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Drogas-Direitos-Humanos-e-Laco-Social

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DROGAS,
DIREITOS HUMANOS 
E LAÇO SOCIAL
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA
CONSELHOS REGIONAIS DE PSICOLOGIA
DROGAS, DIREITOS HUMANOS E LAÇO SOCIAL
Organização
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA – CFP
COMISSÃO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS DO CFP
Brasília, Maio/2013
1ª Edição
É permitida a reprodução desta publicação, desde que sem alterações e 
citada a fonte. Disponível também em: www.cfp.org.br
1ª edição – 2013
Projeto Gráfico – IDEORAMA
Diagramação – IDEORAMA
Revisão – Liberdade de Expressão – Agência e Assessoria de Comunicação
Coordenação Geral/ CFP
Yvone Magalhães Duarte
Coordenação de Comunicação/ CFP 
Denise de Quadros
André Almeida/Editoração
Equipe Técnica
Adriana Nunes Queiróz
Conselho Federal de Psicologia
Drogas, Direitos Humanos e Laço Social. - Brasília: CFP, 2013.
160p
ISBN: 978-85-89208-52-9
1. Psicologia 2.Direitos Humanos 3.Internação compulsória 4.Drogas 
I. Título.
Referências bibliográficas conforme ABNT NBR 6022, de 2003, 6023, de 
2002, 6029, de 2006 e10520, de 2002.
Direitos para esta edição – Conselho Federal de Psicologia: SAF/SUL Quadra 
2, Bloco B, Edifício Via Office, térreo, sala 104, 70070-600, Brasília-DF
(61) 2109-0107 /E-mail: ascom@cfp.org.br /www.cfp.org.br
Impresso no Brasil – Maio de 2013
Catalogação na publicação
Biblioteca Miguel Cervantes
Fundação Biblioteca Nacional
XV Plenário
Gestão 2012-2013
Diretoria
Humberto Cota Verona – Presidente
Clara Goldman Ribemboim – Vice-presidente
Monalisa Nascimento dos Santos Barros – Tesoureira
Deise Maria do Nascimento – Secretária
Conselheiros efetivos
Flávia Cristina Silveira Lemos
Secretária Região Norte
Aluízio Lopes de Brito 
Secretário Região Nordeste
Heloiza Helena Mendonça A. Massanaro
Secretária Região Centro-Oeste
Marilene Proença Rebello de Souza
Secretária Região Sudeste
Ana Luiza de Souza Castro
Secretária Região Sul
Conselheiros suplentes
Adriana Eiko Matsumoto
Celso Francisco Tondin
Cynthia Rejane Corrêa Araújo Ciarallo
Henrique José Leal Ferreira Rodrigues
Márcia Mansur Saadallah
Maria Ermínia Ciliberti
Mariana Cunha Mendes Torres
Marilda Castelar
Roseli Goffman
Sandra Maria Francisco de Amorim
Tânia Suely Azevedo Brasileiro
Psicólogas convidadas
Angela Maria Pires Caniato
Ana Paula Porto Noronha
Comissão Nacional de Direitos Humanos
Pedro Paulo Gastalho de Bicalho (coordenador)
Ana Luiza de Souza Castro (conselheira do CFP)
Anna Paula Uziel
Eliana Olinda Alves 
Maria Auxiliadora Arantes
Maria Lúcia Silva
Nelson Gomes de Sant´Ana e Silva Júnior
Paulo Roberto Martins Maldos
Rosimeire Aparecida da Silva
Apresentação
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Apresentação
Partimos do pressuposto de que o mundo, os objetos que nele existem, 
os sujeitos que nele habitam e suas práticas sociais são produzidas 
historicamente, não tendo, portanto existência em si, coisas já dadas, 
essência ou natureza. Somos solicitados, de acordo com Guattari e Rolnik1,
o tempo todo e de todos os lados a investir a poderosa 
fábrica de subjetividade serializada, produtora destes 
homens que somos. (...) Muitas vezes não há outra 
saída. (...) Corremos o risco de sermos confinados 
quando ousamos criar quaisquer territórios singulares, 
independentes das serializações subjetivas.
Hegemonicamente, produzem-se subjetividades normalizadas, 
articuladas por sistemas hierárquicos, por sistemas de valores e sistemas 
de submissão, internalizados por uma ideia de subjetividade que precisa “ser 
preenchida”, oposta a um modo de subjetivação singular, que recusaria os 
modelos de manipulação preestabelecidos.
