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AVES DA AMAZÔNIA Texto Maria Luiza Videira Marceliano Ilustrações Antônio Carlos Seabra Martins FICHA TÉCNICA Governo do Brasil Presidência da República Presidente Fernando Henrique Cardoso Ministério da Ciência e Tecnologia — MCT Misnistro Ronaldo Mota Sardenberg Museu Paraense Emílio Goeldi — MPEG Diretor Peter Mann de Toledo Coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação Ima Célia Guimarães Vieira Coordenador de Comunicação e Extensão Antonio Carlos Lobo Soares Comissão de Editoração Científica — COED Presidente Lourdes Gonçalves Furtado Editora Chefe Iraneide Silva Editor Assistente Socorro Menezes Bolsistas Andréa Pinheiro & Hailton Santos Assistente Técnico Williams Cordovil Texto Maria Luiza Videira Marceliano Ilustrações Antônio Carlos Seabra Martins Fotos da Capa Antonio Pinheiro (raízes e folhas da mandioca) Apoio iconográfico Harri Lorenzi INTRODUÇÃO Este é o terceiro álbum para colorir da Série Infantil do Museu Goeldi, tendo como tema as Aves da Amazônia. O texto foi cuidadosamente elaborado por uma pesquisadora do Departamento de Zoologia do Museu com o Apoio do Departamento de Museologia, através da Divisão de Educação e Extensão Cultural, pois é destinado ao público infanto-juvenil necessi- tando, assim, de uma linguagem própria e acessível. As ilustrações foram preparadas, com carinho, por um dos melhores desenhistas do Museu, especializado em desenhos técnicos na área de zoologia. Mais uma vez, o Museu Goeldi desempenha a sua função social, levando ao público, conhecimentos sobre as aves da Amazônia. Brincando de colorir, espera-se gerar maior intimidade com a natureza, ao mesmo tempo em que se dá a conhecer as aves amazônicas, inclusive as em perigo de extinção. Neste íntimo contato se procura despertar no jovem a consciência de conservar e preservar a natureza. Ao final do álbum estão indicadas algumas publicações sobre o assunto para sua consulta. O QUE E UMA AVE? As aves são animais vertebrados (com coluna vertebral), plumados e geralmente adap- tados para voar. A temperatura do seu corpo é regulada para permitir rápida função dos músculos de vôo. Os olhos e ouvidos são bem desenvolvidos: a visão da águia e audição da coruja são sem igual entre os animais. Enquanto os membros anteriores (braços) são modificados em asas (ou, às vezes em remos) as pernas são geralmente equipadas com quatro dedos usadas para locomoção bípede. Mesmo sem mãos, as aves podem manipu- lar objetos com a coordenação entre o bico e as garras. Como sua característica principal, as aves têm o corpo coberto de penas que ajudam a regular sua temperatura. As penas são lubrificadas pela secreção de uma glândula de gor- dura (mais desenvolvidas em aves aquáticas) que impermeabiliza a plumagem. Seus ossos são delicados e muitos ocos, cheios de ar, que proporcionam leveza ao vôo. O osso esterno e a cintura escapular são modificados para receberem a musculatura do vôo. Aves não possuem dentes, mas o bico pode ser muito forte, como o da arara que que- bra sementes. A voz, muitas vezes tão agradável dos pássaros deve-se a um órgão que aux- ilia no canto, chamado siringe. O coração com quatro cavidades (duas aurículas e dois ventrículos). Os tamanhos de sues tarsos (pés) e dedos variam muito, desde os curtíssimos dos beija- flores e andorinhas até os muito longos das garças e seus parentes. Nas aves aquáticas os dedos são unidos por uma membrana mais ou menos ampla, formando uma nadadeira. O bico pode atingir extraordinárias dimensões em relação ao corpo das aves, como se pode ver nos tucanos, araçaris e beija-flores, e apresentar formas muito variadas, sendo curto e largo em aves que caçam insetos em vôo como