Prévia do material em texto
SUMÁRIO GEOGRAFIA I Aula 1 – MEIOS DE ORIENTAÇÃO ............................................................................................................................... 1 Aula 2 – COORDENADAS GEOGRÁFICAS ............................................................................................................... 12 Aula 3 – CARTOGRAFIA ............................................................................................................................................. 21 Aula 4 – PROJEÇÕES E FUSO HORARIOS .............................................................................................................. 33 Aula 5 – A INSERÇÃO DO BRASIL NO CAPITALISMO ............................................................................................. 44 Aula 6 – BRASIL DE PAÍS AGROEXPORTADOR A INDUSTRIAL ............................................................................ 54 Aula 7 – BRASIL A CONSTRUÇÃO DO TERRITORIO NACIONAL ........................................................................... 63 Aula 8 – O MERCOSUL E OS BRICS ......................................................................................................................... 72 Aula 9 – A GENESE DAS DESIGUALDADES ............................................................................................................. 82 Aula 10 – REGIÕES DO IBGE ..................................................................................................................................... 92 Aula 11 – REGIÕES GEOECONÔMICAS ................................................................................................................. 101 Aula 12 – NORDESTE 1 ............................................................................................................................................ 114 Aula 13 – NORDESTE 2 ............................................................................................................................................ 123 Aula 14 – SUDESTE .................................................................................................................................................. 133 Aula 15 – REGIÃO NORTE ....................................................................................................................................... 141 Aula 16 – REGIÃO SUL ............................................................................................................................................. 149 Aula 17 – REGIÃO CENTRO-OESTE ....................................................................................................................... 156 Aula 18 – A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA A IMPORTANCIA DO CAFÉ ........................................................ 165 Lista de Exercícios de Revisão .................................................................................................................................. 174 GEOGRAFIA II Aula 1 – CATEGORIAS GEOGRÁFICAS E MEIO GEOGRÁFICO ........................................................................... 178 Aula 2 – ATIVIDADES ECONÔMICAS ...................................................................................................................... 190 Aula 3 – OS PROCESSOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO, URBANIZAÇÃO E METROPOLIZAÇÃO ............................ 211 Aula 4 – OS GRANDES CENTROS ECONÔMICOS E SUA ORGANIZAÇÃO TERRITORIAL ................................ 231 Aula 5 – DIVERSIDADE GEOGRÁFICA E SOCIOECONÔMICA DA AMÉRICA LATINA E ÁFRICA I ..................... 245 Aula 6 – DIVERSIDADE GEOGRÁFICA E SOCIOECONÔMICA DA AMÉRICA LATINA E ÁFRICA II .................... 255 Aula 7 – DIVERSIDADE GEOGRÁFICA E SOCIOECONÔMICA DA AMÉRICA LATINA E ÁFRICA III ................... 273 Aula 8 – DIVERSIDADE GEOGRÁFICA E SOCIOECONÔMICA DA ÁSIA E OCEANIA - OFICIAL - 1 ................... 286 Aula 9 – REDES ......................................................................................................................................................... 298 Aula 10 – DEMOGRAFIA OFICIAL ............................................................................................................................ 313 Aula 11 – MOBILIDADE DEMOGRÁFICA ................................................................................................................. 330 Aula 12 – TEMPO LIVRE -LAZER, TURISMO, ESPORTE E INDÚSTRIA CULTURAL ........................................... 344 Aula 13 – DO MUNDO BIPOLAR AO MUNDO MULTIPOLAR .................................................................................. 356 Aula 14 – DO MUNDO BIPOLAR AO MUNDO MULTIPOLAR II ............................................................................... 366 Aula 15 – FRAGMENTAÇÃO DA URSS .................................................................................................................... 380 Aula 16 – FRAGMENTAÇÃO DA URSS .................................................................................................................... 388 Aula 17 – CENTROS DE PODER ECONÔMICO E POLÍTICO I ............................................................................... 400 Aula 18 – CENTROS DE PODER ECONÔMICO E POLÍTICO II .............................................................................. 411 Aula 19 – CONFLITOS REGIONAIS NA ORDEM GLOBAL I .................................................................................... 426 Aula 20 – CONFLITOS REGIONAIS NA ORDEM GLOBAL II ................................................................................... 440 Lista de Exercícios de Revisão .................................................................................................................................. 453 Respostas e Comentários Exercícios de Fixação ...................................................................................................... 466 Geografia I CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I Prof. Fernandes Epitácio VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência MEIOS DE ORIENTAÇÃO Enquanto ser nômade, vivendo da pesca, caça e coleta, o homem adentrava à mata, dividindo o grupo e, depois reagrupando-se para dividir o sustento e se abrigar das intempéries e dos ataques de outros animais. Logo, o homem desde o período pré-histórico, como qualquer animal, precisou desenvolver um senso de orientação para explorar o espaço geográfico e buscar assim a sua subsistência. Passou o tempo em que era preciso se localizar no espaço para entender a prática da vivência nele. Nem o homem deixou de ser criativo e menos explorador, pelo contrário. Mas qual a diferença entre Localização e Orientação? Na imagem nº1, os dois conceitos são apresentados. Localização apresenta-se através do referente “menino”, ou seja, direita e esquerda estão presentes com a imagem do humano. Orientação apresenta-se através do referente Sol (Oriente). Os sentidos de direita e de esquerda, visivelmente marcados com os braços esticados e com a posição do corpo, além de que setas ainda fazem menção, conforme a posição do “menino”, corresponde a uma posição da representação no espaço geográfico. Como exemplo na própria imagem, supomos mudar a posição do “menino” numa volta de 180 º graus, a localização dele muda. O que não muda é a posição das posições marcadas pelas setas no chão porque elas têm como indicativo o Sol, presente na imagem para marcar o Oriente. Na imagem nº 02, a seguir, temos três exemplos para ensinar orientação. No “A” traz o mesmo princípio da imagem nº1, com o “menino” sendo a referência de localização e o Sol a referência do Oriente. No exemplo “B” aparece a casa comoreferente de localização, que no caso substitui o “menino” e o Sol referendando o Oriente. No exemplo “C” está a igrejacomo referente de localização e novamente o Sol (Oriente). OS PONTOS DE ORIENTAÇÃO O movimento aparente do Sol desenha no céu uma parábola que atinge seu ponto mais elevado por volta do meio-dia. Para nós que estamos no hemisfério Sul, nesse momento a posição do Sol indica precisamente a direção norte; no hemisfério Norte, a posição do Sol ao meio-dia indica exatamente a direção contrária, ou seja, o sul. Durante a noite no hemisfério austral, que corresponde à metade da Terra que fica entre o equador e o Pólo Sul, identifica-se facilmente uma constelação em forma de cruz – o Cruzeiro do Sul – que indica aproximadamente a direção Sul. Prolongamos imaginariamente quatro vezes o braço maior da cruz e em seguida tiramos uma perpendicular ao horizonte. Já no hemisfério boreal, que se estende do equador ao Pólo Norte, existe uma “estrela guia”, chamada “estrela Polar”, pertencente à constelação da Ursa Menor, que indica exatamente a direção norte. O Sol surge sempre mais ou menos no mesmo ponto do horizonte correspondendo ao oriente (do verbo latino oriri, surgir). Mais precisamente, nos dias 21 de março e 23 de setembro, o “ponto” em que o Sol surge no horizonte indica com exatidão a direção Leste. As mesmas considerações feitas para o leste são válidas para a parte do horizonte onde o Sol se põe chamado ocidente (do verbo latino occidere, cair). O “ponto” em que o Sol desaparece no horizonte, nos dias 21 de março e 23 de setembro, indica exatamente a direção oeste. É fundamental se conhecer os 16 pontos de orientação, distribuídos entre os Cardeais, Colaterais e Subcolaterais. PONTOS CARDEAIS Considerados pontos básicos de orientação, distanciados entre si 90°, assim, imaginando uma cruz, temos: • Norte (Setentrional, Setentrião ou Boreal)- N; • Sul (Meridional, Meridião ou Austral)- S; • Leste (Oriental, Levante ou Nascente)- E ou L; • Oeste (Ocidental, Ocaso ou Poente)- W ou O. 2 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Filho) PONTOS COLATERAIS Aparecem como intermediários entre os Cardeais, dividindo o ângulo de 90° ao meio (45°). • Nordeste- NE • Sudeste- SE • Sudoeste- SW ou SO • Noroeste- NW ou NO PONTOS SUBCOLATERAIS Entre os pontos Cardeais e Colaterais teremos a existência de pontos intermediários também, denominados de Subcolaterais, cujo ângulo fica em torno de 22°30’ . • Norte-Nordeste- NNE • Leste- Nordeste- ENE • Leste- Sudeste- ESSE • Sul- Sudeste- SSE • Sul-Sudoeste- SSO • Oeste-Sudoeste- OSO • Oeste-Noroeste- ONO • Norte-Noroeste- NNO Na antiguidade o homem teve de buscar na observação da paisagem e dos astros subsídios para Orientar-se. Um da primeiros sistemas de orientação, usado na Antiguidade foi o Sol. Sabendo que a Terra realiza o movimento de Rotação, perceberemos que, Aparentemente, o sol nasce à leste e se põe ao oeste. Descrevendo um arco entre os dois pontos Cardeais: Leste-Oeste. Tomando esse movimento aparente, uma pessoa que coloque o braço direito paralelo ao solo e com os dedos apontados para o nascente (leste), terá automaticamente seu braço esquerdo apontado para o poente (oeste), sua face apontará para o Norte e suas costas para o sul. As estações do ano são divididas em quatro períodos e se caracterizam pela variação da luz solar que atinge a superfície da Terra de diferentes formas de acordo com cada época do ano. Mas você sabe como são divididas as estações do ano e quais as características de cada estação? Vamos ver agora mesmo. PRINCIPAIS MOVIMENTOS DA TERRA (ROTAÇÃO DA TERRA) A rotação da Terra se dá em torno do imaginário eixo da Terra, o qual passa pelos pólos norte e sul geográficos. O período de rotação da Terra é de cerca de 23h56m04s, sendo, portanto, cerca de 03m56s mais curto do que o período correspondente a um dia solar de 24h00m00s. Se a Terra só tivesse movimento de rotação, então seu período de rotação coincidiria com a duração de um dia solar. Como a Terra possui também um componente de movimento de translação, depois de dar uma volta completa em torno de seu eixo, a Terra ainda não rodou uma volta completa com relação ao Sol. O período de rotação da Terra em torno de seu eixo recebe o nome de Dia Sideral, e o período de rotação com relação ao Sol recebe o nome de Dia Solar. A rotação da Terra é a responsável pela ocorrência da sucessão dos dias e das noites. TRANSLAÇÃO TERRESTRE O movimento de translação da Terra é aquele componente responsável pelo movimento da Terra em torno do Sol. O movimento combinado de rotação e translação é o movimento orbital da Terra em torno do Sol. O movimento de translação tem um período de cerca de 365d06h09m09,5s e é um pouco mais comprido do que o Ano das Estações que é de 365d05h48m46s. A pequena diferença se deve ao efeito do movimento de precessão do eixo da Terra. O movimento de translação, associado com a inclinação do eixo de riotação da Terra em relação ao seu plano orbital em torno do Sol, é o responsável pelo aparecimento das estações do ano. A Órbita, ou trajetória, da Terra em torno do Sol é uma elipse muito pouco achatada, sendo que o Sol ocupa um dos focos da elipse. Olhando para a elipse orbital da Terra, a olho nu não se pode distingui-la de uma circunferência. O eixo da Terra está inclinado de cerca de 66,5 o com relação a seu plano orbital. Aula 1 – Meios de Orientação 3 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência PRECESSÃO E NUTAÇÃO Durante seu movimento anual orbital em torno do Sol, o eixo de rotação da Terra não permanece exatamente apontando para uma mesma direção do espaço. A Terra, num período de cerca de 26 mil anos, realiza um movimento no qual seu eixo parece descrever, aproximadamente, a superfície de um cone em torno de uma direção fixa no espaço. A esse movimento do eixo de rotação da Terra dá-se o nome de movimento de precessão. Por causa desse movimento, o pólo norte do eixo da Terra aponta para direções diferentes com o passar do tempo. Se o eixo apontar para uma estrela, ela passa a se chamar Estrela Polar. As chamadas estrelas polares variam com o tempo. Na verdade, o eixo de rotação não descreve um movimento que coincide com a superfície de um cone de base circular. O eixo oscila levemente em torno de uma circunferência. Esse movimento oscilatório do eixo de rotação da Terra recebe o nome de Movimento de Nutação. A nutação, com os atuais conhecimentos, é um conjunto de 106 componentes, mas que tende a aumentar de número conforme as pesquisas avancem em precisão. Pode-se dizer que a nutação é a componente de pequeno período da precessão. MOVIMENTO DE PRECESSÃO MOVIMENTO DE NUTAÇÃO AS ESTAÇÕES DO ANO Chamamos de estação do ano cada uma das quatro subdivisões do ano baseadas em padrões climáticos. São elas: primavera, verão, outono e inverno. As estações do ano ocorrem devido à inclinação da terra em relação ao sol. Podemos dizer então que as estações são ocasionadas pelo eixo de rotação da Terra, juntamente com o movimento da mesma em torno do sol, que dura um ano e recebe o nome de translação. Veja a seguir as características de cada uma delas. O BRASIL E AS ESTAÇÕES OUTONO O Outono inicia-se 07h29 do dia 20 de março de 2017 . Sendo uma estação de transição entre o verão e inverno, verificam-se características de ambas, ou seja, mudanças rápidas nas condições de tempo, maior freqüência de nevoeiros e registros de geadas em locais serranos das Regiões Sudeste e Sul. Nota-se uma redução das chuvas em grande parte do País, com o registro 4 VestCursos – Especialistaem Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Filho) dos maiores totais de chuva, superiores a 700 mm, no extremo norte das Regiões Norte e Nordeste e no leste do Nordeste, onde se inicia o período mais chuvoso. No restante do País, predominam totais de chuva entre 150 mm e 400 mm. Nas Regiões Sul, Sudeste e parte da Região Centro-Oeste do Brasil, as temperaturas tornam-se mais amenas devido à entrada de massas de ar frio, com temperaturas mínimas que variam entre 12ºC a 18ºC, chegando a valores inferiores a 10ºC nas regiões serranas. Nestas mesmas áreas, as temperaturas máximas oscilam entre 18ºC e 28ºC. Nas Regiões Norte e Nordeste, as temperaturas são mais homogêneas: a mínima variando em torno de 22ºC, e a máxima variando entre 30ºC e 32ºC. INVERNO O Inverno iniciará às 01h24 do dia 21 de junho de 2017. Nesta estação, que compreende os meses de junho, julho e agosto, as temperaturas são climatologicamente amenas. Nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, este trimestre é considerado o menos chuvoso do ano no que se refere a distribuição de chuvas. Neste período, o principal sistema meteorológico é a frente fria. Este sistema é, geralmente, de fraca intensidade, embora possa ocorrer a passagem de algum sistema frontal mais intenso, causando chuvas generalizadas nas Regiões Sul e Sudeste. Após a passagem de frentes frias, observa-se a entrada de massas de ar frio que, dependendo da sua trajetória e intensidade, provocam queda de temperatura e ocasionalmente geadas em locais serranos. Localidades como Campos do Jordão, Itapeva, São Antônio do Pinhal e muitas outras cidades, situadas em lugares altos no Estado de São Paulo, registram valores negativos de temperatura. Outro aspecto meteorológico que se observa durante o inverno, são as constantes inversões térmicas que causam nevoeiros e neblinas. Estas inversões, muitas vezes, permanecem durante o período da manhã. O nevoeiro consiste na existência de gotículas d’água que flutuam no ar e reduzem a visibilidade a menos de 1000 m. Além da redução da visibilidade, um outro fator importante é o alto índice da umidade relativa do ar, cujos valores alcançam até 98% no período da manhã. O contrário ocorre no período da tarde, após a dissipação do neveoiro, quando o índice da umidade relativa do ar diminui consideravelmente, chegando a registrar valores de até 40%. O ar seco e o vento calmo favorecem a formação da bruma - substâncias sólidas suspensas na atmosfera, taiscomo poeira e fumaça - poluindo o ar. Termômetros marcam -3⁰C, em São Joaquim -SC PRIMAVERA A Primavera iniciará às 17h02 do dia 22 de setembro de 2017. Com a chegada da nova estação, há uma mudança no regime de chuvas e temperaturas na maior parte do Brasil. Nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste, as chuvas passam a ser mais intensas e frequentes, marcando o período de transição entre a estação seca e a estação chuvosa. Durante a primavera, iniciam-se as pancadas de chuva no final da tarde ou noite, devido ao aumento do calor e da umidade que se intensificam gradativamente no decorrer desta estação. Em algumas ocasiões, podem ocorrer raios, ventos fortes e queda de granizo. Na Região Sul, ocorrem poucas alterações nos totais mensais de chuva, sendo o regime praticamente uniforme ao longo de todo o ano. Contudo, aumenta a ocorrência de raios e de “complexos convectivos”, sistemas que provocam grande quantidade de chuva em períodos relativamente curtos. No trimestre setembro, outubro e novembro, a maior parte da Região Nordeste encontra-se na sua estação seca, exceto no sul dos Estados do Piauí, Maranhão e no oeste da Bahia. No centro-sul da Região Norte, o período chuvoso inicia-se nos meses de outubro e novembro, com o aumento gradativo das pancadas de chuva e trovoadas. Na primavera, as temperaturas aumentam gradativamente nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No Brasil Central, as temperaturas máximas podem atingir valores muito elevados em função da forte radiação solar e da maior frequência de dias com céu claro. Contudo, neste período, ainda podem ocorrer incursões de massas de ar frio intensas e que podem causar declínio acentuado da temperatura no centro-sul do País. Nas Regiões Norte e Nordeste do Brasil, há pouca variação de temperatura ao longo do ano. VERÃO O Verão iniciará às * 13h28 do dia 21 de dezembro de 2017, no Hemisfério Sul. A expressão verão vem do latim vulgar (veranum, i.e., veranuns tempus). Esta estação engloba também os meses de janeiro, fevereiro e março, com pico em janeiro, mês considerado de alta temporada de férias no Brasil. A estação de verão é caracterizada, basicamente, por dias mais longos que as noites. Ocorrem mudanças rápidas nas condições diárias do tempo, levando à ocorrência de chuvas de curta duração e forte intensidade, principalmente no período da tarde. Considerando o aumento da temperatura do ar sobre o continente, estas chuvas são acompanhadas por trovoadas e rajadas de vento, em particular nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País. Os maiores totais acumulados de chuva concentram-se principalmente nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e extremo sul do Amazonas com valores médios superiores a 600 mm. Estas chuvas podem estar associadas à passagem de sistemas frontais e à formação do sistema meteorológico conhecido por Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), cuja principal característica é a ocorrência de chuvas por vários dias, resultando em enchentes e deslizamentos de terra. Na Região Nordeste, iniciam-se as chuvas, com valores máximos no mês de fevereiro. Dependendo da qualidade do período chuvoso, esta estação pode ser caracterizada pela ocorrência de “veranicos” (períodos de estiagem com duração de 7 a 15 dias). Na Região Sul, as chuvas variam entre 300 mm e 500 mm. * Não corrigida para Horário de Verão Aula 1 – Meios de Orientação 5 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM TODOS RESOLVIDOS EM VÍDEO Questão 01 Levando-se em consideração que, no dia em que esta foto foi tirada, o Sol se pôs exatamente atrás da estátua do Cristo Redentor, podemos AFIRMAR que: a) o Pão de Açúcar está situado ao norte da parte frontal da estátua do Cristo Redentor. b) o braço direito do Cristo Redentor está apontando para a direção sul. c) o leste está na direção da parte de trás da estátua do Cristo Redentor. d) a enseada de Botafogo está ao sul da parte frontal da estátua do Cristo Redentor. e) o braço esquerdo do Cristo Redentor está apontando para a direção oeste. Questão 02 O jardim de caminhos que se bifurcam (....) Uma lâmpada aclarava a plataforma, mas os rostos dos meninos ficavam na sombra. Um me perguntou: O senhor vai à casa do Dr. Stephen Albert? Sem aguardar resposta, outro disse: A casa fica longe daqui, mas o senhor não se perderá se tomar esse caminho à esquerda e se em cada encruzilhada do caminho dobrar à esquerda. (Adaptado. Borges, J. Ficções. Rio de Janeiro: Globo, 1997. p.96.) Quanto à cena descrita acima, considere que I - o sol nasce à direita dos meninos; II - o senhor seguiu o conselho dos meninos, tendo encontrado duas encruzilhadas até a casa. Concluiu-se que o senhor caminhou, respectivamente, nos sentidos: a) oeste, sul e leste. d) leste, norte e oeste. b) leste, sul e oeste. e) leste, norte e sul. c) oeste, norte e leste. Questão 03 Um leitor encontra o seguinte anúncio entre os classificados de um jornal: Interessado no terreno, o leitor vai ao endereço indicado e, lá chegando, observa um painel com a planta a seguir, onde estavam destacados os terrenos ainda não vendidos, numerados de I a V: Considerando as informaçõesdo jornal, é possível afirmar que o terreno anunciado é o a) I. b) II. c) III. d) IV. e) V. Anotações 6 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Filho) Questão 04 Para responder à questão, imagine uma pessoa na seguinte situação: -Localização: 30º de latitude norte; -Posição: em pé; ereta; -Horário: 12 horas; -Dia: 22 de dezembro; -Direção do olhar: polo sul; Considerando as informações apresentadas, podemos afirmar, com relação a sua sombra, que: a) Não há sombra, pois é solstício de verão no hemisfério norte b) Não já sombra, pois é o dia em que a terra se encontra no periélio c) Há sombra, a qual se projeta a partir de suas costas d) Há sombra, a qual se projeta para o sul e) há sombra, a qual se projeta para o lado oeste Questão 05 “A terra não é um planeta qualquer! (...) Para dar-lhes uma idéia das dimensões da Terra, eu lhes direi que, antes da invenção da eletricidade, era necessário mater., para o conjunto dos seis continentes, um verdadeiro exército de acendedores de lampião. Isso fazia, visto um pouco de longe, um magnífico efeito. (...) Primeiro vinha a vez dos acendedores de lampião da Nova Zelândia e da Austrália. Esses, em seguida, acesso, acesos os lampiões, iam dormir. Entrava por sua vez a dança de lampiões da china e da Sibéria. Depois vinha a vez dos acendedores de lampiões da Rússia e das Índias. Depois os da África e da Europa. Depois da América. E jamais se enganavam na ordem de entrada, quando apareciam em cena. Era um espetáculo grandioso”. (Pequeno Príncipe, p. 58.) Esse fragmento, retirado da obra de Antonie de Saint-Exupéry, revela uma ordem na iluminação da Terra. Essa ordem é consequência do a) movimento de translação. b) movimento de rotação. c) movimento de revolução. d) solstício. e) equinócio. QUESTÃO 06 Quando é meio-dia nos Estados Unidos, o Sol, todo mundo sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr do sol. SAINT-EXUPÉRY, A. O Pequeno Príncipe. Rio de Janeiro: Agir, 1996. A diferença espacial citada é causada por qual característica física da Terra? a) Achatamento de suas regiões polares. b) Movimento em torno de seu próprio eixo. c) Arredondamento de sua forma geométrica. d) Variação periódica de sua distância do Sol. e) Inclinação em relação ao seu plano de órbita. QUESTÃO 07 Levando-se em consideração a posição do planeta Terra apresentada no cartograma acima, conclui- se que as populações localizadas na faixa latitudinal 45° N estão sob a seguinte estação do ano: a) Verão. b) Outono. c) Inverno. d) Primavera. e) Em transição. Anotações Aula 1 – Meios de Orientação 7 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência QUESTÃO 08 Analise este bloco-diagrama, em que estão representados o relevo de uma região, que se caracteriza pela presença de um vale estreito e profundo, e o movimento aparente do Sol, ao longo do dia: A partir da análise e interpretação desse bloco-diagrama, é INCORRETO afirmar que a) o grande vale central, que se estende no sentido dos meridianos, recebe o menor número de horas de insolação da região. b) as diferenças de intensidade da insolação, nas várias partes da região representada, se acentuam ao meio-dia local, quando o Sol está na altura máxima. c) as formas e a orientação do relevo, mais do que a latitude, criam importantes variações de insolação na região. d) as vertentes orientais recebem os raios solares mais diretamente durante a manhã, enquanto, nas ocidentais, essa incidência ocorre durante a tarde. Anotações 8 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Filho) EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 Existem diversas expressões que são geralmente empregadas na relação Terra-Sol, tais como Afélio, Equinócios, Solstícios, Eclíptica, Periélio etc. Afélio é: a) a parte do hemisfério sul que não fica iluminada durante o inverno. b) o momento em que a Terra se afasta mais do Sol. c) o tempo em que tem início a primavera no hemisfério norte. d) a porção mais iluminada do Sol voltada à Terra. e) o conjunto de explosões gigantescas que se verificam na coroa solar. Questão 02 Observe as figuras a seguir. Os ângulos de incidência dos raios solares sobre a superfície da Terra, demonstrados nas figuras, apresentam duas situações distintas, que caracterizam os solstícios e os equinócios. Em ambas as figuras, o ponto A representa uma cidade sobre a linha do equador, ao meio-dia. A Figura 2 mostra a incidência do sol três meses após a situação ilustrada na Figura 1. A Figura 1 representa o a) equinócio de primavera no hemisfério sul, quando a incidência dos raios solares é oblíqua à superfície da Terra em A. b) equinócio de primavera no hemisfério sul, quando a incidência dos raios solares é perpendicular à superfície da Terra em A. c) equinócio de outono no hemisfério sul, quando a incidência dos raios solares é perpendicular à superfície da Terra em A. d) solstício de verão no hemisfério norte, quando a incidência dos raios solares é oblíqua à superfície da Terra em A. e) solstício de inverno no hemisfério sul, quando a incidência dos raios solares é oblíqua à superfície da Terra em A. Questão 03 Observando a representação do movimento de translação e as estações do ano, na figura ao lado, identifique e relacione os desenhos I e II, respectivamente, às estações do ano, no Hemisfério Sul. a) inverno, primavera b) verão, outono c) outono, primavera d) inverno, outono e) verão, inverno Questão 04 Observe a figura e as afirmações a seguir. 1. A inclinação do eixo da Terra não é uma das causas principais do mecanismo das estações do ano verificadas nas áreas de latitudes médias. 2. A situação indicada na figura corresponde à época em que o Hemisfério Boreal se encontra no verão. 3. Na época considerada na figura, o Pólo Sul encontra-se na Grande Noite Polar, ocasião em que as temperaturas baixam consideravelmente. 4. Um observador que esteja situado no ponto A verá o Sol nascer antes do observador B, que se encontra ao Sul do Equador geográfico. Estão corretas apenas: a) 1 e 4 b) 2 e 3 c) 1 e 2 d) 1 e 3 e) 2, 3 e 4 Questão 05 Em certa cidade, algumas de suas principais vias têm a designação “radial” ou “perimetral”, acrescentando-se ao nome da via uma referência ao ponto cardeal correspondente. As ruas 1 e 2 estão indicadas no esquema abaixo, em que não estão explicitados os pontos cardeais. Aula 1 – Meios de Orientação 9 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Os nomes corretos das vias 1 e 2 podem, respectivamente, ser: a) perimetral sul, radial leste. b) perimetral sul, radial oeste. c) perimetral norte, radial oeste. d) radial sul, perimetral norte. e) radial sul, perimetral oeste. Questão 06 A personagem Mafalda, que está em Buenos Aires, olha o globo em que o Norte está para cima e afirma: “a gente está de cabeça pra baixo”. Quem olha para o céu noturno dessa posição geográfica não vê a estrela Polar, referência do polo astronômico Norte, e sim o Cruzeiro do Sul, referência do polo astronômico Sul. Se os polos do globo de Mafalda estivessem posicionados de acordo com os polos astronômicos, ou seja, o pólo geográfico Sul apontando para o polo astronômico Sul, seria correto afirmar que a) o Norte do globo estaria para cima, o Sul para baixo e Mafalda estaria realmente de cabeça para baixo. b) o Nortedo globo estaria para cima e o Sul para baixo, mas Mafalda não estaria de cabeça para baixo por causa da gravidade. c) o Norte do globo estaria para cima, o Sul para baixo, e quem estaria de cabeça para baixo seriam os habitantes do hemisfério norte. d) o Sul do globo estaria para cima e o Norte para baixo, mas Mafalda estaria de cabeça para baixo por causa da gravidade. e) o Sul do globo estaria para cima, o Norte para baixo e Mafalda não teria razão em afirmar que está de cabeça para baixo. Questão 07 “A primavera começa hoje às 13h30min no hemisfério sul. É quando ocorre o equinócio, momento astronômico em que o Sol cruza a linha do Equador. A expectativa do meteorologista da empresa Climatempo, Alexandre Nascimento, para a nova estação, é de comportamento climático normal, porque não ocorreu e nem devem ocorrer, neste ano, os efeitos do El Niño e do fenômeno La Niña”. Adaptado de O Estado de São Paulo — 22.09.2004 A partir do momento da ocorrência do equinócio: a) as noites ficam cada vez mais curtas e os dias mais longos. b) as noites e os dias passam a ter a mesma duração. c) os dias ficam cada vez mais curtos e as noites mais longas. d) as médias térmicas tendem a diminuir, pois é evidenciada uma maior inclinação dos raios solares. e) as médias térmicas tendem a aumentar, pois os raios solares incidem perpendicularmente quando se dirigem em direção ao Trópico de Câncer. Questão 08 Sobre o movimento de rotação, pode-se afirmar que: I. consiste na volta que a terra dá em torno do seu próprio eixo (de si mesma) e é realizado de oeste para leste; II. tem duração de aproximadamente 24 horas e é responsável pela incidência da luz solar por todo o Equador; III. é responsável pela alternância entre os dias e as noites. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. c) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. d) Somente a afirmativa II é verdadeira. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. Questão 09 Ainda é 31 de dezembro no Brasil quando a televisão noticia a chegada do ano Novo em diferentes países. Entre os países que comemoram a chegada do Ano Novo antes do Brasil, encontram- se a Austrália, a Nova Zelândia e o Japão. Este fato se deve a) à inclinação do eixo terrestre. b) ao movimento de rotação terrestre. c) ao movimento de translação terrestre. d) à maior proximidade do sol no verão. e) a diferença de latitude entre esses países e o Brasil. Questão 10 Levando-se em consideração o horário, a posição do sol, a posição da sombra e a latitude, é possível concluir que o menino do desenho se encontra no Hemisfério _________, pois ___________________. a) Norte – o sol encontra-se ao norte, posição permanente, nesse horário, nos equinócios. b) Sul – a sombra, nesse horário, está ao sul, local de entrada de luminosidade em todas as estações do ano. c) Norte – o sol encontra-se ao norte, lugar de entrada da luminosidade no verão. d) Sul – o sol encontra-se ao norte, lugar de entrada de maior luminosidade, em todas as estações do ano. e) Norte – a sombra encontra-se ao norte, lugar de entrada de maior luminosidade em todas as estações do ano. Questão 11 Enquanto os piauienses estão tomando o café da manhã, os italianos já estão almoçando e os japoneses já se preparam para o jantar. Isto ocorre porque foram estabelecidos diferentes fusos horários para os vários países do mundo, conforme a localização geográfica de cada um, com base nas diferenças de luminosidade decorrentes do movimento de rotação da Terra. Sobre essa questão, está correto afirmar: a) Todos os países localizados ao longo de um mesmo paralelo têm o mesmo fuso horário. 10 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Filho) b) A Terra está dividida em 24 faixas de meridianos que equivalem a 15° cada uma, calculadas em relação ao Equador, chamadas de fusos horários. c) O estabelecimento da “hora legal” tem base nos fusos horários, considerando as faixas de 15° formadas pelos meridianos terrestres, enquanto a “hora local” tem base na posição dos locais em relação às suas latitudes. d) Considerando que a Terra gira de oeste para leste, o Sol “nasce” primeiro nos países de fusos horários a Leste do Meridiano Zero. Questão 12 Leia a citação a seguir: “Como uso científico, para a Geografia e outras ciências, a cartografia oferece a compreensão espacial do fenômeno. Tanto para o uso cotidiano como para o científico, a figura cartográfica tem, a princípio, uma função prática. Ela serve como instrumento de conhecimento, domínio e controle de um território. A confecção de um mapa envolve, desde o início, o conhecimento físico (natureza) e social do território representado. As distâncias e localizações dos fatos geográficos devem ser estabelecidas com precisão. [...]”. (CASTROGIOVANNI, Antônio Carlos. Apreensão e compreensão do espaço geográfico. In: ______. Ensino de Geografia: práticas e textualizações no cotidiano. Porto Alegre: Mediação. p. 38-39). A partir do documento cartográfico apresentado, e com relação a essa temática, assinale (V) ou (F), conforme estejam Verdadeiras ou Falsas as afirmativas a seguir e identifique a sequência correta. ( ) Em um acidente marítimo, os restos de um navio foram localizados nas coordenadas geográficas de 20º de latitude sul e 30º de longitude Oeste. Sendo assim, a provável indicação do local do naufrágio foi no Oceano Atlântico. ( ) Os pontos 2, 5 e 6, identificados no mapa, localizam-se no Hemisfério Oriental. ( ) Os pontos 2, 3 e 4, identificados no mapa, estão localizados na zona tropical. ( ) Os pontos 1, 2 e 5, identificados no mapa, localizam-se no Hemisfério Ocidental. ( ) O Brasil tem a maioria de suas terras localizadas nos Hemisférios Ocidental e Meridional. A sequência CORRETA é a) V, F, F, V, V. b) F, V, F, F, F. c) F, F, V, V, F. d) V, V, V, F, V. Questão 13 A relação Sol-Terra faz com que em qualquer lugar do planeta existam diferenças no tempo atmosférico. Essas diferenças têm origem em dois fatores principais, que são os movimentos de rotação e de translação. Analise as alternativas a seguir e identifique a INCORRETA no que se refere à influência desses movimentos no tempo atmosférico e climas da Terra. a) É o movimento de rotação que determina os ciclos da produção agrícola e, portanto, indica quando plantar, quando colher, quando guardar e quando descansar. b) O movimento de translação, combinado com a inclinação do eixo da Terra sempre no mesmo ângulo, faz com que os hemisférios Norte e Sul sejam expostos alternadamente de forma diferente à luz, proporcionando assim as estações do ano. c) Se a Terra não tivesse o movimento de rotação, a face iluminada seria tórrida e a face escura gelada sendo impossível à vida no planeta. d) O movimento de translação é que determina a duração do foto- período diário, sendo que, para o hemisfério Sul, a maior duração do dia iluminado ocorre em 22 de dezembro, quando inicia o verão. e) O movimento de rotação é o responsável pela exposição do planeta à luz solar, fazendo com que haja certo equilíbrio em relação à temperatura, pois gera os dias e noites. Questão 14 Observe o mapa a seguir. A leitura e a interpretação do mapa, apenas por meio da análise da rede geográfica e dos pontos de referência, indicam que o município de Sabará localiza-se. a) ao Norte de Belo Horizonte e ao Sul de Caeté. b) a Oeste de Nova Lima e a Leste de Santa Luzia. c) a Leste de Belo Horizonte e a Oeste de Caeté. d) a Oeste de Raposos e a Leste de Santa Luzia. e) ao Sul de Raposos e ao Sul de Taquaraçu de Minas.Questão 15 “No Afeganistão, a yelda é a primeira noite do mês de jadi, a primeira noite do inverno, e a mais longa do ano. Como mandava a tradição, Hassan e eu ficávamos acordados até mais tarde, com os pés enfiados debaixo do kursi, enquanto Ali atirava cascas de maçã no fogareiro e nos contava velhas histórias de sultões e de Aula 1 – Meios de Orientação 11 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência ladrões para passar o tempo dessa noite que era a mais comprida de todas. Foi por meio de Ali que fiquei conhecendo a tradição de yelda, daqueles meses enfeitiçados, que se precipitam para as chamas das velas, e dos lobos que sobem ao alto das montanhas em busca do sol. Ali jurava que quem comesse melancia na noite de yeldanão sentiria sede durante o verão seguinte.” (KhaledHosseini. O Caçador de Pipas. 2005) Considerando os fenômenos registrados no texto, bem como a localização do Afeganistão, é correto afirmar que: a) a data provável para o jadi é o dia 21 de junho, o solstício de inverno no Hemisfério Norte. b) a noite mais comprida no Hemisfério Norte, que marca o equinócio de outono, é 23 de setembro. c) a esfericidade do planeta Terra permite uma maior insolação nas regiões próximas ao Equador, portanto são inverossímeis as condições registradas nessa obra de ficção. d) se as condições meteorológicas permitirem, a noite mais longa no Afeganistão será entre o dia 21 ou 22 de dezembro, pois depende do ano bissexto. e) o solstício de inverno no Afeganistão é 21 de dezembro, quando o Trópico de Câncer recebe menor incidência dos raios solares. CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I Prof. Fernandes Epitácio VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência MEIOS DE ORIENTAÇÃO Podemos nos orientar pelos astros, por instrumentos e por meios de fortuna, ou seja, algo criado pela natureza ou pelo homem para outros fins e que, com a nossa criatividade, utilizamos como auxílio na corrupção. ORIENTAÇÃO PELO SOL Pelo movimento aparente, o sol nasce pela manhã, aproximadamente, no Este e, pela tarde se põe, aproximadamente, no Oeste. Na realidade é a Terra que está girando em torno de seu eixo imaginário, de Oeste para Este. É o meio de orientação mais simples. Devemos considerar, também, que apenas em dois dias do ano (21 de março e 21 de setembro, aproximadamente) o sol nasce exatamente no Este. Nos demais dias vai virando o local exato do seu nascimento e de ocaso. ORIENTAÇÃO PELA LUA Utilizamos o mesmo procedimento da orientação pelo sol. A lua segue, aparentemente a mesma trajetória: nasce no Este e se põe no Oeste. ORIENTAÇÃO NOTURNA PELAS ESTRELAS No hemisfério sul utilizamos a constelação do Cruzeiro do Sul. Uma vez identificado, prolonga-se quatro vezes e meia o braço maior da cruz e baixa-se uma perpendicular ao horizonte, determinando o Polo Sul Geográfico. A margem de erro é de 5°. No hemisfério norte, utilizamos a Estrela Polar que dista, aproximadamente, 1° do Polo Norte Geográfico. ORIENTAÇÃO PELA BÚSSOLA A bússola, cujo funcionamento baseia-se no magnetismo terrestre é um dos elementos mais utilizados pelos seres humanos para sua orientação. A sua agulha imantada indica o Polo Norte Magnético. Com ela podemos determinar um rumo ou direção, determinar o valor de um ângulo (também denominado azimute) ou trabalhar em conjunto com uma carta ou um mapa. Devemos nos lembrar que o Polo Magnético e o Polo Geográfico não coincidem estando muito afastados entre si. Na atualidade o Polo Magnético situa-se nas proximidades da costa oeste da Ilha Bathurst, nos Territórios do Noroeste do Canadá. O ângulo formado pelos dois Nortes é denominado Declinação Magnética. COORDENADAS GEOGRÁFICAS Chamamos de coordenadas geográficas o conjunto de linhas imaginárias (Paralelos e Meridianos) cuja função é ajudar na sua localização de um ponto qualquer na superfície terrestre. Se, matematicamente um ponto é determinado pelo cruzamento de duas linhas é possível, então, determinamos qualquer posição da superfície terrestre a partir das coordenadas. ANAXIMANDRO E A CARTOGRAFIA HISTÓRICA Desde a Antiguidade, tenta-se construir quadriculas ou sistemas universais de referência. No século VI a.C., Anaximandro e Hecateu, ambos da Escola de Mileto, na Grécia, propuseram transportar os lugares conhecidos para um retângulo, cujos lados, divididos em estádios (antiga sistema de medida grego), constituíam um esboço de coordenadas. Outras contribuições foram somadas a essa, como, pro exemplo, a de Dicearco, no século IV a.C., que construiu um mapa apoiado em apenas dois eixos, um dos quais se estendia de leste para oeste, passando por Rodes e pelas Colunas de Hércules, atual Estreito de Gibraltar, e outro, perpendicular a esse, passando também por Rodes. Eratóstenes, um dos primeiros geógrafos, aperfeiçoou o sistema, acrescendo aos dois eixos de Dicearco outras linhas, formando uma rede retangular. Mas foi Hiparco, astrônomo da Escola de Rodes, no século II, quem, pela primeira vez, dividiu a circunferência do globo terrestre em 360° e, depois, cobriu o globo com uma rede de paralelos e meridianos equidistantes. Desde então, pode-se transportar para o papel exatamente os lugares conhecidos e os lugares recém-descobertos. Pedro Coimbra, Geografia: Uma Análise do Espaço Geográfico, 2004. Complemento. Os sistemas de coordenadas são indispensáveis na representação da posição de pontos sobre uma superfície, independentemente dessa superfície ser um elipsóide, uma esfera ou um plano. Para o elipsóide, ou esfera, usualmente empregamos um sistema de coordenadas cartesiano e curvilíneo representado por paralelos e meridianos, enquanto para o plano, um sistema de coordenadas cartesianas X e Y é usualmente aplicável. O sistema de mapeamento da Terra através de coordenadas geográficas expressa qualquer posição horizontal no planeta através de duas das três coordenadas existentes num sistema esférico de coordenadas, alinhadas com o eixo de rotação da Terra. Para localizar qualquer lugar na superficíe terrestre de forma exata é necessário usar duas indicações, uma letra e um número. Temos que utilizar elementos de referência que nos permitam localizar com exatidão qualquer lugar da Terra. A rede cartográfica ou geográfica dá-nos a indicação das coordenadas geográficas. Aula 2 – Coordenadas Geográficas 13 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Nesta aula, trataremos do sistema de coordenadas geográficas que se baseiam em linhas imaginárias traçadas sobre o globo terrestre. Quando dizemos que uma determinada área está a leste de uma outra, não estamos dando a localização precisa dessa área, mas apenas indicando uma direção. Para saber com exatidão onde se localiza qualquer ponto da superfície terrestre, como uma cidade, um porto, uma ilha etc., usamos as coordenadas geográficas, as quais se baseiam em linhas imaginárias traçadas sobre o globo terrestre. Como bem sabemos, a Terra tem uma forma quase esférica, com achatamento nos pólos (geóide), e é apresentada nos mapas dividida em duas metades por uma linha horizontal imaginária, denominada Linha do Equador (palavra de origem latina, aequatore, que significa “o que iguala”). A Linha do Equador está situada a uma igual distância dos pólos, dividindo a Terra em duas metades: o Hemisfério Norte ou Setentrional e o Hemisfério Sul ou Meridional. As linhas imaginárias posicionadas paralelamente (paralelos) ao Equador determinam a latitude. Latitude é a distância em graus de qualquer ponto da superfície terrestre até a Linha do Equador. A distância em grausserá de 0° na Linha do Equador até 90° para o Norte ou 90° para o Sul. Assim, se a posição em análise estiver acima da Linha do Equador, a latitude é norte, indo até o Pólo Norte ou Pólo Ártico, e ao contrário, se a posição estiver abaixo daLinha do Equador, temos latitude sul, indo até o Pólo Sul ou Pólo Antártico. O modo como alatitude é definida depende da superfície de referência utilizada. A seguir, veremos exemplos desses modelos. Na superfície real da Terra, a latitude pode também ser definida como o ângulo entre a vertical do lugar (isto é, a direção do fio-de- prumo) e o plano do Equador. Uma vez que a vertical do lugar não coincide geralmente com a normal ao elipsóide de referência nesse lugar, essa modalidade de latitude (latitude astronômica ou natural) é geralmentediferente da latitude assinalada nos mapas, a latitude geodésica. Muito antes da forma e das dimensões da Terra serem conhecidas com exatidão, como acontece atualmente, a latitude astronômica era determinada através da observação dos astros, utilizando quadrantes, astrolábios e balhestilhas Equador é a linha imaginária que resulta da interseção da superfície da Terra com o plano que contém o seu centro e é perpendicular ao seu eixo de rotação. Devido à oscilação do eixo de rotação, a posição do Equador não é rigorosamente constante, razão pela qual é adotada, para efeitos geodésicos, uma posição média. O Equador divide a superfície