Pensar direitos humanos como produção de subjetividade é a afirmação 
de direitos locais, descontínuos, fragmentários, processuais, em constante 
construção, produzidos pelo cotidiano de nossas práticas e ações. 
Assim, não faz sentido citar “os direitos humanos” de modo genérico, sem 
pôr em questão de que humanos ou de que direitos – e de que concepção 
de cidadania – se fala. O País vive um momento de “preparação” de eventos 
vindouros: a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, a Copa do Mundo 
de Futebol, em 2014, e os Jogos Olímpicos de 2016. “Preparação” não se 
reduz à implementação de infraestrutura metropolitana, mas, principalmente, 
da reedição de um higienismo que tem como objetivo tornar a cidade “limpa”. 
Uma assepsia com foco em uma limpeza urbana que retire dos olhos, ouvidos 
e narizes da burguesia econômica o “lixo social” que a incomoda.
Usuários de substâncias psicoativas, em especial de crack, configuram-
se como os indesejáveis da vez. Drogas, tema que vem sendo entendido 
neste País como “epidemia”, forjado a partir de ideais advindos de uma 
natureza descontextualizada política e historicamente. Tema que insiste em 
vincular “tratamento” à noção de castigos, advindos de um ideal normativo 
que criminaliza, independentemente da existência da aspereza de uma lei 
penal.
1 GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolítica. Cartografias do Desejo. 
Petrópolis: Vozes, 2000, p. 12.
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A potência da prática em direitos humanos está na problematização da 
violência e da exclusão produzida na sociedade. Os diversos modelos de 
aprisionamento produzem efeitos no mundo, que podemos (e devemos) 
colocar em análise. A individualização da problemática em questão configura-
se como uma armadilha, pois entende que há um sujeito errado a ser corrigido. 
Uma alternativa possível está no reconhecimento de tal produção coletiva 
e do caráter político das práticas que se articulam a discursos de proteção 
e de cuidado. Questionar respostas políticas que são produzidas antes 
mesmo de serem formuladas como perguntas. Produzir redes de conversa 
e interrogação, apontando que a urgência do tema não pode prescindir da 
amplitude de nossas discussões.
A 4ª. Inspeção Nacional, coordenada pela Comissão Nacional de Direitos 
Humanos do Conselho Federal de Psicologia, foi executada em setembro 
de 2011, envolvendo os atuais vinte Conselhos Regionais de Psicologia, 
que, simultaneamente, em vinte e cinco unidades federativas do País, 
inspecionaram 68 unidades, contando com o apoio de inúmeros parceiros 
locais. A decisão, construída em reunião com representantes de todos 
os Conselhos Regionais, orientou-se, basicamente, por duas questões. 
Primeiro, a necessidade de intervir e qualificar o debate sobre o tema das 
drogas, alçado à condição de principal problema social do País, deslocando 
o eixo das premissas estabelecidas, quais sejam: a internação, inclusive 
compulsória, como recurso primeiro e exclusivo de tratamento, a existência 
de uma epidemia de consumo de crack e o retorno à segregação como 
modo de tratar o problema da adição de drogas, para formular propostas 
que orientem a construção de políticas públicas efetivas e democráticas 
de tratamento desta questão. Dois eventos nacionais (além de inúmeros 
regionais) – configuraram-se como frutos dos debates potencializados pela 
Inspeção. Destacamos aqui o VII Seminário Nacional de Psicologia e Direitos 
Humanos, em 2011; e o Seminário Online Aspectos Técnicos e Políticos da 
Internação Compulsória, em 2012. Este livro materializa as discussões que 
ali ocorreram.
PEDRO PAULO GASTALHO DE BICALHO
Coordenador da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho 
Federal de Psicologia 
Professor do Instituto de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em 
Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro
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APRESENTAÇÃO 
PARTE I - VII SEMINÁRIO NACIONAL DE PSICOLOGIA 
DIREITOS HUMANOS 
CAPÍTULO 1 - Em nome da proteção do cuidado, que formas 
de sofrimento e exclusão temos produzido? 
 Pedro Paulo Gastalho de Bicalho 
 Roberto Tykanori Kinoshita 
 Ela Wiecko Volmer de Castilho 
 Gilda Carvalho 
CAPÍTULO 2 - Direitos Humanos, Laço Social e Drogas: 
por uma política solidária com o sofrimento

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