Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ 
 
GUILHERME LUIS CARESSIA DE CASTILHO 
 
 
 
 
 
 
ADOÇÃO HOMOAFETIVA NO BRASIL: UMA EVOLUÇÃO 
JURISPRUDENCIAL. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURITIBA 
2016 
GUILHERME LUIS CARESSIA DE CASTILHO 
 
 
 
 
 
 
 
 
ADOÇÃO HOMOAFETIVA NO BRASIL: UMA EVOLUÇÃO 
JURISPRUDENCIAL. 
 
Monografia apresentada como requisito para 
aprovação na disciplina de Trabalho de Conclusão 
de Curso da Universidade Tuiuti do Paraná, como 
requisito parcial para a obtenção do grau de 
Bacharel em Direito. 
 
Orientadora: Profª Adriana Lopes Mair Coelho 
 
 
 
 
 
 
CURITIBA 
2016 
TERMO DE APROVAÇÃO 
Guilherme Luis Caressia de Castilho 
 
 
ADOÇÃO HOMOAFETIVA NO BRASIL: UMA EVOLUÇÃO 
JURISPRUDENCIAL. 
 
Esta monografia foi julgada e aprovada para a obtenção da conclusão de grau 
de bacharelado do Curso de Direito da Universidade Tuiuti do Paraná. 
 
 
 
 
Curitiba, ______, ________________, 2016. 
 
 
 
___________________________ 
Prof. Eduardo de Oliveira Leite - Coordenador do Núcleo de Monografias do 
Curso de Direito da Universidade Tuiuti do Paraná 
 
 
 
Orientador: ______________________________ 
 Profª Adriana Lopes Mair Coelho 
Universidade Tuiuti do Paraná 
 
 
 
 
______________________________ 
Prof. (a) Dr. (a) 
Universidade Tuiuti do Paraná 
 
 
 
 
_______________________________ 
Prof. (a) Dr. (a) 
Universidade Tuiuti do Paraná 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico este trabalho de conclusão da graduação aos meus 
familiares por terem me incentivado a continuar na busca do 
conhecimento e me aperfeiçoar como indivíduo, em especial 
meus pais Ariane Regina Caressia e meu pai André Antônio de 
Castilho, minha avó Teresinha Spadini e meuavô Waldir 
Caressia (in memorian), ao meu noivo Adriano Angélico que 
sempre me apoiou em todas decisões, e aos amigos de 
verdade que conquistei durante meu trajeto acadêmico, aos 
dignos professores e colaboradores da Universidade que 
sempre estavam disponíveis para me ouvir, minha orientadora 
que trabalhou com maestria para eu finalizar esta fase da 
minha vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Dentro de cada um de nósestá a criança que fomos um 
dia. Essa criança constitui a base do que nos tornamos, 
quem somos e o que seremos. ” 
Rhawn Joseph 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 7 
2. ADOÇÃO NO BRASIL ............................................................................................ 9 
2.1 DEFINIÇÃO ........................................................................................................... 9 
2.2 BREVE HISTÓRICO ............................................................................................. 9 
2.3 TIPOS DE ADOÇÃO ........................................................................................... 12 
2.4 REQUISITOS ...................................................................................................... 13 
2.5 PROBLEMAS PRESENTES NO PROCESSO DE ADOÇÃO ............................. 14 
2.6 DADOS RELACIONADOS À ADOÇÃO NO BRASIL .......................................... 17 
2.7 POSSIBILIDADE JURÌDICA DA ADOÇÃO HOMOAFETIVA .............................. 18 
3. ARGUMENTOS CONTRÁRIOS À ADOÇÃO HOMOAFETIVA ............................ 19 
3.1 FAMÍLIAS BRASILEIRAS .................................................................................... 19 
3.2.1 PROJETO DE LEI Nº 7018/2010 ..................................................................... 20 
3.2.2 PROJETO DE LEI Nº 620/2015 ....................................................................... 20 
3.2.3 PROJETO DE LEI Nº 6583/2013 E O ESTATUTO DAS FAMÍLIAS................. 21 
3.3 PRINCIPAIS ARGUMENTOS CONTRÁRIOS A ADOÇÃO HOMOPARENTAL .. 23 
3.4 FATORES PSICOLÓGICOS LIGADOS AO DESENVOLVIMENTO E À 
SEXUALIDADE DA CRIANÇA E ADOLESCENTE ................................................... 23 
4. ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS ......................................................... 26 
4.1 AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (ADI) 4.277 ............................ 26 
4.2 RESULTADOS DA UNIÃO HOMOAFETIVA ....................................................... 26 
4.3 DIREITO DE ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS ................................... 27 
5. RELATOS SOBRE O PROCESSO DE ADOÇÃO NO BRASIL ........................... 30 
CONSIDERAÇÔES FINAIS ...................................................................................... 31 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 34 
RESUMO 
 
A presente monografia tem o objetivo de abordar aspectos do processo de 
adoção no Brasil, especialmente à adoção por casais homoafetivos. São tratadas 
questões relativas à adoção de crianças e adolescentes no geral, informando parte 
histórica, modalidades, conceitos, requisitos e problemas no seu procedimento. É 
trabalhado argumentos contrários à adoção por casais homoafetivos, com análise de 
projetos de lei, indagando o seu objetivo, e se apresenta dados relativos a pesquisas 
sobre os fatores psicológicos no desenvolvimento da criança e adolescente. É 
discutido o direito à adoção homoafetiva, sua repercussão e osproblemasque se 
enfrentam. Apresenta-se os dados obtidos em relação à causa dos problemas 
enfrentados por homossexuais nos processos de adoção no Brasil e relatos de um 
casal do mesmo sexo sobre o assunto. 
Palavras-chave:Adoção homoafetiva. Homoparental. Homossexual. Família. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
1. INTRODUÇÃO 
O conceito e o modelo de família é algo que vem sendo amplamente discutido, 
seja na televisão, nas escolas, universidades, igrejas ou na internet, e mesmo 
depois do STF equiparar as relações homoafetivas às uniões estáveis, o trajeto para 
se garantir maiores direitos aos homossexuais ainda parece ser longo. A 
homossexualidade permanece sendo vítima de preconceito, mesmo com toda luta a 
favor da igualdade e pela extinção de todo tipo de discriminação. 
Porém, há também, outro ponto importante nas relações homoafetivas que 
será o foco deste trabalho, a adoção. O STF reconheceu, pela primeira vez, a 
adoção por casais homossexuais em 2015, em documento assinado pela ministra 
Carmen Lúcia Antunes Rocha, evidenciando que a Constituição Federal não faz 
diferenciação entre a família formalmente constituída e aquela existente nos fatos, 
como também não distingue entre a família que se forma por sujeitos heteroafetivos 
e a que se constitui por pessoas de inclinação homoafetivas, portanto, sem 
nenhuma dificuldade, dá para compreender que a nossa Magna Carta não 
emprestou ao substantivo “família” nenhum significado ortodoxo ou da própria 
técnica jurídica (ROCHA, 2015). 
No ano de 2009, houve um avanço nessa questão, quando o Conselho 
Nacional de Justiça mudou o padrão da certidão de nascimento do tradicional “pai e 
mãe” para o termo “filiação”, abrindo então o caminho para o registro de crianças por 
casais do mesmo sexo e garantindo à criança todos os direitos sucessórios e 
patrimoniais, inclusive em caso de separação ou morte de um destes, o que também 
causou revolta pela bancada mais conservadora, mas para casos como estes, onde 
ao analisarmos essas manifestações, fica o questionamento do porquê a 
contradição de algunspara essa conquista, se perante nossa legislação somos 
todos iguais. 
Há de ser mencionado que, o Brasil assinou a Declaração Universal dos 
Direitos Humanos e ratificou o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que 
é um dos três instrumentos que constituem a Carta Internacional dos Direitos 
Humanos, onde em seu art. 2º, estabelece que os Estados devem respeitar os 
direitos consagrados sem discriminação alguma, tal como de raça, cor, sexo, língua, 
religião, opinião política ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, 
propriedade, nascimento ou qualquer outro status. A cláusula geral de não 
8 
 
discriminação é encontrada nos tratados e na própria Constituição da República 
Federativa do Brasil, nos artigos 3º, IV e 5º. O Brasil, em conformidade com as 
obrigações assumidas em diversos tratados ratificados relevantes a este assunto, 
deve impedir quaisquer tipos de normas e práticas discriminatórias, inclusive 
aquelas que se baseiam na orientação sexual, respeitando o princípio da igualdade 
e da não discriminação. 
Esta monografia aborda os aspectos da adoção de crianças e adolescentes por 
casais homoafetivos no Brasil, buscando demonstrar os principais problemas e 
dificuldades encontrados por pares homoafetivos nos processos de adoção no país, 
além de buscar respostas para a problemática discutida, frequentemente, em 
relação às dúvidas sobre a capacidade de casais homoafetivos em educar e criar 
uma criança ou adolescente. 
Se busca explicar o porquê das dificuldades e obstáculos que os casais 
homossexuais têm enfrentado quando pretendem a adoção de uma criança ou 
adolescente. Não há a intenção de insistir na questão do preconceito, apesar de ser 
um dos motivos, não parece ser o principal, e ainda, não questiona a possibilidade 
destes casais homoafetivos adotarem crianças, pois entendemos que não há 
dúvidas dentro da possibilidade jurídica de adoção. 
A pesquisa começa abordando a adoção de forma geral, conceituando-a, 
apresentando as modalidades e os requisitos e aponta algumas questões 
controversas, a respeito do processo de adoção no Brasil. Para isso, traz dados 
estatísticos recentes, retirados do Cadastro Nacional de Adoção e aborda questões 
relativas à possibilidade jurídica de adoção por homossexuais. Seguindo esta 
metodologia, análises de diferentes projetos de lei, os que se posicionam de maneira 
contrária a adoção por casais homossexuais, comparando seus argumentos com a 
legislação vigente, identificando e explorando as possíveis contradições com o 
ordenamento jurídico brasileiro. Após a seleção dos principais argumentos contrários 
à adoção homoafetiva, dados de algumas pesquisas científicas são confrontados 
para verificação da pertinência dos argumentos. Por fim, é abordado o direito de 
adoção por casais homoafetivos, demostrando a realidade fática e como este direito 
foi influenciado após a equiparação da união homoafetiva com a união estável, 
trazendo relatos verídicos de casais que passaram pelo processo de adoção e 
alcançaram a felicidade, realizando o sonho de ter um filho. 
 