andorinhas, fortes e cônicos em granívoros (as que se alimentam de grãos), serrilhados em patos e marrecas, afiados e ganchosos em gaviões e corujas, ou fortes, altos e recurvados em araras e papagaios. As aves são ovíparas, ou sejam, põem ovos. Algumas aves aquáticas e poucas terrestres põem seus ovos na superfície do solo, em rochas nuas, em fendas ou depressões de bar- rancos ou em cavidades de árvores. A maioria, porém, constrói um ninho, desde muito simples a bem elaborado, para realizar suas atividades reprodutivas. As aves diferem entre si em vários aspectos, tais como: tamanho do corpo; coloração da plumagem; forma e tamanho do bico e da asa; estrutura do esqueleto, dos ossos e da siringe. Estes outros caracteres externos e internos são usados para reunir as aves em grandes grupos. A avifauna amazônica é notável pelo grande número de espécies (tipos biológicos) e pelo fato de essas aves não se encontrarem em outras regiões do mundo (espécies endêmi- cas). Aqui vivem aves dos mais variados tamanhos e cores, desde os pequenos beija-flo- res até o majestoso gavião-real. As aves amazônicas possuem, dentre outras particulari- dades, a vivacidade e riqueza no colorido da plumagem que pode ser ornamentada com pontos, listras, barras e belíssimas combinações de cores e tonalidades metálicas. À base desta riqueza na forma, textura e coração das penas das aves, o índio 5 amazônico executa seu trabalho de arte plumária, criando formas de expressão artística. Utilizando as penas sobre o corpo, em objetos de uso cerimonial e em outros artefatos como armas, instrumentos musicais, pentes, brinquedos e outros, o índio consegue transmitir mensagens tanto de ordem estética como social. Além da plumagem, muitas aves amazônicas, devido a seus cantos e hábitos interes- santes, tornaram-se tema de lendas e crenças populares. Para que nunca faltem nos céus o colorido e vibrante espetáculo ou o alegre canto dos pássaros, todos nós temos que fazer nossa parte para a conservação das aves, para que estes lindos e interessantes animais que conosco partilham este mundo tenham sempre onde e como viver. Acasalamento - Formação de pares para fins de reprodução. Anfíbio - Sapos, rãs, pererecas e animais afins que vivem na água e na terra. A larva ou forma imatura deste é o girino. Arara - Ave de grande porte, pertencente à família dos papagaios, com bico forte e cauda longa. Alimenta-se de frutas e sementes. Arbóreo - Localizado em árvores. Artrópode - Insetos, aranhas, crustáceos e animais invertebrados (sem espinha dorsal) relacionados. Estes possuem um corpo revestido com uma casca protetora (exoesquele- to) e patas com articulações (juntas). Bípede - Animal que anda sobre dois pés. Camuflagem - Coloração que serve para disfarçar ou esconder. Capoeira - Vegetação que cresceu nas derrubadas ou queimadas de mata virgem. Carniça - Carne podre que atrai urubu. Choco - Período quando a ave fica em contato com os ovos para regular sua temperatu- ra e promover seu desenvolvimento. Coberteira - (ver desenho ilustrativo das partes externas de aves.) Crepuscular - Durante o nascer ou pôr-do-sol. Crista - Maço de penas em cima da cabeça. Topete. Crustáceo - Caranguejos, camarões, lagostas e outros animais afins, de maiorias aquáti- cos, pertencentes ao grande grupo dos artrópodes. Diurno - Durante o dia. Egretas - Conjunto de penas compridas que enfeitam a cabeça e o dorso de certas aves como as garças. GLOSSÁRIO 7 Encontro - (ver Desenho ilustrativo das partes externas de aves.) Endemismo - Ocorrência de uma determinada espécie numa só região geográfica, como a ararajuba que é endêmica ao Brasil. Espécie - Conjunto de todos os animais ou plantas de um determinado tipo que se recon- hecem para