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CULPABILIDADE1 
Olá meus amigos, tudo em paz? Reta final MP-PR, é hora de nos ligarmos em alguns pontos de 
destaque! Temos que ter muito cuidado com determinados temas conceituais, sobretudo em Direito 
Penal, para não cairmos em “ciladas”. 
Hoje vamos enfatizar um tema importantíssimo para as provas de Ministério Público, sobretudo no 
Estado do Paraná, quem já demonstrou ter predileção por este tópico. Pessoal, como eu já havia alertado 
no Raio-X de Direito Penal, teremos 17 questões da matéria, e se trata de uma disciplina crucial para a 
futura carreira que vocês em breve irão abraçar. Aliado a isto, temos que enfocar os pontos com base no 
escólio do professor Juarez Cirino, cujos ensinamentos têm sido um espelho das provas do MPPR. Então 
vamos aprofundar um pouco mais alguns assuntos. 
Nesse contexto, por ser conhecido pelo seu aprofundamento em alguns tópicos da parte geral, 
vamos tentar fixar conceitos importantes sobre um ponto do qual podem ser extraídas inúmeras 
questões. Isso porque, “Culpabilidade” é um tema que apresenta muitas teorias e polêmicas, de modo 
que a compreensão da matéria irá ajudá-los a rever vários conceitos primordiais nessa reta final! 
Saúde, sorte e sucesso! #BORALÁ. 
 
 
1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS: 
Pessoal, existem duas posições acerca do conceito de crime: 
• Uma primeira corrente entende que a Culpabilidade não integra o conceito de crime (posição de 
Damásio de Jesus e Luiz Flávio Gomes); 
• A outra posição insere a Culpabilidade nesse conceito (posição Clássica e majoritária). 
Vamos analisar cada uma delas? #SIMBORAÊ. 
1ª Corrente – Teoria Bipartida. A Culpabilidade não integra o crime. Objetivamente, para a 
existência do crime, é dispensável a culpabilidade. O crime existe por si com os requisitos Fato Típico e 
Ilicitude. Contudo, o crime só será ligado ao agente se este for culpável. Conclusão: a Culpabilidade é um 
juízo de reprovação, mero pressuposto de aplicação da Pena. 
 
1 Por Eduardo Kelson. 
CULPABILIDADE: É OU NÃO O 3º SUBSTRATO DO CRIME? 
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Um dos principais argumentos desta corrente consiste no fato de que quando se está diante de 
causas de exclusão do Fato Típico e da Ilicitude a lei diz “não há crime”, demonstrando a imprescindibilidade 
de tais elementos para o conceito de Crime. 
No entanto, quando se está diante de Causas de Exclusão da Culpabilidade, a lei já não fala mais que 
“não há crime”, preferindo dizer que o agente é “isento de pena”, dando a entender que a Culpabilidade 
não é indispensável para a existência do crime, e sim para a aplicação da pena (existiria crime, só que a 
pena não seria aplicada. Seria uma espécie de crime sem reprovação, o que é considerado um absurdo 
para a teoria tripartida). 
2ª Corrente – Teoria Tripartida – Prevalece. A Culpabilidade Integra o crime sendo seu terceiro 
substrato. É um Juízo de censura/reprovação, extraído da análise de como o sujeito ativo se posicionou 
pelo seu “conhecimento e querer ”, diante do episódio com o qual se envolveu. A Teoria Tripartida não 
admite crime sem reprovação. 
Ou seja, a principal crítica que esta corrente faz à teoria bipartida é que adotar o entendimento 
anterior seria conceber a possibilidade de haver crime sem que necessariamente também houvesse um 
juízo de censura (conceito de culpabilidade dado pela corrente bipartida). Ora! Ou é crime e é censurável, 
ou não é censurável e não deve ser considerado crime. 
E o que o Professor Juarez Cirino ensina sobre o ponto? 
Conforme nos ensina Juarez Cirino, a dogmática contemporânea trabalha com duas categorias 
elementares do fato punível: tipo de injusto e a culpabilidade. 
Segundo o referido autor, atualmente, a doutrina alemã está dividida entre aqueles que são 
bipartidos e tripartidos. No Brasil, o modelo tripartido é dominante, como já mencionado. 
#FOCONOMPPR: A crítica feita à corrente bipartida pelo professor Juarez Cirino, é que todos 
os “requisitos” ou “elementos” do crime são pressupostos da pena, não havendo qualquer razão para 
isolar a culpabilidade como único pressuposto da pena. Além do mais, essa corrente confunde crime 
como tipo de injusto que, em conjunto com a culpabilidade, constitui o conceito de fato punível, na 
moderna teoria do Direito Penal. 
#OLHAOTERMO Ao invés de ficar chamando de crime, Juarez Cirino usa a expressão fato punível. 
 
 
Galera, vamos estudar as seguintes Teorias da Culpabilidade: teoria Psicológica, Psicológica Normativa, 
Teoria Normativa Pura Extremada e, por fim, Teoria Normativa Pura Limitada. #VAMOSDETABELA. 
TEORIAS DA CULPABILIDADE 
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Teoria → Psicológica: 
Von Lizt, Belling e 
Radbruch - É o vínculo 
psicológico entre autor 
e resultado, na forma de 
dolo ou culpa, de modo 
que eles se confundiam 
com o conceito de 
culpabilidade 
• Tem base Causalista. 
• Espécies de Culpabilidade: 
a) Dolo (Querer ou Aceitar); 
b) Culpa (Negligência em sentido amplo). 
» Dolo e Culpa são Espécies da Culpabilidade (Dica → tudo que 
tiver a palavra “psicológica” é porque o dolo e a culpa estão na 
culpabilidade (psicológica e psicológico-normativa): 
» Culpabilidade Dolo. 
» Culpabilidade Culpa. 
• A culpabilidade só possuía dois elementos: 
- Imputabilidade; 
- Dolo (normativo) ou culpa (relação psicológica do autor com o 
fato). 
» Dolo Normativo (dolo colorido ou dolo híbrido) → é aquele 
dolo que guarda em seu interior a atual consciência da ilicitude. 
• Crítica: colocar dois fenômenos tão distintos como espécies do 
mesmo gênero (dolo e culpa). 
 
 
 
 
 
 
Teoria 
Psicológica Normativa. 
Surgiu em 1908 na 
Alemanha e foi defendida 
por Reinhart Frank (1907) 
• Tem base Neokantista. 
• Não enxerga espécies na culpabilidade, mas elementos. Assim, 
continua-se a encontrar Dolo e Culpa na Culpabilidade, mas 
agora como elementos próprios (e não mais como espécies). Essa 
teoria continua sendo “psicológica”, pois assim como a teoria 
psicológica, também coloca a imputabilidade e o dolo e a culpa 
como elementos da culpabilidade, mas também coloca um terceiro 
elemento normativo, que é a exigibilidade de conduta diversa. 
#EMSUMA: para a Teoria Psicológica Normativa, a Culpabilidade não 
tem espécies. Enriquecem-se os Elementos. 
• Elementos da Culpabilidade: 
a) Imputabilidade; 
b) Exigibilidade de CondutaDiversa ( Normalidade das 
circunstâncias concomitantes quando a teoria foi desenvolvida, 
a exigibilidade de conduta diversa era chamada de normalidade 
das circunstâncias concomitantes, que depois passou a ser 
chamada de motivação normal) 
c) Dolo; 
d) Culpa. 
• Dolo, elemento da culpabilidade, é constituído de: Consciência + 
Vontade + Consciência Atual da Ilicitude (Elemento Normativo = 
Dolo Normativo). 
• Crítica: manteve o dolo e culpa na culpabilidade. 
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Teoria Normativa 
• Tem base Finalista; 
• O Dolo e a Culpa saem da Culpabilidade, migram para o Fato 
Típico, mais precisamente para a Conduta (e nunca mais voltam). 
• Aqui o Dolo é Natural (sem a consciência da ilicitude, sem o 
elemento normativo). É constituído de: 
» Consciência; 
» Vontade. 
Portanto, não se fala mais em Dolo Normativo, mas sim em Dolo 
Natural. 
• Elementos da Culpabilidade: 
a) Imputabilidade; 
b) Exigibilidade de Conduta Diversa; 
c) Potencial Consciência da Ilicitude 
Pura (Extremada da 
Culpabilidade). 
Defendida por Hans 
Welzel → em 1930 na 
Alemanha 
Teoria Normativa 
Pura (Limitada da 
Culpabilidade). 
Notem: A teoria normativa 
pura se subdivide na teoria 
normativa extremada e 
teoria limitada. Para ambas 
as teorias os elementos 
 
 
 
• Tem base Finalista. 
• Elementos da Culpabilidade: aqui Culpabilidade tem os mesmos 
elementos da teoria extremada. 
a) Imputabilidade; 
b) Exigibilidade de Conduta Diversa 
c) Potencial Consciência da Ilicitude 
• Difere da vertente Extremada apenas quanto ao tratamento das 
Descriminantes Putativas sobre a Existência de Situação Fática. 
Isso porque, para a Teoria Extremada, o Art. 20, § 1º, CP2, é um 
Erro de Proibição. Para a Teoria Limitada é Erro de Tipo; 
• Assim, Teoria Limitada da Culpabilidade é um melhoramento 
promovido na vertente Extremada. Foi um melhoramento 
necessário já que a vertente Extremada equiparava a descriminante 
putativa Sobre Situação Fática (Art. 20, §1º) a uma espécie de Erro 
de Proibição, quando em verdade é Erro de Tipo. 
• Adotada no Brasil. 
#DICA: BRASILIMITADA 
da culpabilidade são os 
mesmos (imputabilidade, 
potencial consciência da 
ilicitude e exigibilidade de 
conduta diversa), o que irá 
mudar é o tratamento das 
descriminantes putativas. 
Para a teoria limitada 
da culpabilidade as 
descriminantes putativas 
caracterizam mais uma 
hipótese de erro de 
tipo e para a teoria 
normativa extremada da 
culpabilidade (ou somente 
teoria normativa pura) 
caracterizam uma hipótese 
de erro de proibição. 
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Meus amigos, precisamos aprofundar mais um pouco, pois o que está escrito até aqui não nos 
diferenciará da multidão. Acontece que somos #FAMILIACICLOS, e precisamos dizer a que viemos! Então, 
olha esse #PLUS: 
Em resumo, vimos até agora que as teorias da culpabilidade para cada sistema penal são: 
» Sistema Clássico → teoria psicológica; 
» Sistema Neoclássico → teoria psicológica-normativa; 
» Sistema Finalista → teoria normativa pura. 
Mas é importante definirmos um Conceito de Culpabilidade sob a ótica material. Como 
assim? 
Hoje, a tese da culpabilidade como fundamento da pena, foi substituída pela tese da culpabilidade 
como limitação do poder de punir, com a troca de uma função metafísica, para uma função política 
de garantia da liberdade individual. 
A definição de culpabilidade como limitação do poder de punir contribui para redefinir a 
dogmática penal como sistema de garantias do indivíduo em face do Poder Punitivo do Estado, capaz 
de excluir ou reduzir a intervenção estatal na esfera de liberdade do cidadão. 
As principais teorias desenvolvidas para definir o conceito material de culpabilidade foram: 
» Teoria do poder agir diferente; 
» Teoria da atitude jurídica reprovada ou defeituosa; 
» Teoria da responsabilidade pelo próprio caráter; 
 
