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Gestalt  - ciclo do contato em andamento

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Universidade Estácio de Sá
Gestalt Terapia
Prof° Thelma Mary
Aline Márcia do Nascimento Silva – Mat.: 200602122328
Cleide Gonçalves de Souza – Mat.: 201101435259
Daniela Quintela Miguel – Mat.: 201403289603
Débora Garcia de Freitas – Mat.: 201403057664
Jéssica Rodrigues da Silva – Mat.: - 201408212889
João Batista Henrique Pequeno – Mat.: 201401326579
João Luiz da Roza - Mat.:201401023223
 Thaís Alves de Souza - Mat.: 201401363571
Wellen Queiroz Marques - Mat.: 201308184271
Junho 2018
Resumo:
O ciclo do contato é o conceito de construção e destruição de necessidades (figura e fundo), onde o individuo tem consciência de suas necessidades procura satisfazê-las ou organizá-las e após procura suprir (fechar) novas necessidades (figura e fundo). Quando há uma desordem interna ou externa que venha a interromper os fechamentos de uma Gestalt o indivíduo passa a apresentar dificuldades de adequação com o organismo e o meio.
Introdução:
Ciclo de contato é um conceito relevante da Gestalt Terapia, é a teorização que Perls elaborou para demonstrar como nos relacionamos. Contato ou retraimento, em sua teoria, relata que a priori o contato nem sempre é positivo, assim como a fuga, em algumas circunstâncias não é negativa, é necessário perceber o cenário que acontece esses movimentos. O contato é uma necessidade vital de todo ser humano, existem fronteiras de comunicação que precisam ser ultrapassadas, isso só pode acontecer quando surgem relações interpessoais. Perls faz alusão as fronteiras geográficas para a teoria do “Contato”, ele faz essa analogia, diante do fato de que as fronteiras se abrem para trocas daquilo que é favorável, ou se fecham, impedindo a passagem do que é desfavorável, assim como são as relações, os contatos podem ser de atração ou retração o que vai definir serão as circunstâncias que acontecem de acordo com a necessidade. As fronteiras e o contato seguem um movimento de contato e retração, há momentos de abertura e momentos de retração isso faz parte de uma capacidade inata dos organismos, a homeostase, se abrir e fechar para entrar em contato com o que lhe dará recursos de sobrevivência, uma permeabilidade que recebe nutrientes e expele substâncias.
O ser humano necessita do contato para obter elementos para sua satisfação, sem contato não obtemos nutrientes para sobrevivermos. O surgimento de uma Gestalt e a sua realização depende de um contato satisfatório com o mundo, se não a Gestalt pode ser interrompida ou não satisfeita.
A fronteira surge como algo dinâmico, fluido, e que se faz a medida que estamos em contato com as pessoas e o mundo. A fronteira é permeável e na medida em que estamos abertos ao mundo, ela tende a ser expandir e se tornar mais fluida, mas à medida que estamos com medo ou inibidos ela tende a se retrair, a se encolher.
A fronteira e o contato, seguem um ciclo de contato-retração, há momentos de abertura e há momentos de retração, isso se faz graças a própria homeostase, a capacidade natural do organismo em entrar em contato em busca de satisfação, e se retirar quando satisfeito.
É na fronteira de contato que nos fazemos existir, manifestamos nossos pensamentos, nossas emoções, nós agimos na fronteira de contato. Para o homem o contato é a passagem entre união e separação, a relação entre homem-mundo, que se dá através da fronteira, por onde obtemos o alimento psicológico, e também doamos de nós mesmos ao mundo, numa relação de troca vital onde ambos (homem-mundo) se transformam. 
É nesse ciclo que o homem satisfaz suas necessidades dominantes e dá lugar às outras, por meio de uma hierarquia de necessidades. É onde ocorre a formação e posterior dissolução de “Gestalts” e, depois desta, o organismo recupera a homeostase. Pode ser subdividido em etapas, as quais são necessárias para localização de possíveis perturbações. 
São elas o pré-contato, o contato, o contato pleno e o pós-contato.
