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FICA A DICA Ciclos RETA FINAL MP/PR CICLOS RETA FINAL MP/PR @CICLOSR3 2 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA FICA A DICA Este material está protegido por direitos autorais (Lei nº 9.610/98), sendo vedada a reprodução, distribuição ou comercialização de qualquer informação ou conteúdo dele obtido, em qualquer hipótese, sem a autorização expressa de seus idealizadores. O compartilhamento, a título gratuito ou oneroso, leva à responsabilização civil e criminal dos envolvidos. Todos os direitos estão reservados. Além da proteção legal, este arquivo possui um sistema GTH anti-tem- per baseado em linhas de identificação criadas a partir do CPF do usuário, gerando um código-fonte que funciona como a identidade digital oculta do arquivo. O código-fonte tem mecanismo autônomo de segurança e proteção contra descriptografia, independentemente da conversão do arquivo de PDF para os formatos doc, odt, txt entre outros. aviso importante 3 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA CULPABILIDADE1 Olá meus amigos, tudo em paz? Reta final MP-PR, é hora de nos ligarmos em alguns pontos de destaque! Temos que ter muito cuidado com determinados temas conceituais, sobretudo em Direito Penal, para não cairmos em “ciladas”. Hoje vamos enfatizar um tema importantíssimo para as provas de Ministério Público, sobretudo no Estado do Paraná, quem já demonstrou ter predileção por este tópico. Pessoal, como eu já havia alertado no Raio-X de Direito Penal, teremos 17 questões da matéria, e se trata de uma disciplina crucial para a futura carreira que vocês em breve irão abraçar. Aliado a isto, temos que enfocar os pontos com base no escólio do professor Juarez Cirino, cujos ensinamentos têm sido um espelho das provas do MPPR. Então vamos aprofundar um pouco mais alguns assuntos. Nesse contexto, por ser conhecido pelo seu aprofundamento em alguns tópicos da parte geral, vamos tentar fixar conceitos importantes sobre um ponto do qual podem ser extraídas inúmeras questões. Isso porque, “Culpabilidade” é um tema que apresenta muitas teorias e polêmicas, de modo que a compreensão da matéria irá ajudá-los a rever vários conceitos primordiais nessa reta final! Saúde, sorte e sucesso! #BORALÁ. 1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS: Pessoal, existem duas posições acerca do conceito de crime: • Uma primeira corrente entende que a Culpabilidade não integra o conceito de crime (posição de Damásio de Jesus e Luiz Flávio Gomes); • A outra posição insere a Culpabilidade nesse conceito (posição Clássica e majoritária). Vamos analisar cada uma delas? #SIMBORAÊ. 1ª Corrente – Teoria Bipartida. A Culpabilidade não integra o crime. Objetivamente, para a existência do crime, é dispensável a culpabilidade. O crime existe por si com os requisitos Fato Típico e Ilicitude. Contudo, o crime só será ligado ao agente se este for culpável. Conclusão: a Culpabilidade é um juízo de reprovação, mero pressuposto de aplicação da Pena. 1 Por Eduardo Kelson. CULPABILIDADE: É OU NÃO O 3º SUBSTRATO DO CRIME? 4 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Um dos principais argumentos desta corrente consiste no fato de que quando se está diante de causas de exclusão do Fato Típico e da Ilicitude a lei diz “não há crime”, demonstrando a imprescindibilidade de tais elementos para o conceito de Crime. No entanto, quando se está diante de Causas de Exclusão da Culpabilidade, a lei já não fala mais que “não há crime”, preferindo dizer que o agente é “isento de pena”, dando a entender que a Culpabilidade não é indispensável para a existência do crime, e sim para a aplicação da pena (existiria crime, só que a pena não seria aplicada. Seria uma espécie de crime sem reprovação, o que é considerado um absurdo para a teoria tripartida). 2ª Corrente – Teoria Tripartida – Prevalece. A Culpabilidade Integra o crime sendo seu terceiro substrato. É um Juízo de censura/reprovação, extraído da análise de como o sujeito ativo se posicionou pelo seu “conhecimento e querer ”, diante do episódio com o qual se envolveu. A Teoria Tripartida não admite crime sem reprovação. Ou seja, a principal crítica que esta corrente faz à teoria bipartida é que adotar o entendimento anterior seria conceber a possibilidade de haver crime sem que necessariamente também houvesse um juízo de censura (conceito de culpabilidade dado pela corrente bipartida). Ora! Ou é crime e é censurável, ou não é censurável e não deve ser considerado crime. E o que o Professor Juarez Cirino ensina sobre o ponto? Conforme nos ensina Juarez Cirino, a dogmática contemporânea trabalha com duas categorias elementares do fato punível: tipo de injusto e a culpabilidade. Segundo o referido autor, atualmente, a doutrina alemã está dividida entre aqueles que são bipartidos e tripartidos. No Brasil, o modelo tripartido é dominante, como já mencionado. #FOCONOMPPR: A crítica feita à corrente bipartida pelo professor Juarez Cirino, é que todos os “requisitos” ou “elementos” do crime são pressupostos da pena, não havendo qualquer razão para isolar a culpabilidade como único pressuposto da pena. Além do mais, essa corrente confunde crime como tipo de injusto que, em conjunto com a culpabilidade, constitui o conceito de fato punível, na moderna teoria do Direito Penal. #OLHAOTERMO Ao invés de ficar chamando de crime, Juarez Cirino usa a expressão fato punível. Galera, vamos estudar as seguintes Teorias da Culpabilidade: teoria Psicológica, Psicológica Normativa, Teoria Normativa Pura Extremada e, por fim, Teoria Normativa Pura Limitada. #VAMOSDETABELA. TEORIAS DA CULPABILIDADE 5 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Teoria → Psicológica: Von Lizt, Belling e Radbruch - É o vínculo psicológico entre autor e resultado, na forma de dolo ou culpa, de modo que eles se confundiam com o conceito de culpabilidade • Tem base Causalista. • Espécies de Culpabilidade: a) Dolo (Querer ou Aceitar); b) Culpa (Negligência em sentido amplo). » Dolo e Culpa são Espécies da Culpabilidade (Dica → tudo que tiver a palavra “psicológica” é porque o dolo e a culpa estão na culpabilidade (psicológica e psicológico-normativa): » Culpabilidade Dolo. » Culpabilidade Culpa. • A culpabilidade só possuía dois elementos: - Imputabilidade; - Dolo (normativo) ou culpa (relação psicológica do autor com o fato). » Dolo Normativo (dolo colorido ou dolo híbrido) → é aquele dolo que guarda em seu interior a atual consciência da ilicitude. • Crítica: colocar dois fenômenos tão distintos como espécies do mesmo gênero (dolo e culpa). Teoria Psicológica Normativa. Surgiu em 1908 na Alemanha e foi defendida por Reinhart Frank (1907) • Tem base Neokantista. • Não enxerga espécies na culpabilidade, mas elementos. Assim, continua-se a encontrar Dolo e Culpa na Culpabilidade, mas agora como elementos próprios (e não mais como espécies). Essa teoria continua sendo “psicológica”, pois assim como a teoria psicológica, também coloca a imputabilidade e o dolo e a culpa como elementos da culpabilidade, mas também coloca um terceiro elemento normativo, que é a exigibilidade de conduta diversa. #EMSUMA: para a Teoria Psicológica Normativa, a Culpabilidade não tem espécies. Enriquecem-se os Elementos. • Elementos da Culpabilidade: a) Imputabilidade; b) Exigibilidade de CondutaDiversa ( Normalidade das circunstâncias concomitantes quando a teoria foi desenvolvida, a exigibilidade de conduta diversa era chamada de normalidade das circunstâncias concomitantes, que depois passou a ser chamada de motivação normal) c) Dolo; d) Culpa. • Dolo, elemento da culpabilidade, é constituído de: Consciência + Vontade + Consciência Atual da Ilicitude (Elemento Normativo = Dolo Normativo). • Crítica: manteve o dolo e culpa na culpabilidade. 6 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Teoria Normativa • Tem base Finalista; • O Dolo e a Culpa saem da Culpabilidade, migram para o Fato Típico, mais precisamente para a Conduta (e nunca mais voltam). • Aqui o Dolo é Natural (sem a consciência da ilicitude, sem o elemento normativo). É constituído de: » Consciência; » Vontade. Portanto, não se fala mais em Dolo Normativo, mas sim em Dolo Natural. • Elementos da Culpabilidade: a) Imputabilidade; b) Exigibilidade de Conduta Diversa; c) Potencial Consciência da Ilicitude Pura (Extremada da Culpabilidade). Defendida por Hans Welzel → em 1930 na Alemanha Teoria Normativa Pura (Limitada da Culpabilidade). Notem: A teoria normativa pura se subdivide na teoria normativa extremada e teoria limitada. Para ambas as teorias os elementos • Tem base Finalista. • Elementos da Culpabilidade: aqui Culpabilidade tem os mesmos elementos da teoria extremada. a) Imputabilidade; b) Exigibilidade de Conduta Diversa c) Potencial Consciência da Ilicitude • Difere da vertente Extremada apenas quanto ao tratamento das Descriminantes Putativas sobre a Existência de Situação Fática. Isso porque, para a Teoria Extremada, o Art. 20, § 1º, CP2, é um Erro de Proibição. Para a Teoria Limitada é Erro de Tipo; • Assim, Teoria Limitada da Culpabilidade é um melhoramento promovido na vertente Extremada. Foi um melhoramento necessário já que a vertente Extremada equiparava a descriminante putativa Sobre Situação Fática (Art. 20, §1º) a uma espécie de Erro de Proibição, quando em verdade é Erro de Tipo. • Adotada no Brasil. #DICA: BRASILIMITADA da culpabilidade são os mesmos (imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa), o que irá mudar é o tratamento das descriminantes putativas. Para a teoria limitada da culpabilidade as descriminantes putativas caracterizam mais uma hipótese de erro de tipo e para a teoria normativa extremada da culpabilidade (ou somente teoria normativa pura) caracterizam uma hipótese de erro de proibição. 