2 Art. 20. (...). 
Descriminantes putativas (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente 
justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena 
quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 
2#ATENÇÃO! A consciência atual da ilicitude que está dentro do dolo (como elemento da 
culpabilidade na Teoria Psicológica Normativa), transforma-se na potencial consciência da ilicitude, 
figurando como elemento autônomo da culpabilidade na Teoria Normativa Pura. 
#MAISATENÇÃO. #MUITOIMPORTANTE. Dentro da Teoria Normativa Pura temos duas Correntes 
(Teoria Extremada e Teoria Limitada) que discutem a natureza jurídica das descriminantes putativas 
sobre pressupostos fáticos (prevalece a Teoria Limitada). 
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» Teoria do defeito de motivação; 
» Teoria da dirigibilidade normativa. 
A teoria do poder agir diferente, sob a ótica material do conceito de culpabilidade, desenvolvida 
por Welzel e Kaufmann, trata-se da teoria dominante na doutrina, que fundamenta a reprovação da 
culpabilidade no poder agir de outro modo. 
Nessa teoria, o autor é reprovado porque se decidiu pelo injusto, mesmo podendo ter decidido 
agir de forma correta. 
A base interna do poder do autor reside na atribuída capacidade de livre decisão, que assume como 
verdade a hipótese indemonstrável da liberdade de vontade, de início em perspectiva concreta (o poder 
de agir diferente atribuído ao autor individual é indemonstrável) , depois em perspectiva abstrata (o poder 
de agir diferente é atribuído a uma pessoa imaginária colocada no lugar do autor real). 
 
 
Galera, os elementos da culpabilidade são: 
1. Imputabilidade; 
2. Potencial Consciência da Ilicitude; 
3. Exigibilidade de Conduta Diversa. 
 
ELEMENTOS DA CULPABILIDADE 
#DEOLHONOGANCHO. A Culpabilidade é do Fato ou é do Autor? 
Zaffaroni (corrente majoritária) afirma que a Culpabilidade é objetiva, pressuposto de Direito Penal 
do Fato e não do autor (associar a culpabilidade ao agente seria analisar este fenômeno sob a ótica 
do direito penal do autor). Portanto, a Culpabilidade só pode ser do Fato. 
Para Rogério Sanches, porém, trata-se de uma Culpabilidade Subjetiva, já que Todos os Elementos da 
Culpabilidade (Imputabilidade, Potencial Consciência da Ilicitude e Exigibilidade de Conduta Diversa) 
dizem respeito ao Autor, e não ao Fato. O Direito Penal permanece sendo do Fato (incriminam-se 
condutas e não pessoas), mas a Reprovação recai sobre a Pessoa do Fato. 
Na lição de Francisco de Assis Toledo, existem correntes moderadas, no sentido de predominar o 
Direito Penal do Fato, mas levando também em consideração o seu Autor. A comprovação disso se 
dá ao analisarmos as Leis Penais, que tipificam fatos (modelo de conduta proibida) e não o perfil 
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1. IMPUTABILIDADE (Capacidade de culpabilidade) = ENTENDIMENTO + 
AUTODETERMINAÇÃO 
Imputabilidade consiste na Capacidade de Imputação. Ou seja, a possibilidade de se atribuir a 
alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal. É o conjunto de condições pessoais que 
conferem ao sujeito ativo a capacidade de discernimento e compreensão para entender seus atos e 
determinar-se conforme esse entendimento. 
#CUIDADO: Nem todo capaz na esfera Civil é imputável na esfera Penal. Ex.: Menorcasado 
(emancipado) é capaz no âmbito civil, mas permanece inimputável no campo penal. 
#VAMOSCOMPARAR: #TABELASALVAVIDAS. 
 
Direito Civil Direito Penal 
Capaz Imputável 
Incapaz Inimputável 
 
#VÁALÉM. #BOTAPRAFERVER. OCódigo Penal traz oconceito de Imputabilidade? Não. Sem definir 
o que seja Imputabilidade (conceito positivo), o Código Penal enumera as hipóteses de Inimputabilidade 
(conceito negativo). Assim, o critério legal para determinar a capacidade de culpabilidade é negativo, 
funcionado como regra/exceção: o Estado presume a capacidade de culpabilidade dos maiores de 18 
anos, e excluí ou reduz em hipóteses de psicopatologias constitucionais ou adquiridas. 
1.1. Critérios de Imputabilidade: 
psicológico do autor. Porém, condições ou qualidades do autor também são consideradas dentro 
do quadro de punibilidade do fato, como a personalidade e os antecedentes criminais, utilizados 
como critérios na aplicação da pena. 
# OLHONOSTERMOS: Para Juarez Cirino, a estrutura do conceito de culpabilidade é constituída 
por um conjunto de elementos capazes de explicar por que o sujeito é reprovado. 
A estrutura da culpabilidade pode ser assim definida: 
- Capacidade de culpabilidade (inimputabilidade); 
- Conhecimento do injusto (potencial consciência da ilicitude); 
- Exigibilidade de conduta diversa. 
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1º) CRITÉRIO BIOLÓGICO: Leva em consideração apenas o desenvolvimento mental do agente. 
Esse foi o critério adotado pelo Art. 27 do CP3 (menoridade). → OBS.: Não importa a capacidade de 
entendimento e autodeterminação do agente no momento da conduta. 
2º) CRITÉRIO PSICOLÓGICO: Galera, o critério psicológico é exatamente o oposto do Biológico. 
Aqui, o que importa é tão somente a capacidade de entendimento e autodeterminação do agente no 
momento da conduta. → OBS.: Não importa o seu desenvolvimento mental. 
3º) CRITÉRIO BIOPSICOLÓGICO: É uma mescla do critério Biológico com o critério Psicológico. 
Leva em conta não somente o desenvolvimento mental do agente, mas também a sua capacidade de 
entendimento e autodeterminação no momento da conduta. Esse foi o critério adotado pelo Art. 26, 
caput, do CP4 (Inimputabilidade em razão de anomalia psíquica) e também pelo Art. 28, § 1º, do CP5 
(inimputabilidade em razão de embriaguez proveniente de caso fortuito ou força maior). 
1.2. Hipóteses de Inimputabilidade: 
a) Inimputabilidade em razão de anomalia psíquica. 
Art. 26 – É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto 
ou retardado (Critério Biológico), era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender 
o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento (Critério Psicológico). 
Adotou-se, aqui, o Critério Biopsicológico (Critério Biológico + Psicológico). 
Art. 26. (...) 
Parágrafoúnico– Apenapode ser reduzida deumadois terços, se oagente, em virtude deperturbação 
de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de 
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
#PERGUNTA: #VÁALÉM: O que se entende por Doença Mental? A Doença Mental deve ser tomada 
em sua maior amplitude e abrangência, isto é, qualquer enfermidade que venha a debilitar as funções 
psíquicas. 
 
3 Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na 
legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 
 
4 Inimputáveis. Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar- 
se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 
 
5 Art. 28. (...).§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, 
era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de 
acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 
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Deve-se incluir também as doenças mentais de origem toxicológica. 
Para que haja a exclusão da culpabilidade é necessário que essa doença exista no momento do 
crime e que o agente não tenha capacidade de entendimento. 
O doente mental que pratica o crime durante um intervalo de lucidez é imputável (critério 
biopsicológico). Ofato de o Brasilter adotado o critério biopsicológico para verificação da inimputabilidade 
significa que: 
1º) O perito realiza exame biológico, para saber a respeito da existência de problema ou 
anomalia mental; 
2º) Concluindo pela existência de doença mental, juiz afere a parte psicológica, isto é, se no 
momento da prática do crime o agente tinha ou não capacidade de determinação. 
Há uma junção de tarefas, de forma que o magistrado não pode decidir sobre a imputabilidade ou 
inimputabilidade do acusado sem a colaboração técnica do perito. 
O que acontece com o Inimputável? Pessoal, vamos analisar o seguinte esquema: 
 
 
No Brasil foi banido o Sistema do Duplo Binário (dois trilhos ou dupla via), por meio do qual o Juiz 
podia aplicar pena e medida de segurança cumulativamente ao Inimputável (e também ao Imputável). 
Atualmente, vigora o SISTEMA VICARIANTE, por meio do qual o Juiz só pode aplicar pena OU 
Medida de Segurança. Ou uma ou outra, isto é, a aplicação é alternativa. No caso do Inimputável, somente 
Medida de Segurança. 
Assim, como o sistema adotado entre nós é o VICARIANTE, concluímos que o esquema de sanções 
penais pode ser resumido da seguinte forma: 
 
IMPUTÁVEIS PENA 
INIMPUTÁVEIS MEDIDA DE SEGURANÇA 
SEMI-IMPUTÁVEIS PENA OU MEDIDA DE SEGURANÇA. 
Inquérito Policial (IP)  Denúncia  Processo  Absolvição Imprópria. 
+ 
Medida de Segurança. 
(Pressupõe o Devido Processo Legal). 
12 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 
 
 
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O Juiz tem que receber a denúncia, não pode absolver sumariamente em virtude da Inimputabilidade 
(Art. 397, II, do CPP6), ressalvado o caso do Tribunal do Júri quando a Inimputabilidade for a única tese 
defensiva (Art. 415, parágrafo único, do CPP7). 
Todo esse procedimento tem que ser observado porque a Medida de Segurança é uma espécie 
de sanção penal, e, desse modo, é evidente que para a sua aplicação se faz imperiosa a observância do 
Devido Processo Penal. 
 
