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ESTRUTURA DA MEDULA ESPINHAL (CAPÍTULO 14) 
 
* ​1.0 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ESTRUTURA DO SISTEMA NERVOSO 
CENTRAL: GLOSSÁRIO........................................................................................................ 
* 2.0 ESTRUTURA DA MEDULA: ASPECTOS GERAIS................................................... 
* 3.0 SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA.................................................................... 
* 3.1 DIVISÃO DA SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA........................................... 
* 3.3 NÚCLEOS E LÂMINAS DA MEDULA......................................................................... 
* 4.0 SUBSTÂNCIA BRANCA DA MEDULA........................................................................ 
* 4.1 IDENTIFICAÇÃO DE TRATOS (TRACTOS) E FASCÍCULOS............................... 
* 4.3 VIAS ASCENDENTES (VIAS AFERENTES, VIAS 
SENSITIVAS)........................... 
* ​4.3.1 DESTINO DAS FIBRAS DA RAIZ DORSAL............................................................ 
* ​4.3.2 SISTEMATIZAÇÃO DAS VIAS ASCENDENTES DA 
MEDULA........................... 
* 4.3.2.1 VIAS ASCENDENTES DO FUNÍCULO 
LATERAL.............................................. 
* 4.5 CORRELAÇÕES 
ANATOMOCLÍNICAS..................................................................... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.0 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DAS ESTRUTURA DO SISTEMA NERVOSO 
CENTRAL; GLOSSÁRIO 
 
O estudo da estrutura interna do sistema nervoso central, que será iniciado neste 
capítulo, é uma das partes mais importantes e interessantes da neuroanatomia, uma vez 
que, no sistema nervoso, estrutura e função estão intimamente ligadas. Por outro lado, o 
conhecimento da estrutura do sistema nervoso central é fundamental para a 
compreensão dos diversos quadro clínicos que resultam das lesões e processos 
patológicos que podem acometê-lo. Embora o estudo destes aspectos seja objeto da 
patologia e da neurologia, o simples conhecimento da estrutura funcional do sistema 
nervoso central com base nos sinais e sintomas que delas decorrem. Antes de iniciarmos 
o estudo das estruturas da medula , vamos conceituar alguns termos que serão 
largamente usados nos capítulos seguintes. 
 
a) substância cinzentas​- tecido nervoso constituído de neuróglia, ​corpos de neurônios 
e fibras predominante ​amielínicas 
b) substância branca ​- tecido nervoso formado de neuróglia e fibras predominante 
mielínicas​; 
c) núcleos-​ massa de substância cinzenta dentro de substância branca, ou grupo 
delimitado de neurônios com aproximadamente a mesma estrutura e mesma função; 
Núcleos- ​aglomerado de corpos de neurônios dentro do sistema nervoso central; 
 
d) formação reticular​- agregado de neurônios separados por fibras nervosas que não 
correspondem exatamente às substâncias brancas ou cinzentas e ocupa a parte 
central do tronco encefálico; 
Formação Reticular- rede de fibras​ e corpos de neurônios localizados no tronco 
encefálico que são responsáveis pelo centro respiratório, centro vasomotor e centro do 
vômito; 
e) Córtex-​ substância cinzenta que se dispõe em uma camada fina do cérebro e do 
cerebelo; 
Córtex- ​uma fina camada de substância cinzenta que dispõe da superfície do cérebro e 
do cerebelo; 
f) Tratos (tractos​)- feixes de fibras nervosas com aproximadamente a mesma 
origem,​ mesma ​função e mesmo sentido e mesmo destino​. As fibras podem ser 
mielínicas ou amielínicas. Na denominação de um trato (tracto), usam-se dois 
nomes: o primeiro indicando a posição do trato (tracto). Assim, trato corticoespinhal 
lateral indica um trato (tracto) cujas fibras se originam no ​córtex cerebral​, e 
terminam ​na medula espinhal​ e se localiza no ​funículo lateral da medula espinhal; 
 
