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GEOGRAFIA | 9o ANO Construindo novos sonhos 2º VOLUME | ENSINO FUNDAMENTAL GEOGRAFIA 2 2º VOLUME | 9º ANO SUMÁRIO CAPÍTULO 4: REORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO MUNDIAL PÓS-SEGUNDA GUERRA: DA BIPOLARIZAÇÃO À MULTIPOLARIZAÇÃO 3 Características gerais 3 Geoestratégia 6 Desestruturação do Leste 9 CAPÍTULO 5: A NOVA ORDEM MUNDIAL 14 Características gerais do mundo multipolar 14 As novas formas de regionalização do espaço mundial: o contraste Norte x Sul 16 Países emergentes: BRICS 18 CAPÍTULO 6: ESPAÇO E TERRITÓRIO NO MUNDO GLOBALIZADO 23 A globalização da economia mundial 23 Globalização e a atual divisão internacional do trabalho 25 Globalização e desemprego 28 GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 3 CAPÍTULO 4 Reorganização do espaço mundial pós-segunda guerra: da bipolarização à multipolarização Características gerais Será abordado, neste capítulo, um dos momentos mais marcantes da história da humanidade, trata- se da ordem geopolítica bipolar, um período em que somente duas superpotências mundiais exerceram a hegemonia em escala mundial. A cronologia que marca esse contexto se estende do imediato Pós- Segunda Guerra Mundial a 1991, e é marcada por uma série de acontecimentos que refletem as disputas entre as duas únicas superpotências. “Guerra improvável, paz impossível”! Raymond Aron No período do imediato pós-segunda Guerra Mundial, os considerados vencedores do conflito, EUA e URSS, travaram uma disputa, sobretudo ideológica, mas que possuía um alto grau de militarização e a tentativa de controle sobre territórios e seus recursos naturais e humanos. Tal disputa não levou a um conflito direto, apesar de terem existido diversos conflitos indiretos. O espaço geográfico passou a ser transformado de acordo com as disputas entre capitalismo e socialismo, e o mundo experimentou uma atmosfera da iminência de um conflito nuclear. A formação de dois blocos de poder entre as superpotências URSS e EUA impuseram a hegemonia sobre os países do mundo, originando uma Ordem Bipolar e uma situação de ameaça mútua, denominada de Guerra Fria (expressão utilizada para referir-se ao fato de que se estabeleceu um conflito diferenciado dos tradicionais). O antagonismo entre capitalismo e socialismo era relativo, já que as duas superpotências utilizaram a mesma forma de ideologia, de oposição, para frearem o surgimento de oposições em suas áreas de influência, a exemplo das investidas de Washington em favor das ditaduras na América Latina, inclusive no Brasil, e a deposição de João Goulart em 64. Nesse contexto, as afinidades político-ideológicas determinavam as alianças entre países, já que o objetivo das superpotências era a proteção e/ou a ampliação de suas áreas de influência, o que garantia a reprodução de outros interesses, sobretudo econômicos. O objetivo central das potências era conquistar áreas de influência, isto é, obter o maior número possível de países aliados em qualquer parte do mundo. Por isso, EUA e URSS acabavam intervindos em conflitos que não envolviam interesses econômicos diretos. Estratégias territoriais da URSS e EUA Após as conferências que delimitaram as zonas de influência da URSS no Leste Europeu (Yalta) e na Alemanha (Potsdam), os Estados Unidos, em 1947, lançaram as bases da Doutrina Truman e do Plano Marshall: Doutrina Truman O pressuposto geopolítico fundamental era a contenção do socialismo. Os Estados Unidos se empenharam em impedir que a União Soviética expandisse sua área de influência. No final dos anos 1960, foi criada a Doutrina Brejenev, que consistia em garantir a área de influência da URSS, a exemplo da Primavera de Praga (Tchecoslováquia/1968) e da invasão ao Afeganistão em 1979. Plano Marshall Plano de “ajuda” econômica para acelerar a recuperação da Europa Ocidental, além de frear a influência comunista, ainda tinha como objetivo recuperar mercados para produtos e capitais norte-americanos. GEOGRAFIA 4 2º VOLUME | 9º ANO O Plano Marshall foi o responsável pelo crescimento e pela prosperidade da Europa e de Berlim Oci- dental. Para a Ásia Meridional, foi criado o Plano Colombo, que também consistia em ajuda financeira. Em resposta ao Plano Marshall e ao Plano Colombo, a URSS cria o COMECON – Conselho de Assistência Eco- nômica Mútua dos países socialistas, com o objetivo de garantir influência soviética na Europa oriental. D is po ní ve l e m : h tt ps :/ /im ag e. sl id es ha re cd n. co m . Ac es so e m : 1 3 fe v. 2 01 8. A divisão da Alemanha Após a derrota da Alemanha na 2ª Guerra Mundial, o país foi transformado em quatro zonas de ocupação militar. A parte ocidental – do Ruhr à Bavária – foi ocupada pelas tropas inglesas, francesas e americanas. A parte oriental se transformou em zona de ocupação soviética. Berlim, que se localizava no interior da zona de ocupação soviética, também foi dividida em quatro zonas de ocupação, a exemplo do restante do território alemão. Em 1949, foi oficializada a separação da Alemanha em dois países, surgia, assim, a República Federativa da Alemanha (RFA), e cinco meses depois, em resposta, surgiu a República Democrática Alemã (RDA). O primeiro, capitalista, e o segundo, de ideologia socialista. A cidade de Berlim transformou-se em uma questão delicada, em decorrência da migração de mais de 3 milhões de pessoas do lado oriental de Berlim para o lado ocidental (principalmente jovens profissionais qualificados). Em 1961, a URSS autorizou a construção de um muro, isolando a cidade do resto oriental. Assim, surge o Muro de Berlim, transformando-se no mais importante símbolo da Guerra Fria. Berlim era o retrato mais marcante da organização do mundo bipolar, pois, em uma única cidade, estavam representados os dois sistemas socioeconômicos que dividiram o mundo após a Segunda Guerra. A conferência de Bretton Woods (1944) Nessa conferência, realizada nos Estados Unidos e contando com 44 países, foram constituídos dois importantes organismos muito atuantes no cenário político, econômico e financeiro mundial: o Banco Internacional de Reconstrução e desenvolvimento (BIRD), mais conhecido como Banco Mundial; e o Fundo Monetário Internacional (FMI), ambos com sede em Washington. Foi, também, definido um novo padrão monetário, o padrão dólar-ouro, em substituição ao padrão ouro. O Banco Central Americano (FED) garantiria uma paridade fixa de 35 dólares por uma onça tróy (31,1g) de ouro e a livre conversibilidade. A emissão de dólares estava lastreada (garantida) em ouro, e, assim como o metal, este se tornava uma moeda de reserva e de circulação mundial. A conferência de São Francisco: criação da ONU (1945) Sediada em Nova York, a ONU surgiu com o objetivo de substituir a Liga das Nações, criada na I Guerra Mundial, e preservar a paz e a segurança mundial. A ONU conta com vários órgãos, sendo os principais o CS – Conselho de Segurança (composto por cinco países permanentes: USA, França, Inglaterra, Rússia, China e 10 temporários) e AG – Assembleia Geral (composto por 192 países). As alianças militares no contexto da Guerra Fria OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte): liderado pelos Estados Unidos. Seu objetivo era defender militarmente os interesses de todos os seus membros (EUA, Canadá e vários países da Europa Ocidental). Pacto de Varsóvia O comando era exercido pela URSS, que reunia diversos países de orientação socialista. Essas organizações constituíram-se em dois elementos-chave nos tempos de Guerra Fria e demonstraram que o conflito seria em bloco. O Pacto de Varsóvia reprimiu manifestações contrárias ao centralismo de Moscou na Hungria (1956), Tchecoslováquia (1968) e no Afeganistão (1979). GEOGRAFIA2º VOLUME | 9º ANO 5 Atividades 01 “Toda a Terra reduzida a nada, a nada mais E minha vida é um flash de controles, botões antiatômicos (...)” Composição: Giancarlo Bigazzi / Umberto Tozzi No trecho da música Eva, da banda Rádio Táxi, podemos inferir que se destaca a) um contexto histórico-espacial da Nova Ordem Mundial, em que se destaca a disputa entre EUA e URSS. b) a capacidade bélica dos países desenvolvidos. c) uma disputa entre as potências nucleares, EUA e URSS, no que se convencionou chamar de “corrida espacial”. d) uma disputa por armas que envolvia as duas potências da guerra fria em um embate direto. e) o cenário geopolítico dos pós Segunda Guerra Mundial em uma disputa armamentista e um possí- vel conflito entre EUA e URSS. 02 A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) foi estabelecida em Washington, em 4 de abril de 1949. Sua criação está relacionada ao a) contexto de aproximação das potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial. b) processo de liberalização da economia mundial que lançaria as bases da globalização. c) processo de descolonização nos continentes africano e asiático. d) contexto de polarização político-militar entre os países capitalistas e socialistas. e) contexto de endividamento dos países europeus com as instituições financeiras internacionais. 03 Observe o gráfico a seguir e responda às próximas duas questões. Estoque mundial de armas nucleares: 1945-2009 40.000 30.000 20.000 10.000 1945 1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 França, Reino Unido e China Es ta do s U ni do s Uni ão S ovié tica (Rú ssi a a pa rti r d e 1 99 2) 1985 1990 1995 2000 2005 2009 0N úm er o de a rm as n uc le ar es Fonte: REKACEWICZ, P. Stock d’armes nucléaires en 2009. Disponível em: http://www.monde-diplomatique.fr. Acesso em: 20 ago. 2010. Adaptado a) Quais são as tradicionais potências expressas no gráfico? Explique o que justifica o elevado crescimento da produção de armas nucleares. b) Por que se utilizou o termo “Guerra Fria” em um contexto de tanta produção bélica? GEOGRAFIA 6 2º VOLUME | 9º ANO Geoestratégia Geoestratégia é toda decisão comercial, econômica, política, militar ou social que um país deve tomar, a partir de estudos relativos às características geográficas e históricas entre ele e o chamado “país alvo”, assim como o que pode advir dessas características. Esses estudos são importantes, pois conseguem definir os possíveis aliados e adversários, em situações atuais ou futuras. Os EUA, por exemplo, fizeram uso de geoestratégias para conter o avanço soviético em várias partes do mundo, seguem dois exemplos desencadeados delas: a) Plano econômico: injeção de capitais para promover a recuperação econômica da Europa Ocidental, por meio do plano Marshall. b) Plano militar: advento do Tratado Militar do Atlântico Norte (OTAN) como instrumento de defesa do bloco capitalista. A URSS também é um exemplo de país que se utiliza da geoestratégia para se contrapor ao aumento de influência