 
O que acontece com o semi-imputável (são também conhecidos como imputabilidade 
diminuída ou culpabilidade diminuída - Juarez Cirino chama de capacidade relativa de 
culpabilidade)? 
Aqui a condenação interrompe a prescrição e serve como título executivo. 
#QUESTÃODEPROVA: A semi-imputabilidade (responsabilidade penal diminuída) é compatível 
com agravantes, causas de aumento e qualificadoras subjetivas (ligadas ao motivo do crime ou ao 
estado anímico do agente)? 
» 1ª Corrente – Majoritária – MP: SIM! É COMPATÍVEL, pois a semi-imputabilidade NÃO Interfere no 
Dolo. Ex.: Maníaco do Parque. 
 
6 Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente 
o acusado quando verificar: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). 
(...). 
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; (Incluído pela Lei nº 
11.719, de 2008). 
 
7 Art. 415. (...). Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV docaput deste artigo ao caso de inimputabilidade 
prevista no caput do art. 26 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, salvo quando esta for a 
única tese defensiva. (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008) 
#DEOLHONOGANCHO. A absolvição imprópria NÃO serve como título executivo e NÃO Interrompe 
a Prescrição. 
#CUIDADO. #NÃOCONFUNDA. O Art. 26, parágrafo único, do CP, não traz hipótese de 
Inimputabilidade. É caso de responsabilidade penal diminuída (semi-imputável). 
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» 2ª Corrente – Minoritária – Defensoria: A semi-imputabilidade é incompatível com as circunstâncias 
subjetivas. 
b) Inimputabilidade em razão da menoridade. 
Segundo o art. 27, CP: 
 
 
Adotou-se aqui o critério biológico. O art. 228, CRFB 88, por sua vez, enuncia que: 
 
 
#VÁALÉM. #DEOLHONOGANCHO. A escolha da Idade para menoridade segue postulado 
científico ou política criminal? O Art. 228 da CF e o Art. 27 do CP seguem a política criminal e não 
postulados científicos. Tanto é assim que o Art. 5º, § 5º, da CADH (Pacto San José da Costa Rica)8 fala 
apenas em “menores” deixando para cada país definir a maioridade, de acordo com sua Política Criminal. 
#QUESTÃODEPROVA. Um menor de 18 anos pode ser processado e julgado perante o Tribunal 
Penal Internacional? Não! Segundo o Estatuto de Roma: 
 
 
c) Inimputabilidade em razão de embriaguez completa proveniente de Caso Fortuito ou 
Força Maior. 
• Caso Fortuito: ocorre quando o agente ignora (desconhece) o caráter inebriante da substância que 
ingere. 
• Força Maior: o agente é obrigado a ingerir a substância inebriante. 
 
 
8 Art. 5º, § 5º, da CADH: 5. Os menores, quando puderem ser processados, devem ser separados dos adultos e conduzidos 
a tribunal especializado, com a maior rapidez possível, para seu tratamento. 
Art. 27 – Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas 
estabelecidas na legislação especial. 
Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação 
especial. 
Art. 26. O Tribunal não terá jurisdição sobre pessoas que, à data da alegada prática do crime, não 
tenham ainda completado 18 anos de idade. 
Art. 28. (…). § 1º – É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso 
fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o 
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Adotou-se o Critério Biopsicológico (não basta estar embriagado). 
Embriaguez: é a intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool ou substância de efeitos 
análogos, podendo progredir de uma ligeira excitação até o estado de paralisia e coma. 
#OLHAOGANCHO: Se a embriaguez for oriunda de drogas, deve-se aplicar o art. 45 da Lei 11.343/06. 
 
 
A embriaguez pode ser classificada em:91 0 
 
Embriaguez (Origem) Grau 
ACIDENTAL. 
• Caso Fortuito: quando o agente desconhece o 
efeito inebriante da substância que injeta. 
• Força Maior: quando o agente é obrigado 
a ingerir a substância. Ex.: uma mulher foi 
sequestrada e no local do cativeiro foi forçada 
a ingerir a droga. Ela conseguiu fugir em um 
carro e atropelou uma pessoa. 
• Completa: retira a capacidade de entendimento 
e autodeterminação no momento da conduta. 
Exclui a Imputabilidade (Isenta de Pena). Art. 28, 
§1º, CP9. 
• Incompleta: somente reduz a capacidade 
de entendimento e de autodeterminação no 
momento da conduta (semi-imputabilidade. 
Responsabilidade penal diminuída de 1/3 a 
2/3). Art. 28, §2º, CP10. 
 
 
 
 
9 Art. 28. (...). § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, 
era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de 
acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 
 
10 Art. 28. (...). § 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito 
ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou 
de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 
Art. 45. É isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o efeito, proveniente 
de caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer que 
tenha sido a infração penal praticada, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do 
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
Parágrafo único. Quando absolver o agente, reconhecendo, por força pericial, que este apresentava, 
à época do fato previsto neste artigo, as condições referidas no caput deste artigo, poderá determinar 
o juiz, na sentença, o seu encaminhamento para tratamento médico adequado. 
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
15 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 
 
 
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FICA A DICA 
 
 
 
NÃO ACIDENTAL11. 
• Voluntária: quando o agente quer se embriagar. 
• Culposa: aqui é a negligência. Não queria, mas 
exagerou. 
• Completa: não exclui a imputabilidade e nem 
reduz a pena. 
• Incompleta: não exclui a imputabilidade e nem 
reduz a pena. 
 
PATOLÓGICA. 
Doentia: é equiparada a uma doença mental. 
• Completa: equiparada ao Art. 26, caput, do CP 
(isenta de pena)12. 
• Incompleta: equiparada ao Art. 26, parágrafo 
único, do CP (semi-imputabilidade. 
Responsabilidade Penal Diminuída de 1/3 a 2/3). 
PREORDENADA. 
Aqui o agente quer se embriaga para praticar o 
crime. A embriaguez é meio para a prática do 
crime. 
• Completa: Agravante de pena (art. 61, II, alínea 
“l”, do CP13). 
• Incompleta: Agravante de Pena (art. 61, II, alínea 
“l”, do CP). 
 
1 11213#ATENÇÃO: Só exclui a imputabilidade a embriaguez acidental completa (Art. 28, §1º). Sendo a 
embriaguez Acidental Incompleta, ela apenas Reduz a Pena (Art. 28, §2º). 
#PRANÃOESQUECER. #FOCONATABELA 
 
Embriaguez acidental COMPLETA: Exclui a imputabilidade (Art. 28, §1º). 
Embriaguez acidental INCOMPLETA: Reduz a Pena (Art. 28, §2º). 
 
Do mesmo modo, a Embriaguez Patológica, só exclui a imputabilidade se for completa. 
Na Embriaguez não acidental completa e na Embriaguez preordenada completa utiliza-se a TEORIA 
DA “ACTIO LIBERA IN CAUSA”. #QUETIROFOIESSE! Segundo essa teoria, o ato posterior revestido de 
inconsciência decorre de ato antecedente que foi livre na vontade, transferindo-se para este momento 
anterior a constatação da imputabilidade e da vontade (dolo/culpa). 
Mas, cuidado! A aplicação descuidada dessa teoria pode redundar na Responsabilidade penal 
 
11 “Art. 28. Não excluem a imputabilidade penal: II – a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos 
análogos”. (Embriaguez não acidental, seja voluntária, seja culposa). 
 
12 Inimputáveis. Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar- 
se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 
 
13 Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: (Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984): l) em 
estado de embriaguez preordenada.16 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 
 
 
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FICA A DICA 
 
 
objetiva. 
Vamos analisar um caso hipotético? Imaginemos que um motorista, completamente bêbado, 
atropela pedestre. 
 
Ato Antecedente 
Livre na Vontade. 
Ato Posterior 
Revestido de Inconsciência. 
 
É o momento da Ingestão da substância. 
É o momento do atropelamento. Aqui, o 
agente não tem capacidade de entendimento 
e autodeterminação, capacidade essa que, 
pela Teoria a “Actio Libera In Causa”, deve ser 
analisada no momento anterior. 
1ª) Imputável + Quer o resultado. Homicídio com Dolo Direto. 
2ª) Imputável + Aceitou o resultado. Homicídio com Dolo Eventual. 
3ª) Imputável + acreditou que podia evitar 
atropelamentos (acreditou nas suas habilidades 
pessoais). 
 
Homicídio com Culpa Consciente. 
4ª) Imputável + Resultado Previsível. Homicídio com Culpa Inconsciente. 
 
5ª) Imputável + Resultado Imprevisível (mesmo 
para quem não estava bêbado). 
Fato atípico (se não fosse assim haveria 
responsabilidade penal objetiva). Ex.: João vai 
saindo do Bodega Bar com o seu carro, dá ré e 
mata um mendigo que dormia embaixo. 
 
#DEOLHONOGANCHO. EMOÇÃO E PAIXÃO não excluem a imputabilidade. Segundo o CP: 
 
 
Emoção Paixão 
Estado súbito e passageiro Sentimento crônico e duradouro 
Na aplicação da Teoria da “Actio Libera In Causa” transfere-se para o momento em que o agente 
era livre não apenas a análise da sua IMPUTABILIDADE, mas também da VOLUNTARIEDADE (DOLO/ 
CULPA), evitando-se o risco de uma responsabilidade penal objetiva. É a posição do STF. 
Se o operador do Direito retroceder apenas na análise da Imputabilidade, esquecendo-se de analisar 
dolo/culpa (voluntariedade), poderá redundar em responsabilidade penal objetiva. 
Art. 28 – Não excluem a imputabilidade penal: 
I – a emoção ou a paixão; 
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FICA A DICA 
 
 
 
Pode interferir na pena (pode figurar como 
atenuante ou como privilégio) 
Dependendo do grau pode ser considerada 
doença (Art. 26, CP). 
 