Tracto (trato)- Feixe de fibras nervosas com aproximadamente a mesma origem, mesma 
função e mesmo destino. As fibras podem ser mielínicas ou amielínicas. Na denominação 
de um tracto, usam-se dois nomes: o primeiro indica a origem (início) e o segundo a 
terminação das fibras (local onde ela termina). Pode, ainda, haver um terceiro nome 
indicando a posição do tracto (localização). Assim, trato corticoespinhal lateral indica um 
trajeto cujas fibras se originam no córtex cerebral (origem), termina na medula espinhal e 
se localiza no funículo lateral da medula espinhal; 
TODO TRATO TEM: 
● Uma origem 
● Uma função 
● Um destino 
● Uma localização 
Ex: trato (tracto) espinotalâmico lateral 
Origem (espino) = medula 
 Função= dor e temperatura 
 Destino= tálamo 
 Localização= funículo lateral da medula 
g) fascículos- usualmente o termo se refere a um tracto mais compacto (mais reduzido, 
de pequeno tamanho). Entretanto, o emprego do termo fascículo, em vez de trato (tracto) 
para algumas estruturas deve-se mais à tradição do que a uma diferença fundamental 
existente entre eles; 
h) lemnisco​- o termo significa fita. É empregado para alguns feixes de fibras 
sensitivas que levam impulsos nervosos ao tálamo; 
Lemnisco- ​É a união de tatos (tractos) ou fascículos e geralmente encontramos no tronco 
encefálico; 
i) funículo-​ o termo significa ​cordão​ e é usado para substância branca da medula. 
Um funículo contém vários tractos ou fascículos; 
j) decussação​- formação anatômica constituída por fibras nervosas que ​cruzam 
obliquamente o plano mediano ​ e que têm aproximadamente a mesma direção. O 
exemplo mais conhecido é a ​decussação das pirâmides ​; 
k) comissura​- formação anatômica constituída por fibras nervosas que cruzam 
perpendicularmente o plano mediano​ e que têm, por conseguinte, direção 
diametralmente opostas. O exemplo mais conhecido é o ​corpo caloso​ a maior das 
comissuras telencefálicas; 
 
Diferença entre ​decussação e comissura ​. As fibras originadas em A e A cruza o plano 
mediano (XX) ​obliquamente​, formando uma decussação;as originadas em B e B cruzam 
este plano ​mediano perpendicularmente​ (90º) formando uma comissura. 
 
l) fibras de projeção​- fibras de projeção de uma determinada área ou órgão do 
sistema nervoso central são fibras que saem fora dos limites desta área ou deste órgão; 
m) fibras de associação​- fibras de associação de uma determinada área ou órgão do 
sistema nervoso central são fibras que associam pontos mais ou menos distantes desta 
área ou deste órgão sem, entretanto, abandoná-lo; 
n) modulação​- mudança de excitabilidade de um neurônio causada por axônio de 
outros axônio de outro neurônios não relacionados com a função do primeiro. Por 
exemplo, um axônio pode mudar a excitabilidade de um neurônio motor sem se 
relacionar diretamente com a motricidade; 
o) neuroimagem funcional ​- técnica que permite estudar o estado funcional de áreas 
do SNC em indivíduos sem anestesia. Baseia-se no fato de que quando os neurônios são 
ativados há aumento do metabolismo e do fluxo sanguíneo; 
3.0 SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA 
 Na medula, a ​substância cinzenta localiza-se por dentro da branca e apresenta a 
forma de uma borboleta ou de um H​. Nela distinguimos, de cada lado ​trê colunas​ (cornos) 
que aparecem nos cortes como e que são as ​colunas anterior, coluna lateral e a coluna 
posterior​. A ​coluna lateral​, entretanto, só aparece na medula nos ​segmentos torácico e 
parte da medula​ ​no seguimento lombar​ (​segmento tóracolombar ​). No centro da substância 
cinzenta localiza-se o canal central da medula (ou canal do epêndima), resquício da luz 
do tubo neural do embrião. 
 
OBS: A coluna lateral, entretanto, só aparece na medula torácica e parte da medula 
lombar. 
 