9 
 
2. ADOÇÃO NO BRASIL 
2.1 DEFINIÇÃO 
Antes de qualquer coisa, deve-se esclarecer que a adoção é um gesto de amor, 
no qual uma pessoa ou casal procuram a oportunidade de serem pais. Considerada 
uma opção de se tornar mãe ou pai de uma criança ou adolescente com quem não 
tem nenhum vínculo consanguíneo, o laço afetivo estabelecido supera qualquer 
obstáculo na busca daconstrução de um lar, juntamente daquele órfão, ou que, de 
alguma maneira, estava impossibilitado de viver juntamente com sua família de 
origem. Ainda, se procura estabelecer o equilíbrio que foi perdido pela falta de uma 
família para o adotando. 
A adoção prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 39 e 
seguintes, tem por principal objetivo, agregar de forma total o adotado à família do 
adotante e, como consequência, ocorre o afastamento em definitivo da família de 
sangue, de maneira irrevogável. Com isso, depois de findos os requisitos exigidos 
no Estatuto, o ingresso na família do adotante é completo. A preocupação do 
adotante é fazer com que a criança ou o adolescente esqueça por completo a sua 
condição de estranho e passe a ser tido como filho legítimo, detendo todas as 
condições para se sentir amado e protegido na nova família. Assim preleciona 
Dimas Messias Carvalho: 
“Adotar é muito mais do que criar e educar uma criança que não possui o 
mesmo sangue, ou a mesma carga genética, é antes de tudo uma 
questão de valores, uma filosofia de vida. A adoção é uma questão de 
consciência, responsabilidade e comprometimento com o próximo. É o 
ato legal e definitivo de tornar filho, alguém que foi concebido por outras 
pessoas. É o ato jurídico, que tem por finalidade criar entre duas 
pessoas relações jurídicas idênticas às que resultam de uma filiação de 
sangue. ” (CARVALHO, 2016) 
2.2 BREVE HISTÓRICO 
A adoção não é nenhuma novidade, seu instituto existe desde épocas 
longínquas. Basicamente, todos os povos antigos praticavam o instituto da 
adoção.Os romanos, persas, gregos, egípcios e os hebreus, acolhiam crianças em 
suas famílias, mesmo não sendo filhos naturais. Exemplo também encontrado na 
Bíblia, onde é relatado a adoção de Moisés pela filha do faraó no Egito. 
10 
 
 O Código de Hamurabi de 1.728 – 1.686 a.C., em alguns artigos, tratava da 
adoção e continha até mesmo punições severas aos que demonstravam qualquer 
tipo de preconceito sobre a autoridade dos pais adotivos: 
(...)185º - Se alguém dá seu nome a uma criança e a cria como filho, este 
adotado não poderá mais ser reclamado. 
186º - Se alguém adota como filho um menino e depois que o adotou ele se 
revolta contra seu pai adotivo e sua mãe, este adotado deverá voltar à sua 
casa paterna. 
187º - O filho de um dissoluto a serviço da Corte ou de uma meretriz não 
pode ser reclamado. 
188º - Se o membro de uma corporação operária, (operário) toma para 
criar um menino e lhe ensina o seu ofício, este não pode mais ser 
reclamado. 
189º - Se ele não lhe ensinou o seu ofício, o adotado pode voltar à sua 
casa paterna. 
190º - Se alguém não considera entre seus filhos aquele que tomou e criou 
como filho, o adotado pode voltar à sua casa paterna. 
191º - Se alguém que tomou e criou um menino como seu filho, põe sua 
casa e tem filhos e quer renegar o adotado, o filho adotivo não deverá ir-se 
embora. O pai adotivo lhe deverá dar do próximo patrimônio um terço da 
sua quota de filho e então ele deverá afasta-se. Do campo, do horto e da 
casa não deverá dar-lhe nada. 
192º - Se o filho de um dissoluto ou de uma meretriz diz a seu pai adotivo 
ou a sua mãe adotiva: "tu não és meu pai ou minha mãe", dever-se-á 
cortar-lhe a língua. 
193º - Se o filho de um dissoluto ou de uma meretriz aspira voltar à casa 
paterna, se afasta do pai adotivo e da mãe adotiva e volta à sua casa 
paterna, se lhe deverão arrancar os olhos. 
194º - Se alguém dá seu filho a ama de leite e o filho morre nas mãos dela, 
mas a ama sem ciência do pai e da mãe aleita um outro menino, se lhe 
deverá convencê-la de que ela sem ciência do pai e da mãe aleitou um 
outro menino e cortar-lhe o seio. (...). (grifo nosso) 
 
 Na Idade Média o instituto da adoção teve um declínio devido a conflitos com 
os interesses da igreja. Conforme relata BORDALLO (2014), houve este declínio, 
porque as regras da adoção iam de encontro aos interesses reinantes naquele 
período, já que se a pessoa morresse sem herdeiros, seus bens seriam herdados 
pelos senhores feudais ou pela igreja. Foi nesta época escassamente praticada, 
sendo utilizada como um instrumento cristão de paternidade e de proteção, e quase 
nenhum direito era conferidoao adotado, como os filhos eram considerados uma 
bênção divina para o casal e sua falta um castigo, a doutrina religiosa entendia que 
a esterilidade não deveria ser compensada com a possibilidade da adoção. 
 No Brasil, a adoção era prevista, inicialmente,pelas Ordenações do Reino, 
que tiveram vigência após a independência, mas somente no Código Civil de 1916 
que foi melhor estruturada. Porém, este código estabelecia nítidas diferenças entre 
os filhos adotivos e os naturais, deixando notável discriminação. Sobre a adoção, 
11 
 
essas leis só vigoraram até 2002, quando foi revogado pelo Novo Código Civil (lei n. 
10.406 de 2002), mesmo com a nossa Constituição Federal de 1988 tendo revogado 
tacitamente. 
Art. 336. A adoção estabelece parentesco meramente civil entre o 
adotante e o adotado. (...) 
Art. 368. Só os maiores de 30 (trinta) anos podem adotar. Parágrafo 
único. Ninguém pode adotar, sendo casado, senão decorridos 5 (cinco) 
anos após o casamento. (...) 
Art. 370. Ninguém pode ser adotado por duas pessoas, salvo se forem 
marido e mulher. (...) 
Art. 376. O parentesco resultante da adoção (art. 336) limita-se ao 
adotante e ao adotado, salvo quanto aos impedimentos matrimoniais, á 
cujo respeito se observará o disposto no art. 183, ns. III e V. 
Art. 377. Quando o adotante tiver filhos legítimos, legitimados ou 
reconhecidos, a relação de adoção não envolve a de sucessão 
hereditária. (...) 
Art. 1.618. Não hádireito de sucessão entre o adotado e os parentes do 
adotante. (Código Civil de 1916, grifo nosso) 
 
 Com estes artigos pode-se perceber o quanto se diferenciava o filho adotivo 
de um biológico, mais especificamente na parte de sucessões, sendo essa questão 
uma das principais para haver o preconceito sobre o ato de adotar, há algum tempo 
atrás. Em seguida, com a chegada das Leis 3.133/57, 4.655/65 e a Lei 6.697/79 
(Código de Menores), aos poucos foram desenvolvendo mudanças nos critérios de 
adoção e aos direitos dos filhos adotivos. Casais que já tivessem filhos legítimos 
receberam o direito de adotar, pessoas com menos de 50 anos também, os filhos 
biológicos e adotivos chegam a se equiparar no direito sucessório e 
progressivamente foi se diminuindo a discriminação em relação aos filhos adotivos. 
 A nossa Constituição de 1988 trouxe várias inovações no ramo do direito de 
família, e várias mudanças foram aparecendo na regulamentação da adoção com o 
Estatuto da Criança e Adolescente (Lei 8.069/90), acabando com qualquer diferença 
de filhos adotivos para biológicos, se apoiando no princípio da prioridade absoluta 
demonstrado no art. 227 da própria Constituição (PIVATO, 2016). 
Conforme o art. 43 do Estatuto da Criança e Adolescente, fica claro que a 
medida de colocação das crianças e adolescentes em famílias substitutas deve ser 
priorizada quando forem demonstradas em reais necessidades, direitos e interesses 
das crianças e adolescentes e respaldadas em motivos legítimos. A atribuição de 
condição de filho adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios, 
se desligando de qualquer vínculo com pais ou parentes, salvo os impedimentos 
matrimoniais, conforme consta no caput do artigo 41 do ECA.Após isso, foi 
12 
 