norte-americana, sobretudo, na Europa Oriental; e os soviéticos também criaram duas estratégias: a) Plano econômico: criação do conselho de assistência mútua, a fim de integrar as debilitadas economias do Leste Europeu. b) Plano militar: criação do Pacto de Varsóvia para responder ao surgimento da OTAN. As disparidades entre as potências - URSS Principal polo político-militar do sistema socialista. Braço armado: Pacto de Varsóvia. Inteligência: KGB. Desvantagem técnico-científica, relativa desvantagem nuclear e ampla vantagem numérica (armamentos e efetivos militares). Economia estatizante pouco dinâmica, direcionando os recursos para a indústria bélica, subdesen- volvendo a indústria civil, penalizando a sociedade e reduzindo a produtividade econômica. - EUA Principal polo político-militar do sistema capitalista. Braço armado: OTAN. Inteligência: CIA. Vantagem técnico-científica e nuclear ao longo do período, todavia, apresentava desvantagem numérica. Economia de mercado forte e bem dinâmica, convertendo a tecnologia bélica para a indústria civil, minimizando gastos; ordenava lucros para o complexo industrial-militar, resultando em menos gastos militares. A divisão geopolítica Após a Segunda Guerra Mundial, uma Nova Ordem Geopolítica foi estabelecida. Nela, a correlação de forças se concentrou junto aos EUA (bloco capitalista ou ocidental) e à URSS (bloco socialista ou oriental). Assim, a geografia mundial passou a expressar um “equilíbrio” bipolar (entre as duas potências hegemô- nicas). Nesse contexto, a divisão de blocos continentais foi sendo substituída. Os estudiosos, em geral, passaram a regionalizar o espaço mundial de acordo com uma classificação mais geopolítica, isto é, levando em consideração, sobretudo, os fatores socioeconômicos e políticos e não a localização. Esta classificação em “mundos” consiste no seguinte: Primeiro mundo: países desenvolvidos capitalistas. Segundo mundo: países de economia planificada ou socialistas. Terceiro mundo: países subdesenvolvidos capitalistas. A divisão de blocos políticos que caracterizou o contexto da Ordem Bipolar teve o mérito de facilitar o entendimento da realidade dos países, pois as nações passaram a ser estudados segundo os aspectos socioeconômicos. Assim, Brasil e Índia foram agrupados no mesmo bloco (terceiro mundo), apesar de estarem GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 7 em continentes diferentes (América e Ásia, respectivamente), fato que não anula as grandes semelhanças entre eles, como a dependência econômica, as desigualdades na distribuição de renda, de terra, no pauperismo da população etc. Entretanto, tal constatação não significa que essas nações sejam totalmente homogêneas, pois ambas possuem significativas particularidades, sobretudo no campo cultural (idioma, religião, costumes etc.). Esses fatores foram negligenciados nos anos da Guerra Fria, uma vez que as características econômicas (economicismo) se sobrepuseram às demais, trazendo um empobrecimento da análise. A regionalização em três mundos está ultrapassada, pois não existe mais o Segundo Mundo devido à fragmentação do bloco socialista, embora alguns países tenham se mantido socialistas, como é o caso da China e de Cuba, não existe mais uma unidade no terceiro mundo, pois os países desse bloco seguiram, nas últimas décadas, trajetórias bastante diferentes. Alguns, como os Tigres Asiáticos (Coreia do Sul e Taiwan), conseguiram atingir um nível de desenvolvimento próximo ao das nações centrais, já os países latino-americanos, a exemplo do Brasil, conseguiram grande modernização econômica, porém, sem melhoria no padrão de vida. Os países africanos experimentaram uma decadência econômica acompanhada de um crescente empobrecimento, por isso, a África negra passou a ser chamada de “quarto mundo”. Todas essas transformações ampliaram as diferenças e reduziram as semelhanças entre os países do antigo “terceiro mundo”, eliminando, dessa maneira, a unidade que existiu durante os anos da Guerra Fria, o que acabou dificultando agrupá-los dentro do mesmo grupo. Atividades 04 “Os monumentos da cidade vão permanecer como lesões das areias do deserto Desfiando o destino E quando os muros forem derrubados com estrondo A queda vai ecoar Para o testemunho de toda Europa” GOTTFRIED BENN. In: Folha de São Paulo. 16 nov. 1989. Próximo às ruinas do Muro de Berlim, está preservada uma placa com o seguinte aviso em inglês, russo, francês e alemão: “Você está deixan- do o setor americano”. O Globo, 19 mar. 2009 (adaptado). Em 2009, comemoram-se na Alemanha vinte anos da derrubada do Muro de Berlim. Sua construção, em 1961, esteve relacionada à a) divisão étnica da cidade. b) crise dos regimesdemocráticos europeus. c) bipolaridade das relações internacionais. d) reação nacionalista à influência estrangeira. e) Segunda Guerra Mundial. GEOGRAFIA 8 2º VOLUME | 9º ANO 05 NIKITA Ei, Nikita, está fazendo frio? Em seu cantinho do mundo? Você pode rolar ao redor do globo E nunca encontrar uma alma mais calorosa para conhecer (Oh) Eu vi você ao lado do muro. Dez de seus soldadinhos de lata em uma fileira Com olhos que pareciam gelo pegando fogo O coração humano, um cativo na neve. Elton John A música de Elton John realiza uma referencia geopolítica à/às a) disputa entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. b) disputa ideológica entre EUA e URSS. c) áreas de influência do capitalismo. d) bipolaridade do contexto da Segunda Guerra Mundial. e) multipolaridade na Nova Ordem Mundial. 06 Observe a charge. Disponível em: http://ensinarhistoriajoelza.com.br. Acesso em: 26 fev. 20148. A charge mostra Harry Trumann e Josef Stalin jogando futebol com uma bola que representa o Planeta Terra. A partir da análise do texto, responda às questões a seguir: a) Qual a principal ideia representada pela charge? b) Quais sistemas político-econômicos se observam na charge? Explique brevemente em que consistem. GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 9 Desestruturação do Leste A partir de 1985, o governo Gorbatchov promoveu uma alteração radical na estrutura da sociedade soviética. Implantou a Perestroika e a glasnost. Associado à política de redução dos gastos públicos, fez com que o governo promovesse, junto ao governo dos Estados Unidos, uma série de acordos de desarmamento, com o objetivo de frear a corrida armamentista. Os efeitos das transformações na URSS, no final da década de 80, atingiram todo o Leste Europeu, provocando a queda dos governos socialistas, a democratização das instituições e o estabelecimento de eleições livres e diretas. O envolvimento com a ala mais radical e conservadora do partido comunista desencadeou a necessidade de implantação de políticas dirigidas. Gorbatchov sinalizou que a URSS não mais interviria na política do Leste europeu e entregou à região a resolução de seu próprio destino. A falência da economia socialista teve efeitos profundos no mapa da Europa. Em 1989, a Hungria retirou a cerca de arame farpado que havia em sua fronteira com a Áustria. Em 9 de novembro de 1989, caía o maior símbolo da Guerra Fria, a queda do muro de Berlim. Menos de um ano depois, as duas Alemanhas foram unificadas, causando profundas alterações na geopolítica europeia. A Alemanha fortalecida passou a ser o maior dínamo de influência nas porções oriental e ocidental da Europa. As reformas Perestroika e Glasnot Redução do dinheiro gasto com defesa (desocupação do Afeganistão). Políticas de desarmamento das potências da guerra fria. Criação de outros partidos políticos. Liberdade de expressão. As manifestações contra os partidos comunistas e os problemas econômicos tornaram-se crescentes. Assim, os governos começaram a ceder aos anseios de democracia e de transformação econômica. Foi o início da transição rumo à economia de mercado. Em alguns países, a transição ocorreu de forma pacífica, como na Tchecoslováquia (Revolução de Veludo) e na Hungria. Em outros lugares, as lideranças se mostraram mais resistentes, como na Romênia e na Alemanha Oriental. Na União Soviética, a oposição às reformas intensas. Gorbatchov teve que enfrentar, ao mesmo tempo, a ala conservadora do PC, contrárias às mudanças, e a ala ultrarreformista, que questionava a lentidão com que ocorriam. Em 1990, o principal representante, Boris Yeltsin, foi eleito na Rússia; após um ano de governo, Yeltsin declarava total autonomia da Rússia frente à URSS. As delimitações de novas fronteiras O inicio da década de 1990 foi marcado por grandes transformações: com o fim da URSS em 1991, as 15 nações que a constituíam tornaram-se independentes. Doze delas associaram-se a uma entidade supranacional mais ampla, a CEI (Comunidade de Estados Independentes), cujo limite de atuação até hoje não ficou bem definido. Letônia, Estônia e Lituânia não aderiram à CEI e, dessa forma, reconquistaram sua independência. Com o desmembramento da Tchecoslováquia, surgiram a República Tcheca e a República Eslováquia. A Iugoslávia também foi sendo desmembrada, surgindo novas repúblicas (Sérvia e Montenegro/Iugoslávia, Eslovênia, Croácia, Macedônia e Bósnia) e as Províncias autônomas de Kosovo e de Voivodina. A instabilidade do socialismo significou o colapso de todo o sistema de relações internacionais surgido após a Segunda Guerra Mundial, sustentado pela Guerra Fria. O fim do socialismo na URSS e no Leste Europeu deixou evidente a necessidade de uma reordenação geopolítica. No início dos anos 1980, a economia soviética, que era controlada pelo Estado, estava à beira de um colapso. A maior parte da indústria soviética estava obsoleta, os níveis de produção caíam a cada ano, a qualidade de vida estava cada vez pior. O desemprego era crescente, ao que se associavam a fome, a falta de médicos e a precariedade nos serviços básicos. Podemos, apenas como comparação, dizer que essa situação era análoga à de Cuba nos anos 90, onde a crise de desabastecimento ganhou contornos dramáticos. GEOGRAFIA 10 2º VOLUME | 9º ANO Crise do socialismo soviético, causada pelos seguintes motivos. a) Excessiva centralização do modelo administrativo, inadequação às transformações da produção e dos mercados típicos da III Revolução Industrial; b) Crescente defasagem tecnológica com relação ao Ocidente. O Japão supera a produção industrial so- viética em 1982. Ascensão de Gorbatchev, em 1985, que introduziu, na União Soviética; as seguintes reformas. a) Perestroika: reforma do modelo econômico-administrativo, baseada na remodelação da produção e na abertura para a entrada de capital estrangeiro; b) Glasnost: reforma política que determinou o fim do monopólio ideológico do PC. Afrouxamento dos laços políticos que mantinham o Leste europeu sob a hegemonia soviética, acompanhado de um significativo corte de gastos, com ajuda militar e econômica. a) Campanha Internacional soviética pelo desarmamento nuclear, o que permitiu a redução dos gastos com orçamento militar e com a indústria bélica: - em 1986, a URSS declarou uma moratória unilateral dos testes nucleares; - em 1987, assinou com os Estados Unidos o INF (Intermediate Range Nuclear Force) um acordo para mísseis de médio alcance na Europa e na Ásia; - em 1989, retirou as tropas do Afeganistão. A queda do Muro de Berlim extinguiu a ordem mundial estabelecida com o fim da Segunda Guerra Mundial, que dividia o mundo em áreas de influência soviética e americana. Crise, desmembramento e fim da URSS, em 1991. - Junho: extinção do Pacto de Varsóvia. - Julho: extinção do Comecom. - Agosto: golpe militar. - Setembro: reconhecimento das independências bálticas. - Novembro: criação da CEI. - Dezembro: renúncia de Gorbatchov. Deslocamento do eixo geopolítico mundial: a questão ideológica (socialismo x capitalismo) é substituída pela questão econômica-tecnológica (ricos x pobres). Atividades 07 A Perestroika é entendida como um processo de transformação global do sistema socialista da anti- ga URSS. Considerando esse processo de transformação, podemos dizer que a) consistia em políticas de desagregação do capitalismo. b) visava incrementar a indústria de armamentos. c) assegurou a transformação básica da economia. d) proporcionou o crescimento do capitalismo americano na Europa ocidental. e) elevou a condição da URSS como grande potência. 