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ESTRUTURA DA MEDULA ESPINHAL (CAPÍTULO 14) * 1.0 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ESTRUTURA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL: GLOSSÁRIO........................................................................................................ * 2.0 ESTRUTURA DA MEDULA: ASPECTOS GERAIS................................................... * 3.0 SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA.................................................................... * 3.1 DIVISÃO DA SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA........................................... * 3.3 NÚCLEOS E LÂMINAS DA MEDULA......................................................................... * 4.0 SUBSTÂNCIA BRANCA DA MEDULA........................................................................ * 4.1 IDENTIFICAÇÃO DE TRATOS (TRACTOS) E FASCÍCULOS............................... * 4.3 VIAS ASCENDENTES (VIAS AFERENTES, VIAS SENSITIVAS)........................... * 4.3.1 DESTINO DAS FIBRAS DA RAIZ DORSAL............................................................ * 4.3.2 SISTEMATIZAÇÃO DAS VIAS ASCENDENTES DA MEDULA........................... * 4.3.2.1 VIAS ASCENDENTES DO FUNÍCULO LATERAL.............................................. * 4.5 CORRELAÇÕES ANATOMOCLÍNICAS..................................................................... 1.0 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DAS ESTRUTURA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL; GLOSSÁRIO O estudo da estrutura interna do sistema nervoso central, que será iniciado neste capítulo, é uma das partes mais importantes e interessantes da neuroanatomia, uma vez que, no sistema nervoso, estrutura e função estão intimamente ligadas. Por outro lado, o conhecimento da estrutura do sistema nervoso central é fundamental para a compreensão dos diversos quadro clínicos que resultam das lesões e processos patológicos que podem acometê-lo. Embora o estudo destes aspectos seja objeto da patologia e da neurologia, o simples conhecimento da estrutura funcional do sistema nervoso central com base nos sinais e sintomas que delas decorrem. Antes de iniciarmos o estudo das estruturas da medula , vamos conceituar alguns termos que serão largamente usados nos capítulos seguintes. a) substância cinzentas- tecido nervoso constituído de neuróglia, corpos de neurônios e fibras predominante amielínicas b) substância branca - tecido nervoso formado de neuróglia e fibras predominante mielínicas; c) núcleos- massa de substância cinzenta dentro de substância branca, ou grupo delimitado de neurônios com aproximadamente a mesma estrutura e mesma função; Núcleos- aglomerado de corpos de neurônios dentro do sistema nervoso central; d) formação reticular- agregado de neurônios separados por fibras nervosas que não correspondem exatamente às substâncias brancas ou cinzentas e ocupa a parte central do tronco encefálico; Formação Reticular- rede de fibras e corpos de neurônios localizados no tronco encefálico que são responsáveis pelo centro respiratório, centro vasomotor e centro do vômito; e) Córtex- substância cinzenta que se dispõe em uma camada fina do cérebro e do cerebelo; Córtex- uma fina camada de substância cinzenta que dispõe da superfície do cérebro e do cerebelo; f) Tratos (tractos)- feixes de fibras nervosas com aproximadamente a mesma origem, mesma função e mesmo sentido e mesmo destino. As fibras podem ser mielínicas ou amielínicas. Na denominação de um trato (tracto), usam-se dois nomes: o primeiro indicando a posição do trato (tracto). Assim, trato corticoespinhal lateral indica um trato (tracto) cujas fibras se originam no córtex cerebral, e terminam na medula espinhal e se localiza no funículo lateral da medula espinhal; Tracto (trato)- Feixe de fibras nervosas com aproximadamente a mesma origem, mesma função e mesmo destino. As fibras podem ser mielínicas ou amielínicas. Na denominação de um tracto, usam-se dois nomes: o primeiro indica a origem (início) e o segundo a terminação das fibras (local onde ela termina). Pode, ainda, haver um terceiro nome indicando a posição do tracto (localização). Assim, trato corticoespinhal lateral indica um trajeto cujas fibras se originam no córtex cerebral (origem), termina na medula espinhal e se localiza no funículo lateral da medula espinhal; TODO TRATO TEM: ● Uma