publicado o Novo Código Civil (2002), que trouxe dúvidas a respeito dos tipos de 
adoção, dúvidas que foram esclarecidas com a Lei 12.010/2009, modificando os 
artigos 1.618 e 1.619, do Código Civil, e concretizou que independentemente da 
idade, as adoções estão sujeitas as regras gerais da Lei 8.069/90. (MACIEL, 2015) 
 A Lei Nacional de Adoção (Lei nº 12.010/09) aparece como uma preocupação 
em promover o direito fundamental à convivência familiar, onde a família substituta é 
uma das últimas alternativas, que é aceita exclusivamente quando se esgota toda e 
qualquer possibilidade de conservar a criança ou adolescente da família natural, que 
o gerou. Mesmo assim, não está solucionado todos os problemas ligados à adoção, 
as questões importantes como a adoção de embriões e a adoção por casais do 
mesmo sexo, esta última em especial, devem ser discutidas. Pode-se usar de 
exemplo a indagação sobre a necessidade de estar expressamente na lei a 
autorização ou proibição da adoção por casais homoafetivos. Mas mesmo sem 
essas confirmações, a Lei Nacional de Adoção e o próprio Estatuto da Criança e 
Adolescente tem feito um trabalho positivo para a estruturação da família brasileira. 
Nesse sentido BORDALLO: 
“É notável a evolução dos processos de adoção, inclusive na forma do 
tratamento ao adotado. No presente, o filho adotivo não tem nenhuma 
diferença quanto a um filho biológico, pelo menos não em termos legais. É 
óbvio que aconteceu grande progresso das primeiras adoções até o modo 
com que as crianças são inseridas nas famílias substitutas atualmente, 
porém se percebe que há tempos a sociedade já havia notado 
peculiaridades e vantagens em inserir a criança em uma nova família, na 
falta da biológica. ” (BORDALLO, 2014) 
 
2.3 TIPOS DE ADOÇÃO 
 Primeiramente deve-se deixar claro que a adoção pode ser classificada 
quanto ao rompimento do vínculo anterior, sendo esta unilateral (pelo rompimento do 
vínculo de filiação com somente um dos pais) ou bilateral (onde há o rompimento 
dos vínculos do pai e da mãe), e também é classificada quanto à formação de um 
novo vínculo, dividida em singular (é feita somente por um adotante) ou conjunta 
(art. 42 §2º), feita por duas pessoas adotantes, sendo indispensável que sejam 
casadas ou que mantenham união estável.A Lei também permite que um cônjuge ou 
companheiro adote a prole do outro, caracterizando a adoção unilateral. Caso o 
adotante venha a falecer no decorrer do processo, o efeito da sentença que deferir a 
adoção retroage à data do falecimento, segundo o art. 42 §6º do Estatuto da Criança 
13 
 
e do Adolescente, assim se constituindo a adoção póstuma. A adoção internacional 
é aquela ao qual o adotante é domiciliado fora do Brasil. 
 Quando o desejo da mãe é entregar o filho a uma pessoa em específico, se 
chama de adoção intuitu personae. Deve-se ainda, relatar a respeito da adoção “à 
brasileira” ou afetiva, muito comum em nosso país, ao qual é um sistema de adoção 
feito sem o procedimento legal para o processo de adoção, que se consiste no ato 
de registrar filho alheio como próprio, ou seja, a criança é registrada por pais não 
biológicos sem atender aos requisitos estabelecidos em lei. Essa prática já existe no 
Brasil de forma disseminada, e seu nome foi eleito pela própria jurisprudência. Ainda 
que estaconduta constitua crime contra o estado de filiação (Código Penal Art. 242), 
não tem ocorrido condenações, pela motivação afetiva que envolve essa forma de 
agir. (DIAS, 2011). 
2.4 REQUISITOS 
 Podemos resumir que a adoção é um ato personalíssimo, excepcional, 
irrevogável, incaducável, plena e constituída por sentença judicial, e aquele que 
pretende adotar deve preencher os requisitos legais estabelecidos pelo ECA, para 
que se tenha a devida legitimidade. A maioridade civil, 18 anos, é a idade mínima 
para poder adotar, conforme o art. 42, caput, e §2º, do ECA. Essa idade considerada 
mínima pode ser questionada por algumas pessoas. Pois uma pessoa de apenas 18 
anos, mesmo possuindo capacidade para os atos da vida civil, pode não estar 
preparada para a responsabilidade de educar e ter imaturidade com os requisitos 
para a estabilidade da família. Esses são alguns motivos que doutrinadores 
questionam quando o assunto é essa idade mínima e argumentam que deveria ser 
analisada a condição de maturidade do adotante. 
Entende-se que a idade fixada em lei para que se possa adotar não deve ficar 
vinculada à maioridade civil, mas em outros critérios, como condições deamadurecimento e estrutura de vida para poder cuidar de outra vida. Melhor teria 
sido o entendimento do legislador se tivesse fixado idade mais elevada para esta 
habilitação, não se pode trabalhar com regras prontas, pois o direito não é ciência 
exata, sendo necessária uma avaliação individualizada (BORDALLO, 2014). 
 No decorrer do processo para habilitação da adoção é avaliado as condições 
do adotante, em respeito à sua capacidade de cuidar da criança ou adolescente, e 
estabelecer uma idade mais elevada como critério para esta habilitação nos traria 
14 
 
mais obstáculos e diminuiria ainda mais as possibilidades das crianças e 
adolescentes órfãos serem inseridos em uma nova família. 
 Além disto, deve haver o consentimento dos pais biológicos (ECA, art. 45, 
caput), pois estes possuem interesse legítimo em se opor ao ingresso de seus filhos 
em famílias substitutas. Porém, há possibilidade de dispensar este consentimento 
quando os pais serem desconhecidos ou terem sidos destituídos do poder familiar 
(ECA, art. 45 §1º). 
 A adoção deve trazer reais benefícios ao adotando, materializando-se assim, 
o princípio do melhor interesse da criança e a doutrina da proteção integral (ECA, 
art. 43).O estágio de convivência, regulamentado no art. 46 do ECA, tem importância 
fundamental para a adaptação da criança ou adolescente e dos pais adotivos, sendo 
essencial também para que a equipe multidisciplinar verifique esta adequação, e 
possa emitir um parecer final com o intuito de oficializar o processo de adoção. 
O ECA estabelece estes requisitos que foram apresentados, e que em 
nenhum destes artigos declara qualquer restrição em relação a cor, sexo, situação 
financeira ou a orientação sexual do suposto pai ou mão adotiva. 
2.5 PROBLEMAS PRESENTES NO PROCESSO DE ADOÇÃO 
 No ECA, é deixado o entendimento que a adoção é a última alternativa da 
criança ou adolescente ser inserido em uma família. Com isso, deve-se ponderar 
todas as possibilidades da reintegração da criança com sua família natural, posto 
isto pode-se considerar uma barreira que deve ser enfrentada antes de qualquer 
processo de adoção, e pode prejudicar a criança ou adolescente pelo simples fato 
de que essa tentativa de reintegração à família natural pode levar anos até que seja 
realmente declarada a impossibilidade da convivência com os pais biológicos. 
Mesmo nos casos de violência contra o menor, ou de pais dependentes de bebidas 
alcoólicas ou drogas, onde os interesses da criança são prejudicados, também são 
feitas intervenções por profissionais da assistência social com a missão de 
reestruturar a família. Em suma, a proposta do legislador foi generosa, mas causa 
um grande atraso na habilitação para adoção da criança ou adolescente (TORRES, 
2009). 
 O Conselho Nacional de Justiça informa que, o processo de adoção pode 
custar o tempo de um ano, mas este cálculo, não leva em consideração os 
15 
 
procedimentos de habilitação tanto do adotante quanto do adotando. Assim, a 
criança ou adolescente pode ficar no programa de acompanhamento institucional 
por um tempo maior que o de dois anos, que é o estabelecido como o prazo máximo 
de permanência, conforme o art. 19, §2º do ECA. Para um menor, alguns meses que 
sejam, são de grande importância ao ponto de influenciar no seu desenvolvimento 
de uma forma que não há como voltar atrás, para se desfazer. 
 Como exemplo, pode-se usar o caso de David (nome fictício), usado em 
matéria do Correio Brasiliense do dia 21/06/2015. David foi para uma instituição de 
acolhimento ainda bebê. O pai morreu cedo e a mãe era usuária de droga. Foram 
feitas tentativas de reinserção do menor na família biológica, mas sem sucesso. O 
tempo foi passando e não houve interesse de adoção por família substituta, e como 
muitos outros jovens, David permaneceu institucionalizado além do tempo devido. 
Hoje, prestes a completar 18 anos, David fará a última tentativa de reintegrar-se a 
família biológica, visitando um primo. 
 Este é apenas um exemplo, mas casos como este são muito freqüentes nas 
instituições de acolhimento, e quando as crianças passam da idade de maior 
interesse pelos adotantes, só resta a estas instituições a preparação do adolescente 
para a vida adulta. Uma outra medida, que apesar de ter sido desenvolvida para 
acelerar o processo de adoção, está alcançando um objetivo contrário, é o Cadastro 
Nacional de Adoção (CNA) de Crianças e Adolescentes, que foi implantado pelo 
CNJ por meio da Resolução 54/08, visto que estava estabelecida a criação de 
cadastro nacional no artigo 50, § 5º, do ECA. Pois o CNA, que foi lançado em 2008, 
e apesar de ter passado por algumas reformulações com o objetivo de transformar o 
processo de adoção mais célere, não está se prestando para esta finalidade. Não se 
discute que é uma importante ferramenta no auxílio aos órgãos do judiciário de todo 
o país na condução dos procedimentos para inclusão do menor em família 
substituta. De acordo com os dados do CNJ, são necessárias 12 informações 
básicas para preencher os perfis de crianças no sistema, sendo possível realizar o 
cadastro no CNA em menos de cinco minutos. Após o armazenamento dos dados 
da criança pelo magistrado, o sistema realiza o cruzamento de dados, informando se 
existe alguma criança ou pretendente compatível com o perfil registrado (ROSSATO, 
2015). 
16 
 
