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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ 
CAMPUS DE SOBRAL 
CURSO DE PSICOLOGIA 
 
 
 
 
A Feminilidade e suas relações com a Histeria 
 
 
Mírian Karoline de Andrade Santos 
 
 
 
 
 
 
 
Sobral, Ceará 
2014 
 
Mírian Karoline de Andrade Santos 
2 
 
 
 A Feminilidade e suas relações com a Histeria 
 
 
Projeto de Pesquisa apresentado ao professor 
Odimar Feitosa, como nota de avaliação da 
disciplina de Projeto de Pesquisa em Psicologia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sobral, Ceará 
2014 
 
 
SUMÁRIO 
 
Justificativa ----------------------------------------------------------------------------------------4 
Problema -------------------------------------------------------------------------------------------5 
Objetivos ------------------------------------------------------------------------------------------6 
Revisão da Literatura ----------------------------------------------------------------------------7 
Metodologia---------------------------------------------------------------------------------------9 
Cronograma----------------------------------------------------------------------------------------10 
Referências-----------------------------------------------------------------------------------------11 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
JUSTIFICATIVA 
Freud, em seu texto sobre a Feminilidade (1933), aponta que, de acordo com sua 
natureza peculiar, a psicanálise não tenta descrever o que é a mulher – seria essa uma 
tarefa difícil de cumprir, mas se empenha em indagar como é que a mulher se forma, 
como a mulher se desenvolve desde a criança, dotada de disposição bissexual. 
Apesar da psicanálise não pretender descrever o que é uma mulher, Freud não se 
eximiu de investigar como uma menina transforma-se em mulher. O percurso para que o 
ser humano dotado de órgão sexual feminino transforme-se em mulher é um processo 
mais tortuoso do que aqueles realizados pelos homens. 
O feminino é algo que fascina desde sempre poetas e artistas, devido ao enigma 
que porta. Freud descobre que no inconsciente a diferença anatômica dos sexos é 
significantizada e reduzida à problemática do ter fálico, ao passo que as pulsões parciais 
ignoram a diferença sexual. 
Este trabalho reúne um material que pretende possibilitar a compreensão da 
concepção de Freud sobre a mulher e a relação com a histeria e sua aplicabilidade na 
clinica. 
Considerando a grande contribuição de Freud no estudo sobre o feminino, a 
relação entre feminilidade e histeria acredito que o presente estudo possa trazer 
contribuições para o campo da psicanálise. 
Segundo Freud:“Quando estudamos as primeiras configurações psíquicas da 
vida sexual infantil, tomamos sempre como objeto [de estudo] a criança do sexo 
masculino, o pequeno menino. Pensávamos que o mesmo deveria acontecer com as 
meninas, embora numa modalidade de alguma forma diferente. Não se podia mostrar 
claramente em que, no decurso do desenvolvimento, esta diferença devia encontrar-se” 
Escolhemos, então, estudar em Freud e Lacan suas contribuições sobre a 
feminilidade, e pensar a questão da neurose histérica colocada por Freud como uma das 
saídas frente à castração. 
 
 
 