acasalamento. Estalido - Som curto e seco produzido pela ave, lembrando estalos. Estria longitudinal - Linha fina ao longo do corpo. Fronte - Testa. Garça - Aves que vivem aos bandos, freqüentam rios, lagoas, pântanos, praias marítimas ou manguezais e que se alimentam quase só de peixes. Granívoro - Animal que se alimenta de grãos ou sementes. Íris - Parte do olho em volta da pupilaou abertura central, freqüentemente colorida. Larva - Forma imatura de um animal, de vida livre. Por exemplo, o girino é a larva do sapo e a lagarta da borboleta ou mariposa. Loro - (Ver desenho ilustrativo das partes externas de aves.) Mandíbula - Parte inferior (em baixo) do bico. (Ver desenho ilustrativo das partes exter- nas de aves.) Manguezal - Floresta costeira em solos moles de lama escura, sujeira e marés. Maxila - Parte superior (em cima) do bico. (Ver desenho ilustrativo das partes externas de aves.) Mento - (Ver desenho ilustrativo das partes externas de aves.) Molusco - Caracóis, caramujos e outros animais terrestres, aquáticos e marinhos rela- cionados, de corpo mole coberto por uma dura casca. Muda (de penas) - Substituição de penas velhas que caem por penas novas. Néctar - Líquido açucarado produzido pelas plantas nas flores e outras parte chamadas nectários. 8 Nidificar - Construir ninhos. Noturno - Durante a noite. Nupcial - Durante ou antes o acasalamento. Namoro. Pássaro - Ave caracterizada pelo bico sem cera na base, tarso ou pés com três dedos para frente e um para trás. Penacho - Conjunto de penas localizadas na cabeça das aves. Crista. Perioftálmico - Em volta dos olhos. Polinização - Transporte de grãos de pólen para fecundar flores para a produção de suas sementes. Ráquis - Eixo principal da pena das aves. Suporte central da pena. Rêmiges (primárias e secundárias) - Penas apropriadas ao vôo, são implantadas nas asas. (Ver Desenho ilustrativo das partes externas de aves.) Retrizes - Penas da cauda que funcionam com leme para orientar o vôo das aves. Siringe - Órgão vocal das aves. Tarso - Pé da ave. (Ver Desenho ilustrativo das partes externas de aves.) Terra firme - Área ou floresta não sujeita a inundações. Uropígio - Parte nas costas de aves. (Ver Desenho ilustrativo das partes externas de aves.) Várzea - Área ou floresta sujeita a inundações. 9 Desenho ilustrativo das partes externas de aves 10 Conhecido também por "socó-de-bico-largo", com 54cm de comprimento, o bico élargo e chato, sendo a maxila preta e a mandíbula amarelada; olhos grandes esalientes; penacho nucal preto; mancha na nuca marrom-avermelhada, fronte e garganta branca; abdome marrom-ferruginoso; lados do corpo pretos; tarso e dedos amarelados. Vive solitário ou em casal, tem hábitos noturnos e crepusculares; durante o dia, esconde-se nas folhagens das matas densas, nas beiras dos rios, lagos e igarapés. Caminha lentamente na água rasa e durante a noite alimenta-se de peixes, crustáceos, insetos, anfíbios, vegetais e pequenos mamíferos. Na época de reprodução forma "nin- hais" juntos com os socós, garças e outras aves aquáticas. Tem o comportamento de abaixar a cabeça e exibir o penacho em forma de leque, espetáculo impressionante de ser observado. Ocorre do México à Bolívia e Argentina, e em quase todo o Brasil. ARAPAPÁCochlearius cochlearius 11 Uma das mais bonitas aves do Brasil. Pelo endemismo e pelas cores da plumagempoderia representar a Ave Nacional. É quase inteiramente amarela, com asasverdes, recobertas até a metade por penas amarelas, de modo que só a metade da asa mostra a cor verde, quando a ave não está voando.Ocorre unicamente em determi- nados locais do Pará e Maranhão, mas está ameaçada de extinção devido à caça ilegal e à destruição das florestas. Vive em bandos ou em