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Trabalho Processo Civil III - Recursos - Efeitos Translativo da Apelação

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Curso: Direito
Disciplina: Direito Processual Civil II Data:
Período: °Período Professor: Marco Antônio Delmondes Kumaira
 
 Turma: ________
Nomes:________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Carlos Alcântara, recém formado em medicina, resolve se casar com Lourdes e usar suas economias para aquisição do primeiro imóvel: um apartamento na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, em Copacabana. O apartamento adquirido precisava de alguns reparos e, Carlos resolveu contratar os serviços do engenheiro e arquiteto Marcos Pereira para a reforma do imóvel.
Ocorre que várias cláusulas do contrato de prestação de serviços ajustado entre as partes foram descumpridas. Carlos acusa o arquiteto de ter atrasado a entrega das obras, desrespeitando o projeto original, além de ter causado danos ao vizinho do andar abaixo, ao quebrar tubulação de água durante a reforma da cozinha.
Marcos, por sua vez, alega que Carlos não efetuou o pagamento dos serviços, faltando ainda 5 parcelas de R$ 7.500,00. Além disso, diante das alterações do projeto que na versão de Marcos teriam sido autorizadas verbalmente pelo proprietário Carlos, o Arquiteto teve custos adicionais na execução das obras, que não foram também adimplidos. Marcos também alega que vem sendo difamado por Carlos para vários clientes.
Em outubro de 2014 Marcos ingressou com demanda judicial contra Carlos, deduzindo três pedidos na inicial: pagamento das parcelas faltantes, ressarcimento de despesas e lucros cessantes, a título de danos materiais, e danos morais. A sentença, após fase de instrução probatória, acolheu apenas os pedidos de pagamento das parcelas faltantes e ressarcimento das despesas, sendo improcedente o pedido de lucros cessantes e danos morais. Marcos apelou tão somente quanto a um dos dois não atendidos (lucros cessantes), de forma que aquele capítulo não impugnado (danos morais) tornou-se imutável e a pretensão respectiva foi definitivamente rejeitada, sendo inadmissível o seu exame em sede recursal (coisa julgada material).
Como visto na descrição do caso, houve sucumbência recíproca, e apenas uma das partes (no caso o autor) apelou, de forma que os capítulos da sentença a ele favoráveis e não atacados pelo réu não integram a extensão do efeito devolutivo, assim como o capítulo que lhe foi contrário e não recorrido. Portanto, ambos não serão analisados pelo Tribunal pois a apelação interposta não os abrange.
Considere, porém que no Tribunal tenha havido o reconhecimento, em matéria recursal, de carência de ação por ilegitimidade recursal ativa, pois a empresa a que pertencia o arquiteto não foi incluída no pólo ativo da demanda processual. Qual alcance dessa decisão? Restringe-se ao que foi devolvido ou atinge a matéria não impugnada, parte favorável a parte desfavorável ao recorrente, que se tornara imutável?
Resposta: Como se trata de matéria de ordem pública, o tribunal poderá reconhecê-la mesmo que em prejuízo do recorrente, pois se trata de exceção ao principio que veda a “reformatio in pejus”. Portanto, o alcance da decisão será todo o processo, que foi extinto sem resolução de mérito (art. 267, IV CPC) e consequentemente toda a matéria será atingida, tanto a devolvida quanto a não impugnada, pois ao reconhecer tal ausência de condição da ação o efeito devolutivo da apelação transforma-se em translativo.

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