Amigos, conforme já disse várias vezes, é sempre importante analisarmos os temas principais (do 
qual culpabilidade é um exemplo), espelhando-se, em direito penal, nas lições do professor Juarez Cirino. 
Então, vejam os temas acima (a emoção ou a paixão e a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo 
álcool ou substância de efeitos análogos) sob a ótica do mestre. 
#APROFUNDACOACH: Juarez Cirino afirma que a disciplina jurídica da legislação penal brasileira 
sobre duas situações psíquicas anormais ligadas à capacidade de culpabilidade está em relação de 
tensão com o princípio da culpabilidade: 
» Emoção e paixão; 
» Embriaguez voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância análoga. 
 
 
Emoção e Paixão 
O art. 28, I, do CP, determina que a emoção e a paixão não excluem a culpabilidade. 
O Código Penal Republicano de (1890) dizia que a perturbação dos sentidos afastava a culpabilidade. 
Esse tratamento abria uma brecha muito grande para o homicídio passional, a chamada legítima defesa 
da honra. 
A emoção e a paixão têm em comum, que em ambas são alterações do estado psicológico do 
ser humano. A grande diferença diz respeito à duração. A emoção tem natureza transitória. Ex: raiva, o 
medo, a vergonha, a surpresa. A paixão é duradora e não necessariamente eterna. Ex: o amor, a inveja, 
a avareza, o fanatismo. 
A emoção e a paixão não isentam o agente de pena, mas podem funcionar como atenuantes de 
pena ou causas especiais de diminuição de pena. 
• O art. 65, III, “c”, parte final do CP prevê uma atenuante genérica, quando o crime for cometido sob 
a influência de violenta emoção. 
• O art. 121, §1º e art. 129, §4º ambos do CP, preveem, no tocante ao homicídio e a lesão corporal, 
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: 
I - a emoção ou a paixão; 
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos. 
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FICA A DICA 
 
 
respectivamente, a figura do privilégio, que é uma causa de diminuição de pena quando o crime é 
cometido sob o domínio (e não influência) de violenta emoção, e logo em seguida a injusta provocação 
da vítima. 
• Influência de violenta emoção atenuante; 
• Domínio de violenta emoção causa de diminuição da pena no homicídio e na lesão corporal. 
• Dica influência é menos que domínio, motivo pelo qual é atenuante (reduz menos a pena) e como 
domínio é mais, ele é causa de diminuição da pena (reduz mais a pena). 
• Quando o art. 28, I diz que a emoção e a paixão não excluem a culpabilidade, ele diz respeito a 
emoção e a paixão normais, inerentes a todas as pessoas. Por outro lado, se a emoção ou a paixão 
forem patológicas, elas serão equiparadas às doenças mentais. Nesse último caso será aplicável o art. 
26, caput, do CP. 
• Ex: ciúme doentio. 
 
Actio libera in causa (aprofundamentos) 
O conceito de actio libera in causa pressupõe capacidade de culpabilidade na ação precedente, 
em que o autor se coloca em estado de incapacidade de culpabilidade, com intenção de realizar 
(dolo) ou sendo previsível a possibilidade de realizar (imprudência) fato típico posterior, como já 
mencionado logo acima. 
Assim, a actio libera in causa consiste na autoincapacitação temporária (#OLHAOTERMO) para: 
- Com propósito de praticar crime determinado; 
- Em situação de previsibilidade de praticar crime determinado (ação anterior), crime realmente 
praticado no estado subsequente de incapacitação temporária (ação posterior). 
A teoria da actio libera in causa (a causa da causa também é a causa do que foi causado) surgiu 
na Itália e foi criada para solucionar o caso dos crimes praticados por embriaguez preordenada. 
Essa teoria antecipa o momento da análise da imputabilidade. A imputabilidade não será 
analisada no momento em que o crime foi praticado, nesse momento o agente estava inconsciente, 
a análise da imputabilidade é antecipada para um momento anterior àquele em que o agente 
livremente se colocou na posição de embriaguez. 
Para punir o agente de embriaguez voluntária é necessário observar a teoria da actio libera in 
causa, em que dolo e culpa não são avaliados no momento da conduta, mas sim no momento 
em que o agente se embriagou. Se no momento em que ele bebeu, ele queria o resultado, será 
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crime doloso. Se ele assumiu o risco de produzir o resultado será crime com dolo eventual. Se ele 
previu o resultado, mas não assumiu o risco, será culpa consciente. Se ele não previu o resultado, 
ele responderá a título de culpa. 
Há duas teorias que tentam explicar a actio libera in causa: 
• Teoria da Exceção: a teoria da exceção considera a actio libera in causa uma exceção ao 
princípio da culpabilidade no momento do fato, justificada no direito costumeiro. 
• A crítica feita a essa teoria é que ela é incompatível com o princípio da legalidade, que não 
permite que o costume incrimine condutas. Além do mais, ela viola o princípio da culpabilidade, 
pois no momento da conduta não há dolo ou culpa de quem está embriagado. 
• Teoria do Tipo: a teoria do tipo fundamenta a atribuição do fato típico ao autor no momento 
da culpabilidade anterior ao fato, que será responsável pela produção do resultado, e não no 
momento posterior que ele já estará embriagado (nesse momento o agente será inimputável). 
Essa é a doutrina adotada. 
Para a embriaguez preordenada, a teoria da actio libera in causa se encaixa perfeitamente, pois 
antes de começar a beber, o agente já tinha o dolo de praticaro crime (embriaguez preordenada). 
Entretanto, o art. 28, II do CP acolheu essa teoria também para a embriaguez voluntária e para a 
embriaguez culposa. 
A crítica que se faz é que adotando a teoria da actio libera in causa na embriaguez voluntária 
e na embriaguez culposa está se presumindo um dolo anterior do agente, antes dele cometer o 
crime. 
O problema é que não há esse dolo, pois quando ele bebe não há dolo quanto à prática do crime, 
a “vontade” só surge depois que ele já estava embriagado e não há, portanto, consciência, o que 
faz surgir uma responsabilidade penal objetiva. Nesse ponto a doutrina diverge: 
• 1ª Corrente → a teoria da actio libera in causa na embriaguez voluntária e na embriaguez 
culposa é responsabilidade penal objetiva e, portanto, inadmissível. 
• 2ª Corrente → a teoria da actio libera in causa na embriaguez voluntária e na embriaguez 
culposa é responsabilidade penal objetiva, mas é uma responsabilidade objetiva indispensável 
para o interesse público. Se assim não fosse, bastava o agente se embriagar que ele estaria 
livre para cometer crimes. O Código Penal Português diz isso claramente, ao afirmar que essa 
teoria foi adotada por necessidade de defesa social. 
• 3ª Corrente → a teoria da actio libera in causa é desnecessária, pois entende que por mais 
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FICA A DICA 
 
 
que a pessoa esteja embriagada, se ela consegue cometer um crime, é sinal que ela tem um 
resquício de consciência e, portanto, há dolo (Vicenzo Manzini e Giulio Battaglini). 
» A teoria da actio libera in causa não se aplica à embriaguez fortuita. 
» A teoria da actio libera in causa vem sendo adotada para abranger os crimes praticados 
em qualquer estado de inconsciência diverso da embriaguez. 
» Ex: a mãe quer matar a criança e para isso coloca ela do seu lado na cama, para que quando 
ela dormisse, ela mate a criança rolando. Nesse caso, a imputabilidade é analisada em um momento 
anterior. 
Juarez Cirino explica em que caso de fatos imprudentes a teoria da actio libera in causa não 
possui maiores problemas, em razão da identidade estrutural entre ambos os conceitos. Quando 
o agente se embriagou ocorreu uma lesão do dever de cuidado ou do risco permitido, o que 
permite a responsabilização do agente a título de imprudência. Ex: o marido que já está bravo com 
sua mulher, se embriaga, e agride a mulher, mas sem ter pensado previamente em agredi-la. O ato 
de embriagar-se representa simples criação de risco não permitido contra a integridade física da 
mulher. Nesse caso, a agressão à mulher seria a realização do risco criado, caracterizando lesão 
corporal imprudente. 
Juarez Cirino adverte que se o autor, na ação precedente, não tem o propósito (dolo direto) ou 
não admite a possibilidade (dolo eventual) de realizar determinado tipo de crime em estado de 
incapacidade de culpabilidade, então o resultado típico produzido na ação posterior não pode 
ser atribuído por dolo, independentemente de ser intencional (o sujeito quer se embriagar) ou 
imprudente (o sujeito se embriaga, progressiva, mas inadvertidamente) o ato de se embriagar. 
Em razão disso, o princípio da culpabilidade determina a seguinte interpretação do art. 28, II, do 
CP: a embriaguez voluntária ou culposa não exclui a imputabilidade penal, mas a imputação do 
resultado por dolo ou por imprudência depende, necessariamente, da existência real (nunca 
presumida) desses elementos no comportamento do autor. 
Por sua vez, em fatos dolosos, a teoria dominante da actio libera in causa afirma que: a) o 
elemento intelectual do dolo deve representar as características de um tipo de crime determinado 
(homicídio, lesão corporal, etc), cujo resultado deve ser produzido em estado de incapacidade 
de culpabilidade (embriaguez); b) o elemento emocional do dolo deve querer a realização 
de crime determinado (dolo direto) ou conformar-se com a realização de crime determinado 
(dolo eventual) no estado posterior de embriaguez, no sentido de autocolocação em estado de 
incapacidade temporária de culpabilidade. 
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2. POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE 
Conceito: é a possibilidade de o agente conhecer o caráter ilícito da sua conduta. Em resumo, é a 
capacidade de o agente saber que age contrariando o Direito. 
2.1. Hipótese única de exclusão da Potencial Consciência da Ilicitude: 
Aqui, iremos estudar o ERRO DE PROIBIÇÃO (Art. 21 do CP). Para o mestre Juarez Cirino, a 
correlação conhecimento do injusto e erro de proibição, na culpabilidade, corresponde à correlação 
conhecimento do fato e erro de tipo, no fato típico, porque conhecimento e erro constituem estados 
psíquicos em reação de lógica exclusão: o conhecimento exclui o erro e o erro indica desconhecimento 
dos objetos. 
Lembrem que a dogmática moderna identifica três tipos de erros: 
» Erro de tipo: incidente sobre as circunstâncias e elementos objetivos do tipo penal; 
» Erro de proibição: incidente sobre a proibição do injusto; 
» Erro de tipo permissivo: situado entre o erro de tipo e o erro de proibição, incidente sobre 
pressupostos objetivos de uma causa de justificação, consistente em errônea representação da 
justificante. 
Desse modo, na ação precedente o dolo tem por objeto a autocolocação em estado de incapacidade 
de culpabilidade e, nesse estado, a realização de fato determinado. Na ação posterior, o autor 
realiza, em estado de incapacidade de culpabilidade, o fato determinado objeto do dolo (outra 
interpretação é incompatível com o princípio da culpabilidade). 
#VÁALÉM. #BOTAPRAFERVER. Índio não integrado é Inimputável? O Índio não integrado não é 
necessariamente Inimputável. Para ser Inimputável esse Índio tem que: 
• Ter anomalia psíquica; 
• Ser menor de Idade OU; 
• Estar completamente embriagado em razão de Caso Fortuito ou Força Maior. 
Contudo, isso não significa que seja culpável, eis que a Culpabilidade possui outros Elementos, 
podendo estar ausente a Potencial Consciência da Ilicitude ou a Exigibilidade de Conduta Diversa. 
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FICA A DICA 
 