Mas mesmo com todo esse empenho do CNJ em tentar agilizar os 
procedimentos para adoção, o Cadastro Nacional de Adoção, por ter uma tendência 
a ser extremamente rígido no respeito a lista de preferências, e por vezes, não 
admitir a adoção por pessoas não inscritas no CNA, acaba prejudicando institutos 
como o da adoção intuito personae. Além disso, peca pelo excesso, tornando o 
processo longo, “conforme determina o ECA que, em cada comarca ou foro regional 
haja um duplo cadastro: de crianças e adolescentes em condições de serem 
adotados e outro de pessoas interessadas em adotar, para serem incluídos nesse 
rol, os pretendentes devem ser considerados aptos à adoção, após se submeterem 
a entrevistas e a estudo social e psicológico, existindo uma exacerbada tendência de 
sacralizar a lista de preferência e não admitir, em nenhuma hipótese a adoção por 
pessoas não inscritas, é tal a intransigência e a cega obediência à ordem de 
preferência que se deixa de atender a situações em que mais do que necessário, é 
recomendável deferir a adoção sem atender à listagem. Muitas vezes o candidato 
não se submeteu ao procedimento de inscrição, até porque jamais havia pensado 
em adotar. Chama-se de adoção intuito personae quando há o desejo da mãe 
entregar o filho a determinada pessoa. Também é assim chamada a determinação 
de alguém em adotar certa criança. As circunstâncias são variadas, há quem busque 
adotar o recém-nascido que encontrou no lixo, em muitos casos a própria mãe 
entrega o filho ao pretenso adotante, porém a tendência é não reconhecer o direito 
de a mão escolher os pais do seu filho. Aliás, dar um filho à adoção é o maior gesto 
de amor que existe: sabendo que não poderá cria-lo. Há que lembrar que a lei 
assegura aos pais o direito de nomear tutor ao filho (CC 1.729). E, se há 
possibilidade de eleger quem vai ficar com o filho depois da morte, não se justifica 
negar o direito de escolha a quem dar em adoção. Aliás, não se pode olvidar que o 
encaminhamento de crianças à adoção requer o consentimento dos genitores. 
(DIAS, 2011) 
 Pode ser levantado ainda, como um problema que envolva o processo de 
adoção, a exposição a visitação por parte dos candidatos e adotantes, pois este 
procedimento é somente para se candidatar a adoção. Isto pode gerar na criança ou 
adolescente falsas expectativas,que mesmo acontecendo em um tempo menor, 
podem interferir no desenvolvimento psicológico, pois passar pela frustração de não 
17 
 
ser adotado, ou não ter pais adotivos interessados é mais impactante na cabeça de 
uma criança que para os candidatos a se tornarem pais adotivos. 
2.6 DADOS RELACIONADOS À ADOÇÃO NO BRASIL 
 Atualmente existem cerca de 6.828 crianças/adolescentes habilitados para 
adoção. Destes, 64.92% possuem um ou mais irmãos, sendo que, na maioria estes 
irmãos não estão cadastrados no CNA. Aproximadamente 25.22% dos cadastrados 
possuem algum problema de saúde. Apenas 20.57% estão na faixa etária até os 05 
anos.Contraparte, estão habilitados cerca de 36.734 pretendentes. Destes, 69.65% 
querem adotar apenas uma criança, sendo que apenas 30.35% aceitam adotar 
irmãos. Ainda é demonstrado que 82.70% destes pretendentes querem adotar 
crianças entre 0 até 05 anos (PORTAL CNJ. Cadastro Nacional de Adoção. 2016). 
 Com isto, fica claro que há grande desigualdade entre o perfil das 
crianças/adolescentes habilitados para serem adotados e o de interesse pelos 
pretendentes. Apesar do número de pretendentes cadastrados no CNA ser quase 07 
vezes maior que o de crianças e adolescentes cadastrados e aptos à adoção, ainda 
ocorre a demora nos processos. O jovem que está nestas instituições de 
acolhimento não é o mesmo que os pretendentes a serem pais almejam adotar. 
Nisto, a grande maioria das crianças encontra-se com idade acima dos 05 anos, 
sendo que, menos de 17% dos pretendentes aceita adotar criança a partir dos 6 
anos. 
 Fora isso, como a maior parte destas crianças possuem ao menos um irmão, 
e neste caso é priorizada a adoção dos grupos de irmãos pela mesma família 
substituta (ECA, art. 28, §4º), se reduz ainda mais o número de interessados em 
adotá-los. E quando os dados são cruzados, são pequenas as opções encontradas 
entre crianças/adolescentes e os pretendentes. 
 Há que enfatizar, que mesmo que sejam encontrados no CNA adotantes e 
adotandos compatíveis, ocorrerá outros procedimentos, que são: avaliação 
psicossocial, entrevistas, estágio de convivência, dentre outros. Então, não será 
garantida ao menor a inserção em família substituta de imediato, podendo fazer ela 
passar por frustração pelo fato de não ocorrer como esperado, fazendo com que 
esta criança volte ao estado de espera novamente. 
18 
 
 Até o presente momento, foram utilizados alguns dados obtidos no CNA, 
quando acrescentamos outras informações relativas a preferências por raça ou pelo 
gênero estas restrições tornam-se muito maiores. 
2.7 POSSIBILIDADE JURÌDICA DA ADOÇÃO HOMOAFETIVA 
 O maior objetivo quando se tem a busca de uma família adotiva é o bem-estar 
da criança/adolescente. A projeção de um lar não se resume ao local, espaço físico, 
mas sim dos objetivos e a relação entre todos interessados. Com isto, fazer parte de 
uma família pode ser tudo o que uma criança órfã precisa, e independentemente de 
moldes pré-concebidos, a família tem na sua base o amor, e não depende da 
orientação sexual dos pais ou mães para se constituírem como verdadeiras famílias.
 Então, não se deve negar aos casais homoafetivos a possibilidade de se 
tornarem pais adotivos. “A restrição não se justifica. As únicas exigências para o 
deferimento da adoção (art. 43, ECA) são que apresente reais vantagens para o 
adotado e se fundamente em motivos considerados legítimos. Ora, tirar a 
possibilidade de adoção, e manter o infante institucionalizado, só vem em seu 
prejuízo”. (DIAS, 2011, p.500). 
 Mesmo antes de ser debatida a possibilidade jurídica de adoção por homossexuais, 
eles não tiveram impedimentos em adotar ou mesmo terem seus filhos biológicos, como 
preleciona Ana Carla Harmatiuk Matos: 
“Mesmo quando o sistema jurídico ainda não contemplava a adoção 
homossexual, não foi este o fator impeditivo para as realidades deixarem de 
existir. Mais uma vez os fatos vão-se impondo perante o direito, tendo em 
vista que o texto literal da lei civil brasileira não foi expresso no sentido de 
prever a adoção por homossexuais, acrescido do receio do preconceito, 
alguns parceiros passaram a buscar caminhos para a concretização do 
sonho da filiação. Com efeito, muito dos pretendentes à adoção registraram 
no próprio nome o filho de outrem (adoção à brasileira). Mais recentemente 
ainda, algumas parceiras têm se utilizado da reprodução humana assistida 
heteróloga, com a utilização de material genético de doador, para 
realizarem o desejo de ter filhos. ” (MATOS, 2013) 
 
A oportunidade de adoção por casais homoafetivos sempre existiu, já está 
enraizada no contexto da própria sociedade brasileira, e por se por vezes não tem o 
reconhecimento de direito, ainda sim, existe o reconhecimento de fato. 
 