 
 
 
 
 
 
SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA (H MEDULAR) 
 
3.1 DIVISÃO DA SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA 
A substância cinzenta da medula tem a ​forma de borboleta​ ou de um H. Existem 
vários critérios para a divisão desta substância cinzenta.Um deles considera duas linhas 
que tangencia os contornos anterior e posterior do ramo horizontal do H, dividindo a 
substância cinzenta em ​coluna anterior ​, ​coluna posterior e substância cinzenta 
intermédia​. Por sua vez, a substância cinzenta intermédia pode ser dividida em 
substância cinzenta central e substância cinzenta intermédia lateral​ por duas linhas 
anteroposteriores, como mostra a figura abaixo. De acordo com este critério, ​a coluna 
lateral faz parte da substância cinzenta intermédia lateral.​ ​Na coluna anterior​, 
distinguem-se uma cabeça e uma base, está em conexão com a substância cinzenta 
intermédia lateral. ​Na coluna posterior observa-se, de diante para trás (anterior para 
posterior) base (núcleos torácicos ou dorsais), um pescoço (núcleos próprios) e um ápice 
(substância gelatinosa).​ Neste último existe uma área constituída por tecido nervoso 
translúcido, rico em células neurogliais e pequenos neurônios, a ​substância gelatinosa 
(Figura 14.3). 
 
 
DIVISÃO DA COLUNA (corno) POSTERIOR DO H MEDULAR 
 
 
 
3.3 NÚCLEOS E LÂMINAS DA SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA 
Os neurônios medulares não se distribuem de maneira uniforme na substância 
cinzenta, mas agrupam-se em núcleos ora menos definido. Estes núcleos são, 
usualmente, representados em cortes, mas não se pode esquecer que, na realidade, 
formam colunas longitudinais dentro de três colunas da medula. Alguns núcleos, 
entretanto, não se estendem ao longo de toda a medula. A sistematização dos núcleos da 
medula é complicada e controvertida, e o estudo que se segue é extremamente 
simplificado. Os vários núcleos descritos na ​coluna anterior​ podem ser agrupados em 
dois grupos: Núcleo do ​grupo medial e núcleo do grupo lateral​, de acordo com a sua 
posição. ​Os núcleos do grupo media​l ​existem em toda extensão da medula​ e os neurônios 
motores aí localizados inervam a ​musculatura relacionada com o esqueleto axial​. Já os 
núcleos do grupo lateral dão origem​ a fibras que inervam a ​musculatura apendicular​, ou 
seja, dos membros ​superiores e do membro inferior​. Em função disso, estes núcleos 
aparecem apenas nas regiões das ​intumescências cervical e intumescência lombar​, onde 
se originam, respectivamente, os ​plexos braquial e lombossacral​. ​Nos neurônios do grupo 
lateral​, os neurônios motores situados ​mais mediais​ inervam a ​musculatura proximal dos 
membros (braço)​, enquanto os neurônios situados ​mais lateralmente​ inervam a 
musculatura ​distal dos membros​, ou seja, os ​músculos intrínsecos e extrínsecos da mão e 
do pé. 
Na ​coluna posterior​, são mais evidentes dois núcleos: ​o núcleo torácico​ (​núcleos 
dorsal​) e a ​substância gelatinosa​. O primeiro, evidente apenas na região torácica e 
lombar alta (L1- L2). Relaciona-se com a propriocepção inconsciente e contém 
neurônios cordonais de projeção, cujos axônios ​vão ao cerebelo​. 
A substância gelatinosa ​ tem organização bastante complexa. Ela recebe ​fibras 
(aferentes) sensitivas​ que entram pela raiz dorsal e nela funciona o chamado ​portão da 
dor​. ​Mecanismo que regula a entrada de impulsos dolorosos no sistema nervoso​. Para o 
funcionamento do portão da dor são importantes as fibras que chegam à substância 
gelatinosa vindas do tronco encefálico. O portão da dor será estudada no capítulo 29, 
item 4.1 
4.1 REGULAÇÃO DA DOR. VIAS DA ANALGESIA 
Em 1965, Melzack e Wall publicaram importante trabalho propondo nova teoria 
segundo a qual a penetração dos impulsos dolorosos no sistema nervoso central seria 
regulada por neurônios e circuitos nervosos existentes na ​substância gelatinosa da 
coluna posterior do H medular​, que agiria como um “portão”, impedindo ou permitindo 
a entrada de impulsos dolorosos. O portão seria controlado por fibras descendentes 
supraespinhais e pelos próprios impulsos nervosos que entram pelas fibras das raízes 
dorsais. Assim, os impulsos nervosos conduzidos pelas grossas fibras mielínicas de tatos 
(fibras A beta), estas abrindo e aquelas fechando o portão. A teoria do portão da dor 
Malzack e Wall marcou o início de grandes números de pesquisas sobre os ​mecanismos 
de regulação da dor​, e ela foi confirmada em seus aspectos fundamentais, ou seja, existe 
um “portão” para a dor envolvendo circuitos na substância gelatinosa, controlados por 
fibras de origem espinhal e supraespinhal. Confirmou-se, também, que os ramos 
colaterais das grossas fibras táteis dos ​fascículos grácil e cuneiforme​ que penetram 
na coluna posterior inibem a transmissão dos impulsos dolorosos, ou seja, fecham o 
“portão”. Com base neste fato, surgiram as chamadas “técnicas de estimulação 
transcutânea”, usadas hoje com sucesso para tratamento de certos tipos de dor que 
constituem na estimulação, feita através de eletrodos colocados sobre a pele, das fibras 
táteis de nervos periféricos ou funículo posterior da medula. 
 