 
A análise do conhecimento do injusto tem por fim identificar as situações negativas de conhecimento: 
erro de proibição direto, erro de proibição indireto e erro de tipo permissivo, segundo a teoria 
limitada da culpabilidade, adotada pelo legislado pátrio. Senão, vejamos: 
 
 
Galera, #CUIDADO! #NÃOCONFUNDIR Erro de Proibição com Erro de Tipo. 
 
Erro de Proibição Erro de Tipo 
O agente sabe exatamente o que faz, mas 
desconhece sua Ilicitude. 
O agente não sabe exatamente o que faz. Erra 
sobre elementos do tipo. 
#QUESTÃODEPROVA #NÃOVALEERRAR! É possível desconhecer a Lei (a tipicidade do fato), 
conhecendo a ilicitude (contrariedade ao direito) do comportamento? SIM! Vamos entender melhor: 
 
1ª Situação 2ª Situação 3ª Situação 
 
O agente desconhece a lei e a 
Ilicitude do seu comportamento. 
Ex.: fabricar açúcar em casa (DL 
nº 16/66). 
Desconhecimento da Lei + Erro 
de Proibição. 
O agente conhece a lei, mas 
desconhece a ilicitude do 
comportamento. Ex.: estupro da 
esposa. 
Conhecimento da Lei + Erro de 
Proibição. 
Lembrar que só haveria 
isenção de pena se o erro 
fosse inevitável. 
 
O agente desconhece a lei, mas 
tem consciência da ilicitude. 
Desconhecimento da lei 
sem erro de proibição (o 
agente conhece a ilicitude do 
comportamento. Ex.: queimar a 
bandeira nacional). 
2.2. Consequências do erro de proibição: 
Em uma visão simplista, apenas como “entrada”, poderíamos nos limitar a afirmarque o erro de 
proibição pode ser: 
» Inevitável: isenta o agente de pena (exclui a culpabilidade). 
» Evitável: não isenta o agente de pena (reduz a pena de 1/6 a 1/3). 
Porém, isso não é suficiente e devemos abordar a matéria de forma mais detalhada. Pessoal, ânimo! 
Tenho convicção que deste material sairá possivelmente 2 questões da prova de penal de vocês! Isso não 
é pouca coisa! 
Art. 21 – O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta 
de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. 
Parágrafo único – Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da 
ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. 
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FICA A DICA 
 
 
#VALENDOOCHOPPDAPOSSE – As consequências legais do erro de proibição de acordo com a 
teoria limitada da culpabilidade são diferenciadas de acordo com a categoria do erro de proibição: 
• Erro de proibição direto: tem por objeto a lei penal, considerada do ponto de vista da existência, 
validade e significado da norma, exclui ou reduz a reprovação da culpabilidade; 
• Erro de proibição indireto (erro de permissão): tem por objeto a existência de causa de 
justificação no ordenamento e os limites jurídicos da causa de justificação, também exclui ou 
reduz a culpabilidade. 
• Erro de tipo permissivo: tem por objeto os pressupostos objetivos de uma causa de justificação, 
portanto existe como errônea representação da situação justificante. Assim, incide sobre a realidade 
do fato, razão pela qual exclui o dolo (funcionando como verdadeiro erro de tipo, isto, erro de tipo 
permissivo), com punição alternativa por imprudência, se se for evitável e existir o tipo respectivo. 
O erro de proibição (direto ou indireto) evitável apenas reduz a reprovabilidade de culpabilidade, 
mas subsiste a culpabilidade, devendo a pena ser diminuída de 1/6 a 2/3. 
Já o erro de tipo permissivo evitável, exclui o dolo, mas permite a punição por imprudência, 
caso existe essa possibilidade no tipo penal (mesmo tratamento do erro de tipo). 
O erro de proibição (direito ou indireto) inevitável exclui a reprovabilidade da culpabilidade. 
O erro de tipo permissivo excluí o dolo e não permite a punição a título de imprudência. 
Se a assertiva perguntar do erro de proibição, devemos marcar a que aponte o erro de tipo 
permissivo como “espécie” do erro de proibição e assinalar que para a teoria limitada da culpabilidade 
ele constitui erro de tipo, excluindo o dolo, em qualquer caso, permitindo a punição a título de 
imprudência, se evitável. 
O critério da doutrina em geral para decidir se o erro de proibição é inescusável ou escusável é o 
perfil subjetivo do agente e não a figura do homem médio (valoração paralela da esfera do profano). 
Lembram do Raio-X do edital? 
 
Valoração paralela da esfera do profano → relaciona-se com a potencial consciência da 
ilicitude, em especial, com o sistema intermediário. O “profano” é o leigo, aquele que não 
conhece o direito. Assim, deve o juiz analisar o comportamento do agente paralelamente às suas 
condições sociais, em qual contexto ele está inserido e se ele poderia saber que aquela conduta 
é criminosa. Caso o juiz conclua que ele poderia ter conhecimento do injusto, haverá crime. Caso 
o juiz conclua que o profano não tinha condições de conhecer a ilicitude da conduta, haverá erro 
de proibição. 
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FICA A DICA 
 
 
Quando se fala em fato típico e em ilicitude deve-se levar em conta a figura do homem médio, 
pois se analisa o fato. Por outro lado, quando se fala em culpabilidade deve-se levar em conta o perfil 
subjetivo do agente, já que se indaga sobre a figura do responsável pelo fato típico e ilícito e não 
sobre o fato. 
 
Juarez Cirino não aborda a valoração paralela da esfera do profano, afirmando o autor que 
a possibilidade de conhecimento do injusto, que indica que o erro é evitável, depende de 
múltiplas variáveis como a posição social, a capacidade individual, as representações de valor do 
autor, etc. 
Segundo Juarez Cirino, atualmente, o método para conhecer a potencial consciência da ilicitude 
(conhecer o injusto dos tipos penais) é o da reflexão e informação: a natureza evitável ou 
inevitável do erro de proibição depende do nível de reflexão e de informação do autor sobre 
o injusto específico do tipo penal. Esse método corresponde a exigência da lei, que define o erro 
evitável pela possibilidade de ter (reflexão) ou de atingir (informação) o conhecimento do injusto. 
Em regra, a reflexão do autor no momento do fato é suficiente para conhecer a antijuridicidade 
concreta do injusto. Ex: a lesão corporal grave do pai no filho, sob a convicção errônea de exercer 
direito de educação, poderia ser evitada pela simples reflexão. 
Contudo, excepcionalmente, além da reflexão, será também necessário que o agente tenha 
informação, que deve ser adquirida anteriormente. Ex: informações sobre a regra de tráfego 
urbano. Nesse caso, produzir acidente de trânsito, por falta de conhecimento anterior da regra 
circulação, configura erro de proibição evitável, como reprovabilidade do fato ligada à lesão 
anterior do cuidado. 
 
Para Juarez Cirino, o erro de proibição inevitável é mais comum no Direito Penal especial, em 
que o cidadão comum tem maior dificuldade de reconhecer o caráter injusto da conduta, sendo que os 
próprios profissionais especializados não conhecem a totalidade das incriminações. Ex: crimes ambientais 
e crimes tributários. Ex2: é difícil para o agente saber que é crime ter em depósito ou guardar madeira, 
lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem licença da autoridade competente (art. 46 da Lei 
9.605/98). 
 
A crítica que Juarez Cirino faz à doutrina brasileira é que tem se suprimido quase que na totalidade as 
hipóteses de erro de proibição inevitável, ao argumento de que mesmo o agente não conhecendo 
a lei, ele deveria conhecer o caráter injusto da conduta. Segundo ele, essa postura tem mitigado 
muito o princípio da culpabilidade. 
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Segundo o autor, oequívoco da literatura brasileira está na arbitrária oposição entre desconhecimento 
da lei e desconhecimento do injusto. 
Juarez Cirino afirma que esse raciocínio até se aplica pra o Direito Penal comum (ex: matar alguém, 
furtar, falsificar documento), já que mesmo não conhecendo a lei, todos sabem que essas condutas 
são reprováveis, por se referirem a direitos fundamentais. Assim, no Direito Penal comum, é 
possível ter (reflexão) e atingir (informação) o conhecimento da lei através do conhecimento 
do injusto. 
O problema está em aplicar esse raciocínio para o Direito Penal especial (ex: crimes ambientais), 
em especial quando a lei penal não reflete a moral (ex: não tem como alguém saber que é crime ter 
lenha em casa sem autorização, se alguém não contar isso para ela). 
Nessas situações, não pode a doutrina ignorar que o desconhecimento da lei confunde-se com o 
desconhecimento do caráter ilícito da conduta, razão pela qual, se a pessoa não conhece a lei, 
não tem como ela saber que a conduta é injusta. 
O que a doutrina brasileira tem feito é utilizar de situações do Direito Penal comum e aplicá-las 
ao Direito Penal especial ao argumento autoritário de que tinha a possibilidade de conhecer o 
caráter injusto da conduta. Segundo Juarez Cirino, isso criou um buraco negro no princípio da 
culpabilidade, no qual estão desaparecendo todos os casos de ignorância da lei determinantede 
inevitável desconhecimento do injusto. 
 