 
19 
 
3. ARGUMENTOS CONTRÁRIOS À ADOÇÃO HOMOAFETIVA 
3.1 FAMÍLIAS BRASILEIRAS 
 A sociedade brasileira passa por um momento de mudanças, e entre essas, 
está a tentativa de se estabelecer um modelo de família. Entretanto, são tantas as 
possibilidades de se constituir família, de tantas formas diferentes e eficientes a sua 
maneira, que não cabe aqui definir se há um modelo certo ou errado. As estruturas e 
composições podem ser diferente, mas todas as famílias se unem em um laço de 
afetividade que por si só a qualifica como família. 
O afeto tornou-se fator crucial nos tribunais, o que favoreceu desta maneira os 
casais formados por homossexuais que, agora, já tem os mesmos direitos dos 
casais heterossexuais (como o pagamento de pensão, a inclusão nos planos de 
saúde e os direitos sobre a herança e sobre os bens que eram comuns aos dois 
parceiros), desde que fique comprovada a união afetiva estável entre eles. A justiça 
brasileira hoje privilegia mais os laços afetivos, em detrimento dos biológicos e essa 
revolução de costumes atinge não somente pais e filhos de diversas uniões como 
também os casais homossexuais que, de um modo geral, também já são aceitos 
pela sociedade. 
 Deste modo, não há dúvidas que os homossexuais têm conseguido importantes 
conquistas de direitos, como já mencionados, e estão conquistando seu devido espaço 
perante a sociedade, obviamente que essas vitórias não agradam parte da população e 
inclusive, existem alguns seguimentos que estão bastante empenhados em revogar muitos 
dos direitos já conquistados pelos homossexuais, e mais que isso, buscam impedir que 
estes conquistem mais direitos (PIVATO, 2016). 
3.2 PROJETOS DE LEI CONTRÁRIOS À ADOÇÃO HOMOAFETIVA 
 Desta forma, foram propostos alguns projetos de lei na Câmara Federal, com 
a finalidade de limitar os direitos dos homossexuais. Nestas propostas, se encontra 
a vedação da adoção de crianças e adolescentes por casais homoafetivos, e a 
determinação para que a entidade familiar seja formada especialmente da união 
entre homem e mulher, somente. Notamos então, os principais projetos de lei que 
tratam deste assunto e quais os argumentos utilizados para a proibição em questão. 
 
20 
 
3.2.1 PROJETO DE LEI Nº 7018/2010 
 Em 2010, o deputado Zequinha Marinho, do PSC do Pará, em seu Projeto de Lei nº 
7018/2010, propôs a vedação da adoção de crianças e adolescentes por casais do mesmo 
sexo, alterando o parágrafo 2º do artigo 42 da Lei nº 8.069 de 1990 para uma nova 
redação: “ Para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados 
civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família, sendo 
vedada a adotantes do mesmo sexo”, a justificação para esse projeto de Lei é que casais 
compostos por homossexuais, não constituem uma família, pois essa instituição só pode 
ser formada por um homem e uma mulher, caso contrário, esta adoção exporá a criança a 
sérios constrangimentos,e terá grandes dificuldades em explicar aos seus amigos e 
colegas de escola porque tem dois pais, sem nenhuma mãe, ou duas mães, sem nenhum 
pai, como um dever do Estado colocar a salvo esta criança ou adolescente de situações 
que possam causar-lhes embaraços, vexames e constrangimentos, e ainda que a 
educação e a formação destas crianças e adolescentes deve ser feita em ambiente 
adequado e favorável ao seu bom desenvolvimento intelectual, psicológico, moral e 
espiritual. 
 O deputado desta forma questiona a qualidade da educação que pais 
homoafetivos podem oferecer aos filhos adotados. Relatando que a formação e 
desenvolvimento das crianças estariam comprometidos. Ainda aponta que os 
adotados por casais de mesmo sexo têm maior risco de sofrerem constrangimentos, 
principalmente entre amigos e colegas por conta disto, onde Zequinha Marinha 
considera que os magistrados de 1ª instância estão cometendo equívocos ao 
deferirem adoções por casais homossexuais, e culpa a ausência de proibição 
normativa expressa por causar essa ambigüidade. 
3.2.2 PROJETO DE LEI Nº 620/2015 
 A deputada Júlia Marinho, do PSC do Pará apresentou o Projeto de Lei nº 
620/2015, contendo praticamente o mesmo sentido do apresentado anteriormente, 
pelo deputado Zequinha Marinho, propondo a alteração do Estatuto da Criança e do 
Adolescente, no sentido de proibir a adoção por casais do mesmo sexo. A deputada 
faz parte da bancada evangélica, e em sua proposta ela acrescenta um §7º com o 
texto: “ É vedada a adoção conjunta por casal homoafetivo”. A justificação da 
Deputada se atualiza em relação da apresentada anteriormente, citando a ADI nº 
21 
 
5277/DF e ADPF nº 132/RJ, ocasião em que o Supremo Tribunal Federal concedeu 
à união homoafetiva o mesmo tratamento jurídico conferido às uniões estáveis. 
 Júlia Marinho entende que, mesmo com a união homoafetiva reconhecida 
juridicamente, a adoção por casais de mesmo sexo não estaria automaticamente 
autorizada, sendo necessária regulação expressa acerca do assunto, e ressalta a 
possibilidade de a criança adotada por homossexuais sofrer desgastes psicológicos 
e emocionais, o que poderia comprometer o seu desenvolvimento. Ela defende que 
sejam feitos estudos científicos para melhor avaliar possíveis impactos à crianças 
que convivem e são criadas em ambiente com pais do mesmo sexo. 
 Uma pesquisa realizada pelo IBOPE (2015), em que 53% as pessoas dizem 
ser contra casamentos entre pessoas do mesmo sexo é utilizada como argumento 
para colocar em dúvida a finalidade da adoção por casais do mesmo sexo, e 
pressupõe que possa haver desgaste social também. 
 A deputada ainda defende que a família mais adequada para educação da 
criança é aquela constituída de casais heterossexuais, onde teria um 
desenvolvimento perfeito. 
3.2.3 PROJETO DE LEI Nº 6583/2013 E O ESTATUTO DAS FAMÍLIAS 
 Um Projeto de Lei polêmico é o do deputado Anderson Ferreira, do PR/PE, o 
intitulado Estatuto da Família (Projeto de Lei nº 6583/13). O texto propõe que o 
núcleo familiar seja determinado apenas pela união entre homem e mulher 
ignorando e tentando excluir de propósito as já reconhecidas uniões homoafetivas. 
O autor justifica o texto de seu Projeto de Lei se baseando no art. 226, §3º, da 
Constituição Federal, considerando que o casamento, como instituição familiar, só 
pode ser considerado entre pessoas de sexos opostos. A alteração proposta pelo 
deputado causa temor, visto que vai de encontro já reconhecidos aos homossexuais.
 
 Entretanto, este assunto já foi amplamente discutido, e inclusive, reconhecido 
pelo Supremo Tribunal Federal que a Constituição Federal não é taxativa, e sim, 
meramente exemplificativo. O Estado então, não mais se omite a respeito dos 
relacionamentos homossexuais, que em nada se diferem, de um relacionamento 
22 
 
entre indivíduos de sexo posto, e o entendimento atual corrobora com a proteção do 
relacionamento homoafetivo na constituição da instituição familiar. 
A família apresenta diversas formas de constituição, independe de crenças, 
do número de integrantes e do sexo. O direito precisa evoluir, pois assim como a 
sociedade deve acompanhar as mudanças e não ficar preso a instituições do 
passada, essa personalização do Direito de família objetiva superar a leitura 
essencialmente patrimonialista das relações familiares, com vistas a possibilitar a 
abertura para a pluralidade de formas conjugais e familiares existentes, possuindo 
como base jurídica a consolidação de princípios constitucionais. (MEDEIROS, 2007). 
Assim, o casamento homossexual deve ir além do status de união civil, que 
visa tão somente regulamentar os assuntos de cunho material, pois a busca deve 
ser mais abrangente, deve ser pela equiparação de direitos e pela regulamentação 
mais forte das relações familiares. 
Com isto, contrapondo este Projeto de Lei nº6583/13 (Estatuto da Família), 
temos o Projeto de Lei nº 2.285/2007, o Estatuto das Famílias, que se trata de um 
anteprojeto da iniciativa do Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM, que 
teve sua primeira versão apresentada pelo Deputado Sérgio Barradas, do PT da 
Bahia, e desde então vem sendo discutido e aprimorado. Ele surge com um contexto 
de pluralidade do conceito de família e com a finalidade de adequar-se à realidade 
da família moderna, já que o Código Civil de 2002 não bastou para este objetivo. Se 
propõe que sejam retiradas as disposições referentes ao Direito de Família que 
estão sob o domínio do Código Civil, para que, em estatuto próprio, possam atender 
as necessidades dos arranjos familiares da sociedade atual. (LIMA, 2015). 
Visto rejeição da primeira versão do projeto, devido a oposição política com 
influências de segmentos religiosos, posteriormente foi apresentado novo projeto, o 
Projeto de Lei nº 470/2013, proposto pela Senadora Lídice da Mata (PSB-BA), em 
2013, este novo Estatuto das Famílias altera e amplia a proposição inicial, mas 
ainda busca um estatuto para tratar especificamente das famílias brasileiras. 
O Estatuto das Famílias, então segue direção totalmente oposta ao 
anteriormente mencionado (Estatuto da Família) que é extremamente conservador, 
e busca assim, o reconhecimento da pluralidade dos arranjos familiares da 
atualidade. 
23 
 