casal, alimentando-se de frutos, sementes, flores e brotos. Nidifica em ocos das árvores mortas. ARARAJUBAAratinga guarouba 12 Plumagem geral vermelho-vivo; face branca, coberteiras superiores e inferiores dacauda azul-claras; ponta da cauda e asas azuis mais escuras; penas das corbeteirasda asa amarelas com bordas esverdeadas. Vive na mata e beira de rios, em bando ou em casal. Alimenta-se de frutos e sementes. Faz ninhos em ocos de árvores de prefer- ências em troncos de palmeiras. Ocorre na Amazônia e países vizinhos do norte e oeste, e na América Central. ARARA VERMELHAAra macao 13 OBeija-Flor tem bico fino e comprido, alimenta-se do néctar das flores, bate as asascom grande rapidez parecendo estar parado no ar (diante de flores). Verdadeira jóiada natureza, com sua plumagem colorida e metálica, tendo papel importante na polinização de muitas plantas. O "Brilho de fogo" é o maior beija-flor do Brasil, com 20cm de comprimento e é assim chamado por causa da cor da plumagem do corpo que é ver- melho-metálica, com brilhos dourados; a cabeça e garganta verdes; bico e tarsos pretos; duas penas centrais da cauda alongadas, púrpura-escuras. Ocorre nas Guianas e Venezuela; no Brasil é encontrado no Amazonas, Pará, Rio Branco e Amapá. BEIJA-FLOR BRILHO DE FOGOTopaza pella 14 Possui 11cm de comprimento, vive nas matas e capoeiras, alimentando-se do néctardas flores. É notável pela bonita cauda que abre em leque por ocasião da paradanupcial e diante das flores. A plumagem do corpo é verde-metálica, sendo a gar- ganta mais brilhante; cauda vermelho-púrpura com pontas pretas. Ocorre apenas na Amazônia. BEIJA-FLOR DE PAPO VERDEAnthracothorax viridigula 15 Apipra detaca-se pelo colorido da plumagem dos machos e pelas cerimônias pré-nupciais coletivas, nas quais realiza verdadeiras "danças" em exibições diante dafêmea. Várias lendas são a ela atribuídas, tem fama de atrair boa sorte. Esta espé- cie é conhecida também por " uirapuru" e "atangará". Possui 10 cm de comprimento, tendo plumagem preta com a cabeça vermelha. Habita as matas de terra firme e alimen- ta-se de frutos, bagas e pequenos insetos. Ocorre no Brasil (Amazônia, Rio de Janeiro e Espírito Santo) e na Bolívia. CABEÇA ENCARNADAPipra rubrocapilla 16 Ave comum das beiras dos rios, lagos e igarapés da Amazônia. Alimenta-se de fol-has novas, flores e frutos de anhinga, de siriúba, de imbaúba, de aguapé e outros.Constrói o ninho de gravetos sobre os galhos, e põe dois ovos e os pais alimentam os filhotes com a massa odorífera que armazenam no papo. Possui uma crista eriçada marrom-clara, fazes e região ao redor dos olhos azul-brilhante; dorso marrom, com bril- ho esverdeado e estrias longitudinais brancas; bordas das asas marrons; cauda preta com larga barra terminal creme; peito marrom-claro e barriga marrom-escura. Ocorre na Amazônia e países vizinhos do norte e oeste. CIGANAOpisthocomus hoazin 17 Pássaro com 10 cm de comprimento, bico preto, íris laranja, cabeça cinza-escura, pon-tilhada de preto; dorso verde-oliva, garganta e peito anterior esbranquiçados e pon-tilhados de preto; região ventral amarelo-vivo; asas e cauda enegrecidas. A sua pre- sença é marcante pelo canto "tzi, tzi, titi, titi" emitido pelo casal ou por um único indiví- duo nas copas das mangueiras da cidade de Belém. A espécie convive com facilidade com o homem, habitando áreas urbanas, como parques e jardins, utilizando as árvores para pouso e construção de seus ninhos. Alimenta-se de insetos e ocorre na Amazônia, Guiana, Venezuela, Peru e Bolívia. FERREIRINHOTodirostrum maculatum 18 Gracioso e bem camuflado pelo colorido e padrão da plumagem, possui dorsoverde-escuro; asas, cabeça, nuca e abdome azuis; coberteiras inferiores da caudabrancas; pernas e