origem ● Uma função ● Um destino ● Uma localização Ex: trato (tracto) espinotalâmico lateral Origem (espino) = medula Função= dor e temperatura Destino= tálamo Localização= funículo lateral da medula g) fascículos- usualmente o termo se refere a um tracto mais compacto (mais reduzido, de pequeno tamanho). Entretanto, o emprego do termo fascículo, em vez de trato (tracto) para algumas estruturas deve-se mais à tradição do que a uma diferença fundamental existente entre eles; h) lemnisco- o termo significa fita. É empregado para alguns feixes de fibras sensitivas que levam impulsos nervosos ao tálamo; Lemnisco- É a união de tatos (tractos) ou fascículos e geralmente encontramos no tronco encefálico; i) funículo- o termo significa cordão e é usado para substância branca da medula. Um funículo contém vários tractos ou fascículos; j) decussação- formação anatômica constituída por fibras nervosas que cruzam obliquamente o plano mediano e que têm aproximadamente a mesma direção. O exemplo mais conhecido é a decussação das pirâmides ; k) comissura- formação anatômica constituída por fibras nervosas que cruzam perpendicularmente o plano mediano e que têm, por conseguinte, direção diametralmente opostas. O exemplo mais conhecido é o corpo caloso a maior das comissuras telencefálicas; Diferença entre decussação e comissura . As fibras originadas em A e A cruza o plano mediano (XX) obliquamente, formando uma decussação;as originadas em B e B cruzam este plano mediano perpendicularmente (90º) formando uma comissura. l) fibras de projeção- fibras de projeção de uma determinada área ou órgão do sistema nervoso central são fibras que saem fora dos limites desta área ou deste órgão; m) fibras de associação- fibras de associação de uma determinada área ou órgão do sistema nervoso central são fibras que associam pontos mais ou menos distantes desta área ou deste órgão sem, entretanto, abandoná-lo; n) modulação- mudança de excitabilidade de um neurônio causada por axônio de outros axônio de outro neurônios não relacionados com a função do primeiro. Por exemplo, um axônio pode mudar a excitabilidade de um neurônio motor sem se relacionar diretamente com a motricidade; o) neuroimagem funcional - técnica que permite estudar o estado funcional de áreas do SNC em indivíduos sem anestesia. Baseia-se no fato de que quando os neurônios são ativados há aumento do metabolismo e do fluxo sanguíneo; 3.0 SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA Na medula, a substância cinzenta localiza-se por dentro da branca e apresenta a forma de uma borboleta ou de um H. Nela distinguimos, de cada lado trê colunas (cornos) que aparecem nos cortes como e que são as colunas anterior, coluna lateral e a coluna posterior. A coluna lateral, entretanto, só aparece na medula nos segmentos torácico e parte da medula no seguimento lombar (segmento tóracolombar ). No centro da substância cinzenta localiza-se o canal central da medula (ou canal do epêndima), resquício da luz do tubo neural do embrião. OBS: A coluna lateral, entretanto, só aparece na medula torácica e parte da medula lombar. SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA (H MEDULAR) 3.1 DIVISÃO DA SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA A substância cinzenta da medula tem a forma de borboleta ou de um H. Existem vários critérios para a divisão desta substância cinzenta.Um deles considera duas linhas que tangencia os contornos anterior e posterior do ramo horizontal do H, dividindo a substância cinzenta em coluna anterior , coluna posterior e substância cinzenta intermédia. Por sua vez, a substância cinzenta intermédia pode ser dividida em substância cinzenta central e substância cinzenta intermédia lateral por duas linhas anteroposteriores, como mostra a figura abaixo. De acordo com este critério, a coluna lateral faz parte da substância cinzenta intermédia lateral. Na coluna anterior, distinguem-se uma cabeça e uma base, está em conexão com a substância cinzenta intermédia lateral. Na coluna posterior observa-se, de diante para trás (anterior para posterior) base (núcleos torácicos ou dorsais), um pescoço (núcleos próprios) e um ápice (substância gelatinosa). Neste último existe uma área constituída por tecido nervoso translúcido, rico em células neurogliais e pequenos neurônios, a substância gelatinosa (Figura 14.3). DIVISÃO DA COLUNA (corno) POSTERIOR DO H MEDULAR 3.3 NÚCLEOS E LÂMINAS DA SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA Os neurônios medulares não se distribuem de maneira uniforme na substância cinzenta, mas agrupam-se em núcleos ora menos definido. Estes núcleos são, usualmente, representados em cortes, mas não se pode esquecer que, na realidade, formam colunas longitudinais dentro de três colunas da medula. Alguns núcleos, entretanto, não se estendem ao longo de toda a medula. A sistematização dos núcleos da medula é complicada e controvertida, e o estudo que se segue é extremamente simplificado. Os vários núcleos descritos na coluna anterior podem ser agrupados em dois grupos: Núcleo do grupo medial e núcleo do grupo lateral, de acordo com a sua posição. Os núcleos do grupo medial existem em toda extensão da medula e os neurônios motores aí localizados inervam a musculatura relacionada com o esqueleto axial. Já os núcleos do grupo lateral dão origem a fibras que inervam a musculatura apendicular, ou seja, dos membros superiores e do membro inferior. Em função disso, estes núcleos aparecem apenas nas regiões das intumescências cervical e intumescência lombar, onde se originam, respectivamente, os plexos braquial e lombossacral. Nos neurônios do grupo lateral, os neurônios motores situados mais mediais inervam a musculatura proximal dos membros (braço), enquanto os neurônios situados mais lateralmente inervam a musculatura distal dos membros, ou seja, os músculos intrínsecos e extrínsecos da mão e do pé. Na coluna posterior, são mais evidentes dois núcleos: o núcleo torácico (núcleos dorsal) e a substância gelatinosa. O primeiro, evidente apenas na região torácica e lombar alta (L1- L2). Relaciona-se com a propriocepção inconsciente e contém neurônios cordonais de projeção, cujos axônios vão ao cerebelo. A substância gelatinosa tem organização bastante complexa. Ela recebe fibras (aferentes) sensitivas que entram pela raiz dorsal e nela funciona o chamado portão da dor. Mecanismo que regula a entrada de impulsos dolorosos no sistema nervoso. Para o funcionamento do portão da dor são importantes as fibras que chegam à substância gelatinosa vindas do tronco encefálico. O portão da dor será estudada no capítulo 29, item 4.1 4.1 REGULAÇÃO DA DOR. VIAS DA ANALGESIA Em 1965, Melzack e Wall publicaram importante trabalho propondo nova teoria segundo a qual a penetração dos impulsos dolorosos no sistema nervoso central seria regulada por neurônios e circuitos nervosos existentes na substância gelatinosa da coluna posterior do H medular, que agiria como um “portão”, impedindo ou permitindo a entrada de impulsos dolorosos. O portão seria controlado por fibras descendentes supraespinhais e pelos próprios impulsos nervosos que entram pelas fibras das raízes dorsais. Assim, os impulsos nervosos conduzidos pelas grossas fibras mielínicas de tatos (fibras A beta), estas abrindo e aquelas fechando o portão. A teoria do portão da dor Malzack e Wall marcou o início de grandes números de pesquisas sobre os mecanismos de regulação da dor, e ela foi confirmada em seus aspectos fundamentais, ou seja, existe um “portão” para a dor envolvendo circuitos na substância gelatinosa, controlados por fibras de origem espinhal e supraespinhal. Confirmou-se, também, que os ramos colaterais das grossas fibras táteis dos fascículos grácil e cuneiforme que penetram na coluna posterior inibem a transmissão dos impulsos dolorosos, ou seja, fecham o “portão”. Com base neste fato, surgiram as chamadas “técnicas de estimulação transcutânea”, usadas hoje com sucesso para tratamento de certos tipos de dor que constituem na estimulação, feita através de eletrodos colocados sobre a pele, das fibras táteis de nervos periféricos ou funículo posterior da medula. A substância cinzenta da medula foi objetivo de exaustivos estudos de citoarquitetura realizada por REXED , cujo trabalho mudaram as concepções existentes sobre a distribuição dos neurônios medulares. Este autor verificou que os neurônios medulares se distribuem em extratos ou lâminas bastante regulares, as lâminas de rexed, numeradas de I a X, no sentido dorsaventral (posterior para anterior). As lâminas I a IV contribuem uma área receptora, onde terminam os neurônios das fibras exteroceptivas que penetram pela raízes dorsais. As lâminas V e VI recebem informações proprioceptivas. A lâmina IX contém os neurônios motores que correspondem aos núcleos da coluna anterior. SUBSTÂNCIA BRANCA DA MEDULA Obs: O funículo posterior na parte cervical da medula é dividido pelo sulco intermédio posterior em fascículo grácil e fascículo cuneiforme. 