7 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Meus amigos, precisamos aprofundar mais um pouco, pois o que está escrito até aqui não nos diferenciará da multidão. Acontece que somos #FAMILIACICLOS, e precisamos dizer a que viemos! Então, olha esse #PLUS: Em resumo, vimos até agora que as teorias da culpabilidade para cada sistema penal são: » Sistema Clássico → teoria psicológica; » Sistema Neoclássico → teoria psicológica-normativa; » Sistema Finalista → teoria normativa pura. Mas é importante definirmos um Conceito de Culpabilidade sob a ótica material. Como assim? Hoje, a tese da culpabilidade como fundamento da pena, foi substituída pela tese da culpabilidade como limitação do poder de punir, com a troca de uma função metafísica, para uma função política de garantia da liberdade individual. A definição de culpabilidade como limitação do poder de punir contribui para redefinir a dogmática penal como sistema de garantias do indivíduo em face do Poder Punitivo do Estado, capaz de excluir ou reduzir a intervenção estatal na esfera de liberdade do cidadão. As principais teorias desenvolvidas para definir o conceito material de culpabilidade foram: » Teoria do poder agir diferente; » Teoria da atitude jurídica reprovada ou defeituosa; » Teoria da responsabilidade pelo próprio caráter; 2 Art. 20. (...). Descriminantes putativas (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 2#ATENÇÃO! A consciência atual da ilicitude que está dentro do dolo (como elemento da culpabilidade na Teoria Psicológica Normativa), transforma-se na potencial consciência da ilicitude, figurando como elemento autônomo da culpabilidade na Teoria Normativa Pura. #MAISATENÇÃO. #MUITOIMPORTANTE. Dentro da Teoria Normativa Pura temos duas Correntes (Teoria Extremada e Teoria Limitada) que discutem a natureza jurídica das descriminantes putativas sobre pressupostos fáticos (prevalece a Teoria Limitada). 8 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA » Teoria do defeito de motivação; » Teoria da dirigibilidade normativa. A teoria do poder agir diferente, sob a ótica material do conceito de culpabilidade, desenvolvida por Welzel e Kaufmann, trata-se da teoria dominante na doutrina, que fundamenta a reprovação da culpabilidade no poder agir de outro modo. Nessa teoria, o autor é reprovado porque se decidiu pelo injusto, mesmo podendo ter decidido agir de forma correta. A base interna do poder do autor reside na atribuída capacidade de livre decisão, que assume como verdade a hipótese indemonstrável da liberdade de vontade, de início em perspectiva concreta (o poder de agir diferente atribuído ao autor individual é indemonstrável) , depois em perspectiva abstrata (o poder de agir diferente é atribuído a uma pessoa imaginária colocada no lugar do autor real). Galera, os elementos da culpabilidade são: 1. Imputabilidade; 2. Potencial Consciência da Ilicitude; 3. Exigibilidade de Conduta Diversa. ELEMENTOS DA CULPABILIDADE #DEOLHONOGANCHO. A Culpabilidade é do Fato ou é do Autor? Zaffaroni (corrente majoritária) afirma que a Culpabilidade é objetiva, pressuposto de Direito Penal do Fato e não do autor (associar a culpabilidade ao agente seria analisar este fenômeno sob a ótica do direito penal do autor). Portanto, a Culpabilidade só pode ser do Fato. Para Rogério Sanches, porém, trata-se de uma Culpabilidade Subjetiva, já que Todos os Elementos da Culpabilidade (Imputabilidade, Potencial Consciência da Ilicitude e Exigibilidade de Conduta Diversa) dizem respeito ao Autor, e não ao Fato. O Direito Penal permanece sendo do Fato (incriminam-se condutas e não pessoas), mas a Reprovação recai sobre a Pessoa do Fato. Na lição de Francisco de Assis Toledo, existem correntes moderadas, no sentido de predominar o Direito Penal do Fato, mas levando também em consideração o seu Autor. A comprovação disso se dá ao analisarmos as Leis Penais, que tipificam fatos (modelo de conduta proibida) e não o perfil 9 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA 1. IMPUTABILIDADE (Capacidade de culpabilidade) = ENTENDIMENTO + AUTODETERMINAÇÃO Imputabilidade consiste na Capacidade de Imputação. Ou seja, a possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal. É o conjunto de condições pessoais que conferem ao sujeito ativo a capacidade de discernimento e compreensão para entender seus atos e determinar-se conforme esse entendimento. #CUIDADO: Nem todo capaz na esfera Civil é imputável na esfera Penal. Ex.: Menorcasado (emancipado) é capaz no âmbito civil, mas permanece inimputável no campo penal. #VAMOSCOMPARAR: #TABELASALVAVIDAS. Direito Civil Direito Penal Capaz Imputável Incapaz Inimputável #VÁALÉM. #BOTAPRAFERVER. OCódigo Penal traz oconceito de Imputabilidade? Não. Sem definir o que seja Imputabilidade (conceito positivo), o Código Penal enumera as hipóteses de Inimputabilidade (conceito negativo). Assim, o critério legal para determinar a capacidade de culpabilidade é negativo, funcionado como regra/exceção: o Estado presume a capacidade de culpabilidade dos maiores de 18 anos, e excluí ou reduz em hipóteses de psicopatologias constitucionais ou adquiridas. 1.1. Critérios de Imputabilidade: psicológico do autor. Porém, condições ou qualidades do autor também são consideradas dentro do quadro de punibilidade do fato, como a personalidade e os antecedentes criminais, utilizados como critérios na aplicação da pena. # OLHONOSTERMOS: Para Juarez Cirino, a estrutura do conceito de culpabilidade é constituída por um conjunto de elementos capazes de explicar por que o sujeito é reprovado. A estrutura da culpabilidade pode ser assim definida: - Capacidade de culpabilidade (inimputabilidade); - Conhecimento do injusto (potencial consciência da ilicitude); - Exigibilidade de conduta diversa. 10 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA 1º) CRITÉRIO BIOLÓGICO: Leva em consideração apenas o desenvolvimento mental do agente. Esse foi o critério adotado pelo Art. 27 do CP3 (menoridade). → OBS.: Não importa a capacidade de entendimento e autodeterminação do agente no momento da conduta. 2º) CRITÉRIO PSICOLÓGICO: Galera, o critério psicológico é exatamente o oposto do Biológico. Aqui, o que importa é tão somente a capacidade de entendimento e autodeterminação do agente no momento da conduta. → OBS.: Não importa o seu desenvolvimento mental. 3º) CRITÉRIO BIOPSICOLÓGICO: É uma mescla do critério Biológico com o critério Psicológico. Leva em conta não somente o desenvolvimento mental do agente, mas também a sua capacidade de entendimento e autodeterminação no momento da conduta. Esse foi o critério adotado pelo Art. 26, caput, do CP4 (Inimputabilidade em razão de anomalia psíquica) e também pelo Art. 28, § 1º, do CP5 (inimputabilidade em razão de embriaguez proveniente de caso fortuito ou força maior). 1.2. Hipóteses de Inimputabilidade: a) Inimputabilidade em razão de anomalia psíquica. Art. 26 – É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado (Critério Biológico), era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento (Critério Psicológico). Adotou-se, aqui, o Critério Biopsicológico (Critério Biológico + Psicológico). Art. 26. (...) Parágrafoúnico– Apenapode ser reduzida deumadois terços, se oagente, em virtude deperturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. #PERGUNTA: #VÁALÉM: O que se entende por Doença Mental? A Doença Mental deve ser tomada em sua maior amplitude e abrangência, isto é, qualquer enfermidade que venha a debilitar as funções psíquicas. 3 Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 4 Inimputáveis. Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar- se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 5 Art. 28. (...).§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 11 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Deve-se incluir também as doenças mentais de origem toxicológica. Para que haja a exclusão da culpabilidade é necessário que essa doença exista no momento do crime e que o agente não tenha capacidade de entendimento. O doente mental que pratica o crime durante um intervalo de lucidez é imputável (critério biopsicológico). Ofato de o Brasilter adotado o critério biopsicológico para verificação da inimputabilidade significa que: 1º) O perito realiza exame biológico, para saber a respeito da existência de problema ou anomalia mental; 2º) Concluindo pela existência de doença mental, juiz afere a parte psicológica, isto é, se no momento da prática do crime o agente tinha ou não capacidade de determinação. Há uma junção de tarefas, de forma que o magistrado não pode decidir sobre a imputabilidade ou inimputabilidade do acusado sem a colaboração técnica do perito. O que acontece com o Inimputável? Pessoal, vamos analisar o seguinte esquema: No Brasil foi banido o Sistema do Duplo Binário (dois trilhos ou dupla via), por meio do qual o Juiz podia aplicar pena e medida de segurança cumulativamente ao Inimputável (e também ao Imputável). Atualmente, vigora o SISTEMA VICARIANTE, por meio do qual o Juiz só pode aplicar pena OU Medida de Segurança. Ou uma ou outra, isto é, a aplicação é alternativa. No caso do Inimputável, somente Medida de Segurança. Assim, como o sistema adotado entre nós é o VICARIANTE, concluímos que o esquema de sanções penais pode ser resumido da seguinte forma: IMPUTÁVEIS PENA INIMPUTÁVEIS MEDIDA DE SEGURANÇA SEMI-IMPUTÁVEIS PENA OU MEDIDA DE SEGURANÇA. Inquérito Policial (IP) Denúncia Processo Absolvição Imprópria. + Medida de Segurança. (Pressupõe o Devido Processo Legal). 