RESUMO CONSTITUCIONAL
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RESUMO CONSTITUCIONAL

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RESUMO CONSTITUCIONAL
HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL 
PRINCIPIO DA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL
Preâmbulo: \u201cin claris non fit interpretatis\u201d (quando é claro não precisa de interpretação) \u2013 significa que a lei é clara e, por ser clara, é isenta de interpretação, cria-se o sentido da norma levando em conta o contexto. 
Hoje em dia tem que ser relativizado, mesmo o dispositivo sendo obvio, é importante fazer todas as interpretações. Exemplo: a interpretação do artigo 223, §3 \u201cPara efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento\u201d. Sofreu regulamentação pela ADI 4277 \u2013 que reconheceu a união estável para casais do mesmo sexo.
PRINCÍPIO EM ESPÉCIE 
Principio da unidade da constituição
É importante ter um conhecimento sistemático da constituição, da unidade da constituição. Não adianta pegar um dispositivo isolado sem compreender o sistema da constituição, sua distribuição/estruturação dos dispositivos constitucionais. Exemplo: sabemos que os direitos fundamentais não estão dispostos apenas no artigo 5º da CF. Deve-se correlacionar os dispositivos constitucionais, levando em conta o sistema constitucional. Outro exemplo, seria a cláusulas pétreas que não se restringem ao artigo 60°, estão presentes também no artigo 150, III entre outros.
 
Principio da máxima efetividade (social)
Devo interpretar a constituição levando em conta a máxima eficácia do dispositivo, extrair a máxima eficácia da norma constitucional. Exemplo: artigo 5º, inciso XI, coloca a casa como asilo inviolável, essa interpretação se estende além de casa (domicílio/residência), mas se entende como casa o local onde o sujeito se encontra, sendo assim, o local de trabalho, o quarto de hospital no qual esteja internado, todos estes dentre outros são invioláveis. Foi extraído dessa norma seu sentido amplo, sua máxima efetividade. Isso é feito especialmente em normas que prescrevem direito. De certa forma acaba por delimitar o direito do Estado. 
Principio da concordância prática ou harmonização
Decorre do conflito aparente de normas constitucionais. Há critérios para resolver antinomias, mas esses critérios não são utilizados para conflitos de normas constitucionais. 
Esse princípio analisa as duas normas constitucionais que estão aparentemente em conflito para resolver a situação. Concordância prática, o conflito só é aparente, deve haver uma harmonização, na prática não há conflito. Exemplo¹: todo individuo possui direito à propriedade (artigo 5º, XXII), mas deve obedecer a utilidade pública, sendo-lhe garantido o direito a previa indenização justa (artigo 5º, XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição). 
Exemplo²: a lei garante o direito de sigilo de correspondência (artigo 5º, XII) no entanto há exeções, como no caso de correspondência enviada para presidiários. 
Principio da força normativa da constituição \u2013 decorre do neoliberalismo
A constituição é uma lei, não apenas um parâmetro para controle de constitucionalidade das leis. Quem trouxe esse principio foi Konrad Hesse, escritor da obra \u201ca força normativa da constituição\u201d. A constituição acima de tudo é uma lei e deve gerar efeitos, resultados, eficácia constitucional/concreção constitucional, é o que se espera dela. 
Principio da sociedade aberta dos interpretes da constituição
Decorre da obra \u201chermenêutica constitucional\u201d escrita por Peter Haberle. Ele diz que não é só o poder judiciário que interpreta a constituição, todos interpretam, como a opinião pública, classe sindicais, a imprensa, servidor público, enfim, todo mundo, não apenas o juiz. 
Principio da interpretação conforme a constituição
Denota uma técnica de controle de constitucionalidade e não somente um método de interpretação hermenêutico, sempre que houver mais de uma interpretação possível para uma determinada norma deverá ser utilizada aquela que esteja em maior grau de conformidade com os ditames da constituição. Compete, porém, ao aplicador observar a forma de utilização deste princípio, como forma de evitar a ocorrência de excessos, o que de certo poderá desnaturar a sua finalidade. 
Exemplo: Cota de Reserva Ambiental (CRA) O novo Código Florestal adotou o critério do bioma para fins de compensação da Reserva Legal, porém este critério foi objeto de impugnação perante a suprema corte. Os ministros consideraram que o critério do bioma é muito abrangente e decidiram pela interpretação conforme a Constituição, de modo a permitir o uso de CRA para a compensação de Reserva Legal apenas entre áreas com identidade ecológica.
	
PRINCIPIO DA RAZOZBILIDADE OU PROPORCIONALIDADE
Exige do agente público que, ao realizar atos discricionários, utilize prudência, sensatez e bom senso, evitando condutas absurdas, bizarras e incoerentes. Assim, o administrador tem apenas liberdade para escolher entre opções razoáveis. Atos absurdos são absolutamente nulos. Para atingir a finalidade da norma, deve-se seguir a ideia de justiça e proporção. Aplica-se muito no direito administrativo (ex. direito de polícia)
Um exemplo é a aplicação de multa caso acha descumprimento ao código florestal, essa multa deve ser proporcional e razoável a fim de manter um ambiente equilibrado. 
O princípio da proporcionalidade tem três elementos ou subprincípios:
adequação: o ato administrativo deve ser efetivamente capaz de atingir os objetivos pretendidos (esse meio é adequado a finalidade da constituição. Ex. se o valor da multa é adequado para atingir a finalidade)
necessidade: o ato administrativo utilizado deve ser, de todos os meios existentes, o menos restritivo aos direitos individuais (o meio é necessário para atingir o fim constitucional?).
proporcionalidade em sentido estrito: deve haver uma proporção adequada entre os meios utilizados e os fins desejados. Proíbe não só o excesso (exagerada utilização de meios em relação ao objetivo almejado), mas também a insuficiência de proteção (os meios utilizados estão aquém do necessário para alcançar a finalidade do ato). (Esse meio utilizado realmente máxima o direito interessado? \u2013 é eficaz?). 
Exemplo: o amianto é uma substancia cancerígena. A lei federal 9055/95 disciplina sua utilização com determinados fins, enquanto algumas leis estaduais proíbem. Alegaram, portanto, inconstitucionalidade dessas leis estaduais, no entanto, o STF não deferiu o pedido, por se tratar de uma restrição proporcional ao fim, que seria a proteção à saúde. 
TEORIA DA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL
Correntes
Interpretativista- a interpretação da constituição. O juiz deve levar em consideração o significado mais claro da disposição normativa. Não pode levar em conta outros fatores, além da interpretação normativa literal. Exemplo: licença gestante não cabe a quem não gesta. Aplica-se a lei no caso concreto e pronto. 
Não interpretativista- se tornou a regra do poder judiciário. Se terá o sentido da disposição normativa mais outros valores. Sentido polissêmico (vários sentidos da norma). Exemplo: licença gestante é valido para mãe adotiva e para casais homo afetivos, levam-se em consideração outros fatores. 
A partir dessa ideia temos o ativismo judicial, o juiz é o principal interprete da constituição, ele vai além desse processo, leva em consideração outros valores que reputa ser importante, dando um sentido mais amplo a norma, buscando atender as demandas sociais e tomar decisões proporcionais. 
Essa corrente interpretativa é muito importante, no entanto, ultimamente vem se tornando perigosa, pois muitos juízes decidem de forma diferente do que a lei prevê com base do ativismo judicial. É preciso seguir as leis mas de forma proporcional e não ignorá-las. A interpretação deve ser adequada e dentro dos limites constitucionais, caso contrário se perde a