3.3 PRINCIPAIS ARGUMENTOS CONTRÁRIOS A ADOÇÃO HOMOPARENTAL 
 Dentre as justificativas mais demonstradas pelos que se opõem a adoção de 
crianças e adolescentes por casais do mesmo sexo, temos o suposto prejuízo ao 
desenvolvimento, em virtude da ausência da figura feminina ou masculina durante 
seu crescimento, a maior probabilidade das crianças “se tornarem” homossexuais 
por terem influência direta, a ocorrência de possíveis traumas causados pela 
exposição de “atos obscenos” e também que possam sofrer atrasos de natureza 
cognitiva e psicológica. 
 Essas justificativas tratam-se meramente de suposições, sem o menor 
embasamento científico e claramente influenciado por ideologias religiosas e 
preconceituosas. 
3.4 FATORES PSICOLÓGICOS LIGADOS AO DESENVOLVIMENTO E À 
SEXUALIDADE DA CRIANÇA E ADOLESCENTE 
 Há inúmeras indagações sobre as possíveis influências negativas no 
desenvolvimento de crianças e adolescentes que são criadas por pares 
homossexuais. Talvez seja o maior receio dos que são contrários a adoção 
homoafetiva. O senso comum é de que não existam muitos estudos a respeito do 
assunto, mas a realidade é diferente. 
 Pesquisas relacionadas as atribuições que pais ou mães homossexuais têm 
em relação a educação de seus filhos e suas possíveis conseqüências, são 
desenvolvidas há décadas, mas, até então não havia tanto interesse sobre o 
assunto. 
“As evidências apresentadas por pesquisase estudos não permitem 
vislumbrar a possibilidade de ocorrência de distúrbios ou desvios de 
conduta pelo fato de alguém ter dois pais ou duas mães. Qualquer restrição 
é puro preconceito. A preocupação quanto ao sadio desenvolvimento de 
quem tem um ou dois pais homossexuais é o ponto que mais suscita medo. 
Conservadores de plantão sustentam que a ausência de referenciais de 
ambos os gêneros pode eventualmente tornar confusa a própria identidade 
sexual, havendo o risco de o filho tornar-se homossexual. Também é motivo 
de apreensão a possibilidade de a criança ser alvo de repúdio no meio que 
frequenta, ou vítima de bullyinghomofóbico por parte de colegas e vizinhos, 
o que poderia acarretar-lhe perturbações de ordem psíquica. ” (DIAS, 2014) 
Em relatório realizado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (2013), todos 
esses receios de influência negativa aos filhos de homossexuais são desmitificados. 
24 
 
O relatório é resultado de uma coleta de diversos estudos e pesquisas, realizados 
em vários países, abrangendo a área de psicologia, que foram publicados nos mais 
conceituados meios de divulgação científica. 
De acordo com o relatório, os resultados das investigações psicológicas 
apóiam a possibilidade de adoção por parte de casais homossexuais, uma vez que 
não encontradas diferenças relativamente ao impacto da orientação sexual no 
desenvolvimento da criança e nas competências parentais. As dúvidas, perguntas e 
receios que se colocam sobre as capacidades parentais e o desenvolvimento 
psicológico das crianças e adolescentes que crescem numa família homoparental 
têm sido respondidas. As conclusões a que estes estudos chegaram resumem-se 
facilmente em que as crianças e adolescentes de famílias homoparentais não 
diferem significativamente das crianças e adolescentes de famílias heteroparentais 
no seu bem-estar, assim como em nenhuma dimensão do desenvolvimento 
psicológico, emocional, cognitivo, social e sexual. Um desenvolvimento saudável 
não depende da orientação sexual dos pais, mas sim da qualidade da relação entre 
pais e filhos e dos vínculos de afeto seguros que se estabelecem entre eles. Não 
existe ainda, fundamentação científica para afirmar que os pais homossexuais não 
são bons pais com base na sua orientação sexual, pelo contrário, aquilo que as 
evidências científicas acumuladas sugerem é que os homossexuais, tal como os 
heterossexuais, possuem as competências parentais necessárias para educar uma 
criança, podendo oferecer-lhe um contexto familiar afetuoso, saudável e potenciador 
do seu desenvolvimento. Estes resultados, consistentes em inúmeros estudos, 
permitiram alcançar um consenso na comunidade científica: a orientação sexual 
parental e a configuração familiar homoparental não parecem ser um fator 
determinante do desenvolvimento infantil nem da competência parental. O que é 
universal quando se fala de parentalidade é que as crianças precisam ser 
protegidas, cuidadas e educadas. Desta forma, as evidências científicas sugerem 
que as decisões importantes sobre a vida das crianças e adolescentes sejam 
tomadas com base na qualidade das suas relações com os pais e não com base na 
orientação sexual dos mesmos (Relatório de Evidência Científica Psicológica sobre 
Relações Familiares e Desenvolvimento Infantil nas Famílias Homoparentais. 2016). 
 A pesquisa teve como base alguns questionamentos, dentre os quais, 
aqueles que são frequentes entre as pessoas mais conservadoras, como as dúvidas 
25 
 
se homossexuais conseguem ser pais, se as crianças precisam realmente de um pai 
ou de uma mãe, se as crianças filhas de homossexuais vão se tornar homossexuais, 
se estes adotantes homossexuais são pedófilos ou abusadores sexuais e se estas 
sofrerão com a discriminação. As conclusões acerca destes questionamentos foram: 
"Os homossexuais podem ser bons pais?" é: sim. Os pais e mães 
homossexuais apresentam resultados iguais aos pais e mães 
heterossexuais no que diz respeito às competências parentais, 
desenvolvendo com as crianças relações de qualidade e proporcionando-
lhe um contexto familiar seguro e favorável ao seu desenvolvimento. (...) A 
resposta, baseada nas evidências científicas, à pergunta “O padrão 
relacional dos homossexuais é compatível com a educação de uma 
criança? ” é: sim. O padrão relacional dos homossexuais, no que diz 
respeito às suas relações românticas, é tão saudável quanto o dos casais 
heterossexuais. Não existem evidências de que os homossexuais não 
estabeleçam relações de afeto duradouras, estáveis e de compromisso, 
independentemente da sua orientação sexual, compatíveis com a educação 
de uma criança. (...). Deste modo, a resposta à pergunta “As crianças 
precisam de um pai e de uma mãe? ”Para crescerem saudáveis é: não. 
Para as crianças é mais importante a qualidade da interação com os pais e 
a qualidade da relação entre os pais do que o seu género ou orientação 
sexual. No que diz respeito à qualidade das relações pais-filhos e entre o 
casal, as famílias homoparentais são similares às famílias heteroparentais. 
(...) Face a este extenso conjunto de evidências empíricas, a resposta à 
pergunta "A homoparentalidade põe em causa o desenvolvimento 
psicológico das crianças?" é: não. As crianças e adolescentes criadas em 
contexto familiar homoparental apresentam um desenvolvimento 
psicológico, cognitivo, emocional e social saudável - tão saudável quanto o 
das crianças de famílias heteroparentais. (...). (grifo nosso) 
 Os dados utilizados para a elaboração deste relatório foram obtidos entre 1952 e 
2013, sendo que em sua grande maioria foram realizadas nas últimas duas décadas. O 
relatório afirma que as famílias homoparentais e heteroparentais apresentam mais 
semelhanças do que diferenças entre si, e se conclui dizendo que os resultados das 
investigações psicológicas apoiam a possibilidade da adoção por casais homossexuais, 
uma vez que não encontram essas diferenças relativamente ao impacto da orientação 
sexual no desenvolvimento da criança e nas competências parentais. 
 
 
 
 
 
26 
 
4. ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS 
4.1 AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (ADI) 4.277 
Após a decisão do Supremo Tribunal Federal na Arguição de Descumprimento 
de Preceito Fundamental (ADPF) 132/RJ e na Ação Direta de Inconstitucionalidade 
(ADI) 4.277 que equiparou as uniões afetivas às uniões estáveis heterossexuais, 
ficou concretizada maior segurança jurídica aos casais do mesmo sexo que buscam 
adotar, o Ministro Ayres Brito em seu voto na ADI 4.277, fez referência à adoção, 
deixando claro que não há distinção entre adotante homossexual e adotante 
heterossexual, citando a proibição do preconceito e da regra do inciso II do art. 5º 
(Princípio da igualdade) combinadamente com o inciso IV do art. 3º da nossa 
Constituição Federal. 
Esta decisão do STF abriu caminhos para que os casais homoafetivos, com a 
união reconhecida, pudessem alcançar a consolidação de suas famílias, agora com 
o direito de adoção mais suscetível. Pois até pouco tempo, apenas um dos parceiros 
ingressava no processo de adoção, utilizando a modalidade unilateral. 
4.2RESULTADOS DA UNIÃO HOMOAFETIVA 
A constituição de um laço afetivo entre pessoas que buscam a felicidade e a 
satisfação de seus desejos perante os projetos íntimos da vida, perpassa pela noção 
de constituição de família, que para o casal homoafetivo até pouco tempo era 
negada. Em uma concepção mais conservadora da sociedade, a família só poderia 
ser constituída por casais heterossexuais. Entretanto, após o reconhecimento da 
união homoafetiva, os homossexuais buscam a formação de famílias em sua forma 
mais completa, desejando filhos, e se impossibilitados de os terem de forma natural, 
vão buscar por meio daadoção. (MEDEIROS, 2007) 
Na maioria das vezes, o casal homossexual participava do processo de adoção 
de uma criança em separado, apenas um dos parceiros tentava a adoção, e o 
objetivo era conquistado na maioria das vezes. Mas em se tratando de um casal, e 
no interesse do reconhecimento desta família perante a sociedade, têm se tornado 
cada vez mais frequentes os casos em que os parceiros tentam a adoção 
assumindo uma união estável. Onde, em caso de decisão favorável se atribui o 
status de família tão desejado nessa situação. 
27 
 