12 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA O Juiz tem que receber a denúncia, não pode absolver sumariamente em virtude da Inimputabilidade (Art. 397, II, do CPP6), ressalvado o caso do Tribunal do Júri quando a Inimputabilidade for a única tese defensiva (Art. 415, parágrafo único, do CPP7). Todo esse procedimento tem que ser observado porque a Medida de Segurança é uma espécie de sanção penal, e, desse modo, é evidente que para a sua aplicação se faz imperiosa a observância do Devido Processo Penal. O que acontece com o semi-imputável (são também conhecidos como imputabilidade diminuída ou culpabilidade diminuída - Juarez Cirino chama de capacidade relativa de culpabilidade)? Aqui a condenação interrompe a prescrição e serve como título executivo. #QUESTÃODEPROVA: A semi-imputabilidade (responsabilidade penal diminuída) é compatível com agravantes, causas de aumento e qualificadoras subjetivas (ligadas ao motivo do crime ou ao estado anímico do agente)? » 1ª Corrente – Majoritária – MP: SIM! É COMPATÍVEL, pois a semi-imputabilidade NÃO Interfere no Dolo. Ex.: Maníaco do Parque. 6 Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (...). II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 7 Art. 415. (...). Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV docaput deste artigo ao caso de inimputabilidade prevista no caput do art. 26 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, salvo quando esta for a única tese defensiva. (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008) #DEOLHONOGANCHO. A absolvição imprópria NÃO serve como título executivo e NÃO Interrompe a Prescrição. #CUIDADO. #NÃOCONFUNDA. O Art. 26, parágrafo único, do CP, não traz hipótese de Inimputabilidade. É caso de responsabilidade penal diminuída (semi-imputável). 13 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA » 2ª Corrente – Minoritária – Defensoria: A semi-imputabilidade é incompatível com as circunstâncias subjetivas. b) Inimputabilidade em razão da menoridade. Segundo o art. 27, CP: Adotou-se aqui o critério biológico. O art. 228, CRFB 88, por sua vez, enuncia que: #VÁALÉM. #DEOLHONOGANCHO. A escolha da Idade para menoridade segue postulado científico ou política criminal? O Art. 228 da CF e o Art. 27 do CP seguem a política criminal e não postulados científicos. Tanto é assim que o Art. 5º, § 5º, da CADH (Pacto San José da Costa Rica)8 fala apenas em “menores” deixando para cada país definir a maioridade, de acordo com sua Política Criminal. #QUESTÃODEPROVA. Um menor de 18 anos pode ser processado e julgado perante o Tribunal Penal Internacional? Não! Segundo o Estatuto de Roma: c) Inimputabilidade em razão de embriaguez completa proveniente de Caso Fortuito ou Força Maior. • Caso Fortuito: ocorre quando o agente ignora (desconhece) o caráter inebriante da substância que ingere. • Força Maior: o agente é obrigado a ingerir a substância inebriante. 8 Art. 5º, § 5º, da CADH: 5. Os menores, quando puderem ser processados, devem ser separados dos adultos e conduzidos a tribunal especializado, com a maior rapidez possível, para seu tratamento. Art. 27 – Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial. Art. 26. O Tribunal não terá jurisdição sobre pessoas que, à data da alegada prática do crime, não tenham ainda completado 18 anos de idade. Art. 28. (…). § 1º – É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o 14 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Adotou-se o Critério Biopsicológico (não basta estar embriagado). Embriaguez: é a intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool ou substância de efeitos análogos, podendo progredir de uma ligeira excitação até o estado de paralisia e coma. #OLHAOGANCHO: Se a embriaguez for oriunda de drogas, deve-se aplicar o art. 45 da Lei 11.343/06. A embriaguez pode ser classificada em:91 0 Embriaguez (Origem) Grau ACIDENTAL. • Caso Fortuito: quando o agente desconhece o efeito inebriante da substância que injeta. • Força Maior: quando o agente é obrigado a ingerir a substância. Ex.: uma mulher foi sequestrada e no local do cativeiro foi forçada a ingerir a droga. Ela conseguiu fugir em um carro e atropelou uma pessoa. • Completa: retira a capacidade de entendimento e autodeterminação no momento da conduta. Exclui a Imputabilidade (Isenta de Pena). Art. 28, §1º, CP9. • Incompleta: somente reduz a capacidade de entendimento e de autodeterminação no momento da conduta (semi-imputabilidade. Responsabilidade penal diminuída de 1/3 a 2/3). Art. 28, §2º, CP10. 9 Art. 28. (...). § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 10 Art. 28. (...). § 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). Art. 45. É isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o efeito, proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal praticada, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Parágrafo único. Quando absolver o agente, reconhecendo, por força pericial, que este apresentava, à época do fato previsto neste artigo, as condições referidas no caput deste artigo, poderá determinar o juiz, na sentença, o seu encaminhamento para tratamento médico adequado. caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 15 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA NÃO ACIDENTAL11. • Voluntária: quando o agente quer se embriagar. • Culposa: aqui é a negligência. Não queria, mas exagerou. • Completa: não exclui a imputabilidade e nem reduz a pena. • Incompleta: não exclui a imputabilidade e nem reduz a pena. PATOLÓGICA. Doentia: é equiparada a uma doença mental. • Completa: equiparada ao Art. 26, caput, do CP (isenta de pena)12. • Incompleta: equiparada ao Art. 26, parágrafo único, do CP (semi-imputabilidade. Responsabilidade Penal Diminuída de 1/3 a 2/3). PREORDENADA. Aqui o agente quer se embriaga para praticar o crime. A embriaguez é meio para a prática do crime. • Completa: Agravante de pena (art. 61, II, alínea “l”, do CP13). • Incompleta: Agravante de Pena (art. 61, II, alínea “l”, do CP). 1 11213#ATENÇÃO: Só exclui a imputabilidade a embriaguez acidental completa (Art. 28, §1º). Sendo a embriaguez Acidental Incompleta, ela apenas Reduz a Pena (Art. 28, §2º). #PRANÃOESQUECER. #FOCONATABELA Embriaguez acidental COMPLETA: Exclui a imputabilidade (Art. 28, §1º). Embriaguez acidental INCOMPLETA: Reduz a Pena (Art. 28, §2º). Do mesmo modo, a Embriaguez Patológica, só exclui a imputabilidade se for completa. Na Embriaguez não acidental completa e na Embriaguez preordenada completa utiliza-se a TEORIA DA “ACTIO LIBERA IN CAUSA”. #QUETIROFOIESSE! Segundo essa teoria, o ato posterior revestido de inconsciência decorre de ato antecedente que foi livre na vontade, transferindo-se para este momento anterior a constatação da imputabilidade e da vontade (dolo/culpa). Mas, cuidado! A aplicação descuidada dessa teoria pode redundar na Responsabilidade penal 11 “Art. 28. Não excluem a imputabilidade penal: II – a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos”. (Embriaguez não acidental, seja voluntária, seja culposa). 12 Inimputáveis. Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar- se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 13 Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984): l) em estado de embriaguez preordenada.16 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA objetiva. Vamos analisar um caso hipotético? Imaginemos que um motorista, completamente bêbado, atropela pedestre. Ato Antecedente Livre na Vontade. Ato Posterior Revestido de Inconsciência. É o momento da Ingestão da substância. É o momento do atropelamento. Aqui, o agente não tem capacidade de entendimento e autodeterminação, capacidade essa que, pela Teoria a “Actio Libera In Causa”, deve ser analisada no momento anterior. 1ª) Imputável + Quer o resultado. Homicídio com Dolo Direto. 2ª) Imputável + Aceitou o resultado. Homicídio com Dolo Eventual. 3ª) Imputável + acreditou que podia evitar atropelamentos (acreditou nas suas habilidades pessoais). Homicídio com Culpa Consciente. 4ª) Imputável + Resultado Previsível. Homicídio com Culpa Inconsciente. 5ª) Imputável + Resultado Imprevisível (mesmo para quem não estava bêbado). Fato atípico (se não fosse assim haveria responsabilidade penal objetiva). Ex.: João vai saindo do Bodega Bar com o seu carro, dá ré e mata um mendigo que dormia embaixo. #DEOLHONOGANCHO. EMOÇÃO E PAIXÃO não excluem a imputabilidade. Segundo o CP: Emoção Paixão Estado súbito e passageiro Sentimento crônico e duradouro Na aplicação da Teoria da “Actio Libera In Causa” transfere-se para o momento em que o agente era livre não apenas a análise da sua IMPUTABILIDADE, mas também da VOLUNTARIEDADE (DOLO/ CULPA), evitando-se o risco de uma responsabilidade penal objetiva. É a posição do STF. Se o operador do Direito retroceder apenas na análise da Imputabilidade, esquecendo-se de analisar dolo/culpa (voluntariedade), poderá redundar em responsabilidade penal objetiva. Art. 28 – Não excluem a imputabilidade penal: I – a emoção ou a paixão; 17 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Pode interferir na pena (pode figurar como atenuante ou como privilégio) Dependendo do grau pode ser considerada doença (Art. 26, CP). Amigos, conforme já disse várias vezes, é sempre importante analisarmos os temas principais (do qual culpabilidade é um exemplo), espelhando-se, em direito penal, nas lições do professor Juarez Cirino. Então, vejam os temas acima (a emoção ou a paixão e a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos) sob a ótica do mestre. #APROFUNDACOACH: Juarez Cirino afirma que a disciplina jurídica da legislação penal brasileira sobre duas situações psíquicas anormais ligadas à capacidade de culpabilidade está em relação de tensão com o princípio da culpabilidade: » Emoção e paixão; » Embriaguez voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância análoga. Emoção e Paixão O art. 28, I, do CP, determina que a emoção e a paixão não excluem a culpabilidade. O Código Penal Republicano de (1890) dizia que a perturbação dos sentidos afastava a culpabilidade. Esse tratamento abria uma brecha muito grande para o homicídio passional, a chamada legítima defesa da honra. A emoção e a paixão têm em comum, que em ambas são alterações do estado psicológico do ser humano. A grande diferença diz respeito à duração. A emoção tem natureza transitória. Ex: raiva, o medo, a vergonha, a surpresa. A paixão é duradora e não necessariamente eterna. Ex: o amor, a inveja, a avareza, o fanatismo. A emoção e a paixão não isentam o agente de pena, mas podem funcionar como atenuantes de pena ou causas especiais de diminuição de pena. • O art. 65, III, “c”, parte final do CP prevê uma atenuante genérica, quando o crime for cometido sob a influência de violenta emoção. • O art. 121, §1º e art. 129, §4º ambos do CP, preveem, no tocante ao homicídio e a lesão corporal, Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: I - a emoção ou a paixão; II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos. 18 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA respectivamente, a figura do privilégio, que é uma causa de diminuição de pena quando o crime é cometido sob o domínio (e não influência) de violenta emoção, e logo em seguida a injusta provocação da vítima. • Influência de violenta emoção atenuante; • Domínio de violenta emoção causa de diminuição da pena no homicídio e na lesão corporal. • Dica influência é menos que domínio, motivo pelo qual é atenuante (reduz menos a pena) e como domínio é mais, ele é causa de diminuição da pena (reduz mais a pena). • Quando o art. 28, I diz que a emoção e a paixão não excluem a culpabilidade, ele diz respeito a emoção e a paixão normais, inerentes a todas as pessoas. Por outro lado, se a emoção ou a paixão forem patológicas, elas serão equiparadas às doenças mentais. Nesse último caso será aplicável o art. 26, caput, do CP. • Ex: ciúme doentio. Actio libera in causa (aprofundamentos) O conceito de actio libera in causa pressupõe capacidade de culpabilidade na ação precedente, em que o autor se coloca em estado de incapacidade de culpabilidade, com intenção de realizar (dolo) ou sendo previsível a possibilidade de realizar (imprudência) fato típico posterior, como já mencionado logo acima. Assim, a actio libera in causa consiste na autoincapacitação temporária (#OLHAOTERMO) para: - Com propósito de praticar crime determinado; - Em situação de previsibilidade de praticar crime determinado (ação anterior), crime realmente praticado no estado subsequente de incapacitação temporária (ação posterior). A teoria da actio libera in causa (a causa da causa também é a causa do que foi causado) surgiu na Itália e foi criada para solucionar o caso dos crimes praticados por embriaguez preordenada. Essa teoria antecipa o momento da análise da imputabilidade. A imputabilidade não será analisada no momento em que o crime foi praticado, nesse momento o agente estava inconsciente, a análise da imputabilidade é antecipada para um momento anterior àquele em que o agente livremente se colocou na posição de embriaguez. Para punir o agente de embriaguez voluntária é necessário observar a teoria da actio libera in causa, em que dolo e culpa não são avaliados no momento da conduta, mas sim no momento em que o agente se embriagou. Se no momento em que ele bebeu, ele queria o resultado, será 19 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA crime doloso. Se ele assumiu o risco de produzir o resultado será crime com dolo eventual. Se ele previu o resultado, mas não assumiu o risco, será culpa consciente. Se ele não previu o resultado, ele responderá a título de culpa. Há duas teorias que tentam explicar a actio libera in causa: • Teoria da Exceção: a teoria da exceção considera a actio libera in causa uma exceção ao princípio da culpabilidade no momento do fato, justificada no direito costumeiro. • A crítica feita a essa teoria é que ela é incompatível com o princípio da legalidade, que não permite que o costume incrimine condutas. Além do mais, ela viola o princípio da culpabilidade, pois no momento da conduta não há dolo ou culpa de quem está embriagado. • Teoria do Tipo: a teoria do tipo fundamenta a atribuição do fato típico ao autor no momento da culpabilidade anterior ao fato, que será responsável pela produção do resultado, e não no momento posterior que ele já estará embriagado (nesse momento o agente será inimputável). Essa é a doutrina adotada. Para a embriaguez preordenada, a teoria da actio libera in causa se encaixa perfeitamente, pois antes de começar a beber, o agente já tinha o dolo de praticaro crime (embriaguez preordenada). Entretanto, o art. 28, II do CP acolheu essa teoria também para a embriaguez voluntária e para a embriaguez culposa. A crítica que se faz é que adotando a teoria da actio libera in causa na embriaguez voluntária e na embriaguez culposa está se presumindo um dolo anterior do agente, antes dele cometer o crime. O problema é que não há esse dolo, pois quando ele bebe não há dolo quanto à prática do crime, a “vontade” só surge depois que ele já estava embriagado e não há, portanto, consciência, o que faz surgir uma responsabilidade penal objetiva. Nesse ponto a doutrina diverge: • 1ª Corrente → a teoria da actio libera in causa na embriaguez voluntária e na embriaguez culposa é responsabilidade penal objetiva e, portanto, inadmissível. • 2ª Corrente → a teoria da actio libera in causa na embriaguez voluntária e na embriaguez culposa é responsabilidade penal objetiva, mas é uma responsabilidade objetiva indispensável para o interesse público. Se assim não fosse, bastava o agente se embriagar que ele estaria livre para cometer crimes. O Código Penal Português diz isso claramente, ao afirmar que essa teoria foi adotada por necessidade de defesa social. • 3ª Corrente → a teoria da actio libera in causa é desnecessária, pois entende que por mais 20 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA que a pessoa esteja embriagada, se ela consegue cometer um crime, é sinal que ela tem um resquício de consciência e, portanto, há dolo (Vicenzo Manzini e Giulio Battaglini). » A teoria da actio libera in causa não se aplica à embriaguez fortuita. » A teoria da actio libera in causa vem sendo adotada para abranger os crimes praticados em qualquer estado de inconsciência diverso da embriaguez. » Ex: a mãe quer matar a criança e para isso coloca ela do seu lado na cama, para que quando ela dormisse, ela mate a criança rolando. Nesse caso, a imputabilidade é analisada em um momento anterior. Juarez Cirino explica em que caso de fatos imprudentes a teoria da actio libera in causa não possui maiores problemas, em razão da identidade estrutural entre ambos os conceitos. Quando o agente se embriagou ocorreu uma lesão do dever de cuidado ou do risco permitido, o que permite a responsabilização do agente a título de imprudência. Ex: o marido que já está bravo com sua mulher, se embriaga, e agride a mulher, mas sem ter pensado previamente em agredi-la. O ato de embriagar-se representa simples criação de risco não permitido contra a integridade física da mulher. Nesse caso, a agressão à mulher seria a realização do risco criado, caracterizando lesão corporal imprudente. Juarez Cirino adverte que se o autor, na ação precedente, não tem o propósito (dolo direto) ou não admite a possibilidade (dolo eventual) de realizar determinado tipo de crime em estado de incapacidade de culpabilidade, então o resultado típico produzido na ação posterior não pode ser atribuído por dolo, independentemente de ser intencional (o sujeito quer se embriagar) ou imprudente (o sujeito se embriaga, progressiva, mas inadvertidamente) o ato de se embriagar. Em razão disso, o princípio da culpabilidade determina a seguinte interpretação do art. 28, II, do CP: a embriaguez voluntária ou culposa não exclui a imputabilidade penal, mas a imputação do resultado por dolo ou por imprudência depende, necessariamente, da existência real (nunca presumida) desses elementos no comportamento do autor. Por sua vez, em fatos dolosos, a teoria dominante da actio libera in causa afirma que: a) o elemento intelectual do dolo deve representar as características de um tipo de crime determinado (homicídio, lesão corporal, etc), cujo resultado deve ser produzido em estado de incapacidade de culpabilidade (embriaguez); b) o elemento emocional do dolo deve querer a realização de crime determinado (dolo direto) ou conformar-se com a realização de crime determinado (dolo eventual) no estado posterior de embriaguez, no sentido de autocolocação em estado de incapacidade temporária de culpabilidade. 21 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA 2. POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE Conceito: é a possibilidade de o agente conhecer o caráter ilícito da sua conduta. Em resumo, é a capacidade de o agente saber que age contrariando o Direito. 