dedos longos e amarelos; escudo chato e azul claro na cabeça; bico vermelho com ponta amarela. Vive sozinho ou em pequenos bandos em vegetações de beiras e alagados. Alimenta-se de capim, brotos, insetos e pequenos vertebrados. Ocorre do sul dos Estados Unidos à Argentina e em todo o Brasil. FRANGO D’ÁGUA-AZULPorphyrula martinica 19 Uma das aves mais belas da Amazônia, sua plumagem é amarelo-laranja vivo; asase cauda marrons, marginadas de alaranjado pálido; crista ereta, cobrindo partesuperior do bico que a ave movimenta como um peque em vai-e-vem ritmado. Realiza "dança pré-nupcial" onde vários machos se reúnem na mata, próximo ao solo, e em "palcos", individuais, exibem a plumagem eriçando-a emum espetáculo belíssimo. Nidifica nas cavidades das rochas; alimenta-se de frutos e insetos, habita nas matas altas, sombrias e úmidas das serras fronteiriças entre o Brasil, Guianas, Venezuela e Colômbia. Na Amazônia ocorre no alto Rio Negro, Roraima e alto Rio Branco. Espécie ameaçada de extinção pelo cobiçado valor comercial de suas penas. GALO-DA-SERRARupicola rupicola 20 Ave inteiramente branca, com bico e tarsos pretos; íris, loros e dedos amarelos. Émenor que as outras garças brancas, com 54 cm de comprimento. Possui penasalongadas na nuca e durante a época de acasalamento apresenta a plumagem nup- cial com "egretas" mais desenvolvidas, com as pontas reviradas para cima. Voa lentamente e caminha a passos largos em ambientes alagados à procura de seu alimento, como: peix- es, insetos aquáticos, crustáceos, moluscos, anfíbios e répteis. Constrói ninhos de grave- tos nas árvores e arbustos. Forma colônias mistas, compostas de outras aves aquáticas, os " ninhais" ou "garçais". Ocorre na maior parte da América do Sul, em todo o Brasil, sud- este dos Estados Unidos e Antilhas, no litoral marítimo, em beiras de rios e igarapés, em campos inundáveis e manguezais. GARÇA BRANCA PEQUENAEgretta thula 21 Conhecido também por "japim-da-mata", tem em torno de 26 cm de comprimento, é preto como uropígio e coberteiras superiores da cauda vermelhos vivo e o bico amarelo-claro. Vive emcolônias e constrói ninhos em forma de longas bolsas de 40 a 70 cm de comprimento, próx- imos a ninhos de vespas e formigas. Habita as matas e alimenta-se de frutos, insetos e saqueia nin- hos de pássaros. Imita o canto de outros pássaros e até vozes de certos animais. Possui vasta dis- tribuição geográfica, das Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, no Brasil, na Amazônia e em out- ros estados; no Paraguai e Argentina. GUAXECacicus haemorrhous 22 Conhecido vulgarmente também como "Inhambu-sujo" e "Inhambu-preto". É quaseque inteiramente de cor cinza-escuro, apresentando o ráquis branco nas penas doslados da cabeça; íris amarelo-claro, maxila preta e mandíbula verde-clara; tarso e dedos esverdeados. Possui, aproximadamente, 29 cm de comprimento e vive em matas de várzea. Em capoeiras e plantações. Alimenta-se de frutas, folhas, sementes, artrópodes e moluscos. Ocorre na porção Amazônica da Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Brasil. INHAMBU-PIXUMACrypturellus cinereus 23 Conhecida também por "Cacaoe". Ocorre das Guianas e Roraima e Norte do Pará,é de intensa cor laranja, com a cauda e as asas verdes, cujas bordas e pontas sãoazul-escuras; bico, tarso e dedos pretos. Vive em casal ou em bandos, na mata e regiões cultivadas, alimenta-se de frutos, sementes, brotos, flores e folhas tenras. Nidifica em troncos ocos de palmeira e em outras árvores. JANDAIA-SOLAratinga solstitialis 24 Conhecido também por "xexéu" tem em torno de 28 cm de comprimento, é preto,com o médio-dorso uropígio, uma mancha grande nas asas e as coberteiras inferioresda causa amarelo vivo, íris azul e