4.1 IDENTIFICAÇÃO DE TRATOS (TRACTOS) E FASCÍCULOS As fibras da substância branca da medula agrupam-se em tratos (tractos) e fascículos que formam verdadeiros caminhos; ou vias, por onde passam os impulsos nervosos que sobem e descem, A formação, função e posição destes feixes de fibras nervosas serão estudadas a seguir. Convém notar, entretanto, que não existe na substância branca septos delimitando os diversos tratos (tractos) e fascículos, e as fibras da periferia de um trato (tracto) se dispõem lado a lado com as do trato (tracto) vizinho. Contudo, há métodos que permitiram aos neuroanatomistas localizar a posição dos principais tratos (tractos) e fascículos. O mais importante deles baseia-se no fato de que, quando seccionamos uma fibra mielínica, o segmento distal sofre degeneração walleriana. Seccionando-se experimentalmente a medula de animais ou, no homem, aproveitando-se caso de secção resultantes de acidentes, observam-se áreas de degeneração acima ou abaixo das lesões. Elas correspondem aos diversos tratos (tractos) e fascículos cujas fibras foram lesadas. Se a área de degeneração é ascendente, ou seja, o corpo do neurônio localiza-se abaixo, concluímos, por raciocínio semelhante, que o trato (tracto) é descendente. Temos, assim, tratos (tractos) e fascículos descendentes e ascendentes da medula. Modernamente foi desenvolvida uma técnica de neuroimagem (tratografia por ressonância magnética) que permite identificar os principais tratos (tractos) no indivíduo vivo. 4.3 VIAS ASCENDENTES As fibras que formam as vias ascendentes (aferentes, sensitivos) da medula relacionam-se direta ou indiretamente com as fibras que penetram pela raiz dorsal do nervo espinhal, trazendo impulsos aferentes (sensitivos) de várias partes do corpo. Os componentes funcionais destas fibras já foram estudados no capítulo 10 C. item 2.0, a propósito dos nervos espinhais. Cabe agora o estudo morfológico de como estas fibras penetram na medula. 4.3.1 DESTINO DAS FIBRAS DA RAIZ DORSAL Cada filamentoradicular da raiz dorsal, ao ganhar o sulco lateral posterior, divide-se em dois grupos de fibras: um grupo de fibra lateral e outro grupo de fibra medial (figura 14.5). As fibras do grupo lateral são mais finas e dirigem-se ao ápice (lâmina 1, substância gelatinosa) da coluna (corno) posterior do H medular, enquanto as fibras do grupo medial dirige-se à face medial da coluna (corno) posterior do H medular. Antes de penetrar na coluna posterior cada uma dessas fibras se bifurca, dando um ramo ascendente e outro descendente sempre mais curto, além de grande número de ramos colaterais mais finos do grupo medial, cujos ramos ascendentes, muitos longos, terminam na coluna posterior, exceto um grande contingente de fibras do grupo medial, cujos ramos ascendentes, muitos longos, terminam no bulbo. Estes constituem as fibras do fascículo grácil e do fascículo cuneiforme, que ocupam os funículos posteriores da medula e terminam fazendo sinapse no tubérculo do núcleo grácil e no núcleo cuneiforme situado, respectivamente, no tubérculo do núcleo grácil e no tubérculo do núcleo cuneiforme do bulbo. A seguir são relacionadas as diversas possibilidades de sinapse que podem fazer as fibras e os colaterais da raiz dorsal ao penetrar na substância cinzenta da medula (Figura 14.5). Convém acentuar que os principais impulsos nervos que chegam por uma única fibra podem seguir mais de um dos caminhos abaixo relacionado: a) sinapse com o neurônios motores , na coluna anterior do H medular- para realização de um arco reflexo monossináptico (arco reflexo simples), sendo mais conhecido de os reflexos de estiramento ou miotáticos, dos quais o reflexo patelar é um exemplo; b) sinapse com os neurônios internunciais- para a realização de um reflexo polissináptico, que envolve pelo menos um neurônio internuncial, cujo o axônio se liga ao neurônio motor. Um exemplo é o reflexo de flexão ou de retirada, no qual um estímulo doloroso causa a retirada reflexa da parte afetada. Os reflexos polissinápticos podem ser muito mais complexo, envolvendo grande número de neurônios internunciais; c) sinapse com neurônios cordonais de associação- para a realização de arcos reflexos intersegmentares, dos quais um exemplo é o arco reflexo de coçar; d) sinapse