2.1. Hipótese única de exclusão da Potencial Consciência da Ilicitude: Aqui, iremos estudar o ERRO DE PROIBIÇÃO (Art. 21 do CP). Para o mestre Juarez Cirino, a correlação conhecimento do injusto e erro de proibição, na culpabilidade, corresponde à correlação conhecimento do fato e erro de tipo, no fato típico, porque conhecimento e erro constituem estados psíquicos em reação de lógica exclusão: o conhecimento exclui o erro e o erro indica desconhecimento dos objetos. Lembrem que a dogmática moderna identifica três tipos de erros: » Erro de tipo: incidente sobre as circunstâncias e elementos objetivos do tipo penal; » Erro de proibição: incidente sobre a proibição do injusto; » Erro de tipo permissivo: situado entre o erro de tipo e o erro de proibição, incidente sobre pressupostos objetivos de uma causa de justificação, consistente em errônea representação da justificante. Desse modo, na ação precedente o dolo tem por objeto a autocolocação em estado de incapacidade de culpabilidade e, nesse estado, a realização de fato determinado. Na ação posterior, o autor realiza, em estado de incapacidade de culpabilidade, o fato determinado objeto do dolo (outra interpretação é incompatível com o princípio da culpabilidade). #VÁALÉM. #BOTAPRAFERVER. Índio não integrado é Inimputável? O Índio não integrado não é necessariamente Inimputável. Para ser Inimputável esse Índio tem que: • Ter anomalia psíquica; • Ser menor de Idade OU; • Estar completamente embriagado em razão de Caso Fortuito ou Força Maior. Contudo, isso não significa que seja culpável, eis que a Culpabilidade possui outros Elementos, podendo estar ausente a Potencial Consciência da Ilicitude ou a Exigibilidade de Conduta Diversa. 22 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA A análise do conhecimento do injusto tem por fim identificar as situações negativas de conhecimento: erro de proibição direto, erro de proibição indireto e erro de tipo permissivo, segundo a teoria limitada da culpabilidade, adotada pelo legislado pátrio. Senão, vejamos: Galera, #CUIDADO! #NÃOCONFUNDIR Erro de Proibição com Erro de Tipo. Erro de Proibição Erro de Tipo O agente sabe exatamente o que faz, mas desconhece sua Ilicitude. O agente não sabe exatamente o que faz. Erra sobre elementos do tipo. #QUESTÃODEPROVA #NÃOVALEERRAR! É possível desconhecer a Lei (a tipicidade do fato), conhecendo a ilicitude (contrariedade ao direito) do comportamento? SIM! Vamos entender melhor: 1ª Situação 2ª Situação 3ª Situação O agente desconhece a lei e a Ilicitude do seu comportamento. Ex.: fabricar açúcar em casa (DL nº 16/66). Desconhecimento da Lei + Erro de Proibição. O agente conhece a lei, mas desconhece a ilicitude do comportamento. Ex.: estupro da esposa. Conhecimento da Lei + Erro de Proibição. Lembrar que só haveria isenção de pena se o erro fosse inevitável. O agente desconhece a lei, mas tem consciência da ilicitude. Desconhecimento da lei sem erro de proibição (o agente conhece a ilicitude do comportamento. Ex.: queimar a bandeira nacional). 2.2. Consequências do erro de proibição: Em uma visão simplista, apenas como “entrada”, poderíamos nos limitar a afirmarque o erro de proibição pode ser: » Inevitável: isenta o agente de pena (exclui a culpabilidade). » Evitável: não isenta o agente de pena (reduz a pena de 1/6 a 1/3). Porém, isso não é suficiente e devemos abordar a matéria de forma mais detalhada. Pessoal, ânimo! Tenho convicção que deste material sairá possivelmente 2 questões da prova de penal de vocês! Isso não é pouca coisa! Art. 21 – O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. Parágrafo único – Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. 23 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA #VALENDOOCHOPPDAPOSSE – As consequências legais do erro de proibição de acordo com a teoria limitada da culpabilidade são diferenciadas de acordo com a categoria do erro de proibição: • Erro de proibição direto: tem por objeto a lei penal, considerada do ponto de vista da existência, validade e significado da norma, exclui ou reduz a reprovação da culpabilidade; • Erro de proibição indireto (erro de permissão): tem por objeto a existência de causa de justificação no ordenamento e os limites jurídicos da causa de justificação, também exclui ou reduz a culpabilidade. • Erro de tipo permissivo: tem por objeto os pressupostos objetivos de uma causa de justificação, portanto existe como errônea representação da situação justificante. Assim, incide sobre a realidade do fato, razão pela qual exclui o dolo (funcionando como verdadeiro erro de tipo, isto, erro de tipo permissivo), com punição alternativa por imprudência, se se for evitável e existir o tipo respectivo. O erro de proibição (direto ou indireto) evitável apenas reduz a reprovabilidade de culpabilidade, mas subsiste a culpabilidade, devendo a pena ser diminuída de 1/6 a 2/3. Já o erro de tipo permissivo evitável, exclui o dolo, mas permite a punição por imprudência, caso existe essa possibilidade no tipo penal (mesmo tratamento do erro de tipo). O erro de proibição (direito ou indireto) inevitável exclui a reprovabilidade da culpabilidade. O erro de tipo permissivo excluí o dolo e não permite a punição a título de imprudência. Se a assertiva perguntar do erro de proibição, devemos marcar a que aponte o erro de tipo permissivo como “espécie” do erro de proibição e assinalar que para a teoria limitada da culpabilidade ele constitui erro de tipo, excluindo o dolo, em qualquer caso, permitindo a punição a título de imprudência, se evitável. O critério da doutrina em geral para decidir se o erro de proibição é inescusável ou escusável é o perfil subjetivo do agente e não a figura do homem médio (valoração paralela da esfera do profano). Lembram do Raio-X do edital? Valoração paralela da esfera do profano → relaciona-se com a potencial consciência da ilicitude, em especial, com o sistema intermediário. O “profano” é o leigo, aquele que não conhece o direito. Assim, deve o juiz analisar o comportamento do agente paralelamente às suas condições sociais, em qual contexto ele está inserido e se ele poderia saber que aquela conduta é criminosa. Caso o juiz conclua que ele poderia ter conhecimento do injusto, haverá crime. Caso o juiz conclua que o profano não tinha condições de conhecer a ilicitude da conduta, haverá erro de proibição. 24 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Quando se fala em fato típico e em ilicitude deve-se levar em conta a figura do homem médio, pois se analisa o fato. Por outro lado, quando se fala em culpabilidade deve-se levar em conta o perfil subjetivo do agente, já que se indaga sobre a figura do responsável pelo fato típico e ilícito e não sobre o fato. Juarez Cirino não aborda a valoração paralela da esfera do profano, afirmando o autor que a possibilidade de conhecimento do injusto, que indica que o erro é evitável, depende de múltiplas variáveis como a posição social, a capacidade individual, as representações de valor do autor, etc. Segundo Juarez Cirino, atualmente, o método para conhecer a potencial consciência da ilicitude (conhecer o injusto dos tipos penais) é o da reflexão e informação: a natureza evitável ou inevitável do erro de proibição depende do nível de reflexão e de informação do autor sobre o injusto específico do tipo penal. Esse método corresponde a exigência da lei, que define o erro evitável pela possibilidade de ter (reflexão) ou de atingir (informação) o conhecimento do injusto. Em regra, a reflexão do autor no momento do fato é suficiente para conhecer a antijuridicidade concreta do injusto. Ex: a lesão corporal grave do pai no filho, sob a convicção errônea de exercer direito de educação, poderia ser evitada pela simples reflexão. Contudo, excepcionalmente, além da reflexão, será também necessário que o agente tenha informação, que deve ser adquirida anteriormente. Ex: informações sobre a regra de tráfego urbano. Nesse caso, produzir acidente de trânsito, por falta de conhecimento anterior da regra circulação, configura erro de proibição evitável, como reprovabilidade do fato ligada à lesão anterior do cuidado. Para Juarez Cirino, o erro de proibição inevitável é mais comum no Direito Penal especial, em que o cidadão comum tem maior dificuldade de reconhecer o caráter injusto da conduta, sendo que os próprios profissionais especializados não conhecem a totalidade das incriminações. Ex: crimes ambientais e crimes tributários. Ex2: é difícil para o agente saber que é crime ter em depósito ou guardar madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem licença da autoridade competente (art. 46 da Lei 9.605/98). A crítica que Juarez Cirino faz à doutrina brasileira é que tem se suprimido quase que na totalidade as hipóteses de erro de proibição inevitável, ao argumento de que mesmo o agente não conhecendo a lei, ele deveria conhecer o caráter injusto da conduta. Segundo ele, essa postura tem mitigado muito o princípio da culpabilidade. 