A confiança em informações da jurisprudência ou de profissionais do direito (ex: advogados) 
pode ser decisiva para a determinação da evitabilidade do erro: será caso de erro de proibição inevitável 
no caso de a conduta ser realizada de acordo com a jurisprudência unânime ou dominante dos tribunais 
e será caso de erro de proibição evitável no caso de divergência de tribunais de igual jurisdição. 
Da mesma forma, a confiança na orientação de advogados pode fundamentar o erro de proibição 
inevitável. Ex: um advogado tributarista que faz um parecer para um empresário afirmando que ele não 
precisa recolher determinado tributo. Nesse caso, ele não incidirá no crime tributário, por ser situação de 
erro de proibição inevitável. 
• Espécies de Erro de Proibição na Lei Penal Brasileira 
As espécies de erro de proibição na lei penal brasileira são: 
» Erro de proibição direto; 
» Erro de proibição indireto; 
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» Erro de tipo permissivo; 
• Excesso na legítima defesa por defeito de representação; 
• Excesso na legítima defesa por defeito emocional. 
» Erro de Proibição Direto 
O agente se equivoca quanto ao conteúdo de uma norma proibitiva, ele sabe o que faz, 
mas não sabe que a conduta é proibida, seja porque não conhece o conteúdo da norma (erro de 
proibição direto negativo) ou porque não entende o seu âmbito de incidência (erro de proibição 
direto positivo). 
- Ex: holandês habituado a consumir maconha no seu país de origem, fuma um cigarro de maconha 
no Brasil, desconhecendo que aqui é crime. 
- Ex2: o pescador que intencionalmente, em águas brasileiras, abate uma baleia, sem saber que 
comete o crime tipificado no art. 1º da Lei 7.643/87. 
 
Erro de Proibição Direto Positivo Erro de Proibição Direto Negativo 
Representação falsa da juridicidade Não representação da antijuridicidade 
Ex: sexo consentido com débito mental 
Ex: cidadão que sem instrução nenhuma que não 
constata que um fato é antijurídico. 
O erro de proibição direto pode incidir sobre a existência, validade ou significado da lei penal: 
• Erro de proibição direto sobre a existência da lei penal: é a modalidade mais comum do erro 
de proibição, em que o agente desconhece a lei penal. Ex: ignorando a tipificação do estupro de 
vulnerável, um jovem roceiro de 20 anos mantém relações sexuais com sua namorada de 13 anos. 
• Erro de proibição direito sobrea a validade da lei penal: o agente conhece a proibição, mas a 
considera inválida ou nula por contrariar direitos fundamentais ou princípios jurídicos superiores. Ex: 
o estudante de direito, convencido que o art. 28 da Lei de Drogas fere a garantia constitucional da 
privacidade, o princípio da legalidade e o princípio da alteridade. 
• Erro de proibição sobre o significado da lei penal: o agente conhece a proibição, mas incide em 
erro quanto a interpretação do tipo. Ex: erro de interpretação quanto às complexas leis tributárias. 
Nessas hipóteses de erro de proibição sobre o significado da lei penal, a confiança em informações 
especializadas ou em decisões judiciais pode ser determinante para se configurar o erro de proibição. 
» Erro de Proibição Indireto 
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No erro de proibição indireto (erro de permissão ou descriminante putativa por erro de 
proibição), o agente sabe que sua conduta é típica, mas supõe haver uma “barreira” que impede a sua 
punição. 
O objeto do erro de proibição indireto é o erro quanto a existência de uma causa de justificação 
inexistente no ordenamento e o erro quanto aos limites de uma causa de justificação. 
• Ex: marido traído, que acredita estar autorizado a matar sua mulher para proteger sua honra traída 
(supõe existir uma causa excludente da ilicitude). 
• Ex2: americano que sabe que maconha é proibida no Brasil, mas como está usando ela para tratamento 
médico, acredita que é permitido para isso (supõe agir dentro dos limites da descriminante). 
• Ex3: aquele que atira nas costas da pessoa que o furtou, acreditando estar agindo em legítima defesa 
(supõe estar agindo nos limites da descriminante). 
• Ex4: após prender um ladrão em flagrante, o cidadão comum causa lesão corporal no preso (supõe 
estar agindo nos limites da descriminante). 
Importante ressaltar, que mesmo para a teoria limitada da culpabilidade, o erro quanto a existência 
no ordenamento de uma causa de exclusão da ilicitude ou o erro quanto aos limites dessa descriminante 
configuram erro de proibição (indireto) e não erro de tipo. 
» Erro de Tipo Permissivo 
O erro de tipo permissivo tem por objeto a situação justificante porque consiste em representação 
errônea dos pressupostos objetivos da justificação. Ex: legítima defesa putativa. 
O erro sobre a situação justificante pode originar situações de excesso determinadas na 
dimensão intelectual ou por defeito na dimensão emocional das ações humanas. 
Excesso de legítima defesa por erro de representação: ocorre o excesso por defeito na dimensão 
intelectual da conduta, que configura erro de representação, pelo qual o agente representa como 
existente realidade inexistente. Ex: o agente continua uma agressão já cessada. 
Configura, erro de tipo permissivo, com imediata exclusão do dolo, podendo excluir também a 
imprudência, se evitável. 
A teoria limitada da culpabilidade equipara os efeitos do erro de tipo com os do erro de tipo 
permissivo. O excesso na legítima defesa por erro de representação pode ocorrer tanto na legítima 
defesa real, quanto na legítima defesa putativa: 
• Excesso na legítima defesa real por erro de representação: o excesso poderá ser extensivo ou 
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intensivo. 
• Excesso extensivo: o autor erra sobre a atualidade da agressão, que ainda não é atual (ex: disparo 
sobre o agressor que se preparava para uma agressão) ou já não é mais atual (ex: pontapés em um 
agressor que já está caído). 
• Excesso intensivo: o autor erra sobre a intensidade da agressão e, por isso, utiliza meio de defesa 
superior ao necessário (ex: disparo sobre o peito do agressor, quando bastava atirar em suas pernas). 
#Dica: “intensivo” lembra “intensidade”, motivo pelo qual no excesso intensivo o problema está na 
intensidade da defesa. 
• Excesso na legítima defesa putativa por erro de representação: trata-se de hipótese de duplo 
erro, pois o autor utiliza meio de defesa desnecessário por erro: 1º) Sobre a atualidade da agressão; e 
2º) Sobre a intensidade da agressão. 
• Excesso na legítima defesa por defeito emocional → o excesso na legítima defesa real ou 
putativa por defeito na dimensão emocional ocorre quando o agente se excede por medo, susto 
ou perturbação (afetos astênicos/fracos), determinantes de descontrole psicomotor do sujeito. 
 
 
• Excesso na legítima defesa por erro de representação → configura descriminante putativa, 
erro de tipo permissivo (aplicando-se as mesmas regras); 
• Excesso na legítima defesa por defeito emocional → configura causa de exculpação, por 
inexigibilidade de conduta diversa. 
 
Nesse caso, não configura erro de tipo permissivo (o agente sabe o que está fazendo) e nem erro 
de proibição (agente sabe que não pode fazer isso), mas pode configurar hipótese de exculpação, 
por inexigibilidade de conduta diversa. Juarez Cirino coloca o excesso na legítima defesa por 
defeito emocional como causa legal de exculpação. O ódio e a ira (afetos estênicos/fortes) não 
são causas de exculpação. 
No caso dos excessos “normais”, em que não erro derepresentação e nem defeito emocional, 
há de se verificar se ele é doloso ou culposo, situações em que o agente responde pelo excesso 
(art. 23, parágrafo único, do CP). 
Quanto às consequências do excesso irá depender se ele é doloso ou culposo, se há um excesso 
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• Excesso doloso e culposo → agente responde pelo excesso (art. 23, parágrafo único, do CP); 
• Excesso por defeito na representação → configura erro de tipo permissivo (deve-se avaliar se o 
erro é vencível ou invencível); 
• Excesso por defeito emocional → é causa de exculpação, por inexigibilidade de conduta diversa. 
Coach, como tudo isso já foi explorado em concurso banca própria? Vejam um exemplo do 
MPSP: Qual a importância da passagem da Teoria Psicológica Normativa (Consciência atual da 
ilicitude) para a Teoria Normativa Pura (Consciência potencial da ilicitude)? 
#RELEMBRE: 
 
Teoria Psicológica Normativa Teoria Normativa Pura 
Elementos da Culpabilidade: 
a. Imputabilidade; 
b. Exigibilidade de Conduta Diversa; 
c. Culpa 
d. Dolo. Aqui, o dolo é normativo, sendo 
composto por: 
• Consciência; 
• Vontade; 
• Consciência Atual da Ilicitude. 
 
 
Elementos da Culpabilidade: 
a. Imputabilidade; 
b. Exigibilidade de Conduta Diversa; 
c. Potencial Consciência da Ilicitude; 
De acordo com a Teoria Psicológica Normativa, o Erro de Proibição (evitável ou inevitável) sempre 
exclui a culpabilidade, tendo em vista que não existe consciência atual da ilicitude no erro evitável e muito 
menos no erro inevitável (se o agente errou, não importa que seja erro evitável ou inevitável, simplesmente 
não há consciência atual da ilicitude). Portanto, de acordo com a teoria psicológica normativa, todo erro 
de proibição excluiria a culpabilidade. 
Por sua vez, de acordo com a Teoria Normativa Pura, somente o Erro de Proibição Inevitável exclui 
a potencial consciência da ilicitude e a culpabilidade. Tratando-se de Erro Evitável, a potencial consciência 
da ilicitude existe, não eliminando a culpabilidade, mas apenas reduzindo a pena. 
#EMSUMA 
por defeito na representação ou se há um excesso por um defeito emocional (caso de medo, 
susto ou perturbação). 
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Teoria Psicológica 
Normativa 
Erro de Proibição sempre exclui a culpabilidade. 
 