As decisões favoráveis a adoção homoafetiva têm se baseado também no ECA – 
Estatuto da Criança e do Adolescente, que descreve em seu art. 43: “A adoção será 
deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em 
motivos legítimos. ” (Art. 43, ECA). 
Uma boa parte da sociedade questiona a respeito dos malefícios que crianças ou 
adolescentes, adotados por casais gays, possam sofrer, e nestes se encontra o 
preconceito sofrido na escola, por parte de colegas, o que poderia então acarretar 
sérios danos ao desenvolvimento social e psicológico. Levantamos com isto, a 
questão: será que para estas crianças ou adolescentes órfãos, o possível malefício 
causado por fazerem parte de uma família diferente perante a sociedade é maior 
que o benefício de fazer parte de uma família e sair dos orfanatos? É provável que 
não. 
De fato, o sistema jurídico permite a adoção, visto que não há norma que a 
proíba, inclusive pessoas solteiras podem adotar, o que já bastaria para burlar uma 
improvável proibição da adoção homoafetiva, caso existisse, já que apenas um dos 
integrantes do casal poderia entrar com um processo de adoção e concretizá-lo, 
desde que cumprisse com todos os requisitos, que não levam em consideração a 
orientação sexual. 
Mesmo assim, a grande dificuldade para a situação do adotando é que grande 
parte da sociedade brasileira não está preparada para aceitar tal feito, deixando a 
criança ou adolescente vulnerável à discriminação. 
4.3 DIREITO DE ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS 
A discussão sobre a adoção por casais homoafetivos não tem objetivo a 
concessão deste direito, pois ele já existe, o que realmente importa é tornar ele 
efetivo na sociedade. Essa efetivação de direitos carece de mudanças, visto que 
nossa sociedade ainda é fortemente influenciada por correntes ideológicas 
religiosas. 
A adoção por apenas um dos parceiros gera, uma série de transtornos futuros no 
âmbito jurídico. Em relação à eventual separação, restaria dúvida acerca das 
obrigações relativas à pensão alimentícia, ou a guarda do menor. Além disto, 
questões de ordem sucessória e previdenciária estariam bastante comprometidas, 
28 
 
levando em conta que apenas uma pessoa adotou e possui o registro na certidão da 
criança, mas ambos os parceiros exercem a função de pais ou mães de fato. 
Na prática, a adoção unilateral é a opção mais frequente entre pares do mesmo 
sexo. Mesmo com vários casos de deferimento de adoção por casais homoafetivos 
em 1ª instância, a opção mais rápida e eficaz para se obter sucesso no 
procedimento tem sido a adoção unilateral. Neste processo, os homossexuais optam 
por ocultar sua orientação sexual, com receio de enfrentar algum obstáculo de 
natureza preconceituosa que possa colocar em dúvida a sua capacidade de formar 
uma família, assim comenta Marianna Chaves: 
“Quando o requerente (na adoção individual) ou os requerentes (na adoção 
conjunta) explicitam a sua orientação sexual, podem esbarrar, ainda hoje, 
em discriminações, sejam elas originárias da própria lei, dos assistentes 
sociais, do magistrado ou da própria sociedade. Em virtude das possíveis 
discriminações ou preconceitos, os efeitos são nefastos e iníquos: resta 
uma considerável parcela da população com seu direito constitucional a 
família sonegada, enquanto outra parte é impedida de adotar sob 
fundamentos falaciosos. É mister evidenciar que, indubitavelmente, o fato 
de ser homo ou heterossexual não torna um indivíduo mais ou menos 
capacitado para exercer o papel de pai ou mãe. Nesta seara, o critério 
norteador a ser observado é o melhor interesse da criança, que em nada se 
conecta com a orientação sexual daquele ou daqueles que se propõem a 
adotá-la, mas sim com a capacidade dos mesmos de exercer a função 
parental. ” (CHAVES, 2011). 
São inúmeras as decisões em 1ª instância deferindo o pedido de casais 
homossexuais serem pais adotivos. Mesmo assim, não faz sentido que os 
homossexuais tenham que recorrer às instâncias mais altas do judiciário a todo 
instante para obter uma tutela jurisdicional que já está prevista. O único local que 
deve ser procurado nestes casos, e que deve solucionar definitivamente o pedido é 
a Vara da Infância e Juventude, por ter a competência para deferir estes processos 
de adoção. 
Infelizmente ainda há casos em que é necessário recorrer as instâncias 
superiores, como ocorreu no Paraná, onde o Ministério Público queria limitar a 
adoção a uma criança com 12 anos ou mais para que esta pudesse opinar sobre o 
pedido. Entretanto, em 2015, o Supremo Tribunal Federal proferiu decisão acerca da 
adoção por pares do mesmo sexo, afastando restrição de sexo ou idade da criança 
a ser adotada pelo casal homoafetivo, a atual presidente do Supremo Tribunal 
Federal Cármen Lúcia Antunes Rocha em seu voto, referente ao Recurso 
29 
 
Extraordinário 846.102, resgatou princípios constitucionais, que também foram 
utilizados para estabelecer a união homoafetiva. 
“Se as uniões homoafetivas já são reconhecidas como entidade familiar, 
com origem em um vínculo afetivo, a merecer tutela legal, não há razão 
para limitar a adoção, criando obstáculos onde a lei não prevê. Delimitar o 
sexo e a idade da criança a ser adotada por casal homoafetivo é 
transformar a sublime relação de filiação, sem vínculos biológicos, em ato 
de caridade provido de obrigações sociais e totalmente desprovido de amor 
e comprometimento. ” (ROCHA,2015) 
Tal decisão além de garantir a proteção integral da criança e do adolescente, cuida 
da maneira indistinta as famílias homoparentais das heteroparentais, classificando as 
relações como família, em seu significado mais amplo, e garantindo a autonomia de casais 
homoafetivos na formação de suas famílias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
5. RELATOS SOBRE O PROCESSO DE ADOÇÃO NO BRASIL 
 Para poder concluir o presente trabalho, há que apresentar palavras de quem 
passou por estas dificuldades ou teve algum tipo de experiência sobre o tema. 
Atualmente alguns casais homoafetivos conseguem se expressar sem medo da 
opinião alheia, podendo assim ajudar outras pessoas com os conhecimentos 
adquiridos, porém é nítido que sempre restaram dúvidas sobre o instituto da adoção 
homoafetiva enquanto houver aspectos culturais e religiosos que denigrem a 
imagem desses casais, impossibilitando seu conhecimento. 
 R. e L. são um casal de Goiânia que realizaram o sonho de ter uma filha em 
janeiro de 2016, a modalidade da adoção foi a intuitu personae, onde eles 
conheceram a mãe da criança quando ela ainda estava grávida. A mãe desta 
menina pensava em realizar aborto por não ter condições de sustentá-la ou de 
entregá-la para um abrigo, foi nesta dúvida que ela conheceu o casal, que decidiram 
procuram um advogado e ingressaram com pleito pelo Juizado de Menores, feito isto 
foi informado as obrigações que deveriam ser realizadas para que esta mãe 
pudesse então entregar a criança para o casal adotante, sendo o acompanhamento 
do processo de gravidez um dos requisitos, em seguida com o nascimento e todos 
procedimentos concluídos foi passado a guarda, ainda relataram que o únicoprocesso que ainda estão enfrentando é sobre anular o nome da mãe da certidão de 
nascimento e colocar o nome dos dois. 
 Este casal ainda relatou que possuem amigos com dúvidas sobre o processo 
de adoção, por não terem tido um apoio familiar ou com medo de preconceito, 
alguns ainda não se assumiram e passam por alguns problemas justamente pelo 
fato da família ser altamente tradicional ou religiosa, enfatizando ainda mais o que 
foi abordado sobre a mudança e tornar a adoção homoafetiva um processo efetivo e 
rápido. 
 
 
 
 
31 
 
CONSIDERAÇÔES FINAIS 
 Considerando que está presente no ser humano a necessidade da construção 
de correntes afetivas, para que assim consiga conviver em sociedade e conquiste 
vínculos mais intensos com o objetivo de constituir uma família, o direito de adoção 
por casais homoafetivos se configura em importante ferramenta para o equilíbrio das 
famílias homoparentais.O reconhecimento da união homoafetiva, e a série de 
direitos que trouxe consigo, no que diz respeito à adoção de crianças e adolescentes 
por homossexuais é um assunto muito complexo, pois envolve diferentes questões 
morais, religiosas e culturais. 
 Há uma tendência em relação ao reconhecimento de direitos existentes aos 
homossexuais. Essas mudanças estão ocorrendo de maneira lenta e gradual, uma 
por vez, pelo fato de existirem diversos entendimentos sobre este assunto e níveis 
de tolerância diferentes na sociedade. Contudo, é justamente para isso que o direito 
existe, para proporcionar que as mudanças ocorridas na sociedade se adequem a 
todos, para que possam conviver em harmonia. 
 A adoção homoafetiva é uma realidade, um direito adquirido, seja no âmbito 
sucessório, previdenciário e de constar na certidão de nascimento, do filho adotivo, 
nome de ambos os parceiros que adotaram. Porém se observa que o processo de 
adoção precisa de aprimoramento. Não é plausível que a criança ou adolescente 
paguem pelo excesso de formalidades exigidas para adoção. Não estamos 
propondo facilidades irresponsáveis, é evidente que se deva ter cautela na 
colocação de criança em família substituta, até porque muitas vezes este encontra-
se nas instituições de acolhimento justamente por ter sofrido algum abuso e por 
esse motivo seus pais biológicos perderam o poder familiar. 
 Deve-se aperfeiçoar o procedimento, fornecer outras opções aos 
institucionalizados caso não consigam serem integrados em uma nova família. 
Verifica-se que o perfil da criança institucionalizada, que espera por pais adotivos, é 
muito diverso do perfil que os pretendentes a adoção esperam, o que contribui para 
a demora no processo de adoção. 
 Com relação aos movimentos contrários a adoção homoafetiva, há uma 
inércia, os argumentos utilizados são os mesmos já esclarecidos quando houve o 
reconhecimento da união homoafetiva, juntamente com outros argumentos sem 
32 
 