25 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Segundo o autor, oequívoco da literatura brasileira está na arbitrária oposição entre desconhecimento da lei e desconhecimento do injusto. Juarez Cirino afirma que esse raciocínio até se aplica pra o Direito Penal comum (ex: matar alguém, furtar, falsificar documento), já que mesmo não conhecendo a lei, todos sabem que essas condutas são reprováveis, por se referirem a direitos fundamentais. Assim, no Direito Penal comum, é possível ter (reflexão) e atingir (informação) o conhecimento da lei através do conhecimento do injusto. O problema está em aplicar esse raciocínio para o Direito Penal especial (ex: crimes ambientais), em especial quando a lei penal não reflete a moral (ex: não tem como alguém saber que é crime ter lenha em casa sem autorização, se alguém não contar isso para ela). Nessas situações, não pode a doutrina ignorar que o desconhecimento da lei confunde-se com o desconhecimento do caráter ilícito da conduta, razão pela qual, se a pessoa não conhece a lei, não tem como ela saber que a conduta é injusta. O que a doutrina brasileira tem feito é utilizar de situações do Direito Penal comum e aplicá-las ao Direito Penal especial ao argumento autoritário de que tinha a possibilidade de conhecer o caráter injusto da conduta. Segundo Juarez Cirino, isso criou um buraco negro no princípio da culpabilidade, no qual estão desaparecendo todos os casos de ignorância da lei determinantede inevitável desconhecimento do injusto. A confiança em informações da jurisprudência ou de profissionais do direito (ex: advogados) pode ser decisiva para a determinação da evitabilidade do erro: será caso de erro de proibição inevitável no caso de a conduta ser realizada de acordo com a jurisprudência unânime ou dominante dos tribunais e será caso de erro de proibição evitável no caso de divergência de tribunais de igual jurisdição. Da mesma forma, a confiança na orientação de advogados pode fundamentar o erro de proibição inevitável. Ex: um advogado tributarista que faz um parecer para um empresário afirmando que ele não precisa recolher determinado tributo. Nesse caso, ele não incidirá no crime tributário, por ser situação de erro de proibição inevitável. • Espécies de Erro de Proibição na Lei Penal Brasileira As espécies de erro de proibição na lei penal brasileira são: » Erro de proibição direto; » Erro de proibição indireto; 26 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA » Erro de tipo permissivo; • Excesso na legítima defesa por defeito de representação; • Excesso na legítima defesa por defeito emocional. » Erro de Proibição Direto O agente se equivoca quanto ao conteúdo de uma norma proibitiva, ele sabe o que faz, mas não sabe que a conduta é proibida, seja porque não conhece o conteúdo da norma (erro de proibição direto negativo) ou porque não entende o seu âmbito de incidência (erro de proibição direto positivo). - Ex: holandês habituado a consumir maconha no seu país de origem, fuma um cigarro de maconha no Brasil, desconhecendo que aqui é crime. - Ex2: o pescador que intencionalmente, em águas brasileiras, abate uma baleia, sem saber que comete o crime tipificado no art. 1º da Lei 7.643/87. Erro de Proibição Direto Positivo Erro de Proibição Direto Negativo Representação falsa da juridicidade Não representação da antijuridicidade Ex: sexo consentido com débito mental Ex: cidadão que sem instrução nenhuma que não constata que um fato é antijurídico. O erro de proibição direto pode incidir sobre a existência, validade ou significado da lei penal: • Erro de proibição direto sobre a existência da lei penal: é a modalidade mais comum do erro de proibição, em que o agente desconhece a lei penal. Ex: ignorando a tipificação do estupro de vulnerável, um jovem roceiro de 20 anos mantém relações sexuais com sua namorada de 13 anos. • Erro de proibição direito sobrea a validade da lei penal: o agente conhece a proibição, mas a considera inválida ou nula por contrariar direitos fundamentais ou princípios jurídicos superiores. Ex: o estudante de direito, convencido que o art. 28 da Lei de Drogas fere a garantia constitucional da privacidade, o princípio da legalidade e o princípio da alteridade. • Erro de proibição sobre o significado da lei penal: o agente conhece a proibição, mas incide em erro quanto a interpretação do tipo. Ex: erro de interpretação quanto às complexas leis tributárias. Nessas hipóteses de erro de proibição sobre o significado da lei penal, a confiança em informações especializadas ou em decisões judiciais pode ser determinante para se configurar o erro de proibição. » Erro de Proibição Indireto 27 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA No erro de proibição indireto (erro de permissão ou descriminante putativa por erro de proibição), o agente sabe que sua conduta é típica, mas supõe haver uma “barreira” que impede a sua punição. O objeto do erro de proibição indireto é o erro quanto a existência de uma causa de justificação inexistente no ordenamento e o erro quanto aos limites de uma causa de justificação. • Ex: marido traído, que acredita estar autorizado a matar sua mulher para proteger sua honra traída (supõe existir uma causa excludente da ilicitude). • Ex2: americano que sabe que maconha é proibida no Brasil, mas como está usando ela para tratamento médico, acredita que é permitido para isso (supõe agir dentro dos limites da descriminante). • Ex3: aquele que atira nas costas da pessoa que o furtou, acreditando estar agindo em legítima defesa (supõe estar agindo nos limites da descriminante). • Ex4: após prender um ladrão em flagrante, o cidadão comum causa lesão corporal no preso (supõe estar agindo nos limites da descriminante). Importante ressaltar, que mesmo para a teoria limitada da culpabilidade, o erro quanto a existência no ordenamento de uma causa de exclusão da ilicitude ou o erro quanto aos limites dessa descriminante configuram erro de proibição (indireto) e não erro de tipo. » Erro de Tipo Permissivo O erro de tipo permissivo tem por objeto a situação justificante porque consiste em representação errônea dos pressupostos objetivos da justificação. Ex: legítima defesa putativa. O erro sobre a situação justificante pode originar situações de excesso determinadas na dimensão intelectual ou por defeito na dimensão emocional das ações humanas. Excesso de legítima defesa por erro de representação: ocorre o excesso por defeito na dimensão intelectual da conduta, que configura erro de representação, pelo qual o agente representa como existente realidade inexistente. Ex: o agente continua uma agressão já cessada. Configura, erro de tipo permissivo, com imediata exclusão do dolo, podendo excluir também a imprudência, se evitável. A teoria limitada da culpabilidade equipara os efeitos do erro de tipo com os do erro de tipo permissivo. O excesso na legítima defesa por erro de representação pode ocorrer tanto na legítima defesa real, quanto na legítima defesa putativa: • Excesso na legítima defesa real por erro de representação: o excesso poderá ser extensivo ou 28 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA intensivo. • Excesso extensivo: o autor erra sobre a atualidade da agressão, que ainda não é atual (ex: disparo sobre o agressor que se preparava para uma agressão) ou já não é mais atual (ex: pontapés em um agressor que já está caído). • Excesso intensivo: o autor erra sobre a intensidade da agressão e, por isso, utiliza meio de defesa superior ao necessário (ex: disparo sobre o peito do agressor, quando bastava atirar em suas pernas). #Dica: “intensivo” lembra “intensidade”, motivo pelo qual no excesso intensivo o problema está na intensidade da defesa. • Excesso na legítima defesa putativa por erro de representação: trata-se de hipótese de duplo erro, pois o autor utiliza meio de defesa desnecessário por erro: 1º) Sobre a atualidade da agressão; e 2º) Sobre a intensidade da agressão. • Excesso na legítima defesa por defeito emocional → o excesso na legítima defesa real ou putativa por defeito na dimensão emocional ocorre quando o agente se excede por medo, susto ou perturbação (afetos astênicos/fracos), determinantes de descontrole psicomotor do sujeito. • Excesso na legítima defesa por erro de representação → configura descriminante putativa, erro de tipo permissivo (aplicando-se as mesmas regras); • Excesso na legítima defesa por defeito emocional → configura causa de exculpação, por inexigibilidade de conduta diversa. Nesse caso, não configura erro de tipo permissivo (o agente sabe o que está fazendo) e nem erro de proibição (agente sabe que não pode fazer isso), mas pode configurar hipótese de exculpação, por inexigibilidade de conduta diversa. Juarez Cirino coloca o excesso na legítima defesa por defeito emocional como causa legal de exculpação. O ódio e a ira (afetos estênicos/fortes) não são causas de exculpação. No caso dos excessos “normais”, em que não erro derepresentação e nem defeito emocional, há de se verificar se ele é doloso ou culposo, situações em que o agente responde pelo excesso (art. 23, parágrafo único, do CP). Quanto às consequências do excesso irá depender se ele é doloso ou culposo, se há um excesso 29 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA • Excesso doloso e culposo → agente responde pelo excesso (art. 23, parágrafo único, do CP); • Excesso por defeito na representação → configura erro de tipo permissivo (deve-se avaliar se o erro é vencível ou invencível); • Excesso por defeito emocional → é causa de exculpação, por inexigibilidade de conduta diversa. Coach, como tudo isso já foi explorado em concurso banca própria? Vejam um exemplo do MPSP: Qual a importância da passagem da Teoria Psicológica Normativa (Consciência atual da ilicitude) para a Teoria Normativa Pura (Consciência potencial da ilicitude)? #RELEMBRE: Teoria Psicológica Normativa Teoria Normativa Pura Elementos da Culpabilidade: a. Imputabilidade; b. Exigibilidade de Conduta Diversa; c. Culpa d. Dolo. Aqui, o dolo é normativo, sendo composto por: • Consciência; • Vontade; • Consciência Atual da Ilicitude. Elementos da Culpabilidade: a. Imputabilidade; b. Exigibilidade de Conduta Diversa; c. Potencial Consciência da Ilicitude; De acordo com a Teoria Psicológica Normativa, o Erro de Proibição (evitável ou inevitável) sempre exclui a culpabilidade, tendo em vista que não existe consciência atual da ilicitude no erro evitável e muito menos no erro inevitável (se o agente errou, não importa que seja erro evitável ou inevitável, simplesmente não há consciência atual da ilicitude). Portanto, de acordo com a teoria psicológica normativa, todo erro de proibição excluiria a culpabilidade. Por sua vez, de acordo com a Teoria Normativa Pura, somente o Erro de Proibição Inevitável exclui a potencial consciência da ilicitude e a culpabilidade. Tratando-se de Erro Evitável, a potencial consciência da ilicitude existe, não eliminando a culpabilidade, mas apenas reduzindo a pena. #EMSUMA por defeito na representação ou se há um excesso por um defeito emocional (caso de medo, susto ou perturbação). 