 
 
 
A substância cinzenta da medula foi objetivo de exaustivos estudos de 
citoarquitetura realizada por ​REXED ​, cujo trabalho mudaram as concepções existentes 
sobre a distribuição dos neurônios medulares. Este autor verificou que os neurônios 
medulares se distribuem em extratos ou lâminas bastante regulares, as ​lâminas de rexed​, 
numeradas de I a X, no sentido dorsaventral (posterior para anterior). As lâminas I a 
IV contribuem uma área receptora, onde terminam os neurônios das fibras 
exteroceptivas que penetram pela raízes dorsais. As lâminas V e VI recebem 
informações proprioceptivas. A lâmina IX contém os neurônios motores que 
correspondem aos núcleos da coluna anterior. 
 
 
 
 
 
SUBSTÂNCIA BRANCA DA MEDULA 
 
 
Obs: O ​funículo posterior​ na parte cervical da medula é dividido pelo sulco intermédio 
posterior em ​fascículo grácil e fascículo cuneiforme​. 
4.1 IDENTIFICAÇÃO DE TRATOS (TRACTOS) E FASCÍCULOS 
As ​fibras da substância branca da medula​ agrupam-se ​em tratos (tractos) e 
fascículos​ que formam ​verdadeiros caminhos; ou vias​, por onde passam os impulsos 
nervosos que sobem e descem, A formação, função e posição destes feixes de fibras 
nervosas serão estudadas a seguir. Convém notar, entretanto, ​que não existe na 
substância branca septos​ delimitando os diversos tratos (tractos) e fascículos, e as fibras 
da periferia de um trato (tracto) se dispõem lado a lado com as do trato (tracto) vizinho. 
Contudo, há métodos que permitiram aos neuroanatomistas localizar a posição dos 
principais tratos (tractos) e fascículos. 
O mais importante deles baseia-se no fato de que, quando seccionamos uma fibra 
mielínica, o segmento distal sofre ​degeneração walleriana​. Seccionando-se 
experimentalmente a medula de animais ou, no homem, aproveitando-se caso de secção 
resultantes de acidentes, observam-se ​áreas de degeneração​ acima ou abaixo das lesões. 
Elas correspondem aos diversos tratos (tractos) e fascículos cujas fibras foram lesadas. 
Se a área de degeneração é ascendente, ou seja, o corpo do neurônio localiza-se abaixo, 
concluímos, por raciocínio semelhante, que o trato (tracto) é descendente. Temos, assim, 
tratos (tractos) e fascículos descendentes e ascendentes da medula. Modernamente foi 
desenvolvida uma técnica de neuroimagem (tratografia por ressonância magnética) que 
permite identificar os principais tratos (tractos) no indivíduo vivo. 
4.3 VIAS ASCENDENTES 
As fibras que formam as vias ascendentes (aferentes, sensitivos) da medula 
relacionam-se direta ou indiretamente com as fibras que ​penetram pela raiz dorsal​ do 
nervo espinhal, trazendo impulsos aferentes (sensitivos) de várias partes do corpo. Os 
componentes funcionais destas fibras já foram estudados no capítulo 10 C. item 2.0, a 
propósito dos nervos espinhais. Cabe agora o estudo morfológico de como estas fibras 
penetram na medula. 
 