Teoria Normativa Pura 
Erro de proibição: 
Inevitável: exclui a potencial consciência da ilicitude e, portanto, a 
culpabilidade. 
Evitável: existe a potencial consciência da ilicitude. O erro reduz a pena 
 
3. EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA 
Para que surja a Culpabilidade não é suficiente que o sujeito seja imputável e tenha cometido o fato 
com possibilidade de lhe conhecer o caráter ilícito. Além dos dois primeiros elementos, exige-se que, nas 
circunstâncias de fato, o sujeito tivesse a possibilidade de realizar outra conduta em conformidade com 
o ordenamento jurídico. 
No dizer de Juarez Cirino, a normalidade das circunstâncias do fato é o fundamento concreto da 
exigibilidade de comportamento conforme o direito. 
Para fazer a análise do juízo de reprovação é necessário o seguinte procedimento: 
1º) No momento do exame da normalidade das circunstâncias da ação, pressupõe-se um sujeito 
normal (com maturidade e sanidade psíquica necessários à configuração da imputabilidade). Trata-se 
do elemento da culpabilidade. 
2º) O sujeito imputável conhecia o injusto do fato concreto ou teve a possibilidade de conhecê-lo 
(atual e potencial consciência da ilicitude); Trata-se do elemento do conhecimento do injusto. 
3º) Além disso, o agente deve ter agido diante de um contexto de circunstâncias normais. Caso 
aja em circunstâncias anormais, pode haver situações de exculpação que excluem ou reduzem o 
juízo de exigibilidade de comportamento conforme o direito. Assim, a anormalidade das circunstâncias 
de fato pode conduzir à exculpação. Trata-se do elemento do exigibilidade de conduta diversa. 
Assim, a exigibilidade de conduta diversa determina que para haver reprovação social da 
conduta, não basta que o agente seja imputável e que tenha potencial consciência da ilicitude, mas 
também que as circunstâncias permitam ele atuar de acordo com o ordenamento jurídico. 
A exigibilidade de conduta diversa foi inserida na culpabilidade por Reinhart Frank, ao 
desenvolver a sua teoria da normalidade das circunstâncias concomitantes, criando a sua teoria 
psicológico-normativa da culpabilidade. 
Segundo Roxin, as situações de exculpação configuram casos de desnecessidade de prevenção 
geral ou especial, segundo a sua teoria dos fins da pena. O raciocínio é o seguinte: se a conduta da 
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pessoa se deu em situações que não eram as normais, quer dizer que qualquer pessoa agiria assim, não 
tendo motivos para ressocializar esse agente (ele agiu como qualquer outra pessoa agiria). 
A exigibilidade de conduta diversa é excluída pela coação moral irresistível ou pela obediência 
hierárquica. Há também as causas supralegais de exclusão da culpabilidade por inexigibilidade de 
conduta diversa. 
3.1. Hipóteses Legais de Exclusão da Exigibilidade de Conduta Diversa (situações de 
exculpação): 
A. Coação Moral Irresistível: 
 
 
Requisitos: 
1. COAÇÃO MORAL. Pessoal, atenção! A coação é MORAL! A coação FÍSICA exclui a conduta (e, 
portanto, o fato típico – primeiro substrato do crime). 
2. IRRESISTÍVEL. Aqui também temos que ter #CUIDAD! Se a coação for RESISTÍVEL não há exclusão 
da culpabilidade, podendo, contudo, haver atenuação da pena. 
Não existe coação irresistível criada pela sociedade, mas somente por uma pessoa ou um grupo. 
Assim, não merece prosperar o argumento daquele que mata o amante de sua mulher que a sociedade 
o estava “pressionando”. 
Consequência: só se pune o autor da coação. 
 
 
B. Obediência Hierárquica: 
 
Art. 22 – Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não 
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. 
#PERGUNTA: Leopoldo pratica coação moral irresistível em face de Felipe, obrigando o coagido a 
matar Wendell. Qual crime pratica Leopoldo e qual crime pratica Felipe? Felipe é isento de pena 
(não é culpável, por inexigibilidade de conduta diversa). → Já Leopoldo pratica o Art. 121 do CP 
(homicídio na condição de autor mediato) + Art. 1º, I, “b”, da Lei nº 9.455/97 – Tortura (em concurso 
material). Não se pode olvidar da Tortura nesses casos de Coação Moral Irresistível, tendo em vista 
que a vítima do homicídio é uma, e a vítima da tortura é outra (o coagido). 
Art. 22 – Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não 
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Requisitos: 
I. Ordem de superior hierárquico – É a manifestação de vontade do titular de uma função pública 
a um funcionário que lhe é subordinado, no sentido de realizar uma conduta positiva ou negativa. Galera, 
é necessário que haja uma subordinação pública (não pode ser subordinação eclesiástica, familiar, 
privada, etc.)! 
II. Ordem não manifestamente ilegal. Atenção: deve ser entendida segundo as circunstâncias do 
fato (caso concreto) e as condições de inteligência e cultura do subordinado. 
Consequência: só se pune o autor da ordem. 
 
Ordem ILEGAL Ordem LEGAL 
Ordem NÃO 
MANIFESTAMENTE ILEGAL 
 
O superior hierárquico 
e o subordinado serão 
responsabilizados penalmente. 
 
Osuperior hierárquico e o 
subordinado estão no estrito 
cumprimento do dever legal. 
O superior hierárquico 
responderá por crime na 
condição de autor mediato; 
O subordinado, por sua vez, é 
isento de pena (não é culpável). 
#ISSOÉUMPLUS 
 
Excesso na Legítima Defesa Real por Defeito Emocional 
O excesso na legítima defesa por defeito emocional ocorre quando há excesso na legítima 
defesa por defeito na dimensão emocional, que ocorre quando o agente se excede por medo, 
susto ou perturbação (afetos astênicos/fracos), determinantes de descontrole psicomotor do 
sujeito. 
Nesse caso, não configura erro de tipo permissivo (o agente sabe o que está fazendo) e nem 
erro de proibição (o agente sabe que não pode fazer isso), mas pode configurar hipótese de 
exculpação, por inexigibilidade de conduta diversa, já que não seria possível exigir que o agisse 
de forma diferente. 
Juarez Cirino coloca o excesso na legítima defesa por defeito emocional como causa legal de 
exculpação!!! 
O ódio e a ira (afetos estênicos/fortes) não são causas de exculpação. 
Do ponto de vista subjetivo, o excesso na legítima defesa pode ser consciente e inconsciente. 
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. 
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Segundo a doutrina dominante, admite-se o excesso inconsciente e o consciente como causas 
de exculpação por defeito emocional ao argumento de que há muita dificuldade em se distinguir 
dolo e culpa em uma situação de necessidade de ação rápida. 
Uma teoria minoritária só admite excesso inconsciente e, portanto, imprudente. 
Do ponto de vista objetivo, o excesso de legítima defesa pode ser intensivo ou extensivo. 
• O excesso intensivo é aquele em que o agente se vale dos meios desnecessários, problema 
na intensidade da ação (ex: disparo de arma de fogo, quando o emprego dos punhos era 
suficiente). 
• O excesso extensivo é aquele tem problema na atualidade da agressão, o agente faz uso 
imoderado de meio necessário. 
Aqui entra a discussão se o excesso extensivo seria crime autônomo ou se configura excesso. 
Dessa forma, podemos vislumbrar as seguintes hipóteses: 
• Excesso inconsciente determinado por medo, susto ou perturbação (afetos astênicos) → 
causa de exculpação; 
• Excesso consciente determinado por medo, susto, ou perturbação (afetos astênicos) → 
causa de exculpação; 
• Excesso consciente ou inconsciente por ódio ou ira (afetos estênicos) → fato punível; 
• Excesso consciente por achar que é necessária a legítima defesa → legítima defesa 
putativa. 
 
» Excesso na Legítima Defesa Putativa Por Defeito Emocional 
Segundo Juarez Cirino, o excesso na legítima defesa putativa também pode ser exculpado por 
defeito na dimensão emocional do tipo de injusto, determinado por medo, susto ou perturbação, na 
pessoa do autor (afetos fracos), mas não por ódio ou ira (afetos fortes). 
A doutrina majoritária não admite o excesso de legítima defesa putativa, com o seguinte 
argumento: se não existe situação justificante de legítima defesa real, então não existe limites suscetíveis 
a serem excedidos. 
Contudo, nada impede que iniciada a ação em legítima defesa real, que o excesso se dê por 
defeito na representação, situação que se equipara ao erro de tipo permissivo, aplicando-se as 
mesmas regras das discriminantes (trata-se excesso extensivo). Ex: A sem perceber que a agressão de B 
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cessou, continua a agredi-lo, acreditando que B ainda está o agredindo. 
Essa posição, contudo, é criticada pela doutrina minoritária, porque a representação errônea de 
agressão inexistente produz efeitos psíquicos iguais a representação correta de agressão existente: se 
a vítima simula agressão contra o autor, a representação errônea de agressão inexistente não impede 
a exculpação do excesso contra o falso agressor (nunca, porém, contra terceiro), porque a agressão 
aparente equivale a agressão real no psiquismo do agente. 
 