30 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Teoria Psicológica Normativa Erro de Proibição sempre exclui a culpabilidade. Teoria Normativa Pura Erro de proibição: Inevitável: exclui a potencial consciência da ilicitude e, portanto, a culpabilidade. Evitável: existe a potencial consciência da ilicitude. O erro reduz a pena 3. EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA Para que surja a Culpabilidade não é suficiente que o sujeito seja imputável e tenha cometido o fato com possibilidade de lhe conhecer o caráter ilícito. Além dos dois primeiros elementos, exige-se que, nas circunstâncias de fato, o sujeito tivesse a possibilidade de realizar outra conduta em conformidade com o ordenamento jurídico. No dizer de Juarez Cirino, a normalidade das circunstâncias do fato é o fundamento concreto da exigibilidade de comportamento conforme o direito. Para fazer a análise do juízo de reprovação é necessário o seguinte procedimento: 1º) No momento do exame da normalidade das circunstâncias da ação, pressupõe-se um sujeito normal (com maturidade e sanidade psíquica necessários à configuração da imputabilidade). Trata-se do elemento da culpabilidade. 2º) O sujeito imputável conhecia o injusto do fato concreto ou teve a possibilidade de conhecê-lo (atual e potencial consciência da ilicitude); Trata-se do elemento do conhecimento do injusto. 3º) Além disso, o agente deve ter agido diante de um contexto de circunstâncias normais. Caso aja em circunstâncias anormais, pode haver situações de exculpação que excluem ou reduzem o juízo de exigibilidade de comportamento conforme o direito. Assim, a anormalidade das circunstâncias de fato pode conduzir à exculpação. Trata-se do elemento do exigibilidade de conduta diversa. Assim, a exigibilidade de conduta diversa determina que para haver reprovação social da conduta, não basta que o agente seja imputável e que tenha potencial consciência da ilicitude, mas também que as circunstâncias permitam ele atuar de acordo com o ordenamento jurídico. A exigibilidade de conduta diversa foi inserida na culpabilidade por Reinhart Frank, ao desenvolver a sua teoria da normalidade das circunstâncias concomitantes, criando a sua teoria psicológico-normativa da culpabilidade. Segundo Roxin, as situações de exculpação configuram casos de desnecessidade de prevenção geral ou especial, segundo a sua teoria dos fins da pena. O raciocínio é o seguinte: se a conduta da 31 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA pessoa se deu em situações que não eram as normais, quer dizer que qualquer pessoa agiria assim, não tendo motivos para ressocializar esse agente (ele agiu como qualquer outra pessoa agiria). A exigibilidade de conduta diversa é excluída pela coação moral irresistível ou pela obediência hierárquica. Há também as causas supralegais de exclusão da culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa. 3.1. Hipóteses Legais de Exclusão da Exigibilidade de Conduta Diversa (situações de exculpação): A. Coação Moral Irresistível: Requisitos: 1. COAÇÃO MORAL. Pessoal, atenção! A coação é MORAL! A coação FÍSICA exclui a conduta (e, portanto, o fato típico – primeiro substrato do crime). 2. IRRESISTÍVEL. Aqui também temos que ter #CUIDAD! Se a coação for RESISTÍVEL não há exclusão da culpabilidade, podendo, contudo, haver atenuação da pena. Não existe coação irresistível criada pela sociedade, mas somente por uma pessoa ou um grupo. Assim, não merece prosperar o argumento daquele que mata o amante de sua mulher que a sociedade o estava “pressionando”. Consequência: só se pune o autor da coação. B. Obediência Hierárquica: Art. 22 – Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. #PERGUNTA: Leopoldo pratica coação moral irresistível em face de Felipe, obrigando o coagido a matar Wendell. Qual crime pratica Leopoldo e qual crime pratica Felipe? Felipe é isento de pena (não é culpável, por inexigibilidade de conduta diversa). → Já Leopoldo pratica o Art. 121 do CP (homicídio na condição de autor mediato) + Art. 1º, I, “b”, da Lei nº 9.455/97 – Tortura (em concurso material). Não se pode olvidar da Tortura nesses casos de Coação Moral Irresistível, tendo em vista que a vítima do homicídio é uma, e a vítima da tortura é outra (o coagido). Art. 22 – Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não 32 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Requisitos: I. Ordem de superior hierárquico – É a manifestação de vontade do titular de uma função pública a um funcionário que lhe é subordinado, no sentido de realizar uma conduta positiva ou negativa. Galera, é necessário que haja uma subordinação pública (não pode ser subordinação eclesiástica, familiar, privada, etc.)! II. Ordem não manifestamente ilegal. Atenção: deve ser entendida segundo as circunstâncias do fato (caso concreto) e as condições de inteligência e cultura do subordinado. Consequência: só se pune o autor da ordem. Ordem ILEGAL Ordem LEGAL Ordem NÃO MANIFESTAMENTE ILEGAL O superior hierárquico e o subordinado serão responsabilizados penalmente. Osuperior hierárquico e o subordinado estão no estrito cumprimento do dever legal. O superior hierárquico responderá por crime na condição de autor mediato; O subordinado, por sua vez, é isento de pena (não é culpável). #ISSOÉUMPLUS Excesso na Legítima Defesa Real por Defeito Emocional O excesso na legítima defesa por defeito emocional ocorre quando há excesso na legítima defesa por defeito na dimensão emocional, que ocorre quando o agente se excede por medo, susto ou perturbação (afetos astênicos/fracos), determinantes de descontrole psicomotor do sujeito. Nesse caso, não configura erro de tipo permissivo (o agente sabe o que está fazendo) e nem erro de proibição (o agente sabe que não pode fazer isso), mas pode configurar hipótese de exculpação, por inexigibilidade de conduta diversa, já que não seria possível exigir que o agisse de forma diferente. Juarez Cirino coloca o excesso na legítima defesa por defeito emocional como causa legal de exculpação!!! O ódio e a ira (afetos estênicos/fortes) não são causas de exculpação. Do ponto de vista subjetivo, o excesso na legítima defesa pode ser consciente e inconsciente. manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. 33 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Segundo a doutrina dominante, admite-se o excesso inconsciente e o consciente como causas de exculpação por defeito emocional ao argumento de que há muita dificuldade em se distinguir dolo e culpa em uma situação de necessidade de ação rápida. Uma teoria minoritária só admite excesso inconsciente e, portanto, imprudente. Do ponto de vista objetivo, o excesso de legítima defesa pode ser intensivo ou extensivo. • O excesso intensivo é aquele em que o agente se vale dos meios desnecessários, problema na intensidade da ação (ex: disparo de arma de fogo, quando o emprego dos punhos era suficiente). • O excesso extensivo é aquele tem problema na atualidade da agressão, o agente faz uso imoderado de meio necessário. Aqui entra a discussão se o excesso extensivo seria crime autônomo ou se configura excesso. Dessa forma, podemos vislumbrar as seguintes hipóteses: • Excesso inconsciente determinado por medo, susto ou perturbação (afetos astênicos) → causa de exculpação; • Excesso consciente determinado por medo, susto, ou perturbação (afetos astênicos) → causa de exculpação; • Excesso consciente ou inconsciente por ódio ou ira (afetos estênicos) → fato punível; • Excesso consciente por achar que é necessária a legítima defesa → legítima defesa putativa. » Excesso na Legítima Defesa Putativa Por Defeito Emocional Segundo Juarez Cirino, o excesso na legítima defesa putativa também pode ser exculpado por defeito na dimensão emocional do tipo de injusto, determinado por medo, susto ou perturbação, na pessoa do autor (afetos fracos), mas não por ódio ou ira (afetos fortes). A doutrina majoritária não admite o excesso de legítima defesa putativa, com o seguinte argumento: se não existe situação justificante de legítima defesa real, então não existe limites suscetíveis a serem excedidos. Contudo, nada impede que iniciada a ação em legítima defesa real, que o excesso se dê por defeito na representação, situação que se equipara ao erro de tipo permissivo, aplicando-se as mesmas regras das discriminantes (trata-se excesso extensivo). Ex: A sem perceber que a agressão de B 34 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA cessou, continua a agredi-lo, acreditando que B ainda está o agredindo. Essa posição, contudo, é criticada pela doutrina minoritária, porque a representação errônea de agressão inexistente produz efeitos psíquicos iguais a representação correta de agressão existente: se a vítima simula agressão contra o autor, a representação errônea de agressão inexistente não impede a exculpação do excesso contra o falso agressor (nunca, porém, contra terceiro), porque a agressão aparente equivale a agressão real no psiquismo do agente. Pessoal, muita atenção a este tópico! Trarei aqui teorias sensíveis, mas que vocês não podem deixar de conhecer. Não fiquem com raiva de mim, a culpa é do examinador rsrsr. » Fato de Consciência O fato de consciência determina que estará isento de pena por inexigibilidade de conduta diversa aquele que praticar algum fato previsto como crime por motivo de sua consciência ou crença, mas desde que não viole direitos fundamentais. Segundo Juarez Cirino, o fato de consciência tem por objeto decisões morais ou religiosas, sentidas como deveres incondicionais vinculantes da conduta, em geral garantidos pela liberdade de crenças e consciência (art. 5º, VI, da CR). Ex: o pai testemunha de Jeová que não permite