bico amarelo-esverdeado. Vive em grandes colônias e pendura seus ninhos reunidos de 10 a 20 em uma mesma árvore, próximos a ninho de maribondo e formigas. Alimenta-se de frutos, insetos e saqueia ninhos de pássaros. Imita o canto de outros pássaros e aprende com facilidade a assobiar. Ocorre do Panamá até a Bolívia; no Brasil, é encontrado na Amazônia, Goiás e Bahia. JAPIMCacicus cela 25 Conhecido também por "Pavãozinho" e "Papa-mosca-real", pássaro da família dobem-te-vi, com aproximadamente 18 cm de comprimento, é belamente ornamen-tado com uma crista alongada vermelha, com pontas preto-azuladas e brilhantes, dispostas transversalmente na cabeça, que exibe executando lentos movimentos laterais com a cabeça, com crista aberta como um leque, dorso e peito marrom-esverdeados; asas marrons, finamente pintadas de marrom-claro; uropígio marrom-claro; garganta esbran- quiçada; barriga e cauda marrons, maxila preta; mandíbula, tarso e dedos amarelos. Vive na mata, próximo aos rios e igarapés, alimentando-se de artrópodes e larvas. Ocorre do México à Bolívia; Brasil Amazônico e Oriental. MARIA-LEQUEOnychorhynchus coronatus 26 Papagaio com 23 cm de comprimento. Vive em floresta, na copa das árvores e ali-menta-se de frutos, sementes e brotos. É notável pela voz semelhante aos sons deuma flauta e pela plumagem vistosa, tem o alto da cabeça marrom-claro; lados da cabeça, pescoço e coberteiras inferiores da cauda amarelos; peito e abdome brancos; dorso, cauda e coxas verdes; asas verdes com pontas azul-escuras. Ocorre somente na Amazônia. MARIANINHAPionites leucogaster 27 Conhecida também por "marreca-de-asa branca", tem aproximadamente 48 cm decomprimento, o alto da cabeça com faixa longitudinal marrom-escura; lados dacabeça cinza; pescoço e dorso marrom-ferruginosos; cauda, barriga e asas pretas; coberteiras inferiores da cauda pretas com pintas brancas, com uma faixa branca na asa; bico, tarsos e dedos avermelhados. Vive em bandos enormes, nos lagos e beiras de rios. Na época da muda de penas, perde as rêmiges ao mesmo tempo, ficando sem poder voar durante algumas semanas. Neste período, esconde-se nos brejos da vegetação ribeirinha, onde é perseguida por caçadores ilegais que a capturam em grandes quantidades, consti- tuindo uma série ameaça para a extinção da espécie. Alimenta-se de sementes, vermes, larvas de insetos e pequenos crustáceos. Ocorre do Texas à Bolívia e Argentina e em todo o Brasil. MARRECA CABOCLADendrocygna autumnalis 28 Vive solitário em pequenos grupos na mata, alimentando-se de frutos, folhas, bro-tos, artrópodes, etc. É preto com a barriga e ponta da calda branca, base da max-ila entumacida e amarelada; tarso e dedos arroxeados. Ocorre da margem direita do baixo Amazonas, ao norte da Argentina, Paraguai e Bolívia. MUTUM-PINIMACrax fasciolata 29 Omaior dos papagaios, inteiramente verde, com 40 cm de comprimento; bico eregião perioftálmica brancos; espelho vermelho na asa. Toda a plumagem é cober-ta com um pó branco, daí a denominação de "moleiro". Vive em casal ou pequenos bandos, na mata, nas copas das árvores altas e nos arbustos frutíferos. Alimenta-se de coquinhos e palmeiras, sementes e brotos. Ocorre do México à Bolívia. PAPAGAIO MOLEIROAmazona farinosa 30 Um dos pássaros aquáticos mais bonitos e característicos de nossa região. Com 45cm de comprimento; cabeça preta com duas listras brancas laterais, acima eabaixo dos olhos; dorso preto listrado finamente de amarelo; garganta branca; asas amarelas finamente listradas de preto, com desenhos marrons; cauda estreitamente listrada de preto e branco, com duas faixas transversais pretas bordeadas de marrom; maxila preta e mandíbula amarela; pernas e pés amarelos. Vive solitário ou em casal, pou- sado