A doença como linguagem da alma
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A doença como linguagem da alma


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Rüdger Dahlke
A Doença como 
Linguagem da Alma
OS SINTOMAS COMO OPORTUNIDADES DE DESENVOLVIMENTO
Tradução
DANTE PIGNATARI
EDITORA CULTRIX
São Paulo
1992
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Para Margit
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Sumário
Introdução
PRIMEIRA PARTE
1. Introdução à filosofia da significação dos sintomas
1. Interpretação e valoração
2. Cegueira de si mesmo e projeção
3. Valoração dos sintomas
4. Deslocamento de sintomas em duas direções
5. Forma e conteúdo
6. Homeopatia
7. O jogo das causas
8. Analogia e simbolismo
9. Campos formativos
2. Doença e ritual
1. Rituais em nossa sociedade
2. Rituais de passagem
3. Rituais da medicina moderna
4. Rituais da medicina antiga
5. Doença e padrão
6. Pensamento vertical e princípios primordiais
7. Doença como ritual
3. Indicações práticas para a elaboração dos sintomas
1. Nosso vocabulário
2. Mitos e contos de fadas
3. O caminho do reconhecimento sobre o pólo oposto
4. Resumo
1. Pontos de partida
2. Instruções e perguntas básicas
3. Doença como oportunidade
SEGUNDA PARTE
1. O esquema cabeça-pé
2. Câncer
1. A imagem do câncer em nossa época
2. O câncer no nível celular
3. A gênese do câncer
4. Os níveis de significação do evento cancerígeno
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5. Fases de desenvolvimento do sintoma
6. Regressão e religião
7. O câncer como caricatura de nossa realidade
8. Câncer e defesa
9. O câncer no plano social
10. Solução (redenção) do problema do câncer
11. Princípios terapêuticos
3. A cabeça
1. Os cabelos
Hirsutismo - A perda de todos os pêlos do corpo - Queda de 
cabelos
2. O rosto
Ruborização - Nevralgia do trigêmeo ou dores nervosas no rosto -
Paralisia facial ou paralisia nervosa do rosto - Erisipela facial -
Herpes labial
Vista e visão
Ouvido e audição
Tinnitus ou ruído nos ouvidos
Órgão do equilíbrio e estabilidade
A vertigem - Mal de Ménière
Nariz e olfato
Inflamação dos seios da face ou sinusite - Pólipos - Desvio de 
septo nasal - Rinofima ou nariz bulboso ou nariz de bêbado -
Fratura do vômer
Paladar
4. O sistema nervoso
1. Do nervosismo ao colapso nervoso
2. Comoção cerebral
3. Meningite
4. Sintomas neurológicos
Mal de Parkinson \u2013 Coréia ou dança de São Guido - Derrame -
Esclerose múltipla - Epilepsia
5. O pescoço
1. A laringe
A voz: barômetro do ânimo - O pigarro como sintoma
2. A tireóide
O bócio - Hipertireoidismo - Hipotireoidismo
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6. A coluna vertebral
1. Problemas de disco
2. Deslocamento da primeira vértebra cervical
3. Problemas de postura
Cifose, lordose e \u201cespinha esticada"
4. A corcunda
5. A escoliose ou desvio lateral da coluna
6. Paralisia causada por secção da medula
7. Os ombros
1. Problemas dos ombros
O braço luxado - A síndrome ombro-braço - Tensão nos ombros
8. Os braços
1. Problemas dos braços
Fraturas dos braços - Inflamação dos tendões
2. O cotovelo
9. As mãos
1. Contração de Dupuytren ou mão torcida
2. As unhas
Inflamação das unhas
10. O peito
1. O tórax saliente
2. O tórax estreito
3. \u201cSintomas" do peito
Fratura de costelas - Roncar - Parada respiratória em recém-
nascidos ou morte infantil súbita
4. O peito feminino
Câncer de mama
11. O ventre
1. Herpes-zoster, a zona
2. Rompimentos ou hérnias
Hérnia umbilical - Hérnia inguinal
12. A bacia
1. Herpes genital
2. A próstata e seus problemas
3. A articulação coxo-femural
13. As pernas
1. A articulação do joelho - Problemas de menisco
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2. A panturrilha e suas cãibras
3. Rompimento do tendão de Aquiles
14. Os pés
1. O astrágalo
2. Olho de peixe
3. Fungos
4. Verrugas na sola do pé
15. Os problemas da velhice
1. A velhice em nossa época
2. A guerra moderna contra o padrão da vida
3. Menopausa e osteoporose
4. A crise da meia-idade
5. Fratura do fêmur
6. Barba feminina ou a integração dos opostos
7. Da ampla visão da velhice às rugas
8. A cor cinza
9. O Mal de Alzheimer
Conclusão
Notas
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Introdução
Dez anos após a publicação da primeira edição de Krankheit als Weg (A 
Doença como Caminho, publicado pela Editora Cultrix, São Paulo, 1992), 
chegou a hora de continuar e ampliar o tema descrito naquele livro. O fato de 
que o conceito tenha encontrado tanta ressonância, a princípio sobretudo 
entre os leigos interessados e, com o tempo, cada vez mais também entre os 
profissionais da medicina, pode ser um sinal da crescente necessidade de 
uma compreensão da doença que volte a unificar forma e conteúdo, corpo e 
alma.