da Terra em dois hemisférios: o Hemisfério Norte, ou Setentrional, que contém o Pólo Norte; e o Hemisfério Sul, ou Meridional, que contém o PóloSul. O raio do Equador é cerca de 6 378 km, correspondendo a um perímetro de 40 075 km. No Brasil, a única capital que é cortada pela Linha do Equador é Macapá, no Amapá.Ali existe um complexo turístico-cultural onde está localizado o chamado “marco zero”. O Equador cruza os oceanos Atlântico, Índico e Pacífico, bem como os seguintes territórios da África, Ásia e América do Sul, de oeste para leste, a partir do meridiano de Greenwich: São Tomé e Príncipe, Gabão, República do Congo, República Democrática do Congo, Uganda, Quênia, Somália, Maldivas, Indonésia, Kiribati, Equador, Colômbia, Brasil. Paralelo ou paralelo geográfico é todo o círculo menor perpendicular ao eixo da Terra e, portanto, paralelo ao Equador. Sobre um determinado paralelo, a latitude é constante. Sobre o Equador, a latitude é igual a zero, medindo-se de 0º a 90º, para norte (positiva) e para sul deste (negativa). Os paralelos são círculos menores completos, obtidos pela interseção do globo terrestre com planos paralelos ao Equador. Possuem as seguintes características: 1. os paralelos são sempre paralelos entre si e, ainda que sejam linhas circulares, sua separação é constante; 2. os paralelos são medidos sempre na direção leste-oeste; 3. os paralelos cortam os meridianos formando ângulos retos e isso é válido para qualquer lugar do globo, exceto para os pólos, uma vez que neles a curvatura dos paralelos é muito acentuada; 4. todos os paralelos são círculos menores, com exceção do Equador que é um círculo máximo completo; 5. o número de paralelos que se pode traçar sobre o globo é infinito, por conseguinte,qualquer ponto do globo, com exceção do Pólo Norte e do Pólo Sul, está situadosobre um paralelo. São traçados paralelamente ao Equador tanto para norte quanto para sul e é por meio deles que se determina a latitude de um lugar. Alguns paralelos recebem nomes especiais: • Círculo Polar Ártico (66° 33 N); • Trópico de Câncer (23° 27 N); • Equador (0°); 14 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) • Trópico de Capricórnio (23° 27 S); • Círculo Polar Antártico (66° 33 S). A longitude também vai requerer para sua determinação uma linha de referência, neste caso é o primeiro meridiano ou Meridiano de Greenwich localizado no mapa mundie no globo terrestre na posição vertical, também dividindo a superfície terrestre em dois hemisférios, o oriental ou leste, e o ocidental ou oeste. As linhas imaginárias posicionadas verticalmente (meridianos) determinam a longitude, que é definida como a distância em graus de qualquer ponto da superfície terrestre até o primeiro meridiano ou Meridiano de Greenwich. A longitude varia de 0° (no Meridiano de Greenwich) a 180° para leste e 180° para oeste. Linha imaginária que resulta de um corte efetuado num modelo geométrico da Terra por um plano que contém o seu centro. Quando esse modelo é uma esfera, o meridiano é uma semi- circunferência (180 graus); quando é um elipsóide de revolução, é uma semi-elipse. Em ambos os casos, o meridiano contém os pólos e é perpendicular a todos os paralelos, como também ao Equador. O conjunto de dois meridianos opostos, formando uma circunferência ou uma elipse,conforme o caso, chama-se círculo meridiano. Cada círculo meridiano contém, portanto, um meridiano e o respectivo antimeridiano ou meridiano contrário. O termo “meridiano” vem do latim meridies, que significa, literalmente, “linha que une os lugares que têm o meio-dia ao mesmo tempo” ou, apenas, “a linha do meio-dia”. Assim, um meridiano geográfico, ou linha do meio-dia, não é um círculo máximo, mas sim um semicírculo máximo ou arco de 180 graus. O Sol cruza um dado meridiano a meio caminho entre a hora do nascer do Sol e a do pôr-do-Sol naquele meridiano; no meridiano oposto, ou antimeridiano, é meia-noite. A mesma raiz latina deu origem aos termos Ante Meridiem(AM), antes do meio-dia, e Post Meridiem (PM), depois do meio-dia. Convencionou-se que o Meridiano de Greenwich, que passa pelos arredores da cidade de Londres, na Inglaterra, é o meridiano principal. Por convenção, divide o globo terrestre em ocidente e oriente, permitindo medir a longitude. Definido como o primeiro meridiano, serve de referência para estabelecer a relação entre as horas em qualquer ponto da superfície terrestre, estabelecendo os fusos horários. Esse meridiano atravessa dois continentes e sete países: Na Europa: Reino Unido, França e Espanha; e na África: Argélia, Mali, Burkina Faso e Gana. Seu antimeridiano cruza uma parte da Rússia no estreito de Behring e uma das ilhas do arquipélago de Fiji, no Oceano Pacífico. Todos os meridianos são semicírculos máximos, cujos extremos coincidem com os pólos Norte e Sul da Terra. Ainda que seja correto que o conjunto de dois meridianos opostos constituam um círculo máximo completo, é conveniente recordar que um meridiano é só um semicírculo máximo e que é um arco de 180º. Outras características dos meridianos são: 1. todos os meridianos têm direção norte-sul; 2. os meridianos têm sua máxima separação no Equador e convergem em direção aos dois pontos comuns nos pólos Norte e Sul; Aula 2 – Coordenadas Geográficas 15 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 Pensando nas correntes e prestes entrar no braço que deriva da Corrente do Golfo para o norte, lembrei-me de um vidro de café solúvel vazio. Coloquei no vidro uma nota cheia de zeros, uma bola cor rosa-choque. Anotei a posição e data: Latitude 49°49’N, Longitude 23°49’W. Tampei e joguei na água. Nunca imaginei que receberia uma carta com a foto de um menino norueguês, segurando a bolinha e a estranha nota. KLINK, A. Parati: entre dois polos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998 (adaptado). No texto, o autor anota sua coordenada geográfica, que é: a) a relação que se estabelece entre as distâncias representadas no mapa e as distâncias reais da superfície cartografada. b) o registrode que os paralelos são verticais e convergem para os polos, e os meridianos são círculos imaginários, horizontais e equidistantes. c) a informação de um conjunto de linhas imaginárias que permitem localizar um ponto ou acidente geográfico na superfície terrestre. d) a latitude como distância em graus entre um ponto e o Meridiano de Greenwich, e a longitude como a distância em graus entre um ponto e o Equador. e) a forma de projeção cartográfica, usado para navegação, onde os meridianos e paralelos distorcem a superfície do planeta. Questão 02 "Casa que não entra Sol, entra médico." Esse antigo ditado reforça a importância de, ao construirmos casas, darmos orientações adequadas aos dormitórios, de forma a garantir o máximo conforto térmico e salubridade. Assim, confrontando casas construídas em Lisboa (ao norte do Trópico de Câncer) e em Curitiba (ao sul do Trópico de Capricórnio), para garantir a necessária luz do Sol, as janelas dos quartos não devem estar voltadas, respectivamente, para os pontos cardeais. a) norte/sul b) sul/norte c) leste/oeste d) oeste/leste e) oeste/oeste Questão 03 Um navio que, navegando pelo Atlântico, cruza o Trópico de Câncer e segue do norte para o sul, de tal forma que, observando-se no mapa, a trajetória percorrida é representada como uma reta. Esse percurso descrito no enunciado revela que o navio... I – Seguirá passando por latitudes cada vez maiores até cruzar a linha equatorial. II – Estará modificando constantemente a latitude, porém permanece na mesma longitude. III – Estará se aproximando cada vez mais do meridiano de origem. IV – Estará navegando pelas águas do hemisfério austral. V – Estará se distanciando cada vez mais do círculo polar ártico. Estão corretas as afirmações: a) II e V, apenas. d) II e III, apenas. b) I, II e IV. e) III, IV e V. c) I, III e V. Questão 04 A imagem abaixo mostra um local por onde passa o Trópico de Capricórnio. Sobre o Trópico de capricórnio podemos afirmar que: a) É a linha imaginária ao sul do Equador, onde os raios solares incidem sobre a superfície e forma perpendicular, o que ocorre em um único dia no ano. Anotações 16 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) b) Os raios solares incidem perpendicularmente nesta linha imaginária durante o solstício de inverno, o que ocorre duas vezes por ano. c) Durante o equinócio, os raios solares atingem de forma perpendicular à superfície no trópico de Capricórnio, marcando o início do verão. d) No início do verão (21 ou 22 de dezembro), as noites têm a mesma duração que os dias no Trópico de Capricórnio. e) No início do verão (21 ou 22 de junho), os dias tem maior duração que as noites no Trópico de Capricórnio. Questão 05 Identificar as coordenadas geográficas de um ponto na superfície da Terra consiste em determinar a sua Latitude e a sua Longitude, a partir da medida em graus dos paralelos e meridianos correspondentes ao referido ponto. Quando dois pontos na superfície terrestre apresentam coordenadas opostas, tanto em latitude, quanto em longitude, os mesmos são denominados pontos antípodas. As cidades de Vila Real (Portugal) e Kahurangi (Nova Zelândia) são antípodas. A faixa projetada sobre a representação do globo terrestre, interligando as referidas cidades, indica uma oposição geográfica. Considerando que a cidade portuguesa apresenta uma localização cujas coordenadas são 41°N e 7°O, quais as coordenadas da cidade neozelandesa? a) 82°N e 14° E b) 41° S e 7°E. c) 41°S e 173°E. d) 49°S e 7°E. e) 41°S e 49°O. Questão 06 Observe o gráfico abaixo. Assinale a alternativa CORRETA, com base nas coordenadas geográficas e nos fusos horários representados. a) A cidade B, localizada ao norte da cidade C, está a oeste da cidade A. b) Um avião saiu às 9h da cidade C. Ele voou durante 5 horas até a cidade A. Quando chegou à cidade A, eram 14h no horário local. c) A cidade C está situada a sudoeste da cidade A e a sul da cidade B. d) Um avião saiu às 4h da cidade A. Ele voou durante 4 horas até a cidade B. Quando chegou à cidade B, eram 13h no horário local. Questão 07 Diz-se que dois pontos da superfície terrestre são antípodas quando o segmento de reta que os une passa pelo centro da Terra. Podem ser encontradas, em sites da internet, representações, como a reproduzida abaixo, em que as áreas escuras identificam os pontos da superfície terrestre que ficam, assim como os seus antípodas, sobre terra firme. Por exemplo, os pontos antípodas de parte do sul da América do Sul estão no leste da Ásia. Anotações Aula 2 – Coordenadas Geográficas 17 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Se um ponto tem latitude x graus norte e longitude y graus leste, então seu antípoda tem latitude e longitude, respectivamente: a) x graus sul e y graus oeste. b) x graus sul e (180 y)− graus oeste. c) (90 x)− graus sul e y graus oeste. d) (90 x)− graus sul e (180 y)− graus oeste. e) (90 x)− graus sul e (90 y)− graus oeste. Questão 08 Observe o mapa abaixo. Sobre a localização geográfica dos pontos marcados no planisfério, é correto afirmar que: a) o ponto C está no hemisfério ocidental. b) os pontos C e E têm aproximadamente a mesma distância longitudinal do Meridiano de Greenwich. c) o ponto B está no paralelo 0 .° d) o ponto A está em maior latitude que o ponto D. e) o ponto E está em menor longitude que o ponto A. Anotações 18 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 Se viajarmos em direção ao Ocidente, estamos correndo contra o tempo. Saímos tarde e chegamos mais cedo. Por isso, adotou-se a Linha Internacional de Mudança de Data. Se ela é cruzada de Leste para Oeste, o momento é o dia seguinte. Marque a alternativa que apresenta onde se situa a Linha Internacional de Mudança de Data: a) a 90° de Longitude Oeste; b) a 180° de Longitude; c) a 90° de Longitude Leste; d) a 360° de Longitude; Questão 02 Em relação às linhas imaginárias que permitem a localização de um ponto na superfície da terra, todas as afirmativas estão corretas, exceto: a) Os meridianos são linhas que unem os dois pólos. b) Os paralelos diminuem de extensão do Equador para os pólos. c) Os meridianos possuem todos a mesma extensão. d) Os paralelos de maior dimensão são os trópicos. Questão 03 O Trópico de Capricórnio atravessa: a) sul de SP, MT, GO e norte do PR. b) norte de SP, sul de MI e norte do PR. c) sul de GO e norte de SP. d) sul de MS, SP e norte do PR. Questão 04 De acordo com o mapa, afirma-se que: I. Pequena parte do território brasileiro acha-se no hemisfériosetentrional. II. A maior parte do território brasileiro fica na Zona lntertropical. III. Tanto o extremo oeste quanto o extremo leste do país estão situados, em longitude, a oeste do meridiano inicial de Greenwich. IV. O Brasil está inteiramente localizado no hemisfério oriental. V. No território brasileiro, predominam características de clima subtropical. São verdadeiras: a) I, II e III. b) III, lV e V. c) II, III e IV. d) II, IV e V. Questão 05 Observe a figura a seguir. As Regiões ou Zonas Temperadas, em termos climáticos, sãoaquelas que estão situadas entre os trópicos e os círculos polares. Com relação às Zonas Temperadas da terra, é corretoafirmar que. a) a Zona Temperada do Norte pode ser melhor caracterizada, porque é constituída, em sua maior parte, de terras emersas, enquanto, nosul, as terras emersas ocorrem apenas no extremo sul da África, parte da América do Sul e Oceania. b) a Zona Temperada Norte está situada entre o trópico de Capricórnio e o Círculo Polar Ártico, onde o clima temperado é caracterizado pela forte ocorrência de neve no inverno. c) o clima Temperado Continental, entre as latitudes de 45º e 55º, aproximadamente, possui verões moderadamente quentes e os invernos são amenizados pelas correntes marítimas. d) a vegetação predominante nos domínios do clima Temperado são os campos e as florestas intertropicais que, no inverno, costumam ficar cobertas pela neve. e) as Zonas Temperadas da Terra possuem a vegetação original bastante preservada, tendo em vista a fraca ocupação humana nessas áreas em virtude dos rigores do clima. Questão 06 Observe atentamente a figura a seguir. As informações contidas na figura acima mostram: a) o mecanismo de formação dos ventos alísios no Hemisfério Norte. b) a profundidade das geoesferas. c) o desvio de Coriolis. d) o conceito de latitude Aula 2 – Coordenadas Geográficas 19 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Questão 07 Analise as informações abaixo: - São linhas imaginárias traçadas paralelamente ao Equador. - É a distância medida em graus de qualquer ponto da superfície terrestre ao Equador. - São linhas imaginárias que cortam perpendicularmente o globo e vão de um pólo a outro. - É a distância medida em graus de qualquer ponto da Terra ao meridiano de Greenwich. Assinale a alternativa CORRETA quanto ao tema a que se referem tais informações a) Dizem respeito ao entendimento da cartografia (projeções, escalas e outros). b) Dizem respeito ao sistema de localização baseado nas coordenadas geográficas. c) Dizem respeito ao sistema de fusos horários. d) Ajudam a definir diferentes zonas de temperatura doplaneta. Questão 08 Identifique as coordenadas geográficas correspondentes, respectivamente, aos pontos B e A: a) 30º de Lat. Sul e 45º de Long. Leste; 90º de Lat. Sul e 60º de Long. Leste b) 45º de Lat. Norte e 30º de Long. Oeste; 90º de Lat. Sul e 60º de Long. Leste c) 30º de Lat Norte e 45º de Long. Oeste; 60º de Lat. Sul e 90º de Long. Leste d) 30º de Lat. Sul e 45º de Long. Leste; 60º de Lat. Norte e 90º de Long. Leste Questão 09 A partir da observação do mapa, assinale a opção correta. a) A projeção cartográfica utilizada para elaboração do planisfério é a cilíndrica e nela buscou-se preservar a forma das superfícies, em detrimento das distâncias e das áreas. b) Para representação de extensas áreas como a da figura, utiliza- se escala pequena, que permite melhor nível de detalhamento. c) O ponto B encontra-se em média latitude, zona em que há maior variação do fotoperíodo ao longo das estações do ano, que a área onde se encontra o ponto A. d) Há uma diferença de 15 horas entre o ponto A e o B, sendo que as horas em A estão atrasadas em relação a B. e) O ponto A encontra-se nos hemisférios boreal e ocidental e o ponto B nos setentrional e oriental. Ambos situam-se sobre países de grande população relativa. Questão 10 Tendo por base a localização geográfica dos pontos assinalados no mapa e seus conhecimentos, é correto afirmar que. a) os pontos C e E estão no Hemisfério Sul, em zona subtropical; possuem a mesma longitude (40°), mas estãoem latitudes diferentes e fazem parte da área de dispersão dos ventos Alíseos de sudeste. b) o ponto F está localizado em uma região de ventos polares por causa da alta pressão, típica das zonas de baixa latitude, como no caso do Círculo Polar Antártico. c) o ponto D é mais setentrional do que o ponto E; ambos estão localizados no Hemisfério Oriental, a leste de Greenwich, e possuem a mesma longitude (20°), mas as latitudes são diferentes. d) no ponto A, os raios solares nunca incidem perpendicularmente à superfície terrestre; apesar de o ponto A estar no mesmo hemisfério do ponto B, tem sua hora adiantada em relação a este ponto. e) na latitude do ponto D, as temperaturas tendem a ser menores do que na latitude do ponto B, apesar de ambos estarem no hemisfério meridional, em diferentes zonasclimáticas. Questão 11 Entre os elementos básicos das representações cartográficas estão as coordenadas geográficas. Sobre algumas de suas aplicações na cartografia está correto afirmar que: a) são símbolos utilizados exclusivamente na confecção de mapas e cartas climáticas. b) são sinais aplicados na delimitação de cotas altimétricas ebatimétricas do relevo. c) são referências gráficas que indicam áreas de mesma temperatura no globo terrestre. d) servem para identificar zonas climáticas diferentes e constituem um sistema de orientação. 20 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) e) servem para relacionar a distância real com a distância gráfica expressa nos mapas. Questão 12 “De acordo com as anotações do diário de bordo, presume-se que o padre Caspar calculou sua localização a partir do meridiano que passa sobre a Ilha do Ferro, 18º a oeste de Greenwich. Para ele, seu navio estava no meridiano 180º Leste”. Adaptado de ECO, Umberto. A ilha do dia anterior. Rio de Janeiro: Record, 2006. O romance A ilha do dia anterior, de Umberto Eco, conta a história de um nobre europeu e de um padre, chamado Caspar, que participaram de duas expedições marítimas em meados do século XVII. O objetivo das expedições era tornar preciso o cálculo das longitudes. Tendo como referência o meridiano de Greenwich, a longitude do navio do padre Caspar corresponde a: a) 158º Leste b) 158º Oeste c) 162º Leste d) 162º Oeste Questão 13 Examine atentamente as sentenças a seguir e assinale o grupo das que lhe parecerem corretas. 1 - Paralelamente ao Equador ficam dispostos círculos que diminuem de tamanho à proporção que estão mais próximos dos pólos. 2 - A latitude de um lugar é medida em km e representa a distância entre dois pontos na superfície do planeta. 3 - As coordenadas geográficas compreendem a latitude, a longitude, a distância em metros em relação ao nível do mar e as isoietas. 4 - A longitude é o afastamento, medido em graus, de um meridiano em relação a outro, chamado meridiano de Greenwich. 5 - Quando se projeta a rede de paralelos e meridianos sobre o papel, tem-se uma projeção cartográfica. Assinale: a) se todas são corretas: b) se apenas 1, 2 e 3 são corretas; c) se apenas 1, 4 e 5 são corretas; d) se apenas 2, 3 e 5 são corretas; e) se apenas 2, 4 e 5 são corretas. Questão 14 Baseado nas informações da figura baixo, podemos concluir que: a) As localidades B e C situam-se nos mesmos hemisférios e, juntamente com a localidade E formam um conjunto que possuem a mesma distância longitudinal. b) As localidades BCE situam-se no hemisfério meridional e possuem latitude menor que A. c) As localidades AB possuem o mesmo fuso horário e a localidade D possui a hora mais adiantada em relação a E. d) A localidade A está a 30° de Longitude Leste e 45° de Latitude Norte. e) A Localidade E encontra-se no ponto mais ocidental e Boreal do cartograma. Questão 15 Observe atentamente o mapa a seguir e identifique os pontos A, B, C, D e E. 1) o ponto E é o que apresenta o menor valor de latitude. 2) os pontos A e B estão situados praticamente à mesma distância longitudinal de Greenwich. 3) o ponto C localiza-se numa faixa de latitudes médias e de baixas altitudes. 4) o ponto D está situado numa faixaclimática bastante diferente daquela onde se localiza o ponto E. 5) o maior valor de latitude é encontrado no ponto D. Estão corretas: a) 1, 2, 3, 4 e 5 d) 3, 4 e 5 apenas b) 1 e 2 apenas e) 1 e 4 apenas c) 1, 4 e 5 apenas CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I Prof. Fernandes Epitácio VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência ELEMENTOS DE UM MAPA E EVOLUÇÃO DA CARTOGRAFIA A CARTOGRAFIA- CONCEITO Há um conceito de Cartografia até recentemente aceito, que foi estabelecido pela Associação Cartográfica Internacional (ACI), em 1966, e ratificado pela UNESCO, no mesmo ano: A Cartografia apresenta-se como o conjunto de estudos e operações científicas, técnicas e artísticas que, tendo por base os resultados de observações diretas ou a análise de documentação, se volta para a elaboração de mapas, cartas e outras formas de expressão ou representação de objetos, elementos, fenômenos e ambientes físicos e socioeconômicos, bem como a sua utilização. É praticamente unânime entre os que compõem a comunidade de estudos cartográficos, o estabelecimento de uma divisão conceitual da Cartografia em duas grandes áreas: a Cartografia Sistemática e a Cartografia Temática. A Cartografia Sistemática pode ser entendida como a atividade voltada para a representação do espaço com seus atributos dimensionais e de localização absoluta, através da execução de mapeamentos básicos a partir de levantamentos que podem ser topográficos, Aerofotogramétricos ou apoiados em imagens de satélites. As escolhas da projeção cartográfica, da escala, da simbologia e de outros requisitos necessários a um mapeamento, estão na pauta dos profissionais envolvidos nas atividades que levam à elaboração do mapa-base de um determinado espaço. A Cartografia básica, ou sistemática, que produz um “retrato instantâneo” de um determinado espaço, suporte para o conhecimento do meio físico e dos seus atributos, é o instrumento prioritário quando se pretende atuar de maneira correta em qualquer projeto que venha a envolver parcela maior ou menor desse espaço. A expressão Cartografia Temática, no entendimento de muitos estudiosos do assunto, carrega em si uma controvérsia. Denominar de temática uma representação apenas pelo fato de expor um tema é, para muitos, uma redundância, já que todo mapa representa um tema. Na realidade, a expressão vem sendo usada há muito tempo para dar ênfase às possibilidades de uso dos recursos visuais de maneira direcionada à representação de temas ou dos mais diversos assuntos. Os mapeamentos temáticos são realizados sempre a partir da composição de um mapa-base, ou fundo de mapa, do espaço que se está estudando ou que se pretende abordar. Abrangem a coleta, a análise e a interpretação de dados e informações e a sua consequente representação. Para a Cartografia Temática, é mais importante compreender o conteúdo do tema a ser representado do que a precisão do mapa-base, as suas dimensões e seus componentes de localização. Mas, já que praticamente toda a Cartografia é temática, é importante então discutirmos um pouco sobre o que são os tais temas da Cartografia. A palavra tema significa assunto, matéria, objeto, tópico. Portanto, representar um tema é utilizar-se de uma linguagem para expor uma temática com todas as suas peculiaridades, com todas as suas características qualitativas e quantitativas. Na Geografia, quando falamos em temas, estamos falando de uma vasta gama de assuntos, desde aqueles relacionados ao meio físico ou quadro natural, até àqueles ligados ao homem e às suas relações sócioespaciais. A CARTOGRAFIA- EVOLUÇÃO Talvez não seja um exagero afirmar que, para a humanidade, os conhecimentos cartográficos são imprescindíveis e, até mesmo, vitais. Tanto a historiografia tradicional quanto as abordagens mais modernas em história da Cartografia mostram a utilização das representações cartográficas em diferentes épocas e lugares do mundo por diferentes povos. Na afirmação de Oliveira (1988, p. 17), “todo povo, sem exceção, nos legou mapas”. Portanto, não é algo pretensioso ou exagerado afirmar que a história da Cartografia tem acompanhado pari passu a história da humanidade. E tem sido assim desde o começo; à medida que a humanidade vem implementando seus ciclos de evolução, a Cartografia necessariamente vem sendo feita. É dos babilônios, por exemplo, a autoria do mapa encontrado na localidade de Ga-Sur , considerado por muitos como o mais antigo exemplar da “arte” de representar o espaço. Trata-se de um artefato feito de barro cozido contendo traços que indicam a presença de um rio ladeado por montanhas. A interpretação feita por arqueólogos é que seria uma representação da antiga Mesopotâmia (atual Iraque) e que esse artefato teria entre 2.500 e 4.500 anos de existência. Por isso, é possível assegurar que alguns povos antigos apresentaram desde cedo o desejo de representar o espaço e, para isso, fizeram uso dos recursos de que dispunham, como a argila, o papiro, as peles de animais ou as inscrições rupestres. Estes são exemplos bem claros da importância da representação dos espaços de vivência para a própria sobrevivência dos grupos humanos, especialmente das populações nômades, para as quais o desenho dos itinerários e dos pontos de interesse a eles associados era vital. Na Cartografia antiga da China destaca-se o nome de Pei Hsiu, que viveu entre 223 e 271 d.C. e que em sua obra desenvolveu 22 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) alguns dos mais importantes princípios da Cartografia, como a localização através de quadrículas, a orientação, a escala para a determinação de distâncias, a indicação das altitudes. No século XV, o Almirante da frota imperial chinesa Zheng He (1371-1433) elaborou um mapa náutico com informações sobre as rotas marítimas do Oceano Índico, desde o sul da Ásia até a costa leste africana. O mais interessante é reconhecer que os chineses, muito antes dos europeus darem os primeiros passos na direção da Cartografia científica, alcançaram avanços significativos no processo de mapeamento do seu vasto território. Das antigas civilizações, talvez a que mais tenha contribuído para o desenvolvimento da Cartografia, pela aplicação prática do seu legado no mundo ocidental, tenha sido a civilização grega. Deve-se a ela os conhecimentos básicos da Cartografia atual, incluindose aí a concepção da forma esférica da Terra, a noção de pólos e de círculos máximos da Terra, além da idéia de latitude e longitude, sendo dela também o desenvolvimento das primeiras projeções. Pode-se considerar como decisiva para o desenvolvimento da Cartografia a obra de Eratóstenes de Cirene (276-196 a.C.). Ele, que era filósofo, astrônomo e matemático, foi diretor da Biblioteca de Alexandria e, talvez por isso, teve acesso às medições realizadas pelos egípcios no vale e especialmente no delta do rio Nilo. Essas medições constituíam um verdadeiro cadastro das terras agrícolas, cujas dimensões os governantes precisavam saber com a finalidade de cobrar os percentuais devidos sobre a produção. Assim, podemos afirmar que os egípcios desempenharam um importante papel no desenvolvimento da Geodésia, tendo em vista as suas atividades na área da Agrimensura (método de medir os campos). Essas medições de terras favoreceram depois o cálculo da circunferência da Terra realizado por Eratóstenes de Cirene (276 196 a.C.). Eratóstenes imaginou que Siena ficava no mesmo meridiano de Alexandria e que os 5000 stadia deveriam medir 925 km. Na realidade, as duas cidades ficam em meridianos diferentes e a distância era 886 km. O valor de 46.250km é maior que a circunferência média da Terra. O erro foi de mais ou menos 15%, o que não era nada mau, dada a escassez dos recursos e conhecimentos da época. A Idade Média foi um período da história da humanidade marcado por grande retrocesso na ciência, na cultura e na arte, em função do predomínio de conceitos religiosos e de todo o saber estar subordinado às interpretações bíblicas. No entanto, devemos considerar que esse processo foi mais intenso no mundo cristão. A Cartografia, assim como todas as ciências, teve seu desenvolvimento interrompido, sobretudo na Europa, onde se tornaram comuns representações bem simbólicas do mundo, algumas delas sendo mesmo simulacros de mapas, como o mapa T no O, ou seja, um mapa cujo desenho poderia ser resumido à inserção da letra “t” dentro da letra “o”, tal era o caráter simplório que a Igreja Católica impunha aos que pensavam o espaço de maneira diferente do seu pensamento. Alguns importantes fatores contribuíram para o desenvolvimento da Cartografia após a Idade Média. Um deles foi a redescoberta de Ptolomeu, com a tradução da sua obra Geografia para o latim em 1405. A importância dessa obra para os europeus estava na possibilidade de estudar o mundo na perspectiva de se obter informações que foram sonegadas por séculos aos povos cristãos através dos mapas que continha. Em Portugal, a criação da Escola Náutica de Sagres, em meados do século XV, foi um importante passo para o incremento das viagens marítimas facilitando a ampliação do conhecimento do mundo, permitindo a formação de pilotos, marinheiros e, sobretudo, propiciando avanços científicos na área da cosmografia, o que resultou numa melhor qualidade e segurança nas atividades náuticas. A navegação ganha, assim, um novo método astronômico que permitia uma orientação mais segura, com a introdução de um meridiano graduado nos mapas portulanos, possibilitando a leitura das latitudes, com uso do astrolábio. A redescoberta da bússola nesse mesmo período trouxe um grande impulso à navegação, pelo aumento da segurança no traçado de rumos. É desse período um dos mais importantes nomes da Cartografia mundial: Gerhard Kremer, ou Mercator, como era conhecido. Considerado o pai da Cartografia moderna, Mercator nasceu em 1512 em território flamengo, cursou Geografia, Geometria e Astronomia, sendo, segundo os historiadores, um exímio cartógrafo, tendo desenvolvido estudos importantes que o levaram à elaboração de mapas de inestimável valor e uso prático. O seu grande projeto de confecção de um mapa mundi foi concluído e publicado em 1569, reproduzia as costas da América Central e uma representação mais exata da Ásia incluindo o sudeste desse continente. O destaque desse mapa era o uso da projeção cilíndrica. Não se pode também esquecer a contribuição dos franceses à Cartografia mundial em função dos grandes levantamentos realizados nos séculos XVII e XVIII, sobretudo a medição do meridiano de Paris e do arco do Meridiano de Quito, operações fundamentais para o desenvolvimento da geodésia. A história da Cartografia no século XX está profundamente vinculada ao desenvolvimento científico e técnico das áreas do saber ligadas ao Estado, especialmente à geopolítica. As duas guerras mundiais e os seus desdobramentos geopolíticos, como a Guerra Fria e a corrida espacial, acabaram “favorecendo” ou incrementando as pesquisas destinadas ao mapeamento sistemático de todo o planeta, com o uso de tecnologias como a aerofotogrametria, as imagens de satélite e radar, o computador e todos os avanços a ele vinculados, como a Internet e os Sistemas de Informação Geográfica. O primeiro levantamento aerofotogramétrico realizado no Brasil foi feito pela Força Aérea Americana entre 1942 e 1943, o que facilitou o trabalho do IBGE na elaboração da parte brasileira da Carta do Mundo na escala de 1:1.000.000. No período pós-guerra, vários avanços foram obtidos. A coordenação da Cartografia brasileira foi atribuída ao IBGE, foi criada a Petrobrás em 1953, e em 1954 Aula 3 – Cartografia 23 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência realizou-se em Ribeirão Preto o I Congresso Brasileiro de Geógrafos. CARTOGRAFIA- AS NOVAS TECNOLOGIAS No começo do século XX e, sobretudo, no período entre guerras mundiais, muitos especialistas se beneficiaram da aeronáutica e da fotografia, principalmente os cartógrafos militares. Assim, trechos da superfície terrestre puderam ser cada vez mais bem caracterizados por meio de mapeamentos precisos. Conscientes das grandes possibilidades oferecidas pelos satélites postos em órbita, pesquisadores e militares iniciaram uma série de pesquisas no campo da óptica, da eletrônica, das telecomunicações e no tratamento das informações coletadas. O conjunto dessas técnicas denomina-se sensoriamento remoto, e é um dos principais recursos tecnológicos utilizados pela cartografia moderna. O Sensoriamento Remoto pode ser definido como a detecção de um objeto sem que haja contato físico com ele. Os aviões e os satélites constituem as plataformas mais comuns utilizadas para a obtenção dessas imagens. AEROFOTOGAMETRIA Já no século XIX, outro francês, Aimé Laussedat (1819-1907), dá início às atividades de fotogrametria ao fazer, em 1851, fotografias verticais da Terra a partir de um balão. No século XX, o uso de aviões revolucionou a obtenção de imagens aéreas- denominada de AEROFOTOGAMETRIA. Então, acoplar uma máquina fotográfica em um balão e/ou avião, obtendo imagens verticais do espaço terrestre, de forma remota, representou uma revolução para a cartografia. SATÉLITES A segunda metade do século XX foi marcada por intensas e radicais transformações e revoluções tecnológicas. Na década de 1950, o primeiro satélite artificial, que pode ser definido, de forma simplificada, como uma máquina construída pelo homem para receber e transmitir sinais, foi ao espaço na órbita terrestre. Em 1957, o astronauta soviético Yúri Gagarin ultrapassou os limites até então pensados improváveis e tornou-se o primeiro ser humano a deixar a Terra. Depois, disso, soviéticos e norte-americanos passaram a lançar satélites artificiais, que permitiam fotografar o planeta, recolher e mandar informações sobre a Terra. Com o aperfeiçoamento dos satélites nas décadas seguintes, cientistas obtiveram imagens seguras para precisar os verdadeiros contornos do nosso planeta. Depois disso, os dados levantados e processados pelos satélites foram aplicados em diferentes ciências. O SISTEMA DE POSICIONAMENTO GLOBAL (GPS) Desde muitos anos o homem vem se guiando através de corpos celestes para auxiliar nas navegações, com estes mesmos princípios foram desenvolvidos os sistemas de posicionamento global (global positioning systems - GPS), porém este sistema baseia-se em uma corpo celeste que podem ser controlados para melhor atender os usuários. Estes corpos celestes são os satélites GPS. A tecnologia dos equipamentos GPS atuais são capazes de indicar posições com uma precisão nunca antes imaginada, o que os tornam muito úteis em inúmeras áreas e devido a portabilidade que os equipamentos vêm adquirindo estão ficando cada vez mais fáceis de serem adquiridos por qualquer pessoa. O sistema GPS é conta com uma órbita de 24 satélites posicionados a aproximadamente 20.200 Km, captando as imagens e enviando para um receptor GPS. O desenvolvimento das tecnologias GPS atendeu apenas necessidades militares inicialmente, mas rapidamente as aplicações civis surgiram e atualmente podemos encontrar esta tecnologia auxiliando profissionais de diversas áreas. a) O GPS em aplicações militares A informação precisa sobre a posição global dos soldados norte americanos tornou as operaçõesmilitares muito mais fortes e destruidoras dando uma vantagem enorme sobre seus adversários. b) O GPS na topografia A tecnologia GPS possibilitou na área topográfica talvez o maior número de aplicações, tais como a medição precisa de terrenos, o desenvolvimento de sistemas cartográficos computacionais muito mais funcionais e precisos, o levantamento de mapas de altitudes, medição de ângulos, além de muitas outras. c) O GPS e os transportes Para os usuários comuns a tecnologia GPS veio auxiliar muito na navegação de automóveis traçando as melhores rotas a serem percorridas, procurando locais desconhecidos, etc. Já na navegação aérea e marítima a tecnologia proporcionou fortes mudanças permitindo, por exemplo, que aeronaves sejam guiadas automaticamente desde a decolagem até a aterrissagem. d) GPS até nos esportes Na área dos esportes o GPS também é muito útil, pois em esportes de longas distâncias pode auxiliar no registro de recordes e na apuração dos resultados. São muito utilizados nas corridas de automóveis, balões, barcos e aviões. 24 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) e) Segurança a partir de GPS A tecnologia GPS auxilia na recuperação de carros, celulares e outros bens roubados se equipados com um dispositivo GPS. Além disso o GPS também é útil no monitoramento de veículos de transporte de produtos de altos valores, para evitar que estes veículos sejam desviados das rotas. f) Softwares de auxílio Existem diversos softwares que trabalhando em conjunto com equipamentos gps, estes softwares tem uma enorme utilidade pois combinam informações como posição global, velocidade e aceleração sobre a Terra com algoritmos complexos, podendo fazer diversas aplicações ficando limitado apenas pela imaginação do desenvolvedor. Com a popularização do GPS o usuário tornou-se mais exigente, com isso surgiram tecnologias alternativas para tentar superar as falhas do GPS. Algumas delas são: - GLONASS: É o equivalente russo do GPS. Possui uma alta taxa de erros se comparado ao GPS por ainda estar sendo desenvolvido. Seu número de satélites ainda é pequeno. - COMPASS: O Compass é o equivalente ao GPS chinês. Conta com um enorme número de satélites em operação, fornecendo uma boa precisão e boa cobertura de satélites. O projeto foi desenvolvido para fins militares como no GPS e GLONASS. - GALILEO: É o sistema de posicionamento global europeu. Ao contrário do GPS, GLONASS e Compass, o GALILEO desde o início foi projetado para o uso civil. O sistema ainda está em desenvolvimento e apresentará diversas vantagens em relação aos concorrentes, como uma maior precisão, maior cobertura de satélites e principalmente por ter todos os recursos liberados para o uso civil. A CARTOGRAFIA DIGITAL As novas tecnologias- relacionadas em especial, à informática- mudaram radicalmente o meio de suporte para se fazer mapas, que passou do papel para o meio magnético. Com os sistemas CAM (Computer Aided Mopping), graças ao computador tarefas corriqueiras e mesmos as mais elaboradas foram automatizadas. Essa significativa mudança permite que se produzam maiores quantidades de mapas em intervalos de tempos cada vez menores, com a vantagem da homogeneização das feições cartográficas representadas. Esta automação possibilitou produzir mapas em um período de tempo bem menor. Na era da informação, tecnologias de gerenciamento de dados nos auxiliam a manipular grandes quantidades de dados e informações cartográficas, que podem ser trabalhadas conjuntamente, sem maiores transtornos. GEOPROCESSAMENTO É um conjunto de conceitos, métodos e técnicas que, atuando sobre bases de dados georreferenciados, por computação eletrônica, propicia a geração de análises e sínteses que consideram, conjugadamente, as propriedades intrínsecas e geotopológicas dos eventos e entidades identificados, criando informação relevante para apoio à decisão quanto aos recursos ambientais. SIG- SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA O Sistema de Informações Geográficas – SIG é um conjunto de sistemas de softwares e hardwares capazes de produzir, armazenar, processar, analisar e representar inúmeras informações sobre o espaço geográfico, tendo como produto final mapas temáticos, imagens de satélites, cartas topográficas, gráficos e tabelas. Esses produtos são importantes para a análise de evoluções espaciais e temporais de um fenômeno geográfico e as inter-relações entre diferentes fenômenos espaciais. Uma das principais aplicações do SIG é no planejamento e ordenamento territorial, como o planejamento urbano de uma cidade, o planejamento ambiental, citando como exemplo o controle e o monitoramento do desmatamento na Amazônia. AS REPRESENTAÇÕES CARTOGRÁFICAS Quando falamos em mapa, estamos nos referindo a uma representação em escala geralmente pequena de um espaço geralmente grande. Portanto, o mapa precisa ser elaborado com base em levantamentos que levem e conta a curvatura da Terra, ou seja, tem que adotar um sistema de projeção para representar no plano, uma superfície esférica. Os mapas são feitos para representar um assunto ou tema acerca de um determinado espaço. Assim, cada mapa deve trazer de forma integral o assunto a que se propõe e este não deve continuar em outro mapa. A linguagem dos mapas é constituída em sua maioria por um simbolismo cartográfico convencional, pois o propósito é que o mapa seja usado por um grande público e compreendido pela maioria. Assim como o mapa, uma carta resulta de um levantamento preciso de uma parte da superfície terrestre. Em escalas geralmente de médias a grandes (a escala é grande quando o seu módulo, o número que vem após o 1, é pequeno em geral, Aula 3 – Cartografia 25 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência representam espaços pequenos com muitos detalhes) as cartas apresentam um maior número de detalhes e mesmo representando, às vezes, áreas relativamente pequenas devem ser elaboradas mediante a adoção de um sistema de projeção. Diferente dos mapas, as cartas são elaboradas geralmente em folhas articuláveis, daí porque os seus limites são estabelecidos pelas coordenadas geográficas que circundam cada porção do espaço representado e os seus conteúdos ou assuntos têm continuidade na folha ou carta contígua. Por isso, o simbolismo convencional adotado na elaboração de uma carta, assim como todas as informações como o título, a codificação, o nome da instituição responsável a projeção adotada e a escala vêm fora do quadro de representação, que é aberto ensejando a possibilidade de se recortar as informações que estão fora e se juntar duas ou mais cartas para se ter uma visualização inteira de um determinado aspecto da realidade sócio-espacial. De acordo com o IBGE (1998, p. 8), a planta é uma representação que “se restringe a uma área muito limitada e a escala é grande e consequentemente o número de detalhes é bem menor”. Uma diferença básica entre a planta e as cartas e mapas é a sua escala, que é muito grande devido à destinação do documento para representar em detalhes pequenos espaços. Por isso, na planta não é necessário adotar um sistema de projeção, ou seja, o espaço é representado como se fosse plano. As plantas, em geral, são feitas em uma única folha, mas, dependendo da área e dos detalhes a representar, pode ser desenhada em mais de uma folha. AS ISOLINHAS Os mapas em isolinhas são os mais indicados para representar fenômenos geográficos que ocorrem no espaço de forma contínua, ou seja, sem respeitar as unidades político-administrativas. Isolinha significa linha que une pontosde igual valor. As principais isolinhas são: a) Isóbara: Unem pontos de mesma pressão; b) Isoterma: Unem pontos de mesma temperatura; c) Isoígra: Unem pontos de mesma umidade; d) Isoípsa: Unem pontos de mesma altitude; e) Isóbata: Unem pontos de mesma profundidade; f) Isalcina: Unem pontos de mesma salinidade. OS ELEMENTOS DE UM MAPA Os mapas, como sabemos, formam um importante meio de comunicação, pois são os instrumentos utilizados para a representação de um dado local no espaço, transmitindo não só a localização, mas também as características diversas e previamente selecionadas sobre o lugar em questão. Dessa forma, para facilitar a leitura e melhor transmitir as informações, existem alguns itens que são de extrema importância para que o cartograma seja mais facilmente lido: trata-se dos elementos que compõem um mapa, aqueles que estão presentes na maioria dos mapas produzidos, servindo como instrumentos de leitura e análise. Os elementos que compõem um mapa, ou seja, as partes obrigatórias dos mapas, são: o título (e, às vezes, o subtítulo), as legendas, a escala, a orientação e a projeção cartográfica utilizada para a produção do referido documento. A seguir, poderemos observar um exemplo de mapa, disponibilizado pelo Atlas Geográfico Escolar do IBGE. O título do mapa indica o tema ou assunto, bem como informações gerais como localidade, tempo (em caso de mapas históricos ou com precisão temporal necessária), além de qualquer outro tipo de informação que possa ser relevante para a compreensão daquilo que está sendo representado. É a primeira coisa que uma pessoa deve observar ao ler um mapa. A legenda, por sua vez, é a especificação do significado atribuído aos símbolos presentes nos mapas. Esses podem apresentar-se em forma de ícones, cores, áreas, entre outras formas de representação. Alguns exemplos são clássicos, como um avião utilizado para representar um aeroporto, o azul utilizado para designar água ou curso d'água, além do verde utilizado na indicação de uma área de vegetação. No exemplo acima, o mapa utiliza uma sequência de cores para representar as diferentes 26 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) altitudes e profundidades do relevo da Europa. A orientação cartográfica indica os pontos cardeais que são necessários para que o leitor tenha uma correta noção da posição relativa da área indicada no mapa. Geralmente, ela apresenta-se nos mapas com uma seta apontando para o norte (N), mas também pode ser indicada por uma rosa dos ventos. A escala, outro importante elemento, é a proporção matemática entre a área real e a sua respectiva representação cartográfica. Existem dois tipos de escala, a numérica e a gráfica, ambas presentes no exemplo do mapa acima. Já a projeção cartográfica, geralmente indicada no mapa pelo seu nome (no exemplo acima é uma projeção ortográfica), é a forma ou a base cartográfica que o autor do mapa utilizou para representar uma parte da Terra, que é esférica, em um plano. Assim, o autor deve sempre escolher o tipo de projeção cartográfica que menos prejudicar o seu trabalho em termos de distorções do espaço representado. TRABALHANDO COM ESCALAS Escala é uma relação matemática existente entre as dimensões (tamanho) verdadeiras de um objeto e sua representação (mapa). Essa relação deve ser proporcional a um valor estabelecido. Sejam: D = Comprimento tomado no terreno, que é a distância real natural. d = Comprimento homólogo no desenho, que é a distância prática. Como as linhas do terreno e as do desenho são correspondentes, o desenho que representa o terreno é uma figura semelhante à dele. Dessa forma, a razão ou relação de semelhança é dada por d/D. A essa relação chamamos escala. Dessa forma, nós podemos definir escala como a relação existente entre as dimensões das linhas de um desenho e as suas homólogas no papel: A cartografia trabalha somente com uma escala de redução, ou seja, as dimensões naturais sempre se apresentam nos mapas de forma reduzida. Normalmente, quando nos referimos à escala de um mapa, estamos falando basicamente de dois tipos de escalas: a escala gráfica e a escala numérica. Agora, vamos mostrar de uma forma bem clara o que significam esses termos. ESCALA GRÁFICA A escala gráfica é representada por uma linha reta graduada. Cada intervalo da reta graduada no mapa corresponde a 1 cm, que nesse exemplo representa 10 km no terreno. A escala gráfica é mais simples que a numérica, pois nela não há necessidade de conversão de cm (centímetro) para km (quilômetros). A escala já demonstra quantos quilômetros corresponde cada centímetro. ESCALA NUMÉRICA A escala numérica é representada por uma fração, na qual o numerador corresponde à distância no mapa (1 cm), e o denominador corresponde à distância real, aquela que nós medimos no terreno. Temos então algumas maneiras de representar isso de forma escrita, são elas, por exemplo: Como você pode observar nos três casos mostrados anteriormente, podemos ler a escala da seguinte forma: um para cem mil, o que significa dizer que a distância real no terreno sofreu uma redução de 100.000 vezes para ser representado no papel, nosso objetivo quando estamos desenhando um mapa. E por que fazemos isso? Logicamente, porque é impossível representar os objetos ou fenômenos estudados em seu tamanho real. Nesse exemplo de escala numérica, a fração tem o seguinte significado: TRABALHANDO COM CURVAS DE NÍVEL Curvas de nível são curvas planas que unem pontos de igual altura, são o resultado da interseção da superfície física que é o terreno com planos paralelos ao plano de comparação. A distância vertical que separa duas seções horizontais consecutivas deve ser constante e é denominada de eqüidistância numérica ou simplesmente eqüidistância entre curvas de nível. Características essenciais das curvas de nível na representação do relevo • Para facilitar a leitura e a identificação de cada curva, adota-se o sistema de apresentar, dentro de um mesmo sistema ou intervalo altimétrico, determinadas curvas por um traço mais espesso. Tais curvas são chamadas "mestras", e as outras, finas, denominam-se "intermediárias". Há, ainda, as curvas "auxiliares". • Toda curva de nível fecha-se sobre si mesma, dentro ou fora dos limites do papel que representa o mapa no qual se está trabalhando. • Duas curvas de nível jamais se cruzarão. • Várias curvas de nível podem chegar a ser tangentes entre si, como no caso em que o terreno é representado por uma rocha aflorante. • Uma curva de nível não pode se bifurcar. • Terrenos planos apresentam curvas de nível mais espaçadas; em terrenos acidentados as curvas de nível encontram-se mais próximas umas das outras. Aula 3 – Cartografia 27 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 Sabendo-se que em um mapa a distância linear entre duas cidades é de 9,3cm e que a distância real entre as duas cidades é de 6.975Km. A escala gráfica adequada ao mapa é de: a) 7,5 0 7,5 15,0 22,5 30,0 m !