em galhos, troncos ou pedras à beira dos rios e igarapés, alimentando-se de insetos, vermes, rãs, peixinhos, etc. Ocorre do México à Bolívia; no Brasil, em toda a Amazônia, Goiás, e Piauí. PAVÃOZINHO-DO-PARÁEurypyga helias 31 Aplumagem geral é verde, asas verdes com tons azulados nas penas primárias eamarelo-esbranquiçados nas secundárias. Vive em grandes bandos em casal namata, em beira de rios e Campinas, alimentando-se de frutos e sementes. Ocorre do Amapá e Pará ao Peru e Colômbia. Em Belém, é o periquito mais abundante , poden- do-se ouvir sua algazarra nas árvores frondosas, como as samaumeiras e mangueiras em frutos. PERIQUITO-DE-ASA-BRANCABrotogeris versicolurus 32 Pássaro com 11 cm de comprimento, conhecido também por "bileira" e "Maria-ren-deira", é notável pela barba branca e pelos estalados sucessivos (ta-tatatatá), pro-duzidos pelos machos ao "danças", lembrando as pancadas dos bilros usados na confecção de rendas. Os machos são dançarinos solitários, ocupam seu "palco" próximo ao solo e põem-se a saltar de uma vareta a outra, em movimentos repetidos. Possui a cabeça, dorso,cauda e asas pretas; nuca, garganta e abdome brancos; flancos cinzentos; tarsos e dedos alaranjados. Vive na mata e em capoeira, alimenta-se de frutos, pequenos insetos e artrópodes. Ocorre no sul do México, América Central, América do Sul e em quase todo o Brasil. RENDEIRAManacus manacus 33 Uma das mais belas saíras, sua plumagem vistosa e harmoniosamente coloridaatribui-lhe o nome popular "sete-cores". Cabeça verde-clara; bico, dorso, asas ecauda pretos; uropígio vermelho, garganta e bordas das penas das asas azul- escuras; abdome azul-turqueza e barriga preta. Vive nas mata de várzea e alimenta-se de frutos. Ocorre na Venezuela, Guianas, Alto Amazonas, Rio Negro, Juruá, Rondônia e nordeste de Mato Grosso. SAÍRA SETE-CORES-DA-AMAZÔNIATangara chilensis 34 Espécie é exclusivamente Amazônica, conhecida vulgarmente por "saurá" e "Anambéraio-de-sol", pelo colorido vermelho vivo e brilhante da plumagem. Possui o alto dacabeça, o abdome, as coberteiras inferiores e superiores da cauda vermelho vivo, o dorso, garganta, peito anterior, asas e as pontas da cauda marrom-enegrecidos. Vive nas copas das florestas, o que o torna pouco visível, e alimenta-se de frutos. Ocorre nas Guianas, na Amazônia, do Amapá ao Rio Negro, baixos rios Tapajós e Xingu, Tocantins e leste do Pará. SAURÁPhoenicircus carnifex 35 Pássaro de plumagem colorida brilhante e metálica, com aproximadamente 23 cm decomprimento, bico amarelo, forte, curto e alargado na base; dorso e peito verde-metálicos; garganta e lados da cabeça pretos; abdome e coberteiras inferiores da cauda vermelhos; colar branco no peito; asas pretas finamente listradas de preto e bran- co; cauda verde-metálica com as retrizes laterais também listradas de preto e branco, com pontas brancas. Vive solitário ou em casal em árvores altas das florestas e bosques. Nidifica em vespeiros e cupinzeiros, arbóreos abandonados, e em árvores mortas. Alimenta-se de frutos, larvas, insetos e outros artrópodes. Ocorre do México à Bolívia e Brasil Amazônico. SURUCUÁ-DE-COLEIRATrogon collaris 36 Omaior dos tucanos, com aproximadamente 55 cm de comprimento, é conhecidotambém por "tucano-boi", possui a região ao redor dos olhos e o bico amarelo-laranja, com ponta e base pretas; pálpebras, tarso e dedos azul-claros; uropígio e papo branco-amarelados, coberteiras inferiores da cauda vermellhas; cabeça, dorso, asas, cauda e barriga pretos. Vive nos campos de várzeas, cerrados e sobrevoa os campos aber- tos e rios largos. Alimenta-se de frutos, sementes, artrópodes e pequenos vertebrados. Nidifica em ocos de árvores altas. Ocorre da Bolívia ao norte da Argentina, Brasil