 
 
 
4.3.1 DESTINO DAS FIBRAS DA RAIZ DORSAL 
Cada filamentoradicular da raiz dorsal, ao ganhar o sulco lateral posterior, 
divide-se em dois grupos de fibras: um grupo de fibra lateral e outro grupo de fibra 
medial (figura 14.5). As fibras do grupo lateral são mais finas e dirigem-se ao ápice 
(lâmina 1, substância gelatinosa) da coluna (corno) posterior do H medular, enquanto as 
fibras do grupo medial dirige-se à face medial da coluna (corno) posterior do H 
medular. Antes de penetrar na coluna posterior cada uma dessas fibras se bifurca, 
dando um ramo ascendente e outro descendente sempre mais curto, além de grande 
número de ramos colaterais mais finos do grupo medial, cujos ramos ascendentes, 
muitos longos, terminam na coluna posterior, exceto um grande contingente de fibras 
do grupo medial, cujos ramos ascendentes, muitos longos, terminam no bulbo. Estes 
constituem as fibras do fascículo grácil e do fascículo cuneiforme, que ocupam os 
funículos posteriores da medula e terminam fazendo sinapse no tubérculo do núcleo 
grácil e no núcleo cuneiforme situado, respectivamente, no tubérculo do núcleo grácil e 
no tubérculo do núcleo cuneiforme do bulbo. 
 
 
A seguir são relacionadas as diversas possibilidades de sinapse que podem fazer 
as fibras e os colaterais da raiz dorsal ao penetrar na substância cinzenta da medula 
(Figura 14.5). Convém acentuar que os principais impulsos nervos que chegam por uma 
única fibra podem seguir mais de um dos caminhos abaixo relacionado: 
a) sinapse com o neurônios motores ​, na coluna anterior do H medular- para 
realização de um arco reflexo monossináptico (arco reflexo simples), sendo mais 
conhecido de os reflexos de estiramento ou miotáticos, dos quais o reflexo patelar é um 
exemplo; 
 
 
 
 
b) ​sinapse com os neurônios internunciais​- para a realização de um reflexo 
polissináptico, que envolve pelo menos um neurônio internuncial, cujo o axônio se 
liga ao neurônio motor. Um exemplo é o reflexo de flexão ou de retirada, no qual um 
estímulo doloroso causa a retirada reflexa da parte afetada. Os reflexos 
polissinápticos podem ser muito mais complexo, envolvendo grande número de 
neurônios internunciais; 
c) ​sinapse com neurônios cordonais de associação​- para a realização de arcos reflexos 
intersegmentares, dos quais um exemplo é o arco reflexo de coçar; 
 
 
d) sinapse com os neurônios pré-ganglionares​ para realização de arco reflexos viscerais; 
e) sinapse com neurônios cordonais de projeção​- cujo axônio vão constituir as vias 
ascendentes da medula, através das quais o impulsos que entram pela raiz dorsal são 
levados ao ​tálamo e ao cerebelo. 
Do que já foi exposto no item anterior, conclui-se que as fibras que formam as 
vias ascendentes (sensitivas) da medula são ramos ascendentes (sensitivos) de fibras da 
raiz dorsal (​fascículo grácil e fascículo cuneiforme​) ou axônio de neurônios cordonais de 
projeção situados na coluna posterior. Em qualquer destes casos, as fibras ascendentes 
reúnem-se em tratos (tractos) e fascículos com características e função própria, que 
serão estudadas a seguir, analisando-se separadamente os funículos posterior, funículo 
anterior e o funículo lateral da medula. 
 
 
 
 
 