_____ !_____!_____ !____ _!_____ ! b) 75 0 75 150 225 300 Km !____ _!_____!_____ !___ _!_ __! c) 75 0 75 150 225 300 m !____ _!_____!___ __!____ _!_____! d) 750 0 750 1500 2.250 3.000 Km !_____!_____!_____!_____!_____! Questão 02 Em uma prova de orientação uma equipe recebeu a seguinte instrução: deveriam seguir em direção Norte-Sul, a partir deum ponto A, paralelamente a um rio até chegar a um ponto B. Desse ponto B, seguiria em linha reta à direção Leste-Oeste até um ponto C, percorrendo 5Km. Finalmente, do ponto C retornaria ao ponto A, formando em C um ângulo de 60°. Pergunta-se: Qual a direção tomada de C para A? Qual a distância total, aproximada, percorrida pela equipe? Sabendo que a prova tem duração máxima de 90minutos, qual a velocidade que deverá ser desenvolvida para a conclusão da prova? Considerar que o Seno de 60°= 0,87. a) Noroeste, 24 km, 24 km/h d) Sudoeste, 16 km, 24 km/h b) Nordeste, 24 km, 16 km/h e) Noroeste, 24 km, 16 km/h c) Sudeste, 16 km, 24 km/h Questão 03 OBSERVE: 1. Cartografia é a arte de representação gráfica da superfície da Terra, em parte, ou no seu todo, de acordo com a escala. 2. A representação de uma superfície esférica, num plano (a exemplo do mapa), traz forçosamente deformações que podem ser de distâncias, de áreas e de ângulos. 3. Nos mapas de grandes escalas, as deformações são muito sensíveis, enquanto nas cartas de pequenas escalas as deformações se tornam cada vez menos importantes. 4. As curvas de nível são linhas imaginárias que ligam os pontos situados na superfície da Terra a igual altitude. 5. Em toda elevação as cotas das curvas de nível diminuem da periferia para o centro, segundo uma proporção constante. Estão corretos apenas os itens: a) 1, 2 e 3; b) 2, 3 e 4; c) 1, 2 e 4; d) 3, 4 e 5; e) 2, 3 e 5; Questão 04 Indique o perfil topográfico que corresponde à linha xy na figura a seguir. Anotações 28 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) Questão 05 Responder à questão com base nos mapas e afirmativas a seguir. I. Os dois são mapas políticos e estão representados na mesma escala. II. A distância gráfica entre dois pontos no mapa 2 é maior que a distância entre esses mesmos pontos no mapa 1. III. A escala do mapa 1 é maior que a escala do mapa 2. IV. O denominador da escala do mapa 2 é maior, pois está mais reduzido. V. Nas duas escalas, um centímetro do mapa corresponde à mesma quantidade de quilômetros na área real. A análise das afirmativas relacionadas aos mapas permite concluir que está correta a alternativa a) I, II e III b) II e III c) III e IV d) III, IV e V e) IV e V Questão 06 Sobre um mapa, na escala de 1:500.000, tenciona-se demarcar uma reserva florestal de forma quadrada apresentando 7 cm de lado. A área da reserva medirá no terreno a) 12,25 km2. b) 1.225 km2. c) 12.250 km2. d) 122,5 km2. e) 12.255 km2. Questão 07 Responder à questão com base na figura que representa uma área da cidade do Rio de Janeiro e nas afirmativas. As afirmativas estão relacionadas à figura acima. I. As linhas traçadas no mapa são isoípsas, sendo que quanto mais próximas estiverem mais abrupto se apresenta o relevo. II. Trata-se de um conjunto de isoietas, onde as menores altitudes correspondem ao nível do mar. III. São duas elevações representadas na direção norte-sul, sendo que o Morro da Urca possui as altitudes mais baixas. IV. Entre as duas elevações existentes, na direção leste-oeste, encontra-se uma depressão relativa. Pela análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas as da alternativa a) I e II b) I e III c) I e IV d) II, III e IV e) II e IV Anotações Aula 3 – Cartografia 29 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Questão 08 Considere o trecho de uma bacia hidrográfica apresentado adiante: Assinale a alternativa que contém o conjunto de características identificáveis no trecho apresentado. a) Direção do rio Noroeste-Sudeste e maior capacidade erosiva dos rios da margem direita. b) Direção do rio Nordeste-Sudoeste e maior capacidade erosiva dos rios da margem esquerda. c) Direção do rio Noroeste-Sudeste e tendência à formação de meandros nos rios da margem esquerda. d) Drenagem do tipo exorréica e tendência à formação de extensas várzeas nos rios da margem esquerda. e) Drenagem do tipo endorréica e maior capacidade erosiva dos rios da margem direita. Anotações 30 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 A cartografia pode utilizar mapas de diferentes escalas. Considerando que o mapa A possui escala de 1:5.000 e o mapa B, escala de 1:15.000, assinale a alternativa correta. a) No mapa A, 2 centímetros correspondem a 10.000 metros na superfície terrestre. b) No mapa B, 1 centímetro corresponde a 1.500 metros na superfície terrestre. c) O nível de detalhe do mapa A é três vezes superior ao do mapa B. d) O nível de detalhe do mapa B é três vezes superior ao do mapa A. e) O nível de detalhe não é estabelecido pela escala de um mapa. Questão 02 Esse sistema foi projetado para fornecer o posicionamento instantâneo e a velocidade de um ponto na superfície terrestre ou próximo dela, através das coordenadas geográficas. O apoio técnico ao sistema é dado por uma constelação de 24 satélites distribuídos por 6 órbitas em torno da Terra. Pode ser aplicado em vários ramos de atividade, em que a localização geográfica é uma informação necessária. Foi originalmente concebido para ser utilizado na navegação aérea, marítima e terrestre. Tornou-se importante instrumento para a realização de levantamentos topográficos e geodésicos, demarcação de fronteiras, unidades de conservação e de terras indígenas e implantação de eixos rodoviários, além do monitoramento de caminhões de carga, carros ou qualquer tipo de transporte. O texto refere-se ao processo de localização por a) Aerofotogrametria. b) ENSO. c) Projeção de Mercator. d) Representação Cartográfica Tridimensional. e) Sistema de Posicionamento Global – GPS. Questão 03 Considere os exemplos das figuras e analise as frases abaixo, relativas às imagens de satélite e às fotografias aéreas. I. Um dos usos das imagens de satélites refere-se à confecção de mapas temáticos de escala pequena, enquanto as fotografias aéreas servem de base à confecção de cartas topográficas de escala grande. II. Embora os produtos de sensoriamento remoto estejam, hoje, disseminados pelo mundo, nem todos eles são disponibilizados para uso civil. III. Pelo fato de poderem ser obtidas com intervalos regulares de tempo, dentre outras características, as imagens de satélite constituem-se em ferramentas de monitoramento ambiental e instrumental geopolítico valioso. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) II, apenas. c) II e III, apenas. d) I e III, apenas. e) I, II e III. Questão 04 Sobre questões cartográficas é correto afirmar que: a) o sistema de coordenadas geográficas se estabelece através da rede de paralelos e meridianos que constituem, respectivamente, longitudes e latitudes b) os mapas unitemáticos tendem a reproduzir todas as características do espaço geográfico cartografado c) os mapas pedológicos, geológicos e de isoietas tratam, respectivamente, de solos, relevos e condições térmicas d) o maior ou menor detalhamento sobre a superfície a ser cartografada depende da escala a ser adotada no mapeamento. Questão 05 Considerando a figura a seguir, que representa esquematicamente uma região da superfície terrestre por meio de curvas de nível e onde estão situadas as localidades x e y, é correto afirmar: (Figura extraída de SGARBI, G .N .C.; CARDOSO, R. N. PRÁTICA DE GEOLOGIA INTRODUTÓRIA. Belo Horizonte:Editora UFMG, 1987. p. 59.) 01) A área que está representada é uma planície em que o desnível topográfico não ultrapassa 100 metros. 02) Os pontos mais baixos da área representada na figura estão na porção norte. 04) As altitudes máximas da área estão representadas pela curva de nível de 1.000 metros. 08) Entre as localidades x e y existem duas elevações, separadas por uma área mais baixa com altitude inferior a 600 metros. 16) As curvas de nível, além de representar os desníveis, permitem também inferir as formas de relevo do terreno. Questão 05 Analise as afirmativas a seguir, que se referem a aspectos de natureza cartográfica. I. As fotografias aéreas e as imagens de satélite constituem recursos técnicos de sensoriamento remoto, utilizados no mapeamento do espaço geográfico. II. As isoietas são linhas que unem pontos altimetricamente iguais e servem para representar as variações existentes no relevo submarino. III. As representações cartográficas de rochas, relevo e solos resultam, respectivamente, em mapas geológicos, geomorfológicos e pedológicos. De acordo com as afirmativas acima, assinale a opção correta. a) Apenas II é verdadeira. b) Apenas III é verdadeira. c) Apenas I e II são verdadeiras. d) Apenas I e III são verdadeiras. e) I, II e III são verdadeiras. Aula 3 – Cartografia 31 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Questão 07 Considere duas localidades A e B. A localidade A está situada a A cartografia temática pode ser utilizada para representar aspectos geoambientais da superfície terrestre. Assinale a alternativa que contém a denominação correta dos mapas de solo e de relevo. a) Geológico e geomorfológico. b) Pedológico e litológico. c) Mineralógico e hipsométrico. d) Pedológico e geomorfológico. e) Hipsométrico e litológico. Questão 08 O sensoriamento remoto é uma técnica utilizada pela Cartografia para analisar e interpretar o espaço geográfico. Marque a alternativa que indica corretamente o material utilizado por esta técnica. a) Telescópio, bússola e clinômetro. b) Astrolábio, satélites e altímetro. c) Fotos aéreas, imagens de radar e de satélites. d) Cartas marítimas, cartas náuticas e radares. e) Termógrafos, bússolas e curvímetros. Questão 09 "A cartografia pode ser entendida como uma disciplina que abrange o desenvolvimento científico e a melhoria de técnicas usadas na comunicação dos dados relacionados espacialmente." (SMALL, J.; WITHERICK, M. Dicionário de geografia. Lisboa: Dom Quixote, 1992.) Sobre o tema, é correto afirmar: 01) O bom uso da linguagem cartográfica compreende a capacidade de entendimento dos símbolos utilizados na representação dos fenômenos geográficos. 02) A indicação da escala utilizada é indispensável para a leitura adequada de produtos cartográficos. 04) O traçado de curvas de nível, ou isoípsas, é um dos recursos cartográficos utilizados para representar o relevo terrestre. 08) Na projeção cartográfica de Mercator, a superfície terrestre é representada sobre um cone imaginário. 16) Quanto menor a escala de uma representação cartográfica, maiores e mais visíveis serão os detalhes de cada fenômeno representado. Questão 10 A figura representa o palco da guerra entre a coalisão Anglo- Americana e o Iraque. Usando as referências contidas na figura e considerando que a distância entre o centro de Bagdá e o limite do último círculo fosse de 5 cm, a escala do mapa seria a) 1: 160 000 000. b) 1: 53 000 000. c) 1: 20 000 000. d) 1: 15 000 000. e) 1: 3 200 000. Questão 11 Observe alguns critérios técnicos para instalação de aterro sanitário para destinação final de resíduos sólidos domiciliares em áreas urbanas e o croqui de uma área hipotética. Considerando as informações apresentadas, o local mais adequado para a instalação de um aterro sanitário nessa cidade é o ponto a) A, localizado a nordeste da rede de drenagem, ao norte do horto municipal e na porção oriental do aeroclube. b) B, localizado a oeste do aeroclube, a nordeste do horto e na porção setentrional do bairro residencial. c) C, localizado ao norte da rodovia, a nordeste do horto e a leste da área de solo argiloso. d) A, localizado na porção setentrional do horto, a oeste do aeroclube e a noroeste do bairro residencial. e) C, localizado a noroeste do bairro residencial, a nordeste do horto e na porção meridional do solo argiloso. Questão 12 Considere as afirmações abaixo, sobre o Sistema de Posicionamento e Navegação Global, mais conhecido pela sigla em inglês GPS. 32 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) I. O sistema é composto por três segmentos: espacial (os satélites em torno da Terra); controle terrestre (estações de monitoramento e recepção na superfície) e usuários (através de aparelhos receptores exclusivos ou incorporados em outros). II. O desenvolvimento do sistema de telefonia móvel (celular) foi o grande impulsionador para a criação de GPSs, uma vez que, sem smartphones, esses sistemas provavelmente não existiriam ou teriam aplicação extremamente limitada. III. Os satélites de GPS possuem órbita fixa e sua disposição permite ao aparelho, na mão do usuário, captar informação de, pelo menos, quatro deles, permitindo assim o cálculo das coordenadas geográficas. Quais estão corretas? a) Apenas I. d) Apenas II e III. b) Apenas II. e) I, II e III. c) Apenas I e III. Questão 13 A escala indica a proporção em que um mapa foi traçado, em relação ao objeto real, e varia de acordo com as finalidades desse mapa. Sobre as escalas utilizadas nos mais diferentes tipos de mapas, podemos afirmar que I. em um mapa com escala de 1: 25.000.000, a distância de 8 cm no mapa corresponde à distância real de 2.500 km. II. uma escala de 1:1.000.000 é considerada uma escala grande e é muito utilizada para obter, em um mapa, informações bem detalhadas de um dado lugar. III. quanto maior a escala de um mapa, menor será a área que ele representa, e menos evidente será a projeção cartográfica utilizada na confecção do mapa. IV. a escala gráfica pode ser apresentada em diferentes unidades de medida e a escala numérica, quando estiver com a unidade de medida omitida, estará em centímetros. Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas. a) I e II b) I e III c) II e III d) II e IV e) III e IV Questão 14 A imagem abaixo corresponde a um fragmento de uma carta topográfica em escala 1:50.000 Considere que a distância entre A e B é de 3,5 cm. A partir dessas informações, é correto afirmar que: a) O rio corre em direção sudeste, sendo sua margem esquerda a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 17.500 metros. b) O rio corre em direção sudoeste, sendo a margem direita a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 1.750 quilômetros. c) O rio corre em direção sudeste, sendo sua margem esquerda a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 1.750 metros. d) O rio corre em direção sudoeste, sendo sua margem esquerda a de maior declividade. Apresenta um comprimento total de 175 metros. CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I Prof. Fernandes Epitácio VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS E OS FUSOS HORÁRIOS AS PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS A superfície da Terra tem uma forma esféricae quando desenhamos um mapa estamos fazendo um recorte de uma porção dessa superfície, o que nos permite fazer a representação cartográfica em papel ou em um arquivo digital, ou seja, numa superfície plana. Dessa forma, temos o mundo real reduzido a pontos, linhas e áreas representadas por uma variedade de recursos visuais, tais como tamanho, textura ou padrão, cor, orientação e, principalmente, a forma, definida pela sua projeção. O grande problema da Cartografia consiste em transformar uma superfície esférica num plano, para que possa ser representado em documentos cartográficos, pois, como sabemos, a esfera é um sólido não-desenvolvível, isto é, não-achatável ou não planificável. Assim, sempre que achatarmos uma esfera, necessariamente ela sofrerá alterações ou deformações. Os sistemas de projeções cartográficas foram desenvolvidos para dar uma solução a esse problema da transferência de uma imagem da superfície curva da esfera terrestre para um plano da carta, o que sempre vai acarretar deformações. Os sistemas de projeções constituem- se de uma fórmula matemática que transforma as coordenadas geográficas, a partir de uma superfície esférica (elipsoidal), em coordenadas planas, mantendo correspondência entre elas. A escolha do sistema de projeção depende de uma série de fatores. Existem alguns que se adequam melhor do que outros, a depender da finalidade, ou que oferecem a vantagem de uma construção simples e rápida. Entretanto, para os cartógrafos, nenhum deles pode ser considerado ideal para resolver esse grande desafio da Cartografia que é eliminar completamente as distorções quando se passa de um sistema a outro. Assim, a solução parcial, que seria a adoção de um sistema de projeção, é sempre usada. PROJEÇÕES CILÍNDRICAS A projeção cilíndrica resulta da projeção dos paralelos e meridianos sobre um cilindro envolvente, que é posteriormente desenvolvido (planificado). Esse tipo de projeção: • apresenta os paralelos retos e horizontais e os meridianos retos e verticais; • acarreta um crescimento (deformação) exagerado das regiões de elevadas latitudes; • é o mais utilizado para a representação total da Terra (mapas mundi). 34 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) A PROJEÇÃO CILÍNDRICA DE MERCATOR E PETERS A projeção de Mercator é, tecnicamente, uma projeção cilíndrica em que todos os meridianos são linhas retas perpendiculares ao Equador e às suas linhas de latitude. Entretanto, à medida que se dirige aos polos, as distorções aumentam drasticamente. Essa projeção não foi elaborada para simples representação do mundo, mas serviria a finalidades práticas da navegação. No mapa de 1569 de Mercator, as linhas que são representadas por segmentos de reta que, à superfície da Terra, fazem um ângulo constante com os meridianos são, também, linhas de rumo constante, ou loxodrômicas. Na projeção de Mercator, as formas são preservadas e as áreas são distorcidas. Observando sua projeção verifica-se um aumento da área relativa, conforme nos afastamos do Equador. Assim, as regiões de altas latitudes apresentam dimensões maiores que as reais. Nessa projeção a Europa foi supervalorizada, sendo colocada na porção de cima e na parte central, demonstrando um caráter Geopolítico. A projeção de Mercator constituiu um avanço na cartografia náutica do século XVI. Contudo, apareceu antes do tempo, já que as limitações inerentes aos métodos de navegação então praticados impediam o seu uso efetivo. Dois problemas principais concorriam para tal: a impossibilidade de determinar a longitude no mar e o fato de se utilizar as direções magnéticas indicadas pela bússola em vez das direções geográficas. A partir de 1955, Conferencia de Bandung (Indonésia), quando países africanos e asiáticos adotaram uma política de neutralidade diante da Bipolaridade Mundial, surgiu o Terceiro Mundo, onde uma grande parte dos países subdesenvolvidos se encontram e as disparidades socioeconômicas entre o Primeiro Mundo e eles se tornam mais visíveis. Assim, a geografia crítica de Yves Lacost, desenvolvida em meados dos anos 1950, avanços científicos dão suporte a protestos globais contra as profundas desigualdades sociais. A cartografia, enquanto arte de representação do espaço geográfico, passou a apresentar uma representação na qual ficaria latente as desigualdades entre os países. Foi em 1973 que o alemão Arno Peters, por manter a proporcionalidade das áreas, passa, segundo alguns analistas, uma ideia de igualdade, valorizando as nações pobres e quebrando a visão de superioridade das nações ricas situadas no hemisfério norte. Essa interpretação ficou conhecida como terceiro-mundista. PROJEÇÃO CÔNICA A projeção cônica resulta da projeção do globo terrestre sobre um cone, que posteriormente é planificado. Esse tipo de projeção: • apresenta paralelos circulares e meridianos radiais, isto é, retas que se originam de um único ponto; • é usado principalmente para a representação de países ou regiões de latitudes intermediárias, embora possa ser utilizado para outras latitudes. PROJEÇÃO AZIMUTAL-POLAR A projeção azimutal resulta da projeção da superfície terrestre sobre um plano a partir de um determinado ponto (ponto de vista). De acordo com Erwin Raisz (famoso cartógrafo americano), as projeções azimutais são de três tipos: polar, equatorial e oblíqua. Elas são utilizadas para confeccionar mapas especiais, principalmente os náuticos e aeronáuticos. A projeção azimutal ou plana é usada para retratar áreas pequenas, também apresentando deformações quanto mais afastado do ponto central. Ela é feita com base em um círculo reto em direção ao globo. Aula 4 – Projeções e Fuso Horários 35 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência O SURGIMENTO DOS FUSOS HORÁRIOS A criação dos fusos horários está intimamente ligada às necessidades do sistema capitalista globalizado, pois caso contrário o funcionamento das atividades comerciais e financeiras entre cidades seriam comprometidas, já que apresentariam horários diferentes complicando a organização e execução de tarefas. Uma situação como essa só não aconteceu no passado, antes de se estabelecer uma ordem para a determinação geográfica das horas de um dia, porque a população do mundo era muito pequena e também porque as atividades econômicas não eram dinâmicas e a mobilidade da população entre os lugares, precária. Esse assunto, mais relacionado com a Astronomia, foi absorvido pela Geografia, em função da influência que exerce sobre a vida das pessoas, especialmente, após o surgimento da ferrovia, do telégrafo e da aviação. Desde os egípcios, a preocupação com a contagem das horas é parte do nosso cotidiano. Até meados do século XIX, não havia um referencial único para a determinação das horas. Cada lugar estabelecia uma hora a ser respeitada pelos seus habitantes e certamente pelos seus visitantes, o que provavelmente causava embaraço e desconforto. No passado, antes do século XIX, as horas marcadas baseavam-se no movimento aparente do sol. A hora de uma localidade era acertada ao meio-dia, momento em que o sol estivesse a pino, ou seja, iluminando perpendicularmente o meridiano que passava naquela localidade. Como meio de transporte, o trem não era tão rápido, mas tinha a possibilidade de percorrer grandes distâncias e a locomoção das pessoas entre lugares com horas bem diferentes tornou-se comum. Nos Estados Unidos, onde as ferrovias atravessavam longos percursos no sentido Oeste-Leste, chegou-se a ter cerca de 300 horas oficiais diferentes ao longo das estradas de ferro. Na Grã-Bretanha, a preocupação não era menor e na década de 1830 os ingleses estabeleceramuma única hora legal para o país, medida pelo Observatório Real de Greenwich, que fora construído em 1675 por ordem do Rei Charles II, assim, por volta de 1855, com as companhias férreas adotando um sistema uniforme de horas, a Inglaterra conseguiu organizar seu fuso horário, facilitando a circulação de pessoas, serviços e mercadorias. Para padronizar a hora internacional foi realizada a Conferência Internacional do Meridiano, no ano de 1884. Nesse evento, realizado em Washington (EUA), definiu-se um meridiano que seria o ponto zero, servindo de padrão para todas as nações mundiais, criando os fusos horários. Assim, por votação, estabeleceu-se que o Meridiano Zero passaria no Observatório Astronômico de Greenwich, na Inglaterra, próximo a Londres. Isto é, o Meridiano de Greenwich passa a ser a referência da hora oficial mundial, a chamada hora GMT (Greenwich Mean Time). A partir de então definiu-se os seguintes regulamentos: • A Terra possui 360° de esfera terrestre com o tempo de duração do movimento de rotação de 24 horas (valor arredondado). Logo, 360° ÷ 24h = 15º por hora. Portanto, a cada 15° no movimento de rotação tem-se uma hora. • O fuso horário referência, de Greenwich, tem a extensão de 7°30’ a leste e 7°30’ a oeste. • São, ao todo, 24 fusos horários. 12 ao Oeste e 12 ao Leste de Greenwich. • Para identificação da mudança dos fusos horários, adotou-se os sinais de “+ (mais)”, indicando as horas adiantadas, e “– (menos)“, indicando as horas atrasadas, sempre em relação a Greenwich. • Os fusos horários situados a Leste são adiantados em relação a Greenwich, enquanto que os fusos a Oeste estão atrasados. Isso acontece porque a Terra gira de Oeste para Leste, ou seja, o Sol “nasce” a Leste indo em direção ao Oeste. A hora real ou solar é a hora definida pela passagem do Sol sobre o meridiano de um lugar. Como sabemos, a Terra conceitualmente é dividida em hemisférios. O Equador divide a Terra em 36 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) hemisférios Norte e Sul e o meridiano de Greenwich divide a Terra em hemisférios Leste e Oeste. Neste último sentido, temos 360 meridianos de 1 grau de longitude. Cada grau é dividido em 60 minutos que, por sua vez, se dividem em 60 segundos. A Linha Internacional de Data (LID) ou linha internacional de mudança de data é um traço imaginário na superfície situado no lado aposto ao meridiano de Greenwich – no meridiano 180º – e que determina a mudança de data. A convenção do meridiano oposto ao de Greenwich – 12 horas depois – como marco para o início do dia ocorreu em 1884, em uma conferência que reuniu representantes de todo o mundo. A última mudança para ajuste de localidades ocorreu em 2011 para acomodações cartográficas em Samoa e Tokelau. Essa linha segue a rota do Sol, nascendo a Leste (ganha um dia) e pondo-se a Oeste (perde um dia). Devido à grande extensão longitudinal (leste-oeste), o Brasil apresenta mais de 1 fuso horário em seu território (Em 2013, a Lei 12.876 restabeleceu o quarto fuso horário para o Estado do Acre e a parte ocidental do Estado do Amazonas). Esses fusos estão atrasados em relação ao Meridiano de Greenwich. Assim, se forem consideradas as ilhas oceânicas brasileiras, chega-se à conclusão de que o Brasil possui quatro fusos horários, todos atrasados em relação a Greenwich, já que o País está situado totalmente no hemisfério ocidental. No primeiro fuso horário brasileiro, atrasado duas horas em relação a Greenwich, estão situadas somente as nossas ilhas oceânicas (Fernando de Noronha, Penedos de São Pedro e São Paulo, Trindade, Martim Vaz e Atol das Rocas). O segundo fuso horário é o mais importante, pois abrange a porção com maior concentração de população e a mais importante Aula 4 – Projeções e Fuso Horários 37 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência economicamente. Atrasado três horas em rela-ção a Londres, constitui a hora legal do Brasil (hora de Brasília) e nele estão situados todos os Estados brasi-leiros litorâneos e mais os Estados interioranos de Minas Gerais, Goiás e Tocantins. O estado do Pará que antes era dividido em 2 fusos horários diferentes, desde 2008 encontra-se totalmente neste fuso. O terceiro fuso horário brasileiro, atrasado uma hora em relação a Brasília, compreende os Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Amazonas (exceto seu extremo oeste) e Roraima. O quarto e mais novo fuso horário do Brasil, em vigor desde 10/11/2013, encontra-se cinco horas atrasado em rela-ção a Londres e duas horas de Brasília, compreende o Acre e o extremo oeste do Estado do Amazonas. O HORÁRIO DE VERÃO O horário de Verão, também conhecido como Daylight Saving Time (DST), refere-se à prática de avançar os relógios para maximizar a utilização da luz solar e economizar a energia utilizada em eletricidade. Esta prática é popular em alguns países, incluindo os Estados Unidos e Grã-Bretanha. Os defensores do horário de Verão acreditam poder usar a luz do dia adicional para diversas atividades de lazer. Além disso, as lojas também beneficiam desta prática pois o seu consumo elétrico é diminuído. A primeira menção à ideia de um horário de Verão, surgiu por Benjamim Franklin em 1784, mas a sua ideia não recebeu qualquer receptividade, quer dos governos, quer da sociedade científica. Aquela que pode ser considerada como a primeira proposta oficial da sua criação só apareceu mais de um século depois, em 1895. O autor dessa proposta foi George Vernon Hudson, um entomologista da Nova Zelândia que, enquanto fazia as suas pesquisas, se apercebeu do valor da luz do dia no seu trabalho, que era examinar o comportamento dos insetos. Dois anos depois, em 1898, Hudson voltou à carga publicando mais uma pesquisa que iria apoiar as suas reivindicações sobre o horário de Verão. O primeiro país a utilizar o horário de Verão foi a Alemanha, em 1916, mas apenas tomou essa decisão para poupar carvão, que era essencial para a sua intervenção na 1ª Guerra Mundial. Um dos benefícios do horário de Verão é a redução do uso de eletricidade, mas apenas tem sentido ser aplicado em países que estejam distantes da linha do equador, uma vez que os países próximos, no verão, têm noites bastante curtas e dias muito longos. O horário de verão foi adotado no Brasil pela primeira vez em 1931 e, em geral, adiantavam-se as horas em todo o país. Após a constatação de que em alguns estados os seus efeitos eram insignificantes, nos últimos anos, a adoção do horário de verão no Brasil é seletiva, atingindo apenas as regiões onde, de fato, se pode economizar energia elétrica 38 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 A ONU faz referência a uma projeção cartográfica em seu logotipo. A figura que ilustra o modelo dessa projeção é: a) b) c) d) e) Questão 02 Na última etapa de uma competição aeronáutica internacional, uma equipe formada pelos aviões A e B tem a seguinte tarefa para realizar: o avião A deverá sair às 13 horas (hora local) da cidade de Vila dos Remédios (Fernando de Noronha-PE), com destino à cidade de Manaus-AM; o avião B somente poderá sair da cidade de Vila dos Remédios após a chegada do avião A em Manaus. Para realizar esta tarefa, os pilotos receberam as seguintes informações técnicas: a cidade de Vila dos Remédios está localizada no 1° fuso horário do Brasil, a cidade de Manaus está localizada no 3°fuso horário do Brasil e o tempo de vôo entre as duas cidades tem a duração de 8 horas. Com base no exposto acima, assinale a alternativa que contém, respectivamente, o horário da chegada do avião A em Manaus e o horário da saída do avião B de Vila dos Remédios. a) 15h e 17h b) 19h e 21h c) 21h e 19h d) 21h e 22h e) 21h e 23h Anotações Aula 4 – Projeções e Fuso Horários 39 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Questão 03 Se os relógios dos habitantes de uma cidade localizada a 26° Oeste de Greenwich estiverem marcando 13 horas, que hora solar ou verdadeira será? a) 13 horas. d) 12 horas e 4 minutos. b) 13 horas e 16 minutos. e) 12 horas e 44 minutos. c) 12 horas. Questão 04 Sabendo-se que o ponto A, localizado a 90° de longitude Oriental. São 19h15min, pergunta-se que horas temos no ponto B, que dista 135° de longitude Leste do ponto C, que por sua vez está a dois fusos horários adiantados em relação ao ponto D, que está situado a 135° de longitude a Oeste do ponto A? a) 07h15min b) 09h15min c) 23h15min d) 10h15min e) 21h15min Questão 05 Em 1569, o cartógrafo Gerhard Mercator propôs a projeção do globo que se tornou a mais difundida até hoje - a projeção de Mercator. Do ponto de vista ideológico, a concepção desse planisfério traduz uma visão particular da realidade que se caracteriza pela: a) centralização do mapa no continente europeu. b) inexatidão no contorno das formas dos continentes. c) falta de proporção na representação do continente africano. d) deformidade das áreas mais próximas aos pólos. e) inversão na posição dos hemisférios. Questão 06 Ao longo do meridiano 180°, no Oceano Pacífico, encontra-se a Linha Internacional de Mudança de Data. Quando for meio-dia em Greenwich, será meia-noite na Linha Internacional de Mudança de Data e lá um novo dia estará se iniciando. Considere que na localidade B, assinalada no mapa, sejam 11 horas de domingo, do dia 22 de junho de 2008. Anotações 40 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) Nessas condições, na localidade A, também assinalada no mapa, o horário, o dia da semana e o dia do mês de junho do mesmo ano serão, respectivamente: a) 10 - sábado - 21 b) 11 - sábado - 21 c) 10 - domingo - 22 d) 11 - domingo - 22 Questão 07 O mapa múndi que se apresenta é uma anamorfose e está representado de modo que o tamanho dos países e continentes depende da quantidade de habitantes. Sobre o que está apresentado, é correto afirmar que: a) a Austrália, populosa, fica sub-representada, embora tenha uma grande extensão territorial. b) os países norte-americanos praticamente mantêm sua área original, pois possuem grandes populações. c) o continente africano parece muito menor, mostrando o quanto é pouco populoso. d) A Ásia tem a área ampliada, o que mostra que alguns países são muito populosos. e) A Europa Ocidental, por ser uma área pouco povoada, aparece com pouca expressão no mapa. Questão 08 Em relação às projeções cartográficas, considere as assertivas abaixo: I. Todas as projeções cartográficas utilizadas atualmente resultam de trabalhos realizados nos séculos XV e XVI, época em que ocorreram as denominadas “grandes navegações”. II. A projeção de Mercator, desenvolvida no século XVI, é do tipo cilíndrica conforme e preocupa-se, basicamente, com as formas e bem pouco com o tamanho proporcional de cada área. III. A projeção de Mercator reproduz, com considerável precisão, todas as áreas do globo terrestre, preservando a proporcionalidade entre elas. IV. A projeção de Gall-Peters é do tipo cilíndrica equivalente, ou seja, preocupasse mais com a proporção das áreas representadas do que com suas formas, razão pela qual permite comparar com maior precisão o tamanho de países ou continentes. Assinale a) se apenas a assertiva I está correta. b) se apenas as assertivas I e II estão corretas. c) se apenas as assertivas II e III estão corretas. d) se apenas as assertivas II e IV estão corretas. e) se apenas as assertivas I, III e IV estão corretas. Anotações Aula 4 – Projeções e Fuso Horários 41 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 Analise o mapa dos fusos horários. Você embarcou em Brasília no dia 18 às 22h00 locais. A rota a ser seguida passa sobre o continente Africano, o que estabelece 23 horas de viagem. Que dia e horário você chegará em Melbourne, Austrália? a) Dia 20 às 18h00. d) Dia 19 às 21h00. b) Dia 20 às 10h00. e) Dia 19 às 11h00. c) Dia 18 às 11h00. Questão 02 (Fatec) Com relação ao mapa a seguir a) o erro está no fato dele ser apresentado de modo invertido, pois a Antártida está colocada ao norte, e a Europa e Ásia, ao sul da Terra, fato que invalida a Projeção de Peters. b) nenhum dado está correto, pois, com a Projeção de Peters, a Europa aparece proporcionalmente menor do que realmente é em relação aos demais continentes. c) a forma do traçado dos continentes está mantida, mas o erro está no fato do mapa ser apresentado de modo invertido, resultado da Projeção de Peters. d) a proporção entre as áreas dos continentes corresponde à da realidade, apesar de comprometer as suas formas, resultado da Projeção de Peters. e) todos os dados são fiéis à realidade: a proporção entre as áreas, as formas dos continentes e as distâncias entre todos os pontos da superfície terrestre. Questão 03 OBSERVE: 1. Pelo sistema de fusos horários, o globo terrestre foi dividido em 24 fusos, cada um equivalendo a 15° no sentido das longitudes. 2. O equador é o círculo máximo que marca o início da contagem das horas. 3. Quando o Meridiano de Greenwich marcar 19 horas, hora legal, num ponto situado a uma longitude de 30°W, a hora legal será de 21 horas. 4. O Brasil possui 4 fusos horários, todos situados ao oeste de Greenwich. 5. Um avião, ao cruzar a linha internacional (da data), no sentido oeste-leste, retrocede 1 (um) dia no calendário. Estão corretos apenas os itens: a) 2, 4 e 5; b) 1, 3 e 4; c) 3, 4 e 5; d) 1, 4 e 5; e) 1, 2 e 4. Questão 04 Observe o mapa, centrado num ponto do Brasil, que pode ser empregado para uma avaliação estratégica do país no mundo. (M. E. Simielli, " Geoatlas". 1991) Esse mapa foi desenhado segundo a projeção a) de Mercator. d) azimutal. b) cônica eqüidistante. e) de Mollweide. c) de Peters. Questão 05 O Brasil tem instituído o horário de verão que, no entanto, não abrange todo o território nacional. Os Estados brasileiros excluídos do horário de verão são aqueles a) situados em áreas de altos índices pluviométricos e de nebulosidade, que ocasionam fraca luminosidade em todas as estações do ano. b) situados em áreas de grande altitude, que registram temperaturas absolutas inferiores a média nacional em todas as estações do ano. c) situados na porção equatorial, onde a variação da duração diária do período claro é imperceptível nas diferentes estações do ano. d) situados na porção temperada do país, onde a duração diária do período escuro é maior do que a do período claro em todas as estações do ano. Questão 06 Um avião Concorde decola deParis (48°50'N, 2°20'E Gr) quando os relógios locais marcam 12 horas. Voa diretamente para o Rio de Janeiro (22°54'S, 43°12'W Gr), em sentido contrário ao da rotação da Terra, onde pousa após 4 horas de vôo. Qual é a hora local na capital carioca no momento da aterrissagem desse avião? a) 8 horas b) 11 horas c) 13 horas d) 14 horas e) 17 horas Questão 07 No quadro anterior estão localizadas as cidades A, B, C e D, e as setas indicam rotas aéreas. De acordo com a localização das cidades e a direção das rotas, assinale a alternativa INCORRETA: a) Os passageiros de um avião que parte da cidade A com destino à cidade B terão de adiantar seus relógios quando chegarem ao aeroporto da cidade B, devido à diferença de fuso horário. 