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* * PERÍCIA A atividade pericial tem apresentado um grande crescimento nos últimos anos. Pelo aumento quantitativo de demandas da judiciais, Pela percepção da complexidade de alguns temas trazidos para análise e decisão. * De acordo com CPC, quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz será assistido por perito. Objetivo de fornecer ao juiz informações que escapam ao conhecimento jurídico ou ao senso comum. Seu resultado é apresentado através de um LAUDO PERICIAL. * Características da perícia judicial: É realizada sob a ordem do juiz; É considerada uma prova; O juiz tem o poder de deferir ou indeferir a prova pericial; Tem a participação das partes (autor e réu) em sua produção (princípio do contraditório) Orientar a prova através de quesitos Questionar o laudo do perito * O Assistente Técnico: Além dos peritos, podem atuar nos processos os assistentes técnicos, indicados pelas partes. Reforça o princípio do contraditório. As partes poderão fornecer provas, testemunhas e discutir qualquer etapa da prova conduzida pela perícia. Seu documento é um PARECER. * PERÍCIA PERITO OFICIAL É de confiança do juiz, sujeito a impedimento e suspeição. Auxilia o juiz em suas decisões. Examina, verifica e comprova os fatos de uma determinada questão. Elabora um laudo. ASSISTENTE TÉCNICO É de confiança da parte, não-sujeito a impedimento e suspeição. Auxilia a parte naquilo que achar certo. Analisa os procedimentos e os achados do perito. Redige um parecer. * PERÍCIA PSICOLÓGICA * FINALIDADE: fornecer ao juiz informações, de aspectos subjetivos, que escapam ao seu conhecimento jurídico, ou ao senso comum. Lida com aspectos subjetivos que estão além do alcance da objetividade jurídica, Por isso deve ser sempre considerada necessária. * Não se constitui numa verdade soberana. Mesmo determinando a perícia psicológica, o juiz mantém seu poder decisório podendo criticar, comentar e apreciar o laudo pericial, acolhendo-o ou não, podendo dar encaminhamento diverso do que foi sugerido pelo profissional. O juiz poderá determinar, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de nova perícia, quando a matéria não lhe parecer suficientemente esclarecida. * RELAÇÃO PSICÓLOGO-PERITO E SUJEITO PERICIADO Permeada por intenções de simulação e dissimulação: Simulação: “produção intencional de situações, sintomas físicos ou psicológicos falsos ou amplamente exagerados, motivada por incentivos externos”. Dissimulação: “quando procura encobrir ou minimizar situação ou sintomas que na realidade existem”. * PRINCIPAIS CONTEXTOS DE SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA Se o processo é de guarda: A psicologia buscará entender a dinâmica familiar e as interações entre os membros daquela família. Se o objetivo é avaliar a capacidade civil: Buscar-se-á discriminar as condições necessárias para o exercício das funções de cidadão e a confirmação de sua presença ou ausência no sujeito. Se o periciando é um apenado a avaliação busca subsidiar a decisão quanto ao tipo de regime que lhe será aplicado. Se o objetivo da avaliação é habilitação para adotar uma criança: Avaliar as condições para criar e educar uma criança, e o real desejo de ter um filho. * PRINCIPAIS CONTEXTOS DE SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA No exemplo 1 (guarda), ambos os genitores buscam a guarda. No exemplo 2 (interdição), o periciando busca manter seus direitos de exercer a cidadania. No exemplo 3 (apenado), o sujeito busca as melhores condições de sobrevivência para si. No exemplo 4 (adoção), o casal ou a pessoa, busca se adequar a um modelo de pai/mãe. * RELAÇÃO PSICÓLOGO-PERITO E SUJEITO PERICIADO É um cenário bastante distinto da relação de ajuda da psicologia clínica. Quanto a procura Na clínica é espontânea, na perícia é uma convocação. Quanto aos objetivos Na clínica são questões que angustiam o cliente, na perícia é auxiliar o juiz no processo judicial. Quanto a veracidade Na clínica não há interesse em mentiras, na perícia podem ser de forma consciente com a intenção de ganhar vantagem. Quanto ao sigilo Na clínica as informações são sigilosas, na perícia as informações fazem parte de um processo. * CUIDADOS Especificidade da situação judicial; Imposição da justiça Simulação e dissimulação Manter certa dose de desconfiança e distanciamento (contrário do enquadre clínico); Ter consciência que o enquadre jurídico requer um posicionamento diferente em relação ao sigilo; O sigilo pode e deve ser garantido naquilo que é irrelevante para a matéria jurídica. neutralidade e imparcialidade; * Perícia Psicológica Comunicação clara e consistente. Atentar para linguagem e a precisão no uso dos termos e conceitos psicológicos, pois é imprescindível uma comunicação clara e consistente. O operador do Direito pode solicitar que o laudo seja reescrito, de forma mais clara. Orientações do CFP - Manual de Elaboração de Documentos Escritos (resolução nº 007/2003): “sendo uma peça de natureza e valor científicos, deve conter narrativa detalhada e didática, com clareza, precisão e harmonia, tornando-se acessível e compreensível ao destinatário.” * A IDENTIFICAÇÃO DA MENTIRA E DO ENGANO EM SITUAÇÕES DE PERÍCIA Fatores relacionados ao observador: Dificuldade em dirigir o foco da atenção aos indicadores Criar vínculo de empatia com o periciado Diferenças étnicas * A IDENTIFICAÇÃO DA MENTIRA E DO ENGANO EM SITUAÇÕES DE PERÍCIA Sugestões para identificar a mentira Suspeitar Provar Estar informado Não revelar informações importantes Questionar o periciado do que disse anteriormente Olhar e escutar com cuidado, abandonando estereótipos