Amazônico, Centra e Oriental. TUCANUÇURamphastos toco 37 Vive na mata, solitário ou em casal, alimentando-se de insetos, artrópodes epequenos vertebrados. Nidifica em árvores ocas e em buracos escavados em bar-rancos. Tanto o pai como a mãe ajudam no choco dos ovos e na alimentação dos filhotes. A plumagem é colorida e brilhante, possui máscaras e boné pretos, ornados e azul-claro; dorso e asas verdes com tons azulados; região ventral marrom; cauda longa com as duas penas centrais maiores e espatuladas sendo verde-azuladas na parte superi- or, e pretas na inferior; bico, pernas e pés pretos. Ocorre do México ao nordeste da Argentina e no Brasil na Amazônia, no Nordeste e oeste de São Paulo. UDU-DE-COROA-AZULMomotus momota 38 Pássaro com 13 cm de comprimento e plumagem marrom-avermelhada; asas e caudabarreadas de marrom-escuro e penas brancas nos lados da cabeça. É famoso pelabeleza de seu canto melodioso, semelhante ao som de uma flauta, que é emitido com freqüência, contradizendo a crença de que o uirapuru canta uma única vez por ano. Vive em casal e em pequenos bandos no interior da floresta, alimentando-se de frutos e insetos. Lendas e supertições, em particular amorosas, são a ele atribuídas. Isto levou pes- soas ao triste costume de usas este pássaro como talismã para fins mágicos, prejudicando assim a conservação da espécie. Ocorre nas Guianas, Colômbia, Venezuela, Amapá, Pará (ao sul, até a Serra do Cachimbo) e Rondônia. UIRAPURU-VERDADEIROCyphorhinus arada 39 Encontra-se na matas e cerrados, desempenhando o papel de limpeza, juntamente comas outras espécies de urubus, porém distingue-se dos outros pelos colorido daplumagem e pelo comprimento de 80 a 180 cm de envergadura. Possui a cabeça nua e vermelha; bico amarelo com crista e verrugas vermelhas; colar cinzento; dorso e região ventral branco-amarelados; asas e cauda pretas. Alimenta-se de carniça, Ave forte e útil para os outros urubus, pois dilacera o alimento com maior facilidade. Geralmente só depois que o urubu-rei está saciado é que os outros urubus se aproximam. Nidifica em árvores altas e ocorre do México à Bolívia, Argentina e Uruguai, no Brasil no Norte, Nordeste e Centro- Oeste. URUBU-REISarcoramphus papa 40 Pássaro com 13 cm de comprimento, conhecido também por "Galo-do-mato" e "tico-tico-rei", notável por seu topete alongado vermelho, marginado de preto. Aplumagem do dorso é marrom-escura, uropígio vermelho, região ventral marrom- avermelhada; cauda e asas pretas. Vive na mata secundária, cerrado e baixadas úmidas, próximo ao solo onde se locomove em longos pulso. Alimenta-se de pequenos insetos e sementes. Ocorre nas Guianas, em quase todo o Brasil, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina. VINTE-UM-PINTADOCoryphospingus cucullatus 41 BIBLIOGRAFIA INDICADA FRISCH, J. D. 1981. Aves brasileiras. São Paulo, Dalgas-Ecoltec GOELDI, E. A. 1981. Album de aves amazônicas. Desenhos de Ernesto Lohse; atualiza- ção dos nomes científicos de F. C. Novaes. 2. ed. Brasília, Universidade de Brasília; CNPq. (Coleção Alexandre Rodrigues Ferreira, 1). GONZALA, L. A. P. 1982. Conservação e atração das aves. Rio de Janeiro, Fundação Brasileira para Conservação da Natureza. il. (Série Divulgação, 12) IHERING, R. V. 1940. Dicionário de animais do Brasil. São Paulo, Secretaria de Agricultura, Diretoria de Publicidade Agrícola. RUSCHI, A. 1979. Aves do Brasil. São Paulo, Rios. v. 1 SANTOS, E. 1940. Pássaro do Brasil, (vida e costumes). Rio de Janeiro, F. Briguist. SANTOS, E. 1952. Da ema ao beija-flor, (vida e costumes das aves do Brasil). 2. ed. rev. aum. Rio de Janeiro, F. Briguiet. (Zoologia Brasílica, 4) SICK, H. 1985. Ornitologia brasileira; uma introdução. Brasília, Universidade de Brasília.