com os neurônios pré-ganglionares para realização de arco reflexos viscerais; e) sinapse com neurônios cordonais de projeção- cujo axônio vão constituir as vias ascendentes da medula, através das quais o impulsos que entram pela raiz dorsal são levados ao tálamo e ao cerebelo. Do que já foi exposto no item anterior, conclui-se que as fibras que formam as vias ascendentes (sensitivas) da medula são ramos ascendentes (sensitivos) de fibras da raiz dorsal (fascículo grácil e fascículo cuneiforme) ou axônio de neurônios cordonais de projeção situados na coluna posterior. Em qualquer destes casos, as fibras ascendentes reúnem-se em tratos (tractos) e fascículos com características e função própria, que serão estudadas a seguir, analisando-se separadamente os funículos posterior, funículo anterior e o funículo lateral da medula. O Fascículo grácil inicia-se no limite caudal (inferior) da medula e é formado por fibras que penetram na medula pela raiz coccígeo, sacrais, lombares e torácicas baixas (até T6 para baixo), terminando no núcleo grácil, situado no tubérculo do núcleo grácil do bulbo (Figura 5.2). Conduz, portanto, impulsos proveniente dos membro inferiores e metade inferior do tronco e pode ser identificado em toda a extensão da medula. O Fascículo cuneiforme, evidente apenas a partir da medula torácica alta, é formado por fibras que penetram pelas raízes cervicais e torácicas superiores (C1 a T5), terminando no núcleo cuneiforme, situado no tubérculo do núcleo cuneiforme do bulbo (Figura 5.2). Conduz portanto, impulsos originados nos membros superiores e na metade superior do tronco. Do ponto de vista funcional, não há diferença entre os fascículos grácil e cuneiforme; sendo assim, o funículo posterior da medula é funcionalmente homogêneo (que possui igual), conduz impulsos nervosos relacionados com: a) propriocepção consciente ou sentido de posição e de movimento (cinestesia)- permite, sem auxílio da visão, situar uma parte do corpo ou perceber o seu movimento. A perda da propriocepção consciente, que ocorre por exemplo, após lesão do funículo posterior, faz com que o indivíduo seja incapaz de localizar, sem ver, a posição de seu braço ou de sua perna. Ele será também incapaz de dizer se o neurologista fletiu ou estendeu o seu hálux ou o seu pé; Propriocepção consciente: é capacidade de um indivíduo descrever a posição do seu corpo sem auxílio da visão. b) Tato discriminativo, tato fino (ou epicrítico)- permite localizar e descrever as características táteis de um objeto; c) Discriminação de dois pontos- testa-se tocando a pele simultaneamente com as duas ponta de um compasso e verifica-se a maior distância dos dois ponto tocandos, que é percebida como se fosse um ponto só (discriminação de dois pontos); d) Sensibilidade vibratória- percepção de estímulos mecânicos repetitivos. Testa-se tocando a pele de encontro a uma saliência óssea com um diapasão, quando o indivíduo deverá dizer se o diapasão está vibrando ou não. A perda da sensibilidade vibratória é um dos sinais precoces da lesão do funículo posterior; Diapasão é um instrumento metálico em forma de forquilha, que serve para afinar instrumentos e vozes através da vibração de um som musical de determinada altura. Foi inventado por John Shore (1662–1752) em 1711, trompetista de Georg Friedrich Haendel. Diapasão é um instrumento metálico em forma de forquilha, que serve para testar a sensibilidade vibratória de um paciente. A base do diapasão em vibração é encostada firmemente sobre o processo mastoideo e assim que o som se torna inaudível, ela será colocada próxima ao meato auditivo externo. Na primeira situação, a onda sonora estimulará os receptores auditivos por condução óssea e na segunda situação por condução aérea. O indivíduo normal ouve melhor por condução aérea do que por condução óssea, isto é, quando deixa de ouvir a vibração do diapasão por condução óssea, ele ainda é capaz de detectá-la por condução aérea. Estereognosia- capacidade de perceber, com as mão, a forma e o tamanho de um objeto. A estereognosia depende de receptores tanto para tato como para propriocepção. Estereognosia é a habilidade de reconhecer ou identificar a forma e os contornos dos objetos através do tato. 4.3.2.1 AS VIAS ASCENDENTES DO FUNÍCULO ANTERIOR No funículo anterior localiza-se o trato (tracto) espino talâmico anterior, formando por axônio de neurônios cordonais de projeção situado na coluna