08 Com o esfacelamento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em decorrência do colap- so do modelo político-econômico comunista, que vigorou nesses países durante décadas, uma nova as- sociação de apoiomútuo foi estabelecida entre a Rússia e outros países da ex-URSS. O nome dado a essa associação foi a) Organização do Tratado do Atlântico Norte. b) Associação Progressista do Leste Europeu. c) Pacto de Varsóvia. d) Comunidade dos Estados Independentes. e) Fundo Monetário Internacional. GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 11 (ENEM) Os 45 anos que vão do lançamento das bombas atômicas até o fim da União Soviética não foram um período homogêneo único na história do mundo. [...] Dividem-se em duas metades, tendo como divisor de águas o início da década de 70. Apesar disso, a história deste período foi reunida sob um padrão único pela situação internacional peculiar que o dominou até a queda da União Soviética. HOBSBAWM, Eric J. A era dos extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. O período citado no texto é conhecido por Guerra Fria, podendo ser definido como aquele momen- to histórico em que houve a) corrida armamentista entre as potências imperialistas europeias, ocasionando-se a Primeira Guerra Mundial. b) domínio dos países socialistas do Sul do globo pelos países capitalistas do Norte. c) choque ideológico entre a Alemanha Nazista/União Soviética Stalinista, durante os anos 1930. d) disputa pela supremacia da economia mundial entre o Ocidente e as potências orientais, como a China e o Japão. e) constante confronto das duas superpotências que emergiram da Segunda Guerra Mundial. QUESTÃO DESAFIO Para pensar UMA NOVA GUERRA FRIA? Dessa vez, a reação do Kremlin não se fez esperar – no dia 25, a Câmara dos Representantes do Congresso norte-americano aprovou, quase por unanimidade (419 contra 3), o reforço das sanções contra a Rússia, replicando decisão anterior do Senado no mesmo sentido e com a mesma força simbólica de grande consenso bipartidário (98 contra 2). Putin, que se encontrava de visita à Finlândia, sinalizou que iria retaliar. “Até agora, temos sido bastante contidos e pacientes, mas não podemos continuar a deixar sem resposta os sucessivos atos de insolência contra o nosso país.” – afirmou, em substância, o presidente russo. Dito e feito. Pouco depois, as autoridades russas anunciavam que, até dia 1 de Setembro próximo, os EUA teriam de retirar do país 755 dos seus diplomatas (reduzindo o seu pessoal para o nível da representação russa em Washington - 455), e interditavam, ao mesmo tempo, a utilização de duas propriedades até então ao serviço da embaixada americana – uma casa de campo e lazer nos arredores de Moscovo e um armazém na capital. É uma resposta e tanto, que parece ter surpreendido, pela sua amplitude, as autoridades americanas, e configura, em qualquer caso, um regresso ao estilo “olho por olho, dente por dente”, que foi a prática comum durante a Guerra Fria. É uma resposta e tanto, que parece ter surpreendido, pela sua amplitude, as autoridades americanas, e configura, em qualquer caso, um regresso ao estilo “olho por olho, dente por dente”, que foi a prática comum durante a Guerra Fria. Tudo leva a crer que as medidas retaliatórias agora anunciadas foram as mesmas que o Kremlin chegou a articular no final do ano passado, em resposta à decisão do então presidente Obama de expulsar 35 diplomatas russos, na sequência das denúncias feitas pelos serviços de inteligência de provável ingerência electrónica russa nas eleições americanas. Na altura, Pútin, embora reservando-se o direito de retaliar, absteve-se de o fazer, na expectativa de que, com Trump na Casa Branca, fosse possível reverter o clima de crescente confronto com Washington. GEOGRAFIA 12 2º VOLUME | 9º ANO Seis meses volvidos, essas expectativas parecem ter-se evaporado quase por completo. Submetido a constante pressão política, quer por parte dos democratas, quer parte dos republicanos (divididos em quase tudo, mas tendencialmente unidos em matérias de defesa e segurança), com uma administração caótica e níveis recorde de baixa popularidade, Trump não só não conseguiu operar qualquer mudança em relação à Rússia (apesar do encontro cordial com Pútin, durante o recente G20 de Hamburgo), como se vê agora ainda mais impossibilitado de o fazer, dado que a nova lei praticamente retira do presidente a possibilidade de reduzir ou extinguir as sanções sem aprovação prévia do Congresso. Nesta matéria, Trump tem, agora, as mãos atadas. Europa também visada A nova lei americana pretende, também, penalizar as empresas europeias que se envolverem em relações com a Rússia, ficando assim em perigo a construção do Nordstream 2, um gasoduto que faria chegar o gás russo ao centro da Europa através do mar Báltico, evitando a habitual travessia pela Ucrânia. O sentido extraterritorial da nova legislação que parece pretender criar dificuldades aos russos para poder colocar as empresas americanas de gás de xisto em vantagem no mercado europeu – suscitou protestos da Alemanha e da Áustria, e a própria Comissão Europeia, em Bruxelas, admitiu ter que adotar contramedidas no plano comercial. Não será fácil fazê-lo, uma vez que nem todos os países europeus estão unidos nessa questão. Os estados do centro e leste da Europa, em particular os do Báltico, querem evitar a todo o custo ficar dependentes dos fornecimentos russos, estando, por isso, mais inclinados a aceitar a pressão dos EUA. Mas, se a Alemanha se opuser aos aspectos extraterritoriais da legislação americana, isso poderá – um tanto paradoxalmente - dar alguma margem de manobra a Trump, que poderá sempre dizer que não quer entrar em conflito com um dos principais aliados dos EUA. Afinal de contas, cabe ainda ao presidente definir como a nova lei deve ser aplicada. De regresso à Guerra Fria? De qualquer forma, o que a nova legislação americana e a resposta russa sinalizam é uma acentuada perda de confiança mútua que parece estar a conduzir o mundo de regresso à Guerra Fria. Há pelo menos uma década, de parte e de outra têm vindo a ser tomadas medidas que derrubam as medidas de contenção e os controles de armas, designadamente nucleares, estabelecidos há um quarto de século, quando caiu o muro de Berlim. A NATO, contrariamente às promessas feitas por Kohl a Gorbachev, quando da reunificação da Alemanha, ocupou todo o espaço antes submetido pelo Pacto de Varsóvia e rodeia hoje todo o perímetro ocidental das fronteiras russas, com Moscovo (ou Moscou) mais perto que nunca dos seus lança-mísseis. Por sua vez, em 2007, a Rússia, em resposta ao avanço da NATO até as suas fronteiras, deixou de observar o Tratado de Forças Nucleares Intermédias, que limitava o desenvolvimento de mísseis de médio alcance, cujo curto raio de ação deixa pouco tempo para reagir. Segundo os americanos, Moscovo teria desenvolvido e já instalado mais mísseis desse tipo, particularmente ameaçadores para a Europa. Como chamou a atenção o New York Times, num ciclo infernal de medidas e contramedidas, agora é o Congresso americano que já tem em análise medidas para expandir as capacidades e o nú- mero de armas nucleares, pondo assim em perigo todo um conjunto de acordos e tratados que, de um quarto de século até hoje, vinham estabilizando os arsenais nucleares da Rússia e dos EUA, ou seja, 90% das 15.000 armas atômicas existentes no mundo inteiro. Se as duas maiores potências se afastarem – como estão fazendo – dos acordos existentes, toda a política de controle e contenção dos armamentos nucleares estará instável. E a possibilidade de um regresso à Guerra Fria – agora com mais países dispondo da arma atômica - tornar-se-á uma certeza. Disponível em: http://noblat.oglobo.globo.com. Acesso em: 13 fev. 2018 (adaptado). GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 13 A questão cultural no mundo Toda sociedade costuma produzir uma imagem ideal a respeito de si mesma. É a par- tir dessa imagem que ela gosta de se enxer- gar, e que gostaria de ser lembrada no futu- ro. Nos grandes centrosurbanos, a sociedade procura fazer-se notar por meio de obras que denotam progresso, riqueza e modernidade. No decorrer da História, muitos povos passaram à memória da humanidade por in- termédio de edificações suntuosas, como as pirâmides erguidas por ordem dos faraós do Egito e os magníficos edifícios e templos do Império Romano e da Grécia Antiga. É cla- ro que a perspectiva grandiosa corresponde sempre ao ponto de vista de quem está no poder. São os poderosos que têm motivações para glorificar sua época. E são eles que possuem os meios para criar monumentos e produzir imagens. Um escravo do tempo dos faraós, por exemplo, que trabalhou duro na construção de uma tumba, prova- velmente não teria um depoimento muito favorável sobre sua própria época. A imagem ideal de uma socieda- de realça sempre as suas qualidades e procura esconder ou minimizar seus aspectos negativos. Essa tendência fica mais acentuada quando um país está em guerra. Nesse caso, é essencial que se produzam imagens para estreitar a união do povo e estimular o espírito de luta dos soldados e das nações. Nos períodos de