados,
incluindo cevada malteada
5
Feijão 5
Castanhas exceto Castanha-do-Brasil, incluindo nozes,
pistachios, avelãs e amêndoas
10
Frutas desidratadas e secas 10
Castanha-do-Brasil com casca para consumo direto 20
Castanha-do-Brasil sem casca para consumo direto 10
Castanha-do-Brasil sem casca para processamento
posterior
15
Alimentos à base de cereais para alimentação infantil
(lactentes e crianças de primeira infância)
1
Fórmulas infantis para lactentes e fórmulas infantis de
seguimento para lactentes e crianças de primeira
infância
1
Amêndoas de cacau 10
Produtos de cacau e chocolate 5
Especiarias: Capsicum spp. (o fruto seco, inteiro ou
triturado, incluindo pimentas, pimenta em pó, pimenta de
caiena e pimentão-doce); Piper spp. (o fruto, incluindo a
pimenta branca e a pimenta preta) Myristica fragrans
(noz-moscada) Zingiber officinale (gengibre) Curcuma
longa (curcuma). Misturas de especiarias que
contenham uma ou mais das especiarias acima
indicadas
20
Amendoim (com casca), (descascado, cru ou tostado),
pasta de amendoim ou manteiga de amendoim
20
Milho, milho em grão (inteiro, partido, amassado,
moído), farinhas ou sêmolas de milho
20
Ocratoxina A
Cereais e produtos de cereais, incluindo cevada
malteada
10
Feijão 10
Café torrado (moído ou em grão) e café solúvel 10
Microbiologia da Segurança de Alimentos
205
Vinho e seus derivados 2
Suco de uva e polpa de uva 2
Especiarias: Capsicum spp. (o fruto seco, inteiro ou
triturado, incluindo pimentas, pimenta em pó, pimenta de
caiena e pimentão-doce) Piper spp. (o fruto, incluindo a
pimenta branca e a pimenta preta) Myristica fragrans
(noz-moscada) Zingiber officinale (gengibre) Curcuma
longa (curcuma). Misturas de especiarias que
contenham uma ou mais das especiarias acima
indicadas
30
Alimentos a base de cereais para alimentação infantil
(lactentes e crianças de primeira infância)
2
Produtos de cacau e chocolate 5,0
Amêndoa de cacau 10
Frutas secas e desidratadas 10
Desoxinivalenol
(DON)
Arroz beneficiado e derivados 750
Alimentos a base de cereais para alimentação infantil
(lactentes e crianças de primeira infância)
200
Fumonisinas
(B1 + B2)
Milho de pipoca 2.000
Alimentos a base de milho para alimentação infantil
(lactentes e crianças de primeira infância)
200
Zearalenona
Alimentos a base de cereais para alimentação infantil
(lactentes e crianças de primeira infância)
20
Patulina Suco de maçã e polpa de maçã 50
Microbiologia da Segurança de Alimentos
206
ANEXO II - APLICAÇÃO EM JANEIRO DE 2012
LIMITES MÁXIMOS TOLERADOS (LMT) PARA MICOTOXINAS
Micotoxinas Alimento LMT (µg/kg)
Desoxinivalenol
(DON)
Trigo integral, trigo para quibe, farinha de trigo integral,
farelo de trigo, farelo de arroz, grão de cevada
2.000
Farinha de trigo, massas, crackers, biscoitos de água e
sal, e produtos de panificação, cereais e produtos de
cereais exceto trigo e incluindo cevada malteada
1.750
Fumonisinas
(B1 + B2)
Farinha de milho, creme de milho, fubá, flocos, canjica,
canjiquinha
2.500
Amido de milho e outros produtos à base de milho 2.000
Zearalenona
Farinha de trigo, massas, crackers e produtos de
panificação, cereais e produtos de cereais exceto trigo e
incluindo cevada malteada
200
Arroz beneficiado e derivados 200
Arroz integral 800
Farelo de arroz 1.000
Milho de pipoca, canjiquinha, canjica, produtos e
subprodutos à base de milho
300
Trigo integral, farinha de trigo integral, farelo de trigo 400
Microbiologia da Segurança de Alimentos
207
ANEXO III - APLICAÇÃO EM JANEIRO DE 2014
LIMITES MÁXIMOS TOLERADOS (LMT) PARA MICOTOXINAS
Micotoxinas Alimento
LMT
(µg/kg)
Ocratoxina A
Cereais para posterior processamento, incluindo grão de
cevada
20
Desoxinivalenol
(DON)
Trigo e milho em grãos para posterior processamento 3.000
Trigo integral, trigo para quibe, farinha de trigo integral,
farelo de trigo, farelo de arroz, grão de cevada
1.500
Farinha de trigo, massas, crackers, biscoitos de água e sal,
e produtos de panificação, cereais e produtos de cereais
exceto trigo e incluindo cevada malteada
1.250
Fumonisinas
(B1 + B2)
Milho em grão para posterior processamento 5.000
Zearalenona Milho em grão e trigo para posterior processamento 400
ANEXO IV - APLICAÇÃO EM JANEIRO DE 2016
LIMITES MÁXIMOS TOLERADOS (LMT) PARA MICOTOXINAS
Micotoxinas Alimento
LMT
(µg/kg)
Desoxinivalenol
(DON)
Trigo integral, trigo para quibe, farinha de trigo integral,
farelo de trigo, farelo de arroz, grão de cevada
1.000
Farinha de trigo, massas, crackers, biscoitos de água e
sal, e produtos de panificação, cereais e produtos de
cereais exceto trigo e incluindo cevada malteada
750
Fumonisinas (B1
+ B2)
Farinha de milho, creme de milho, fubá, flocos, canjica,
canjiquinha
1.500
Amido de milho e outros produtos a base de milho 1.000
Zearalenona
Farinha de trigo, massas, crackers e produtos de
panificação, cereais e produtos de cereais exceto trigo e
incluindo cevada malteada
100
Arroz beneficiado e derivados 100
Arroz integral 400
Farelo de arroz 600
Milho de pipoca, canjiquinha, canjica, produtos e sub-
produtos à base de milho
150
Trigo integral, farinha de trigo integral, farelo de trigo 200
Microbiologia da Segurança de Alimentos
2089 - REFERÊNCIAS
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