 
PROBLEMA 
Há certas realidades humanas – e a feminilidade certamente é uma delas – que 
não podem ser totalmente desveladas, porque o seu sentido é inesgotável e o seu 
segredo é da ordem do indizível. 
Com este estudo pretende-se investigar, especialmente, a histeria e o caminho da 
feminilidade. Supõe-se uma peculiaridade na neurose histérica no caminho em direção à 
feminilidade. Sugere-se aqui algumas questões: O que é a mulher? O que Freud e Lacan 
nos dizem sobre a mulher? O que provoca a dificuldade de acesso à feminilidade na 
histeria? Por que a histeria presta-se a confusão com a feminilidade? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
OBJETIVOS 
Objetivo geral 
Analisar de que modo Freud e Lacan se confronta com a problemática do enigma do 
feminino 
Objetivos específicos 
Descrever as relações da feminilidade com a histeria. 
Fornecer subsídios teóricos, a partir do enfoque psicanalítico, sobre Feminilidade e 
Histeria. 
Problematizar a relação do feminino com a histeria. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REVISÃO DA LITERATURA 
Ao criar a psicanálise, Freud dá lugar à fala de mulheres que denunciavam algo 
além da sintomatologia orgânica. Ele aprende com as histéricas e percebe que suas 
queixas representam no corpo aquilo que é impossível de dizer. Durante seu percurso, 
Freud percebe que todas as mulheres possuem uma queixa em comum, um ponto de 
apoio que as permita reconhecer seus desejos: o que é uma mulher? Ele se cala diante da 
tarefa de responder essa questão. A feminilidade é definida como uma conquista a ser 
realizada pela menina: tornar–se mulher. Eis o cerne da questão freudiana sobre a 
feminilidade. Esta é vista por Freud como um enigma. Ele se refere à mulher como um 
continente negro e numa aproximação do feminino com a poesia, deposita nos poetas a 
esperança de saber mais a respeito da mulher. Freud, entre suas descobertas, afirma, em 
1932, que o vínculo inicial da menina com a mãe (relação pré–edípica) está 
especialmente relacionada à etiologia da histeria. Nesse mesmo texto Freud tenta 
responder o que ele chama de “enigma da mulher”. Já Lacan, nos anos 70, chama esse 
enigma de “enigma do gozo feminino”. 
 Freud aborda em 1932 de forma indireta a questão do gozo. Sua hipótese é a de 
que a questão feminina passa pelo falo. Entretanto, Lacan pensa que a mulher tem algo 
mais para além do falo: um gozo enigmático. Não tendo o falo, a mulher se faz de falo e 
se oferece para ser amada por um homem. Para Freud, a castração é um obstáculo com o 
qual a mulher se depara. Para Lacan a castração aponta para um mais além de si mesma. 
O que é ser uma mulher? Essa é a questão sobre a feminilidade, que representa o 
mistério que circunda a mulher. A mulher busca, através do olhar de um homem, da 
relação com a mãe e as outras mulheres, a chave do enigma. 
Há dois momentos no pensamento de Freud sobre as mulheres. Primeiro ele 
classificou-as de loucas, histéricas e hipnotizadas, mas no acender das luzes do século 
XX, o Freud modificou a sua opinião e passou a dizer que as mulheres eram apenas um 
“continente obscuro”. A intrigante pergunta de Freud — ainda hoje sem resposta — “O 
que quer uma mulher?”, dizia não ter encontrado, após mais de décadas ouvindo-as. E 
na plenitude da sua maturidade respondia com fino humor a quem perguntava se já tinha 
aquela resposta, ele respondia dizendo: — um psicanalista. 
8 
 
Freud, ao fazer uma equivalência entre tornar–se mulher e tornar–se mãe, 
interrompe sua elaboração teórica a respeito da feminilidade. O ensino de Lacan vem 
sugerir um novo modo de abordar a questão do desejo feminino. O desejo feminino não 
é obturado pelo desejo de filho como no texto freudiano. 
Na sua releitura de Freud, Lacan concordou com ele principalmente em dois 
pontos em relação às mulheres: primeiro, ao dizer que as mulheres não eram 
analisáveis; segundo, que não havia resposta para a pergunta freudiana: “o que quer uma 
mulher?”.Lacan dizia que as mulheres querem “gozar”, mas o gozo em Lacan não é 
prazeroso, pelo contrário, e, segundo ele, não serve para nada. A mulher sente prazer em 
ser desejada, mais até do que ser penetrada, daí o dispêndio de tempo e de dinheiro na 
produção visual para ficar cada vez mais bela — muitas mulheres preferem desfilar na 
praia de biquíni sob vários olhares masculinos ao ato sexual somente com um homem. 
A histeria é uma resistência à posição feminina, posição esta na qual a mulher 
suporta ser objeto, reconhecendo a castração. A histérica se furta deste lugar, pois não 
suporta a sua castração. Por isso ela aponta no Outro a castração. 
Em relação ao histórico da histeria, verificamos que tal palavra, 
morfologicamente, vem do grego hystera e significa útero. Somente no século XIX essa 
enfermidade é considerada própria de ambos os sexos. Na Antiguidade existia a crença 
de que a causa dessa patologia era a ausência de relações sexuais. Já a partir da Idade 
Média, quando a Igreja era considerada centralizadora do poder, há uma modificação 
dessa patologia. O que antes era chamado de histeria, não é mais uma doença, mas sim 
um enfeitiçamento. Assim, a ciência teológica toma lugar e permite decidir se sua causa 
é divina ou demoníaca. 
 Com a evolução histórica, a histeria, a partir do século XVII, é assumida como 
patologia. O saber médico agora supera o saber teológico. Estigmas vindos de 
possessões demoníacas são, na verdade, sintomas de uma doença histérica. 
 Com a psicanálise foi visto que a causa da histeria não podia ser explicada com 
base apenas no funcional. Haveria, portanto, a importância dos afetos: causa esta que 
viria estabelecer uma nova teoria da neurose histérica. 
 