guerra, re- presentações visuais e sonoras carregadas de simbolismo, como a bandeira e o hino nacional, são fundamen- tais para se manter em alta o ânimo de um exército em luta. O poder da imagem no século XX O poder da imagem tornou-se questão estratégica durante o século XX, com o desenvolvimento de mídias de grande impacto como a fotografia, o cinema, o rádio e a televisão. Com o avanço da tecnologia, a reprodu- ção e o alcance das comunicações passaram a abranger virtualmente todo o planeta. Esse apelo à imagem já podia ser notado na Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918. Ele foi fundamental para a criação de um espírito nacionalista nos dois lados em luta. Um recurso muito utilizado na Primeira Guerra foi a reprodução de milhares de cartazes para estimular o alistamento e pedir contribuições em dinheiro e em horas de trabalho pelo chamado “bem da pátria”. Não por acaso, a propaganda visual tornou-se uma das partes centrais da monumental máquina de guerra de Adolf Hitler. O ministro da Propaganda, Josef Goebbels, foi peça-chave do esquema nazista durante a Segunda Guerra, entre 1939 e 1945. Nas mensagens publicitárias e filmes produzidos sob orientação dele, as imagens deprecia- vam de forma explícita os judeus, os comunistas e outros inimigos do nazismo. Na verdade, o auge da utilização bélica da imagem aconteceu durante a Guerra Fria. No lugar dos mísseis, disparavam-se as armas da propagan- da. Em vez de ogivas nucleares, detonavam-se mensagens persuasivas elaboradas cuidadosamente. Os objeti- vos eram ganhar a simpatia da opinião pública e procurar convencer o outro lado de sua superioridade militar. Disponível em: https://geoemancipa.wordpress.com. Acesso em: 13 fev. 2018. Na Guerra Fria, os temas da propaganda ideológica eram complexos porque envolviam ideais distin- tos de vida, democracia e felicidade. Levando em consideração as informações do texto, pesquise quais a ferramentas de propaganda utilizadas por URSS e EUA para defender seus respectivos sistemas. No seu caderno, ite exemplos. Para pesquisar GEOGRAFIA 14 2º VOLUME | 9º ANO CAPÍTULO 5 A Nova Ordem Mundial Características gerais do mundo multipolar O espaço geográfico mundial é marcado pela diversidade. Na atual configuração geopolítica do planeta, temos quase 200 países, e nenhum é igual ao outro, eles apresentam uma organização espacial própria, resultado da relação travada entre sociedade e sua porção da natureza ao longo da história, bem como das relações entre os diversos elementos que constituem tal sociedade e das relações desta com o resto do mundo. Para entendermos a organização do espaço mundial, é de fundamental importância que atentemos para tais diferenças e, sobretudo, para o porquê de sua existência. Os fatores naturais, culturais, religiosos, étnicos têm influência na organização de distintas formações espaciais, no entanto, é a economia a responsável pela criação dos maiores abismos existentes no espaço mundial e pelas mais gritantes diferenças entre as nações. Para entendermos a chamada Nova Ordem Mundial, é necessário lembrar que sua instalação está relacionada aos aspectos que contribuíram para a crise das duas potências hegemônicas, EUA e URSS, que comandavam o espaço mundial no período da chamada “Guerra Fria”, Dessa forma, compreende-se que a Nova Ordem Mundial instala-se no início dos anos 90, do século vinte, e é marcada pela atual configuração do modo de produção capitalista em sua fase globalizada, pela maior integração econômica entre as nações por meio da formação de blocos econômicos e pelas permanentes desigualdades e conflitos em várias partes do mundo. A emergência de novas potências (Alemanha, Japão e China), redefinindo as relações de forças e a natureza do poder mundial. A multipolaridade econômica com a definição de três centros de poder – tríade Global – América, Europa Ocidental e Ásia. O mundo multipolar dos anos 90 Disponível http://portaldoprofessor.mec.gov.br. Legenda: * Os três principais polos ou centros da economia mundial nos dias atuais. \ Linha divisória entre o Norte desenvolvido e o Sul subdesenvolvido. 1 – CEI – Comunidade dos Estados Independentes (ex-URSS) – atravessa grave crise diplomática, social e política. Apesar da importância econômica dos três centros de poder. 2 – China – emerge como grande potencia econômica, política e militar. Nas próximas décadas, deverá ocupar o lugar do Japão como principal centro de poder do polo Oriental e Asiático. 3 – Oriente Médio – área de disputa entre os três centros de poder, com vantagem momentânea para os EUA; pode também vir a ser uma região original pela união dos povos e Estados islâmicos, com ten- dência a não se alinhar a nenhum dos três pontos. Disponível em: http://interna.coceducacao.com.br. Acesso em: 15 fev. 2018. GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 15 A multipolaridade econômica, com a definição de três centros de poder – tríade Global – América, Europa Ocidental e Ásia; a manutenção da hegemonia capitalista dos Estados Unidos face à desintegração da União Soviética e à fragmentação geopolítica que ocorreu, em especial com a transição econômica no Leste Europeu são elementos imediatos dos pós-Guerra Fria. No período da Guerra Fria, os conflitos regionais tinham uma dimensão mundial, principalmente quando houvesse o interesse direto ou indireto das superpotências. Hoje, o mundo globalizado está mais voltado para a conquista de mercados, em razão disso, nasce uma nova orientação, na qual os conflitos regionais deixam de ter uma conotação mundial. As potências perdem o interesse pelos conflitos, só não por aqueles que coloquem os seus interesses econômicos em perigo. Em função do desinteresse dos países ricos pelos conflitos locais, cresce a importância do papel da ONU, que passa a intervir diretamente na intermediação dos processos de paz, sendo reforçada a atuação, também, da OMC, Banco Mundial, OIT e do G-8 (EUA, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Japão e Rússia), provocando as seguintes implicações: Substituição e/ou redução do poder de decisão dos Estados Unidos sobre as decisões políticas e econômicas da atual ordenação mundial; evidência de uma ordem multipolar econômica, diferenciando-se do período da Guerra Fria. A Nova Ordem mundial mantém relações nítidas de exploração e desigualdade entre as nações, os níveis de pobreza e miséria são cada vez mais assustadores em escala mundial, a propagação de epidemias, a permanência de conflitos étnicos, o crime organizado por meio do tráfico de drogas e a permanência da fome são marcas cruéis de uma economia de mercado que privilegia as nações mais poderosas. Inúmeros conflitos relacionados às questões de ordem geopolítica ainda estão pendentes, muitos delesherança da própria Guerra Fria (guerra civil na Síria), outros que, devido à origem anterior à própria Ordem Bipolar, permaneceram vivos e latentes sob a observação das grandes, como é o caso do Oriente Médio. Além das questões étnico-religiosas ou nacionais, esses conflitos questionam o próprio conceito de Ordem Internacional, praticando terrorismo. Atividades 09 Disponível em: https://descomplica.com.br. Acesso em: 15 fev. 2018. A imagem apresentada é um mapa mental da reorganização internacional, também conhecida como Nova Ordem Mundial. Fazendo a análise do mapa, responda às questões a seguir: a) Identifique o momento que pode ser considerado como um dos marcos de início da Nova Ordem Mundial. GEOGRAFIA 16 2º VOLUME | 9º ANO b) Qual a importância dos organismos que aparecem na imagem, tal como a ONU? 10 Entre os fatos que assinalaram, nas últimas décadas do século XX, o aparecimento de uma “Nova Ordem Mundial”, pode-se apontar a a) tendência predominante à bipolarização entre Estados Unidos e Alemanha. b) restrição à produção industrial dos países do norte. c) consolidação do processo de globalização. d) hegemonia da Rússia nos sucessivos acordos de paz entre árabes e judeus. e) diminuição das desigualdades sociais. 11 A passagem da década de 1980 para a de 1990 ficou marcada como um momento histórico, no qual se esgotou um arranjo geopolítico e teve início uma nova ordem política internacional, cuja configuração mais clara ainda está em andamento. Conforme se observa na notícia , essa nova geopolítica possui a se- guinte característica marcante: a) diminuição dos fluxos internacionais de capital. b) aumento do número de polos de poder mundial. c) redução das desigualdades sociais entre o Norte e o Sul. d) crescimento da probabilidade de conflitos entre países centrais e periféricos. e) divisão Leste–Oeste. As novas formas de regionalização do espaço mundial: o contraste Norte x Sul Na regionalização existente na época da Guerra Fria, os países eram classificados segundo o critério de bloco ideológico, em Primeiro, Segundo e Terceiro mundos, além da oposição entre o mundo ocidental (ca- pitalista, liderado pelos Estados Unidos) e o mundo oriental (socialista, liderado pela União Soviética). No entanto, as mudanças no sistema produtivo e o esgotamento do bloco soviético reorganizaram as formas de regionalização. O contraste Norte x Sul não eliminou, mas acentuou, os desníveis de desenvol- vimento entre as nações, configurando uma dualidade entre os países do Norte, também denominados desenvolvidos, e países do Sul, considerados subdesenvolvidos. Disponível em: https://2.bp.blogspot.com. Acesso em: 10 fev. 2018. Países do Norte ou desenvolvidos Consistem em países de industrialização antiga, com estrutura industrial completa no ramo de base e de bens de consumo. Abrangem 20% da população mundial, englobando os Estados Unidos, o Canadá, as nações da Europa Ocidental, o Japão, além de Austrália e Nova Zelândia, controlam os ramos avançados da pesquisa, com investimentos maciços em tecnologia avançada. Possuem relações comerciais favoráveis, exportando bens manufaturados, além de sediarem as principais multinacionais do planeta e organismos financeiros mundiais. GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 17 Esses países possuem excelente nível de vida para a maioria da população, com a existência do Estado do bem-estar social, em que o governo cobra elevados impostos da população mais privilegiada, investindo em programas de seguridade social-público. Outra característica é o grande mercado consumidor interno, devido ao elevado poder aquisitivo da maioria da população (a maioria é considerada de classe média) e também à cultura consumista, com o papel crescente dos meios de comunicação, não só na divulgação, mas em técnicas cada vez mais sofisticadas de convencimento, como o merchandising (exposição de mercadorias em filmes e novelas, programações esportivas e espetáculos), a