posterior. Estes axônios cruzam o plano mediano e fletem-se cranialmente (superiormente) para formar o trato (tracto) espino talâmico anterior (Figura 14.5), cujas fibras nervosas terminam no tálamo e levam impulsos de tato leve (tato protopático). Esse tipo de tato, ao contrário daquele que segue pelo funículo posterior, é pouco discriminativo e permite apenas de maneira grosseira a localização da fonte de estímulo tátil. A sensibilidade tátil tem, pois, duas vias na medula, uma direta, no funículo posterior, e outra cruzada, no funículo anterior. Por isso, dificilmente se pede a toda a sensibilidade tátil nas lesões medulares, exceto, naquelas em que há transecção do órgão. TRATO ESPINO TALÂMICO ANTERIOR (tato protopático e pressão)4.3.2.3 VIAS ASCENDENTE DO FUNÍCULO LATERAL Trato (tracto) espino talâmico lateral- neurônios cordonais de projeção, situados na coluna posterior, emitem axônios que cruzam o plano mediano na comissura branca ganham o funículo lateral, onde se fletem cranialmente (superiormente) para constituir o trato (tracto) espino talâmico lateral (Figura 14.5), cujas fibras terminam no tálamo. O tamanho deste trato (tracto) aumenta à medida que ele sobe na medula pela constante adição de novas fibras. O trato (tracto) espinotalâmico lateral conduz impulsos de temperatura e dor tem em medicina, pode-se entender que o trato (tracto) espinotalâmico lateral é de grande importância para o médico. Em certos casos de dor, decorrente principalmente de câncer aconselha-se o tratamento cirúrgico por secção do trato(tracto) espino talâmico lateral, técnica denominada de cordotomia . O trato (tracto) espino talâmico lateral constitui a principal vias através da qual os impulsos de temperatura e dor chegam ao cérebro. Junto dele seguem também as fibras espinorreticulares (formação reticular), que também conduzem impulsos dolorosos. Essas fibras fazem sinapse na chamada formação reticular do tronco encefálico, onde se originam as fibras reticulostalâmicas, constituindo-se assim a via espino-retículo-talâmica. Essa via conduz impulsos relacionados com dores do tipo crônica e difusa (dor em queimação), enquanto a via espinotalâmica se relaciona com as dores agudas e bem localizadas da superfície corporal. Cordotomia é um procedimento cirúrgico realizado na medula espinhal para o tratamento da dor crônica. O processo consiste na secção cirúrgica do trato espino talâmico lateral. TRATO (tacto) ESPINO TALÂMICO LATERAl (dor e temperatura) TRATO (tacto) ESPINOCEREBELAR POSTERIOR Trato espinocerebelar posterior - neurônios cordonais de projeção, situados no núcleo torácico da coluna posterior do H medular, emitem axônios que ganham o funículo lateral do mesmo lado, fletindo-se cranialmente para formar o trato espino cerebelar posterior (Figura 14.5). As fibras deste trato penetram no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar inferior (Figura 21.7), levando impulsos de propriocepção inconsciente originados em fusos neuromusculares e órgão neurotendinosos; TRATO (tracto) ESPINOCEREBELAR ANTERIOR Trato espinocerebelar anterior- neurônios cordonais de projeção, situado na coluna posterior e na substância cinzenta intermédia, emitem axônios que ganham o funículo lateral do mesmo lado ou do lado oposto, fletindo-se cranialmente para formar o trato espino cerebelar anterior (Figura 14.5). As fibras deste trato penetram no cerebelo, principalmente pelo pedúnculo cerebelar superior (Figura 21.7). Admita-se que as fibras cruzadas na medula tornam a se cruzar ao entrar no cerebelo, de tal modo que os impulsos nervosos termina no hemisfério cerebelar situado do mesmo lado em que se originou. Ao contrário do trato espino cerebelar posterior, que veicula somente impulsos nervosos originados em receptores periféricos, as fibras do trato espinocerebelar anterior informam também eventos que ocorre dentro da própria medula, relacionados com a atividade elétrica do trato corticoespinhal. Assim através do trato espinocerebelar anterior, o cerebelo é informado de quando os impulsos motores chegam à medula e qual sua intensidade. Essa informação é usada pelo cerebelo para controle da motricidade somática. Na tabela 14.2 estão sintetizados os dados mais importantes sobre os principais tratos (tractos) e fascículos ascendentes da medula, cuja posição é mostrado na figura 14.3, juntamente com os tratos corticoespinhais e o fascículo próprio da medula.