42 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) b) Todas as cidades estão localizadas no mesmo hemisfério. c) A rota de B para C indica que o avião parte de um ponto mais setentrional em direção a um ponto mais meridional. d) Não há diferença de fuso horário entre as cidades B e C, embora estejam em latitudes diferentes. e) Todas as cidades estão localizadas em latitudes diferentes. Questão 08 Por volta das 9 horas do dia 11 de setembro de 2001, o mundo assistiu atônito aos ataques terroristas às torres gêmeas do "World Trade Center", na cidade de Nova lorque, localizada a 74° de longitude oeste de Greenwich. Tem-se apontado como o autor intelectual dos ataques, o saudita Osama Bin Laden, que se encontra escondido no Afeganistão. A diferença horária entre a cidade de Cabul, no Afeganistão, e a cidade de Nova lorque, nos EUA, é de +9h30min. Com base nas informações acima, a longitude da capital afegã é. a) 142°30' longitude oeste de Greenwich. b) 135°00' longitude oeste de Nova lorque. c) 216°30' longitude leste de Nova lorque. d) 83°30' longitude leste de Greenwich. e) 68°30' longitude leste de Greenwich. Questão 09 Observe a figura a seguir. No dia 10 de janeiro, às 8h, um navio cargueiro, em sua rota, cruza a Linha Internacional da Data no sentido Oeste (Gr). Após ter cruzado a referida linha, que dia e hora local são registrados no navio? a) 9 de janeiro, 7h. b) 9 de janeiro, 8h. c) 10 de janeiro, 9h. d) 10 de janeiro, 10h. e) 11 de janeiro, 8h. Questão 10 Existem diferentes formas de representação plana da superfície da Terra (planisfério). Os planisférios de Mercator e de Peters são atualmente os mais utilizados. Apesar de usarem projeções, respectivamente, conforme e equivalente, ambas utilizam como base da projeção o modelo: a) b) c) d) e) Questão 11 A personagem Mafalda, que está em Buenos Aires, olha o globo em que o Norte está para cima e afirma: “a gente está de cabeça pra baixo”. Quem olha para o céu noturno dessa posição geográfica não vê a estrela Polar, referência do polo astronômico Norte, e sim o Cruzeiro do Sul, referência do polo astronômico Sul. Se os polos do globo de Mafalda estivessem posicionados de acordo com os polos astronômicos, ou seja, o pólo geográfico Sul apontando para o polo astronômico Sul, seria correto afirmar que a) o Norte do globo estaria para cima, o Sul para baixo e Mafalda estaria realmente de cabeça para baixo. b) o Norte do globo estaria para cima e o Sul para baixo, mas Mafalda não estaria de cabeça para baixo por causa da gravidade. c) o Norte do globo estaria para cima, o Sul para baixo, e quem estaria de cabeça para baixo seriam os habitantes do hemisfério norte. d) o Sul do globo estaria para cima e o Norte para baixo, mas Mafalda estaria de cabeça para baixo por causa da gravidade. e) o Sul do globo estaria para cima, o Norte para baixo e Mafalda não teria razão em afirmar que está de cabeça para baixo. Questão 12 Sempre deixamos marcas no meio ambiente. Para medir essas marcas, William Rees propôs um(a) indicador/estimativa chamado(a) de ”Pegada Ecológica”. Aula 4 – Projeções e Fuso Horários 43 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Segundo a Organização WWF, esse índice calcula a superfície exigida para sustentar um gênero de vida específico. Mostra até que ponto a nossa forma de viver está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer e renovar seus recursos naturais e também de absorver os resíduos que geramos. Assim, por exemplo, países de alto consumo e grande produção de lixo, bem como países mais industrializados e com alta emissão de CO2, apresentam maior Pegada Ecológica. www.wwf.org.br. Acessado em 17/08/09. Adaptado. Assinale a anamorfose que melhor representa a atual Pegada Ecológica dos diferentes países. Nota — Considere apenas os tamanhos e as deformações dos países, que são proporcionais à informação representada. Fontes: www.worldmapper.org. Acessado em 17/08/2009. Le Monde Diplomatique, 2009. a) b) c) d) e) Questão 13 Um jatinho particular levanta vôo de uma cidade localizada a 15º oriental do Meridiano de Greenwich às 22h do dia 10 de janeiro, em direção à cidade de São Paulo. Depois de nove horas do início da viagem, o avião pousa na capital paulista. Sabendo que grande parte do território brasileiro estava participando do horário de verão, indique, abaixo, a alternativa que corresponda ao dia e à hora em que o avião pousou em São Paulo (horário local): a) 3h do dia 11 de janeiro. b) 5h do dia 11 de janeiro. c) 3h do dia 10 de janeiro. d) 4h do dia 10 de janeiro. e) 4h do dia 11 de janeiro. Questão 14 Localizadas a Oeste de Greenwich, duas cidades, A e B, encontram-se, respectivamente, a 105° e 45°. Numa quarta-feira, um avião saiu de A às 14h30min e chegou a B depois de 5 horas de viagem. O horário de chegada em B foi: a) 18h30min da quarta-feira. b) 19h30min da quarta-feira. c) 23h30min da quarta-feira. d) 0h30min da quinta-feira. e) 2h30min da quinta-feira. Questão 15 O horário de verão foi sugerido por Benjamin Franklin, em 1784. Atualmente é adotado por vários países, inclusive o Brasil. Com relação à adoção do horário de verão no Brasil, marque a alternativa INCORRETA: a) Para a maior parte dos estados das regiões Norte e Nordeste a adoção do horário de verão é ineficiente devido à proximidade da linha do equador. b) A adoção do horário de verão promove economia no consumo de combustíveis. c) O horário de verão proporciona a redistribuição dos horários em que a energia é mais consumida, evitando os blackouts. d) Para evitar transtornos à população, ele é fixado somente no período e nas regiões em que o Sol nasce antes das 6h30min. CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I Prof. Fernandes Epitácio VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência A INSERÇÃO DO BRASIL NO SISTEMA CAPITALISTA INTRODUÇÃO Para entender as características fundamentais da organização espacial do Brasil processada ao longo de séculos de colonização portuguesa, é importante possuir uma visão histórica da produção do espaço geográfico nos diversos modos de produção e fazer uma pequena incursão no contexto mundial à época da conquista do território brasileiro. Isso permitirá estabelecer comparações e esclarecer algumas particularidades atuais das realidades regionais do país. Iremos aqui apresentar alguns traços gerais do modo de ser europeu (organizações econômicas, administrativas, políticas, religiosas e culturais), que, em grande parte influenciaram a organização espacial processada no Brasil durante os séculosde colonização. Os conceitos apresentados serão de fundamental importância para o entendimento da produção do espaço geográfico brasileiro enquanto produto histórico e social. O ESPAÇO GEOGRÁFICO É PRODUZIDO E ORGANIZADO EM SEGUNDO OS INTERESSES DE ALGUNS E NÃO DE TODOS. Espaços geográficos produzidos no decorrer da história, ou seja, nos diversos modos de produção, com exceção do comunista primitivo, sempre mostraram que sua produção, sua organização, sua apropriação e seu usufruto foram determinados pelas relações de poder (político, econômico, religioso e militar) existentes entre os grupos sociais das diversas sociedades humanas, como também pelas condições técnicas como que cada uma aconteceu em cada época. A PRODUÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO NOS MODOS DE PRODUÇÃO ASIÁTICO E ESCRAVISTA. O modo de produção asiático (Antiguidade) é uma das formas de organização social que marcaram a passagem da comunidade primitiva para a sociedade de classes. Constituiu um certo tipo de estado, encarnado na figura do imperador ou do déspota* Este, juntamente com a casta social privilegiada e dominante, ditava em grande parte as “regras” de apropriação, produção e organização espacial. Havia uma sujeição generalizada da sociedade ao estado. Não existia a propriedade privada da terra e a força de trabalho era explorada pelo estado e pelo déspota. No modo de produção asiático, portanto, o estado era onipresente e era dele que emanava todo o poder sobre todos e tudo. O despotismo oriental, como foi denominado esse tipo de estado, caracterizou entre outras as civilizações egípcia e mesopotâmia (sumérios, acádios, amoritas, assírios e caldeus), também chamadas de civilizações do regadio, pois, por motivos climáticos, construíram obras hidráulicas, principalmente canais de irrigação, para permitir o desenvolvimento da agricultura. Assim, as pirâmides, os canais de irrigação, as gigantescas e extensas muralhas, os suntuosos templos e palácios, e tantas outras criações humanas impressas no espaço natural, foram construídas pelo trabalho realizado por contingentes de trabalhadores que serviram aos interesses políticos, econômicos e religiosos defendidos pelo estado, ocupado pelo déspota e pelas classes dominantes. Em outras palavras, quando hoje contemplamos essas grandiosas criações humanas, muitas vezes ficamos perplexos. Entretanto, não paramos para pensar que foram construídas, a mando do grupo dominante, pelo grupo dominado, que teve sua força de trabalho intensivamente explorada. Isso significa que a produção e a organização do espaço geográfico estão profundamente marcadas em especial pelo trabalho de alguns, e não de todos os membros da sociedade. O modo de produção escravista caracterizou as civilizações grega e romana antigas, nas quais o espaço também foi definido com base nos interesses das classes dominantes, apenas com a ressalva de que, nas relações sociais de produção existentes, predominava a relação pessoal entre escravizados e amos, em que os primeiros eram propriedade privada dos segundos bem como a propriedade privada da terra. Ana Fani A. Carlos, geógrafa da Universidade de São Paulo, analisando a questão do espaço geográfico, afirma: “[..] a sociedade inteira interfere na sua produção, mas os objetivos e as necessidades são os da classe dominante”. A PRODUÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO NO MODO DE PRODUÇÃO FEUDAL O modo de produção feudal (Idade Média), a fonte de riqueza e de poder era a posse da terra. As propriedades (feudos) pertenciam aos nobres e à Igreja, que constituíam a casta dos senhores feudais e, dentro de suas fronteiras, exerciam todo o poder. Nos trabalhadores dos feudos eram os servos e os vilões. Os servos moravam na terra de propriedade do senhor feudal e eram submetidos a uma série de obrigações que os deixavam em condições de pobreza e dependência acentuadas. Seu trabalho era explorado na forma de relações servis de produção. O feudo era dividido em manso servil e manso senhorial. No primeiro, metade da produção cabia à sua subsistência e metade era entregue e ao senhor feudal. No segundo, em que trabalhavam alguns dias por semana, toda a produção se destinava ao dono da terra. Além disso, eram obrigados a pagar o censo, um tributo anual em dinheiro pelo uso da terra. Os vilões eram camponeses que, e embora morassem em vilas, trabalhavam na propriedade do senhor feudal. Terra, bosques, campos, cultivos, castelo, moinho, pontes etc. Tudo pertencia ao senhor feudal e sua família, e passava de pai para filho, junto com o poder político-econômico. A produção era organizada para garantir a autossuficiência do feudo. O espaço geográfico produzido expressava a divisão da sociedade feudal entre senhores e dependentes (servos e vilões). Aos senhores pertenciam o castelo, as terras agricultáveis e tudo o mais dentro do feudo e, assim, o poder. Aos servos e vilões cabia o trabalho, a subordinação, a pobreza e a dependência em relação ao senhor feudal. O espaço geográfico do feudo era a expressão visível, portanto, das relações de dominação existentes no feudalismo, da maneira como a sociedade estava organizada. A própria produção e organização espacial, realizada segundo os interesses dos senhores feudais, materializava no espaço a existência da concentração do poder político e econômico por uma minoria e, consequentemente, de dominantes e dominados. Juntamente com os do senhor feudal, pensavam também no processo de produção e organização do espaço os interesses da Igreja. Esta, como representante do poder espiritual, possuía grande influência sobre a forma de organização da sociedade feudal e sobre distribuição do poder e da riqueza entre seus membros. O próprio clero era propriedade de vastas extensões de terra. Dessa forma, é importante observar que, além das determinações econômicas, os aspectos culturais (religião, valores Aula 5 – A Inserção do Brasil no Capitalismo 45 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência éticos e políticos) também participam da produção de espaços geográficos. Numa extensão territorial mais ampla, denominada reino, os feudos formavam unidades político-econômicas autônomas, espaços geográficos pouco articulados entre si, dada a autonomia de cada senhor feudal para administrar e organizar seus domínios. Nessa estrutura sociopolítica espacial, o poder econômico e político do rei era limitado, ficando, na verdade, diluído entre os outros senhores feudais. Somente em situações de guerra com outros reinos ou quando tomava parte ativa numa cruzada ou, ainda, quando assumia a posição de juiz nas discórdias entre nos senhores feudais ou entre estes a Igreja, é que no rei possuía algum poder de decisão e, por conseguinte, certo poder político. A partir do séculos XI, o feudalismo começou a enfrentar crises de produção. Não conseguindo obter uma produção de alimentos que atendesse às suas necessidades, muitos servos e vilões fugiram, em busca de garantir sua subsistência, instalando-se em áreas de terras desprezadas pelos senhores feudais-vertentes, áreas alagadiças e pântanos-onde desenvolviam a agricultura e o artesanato. À medida que iam conseguindo obter excedente de produção nessas atividades, algumas pessoas passavam a praticar o comércio, provocando um verdadeiro renascimento comercial e urbano. A razão de se falar em renascimento comercial e urbano nessa fase do feudalismo deve-se ao fato de que, antes do modo de produção feudal, isto é, durante a Antiguidade, no modo de produção escravista, havia uma intensa vida urbana e era praticado o comércio, que acabou de se desestruturando em função da mudança do modo de produção. O desenvolvimento ou renascimento da atividade comercial, a partir do século XI, deu origem à formação deuma nova classe social- a burguesia Mas o modo de produção feudal era em si um obstáculo à expansão comercial. Sendo responsável pela manutenção de espaços geográficos desarticulados entre si, o feudalismo representava uma barreira considerável para o desenvolvimento do comércio. Nos feudos, a vida isolada, a autossuficiência, a cobrança de taxas ou pedágios pelo senhor feudal para o trânsito em suas terras e rios, a existência de moedas e leis diferentes em cada um, entre outros problemas, criavam dificuldades à nascente burguesia comercial. Além disso, a própria estrutura feudal, com a concentração do poder político nas mãos dos senhores feudais constituía outra situação indesejável para os reis. Não tardou muito para que as burguesias emergentes e os reis realizassem entre si uma aliança para afastar do poder os senhores feudais e a Igreja. O resultado final desse processo foi a centralização do poder político, econômico e administrativo nas mãos dos reis e de suas respectivas burguesias, e a formação de estados nacionais ou monarquias nacionais, enfim, do estado moderno, a partir do século XII. Os novos Estados definiram seus contornos territoriais e políticos, e implantaram e consolidaram o absolutismo monárquico, que teve seu auge entre os séculos XVII e XVIII. O APARECIMENTO DOS ESTADOS NACIONAIS E DO CAPITALISMO E SUA PROJEÇÃO SOBRE OS ESPAÇOS GEOGRÁFICOS DO NOVO MUNDO Com a lenta e progressiva decadência do sistema feudal, entre os séculos XI e XV, e com a formação dos estados nacionais, ocorreu uma modificação no arranjo territorial europeu. Os territórios fragmentados em unidades político-econômicas autônomas e espaços pouco articulados entre si- os feudos – deram lugar a territórios unificados, com poder político centralizado e articulação entre as suas várias regiões. O modo de produção feudal foi, então, gradativamente substituído pelo modo de produção capitalista e as relações servis e de produção pelas relações assalariadas de produção. O mercantilismo tornou-se a doutrina econômica dos estados nacionais. A preocupação, agora, era ampliar cada vez mais o comércio. Entretanto, o comércio europeu no século XV era monopolizado pelos árabes e italianos, que dominavam o Mar Mediterrâneo. Insatisfeitos com essa situação, a burguesia mercantil europeia e seus reis (Portugal, Espanha, França, e Inglaterra) procuraram um meio para fugir dessa dependência, ou seja, descobrir novos caminhos para Ásia e par África. Foi quando, graças também aos avanços técnicos da navegação, os europeus, principalmente os portugueses e espanhóis, de início, e depois os ingleses e franceses, alargaram de forma significativa o horizonte geográfico até então conhecido pelas sociedades europeias. Navegando pelo Oceano Atlântico, os portugueses chegaram à costa ocidental da África e oriental da América e, através do Oceano Índico, atingiram a Ásia e a costa oriental do continente africano. Essa grande expansão marítimo-comercial realizada pelos europeus consolidou entre os séculos XV e XVIII o capitalismo comercial como novo modo de produção e de organização e produção do espaço geográfico, não só da Europa, mas praticamente de todo o mundo. Todos os continentes, com exceção da Antártida, tornaram-se conhecidos pela Europa e seus territórios foram incorporados ao mundo europeu e ao novo modo de produção- o capitalismo. Em vista disso, o comércio europeu conheceu uma grande expansão. Os europeus passaram a negociar livremente com os povos africanos e asiáticos, e se apropriaram, sob forma de colônias, das terras americanas, passando a explorar tudo o que elas pudessem oferecer para o enriquecimento de suas burguesias e reis. O novo modo de produção- o capitalismo-, levado pelo europeu para os vários cantos do mundo, com sua política colonialista, teve um papel decisivo no processo de produção e organização dos espaços geográficos mundiais. Os espaços geográficos africanos, asiáticos e americanos foram profundamente modificados, tanto o meio físico natural como as parcelas dos territórios ocupados por populações nativas sofreram grande intervenção dos contingentes europeus, que reestruturaram segundo seus interesses, sobretudo de ordem econômica, e as interpretaram de acordo com sua organização social, política e valores próprios (normas, religião, costumes etc), também sofreram grandes modificações. Houve uma imposição, muitas vezes à força, do novo modo de produção, com implicações na dinâmica e na estrutura dos espaços geográficos e nas paisagens naturais. Por exemplo, antes da chegada do europeu e do capitalismo, a terra era vista como fonte de vida pela grande variedade de povos que ocupavam as terras no Novo Mundo. Ela cumpria funções sociais de produzir alimentos e de fornecer matérias-primas para atender às necessidades de sobrevivência e culturais das comunidades ou sociedades que nela viviam. Mas, com a expansão comercial e o novo modo de produção, a terra passou a ser vista como fonte de lucro. Teria de produzir artigos que atendessem às necessidades do comércio entre as metrópoles ou entre a Europa e as colônias e Feitorias*. Assim o sistema produtivo das sociedades africanas, asiáticas e americanas, que estava organizado para atender a suas necessidades, foi largamente desestruturado. Foi esse o caso, por exemplo, da desarticulação ou destruição da agricultura de 46 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) subsistência e sua substituição pela agricultura comercial de exportação (cana-de-açúcar, amendoim, algodão e, em tempos mais recentes, café, soja, laranja, etc). O mesmo ocorreu em relação ao artesanato. Sua produção estava organizada para supriras necessidades de uso das comunidades ou sociedades nativas dos territórios invadidos pelos europeus. O colonialismo e o mercantilismo forçaram a introdução da manufatura europeia nesses territórios, o que originou uma dependência tecnológica de muitos deles em relação aos estados nacionais europeus. Esse fato, junto com outras diversas imposições político-econômicas, ajuda a explicar o pequeno desenvolvimento industrial dos países colonizados. Tudo isso, ao lado do processo cultural de europeização do mundo, teve um peso muito grande na produção dos espaços geográficos mundiais, incluindo o brasileiro. Após a primeira revolução industrial, a partir da metade do século XVIII, quando então se instaura o capitalismo industrial, acentua-se o processo de produção do espaço geográfico, segundo os interesses de alguns, e não de todos, com a imposição do grande capital, representado pelas corporações financeiras, industriais e comerciais que surgem nesse período. É nesse contexto histórico que se moldou o território brasileiro. A valorização (econômica) e organização de suas áreasforam realizadas segundo o modo e ser europeu, mais especificamente segundo o projeto colonizador de Portugal, essencialmente mercantilista, politicamente centralizado e predador das riquezas naturais Considerado que o poder político do estado sempre foi ocupado pelas classes dominantes, isto é, pelos detentores dos poderes dos poderes econômico, militar e religioso, a gestão ou a administração do espaço geográfico, sua produção, organização e apropriação se fizerem segundo os interesses delas, e não segundo os das classes dominadas. O Brasil, portanto, não foi exceção. Manuel Correia Andrade, geógrafo pernambucano, coloca a questão da seguinte forma: “[...] No processo de produção de um espaço para alguns e não para todos, a sociedade, calcada no poder político do estado, organiza o território visando utilizá-lo de determinadas formas e com determinados fins”. A INSERÇÃO DO BRASIL NO CAPITALISMO NASCENTE E A PRODUÇÃO E SEUS ESPAÇOS GEOGRÁFICOS. Vimos que até o século XV o horizonte geográfico e comercial europeu restringiu-se ao Mar mediterrâneo. A esse tempo, comércio já era a principal atividade econômica na Europa e as burguesias mercantis, em aliança com seus reis, substituíam os senhores feudais em poder e riqueza. Era a passagem do modo de produção feudal, ou feudalismo, para o capitalismo, ou modo de produção capitalista. A Apropriação do território e a colonização implantada no Brasil no século XVI pelos portugueses introduziu a colonização de exploração, cujo objetivo era explorar tudo o que a colônia pudesse oferecer para o desenvolvimento do nascente capitalismo comercial europeu, particularmente o português, o holandês e o inglês. A colônia era vista como uma grande empresa comercial, cuja função era a de fornecer produtos primários (pau-brasil, drogas do sertão*, madeiras de lei, açúcar, tabaco, algodão, ouro e pedras preciosas, café etc), para a venda na Europa , tendo por base uma divisão internacional do trabalho (DIT), estabelecida pela metrópole ou pelo próprio capitalismo comercial: à metrópole cabia a produção e a venda de manufaturados para as colônias e feitorias, e a estas cabia o fornecimento de produtos primários para as metrópoles. O Brasil-Colônia, ao ser incorporado pelo império Português, teve sua dinâmica econômica, política e social e, portanto, também seus espaços geográficos estruturados dentro dos moldes das necessidades e interesses de exploração de Portugal. Organizou- se assim, uma economia colonial, cujos principais traços podem ser assim considerados: * Produção apoiada nas relações servis ou escravistas de trabalho que se caracterizavam pela intensa exploração da força de trabalho. * Produção e exportação de produtos primários (produtos alimentares, matérias-primas, especiarias etc) e importação de manufaturados. A função da economia colonial era a de complementar a economia metropolitana. * Setor produtor de alimentos subordinado aos interesses exportadores dos grandes proprietários rurais. A economia da Colônia estava organizada de forma a atender as necessidades externas, e não as da sociedade local em formação. * Monopólio do comércio exercido pela burguesia comercial metropolitana. Essa situação manteve-se durante algum tempo, até aproximadamente 1642, a partir de quando, em virtude dos vários acordos assinados entre Portugal e Inglaterra, tal monopólio passou para os comerciantes ingleses, o que representou perdas tanto para Portugal como para o Brasil-Colônia. * Economia da colônia estruturada com base no latifúndio e na monocultura. Foi, portanto, a partir dos fatos transcorridos durante o projeto colonial português aqui implantado por mais de três séculos que se processou a inserção do Brasil no nascente capitalismo europeu ou capitalismo mercantil. Essa inserção, por sua vez, estabeleceu uma situação de dependência do Brasil em relação aos centros de decisão do capitalismo mundial. As práticas capitalistas, espalhando-se da Europa para o mundo, estruturaram um sistema global, no qual a hegemonia coube aos “países centrais” e a dependência, aos espaços geográficos “periféricos” (colônias, feitorias etc), imersos estes numa divisão internacional da produção desfavorável a seu desenvolvimento. É importante destacar que essa denominação era vital para os estados europeus e suas burguesias, pois permitia-lhes consolidar o novo modo de produção (o capitalismo), dissipando, consequentemente, o poder dos senhores feudais. Compreende- se, dessa forma, que a própria formação e consolidação do capitalismo como sistema dependia dessa exploração econômica, pois, como já destacamos, a economia colonial complementava a metropolitana, contribuindo decisivamente para desintegração do feudalismo. As colônias constituíam-se grandes fontes de riqueza ou de acumulação primitiva de capital para os estados europeus e suas burguesias. O lucro obtido nas colônias era apropriado em sua quase totalidade pela burguesia metropolitana. No processo de colonização do Brasil, tais circunstâncias geraram um quadro em que os territórios indígenas foram cedendo lugar para a produção de um espaço geográfico colonial. Os espaços indígenas, antes tomados como fonte de vida ou de recursos para subsistência ou a reprodução da espécie e como mantenedores da identidade dos grupos que os habitavam, transformaram-se em espaços geográficos organizados para produção de valores de troca e subordinados ao exterior, ou seja, aos centros de decisão localizados na Europa (Portugal, Inglaterra, Holanda e Espanha). Isso, por sua vez, implicou a criação de espaços geográficos pouco ou nada articulados entre si, produzidos e organizados segundo nódulos, “ilhas” ou “arquipélagos” econômicos. Desse modo, no Brasil colonial eles demonstravam a ausência de uma efetiva integração espacial interna, muito embora estivessem profundamente integrados ou articulados como o espaço metropolitano. Aula 5 – A Inserção do Brasil no Capitalismo 47 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 O período de 1450-155-, de transição da medieval idade para modernidade, conheceu dentre outras características: a) decadência econômica e racionalização da vida religiosa. b) Revalorização do aristotelismo e consolidação do estado absolutista. c) Forte efervescência religiosa e intensa expansão comercial. d) Avanço do liberalismo burguês e recuo do feudalismo. e) Hegemonia europeia francesa e despontar da arte gótica. Questão 02 A colonização portuguesa no Brasil é caracterizada por uma ampla empresa mercantil. É o próprio estado metropolitano que, em conjugação com as novas forças sociais produtores, ou seja, a burguesia comercial, assume o caráter da colonização das terras brasileiras. A parir daí os dois elementos-Estado e burguesia-passam a ser os agenciadores coloniais e, assim, a se seguem: dentre eles apenas um não corresponde ao exposto no texto; assinale-o. a) a preocupação básica será a de resguardar a área do império colonial diante das demais potências europeias. b) O caráter político da administração se fará a partir da metrópole e a preocupação fiscal dominará todo o mecanismo administrativo. c) O vértice definidor reside no monopólio comercial. d) A função histórica das colônias será proeminente no sentido de acelerar a atende às necessidades de seu mercado interno. e) a produção gerada dentro das colônias estimula o seu desenvolvimento e atende às necessidades de seu mercado interno. Questão 03 Observado de um ângulo distinto, o desenvolvimento da primeira metade do século XX apresenta-se basicamente como um processo de articulação das distintas regiões do país em um sistema com um mínimo de integração. CelsoFurtado. Formação econômica do Brasil, 2013. Considerando o processo histórico de desenvolvimento econômico e territorial brasileiro, ao longo da primeira metade do século XX, é correto afirmar que a) estabelecimento de redes comerciais protecionistas estimulou a produção cafeeira, a partir deste momento, voltada ao sólido mercado consumidor nacional. b) o fortalecimento do mercado interno reforçou o movimento de substituição das importações, fomentado na região Sudeste pela ação do Estado e do capital estrangeiro. c) a adoção de superintendências locais financiou a modernização da economia açucareira do litoral nordestino, reinserindo-a no mercado internacional. d) a implantação de um sistema nacional integrado solidificou os empreendimentos agroindustriais da região Centro-Oeste, agora protegidos pelo planejamento desenvolvimentista nacional. e) a articulação regional garantiu o crescimento da exploração aurífera em Minas Gerais, fornecendo subsídios técnicos e amplo mercado consumidor. Questão 04 O mercado tende a gerir e regulamentar todas as atividades humanas. Até há pouco, certos campos – cultura, esporte, religião – ficavam fora do seu alcance. Agora, são absorvidos pela esfera do mercado. Os governos confiam cada vez mais nele (abandono dos setores de Estado, privatizações). RAMONET, I. Guerras do século XXI: novos temores e novas ameaças. Petrópolis: Vozes, 2003. No texto é apresentada uma lógica que constitui uma característica central do seguinte sistema socioeconômico: a) Socialismo. b) Feudalismo. c) Capitalismo. d) Anarquismo. e) Comunitarismo. Anotações 48 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) Questão 05 Observe a charge a seguir: A charge acima representa os primeiros anos logo após a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. É correto afirmar que entre as principais características desse período temos a: a) extração do Pau-Brasil por meio do estanco (troca), onde os indígenas realizavam o corte da madeira e recebiam em troca objetos vistosos, mas de estimado valor, como espelhos, armamentos e tecidos diversos. b) extração das drogas do sertão por meio de trabalho escravo, pelo qual os exploradores aproveitaram para iniciar o processo de ocupação territorial do Brasil a partir da construção de feitorias. c) construção das primeiras feitorias com a finalidade de estimular a vinda de colonos para a produção de riquezas, como a cana-de-açúcar, e consequentemente efetivar a ocupação do território brasileiro garantindo a presença portuguesa. d) extração do Pau-Brasil por meio do escambo (troca), onde os indígenas realizavam o corte e o transporte da madeira recebendo em troca objetos de pouco valor, como espelhos, miçangas e instrumentos de ferro. e) distribuição das primeiras sesmarias, por meio de Estanco, aos donatários que estavam se instalando no Brasil, destacando-se, nesse processo, o arrendatário Fernando de Noronha, que se notabilizou na extração do Pau-Brasil. Questão 06 Sobre o período pré-colonial na História do Brasil, é correto afirmar que: a) foi estabelecida a escravidão indígena como forma de exploração do trabalho, devido à ausência de uma atividade econômica que financiasse o tráfico de escravos africanos para o Brasil. b) a economia baseou-se na exploração de produtos naturais da terra, que não exigiam o estabelecimento da agricultura para serem extraídos, como o pau-brasil, o cacau e o látex. c) promoveu-se a doação de porções da terra recém-descoberta para a aristocracia portuguesa, cujos membros ocupavam os principais cargos na administração pública reinol. d) havia desinteresse na colonização imediata do território, tendo em vista que os principais recursos humanos e materiais portugueses estavam voltados para a exploração do rendoso comércio com as Índias. e) foram enviadas ao litoral brasileiro as chamadas “expedições guarda-costas”, que visavam vigiar a nova descoberta portuguesa diante da possível invasão holandesa na região. Questão 07 A invasão de outros territórios situados fora da Europa, na época da passagem do feudalismo para a modernidade, foi, por um lado e em parte, promovida pelo surgimento das burguesias europeias. De que forma essas invasões favoreceram o desenvolvimento das burguesias na Europa? A burguesia mercantil europeia adotou à época da expansão marítima-comercial, a tese mercantilista de que a riqueza de uma nação deveria ser feita através do acúmulo de divisas ou metais preciosos ou Anotações Aula 5 – A Inserção do Brasil no Capitalismo 49 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência ainda pela manutenção de uma balança comercial favorável. Sendo assim, a invasão e apropriação de outros territórios situados fora do continente europeu e a subsequente implantação, neles, de administrações centralizadas, comandadas segundo os interesses metropolitanos, impulsionou a Revolução Comercial dos séculos XVI-XVIII, favorecendo em grande parte a acumulação primitiva de capitais pela burguesia europeia desse período. Questão 08 Quais as relações existentes entre o mercantilismo europeu dos séculos XV e XVI e a produção e organização dos espaços geográficos do Brasil a partir desse período? A implantação do projeto colonial português promoveu a inserção do Brasil no capitalismo mercantil dos séculos XV e XVI na condição de espaço dependente aos centros de decisão do capitalismo mundial. Dessa forma, a valorização (econômica) e a organização do território brasileiro foram realizadas segundo o projeto colonizador de Portugal, essencialmente mercantilista, politicamente centralizado e predador das riquezas naturais. A administração do espaço geográfico brasileiro, sua organização e apropriação foram realizando-se de acordo com os interesses dos grupos mercantilistas e, portanto, alinhados com os interesses Metropolitanos. Em vista disso, certas áreas do território foram valorizadas conforme as necessidades dos mercados consumidores europeus, em detrimento de um desenvolvimento harmônico entre as regiões que pudesse intensificar as trocas comerciais internas. Anotações 50 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 Analise as afirmativas sobre o Descobrimento do Brasil, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso). ( ) Pode ser enquadrado no processo de expansão comercial europeia do início da Era Moderna, que objetivava a descoberta de novas fontes de metais preciosos e de mercadorias atrativas para o mercado consumidor europeu. ( ) Foi fundamental na construção do império ultramarino português, na medida em que as riquezas logo encontradas na nova terra levaram a coroa lusitana a promover a imediata colonização do atual território brasileiro. ( ) Atendeu aos interesses estratégicos da coroa portuguesa, pois a rota descoberta por Vasco da Gama para o comércio com as Índias, em 1498, necessitava de portos no Atlântico Sul onde fosse possível reparar e reabastecer os navios. ( ) É considerado um momento trágico para as populações originais do atual território brasileiro, porque a exploração do pau- brasil, primeira riqueza encontrada no novo território, levou à escravização do indígena. O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) V – V – F – F d) F – F – V – V b) V – F – V – F e) F – F – V – F c) V – F – F – V Questão02 Perante esta sociedade, a burguesia está longe de assumir uma atitude revolucionária. Não protesta nem contra a autoridade dos príncipes territoriais, nem contra os privilégios da nobreza, nem, principalmente, contra a Igreja. (...) A única coisa de que trata é a conquista do seu lugar. As suas reivindicações não excedem os limites das necessidades mais indispensáveis. Henri Pirenne. História econômica e social da Idade Média, 1978. Segundo o texto, é correto afirmar que a) a burguesia, nascida da própria sociedade medieval, nela não tem lugar; para conquistá-lo, suas reivindicações são a liberdade de ir e vir, elaborar contratos, dispor de seus bens, fazer comércio, liberdade administrativa das cidades, ou seja, não tem o objetivo de destruir a nobreza e o clero. b) os burgueses, enriquecidos pelo comércio, reivindicam privilégios semelhantes aos da nobreza e do clero na sociedade moderna; acentuadamente revolucionários, os seus interesses significam título, terras e servos para garantirem um lugar compatível com sua riqueza. c) o território da burguesia é o solo urbano, a cidade como sinônimo de liberdade, protegida da exploração da nobreza e do clero; para isso, cria o direito urbano, isto é, leis para o comércio, a justiça e a administração que, de forma revolucionária, asseguram- lhe um lugar na sociedade moderna. d) a sociedade medieval tem um lugar específico para os burgueses, pois as liberdades, as leis, a justiça e a administração estão em suas mãos; tal situação tem o objetivo de brecar o poder político e econômico dos nobres e da Igreja, fortalecidos pela expansão da servidão e pelo declínio do comércio. e) com exigências revolucionárias, como liberdade comercial, jurídica e territorial, a burguesia, cada vez mais rica, visa destruir a sociedade medieval; esta, por sua vez, barra a ascensão econômica e política da burguesia, ao fortalecer a servidão no campo e impedir as transações comerciais na cidade. Questão 03 Leia o texto e complete as lacunas com as palavras da alternativa correta. O Capitalismo é um sistema econômico e social baseado tipicamente no trabalho .....(I)...... e na ......(II)...... dos meios de produção. Seu objetivo é a produção e a comercialização de mercadorias para a obtenção de lucros. Contudo, em sua primeira fase (de 1500 a 1750), denominada Capitalismo Comercial, o trabalho estava ainda em grande parte ligado aos meios de produção. Por isso, o capital entrava, sobretudo, como ......(III)...... entre a produção e o consumo final. Na fase do Capitalismo Industrial (de 1750 a 1870), o capital penetra na produção e cria diversos ramos industriais, tais como o......(IV)...... . I II III IV a) escravo e camponês propriedade particular meio administrativo têxtil e o eletroeletrônico. b) livre e assalariado propriedade privada intermediário alimentício e o siderúrgico. c) assalariado autônomo troca meio independente metalúrgico e o automobilístico. d) próprio e assalariado produção privada dono de transportes elétrico e o petroquímico. e) camponês e assalariado acumulação distribuidor de tarefas de aviação e de telecomunicações. Questão 04 A linhagem dos primeiros críticos ambientais brasileiros não praticou o elogio laudatório da beleza e da grandeza do meio natural brasileiro. O meio natural foi elogiado por sua riqueza e potencial econômico, sendo sua destruição interpretada como um signo de atraso, ignorância e falta de cuidado. PADUA, J. A. Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista (1786-1888). Rio de Janeiro: Zahar, 2002 (adaptado). Descrevendo a posição dos críticos ambientais brasileiros dos séculos XVIII e XIX, o autor demonstra que, via de regra, eles viam o meio natural como a) ferramenta essencial para o avanço da nação. b) dádiva divina para o desenvolvimento industrial. c) paisagem privilegiada para a valorização fundiária. d) limitação topográfica para a promoção da urbanização. e) obstáculo climático para o estabelecimento da civilização. Questão 05 Leia o texto a seguir. A primeira missa no Brasil é um momento emblemático do início da colonização portuguesa na América, celebrada poucos dias após a chegada e desembarque dos portugueses na costa brasileira, imortalizada pela narrativa na Carta de Pero Vaz de Caminha e no óleo sobre tela de Victor Meirelles. A ocupação de fato demorou Aula 5 – A Inserção do Brasil no Capitalismo 51 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência um pouco mais a acontecer, dentre as razões para seu início, temos: a) o aumento do comércio de especiarias com o Oriente, levando à maior necessidade de mercados consumidores. b) a descoberta de metais preciosos na colônia portuguesa, acelerando o interesse da metrópole na exploração de sua colônia. c) a probabilidade da tomada das terras por corsários ingleses que vinham atrás do contrabando de escravos indígenas para outras colônias. d) a necessidade de tomar posse e defender suas terras para evitar a vinda de exploradores sem o conhecimento da coroa portuguesa. e) a construção das feitorias para armazenar pau-brasil e carregar navios, promovendo a migração de um grande contingente de portugueses para povoar e cuidar das novas vilas. Questão 07 As relações entre a metrópole e a colônia foram regidas pelo chamado pacto colonial, sendo este aspecto uma das principais características do estabelecimento de um sistema de exploração mercantil implementado pelas nações europeias com relação à América. Com relação ao Brasil, do que constava este pacto? a) As colônias só poderiam produzir artigos manufaturados. b) A produção agrícola seria destinada, exclusivamente, à subsistência da colônia. c) A produção da colônia seria restrita ao que a metrópole não tivesse condições de produzir. d) A colônia poderia comercializar a produção que excedesse às necessidades da metrópole. e) Portugal permitiria a produção de artigos manufaturados pela colônia, desde que a matéria-prima fosse adquirida da metrópole. Questão 08 Do Brasil descoberto esperavam os portugueses a fortuna fácil de uma nova Índia. Mas o pau-brasil, única riqueza brasileira de simples extração antes da “corrida do ouro” do início do século XVIII, nunca se pôde comparar aos preciosos produtos do Oriente. (...) O Brasil dos primeiros tempos foi o objeto dessa avidez colonial. A literatura que lhe corresponde é, por isso, de natureza parcialmente superlativa. Seu protótipo é a carta célebre de Pero Vaz de Caminha, o primeiro a enaltecer a maravilhosa fertilidade do solo. (MERQUIOR, José Guilherme. De Anchieta a Euclides − Breve história da literatura brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977, p. 3-4) A colonização portuguesa, no século XVI, se valeu de algumas estratégias para usufruir dos produtos economicamente rentáveis no território brasileiro, e de medidas para viabilizar a ocupação e administração do mesmo. São exemplos dessas estratégias e dessas medidas, respectivamente, a) a prática do escambo com os indígenas e a instituição de vice- reinos, comarcas, vilas e freguesias. b) a implementação do sistema de plantation no interior e a construção, por ordem da Coroa, de extensas fortalezas e fortes. c) a imposição de um vultoso pedágio aos navios corsários de distintas procedências e a instalação de capitanias hereditárias. d) a introdução da cultura da cana-de-açúcar com uso de trabalho compulsório e a instituição de um governo geral. e) o comércio da produção das missões jesuíticas e a fundação da Companhia das ÍndiasOcidentais. Questão 09 Cronista sem assunto Difícil é ser cronista regular de algum periódico. Uma crônica por semana, havendo ou não assunto... É buscar na cabeça uma luzinha, uma palavra que possa acender toda uma frase, um parágrafo, uma página inteira – mas qual? 1Onde o ímã que atraia uma boa limalha? 2Onde a farinha que proverá o pão substancioso? O relógio está correndo e o assunto não vem. Cronos, cronologia, crônica, tempo, tempo, tempo... Que tal falar da falta de assunto? Mas isso já aconteceu umas três vezes... Há cronista que abre a Bíblia em busca de um grande tema: os mandamentos, um faraó, o Egito antigo, as pragas, as pirâmides erguidas pelo trabalho escravo? Mas como atualizar o interesse em tudo isso? O leitor de jornal ou de revista anda com mais pressa do que nunca, 3e, aliás, está munido de um celular que lhe coloca o mundo nas mãos a qualquer momento. Sim, a internet! O Google! É a salvação. 4Lá vai o cronista caçar assunto no computador. Mas aí o problema fica sendo o excesso: ele digita, por exemplo, “Liberdade”, e 5lá vem a estátua nova- iorquina com seu facho de luz saudando os navegantes, ou o bairro do imigrante japonês em São Paulo, 6ou a letra de um hino cívico, ou um tratado filosófico, até mesmo o “Libertas quae sera tamen*” dos inconfidentes mineiros... Tenta-se outro tema geral: “Política”. Aí mesmo é que não para mais: vêm coisas desde a polis grega até um poema de Drummond, salta-se da política econômica para a financeira, chega-se à política de preservação de bens naturais, à política ecológica, à partidária, à política imperialista, à política do velho Maquiavel, ufa. Que tal então a gastronomia, mais na moda do que nunca? 7O velho bifinho da tia ou o saudoso picadinho da vovó, receitas domésticas guardadas no segredo das bocas, viraram nomes estrangeiros, sob molhos complicados, de apelido francês. Nesse ramo da alimentação há também que considerar o que sejam produtos transgênicos, orgânicos, as ameaças do glúten, do sódio, da química nociva de tantos fertilizantes. Tudo muito sofisticado e atingindo altos níveis de audiência nos programas de TV: já seremos um país povoado por cozinheiros, quer dizer, por chefs de cuisine?** Temas palpitantes, certamente de interesse público, estão no campo da educação: há, por exemplo, quem veja nos livros de História uma orientação ideológica conduzida pelos autores; 8há quem defenda uma neutralidade absoluta diante de fatos que seriam indiscutíveis. 9Que sentido mesmo tiveram a abolição da escravatura e a proclamação da República? E o suicídio de Getúlio Vargas? E os acontecimentos de 1964? Já a literatura e a redação andam questionadas como itens de vestibular: mas sob quais argumentos o desempenho linguístico e a arte literária seriam dispensáveis numa formação escolar de verdade? Enfim, 10o cronista que se dizia sem assunto de repente fica aflito por ter de escolher um no infinito cardápio digital de assuntos. Que esperará ler seu leitor? 11Amenidades? Alguma informação científica? A quadratura do círculo encontrada pelo futebol alemão? A situação do cinema e do teatro nacionais, dependentes de financiamento por incentivos fiscais? Os megatons da última banda de rock que visitou o Brasil? O ativismo político das ruas? Uma viagem fantasiosa pelo interior de um buraco negro, esse mistério maior tocado pela Física? A posição do Reino Unido diante da União Europeia? 12Houve época em que bastava ao cronista ser poético: o reencontro com a primeira namoradinha, uma tarde chuvosa, um passeio pela infância distante, um amor machucado, 13tudo podia 52 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) virar uma valsa melancólica ou um tango arrebatador. Mas hoje parece que estamos todos mais exigentes e utilitaristas, e os jovens cronistas dos jornais abordam criticamente os rumores contemporâneos, valem-se do vocabulário ligado a novos comportamentos, ou despejam um humor ácido em seus leitores, 14num tempo sem nostalgia e sem utopias. É bom lembrar que o papel em que se imprimem livros, jornais e revistas está sob ameaça como suporte de comunicação. 