moda (consumir bens e/ou valores considerados sinônimos de modernidade), a cultura de massa, além da facilidade de crédito e o avanço tecnológico. Países subdesenvolvidos ou do Sul Por outro lado, o aumento do número de países periféricos deu origem à noção de subdesenvolvimento, a partir de algumas características comuns; dentre elas, destacamos as relações comerciais desiguais, ou seja, a maioria desses países exporta matérias-primas baratas e importa bens manufaturados e tecnologia a preços elevados dos países desenvolvidos. Grandes desigualdades em todas as escalas, sociais, entre classes, territoriais, entre campo e cidades, e regionais. Foram, no passado, colônias de exploração, herdando muitas das características que definem o subdesenvolvimento. Um descompasso entre o acelerado crescimento demográfico em contraste ao lento crescimento da economia, sobretudo dos países com economia primária, o que implica escassez de alimentos e de empregos a médio e curto prazo. A fuga de capitais (descapitalização), pela remessa de lucros das multinacionais e/ou desvios de recursos, além da saída de mão de obra qualificada, dificulta a modernização da economia da maioria dos países considerados subdesenvolvidos. O grande endividamento externo, que consome grande parte dos recursos, dificultando sobremaneira os investimentos em infraestrutura e nas áreas sociais. A fraca cooperação entre os chamados países subdesenvolvidos, sobretudo na ordem global, em que cada país adota uma postura mais individual, busca uma maior inserção nos circuitos do capitalismo. Apre- sentam pequeno mercado consumidor interno, devido ao baixo poder aquisitivo da maioria da população, o que facilita a organização da economia para a exportação. Ao lado disso, a sociedade é influenciada pelo efeito-demonstração, no qual os meios de comunicação exibem propagandas que ostentam os bens mo- dernos (carros, televisores, aparelhos de som) que servem para induzir o consumo da população de baixa renda, que passa a consumir com as facilidades de crédito, mesmo sem a elevação da renda, provocando uma inversão das prioridades (a prioridade de bens materiais em relação à saúde e educação, por exemplo). Atividades 12 Observe o mapa a seguir: Disponível em: http://www.worldmapper.org. Acesso em: 10 fev. 2018. Anamorfose é um recurso cartográfico em que a representação não corresponde necessariamente à realidade territorial, mas sim ao fenômeno representado. Dessa forma, responda às questões a seguir: a) No mapa, há uma representação de qual o conteúdo da Nova Ordem Mundial? Comente sobre essa caraterística. GEOGRAFIA 18 2º VOLUME | 9º ANO b) Por que não podemos tomar como base a linha do Equador para fazer a análise da chamada divisão Norte-Sul? 13 Com o fim da Guerra Fria (1945-1991), a organização do espaço mundial passou por grandes trans- formações, que refletiram na forma de produzir e fazer política no mundo. Uma das maneiras de se regio- nalizar o planeta, atualmente, no mundo globalizado, é a regionalização em a) Norte (desenvolvido) e Sul (subdesenvolvido). b) Metrópoles e Colônias. c) Primeiro Mundo, Segundo Mundo e Terceiro Mundo. d) Países Centrais e Países Periféricos. e) Leste (socialista) e Oeste (capitalista). 14 Com o fim da Guerra Fria, estabeleceu-se uma “Nova Ordem Mundial” que substituiu o conflito “Les- te-Oeste” do sistema bipolar por uma nova divisão dos países do mundo. Uma das formas de organiza- ção dessa nova ordem apresenta o mundo dividido entre países do Norte, desenvolvidos (ricos), e do Sul, subdesenvolvidos (pobres). O mapa a seguir mostra a divisão do mundo sob a ordem “Norte-Sul”. Disponível em: https://2.bp.blogspot.com. Acesso em: 27 fev. 2018. Com base nas informações anteriores e em seus conhecimentos, assinale a alternativa correta: a) existe, nos países do Norte subdesenvolvido, uma população de consumo altamenteexpressiva. b) a desigualdade entre algumas regiões é cada vez maior, a África, por exemplo, está cada vez mais incluída nos países do Norte desenvolvido. c) o chamado conflito “Norte x Sul” é de natureza socioeconômica, diferente do conflito no mundo bipolar de natureza geopolítica. d) os governos dos países desenvolvido do Sul incrementam cada vez mais suas economias e tecnologias. e) a demarcação Norte-Sul, apesar de ser de natureza essencialmente geopolítica e econômica, estabelece, também, uma divisão entre duas áreas ecológicas, a temperada e a tropical. Países emergentes: BRICS O termo BRIC foi criado em 2001, pelo economista inglês Jim O’Neill para fazer referência a quatro países: Brasil, Rússia, Índia e China. Em abril de 2001, foi adiciona a letra “S” em referência à entrada da África do Sul (em inglês, South África). Dessa forma, o termo passou a ser BRICS. Esses países emergentes possuem características comuns, por exemplo, bom crescimento econômico. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, eles não compõem um bloco econômico, apenas compartilham índices de desenvolvimento e situações econômicas parecidas. Eles formam uma espécie de aliança que busca ganhar força no cenário político e econômico internacional, diante da defesa de interesses comuns. A cada ano, ocorre uma reunião (cúpula) entre os representantes desses países, que buscam formalizar acordos e medidas com claros objetivos de compor um bloco econômico. GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 19 Características comuns dos BRICS Economia estabilizada recentemente; Situação política estável; Mão de obra em grande quantidade e em processo de qualificação; Níveis de produção e exportação em crescimento; Boas reservas de recursos minerais; Investimentos em setores de infraestrutura (estradas, ferrovias, portos, aeroportos, usinas hidrelétricas etc.); PIB (Produto Interno Bruto) em crescimento; Índices sociais em processo de melhorias; Diminuição, embora lenta, das desigualdades sociais; Rápido acesso da população aos sistemas de comunicação como celulares e internet (inclusão digital); Mercados de capitais (Bolsas de Valores) recebendo grandes investimentos estrangeiros; Investimentos de empresas estrangeiras nos diversos setores da economia. PIB dos países BRICS Brasil: R$ 4,84 trilhões ou US$ 2,07 trilhões (ano de 2013). Rússia: US$ 2,53 trilhões (2013). Índia: US$ 4,92 trilhões (2013). China: US$ 9,31 trilhões (2013). África do Sul: US$ 589,5 bilhões (2013). Alguns dados sociais e econômicos dos países do BRICS (dados referentes ao IDH realizado pelo PNUD de 2013) IDH Brasil (0,744); Rússia (0,778); Índia (0,586); China (0,719); África do Sul (0,658). Expectativa de vida ao nascer: Brasil (73,9 anos); Rússia (68 anos); Índia (66,4 anos); China (75,3 anos); África do Sul (56,9 anos). Média de anos de escolaridade: Brasil (7,2 anos); Rússia (11,7 anos); Índia (4,4 anos); China (7,5 anos); África do Sul (9,9 anos). G20 (grupo dos 20) O G20 (Grupo dos 20) é um grupo constituído por ministros da economia e presidentes de bancos centrais dos 19 países de economias mais desenvolvidas do mundo, mais a União Europeia. Criado em 1999, na esteira de várias crises econômicas da década de 1990, o G20 é uma espécie de fórum de cooperação e consulta sobre assuntos financeiros internacionais. Reunião do G20 em 2017. Disponível em: http://s.newsweek.com. Acesso em: 15 fev. 2018. Principais obetivos do G20 Favorecimento de negociações econômicas internacionais; Debates sobre políticas globais para promover o desenvolvimento econômico mundial de forma sus- tentável; Discussão de regras comuns para a flexibilização do mercado de trabalho; Criação de mecanismos voltados para a desregulamentação econômica; Criação de formas para liberação do comércio mundial. GEOGRAFIA 20 2º VOLUME | 9º ANO Blocos econômicos São acordos viabilizados entre os países-membros, tendo por objetivo a redução de taxas e alíquotas alfandegárias, possibilitando um incremento na produção dos países integrantes, propiciando, assim, a geração de empregos e o aumento no nível de consumo entre os países-membros do bloco. Isso estimula, entre eles, o comércio. Para os outros países não participantes dos blocos, as taxas alfandegárias são normais. Paralelamente ao processo de globalização, ocorre o que se denomina de regionalização da economia, ou seja, o surgimento de blocos econômicos regionais em todo mundo, a exemplo da União Europeia, NAFTA, Mercosul e outros. Essa tendência decorre dos seguintes fatores: Estratégia dos estados Atualmente, a economia capitalista global assume uma competitividade cada vez maior, o que leva pessoas, empresas e até mesmo países a buscarem alianças na perspectiva de se fortalecerem. Em função disso, a formação e a expansão desses blocos devem ser entendidas como uma estratégia político - territorial dos Estados nacionais, isto é, em geral de governos de países vizinhos, visando: - Unir esforços: com a formação de um bloco, os países-membros assumem a realização de projetos em conjunto, como a unificação de leis, a criação de moeda única e a realização de obras para a me- lhoria da infraestrutura. - O fortalecimento da economia: essa união objetiva fortalecer as economias dos países-membros do bloco, na medida em que facilita que atinjam algumas metas importantes, como a estabilização da economia; a melhoria da infraestrutura, o aumento do comércio intrarregional e uma maior qualidade dos produtos pelo investimento em tecnologia. - Preparar os países para globalização: o fortalecimento econômico e tecnológico dos países, a par- tir da aliança, possibilita que estejam a médio e longo prazo mais aptos para enfrentarem a competi- ção com nações de outros blocos econômicos. Interesses das grandes empresas A regionalização constitui um processo mais político do que econômico, pois são os Estados nacionais (e não as empresas) que tomam a iniciativa de criação desses mercados em qualquer região do mundo. Apesar disso, as grandes corporações transnacionais apoiam a regionalização porque a formação dos blocos econômicos contribui para a ampliação dos mercados consumidores dessas empresas. Isso acontece na medida em que a eliminação das barreiras alfandegárias reduz os preços dos produtos e possibilita às empresas ampliarem as vendas para um número maior de países. Por exemplo, no âmbito do MERCOSUL, até 1994, empresas brasileiras, como a Grendene ou a AMBEV, direcionavam quase toda sua produção ao mercado doméstico. Hoje, uma parcela significativa dos mercados dessas empresas está em países vizinhos do Brasil, sobretudo a Argentina. Atividades 15 Entre os países emergentes que formam o G20, estão os chamados BRICS (Brasil, Rússia, Índia e Chi- na), termo criado em 2001 para referir-se aos países que a) apresentam boas reservas de recursos naturais. b) possuem base tecnológica mais elevada. c) apresentam índices de igualdade social e econômica mais acentuados. d) apresentam forte preservação da natureza. e) possuem muitas semelhanças culturais. GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 21 16 Observe a charge a seguir: Disponível em: http://2.bp.blogspot.com. Acesso em: 15 fev. 2018. A partir da análise da imagem, responda: a) A imagem mostra qual grupo de países? Cite duas de suas características. b) O que justifica a frase “os novos poderosos” aos quais identifica a imagem? 