 
Pessoal, muita atenção a este tópico! Trarei aqui teorias sensíveis, mas que vocês não podem 
deixar de conhecer. Não fiquem com raiva de mim, a culpa é do examinador rsrsr. 
» Fato de Consciência 
O fato de consciência determina que estará isento de pena por inexigibilidade de conduta 
diversa aquele que praticar algum fato previsto como crime por motivo de sua consciência ou crença, 
mas desde que não viole direitos fundamentais. 
Segundo Juarez Cirino, o fato de consciência tem por objeto decisões morais ou religiosas, sentidas 
como deveres incondicionais vinculantes da conduta, em geral garantidos pela liberdade de crenças e 
consciência (art. 5º, VI, da CR). Ex: o pai testemunha de Jeová que não permite a transfusão de seu filho. 
Entretanto, se o filho morrer, o pai responderá penalmente, pois entre o bem jurídico liberdade de crença 
e o bem jurídico vida, deve-se prevalecer o último. 
» Provocação da Situação de Legítima Defesa 
Em princípio, a provocação da situação de legítima defesa não se trata de uma hipótese de 
exculpação, pois aquele que provoca a situação de legítima defesa “não tem o direito de se defender ”. 
Contudo, a doutrina moderna tem entendido, que quando o provocador não pode se desviar da 
ação de defesa do provocado (ex: fugindo do local), ele pode praticar ações contra o provocado, pois o 
Estado não pode exigir de ninguém a renúncia ao direito de viver, nem criar situações em que as únicas 
alternativas são ou morrer ou sofrer uma pena rigorosa (tratar-se-ia de um caso de inexigibilidade de 
conduta diversa). Ex: A começa a agredir B. Em razão disso, B está autorizado a exercer a legítima defesa 
contra A, por estar sofrendo uma agressão injusta. B saca uma arma para atirar contra A. Contudo, A 
pega uma arma antes e mata B. Nesse caso, A não estava em legítima defesa, pois a agressão de B era 
justa, pois foi agredido primeiro. Contudo, A estará em inexigibilidade de conduta diversa, pois ele não 
é obrigado a morrer. 
SITUAÇÕES DE EXCULPAÇÃO SUPRALEGAIS 
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» Desobediência Civil 
Aqui não vamos perder muito tempo, pois é um exemplo mais manjado que a derrota do Brasil para 
a Alemanha rsrs. 
A desobediência civil representa atos de insubordinação que têm por finalidade transformar a 
ordem estabelecida, demonstrando sua injustiça e necessidade de mudança. 
A desobediência civil trata-se do direito de qualquer cidadão de protestar, de forma pública e não 
violenta, movida por ideias ético-políticos, contra graves injustiça. Ex: invasões, ocupações, bloqueios de 
rodovias. 
» Conflito de Deveres 
O conflito de interesses ou conflito de deveres é o que se chama de escolha do menos mal. 
Trata-se de hipótese de exclusão da culpabilidade, por inexigibilidade de conduta diversa, pois em 
situações adversas não era razoável que se exigisse do agente outro tipo de comportamento. Ex: diante 
de graves dificuldades enfrentadas pelas empresas, o empresário sonega impostos para conseguir pagar 
os empregados. Ex2: para evitar colisão com trem de passageiros, determinando a morte de muitos, 
funcionário da ferrovia desvia trem de carga desgovernado para trilho diferente, causando morte certa 
de alguns trabalhadores. 
Juarez Cirino afirma que as situações de conflitos de deveres são ainda mais relevantes no contexto 
de condições sociais adversas que vivem muitos brasileiros. Ex: o pai que tem que furta para alimentar 
seus filhos ou manda que seus filhos peçam dinheiro no sinal. 
Nessas condições, os critérios normaisde valoração do comportamento individual devem mudar, 
utilizando pautas excepcionais de inexigibilidade para fundamentar hipóteses supralegais de exculpação 
como conflito de deveres, porque, afinal, o direito é regra da vida. 
Concluindo, se a motivação anormal da vontade em condições sociais adversas, insuportáveis 
e insuperáveis pelos meios convencionais pode configurar situação de conflito de deveres jurídicos, 
então o conceito de inexigibilidade de conduta diversa encontra, no flagelo real das condições sociais 
adversas que caracteriza a vida do povo das favelas e bairros pobres das áreas urbanas, a base de uma 
nova hipótese de exculpação supralegal, igualmente definível como escolha do mal menor, até porque, 
em situações em alternativas, não existe espaço para culpabilidade. 
#OLHAOGANCHO 
 
Teoria da Coculpabilidade → A teoria da coculpabilidade foi criada por Zaffaroni, e parte da 
ideia que na vida nem todas as pessoas possuem as mesmas oportunidades (educação, cultura, 
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lazer, afeto, família). 
A coculpabilidade significa concorrências de culpabilidades, de forma que as pessoas excluídas 
e marginalizadas pela família, sociedade, pelo Estado, o caminho do crime é muito mais sedutor. 
Entende-se que essas pessoas possuem um menor grau de autodeterminação. Assim, a sociedade, 
o Estado e a família também possuem culpabilidade naquele crime praticado. Essa teoria não exclui 
a culpabilidade, mas prevê uma concorrência de culpabilidades. 
No Brasil essa teoria não possui previsão legal, é uma construção doutrinária. 
Essa teoria pode ser adotada no Brasil? Há doutrina que sustenta que essa teoria pode ser adotada 
no Brasil como atenuante genérica inominada (art. 66 do CP). 
Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior 
ao crime, embora não prevista expressamente em lei. 
A atenuante é favorável ao réu e, portanto, não precisa estar prevista em lei. 
Entretanto, o STJ não tem admitido a aplicação da teoria da coculpabilidade (STJ, HC 172.505/ 
MG/2011 e HC 187.132/MG/2013). 
Teoria da Vulnerabilidade → Luiz Flávio Gomes prefere falar em teoria da vulnerabilidade, 
entendendo ele que quem conta com alta vulnerabilidade, que é o caso de quem não tem 
instrução, nem status, nem condições de pagar advogado, nem família, nem diploma, etc, teria a 
culpabilidade reduzida, de forma que essas circunstâncias levariam à redução da pena. 
 
Ufa, está acabando, prometo! Pessoal, vamos agora ver um #RESUMODORESUMO? 
 
Elementos da Culpabilidade Causas de Exclusão (Dirimentes) 
 
IMPUTABILIDADE 
a) Anomalia Psíquica; 
b) Menoridade. (Rol Taxativo!) 
c) Embriaguez acidental completa. 
POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE. Erro de Proibição Inevitável. (Hipótese Taxativa!) 
 
 
EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA. 
a) Coação Moral Irresistível; 
b) Obediência Hierárquica. 
#RESPONDAESSA: aqui também estamos diante 
de um Rol Taxativo? Não! O legislador não tem 
como prever todas as hipóteses de exigibilidade 
de conduta diversa. 
 
Como vimos, podemos concluir que existem causas supralegais de Inexigibilidade de Conduta 
37 CICLOS RETA FINAL MP/PR | @CICLOSR3 
 
 
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Diversa, e, automaticamente, da culpabilidade. Desta forma, a Inexigibilidade de Conduta Diversa é a 
porta de entrada das causas supralegais de exclusão da culpabilidade. 
 
 
Bem amigos, por hoje é isso. Vamos treinar bem e gabaritar penal!Abraços. 
“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim 
terás o que colher.” Cora Coralina 
#FAMÍLIACICLOS 
#JUNTOSATÉAPOSSE! 
#VÁALÉM. O que é Culpabilidade Funcional? Trata-se da Culpabilidade para Claus Roxin. Para 
ele, o crime consiste no Fato Típico + Ilícito + Reprovável. Este último elemento, “reprovabilidade”, é 
composto pela “Imputabilidade” + “Potencial Consciência da Ilicitude” + “Exigibilidade de Conduta 
Diversa” + “Necessidade da Pena” = Culpabilidade Funcional → Que funcionaria como um limite da 
pena. 
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	FICA A DICA
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (1)
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	1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS:
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (2)
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	CICLOS RETA FINAL MP/PR (3)
	FICA A DICA
	» Sistema Clássico → teoria psicológica;
	» Teoria do poder agir diferente;
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (4)
	FICA A DICA
	» Teoria do defeito de motivação;
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (5)
	FICA A DICA
	1. IMPUTABILIDADE (Capacidade de culpabilidade) = ENTENDIMENTO + AUTODETERMINAÇÃO
	#VAMOSCOMPARAR: #TABELASALVAVIDAS.
	1.1. Critérios de Imputabilidade:
	1.2. Hipóteses de Inimputabilidade:
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (6)
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	CICLOS RETA FINAL MP/PR (7)
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	FICA A DICA
	b) Inimputabilidade em razão da menoridade.
	c) Inimputabilidade em razão de embriaguez completa proveniente de Caso Fortuito ou Força Maior.
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (9)
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	CICLOS RETA FINAL MP/PR (10)
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	» Emoção e paixão;
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (13)
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	2. POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE
	2.1. Hipótese única de exclusão da Potencial Consciência da Ilicitude:
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (17)
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	2.2. Consequências do erro de proibição:
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (18)
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	CICLOS RETA FINAL MP/PR (19)
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	• Espécies de Erro de Proibição na Lei Penal Brasileira
	» Erro de proibição direto;
	» Erro de Proibição Indireto
	O objeto do erro de proibição indireto é o erro quanto a existência de uma causa de justificação inexistente no ordenamento e o erro quanto aos limites de uma causa de justificação.
	» Erro de Tipo Permissivo
	dimensão intelectual ou por defeito na dimensão emocional das ações humanas.
	• Excesso na legítima defesa real por erro de representação: o excesso poderá ser extensivo ou
	• Excesso na legítima defesa por defeito emocional → configura causa de exculpação, por inexigibilidade de conduta diversa.
	• Excesso por defeito emocional → é causa de exculpação, por inexigibilidade de conduta diversa.
	#EMSUMA
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (21)
	FICA A DICA
	3.1. Hipóteses Legais de Exclusão da Exigibilidade de Conduta Diversa (situações de exculpação):
	B. Obediência Hierárquica:
	#ISSOÉUMPLUS
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (22)
	FICA A DICA
	• Excesso inconsciente determinado por medo, susto ou perturbação (afetos astênicos) → causa de exculpação;
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (23)
	FICA A DICA
	Pessoal, muita atenção a este tópico! Trarei aqui teorias sensíveis, mas que vocês não podem deixar de conhecer. Não fiquem com raiva de mim, a culpa é do examinador rsrsr.
	» Provocação da Situação de Legítima Defesa
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (24)
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	» Desobediência Civil
	» Conflito de Deveres
	#OLHAOGANCHO
	CICLOS RETA FINAL MP/PR (25)
	FICA A DICA
	#FAMÍLIACICLOS #JUNTOSATÉAPOSSE!

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