15O mesmo ocorre com o material das fitas, dos CDs e DVDs: o mundo digital armazena tudo e propaga tudo instantaneamente. Já surgem incontáveis blogs de cronistas, onde os autores discutem on-line com seus leitores aspectos da matéria tratada em seus textos. A interatividade tornou-se praticamente uma regra: há mesmo quem diga que a própria noção de autor, ou de autoria, já caducou, em função da multiplicidade de vozes que se podem afirmar num mesmo espaço textual. Num plano cósmico: quem é o autor do Universo? Deus? O Big Bang? A Física é que explica tudo ou deixemos tudo com o criacionismo? Enquanto não chega seu apocalipse profissional, o cronista de periódico ainda tem emprego, o que não é pouco, em tempo de crise. Pois então que arrume assunto, e um bom assunto, para não perder seus leitores. Como não dá para ser sempre um Machado de Assis, um Rubem Braga, um Luis Fernando Veríssimo, há que se contentar com um mínimo de estilo e uma boa escolha de tema. A variedade da vida há de conduzi-lo por um bom caminho; é função do cronista encontrar algum por onde possa transitar acompanhado de muitos e, de preferência, bons leitores. (Teobaldo Astúrias, inédito) * Liberdade ainda que tardia. ** chefes de cozinha. O texto Cronista sem assunto faz referência à Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil no final do século XVIII, que teve como motivação o rompimento com o domínio colonial português. Pode-se afirmar que essa rebelião, a) tinha um caráter mais econômico, prevalecendo em seus projetos medidas mais anticoloniais que sociais. b) expressava a reação dos mineiros contra a proibição das ordens religiosas na capitania. c) pretendia criar uma República e tinha propostas de mudanças radicais como o fim do sistema escravista no país. d) possuía sólido apoio popular e eclodiu com a adesão dos dragões articulados na colônia através de seus líderes. e) contestava realmente as estruturas do pacto colonial, quando se opôs ao seu principal elemento: o tráfico negreiro. Questão 10 No final da década de 1970 e início da década de 1980, vários trabalhos foram publicados abordando a temática do mercado interno. Trabalhos esses, de base empírica, que se encarregaram de demonstrar a forte presença de relações de troca e a sua significação para o desenvolvimento interno da colônia. Trata-se agora de avaliar as especificidades do mercado interno brasileiro, as diversas modalidades em cada região e a sua integração com a sociedade local. CHAVES, Cláudia Maria das Graças. Mercadores das minas setecentistas. São Paulo: Annablume, 1999, p. 27 (Adaptado). A historiografia recente sobre a economia do Brasil colonial tem enfatizado uma dinâmica econômica mais diversificada, que pode ser exemplificada a) pela crescente presença de um tráfico interno de indígenas escravizados, com apoio da Igreja, e responsável pela formação de grupos mercantis no interior da colônia. b) pelo fortalecimento, ao longo de todo o século XVIII, da economia açucareira que, ao contrário da economia mineradora, era muito mais voltada ao mercado interno. c) pela presença de mecanismos de acumulação endógena de capital e pela formação de grupos mercantis que constituíram riqueza para além das barreiras impostas pelo sistema colonial. d) pelas atividades bandeirantes de exploração do interior que, financiadas essencialmente pela Igreja, foram decisivas na ampliação do mercado doméstico a partir do desenvolvimento de novas culturas. Questão 11 Observe as imagens abaixo. Essa sequência deRobert Crumb foi publicada pela primeira vez em 1979, na revista CoEvolution Quarterly (mais tarde Whole Earth Review). a) Analise essa sequência e cite 3 transformações do espaço geográfico representado. Em 1988, Crumb desenhou um epílogo, que seria publicado na Whole Earth Review. Três vinhetas, com três futuros possíveis. A figura abaixo apresenta um dos cenários imaginados por Crumb, com o título de “O pior cenário: desastre ecológico”. b) Como a sociedade poderá evitar que o cenário criado por Crumb se torne uma realidade? Aula 5 – A Inserção do Brasil no Capitalismo 53 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Questão 12 Segundo o geógrafo Milton Santos, “a globalização é, de certa forma, o ápice do processo de”: (Fonte: SANTOS, Milton. Por uma outra globalização. Rio de Janeiro: Record, 2004, p. 23). a) prevenção de crises do capitalismo. b) popularização do capitalismo. c) internacionalização do mundo capitalista. d) regionalização fechada do capitalismo. e) economia segura do sistema mundial capitalista. Questão 13 AS TÉCNICAS, O TEMPO E O ESPAÇO GEOGRÁFICO “É por demais sabido que a principal forma de relação entre o homem e a natureza, ou melhor, entre o homem e o meio, é dada pela técnica. As técnicas são um conjunto de meios instrumentais e sociais, com os quais o homem realiza sua vida, produz e, ao mesmo tempo, cria espaço [...] Sem dúvida, o espaço é formado de objetos [...] o espaço visto como um conjunto de objetos organizados segundo uma lógica e utilizados (acionados) segundo uma lógica. [...] Na realidade, toda técnica é história embutida. Através dos objetos, a técnica é história no momento da sua criação e no de sua instalação e revela o encontro, em cada lugar, das condições históricas (econômicas, socioculturais, políticas, geográficas) que permitiram a chegada desses objetos e presidiram à sua operação. O uso dos objetos através do tempo mostra histórias sucessivas desenroladas no lugar e fora dele” SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo/razão e emoção. São Paulo: EDUSP, 2004 – p. 29-48 Na ilustração do texto, observa-se que a “relação entre o homem e a natureza, ou melhor, entre o homem e o meio, é dada pela técnica”, cujo processo de globalização evidencia uma grande desigualdade socioeconômica, seja no espaço agrário ou no urbano. Nesse sentido, é correto afirmar que: a) no mundo globalizado, as desigualdades socioeconômicas existentes tanto no espaço agrário quanto no urbano são resultantes das diferenças de acesso ao capital, aos recursos naturais, à tecnologia e aos bens e serviços. b) as desigualdades socioeconômicas existentes tanto no espaço agrário como no urbano resultam da distribuição homogênea de bens materiais e da universalização da tecnologia nos países subdesenvolvidos. c) tanto no espaço agrário quanto no urbano, as desigualdades socioeconômicas têm sido eliminadas pelas políticas públicas, a exemplo da pobreza e do desenvolvimento sustentável nos países subdesenvolvidos. d) a eliminação da pobreza no espaço urbano e agrário tem se dado de forma homogênea nas diferentes regiões do mundo devido ao processo de globalização que universalizou o acesso e distribuição das tecnologias modernas. e) no mundo contemporâneo, houve uma significativa redução da pobreza e da fome, haja vista que a expansão dos recursos tecnológicos utilizados na produção do espaço agrário e urbano garantiu a redução no preço dos alimentos. CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I Prof. Fernandes Epitácio VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência BRASIL: DE PAÍS AGROEXPORTADOR A INDUSTRIAL INTRODUÇÃO Ao longo da sua história, o Brasil conheceu dois principais modelos de organização econômica ou político-econômica: O modelo agroexportador predominou desde o século XVI, com a implantação da monocultura canavieira, até por volta da primeira metade do século XX. Essa etapa abrangeu o período colonial, o imperial e parte do republicano. O modelo industrial dependente ou periférico iniciou-se na década de 1930, com o governo Getúlio Vargas (planejamento industrial), e consolidou-se na década de 1950 com o governo Juscelino Kubitschek (planejamento de metas e internacionalização da economia). A ECONOMIA COLONIAL E A AGROINDÚSTRIA AÇUCAREIRA A economia colonial baseou-se na monocultura latifundiária, produtora de açúcar para exportação. A necessidade a colônia a fim de evitar as invasões estrangeiras levou Portugal a optar pela agroindústria açucareira. Além do fato de o açúcar ser raro e muito apreciado no mercado europeu, os portugueses haviam experimentado o cultivo de cana-de-açúcar em suas ilhas atlânticas (Madeira, Açores). Já dominavam suas técnicas de cultivo e as fabricar o melaço. O sucesso desse empreendimento foi garantido pela associação dos portugueses com os holandeses, que forneciam o capital, a habilidade para o comércio e a tecnologia para o refino do açúcar 9feito na Holanda). O Brasil colonial foi organizado como uma grande empresa comercial formada pela aliança da metrópole portuguesa (a nobreza) com a burguesia mercantil (comerciantes portugueses e holandeses) e movida pelos trabalhado de escravizados. Com a produção açucareira concentrada principalmente em Pernambuco e na Bahia, o Nordeste constituiu a base econômica e política da colônia, durante os séculos XVI e XVII. A vida econômica e social girava em torno do engenho açucareiro. Esta unidade produtiva compreendia toda a propriedade onde havia o estabelecimento produtor do melaço, a casa-grande (habitação do senhor), a senzala (habitação dos escravizados), a capela. Além da agroindústria açucareira, o espaço geográfico nordestino era ocupado por outras atividades, dentre as quais se destacavam o cultivo do fumo, a criação de gado e algumas culturas de subsistência. Devido á expansão dos canaviais e dos rebanhos, a criação de gado, no início feita no litoral (Zona da Mata), foi empurrada para o interior (Sertão nordestino, Vale do Rio São Francisco, conhecido na época como Rio dos Currais) e para os estados do Piauí e do Maranhão. A pecuária fornecia alimentação, couro (para vestimentas e calçados), meio de transporte, força de trabalho (em olarias e engenhos) para a Zona da mata. A ECONOMIA COLONIAL E A AGROINDÚSTRIA AÇUCAREIRA A carta Fidelíssima do Brasil, de autoria do cartógrafo holandês Henricus Hondius, foi publicada no início do século. Como todo mapa, ela também revela um modo de olhar para superfície representada: a América portuguesa é enquadrada a partir do leste, do ponto de vista de quem atinge a praia. O litoral revela-se como espaço conhecido e nomeado: o interior é o espaço mitológico, assustador, onde os nativos saboreiam a carne alva do colonizador. De fato, a cisão entre o litoral e o interior, entre o mar e o sertão, marcou a formação territorial da América portuguesa, desde os primórdios. Dessa divisão, nasceu uma imagem mítica do sertão e do sertanejo, que começou a ser construída nos autos do padre José de Anchieta e está presente em obras fundamentais da literatura brasileira, como Os sertões, de Euclides da Cunha, e Grande sertão: Veredas de João Guimarães Rosa. A MINERAÇÃO E O DESLOCAMENTO DO EIXO ECONÔMICO DO NORDESTE AÇUCAREIRO PARA O CENTRO-SUL DO PAÍS O desejo de encontrar metais preciosos acompanhou os portugueses desde o início da colonização. No entanto, a descoberta desses metais no brasil só ocorreu no final do século XVII. Porvolta de 1694 foi descoberto o ouro na área onde hoje se encontra o estado de Minas Gerais. O ciclo da mineração , na sua etapa mais importante (primeira metade do século XVIII), durou relativamente pouco tempo: a partir de 1760 a produção entrou em decadência. Mas a mineração modicou profundamente o quadro político, social, econômico e geográfico da colônia. Por exemplo, houve a transferência da sua capital, em 1763, de Salvador para o rio de Janeiro, e um excepcional fluxo migratório interno (de nordestinos, paulistas) e externo de portugueses) para o interior do país. Pela primeira vez, formou-se um significativo mercado consumidor, que interligou as principais áreas da colônia: o Nordeste, o centro e o sul. Então pólo econômico, Minas gerais, recebia gado e mão-de- obra escrava do nordeste, charque e animal de carga do sul e produtos agrícolas de São Paulo. Assim, a economia colonial, até então, marcada por áreas isoladas ou estanques, o chamado arquipélago econômico, deu os primeiros passos para a integração regional. Apesar da importância da mineração para o Brasil e para Portugal, quem mais se beneficiou com ela foi a Inglaterra , que teve grande desenvolvimento industrial e tecnológico (Revolução Industrial). A maior parte do ouro extraído no brasil foi parar naquele país, via Portugal. Isso porque os enormes déficits da balança comercial portuguesa, resultantes das trocas comerciais com a Inglaterra, foram pagos com o ouro do Brasil. A CONQUISTA DO INTERIOR A implantação inicial da colonização valorizou a fachada litorânea, especialmente no nordeste. Contudo, nos três séculos do período colonial, os caminhos do gado, as vias fluviais e o sonho do ouro abriram as portas do sertão. A economia canavieira, estabelecida ainda no século XVI, apropriou-se das planícies e tabuleiros litorâneos situados entre as capitanias da Bahia e de Pernambuco. O calor e as chuvas abundantes, bem como a topografia suave e a presença dos SOLOS DE MASSAPÉ, ofereciam condições ideais para o plantio da cana. As mais importantes cidades do nordeste açucareiro, como Recife, Olinda e Salvador, nasceram ao redor dos portos exportadores, funcionando como elos de ligação entre as regiões produtoras e os mercados consumidores. O sucesso comercial do açúcar nos mercados europeus provocou a expansão da área canavieira na fachada litorânea. No século XVII, o gado foi expulso dessas terras nobres. Partindo de Bahia e de Pernambuco, a pecuária se deslocou rumo ao interior, na direção do Rio Parnaíba e do São Francisco, que passou a ser conhecido como “rio dos currais”. Nos entroncamentos dos caminhos do rebanho, pontos de contato entre o sertão pastoril e o Aula 6 – Brasil de País Agroexportador a Industrial 55 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência litoral agrícola, surgiram inúmeros povoados, embriões das cidades sertanejas do Nordeste. Na capitania de São Vicente, a empresa açucareira revelou-se um fracasso, em virtude da estreitereira da fachada litorânea, comprimida entre a costa e a Serra do Mar, da predominância de solos pantanosos e da maior distância em relação aos portos europeus. Então, os colonos paulistas galgaram a Serra do Mar e se estabeleceram em vilas fundadas no planalto, de onde partiam as expedições bandeirantes de apresamento de índios e também de busca de ouro e pedras preciosas. As bandeiras paulistas embrenharam-se em todas as direções, geralmente seguindo o curso dos rios das bacias do Paraná, Paraguai, São Francisco, Tocantins-Araguaia e Amazônica. No sul, no médio vale do Rio Uruguai, destruíram as missões jesuíticas e deflagraram disputas territoriais entre as coroas de Portugal e Espanha. No quadro dessas disputas, a Coroa portuguesa estabeleceu fortificação no que hoje é o Rio Grande do sul e na colônia do Sacramento (no atual Uruguai). Era o ponto de partida do longo litígio em torno do controle do estuário do Prata, que só seria resolvido muito depois, com a independência do Uruguai. Nas últimas décadas do século XVII, a confirmação da existência de metais preciosos nas regiões planálticas das capitanias de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás promoveu um ovo e maior movimento de povoamento do interior. Os principais afloramentos auríferos e diamantinos estendiam-se da Bacia do Rio Grande até as nascentes do Rio Jequitinhonha. Os mais importantes núcleos urbanos das Minas Gerais floresceram nessa região: Vila Rica, Mariana, caeté, Sabará, Vila do Príncipe, Arraial do tijuco. Em torno e além desses núcleos apareceram zonas de criação de gado e povoamento mais disperso. Logo os colonos atingiam o ocidente do Mato grosso, onde a Coroa portuguesa implantava fortificações em áreas de litígio com a Espanha. Todos os esforços produtivos da região mineradora estavam concentrados na extração de metais e pedras preciosas. Os caminhos abertos para a exportação desses produtos e para o abastecimento das minas gerais transformaram a geografia do centro-sul colonial. Na primeira década do século XVIII, a construção do caminho novo para região mineradora transformou a cidade do Rio de Janeiro tornou-se o pólo principal do comércio com a Europa e do tráfico negreiro africano e, em 1763, a cidade passou a abrigar a sede administrativa do Vice-Reino do Brasil, em substituição a Salvador. Na Amazônia, a colonização foi um empreendimento realizado em conjunto com a Igreja católica. Durante a União Ibérica, expedições oficiais de reconhecimento partiram do Forte do Presépio do Belém, fundado em 1616, com a finalidade de expulsar holandeses e ingleses de feitorias ao longo dos rios e impedir o contrabando de produtos nativos. A Igreja Católica foi encarregada de estabelecer MISSÕES no vale do Rio Amazonas e no baixo curso de seus afluentes, nas quais seria organizada a coleta das “drogas do sertão”. Das missões, os produtos seguiam para Belém, de onde, eram exportados para os mercados europeus. As antigas missões, assim como as fortificações portuguesas estabelecidas após a RESTAURAÇÃO, originaram muitas das atuais cidades ribeirinhas do vale amazônico. A expansão colonial luso-brasileira gerou uma apropriação esparsa e desigual do interior. No momento da independência, a fachada litorânea continuava a abrigar a imensa maioria da população e quase todas as principais cidades da América portuguesa. Mas o interior já não era um espaço mitológico. CAFEICULTURA O Brasil independente (18222) inaugurou um regime político (o império) e um importante ciclo de desenvolvimento econômico: o ciclo do café. Por volta da primeira metade do século XIX, a atividade cafeeira conservava as características originais da estrutura socioeconômica na monocultura latifundiária, com a produção em larga escala apoiada na mão-de-obra escravizada. Na década de 1830 o café já era o principal produto de exportação do Brasil. Na segunda metade do século XIX, sobretudo a partir de 1860- 1870, a cafeicultura passou por profundas mudanças, mas não apenas ela: também a sociedade brasileira como um todo. Essas mudanças referem-se, por exemplo, à substituição da mão-de-obra escravizada pela assalariada do imigrante europeu, à expansão das ferrovias, à progressiva modernização da produção cafeeira, ao desenvolvimento das formas de produção capitalista e ao surgimento da indústria. O CAFÉ: ORIGEM E CONDIÇÕES FAVORÁVEIS DE EXPANSÃO Algumas das condições favoráveis á grande expansão cafeeira foram: o crescimento do comércio internacional; a elevação dos preços do café no mercado internacional. O desenvolvimento da navegação a vapor, encurtando as distâncias; O emprego do trabalho assalariado do imigrante europeu, a criação de uma infraestrutura necessária ao transporte e escoamento do produto (ferrovias, portos),e os elementos naturais clima tropical, solos férteis, relevo de médias altitudes) do interior do estado de São Paulo. Originário da África, o café foi introduzido no Brasil no início do século XVIII, no estado do Pará. Um século depois, seu cultivo já estava disseminado em grande parte do país, desde o Pará até o Paraná. A primeira área de expansão comercial do café foi o estado do Rio de Janeiro (Angra dos Reis, Parati e o Vale do paraíba fluminense). Daí expandiu-se rumo ao estado de São Paulo, alcançando as áreas litorâneas (Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião) e o Vale do Paraíba (Guaratinguetá, Taubaté, Pindamonhagaba). Por volta de 1870, já no final do século XIX, o café caiu para 36,6% em 1947, para 16,6& em 1977 e 12,6% em 1990. O CENTRO E AS PERIFERIAS A expansão colonial definiu regiões mercantis relativamente autônomas, comandadas por cidades portuárias que articulavam diretamente com os mercados consumidores de além-mar. Essa relativa autonomia econômica regional sobreviveu à centralização do poder político realizada pelo Império, em grande parte devido à manutenção da escravidão. O escravismo, fator decisivo na união das Oligarquias regionais em torno do poder central, impediu a constituição de um mercado interno de dimensões significativas e limitou as trocas comerciais entre as diversas regiões produtivas. No final do século XIX , o território brasileiro ainda encontrava-se fragmentado em “ilhas” econômicas regionais. As ligações internas desse “arquipélago econômico” eram frágeis: os mercados externos tinham importância muito maior que o embrionário mercado nacional. O nordeste açucareiro constituía um desses polos exportadores. A produção canavieira, após uma prolongada decadência, vivia um surto de prosperidade ligado às transformações tecnológicas que culminaram com a substituição do engenho pela usina. Enquanto isso, no sertão semiárido, o cultivo de algodão têxtil, adaptado às condições ecológicas regionais e destinado às 56 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) industrias europeias, dividia o espaço com a tradicional atividade pecuária. A Amazônia sediava o pólo exportador de borracha, cuja importância se restringiu ao período 1870-1920. As grandes exportações de borracha natural para Europa e os Estados Unidos tinham atraído levas de migrantes nordestinos para Amazônia Ocidental. Entretanto, o sistema de produção baseado no controle dos seringais pelas companhias exportadoras, impediu qualquer acumulação interna da riqueza gerada pelas exportações. O surto da borracha não criou as bases para o desenvolvimento regional e sequer dinamizou um mercado regional de importância significativa. O Brasil Meridional conheceu uma política de ocupação conduzida pelo Império, destinada a assegurar a soberania sobre a região e baseada na distribuição de pequenos lotes florestais para imigrantes italianos, alemães e eslavos. No início do século XX, já existiam importantes centros agrícolas no Vale do Itajaí (SC), nos arredores de Curitiba (PR) e na região serrana gaúcha. Ao contrário do que acontecia no resto do país, esses centros não estavam voltados para os mercados externos. Nas cidades fundadas pelos imigrantes, nasciam pequenas indústrias de roupas, calçados, louças e alimentos, voltadas principalmente para o mercado regional. Desde meados do século XIX, a economia cafeeira constituía o núcleo das relações do Brasil com o mercado mundial. Introduzido inicialmente no Rio de Janeiro com base no trabalho escravo, o café logo ganhou as terras paulistas, onde seria cultivado sobretudo por imigrantes. Mais tarde, o “ouro verde” se expandiria para o sul de Minas gerais e o norte do Paraná. A nova riqueza fez ferver a cobiça dos fazendeiros, que compravam terras e abriam plantações. Nas encostas íngremes dos “mares de morros”, legiões de lenhadores itinerantes eram contratadas para executar a tarefa de derrubada da floresta e abrir clareiras para o plantio de café. Depois, grandes queimadas completavam o trabalho dos lenhadores. Ferrovias rasgaram o estado de São Paulo, formando um leque aberto para o Oeste, que se unia em Jundiaí e São Paulo, de onde os trilhos levavam para o porto de Santos. Nas margens das ferrovias, novas vilas e cidades avançavam sobre as áreas originalmente florestadas. O espaço cafeeiro gerava economias complementares na sua periferia. As áreas não-cafeeiras de Minas Gerais e as áreas coloniais do Brasil meridional ligavam-se cada vez mais ao pólo cafeeiro paulista. Nos cerrados do Brasil central, uma pecuária ultra-extensiva sustentava o povoamento rarefeito e já fornecia carne bovina para o pólo cafeeiro. A CAFEICULTURA E A INDUSTRIALIZAÇÃO A cafeicultura criou condições necessárias ao desenvolvimento da indústria. Esta, por sua vez, embora concentrada no Sudeste, projetou-se no cenário nacional, rompendo o secular isolamento das economias regionais e promovendo a integração territorial e econômica do país. O Brasil urbano-industrial que conhecemos depois foi forjado a partir da década de 1880, no auge da cafeicultura e graças a ela. Os principais fatores que possibilitaram esse início da industrialização foram: *Elevação das tarifas alfandegárias, a partir de 1844, encarecendo os produtos industrializados estrangeiros. *Disponibilidade de capitais oriundos da expansão cafeeira na segunda metade do século XIX. *Extinção do tráfico negreiro em 1850 com a Lei Eusébio de Queirós. Parte do capital empregado na compra de escravos passou a ser aplicado em empreendimentos manufatureiros. *A entrada do imigrante europeu principalmente a partir da década de 1870, contribuindo para o desenvolvimento industrial e para a expansão do mercado consumidor interno. De 200 estabelecimentos industriais existentes em 1881, o Brasil passou a contar com 600, em 19889. Pela ordem de valor da produção, destacavam-se as indústrias têxtil, alimentícia, química, madeireira e de vestuário. Dessa época em diante a indústria cresceu de forma rápido e contínua. A INDÚSTRIA NO PERÍODO DA REPÚBLICA VELHA (1889- 1930) Em 1907, rio de Janeiro (então Distrito Federal) e São Paulo juntos respondiam por 49% do valor da produção industrial total, com 30% dos estabelecimentos industriais do país. No período de 1907 a 1920, São Paulo ultrapassou o Rio de Janeiro, neste setor e assumiu, até os dias atuais, a vanguarda no desenvolvimento industrial do país. A primeira Guerra Mundial (1914-1918) serviu de estímulo ao desenvolvimento econômico e industrial do Brasil porque, enquanto as importações de manufaturados sofreram forte redução, as exportações de alimentos e matérias-primas aumentaram. Na década de 1920, a indústria já abastecia boa parte do mercado interno no setor de bens de consumo e ocupava lugar importante na economia. As unidades alimentícias e têxteis juntas participavam com 60% do valor da produção industrial do país. Mas a estrutura econômica nacional continuava assentada na agroexportação, sobretudo café. A INDÚSTRIA NO PERÍODO DA REPÚBLICA NOVA OU ERA VARGAS (1930-1945) Esse período teve importância fundamental e decisiva no processo da industrialização do país. A revolução de 1930, que conduziu Getúlio Vargas ao poder, destronou a oligarquia cafeeira, substituindo-a pela burguesia comercial e industrial. Começava aí a época que lançou as bases do Brasil moderno ou predominante urbano-industrial que conhecemos hoje. Este período de 1930 a 1945 propiciou um saldo altamente positivo para a indústria brasileira. Em apenas dez anos, de 1930 a 1940, surgiram 12,232 novos estabelecimentos industriais, quase a mesma quantidade criada ao longo de toda história anterior do país. A Segunda GuerraMundial (1939-1945), que num primeiro momento prejudicou o crescimento industrial do Brasil, acabou se transformando em fator de impulso: diante da dificuldade ou impossibilidade de importar máquinas e equipamentos, a indústria passou a produzi-los aqui mesmo. O Brasil colocava em prática a chamada política de industrialização por substituição de importações. Com isso, além de orientar o processo de desenvolvimento e modernização do país, o governo transformava-se em importante empresário do setor industrial de base. Após a Segunda Guerra, além do setor siderúrgico, investiu maciçamente em outros setores estratégicos de desenvolvimento: energia, transportes, comunicações e outros. Até por volta da década de 1930 predominou na indústria o capital privado nacional e o estatal. Nessa época, o capital estrangeiro concentrava-se nos setores de produção de energia elétrica, entre outros. A INDÚSTRIA NO PERÍODO PÓS SEGUNDA GUERRA Esse período marcou uma importante etapa da industrialização no Aula 6 – Brasil de País Agroexportador a Industrial 57 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Brasil: a da consolidação da indústria de base (siderúrgica, petroquímica, naval). O funcionamento da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1946, deu grande impulso à industrialização. A Siderurgia é uma indústria de base importante porque impulsionava várias outras (naval, automobilística, construção civil), acelerando o crescimento industrial. Houve também a ampliação, diversificação e reequipamento de grande parte do arque industrial. A partir de 1950, foram desenvolvidos, entre outros, o setor de hidroeletricidade e o petrolífero (criação da Petrobrás, em 1953). Na segunda metade da década de 1950, com o governo Juscelino Kubitschek (1956-1961), a industrialização recebeu grande impulso com o Plano de Metas. Dedicou-se especial atenção aos setores de infraestrutura energética e de transportes (rodovias, principalmente), além de criar os estímulos fiscais para atrair o capital estrangeiro. O Brasil passou então a receber diversas subsidiárias estrangeiras (destacando-se a indústria automobilística e a de eletrodoméstico), acentuando-se o processo de internacionalização da economia. O setor automobilístico, nessa época, tornou-se o carro-chefe da industrialização brasileira. Assim surgiu o maior parque automobilístico nacional, em São Bernardo do Campo (SP). Formava-se então o modelo de exploração econômica baseado no chamado tripé, ou seja, a parceria de três capitais: o estatal, o estrangeiro e o privado nacional. E os governos militares pós-1964 não apenas deram prosseguimento a este modelo de desenvolvimento, como também o aprofundaram e aperfeiçoaram. A viabilidade do desenvolvimento baseado no tripé foi assegurada pelas seguintes condições, entre outras: os favores e as concessões do Estado, a exploração da massa trabalhadora, a brutal concentração da renda, o endividamento externo e o autoritarismo do regime militar. Por meio da industrialização, o Brasil ingressou na modernidade e construiu uma economia que se situa entre as maiores do mundo. Seu parque industrial é grande, forte, complexo e diversificado. No entanto, esta industrialização tardia e dependente (do capital estrangeiro) não capaz de corrigir os graves problemas sociais do país, como o da injusta distribuição de renda nacional. Ao contrário aprofundou o abismo entre ricos e pobres. 58 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 Na produção do espaço brasileiro, o período colonial foi marcado pela presença de: a) Cidades com forte intercâmbio entre si com forte integração nacional. b) Um espaço com “ilhas e arquipélagos econômicos” voltados para o comércio com espaço subordinante. c) Economias dinâmicas e simultâneas da cana-de-açúcar, da mineração, do café, como espaços de atração demográfica. d) A redução do papel do Estado que, após décadas, deixou de ser o responsável pela instalação de indústrias leves de bens de consumo. e) Ocorreu forte industrialização no período, onde a Metrópole estimulou Questão 02 No processo de organização do espaço geográfico brasileiro é destacado o papel dos sistemas produtivos reinantes em diferentes épocas. Sobre essa temática, marque a opção verdadeira. a) Somente a partir do meado do século XX, com a industrialização do país, o espaço nacional brasileiro tornou-se mais integrado. b) No período pré-industrial, as economias regionais estavam integradas, criando o espaço nacional brasileiro. c) Na fase da economia exportadora, a zona da Mata e o litoral do Maranhão já eram áreas decadentes e pouco povoadas. d) Com seus produtos valorizados pelo mercado internacional, no período da economia exportadora, Maranhão, Amazonas e zonas mineiras do centro do país eram subordinadas ao sertão nordestino, região da pecuária. e) A integração nacional no período colonial foi marcada pelas obras faraônicas e abertura de rodovias e entrada de indústrias multinacionais, basicamente na região Nordeste. Questão 03 Entende-se por DIT (Divisão Internacional do Trabalho) a especialização de uma região no comércio mundial, assim, podemos afirmar que cada país tem uma função específica. A partir da 2° Guerra Mundial houve uma Nova DIT na qual o Brasil se destaca por: a) Manter o mesmo papel de fornecedor apenas de produtos primários e acumular sucessivos superávits comerciais nos anos 60-70 do século XX. b) Apresentar um desenvolvimento técnico-científico avançado e posicionar-se no centro do sistema, comandando a evolução do capitalismo. c) Encontrar-se ainda na periferia do capitalismo, mas agora produzindo produtos industriais, embora ainda fornecendo produtos primários. d) Determinar uma relação comercial típica de Metrópole e Colônia, onde as colônias eram beneficiadas pelos investimentos de capitais e pelo liberalismo econômico, permitindo que as mesmas obtivessem superávits. e) Apresentar atualmente déficits comerciais e ampliação de emprego formal no País, bem como a centralização do país no capitalismo e o fornecimento de tecnologias. Questão 04 Observe o gráfico para responder a esta questão. A análise do gráfico e seus conhecimentos sobre a realidade econômica brasileira permitem afirmar que: a) os déficits registrados até 1982 são resultantes do antigo modelo econômico que priorizava as importações de produtos industrializados em detrimento da produção nacional. Anotações Aula 6 – Brasil de País Agroexportador a Industrial 59 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência b) os superávits registrados, a partir da década de 80, têm sido obtidos à custa do desestímulo às importações e do favorecimento, e ao aumento das exportações de soja. c) os déficits registrados, na década de 70, correspondem à fase de deterioração dos preços dos produtos primários no comércio internacional, hoje, superada. d) os superávits registrados, a partir de 80, foram acompanhados de uma paralela recuperação econômica do País. e) os superávits registrados, a partir de 80, correspondem ao período de fortalecimento das relações comerciais do Brasil com os "Tigres Asiáticos". Questão 05 A partir de 1990, alguns países latino-americanos de economias emergentes, para se inserirem no mundo globalizado, tiveram de recorrer aos organismos internacionais como forma de financiar o seu desenvolvimento econômico.Nesse sentido, algumas medidas foram tomadas, dentre elas: a) adotar políticas antiinflacionárias e implementar uma economia centralizada no governo federal com a estatização de empresas. b) estabelecer políticas protecionistas, dificultando a entrada de capital internacional no país, para facilitar o desenvolvimento interno. c) incentivar as produções agrícola e industrial, com vistas a promover o desenvolvimento econômico voltado para o atendimento do mercado local, reduzindo as exportações. d) Adotar uma política de privatizações e adotar uma maior abertura do mercado. e) Fortalecer o protecionismo ao setor agrícola e estatização das empresas multinacionais. Questão 06 A industrialização brasileira tem como marco a década de 1930, com o processo de implantação de setores de base. Isto não quer dizer que, antes daquela década, não houvesse indústrias no país. Elas existiram, só que compuseram um setor de pouca monta e, ainda: a) se caracterizaram pela forte dependência a uma política de investimentos nacionais e estrangeiros. b) se basearam em capitais provenientes da exportação da borracha amazônica. c) tiveram, na redução de tarifas de importação de manufaturados, seu principal fator de competitividade. d) estiveram ligadas à formação de um mercado consumidor representado pelo afluxo de imigrantes europeus assalariados. e) apresentaram forte concentração de investimentos nos setores de energia e transportes. Questão 07 A formação do território brasileiro é uma obra de construção histórica que esteve ligada aos ciclos econômicos. Analisando a ocupação do território brasileiro, podemos afirmar que: a) A interiorização do Brasil esteve ligada ao desenvolvimento de latifúndios monocultores de cana-de- açúcar e a uma sociedade escrava. b) O Tratado de Madri, assinado por Alexandre de Gusmão, autenticou o processo de expansão territorial espanhol na América ainda no século XVIII reduzindo as áreas lusitanas no Brasil. c) A ocupação do sertão nordestino esteve intimamente ligada a Pecuária Intensiva e a Minifúndios de mão-de-obra familiar. d) O chamado ciclo da mineração, que atingiu o apogeu no século XVIII, foi responsável pela transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, além da formação de vilas e o desenvolvimento do gado no centro-oeste. e) O Acre foi anexado ao Brasil no século XVIII por ação do Diplomata Alexandre de Gusmão junto ao Peru. Questão 08 Após a industrialização do País, concentrada sobretudo nas grandes cidades, aparentemente tudo mudou. No entanto ainda permanecem sinais significativos na paisagem de uma economia que no passado foi responsável pela estruturação deste espaço: o eixo ferroviário, as cidades construídas nos tabuleiros terciários e nas baixas encostas, os morros recobertos no passado pela mata atlântica hoje ocupados pela agricultura e pecuária. O traçado das estradas unindo o vale ao litoral, antes utilizadas pelas tropas de burros. Casarões assobradados com suas muitas janelas, restaurados ou não, servindo hoje a outras funções, como por exemplo, hotéis, museus, bancos etc. O texto refere-se à paisagem inicialmente estruturada pela: a) economia canavieira na Baixada de Campos. d) cafeicultura, no Vale do Paraíba. b) rizicultura, no Vale do Ribeira. e) cafeicultura, no Sul de Minas Gerais. c) rizicultura, no Vale do Paraíba. Anotações 60 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 A modernização do Brasil, resultante do crescimento da economia urbano-industrial, produz uma divisão territorial do trabalho que: a) torna a indústria dependente da agricultura. b) determina maior autonomia regional à Amazônia e ao Nordeste. c) diminui as desigualdades econômicas regionais. d) reduz o êxodo rural. e) subordina progressivamente o campo à cidade. Questão 02 No caso brasileiro, as décadas de 1980 e 1990 são marcadas pelo processo de globalização da economia. Muitas corporações internacionais de diferentes setores econômicos se instalaram em território brasileiro e passaram a atuar na fabricação de uma gama variável de produtos, bem como na oferta de serviços. Este período é marcado também pelo movimento neoliberal que culminou na privatização de muitas empresas estatais brasileiras. De acordo com o texto é CORRETO afirmar que: a) ao abrir as portas para o capital estrangeiro o mercado brasileiro, formado por diferentes setores da economia, apresentou um forte aquecimento. Este crescimento, por sua vez, foi acompanhado de um significativo desenvolvimento social, constatado em todas as partes do território. b) ao se instalar no território brasileiro, as empresas transnacionais passaram a produzir seus próprios espaços, considerados espaços da globalização, em que os comandos passam a ser estabelecidos por essas empresas, criando, assim, um “espaço nacional da economia internacional”. c) a produção industrial brasileira é marcada pela inovação tecnológica. Aqui, produtos da mais alta tecnologia surgem constantemente. Este fato é constatado pela supremacia que a indústria representa em nossa balança comercial, superando, inclusive o agronegócio. d) em se tratando do Brasil, o processo de globalização da economia se faz sentir exclusivamente no campo. Não se pode negar os avanços tecnológicos que se tem observado no setor agrícola. Isto pode ser constatado pela expressiva produção que coloca o país como um dos maiores produtores de grãos do mundo. e) o território brasileiro é um exemplo emblemático de que a globalização de fato se estabeleceu para trazer apenas benefícios. Em toda parte podemos observar os avanços significativos, de modernização, desenvolvimento social e melhorias no meio ambiente. Questão 03 “Entre 1800 e 1850, a cafeicultura expandiu-se pelo Vale do Paraíba, a partir do Rio de Janeiro. Nos 40 anos seguintes, ela avançou pelo interior paulista, na região dominada pela depressão periférica da borda leste da Bacia do Paraná. A partir de 1900, o café prossegue sua marcha em direção à porção ocidental do estado de São Paulo, atingindo o Vale do Rio Paraná. Em meados do século XX, todo o extremo oeste paulista e parte expressiva do noroeste paranaense já se haviam inserido nessa produção.” O mapa a seguir assinala um importante fator natural relacionado à expansão da cafeicultura. Este fator natural trata-se: a) do surgimento do Período Terciário, favorecendo o uso dos rios para obtenção de energia. b) da glaciação havida no Período Carbonífero, propiciando o surgimento de fontes de energia. c) dos dobramentos típicos da Era Cenozoica, responsáveis pelo surgimento do Aquífero Guarani. d) da transgressão marinha do Período Devoniano, que resultou em grandes depósitos de sais minerais. e) do derrame basáltico ocorrido na Era Mesozoica, com a decorrente formação de solos férteis. Questão 04 As secas e o apelo econômico da borracha — produto que no final do século XIX alcançava preços altos nos mercados internacionais — motivaram a movimentação de massas humanas oriundas do Nordeste do Brasil para o Acre. Entretanto, até o início do século XX, essa região pertencia à Bolívia, embora a maioria da sua população fosse brasileira e não obedecesse à autoridade boliviana. Para reagir à presença de brasileiros, o governo de La Paz negociou o arrendamento da região a uma entidade internacional, o Bolivian Syndicate, iniciando violentas disputas dos dois lados da fronteira. O conflito só terminou em 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasil comprou o território por 2 milhões de libras esterlinas. DISPONÍVEL em: www.mre.gov.br. Acesso em: 03 nov. 2008 (adaptado)Compreendendo o contexto em que ocorreram os fatos apresentados, o Acre tornou-se parte do território nacional brasileiro: a) pela formalização do Tratado de Petrópolis, que indenizava o Brasil pela sua anexação. b) por meio do auxílio do Bolivian Syndicate aos emigrantes brasileiros na região. c) devido à crescente emigração de brasileiros que exploravam os seringais. d) em função da presença de inúmeros imigrantes estrangeiros na região. e) pela indenização que os emigrantes brasileiros pagaram à Bolívia. Questão 05 Até fins do século XIX, a economia brasileira continuou essencialmente agrária e exportadora. Na região amazônica, produzia-se e se exportava borracha. No norte e nordeste, açúcar, algodão, fumo e cacau dominavam. No Rio de janeiro, Minas Aula 6 – Brasil de País Agroexportador a Industrial 61 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Gerais, Espírito Santo e São Paulo, o café ocupava o primeiro lugar. No Rio Grande do Sul produziam-se couro, pele, mate e se exportava para outras regiões do Brasil o charque. A partir de 1930 houve um rápido processo de industrialização, reforçada principalmente no período da II Guerra Mundial, onde foi estabelecida a Política Substitutiva. Explique como funcionava a lógica desse modelo. Questão 06 "Coube a Portugal a tarefa de encontrar uma forma de utilização econômica das terras americanas que não fosse a fácil extração de metais preciosos. Somente assim seria possível cobrir os gastos de defesa dessas terras. (...) De simples empresa espoliativa e extrativa – idêntica à que na mesma época estava sendo empreendida na costa da África e nas índias Orientais – a América passa a constituir parte integrante da economia reprodutiva europeia, cuja técnica e capitais a ela se aplicam para criar de forma permanente um fluxo de bens destinados ao mercado europeu." FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1971. p. 8. Adaptado. Segundo o texto, a colonização sistemática do território brasileiro por Portugal favoreceu a) a integração da América a uma economia internacionalizada, que tinha a Europa como centro. b) estabelecimento das feitorias na costa atlântica do Brasil, responsáveis pela extração e pelo comércio de pau-brasil. c) a constituição de forte hegemonia portuguesa sobre o Oceano Atlântico, que persistiu até o século XVIII. d) o início de trocas comerciais regulares e intensas do Brasil com as colônias portuguesas das Índias Orientais. e) a construção de fortalezas no litoral brasileiro, para rechaçar, no século XVI e no XVII, as tentativas de invasões francesas e holandesas. Questão 07 O Brasil experimentou, na segunda metade do século 20, uma das mais rápidas transições urbanas da história mundial. Ela transformou rapidamente um país rural e agrícola em um país urbano e metropolitano, no qual grande parte da população passou a morar em cidades grandes. Hoje, quase dois quintos da população total residem em uma cidade de pelo menos um milhão de habitantes. (Adaptado de George Martine e Gordon McGranahan, “A transição urbana brasileira: trajetória, dificuldades e lições aprendidas”, em Rosana Baeninger (org.), População e cidades: subsídios para o planejamento e para as políticas sociais. Campinas:Nepo / Brasília: UNFPA, 2010, p. 11.) Considerando o trecho acima, assinale a alternativa correta. a) A partir de 1930, a ocupação das fronteiras agrícolas (na Amazônia, no Centro-Oeste, no Paraná) foi o fator gerador de deslocamentos de população no Brasil. b) Uma das características mais marcantes da urbanização no período 1930-1980 foi a distribuição da população urbana em cidades de diferentes tamanhos, em especial nas cidades médias. c) Os últimos censos têm mostrado que as grandes cidades (mais de 500 mil habitantes) têm tido crescimento relativo mais acelerado em comparação com as médias e as pequenas. d) Com a crise de 1929, o Brasil voltou-se para o desenvolvimento do mercado interno através de uma industrialização por substituição de importações, o que demandou mão de obra urbana numerosa. e) A era Vargas incentivou a presença do capital estrangeiro junto ao parque industrial nacional contra a perspectiva estatista vigente até os anos 1930. Questão 08 Analisando a estrutura econômica brasileira durante a fase colonial verificamos a formação de ciclos que passou a influenciar na política e organização regional de determinadas áreas do país. A organização socioeconômica ao final do século XIX foi pautada principalmente a) na estrutura de latifúndios, com a cana-de-açúcar como principal produto de exportação nacional destacando-se a região Nordeste e seu solo Massapê. b) numa formação burguesa-industrial, destacando-se o setor de base e as indústrias de bens duráveis, resquícios da exportação de café. c) na adoção de um modelo agrícola do tipo plantation, tendo o algodão como principal produto de exportação nacional, destacando-se o sertão nordestino. d) na formação de grandes latifúndios, tendo como destaque os cafezais no sudeste, principalmente no eixo São Paulo- Rio de Janeiro, utilizando o solo de Terra Roxa. e) no desenvolvimento de um sistema de capitanias hereditárias, com o poder descentralizado destacando-se a produção de cana- de-açúcar, tendo certa prosperidade a capitania de São Vicente e Pernambuco. Questão 09 Os primitivos habitantes do Brasil foram vítimas do processo colonizador. O europeu, com visão de mundo calcada em preconceitos, menosprezou o indígena e sua cultura. A acreditar nos viajantes e missionários, a partir de meados do século XVI, há um decréscimo da população indígena, que se agrava nos séculos seguintes. Sobre os fatores que mais contribuíram para o citado decréscimo, analise as afirmativas abaixo e marque V para o que for verdadeiro e F para o que for falso: ( ). Durante os primeiros 30 anos, a extração do pau-brasil era exercida com a ajuda do trabalho braçal dos índios, que em troca, recebiam utensílios na maioria das vezes. ( ). O uti possidetis garantiu aos franceses e holandeses a posse de muitas terras na América lusitana e foram essas duas nações que mais massacraram povos indígenas nos séculos XVI e XVII. ( ). Durante os três primeiros séculos de colonização os contatos entre indígenas e portugueses não foram danosos e foi somente com a chegada de D. João VI que a violência começou. ( ). Portugal também contava com a ajuda de missionários Jesuítas que disseminavam o cristianismo, catequizando os índios justificando a vinda dos portugueses por meio da fé. ( ). A partir de 1530, iniciou-se a real colonização da terra recém- descoberta, a qual passou a ser povoada por estrangeiros que desrespeitaram os direitos indígenas. Questão 10 O Brasil possui uma estrutura fundiária caracterizada pela concentração da terra e pela existência de latifúndios, dos quais muitos improdutivos. Tal modelo é secular e foi implantado desde o início da colonização. Como forma de combate a essa estrutura fundiária excludente, vem se destacando nas últimas décadas a atuação: a) Por consequência, atualmente, menos de 20% da população brasileira trabalha na agricultura, uma parte dela em condições rudimentares, pois a concentração fundiária é muito grande e a mecanização vem retirando o homem do campo. 