17 Os blocos econômicos são a mais recente alternativa adotada pela maioria dos Estados do mundo, para ampliar as suas respectivas relações econômicas. Tal aspecto vem contribuindo para a construção de uma nova forma de regionalização mundial. Assinale a alternativa que apresente a mais importante entre as causas para a formação dos blocos econômicos no mundo contemporâneo.a) Surgimento do dinheiro. b) Instalação da indústria avançada em nível global. c) Consolidação da globalização. d) Transformação do capitalismo financeiro em capitalismo industrial. e) Emergência de um espírito mundial de solidariedade. (UERJ) Os líderes dos países que integram os BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – encerraram seu terceiro encontro com um comunicado em que pedem conjunta e explicitamente, pela primeira vez, mudanças no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O texto defende reformas na ONU para aumentar a representatividade na instituição, além de alterações no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial. Para os líderes dos BRICS, a reforma da ONU é essencial, pois não é mais possível manter as formas institucionais erguidas logo após a Segunda Guerra Mundial. O Globo, 15 abr. 2011. (adaptado). Uma das principais mudanças no contexto internacional contemporâneo que se relaciona com as reformas propostas pelos Brics está indicada em a) afirmação da multipolaridade. b) proliferação de armas atômicas. c) hegemonia econômica dos E.U.A. d) diversificação dos fluxos de capitais. e) hegemonia bipolar. QUESTÃO DESAFIO GEOGRAFIA 22 2º VOLUME | 9º ANO Para pensar Câncer gera us$ 46 bilhões em perdas de produtividade nos BRICS Os cânceres de fígado e de pulmão são os tipos que têm os maiores impactos em perdas na produtividade dos BRICS, segundo novo relatório da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), uma instituição da Organização Mundial da Saúde (OMS). Câncer de fígado e de pulmão são os tipos que têm os maiores impactos em perdas de produtividade. Um estudo produzido pela Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS), avalia pela primeira vez o custo das perdas em produtividade devido às mortes prematuras por câncer em economias emergentes. Segundo a pesquisa, casos da doença geraram em 2012 prejuízos de 46,3 bilhões de dólares para os países do BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A médica que liderou a análise, Alison Pearce, afirma que o “impacto do câncer na economia mostra a urgência de se prevenir os casos” nos países do bloco. As cinco nações abrigam 40% da população mundial e registram 42% de todas as mortes por câncer. Os cânceres de fígado e de pulmão são os tipos que têm os maiores impactos em perdas na produtividade. A maior parte dessas perdas — 28 bilhões de dólares — afeta a China, país onde a incidência de câncer de fígado é maior que a média devido a casos de hepatite B e à ingestão de alimentos expostos a aflatoxinas. Sobre o Brasil, o estudo da IARC alerta para as consequências do uso do tabaco, que provoca mortes por câncer de pulmão. A mesma situação é identificada na África do Sul. Apesar do sucesso de políticas brasileiras para o controle do tabaco, o fumo continua sendo um grande fator de risco, o que deve gerar mais perdas de produtividade. O documento aponta ainda para problemas ligados a mudanças no estilo de vida, como o rápido aumento dos índices de obesidade no Brasil. Já na Rússia, as mortes prematuras acontecem principalmente por câncer no fígado e em regiões da cabeça e do pescoço, “provavelmente associadas ao alto consumo de álcool”, avalia a pesquisa. Os autores do estudo sugerem aos países dos BRICS políticas que estimulem transformações de comportamento e que aumentem a cobertura de vacinação contra a hepatite B e contra o HPV. O câncer do colo do útero tem impactos econômicos consideráveis nos emergentes, em especial na África do Sul, gerando perdas de 1,6 bilhão de dólares. Disponível em: https://nacoesunidas.org. Acesso em: 15 fev. 2018. Disponível em: http://i.imgur.com. Acesso em: 27 fev. 2018. Banco de desenvolvimento do BRICS entra em operação O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), a entidade financeira multinacional criada pelos cinco países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), começou a operar nessa terça-feira ( 21 jul. 2015) em Xangai. Faça uma pesquisa e redija em seu caderno, mostrando quais os atuais investimentos do Banco dos BRICS. Comente esses investimentos e seus impactos sobre a economia brasileira. Para pesquisar GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 23 CAPÍTULO 6 Espaço e território no mundo globalizado: implicações econômicas, políticas e culturais do processo de globalização A globalização da economia mundial “A necessidade de mercados cada vez mais extensos para seus produtos impele a burguesia para todo o globo terrestre. Ela deve estabelecer-se em toda parte (...). Por meio da exploração do mercado mundial, a burguesia deu caráter cosmopolita à produção e ao consumo de todos os países. Em lugar das velhas necessidades, satisfeitas pela produção nacional, surgem necessidades novas, que, para serem satisfeitas, exigem produtos das terras e dos climas distantes (...). Em lugar da antiga autossuficiência e do antigo isolamento local e nacional, desenvolve-se em todas as direções um intercâmbio universal, uma universal interdependência das nações”. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. 1848. Disponível em: http://www.geografiaparatodos.com.br. Acesso em: 16 fev. 2018. A citação acima, de Marx (de meados do século XIX), já antecipava a formação de um novo mundo a partir de características que vêm sendo confirmadas atualmente. Essas transformações estruturais passam pela reorientação do papel do Estado (neoliberalismo) e pelo investimento em tecnologia avançada (revolução técnico- científica). “A globalização representa a tendência à maior integração e/ ou interdependência entre os países, mesmo que distantes ou diferentes uns dos outros, sobre a qual o que acontece numa região vai influenciar outras; ou seja, a cada dia, os países vão deixando de ser autossuficientes. Embora esse processo tenha suas raízes no século XVI, com as grandes navegações, somente a partir dos anos 70 houve um aumento dos fluxos de mercadoria, capitais e serviços entre as nações do globo, numa velocidade maior do que a produção interna de cada país, indicando que o desenvolvimento dos Estados-nações depende cada vez mais das relações com o mundo exterior e cada vez menos daquilo que é produzido nacionalmente. Toda essa fluidez só é possível devido à abertura das economias nacionais, com a redução das barreiras alfandegárias (adotando-se ideias neoliberais), bem como à revolução tecnológica nos meios de transportes e comunicações das últimas décadas, que possibilitou a circulação cada vez mais intensa de mercadorias e serviços entre distâncias maiores e em tempos menores. A globalização ficou mais evidente com o fim da Guerra Fria, a partir da década de oitenta, porque as transformações políticas e econômicas sofreram uma aceleração e ficaram mais explícitas para o mundo. A dinâmica dos espaços da globalização O processo de globalização ocorrido nas últimas décadas foi impulsionado pela expansão das empre- sas multinacionais pelo mundo, como é o caso da rede de lanchonetes McDonald’s. GEOGRAFIA 24 2º VOLUME | 9º ANO A dispersão dessas empresas, favoreci- da pela revolução tecnológica e pelos avan- ços dos transportes criou as condições ne- cessárias para a expansão do capitalismo em escala planetária. A partir da segunda metade do século XX, as grandes empresas multinacionais, que até então atuavam quase exclusivamente nos países mais ricos e industrializados, passaram a instalar filiais em países menos desenvolvidos economicamente. Muitas dessas indústrias, com sede nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Inglaterra, França e Itália, instalaram-se em países que apresentavam maior potencial de crescimento econômico, como Brasil, Argentina e México, na América Latina; África do Sul, no continente africano;Índia e Coreia do Sul, na Ásia. A expansão das multinacionais pelo mundo foi estimulada não apenas pela bus- ca de novos mercados consumidores, mas também pela existência de inúmeras vantagens oferecidas pe- los países onde se instalaram. Entre essas vantagens, podemos destacar o menor custo da mão de obra, a proximidade, o baixo custo das matérias-primas, a existência de legislações ambientais e trabalhistas menos rígidas, a concessão de incentivos fiscais (redução, ou mesmo isenção, dos impostos) e a facilida- de para enviar os lucros às matrizes no país de origem. Atividades 18 Com o processo de globalização, temos a falsa impressão de que as “distâncias se encurtam” sendo que alguns instrumentos são utilizados para que isso ocorra, dentre os quais, podemos destacar a) apenas os meios de transporte. b) meios de transporte e comunicação. c) apenas os sites de relacionamento. d) a divulgação de métodos antiglobalização. e) a difusão de lojas que centralizam a produção. Disponível em: http://2.bp.blogs- pot.com. Acesso em: 28 fev. 2018. 