As reações de pacientes, participantes de seminários e leitores também 
expressavam a necessidade de mais interpretações, especialmente daqueles 
sintomas que não foram abordados no primeiro livro. Essas interpretações 
são apresentadas agora de forma ampliada. Seguindo vários estímulos e 
sugestões, não se enfatiza a imensa quantidade de sintomas. A idéia foi 
apresentá-los de tal maneira que a pessoa afetada reconheça a direção na 
qual deve continuar a trabalhar.
Uma das conseqüências do primeiro volume foi tomar os passos 
intermediários, dos quais resultam interpretações, mais explícitos, bem como 
aprofundar o assim chamado \u201cpensamento vertical\u201d, que esta na base de 
todo esse principio. Um recurso que se revelou igualmente útil em 
conferências foi o de não só mostrar os aspectos particularmente 
impressionantes de um sintoma, mas cercá-lo por vá-rios lados. Talvez a 
interpretação de vários sintomas e diagnósticos individuais de um mesmo 
quadro diminua o prazer da leitura por parte das pessoas não afetadas, mas 
dessa maneira o trabalho dos afetados toma-se mais frutífero e conseqüente. 
Na mesma linha de pensamento, surgiram no entretempo os livros de bolso 
da série \u201cHeilen\u201d [\u201cCurar\u201d], que abordam pormenorizadamente grandes temas 
tais como problemas coronários e de circulação, problemas digestivos e 
problemas de peso, tornando possível tanto uma compreensão aprofundada 
dos próprios sintomas como o aprendizado da interpretação.
Para iluminar melhor o campo de abrangência de cada sintoma, 
prescindiu-se de uma divisão de acordo com as funções tais como são 
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descritas pela medicina, em favor de um esquema cabeça-pé. Os temas do 
câncer e os problemas da idade são as únicas exceções, sendo 
apresentados tanto no inicio como no final. Dessa maneira, é possível 
proceder a uma extensa introdução a um determinado sintoma não só em 
relação ao simbolismo do órgão afetado mas também ao simbolismo da 
região correspondente.
O trabalho psicoterapêutico prático com esses conceitos resultaram na 
ampliação de alguns pontos e na correção de outros. Assim, no primeiro 
volume, abandonamos parcialmente a base da prática homeopática, por 
exemplo quando se recomendava ao (à) paciente com pressão arterial baixa 
que imaginasse e fingisse ter vigor. De fato, trata-se neste caso de antes, 
conformar-se com a exigência direta do sintoma e, portanto, de aprender a 
aceitar a fraqueza e exercitar a abnegação e a humildade. Significativamente, 
o caminho em direção ao pólo oposto somente pode resultar da liberação da
exigência direta. Com o tempo, o vigor surge da entrega e da humildade, não 
sendo entretanto o objetivo primário. Dedicou-se toda uma seção à idéia 
homeopática para tornar mais claro esse principio básico. Ao lado do 
conceito fundamental de que \u201ca doença enobrece", neste volume levou-se 
sempre em consideração a forma salvadora no que se refere a um sintoma, o 
axioma \u201ca doença indica a tarefa a ser executada". As perguntas ao final de 
cada capítulo almejam tanto o âmbito liberado como aquele que ainda não foi 
resolvido.
O capitulo "Introdução à filosofia da significação dos sintomas" é 
unicamente um resumo dos pressupostos básicos. Deu-se uma ênfase 
especial àqueles pontos que, de acordo com nossa experiência, levam mais 
freqüentemente a mal-entendidos. De resto, a parte geral de A Doença como 
Caminho levou-nos a evitar as repetições. A Introdução a este novo volume 
esta parcialmente