62 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) b) da UDR (União Democrática Ruralista) que, como o próprio nome diz, visa democratizar o acesso dos camponeses à propriedade da terra, fato que foi concretizado no Brasil dando um fim ao êxodo rural. c) Os produtos agrícolassempre foram fundamentais para a economia brasileira, que no início da colonização possuía vários modelos agrícolas, sendo a formação de latifúndios um fato recente na nossa história. d) O Brasil continua sendo um país agroexportador sendo esse setor o principal de sua economia, pois a industrialização, mesmo depois de muitas tentativas, continua sendo uma realidade distante. e) A Lei de Terras vem organizando uma série de mudanças nas terras produtivas como acelerar o processo de reforma agrária, a exploração de forma sustentável do solo e manter o homem rural no seu espaço. Questão 11 Ao deflagrar-se a crise mundial de 1929, a situação da economia cafeeira se apresentava como se segue. A produção, que se encontrava em altos níveis, teria que seguir crescendo, pois os produtores haviam continuado a expandir as plantações até aquele momento. Com efeito, a produção máxima seria alcançada em 1933, ou seja, no ponto mais baixo da depressão, como reflexo das grandes plantações de 1927-1928. Entretanto, era totalmente impossível obter crédito no exterior para financiar a retenção de novos estoques, pois o mercado internacional de capitais se encontrava em profunda depressão, e ocrédito do governo desaparecera com a evaporação das reservas. FURTADO, C. Formação econômica do Brasil. São Paulo:Cia. Editora Nacional, 1997 (adaptado). Uma resposta do Estado brasileiro à conjuntura econômica mencionada foi o(a) a) atração de empresas estrangeiras. b) reformulação do sistema fundiário. c) incremento da mão de obra imigrante. d) desenvolvimento de política industrial. e) financiamento de pequenos agricultores. Questão 12 Desde 2007, os produtos básicos sinalizam uma estabilização no quantum importado, apresentando pequena variação entre as quantidades máxima e mínima em cada ano. Por sua vez, os produtos semimanufaturados, após período de estabilidade, começam a mostrar tendência de crescimento. Enquanto isso, as quantidades importadas de produtos manufaturados tiveram crescimento contínuo e foram fortemente aceleradas nos dois últimos anos, impulsionadas pela demanda doméstica e pela forte valorização do real. (http://www.mme.gov.br/sgm/galerias/arquivos/plano_duo_decenal/estudos_econom ia_setor_mineral/P01_RT03_Perspectivas_de_evoluxo_das_trocas_setoriais_entre_ as_economias_brasileira_e_mundial_a_ mxdio_e_longo_prazos.pdf) A leitura das características do comércio internacional do Brasil em dois momentos (1995 e 2007) permite concluir que: a) somente uma maior nacionalização da economia permitirá ao Brasil superar o atraso tecnológico, que o torna dependente da importação de produtos industrializados. b) mesmo com os esforços desenvolvimentistas do Estado, o Brasil conserva sua vocação agrícola, já que a exportação de commodities é suficiente para custear a importação de produtos industrializados. c) embora o Brasil se equipare em termos de competitividade com outros países industrializados, o forte crescimento do mercado interno exige a importação de manufaturados. d) apesar da posição do Brasil na Nova Divisão Internacional do Trabalho, o país ainda mantém a dependência na importação de produtos de alto valor agregado. e) o fato de as atividades industriais manterem-se fortemente concentradas explica a baixa produção e a necessidade de importação de bens manufaturados. Questão 13 O final dos anos 1920 e o início dos anos 1930 foram marcados por uma crise financeira generalizada, agravada pela quebra da bolsa de Nova York, que, no Brasil, afetou mais fortemente a: a) economia cafeeira. b) produção algodoeira. c) manufatura açucareira. d) indústria automobilística. Questão 14 Apesar do predomínio da agromanufatura açucareira na economia colonial brasileira, a pecuária e a extração das "drogas do sertão" foram fundamentais. A esse respeito, podemos afirmar que: a) ocorreu uma grande absorção da mão-de-obra escrava negra, particularmente na pecuária. b) a presença do indígena na extração das "drogas do sertão" foi essencial pelo conhecimento da geografia da região nordeste. c) por serem atividades complementares, a força de trabalho não se dedicava integralmente a elas. d) ambas foram responsáveis pelo processo de interiorização do Brasil colonial. e) possibilitaram o surgimento de um mercado interno que se contrapunha às flutuações do comércio internacional. CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I Prof. Fernandes Epitácio VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência BRASIL: A CONSTRUÇÃO DO TERRITÓRIO NACIONAL TERRITÓRIO ATUAL E POVOAMENTO O globo terrestre possui aproximadamente 510 milhões de Quilômetros quadrados, dentre os quais três quartos (70,7%) constituídos por oceanos e mares - para efeito de estudo podemos considerar três: Pacífico, Atlântico e Índico. O restante, ou seja, as áreas continentais constituem as terras emersas divididas em cinco continentes e algumas ilhas - divididas em seis continentes: Americano, Europeu, Asiático, Africano, Oceania e Antártica. Com território de 8.514.876 km², o Brasil é considerado um país- continente. De fato, sua extensão territorial é das maiores do mundo (quinto lugar) e inclui-se entre os seis países que possuem mais de 7 milhões de quilômetros quadrados. Em relação à América do Sul, o Brasil representa 47% da área do continente e ocupa a porção centro-oriental da América do Sul fazendo fronteira com todos os países da região exceto Equador e Chile, com Bolívia e Peru apresentando maior fronteira com o nosso país e o Suriname e Uruguai a menor. POSIÇÃO ASTRONÔMICA Com base na análise do mapa, verificamos que o Brasil apresenta: • 93% das terras no Hemisfério Meridional ou Sul- a linha do Equador corta o Estado de Roraima, Amapá, Amazonas e Pará; • Possui terras na Zona Tropical (92%) e na Zona Temperada do Sul (8%)- a linha do Trópico de Capricórnio atravessa o Estado de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, sendo a cidade de São Paulo a única capital cortada pelo Paralelo. Com relação ao fator Longitude percebe-se que o País encontra-se totalmente a Oeste de Greenwich, ou seja, no hemisfério Ocidental, possuindo, portanto 4 fusos horários - todos atrasados em relação a Greenwich. A expressão país-continente advém do fato de a área da Austrália – que praticamente engloba o menor de todos os continentes, a Oceania – ser de cerca de 7,6 milhões de quilômetros quadrados. Todas as áreas com tamanho igual ou superior ao da Austrália são considerados continentes, e as que têm tamanhos menores são ilhas. Para ter uma ideia desse imenso tamanho, podemos lembrar que toda a Europa, a ocidental e a oriental (excluindo a parte europeia da Rússia), onde existem atualmente 45 Estados independentes, possui apenas cerca de 5,2 milhões de quilômetros quadrados. O território brasileiro atual tem 7 367 km de contorno marítimo (o litoral com o oceano Atlântico) e 15 719 km de contorno terrestre, de fronteiras com os nossos vizinhos sul-americanos. Quase todos os países desse subcontinente, as exceções são Equador e Chile, possuem fronteiras com o Brasil. Os últimos acertos importantes para delimitar esse contorno terrestre foram realizados no final do século XIX (1895, 1900) e no início do século XX (1903-1904). Alguns estados do Brasil – como Amazonas, Pará, Mato Grosso e Minas Gerais – possuem, cada um, uma área territorial superior à de muitos países europeus reunidos. Se observarmos um mapa de densidade demográfica ou povoamento do Brasil, poderemos notar que a população se concentra no litoral ou, melhor, em uma estreita faixa de terra que vai do oceano Atlântico até cerca de 150 km para o interior. As cidadesmais populosas se localizam nessa faixa: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza, Belém, entre outras. As exceções – grandes áreas metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes situadas a mais de 150 km do litoral – são Belo Horizonte, Brasília-Goiânia e Manaus. A regra geral é a concentração litorânea, principalmente próxima ao litoral do Nordeste oriental (Zona da Mata nordestina) e no Sudeste (entre São Paulo e Rio de Janeiro). A parte ocidental do país, principalmente a Amazônia, ainda permanece com baixas densidades demográficas, embora isso venha se alterando nas últimas décadas com o deslocamento de contingentes populacionais do Sudeste, do Nordeste e do Sul do país para a Amazônia e principalmente para Mato Grosso, Rondônia e Roraima. CONSTRUÇÃO DO BRASIL Como se sabe, era muito comum a ideia de “descobrimento” do Brasil. Seria como se ele já estivesse “pronto” e faltasse somente 64 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) alguém, um navegador português, encontrá-lo. Mas se o Brasil somos nós – o povo, a sociedade ou a nação brasileira, com sua cultura, o seu território e as suas instituições -, então ele ainda não existia em 1500. O que havia era um espaço físico habitado por inúmeras sociedades indígenas, cada uma com um território diferente. O Brasil foi, assim, uma construção na qual os colonizadores portugueses se apropriaram de certas áreas, geralmente expulsando, às vezes escravizando ou exterminando os indígenas que as ocupavam; com o tempo, expandiram o seu território e criaram neste novo mundo uma sociedade diferente, que um dia se tornou um Estado-Nação independente. Essa construção do Brasil durou vários séculos e teve dois aspectos principais: a formação territorial, isto é, a forma de ocupação da terra e a sua delimitação por meio de fronteiras; e a criação de uma sociedade ou de uma nação com a sua cultura (valores e hábitos) e instituições próprias (especialmente o Estado ou poder público em todos os níveis e esferas). A formação do território brasileiro é um tema que sempre fascinou os estudiosos por causa de alguns aparentes enigmas, expressos nestas interrogações: como chegamos a ter este imenso território, um dos maiores do mundo e o maior da América Latina?; por que as áreas de colonização portuguesa na América deram origem a um só país, o Brasil, enquanto as áreas de colonização espanhola originaram inúmeros países independentes?; e por que a maioria dos brasileiros se concentra mais na parte leste do território, próximo ao litoral? ENTRADAS Eram expedições organizadas pela Coroa e, portanto, oficiais. Delas participavam apenas homens brancos, cujos objetivos eram procurar metais preciosos, combater indígenas, povoar e abrir vias de transporte. Procuravam não ultrapassar o limite do Tratado de Tordesilhas. As principais foram comandadas por Américo Vespúcio, Sebastião Tourinho, Antonio Dias Adorno, Gabriel Soares de Sousa e Belchior Dias Moreia. BANDEIRAS Eram expedições organizadas por particulares e delas podiam participar homens brancos, índios, negros, mulheres e até crianças. Partiam, principalmente, da Vila de São Paulo e não respeitavam o limite de Tordesilhas. Tipos de Bandeirismo: 1.Bandeirismo de Caça ao Índio ou Apresador: Objetivava capturar índios para vendê-los como escravos, inclusive destruindo Missões Jesuíticas. Destacaram-se Antônio Raposo Tavares e Manuel Preto. 2.Bandeirismo Minerador ou Prospector: Visava descobrir metais preciosos. Destacaram-se: Fernão Dias Pais Leme, Borba Gato e Bartolomeu Bueno. 3. Bandeirismo ou Sertanismo de Contrato: O bandeirante era contratado por particulares ou pelo Estado para destruir tribos selvagens e quilombos. O principal destaque foi Domingos Jorge Velho. OBS. As Bandeiras desbravaram e povoaram o interior, descobriram riquezas minerais e ampliaram o território para além dos limites do Tratado de Tordesilhas. MONÇÕES Expedições fluviais, que partiam da Vila de São Paulo para Cuiabá, carregadas de mantimentos para vender na região das minas. MISSÕES OU REDUÇÕES Eram aldeias criadas pelos jesuítas, nas quais viviam milhares de índios, recebendo ensinamentos sobre religião e trabalhando sob a direção dos religiosos. TRATADOS BULA INTERCOETERA (1493) A expansão marítimo-comercial europeia, ocorrida a partir do século XV, fez parte do processo histórico no qual as burguesias europeias buscavam ampliar seus lucros por meio da criação de novas e lucrativas rotas comerciais. Nesse contexto, Portugal e Espanha contaram com condições históricas que favoreceram o pioneirismo de ambas as nações nesse processo. Durante o século XV, Portugal empreendeu a conquista de domínios ao longo da Costa Africana. Os espanhóis finalizaram a formação de seu Estado nacional, em 1492. Naquele mesmo ano, a Coroa Espanhola iniciou sua expansão marítima apostando no projeto circunavegatório do navegador genovês Cristóvão Colombo. Pensando ter chegado às Índias, o navegador italiano encontrou o continente americano. O anúncio da existência do novo continente inseriu os espanhóis na disputa por novas áreas de exploração colonial. Temendo uma abrupta ascensão marítimo-comercial espanhola, Portugal ameaçou entrar em conflito com os espanhóis, caso suas possessões fossem desrespeitadas. Evitando a deflagração de uma guerra, a Espanha solicitou o papa Alexandre VI para arbitrar a questão. Em 4 de maio de 1493, a Bula Inter Coetera estabeleceu um acordo que determinava as regiões de exploração de cada uma das nações ibéricas. De acordo com o documento, uma linha imaginária a 100 léguas (660 quilômetros) da Ilha de Açores dividia o mundo, determinando que todas as terras a oeste dessa linha seriam de posse da Espanha e a leste seriam fixados os territórios portugueses. Dessa maneira, a disputa parecia resolvida. No entanto, por motivos não muito claros, o rei Dom João II exigiu a revisão do acordo diplomático. Alguns historiadores levantam a hipótese que a Coroa Portuguesa sabia da existência de terras na parte sul do novo continente. Dessa maneira, as autoridades lusas mais uma vez ameaçaram a Espanha caso o pedido de revisão não fosse acatado. Mais uma vez, o papa foi convocado para intermediar novas negociações. TRATADO DE TORDESILHAS (1494) No dia 7 de julho de 1494, o Tratado de Tordesilhas transformou os limites do antigo pacto. Segundo o novo acordo, todas as terras descobertas até o limite de 370 léguas (2500 quilômetros) a oeste de Cabo Verde seriam de domínio português, sendo as restantes de posse espanhola. Com esse novo acordo, Portugal assegurou sua autoridade sobre parte dos territórios do Brasil, que teve sua descoberta anunciada seis anos mais tarde. Aula 7 – Brasil a Construção do Território Nacional 65 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Ao contrário do pretendido, esse novo tratado não deu fim às disputas pelo continente americano. No século XVI, nações como Inglaterra, França e Holanda começaram a empreender seu processo de expansão marítima. Insatisfeitas com a decisão papal, tais nações utilizaram do contrabando, das invasões e da pilhagem em repúdio ao monopólio português e espanhol. TRATADOS DE UTRECHT (1713 E 1715) Com o fim da Guerra da Sucessão Espanhola, representantes dos países envolvidos se encontraram na cidade holandesa de Utrecht. Portugal assinou dois tratados: Tratado de Utrecht (1713): A França reconheceu o rio Oiapoque como fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa. Tratado de Utrecht (1715): A Espanha devolveu a Colônia do Sacramento a Portugal. TRATADO DE MADRI(1750) Foi assinado entre o rei Fernando VI, representando a Espanha e o brasileiro Alexandre de Gusmão, representando Portugal e tinha como base o princípio do Direito Romano: “Uti possidetis, ita possidetis”, ou seja, “assim como possuis, continuarás a possuir”. Assim sendo, a Colônia do Sacramento ficou com Espanha, enquanto que os Sete Povos das Missões e todas as terras a oeste de Tordesilhas, que estavam ocupadas por brasileiros, passou a pertencer a Portugal. TRATADO DE EL PARDO (1761) Para definir os limites de fronteira de suas colônias na América do Sul, Espanha e Portugal firmaram o Tratado de Madri, em 1750, para substituir o mal distribuído Tratado de Tordesilhas, que já era ignorado pelos colonos. Entretanto, a divisão das fronteiras concedeu o território dos Sete Povos das Missões (parte do Rio Grande do Sul) à colônia portuguesa, o que de certa forma impedia que os jesuítas espanhóis continuassem catequizando as aldeias indígenas da região. Os índios guaranis que habitavam a região tinham aversão aos portugueses, pois eram obrigados a se deslocarem até o outro lado do Rio Uruguai para respeitarem a nova divisão colonial. Essa aversão gerou violentos conflitos na região, suscitando na Guerra Guaranítica, por volta de 1753. Por outro lado, os portugueses não queriam ceder o território da Colônia do Sacramento, hoje território do Uruguai, ao domínio espanhol. Com objetivo de manter a paz selada entre Portugal e Espanha, os colonos decidiram assinar o Tratado de El Pardo, em 1761. O tratado exigia que todos os acordos feitos após o Tratado de Madri seriam desfeitos e todos os territórios ocupados retornariam ao comando de suas antigas colônias. Qualquer habitação, casa ou fortaleza construída após as demarcações estabelecidas pelo Tratado de Madri seria demolida como sinal de cooperação entre os colonos portugueses e espanhóis. Apesar da revogação do Tratado de Madri, os territórios demarcados pelo diplomata português Alexandre de Gusmão seriam mantidos em um novo Tratado de El Pardo, assinado em 11 de março de 1778 pelo rei espanhol Carlos III e a rainha portuguesa Maria I. Foi graças ao princípio uti possedis (tomar a posse), defendido por Gusmão, que o Brasil teve suas regiões demarcadas. Neste novo documento, Portugal cedia à Espanha as ilhas de Ano Bom, Formosa e a costa do Golfo da Guiné, que fazem parte da Guiné Equatorial, para facilitar o tráfico de navios negreiros. Em troca, os portugueses tinham direito a uma expansão territorial no domínio da América Latina, aumentando o tamanho de sua colônia, o Brasil. TRATADO DE SANTO ILDEFONSO (1777) Assinado entre Portugal e Espanha para retificar as fronteiras dos dois impérios na América, cabendo aos espanhóis a posse da Colônia do Sacramento e das Missões. TRATADO DE BADAJÓS (1801) Entre os meses de maio e junho de 1801 houve um conflito militar que envolveu Portugal e Espanha que traria extensos desdobramentos para a política Ibérica. Este evento é conhecido como Guerra das Laranjas e foi algo traumático para os portugueses porque iniciou a Questão de Olivença, uma disputa com os espanhóis pelo domínio da região de Olivença e seus territórios adjacentes que persiste até os dias atuais. Embora não haja mais guerras para solucionar a questão, os dois países ainda não chegaram a um acordo sobre o território em disputa. A Guerra das Laranjas travada entre Portugal e Espanha teve desdobramentos até no Brasil, que refletiu na chamada Guerra de 1801 e resultou no aumento do território do Rio Grande do Sul em mais de um terço. Naquele mesmo ano, foi celebrado um acordo envolvendo Portugal, Espanha e França para estabelecer a paz. A decisão foi tomada no dia seis de junho de 1801 na cidade espanhola de Badajoz, o que determinou o nome Tratado de Badajoz. O acordo colocava fim à Guerra das Laranjas e estabelecia termos severos a Portugal, que assinou coagido. Portugal e Espanha estavam em guerra na Europa. Como forma de retaliação a Espanha, a Coroa Portuguesa ordenou aos luso- brasileiros a investida sobre os territórios espanhóis na América. Foi ai que os portugueses invadiram e conquistaram novamente a 66 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) Colônia de Sacramento. Em 1801 portugueses e espanhóis assinaram o Tratado de Badajoz, acarretando a paz entre os dois países. Pelo referido tratado, ficou acertado que os portugueses abandonariam a Colônia de Sacramento. Para Portugal restaria aceitar a posse sobre os Sete Povos das Missões, dando o contorno definitivo ao atual Estado do Rio Grande do Sul. TRATADO DE PETRÓPOLIS (1903) O Barão do Rio Branco foi o mediador do último e mais importante dos Tratados Territoriais do Brasil, o Tratado de Petrópolis. O Tratado de Petrópolis foi um tratado de paz entre Brasil e Bolívia. Através deste tratado a Bolívia entregou a região do Acre ao Brasil mediante ao pagamento de uma indenização em dinheiro. O Governo brasileiro também se comprometeu em construir a estrada de Ferro Madeira-Mamoré que escoaria os produtos bolivianos ao Oceano Atlântico. Aula 7 – Brasil a Construção do Território Nacional 67 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 As terras brasileiras foram divididas por meio de tratados entre Portugal e Espanha. De acordo com esses tratados, identificados no mapa, conclui-se que a) Portugal, pelo Tratado de Tordesilhas, detinha o controle da foz do rio Amazonas. b) o Tratado de Tordesilhas utilizava os rios como limite físico da América portuguesa. c) o Tratado de Madri reconheceu a expansão portuguesa além da linha de Tordesilhas. d)Portugal, pelo Tratado de San Ildefonso, perdia territórios na América em relação ao de Tordesilhas. e) o Tratado de Madri criou a divisão administrativa da América Portuguesa em Vice-Reinos Oriental e Ocidental. Questão 02 As secas e o apelo econômico da borracha — produto que no final do século XIX alcançava preços altos nos mercados internacionais — motivaram a movimentação de massas humanas oriundas do Nordeste do Brasil para o Acre. Entretanto, até o início do século XX, essa região pertencia à Bolívia, embora a maioria da sua população fosse brasileira e não obedecesse à autoridade boliviana. Para reagir à presença de brasileiros, o governo de La Paz negociou o arrendamento da região a uma entidade internacional, o Bolivian Syndicate, iniciando violentas disputas dos dois lados da fronteira. O conflito só terminou em 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasil comprou o território por 2 milhões de libras esterlinas. DISPONÍVEL em: www.mre.gov.br. Acesso em: 03 nov. 2008 (adaptado) Compreendendo o contexto em que ocorreram os fatos apresentados, o Acre tornou-se parte do território nacional brasileiro a) pela formalização do Tratado de Petrópolis, que indenizava o Brasil pela sua anexação. b) por meio do auxílio do Bolivian Syndicate aos emigrantes brasileiros na região. c) devido à crescente emigração de brasileiros que exploravam os seringais. d) em função da presença de inúmeros imigrantes estrangeiros na região. e) pela indenização que os emigrantes brasileiros pagaram à Bolívia. Questão 03 Disponível em: http://atividadesnotuxpaint.files.wordpress.com/2011/05/coord- geograficas.png (adaptado). Acesso em: 28/11/2013 Anotações 68 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof.Fernandes Epitácio) Em geografia, chama-se hemisfério a uma metade da superfície da Terra limitada por um círculo máximo. A divisão da Terra pelo Equador forma dois hemisférios, assim como sua divisão pelo meridiano de Greenwich. O Brasil no mapa encontra-se, predominantemente, no hemisfério a) norte oriental. b) boreal austral. c) meridional oriental. d) austral leste. e) sul ocidental. Questão 04 A imagem abaixo mostra um local por onde passa o Trópico de Capricórnio. Sobre o Trópico de Capricórnio verificamos que a) É a linha imaginária ao sul do Equador, onde os raios solares incidem sobre a superfície de forma perpendicular, o que ocorre em um único dia no ano. b) Os raios solares incidem perpendicularmente nesta linha imaginária durante o solstício de inverno, o que ocorre duas vezes por ano. c) Durante o equinócio, os raios solares atingem de forma perpendicular a superfície no Trópico de Capricórnio, marcando o início do verão. d) No início do verão (21 ou 22 de dezembro), as noites têm a mesma duração que os dias no Trópico de Capricórnio. e) no início do equinócio de verão, os raios solares incidem perpendicularmente sobre a região fazendo o dia ser mais longo que a noite. Questão 05 A formação do território brasileiro no período colonial resultou de vários movimentos expansionistas e foi consolidada por tratados no século XVIII. Assinale a opção que relaciona corretamente os movimentos de expansão com um dos Tratados de Limites. a) A expansão da fronteira norte, impulsionada pela descoberta de minas de ouro, foi consolidada no tratado de Utrecht. b) A região missioneira do sul constituiu um caso à parte, só resolvido a favor de Portugal com a extinção da Companhia de Jesus. c) O Tratado de Madri revogou o de Tordesilhas e deu ao território brasileiro conformação semelhante à atual. d) O Tratado do Pardo garantiu a Portugal o controle da região das missões e do rio da Prata. e) Os tratados de Santo Ildefonso e Badajós consolidaram o domínio português no sul, passando a incluir a região platina. Questão 06 Indique e explique dois fatores que esclareçam a invalidação do Tratado de Tordesilhas ao longo do processo de colonização da América Portuguesa. Entre os fatores que explicam tal invalidação, podemos destacar o fato da União Ibérica, ocorrida entre 1580 e 1640, estabelecer a junção dos espaços coloniais português e espanhol. Ao mesmo tempo, devemos frisar que a ação dos bandeirantes e jesuítas também teve grande contribuição para que outras regiões passassem a ser exploradas pela ação de representantes da colonização lusitana. Questão 07 __________________________________________________________________________________ Quanto à “Marcha de Povoamento e a Urbanização do Século XVII” A respeito da ocupação do território brasileiro, foram feitas as quatro observações seguintes: Anotações Aula 7 – Brasil a Construção do Território Nacional 69 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência I. Iniciou-se pela nascente do rio Amazonas II. Seguiu os cursos dos rios em direção ao interior III. Foi decorrência da penetração do gado, da busca de metais preciosos e da exploração de drogas do sertão IV. Significou a criação de vilas e cidades na região do Planalto Central Pode-se afirmar que estão corretas: a) I e II, apenas b) I, II e III, apenas c) I, II, III e IV d) II e III, apenas e) III e IV, apenas Questão 08 A formação do território brasileiro no período colonial resultou de vários movimentos expansionistas e foi consolidada por tratados no século XVIII. Assinale a opção que relaciona corretamente os movimentos de expansão com um dos Tratados de Limites. a) A expansão da fronteira norte, impulsionada pela descoberta de minas de ouro, foi consolidada no tratado de Utrecht. b) A região missioneira do sul constituiu um caso à parte, só resolvido a favor de Portugal com a extinção da Companhia de Jesus. c) O Tratado de Madri revogou o de Tordesilhas e deu ao território brasileiro conformação semelhante à atual. d) O Tratado do Pardo garantiu a Portugal o controle da região das missões e do rio da Prata. e) Os tratados de Santo Ildefonso e Badajós consolidaram o domínio português no sul, passando a incluir a região platina.e) cafeicultura, no Sul de Minas Gerais. Anotações 70 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 Apesar do predomínio da agromanufatura açucareira na economia colonial brasileira, a pecuária e a extração das “drogas do sertão” foram fundamentais. A esse respeito, podemos afirmar que: a) ocorreu uma grande absorção da mão-de-obra escrava negra, particularmente na pecuária. b) a presença do indígena na extração das “drogas do sertão” foi essencial pelo conhecimento da geografia da região Nordeste. c) por serem atividades complementares, a força de trabalho não se dedicava integralmente a elas. d) ambas forma responsáveis pelo processo de interiorização do Brasil colonial. e) possibilitaram o surgimento de um mercado interno que se contrapunha às flutuações do comércio internacional. Questão 02 No século XVIII, o governo português incorporou a maior parte da Amazônia ao seu domínio. A ampliação dessa fronteira da colônia portuguesa deveu-se: a) aos acordos políticos entre Portugal e França b) às lutas de resistência das populações indígenas c) ao início da exploração e exportação da borracha d) à expulsão dos jesuítas favoráveis à dominação espanhola e) à exploração e comercialização das drogas do sertão Questão 03 A expansão da colonização no Brasil acentua-se na segunda metade do século XVII, caracterizando-se pela ocupação do território. Quais os fatores que contribuíram para a expansão da colonização para além do litoral? Questão 04 Entre 1750, quando assinaram o tratado de Madrid, e 1777, quando assinaram o tratado de Santo Ildefonso, Portugal e Espanha discutiram os limites entre suas colônias americanas. Neste contexto, ganhou importância, na política portuguesa, a ideia da necessidade de: a) defender a colônia com forças locais, daí a organização dos corpos militares do centro-sul e a abolição das diferenças entre índios e brancos. b) fortificar o litoral para evitar ataques espanhóis e isolar o marquês de Pombal por sua política nitidamente pró bourbônica. c) transferir a capital da Bahia para o Rio de Janeiro, para onde fluía a maior parte da produção açucareira, ameaçada pela pirataria. d) afastar os jesuítas da colonia por serem quase todos espanhóis e, nesta qualidade, defenderem os interesses da Espanha. e) aliar-se política e economicamente à França para enfrentar os vizinhos espanhóis, impondo-lhes suas concepções geopolíticas na América. Questão 05 “No estado do Maranhão, Senhor, não há ouro nem prata mais que o sangue e o suor dos índios: o sangue se vende nos que cativam e o suor se transforma em tabaco, no açúcar e nas demais drogas que os ditos índios se lavram e fabricam. Com este sangue e suor se medeia a necessidade dos moradores; e com este sangue e suor se enche e enriquece a cobiça insaciável dos que vão lá governar.” Vieira. Padre Antônio. Obras escolhidas. In: Alencar, Carpi & Ribeiro. História da sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1979. pp 210-1 O texto acima foi escrito por volta de 1653. As principais riquezas do Maranhão, naquela época, eram: a) o ouro e a prata b) o ouro, a prata e o comércio dos escravos c) o tabaco, o açúcar e as drogas d) o ouro, a prata, o tabaco e o açúcar e) os metais preciosos, o comércio de escravos e o açúcar Questão 06A conquista e a posse das terras no Brasil Colonial foram feitas por particulares que deviam lealdade ao rei de Portugal. a) Qual foi a mudança territorial do Brasil entre os séculos XVI e XVII. b) Quais as principais atividades econômicas que promoveram tal mudança? c) Qual foi a política utilizada pela Metrópole para a distribuição das terras no Brasil Colonial?. Questão 07 São ações resultantes da conquista e ocupação do território brasileiro, exceto: a) expedições militares organizadas pelo governo b) bandeirantes que percorriam o sertão c) padres jesuítas que fundavam aldeias para catequização dos índios d) criadores de gados que tiveram seus rebanhos e fazendas e) A invasão dos mineiros com a descoberta de ouro no litoral. Questão 08 No século XVII, contribuíram para a penetração para o interior brasileiro: a) o desenvolvimento das culturas da cana-de-açucar e do algodão. b) o apresamento de indígenas e a procura de riquezas minerais. c) a necessidade de defesa e o combate aos franceses. d) o fim do domínio espanhol e a restauração da monarquia portuguesa. e) a Guerra dos Emboabas e a transferência da capital da colônia para o Rio de Janeiro. Questão 09 A partir de 1750, com os Tratados de Limites, fixou-se a área territorial brasileira, com pequenas diferenças em relação a configuração atual. A expansão geográfica havia rompido os limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas. No período colonial, os fatores que mais contribuíram para a referida expansão foram: a) criação de gado no vale do São Francisco e desenvolvimento de uma sólida rede urbana. b) apresamento do indígena e constante procura de riquezas minerais. c) cultivo de cana-de-açúcar e expansão da pecuária no Nordeste. d) ação dos donatários das capitanias hereditárias e Guerra dos Emboabas. e) incremento da cultura do algodão e penetração dos jesuítas no Maranhão. Questão 10 A formação do território brasileiro no período colonial resultou de vários movimentos expansionistas e foi consolidada por tratados no século XVIII. Assinale a opção que relaciona corretamente os movimentos de expansão com um dos Tratados de Limites: Aula 7 – Brasil a Construção do Território Nacional 71 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência a) A expansão da fronteira norte, impulsionada pela descoberta das minas de ouro, foi consolidada nos Tratados de Utrecht. b) A região missioneira no sul constituiu um caso à parte, só resolvido a favor de Portugal com a extinção da Companhia de Jesus. c) O Tratado de Madri revogou o de Tordesilhas e deu ao território brasileiro conformação semelhante à atual. d) O Tratado do Pardo garantiu a Portugal o controle da região das Missões e do rio da Prata. e) Os Tratados de Santo Ildefonso e Badajós consolidaram o domínio português no sul, passando a incluir a região platina. Questão 11 Por possuir uma grande extensão no sentido leste-oeste, o Brasil abrange três fusos horários, sendo que o horário de Brasília é adotado como a hora legal do país. Em relação a situação longitudinal brasileira verificamos que a) A hora de Brasília encontra-se 3 horas defasada em relação à hora de Greenwich, sendo que durante o horário de verão, no Brasil, essa diferença diminui para 2 horas. b) Geralmente, o horário de verão é adotado apenas nos estados brasileiros mais próximos da Linha do Equador porque, nos locais mais ao sul do país, a variação do fotoperíodo (parte do dia iluminado pela luz solar) é pequena entre as estações. c) Durante a vigência do horário de verão, os relógios dos Estados do centro-sul foram adiantados em 1 hora. Logo, se os relógios em Brasília marcassem 14 horas, nessa situação, no Acre seriam 15 horas e, nos estados da região nordeste, mais ao leste, seriam 12 horas. d) O horário de verão apresenta muitos benefícios em relação a economia no consumo de energia, mas só há essa percepção no hemisfério Sul, principalmente a partir de Outubro a Março, quando o fotoperíodo se torna favorável a adoção do Horário de Verão. e) A elevada longitude é responsável pela elaboração do Horário de Verão, medida política que serve para economizar energia durante o período de solstício de verão, quando se verifica em Estados do Sul que o dia se torna mais longo que a noite. Questão 12 As primeiras atividades econômicas praticadas pela colonização portuguesa no Brasil tiveram por cenário apenas o litoral do leste- nordeste brasileiros, sem que de modo sensível penetrassem no vago e misterioso sertão, ainda ocupado por tribos selvagens. Determinava essa situação o desinteresse econômico por qualquer tentativa de fixação de povoadores em regiões mais afastadas do mar. Assim enquanto sob os Reis Filipes penetravam os Vicentinos pelo sul na caça ao índio, ao mesmo tempo em que se sucediam as conquistas litorâneas em todo o nordeste, a solução encontrada para o povoamento do sertão forneceu-a (.......), atividade econômica essencialmente fixadora de população, mesmo escassas. (Hélio Viana. História do Brasil) O texto e o mapa referem-se a: a) criação de gado; d) extração de borracha; b) busca de drogas do sertão; e) cultivo de tabaco. c) produção de algodão; Questão 13 O mapa abaixo apresenta a economia brasileira em um determinado período: Nele estão representadas as atividades econômicas do século a) XVI, que apresenta exploração de pau-brasil, no litoral, e das drogas do sertão, na região amazônica, assim como a ocupação do interior brasileiro pelas atividades de mineração e pecuária. b) XVIII, que já demonstra atividades de mineração, no Centro- Oeste brasileiro, e de pecuária, na zona nordeste do Rio Grande do Sul. Não pode ser de século posterior, por não indicar atividade cafeicultora. c) XVII, que apresenta importações/exportações, antes proibidas na colônia, devido ao monopólio comercial. d) XIX, em que, no Brasil Império, a economia tinha por base a cafeicultura voltada para a exportação. e) XX, no qual a exportação de pau-brasil é preponderante na economia brasileira e se verifica a existência de áreas industriais, destacadas no mapa. Questão 14 Revelação do subúrbio Quando vou para Minas, gosto de ficar de pé, contra a [vidraça do carro1, vendo o subúrbio passar. O subúrbio todo se condensa para ser visto depressa, com medo de não repararmos suficientemente em suas luzes que mal têm tempo de brilhar. A noite como o subúrbio e logo o devolve, ele reage, luga, se esforça, até que vem o campo onde pela manhã repontam [laranjais e à noite só existe a tristeza do Brasil. 1: carro: vagão ferroviários para passageiros. Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo, 1940. Segundo o crítico e historiador da literatura Antonio Candido de Mello e Souza, justamente na década que presumivelmente corresponde ao período de elaboração do livro a que pertence o poema, o modo de se conceber o Brasil havia sofrido “alteração marcada de perspectivas”. A leitura do poema de Drummond permite concluir corretamente que, nele, o Brasil não mais era visto como país a) agrícola (fornecedor de matéria-prima), mas como industrial (produtor de manufaturados). b) arcaico (retardatário social e economicamente) mas, sim, percebido como moderno (equiparado aos países mais avançados). c) provinciano (caipira, localista) mas, sim, cosmopolita (aberto aos intercâmbios globais). d) novo (em potência, por realizar-se), mas como subdsenvolvido (marcado por pobreza e atrofia). e) rural (sobretudo camponês), mas como suburbano (ainda desprovido de processos de urbanização). CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I Prof. Fernandes Epitácio VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares deAlta Concorrência O MERCOSUL E OS BRICS AGRUPAMENTOS ECONÔMICOS E BLOCOS COMERCIAIS: DEFINIÇÃO E HISTÓRIA Embora a designação de “bloco regional” possa ser aplicada a qualquer grupo de países vinculados pela contigüidade geográfica (blocos asiático, africano ou latinoamericano) ou ligados por acordos intergovernamentais, de tipo econômico ou político, o termo, em sua acepção restrita, refere-se usualmente aos agrupamentos de caráter comercial resultando de um projeto político integracionista. São exemplos de blocos regionais a União Européia (UE), o Mercosul e o NAFTA, bem como dezenas de outras entidades menos conhecidas (a Organização Mundial do Comércio-OMC lista mais de uma centena em sua classificação estabelecida ao abrigo de artigo 24 do Acordo Geral de Tarifas Aduaneiras e Comércio, mais conhecido em sua sigla em inglês: GATT). Mesmo se antecedentes existem na antigüidade – Liga Ateniense – ou no começo da Idade Moderna – Liga Hanseática, por exemplo, trata-se de fenômeno recente, ocorrendo simultaneamente à emergência da ordem econômica internacional do pós- Segunda Guerra (mesmo se exemplos de união aduaneira precedem a segunda metade do século XX, como o Zollverein germânico e a união aduaneira e monetária belgo- luxemburguesa, do pós Primeira Guerra). O processo de formação dos blocos regionais contemporâneos coincide com o desenvolvimento dos processos políticos de integração econômica, cujo primeiro exemplo bem-sucedido foi o Mercado Comum Europeu criado pelo tratado de Roma de 1957 (precedido pela Comunidade Européia do Carvão e do Aço, de 1951), convertido depois em Comunidade Européia e, em 1992, em União Européia, comportando a partir de então dispositivos sobre a moeda única (1999-2001). O conceito de integração econômica aplica-se a entidades de natureza política diversa, com realidades econômicas diferenciadas entre si, mas pode ser melhor percebido se considerado como um processo em etapas sucessivas: área de preferências tarifárias, que comporta a simples redução seletiva de tarifas entre dois ou mais sócios, sem obrigações complementares em termos de política comercial; zona de livre comércio, que liberaliza completamente o intercâmbio entre os membros num prazo determinado, conservando entretanto cada qual sua própria estrutura tarifária em relação a terceiros países; união aduaneira, que compreende, ademais, a definição de uma tarifa externa comum; mercado comum, que liberaliza completamente o fluxo de fatores produtivos e de pessoas, além de obrigar a adoção de políticas comuns nas áreas comercial, industrial, agrícola e de concorrência, entre outras; união econômica e monetária, que pode comportar, como no caso da UE, a abolição das moedas nacionais em favor de um meio circulante comum a seus membros. Os blocos regionais organizados em torno de um acordo de integração, como a UE, o Mercosul e o NAFTA, apresentam a dupla característica de serem discriminatórios em relação aos países não membros – isto é, excluindo estes últimos das vantagens e benefícios recíprocos concedidos aos membros, configurando, portanto, uma exceção ao princípio da nação-mais- favorecida (NMF) administrado pelas regras do GATT – e de contribuírem, progressivamente, para o aumento da interdependência econômica global, ao anteciparem e prepararem processos mais complexos e geograficamente mais amplos de liberalização comercial e de abertura econômica no quadro do sistema multilateral de comércio, atualmente regido pela Organização Mundial do Comércio (OMC). A multiplicação desse tipo de acordo comercial nas duas últimas décadas do século XX obrigou inclusive essa organização a constituir, desde 1996, um Comitê sobre Acordos Regionais de Comércio, com vistas a monitorar o seu desenvolvimento, a examinar sua consistência com as regras do GATT-OMC e a evitar a generalização de práticas excludentes e discriminatórias. Como exemplos dessas práticas podem ser citados os regimes especiais aplicados a determinados ramos da economia – como a Política Agrícola Comum da UE, por exemplo, altamente distorciva das regras multilaterais de comércio –, que resultam em reservas de mercado e dispositivos contrários ao princípio do tratamento nacional, outro dos fundamentos do GATT, junto com a reciprocidade. No regime do GATT, os blocos regionais são regidos pelo artigo 24, que estabelece as condições pelas quais esses agrupamentos (geralmente sob a forma de uma zona de livre-comércio ou de uma união aduaneira) podem ser progressivamente constituídos como exceção à cláusula NMF (geralmente no prazo de dez anos), devendo cobrir “substancialmente todo o comércio” entre os membros, sem introduzir maiores barreiras tarifárias e restrições não-tarifárias do que aquelas existentes no comércio desses países com terceiros, anteriormente à criação do novo bloco. Em 2000, existiam no mundo cerca de 130 agrupamentos regionais, sendo que 90 deles tinham sido notificados à OMC depois de sua criação, isto é, 1995. Desse número, seis blocos tinham sido declarados em conformidade com as regras do GATT OMC, mas apenas dois estavam ainda vigentes. A UE, a mais exitosa experiência de integração econômica conhecida, estabeleceu desde seu início o objetivo do mercado comum (livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas), atingido de forma acabada apenas em 1993, mas convivendo durante muito tempo com espaços econômicos reservados aos nacionais de seus países constitutivos (monopólios estatais ou exceções nacionais em matéria de transportes aéreos, sistemas bancários, meios de comunicação de massa, por exemplo). Já o NAFTA é uma simples zona de livre-comércio, embora reforçada por dispositivos liberalizantes abrangentes, cobrindo serviços, investimentos, concorrência, compras governamentais e propriedade intelectual. O Mercosul pretende ser um mercado comum, ainda que numa modalidade intergovernamental e não sob o formato do direito comunitário como no caso da UE. Mas, dezesseis anos depois de sua criação, em 1991, ele ainda não conseguiu realizar plenamente sua zona de livre-comércio ou implementar de maneira integral sua união aduaneira. Os demais exemplos conhecidos de integração combinam elementos de livre comércio com os de uma simples área de preferências tarifárias, a primeira etapa da construção integracionista. O PROCESSO DE INTEGRAÇÃO SUL-AMERICANA O modelo europeu de cooperação econômica e de integração comercial – que na verdade começou em 1951 com a CECA, Comunidade Européia do Carvão e do Aço – exerceu forte influência em toda a América Latina, tendo inspirado diversos Aula 8 – O Mercosul e os Brics 73 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência experimentos integracionistas desde os anos 1960, a começar pela ALALC (Associação Latino-Americana de Livre-Comércio), criada pelo Tratado de Montevidéu desse ano e substituída, vinte anos depois, pela ALADI, que a despeito do ambicioso objetivo integracionista que ostenta no nome não passa de uma simples zona de preferências tarifárias. É no âmbito da ALALC-ALADI que se desenvolvem as experiências sub-regionais de integração, a começar pelo Grupo Andino (criado com o Pacto de Cartagena de 1969), convertido em Comunidade Andina em 1996 (sem que, no entanto, sua pretensão em atingir a fase do mercado comum tenha sido sequer vislumbrada), e sobretudo a do Mercosul, o mais importante bloco de países em desenvolvimento que pretendem, tendencialmente, alcançar um mercado comum. A ALADI, que oferece cobertura jurídica – do ponto de vista das regras do GATT e dos compromissos multilaterais comerciais – a todos os países da região, reagrupa quase toda América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru,Uruguai e Venezuela), mais o México (que solicitou uma derrogação de suas obrigações em relação à cláusula NMF, pelo fato de ter aderido ao NAFTA) e, desde 1998, Cuba. Naquele mesmo ano de 1960, tinha sido igualmente criada a Associação Européia de Livre-Comércio (EFTA) com vistas a oferecer uma perspectiva de liberalização dos intercâmbios aos países que não aderiram, em 1957, ao projeto comunitário dos tratados de Roma, em especial o Reino Unido e os países escandinavos. A EFTA agrupou, no início, todos os outros países capitalistas europeus que não pertenciam à Comunidade Européia, mas quase todos eles decidiram aderir, gradualmente, ao sistema comunitário, à exceção da Suíça, da Noruega e da Islândia. Data dessa mesma época, o Mercado Comum Centro-Americano (MCCA), mas ele nunca realizou seu objetivo nominal, contentando-se com acordos de livre-comércio com seus vizinhos maiores, como México, Venezuela, Colômbia e também o Chile. O México, a Venezuela e Colômbia encontram se por sua vez vinculados, desde 1995, no chamado Grupo dos Três (G-3), que visa à constituição de uma zona de livre-comércio num prazo de dez anos. O MERCOSUL Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai assinaram, em 26 de março de 1991, o Tratado de Assunção, com vistas a criar o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). O objetivo primordial do Tratado de Assunção é a integração dos Estados Partes por meio da livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos, do estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum (TEC), da adoção de uma política comercial comum, da coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais, e da harmonização de legislações nas áreas pertinentes. A configuração atual do MERCOSUL encontra seu marco institucional no Protocolo de Ouro Preto, assinado em dezembro de 1994. O Protocolo reconhece a personalidade jurídica de direito internacional do bloco, atribuindo-lhe, assim, competência para negociar, em nome próprio, acordos com terceiros países, grupos de países e organismos internacionais. O MERCOSUL caracteriza- se, ademais, pelo regionalismo aberto, ou seja, tem por objetivo não só o aumento do comércio intrazona, mas também o estímulo ao intercâmbio com outros parceiros comerciais. São Estados Associados do MERCOSUL a Bolívia (em processo de adesão ao MERCOSUL), o Chile (desde 1996), o Peru (desde 2003), a Colômbia e o Equador (desde 2004). Guiana e Suriname tornaram- se Estados Associados em 2013. Com isso, todos os países da América do Sul fazem parte do MERCOSUL, seja como Estados Parte, seja como associado. O aperfeiçoamento da União Aduaneira é um dos objetivos basilares do MERCOSUL. Como passo importante nessa direção, os Estados Partes concluíram, em 2010, as negociações para a conformação do Código Aduaneiro do MERCOSUL. Na última década, o MERCOSUL demonstrou particular capacidade de aprimoramento institucional. Entre os inúmeros avanços, vale registrar a criação do Tribunal Permanente de Revisão (2002), do Parlamento do MERCOSUL (2005), do Instituto Social do MERCOSUL (2007), do Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos (2009), bem como a aprovação do Plano Estratégico de Ação Social do MERCOSUL (2010) e o estabelecimento do cargo de Alto Representante-Geral do MERCOSUL (2010). Merece especial destaque a criação, em 2005, do Fundo para a Convergência Estrutural do MERCOSUL, por meio do qual são financiados projetos de convergência estrutural e coesão social, contribuindo para a mitigação das assimetrias entre os Estados Partes. Em operação desde 2007, o FOCEM conta hoje com uma carteira de projetos de mais de US$ 1,5 bilhão, com particular benefício para as economias menores do bloco (Paraguai e Uruguai). O fundo tem contribuído para a melhoria em setores como habitação, transportes, incentivos à microempresa, biossegurança, capacitação tecnológica e aspectos sanitários. O Tratado de Assunção permite a adesão dos demais Países Membros da ALADI ao MERCOSUL. Em 2012, o bloco passou pela primeira ampliação desde sua criação, com o ingresso definitivo da Venezuela como Estado Parte. No