embasamentos científicos. Não são apresentadas propostas condizentes com a 
realidade da sociedade moderna. A união homoafetiva é uma realidade. 
 Todas as suposições e receios em relação a possíveis prejuízos na esfera 
psicológica que poderiam acometer as crianças criadas por casais homoafetivos são 
infundados, e muito provavelmente baseadas em crenças religiosas severamente 
conservadoras, visto que as diversas pesquisas realizadas na área apontam que 
não existem diferenças significativas entre filhos de casais heteroafetivos e 
homoafetivos. 
 Sobre o direito de adoção por casais do mesmo sexo, apesar da legislação se 
mostrar omissa, a sua autorização fica explícita, não sendo negada. O que não é 
proibido é permitido. Os magistrados de 1ª instância têm deferido a adoção para 
casais homossexuais, e mesmo que essas decisões recorram basicamente ao texto 
constitucional e ao ECA, às vezes, os entendimentos são diversos, ocasionando 
algumas tentativas de se restringir a adoção. 
 Observando os dados obtidos, pode-se concluir que aparentemente, o direito 
à adoção por casais homoafetivos não tem sido negado, mas está se consolidando, 
gerando inúmeros debates. Se percebe ainda, que as dificuldades encontradas no 
processo de adoção são as mesmas para os héteros, e um dos problemas está 
nisto, o procedimento adotado no Brasil, e os perfis de crianças e adolescentes 
cadastrados, a diferença é grande para o perfil desejado do grande número de 
adotantes cadastrados. 
 A inclusão destes conhecimentos e direitos não deve ter apenas o aspecto de 
tolerância ao que é considerado fora do padrão, os homossexuais são cidadãos 
como qualquer outro, fazem parte de nossa democracia, pagam impostos, possuem 
obrigações e contribuem para o crescimento da sociedade, não podem ser 
diferenciados apenas por sua orientação sexual. 
 É necessário que haja o reconhecimento dos direitos, fazendo com que estes 
sejam equiparados aos dos heterossexuais em todos os aspectos, como assegura 
nosso texto Constitucional, seguindo o princípio da igualdade. A atual Presidente do 
Supremo Tribunal Federal, Carmén Lúcia Antunes Rocha, argumenta em suas 
decisões, que é lamentável não haver a criminalização da homofobia de forma 
expressa. 
33 
 
 Apesar da ausência de leis específicas para tratar destes assuntos, são 
muitas as decisões favoráveis, que concedem o direito da adoção para os casais 
homoafetivos, resultando na busca de maiores conquistas ao Direito Homoafetivo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
34 
 
REFERÊNCIAS 
BORDALLO, Galdino Augusto Coelho. Adoção. In: MACIEL, Kátia Regina Ferreira 
Lobo Andrade (Coord.). Curso de Direito da Criança e do Adolescente: aspectos 
teóricos e práticos – 7. ed. rev. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2014. Vários autores. 
2014, p.264-373 
 
BRASIL, Câmara, Projeto de Lei nº 6.683/2013. Disponível em: http://www.camara.g 
ov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=F3D5228A8A0C1DA8BB3B8
C32EC333E6D.proposicoesWeb1?codteor=1159761&filename=PL+6583/2013.Aces
so em 20 abr. 2016. 
 
_____. Câmara, Projeto de Lei nº 620/2015. Disponível em: http://www.camara.g 
ov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1306827&filename=PL+620/20
15. Acesso em 20 abr. 2016. 
 
_____. Câmara, Projeto de Lei nº 7.018/2010. Disponível em: http://www.camara.g 
ov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=747302&filename=PL+7018/20
10. Acesso em 21 abr. 2016. 
 
BRASIL. Lei nº 3.133, de 08 de maio de 1957. Atualiza o instituto da adoção 
prescrita no Código Civil. Rio de Janeiro, 8 de maio de 1957. Disponível em: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1950-1969/l3133.htm. Acesso em: 19 mar. 
2016. 
 
_____. Lei nº 6.697, de 10 de outubro de 1979. Institui o Código de Menores. Diário 
Oficial da União – Seção 1, Brasília, 10 de outubro de 1979. Disponível em: 
http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1970-1979/lei-6697-10-outubro-1979-365840-
publicacaooriginal-1-pl.html. Acesso em: 19 mar. 2016. 
 
_____. Lei nº 3.071, de janeiro de 1916. Institui o Código Civil dos Estados Unidos 
do Brasil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L3071.htm. Acesso 
em: 29 mai. 2016. 
 
_____. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 5 de 
outubro de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/ 
Constituicao. Acesso em: 20 mar. 2016. 
 
_____. Lei n 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do 
Adolescente e dá outras providências. Brasília, 13 de julho de 1990. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm. Acesso em: 18 mar. 2016. 
 
_____. Lei nº 12.010, de 03 de agosto de 2009. Dispõe sobre adoção; altera as Leis 
nos 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto daCriança e do Adolescente, 8.560, de 
29 de dezembro de 1992; revoga dispositivos da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 
2002 - Código Civil, e da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo 
Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943; e dá outras providências. Brasília, DF, 
03 de agosto de 2009. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2009/lei/l12010.htm. Acesso em: 18 mar. 2016. 
35 
 
 
CARVALHO, Dimas Messias. Reconhecimento da paternidade socioafetiva. Revista 
Fé Pública, Direito de família. Ano III, n 20. Rio de Janeiro, 2016. 
 
CHAVES, Marianna. Homoafetividade e direito: proteção constitucional, uniões, 
casamento e parentalidade – um panorama luso-brasileiro. Curitiba: Juruá, 2011. 
 
CÓDIGO DE HAMURABI. Disponível em: http://www.dhnet.org.br/direitos/anthist/ 
hamurabi.html. Acesso em: 10 mai. 2016. 
 
G1.Maioria é contra legalizar maconha, aborto e casamento gay, diz Ibope. 
Disponível em:http://g1.globo.com/politica/eleicoes/2014/noticia/2014/09/maioria-e-
contra-legalizar-maconha-aborto-e-casamento-gay-diz-ibope.html. Acesso em: 15 
jun. 2016. 
 
LÔBO, Paulo. Direito Civil: Famílias. 6. ed., São Paulo: Editora Saraiva, 2015. 
 
MACIEL, Kátia Ferreira Lobo Andrade. Curso de Direito da Criança e do 
Adolescente. 8. ed., rev., atual., São Paulo: Editora Saraiva, 2015. 
 
MATOS, Ana Carla Harmatiuk. A adoção conjunta de parceiros do mesmo sexo e o 
direito fundamental a família substituta. São Paulo: Saraiva, 2013 
 
MEDEIROS, Aldo. União Homoafetiva. 05 de agosto de 2011. Disponível em: 
http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/uniao-homoafetiva/180693. Acesso em: 06 
mai. 2016. 
 
ORDEM DOS PSICÓLOGOS PORTUGUESES. Relatório de Evidência Científica 
Psicológica sobre Relações Familiares e Desenvolvimento Infantil nas Famílias 
Homoparentais. Lisboa. 2013. Disponível em: https://www.ordemdospsicologos.pt/ 
ficheiros/documentos/relataorio_de_evidaancia_cientaifica_psicolaogica_sobre_as_r
elaa_aoes_familiares_e_o_desenvolvimento_infantil_nas_famailias.pdf. Acesso em: 
07 ago. 2016. 
 
PIVATO, Flávia Scalzi. O reconhecimento da união homoafetiva e o estatuto da 
família. Artigo eletrônico, 04 de fevereiro de 2016. Disponível em: 
http://www.direitohomoafetivo.com.br/anexos/artigo/127__dc0a777e525678a3a531b
875e95ec54c.pdf. Acesso em: 18 fev. 2016. 
 
PORTAL CNJ. Cadastro Nacional de Adoção dados estatísticos. Disponível em: 
http://www.cnj.jus.br/cnanovo/pages/publico/index.jsf. Acesso em: 21.jun.2016. 
 
PORTAL STF. Ação Direta de Inconstitucionalidade 4277/DF. Disponível em: 
http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=628635. Acesso 
em: 12 mai. 2016. 
 
ROSSATO, Luciano Alves. Estatuto da Criança e do Adolescente Lei N. 8.069/90. 7. 
ed., São Paulo: Editora Saraiva, 2015. 
 
36 
 
TORRES, Aimbere Francisco. Adoção nas relações homoparentais. 1. ed. São 
Paulo: Atlas, 2009.

Mais conteúdos dessa disciplina