a transfusão de seu filho. Entretanto, se o filho morrer, o pai responderá penalmente, pois entre o bem jurídico liberdade de crença e o bem jurídico vida, deve-se prevalecer o último. » Provocação da Situação de Legítima Defesa Em princípio, a provocação da situação de legítima defesa não se trata de uma hipótese de exculpação, pois aquele que provoca a situação de legítima defesa “não tem o direito de se defender ”. Contudo, a doutrina moderna tem entendido, que quando o provocador não pode se desviar da ação de defesa do provocado (ex: fugindo do local), ele pode praticar ações contra o provocado, pois o Estado não pode exigir de ninguém a renúncia ao direito de viver, nem criar situações em que as únicas alternativas são ou morrer ou sofrer uma pena rigorosa (tratar-se-ia de um caso de inexigibilidade de conduta diversa). Ex: A começa a agredir B. Em razão disso, B está autorizado a exercer a legítima defesa contra A, por estar sofrendo uma agressão injusta. B saca uma arma para atirar contra A. Contudo, A pega uma arma antes e mata B. Nesse caso, A não estava em legítima defesa, pois a agressão de B era justa, pois foi agredido primeiro. Contudo, A estará em inexigibilidade de conduta diversa, pois ele não é obrigado a morrer. SITUAÇÕES DE EXCULPAÇÃO SUPRALEGAIS 35 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA » Desobediência Civil Aqui não vamos perder muito tempo, pois é um exemplo mais manjado que a derrota do Brasil para a Alemanha rsrs. A desobediência civil representa atos de insubordinação que têm por finalidade transformar a ordem estabelecida, demonstrando sua injustiça e necessidade de mudança. A desobediência civil trata-se do direito de qualquer cidadão de protestar, de forma pública e não violenta, movida por ideias ético-políticos, contra graves injustiça. Ex: invasões, ocupações, bloqueios de rodovias. » Conflito de Deveres O conflito de interesses ou conflito de deveres é o que se chama de escolha do menos mal. Trata-se de hipótese de exclusão da culpabilidade, por inexigibilidade de conduta diversa, pois em situações adversas não era razoável que se exigisse do agente outro tipo de comportamento. Ex: diante de graves dificuldades enfrentadas pelas empresas, o empresário sonega impostos para conseguir pagar os empregados. Ex2: para evitar colisão com trem de passageiros, determinando a morte de muitos, funcionário da ferrovia desvia trem de carga desgovernado para trilho diferente, causando morte certa de alguns trabalhadores. Juarez Cirino afirma que as situações de conflitos de deveres são ainda mais relevantes no contexto de condições sociais adversas que vivem muitos brasileiros. Ex: o pai que tem que furta para alimentar seus filhos ou manda que seus filhos peçam dinheiro no sinal. Nessas condições, os critérios normaisde valoração do comportamento individual devem mudar, utilizando pautas excepcionais de inexigibilidade para fundamentar hipóteses supralegais de exculpação como conflito de deveres, porque, afinal, o direito é regra da vida. Concluindo, se a motivação anormal da vontade em condições sociais adversas, insuportáveis e insuperáveis pelos meios convencionais pode configurar situação de conflito de deveres jurídicos, então o conceito de inexigibilidade de conduta diversa encontra, no flagelo real das condições sociais adversas que caracteriza a vida do povo das favelas e bairros pobres das áreas urbanas, a base de uma nova hipótese de exculpação supralegal, igualmente definível como escolha do mal menor, até porque, em situações em alternativas, não existe espaço para culpabilidade. #OLHAOGANCHO Teoria da Coculpabilidade → A teoria da coculpabilidade foi criada por Zaffaroni, e parte da ideia que na vida nem todas as pessoas possuem as mesmas oportunidades (educação, cultura, 36 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA lazer, afeto, família). A coculpabilidade significa concorrências de culpabilidades, de forma que as pessoas excluídas e marginalizadas pela família, sociedade, pelo Estado, o caminho do crime é muito mais sedutor. Entende-se que essas pessoas possuem um menor grau de autodeterminação. Assim, a sociedade, o Estado e a família também possuem culpabilidade naquele crime praticado. Essa teoria não exclui a culpabilidade, mas prevê uma concorrência de culpabilidades. No Brasil essa teoria não possui previsão legal, é uma construção doutrinária. Essa teoria pode ser adotada no Brasil? Há doutrina que sustenta que essa teoria pode ser adotada no Brasil como atenuante genérica inominada (art. 66 do CP). Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não prevista expressamente em lei. A atenuante é favorável ao réu e, portanto, não precisa estar prevista em lei. Entretanto, o STJ não tem admitido a aplicação da teoria da coculpabilidade (STJ, HC 172.505/ MG/2011 e HC 187.132/MG/2013). Teoria da Vulnerabilidade → Luiz Flávio Gomes prefere falar em teoria da vulnerabilidade, entendendo ele que quem conta com alta vulnerabilidade, que é o caso de quem não tem instrução, nem status, nem condições de pagar advogado, nem família, nem diploma, etc, teria a culpabilidade reduzida, de forma que essas circunstâncias levariam à redução da pena. Ufa, está acabando, prometo! Pessoal, vamos agora ver um #RESUMODORESUMO? Elementos da Culpabilidade Causas de Exclusão (Dirimentes) IMPUTABILIDADE a) Anomalia Psíquica; b) Menoridade. (Rol Taxativo!) c) Embriaguez acidental completa. POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE. Erro de Proibição Inevitável. (Hipótese Taxativa!) EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA. a) Coação Moral Irresistível; b) Obediência Hierárquica. #RESPONDAESSA: aqui também estamos diante de um Rol Taxativo? Não! O legislador não tem como prever todas as hipóteses de exigibilidade de conduta diversa. Como vimos, podemos concluir que existem causas supralegais de Inexigibilidade de Conduta 37 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA Diversa, e, automaticamente, da culpabilidade. Desta forma, a Inexigibilidade de Conduta Diversa é a porta de entrada das causas supralegais de exclusão da culpabilidade. Bem amigos, por hoje é isso. Vamos treinar bem e gabaritar penal!Abraços. “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.” Cora Coralina #FAMÍLIACICLOS #JUNTOSATÉAPOSSE! #VÁALÉM. O que é Culpabilidade Funcional? Trata-se da Culpabilidade para Claus Roxin. Para ele, o crime consiste no Fato Típico + Ilícito + Reprovável. Este último elemento, “reprovabilidade”, é composto pela “Imputabilidade” + “Potencial Consciência da Ilicitude” + “Exigibilidade de Conduta Diversa” + “Necessidade da Pena” = Culpabilidade Funcional → Que funcionaria como um limite da pena. CICLOS RETA FINAL MP/PR FICA A DICA CICLOS RETA FINAL MP/PR (1) FICA A DICA 1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS: CICLOS RETA FINAL MP/PR (2) FICA A DICA CICLOS RETA FINAL MP/PR (3) FICA A DICA » Sistema Clássico → teoria psicológica; » Teoria do poder agir diferente; CICLOS RETA FINAL MP/PR (4) FICA A DICA » Teoria do defeito de motivação; CICLOS RETA FINAL MP/PR (5) FICA A DICA 1. IMPUTABILIDADE (Capacidade de culpabilidade) = ENTENDIMENTO + AUTODETERMINAÇÃO #VAMOSCOMPARAR: #TABELASALVAVIDAS. 1.1. Critérios de Imputabilidade: 1.2. Hipóteses de Inimputabilidade: CICLOS RETA FINAL MP/PR (6) FICA A DICA CICLOS RETA FINAL MP/PR (7) FICA A DICA CICLOS RETA FINAL MP/PR (8) FICA A DICA b) Inimputabilidade em razão da menoridade. c) Inimputabilidade em razão de embriaguez completa proveniente de Caso Fortuito ou Força Maior. CICLOS RETA FINAL MP/PR (9) FICA A DICA CICLOS RETA FINAL MP/PR (10) FICA A DICA CICLOS RETA FINAL MP/PR (11) FICA A DICA CICLOS RETA FINAL MP/PR (12) FICA A DICA » Emoção e paixão; CICLOS RETA FINAL MP/PR (13) FICA A DICA CICLOS RETA FINAL MP/PR (14) FICA A DICA CICLOS RETA FINAL MP/PR (15) FICA A DICA CICLOS RETA FINAL MP/PR (16) FICA A DICA 2. POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE 2.1. Hipótese única de exclusão da Potencial Consciência da Ilicitude: CICLOS RETA FINAL MP/PR (17) FICA A DICA 2.2. Consequências do erro de proibição: CICLOS RETA FINAL MP/PR (18) FICA A DICA CICLOS RETA FINAL MP/PR (19) FICA A DICA CICLOS RETA FINAL MP/PR (20) FICA A DICA • Espécies de Erro de Proibição na Lei Penal Brasileira » Erro de proibição direto; » Erro de Proibição Indireto O objeto do erro de proibição indireto é o erro quanto a existência de uma causa de justificação inexistente no ordenamento e o erro quanto aos limites de uma causa de justificação. » Erro de Tipo Permissivo dimensão intelectual ou por defeito na dimensão emocional das ações humanas. • Excesso na legítima defesa real por erro de representação: o excesso poderá ser extensivo ou • Excesso na legítima defesa por defeito emocional → configura causa de exculpação, por inexigibilidade de conduta diversa. • Excesso por defeito emocional → é causa de exculpação, por inexigibilidade de conduta diversa. #EMSUMA CICLOS RETA FINAL MP/PR (21) FICA A DICA 3.1. Hipóteses Legais de Exclusão da Exigibilidade de Conduta Diversa (situações de exculpação): B. Obediência Hierárquica: #ISSOÉUMPLUS CICLOS RETA FINAL MP/PR (22) FICA A DICA • Excesso inconsciente determinado por medo, susto ou perturbação (afetos astênicos) → causa de exculpação; CICLOS RETA FINAL MP/PR (23) FICA A DICA Pessoal, muita atenção a este tópico! Trarei aqui teorias sensíveis, mas que vocês não podem deixar de conhecer. Não fiquem com raiva de mim, a culpa é do examinador rsrsr. » Provocação da Situação de Legítima Defesa CICLOS RETA FINAL MP/PR (24) FICA A DICA » Desobediência Civil » Conflito de Deveres #OLHAOGANCHO CICLOS RETA FINAL MP/PR (25) FICA A DICA #FAMÍLIACICLOS #JUNTOSATÉAPOSSE!