mesmo ano, foi assinado o Protocolo de Adesão da Bolívia ao MERCOSUL, que, uma vez ratificado pelos congressos dos Estados Partes, fará do país andino o sexto membro pleno do bloco. Com a incorporação da Venezuela, o MERCOSUL passou a contar com uma população de 270 milhões de habitantes (70% da população da América do Sul); PIB de US$ 3,2 trilhões (80% do PIB sul-americano); e território de 12,7 milhões de km² (72% da área da América do Sul). O MERCOSUL passa a ser, ainda, ator 74 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) incontornável para o tratamento de duas questões centrais para o futuro da sociedade global: segurança energética e segurança alimentar. Além da importante produção agrícola dos demais Estados Partes, o MERCOSUL passa a ser o quarto produtor mundial de petróleo bruto, depois de Arábia Saudita, Rússia e Estados Unidos. Em julho de 2013, a Venezuela recebeu do Uruguai a Presidência Pro Tempore do bloco. A Presidência Pro Tempore venezuelana reveste-se de significado histórico: trata-se da primeira presidência a ser desempenhada por Estado Parte não fundador do MERCOSUL. Na Cúpula de Caracas, realizada em julho de 2014, destaca-se a criação da Reunião de Autoridades sobre Privacidade e Segurança da Informação e Infraestrutura Tecnológica do MERCOSUL e da Reunião de Autoridades de Povos Indígenas. Uma das prioridades da Presidência venezuelana, o foro indígena é responsável por coordenar discussões, políticas e iniciativas em benefício desses povos. Foram também adotadas, em Caracas, as Diretrizes da Política de Igualdade de Gênero do MERCOSUL, bem como e o Plano de Funcionamento do Sistema Integrado de Mobilidade do MERCOSUL (SIMERCOSUL). Criando em 2012, durante a Presidência brasileira, o SIMERCOSUL tem como objetivo aperfeiçoar e ampliar as iniciativas de mobilidade acadêmica no âmbito do Bloco. No segundo semestre de 2014, a Argentina assumiu a Presidência Pro Tempore do MERCOSUL. Entre os principais resultados da Cúpula de Paraná, Argentina, destacam-se: a assinatura de Memorando de Entendimento de Comércio e Cooperação Econômica entre o MERCOSUL e o Líbano; a assinatura de acordo-quadro de Comércio e Cooperação Econômica entre o MERCOSUL e a Tunísia; e a aprovação do regulamento do Mecanismo de Fortalecimento Produtivo do bloco. Em 17 de dezembro de 2014, o Brasil recebeu formalmente da Argentina a Presidência Pro Tempore do MERCOSUL, que será exercida no primeiro semestre de 2015. PROTOCOLOS O Mercosul vem sendo moldado desde sua criação através da assinatura de Tratados e Protocolos que visam sua expansão e a resolução de problemas advindos da integração, mas também na tentativa de minimizar os efeitos externos aos membros. Dentre os acordos mais importantes podemos citar: • Protocolo de Ouro Preto: estabelecido em 16 de Dezembro de 1994, consolida os objetivos traçados em Assunção e estabelece a formação de uma União Aduaneira; • Protocolo de Ushuaia: o contrato foi firmado em 24 de Julho de 1998, estabelecendo a plena vigência das instituições democráticas como condição fundamental para o desenvolvimento dos processo de integração do bloco- Esse acordo foi firmado diante de uma situação política no Paraguai delicada, em que havia a possibilidade de um golpe de Estado. • Protocolo de Olivos: assinado na Argentina em 2002, entrou em funcionamento em 2004. Apresenta objetivos comuns em relação ao Protocolo de Brasília, assinado ainda em 1991: Solucionar controvérsias entre os países do bloco, que poderão optar livremente a qual foro será adotado para resolver a causa:se o Tribunal Regional ou o Multilateral (OMC). Assim, esse Protocolo consolidou a criação de um Tribunal Permanente de Revisão (TPR), para assegurar a legitimidade das decisões tomadas. Em 2012, após a deposição do Presidente do Paraguai, o Mercosul reuniu os outros três integrantes, Brasil, Argentina e Uruguai e decidiram suspender o Paraguai temporariamente do Bloco, aplicando o Protocolo de Ushuaia, ao considerarem que houve uma manobra política não-democrática durante a deposição de Fernando Lugo. Durante o período em que o Paraguai ficou suspenso, o Mercosul aceitou a inserção da Venezuela no Bloco Econômico enquanto membro efetivo. Assim, o ingresso do país no bloco traz um fortalecimento geopolítico, econômico e estratégico, explico: O País representa a quarta força da América do Sul, com uma população de 30,4 milhões de habitantes (2013)- cerca de três vezes a população do Paraguai e Uruguai juntos, PIB em torno de 382 bilhões de Dólares (2012), maior reserva mundial de petróleo, situada na Faixa do Orinoco. Os membros do MERCOSUL abrangem, aproximadamente, 72% do território da América do Sul (12,8 milhões de km², equivalente a três vezes a área da União Europeia); 70% da população sul- americana (275 milhões de habitantes) e 77% do PIB da América do Sul em 2012 (US$ 3,18 trilhões de um total de US$ US$ 4,13 trilhões, segundo dados do Banco Mundial)- dados do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Acesso em 04/12/2014). COMUNIDADE ANDINA DE NAÇÕES Criada em 1969 através do acordo de Cartagena, a Comunidade Andina de Nações apresenta além de seus quatro membro: Bolívia, Comômbia, Peru e Equador, os chamados associados: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile; e os países observadores, que participam das reuniões de cúpula, mas sem direito de voto e a benefícios: México e Panamá. A Comunidade está cada vez mais ligada ao Mercosul, chegando a apresentar uma relação comercial em torno de 16 milhões de dólares (2010), tendo no Gás Natural Boliviano um dos principais produtos negociados regionalmente- em 2001 diante da crise energética brasileira foi realizado um acordo com o país Andino para a criação do Gasoduto Brasil-Bolívia, posteriormente nacionalizado por Evo Morales. UNIÃO DE NAÇÕES SULAMERICANAS No Século XIX vimos na América o desenvolvimento da Doutrina de Monroe (1823) na tentativa de consolidar a hegemonia norte- Aula 8 – O Mercosul e os Brics 75 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência americana sobre a região e da Carta Jamaica, que tentou consolidar a integração hispano-americana para minimizar a influência imperialista na região. Porém, durante todo o século XIX assistimos a uma intensa fragmentação sulamericana que culminou na formação de vários Estados sob a liderança de elites locais. Durante praticamente todo o século XX ocorreu um processo de isolamento das nações sulamericanas que passaram a atuar singularmente no mercado internacional, estabelecendo relações prioritariamente com países desenvolvidos em detrimento de uma proposta mais introspectiva- é válido lembrar que havia muita rivalidade e desconfiança entre os países da região. Em 2004, numa reunião realizada em Cuzco-Peru, a região decidiu pela integração e, assim surgiu a UNASUL- União das Nações Sul- Americanas, cujo objetivo é rever a posição geopolítica dos países e tomarem um processo de integração que privilegiasse o fim do arquipélago e realize o processo de desenvolvimento para dentro da América do Sul, através de uma coordenação política, econômica e social da região. A UNASUL é formada por doze países da região: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. O respeito a pluralidade, o combate as desigualdades socioeconômicas, ampliação dos direitos civis, o fortalecimento dos laços democráticos e da soberania regional são as principais metas a serem alcançadas- embora a fragilidade econômica regional, como pudemos verificar na Argentina e Venezuela em 2014, fragilize politicamente a região. Outro importante fator a ser citado nesse processo de integração é a questão histórica entre os paises que ainda suscitam tensões políticas- por exemplo Peru, Bolívia e Chile apresentam uma disputa territorial ainda não resolvida desde a Guerra do Pacífico. Recentemente as FARCs geraram uma forte tensão na região diante de uma ação militar da Colômbia em território Equatoriano, gerando um desconforto entre as duas nações. A Argentina e o Brasil representam ainda os dois mais importantes centros industriais da região, tendo o Brasil uma produção de aproximadamente 60% da América do Sul. Como destaques industriais podemos ressaltar o setor siderúrgico, metalúrgico, automobilístico, mineração. A produção agrícola ainda está fortemente ligada ao mercado internacional, destacando-se o café, cacau, banana, cana-de-açúcar e algodão. DADOS DA AMÉRICA DO SUL POPULAÇÃO (milhões) 406,4 ANALFABETISMO (2005-2010)- (%) 8,4 MORT. INFANTIL (por mil) 16 PIB (US$ milhões) 4.138,909 76 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM TODOS RESOLVIDOS EM VÍDEO Questão 01 Observe o mapa. É correto afirmar que as regiões destacadas em preto no mapa representam os países que a) formam os BRICS, conjunto de países emergentes, que possuem economias complementares entre si, representando uma área em desenvolvimento. b) priorizam a energia nuclear como matriz energética e, por esse motivo, investem no enriquecimento de urânio para abastecer suas usinas. c) são os maiores exportadores de produtos primários, como a cana-de-açúcar, banana e soja, por serem países de solo fértil. d) formam o bloco econômico NAFTA, que tem como finalidade eliminar as barreiras alfandegárias entre seus membros. e) formam o bloco denominado G5, que se caracteriza pela desaceleração da industrialização e pela crise econômica. Questão 02 Leia a notícia a seguir: Peru anuncia fim da suspensão do Paraguai da Unasul 12/08/2013 – Agencia Brasil Brasília – O governo do Peru, que está na presidência pro tempore da União de Nações Sul- Americanas (Unasul), anunciou hoje (12) o fim da suspensão do Paraguai do bloco. Em nota, divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores do país, os peruanos informam tornar “sem efeito a suspensão da participação do Paraguai” de órgãos ligados à Unasul. O Paraguai foi suspenso do Mercosul e da Unasul, em junho de 2012, após a destituição de Fernando Lugo da Presidência do Paraguai. A suspensão foi definida, pois os líderes concluíram que o processo de impeachment de Lugo não seguiu os preceitos legais. A previsão era que o fim da suspensão ocorresse a partir do dia 15 deste mês – quando o presidente eleito Horacio Cartes será empossado. [...] Sobre a atualidade político-econômica do Mercosul, seria correto afirmar que a) o bloco deixou de ser uma União Aduaneira, desde janeiro de 2012, quando efetivou-se a formação de um Mercado Comum pleno após a entrada da Venezuela. b) foi suspensa a Tarifa Externa Comum (TEC) para os países-membros, sobre os produtos importados, visto que a Venezuela e também o Uruguai se negavam a continuar pagando até que o Paraguai retornasse. c) o Mercosul conta atualmente com cinco membros plenos, o que ocorreu após a entrada da Venezuela em 2012 e consequente retorno do Paraguai ao final de 2013. d) o Mercosul conta atualmente com cinco países associados: México, Chile,Colômbia, Equador e Peru. E dois países observadores: Bolívia e Nova Zelândia. e) o bloco deixará de existir como um bloco tão logo o Paraguai retorne ao final de agosto desse ano, fato esse que será respaldado pela unificação plena do mesmo à UNASUL. Anotações Aula 8 – O Mercosul e os Brics 77 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Questão 03 Analise a charge. (Disponível em: http://migre.me/ag6O5. Acesso em: 21/11/2012. Adaptado.) O Paraguai faz parte do bloco econômico Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), entretanto a charge brinca com uma “situação de castigo” com o país, ocorrida em 2012. A decisão adveio porque os demais integrantes do mercado comum sul-americano consideraram a destituição do presidente paraguaio uma ruptura da ordem democrática. O fato destacado promoveu uma alteração significativa no bloco em função a) da entrada da Venezuela, a qual dependia apenas da aprovação paraguaia. b) da saída do Paraguai, que agora se tornará apenas um membro associado. c) do enfraquecimento nas relações comerciais, dada a importância paraguaia. d) do aumento das tensões e da possibilidade de conflitos armados entre os países. e) do corte de relações entre Brasil e Paraguai, o que determinou a desativação da usina hidrelétrica de Itaipu. Questão 04 Mesmo num mundo globalizado, temos a existência tanto de blocos econômicos regionais de poder (MERCOSUL, ALCA, União Europeia, CEI, CARICOM etc.) como de regionalismos com incrível força política. Diante deste cenário, assinale a alternativa correta. a) Mesmo num mundo globalizado, as diferenças aparecem e se opõem ao processo que tende a eliminá-las. b) A região, como expressão das diferenças resultantes das dinâmicas sociais e naturais, é produto de processos particulares regidos por leis particulares. c) Nas condições atuais da economia global, a autonomia regional se fortalece, o que demonstra a vigência da Geografia Regional pensada nos moldes clássicos. d) Os blocos econômicos regionais de poder confirmam a oposição existente entre o processo de globalização e o processo de fragmentação (regionalização). e) Com o processo de globalização, os espaços tornam-se homogêneos, confirmando, pois, a tese dos que acham que está em curso o “fim do território” e o “fim da região”. Questão 05 O processo de globalização característico da história contemporânea, no final do século XX, está ligado a mecanismos de integração econômica, dos quais o Brasil participa intensamente por meio da: a) proposta brasileira de integração da América com a Comunidade Européia, através da ALCA. b) consolidação da integração dos países do "Cone Sul" no MERCOSUL. c) projeção como líder da Comunidade do Países de Língua Portuguesa. d) aliança com os Estados Unidos na liderança do MERCOSUL e da ALCA. e) defesa da transformação do NAFTA em mercado comum americano. Questão 06 O processo de globalização característico da história contemporânea, principalmente no final do século XX, está ligado a mecanismos de integração econômica dos quais o Brasil, através do Mercosul, participa intensamente. Considerando o Mercosul como um dos mecanismos de integração econômica, é correto afirmar: a) O Mercosul vigora desde 1991, inicialmente como área de livre comércio, com a assinatura do Tratado de Buenos Aires pelos primeiros países signatários: Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. Anotações 78 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) b) O fortalecimento do Mercosul propiciou a ampliação da infraestrutura da região, com a construção e/ou ampliação de portos, de aeroportos e de uma rede ferroviária comparável a dos países mais desenvolvidos do mundo. c) O Mercosul, composto pelos países do chamado “Cone Sul”, é integrante do NAFTA, liderado pelos Estados Unidos, formando, portanto, o bloco com maior fluxo comercial do mundo. d) O Mercosul, se comparado economicamente aos grandes blocos internacionais, tem também abrangência mundial, pois é composto por países com economia pujante e diversificada. e) A diferença socioeconômica entre os países membros do Mercosul e a fragilidade de algumas economias são obstáculos a uma maior integração econômica entre esses países. Questão 07 A integração é um sonho antigo entre os países latino-americanos, alicerçado pelas suas semelhanças históricas, econômicas e culturais. Organizações como a ALALC e a ALAD fracassaram nesse intuito. Hoje, diante da organização econômica mundial e regionalização da economia, a América do Sul busca, por meio de blocos como o Pacto Andino e o Mercosul, uma integração econômica nessa parte do continente. Com relação ao Mercosul, é correto afirmar: a) É um bloco regional que busca viabilizar o projeto político de integração econômica da América do sul, baseado na doutrina Monroe. b) É um bloco do cone sul que reúne todos os países da América do Sul, para inseri-los na nova ordem econômica mundial. c) É um bloco que visa à implementação de um mercado comum entre os países membros para fortalecê-lo economicamente e enfrentar os interesses externos. d) O avanço do Mercosul tem provocado a integração dos países da América do Sul na economia mundial, aumentando a dependência econômica desses países à economia norte-americana. e) Encontra-se consolidado pelo nivelamento econômico entre os membros, fato que possibilita a liberação comercial entre os países membros e acordos comerciais com outros blocos como a União Européia. Questão 08 Leia a frase para responder à questão. 1."Carlos Salinas de Gortari assumiu a presidência após uma eleição controvertida (os resultados oficiais lhes deram 50,8% dos votos, depois que os computadores que fizeram a contagem passaram cinco dias em pane), e é hoje, sem dúvida, o político mais popular do México. Seu projeto político- econômico, no entanto, está sendo decidido no país vizinho, pois a reeleição de George Bush tornou- se fundamental para que o Tratado de Livre Comércio seja aprovado no congresso americano. Nunca antes as eleições nos EUA tinham despertado tanto interesse no México, embora seja costume dizer que, quando os EUA se resfriam, o México tem pneumonia." (Adaptado de O GLOBO, 09 de fevereiro, 1992, p.48) Ainda no mesmo texto, faz-se referência à aprovação de um Tratado de Livre Comércio, envolvendo tanto os EUA como o México, O tratado em questão diz a respeito à(ao): a) ALALC. b) ALCA. c) MERCOSUL d) NAFTA. Anotações Aula 8 – O Mercosul e os Brics 79 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 Um dos fatos que mais chamam a atenção no mundo contemporâneo é a formação dos chamados blocos econômicos. O Brasil vem aprofundando os entendimentos com os seus parceiros do MERCOSUL para melhor operacionalizar essa união. São sócios signatários do Brasil no MERCOSUL: a) Uruguai e Chile b) Bolívia e Paraguai c) Argentina e Peru d) Argentina e Uruguai e) Chile e Argentina Questão 02 As tentativas de integração regional na América Latina não são recentes e o Brasil sempre esteve presente. Em 1960, foi criada a ALALC, substituída pela ALADI, na década de 80. Mais recentemente, já na década de 90, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai criaram o MERCOSUL com a expectativa de que este bloco, considerado o 4º do mundo, possa dar resultados favoráveis. Sobre a formação dessas organizações é correto afirmar que a) tradicionalmente, sempre objetivaram aumentar as relações comerciais com os Estados Unidos e desse modo reforçar a ajuda norte-americana sobre o continente. b) foram geradas na expectativade frear a disputa entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética, pelo domínio político e econômico sobre a América Latina. c) foram incentivadas pelos Estados Unidos, como estratégia para reduzir o avanço das negociações comerciais entre o Mercado Comum Europeu e a América Latina. d) representaram uma opção estratégica de sair da influência dos Estados Unidos e uma forma de inserir a América Latina na economia mundial. e) reforçaram o papel dos países latino-americanos como fornecedores de matérias-primas industriais para as grandes potências do mundo capitalista. Questão 03 A formação do bloco comercial denominado MERCOSUL, no qual o Brasil se acha inserido, tem como objetivo primeiro constituir uma aliança a) comercial no Cone Sul, na tentativa de diminuir as diferenças de renda e de qualidade de vida entre os países-membros. b) política e estratégica, visando a criação de fundos para desenvolver a indústria atômica. c) que estabeleça relações comerciais intensas com os Estados Unidos e garanta preços compensadores para os produtos industriais do Cone Sul. d) comercial que permita a livre negociação com os países africanos e asiáticos, sem interferências das multinacionais. e) como um mercado comum, através da queda de barreiras alfandegárias e a livre circulação de mercadorias e capitais. Questão 04 MERCOSUL DEBATERÁ ESPIONAGEM E SEGURANÇA DA INTERNET No momento em que novas denúncias de espionagem foram trazidas a público (...), dessa vez envolvendo quebra de sigilo das comunicações de e-mail, SMS, chamadas telefones e até mesmo navegação na Internet da presidente Dilma Rousseff e seus assessores diretos, os ministros do Interior – o equivalente à Casa Civil no Brasil – e da Justiça dos países que compõem o Mercosul e outros associados ao bloco se preparam para discutir as denúncias de espionagem e a segurança da Internet. Os ministros dos países membros e associados se reunirão no dia 8 de novembro, nas Ilhas Margarita, na Venezuela, e debaterão também outras questões, como fluxos migratórios, jogos de futebol, delitos cibernéticos e integração de dados entre os países do bloco. Disponível em http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/mercosuldebatera- espionagem-e-seguranca-da-internet (adaptado).Acesso em: 09 de setembro de 2013. Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre o Mercosul podemos inferir que a) Atualmente, o Mercosul é formado por quatro países membros: Argentina, Brasil, Uruguai e Venezuela. Em 2012, o Paraguai foi expulso devido ao processo de impeachment do presidente Fernando Lugo. b) desde a adoção do Protocolo de Brasília de 1994, o bloco econômico definiu como objetivo a consolidação uma zona de livre comércio entre os países membros. c) o afastamento do Paraguai do bloco permitiu que o Mercosul chegasse à fase de Mercado Comum, como assim fora ratificado pelo Protoclo de Ushuaia. d) Esse bloco econômico foi criado com a assinatura do Tratado de Assunção, em 1991, por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O bloco no entanto só conseguiu avançar até a fase de União Aduaneira. e) Além da União Européia apenas o Mercosul trabalha com a possibilidade de chegar a formação de uma zunião política e militar, onde o bloco negocia a inserção dos Estados Unidos e do NAFTA para edificar a proposta. Questão 05 Analise a charge a seguir: LATUFF. Humor Político. Disponível em: http://www.humorpolitico.com.br/sem- categoria/partido-colorado-que-esteve-61-anos-no- poder-da-golpe-institucional-no- paraguai/ Acesso: junho 2012. Sobre as questões vinculadas ao processo de impeachment do presidente paraguaio Fernando Lugo, é possível afirmar que a) o afastamento paraguaio das ações comerciais vinculadas ao MERCOSUL foi estimulado pelo acordo de livre comércio firmado entre EUA e Paraguai, o que era uma expectativa do governo Lugo para ampliar sua atuação, mas que desrespeitava a união aduaneira entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. 80 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitácio) b) as negociações iniciadas no final de junho de 2012 entre os países membros do MERCOSUL (Brasil, Argentina e Uruguai) e a China, tiveram o Paraguai no centro da reunião comercial entre o bloco e o país asiático, reforçando o apoio que o MERCOSUL deu ao Impeachment de Fernando Lugo. c) as tensões envolvendo possíveis desapropriações de terra no Paraguai colocaram em debate a proposta de campanha eleitoral de Lugo, vinculada à Reforma Agrária no país, trazendo à tona questionamentos sobre a atuação de multinacionais e latifundiários em terras paraguaias desde a segunda metade do séc. XX. d) durante as avaliações do governo de Frederico Franco, instalado a partir de 22 de junho, o senador Álvaro Dias (PSDB) declarou que a ação foi legítima e constitucional. A posição do partido, expressa pelo senador, reforçou a postura do governo brasileiro em relação ao ocorrido no Paraguai. e) O Paraguai chegou a ser expulso do MERCOSUL por conta do golpe cometido contra Fernando Lugo, a decisão do bloco contou com o apoio de todos os países da OEA que passaram a agir de forma a cumprir o Protocolo de Ushuaia. Questão 06 Leia o texto: O compromisso brasileiro com a integração regional tem sido uma prioridade de todos os governos desde 1985 ... Ao olhar para nossa geografia, entendemos por que isso faz sentido. (Emílio Odebrecht, Folha de São Paulo, 25/07/10.) A alternativa que justifica a fala do autor é: a) A ALADI, Associação Latino-Americana de Integração, configura-se como a mais importante iniciativa de integração regional das Américas. b) O “olhar” ao qual se refere o autor diz respeito à homogeneidade étnica e natural da América do Sul, um fator facilitador da integração regional. c) O fato de o Brasil fazer fronteiras com todos os países sulamericanos, justifica o fato de o Brasil ter na América seus principais parceiros comerciais. d) O Brasil faz fronteira com quase todos os países sulamericanos e isso é justifica a prioridade à integração regional que tem no Mercosul. e) Com exceção da Venezuela e Cuba, a Unasul surge como o principal fórum de resoluções políticas do cone sul da América. Questão 07 MERCOSUL cria problemas para negociações entre Brasil e União Europeia De acordo com especialistas, se o Brasil quiser firmar um acordo comercial com a União Europeia (UE), terá de se desvencilhar de cláusulas que o obrigam a negociar em conjunto com os outros países do MERCOSUL. A ligação com o bloco impede o acerto graças às suas políticas protecionistas. Entre os setores mais prejudicados estão o agronegócio, que sofre com as elevadas taxas de exportação impostas pelo MERCOSUL, e a indústria, já que o setor depende de vendas externas para se manter. Fonte: http://goo.gl/V2fNvf. Acesso: 28/11/2013. Adaptado. O impasse nas negociações entre o Brasil e a União Europeia ilustra uma das contradições presentes no MERCOSUL. As regras vigentes nesse bloco econômico criam tais contradições porque a) aumentam a autonomia política dos seus membros, mas geram dificuldades para o livre comércio entre eles. b) dificultam a exportação de produtos agropecuários para a UE, mas simplificam o intercâmbio de artigos industrializados. c) incentivam o comércio entre seus membros e os Estados Unidos, mas impedem as negociações com a União Europeia. d) reduzem as barreiras alfandegárias entre os seus membros, mas dificultam as relações com países de fora do bloco. e) estabelecem que o Brasil deve dar exclusividade no comércio de matéria prima aos países latino americanos Questão 08 Restaurar a legalidade, revigorar a democracia, restabelecer a paz e promover o progresso e a justiçasocial.” À primeira vista, a frase poderia ser associada a algum pacifista ou ferrenho defensor do regime democrático, mas foi proferida pelo marechal Humberto de Alencar Castello Branco (1897-1967) em seu discurso de posse na Presidência da República em 1964, depois que um golpe depôs, pela via armada, um governo eleito pelo povo. REVISTA NOVA ESCOLA. Analisando o discurso de Castelo Branco verificamos um contexto diferente do que viria a ocorrer nos dois próximos governos, Costa e Silva e Médici. A implantação do Regime Civil-Militar e seu desdobramento nos leva a crer que a) ocorreu de forma isolada e sem apoio da sociedade em geral, que estava marginalizada de todo o processo e ficou durante reprimida diante das atrocidades cometidas já no primeiro mandato. b) contou o apoio dos sindicalistas que haviam tido perdas salariais durante o governo de João Goulart devido ao elevado índice inflacionário que assolou o Brasil diante da instabilidade política. c) não sofreu intervenções externas pois no momento em que o Brasil passava pelo Golpe havia uma distenção entre Estados Unidos e União Soviética e, assim, podemos afirmar que os militares agiram sem o aval dos Estados Unidos. d) foram implantados diversos projetos na área de infraestrutura e industrial, redução das desigualdades sociais e elevação do PIB, período denominado de Milagre Econômico brasileiro. No campo político o bipartidarismo consolida o princípio democrático pleno no Brasil. e) embora marcado por um crescimento exuberante na economia, o período agravou as disparidades socioeconomicas, elevou a dívida e, a partir de Costa e Silva, atentou contra os princípios humanos e a própria democracia. Questão 09 A aproximação histórica entre EUA e Cuba, anunciada pelos presidentes dos países, traz mudanças importantes no setor diplomático entre ambas as nações. Para além dos efeitos simbólicos do anúncio, a nova política trará consequências práticas para a economia e a diplomacia entre os dois países. Desde a abertura de uma embaixada em Havana até a permissão para que cidadãos norte-americanos comprem rum e charutos cubanos em maior quantidade. (OPERA MUNDI- dezembro 2014). Analisando o cenário da década de 1960, quando ocorreu o afastamento geopolítico e o atual momento, depreende-se que a) mesmo após o fim da Guerra Fria os Estados Unidos continuou mantendo o isolamento cubano que tinha como aliado Hugo Chávez, aliás único país a manter uma relação política amistosa com a ilha. b) ao longo da década de 1990, diante das tentaivas de criação da ALCA, ficou muito clara a posição favorável do governo dos Aula 8 – O Mercosul e os Brics 81 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Estados Unidos em reintegrar a ilha junto a Organização dos Estados Amercianos (OEA) e consolidar sua hegemonia na América Latina. c) Cuba apresentou uma oposição ao imperialismo norte- amerciano até a primeira década do século XXI, apoiando Estados Latino-americanos com governos de esquerda (radicais e moderados), como a Venezuela Chavista, por exemplo. d) as grandes reservas de petróleo e gás natural ajudaram Cuba a manter o afastamento geopolítico norte-americano e a suportar o bloqueio econômico, apresnetando um dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) da América-Latina. e) o financiamento do Porto de Mariel pelo governo norte- americano foi o primeiro grande passo para a abertura nas relações diplomáticas entre ambos e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de desenvolvimento comercial dos Estados Unidos e países da América Latina que deverão ampliar seus respectivos mercados consumidores. Questão 10 “A Aliança para o Progresso foi um projeto político executado pelo governo dos Estados Unidos durante a presidência de John F. Kennedy. O objetivo era integrar os países da América nos aspectos político, econômico, social e cultural frente à ameaça soviética, vista como um regime comunista no continente. A preocupação com o avanço soviético se dava principalmente depois que a Revolução Cubana tomou rumos que desagradavam ainda mais os capitalistas estadunidenses, como a cooperação recebida da URSS a partir de 1961. Era necessário para os capitalistas e seus governos na América Latina diminuir as desigualdades sociais e combater a miséria existente no continente. Criava-se assim uma imagem de que os EUA estavam à frente dessas iniciativas para evitar que as notícias de melhorias sociais conseguidas nos países da esfera de influência soviética que chegavam às populações exploradas da América Latina pudessem aproximá-las dos ideais da URSS.” http://www.mundoeducacao.com/historia-america/alianca-para-progresso- anticomunismo.htm. Acesso:12/07/2015. Na América Latina esse conjunto de normas a) Agrupou uma série de países de ideologia socialista, denominada de Aliança para o Progresso, que ligados a Cuba tentaram fazer frente aos Estados Unidos, que se organizam por meio da Operação Condor para reprimir manifestações esquerdistas. b) Foram extremas no campo político-ideológico, liberais no setor econômico e utilizaram métodos de repressão e torturas para lidar com os opositores do regime, onde os Militares que participaram da Operação Condor em todos os países são, ainda hoje, violentamente repudiados pela sociedade em geral. c) No Chile embora o governo de Pinochet tenha sido um dos mais sanguinários da região, percebe-se que, diferentemente da Argentina e do Brasil, não há um consenso disseminado de que a ditadura tenha sido algo ruim, possuindo defensores do ex- General. d) No Brasil a Comissão da Verdade estabelecida no Governo atual de Dilma tem por objetivos realizar uma revisão histórica para punir os envolvidos em crimes de tortura e desaparecimentos durante o regime. e) Na Argentina, a derrota para os britânicos na Guerra das Malvinas (1982), somada à crescente crise inflacionária e aos movimentos populares contra a repressão militar, causou a queda de uma das mais violentas ditaduras latino-americanas, porém ainda não foi instaurada uma Comissão dos Direitos Humanos para avaliação do regime ditatorial no País, o que mostra ainda a delicadeza com que o tema é tratado na terra do Tango. Questão 11 A redemocratização dos países da América do Sul é fato recente. Não faz tanto tempo assim que países como Chile, Brasil, Argentina e Peru viviam sob regimes políticos de exceção, onde a vontade do povo era sufocada por governos autoritários, normalmente de feição militar. Pois superada a fase dos regimes ditatoriais parecia que a América do Sul, pobre economicamente, poderia modernizar-se, pelo menos em termos políticos. Neste contexto brasileiros, argentinos e outros povos voltaram a eleger diretamente seus governantes. A verdadeira democracia parecia instalada. http://hugocesaramaral.blogspot.com.br/2009/09/fragil-democracia-latina.html Recentemente o Paraguai teve seu presidente Fernando Lugo sofrendo impeachment em 2012, considerado pelos líderes do Mercosul como um atentado à democracia e, assim, suspendendo o País do Bloco econômico. O Princípio democrático do bloco foi assegurado a partir do Protocolo de: a) Olivos d) Ushuaia b) Ouro Preto e) Cuzco c) Brasília Questão 12 A partir da década de 1990, a resistência à hegemonia dos EUA na América Latina se fortaleceu com o surgimento de lideranças nacionais que constituem a chamada "nova esquerda latino- americana". O ano de 2008 colocou um ponto de interrogação nesse processo, o que pode ocasionar mudanças capazes de enfraquecer essa composição política. Essa nova conjuntura está relacionada a possíveis alterações no a) sistema econômico cubano com a renúncia de Fidel Castro b) política externa boliviana com a vitória eleitoralde Evo Morales c) regime tarifário brasileiro com a retomada do diálogo entre os países do Mercosul d) estrutura agrícola paraguaia com a ação das forças de direita do governo recém-eleito. Questão 13 Dificultando o sonho do Governo dos Estados Unidos de consolidar nas Américas um bloco econômico que abranja os mercados desde o Alasca à Patagônia, formando, de fato, a ALCA – Área de Livre Comércio das Américas – e sob a sua regência, há atualmente alguns obstáculos, como: a) a permanente ameaça da guerrilha e do narcotráfico na Colômbia b) a tendência de avanço do modelo socialista nos países platinos c) as constantes posições contrárias do Canadá no campo político e econômico nas rodadas de negociação e nas reuniões da ONU – Organização das Nações Unidas d) a busca de fortalecimento do Mercosul como um mercado regional e) a atual tendência de oposição representada pelo Governo da Argentina, um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do Ocidente CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA II Prof. Fernandes Epitácio VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência INTRODUÇÃO: O CEPAL A Cepal é uma instituição das Nações Unidas criada para analisar as condições econômicas e sociais do subcontinente latino-americano e Caribe, dessa forma, propondo políticas que lidem com os problemas do subdesenvolvimento. É detentora de um dos pensamentos mais originais já criados nos trópicos e parte da idéia de que é necessária uma compreensão própria e original para empreender o desenvolvimento periférico (países subdesenvolvidos), que não é de mesmo tipo que o desenvolvimento realizado pelos países do capitalismo central (países desenvolvidos). Assim, contraria os estudos prévios a sua criação, como o de Rostow (1959), segundo os quais o subdesenvolvimento da periferia seria vencido por meio de caminhos parecidos aos trilhados pelos países centrais. A Cepal foi criada em 1949 e tem como principais representantes os intelectuais Raúl Prébish, Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares, Oswaldo Sunkel, Aníbal Pinto, Fernando Fajnzylber, dentre outros. Segundo Bielschowsky (2000, p.17), sua principal inovação é metodológica. Combinando a análise histórica com o método estruturalista, a Cepal tenta buscar soluções para subdesenvolvimento latino- americano. Sua metodologia manteve alguns princípios básicos durante toda a segunda metade do século XX. O que mudou foi o contexto histórico e os desafios dele decorrentes. Por isso, o enfoque histórico-estruturalista cepalino tem como grande trunfo a maleabilidade de sua interpretação não padecendo de rígidos marcos que o petrificariam no passado, ao mesmo tempo em que uma parte relevante dos estudos da Cepal são uma tentativa de crítica ao seu próprio método. As ações em prol do desenvolvimento seriam tomadas pela via estatal as quais teriam um planejamento em longo prazo. Além da intervenção estatal, são fundamentais no pensamento cepalino a inserção das economias periféricas na economia mundial e as limitações internas do subdesenvolvimento. Bielschowsky (2000, p.18) divide o pensamento da Cepal em cinco fases: a) As origens e anos 1950: industrialização; b) Os anos 1960: “reformas para desobstruir a industrialização”; c) Os anos 1970: a reorientação dos “estilos” de desenvolvimento na direção da homogeneização social e na direção da industrialização pró-exportadora. d) Os anos 1980: a superação do endividamento externo via “ajuste com crescimento”; e) Os anos 1990: a transformação produtiva com equidade. O SUBDESENVOLVIMENTO Após a Primeira Guerra Mundial e a Crise de 1929, os países periféricos iniciaram um processo mais intenso de industrialização, como resposta aos choques externos e à desorganização das linhas de comércio internacional. A Industrialização por Substituição de Importações marca um novo período na história dos países periféricos, aprofundando as relações de dependência e, aí sim, alcançando em sua plenitude a condição de subdesenvolvimento. O caráter substitutivo da industrialização latino-americana se expressa na intenção da produção nacional reproduzir internamente bens similares aos antes importados. Isto implicou não só uma redefinição das decisões de investimento, desviando-se da produção primário-exportadora e rumando para a indústria de bens de consumo para o mercado interno, mas também uma tentativa de assimilar os processos produtivos em operação no centro do sistema mundial Havia, portanto, a necessidade de mimetizar tanto os produtos finais, como também as estruturas de preços e de custos,para que fosse possível competir em pé de igualdade com as empresas estrangeiras. Somente com o início da industrialização, as duas vias de difusão do progresso técnico alcançariam com toda a sua força a periferia, aprofundando o quadro da dependência, que passaria a abranger, então, tanto bens de consumo, como bens intermediários e de capital. O fio condutor desta análise parte do desenvolvimento das forças produtivas, isto é, da interação entre progresso técnico e acumulação de capital. Observado o atraso perante o progresso técnico e a evidente dependência tecnológica, resta observar como a acumulação de capital é entorpecida na periferia, em benefício do centro. Sendo, de imediato, três as principais formas de transferência do excedente gerado: a primeira está na clássica tese de Prebisch sobre a deterioração dos termos de intercâmbio; a segunda seria o controle do capital estrangeiro sobre as atividades comerciais, em uma primeira etapa, e sobre as atividades produtivas locais, posteriormente; e a terceira, justamente sobre a dependência tecnológica, na medida em que a pauta de importações se torna cada vez mais rígida. As três contribuem para moldar a forma de utilização do excedente, desviando o potencial de acumulação da periferia para alimentar o pleno funcionamento das indústrias dos países centrais, ou seja, ao fraco dinamismo da demanda externa por bens primários soma-se o fraco dinamismo da demanda interna por bens industrializados, notadamente voltada para a importação. Não se completa, desta forma, o sistema produtivo nacional, sendo de muito difícil substituição a indústria de bens de capital, uma vez que o investimento, tido como a variável chave de todo o sistema, desvia sua demanda potencial para a indústria estrangeira. Abordado em sua amplitude, o subdesenvolvimento expressa a conjugação da posição periférica com as formas de dependência, configurando um quadro de heterogeneidade estrutural e de desequilíbrio estrutural do balanço de pagamentos. Estas adquirem o caráter estrutural, pois refletem as formas de inserção destes países no sistema mundial e as formas de assimilação do progresso técnico sobre a estrutura interna dos sistemas nacionais, estando ambas essencialmente ligadas à transferência contínua de excedente no sentido periferia-centro. O desequilíbrio do balanço de pagamentos está diretamente imbricado à transferência do excedente, pois Aula 9 – A Genese das Desigualdades 83 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência tanto a deterioração dos termos de intercâmbio e a dependência tecnológica, pelo lado da balança comercial, quanto a remessa de lucros dasempresas estrangeiras, pela conta de capital, contribuem para o déficit global do balanço. Já a heterogeneidade tecnológica funda-se na fraca acumulação produtiva da periferia, ou seja, no desvio da utilização do excedente em direção ao consumo de bens importados, ou mesmo produzidos localmente, porém com base na tecnologia desenvolvida pelos países centrais, quando não há, em casos extremos, o controle direto da produção local pelo capital estrangeiro. A assimilação de novos produtos e novos processos produtivos impõe uma necessidade de acumulação de capital não disponível nos países subdesenvolvidos, impedindo a plena difusão das técnicas. Entre os distintos setores produtivos, e mesmo intra-setores, observa-se freqüentemente uma descontinuidade tecnológica. Porém, mais importante do que isto é o fato do próprio modo de produção capitalista não se difundir por todo o sistema econômico, havendo uma cisão, em nível mais elevado de abstração, entre o setor capitalista e o setor não- capitalista De forma que um setor encontra-se integrado ao sistema capitalista mundial, consumindo seus produtos e utilizando suas técnicas de produção, na busca da maximização das taxas de lucro; enquanto o outro setor pouco participa do mercado capitalista, produzindo com técnicas rudimentares para o auto-consumo, delineando um setor de subsistência onde se prioriza a simples produção de excedente. Esta convivência entre modos de produção distintos dentro de um mesmo sistema nacional é o que caracteriza em última instância o subdesenvolvimento. Partindo da dialética e do método histórico-estrutural, são exploradas as relações de interdependência entre o setor capitalista e o setor não-capitalista, como duas partes constituintes de um todo, expresso na economia nacional. Entretanto, a esta análise devem-se juntar as considerações sobre o tipo de inserção deste Estado nacional específico, para situá-lo enquanto um elemento de um todo maior representado pelo sistema mundial. Logo, o subdesenvolvimento, como uma trajetória histórica distinta, porém contemporânea ao desenvolvimento das principais sociedades industriais, deve ser estudado em seu conjunto, na comparação entre os Estados que constituem o sistema mundial. Pois é na interação dialética entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos que ganhará sentido o processo histórico do sistema como um todo e de suas partes individualmente. Destarte, é somente na análise da formação dos Estados nacionais, da competição entre Estados nacionais e da conformação do Sistema Capitalista Mundial, que o subdesenvolvimento pode ser apreendido em sua totalidade. TEORIA LIBERAL • Os Países pobres são pobres porque não atingiram ainda a eficiência produtiva e o equilíbrio econômico necessário à manutenção de um ciclo de prosperidade contínua e ilimitada. • Para isso, é necessário descobrir suas especialidades, multiplicar a capacidade de produção e concorrer no mercado mundial com a maior liberdade econômica possível. • Os liberais partem do princípio de igualdade na concorrência entre os ricos e os pobres no mercado mundial. Confundem simples crescimento com desenvolvimento econômico. TEORIA NEOLIBERAL • O subdesenvolvimento é uma fase do processo de desenvolvimento econômico, que é gradual e ocorre através de etapas, que culminarão com o pleno desenvolvimento. • Os neoliberais desprezam importantes fatores em sua análise, como a orientação do processo e criação de condições para que ocorra o desenvolvimento. TEORIA ESTRUTURAL • Definem o subdesenvolvimento como uma conseqüência de diversos fatores que se completam, articulados entre si em sintonia com a situação mundial. • Baseados na realidade interna peculiar de cada país, atrelada à dinâmica histórica da exploração externa, eles chegaram à conclusão de que os países subdesenvolvidos são opostos complementares dos países desenvolvidos. • Os países ricos são ricos porque existem países pobres explorados e que nunca vão enriquecer, porque não percorreram o mesmo processo histórico econômico que seus exploradores. • Os estruturalistas contribuíram na análise dos fatores endógenos responsáveis pela pobreza e realidade do subdesenvolvimento tais como: fome, desequilíbrio demográfico industrialização dependente, urbanização irregular, perversões na distribuição de renda. Os países pobres do mundo estão localizados na zona intertropical da Terra, justamente onde as colônias estavam localizadas na área temperada do Globo e buscavam produtos que não podiam ou não era produzido em seus territórios, o que implicava em comércio marítimo de fácil controle pelos Estados e multiplicação de riquezas através desse comércio pela burguesia. Posteriormente, quando o capitalismo torna-se industrial, ocorre às alternativas de matérias primas industriais baratas produzidas nas colônias, que tinham a finalidade de consumir os excedentes industriais das metrópoles. CARACTERÍSTICAS DO SUBDESENVOLVIMENTO Segundo Josué de Castro, “O subdesenvolvimento não é, como muitos pensam equivocadamente, insuficiência ou ausência de desenvolvimento. O subdesenvolvimento é um produto ou um subproduto do desenvolvimento, uma derivação inevitável da exploração econômica colonial ou neocolonial, que continua se exercendo sobre diversas regiões do planeta”. Torna-se inevitável e, portanto já esperada a existência de um “mundo subdesenvolvido” a partir do momento em que destacamos a ocorrência de uma contrapartida desenvolvida. Podedos assim considerar o subdesenvolvimento ou mesmo a não obtenção do desenvolvimento como sendo o produto da má utilização dos recursos naturais e humanos realizada de forma a não conduzir à expansão econômica e a impedir as mudanças sociais indispensáveis ao processo da integração dos grupos humanos subdesenvolvidos dentro de um sistema econômico integrado. As diversas nações em desenvolvimento ou mesmo emergentes estão localizadas nos diversos continentes do planeta e são aqueles que enfrentam problemas econômicos e sociais, tendo, como origem, muitas vezes, as questões históricas. Esses países podem ser encontrados em todos os continentes, ainda que o grau ou intensidade de seu precário desenvolvimento tenda a ser diferente. Algumas regiões como América Latina, a maior parte do continente Africano, assim como muitos países da Ásia e da Oceania. Apesar dos estereótipos, o continente europeu 84 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) também possui regiões e mesmo países onde ainda se pode constatar uma busca real e notória pelo desenvolvimento já alcançado pelos vizinhos. Todas as nações em desenvolvimento compartilham certas características comuns que as individualizam mesmo em meio aos demais países que se encontram em situações semelhantes. Podemos enumerar certos problemas comuns às regiões menos desenvolvidas do planeta, tais como: intensas desigualdades sociais; dependência econômica e tecnológica; ocorrência de uma balança comercial desfavorável; elevados índices de mortalidade infantil; baixa expectativa de vida. As nações em desenvolvimento, assim como as emergentes têm atraído ao longo dos anos diversos investimentos assim como empresas multinacionais ou mesmo transnacionais que buscam os chamados fatores locacionais atrativos, tais como: uma legislação flexível acompanhada de isenção de impostos; ocorrência de uma mão de obra barata e numerosa; ocorrência de doação de terrenos por parte do governo; remessa delucro das transnacionais para a sede dessas empresas. Sempre que ocorrem comparações entre países desenvolvidos e em desenvolvimento o fator econômico entra em jogo e se mostra como principal diferenciador entre essas nações. Entretanto, cada vez mais se busca um equilíbrio entre características econômicas e sociais para se mensurar e diferenciar os países por seu desenvolvimento. Muitas das características já foram exibidas, ainda que alguns indicadores mereçam um destaque na atualidade: 1. Paridade do Poder de Compra (PPC) Em economia compreende-se que seu dinheiro pode valer mais ou menos em diferentes países. Isso ocorre porque o preço de um produto varia de acordo com o país. Dessa maneira a Paridade do Poder de Compra (em inglês, purchasing power parity (PPP)) é um método para se calcular o poder de compra de dois países (torna- se assim, uma alternativa à taxa de câmbio). A PPC mede o quanto uma determinada moeda pode comprar em termos internacionais (normalmente dólar), já que bens e serviços têm diferentes preços de um país para outro, ou seja, relaciona o poder aquisitivo de tal pessoa com o custo de vida do local, se ele consegue comprar tudo que necessita com seu salário. Portanto, ela mede quanto uma determinada moeda poderia comprar se não fosse influenciada pelas razões de mercado ou de política econômica que determinam a taxa de câmbio. O usa da PPC vem se tornando necessário, pois a comparação entre os PIB de dois ou mais países em uma moeda comum (dólar ou euro) não descreve com precisão as diferenças em riqueza de bens. Já quando se usa o PPC é levado em conta tanto as diferenças de rendimentos como também as diferenças no custo de vida. Não é uma forma tão simples pois preços de alimentos, habitação e compras em geral podem variar muito de país para país, e isso tudo sem levarmos em conta que cada nação tem relações específicas com moeda, renda e preços. 