O pré-contato é a primeira fase do ciclo na qual predominam as sensações e percepções. O estímulo do meio gera no indivíduo uma excitação que se tornará a figura que solicita seu interesse. O contato é a segunda etapa do ciclo e constitui a fase ativa dele. É a etapa em que o organismo enfrenta o meio e que o objeto desejado se tornará figura, tornando-se fundo a excitação anterior presente no corpo. O contato pleno é a terceira fase do ciclo de contato-retração na qual ocorre a abertura da fronteira de contato. Existe aí uma troca saudável, na qual organismo e meio são indiferenciados. A ação é unificada no aqui e agora. 
O pós-contato ou retração é a fase final do ciclo de contato-retração. Nessa fase ocorre a assimilação/digestão das experiências que as fazem sair do aqui e agora e irem para a dimensão histórica pertencente a cada um de nós. Esse movimento favorece o crescimento do indivíduo. Ocorre assim o fechamento da Gestalt e o sujeito fica então disponível para outra ação.
De qualquer maneira, o ciclo de auto-regulação nos mostra que uma relação saudável com o mundo inicia-se com um ‘dar-se conta’ de uma necessidade do organismo, a partir de uma sensação ou sentimento. A partir da consciência (aware) da necessidade (ou figura) emergente, precisamos mobilizar energia visando à satisfação ou contato satisfatório daquela figura. Após este momento vamos para a ação para enfim obtermos satisfação e retornarmos ao estado de retração, onde a energia se recolhe até o aparecimento de outras figuras. Uma figura aberta desequilibra o organismo e este tende buscar a ‘re-equilibração’	 
O ciclo de contato é formado por nove fases e em cada uma delas são diferenciadas em um mecanismo de defesa que são: introjeção, projeção, confluência, deflexão e retroflexão, adicionada a fixação, dessensibilização, proflexão, egotismo.
Introjeção:
Introjeção (Perls) - Significa a incorporação de elementos do meio, de ideias a sentimentos, relações, valores etc.
Introjeção que sustenta  - a pessoa acredita que o mundo é  quem decide e não ela. 
Forma neurótica – a passividade indiscriminada do sujeito diante do mundo. 
Forma positiva – a pessoa ser capaz de se submeter a uma regra. 
Trabalho terapêutico – ajudar a pessoa a desenvolver um senso crítico.
Pra que esse conceito fique mais claro, vou começar com um exemplo muito utilizado entre os Gestalt, quando somos crianças, até uma certa idade, dependemos dos adultos para nos alimentar. Quando o alimento nos é empurrado "goela abaixo", sem que tenhamos tempo e oportunidade para mastigar, sentir o gosto e só então engolir, estamos introjetando o alimento. Ao contrário, quando o ambiente é sentido como confiável e podemos mastigar, sentir o gosto, desde esse momento começa o processo de digestão daquele conteúdo e portanto, ao invés de introjetar, estamos assimilando. A assimilação é o aspecto saudável da introjeção (lembrem que sempre há um aspecto saudável nas interrupções).
Perls diz que "não há nada em nossas mentes que não venha do meio, e não há nada no meio para o qual não haja uma necessidade orgânica, física ou psicológica. Estas devem ser digeridas e dominadas, se quiserem se tornar nossas de verdade, realmente uma parte da personalidade. Mas se simplesmente as aceitamos completamente e sem crítica, baseados na palavra de outra pessoa, ou porque estão na moda, ou são de confiança, ou tradicionais ou antiquadas ou revolucionárias – tornam-se um peso para nós. São realmente indigeríveis. Ainda são corpos estranhos, embora tenham se instalado em nossas mentes.” (A abordagem gestáltica, Fritz Perls, pg. 46 e 47).
Utilizamos a introjeção saudável para nos adequarmos socialmente, por exemplo. Introjetamos que não se anda nu pelas ruas, introjetamos nosso idioma e uma série de outras normas sociais. O conteúdo do que introjetamos é chamado introjeto.
Quando esse processo ocorre fora de qualquer contexto coercitivo, é saudável; se, em contrapartida, existe uma coerção por qualquer parte do ambiente, que é incompatível com a necessidade genuína do indivíduo, há uma imobilização.