O Fascículo grácil ​inicia-se no limite caudal (inferior) da medula e é formado por 
fibras que penetram na medula pela raiz ​coccígeo, sacrais, lombares e torácicas ​ ​baixas 
(até T6 para baixo), terminando no ​núcleo grácil, situado no tubérculo do núcleo grácil 
do bulbo​ (Figura 5.2). ​Conduz, portanto, impulsos proveniente dos membro inferiores e 
metade inferior do tronco​ e pode ser ​identificado em toda a extensão da medula. 
O Fascículo cuneiforme, evidente apenas a partir da medula torácica alta, é 
formado por fibras que penetram pelas raízes cervicais e torácicas superiores (C1 a T5), 
terminando no núcleo cuneiforme, situado no tubérculo do núcleo cuneiforme do bulbo 
(Figura 5.2). Conduz portanto, impulsos originados nos membros superiores e na 
metade superior do tronco. Do ponto de vista funcional, não há diferença entre os 
fascículos grácil e cuneiforme; sendo assim, o funículo posterior da medula é 
funcionalmente homogêneo (​que possui igual)​, conduz impulsos nervosos relacionados 
com: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
a) propriocepção consciente ou sentido​ de posição e de movimento (​cinestesia​)- 
permite, sem auxílio da visão, situar uma parte do corpo ou perceber o seu movimento. 
A perda da propriocepção consciente, que ocorre por exemplo, após lesão do funículo 
posterior, faz com que o indivíduo seja incapaz de localizar, sem ver, a posição de seu 
braço ou de sua perna. Ele será também incapaz de dizer se o neurologista fletiu ou 
estendeu o seu hálux ou o seu pé; 
 
 
 
 
 
 
 
 
Propriocepção consciente​: é capacidade de um indivíduo descrever a posição do seu 
corpo sem auxílio da visão. 
 
b) Tato discriminativo, tato fino (ou epicrítico)- permite localizar e descrever as 
características táteis de um objeto; 
 
 
c) Discriminação de dois pontos​- testa-se tocando a pele simultaneamente com as 
duas ponta de um compasso e verifica-se a maior distância dos dois ponto tocandos, que 
é percebida como se fosse um ponto só (discriminação de dois pontos); 
 
 
d) Sensibilidade vibratória​- percepção de ​estímulos mecânicos repetitivos​. Testa-se 
tocando a pele de encontro a uma saliência óssea com um ​diapasão,​ quando o indivíduo 
deverá dizer se o diapasão está vibrando ou não. ​A perda da sensibilidade vibratória​ é um 
dos sinais precoces da ​lesão do funículo posterior; 
 
Diapasão​ é um instrumento metálico em forma de forquilha, que serve para afinar 
instrumentos e vozes através da vibração de um som musical de determinada altura. Foi 
inventado por John Shore (1662–1752) em 1711, trompetista de Georg Friedrich 
Haendel. 
Diapasão​ é um instrumento metálico em forma de forquilha, que serve para testar a 
sensibilidade vibratória de um paciente. 
 
A base do diapasão em vibração é encostada firmemente sobre o processo mastoideo e 
assim que o som se torna inaudível, ela será colocada próxima ao meato auditivo 
externo. Na primeira situação, a onda sonora estimulará os receptores auditivos por 
condução óssea e na segunda situação por condução aérea. O indivíduo normal ouve 
melhor por condução aérea do que por condução óssea, isto é, quando deixa de ouvir a 
vibração do diapasão por condução óssea, ele ainda é capaz de detectá-la por condução 
aérea. 
Estereognosia​- capacidade de perceber, com as mão, a forma e o tamanho de um objeto. 
A estereognosia depende de receptores tanto ​para tato​ como para ​propriocepção​. 
 