2. Coeficiente de Gini Também conhecido como Índice de Gini, é, assim como o IDH, um cálculo usado para medir a desigualdade social, ainda que se direcione para a observação do índice de desigualdade mais que para o índice de desenvolvimento. O Coeficiente de Gini foi desenvolvido pelo estatístico italiano Corrado Gini, em 1912 e assim como o IDH apresenta dados entre o número 0 e o número 1. O ZERO, entretanto, corresponde a uma completa igualdade na renda (onde todos detêm a mesma renda per capita) e UM que corresponde a uma completa e extrema desigualdade entre as rendas (onde uma pequena parcela de uma população (ou mesmo um indivíduo) detêm toda a renda e os demais nada têm). Assim sendo, quanto mais um país se aproxima do número 1, mais desigual é a distribuição de renda e riqueza, e quanto mais próximo do número 0, mais igualitário será aquele país. 3.Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) Segundo o próprio PNUD, o objetivo da criação do Índice de Desenvolvimento Humano foi o de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. O IDH foi criado a cerca de 25 anos atrás por Mahbub ul Haq, economista paquistanês, com a colaboração do economista indiano Amartya Sem. A criação do IDH pretendia ser uma medida geral, sintética, do desenvolvimento humano. Segundo o próprio PNUD, apesar de ampliar a perspectiva sobre o desenvolvimento humano, o IDH não abrange todos os aspectos de desenvolvimento, mas tem o grande mérito de sintetizar a compreensão do tema e ampliar e fomentar o debate. A partir do relatório de 2010 os três pilares que constituem o IDH (saúde, educação e renda) são mensurados da seguinte forma: • Uma vida longa e saudável (expectativa de vida ao nascer); • O acesso ao conhecimento (anos médios de estudo e anos esperados de escolaridade); • Um padrão de vida decente (PIB Per Capita (PPC)) Aula 9 – A Genese das Desigualdades 85 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM TODOS RESOLVIDOS EM VÍDEO Questão 01 A respeito das características da dependência econômica que atinge os países no nível de subdesenvolvimento, julgue as proposições abaixo: I) A dependência econômica encontra-se no fato de que, historicamente, as nações mais pobres vivem da exportação de produtos primários, que, via de regra, possuem menor valor agregado que os produtos industrializados. II) A dependência econômica dos países subdesenvolvidos em relação aos que estão no topo do nível de desenvolvimento se dá essencialmente por fatores pontuais e internos. A história da construção da economia dos países subdesenvolvidos possui um peso insignificante. São nações que devem resolver seus problemas internos e, assim, estarão plenamente prontas para alcançar um nível econômico de dominação. III) O principal problema que envolve os países subdesenvolvidos é de ordem econômica, em que se observa uma elevada dependência desses para com outras nações, sobretudo aquelas consideradas desenvolvidas. IV) Nesse quadro de dependência econômica estão problemas relacionados com a concentração fundiária, que direciona os ganhos das exportações para os grandes latifundiários, propiciando a elevação da concentração de renda. V) A dependência expressa-se pela elevada dívida externa existente nos países periféricos. Em geral, parte das receitas adquiridas por esses países destina-se ao pagamento de dívidas para instituições financeiras – como o FMI e o Banco Mundial –, o que atrapalha na hora do uso da verba pública para investimentos sociais. Estão corretas as alternativas: a) I, II, III e V. b) II, IV e V. c) I, II, III e V. d) I, III, IV e V. e) II, III, IV e V. Questão 02 Não é correto afirmar que o subdesenvolvimento é uma ausência de desenvolvimento, mas, sim, a incompletude deste. Dessa forma, existem alguns critérios que definem se um país é ou não é subdesenvolvido. As afirmativas abaixo correspondem a esses critérios, exceto: a) Problemas sociais. b) Expectativa de vida elevada. c) Baixos índices de industrialização. d) Dependência econômica e tecnológica. e) Problemas com infraestrutura. Questão 03 Leia atentamente o texto a seguir e em seguida responda o que se pede: “... O mercado doméstico reagiu positivamente ao discurso do presidente Bill Clinton, que afirmou que os Estados Unidos apoiam a concessão de uma linha de crédito de 15 bilhões de dólares, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), para a América Latina, caso haja uma piora da economia dos países da região.” Com relação ao comportamento e objetivos do FMI, é correto afirmar que: a) O FMI é um instrumento financeiro sob controle dos países emergentes que vem se destacando na economia mundial nos últimos anos. b) O Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma organização que pretende assegurar o bom funcionamento do sistema político-militar mundial pelo monitoramento dos conflitos c) A sede do FMI é em Berlim, Alemanha, visto que essa entidade foi criada em 1944 para manter estabilidade finan¬ceira da Alemanha Ocidental. Anotações 86 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) d) Seus principais objetivos são: promover a cooperação monetária internacional e favorecer a expansão equilibrada do comércio e trazendo desenvolvimento dos recursos produtivos. e) Todos os países do mundo fazem parte do FMI, tendo como única exceção a Coreia do Norte e a China, que são socialistas. Questão 04 ENTREVISTA COM X., DE 17 ANOS Você não pensa que pode morrer ou não ver seu filho crescer? - Não penso no amanhã.Hoje eu posso usar um cordão, um relógio e dar uma moral ao meu filho. Quanto você ganha por mês? - (...) Garanto que é bem mais do que se eu estivesse ralando das 8h às 17h, a troco de uma cesta básica. Já pensou em ter profissão? - Quando eu era menor queria ser da Aeronáutica. O que eu quero agora é ser um gerente de tráfico. É o meu sonho. Sou respeitado aqui, carrego uma pistola 45 na cintura. Lá fora [da favela] não sou nada. Virar trabalhador para ser esculachado? Jamais! Adaptado de "O Globo". O entrevistado estabelece uma oposição entre o que imagina ser a vida de um trabalhador regular e as vantagens que obtém atuando na ilegalidade. Faz parte dessa oposição a sua referência ao mundo "lá fora", onde ele "não seria nada". Esses dois mundos, apontados na entrevista, que coexistem na cidade do Rio de Janeiro, podem ser explicados, historicamente, por uma série de processos, tais como a) crescimento desordenado da população; elevação do índices de desenvolvimento humano; participação do país em questão em blocos econômicos de grande destaque. b) descentralização das desigualdades sociais no espaço da cidade; privatização indiscriminada das empresas estatais, como no setor agrícola; consumismo acentuado das elites. c) esvaziamento de investimentos governamentais nas áreas ocupadas pelas camadas médias; degradação de serviços públicos, como o de saúde; diminuição da concentração de renda. d) decadência das políticas de desenvolvimento na área central da metrópole; redução da presença do Estado em áreas carentes, como as favelas; eliminação de investimentos para o transporte público. e) desigualdade na distribuição espacial das benfeitorias urbanas pelo poder público; crise aguda dos serviços públicos associados à ascensão social, como o da educação; queda geral do nível salarial. Questão 05 "Enquanto os 20% mais pobres ficam com apenas 2,6% da renda nacional, os 10% mais ricos detêm 48,1 % deste montante." (Jornal da "Ciência Hoje". 3/11/95) Esses dados referentes ao Brasil para os anos 90 permitem-nos afirmar que a) apesar dos índices apresentados, o nosso País tem uma situação melhor dentre os mais pobres por ser também industrializado. b) a situação social e econômica da população brasileira é uma das mais graves do mundo, devido ao crescimento acelerado da mortalidade. c) essa situação de má distribuição da renda é apenas aparente porque as múltiplas atividades da economia informal ocupam 30% da população ativa. d) a distribuição da renda é semelhante a dos tigres asiáticos, que como o Brasil, se industrializaram mais aceleradamente após a Segunda Guerra Mundial. e) a concentração da renda nas mãos de uma pequena parcela em detrimento da maioria da população é um fato assustador que dificulta o pleno desenvolvimento do país. Questão 06 "A redistribuição da renda e da riqueza exige uma política capaz de promover a restauração do parque produtivo brasileiro, respondendo aos desafios impostos pela conjuntura internacional. Mas requer, também, uma política agrícola voltada para o abastecimento interno, de modo a eliminar este grande escândalo nacional: a fome." Severo Gomes. Dentre as medidas que se podem julgar compatíveis com os objetivos delineados no texto citam-se a) a ampliação das exportações de manufaturados e o barateamento de implementos agrícolas como fertilizantes e agrotóxicos. Anotações Aula 9 – A Genese das Desigualdades 87 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência b) a ampliação dos recursos destinados a grandes empreendimentos, como Carajás, e a introdução de mecanização intensiva no campo. c) a criação diversificada de empregos, a elevação do patamar de salários nas zonas urbanas e rurais, além de uma desconcentração de terras produtivas. d) a aplicação de políticas de controle de importação e o desenvolvimento de institutos de pesquisa agronômicos para aperfeiçoamento da produção agrícola. e) a extensão do mercado financeiro a todos os setores da população ativa e a multiplicação de agroindústrias. Questão 07 A respeito do “subdesenvolvimento” é correto afirmar que a) o subdesenvolvimento é uma situação socioeconômica caracterizada por dependência econômica e grandes desigualdades sociais. b) antes de serem países desenvolvidos, Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha passaram pelo subdesenvolvimento. c) neste final de século, a principal contradição da ordem mundial é o conflito Leste × Oeste, isto é, entre os países ricos e os países pobres. d) as disparidades socioeconômicas entre os países surgem com as grandes navegações (séculos XV e XVI), daí se formando os países subdesenvolvidos. Questão 08 Em 1999, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento elaborou o Relatório do Desenvolvimento Humano, do qual foi extraído o trecho abaixo. […] Nos últimos anos da década de 1990, o quinto da população mundial que vive nos países de renda mais elevada tinha: 86% do PIB mundial, enquanto o quinto de menor renda, apenas 1%; 82% das exportações mundiais, enquanto o quinto de menor renda, apenas 1%; 74% das linhas telefônicas mundiais, enquanto o quinto de menor renda, apenas 1,5%; 93,3% das conexões com a lnternet, enquanto o quinto de menor renda, apenas 0,2%. A distância da renda do quinto da população mundial que vive nos países mais pobres – que era de 30 para 1, em 1960 – passou para 60 para 1, em 1990, e chegou a 74 para 1, em 1997. De acordo com esse trecho do relatório, o cenário do desenvolvimento humano mundial, nas últimas décadas, foi caracterizado pela a) diminuição da disparidade entre as nações. b) diminuição da marginalização de países pobres. c) inclusão progressiva de países no sistema produtivo. d) crescente concentração de renda, recursos e riqueza. e) distribuição equitativa dos resultados das inovações tecnológicas. Anotações 88 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 “Essa questão é recorrente aos problemas relacionados à Divisão Internacional do Trabalho, em que os países periféricos exportam matérias-primas e produtos industrializados de baixa tecnologia e importam produtos tecnológicos ou sistemas de tecnologia, geralmente vinculados à instalação de grandes empresas multinacionais.” A que característica dos países subdesenvolvidos faz referência o fragmento acima? a) Dependência econômica b) Problemas em infraestrutura c) Baixos índices de industrialização d) Dependência tecnológica e) Problemas sociais Questão 02 Uma das características mais expressivas e preocupantes do subdesenvolvimento são os chamados problemas sociais, que resultam de processos históricos e da dependência em relação aos países que detêm o domínio econômico. A respeito dessa característica, avalie as questões abaixo: I) Há cada vez mais capital sendo acumulado por cada vez menos pessoas, tanto em termos de finanças quanto em termos de posses urbanas e rurais. Tal fator é um agravo às condições de miséria, fome e baixa capacidade produtiva de uma dada região ou território. II) Outro fator que agrava os problemas sociais é a grande disparidade econômica atualmente existente. Os países subdesenvolvidos, por questões principalmente políticas, não promovem uma distribuição de renda em suas economias internas. III) Os países subdesenvolvidos passaram por processos de industrialização e urbanização tardios, ou seja, ocorreram apenas recentemente e fazem com que os países pobres sofram com problemas urbanos que os países desenvolvidos tiverem de enfrentar nos séculos XVIII, XIX e XX. IV) Os problemas sociais nos países subdesenvolvidos são integralmente resultados depolíticas públicas ineficientes e da má gestão dos recursos financeiros por parte dos representantes da sociedade no Legislativo e Executivo. V) Os problemas relacionados com a industrialização e urbanização tardias nos países subdesenvolvidos são amenizados pela grande capacidade financeira que esses países possuem para emancipar suas realidades. Estão corretas as alternativas: a) I, II e V. d) I, IV e V. b) II, IV e V. e) I, III, IV e V. c) I, II e III. Questão 03 Além de haver graves problemas internos, somados a perspectivas conservadoras das economias – como a preferência de centrar a economia na exportação de matéria-prima –, existem também fatores históricos que se tornaram o grande cerne para a condição de subdesenvolvimento que afeta a maior parte dos países. A respeito desses fatores históricos, estão corretas as afirmativas abaixo, exceto: a) A primeira etapa da Revolução Industrial, que ocorreu simultaneamente em nações desenvolvidas e subdesenvolvidas, ocasionou uma paridade de condições na corrida pela emancipação econômica, o que deu condições para que os países pobres emergissem. Entretanto, por conta da má gestão dos recursos vindos da produção industrial, essa oportunidade não foi aproveitada. b) Quanto ao imperialismo, trata-se de uma continuação do colonialismo – ou do neocolonialismo, no caso dos países africanos –, em que territórios foram disputados e divididos, e áreas de influência até hoje são requisitadas. c) Durante o processo europeu de expansão marítimo-comercial, o capitalismo expandiu-se e a Divisão Internacional do Trabalho estabeleceu-se. As colônias forneciam produtos primários, como especiarias e materiais agropecuários, e as metrópoles produziam e exportavam produtos manufaturados e, posteriormente, industrializados. d) Essas ações, como as realizadas pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria e em outros períodos históricos, serviram para garantir que não houvesse uma emancipação econômica dos países pobres a fim de evitar um aumento da concorrência no mercado internacional. e) A exploração dos recursos e as grandes dívidas que as antigas colônias herdaram de suas metrópoles também estão na origem das condições de dependência econômica e de subdesenvolvimento. Questão 04 Considere essa passagem de Celso Furtado: "A diferença dos níveis atuais de renda existentes entre as duas populações constitui legado do longo período de desenvolvimento primário-exportador, para o qual uma região era menos dotada do que a outra, e dificilmente poderá ser eliminado, pelo menos enquanto esta última não superar o considerável atraso que a separa das economias desenvolvidas." O texto se refere a) ao Sul e Sudeste do Brasil. b) ao Nordeste e ao Centro-Sul do Brasil c) ao Nordeste algodoeiro e ao Nordeste açucareiro. d) às regiões situadas dentro da megalópole Rio-São Paulo. Questão 05 Morte Na Festa Dos Ricos O interesse despertado pela reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), iniciada na semana passada em Cancun, no México, deveu-se justamente ao assunto central em pauta para os países emergentes, a agricultura. Pela primeira vez, a questão das práticas comerciais prejudiciais ao grupo de nações em desvantagem no cenário da globalização seria o foco das reuniões. O balneário mexicano deveria ser o marco de uma mudança que deixaria para trás a impressão predominante nos países emergentes de que os países ricos fazem a festa no comércio mundial usando a OMC apenas como um jogo de cartas marcadas. Revista Veja. A notícia acima reflete o debate sobre o comércio internacional que tem colocado os países desenvolvidos e subdesenvolvidos em campos opostos. Uma das razões desse antagonismo está indicada na seguinte alternativa: a) Pressão por parte dos países desenvolvidos para que os subdesenvolvidos abram seus mercados, enquanto aqueles mantêm suas práticas protecionistas. b) Manutenção de intensas barreiras protecionistas por parte dos países subdesenvolvidos no setor agrícola, ao passo que os países desenvolvidos praticam o livre comércio. Aula 9 – A Genese das Desigualdades 89 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência c) Discussão entre os países desenvolvidos, que desejam o fim do protecionismo através da constituição de blocos comerciais, e os subdesenvolvidos, que se opõem ao multilateralismo comercial. d) Oposição entre os países subdesenvolvidos, que defendem a OMC como fórum adequado para manter o protecionismo, e os desenvolvidos, que querem usá-la para garantia do livre comércio. e) Países emergentes não buscam negociar com nações desenvolvidas com temor de sofrerem uma concorrência desleal por parte das mesmas e por isso abrem seu mercado somente para nações subdesenvolvidas. Questão 06 O texto abaixo ressalta atributos básicos para o desenvolvimento humano. A razão de ser do desenvolvimento é o ser humano, que o gera. Por isso, o desenvolvimento deve ter três atributos básicos: desenvolvimento das pessoas [...]; desenvolvimento para as pessoas [...]; e desenvolvimento pelas pessoas. (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento". Disponível em www.undp.org.br/desen.htm. Para a ONU, o tipo de desenvolvimento que contempla esses atributos é denominado de Desenvolvimento Humano Sustentável, direcionado, entre outras ações, para: a) Efetivar um modelo de crescimento baseado no uso intensivo de matérias-primas e na industrialização de bens de consumo. b) Promover a concentração da riqueza e incentivar a preservação ambiental, propiciando o consumo de bens e serviços às populações subdesenvolvidas. c) Promover o crescimento econômico e diminuir as desigualdades socioeconômicas entre os países e os grupos sociais, evitando a degradação ambiental. d) Efetivar a apropriação da natureza com vistas ao modelo de crescimento econômico que garanta a melhoria das condições de vida nas sociedades de consumo. e) Promover o cuidado com o meio ambiente fazendo com que cada indivíduo tenha sua parcela na exploração dos recursos naturais a serem extraídos de um determinado lugar. Questão 07 Considere o texto a seguir: BRASIL ... o valor coincide com o que internacionalmente é considerado extrema pobreza. A ONU estabeleceu o rendimento diário de 1,25 dólar, o que, na cotação de hoje, dá perto de 67 reais no mês. Então, é simples: definimos o valor de 70 reais, pegamos o último Censo do IBGE, fizemos as contas e chegamos aos 16 milhões de brasileiros. É uma população extremamente frágil: 60% está no Nordeste, 71% é de negros, metade na zona rural, apesar de só 15% da população viver no campo, e 40% tem menos de 14 anos. É entre crianças e adolescentes que se concentra a maior fragilidade”. Entrevista: Tereza Campelo, ministra do Desenvolvimento Social, revista Carta Capital, 22 de junho de 2011. Com base no exposto podemos inferir que: a) O percentual atual de extrema pobreza no Brasil, localizada em sua maior parte na região Nordeste, tem origem, dentre outros fatores, no atraso econômico histórico, relativo a essa região, associado ao contexto nacional, que foi intensificado pela impossibilidade de desenvolver um parque industrial que lhe permitisse acompanhar o avanço da produção industrial do país, concentrado, sobretudo, na região Sudeste. b) A evolução socioeconômica do Brasil, em que pesem as dimensões territoriais do país, foi marcada por processos homogêneos que induziram a uma crescente descentralização regional de produção e da renda. Isso intensificou significativamente as desigualdades regionais, conformando um padrão microrregional que diferenciou, sobretudo, as regiões Sul e Nordeste. c) A configuração territorial resultante das disparidades econômicasregionais no Brasil reafirma situações de desigualdades entre empresas e regiões, acentuando atrações locacionais, que possuem atributos vantajosos, e excluindo da dinâmica de mercado regional as áreas consideradas pólos produtores de tecnologia moderna, a exemplo da região Sudeste. d) De uma forma geral o índice de pobreza apenas é verificada na região nordeste e entre a população de negros. e) O Brasil ainda precisa melhorar o bastante no combate a pobreza extrema para cumprir a Meta para o Milênio, sobretudo no Nordeste onde nenhum programa social foi desenvolvido nos últimos dez anos e ocorreu um agravamento da situação principalmente entre os jovens em decorrência do fenômeno da seca. Questão 08 A mundialização introduz o aumento da produtividade do trabalho sem acumulação de capital, justamente pelo caráter divisível da forma técnica molecular-digital do que resulta a permanência da má distribuição da renda: exemplificando mais uma vez, os vendedores de refrigerantes às portas dos estádios viram sua produtividade aumentada graças ao just in time dos fabricantes e distribuidores de bebidas, mas para realizar o valor de tais mercadorias, a forma do trabalho dos vendedores é a mais primitiva. Combinam-se, pois, acumulação molecular-digital com o puro uso da força de trabalho. OLIVEIRA, F. Crítica à razão dualista e o ornitorrinco. Campinas: Boitempo, 2003. Os aspectos destacados no texto afetam diretamente questões como emprego e renda, sendo possível explicar essas transformações pelo(a) a) crise bancária e o fortalecimento do capital industrial. b) inovação toyotista e a regularização do trabalho formal. c) impacto da tecnologia e as modificações na estrutura produtiva. d) emergência da globalização e a expansão do setor secundário. e) diminuição do tempo de trabalho e a necessidade de diploma superior. Questão 09 Dados recentes mostram que muitos são os países periféricos que dependem dos recursos enviados pelos imigrantes que estão nos países centrais. Grande parte dos países da América Latina, por exemplo, depende hoje das remessas de seus imigrantes. Para se ter uma ideia mais concreta, recentes dados divulgados pela ONU revelaram que somente os indianos recebem bilhões de dólares de seus compatriotas no exterior. No México, segundo maior volume de divisas, esse valor chega a bilhões de dólares e nas Filipinas, o terceiro, a bilhões. HAESBAERT. R.; PORTO-GONÇALVES, C. W. A nova des-ordem mundial. São Paulo: Edunesp, 2006. 90 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) Um aspecto do mundo globalizado que facilitou a ocorrência do processo descrito, na transição do século XX para o século XXI, foi o(a) a) integração de culturas distintas. b) avanço técnico das comunicações. c) quebra de barreiras alfandegárias. d) flexibilização de regras trabalhistas. e) desconcentração espacial da produção. Questão 10 No Brasil, a criação de uma estrutura institucional para lidar com o tráfico internacional ilegal de drogas e com a lavagem de dinheiro é recente. A partir do final da década de 1990, o governo federal começou a estruturar os sistemas de controle sobre essas atividades, com base na ideia de que as operações ilícitas são problemas comuns dos estados nacionais e que só podem ser resolvidos de forma sistêmica. Adaptado de MACHADO Lia Osório. "Medidas institucionais para o controle do tráfico de drogas e da lavagem de dinheiro e seus efeitos geoestratégicos na região Amazônica brasileira". In Cadernos IPPUR, Vol. XXI, nº 1, 2007. Sobre o controle de operações ilícitas no mundo e no Brasil, analise as afirmações a seguir. I. As operações ilícitas não constituem um problema estritamente de segurança interna (sociedade civil, instituições, governo), mas também de segurança global. II. O tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro são operações que se organizam sob a forma de redes transnacionais, ou seja, não respeitam limites interestatais. III. A repressão às operações ilícitas só é possível mediante a colaboração internacional entre países, o que fortalece a concepção clássica de soberania do Estado. Está correto o que se afirma em a) II, apenas. b) I e II, apenas. c) III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III apenas. Questão 11 Com o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), vários povos tomaram consciência do grande desnível econômico, social, político, científico e tecnológico existente entre os países do mundo. Um grupo era formado por países ou nações fortes, outro grupo era formado por nações fracas economicamente. Para diferenciar esses dois conjuntos de países, na década de 1950 foram introduzidas as expressões: a) países desenvolvidos e países subdesenvolvidos; b) países do primeiro, segundo e terceiro mundo; c) países do centro e países periféricos; d) países do Norte e países do Sul. Questão 12 A imagem abaixo revela um dos graves problemas sociais brasileiros. Sobre ele podemos dizer que: a) Com a inserção do direito à alimentação em nossa Constituição, a fome deixou de ser tema preocupante. b) As políticas de combate à pobreza implantadas nos últimos anos, no Brasil, levou-nos ao status de fome zero. c) O combate à fome só se dará efetivamente com a tomada de outras medidas que garantam uma distribuição de renda mais justa, combate a corrupção e melhorias na educação. d) O estado do Piauí, assim como quase todo o Nordeste brasileiro, tem sido pouco afetado pela falta de comida para o povo. e) É possível verificar que a redução do problema tem sido a tônica das políticas públicas, em todas as esferas de governo, tem sido suficientes para eliminar o problema da sociedade brasileira. Questão 13 A tabela contém indicadores socioeconômicos do Chile e da média de todos os países da América Latina. Chile e América Latina:Indicadores socioeconômicos em 2004 Analisando-se a tabela, pode-se afirmar que: a) a diferença entre os dados socioeconômicos do Chile e a média da América Latina é muito pequena na maior parte dos indicadores. b) em todos os indicadores socioeconômicos, o Chile apresenta resultados melhores do que a média da América Latina. c) a diferença entre os dados socioeconômicos do Chile e a média da América Latina é muito pequena apenas nos indicadores desemprego, média de anos de estudo e taxa de analfabetismo. d) em todos os indicadores socioeconômicos, o Chile apresenta valores inferiores à média da América Latina. e) a diferença entre os dados socioeconômicos do Chile e a média da América Latina é muito grande apenas nos indicadores PIB per capita, inflação e expectativa de vida. Aula 9 – A Genese das Desigualdades 91 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Questão 14 "QUE PAÍS É ESTE? Nas favelas, no Senado Sujeira pra todo lado Ninguém respeita a Constituição Mas todos acreditam no futuro da nação Que país é este No Amazonas, no Araguaia, na Baixada Fluminense Mato Grosso, nas Gerais e no Nordeste tudo em paz. Na morte eu descanso mas o sangue anda solto Manchando os papéis, documentos fiéis Ao descanso do patrão Que país é este Terceiro mundo se for Piada no exterior Mas o Brasil vai ficar rico Vamos faturar um milhão Quando vendermos todas as almas Dos nossos índios em um leilão Que país é este" Esta música foi escrita em 1978 e não se tornou obsoleta, superada. O texto fala de alguns dos problemas do nosso país, tais como: a) a falta de cumprimento da Constituição tem pouca relação com a existência de injustiça social e do pleno desenvolvimento. b) o Brasiljá faz parte do Primeiro Mundo tanto a nível dos direitos sociais quanto do desenvolvimento econômico. c) o respeito às minorias políticas, como os índios, não faz parte da luta pela democracia social e política do país. d) a falta de cumprimento à Constituição, a má distribuição da renda e das terras geram conflitos na cidade e no campo, e o desenvolvimento fica comprometido sem o respeito aos direitos das minorias políticas, como os índios. e) a violência na cidade e no campo não é fruto da concentração de renda e terras e da lentidão do Judiciário. Questão 15 Analise as charges a seguir. A partir dessas charges, pode-se afirmar que: a) carnaval e futebol são manifestações da cultura popular brasileira que ao longo dos anos vêm polarizando inúmeros programas sociais, os quais contribuíram, inclusive, para a extinção da fome no país. b) o programa Fome-Zero erradicou a fome no Brasil e, por isso, esse programa é motivo de grande destaque na mídia, assim como são carnaval e futebol. c) as críticas das charges não procedem, pois não há casos de fome no Brasil. d) no Brasil, enquanto carnaval e futebol merecem grande destaque na mídia, a fome continua assolando, silenciosamente, parte da população do país. e) em 2015 o problema da fome no Brasil deverá ser totalmente erradicado, pois no presente momento apenas no Norte do País existe tal calamidade, por isso o carnaval passou a enaltecer o programa Fome Zero. CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I Prof. Fernandes Epitácio VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA A fundação da vila de São Vicente, em 1532, assinalou o início da colonização dos domínios portugueses na América, com a distribuição das primeiras sesmarias. As sesmarias inspiraram-se na legislação fundiária portuguesa do século XIV. Na Metrópole, a Lei das Sesmarias (1375) surgira da necesidade de reanimar a agricultura, relegada ao abandono por uma pequena nobreza proprietária mais interessadas nos lucros e na honra proporcionadas pelas guerras contra os espanhóis. A legislação implantada pela Coroa obrigava os proprietários a cultivar as terras ou a ceder parte delas para usufruto dos camponeses. A extensão das sesmarias brasileiras girava em torno de 10.000 a 13.000 hectares, ou mais. Assim, as sesmarias foram o embrião do modelo concentrador que ainda hoje permanece na estrutura agrária brasileira. Entre 1534-1536, a Coroa portuguesa implantou o sistema político- administrativo das capitanias hederidtárias. O território foi dividido em capitanias, lotes doados a quem tivesse capital para colonizá- los. Os detentores desses lotes, transmitidos de pai para filho, eram os capitães-donatários. Esse regime fragmentou a América Portuguesa em unidades autônomas e desarticuladas entre si. Em 1549, numa tentativa de reforçar sua presença e coordenar os esforços dos capitães-donatários, a Coroa instalou um Governo- Geral na recém fundada cidade de Salvador (Bahia). Em 1621, a América Portuguesa foi dividida em Estado do Brasil e Estado do Maranhão. Em 1737, afastadas as ameaças francesas, a atenção da Coroa concentrou-se na consolidação da soberania sobre a bacia amazônica, alterando o nome da entidade para Estado do Grão-Pará e Maranhão. ANTIGAS CAPITANIAS DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA DO BRASIL A organização político administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal, e os Municípios, todos autônomos, nos termos tratados pela vigente Constituição Federal. Considera-se estrutura político-administrativa do Estado, ou organização nacional, aquilo que corresponde aos princípios e linha mestras, traçadas pela respectiva Constituição, no que diz respeito à forma daquele (ou seja: Estados simples, compostos, federação, confederação), aos seus poderes políticos instituídos, como órgãos da soberania nacional (Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário), com a definição de suas competências, e à sua divisão territorial, em subunidades (in Orlando Soares). A Constituição Federal de 1988 adotou como forma de Estado o federalismo, que no entendimento do professor Dalmo de Abreu Dallari (in Elementos de Teoria Geral do Estado) é uma aliança ou a união de Estados, baseada em uma Constituição onde os Estados que ingressam na Federação perdem sua soberania no momento do ingresso, preservando, contudo, uma autonomia política limitada. De uma forma geral, podemos destacar , elementos fundamentais para a compreensão administrativa do Brasil: UNIÃO Pessoa jurídica de direito público (caráter internacional) que representa o Estado federal brasileiro em oposição às unidades que integram a Federação, chamadas de Estados. A União tem suas competências, seus bens, e responde pela integridade nacional, intervindo nos Estados ou no Distrito Federal para mantê-la. É autônoma e soberana. Tem interesse nacional e internacional, pois representa a totalidade dos Estados brasileiros (tem personalidade jurídica), razão de ser soberana. ESTADOS-MEMBROS A autonomia dos Estados-membros caracteriza-se pela denominada tríplice capacidade: • Primeira capacidade = AUTO-ORGANIZAÇÃO Através do exercício de seu poder constituinte derivado, consubstanciando-se na elaboração de suas Constituições Estaduais respeitando a Constituição Federal; • Segunda capacidade = AUTO-GOVERNO Tendo em vista que é o próprio povo do Estado (regional) quem escolhe e de forma direta (eleições) os seus representantes para o Poder Legislativo (deputados estaduais) e para o Poder Executivo (governadores), sem qualquer vínculo (de subordinação) com a União; • Terceira capacidade = AUTO-ADMINISTRAÇÃO Surge quando do exercício de suas competências administrativas, legislativas e tributárias definidas constitucionalmente (determina sua competência). MUNICÍPIOS Entidade jurídica de direito público interno, integrante da federação, resultante da divisão territorial administrativa (anteriormente era criado e organizado pelo Estado) do país, com autonomia política, administrativa e financeira (capacidade e poder para gerir os próprios negócios de interesse local). Compete ao Município legislar sobre assuntos de interesse local, suplementar à legislação federal e estadual no que couber, além de uma série de outras atribuições. Por fim, a partir da Constituição de 1988, o Município alcançou posição de destaque no contexto político-constitucional brasileiro, galgando o “status” de entidade componente da República Federativa do Brasil, juntamente com a União, os Estados e o Distrito Federal. Agora, o Município integra a Federação brasileira. Aula 10 – Regiões do IBGE 93 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência DISTRITO FEDERAL Antigo município neutro, hoje sede do governo federal. Não é Estado e não é Município (É vedada sua divisão em municípios). Localizado no planalto central do país, é a Capital da República (instalada em 21 de abril de 1960), Brasília. Sua autonomia está reconhecida no vigente texto constitucional. É regido por Lei Orgânica própria, sendo que sua capacidade de auto-organização, efetiva-se mediante a elaboração de sua lei orgânica que definirá: os princípios básicos da organização dessa unidade federada, sua competência e seus poderes governamentais. O Distrito Federal tem autonomia político-administrativalimitada. Elege governador e vice e deputados distritais. REGIONALIZAÇÕES DO TERRITÓRIO BRASILEIRO A palavra região origina-se do verbo latino regere, que significa governar, ou seja, exercer o poder. No antigo Império Romano, o substantivo regio designava área sobre a qual um determinado poder era exercido. A região era, portanto, uma construção política. Na Geografia, porém o conceito de região emerge como estruturador no século XIX com um significado diferente. Nas obras de Paul Vidal de La Blache (1845-1918), a região é destituída de sua dimensão política, se transfigurando em construção natural e a-histórica. O método da Geografia constituiria em identificá-las e descreve-las o mais exaustivamente possível. De acordo com Yves Lacoste, essa concepção de região ofusca outras abordagens escalares e empobrece a análise geográfica: “Essa maneira de recortar a priori o espaço num certo número de ‘regiões’, das quais só se deve constatar a existência, essa forma de ocultar todas as demais configurações espaciais, às vezes bastante usuais, foram difundidas, com um enorme sucesso de opinião, através de manuais escolares e também da literatura e pela mídia” (LACOSTE, 1993, p. 54). Regionalizar significa, portanto, estabelecer regiões com base em critérios que considerem características históricas, culturais e socioeconômicas, que se inter-relacionem e, portanto, dão um caráter de individualidade à região, distinguindo-se das demais. É preciso ressaltar, no entanto, que as regiões não são imutáveis. Em função do dinamismo na transformação das paisagens e, portanto, das características do território, os seus limites e mesmo suas particularidades podem se alterar, conforme os processos históricos, as modificações nos padrões tecnológicos, os usos do território e os interesses do Estado e do poder econômico e, até mesmo, o deslocamento de contingentes populacionais. DIVISÃO DO IBGE A Revolução de 1930 inaugurou um novo período da história brasileira, marcado pela forte centralização do poder político em torno do governo federal. A política de industrialização e de integração do mercado interno, iniciada por Getúlio Vargas, derrubou as restrições impostas pelos estados e municípios à circulação de mercadorias. Os estados perderam a autonomia legislativa sobre seu comércio exterior. Nesse contexto, o conhecimento estatístico do território e da população se transformou em prioridade nacional. Para traçar os rumos do desenvolvimento brasileiro, o governo precisava conhecer o Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi criado em 1937, com a finalidade de subsidiar a ação planejadora do Estado sobre o território brasileiro. Desde o início, a realização dos censos demográficos e econômicos e o mapeamento sistemático do Brasil estiveram entre as suas principais atribuições. A República Federativa do Brasil compõe-se atualmente de um total de 27 unidades político-administrativas, sendo 26 estados e o Distrito Federal. Durante o período colonial, as distâncias entre os lugares eram praticamente intransponíveis. Não havia integração do território. Cada área desenvolvia-se de forma isolada com raríssimas exceções. Na atualidade, ao contrário, quase todo o espaço geográfico brasileiro está integrado, registrando intensos fluxos de pessoas, mercadorias, dinheiro e serviços entre suas diversas regiões. O IBGE apresentou a primeira regionalização oficial do território brasileiro em 1942, com o intuito de organizar a divulgação de dados estatísticos e sistematizar as propostas de divisão regional já existentes antes de sua criação. Nesta primeira divisão do Brasil, foram delimitadas as regiões Norte, Nordeste, Leste, Sul e Centro- Oeste. Em 1945, o IBGE apresentou outra proposta, baseada sobretudo no conceito de Região natural, emprestado da geografia regional francesa. Na ocasião, seis grandes regiões foram identificadas no território brasileiro, por meio do estudo das influências recíprocas entre os diferentes fatores naturais, principalmente clima, vegetação e relevo. Os fatores naturais eram então considerados mais estáveis e permanentes, e, portando, mais adequados para servir de base à divisão regional. A divisão regional adotada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 1969 considerou os novos conhecimentos adquiridos sobre o país e também as transformações ocorridas em função de desenvolvimento urbano e industrial. Foi elaborada com base no conceito de regiões homogêneas, combinando aspectos naturais, sociais e econômicos e respeitando os limites dos estados. Por ela, o país está dividido em 5 macrorregiões. A divisão regional do Brasil não foi sempre a mesma. A primeira proposta de regionalização foi apresentada em 1913 e depois dela outras propostas surgiram tentando adaptar a divisão regional às novas condições econômicas, sociais e políticas do país. A atual regionalização é dos anos 70 com algumas adaptações na Constituição de 1988. A divisão regional adotada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 1969 considerou os novos conhecimentos adquiridos sobre o país e também as transformações ocorridas em função de desenvolvimento urbano e industrial. Foi elaborada com base no conceito de regiões homogêneas, combinando aspectos naturais, sociais e econômicos e respeitando os limites dos estados. Por ela, o país está dividido em 5 macrorregiões. 94 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) A divisão regional do Brasil não foi sempre a mesma. A primeira proposta de regionalização foi apresentada em 1913 e depois dela outras propostas surgiram tentando adaptar a divisão regional às novas condições econômicas, sociais e políticas do país. A atual regionalização é dos anos 70 com algumas adaptações na Constituição de 1988. DATA DAS ALTERAÇÕES ALTERAÇÕES 1942 Criação do território de Fernando de Norornha (Nordeste) 1943 Criação dos territórios de Gauporé, Rio Branco, Amapá (Norte), Ponta-Porá (Centro- Oeste) e Iguaçu (Sul) 1946 Extinção dos territórios de Ponta-Porã e Iguacu 1956 O Territorial Federal de Guaporé passa a denominar-se Território Federal de Rondônia. 1960 Criação do Distrito Federal e mudança da capital do R. Janeiro para Brasília. 1960 Criação do estado da Guanabara, que abrangia o município do Rio de Janeiro. 1962 O território do Acre torna-se estado; altera-se a denominação do território de Rio Branco para território de Roraima. 1974 Fusão dos estados da Guanabara e Rio de Janeiro, com a capital na cidade do Rio de Janeiro. 1977 Criação do estado do Mato Grosso do Sul, desmembrado do Mato Grosso. 1981 O território de Rondônia passa a ser estado da Federação. 1988 Criação do estado de Tocantins; os territórios do Amapá e de Roraima passam a ser estados e é extinto o território de Fernando de Noronha que, em 1989, torna- se distrito do estado de Pernambuco. A divisão regional adotada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 1969 considerou os novos conhecimentos adquiridos sobre o país e também as transformações ocorridas em função de desenvolvimento urbano e industrial. Foi elaborada com base no conceito de regiões homogêneas, combinando aspectos naturais, sociais e econômicos e respeitando os limites dos estados. Por ela, o país está dividido em 5 macrorregiões. A divisão regional do Brasil não foi sempre a mesma. A primeira proposta de regionalização foi apresentada em 1913 e depois dela outras propostas surgiram tentando adaptar a divisão regional às novas condições econômicas, sociais e políticas do país. A atual regionalização