19 Faça a análise da imagem a seguir e a partir do que você observou, podemos concluir que a) a globalização promove a diminuição das desigualdades. b) a miséria deixa de existir com o processo de globalização. c) o sujeito da imagem tem a falsa percepção de que a globalização irá lhe livrar da pobreza. d) a globalização proporciona a todos o acesso às novas tecnologias. e) erradicação da inclusão digital. Sindicatos promovem ato pelo Dia Mundial de Defesa dos Trabalhadores de fast-food na Avenida Paulista, na região central de São Paulo. O protesto é realizado simulta- neamente em 40 países que lutam por condições dignas de trabalho no setor, a mão de obra barata gera uma situação de exploração e redução de direitos trabalhistas em países subdesenvolvidos. Disponível em http://g1.globo.com. Acesso em: 12 fev. 2018. GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 25 20 Observe a imagem a seguir e responda às questões propostas. Disponível em: https://dinamicaglobal.files.wordpress.com. Acesso em: 13 fev. 2018. a) Essa imagem destaca, simbolicamente, uma característica marcante do processo de globalização. Qual é essa característica? b) Quais foram os principais motivos que estimularam as multinacionais a se expandirem pelo mundo? Globalização e a atual divisão internacional do trabalho A expansão das multinacionais pelo mundo, decorrente do processo de globalização, produziu mudanças significativas nas relações econômicas e comerciais entre países, alterando a participação deles na Divisão Internacional do Trabalho (DIT). Com essa expansão mundial, a partir da segunda metade do século XX, muitas dessas empresas se instalaram em países, até então, de economia agrária, como Brasil, Argentina, México, África do Sul e Índia. Paralelamente à chegada das multinacionais, esses países também investiram no desenvolvimento de suas indústrias, seja por meio de recursos financiados pelo Estado, seja por investimentos de capitais nacionais privados. Desde então, esse países tiveram um desenvolvimento significativo na produção industrial, deixando, assim, de serem apenas exportadores de gêneros primários para se tornarem, também, produtores e exportadores de bens industrializados. Apesar de as multinacionais terem passado a desenvolver suas atividades em vários países do mundo, é preciso lembrar que a grande maioria das nações menos desenvolvidas da América Latina, da África e da Ásia ainda possui economia essencialmente agrária, inserindo-se na atual Divisão Internacional do Trabalho como fornecedoras de produtos primários. GEOGRAFIA 26 2º VOLUME | 9º ANO Na DIT, os países mais ricos e desenvolvidos dominam a produção das mais avançadas tecnologias, destacando-se, também, como grandes fornecedores de empréstimos e investimentos produtivos para os menos desenvolvidos. Apesar de alguns países subdesenvolvidos terem passado a fornecer produtos industrializados, a maioria deles continua dependente das exportações de gêneros primários (matérias- primas agrícolas e minerais) e são fornecedores de capitais enviados aos países desenvolvidos, na forma de pagamento de juros e parcelas da dívida externa, de lucros enviados pelas multinacionais a suas matrizes nos países de origem e de royalties sobre o uso de tecnologia. globalização Nova DIT países desenvolvidos países subdesenvolvidos industrializadosprodutos primários produtos industrializados capitais: juros, royalties e lucros produtos industrializados (em geral de tecnologia superior) capitais: empréstimos, investimentos produtivos e especulativos, tecnologia Atual Divisão Internacional do Trabalho. Disponível em: http://4.bp.blogspot.com. Acesso em: 12 fev. 2018. Os fluxos e as redes no espaço globalizado O fluxo financeiro é, talvez, o que melhor caracteriza a globalização, em razão da sua quantidade e velocidade de circulação. Hoje, é muito fácil transferir vultosas quantias de um lugar para outro, pois o di- nheiro tornou-se eletrônico, virtual. Os fluxos de capitais produtivos: compreendem os investimentos diretos materializados na construção de fábricas, edifícios, lavouras etc. Esse tipo de capital está concentrado nas grandes empresas e nos governos, sendo mais permanente; ou seja, não é volátil como os investimentos financeiros. O capital produtivo é mais benéfico porque gera riquezas e empregos para a região onde se instala. Entretanto, esse tipo de investimentos é altamente seletivo, já que ficou concentrado, na década de 1980, nos países desenvolvidos, porém, a partir dos anos 1990, em função da recessão no Primeiro Mundo e do esgotamento do bloco socialista, grande parte desse capital foi redirecionado para as nações emergentes na América Latina (Brasil, Argentina, México e Chile), Ásia (Tigres Asiáticos) e Leste Europeu. Esse tipo de capital é muito exigente e, com o processo de globalização, a abertura das economias nacionais e a revolução nos meios de comunicações possibilitam às empresas multinacionais, como principais agentes de globalização, uma maior seletividade na escolha das regiões e/ou países que devam sediar os seus investimentos. Os fluxos de capitais financeiros ou especulativo: compreende os empréstimos de capitais concedidos por instituições intergovernamentais ou bancos a governos e empresas privadas, além do capital aplicado em mercados de ações, moedas e títulos públicos. Esse fluxo é bastante volátil, ou seja, ele procura aqueles mercados financeiros que ofereçam a melhor remuneração e segurança, pois em qualquer indício de instabilidade política ou econômica o capital financeiro “sai” o que implica em leva à crise, como aconteceu no México e, logo depois, nos países do sudeste asiático. Não se sabe ao certo o volume de capitais especulativos que circula no mundo. Estima-se que este- ja em torno de 1,5 trilhão de dólares por dia. Há várias possibilidades de investir de forma especulati- va: em ações, em moedas, em títulos da dívida pública etc. Mas o que é especular? Muitas empresas ou pessoas, dispondo de capital, investem em ações, comercializadas nas Bolsas de Valores. Ao com- prar ações, quem investe o capital adquire uma parte da empresa que as emitiu, tornando-se acionis- ta. Se a empresa obtiver lucros, os acionistas receberão dividendos, de acordo com a quantidade de ações que possuírem. GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 27 Os fluxos de informações: um fluxo que se tem ampliado e acelerado, como resultado da revolução técnico-científica e da globalização, é o de informações. O desenvolvimento dos satélites de telecomunicações e dos cabos submarinos de fibra óptica possibilitou a circulação de informação em tempo real, ou seja, os acontecimentos são transmitidos para qualquer lugar do mundo no exato instante em que estão ocorrendo. Redes de televisão,como a norte-americana CNN, redes de rádio, como a britânica BBC, cobrem o mundo, transmitindo seus programas em diferentes línguas. Redes de computadores, como a internet, conectam vários lugares de quase todos os países do mundo. Sem sair de casa, o usuário pode pesquisar em uma enorme quantidade de bancos de dados, comprar e vender mercadorias, fazer investimentos e pagar contas. O mundo todo está conectado por um intrincado sistema de telecomunicações. Por isso, o canadense Marshall McLuhan (1911-1980), estudioso de comunicação, afirmou que o mundo se tornou uma “aldeia global”. Essa expressão é bastante utilizada para se referir à globalização da cultura e das informações, com o sentido de enfatizar que os povos do mundo estão mais próximos que antes, em maior contato. Atividades 21 Observe a imagem a seguir globalização Nova DIT países desenvolvidos países subdesenvolvidos industrializadosprodutos primários produtos industrializados capitais: juros, royalties e lucros produtos industrializados (em geral de tecnologia superior) capitais: empréstimos, investimentos produtivos e especulativos, tecnologia A imagem mostrada estabelece a função que cada país irá exercer dentro da nova economia global, portanto, os países desenvolvidos e subdesenvolvidos estabelecem atividades diferenciadas como mos- tra o esquema. Dessa forma, podemos afirmar que a imagem se refere à a) Divisão Social do Trabalho. b) Divisão Territorial do Trabalho. c) Divisão Internacional do Trabalho. d) Divisão em Etapas Produtivas. e) Divisão Material do trabalho. 22 A globalização ora em curso está para o atual período científico-tecnológico do capitalismo como o colonialismo esteve para sua etapa comercial ou o imperialismo para o final da fase industrial e início da fase financeira. Trata-se de uma expansão que visa aumentar mercados e, portanto, lucros: o que de fato move os capitais produtivos ou especulativos, na arena do mercado. SENE, E. de; MOREIRA, J. C. Geografia geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 1998. p. 64. (adaptado). A partir da análise do texto e do que foi até aqui discutido, estabeleça a diferença entre capital espe- culativo e capital produtivo. GEOGRAFIA 28 2º VOLUME | 9º ANO Globalização e desemprego Não há fato que assuste mais o ser humano que vive em sociedade do que o desemprego. Os meios de comunicação noticiam-no, diariamente, como um dos principais fantasmas sociais da virada do século XX para o século XXI, levando as pessoas a se preocuparem mais com sua situação no emprego do que com a segurança pessoal e a saúde. E nenhum outro fenômeno foi mais responsabilizado pelo aumento do desemprego, nos últimos tempos, do que a globalização da economia. Sem entrar no mérito da questão, dá para se compreender como a globalização provoca desemprego. Ela altera, de modo contundente, as relações da sociedade com os meios de produção. Alguns fatores são responsáveis por essa alteração, sendo o maior deles o avanço tecnológico. Desemprego estrutural No século XIX, quando estava em curso a Revolução Industrial, houve notícias de trabalhadores que invadiram fábricas para quebrar as máquinas a vapor que tiraram seus empregos. No presente, não há noticias de alguém que tenha depredado robôs e computadores por ter sido despedido de sua empresa. Mesmo porque a segurança nas empresas é um fator primordial. Mas a ira do trabalhador pela perda de colocação profissional recai sobre a própria sociedade, e essa resposta pode ser medida pelas eventuais quedas de consumo, pelo aumento da violência e da miséria. Havia uma época em que o desemprego era cíclico, ou seja, passava por fases alternadas de altos e baixos. Hoje, fala-se muito em desemprego estrutural. Isso significa que, quando ocorre uma mudança em uma empresa, isso pode estar acontecendo porque um setor inteiro está sendo desativado. Dizendo de um modo mais claro: um setor de empresa desaparece, da noite para o dia, porque ocorre uma mudança em sua estrutura, e uma parte dela deixa de existir, geralmente por implantação de sistemas automatizados, o que acaba gerando inúmeros desempregados, levando as pessoas ao desespero. Mas o desespero não é a melhor maneira de reagir diante do desemprego. Muitas pessoas têm realizado trabalhos em suas próprias casas, caracterizando um fenômeno que ficou conhecido por terceirização. A terceirização nada mais é do que a prestação autônoma de serviços, como, por exemplo, os serviços de contabilidade de uma empresa que é feito, hoje, por profissionais liberais. De modo geral, o problema do desemprego no final do século XX se agravou nos países desenvolvidos. Nesses países, a mão de obra ficou cara, porque os profissionais se tornaram especializados, exigindo salários elevados. Soma-se a isso a evolução dos trabalhadores, que se organizaram em sindicatos fortes e atuantes. Desemprego conjuntural É o desemprego que se