Estereognosia​ é a habilidade de reconhecer ou identificar a forma e os contornos dos 
objetos através do tato. 
4.3.2.1 AS VIAS ASCENDENTES DO FUNÍCULO ANTERIOR 
No funículo anterior localiza-se o trato (tracto) espino talâmico anterior, 
formando por axônio de neurônios cordonais de projeção situado na coluna posterior. 
Estes axônios cruzam o plano mediano e fletem-se cranialmente (superiormente) 
para formar o trato (tracto) espino talâmico anterior (Figura 14.5), cujas fibras 
nervosas terminam no tálamo e levam impulsos de tato leve (tato protopático). Esse tipo 
de tato, ao contrário daquele que segue pelo funículo posterior, é pouco discriminativo e 
permite apenas de maneira grosseira a localização da fonte de estímulo tátil. A 
sensibilidade tátil tem, pois, duas vias na medula, uma direta, no funículo posterior, e 
outra cruzada, no funículo anterior. Por isso, dificilmente se pede a toda a sensibilidade 
tátil nas lesões medulares, exceto, naquelas em que há transecção do órgão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
TRATO ESPINO TALÂMICO ANTERIOR 
(tato protopático e pressão)4.3.2.3 VIAS ASCENDENTE DO FUNÍCULO LATERAL 
Trato (tracto) espino talâmico lateral​- neurônios cordonais de projeção, situados 
na coluna posterior, emitem axônios que cruzam o plano mediano na comissura branca 
ganham o funículo lateral, onde se fletem cranialmente (superiormente) para constituir 
o trato (tracto) espino talâmico lateral​ (Figura 14.5), cujas fibras ​terminam no tálamo​. O 
tamanho deste trato (tracto) aumenta à medida que ele sobe na medula pela constante 
adição de novas fibras. O trato ​(tracto) espinotalâmico lateral conduz impulsos de 
temperatura e dor​ tem em medicina, pode-se entender que ​o trato (tracto) espinotalâmico 
lateral​ é de grande importância para o médico. Em ​certos casos de dor​, decorrente 
principalmente de câncer aconselha-se o tratamento cirúrgico por secção do 
trato(tracto) espino talâmico lateral, técnica denominada de ​cordotomia ​. O trato (tracto) 
espino talâmico lateral constitui a principal vias através da qual os impulsos de 
temperatura e dor chegam ao cérebro. Junto dele seguem também as fibras 
espinorreticulares (formação reticular), que também conduzem impulsos dolorosos. 
Essas fibras fazem sinapse na chamada formação reticular do tronco encefálico, onde se 
originam as fibras reticulostalâmicas, constituindo-se assim a via 
espino-retículo-talâmica. Essa via ​conduz impulsos relacionados com dores do tipo 
crônica e difusa​ (dor em queimação), enquanto a via espinotalâmica se relaciona com as 
dores agudas e bem localizadas da superfície corporal. 
 
Cordotomia​ ​é um procedimento cirúrgico realizado na medula espinhal para o 
tratamento da dor crônica. O processo consiste na secção cirúrgica do trato espino 
talâmico lateral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
TRATO (tacto) ESPINO TALÂMICO LATERAl 
(dor e temperatura) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TRATO (tacto) ESPINOCEREBELAR POSTERIOR 
Trato espinocerebelar posterior ​- neurônios cordonais de projeção, situados no 
núcleo torácico​ da coluna posterior do H medular, emitem axônios que ganham o 
funículo lateral do mesmo lado​, fletindo-se cranialmente para formar o ​trato espino 
cerebelar posterior​ (Figura 14.5). As fibras deste trato penetram no cerebelo pelo 
pedúnculo cerebelar inferior​ (Figura 21.7), levando impulsos de propriocepção 
inconsciente originados em fusos neuromusculares e órgão neurotendinosos; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TRATO (tracto) ESPINOCEREBELAR ANTERIOR 
Trato espinocerebelar anterior​- neurônios cordonais de projeção, situado na 
coluna posterior e na substância cinzenta intermédia, emitem axônios que ganham o 
funículo lateral do mesmo lado ou do lado oposto​, fletindo-se cranialmente para formar o 
trato espino cerebelar anterior​ (Figura 14.5). As fibras deste trato ​penetram no cerebelo, 
principalmente pelo pedúnculo cerebelar superior​ (Figura 21.7). Admita-se que as fibras 
cruzadas na medula tornam a se cruzar ao entrar no cerebelo, de tal modo que os 
impulsos nervosos termina no ​hemisfério cerebelar situado do mesmo lado em que se 
originou​. Ao ​contrário do trato espino cerebelar posterior,​ que veicula somente impulsos 
nervosos originados em receptores periféricos, as fibras do trato espinocerebelar 
anterior ​informam também eventos​ ​que ocorre dentro da própria medula​, ​relacionados 
com a atividade elétrica do trato corticoespinhal.​ Assim através do trato espinocerebelar 
anterior, ​o cerebelo é informado de quando os impulsos motores chegam à medula e qual 
sua intensidade​. Essa informação é usada pelo cerebelo para controle da motricidade 
somática. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na tabela 14.2 estão sintetizados os dados mais importantes sobre os principais tratos 
(tractos) e fascículos ascendentes da medula, cuja posição é mostrado na figura 14.3, 
juntamente com os tratos corticoespinhais e o fascículo próprio da medula.

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