 
 
METODOLOGIA 
O método a ser utilizado consistirá em uma pesquisa teórica cujo objetivo é 
“reconstruir teoria, conceitos, ideias, ideologias, polêmicas, tendo em vista, em termos 
imediatos, aprimorar fundamentos teóricos" (DEMO, 2000, p. 20 apud NETO, F. K., 
MOREIRA, J. O.). 
A pesquisa teórica em Psicanálise compreende duas etapas, ambas serão 
privilegiadas durante a pesquisa: 
uma aporética histórica, de corte diacrônico, que visa a compreender a 
história do conceito em questão em seu desenvolvimento dialético" 
(RIBEIRO, 2007) e (2) "uma aporética crítica, de corte sincrônico, a qual 
tradicionalmente é constituída por elaborações sistemáticas referentes à 
natureza, função, gênese e desenvolvimento do conceito a ser investigado" 
(apud NETO, F. K., MOREIRA, J. O.) 
 
Juntamente à pesquisa teórica será realizada uma pesquisa bibliográfica a partir 
de livros e artigos relacionados ao tema, tendo como foco as obras de Sigmund Freud e 
de Lacan. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
CRONOGRAMA 
 AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO 
Leitura da 
Bibliografia 
X X X X 
Análise da 
Bibliografia 
 X X X 
Produção da 
1º objetivo 
específico 
 X 
Produção do 
2º objetivo 
 X 
Produção do 
3º objetivo 
 X 
Produção do 
Artigo final 
 X X 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
CARNEIRO RIBEIRO, M. A. “Ela anda em beleza, como a noite”. In: A Mulher: na 
Psicanálise e na Arte . Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria: 1995. 
FREUD, S. A dissolução do complexo de Édipo. (1924) In: Edição Standard Brasileira 
das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud . Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. 
19. 
FREUD, S. Algumas conseqüências psíquicas da distinção anatômica entre os sexos. 
(1925) In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund 
Freud . Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. 19 
A organização genital infantil. (1923) In: Edição Standard Brasileira das Obras 
Psicológicas Completas de Sigmund Freud . Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. 19 
Estudos sobre a histeria. (1893-1895) In: Edição Standard Brasileira das Obras 
Psicológicas Completas de Sigmund Freud . Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. 2 
Feminilidade. (1933[1932]) In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas 
Completas de Sigmund Freud . Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. 22 
FREUD, S. Sexualidade feminina . (1931) In: Edição Standard Brasileira das Obras 
Psicológicas Completas de Sigmund Freud . Rio de Janeiro: Imago, 1996, v.21. 
LACAN, J. (1958) A significação do falo. In: Escritos . Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 
1998 
 Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina. In: Escritos . Rio de 
Janeiro: Jorge Zahar, 1998 
SOLER, C. A psicanálise na civilização . Rio de Janeiro: Contra capa livraria, 1998.

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