constrói de forma sazonal, ou seja, é expresso por meio de crises econômicas. As crises do capitalismo, que são muito comuns, provocam uma desestabilização nas empresas, tendo, como resultado, demissões em massa. Como exemplo, tivemos a crise de 2008, que se propagou a partir dos EUA, afetando a economia mundial, levando muitas empresas à falência, deixando milhões de trabalhadores desempregados. Globalização e exclusão A não ser por uma pequena parcela da população que consegue melhores condições e qualidade de vida, a sociedade mundial tem se desenvolvido economicamente, mas não socialmente. Para estes desfavorecidos, o Estado impõe ajuda sem se importar com suas necessidades futuras, baseando-se exclusivamente na caridade e na ajuda momentânea. Considerando que a globalização deveria funcionar de forma equivalente nas relações entre Estados e população, regendo a dinâmica de mercado mundial, vemos que sua aplicação ainda O desemprego é mostrado na imagem de forma bem-hu- morada, sendo suas principais formas de ocorrência a es- trutural e conjuntural. Disponível em: http://humortadela.bol.uol.com.br. Acesso em: 15 fev. 2018. GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 29 não chegou a atacar a concepção original para que foi gerada, tendo, muito mais, atingido os objetivos econômicos e tecnológicos. A globalização torna-se, então, uma ferramenta que reforça os ideais capitalistas, baseados no consumo como elemento central do processo de globalização, e que torna o mercado um regulador da vida social. Ficando subserviente aos fatores econômicos o lado cultural, e a questão humanista e a geração de demanda mudando de lado, passando a oferta e a ditar os novos rumos culturais, de relacionamentos e de interatividade mundial (novas válvulas propulsoras do desenvolvimento de regiões subdesenvolvidas com o conhecimento adquirido pela da interatividade inter-regional). A globalização, pela crescente desigualdade e aflição humana, trouxe o apartheid social, também disseminou a mercantilização dos seres humanos e dos bens comuns do mundo. Assistimos à redução do poder do Estado e até ao extermínio de outros no intuito da liberdade dos mercados e agentes econômicos, para alçarmos crescimento econômico ilimitado, sobretudo visando-se ao consumo irrestrito, visualizando o dinheiro e o mercado como elementos determinantes à vida em sociedade. Os países ricos possuem muito mais recursos para aplicar em defesas contra enchentes, sistemas de armazenamento de água e em modificações na agricultura. Atualmente, o Reino Unido gasta anualmente US$ 1,2 bilhão no manejo de enchentes e prevenção da erosão costeira. A Agência Ambiental requisitou US$ 8 bilhões a serem investidos no fortalecimento das defesas contra enchentes em Londres. O estado alemão de Baden-Württemberg estima que terá que gastar um excedente de US$ 685 milhões por ano em infraestrutura de proteção contra enchentes.O Japão elaborou planos de proteção do país contra a elevação dos níveis do mar, cujos custos poderiam chegar a $93 bilhões. Ao mesmo tempo, em uma situação social oposta, mulheres do Delta do Ganges, Bengala Ocidental, na Índia, se preparam contra os crescentes riscos de enchente, construindo, como refúgio, plataformas elevadas feitas de bambu. Soluções semelhantes estão sendo introduzidas nas ilhas Char, em Bangladesh. No Egito, estima-se que o aumento do nível do mar pode custar ao país US$ 35 bilhões e desalojar dois milhões de pessoas. O relatório afirma que US$ 279 milhões foram prometidos ao Fundo Especial de Mudança Climática, formado para ajudar os países pobres a mitigar os efeitos do aquecimento global. Isso corresponde à metade do que o estado alemão de Baden Würtemberg planeja gastar anualmente para fortalecer suas proteções contra enchentes. Em alguns locais “desenvolvidos”, a agricultura comercial poderá se tornar 8% mais produtiva, apesar do aquecimento global. Por outro lado, a previsão para a agricultura irrigada por chuvas, da qual depende o agricultor mais pobre, é de que se torne 9% menos produtiva. A estimativa para 2060 é de que a renda da África subsaariana caia um quarto em relação aos níveis atuais, numa nítida expansão da miséria social. Na Etiópia, os reservatórios armazenam 50 metros cúbicos de água por pessoa. Na Austrália, eles armazenam 4.700 metros cúbicos por residente, onde pouco ou nada é feito no sentido de minimizar a situação africana. A França gasta, atualmente, em sistemas de monitoramento meteorológicos, mais do que gasta toda a África subsaariana. A Holanda possui 32 vezes mais estações meteorológicas por 10 mil km² do que a África. Quando furacões, enchentes e secas atingem o mundo desenvolvido, companhias de seguro privadas compensam grande parte das vítimas. Tomando como referência os dois acontecimentos a seguir, podemos inferir que se tratam de dois países que, do ponto de vista do desenvolvimento socioeconômico, são bem diferentes, mas que foram acometidos pelo mesmo fenômeno da natureza, no entanto, apesar dos abalos sísmicos terem sido menores no Haiti, causaram maior destruição do que no Japão. E por que isso aconteceu? Por ser um país mais desenvolvido economicamente, o Japão vem investindo em tecnologias para a área de engenharia que minimizam os impactos ocasionados por terremotos, por outro lado, no Haiti, as políticas públicas voltadas para o território se concentram principalmente em melhorar as condições de vida da população, haja vista que se trata do país mais pobre das Américas. No curso disso, podemos concluir que o Japão já se reconstruiu, enquanto que no Haiti a população ainda vive nos alojamentos disponibilizados pelo governo e em condições que acirraram ainda mais a pobreza. Dessa forma, podemos enxergar claramente a desigualdade inerente produzida pela nova face do capitalismo, a qual conhecemos como globalização. GEOGRAFIA 30 2º VOLUME | 9º ANO O sismo do Haiti de 2010 foi um terremoto catastrófico que teve seu epicen- tro a cerca de 25 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe, e foi registra- do às 16h 53min 10s do horário local (21h 53min 10s UTC), na terça-feira, 12 de janeiro de 2010. O abalo alcançou a magnitude 7,0 M, Atualmente, depois de quase dois anos do terremoto, muitas famílias ainda vivem na miséria no Hai- ti e parte da cidade ainda não foi reconstruída, isso mostra que, em países po- bres, tais como o aqui citado, o nível de exclusão promovido pela globalização é bem maior. Disponível em: https://s3.amazonaws.com. Acesso em: 12 fev. 2018. No dia 11 de março de 2011, o nordeste do Japão foi atingido por um intenso terremoto de magnitude de 8,9 e por fortes ondas de um tsunami. O tsunami é um fenômeno da natureza causado por erupções vulcânicas, terremotos submarinos e movimentações entre as zonas de convergência (fronteiras entre as placas tectô- nicas) no fundo dos oceanos, esses comportamentos geram uma série de ondas fortes caracterizadas por intensa velocidade e al- tura acentuada. Disponível em: https://f.i.bol.com.br. Acesso em: 17 fev. 2018. Atividades 23 Parcela considerável do desemprego que se verifica, atualmente, no mundo, está associada a mu- danças estruturais na economia – é o denominado desemprego estrutural. É correto afirmar que essa mo- dalidade de desemprego é consequência a) da adoção de novas tecnologias de produção e gerenciamento industrial. b) da crescente importância do setor primário na economia global. c) do crescimento da economia informal nos países periféricos. d) do desaquecimento e da crise progressivos da economia mundial. e) de crises econômicas e processos produtivos robotizados. 24 Disponível em: https://encrypted-tbn0.gstatic.com. Acesso em: 12 fev. 2018. Sobre a imagem apresentada, podemos concluir se relaciona mais com qual tipo de desemprego a) Estrutural. b) Conjuntural. c) Sazonal. d) Friccional. e) Cíclico. GEOGRAFIA 2º VOLUME | 9º ANO 31 25 Observe a imagem e responda às questões propostas a seguir. a) Qual a crítica expressa na imagem? b) De que forma podemos explicar a exclusão digital por meio da imagem? (ENEM) Os meios de comunicação funcionam como um elo entre os diferentes segmentos de uma sociedade. Nas últimas décadas, acompanhamos a inserção de um novo meio de comunicação que supera em muito outros já existentes, visto que pode contribuir para a democratização da vida social e política da sociedade à medida que possibilita a instituição de mecanismos eletrônicos para a efetiva participação política e disseminação de informações. Constitui o exemplo mais expressivo desse novo conjunto de redes informacionais a a) Internet. b) fibra ótica. c) TV digital. d) telefonia móvel. e) portabilidade telefônica. QUESTÃO DESAFIO GEOGRAFIA 32 2º VOLUME | 9º ANO 5 Bilionários brasileiros concentram mesma riqueza que metade mais pobre no país Cinco bilionários brasileiros concentram patrimônio equivalente à renda da metade mais pobre da população do Brasil, mostra um estudo divulgado pela organização não governamental britânica Ox- fam antes do Fórum Econômico Mundial, que ocorrem em Davos, na Suíça. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possuía 207,6 milhões de habitantes em 2017. A lista é encabeçada por Jorge Paulo Lemann, sócio do fundo 3G Capital, que possui participações nas empresas AB InBev (bebidas), Burger King (fast food) e Kraft Heinz (alimentos). Veja abaixo a lista: 1. Jorge Paulo Lemann, 78 anos (3G Capital) - R$ 95,3 bilhões 2. Joseph Safra, 78 anos (Banco Safra) - R$ 71,1 bilhões 3. Marcel Herrmann Telles, 67 anos (3G Capital) - R$ 47,7 bilhões 4. Carlos Alberto Sicupira, 69 anos (3G Capital) - R$ 40,7 bilhões 5. Eduardo Saverin, 35 anos (Facebook) - R$ 29,3 bilhões Para fazer seus levantamentos, a ONG britânica de combate à pobreza usa dados sobre bilionários da revista “Forbes”, divulgados em agosto, e informações sobre a riqueza em escala global de relatórios do banco Credit Suisse. Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 17 fev. 2018 (adaptado) Para pensar Santa Catarina é destaque nacional em nanotecnologia Santa Catarina tem 25 das 100 empresas do Brasil especializadas em nanotecnologia, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Trata-se de uma ciência aplicada em dimensões muito pequenas, ou seja, “a nanotecnologia é uma parte da tecnologia, então ciência aplicada, numa dimensão muito pequena. Um nanômetro, que é a escala que a gente trabalha, equi- vale a um bilionésimo do metro. Isso significa mil vezes menos que o diâmetro de um fio de cabelo”, explicou o professor Dachamir Hotza. Disponível em: http://g1.globo.com. Acesso em: 17 fev. 2018 (adaptado). Faça uma pesquisa identificandoas principais formas de aplicação da nanotecnologia. Para pesquisar